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	<title>Arquivos desenvolvimento sustentável - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 07 Nov 2024 13:51:41 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos desenvolvimento sustentável - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>BNDES vai apoiar 100 startups focadas em sustentabilidade e inclusão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Nov 2024 13:46:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[BNDES]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão social]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) selecionou 100 negócios para participar do programa gratuito de apoio a empreendedores e startups comprometidos com causas socioambientais, o BNDES Garagem. A seleção deste ano priorizou empreendimentos que se destacaram pelo uso de Inteligência Artificial (IA). Entre as startups selecionadas, 51% atuam nas temáticas de economia [&#8230;]</p>
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<p>O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) selecionou 100 negócios para participar do programa gratuito de apoio a empreendedores e startups comprometidos com causas socioambientais, o BNDES Garagem. A seleção deste ano priorizou empreendimentos que se destacaram pelo uso de Inteligência Artificial (IA). Entre as <em>startups </em>selecionadas, 51% atuam nas temáticas de economia verde e descarbonização; 47% contam com representantes pretos ou pardos e 42% estão nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.</p>



<p>Durante o programa, os selecionados receberão apoio individual de especialistas, terão acesso a mentores para aconselhamento e resolução de desafios, conteúdos sobre inovação, empreendedorismo e impacto, serviços gratuitos e subsidiados. A expectativa é que, até 2028, 400 negócios de impacto sejam apoiados pelo <a href="https://garagem.bndes.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">BNDES Garagem</a> em quatro ciclos de aceleração.</p>



<p>“Economia Verde e Descarbonização” foi a categoria com mais selecionados, com 51 negócios aprovados. Na sequência, vêm “Saúde” (17), “Economia da Periferia” (13) e “Educação” (12). Além disso, em linha com as políticas públicas de apoio e incentivo à inteligência artificial (IA), o BNDES Garagem priorizou <em>startups</em> que utilizam a ferramenta de forma relevante em seus negócios. Mais de 1.840 projetos se inscreveram para participar do programa.</p>



<p>A aceleração e execução estratégica do programa são do <a href="https://www.quintessa.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Quintessa</a>, aceleradora com 15 anos de experiência na estruturação e crescimento de empreendimentos de impacto.</p>



<p>“A diversidade das <em>startups</em> selecionadas, com representantes de diversas regiões e com lideranças femininas e negras, reflete um ecossistema de inovação inclusivo e com alto potencial de transformação. O programa contribui não só para o fortalecimento do empreendedorismo de impacto, mas também para uma economia mais verde, justa e sustentável no Brasil”, destacou a sócia do Quintessa, Anna de Souza Aranha.</p>
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		<title>BNDES lança edital de apoio a empreendimentos com foco no desenvolvimento sustentável</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Aug 2024 21:01:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[Governo Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[startup]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou, nesta semana, o primeiro ciclo da terceira edição do programa BNDES Garagem. A iniciativa, que oferece apoio gratuito a empreendedores e startups, vai destinar até R$ 150 mil em prêmios para os projetos mais promissores. O programa tem como foco impulsionar negócios inovadores que promovam [&#8230;]</p>
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<p>O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou, nesta semana, <a href="https://garagem.bndes.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o primeiro ciclo da terceira edição do programa BNDES Garagem</a>. A iniciativa, que oferece apoio gratuito a empreendedores e <em>startups</em>, vai destinar até R$ 150 mil em prêmios para os projetos mais promissores. O programa tem como foco impulsionar negócios inovadores que promovam o desenvolvimento sustentável do Brasil.</p>



<p>Serão selecionadas 100 <em>startups</em>, divididas em dois módulos: &#8220;Criação&#8221;, para ideias em estágio inicial, e &#8220;Tração&#8221;, para negócios que buscam expandir. As inscrições estão abertas desde segunda-feira (19), com as atividades do programa previstas para começar no dia 31 de outubro. A aceleração e execução estratégica do BNDES Garagem será conduzida pela <a href="https://www.quintessa.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Quintessa</a>, aceleradora com experiência na estruturação e crescimento de empreendimentos de impacto.</p>



<p>O programa dará prioridade para soluções nas áreas de economia verde e descarbonização, segurança pública, educação, saúde e economia da periferia. Projetos que utilizarem inteligência artificial terão pontuação adicional no processo de seleção. A iniciativa também reforça o compromisso com a diversidade, com 40% das vagas destinadas a empreendedores das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.</p>



<p>Ao longo do programa, os participantes receberão apoio individual de especialistas, mentoria para resolução de desafios, conteúdos sobre empreendedorismo e inovação, além de acesso a serviços gratuitos e subsidiados. O objetivo é conectar as <em>startups</em> com potenciais investidores e parceiros de empresas públicas e privadas. A expectativa é que, até 2028, o BNDES Garagem tenha acelerado 400 <em>startups</em>.</p>
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		<title>Uma barqueata para pressionar pela criação da Reserva Extrativista no litoral sul de Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/uma-barqueata-para-pressionar-pela-criacao-da-reserva-extrativista-no-litoral-sul-de-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jul 2022 21:49:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[barqueata]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[pescadoras]]></category>
		<category><![CDATA[Pescadores]]></category>
		<category><![CDATA[Resex]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Formoso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pescadoras e pescadores artesanais celebraram o Dia Internacional para a Conservação dos Manguezais, nesta terça-feira, 26 de julho, com uma barqueata no estuário do rio Formoso, litoral sul de Pernambuco, a 85 quilômetros do Recife. Mais do que celebrar, o objetivo foi chamar a atenção e pressionar o Governo do Estado pela criação de uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pescadoras e pescadores artesanais celebraram o Dia Internacional para a Conservação dos Manguezais, nesta terça-feira, 26 de julho, com uma barqueata no estuário do rio Formoso, litoral sul de Pernambuco, a 85 quilômetros do Recife. Mais do que celebrar, o objetivo foi chamar a atenção e pressionar o Governo do Estado pela <a href="https://marcozero.org/pescadoras-lutam-por-reserva-extrativista-em-area-ameacada-no-litoral-sul-de-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">criação de uma Reserva Extrativista (Resex)</a> numa área de 2,6 mil hectares de manguezal dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe.</p>



<p>Há dez anos, mulheres e homens das águas, juntamente com pesquisadores e organizações da sociedade civil, lutam pela criação dessa reserva num importante complexo estuarino que reúne os municípios de Rio Formoso, Sirinhaém e Tamandaré. A região, que inclui três rios (Formoso, Passos e Ariquindá), é utilizada por 2.492 famílias de pescadoras e pescadores artesanais, incluindo 80 famílias quilombolas.</p>



<p>Cerca de 62% dessas pessoas são mulheres. Cercadas pela disputa econômica de grandes empreendimentos, pelo avanço imobiliário e o turismo predatório, elas vivem da pesca de ostra, marisco, sururu, peixe, siri e outros crustáceos ao mesmo tempo em que são as guardiãs do ecossistema.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>O que é uma Resex?</strong></p>



<p><br>Resex é uma categoria de Unidade de Conservação (UC) utilizada por populações tradicionais extrativistas com o objetivo básico de proteger os meios de vida e também a cultura dessas pessoas, assegurando o uso sustentável dos recursos naturais através de uma gestão participativa. Diferentemente de outros tipos de UCs, a Reserva Extrativista precisa partir de uma mobilização popular.</p>
</blockquote>



<p>A barqueta reuniu cerca de 30 embarcações e percorreu 4,27 quilômetros do estuário do rio Formoso, passando pelo píer de Maria Assu e pela praia da Pedra, finalizando com um ato público na Prainha do Reduto.</p>



<p>A proposta de criação da Resex, com estudos técnicos que envolvem desde levantamentos biológicos até desenhos fundiários, passando por questões socioeconômicas, foi encaminhada ao governo de Pernambuco há um ano, em julho de 2021. Neste 2022, Ano Internacional da Pesca e Aquicultura Artesanal, declarado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o grupo quer finalmente tirar do papel a primeira reserva extrativista de Pernambuco na esfera estadual.</p>



<p>Se aprovada pelo Governo de Pernambuco, a unidade irá assegurar renda, sobrevivência e manutenção da tradição secular da pesca artesanal. “Juntos somos mais fortes e venceremos. Porque não estamos aqui para desistir e, sim, persistir no processo da implantação da Resex no nosso estuário”, frisou, durante a barqueata, Cícera Estevão, presidente da Colônia de Pescadores Z7, de Rio Formoso. “Os pescadores e as pescadoras artesanais dependem de um manguezal sadio e limpo e os animais marítimos precisam de um manguezal limpo para reprodução”, explica.</p>



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	                                        <p class="m-0">Barqueata no Píer Maria Asssu, no estuário de Rio Formoso. Crédito: Arnaldo Sete/MZ
</p>
	                
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<p>Moacir Correia, vice-presidente da Associação Comunidade Quilombola do Engenho Siqueira, contabiliza que a região já está na quinta geração de pescadoras e pescadores. “Eu costumo dizer que o manguezal é um pulmão no mangue e a mata atlântica é um pulmão na terra”, compara o pescador, artesão e também fundador do Museu Remanescente, no quilombo onde vive. As comparações de Moacir na tentativa de gerar conscientização não ficam só aí. Segundo ele, o local onde se pretende criar a Resex funciona como &#8220;berço, maternidade e hospital&#8221;: “Berço e maternidade porque as espécies vêm, nascem aqui, e se criam. E hospital porque as espécies vêm e aqui, acidentadas, moram também, servindo de alimento para outras espécies”.</p>



<p>Regiões estuarinas como o Complexo de Rio Formoso são ecossistemas estruturantes extremamente importantes por serem berçários da vida marinha, abrigando muitas espécies juvenis. Os manguezais têm capacidade de abrandar os efeitos das marés ao mesmo tempo em que protegem as bacias hidrográficas e atenuam os efeitos de enchentes. Também são essenciais para o controle do aquecimento global por serem grandes captadores de carbono.</p>



<p>É desse estuário que sai o pescador de siri, ostra, aratu, caranguejo uçá, unha de velho, siri pimenta, perdigão, marisco e tantas outras espécies citadas por Moacir, além dos mamíferos que se alimentam nessa localidade. “As pessoas aqui acham que tem muito mangue, mas não tem. É tempo de tirarmos essa realidade que está escondida”, alerta.</p>



<p>Além das colônias de pesca Tamandaré (Z5), Sirinhaém (Z6) e Rio Formoso (Z7) — todas presididas por mulheres —, estão envolvidas na articulação pela reserva Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), Associação Mangue Verde, de Sirinhaém, e a Associação da Comunidade Quilombola do Engenho Siqueira, em Rio Formoso.</p>



<p>São parceiros e apoiadores: Rare Brasil; Meros do Brasil; Programa Ecológico de Longa Duração Tamandaré Sustentável (Peld Tams), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ligado à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Instituto Recifes Costeiros; e o Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene), ligado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).</p>



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	                                        <p class="m-0">Pescadora coleta mariscos durante barqueata em prol da Resex Rio Formoso. Crédito: Arnaldo Sete/MZ
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>O caminho para criação da Resex Rio Formoso</strong></h2>



<p>Não bastam só a mobilização popular e os estudos técnicos para criar uma Resex. Neste mês, em entrevista à <strong>Marco Zero</strong>, a secretária-executiva de Meio Ambiente e Sustentabilidade em exercício na ocasião, Andréa Olinto, garantiu que o estado está interessado na proposta. Ela também informou que o projeto da reserva ainda precisa se adequar a algumas exigências da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). Os responsáveis pelo projeto disseram à reportagem que estão trabalhando nisso.</p>



<p>Neste primeiro semestre, após pressão dos pescadores e das pescadoras, foi montado junto à pasta um cronograma de ações. As codeputadas estaduais Juntas (PSOL) também colocaram o assunto em pauta na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), em maio, aprovando um apelo pela criação da Resex Rio Formoso.</p>



<p>Em ano eleitoral, a demonstração de interesse do governo estadual se torna estratégica não só do ponto de vista socioambiental, mas também político. É uma oportunidade de o PSB reforçar o discurso de oposição ao desmonte ambiental bolsonarista. Além das adequações legais, o projeto da Resex depois precisará ainda ser encaminhado para apreciação do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), posteriormente para a Alepe para só então finalmente ir à sanção do governador Paulo Câmara (PSB).</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pescadoras-lutam-por-reserva-extrativista-em-area-ameacada-no-litoral-sul-de-pernambuco/" class="titulo">Pescadoras lutam por reserva extrativista em área ameaçada no litoral sul de Pernambuco</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/biodiversidade/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Biodiversidade</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><em><strong>As imagens que compõem esta reportagem foram produzidas com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Uma questão importante!</strong></p>
<cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong><em>.</em></cite></blockquote>



<p></p>
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			</item>
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		<title>Povo Kapinawá protesta contra parque eólico no Vale do Catimbau e em áreas do território indígena</title>
		<link>https://marcozero.org/povo-kapinawa-protesta-contra-parque-eolico-no-vale-do-catimbau-e-em-areas-do-territorio-indigena/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 May 2022 21:18:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[CPRH]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia limpa]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[kapinawá]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Vale do Catimbau]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os indígenas Kapinawá, situados nas cidades de Buíque, Tupanatinga e Ibimirim, no Agreste de Pernambuco, estão preocupados com uma novidade que pode afetar diretamente o cotidiano de suas famílias: a instalação de um parque eólico na região. Denominado “Complexo Eólico Buíque”, o empreendimento está sendo desenvolvido pela empresa Energia de Buíque Ltda., prevê a ocupação [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os indígenas Kapinawá, situados nas cidades de Buíque, Tupanatinga e Ibimirim, no Agreste de Pernambuco, estão preocupados com uma novidade que pode afetar diretamente o cotidiano de suas famílias: a instalação de um parque eólico na região. Denominado “Complexo Eólico Buíque”, o empreendimento está sendo desenvolvido pela empresa Energia de Buíque Ltda., prevê a ocupação de uma área total de 3.049,51 hectares (o equivalente a mais de 4.270 campos oficiais de futebol) para a implantação de uma base de aerogeradores de energia eólica.</p>



<p>De acordo com lideranças Kapinawá e representantes do <a href="https://cimi.org.br/2022/05/parque-eolico-povo-kapinawa-contra-os-negocios-do-vento/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Conselho Indigenista Missionário (Cimi)</a>, além dos transtornos causados para a população que vivem nas áreas rurais, como problemas auditivos e psicológicos devido ao barulho constante das turbinas eólicas, a instalação do parque resultaria em um grande desmatamento da caatinga e uma degradação do solo.</p>



<p>“É um projeto que prevê a instalação de 70 turbinas eólicas em uma área de mais de 3 mil hectares. A área demarcada dos Kapinawá tem cerca de 12 mil hectares e esse parque eólico teria 3 mil hectares em uma área que faz divisa com a fronteira da terra indígena, além de ser muito próximo ao Parque Nacional do Vale do Catimbau, que é uma área de proteção integral com o objetivo de preservar a caatinga e os sítios arqueológicos que estão ali”, disse Daniel Maranhão Ribeiro, advogado do Cimi na Região Nordeste.</p>



<p>Ainda de acordo com Daniel Maranhão, parte da área requerida para a construção do Complexo Eólico Buíque está localizada em um território que está sendo reivindicado pelo povo Kapinawá para que seja demarcado. “O projeto prevê a instalação de um parque eólico na linha do território indígena demarcado e dentro da área reivindicada pelo povo Kapinawá para a ampliação territorial. O território dos Kapinawá foi demarcada em 1982, antes da constituição de 88, então, não foram observados todos os fatores, a demarcação foi realizada através de minutas e não agregou toda reivindicação do povo Kapinawá. Com isso, várias aldeias e áreas de ocupação tradicional ficaram de fora da demarcação. Exatamente em uma dessas áreas, que não foi demarcada, mas onde existem aldeias indígenas, é que está a previsão da instalação do parque eólico”, explicou o advogado.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/nao-e-energia-limpa-se-esta-desmatando-poluindo-nascentes-e-mudando-a-vida-das-pessoas-afirma-fisico-da-ufpe/" class="titulo">“Não é energia limpa se está desmatando, poluindo nascentes e mudando a vida das pessoas”, afirma físico da UFPE</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/energias/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Energias</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Licenciamento ambiental em andamento</strong></h2>



<p>O projeto do Complexo Eólico de Buíque já conta com um processo de licenciamento ambiental em andamento em órgãos reguladores como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). No site do Sistema Eletrônico de Informações do Iphan, é possível ter acesso aos documentos entregues pela Energia de Buíque Ltda com detalhes sobre a instalação do complexo eólico. De acordo com informações do Relatório Ambiental Simplificado (RAS), “o Complexo Eólico Buíque está projetado para uma capacidade de 315 MW, através da instalação de 70 aerogeradores da marca Vestas V150 de 4.500 kW, em uma área de aproximadamente 3.049,51 ha.”.</p>



<p>No mapa a seguir, é possível ver a área requerida para a instalação do empreendimento.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/relatorio-ambiental-simplificado-parque-eolico-buique-18_page-0001-300x212.jpg">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Mapa disponível no Relatório Ambiental Simplificado apresentado ao IPHAN.
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>As imagens evidenciam que o complexo eólico toma uma parte do território indígena Kapinawá, do Parque Nacional do Vale do Catimbau e também das comunidades quilombolas Sítio Mundo Novo e Façola. Com isso, a instalação do parque afetaria tanto a população local quanto o meio ambiente, uma vez que estaria situado em territórios de povos originários e no Vale do Catimbau, reconhecido como um dos mais importantes conjuntos de sítios arqueológicos do país e instituído como Parque Nacional desde 2002.</p>



<p>Apesar da proximidade do empreendimento com áreas de preservação ambiental, fica constatado no RAS apresentado pela empresa que “a maioria dos impactos relacionados ao meio socioeconômico são considerados como positivos e não necessitam de medidas mitigadoras”. Os únicos impactos negativos listados pelo documento são: interferência na infraestrutura viária local; interferências no cotidiano da população; deposição inadequada de efluentes de resíduos sólidos; alteração da paisagem e acréscimo na demanda de serviços de saúde.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Relatório Ambiental Simplificado apresentado pela empresa Energia de Buíque Ltda ao Iphan na íntegra:</strong></li>
</ul>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://pt.slideshare.net/IncioFrana1/catimbaurelatorio-ambiental-simplificado-parque-eolico-buiquepdf
</div></figure>



<p>Procuramos a CPRH para esclarecer alguns pontos apresentados pela Energia de Buíque Ltda e questionar a instalação de um complexo de energia eólica em partes do território Kapinawá e do Parque Nacional do Vale do Catimbau, mas, até o fechamento desta reportagem, os questionamentos não foram respondidos. Pedimos que o órgão informasse um prazo para devolver a demanda, mas também não houve retorno quanto a isso. Assim que obtivermos respostas, publicaremos uma atualização.</p>



<p>Também tentamos contato com a empresa, através de um e-mail que consta em todos os sites onde a mesma está referenciada e anunciada com um endereço eletrônico em de nome Matheus Lopes, mas até o momento não recebemos retorno.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Protesto em Buíque contra o complexo eólico</strong></h3>



<p>Na última quinta-feira, 19 de maio, os indígenas Kapinawá realizaram um protesto no município de Buíque. Entoando cantos e segurando faixas com frases como “Não aceitamos parque eólico no território Kapinawá”, os manifestantes caminharam pelas ruas da cidade.</p>





<p>No mês de fevereiro, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) encaminhou uma carta denúncia sobre a instalação do complexo eólico em Buíque aos Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública da União. No início deste mês, a Defensoria Pública chegou a se reunir com os indígenas Kapinawá.</p>



<p>“O nosso objetivo é garantir que não haja nenhum prejuízo à vida do povo Kapinawá, que hoje conta com mais de 5 mil pessoas. A gente sabe que para os povos indígenas o território é tudo e tem uma centralidade na vida, é do território que vem a religião, o sustento, a tradicionalidade da família e toda a sua cultura. Por isso, pensarmos que existe um projeto que está sendo feito às escondidas dentro de uma área de reivindicação de ampliação do território Kapinawá é um absurdo”, afirmou Daniel Maranhão.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://pt.slideshare.net/IncioFrana1/catimbaudenuncia-povo-indigena-kapinawa-construcao-parque-eolico-mpfpdf
</div></figure>



<p>“Quando o povo tomou conhecimento do projeto ficou muito surpreso e preocupado. Muitas pessoas do povo Kapinawá são agricultores e agricultoras e a extinção de pássaros e abelhas afetaria a polinização e prejudicaria as lavouras além do desmatamento, do barulho, da poluição visual e de todos os problemas de saúde que são acarretados pela instalação desses parques eólicos”, completou o advogado.</p>



<p>Em um mapa feito pelo Cimi e compartilhado pelo advogado Daniel Maranhão, é possível visualizar mais nitidamente quantas e quais aldeias serão afetadas diretamente pela instalação do complexo eólico.</p>



<p>Além dos riscos apresentados, os indígenas afirmam ser vítimas de ameaças e perseguições constantes de posseiros e fazendeiros da região e temem que a situação se agrave com a instalação do complexo eólico. “Ante a falta de proteção do território, ausência de políticas públicas e conclusão da demarcação do território integral de ocupação tradicional Kapinawá, o povo enfrenta no Poder Judiciário duas ações de reintegração de posse (processo n° 0000307-20.2013.4.05.8310 e Processo nº 0000306-35.2013.4.05.8310) de áreas inseridas no perímetro reivindicado pelo povo, áreas que ficaram de fora da demarcação inicial”, declaram os Kapinawá em um trecho da carta denúncia.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Mapa da área prevista a ser ocupada pelo parque eólico. Créditos: Arquivo pessoal /Daniel Maranhão (Cimi)
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Articulação para fiscalizar os parques eólicos</strong></h2>



<p>Sabendo do aumento no número de parques eólicos instalados no estado na última década e o projeto de expansão deste modelo de geração de energia, entidades que lutam pela vida no campo, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Cáritas e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares de Pernambuco (Fetape), se articularam para enfrentar o impacto das eólicas em Pernambuco. O objetivo da iniciativa é promover um maior diálogo com os órgãos de regulação do estado, como o Conselho Estadual de Meio Ambiente e a CPRH, a fim de promover estudos mais aprofundados sobre as instalações dos parques eólicos e endurecer a fiscalização ambiental dos empreendimentos.</p>



<p>“O que nós reivindicamos é que a transição da matriz energética seja popular, justa e inclusiva porque o que a gente percebe é que há um novo processo de colonização do Nordeste a partir da exploração do vento e do sol”, declarou Milena Fraga, assessora de Políticas para o Meio Ambiente da Fetape.</p>



<p>De acordo com Milena, a especulação por áreas do Agreste de Pernambuco tem crescido nos últimos anos e a instalação de grandes complexos de energia eólica pode causar um impacto negativo para a natureza do bioma, majoritariamente composto pela caatinga. A assessora revelou que além de Buíque, há projetos de instalações de parques eólicos previstos para os municípios de Belo Jardim e Brejo da Madre de Deus. </p>



<p>“As regiões que eles [empresários] escolhem são regiões de proteção ambiental, como é o caso do Brejo da Madre de Deus e Belo Jardim, onde existe toda uma área rica em torno do açude do Bitury, conhecida como Mata do Bitury, e que integra mais de 1.200 nascentes fazendo com que aquela região seja responsável pelo abastecimento de água para vários municípios do agreste. Até o momento, nesses locais, estão apenas em fase de estudo, mas em locais como Caetés, onde o parque já foi instalado, a gente já vê o impacto negativo na convivência com o semiárido e com a caatinga”, disse Milena Fraga.</p>



<p>Atualmente, a Fetape integra um Grupo de Trabalhos no Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) sobre os empreendimentos de energia eólica em Pernambuco. Em março deste ano, a organização elaborou um ofício pautando a discussão de mudanças no processo de licenciamento dos parques eólicos.</p>



<p>Entre as propostas apresentadas pela Fetape, estão o mapeamento de áreas que podem ou não receber parques eólicos; criação de leis e normativas para regulamentar o processo de licenciamento das empresas para proteger os brejos de altitude, mata atlântica e caatinga; realização de audiências públicas para conscientizar a sociedade civil e também as autoridades municipais; responsabilização das empresas e reparação das famílias afetadas, podendo retirar as torres de perto das casas e fiscalização do processo de compensação realizado pelas empresas.</p>





<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


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<p>O post <a href="https://marcozero.org/povo-kapinawa-protesta-contra-parque-eolico-no-vale-do-catimbau-e-em-areas-do-territorio-indigena/">Povo Kapinawá protesta contra parque eólico no Vale do Catimbau e em áreas do território indígena</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>“Não é energia limpa se está desmatando, poluindo nascentes e mudando a vida das pessoas”, afirma físico da UFPE</title>
		<link>https://marcozero.org/nao-e-energia-limpa-se-esta-desmatando-poluindo-nascentes-e-mudando-a-vida-das-pessoas-afirma-fisico-da-ufpe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 May 2022 18:44:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[matriz energética]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=47303</guid>

					<description><![CDATA[<p>De acordo com os dados do Ministério de Minas e Energia, em 2021, o Brasil bateu recorde de expansão da capacidade instalada de energia elétrica a partir de fonte eólica e subiu para a 6ª posição no ranking do Global Wind Energy Council, saltando de 1 gigawatts de potência instalada em 2011 para 21 gigawatts [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>De acordo com os <a href="https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/brasil-sobe-para-a-sexta-posicao-em-ranking-internacional-de-energia-eolica#:~:text=Em%20novembro%20de%202021%2C%20o,mais%20expans%C3%A3o%20para%20o%20setor." target="_blank" rel="noreferrer noopener">dados do Ministério de Minas e Energia</a>, em 2021, o Brasil bateu recorde de expansão da capacidade instalada de energia elétrica a partir de fonte eólica e subiu para a 6ª posição no ranking do Global Wind Energy Council, saltando de 1 gigawatts de potência instalada em 2011 para 21 gigawatts em janeiro de 2022. Com isso, a energia eólica passou a ser a segunda maior fonte de energia do país, ficando atrás apenas da energia gerada pelas hidrelétricas. De acordo com dados do Governo Federal, a região Nordeste lidera a produção de energia eólica no Brasil e o estado que mais produz é o Rio Grande do Norte.</p>



<p>Apesar das vantagens da produção de energia a partir das fontes renováveis &#8211; como o fim da emissão de gases do efeito estufa que contribuem nas mudanças climáticas-, a instalação dos parques eólicos no Brasil, sobretudo no Nordeste, tem sido tema de debates na sociedade civil. Denúncias de trabalhadores que vivem próximos às áreas ocupadas pelos parques se juntam a estudos acadêmicos ao revelar os impactos negativos que esses empreendimentos podem trazer para a saúde da população e para o meio ambiente.</p>



<p>O físico e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Heitor Scalambrini Costa, que desenvolve trabalhos sobre a relação entre energia e meio ambiente, conversou com a Marco Zero para explicar porque definir a energia eólica como uma energia limpa pode trazer consequências negativas para a preservação ambiental.</p>



<p>Marco Zero Conteúdo &#8211; <strong>Por que não devemos chamar a energia eólica de energia limpa apesar dela ser considerada uma energia renovável?</strong></p>



<p><strong>Heitor Scalambrini &#8211; </strong>Uma das principais causas das mudanças climáticas são os chamados combustíveis fósseis, o petróleo e seus derivados, o gás natural, o carvão mineral e os minérios radioativos, esses combustíveis são fontes de energia não renováveis e eles acabam contribuindo com mais de 70% de emissão dos chamados gases de efeito estufa. Então, não tem como a gente falar em mudanças climáticas sem falar em energia. Por isso é tão importante as fontes renováveis de energia, como o sol, o vento, a biomassa e as águas, já que os processos utilizados para transformar esses recursos em fontes de energia não emitem gases do efeito estufa. Porém, essas fontes de energia renovável são incorretamente chamadas de energia limpa porque, ao mesmo tempo que elas contribuem com o fim da emissão dos gases de efeito estufa, elas têm uma repercussão muito grande nos impactos socioambientais devido à maneira como estão sendo implantadas aqui no Brasil.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/entenda-porque-os-parques-de-energia-eolica-estao-piorando-a-vida-das-familias-de-agricultores-no-agreste/" class="titulo">Entenda por que os parques de energia eólica estão piorando a vida das famílias de agricultores no agreste</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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        </div>

		


<p><strong>E qual é a maneira que a energia eólica está sendo implantada no Brasil?</strong></p>



<p>As fontes de geração de energia eólica são implantadas em grandes superfícies, que é o que a gente chama de geração centralizada, quando você concentra grandes parques eólicos, usinas solares e produz uma enorme quantidade de energia e coloca toda essa energia nos fios das linhas de transmissão para que ela seja levada para todo o país. Esse modelo de instalação traz muitos impactos, na vida das pessoas e no meio ambiente, por isso é errado a gente falar em energia limpa, se falássemos só do processo de transformação de energia tudo bem, mas para implantar esse sistema em grandes áreas, como é o modelo tradicional que temos implantado hoje no Brasil, ela vai trazer grande problemas, principalmente agora com o afrouxamento da fiscalização ambiental e dos órgãos de controle. O sistema ambiental de fiscalização a nível federal que está em frangalhos.</p>



<p><strong>Quais são os riscos que esse modelo de implantação de uma energia dita sustentável pode trazer para o meio ambiente?</strong></p>



<p>O fato de chamarmos a energia eólica de energia limpa implica, do ponto de vista da legislação ambiental, que elas são de baixo impacto ambiental, e isso exime as empresas de energia eólica da obrigação de apresentar o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto do Meio Ambiente, que são dois mecanismos fundamentais para fiscalizar a implantação de projetos e empreendimentos que afetam o meio ambiente e esse é um grande problema. Não há limite de ocupação de locais para os empreendedores e isso acaba acarretando no desmatamento desenfreado, principalmente da caatinga, que hoje só tem50% da vegetação original, o resto já foi desmatado e a implantação da energia eólica do jeito que está sendo feita é mais uma ameaça ao bioma.</p>



<p><strong>Qual seria então a solução para continuar produzindo energia eólica no Brasil sem afetar a natureza e a população?</strong></p>



<p>Não somos contra a instalação dos parques eólicos, somos a favor do processo de transição energética que vai substituir os combustíveis fósseis, mas é preciso que haja cuidado para que não acabemos dando um tiro no pé, porque não há energia limpa se você está desmatando, poluindo nascentes e mudando a vida das pessoas efetivamente ao tirá-las de suas casas, principalmente porque muitas dessas pessoas são pequenos agricultores. Nós somos favoráveis à implantação desses sistemas, mas em pequenas instalações, que nós chamamos de sistemas descentralizados, porque quanto maior a área ocupada pelos aerogeradores maior vai ser o impacto no meio ambiente. Caso as grandes instalações sejam realmente necessárias e bem justificadas, que elas aconteçam em locais de desertificação, que não afete diretamente o cotidiano das pessoas nem o ambiente.</p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/04/AAABanner.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
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