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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Mortalidade de idosos por desnutrição diminui, mas taxas permanecem elevadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Aug 2024 11:12:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As taxas de mortalidade por desnutrição em idosos brasileiros tiveram tendência geral de queda nas últimas duas décadas. Porém, os números ainda são preocupantes, já que foram registrados mais de 93 mil óbitos no período de 2000 a 2021 e não houve redução da mortalidade por essa causa entre a população de 80 anos ou [&#8230;]</p>
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<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><a href="https://abori.com.br/medicina-e-saude/mortalidade-de-idosos-por-desnutricao-diminui-em-duas-decadas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img decoding="async" width="163" height="159" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/Bori.jpg" alt="" class="wp-image-64956 size-full"/></a></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>As taxas de mortalidade por desnutrição em idosos brasileiros tiveram tendência geral de queda nas últimas duas décadas. Porém, os números ainda são preocupantes, já que foram registrados mais de 93 mil óbitos no período de 2000 a 2021 e não houve redução da mortalidade por essa causa entre a população de 80 anos ou mais. </p>
</div></div>



<p>As conclusões são de pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), publicadas em artigo na<a href="https://abori.com.br/periodico/revista-brasileira-de-geriatria-e-gerontologia/"> “Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia”</a> nesta segunda (12).</p>



<p>A condição vitimou especialmente pessoas com 80 anos ou mais (63% do total) e analfabetas (33%). Entre toda a população acima de 60 anos, a maior taxa de mortalidade foi observada em 2006 – quase 29 mortes por desnutrição a cada 100 mil habitantes – e a menor, em 2021 – cerca de dez mortes por essa causa para cada 100 mil habitantes.</p>



<p>O estudo analisou a tendência de mortalidade de idosos por desnutrição proteico-calórica, caracterizada como uma deficiência grave de proteínas e calorias devido ao consumo insuficiente por um longo período. Os autores reuniram dados de 2000 a 2021 do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), vinculado ao Departamento de Informática do SUS (DATASUS), e observaram as características da população afetada.</p>



<p>“São achados que, de um modo geral, nos surpreendem, visto que a desnutrição proteico-calórica é uma causa comum de óbito, sobretudo em idosos, mas que pode ser evitada”, explica Ronilson Ferreira Freitas, pesquisador da UFAM e um dos autores do artigo. As taxas são maiores entre indivíduos do sexo masculino, o que indica possível negligência em relação a um estilo de vida saudável e a práticas de cuidado com a saúde. Para Freitas, os resultados evidenciam a necessidade de fortalecer uma abordagem de prevenção nos serviços de saúde.</p>



<p>O autor destaca a necessidade de mais estudos sobre o tema, avaliando as taxas por regiões e unidades da federação, assim como em estudos longitudinais. “É preciso entender melhor quem são e onde estão os idosos expostos a maior risco de desnutrição proteico-calórica, e identificar, no contexto atual, quais são as condições que aumentam o risco de tal evento”.</p>



<p>No contexto da formalização de uma aliança global contra a fome e a pobreza, anunciada em 24 de julho em reunião de países do G20 no Brasil, a pesquisa pode contribuir na proposição de políticas públicas específicas para garantir uma alimentação adequada à população idosa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vivem no Brasil cerca de 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos, o que equivale a 15% da população.</p>



<p>Freitas ressalta a importância de que a sociedade e o Estado brasileiro se preparem para o aumento da parcela idosa da população. O autor cita o número crescente de pessoas idosas em instituições de longa permanência, que sobrevivem com poucas verbas públicas e dependem, muitas vezes, de doações da comunidade. “As características próprias do envelhecimento expõem a população mais longeva a um risco maior de desnutrição. É importante que as políticas públicas já existentes sejam discutidas e aprimoradas”, conclui o pesquisador.</p>
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		<title>Desnutrição já mata mais pessoas idosas do que crianças em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Mar 2023 19:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[desnutrição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Adriana Amâncio* “É muito ruim olhar para os quatro cantos e não ver o que comer”, afirma Zilma Maria da Silva, de 59 anos, que mora no bairro dos Coelhos, área central do Recife. Situações como essa são recorrentes em sua casa sempre que o mês chega à metade. Nesse período, a dispensa da [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Adriana Amâncio*</strong></p>



<p>“É muito ruim olhar para os quatro cantos e não ver o que comer”, afirma Zilma Maria da Silva, de 59 anos, que mora no bairro dos Coelhos, área central do Recife. Situações como essa são recorrentes em sua casa sempre que o mês chega à metade. Nesse período, a dispensa da idosa, que é responsável por um neto de 17 anos, fica vazia. Dona Zilma tem como única fonte de renda R$ 600 do Auxílio Brasil, que para ela, nunca deixou de ser o Bolsa Família. Deste total, R$ 110 são reservados para a compra dos remédios para as crises de asma. Com R$ 490, ela compra um botijão de gás e alimentos baratos.&nbsp;</p>



<p>“O que compro mais é ovo e fubá. Dá para passar só 15 dias, depois, a gente vai para a casa da minha filha para comer lá”, afirma. Algumas vezes, Zilma não pode sequer contar com a ajuda da filha e aí, só resta a sorte para aliviar a barriga dela e do neto. Hoje, em Pernambuco, o número de idosos que vêm a óbito com um quadro de desnutrição associado é maior do que o de crianças com idade entre 0 e 5 anos. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, em 2020, foram registrados 268 óbitos de idosos com quadro de desnutrição associado, contra sete óbitos de crianças na mesma condição. Isso quer dizer que morrem quase quarenta vezes mais idosos do que crianças na primeira infância, com quadro de desnutrição.</p>



<p>A nutricionista clínica e especialista em gerontologia, Luisiana Lamour considera o dado importante, pois em linhas gerais, define que a desnutrição joga contra a saúde do idoso e a favor da enfermidade. “A desnutrição está associada à fragilidade, à diminuição da imunidade, torna o idoso suscetível a infecções e enfermidades. Pode não estar associada à causa direta [do óbito], mas indiretamente, sim”, explica. A especialista avalia que é raro identificar esse quadro, “há muita subnotificação sobre a presença da desnutrição como causa associada ao óbito do idoso”, frisa. Com experiência clínica, Luisiana afirma que tem recebido um número cada mais alto de pacientes idosos com quadro de desnutrição extremamente grave. “E não pense que são só idosos com baixa renda, não! Há idosos com renda, mas com falta de acompanhamento especializado”, observa.&nbsp;</p>



<p>De acordo com a gerontologista e integrante do setor de relações Institucionais da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI), Áurea Barroso, a falta de acompanhamento especializado é apenas uma dentre as lacunas nas políticas públicas para que os idosos se tornem alvos fáceis da desnutrição. “Falta uma política pública eficiente de combate à desnutrição. Há um desinteresse pela questão dos idosos. A ideia é ‘vamos investir nos jovens, pois eles são a força produtiva’. Os idosos são importantes, muitos são arrimo de família, há alguns que se aposentam e vão trabalhar para manter a família. As crianças têm uma rede de proteção, mas os idosos, não. Quando não tem renda, não tem o BPC [Benefício de Prestação Continuada], fica difícil assegurar uma alimentação segura”, explica.&nbsp;</p>



<p>A falta de renda também é a causa da fome que castiga Margarida do Nascimento, de 65 anos, também moradora do bairro dos Coelhos. Responsável pela neta Vitória de Castro, de cinco anos, cuja mãe se encontra detida em uma colônia penal feminina, Margarida também conta apenas com os R$ 600 do Auxílio Brasil.</p>



<p>“O dinheiro não dá. Eu compro gás, compro salsicha, compro aos pouquinhos, porque não dá para fazer uma feira. Muita vezes já dormimos com fome, eu e ela’, confessa, apontando para a neta no canto da sala. Mesmo assim, quando começa a segunda quinzena do mês, sem alimento e sem renda, avó e neta apelam para a fé. “Essa semana, por sorte, veio um senhor e deu fubá e uns três pacotes de macarrão”, relembra. Dona Margarida revela que entregou a documentação ao filho mais velho e, até hoje, aguarda o deferimento da solicitação.</p>



<p>Mesmo idosas e em condição de privação alimentar, as avós Margarida e Zilma cuidam, sozinhas, de uma casa, dos seus netos. Essas atividades requerem bastante energia e vigor mental. “E dizem que os idosos não são importantes, essas avós são arrimo de família, são muito importantes”, contesta Áurea. Ainda segundo ela, é preciso ampliar o Benefício de Prestação Continuada e toda a rede de proteção social e de saúde voltada aos idosos.&nbsp;</p>



<p>“A primeira coisa é ampliar o BPC para 60 anos e melhorar as condicionalidades, não ter esse critério de renda per capita de até um quarto de um salário mínimo. Outra coisa, é investir na atenção básica e na proteção social, no acesso aos medicamentos, na questão primária, evitando que essa população idosa não chegue na média e na alta complexidade. Investir no Centro-Dia, onde os idosos conseguem alimentação, recebem acompanhamento multiprofissional’ , observa. O critério atual para ter acesso ao Benefício de Prestação Continuada é ter no mínimo 65 anos e comprovar renda per capita inferior a um quarto de um salário mínimo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Comida só dura até o meio do mês na casa de dona Zilma. Crédito: Arnaldo Sete/Projeto Colabora</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mortalidade infantil em queda</strong></h2>



<p>Para entender porque, diferente do que tem ocorrido no fim da vida, na primeira infância a desnutrição já não é uma ameaça tão presente, é preciso olhar para a história recente do Brasil. A nutricionista e doutoranda em Saúde Pública, Marília Santana, afirma que essa trajetória foi impulsionada pelo curso de um conjunto de políticas sociais e de saúde. “A instituição do SUS, a criação das unidades básicas de saúde nos territórios, perto das crianças, posteriormente, as políticas de segurança alimentar resultaram na diminuição das mortes por desnutrição aguda ou com esse problema associado”, analisa.</p>



<p>Marília relembra que, nos anos 1980, a história do Brasil era intensamente marcada por altas taxas de mortalidade infantil. Nas décadas de 1950 e 1960, prossegue ela, as regiões Norte e Nordeste do Brasil tinham quadros de desnutrição gravíssimos, que atingiam até 20% da população. “Hoje, a gente tem números de menos de 5%. O Bolsa Família, a própria alimentação escolar, as cisternas, o acesso à água garante uma boa alimentação, que vão impactar de forma positiva neste quadro. Hoje a gente tem um perfil populacional que migrou da carência nutricional para um perfil que também preocupa muito, que é de uma população com excesso de peso, com obesidade”, conclui.</p>



<p>A nossa reportagem fez contato com a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco para saber se a notificação dos óbitos de idosos, com quadro associado de desnutrição é feita regularmente. Perguntamos ainda se o órgão oferece serviços de acompanhamento especializado à questão nutricional deste público e se há políticas públicas voltadas para estimular&nbsp; a inserção dos idosos nos programas de transferência de renda. Até o fechamento desta reportagem, não obtivemos resposta do órgão. Se houver retorno às nossas demandas, o texto será imediatamente atualizado.</p>



<p>*<strong><a href="https://linktr.ee/AdrianaAmancio?fbclid=PAAaarbVfyoxn7Ma8U7VJ-CkX9PvPkULV-aoAcOwM_h3BBaZKWXKRUiyAC9Rg">Adriana Amâncio</a></strong>&nbsp;é&nbsp;<strong>jornalista freelancer, com 12 anos de atuação na cobertura de pautas nas áreas de direitos humanos, meio ambiente e gênero.</strong></p>



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		<title>Semiárido brasileiro vai ao Sahel senegalês em intercâmbio promovido pelas Nações Unidas</title>
		<link>https://marcozero.org/semiarido-brasileiro-vai-ao-sahel-senegales-em-intercambio-promovido-pelas-nacoes-unidas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Nov 2018 14:10:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[África ocidental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta segunda-feira, 5 de novembro, 13 agricultores e agricultoras familiares do semiárido, acompanhados de quatro profissionais da Articulação do Semiárido (ASA), embarcam para o Senegal para iniciar a etapa africana do intercâmbio entre agricultores do Brasil e de outras áreas semiáridas do planeta. Na África, a comitiva brasileira irá conhecer a realidade das famílias que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta segunda-feira, 5 de novembro, 13 agricultores e agricultoras familiares do semiárido, acompanhados de quatro profissionais da Articulação do Semiárido (ASA), embarcam para o Senegal para iniciar a etapa africana do intercâmbio entre agricultores do Brasil e de outras áreas semiáridas do planeta. Na África, a comitiva brasileira irá conhecer a realidade das famílias que vivem no Sahel, região ao sul do deserto Saara, com 5,4 quilômetros de extensão que corta 14 países africanos do oceano Atlântico ao Mar vermelho.</p>
<p>O intercâmbio, iniciado no início deste ano, é promovido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em parceria com a ASA. Além da aproximação com a população rural senegaelesa, agricultores familiares do Semiárido brasileiro estão, desde o início do ano, em pleno intercâmbio com famílias agricultoras que vivem na Guatemala e El Salvador, coração do Corredor Seco da América Central.</p>
<p>Nesse mesmo período, irá acontecer a terceira fase do intercâmbio com os centroamericanos. De 5 a 14 de novembro, um grupo de 10 pessoas &#8211; entre elas mulheres cisterneiras, como são conhecidas as pedreiras que constroem cisternas de placa de cimento &#8211; vão realizar oficinas de construção destas tecnologias sociais que têm possibilitado o acesso à água de milhares de famílias no Semiárido brasileiro.</p>
<p>Nesse programa de intercâmbio, tanto os visitantes, quanto os anfitriões vivem em áreas semiáridas que, com as mudanças climáticas e a diminuição das chuvas, tendem a ter um maior índice de aridez do solo, com ampliação também do fenômeno da desertificação. Há projeções de estudos científicos que preveem uma redução de 50% da precipitação pluviométrica no Semiárido brasileiro neste século 21.</p>
<p><b>Rumo ao Senegal</b></p>
<p>No grupo que vai cruzar o Atlântico em direção à África, estão homens e mulheres experientes, conhecedores profundos do solo, dos ciclos da natureza, do comportamento das plantas, além de guardiões e guardiães da biodiversidade, conceito que inclui desde as sementes crioulas aos micro-organismos que vivem no solo.<br />
No Senegal, esse grupo irá encontrar uma população que vive, desde outubro do ano passado, uma crise alimentícia resultante da falta de chuva. Segundo a organização não governamental Ação Contra a Fome, estima-se que falta de chuva deixou mais de 245 mil pessoas sem alimentos no país, levando uma a cada cinco crianças a sofrer de desnutrição aguda.</p>
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