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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Diario de Pernambuco apresenta planilhas com informações erradas em audiência na Justiça do Trabalho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jan 2024 22:44:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[diario de pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Trabalhar no jornal mais antigo em circulação na América Latina, como diz o surrado slogan da empresa, continua sendo uma experiência amarga para, pelo menos, quase 300 profissionais &#8211; entre funcionários, ex-funcionários e terceirizados &#8211; do Diario de Pernambuco. Desde 2017, a rotina desses trabalhadores é de luta para garantir salários e direitos trabalhistas. Essa [&#8230;]</p>
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<p>Trabalhar no jornal mais antigo em circulação na América Latina, como diz o surrado <em>slogan</em> da empresa, continua sendo uma experiência amarga para, pelo menos, quase 300 profissionais &#8211; entre funcionários, ex-funcionários e terceirizados &#8211; do Diario de Pernambuco. Desde 2017, a rotina desses trabalhadores é de luta para garantir salários e direitos trabalhistas. Essa história já rendeu denúncia de assédio, demissões em massa, salários atrasados, greves e protestos, e não há previsão acabar. </p>



<p>A quinta-feira, 25 de janeiro, foi mais um dia sem desfecho nessa história. O que inicialmente parecia um vislumbre de esperança para levar os entraves jurídicos a algum lugar acabou em frustração quando o desembargador Fábio Farias, no Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região, compreendeu que o Diario de Pernambuco levou planilhas incompletas e desatualizadas das dívidas trabalhistas acumuladas para a audiência pública para elaboração do Plano Especial de Pagamento Trabalhista (PEPT).<br><br>A audiência acabou com o desembargador determinando que os advogados do Diario organizassem corretamente a lista de credores e valores devidos.  </p>



<p>O Tribunal Superior do Trabalho define o PEPT com o “objetivo de centralizar, arrecadar e distribuir os valores devidos pelos executados. O plano visa dar efetividade às decisões judiciais e garantir a continuidade da atividade econômica, com o pagamento equânime e parcelado dos débitos trabalhistas de grandes devedores”.</p>



<p>Apesar do PEPT ter sido solicitado pelo próprio Diario de Pernambuco, a empresa não teria apresentado as informações devidas para a continuidade da proposta do Plano. Segundo Márcia Santos, advogada dos Sindicatos dos Jornalistas de Pernambuco (Sinjope), a lista de informações dos credores foi apresentada com irregularidades, por isso precisa ser atualizada. Entre as proposições constam também um deságio, ou seja, redução de 40% do valor total da dívida, que segundo a advogada, não faz parte do PEPT. </p>



<p>&#8220;Para solicitar o PEPT, a empresa traz uma petição inicial com os valores a pagar, tem que colocar os valores atualizados de juros futuros que não vieram, ela tem que constar o nome dos empregados, dos advogados e dos valores que também não vieram nessa lista. Quando ela dá entrada, diz como quer pagar esses valores e em quanto tempo, no caso, eles pediram para pagar em 60 meses e, depois, entraram com um aditamento para pagar em 72 meses, ou seja, em seis anos&#8221;, explica Márcia. </p>



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	                                        <p class="m-0">Ex-funcionários do Diario de Pernambuco compareceram à audiência pública no TRT-6ª Região. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo.</p>
	                
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<p>O Diario têm pendências com muitos desses trabalhadores há aproximadamente seis anos, considerando a aprovação do PEPT, serão 12 anos para receber as verbas rescisórias de direito. No plenário havia diversos jornalistas, inclusive idosos que continuam na luta. Sebastião Araújo, por exemplo, tem 69 anos, iniciou no jornal como repórter, fez carreira até o cargo de editor, posição que ocupava quando foi demitido em 2020.  </p>



<p>Consequentemente a empresa propõe que um homem prestes a completar 70 anos de idade, terá que ver seus direitos vindos de anos de trabalho serem diluídos em seis anos. &#8220;Há três anos eu vivo essa angustiante expectativa de sair esse dinheiro da ação trabalhista. Quando eu saí do jornal em 2020, saí com uma mão na frente outra atrás. Simplesmente, o RH mandou que eu procurasse a Justiça do Trabalho, uma forma de despedida nada agradável&#8221;, lamenta Sebastião que tem mais de 40 anos de jornalismo. </p>



<p>O Sinjope reforça que a grande luta é que não haja o fechamento do veículo, tendo em vista que o pagamento será ainda mais difícil, além de fechar diversos postos de trabalho, que apesar de não serem ideais, ainda mantém a subsistência de profissionais de um mercado em crise. &#8220;O sindicato quer que a empresa se mantenha de pé, mas que cumpra todos os requisitos legais. Não pode funcionar de qualquer jeito, como se pensa. Pra gente se tiver um acordo devido, que todos recebam seus direitos, é importante que se faça&#8221;, pontua Jailson da Paz, presidente do Sinjope.  </p>
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		<title>Salários atrasados, demissões e assédio moral na rotina da agonizante mídia tradicional em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 May 2021 18:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[diario de pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[jornais diários]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Tribuna]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fundado no ano de 1825, o Diário de Pernambuco é o jornal mais antigo em circulação na América Latina. O lema “rumo aos 200 anos”, que agora estampa a primeira página do jornal, traz uma conotação de orgulho que contrasta com a dura realidade enfrentada por profissionais que trabalham no veículo. De acordo com as [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Fundado no ano de 1825, o Diário de Pernambuco é o jornal mais antigo em circulação na América Latina. O lema “rumo aos 200 anos”, que agora estampa a primeira página do jornal, traz uma conotação de orgulho que contrasta com a dura realidade enfrentada por profissionais que trabalham no veículo.</p>



<p>De acordo com as denúncias feitas ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco (Sinjope) e expostas por meio de uma carta aberta, publicada no dia 24 de abril, a soma dos salários atrasados equivale a seis meses de serviços prestados por jornalistas, diagramadores e demais profissionais que atuam no jornal. Alguns jornalistas estão com os salários de 2019 em atraso e os depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não estão sendo realizados pela empresa.</p>



<p>Com salários atrasados, mais demissões e uma carga horária de trabalho pesada, a situação dos jornalistas do Diário não é um caso isolado. Muito pelo contrário. Os veículos de comunicação mais tradicionais de Pernambuco sofrem uma crise financeira e funcionários se queixam das consequências há anos.</p>



<p>“É um problema antigo, que tem se agravado nos últimos anos. O pior de tudo é que mesmo nessas condições, os jornais continuam circulando diariamente. Os jornalistas seguem alimentando a máquina que os empresários precisam e que é responsável por essa desvalorização da categoria”, afirmou o presidente do Sinjope, Severino Júnior.</p>



<p>De acordo com o sindicalista, a situação tem piorado com a aprovação das novas medidas provisórias do Governo Bolsonaro, que permitem a redução das jornadas de trabalho e dos salários dos trabalhadores. Criada no início da pandemia da covid-19 e reeditada em abril deste ano, a MP 1045/21 permite a suspensão de contratos e flexibiliza as leis trabalhistas, com a justificativa de assegurar a manutenção de empregos.</p>



<p>As empresas de comunicação, por sua vez, aproveitam a medida provisória precarizando ainda mais a situação de jornalistas, editores, fotógrafos e até estagiários. Não bastasse o atraso de salários, os funcionários agora precisam lidar com a redução de seus vencimentos. Ou seja, as empresas atrasam meses de salários e pagam &#8211; quando pagam &#8211; os valores reduzidos.</p>



<p>A quantidade de horas trabalhadas também estão sendo diminuídas para baixar ainda mais os salários: há casos de editores ou profissionais em cargos de chefia que chegavam às 6h e largavam às 13h, mas agora só tem de encerrar o trabalho às 11h. Assim, escalonamento de repórteres e estagiários precisam ser modificados para dar conta das demandas do jornal que, antes, eram de responsabilidade desses editores.</p>



<p>“Os horários dos estagiários tiveram que ser adaptados porque reduziram o expediente de repórteres e editores mais uma vez”, afirmou um estagiário de outro jornal diário recifense, que pediu para não se identificar. De acordo com ele, essa é a segunda vez que as jornadas são reduzidas. No início da pandemia, além das reduções de cargas horárias, diversos profissionais celetistas foram demitidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Paralisação frustrada</h2>



<p>“A situação é tão extrema que você chega a não ter perspectiva nenhuma, você simplesmente acha que está trabalhando e empurrando com a barriga. Esse momento de pandemia já traz essa sensação de falta de perspectiva de uma forma geral e trabalhar nessas condições intensifica ainda mais. Você sabe que vai trabalhar e dar o seu melhor, mas não vai ser reconhecido”, afirmou uma jornalista que já atuou como repórter tanto no Diario de Pernambuco quanto na Folha de Pernambuco nos últimos anos. </p>



<p>A fim de expor a situação e reivindicar os seus direitos, os profissionais do Diario de Pernambuco tentaram articular uma paralisação e, assim, conseguir negociar com a empresa de forma mais direta. Porém, após serem pressionados de diversas maneiras pela diretoria, os jornalistas voltaram atrás.</p>



<p>“Nós montamos uma assembleia para instaurar uma paralisação, passamos um dia sem trabalhar. Mas, os editores voltaram ao trabalho depois de serem ameaçados pela diretoria. Havia até uma reunião marcada, mas, depois da volta dos editores, não houve mais negociação. A gente voltou a trabalhar como se nada tivesse acontecendo”, declarou uma jornalista que trabalha no Diario.</p>



<p>As tentativas de protesto e de busca por algum tipo de resposta por parte das empresas se transformaram em rotina. Segundo o presidente do Sinjope, as denúncias de atraso de salários e demissões em massa são comuns, principalmente contra as empresas Diario de Pernambuco, Folha de Pernambuco e Jornal do Commercio.</p>



<p>“A situação é antiga e grave, durante as assembleias já ouvi histórias tristes como a de um colega jornalista que precisou vender o berço do filho para poder comprar o leite da criança porque estava há meses sem receber. Não é um caso isolado”, disse Severino.</p>



<p>Na tentativa de diminuir a crise financeira, os jornais têm optado por cortar o quadro de funcionários celetistas e contratar prestadores de serviço, assim, os custos com os benefícios das leis trabalhistas diminuem e os funcionários perdem direitos fundamentais. De acordo com o Sinjope, atualmente,18 funcionários do Diario, incluindo editores, subeditores, diagramadores e repórteres são celetistas e outros 29 são prestadores de serviço, os chamados &#8220;PJ&#8221;.</p>



<p>Outro fator que colocou os jornalistas de Pernambuco em uma situação ainda mais crítica nos últimos anos foi a diminuição na venda dos jornais impressos e o aumento do consumo de notícias online. À prova disso estão as frequentes demissões no Jornal do Commercio e o cancelamento da edição  impressa do jornal, que passou a ser completamente online a partir de  março deste ano.</p>



<p>Diferente do que se imagina, a produção nos jornais não diminui junto com o aumento da crise e a redução no quadro de funcionários. O resultado, na verdade, é o aumento de demandas e da carga horária daqueles que ainda continuam trabalhando nos veículos de comunicação.</p>



<p>“Eu tenho tendinite crônica. Minha fisioterapeuta teve que fazer um laudo para que eu não trabalhasse nos fins de semana. O ritmo de trabalho era muito pesado porque iam demitindo gente, mas as demandas não diminuíam. Eu tinha que produzir para o impresso e também para o online”, declarou uma jornalista que atuou como editora no Diario de Pernambuco. Em 2013, a profissional passou boa parte do ano afastada do trabalho, pois desenvolveu uma hepatite medicamentosa devido a grande quantidade de remédios que ingeriu para aliviar as dores.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O caso da Rede Tribuna</h3>



<p>A crise não é exclusividade do jornal impresso. No dia 23 de abril, poucos dias antes de publicar a carta aberta em defesa dos profissionais que trabalham no Diario de Pernambuco, o Sinjope publicou uma nota denunciando o que estava acontecendo na Rede Tribuna de Comunicação. De acordo com o sindicato, os profissionais também enfrentam problemas com o atraso de salários. Além dos riscos que os jornalistas correm diariamente ao trabalhar na rua durante a pandemia.</p>



<p>“A Tribuna costumava pagar bem os seus funcionários, mas o Grupo Nassau [indústria de cimento], que administra a empresa, começou a enfrentar problemas financeiros e isso refletiu no veículo”, declarou o presidente do Sinjope, Severino Júnior. De acordo com o sindicalista, a situação está se agravando e colegas que trabalham em emissoras concorrentes, como a Rede Globo, estão realizando campanhas de arrecadação para doar ajuda aos funcionários da TV Tribuna.</p>



<p>Severino afirmou, ainda, que diante de tantos casos de violação de direitos, o Sinjope tem negociado as medidas de denúncia e manifestação contra as empresas de comunicação junto com a categoria de jornalistas e todas as decisões são tomadas pelos profissionais. “O sindicato não tem autonomia para fazer nenhuma denúncia ou decretar greve, todas as decisões são tomadas pelos jornalistas e mediadas por nós”, disse.</p>



<p>No caso da Rede Tribuna, os funcionários optaram por apresentar uma denúncia ao Ministério Público e decidiram continuar trabalhando mesmo com os salários atrasados.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Sem solução nem melhora</strong> à vista</h4>



<p>Os casos do Diario de Pernambuco e da TV Tribuna são apenas dois exemplos, de uma crise local, provocada por problemas de gestão, levada ao extremo por fatores globais que inviabilizam o modelo de negócio de vários veículos tradicionais que viram boa parte da verba  verba publicitária que irrigava suas receitas ser drenada pelos gigantes da internet como o Facebook e o Google.  Assim, para os profissionais dos veículos locais, essa parece ser uma crise expectativas ou sinais de melhora.</p>



<p>O Diario de Pernambuco trocou de administração com frequência. Por muitos anos, a empresa fez parte do Diários Associados, uma corporação de mídia poderosa na imprensa brasileira na segunda metade do século XX. Depois, foi arrendada ou vendida diversas vezes, passando pelas mãos da família do empresário Eduardo Monteiro, hoje um dos donos da Folha de Pernambuco, depois pela HapVida, Grupo R2 (dos irmãos Alexandre e Maurício Rands), e agora está sob responsabilidade do advogado Carlos Frederico de Albuquerque Vital, que administra o veículo desde 2019.</p>



<p>As mudanças não amenizaram a crise enfrentada no cotidiano pelos funcionários, Desde 2016, os relatos de demissões, falta de pagamento, exploração da mão de obra e assédio moral são constantes.</p>



<p>“Eu lembro que meu filho tinha acabado de nascer, eu estava de licença maternidade, e recebi ligações de colegas dizendo que não poderiam ir me visitar porque estavam muito tristes e preocupados, porque tinham sido demitidos”, declarou uma jornalista que atuou no Diario de Pernambuco de 2014 até 2020.</p>



<p>Para essa jornalista, que também já foi repórter do Jornal do Commercio e da Folha de Pernambuco, tão prejudicial e frequente quanto o atraso de salários e as demissões eram os assédios morais que os profissionais sofriam na redação. “A gente ficava ouvindo indireta o tempo todo da diretoria. Eles diziam: ‘tem muita gente que queria ter o seu emprego’, ‘você nunca vai arranjar algo melhor’. Isso me afetava demais, hoje eu me pergunto como suportei por tanto tempo”, disse. </p>



<p>Até o momento da publicação desta reportagem, a Marco Zero tentou entrar em contato com integrantes da diretoria das empresas TV Tribuna e Diario de Pernambuco para saber o posicionamento de ambas diante dos casos expostos e denunciados pelo Sinjope e pelos seus funcionários e funcionárias. No momento em que obtivermos retorno, o texto será atualizado imediatamente. </p>
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		<title>As opiniões de Carlos Frederico Vital, o novo dono do Diario de Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Sep 2019 22:43:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[diario de pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era perto das 22h da quinta-feira (19) quando a reportagem ligou para o então presidente e sócio do Diario de Pernambuco, Alexandre Rands. Em um ambiente barulhento, ele disse que não iria comentar sobre a venda do jornal, confirmada no final daquela tarde. &#8220;É melhor você falar com o novo dono&#8221;, falou, alegremente. E então [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Era perto das 22h da quinta-feira (19) quando a reportagem ligou para o então presidente e sócio do Diario de Pernambuco, Alexandre Rands. Em um ambiente barulhento, ele disse que não iria comentar sobre a venda do jornal, confirmada no final daquela tarde. &#8220;É melhor você falar com o novo dono&#8221;, falou, alegremente. E então passou o telefone para o advogado da área cível Carlos Frederico de Albuquerque Vital, 58 anos. &#8220;Quem é, quem é&#8230;todo mundo quer saber quem é esse desconhecido que comprou o Diario&#8221;, riu, ao telefone, o novo empresário da comunicação em Pernambuco.</p>
<p>A entrevista para esta reportagem ocorreu horas depois, ao meio-dia desta-sexta-feira. A princípio, Carlos Frederico se mostrou reticente. A &#8220;reunião para transferência&#8221; com Rands havia se estendido até às 4h. E ele estava bastante rouco. De trato afável, falou por quase 40 minutos sobre suas posições políticas, patriotismo, dívidas trabalhistas e, também, jornalismo. Não foi sua primeira entrevista: como ex-diretor e atual conselheiro do Sport Club do Recife ele tem proximidade com vários radialistas esportivos. É também vice-presidente jurídico da Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco (ACDP). Uma hora depois da conversa, enviou uma mensagem querendo ler a matéria antes da publicação &#8211; por questões éticas, a Marco Zero não pôde atender a esse pedido.</p>
<p>Carlos Frederico Vital conta que as negociações para a compra do Diario de Pernambuco e arrendamento das rádios Clube FM e AM tiveram início há oito meses. Quem o apresentou aos irmãos Alexandre e Maurício Rands foi um amigo em comum, o também advogado Tadeu Aguiar. A princípio, o interesse era só nas rádios &#8211; que ainda pertencem aos Diários Associados e são arrendadas. Vital diz haver um contrato de confidenciabilidade para não citar o valor nem as condições pelas quais adquiriu 78% do Diario de Pernambuco. O restante está dividido com várias pessoas, que não têm nenhum poder de decisão na empresa.</p>
<p>A compra, diz ele, tem dois motivos. &#8220;Primeiro, pelo meu pai, que era apaixonado pelo trabalho de Assis Chateubriand. Ele admirava que um nordestino tenha criado um império. E acho que o Diario merece o respeito, é o maior e mais antigo da América Latina. O outro motivo é para participar mais da vida do estado e do país, para que eu possa ajudar de alguma maneira. Vejo que tenho grande condição de ajudar&#8221;, diz.</p>
<p><div id="attachment_19209" style="width: 302px" class="wp-caption alignleft"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19209" class="size-medium wp-image-19209" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/carlosfrederico2-292x300.jpg" alt="Carlos Frederico Vital. Foto: Blog do Amaury Veloso" width="292" height="300"><p id="caption-attachment-19209" class="wp-caption-text">Carlos Frederico Vital. Foto: Blog do Amaury Veloso</p></div></p>
<p>Para tirar o <a href="https://marcozero.org/encurralados-jornalistas-do-diario-de-pernambuco-precisam-escolher-entre-reducao-de-salarios-ou-demissoes/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Diario de Pernambuco de uma longa crise financeira</a>, ele diz que vai se voltar para o setor comercial. &#8220;O jornal acabou indo mais para o lado político que o comercial. Política como informação, sim. Conchavo, não. Precisa de parcerias. Essas parcerias podem vir de algum político, de algum empresário ligado a um político? Sim, não me importa, se é de A, B ou C. A empresa precisa ter caixa, para pagar seus funcionários e as dívidas&#8221;, diz, se contradizendo.</p>
<p>A notícia de que o Diario de Pernambuco havia sido vendido surgiu no twitter do radialista esportivo Wellington Araújo ainda na madrugada da quarta-feira. Logo se espalhou pela internet e pelos corredores do DP. A conta de Twitter de Carlos Frederico foi encontrada e esmiuçada. Com apenas 12 seguidores, ele publicava pouco, mas deixava claro seus interesses: hóquei sobre patins, o Sport Club do Recife e o presidente Bolsonaro. Quase metade do perfil dele era dedicado a retweets do presidente.</p>
<p>Quando o presidente afirmou que o clamor pela Amazônia era uma campanha fabricada contra a soberania da região, Carlos Frederico concordou no Twitter. &#8220;Presidente&#8230;falta interesse da imprensa em relatar a realidade dos fatos. Os jornais impressos ainda possuem muita força e são formadores de opinião. Hoje no Brasil muitos jornalistas não tem (sic) compromisso com verdade&#8230;isso vai ter que mudar. O cidadão deve reagir!&#8221;, escreveu. Ontem, o guru bolsonarista Olavo de Carvalho comemorou a venda do DP na mesma rede social: &#8220;Isto é urgente: tirar a mídia das mãos dos <em>comunoglobalistas</em>&#8220;.</p>
<p>Na tarde da quinta-feira, com a notícia da venda correndo rápido, Carlos Frederico apagou sua conta no Twitter. Diz que foi pela segurança da família. E tenta reverter o comentário contra a imprensa brasileira. &#8220;Falei muito mais em relação à mídia de fora do que a do Brasil. Eu generalizei, foi uma opinião emotiva. Era minha opinião, não a opinião da empresa. Como leigo, não sou jornalista, acho que o Brasil tem que brigar pelo que é seu. O povo de fora falando mal da gente, dizendo que estavam queimando a Amazônia&#8230;&#8221;, diz.</p>
<p>Sobre as queimadas na Amazônia, comentou que mora em uma casa e de vez em quando tem que queimar alguma coisa no quintal. &#8220;Sempre teve queimadas na Amazônia. Temos a cultura de quando cai folha de árvore, juntar e tacar fogo, isso dentro de uma área urbana, imagina na rural. Acredito que (a queimada) não foi algo direcionado. Por isso que fiquei chateado com as matérias, porque sempre levam para o lado político, para atacar ou minar quem está no comando&#8221;, afirmou.</p>
<p>Apesar do comentário sem sustentação em bases científicas, Vital diz que vai combater as fake news. Na mesma linha, defende um patriotismo verde e amarelo &#8211; &#8220;todo mundo deveria assistir aos jogos da Seleção Brasileira, tem que torcer, precisamos ser patriotas&#8221; &#8211; e vai cobrar que os jornalistas também se mobilizem: &#8220;Quero que os funcionários vistam a camisa primeiro de Pernambuco e depois do país. Você tem que ser patriota, ter raiz com sua terra, abrir espaço para as comunidades&#8221;.</p>
<h2>&#8220;Não sou amigo de Bivar&#8221;</h2>
<p>Entre o final do ano passado e o começo deste ano, na ânsia de encontrar alguma forma de se desvincular do Diario &#8211; até entregar a uma cooperativa formada por jornalistas foi cogitado &#8211; os Rands se encontraram e tiveram reuniões com vários empresários e políticos. O deputado federal Luciano Bivar, presidente do PSL, foi um deles e se reuniu com Maurício Rands no começo deste ano. Carlos Frederico rechaça que tenha envolvimento ou seja um &#8220;laranja&#8221; de Bivar, que conheceu no Sport. Diz que os dois se cumprimentam, mas que não são amigos. &#8220;A única coisa que tenho em comum é que somos do mesmo clube. Se eu conversei com ele duas ou três vezes na vida foi muito. Não sou político&#8221;, afirma. A Marco Zero não conseguiu falar com Bivar, que está licenciado da Câmara, e se encontra nos Estados Unidos para tratar problemas de saúde.</p>
<p>Vital afirma que tem experiência em administração. Além de ser advogado, tem uma locadora, um estacionamento e trabalhou em empresa da família, uma distribuidora de água mineral, fundada em 1937 &#8211; ele doou as ações da empresa para um dos primos. Para conciliar a advocacia com a nova empreitada, Vital vai juntar tudo em um prédio só. O casarão secular da Marquês de Olinda, que abriga o DP desde 2016, vai ser a futura casa também das rádios Clube e do escritório de advocacia de Vital, que hoje fica no Poço da Panela. &#8220;É um prédio alugado e tem bastante espaço. A internet é muito boa, tem estrutura. Cada um vai ficar em um andar diferente&#8221;, adianta. Os três filhos &#8211; um arquiteto e dois advogados &#8211; também deverão se envolver no dia a dia das empresas.</p>
<p>Pelos primeiros dois meses, ele diz, não vai fazer mudanças no jornal. Mas ele já sabe no que quer investir: jornalismo investigativo. Segundo ele, nem o DP, nem a Folha de Pernambuco, nem o Jornal do Commercio fazem isso hoje. &#8220;Vou atrás de jornalistas que investiguem, que vão atrás da notícia. Pode ser um recém-formado cheio de gás ou um mais velho, experiente&#8221;, diz. Querlevar o ex-presidente Joezil Barros de volta ao Diário. &#8220;Já tive cinco reuniões com ele, é uma pessoa de grande conhecimento e influência&#8221;, diz. Para as rádios, os planos são mais concretos. Em primeiro lugar, vai reduzir o tempo de música. Quer mais futebol e mais notícias políticas.</p>
<p>Afirma que não vai interferir nas matérias publicadas, mas se contradiz novamente. &#8220;Jornalista tem que ter liberdade, mas se eu discordar de uma opinião eu posso chamar o jornalista para me explicar a matéria. Vou conversar sempre com as pessoas, os editores, os jornalistas. É trocar ideia, não mudar a cabeça de ninguém, mas questionar porque a matéria foi feita daquele jeito&#8221;. A chegada de Carlos Frederico na redação está marcada para esta segunda-feira.</p>
<h3>Um fio de esperança e muita apreensão</h3>
<p>O Diario de Pernambuco foi um dos poucos jornais impressos do Brasil a se posicionar fortemente contra Jair Bolsonaro. No dia primeiro de outubro do ano passado, trouxe na capa um editorial com o título &#8220;O despertar da maioria democrática: #EleNão&#8221;, em que convidava os leitores a não votar em Bolsonaro. Nos últimos meses os irmãos Rands se revezavam semanalmente em artigos sempre críticos ao governo federal. Ao mesmo tempo, já negociavam a venda do veículo para Carlos Frederico, abertamente um apoiador do presidente. A venda é considerada até como uma traição por alguns funcionários. Não pela transação em si, já esperada, mas pelo comprador.</p>
<p>Os Rands não foram fazer o comunicado da venda à redação, nem ao menos se reuniram com os editores-executivos para comunicar pessoalmente. Enviaram pela vice-presidência apenas uma nota para ser publicada no site, da mesma forma que fez Carlos Frederico (reproduzidas, assim como a do Sindicato dos Jornalistas, ao final deste texto).</p>
<p>Entre os jornalistas do Diario, há o temor de que o Diario se transforme em um panfleto bolsonarista, uma central de <em>fake news</em>. Em conversas reservadas, funcionários da empresa afirmaram que há uma forte apreensão com possíveis mudanças da linha editorial do jornal. E também temem perseguições por conteúdos postados em seus perfis pessoais nas redes sociais.</p>
<p>Por outro lado, há um fio de esperança de que a situação financeira do jornal melhore, já que com os Rands foi um período traumático, com salários atrasados e demissões sem o pagamento dos direitos trabalhistas. Atualmente, os jornalistas estão com atraso em quatro quinzenas. Os salários estão sendo picotados ao longo dos meses e muitos não sabem mais nem quanto receberam e quanto falta a empresa pagar. Ontem mesmo, após a divulgação das notas da venda, receberam um informe de que &#8220;a nova gestão do jornal&#8221; havia liberado para pagamento 30% da quinzena de 05 de agosto e quitação das férias de agosto &#8211; que deveriam ter sido pagas até 31 de julho.</p>
<h3>Quem compra, herda</h3>
<p>Durante todo o período dos Rands, jornalistas e demais funcionários foram demitidos sem o pagamento de direitos trabalhistas e verbas rescisórias. O FGTS era depositado esporadicamente. Na Justiça Trabalhista, as ações e dívidas se acumulam.</p>
<p>De acordo com o advogado trabalhista Gustavo Gomes, quando se assume uma empresa, se assume também o passivo de dívidas dela. &#8220;A sucessão de empresas faz herdar o passivo. Quem compra a empresa compra o todo. Porque o devedor não era Maurício ou Alexandre Rands, o devedor é o Diários Associados&#8221;, diz.</p>
<p>Os Rands podem ou não ter se livrado da dívida, dependendo de como foi o acordo de compra e venda. &#8220;Para a Justiça do Trabalho, havendo condições do crédito ser satisfeito pela empresa, em tese, eles se livrariam (da dívida). Mas isso depende de como foi formatado esse contrato, se alguma responsabilidade foi mantida. Provavelmente há uma cláusula de confidenciabilidade e a gente não tem como ter acesso a isso, não agora. Se o Diario ficar inadimplente, pode se pedir ao juiz que se quebre essa cláusula&#8221;, explica.</p>
<p>Para o advogado ainda não dá para saber se a notícia da venda é boa ou não para os credores do DP. &#8220;Não dá para opinar sem saber qual a situação real do novo comprador. Se ele é sólido ou não&#8221;, diz.</p>
<p>À Marco Zero, Carlos Frederico Vital disse que vai assumir as dívidas do DP. Ele não quis falar quais são os bens que adquiriu junto com as marcas do DP, Aqui PE, sites, redes sociais e o arrendamento das rádios.</p>
<p>Ainda na noite de ontem, o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Severino Júnior, enviou para Marco Zero uma nota em que a categoria afirma que vai acionar a Procuradoria Regional do Trabalho da 6ª Região do Ministério Público do Trabalho (PRT6-MPT) para uma mediação que &#8220;garanta a necessária transparência e correção da transação anunciada&#8221;. &#8220;O que se percebe, neste momento, é o mesmo processo nebuloso pelo qual o controle acionário foi repassado pelos Associados e Canadá Investimentos, da mesma família dona do plano de saúde Hapvida, para as mãos dos irmãos Alexandre e Maurício Rands, chegando ao atual nível de caos, com quase quatro folhas de pagamento atrasadas dentre inúmeros débitos e direitos sem quitação&#8221;, diz trecho da nota.</p>
<h3>Confira abaixo a íntegra das notas de Carlos Frederico Vital, do Grupo R2 e do Sindicato dos Jornalistas:</h3>
<p>Diante de recentes fatos e notícias que vêm circulando, especialmente em blogs e redes sociais, o Diario de Pernambuco, o Aqui PE, o portal Pernambuco.com, a Rádio Clube AM e a Rádio Clube FM esclarecem:</p>
<p>• Que as negociações para a aquisição das cotas pertencentes ao Grupo R2 foram finalizadas, estando neste momento em transição de gestão.</p>
<p>• Que esse processo em nada altera o funcionamento das empresas supracitadas e seus respectivos produtos de mídia e publicações.</p>
<p>• Que a nova diretoria a ser instalada reafirma seu compromisso com a verdade da informação e sua total isenção politica ou partidária na linha editorial de seus veículos de comunicação.</p>
<p>• Que essa transação parte do esforço de empreendedores pernambucanos e visa, acima de tudo, a preservação e continuidade de um dos grandes e mais respeitados patrimônios da indústria da comunicação do Brasil.</p>
<p>Carlos Frederico de Albuquerque Vital</p>
<p>&#8212;&#8211;<br />
Nós, da presidência atual do Diario de Pernambuco, que somos responsáveis pelos jornais Diario de Pernambuco e Aqui PE, além de seus portais na internet, e pelas rádios Clube AM e FM, viemos comunicar a venda de nossa participação e controle nesse grupo de comunicação. Assumimos esse desafio junto a tais veículos de comunicação por entender que jornais e rádios são instrumentos fundamentais para a construção de uma sociedade melhor, fortalecendo a democracia e contribuindo para o amadurecimento das concepções sociais através de debate e difusão de ideias.</p>
<p>Infelizmente, as diversas fragilidades financeiras de uma empresa com o histórico existente nos impediram de prosperar da forma que gostaríamos e que esses meios de comunicação merecem. Estamos confiantes de que esta é a decisão mais acertada para o futuro do Diario e das rádios Clube. Esses veículos representam patrimônios importantes do povo pernambucano e por tal merecem superar as atuais dificuldades. Os novos controladores seguramente terão melhores condições de conduzi-los em tal jornada.<br />
Gostaríamos de finalizar fazendo um agradecimento especial aos nossos funcionários e ex- funcionários, por toda a dedicação e apoio que nos deram ao longo dos últimos quatro anos. Agradecemos também aos leitores e aos parceiros comerciais que estiveram juntos conosco nessa caminhada. Desejamos sucesso aos novos controladores.</p>
<p>Obrigado,<br />
Alexandre Rands e Maurício Rands<br />
&#8212;</p>
<p>O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco (Sinjope) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) veem com extrema preocupação a confirmação da venda do controle acionário do Diario de Pernambuco pelas partes envolvidas. O que se percebe, neste momento, é o mesmo processo nebuloso pelo qual o controle acionário foi repassado pelos Associados e Canadá Investimentos, da mesma família dona do plano de saúde Hapvida, para as mãos dos irmãos Alexandre e Maurício Rands, chegando ao atual nível de caos, com quase quatro folhas de pagamento atrasadas dentre inúmeros débitos e direitos sem quitação.</p>
<p>Notas que o próprio Diario de Pernambuco divulgou não conseguem tranquilizar dezenas de profissionais extremamente prejudicados, sem falar nos profissionais que deixaram a empresa em várias levas de demissões em massa desde então. Invariavelmente, cada profissional, dentro ou fora da empresa, prossegue sem receber aquilo a que tem direito.</p>
<p>Se identificando como “presidência atual do Diario de Pernambuco”, os irmãos Rands, bacharel em economia Alexandre e ex-advogado trabalhista Maurício, assumem que são “responsáveis pelos jornais Diario de Pernambuco e Aqui PE, além de seus portais na internet, e pelas rádios Clube AM e FM” e comunicam a venda da participação e controle, mas nada dizem sobre como serão quitados os débitos que assumiram para si ao adquirirem o controle dos Associados e da Canadá Investimentos/Hapvida.</p>
<p>Nem mesmo se referem às dívidas que criaram ao acumularem atrasos de folhas de pagamento e encargos. Se referem ao “desafio (…) por entender que jornais e rádios são instrumentos fundamentais para a construção de uma sociedade melhor”, mas deixam como herança o pior que uma sociedade pode ter: desempregos, direitos e deveres não honrados. Pior, mesmo assim se dizem “confiantes de que esta é a decisão mais acertada”, que “os novos controladores seguramente terão melhores condições de conduzí-los”.</p>
<p>Também em nota, Carlos Frederico de Albuquerque Vital confirma que “as negociações para a aquisição das cotas pertencentes ao Grupo R2 foram finalizadas, estando neste momento em transição de gestão”, acrescentando que o processo “em nada altera o funcionamento das empresas” e que a transação “parte do esforço de empreendedores pernambucanos e visa, acima de tudo, a preservação e continuidade de um dos grandes e mais respeitados patrimônios da indústria da comunicação do Brasil”.</p>
<p>Duas notas, dois imensos vazios quanto a situação dos trabalhadores. Vazios em relação aos valores envolvidos e, principalmente, sobre quem vai honrar e quando serão honradas as obrigações previdenciárias e trabalhistas de cada profissional que vem sofrendo prejuízo. Algo que o Sinjope e a Fenaj cobram que seja mais que esclarecido e resolvido. Para isso, na legítima defesa de direitos e interesses de cada profissional, acionam a Procuradoria Regional do Trabalho da 6ª Região do Ministério Público do Trabalho (PRT6-MPT) para uma mediação que garanta a necessária transparência e correção da transação anunciada.</p>
<p>Sinjope e Fenaj esclarecem que, em que pese o caráter nebuloso das operações, apenas o Diario de Pernambuco subsiste como empresa negociada, que também edita o Aqui PE e mantém seus espaços na Internet. Segundo informações reiteradas, as rádios Clube AM e FM permanecem como propriedade dos Associados e da Canadá Investimentos/Hapvida e estavam apenas arrendadas como compensação ao imenso passivo assumido e não quitado pelos irmãos Rands.</p>
<p>Preocupa ainda às diretorias do Sinjope e da Fenaj quais seriam os reais propósitos da transação e a preservação dos jornais e das rádios. Mas, acima de tudo, a nossa grande preocupação diz respeito a garantia da quitação dos débitos e regularização dos direitos previdenciários e trabalhistas a cada profissional, incluindo gráficos(as), radialistas e demais integrantes do corpo funcional. E, claro, a garantia de que a preservação das empresas e do corpo funcional também redunde na garantia do jornalismo que a sociedade pernambucana precisa, sempre pautado na ética, na pluralidade de abordagens e na defesa dos direitos humanos.</p>
<p>Recife, 19 de setembro de 2019<br />
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco (Sinjope) e<br />
Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/as-opinioes-de-carlos-frederico-vital-o-novo-dono-do-diario-de-pernambuco/">As opiniões de Carlos Frederico Vital, o novo dono do Diario de Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Encurralados, jornalistas do Diario de Pernambuco precisam escolher entre redução de salários ou demissões</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Mar 2018 02:34:04 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em estado de greve e de tensão, os jornalistas do Diario de Pernambuco estão diante de uma escolha que nenhum profissional deveria ser obrigado a fazer. Para salvar o jornal de uma grave crise financeira, acentuada no ano passado, seus gestores apresentaram as seguintes opções: a demissão de aproximadamente 30 das 90 pessoas que trabalham atualmente na redação, sem o pagamento dos direitos trabalhistas, ou um acordo coletivo para a redução temporária dos salários de toda a redação com garantia da manutenção de empregos, mas não de pagamentos em dia. A última e mais drástica seria o fechamento definitivo do mais antigo jornal em circulação da América Latina.</p>
<p>“Ou a gente quebra, ou a gente corta”, disse taxativo Alexandre Rands, presidente do Diário de Pernambuco desde 2015, durante mesa de negociação com os trabalhadores e o sindicato da categoria, na última sexta-feira (16), no Ministério Público do Trabalho de Pernambuco (MPT-PE). Demonstrando um bem-estar desconcertante que contrastava com o ambiente carregado de apreensão, o empresário apresentou ao procurador do MPT-PE Marcelo Crisanto, condutor da reunião, sua síntese do desequilíbrio financeiro da companhia.</p>
<p>Várias vezes, em seu discurso, Rands defendeu o fechamento do jornal como melhor alternativa. Disse estar “totalmente arrependido” de ter entrado no negócio, no qual já teria colocado mais de R$ 20 milhões do próprio bolso. A calma superficial do gestor experiente só foi quebrada quando um dos diretores do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (Sinjope) questionou a possibilidade de os profissionais terem acesso às contas da empresa, na tentativa de buscar soluções. &nbsp;Visivelmente irritado e dizendo que se sentia agredido, Rands disparou: “Vou abrir tudo pra você. Se você descobrir que eu não roubei nenhum tostão daquele jornal, aí você me acha um comprador para aquela porcaria!”</p>
<p>Enquanto fundava seu discurso em números, contudo, o empresário mostrava indiferença ao&nbsp; drama dos seus empregados, que sofrem com salários atrasados. Até agora, apenas 50% da segunda quinzena de fevereiro foi paga. Recolhimentos do FGTS e do INSS também estão retidos e, agora, não restam mais perspectivas nem de recebimento dos direitos trabalhistas acumulados ao longo dos anos. “Não sei se o senhor faz 50% da sua feira ou atrasa 50% do colégio do seu filho. O jornal acabou de contratar um novo executivo. Ele ganha salário ou é voluntário?”, provocou uma trabalhadora, lembrando a nomeação recente de Pierre Lucena como vice-presidente comercial da empresa.</p>
<p><div id="attachment_7558" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/Alexandre-Rands.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7558" class="wp-image-7558 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/Alexandre-Rands.jpg" alt="Alexandre Rands" width="700" height="525"></a><p id="caption-attachment-7558" class="wp-caption-text">Presidente do Diário de Pernambuco, Alexandre Rands teve que dar explicações ao MPT-PE sobre o recorrente descumprimento de direitos trabalhistas pela empresa. Foto: Júlio Jacobina</p></div></p>
<p>“Existem pessoas aqui com mais de 20 anos de jornal. Todos construímos juntos a empresa, é o nosso patrimônio e nossa casa. É como se derrubassem a nossa casa e nós não tivéssemos nem a casa do vizinho para nos acolher”, definiu Cláudia Eloi, diretora do Sinjope.</p>
<p><b>Contas que não fecham</b></p>
<p>No ano passado, informou o presidente Alexandre Rands, o Diario de Pernambuco gerou um prejuízo mensal de mais de R$ 1 milhão. Quando assumiu, o empresário disse já ter encontrado o jornal sob ameaça de fechamento. Na época, iniciou um plano de recuperação baseado no enxugamento de 38% dos custos e manutenção dos ganhos. Os cortes de despesas foram sentidos, é claro, pelos trabalhadores. Doze jornalistas foram demitidos no começo do ano passado e muitos deles ainda não receberam a totalidade de suas rescisões trabalhistas. Mesmo com sacrifício dos profissionais as contas não voltaram ao azul, porque “a receita caiu mais do que o esperado”, justificou o empresário.</p>
<p>A queda da receita tem origens na crise geral dos jornais, além da redução de investimentos do setores público e privado. No ano passado, o Governo do Estado teria deixado de pagar R$ 6 milhões ao Diario e, este ano, mesmo com eleições, já anunciou uma frustração de faturamento de outros R$ 195 mil. O Governo Federal também teria um débito de R$ 700 mil com a empresa imersa em débitos trabalhistas e junto a fornecedores. Este ano, a previsão de prejuízo do jornal já chega a R$ 895 mil. “A gente tem dívidas de energia, de papel, de tinta. Em 2015, o rombo acumulado já era de R$ 12 milhões”, detalhou Rands, explicando que a venda do único bem, o parque gráfico, não seria uma alternativa economicamente viável para sanar as contas porque geraria um encarecimento da operação, que precisaria recorrer a uma gráfica terceirizada.</p>
<p>Demitir 30 profissionais da redação, entre o fim deste mês e começo do próximo, seria uma opção para reduzir folha salarial em até R$ 475 mil. Ainda assim a empresa continuaria com um prejuízo mensal de R$ 125 mil. Além disso, os profissionais seriam dispensados sem pagamento da multa de 40% e do FGTS. “Não temos dinheiro para pagar as verbas rescisórias, cuja soma é de R$ 3,5 milhões”, enfatizou o presidente da empresa. No caso do fechamento do jornal, o montante das rescisões seria de R$ 11 milhões.</p>
<p>O presidente do Diario chegou a propor a emissão de debêntures (títulos de dívida emitidos por empresas privadas) para que as pessoas possam receber daqui a dois anos. A alternativa foi rechaçada imediatamente pelo procurador do trabalho Marcelo Crisanto. “Não há amparo legal para essa proposta”, salientou.</p>
<p><b>Jornalistas sem esperança</b></p>
<p>A falta de avanço nas negociações deixou os jornalistas sem esperança. No fim da reunião,&nbsp;o procurador do MPT levantou a possibilidade de um acordo coletivo para a redução temporária dos salários com garantia de manutenção dos empregos e a administração do Diario sugeriu reduções transversais, proporcionais ao salário &#8211; perde mais quem ganha mais. “Eles (os gestores) vão apresentar o plano detalhado na próxima segunda-feira (19) ao sindicato. Para valer, entretanto, o acordo precisa ser aprovado pela categoria em assembleia”, lembrou o presidente do Sinjope, Juliano Domingues.</p>
<p>Encurralados, os jornalistas do Diario podem até aceitar ganhar menos temporariamente para manterem os empregos, mas isso não garantirá salários pagos em dia. Uma decisão neste sentido também não afastaria totalmente a possibilidade de demissões antes da assinatura do acordo ou depois dele, sequer garante a sobrevivência do jornal que é um patrimônio de Pernambuco e parte importante da história do jornalismo no Brasil.</p>
<blockquote><p><b>História</b></p>
<p>Fundado em 1825, o Diario de Pernambuco pertencia ao grupo Diário Associados de Assis Chateaubriand, que já foi a maior empresa da imprensa no Brasil. Em 2015 foi vendido ao Sistema Opinião de Comunicação, comprado posteriormente pelo grupo Hapvida. Ainda em 2015, Alexandre Rands assumiu o controle da empresa com 78% das ações.</p>
<p>A operação gerida por ele atualmente também inclui os portais Pernambuco.com e diariodepernambuco.com.br, além do jornal Aqui PE. Desde 2016, a versão impressa do Diario de Pernambuco foi reduzida, de duas edições nos fins de semana para apenas uma ‘superedição’.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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