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	<title>Arquivos Dilma - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos Dilma - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Golpe, versão 2016</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Apr 2016 13:22:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Vasconcelo Quadros para marcozero.org Pouco depois das eleições de 2014, o ex-ministro da Justiça e ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro disse, num recado pelo twitter, que o que estava em andamento no Brasil era um movimento golpista ao estilo do que afastou, sem reação, o ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Há [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>por Vasconcelo Quadros<br />
para marcozero.org</p>
<p>Pouco depois das eleições de 2014, o ex-ministro da Justiça e ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro disse, num recado pelo twitter, que o que estava em andamento no Brasil era um movimento golpista ao estilo do que afastou, sem reação, o ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Há poucos dias o mesmo Genro afirmou, em artigo, que o golpe para derrubar a presidente Dilma Rousseff, já foi dado. O que está em andamento, na sua visão, é a consolidação do golpe.</p>
<p>Adjetivações de qualquer ordem à parte, Genro foi profético: o que se discutirá nesse domingo, 17 de abril de 2016, no plenário da Câmara dos Deputados, é apenas a possibilidade de resistência de quem se opõe a ruptura de um sistema democrático ainda frágil, mas construído, literalmente, com sangue, suor e lágrimas.</p>
<p>Os segmentos conscientes do que se pode perder a partir deste domingo vêm acompanhando, há 16 meses, um processo conspiratório que se diferencia do que houve no Paraguai apenas pelo seu alto grau de premeditação, planejamento e o longo tempo de maturação.</p>
<p>O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o vice-presidente do país, Michel Temer, a ala mais fisiológica e corrupta do PMDB, com apoio do PSDB e dos vira-casacas de última hora, irão detonar a armadilha. Podem apanhar a presidente, mas não estão preocupados com os sobreviventes que, feridos na consciência democrática ou porque sabem o que têm a perder, certamente reagirão.</p>
<p>O mais lúcido analista político é incapaz, hoje, de prever o que acontecerá assim que Cunha anunciar o resultado da votação. Não é necessário ser especialista, no entanto, para afirmar com todas as letras, que o Brasil, que já estava à beira do abismo, dará um passo em frente, um salto no escuro cujo desfecho, teme-se, pode resultar numa onda de conflitos de consequências imprevisíveis.</p>
<p>Também não é preciso ser jurista para observar que no pedido de impeachment não há motivo para uma medida de força de tal envergadura e que, com todos os seus erros, o governo Dilma e a democracia não devem ser pisoteados para aplacar a sede de poder dos fariseus de plantão.</p>
<p>A democracia brasileira vem de um processo doloroso, lento, falho, mas é a que o país tem. Melhorá-la e aprofundá-la no caminho do progresso social não passa, de forma alguma, pelo golpe que os políticos mais comprometidos com a corrupção, pela conveniência de romper as regras do jogo, pretendem dar. A parte prejudicada, e esse é o risco, vai se achar no direito de reagir.</p>
<p>O golpe contra o voto popular, coração de qualquer regime democrático, é uma iniciativa imoral, amparada pela ação da toga hipócrita e fascista, adesivo do que se transformou a maior ofensiva contra a corrupção desencadeada na era republicana. O brasileiro sadio sabe que o enfrentamento à corrupção se tornaria, em algum momento, necessário e inevitável, mas esperava que o tripé que sustenta o judiciário federal não se prestasse como instrumento do casuísmo e nem se misturasse, como joio e trigo, ao que há de mais podre e atrasado na política.</p>
<p>Até as pedras sabem que esse processo foi detonado por um personagem que, envolvido até a medula com o crime organizado na política, tinha como única alternativa de sobrevivência, forçar a barra para gerar o tumulto em curso no país. Devemos a Eduardo Cunha, no entanto, a revelação nítida e de alta resolução da imagem que mostra quem são e o que pensam os integrantes de expressivo setor da política, do meio jurídico e do jornalismo. Não por acaso, são remanescentes, em ideias e ações, dos mesmos segmentos que colaboraram decisivamente para as tragédias de 1954 e 1964, e que, por ignorância ou maldade, não aprenderam com a história.</p>
<p>Em raros momentos se assistiu um debate tão profundo em torno de uma peça tão dissociada do que é justo, legítimo e legal. Este impeachment é um crime político de lesa-democracia e ganhou corpo graças ao olhar contemplativo do Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição e única instituição que poderia interromper o insano processo num tempo em que os fantasmas da intervenção militar já foram exorcizados.</p>
<p>Meio século e dois anos depois da quartelada que instaurou a mais longa ditadura da história republicana, as novas gerações com voz ativa nas Forças Armadas não participam mais de conspirações políticas ou de movimentos golpistas.</p>
<p>Os militares, desta vez, cumprirão a Constituição e, nas palavras do general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, a mais forte das três instituições consolidadas à base da hierarquia e da disciplina, seguirão uma filosofia que pelo menos na rima lembra o lema da revolução francesa: &#8220;estabilidade, legalidade e legitimidade&#8221;, disse o general ao pronunciar, num recado às ruas e aos que, abdicando da liberdade e do direito universal ao voto, ainda pedem intervenção para derrubar governos como nos velhos tempos.</p>
<p>A fala do general, gravada em vídeo pela assessoria de comunicação do Exército e distribuída pelas redes sociais na internet, esclarece que, 31 anos depois de deixarem o poder, os militares têm um novo papel e, se necessário e acionados por um dos poderes da República irão, sim, às ruas para garantir a ordem. Eles já não derrubam mais governos, mas podem mantê-los de pé se estiverem dentro da lei.</p>
<p>Villas Bôas afirma que o Exército vai contribuir para que o país supere a crise &#8220;política, econômica e ético-moral&#8221; e atuará coberto pela legalidade e dentro da legitimidade conferida pela credibilidade junto à população. A posição dos militares não tem o nervosismo do embate que atrairá a atenção do país neste final de semana.</p>
<p>Nas palavras do general, os militares seguirão o que determina o artigo 142 da Constituição: sob a &#8220;autoridade suprema&#8221; da Presidência da República, garantirão o funcionamento dos poderes institucionais e, por iniciativa de qualquer destes, a lei e a ordem.</p>
<p>Na avaliação dos militares o resultado da votação do impeachment gerará um novo cenário cujo esforço central será a volta da estabilidade. Caso Dilma não consiga os votos necessários para barrar o impeachment na Câmara e no Senado, o governo será tocado por Temer. Uma vitória do governo viria com a decisão firme de encerrar o processo conspiratório.</p>
<p>A realidade do país é bem diferente de outros períodos, como as crises que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, ou ao golpe civil-militar consumado dez anos depois. Os movimentos sociais, de direita ou de esquerda, estão organizados e, a menos que surja um inimaginável pacto, não deixarão as ruas.</p>
<p>É curioso observar que tanto ontem como hoje as motivações para o golpe são as mesmas: a corrupção e um sentimento anticomunista, este último, retardado e sem sentido, mas resgatado pela direita reacionária, que se veste de verde e amarelo e, nos acampamentos improvisados na Avenida Paulista, em frente a poderosa e sempre golpista Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), recebem &#8220;marmitas&#8221; de sushi, doadas por comerciantes e moradores dos Jardins paulistanos.</p>
<p>É a esses grupos que a história reservou a mais contundente rasteira. Quem está tendo influência sobre o papel dos militares não é mais a elite, mas um comunista, o ministro Aldo Rebelo, estrela vermelhíssima do partido que atraiu, em abril de 1972, as três Forças para as margens do rio Araguaia no mais tenebroso conflito ocorrido nos anos de chumbo.</p>
<p>O comportamento sóbrio do comunista como ministro da Defesa pelo PCdoB certamente tem contribuído para a nova face democrática das Forças Armadas, algo que, numa inversão de valores e dos tempos, está em falta nos grupos que gravitam hoje em torno do Palácio do Jaburu.</p>
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		<title>PC do B quer Dilma mais firme na resistência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2015 17:17:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>				<strong>por Vasconcelo Quadros (Brasília)</strong></p>
<p>A crise ofuscou tanto o cenário que pouca gente percebeu uma mudança sensacional nos rumos do comunismo brasileiro. Uma mulher de 49 anos assumiu o comando nacional do mais maduro partido de esquerda, o PC do B, com um desafio de assustar os homens mais tarimbados no exercício do poder: articular uma frente que salve o mandato da presidente Dilma Rousseff, aponte caminhos num país com a economia em frangalhos e vença a crise política que ameaça a democracia.</p>
<p>“Peguei logo em bomba, como se fala no Recife”, diz a deputada pernambucana Luciana Santos, catapultada ao olho do furacão pelos novos ventos que reoxigenaram o partido de 93 anos, que planejou a Intentona de 1935, organizou, foi massacrado na Guerrilha do Araguaia e está umbilicalmente ligado aos conflitos que marcaram a história da República. As armas agora são outras.</p>
<p>Luciana Santos tem uma visão realista do momento político e, se por um lado exorta os partidos da base a se unirem para reagir com propostas e mobilizações populares ao movimento golpista em curso, por outro, tem os pés enraizados na democracia e olha para o futuro com propostas modernas e viáveis. É dela, por exemplo, a iniciativa de chamar para um encontro que inicia esta semana a comunidade científica e quem mais tem a dizer sobre o setor, para colocar a tecnologia e a inovação como alavancas do que seria uma economia socialista.</p>
<p>Também articulou e é signatária do documento “Sugestões à Agenda Brasil”, elaborado na semana passada e subscrito por 15 partidos da base do governo na Câmara &#8211; as exceções foram o PDT e o PMDB -, que lista, em 11 pontos que vão do combate a corrupção às reformas estruturais, saídas para superar a crise. Ela parte de um diagnóstico sobre a doença que ataca a República.</p>
<p><strong>Só falta um Lacerda</strong></p>
<p>“A crise política é mais grave. É ela que alimenta a crise econômica”, disse a deputado em entrevista ao Marco Zero. Para a primeira mulher a comandar o PC do B, resguardadas as proporções, o conturbado momento brasileiro, turbinado pela onda de denúncias de corrupção alimentada pela Operação Lava Jato, tem contornos semelhantes com os últimos momentos da Era Vargas. “Falta um Lacerda”, complementa Luciana, numa referência ao ex-governador Carlos Lacerda cuja campanha, lastreada no “mar de lamas” sob o qual flutuava o Palácio do Catete, só terminou com o suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas, em agosto 1954.</p>
<p align="justify">A crise atual, segundo ela, nasceu do inconformismo do PSDB com o resultado das eleições do ano passado e evoluiu para uma ofensiva sem limites para “deslocar” a presidente Dilma Rousseff do poder, ainda que para isso seja necessário pisotear a Constituição e interromper um processo democrático construído na resistência contra uma ditadura que durou 21 anos.</p>
<p align="justify">“A eleição, acirrada e polarizada, gerou contornos de muita intolerância e um pensamento conservador, que já existia, mas que agora mostra a cara. Toda estratégia da oposição foi montada na instabilidade e na imprevisibilidade e ultrapassa todas as etapas da legalidade. Há traços fortes de golpismo quando se tenta um impeachment sem base”, afirma.</p>
<p align="justify">A diferença entre as duas últimas grandes crises políticas &#8211; a que deu no suicídio de Getúlio, em 1954, e o golpe civil-militar de 1964, este reivindicado à época até em editoriais dos grandes veículos de comunicação -, na visão da deputada Luciana Santos é que agora os conspiradores encontram guarida num novo protagonista, o judiciário.</p>
<p align="justify"><strong>Estado policialesco</strong></p>
<p align="justify">“Não existe imparcialidade. No judiciário há uma posição clara no campo político. Os atores têm posições políticas e dão tratamento diferente em casos iguais”, alfineta a comunista. Um dos exemplos, segundo ela, foi a recente denúncia feita pelo doleiro Alberto Yousseff, que em depoimento na CPI da Petrobras acusou o líder da oposição, o senador tucano Aécio Neves, derrotado por Dilma em 2014, de ter recebido propina das empreiteiras da Lava Jato. As informações foram desprezadas tanto pelos órgãos de controle quanto pela mídia.</p>
<p align="justify">Luciana Santos lembra que o combate à corrupção é uma das bandeiras da esquerda, mas defende que seja feito de forma imparcial e com respeito ao estado de direito. Ou seja, que se acuse, se denuncie e se condene com provas, sem o que, conforme observa, não há justiça. A interferência excessiva do judiciário em assuntos de outros poderes, segundo ela, são prenúncios do “estado policialesco” onde, ao contrário de uma democracia com regras, inverte-se o ônus da prova e todos se tornam culpados.</p>
<p align="justify">“A judicialização da política é um risco à democracia. Usam a Lava jato como arma política. A divulgação seletiva dos fatos desvirtuou a operação”, alerta a deputada. Luciana lembra que, embora bombardeada diariamente através de denúncias que saem de órgãos oficiais como o Ministério Público Federal, Dilma acatou o resultado da eleição interna no órgão e reconduziu ao cargo o procurador Geral da República, Rodrigo Janot, o mais votado de uma lista tríplice encaminhada como sugestão ao Palácio do Planalto. “São Paulo e Minas não seguem a lista tríplice apresentada pelo Ministério Público”, cutuca, referindo-se aos redutos tucanos. O atual Procurador de Justiça de Minas foi indicado pelo governo anterior ao atual, do PT.</p>
<p align="justify">Luciana Santos chama a atenção para um fenômeno típico da democracia brasileira, que é a diferença explícita entre governo e poder, este ainda nas mãos das mesmas elites que historicamente ditaram os rumos da politica. Segundo ela, a vitória de Lula e Dilma nos últimos 12 anos, permitiu o acesso da esquerda e das classes populares a um pequeno espaço do Estado. “Nós chegamos ao governo, mas o poder ainda está muito distante”, ressalva.</p>
<p align="justify"><strong>Ninho dividido</strong></p>
<p align="justify">Embora o predomínio da elite seja um forte fator de controle e, ao mesmo tempo, gerador de instabilidade ao governo de esquerda, a presidente do PC do B não vê clima para aventura golpista por duas razões básicas: os grupos econômicos de peso sabem que o deslocamento do eixo do poder seria um desastre de consequências imprevisíveis e a própria oposição que conspira está dividida.</p>
<p>“A oposição tem um único foco, que é interromper o mandato, mas enfrenta contradições internas. O Aécio quer (derrubar Dilma) agora; o Alckmin (Geraldo Alckmin, governador paulista e candidatíssimo em 2018), quer que Dilma sangre até o fim &#8211; como sugeriu o senador Aloísio Nunes, estranhamente, personagem que no passado, vítima da perseguição da ditadura, foi curar as feridas no exílio _ enquanto Serra (senador José Serra) paquera com o PMDB. Eles não têm unidade para fazer o deslocamento”, avalia a comunista. Para aumentar seu labirinto, na hipótese de emplacar o golpe ou a renúncia pregada pelo tucano de plumagem mais visível, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os tucanos ainda convivem com o medo de enfrentar Lula numa nova eleição.</p>
<p><strong>Nova governabilidade</strong></p>
<p>O cenário, como se vê, é preocupante e incerto. A presidente do PC do B acha, no entanto, que a conspiração é uma escalada que só será interrompida com a contraofensiva da esquerda via reestruturação da coalizão governista, um novo pacto de governabilidade &#8211; com agenda a ser construída &#8211; e, especialmente, através de uma ação política mais efetiva de Dilma pela resistência. Isso, antes que seja tarde.</p>
<p>“Estamos no limite da crise institucional”, alerta. O PC do B, aliás, foi um dos poucos partidos que não foram surpreendidos com o golpe de 1964, que germinou e ganhou corpo numa crise cujo início é parecido com o cenário de 2015. Duas diferenças a favor da superação da crise, no entanto, é a existência de movimentos sociais solidamente organizados e a consciência mais clara de que o respeito ao voto é a parte mais saudável da democracia.</p>
<p>“A base que elegeu Dilma é muito ampla, mas espera uma iniciativa do governo. Vamos construir uma frente ampla, com a participação do setor produtivo e de trabalhadores, para um novo pacto de governabilidade. É preciso resistir e estimular a presidenta a estar mais presente”, provoca Luciana Santos.</p>
<p><strong>Contradição doméstica</strong></p>
<p>Enquanto atua como protagonista nos limites da esquerda nacional, Luciana Santos precisa lidar com uma contradição em Pernambuco. No governo do seu estado e na prefeitura da capital, o PC do B é coadjuvante em uma larga aliança em que os principais partidos oposicionistas (DEM, PSDB e PPS inclusive) e lideranças evangélicas de extrema-direita movimentam-se confortavelmente.</p>
<p>Há duas explicações para sua presença na frente comandada pelo PSB. A primeira estaria no campo a “tradição”, em razão das relações históricas do partido com os falecidos Miguel Arraes e Eduardo Campos. A outra é de ordem tática: o PC do B seria o elo de ligação capaz de atrair os “socialistas” e a família Campos de volta ao berço da esquerda, algo que se torna mais difícil com o alinhamento dos herdeiros políticos do ex-governador com a oposição.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 115%;"> <span style="font-family: Cambria,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Araguaia, a guerrilha</b></span></span></p>
<p>“O Araguaia foi resistência. Era necessário proteger os quadros do partido que estavam sendo perseguidos nas cidades pela ditadura”, disse a deputada em entrevista exclusiva ao Marco Zero. Em 1972, quando o conflito eclodiu, Luciana Santos tinha apenas sete anos e, naturalmente, jamais imaginaria que a história lhe pegaria uma boa peça, levando-a ao comando do partido que fez da guerrilha uma das mais intensas páginas da esquerda armada num momento cuja conturbação, resguardadas as proporções, guarda vivas semelhanças com a conspiração que, em 1964, derrubou o governo legitimamente eleito de João Goulart.</p>
<p><a name="_GoBack"></a> Dois anos antes o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, em um artigo tão lapidar quanto profético, antecipara a quartelada: “Quem vai dar o golpe no Brasil”, anunciou logo no título para descrever o clima tenso. Os comunistas, reunidos então no velho partidão, o PCB, também anteviram o golpe e se dividiram por conta das diferenças de opinião sobre as táticas de reação. Luiz Carlos Prestes não queria o conflito e ficou com o PCB. Carlos Marighella fundou a Ação Libertadora Nacional (ALN), a mais aguerrida das organizações que fizeram a luta armada urbana, enquanto João Amazonas e Maurício Grabois optaram pelo campo, levando os quadros mais preparados para o Bico do Papagaio, na confluência entre o Pará, Goiás e Maranhão, às margens do Rio Araguaia.</p>
<p>Os preparativos da guerrilha começaram, na verdade, em 1966, quando o engenheiro de mina, boxeador e ex-militar Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, disfarçado de garimpeiro e caçador de peles (mariscador na linguagem dos camponeses) se instalou na região. A descoberta do foco levou os militares a organizar um aparato envolvendo as três Forças (Exército, Aeronáutica e Marinha) para um conflito que, encoberto pela conspiração do silêncio, duraria entre 1972 e 1975 e se transformaria num dos maiores massacres da história brasileira. Cerca de 80 militantes do PC do B &#8211; entre militantes históricos, acadêmicos, estudantes e, alguns deles, filhos de camponeses &#8211; deixaram lá seus ossos. Embora suas identidades sejam amplamente conhecidas, ainda figuram na lista de desaparecidos políticos. Meio século depois, a Guerrilha do Araguaia ainda é uma ferida aberta na selva amazônica e um trauma para a esquerda armada, especialmente no PC do B.</p>
<p>Sinal dos tempos, a linha do PC do B hoje nada mais tem a ver com o maoísmo que inspirou o Araguaia. A ascensão de Luciana Santos é uma aposta na modernização do socialismo e a adaptação do partido no novo mundo aberto pelas novas tecnologias. “O PC do B não é fechado. Não temos correntes e nem disputas internas. Primamos pela unidade política, apostamos na renovação, na juventude e, permanentemente, na atualização do socialismo ao moderno e ao contemporâneo”, diz a deputada. Sua ascensão, unificando os comunistas, foi uma “construção” de Renato Rabelo, que presidiu o partido por 13 anos, sucedendo um então lendário João Amazonas, que ficou no comando desde que o surgimento da nova sigla, em 1962, até sua morte, em 2002.</p>
<p>Sobrevivente do Araguaia, João Amazonas diria, depois da Anistia, que a região em que os guerrilheiros foram viver, habitada por pequenos agricultores e literalmente abandonada pelo poder público, era tão atrasada que em plena industrialização lá ainda não havia chegada a era da enxada &#8211; o plantio era feito com um facão rudimentar. É curioso observar hoje que na divisão da máquina governamental de Dilma, coube ao partido o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, talvez, uma oportunidade rara na história para levar o país a uma saudável guinada.		</p>
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		<title>Mandato de Dilma e &#8220;terceiro turno&#8221; estão agora nas mãos do TSE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2015 01:48:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[depoimento ricardo pessoa]]></category>
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		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Vasconcelo Quadros Brasília &#8211; O depoimento do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, previsto para esta terça-feira no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode ser o lance mais emblemático no longo e sistemático processo de conspiração que contamina o poder. Delator agraciado com um contrato que pode reduzir sua pena e testemunha chave, Pessoa pode fornecer [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>				Por Vasconcelo Quadros</p>
<p><strong>Brasília &#8211; </strong>O depoimento do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, previsto para esta terça-feira no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode ser o lance mais emblemático no longo e sistemático processo de conspiração que contamina o poder. Delator agraciado com um contrato que pode reduzir sua pena e testemunha chave, Pessoa pode fornecer a bala de prata que a oposição espera para tentar vencer no tapetão o “terceiro turno” das eleições de 2014.</p>
<p>O ovo da serpente é um recurso chamado tecnicamente de Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), impetrada pelo advogado do PSDB, José Eduardo Rangel de Alckmin pedindo a cassação dos diplomas da presidente Dilma Rousseff e de seu vice, Michel Temer. Caso Pessoa confirme o que andou falando sobre doação ilegal para a campanha de Dilma, o TSE pode anular a eleição do ano passado, convocar um novo pleito ou &#8211; o que seria mais provável -, dar posse ao segundo colocado, o senador Aécio Neves.</p>
<p>Os riscos de Dilma ser destituída são claros e palpáveis, especialmente porque a mesma corte acatou os mesmos argumentos para cassar os mandatos de pelo menos quatro governadores _ Mão Santa (PI), Marcelo Miranda (TO), Jackson Lago (MA) e do tucano Cássio Cunha Lima (PB). Além do depoimento do delator, Dilma está no meio de uma das mais turbulentas crises, onde enfrenta baixa popularidade e a corrosão de sua base de apoio no Congresso. Seu próprio partido e os movimentos sociais que ajudaram a elegê-la fazem uma defesa tímida do mandato presidencial, uma postura equivocada e que vem dando a escalada conspiratória para tirá-la do Palácio do Planalto.</p>
<h2>“ Briga de cachorro grande”</h2>
<p>O “terceiro turno” das eleições, que deve ter como palco a justiça eleitoral, é “briga de cachorro grande”, a começar pelo perfil do advogado que defende a cassação do mandato. Primo do governador paulista, Geraldo Alckmin, ex-ministro do TSE e filho do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Geraldo Rodrigues de Alckmin (falecido) &#8211; um dos fundadores da Opus Dei no Brasil, nomeado pelo ex-ditador Emílio Garrastazu Médici &#8211; José Eduardo Alckmin é um dos mais influentes advogados de Brasília, com reconhecido trânsito nos tribunais superiores. Sua especialidade é a área eleitoral, onde tanto já defendeu quanto acusou governadores enrolados com fraudes eleitorais.</p>
<p>Ao contrário do que fará agora, o advogado Alckmin sempre teve uma postura contra a cassação de mandatos, hipótese que só admite diante de uma fraude que macule a vontade do eleitor ou muda o resultado do pleito. Não foi, obviamente, o caso da eleição da dupla Dilma-Temer cujo desempenho por muito pouco não acabou prejudicado pela edição antecipada da revista Veja no ano passado, sob a expectativa de Aécio e da cúpula tucana.</p>
<p>“Nesse caso é diferente. A eleição foi decidida por pequena margem, o que torna a cassação necessária diante da gravidade dos fatos (doação ilegal de fundos para a campanha). A novidade é que o que de fato faz a diferença agora é a preponderância do aspecto moral. Os recursos de origem abomináveis contaminaram a legitimidade da presidente”, disse o advogado ao Marco Zero. Ele afirma que a tese não é golpista e não vê riscos a democracia numa eventual cassação de Dilma e Temer, decisão que seria inédita e levaria o caso para o STF.</p>
<p>O problema é que as mesmas empreiteiras que fizeram doações também a outros candidatos, entre eles, Aécio Neves, o que reforça a suspeita de que, se conseguir emplacar a tese, a oposição não hesitará em derrubar Dilma, mesmo que tenha de andar com um carimbo de golpista na testa.</p>
<h2>Carona na Lava Jato</h2>
<p>Alijados do poder há quatro eleições presidenciais e sem um novo “Plano Real” no bico, os tucanos pegaram carona na Operação Lava Jato e já conspiraram, sem sucesso, em todos os ninhos para tentar voltar ao poder. Ás vésperas do segundo turno, apostaram as fichas na repercussão da edição antecipada de Veja, publicação que certamente entrará para os anais do jornalismo brasileiro; depois, entraram com um pedido de recontagem dos votos e, quando as manifestações contra Dilma e o PT ganharam as ruas, chegaram a apostar no impeachment da presidente &#8211; ideia abandonada diante da constatação de que a queda de Dilma tornaria inevitável o retorno de Lula numa nova eleição.</p>
<p>A saída então &#8211; planejada por personagens que num passado distante também sofreram os efeitos do golpismo -0 é matar os dois coelhos numa só cajadada e fazer o banquete no Palácio do Planalto: os tucanos querem o poder a qualquer custo, nem que para isso rasguem suas próprias biografias.</p>
<h2>Cartada final</h2>
<p>A ação no TSE é a cartada final e, nos bastidores, tem um discreto apoio dos grupos de comunicação. Não por acaso são os mesmos que num passado não muito distante se enfileiraram entre os golpistas que derrubaram um presidente legitima e legalmente eleito para instalar uma ditadura de 21 anos. Os donos desses veículos só se deram conta de que o regime militar iniciado em 1964 era para valer com a edição do AI-5, em 1968, que inaugurou o período de trevas. A resistência ao arbítrio, vendida com fachada democrática para as novas gerações, é de um farisaísmo que a história desmente. Os principais veículos pediam a derrubada de Jango em editoriais.</p>
<p>As vozes mais sensatas têm defendido a manutenção do mandato de Dilma não pelo PT ou de sua estrela mais cintilante, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas pelo respeito ao regime democrático numa República que só agora, há apenas três décadas, interrompeu os ciclos militaristas alimentados por quarteladas.</p>
<p>Lula, o PT e Dilma erraram feio ao recorrer aos mesmos métodos corruptos dos adversários, mas só devem ser tirados pela vontade popular se nada for provado. O processo em curso usurpa a vontade do eleitor e sua grande colaboração é obrigar o PSDB a mostrar as garras, conforme as entrelinhas da entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na convenção tucana, há duas semanas.</p>
<h2>A voz do cardeal</h2>
<p>“O PSDB está pronto para assumir” sinalizou FHC, o cardeal em torno do qual gravitam os tucanos de alta plumagem, como Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra, todos esforçadíssimos para tentar um terceiro turno embora, para a plateia, jure que não assumiria o poder como o derrotado em 2014. Outra ação impetrada por José Eduardo Alckmin no STF por Aécio advoga a tese de uma nova eleição, mas as declarações dos tucanos permitem especular que essa tese pode cair por terra caso o TSE convoque o segundo colocado a assumir, como fez nos casos envolvendo governadores.</p>
<p>A posição do TSE vai depender do que o “arrependido” Ricardo Pessoa disser no depoimento. Se confirmar o que vem dito e acrescentar algo que vincule a presidente a arrecadação ilegal de dinheiro para a campanha, o país assistirá, então, uma crise sem precedentes e de consequências imprevisíveis, mas certamente graves.		</p>
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