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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Mensagem no Whatsapp pede que estudantes denunciem professores no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Oct 2018 20:57:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudante recifense, com a eleição de Bolsonaro, é possível que “professores” doutrinadores façam de suas salas de aula verdadeiros palanques. Filme ou grave qualquer caso de doutrinação e nos envie pelo Whatsapp: (81) 99629.1609. Fixar ideologia política na cabeça dos alunos NÃO é papel do verdadeiro professor! A mensagem acima é assinada pelo Movimento pelas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Estudante recifense, com a eleição de Bolsonaro, é possível que “professores” doutrinadores façam de suas salas de aula verdadeiros palanques. Filme ou grave qualquer caso de doutrinação e nos envie pelo Whatsapp: (81) 99629.1609. Fixar ideologia política na cabeça dos alunos NÃO é papel do verdadeiro professor!</i></b></p>
<p>A mensagem acima é assinada pelo Movimento pelas Crianças e passou a circular pelos grupos de Whatsapp após a divulgação do resultado eleitoral, no último domingo (28). O canal informal para denúncias dos estudantes pela internet, que surgiu no Recife, repete o mesmo modelo utilizado pela deputada estadual de Santa Catarina, Ana Caroline Campagnolo (PSL). No início desta semana, a deputada divulgou uma imagem nas suas redes sociais pedindo denúncias dos estudantes de manifestações políticas e ideológicas dos professores, ato que está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) por “possível violação ao direito à educação dos estudantes catarinenses.”</p>
<p>O chamado para uma fiscalização de conteúdos divulgados nas escolas da capital pernambucana foi repudiado pelas entidades de representação dos professores locais, inclusive por ferir legislações municipais e estaduais. É que, em Pernambuco, a Lei 15.507, de 2015, proíbe o uso de celulares e equipamentos eletrônicos nos estabelecimentos de ensino públicos ou privados, no âmbito do estado, ou seja, não seria permitido fazer uso desses aparelhos para filmar ou gravar os professores. Desde 2012, a lei municipal 17.837 já proibia o uso dos aparelhos celulares e equipamentos eletrônicos na sala de aula das escolas do Recife, exceto para fins pedagógicos. <a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/WhatsApp-Image-2018-10-30-at-11.40.30-1.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-11687 " src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/WhatsApp-Image-2018-10-30-at-11.40.30-1.jpeg" alt="WhatsApp Image 2018-10-30 at 11.40.30 (1)" width="505" height="682"></a> “O mais&nbsp;gritante nesse caso é a tentativa de tolher a liberdade do professor no cumprimento do seu dever, que é o aprendizado e a avaliação dos alunos, como determina o artigo 13 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, norma que está abaixo apenas da Constituição Federal. A categoria lamenta que esse tipo de conduta”, disse Wallace Melo, secretário de comunicação do Sindicato dos Professores de Pernambuco (Sinpro-PE), que representa os cerca de 90 mil docentes da rede privada do estado.</p>
<p>Wallace classificou a&nbsp;divulgação da mensagem como “mais um episódio de discursos fascistas que continuam ganhando força pós-eleições”. O Sinpro-PE informou que até agora não recebeu denúncias de professores que tenham sido vítimas desses tipos de ações, mas ofereceu previamente o apoio do seu departamento jurídico para os docentes.</p>
<p>A divulgação da mensagem pelo Whatsapp mobilizou uma reunião plenária do Conselho Municipal de Educação do Recife nesta terça-feira (30), mas o órgão ainda não se pronunciou sobre que medidas irá tomar. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), que representa os professores da rede pública, informou que divulgará uma nota sobre o caso em breve. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) adiantou apenas que está debatendo o assunto, porém não emitiu nenhum posicionamento até a publicação desta matéria.</p>
<p>Presidente da Ordem dos Advogados de Pernambuco, Ronnie Preuss Duarte lamentou o ambiente de ‘patrulhamento’ no país, mesmo após o período eleitoral. “Esse tipo de discurso convocando uma fiscalização de conteúdo em sala de aula não se sustenta. Nenhum órgão público abre uma investigação baseado em boatos”, argumentou. Perguntado sobre a possibilidade de uma atuação mais direta da OAB-PE no caso, o presidente informou que nenhuma ação está sendo articulada até o momento.</p>
<p><b>Movimento pelas Crianças</b></p>
<p>Durante esta terça-feira (30), a reportagem fez várias ligações em horários diferentes para o número divulgado pelo Movimento pelas Crianças no Whatsapp, mas todas elas foram direcionadas para a caixa de mensagens. &nbsp;O mesmo número de telefone também aparece na página do movimento no Facebook, que tem 2,6 mil seguidores. Na última segunda-feira (29), essa página publicou o mesmo conteúdo distribuído pelo Whatsapp. O post tem pouco mais de 60 curtidas e 12 comentários, divididos entre mensagens de apoio e de críticas.</p>
<p>No Facebook, o Movimento pelas Crianças se diz formado por “pais e familiares indignados com as crescentes tentativas de manipulação moral e sexualização das crianças”.&nbsp; A breve descrição informa ainda que o grupo foi formado inicialmente por 82 pessoas. As publicações da página começaram a ser divulgadas em setembro do ano passado, com conteúdos contrários à exposição do Queermuseu, que foi cancelada pelo Santander Cultural após críticas de movimentos religiosos. A mostra reunia obras de 85 artistas, incluindo nomes como Cândido Portinari.</p>
<p>Em alguns vídeos contrários à exposição,&nbsp;Rogério Magalhães, que foi candidato a vereador pelo DEM em 2016, mas não se elegeu, se apresenta como coordenador do movimento. Rogério Magalhães é oficial de Justiça do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e sobrinho do ex-prefeito e ex-governador Magalhães. O telefone que está divulgado na mensagem direcionada aos alunos do Recife é o mesmo contato que ele divulga nos seus perfis nas redes sociais (há pelo menos três no Facebook, um deles com 15 mil curtidas). Esse número não atendeu nossas ligações.</p>
<p>Em sua postagem mais recente feita nesta terça-feira,&nbsp; contudo, Rogério publicou uma mensagem onde diz: “liberdade de ensino sim, doutrinação ideológica não”. A mensagem informa ainda que o grupo que ele representa é contra qualquer tipo de censura ou doutrinação ideológica em sala de aula, &#8220;mas que as crianças merecem um ensino de qualidade e não formação político-partidária&#8221;, e arremata com uma hashtag em defesa do projeto Escola sem Partido no Congresso &#8211; uma das bandeiras do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). O Escola sem Partido&nbsp; propõe uma série de limitações aos docentes na abordagem de assuntos ligados à política e à religião, entre outros.</p>
<p>ATUALIZAÇÃO</p>
<p>Dois dias após a publicação desta matéria, o&nbsp;Sintepe (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco) enviou uma nota sobre o caso. Abaixo reproduzimos o material na íntegra:</p>
<blockquote><p>Na tarde desta quarta-feira (31) quatro entidades sindicais que representam trabalhadores em educação em Pernambuco reuniram-se com a promotora Eleonora Rodrigues, do Ministério Público de Pernambuco, para apresentar denúncia contra uma campanha de assédio aos professores e professoras em sala de aula, liderada por um autodenominado &#8220;Movimento pelas Crianças&#8221;. As entidades foram Sintepe (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco), Sinpoja (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Jaboatão dos Guararapes), Sinpmol (Sindicato dos Professores Municipais de Olinda) e Sinpere (Sindicato dos Professores do Recife).<br />
.<br />
Nas redes sociais, o &#8220;movimento&#8221; incentiva os estudantes a constranger seus professores e professoras utilizando telefones celulares para gravar suas aulas e &#8220;denunciá-los&#8221; por supostamente &#8220;fixar ideologia política na cabeça dos alunos&#8221;.<br />
.<br />
O Sintepe (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco) assinou denúncia apresentada à Promotoria de Justiça de Defesa da Educação. Para o Sindicato, o movimento de extrema-direita visa constranger e agredir professores e professoras em sala de aula.<br />
.<br />
A denúncia do Sintepe alerta que postagem confronta o princípio de liberdade de cátedra, inscrito em nossa Constituição, em seu artigo 205, que assegura, claramente, “a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber”. Contraria também o que está explícito, logo em seu artigo 3º, na nossa Lei de Diretrizes e Bases Nacional – LDB (Lei 9,394/1996).<br />
.<br />
O documento-denúncia também recomenda que a Secretaria de Educação do Estado garanta, por meio de ações afirmativas e imediatas, a proteção dos docentes, a autonomia didático-científica e pedagógica e o direito de livre expressão e iniciativas das professores e professores.<br />
.<br />
Por fim, o Sintepe concorda com a Recomendação Conjunta do Ministério Público Federal e Ministério Público de Pernambuco à Secretaria de Educação de Pernambuco e demais secretarias de educação que &#8220;se abstenham de qualquer atuação ou sanção arbitrária em relação a professores, com fundamento que represente violação aos princípios constitucionais e demais normas que regem a educação nacional, em especial quanto à liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber e ao pluralismo de ideias e de concepções ideológicas, adotando as medidas cabíveis e necessárias para que não haja nenhuma forma de assédio moral em face desses profissionais, por parte de estudantes, familiares ou responsáveis&#8221;.</p></blockquote>
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