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	<title>Arquivos El Salvador - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos El Salvador - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>À margem da lei e junto do povo, rádios comunitárias resistem e crescem na América Central</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jul 2019 10:13:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[américa central]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação Comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[Direito à Comunicação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Seja tentando apontar no mapa quais são e onde estão os países latino-americanos mais ao norte, seja na ausência de notícias nos jornais brasileiros ou mesmo no desconhecimento sobre a história recente e antiga, fica evidente o pouco que o brasileiro sabe sobre a América Central.&#160; A dificuldade de esboçar imagem nítida sobre a região [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-margem-da-lei-e-junto-do-povo-radios-comunitarias-resistem-e-crescem-na-america-central/">À margem da lei e junto do povo, rádios comunitárias resistem e crescem na América Central</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000;">Seja tentando apontar no mapa quais são e onde estão os países latino-americanos mais ao norte, seja na ausência de notícias nos jornais brasileiros ou mesmo no desconhecimento sobre a história recente e antiga, fica evidente o pouco que o brasileiro sabe sobre a América Central.&nbsp;</span></p>
<p><span style="color: #000000;">A dificuldade de esboçar imagem nítida sobre a região é um desafio para aproximar e fortalecer lutas que acontecem em contextos similares, por exemplo, em El Salvador e no Brasil. O pequeno país voltado para o Oceano Pacífico é quase do tamanho do estado de Alagoas. Se não dá para comparar os tamanhos, no entanto, os dois países guardam semelhanças no campo da luta por uma comunicação democrática, mais diversa e com garantia de pluralidade.&nbsp;</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Espremidos entre a América do Sul, no caminho para o México, os países centro-americanos acabam formando um importante corredor para migrantes e, por isso, sofrem consequências e repercussões diretas das decisões políticas de migração dos Estados Unidos. Nos noticiários salvadorenhos, são comuns referências diretas às mais recentes declarações de Trump ou aos debates sobre como as políticas estadunidenses são sentidas no pequeno país.&nbsp;</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Para parte da população brasileira, as conexões e características que esses países compartilham são desconhecidos. A Nicarágua chegou aos jornais brasileiros mais recentemente depois das manifestações contra o governo, quando jornalistas foram perseguidos e agredidos na cobertura dos eventos que tomaram as ruas. &nbsp;De El Salvador, os ecos que chegam ao Brasil, por exemplo, apenas abordam os números assustadores da violência urbana – o que ajuda a criar a ideia de um país assolado por violência. A invisibilidade dos territórios e contexto centro-americano, por exemplo, resulta na generalização de “latinos” aplicada sem distinção a diversas nacionalidades.</span></p>
<blockquote><p><span style="color: #000000;">O projeto Intercâmbios Latinos – Jornalismo e Direitos Humanos<i>, </i>iniciativa construída pelo Coletivo Papo Reto, e pelo projeto Aurora Notícias sobre Direitos Humanos na América Latina, <a href="http://marcozero.org/marco-zero-conteudo-participa-de-intercambio-latino-americano-sobre-jornalismo-e-direitos-humanos/">levou um grupo de jornalistas brasileiros, do qual participei como integrante da Marco Zero Conteúdo, para conhecer a realidade de El Salvador</a> e, de lá, pude observar o panorama da comunicação comunitária centroamericana.</span></p></blockquote>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Oscar Peréz, da <a href="http://www.comunicandonos.org.sv">Fundación Comunicandonos</a>, organização que defende e promove a democratização da comunicação na região nos apresentou o contexto da luta pelo direito à comunicação na América Central, mas não só. A garantia da liberdade de expressão, segurança de comunicadores e concentração dos meios de comunicação fazem parte do dia a dia do trabalho feito pela fundação.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">O conceito de direito à comunicação está diretamente relacionado a outros três: o direito ao acesso à informação, à liberdade de expressão e o direito de ter seus próprios meios. A partir dessa visão, Oscar faz um diagnóstico preocupante sobre a América Central. Com pouquíssima legislação para radiodifusão comunitária, falta de recursos e desafio da sustentabilidade, os oligopólios midiáticos e a perseguição a comunicadores e jornalistas fazem parte dos desafios do movimento na região centro-americana. &#8220;Na América Central, não existe um sistema de mídia diverso e plural, mas sim um esforço por parte da radiodifusão comunitária para poder mudar esse sistema”, afirma Oscar.</span></p>
<div id="attachment_17109" style="width: 510px" class="wp-caption alignleft"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17109" class="wp-image-17109" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/07/Screenshot_20190702-174510-300x168.jpg" alt="Screenshot_20190702-174510" width="500" height="281"><p id="caption-attachment-17109" class="wp-caption-text"><span style="color: #000000;">Oscar Peréz, jornalista, defensor dos direitos humanos, da Fundación Comunicandonos e AMARC</span></p></div>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Em El Salvador, não existem rádios e TVs públicas. Há uma televisão e uma rádio estatal. Os demais 95% veículos são comerciais. A radiodifusão e comunicação comunitária são ainda hoje focos de resistência aos oligopólios midiáticos da região e representam importantes fontes de informação, independente e alternativa, principalmente longe dos grandes centros urbanos. &#8220;Existem zonas geográficas que estão bem conectadas, mas há outras impressionantemente desconectadas. Aí a rádio tem um papel importante porque alguns acreditam que a rádio já não tem sentido”, defende.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">A América Central é apontada como a região que menos reconhece legalmente as rádios comunitárias, de acordo com Informe de Meios Comunitários e Liberdade de Expressão (2017), do Observatório Latinoamericano de Regulação, Meios e Convergência. Mesmo nesse cenário, nos últimos anos houve um aumento significativo de rádios comunitárias na região como um todo, afirma Oscar, que é também coordenador para América Latina e Caribe da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc).</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">El Salvador é o único país que reconhece, por lei, a radiodifusão comunitária. O país tem ao menos 25 rádios comunitárias. Ainda assim, o movimento tem críticas ao conceito amplo que foi adotado na lei e que abre margem desviar o que acreditam ser a função da comunicação comunitária. &#8220;É tão amplo que qualquer igreja que tem uma fundação pode solicitar uma rádio comunitária. Qualquer empresa que tem fundação também pode solicitar”, explica. Para ele, uma emissora comunitária tem raízes na comunidade, podendo contribuir para a garantia de direitos e desenvolvimento local, e não significa que tem que ter pouco alcance ou potência.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">De acordo com a Amarc, na Guatemala, onde a radiodifusão comunitária é criminalizada, com registro até de casos de prisão de trabalhadores, existem mais de 400 rádios comunitárias. Honduras e Nicarágua têm cerca de 40 emissoras comunitárias cada um. Já no Panamá não existe uma estimativa, mas a entidade tem fortalecido a construção de rádios indígenas.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><iframe id="datawrapper-chart-GVI4s" style="width: 0; min-width: 100% !important; border: none;" title="Mapa da comunicação comunitária na América Central" src="//datawrapper.dwcdn.net/GVI4s/1/" scrolling="no" width="300" height="487" frameborder="0"></iframe>[Passe o cursor sobre os pontos no mapa para mais informações]<br />
</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"><b>O poder da comunicação comunitária e abismo digital&nbsp;</b></span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">A sobrevivência na transição para a digitalização é uma outra preocupação para o movimento. Diante do avanço do consumo de informação pela internet, emissoras começam a ensaiar a digitalização, mas esbarram nos desafios de modelo, formato e acesso à internet. Em El Salvador, a internet é cara e o acesso não passa de 16%. Segundo Pérez, o acesso nas casas ainda é pequeno, sendo o celular o principal dispositivo, o que também muda a experiência de consumir informação.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">&#8220;Ainda existe um abismo digital, que não permite que toda a população tenha acesso à informação via a internet. Mas isso vem mudando rapidamente, em particular com a juventude. Existe de fato uma necessidade real de transitar de um pensamento mais analógico para um digital, a partir das rádios”, conta Oscar em entrevista publicada na <a href="https://aurora.jor.br/2019/05/17/america-central-radiodifusao-comunitaria-segue-vigente-e-com-grande-incidencia-local/"><span style="color: #000000;">Aurora Notícias</span></a>.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Na estrada, duas ou três horas podem nos levar facilmente aos outros países que fazem fronteira com El Salvador &#8211; Guatemala, Nicarágua e Honduras. A paisagem ora montanhosa e seca também tem espaço para uma vegetação vibrante e verde, respondendo à época das chuvas.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Em apenas um dia, Oscar pôde apresentar um retrato da experiência das rádios comunitárias no território salvadorenho que ajudar a mudar, também, o contexto do desenvolvimento local onde estão inseridas.&nbsp; A Rádio Guazapa e a Rádio TV IzCanal, respectivamente com 18 e 26 anos de existência, são tanto duas experiências&nbsp;<span style="color: #000000;">comunitárias </span>de sucesso, quanto exemplos da materialização do direito à comunicação.</span></p>
<div id="attachment_17161" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/07/américa-jornalismo_2.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17161" class="size-full wp-image-17161" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/07/américa-jornalismo_2.jpg" alt="Rádio Guazapa conta com moradores como apresentadores. Foto: Débora Britto/MZ Conteúdo" width="1600" height="610"></a><p id="caption-attachment-17161" class="wp-caption-text">Rádio Guazapa conta com moradores como apresentadores. Foto: Débora Britto/MZ Conteúdo</p></div>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"><b>RÁDIO GUAZAPA</b></span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Com uma programação diária das 5h às 21h, a <a href="https://www.radioguazapafm.org">Rádio Guazapa</a>, localizada no município de mesmo nome, ganha na audiência para outras rádios comerciais. O segredo do sucesso talvez se explique pelo fato de serem os moradores também apresentadores ou pelos projetos de educação digital que a rádio promove com escolas locais ou, quem sabe, por estar sempre de portas abertas.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">A pequena cidade na área rural encontrou na rádio comunitária a chance de se organizar em torno da luta por direitos. Oscar, um dos fundadores, nos mostra no caminho o ponto onde sua mãe vende as tradicionais pupusas (tortilha com recheio salgado), a escola primária local e a praça onde parte da população se reúne no fim dos dias. A rádio é outro ponto de encontro. Por isso, é comum ouvir reclamações da população sobre serviços públicos, divulgação de projetos, além de debates sobre temas de interesse local, sempre com a voz da comunidade presente. A preocupação em pautar e trabalhar temas como os direitos humanos, defesa do meio ambiente e violência contra mulher são constantes para a diretora da rádio, Finnela García.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Atualmente, o principal desafio é a modernização dos equipamentos e da sede, que conta com voluntários para manutenção da estrutura, além da apresentação e produção dos programas. &#8220;A rádio pertence a toda a comunidade. O microfone está sempre aberto para que os moradores da região possam se expressar, o que não é possível numa rádio comercial. Estamos trabalhando para modernizar a rádio com o uso das novas tecnologias, queremos nos tornar uma referência em comunicação comunitária”, conta García.</span></p>
<div id="attachment_17160" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/07/américa-jornalismo_.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17160" class="wp-image-17160 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/07/américa-jornalismo_.jpg" alt="Grupo de jornalistas brasileiros do Intercâmbios Latinos conhece a Rádio e IzCanal, em El Salvador. Foto: Raul Santiago" width="1600" height="556"></a><p id="caption-attachment-17160" class="wp-caption-text">Grupo de jornalistas brasileiros do Intercâmbios Latinos conhece a Rádio e IzCanal, em El Salvador. Foto: Raul Santiago</p></div>
<p><span style="color: #000000;"><b>RÁDIO E TV IZCANAL</b></span></p>
<p>A fundação da <a href="https://www.izcanal.org">IzCanal</a>, em 1993, se confunde com a história de resistência, organização e luta de Nuevo Galcho, uma comunidade de cerca de 200 famílias que fugiu da guerra civil e viveu por dez anos em um acampamento de refugiados, mas preservou a unidade, costumes e desejo de retornar ao local de origem. A rádio nasceu um ano depois do Acordo de Paz que pôs fim do conflito armado. Hoje, localizada em Nueva Gravada, um dos municípios mais pobres de El Salvador, a rádio que foi um sonho ainda na época do acampamento é um espaço de formação política e apoio ao desenvolvimento da região.</p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">A rádio a Izcanal transmite para 100 municípios, espalhados em quatro regiões do pais, com uma audiência estimada em cerca de 500 mil pessoas. A televisão (desde 2005), transmitida via TV a cabo até 2017, atualmente pega apenas pela internet.</span></p>
<p style="color: #000000;">Rosa Hilda Rivas, uma das coordenadoras da emissora, conheceu a fundação quando era criança e não esconde a paixão pelo potencial que a comunicação comunitária tem para a transformação da realidade. Ao contrário do que pode se pensar, a experiência da IzCanal mostra que as pessoas participam e se envolvem mais quando os temas debatidos na rádio ou na televisão são políticos, mas apresentados com as conexões com a comunidade, por exemplo, como um projeto de lei nacional pode afetar a vida das pessoas. “Temos claro que em El Salvador os meios de comunicação estão na mão de poucos. Nosso objetivo e maior desafio é fazer uma comunicação para o desenvolvimento. Buscamos regionalizar os temas ou tratar de forma que não confunda as pessoas, mas que provoque outras perguntas”, explica Rosa.</p>
<div id="attachment_17107" style="width: 460px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/07/P_20190514_161647_vHDR_Auto.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17107" class="wp-image-17107" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/07/P_20190514_161647_vHDR_Auto-300x224.jpg" alt="Estúdio da Rádio e TV Iz Canal, em Nueva Granada, El Salvador. Foto: Débora Britto" width="450" height="337"></a><p id="caption-attachment-17107" class="wp-caption-text">Estúdio da Rádio e TV Iz Canal, em Nueva Granada, El Salvador. Foto: Débora Britto/MZ Conteúdo</p></div>
<p style="color: #000000;">Para ela, o contexto de criação da emissora é um fato importante para o sucesso da experiência (mais de duas décadas no ar). “Não somos um produto acabado enquanto existir desigualdades sociais e na comunicação. E é mais difícil estabelecer um veículo de comunicação quando a comunidade não é previamente organizada. Quando existe essa centelha a rádio se torna um aliado importante”, conta.</p>
<p style="color: #000000;">Atualmente, os coordenadores, 15 funcionários e 10 voluntários preservam e atualizam os projetos sem perder de vista os princípios que orientaram a fundação da emissora: os direitos humanos, a defesa do meio ambiente e a luta pela democratização da comunicação como assuntos transversais. A partir disso, a emissora se tornou uma escola informal de direitos e comunicação, realizando oficinas para estudantes do município e&nbsp; formação de lideranças locais. “As pessoas aprenderam a ver os veículos comunitários como aliados, mais do que só um espaço de informação”, comemora Rosa.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Marco Zero Conteúdo participa de intercâmbio latino-americano sobre jornalismo e direitos humanos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 May 2019 17:26:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[El Salvador]]></category>
		<category><![CDATA[ForoCap]]></category>
		<category><![CDATA[intercâmbios latinos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um grupo de comunicadores de veículos independentes brasileiros participa, entre segunda (13) e sábado (18), de formação e debates sobre jornalismo e direitos humanos em San Salvador, capital de El Salvador. O projeto Intercâmbios Latinos – Jornalismo e Direitos Humanos é uma iniciativa construída pelo Coletivo Papo Reto, do Rio de Janeiro, e pelo projeto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um grupo de comunicadores de veículos independentes brasileiros participa, entre segunda (13) e sábado (18), de formação e debates sobre jornalismo e direitos humanos em San Salvador, capital de El Salvador. O projeto <em>Intercâmbios Latinos – Jornalismo e Direitos Humanos </em>é uma iniciativa construída pelo Coletivo Papo Reto, do Rio de Janeiro, e pelo projeto Aurora Notícias sobre Direitos Humanos na América Latina, e tem como objetivo criar espaços de encontro, de redes e de formação de comunicadores, coletivos e veículos alternativos latino-americanos que tenham como pauta a defesa dos direitos humanos.</p>
<p>O grupo de comunicadores participará do <a href="https://forocap.elfaro.net/forocap-2019">9º ForoCap &#8211; o Foro Centroamericano de Periodismo</a>&nbsp;-, evento promovido pelo jornal digital El Faro, veículo independente com base em San Salvador, capital de El Salvador. O <a href="https://elfaro.net/%20">El Faro</a>&nbsp;é a primeira experiência de veículo de jornalismo nativo da internet e um dos principais veículos de jornalismo investigativo na América Central. A jornalista Débora Britto, repórter da Marco Zero Conteúdo e integrante do Terral Coletivo de Comunicação Popular, participa desta edição. Também estão em San Salvador comunicadores do Favela em Pauta (RJ), Nós Mulheres da Preriferia (SP), Alma Preta (SP), Agência Énois (SP), Coletivo Nigéria (CE) e Justiça Global (RJ).</p>
<p>O projeto <em>Intercâmbios Latinos &#8211; Jornalismo e Direitos Humanos </em>viabiliza a ida de jornalistas – principalmente de veículos independentes, comunitários e periféricos – para eventos na América Latina para os quais o acesso ainda é restrito. A segunda edição do projeto tem como temática prioritária o debate sobre &#8220;criminalização das lutas por direitos humanos e atual situação de defensores e defensoras na América Central&#8221;.</p>
<p>Para Artur Romeu, idealizador da Aurora e do projeto, vem crescendo o reconhecimento e a valorização de comunicadores nas periferias das grandes cidades e fora dos grandes meios de comunicação, mas os desafios ainda passam por financiamentos que garantam, também, a chance de estar em espaços como o ForoCap.</p>
<p>&#8220;Ao cruzar ferramentas, práticas e linguagens do jornalismo, da cultura popular e do ativismo em defesa dos direitos humanos, os comunicadores e comunicadoras se tornaram pontos de referência importante para o acompanhamento e denúncia de casos de violações por parte do Estado&#8221;, explica.</p>
<p>A primeira edição do projeto levou um grupo de comunicadores de diferentes meios de comunicação de favelas e periferias do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte para o Festival Internacional Gabriel García Márquez, em Medellín, na Colômbia. Considerado um dos mais importantes encontros de jornalismo na América Latina, o evento é organizado pela Fundação Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI).</p>
<p>&#8220;A oportunidade de realizar encontros com diversas experiências de comunicação de coletivos de educação popular e mídias alternativas em Medellín ampliou a noção de solidariedade internacional e de reconhecimento de uma agenda de luta das periferias globais; não no que se refere aos &#8216;países periféricos&#8217;, mas sim da produção de sentido e de resistência política a partir das periferias. Essas questões passam a ser incorporadas naturalmente nos olhares, discursos e comunicação dos participantes do projeto e indiretamente pelos coletivos e organizações que o integram&#8221;, conta.</p>
<blockquote>
<div id="attachment_15603" style="width: 510px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/imagem-ok.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15603" class="wp-image-15603" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/imagem-ok-300x200.png" alt="imagem ok" width="500" height="335"></a><p id="caption-attachment-15603" class="wp-caption-text">Edição de 2018 levou comunicadores brasileiros para a Colômbia</p></div>
<p>&#8220;O<em> Intercâmbios Latinos</em> tem como estratégia central a promoção de espaços de encontro, de construção de redes e de formação para coletivos de comunicação e mídias latino-americanas pautadas pela defesa dos direitos humanos, e busca fortalecer a construção de um horizonte midiático plural e diverso na região. O projeto parte da premissa de que a aproximação entre diferentes experiências latino-americanas é fundamental para dar maior visibilidade às diversas iniciativas existentes e identificar soluções para os desafios comuns enfrentados à nível regional”, conta Artur.</p></blockquote>
<p>Além de participar do&nbsp;9º ForoCap, o grupo também conhecerá redações locais, organizações não governamentais e grupos que trabalham no âmbito dos direitos humanos em San Salvador. A ideia é estimular parcerias entre coletivos, trocas e coberturas dos dias e atividades em terras salvadorenhas. Esse ano o <em>Intercâmbios</em> tem a parceria da ONG Justiça Global, que atua há anos com o tema da proteção a defensores e defensoras de direitos humanos. A proposta, de acordo com Artur, é aprofundar reflexões sobre essa questão com os nove comunicadores que participam do projeto, que nesta edição vêm de coletivos e meios de comunicação de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza.</p>
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		<title>Semiárido brasileiro vai ao Sahel senegalês em intercâmbio promovido pelas Nações Unidas</title>
		<link>https://marcozero.org/semiarido-brasileiro-vai-ao-sahel-senegales-em-intercambio-promovido-pelas-nacoes-unidas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Nov 2018 14:10:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[África ocidental]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta segunda-feira, 5 de novembro, 13 agricultores e agricultoras familiares do semiárido, acompanhados de quatro profissionais da Articulação do Semiárido (ASA), embarcam para o Senegal para iniciar a etapa africana do intercâmbio entre agricultores do Brasil e de outras áreas semiáridas do planeta. Na África, a comitiva brasileira irá conhecer a realidade das famílias que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta segunda-feira, 5 de novembro, 13 agricultores e agricultoras familiares do semiárido, acompanhados de quatro profissionais da Articulação do Semiárido (ASA), embarcam para o Senegal para iniciar a etapa africana do intercâmbio entre agricultores do Brasil e de outras áreas semiáridas do planeta. Na África, a comitiva brasileira irá conhecer a realidade das famílias que vivem no Sahel, região ao sul do deserto Saara, com 5,4 quilômetros de extensão que corta 14 países africanos do oceano Atlântico ao Mar vermelho.</p>
<p>O intercâmbio, iniciado no início deste ano, é promovido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em parceria com a ASA. Além da aproximação com a população rural senegaelesa, agricultores familiares do Semiárido brasileiro estão, desde o início do ano, em pleno intercâmbio com famílias agricultoras que vivem na Guatemala e El Salvador, coração do Corredor Seco da América Central.</p>
<p>Nesse mesmo período, irá acontecer a terceira fase do intercâmbio com os centroamericanos. De 5 a 14 de novembro, um grupo de 10 pessoas &#8211; entre elas mulheres cisterneiras, como são conhecidas as pedreiras que constroem cisternas de placa de cimento &#8211; vão realizar oficinas de construção destas tecnologias sociais que têm possibilitado o acesso à água de milhares de famílias no Semiárido brasileiro.</p>
<p>Nesse programa de intercâmbio, tanto os visitantes, quanto os anfitriões vivem em áreas semiáridas que, com as mudanças climáticas e a diminuição das chuvas, tendem a ter um maior índice de aridez do solo, com ampliação também do fenômeno da desertificação. Há projeções de estudos científicos que preveem uma redução de 50% da precipitação pluviométrica no Semiárido brasileiro neste século 21.</p>
<p><b>Rumo ao Senegal</b></p>
<p>No grupo que vai cruzar o Atlântico em direção à África, estão homens e mulheres experientes, conhecedores profundos do solo, dos ciclos da natureza, do comportamento das plantas, além de guardiões e guardiães da biodiversidade, conceito que inclui desde as sementes crioulas aos micro-organismos que vivem no solo.<br />
No Senegal, esse grupo irá encontrar uma população que vive, desde outubro do ano passado, uma crise alimentícia resultante da falta de chuva. Segundo a organização não governamental Ação Contra a Fome, estima-se que falta de chuva deixou mais de 245 mil pessoas sem alimentos no país, levando uma a cada cinco crianças a sofrer de desnutrição aguda.</p>
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		<title>Diário dos povos dos Sertões das Américas</title>
		<link>https://marcozero.org/diarios-dos-povosss-dos-sertoes-das-americas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jun 2018 22:33:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[américa central]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[El Salvador]]></category>
		<category><![CDATA[feira agroecológica]]></category>
		<category><![CDATA[feira de orgânicos]]></category>
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		<category><![CDATA[intercâmbio]]></category>
		<category><![CDATA[Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO)]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Último dia (30/06/2018) Pi-tom-ba O grupo de guatemaltecos, salvadorenhos e um hondurenho chegou à feira agroecológica das Graças, vizinha ao museu do Estado, quando o movimento já havia diminuído, às 7:30min. Nada demais, o objetivo era só conhecer o espaço e a lógica da relação com o público urbano. Mesmo assim, deu pra aproveitar a [&#8230;]</p>
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<h2>Último dia (30/06/2018)</h2>
<p><strong>Pi-tom-ba</strong></p>
<p>O grupo de guatemaltecos, salvadorenhos e um hondurenho chegou à feira agroecológica das Graças, vizinha ao museu do Estado, quando o movimento já havia diminuído, às 7:30min. Nada demais, o objetivo era só conhecer o espaço e a lógica da relação com o público urbano. Mesmo assim, deu pra aproveitar a música de <em>Biu Sanfoneiro</em>, o animador oficial da feira, que, além de vender seus produtos, sempre traz a sanfona.</p>
<p>O instrumento musical e o forró, contudo, já tinham sido apresentados aos visitantes em fartas doses ao longo da viagem pelo interior da Paraíba e Pernambuco. A novidade foi a pitomba. Esta sim, arrancou suspiros de encantamento, alcançando a unanimidade da qual a jaca ficou distante. Rosaura Díaz, Andrea Campos, Mariano Peñate, Marcial López, José Lorenzo e Pedro Fernandez foram os primeiros a garantir seus cachos. O saco de jaca ficou todo nas mãos de Santos Dias Hernandéz.</p>
<p>Depois da feira, os visitantes tiveram uma breve conversa com os feirantes sobre o comportamento dos consumidores, logística e estratégias de comercialização.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/SAM_2933.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9544 aligncenter" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/SAM_2933.jpg" alt="SAMSUNG CAMERA PICTURES" width="448" height="336"></a></p>
<p><strong>Lembrancinhas verdes e amarelas<br />
</strong></p>
<p>Depois, outra reunião num restaurante do bairro, desta vez para avaliar os pontos altos e baixos da viagem de intercâmbio. A Marco Zero foi educadamente convidada a participar dessa avaliação. Dissimuladamente, o repórter fingiu não ter escutado o convite.</p>
<p>No início da tarde, a agenda finalmente foi flexibilizada, incluindo passeio de catamarã e visita a um mercado público para comprar camisas da seleção e bandeiras do Brasil, objeto de desejo de pelo menos metade da comitiva desde o desembarque em Recife.</p>
<p>Os agricultores, professores, agrônomos e funcionários da FAO embarcam de volta no final da tarde de domingo, mas o intercâmbio não acaba. Em agosto, a ASA irá organizar um curso de construção de cisternas. Uma delas deverá ser construída território salvadorenho e a segunda do outro lado da fronteira, na Guatemala.</p>
<h2>Dia 5 (29/06/2018)</h2>
<p><b>Seca sem fim</b></p>
<p>Por algum insondável mistério cartográfico, depois da visita à comunidade do sítio Feijão, em Bom Jardim, o grupo de intercâmbio acabou indo dormir num hotel previamente reservado em Caruaru. De acordo com o Google Maps, a mais de 100 quilômetros de distância por estrada. De manhã cedo já estávamos de novo na estrada, voltando em direção à zona rural de Cumaru, um dos poucos lugares do semiárido onde a seca de seis anos ainda não terminou, pois choveu apenas 240 milímetros entre março e maio.</p>
<p>A primeira parada foi na casa de Ivoneide Santos Silva e Severino Estevam, um casal que enfrenta a escassez de chuva com duas cisternas e disposição para se adaptar. Por adaptação, entenda-se só plantar perto de casa para aproveitar a chuva ao máximo, aproveitar cada pedacinho de terra e reduzir a criação de animais ao mínimo. &#8220;Nem sempre é fácil&#8221;, antecipa Ivoneide na acolhida em frente à casa.</p>
<p><b>Intercâmbio com todas as letras</b></p>
<p>No roçado de Ivoneide, que está em fase de transição para tornar-se uma agrofloresta, dois breves momentos justificaram todo o investimento da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e os esforços da Articulação do Semiárido (ASA) em promover o intercâmbio entre agricultores. Tudo começou quando a dona da casa mostrou a técnica agroecológica que utiliza para irrigar árvores recém plantadas com a ajuda de uma garrafa pet.</p>
<p>Colocada de cabeça para baixo, com o gargalo enfiado na terra, a água no interior da garrafa vai gotejando e umedecendo a área próxima à raiz da planta. Parecia uma ideia ótima até a guatemalteca Glória Díaz oferecer uma alternativa: ela cortou uma garrafa e a colocou desemborcada, cobrindo um copo cheio d&#8217;água.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/WhatsApp-Image-2018-06-29-at-17.04.31-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-9538" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/WhatsApp-Image-2018-06-29-at-17.04.31-1-1024x576.jpeg" alt="WhatsApp Image 2018-06-29 at 17.04.31 (1)" width="702" height="394"></a></p>
<p>&#8220;A água evapora, o vapor vira água novamente em contato com a parede da garrafa e desce à terra. Glória mantém cinco mil mudas de frutíferas dessa forma em Plan de Jocote&#8221;, explicou o agrônomo Gustavo García, da FAO em Guatemala, enquanto Glória demonstrava a mesma coisa para para sua &#8220;hermana&#8221; brasileira. O coordenador da ASA, Antônio Barbosa, esclareceu que a técnica da guatemalteca é superior, pois amplia a circunferência úmida, dura mais tempo sem precisar de reposição e não há risco de entupimento do buraco da tampa</p>
<p>Ivoneide retribuiu na hora: mostrou um canteiro de hortaliças que permanece molhado o tempo todo graças a um plástico, colocado no fundo quando foi escavado antes do plantio.</p>
<p><b>A palavra mágica</b></p>
<p>A visita seguinte &#8211; última da jornada &#8211; foi aos sete hectares de Joelma Pereira, na comunidade de Pedra Branca. Joelma é considerada pelos técnicos da ASA e da ONG Centro Sabiá como uma das principais referências no País quando o assunto é convivência com o clima.</p>
<p>Apesar do cansaço, o grupo de visitantes foi tomado pelo entusiasmo quando a anfitriã pronunciou a frase &#8220;vamos agora conhecer o biodigestor&#8221;. Não imaginavam eles que &#8220;biodigestor&#8221; é uma palavra que tem o dom de suscitar dezenas de indagações e comentários.</p>
<p>A parada ao lado do mal cheiroso equipamento foi demorada. Os agricultores centroamericanos queriam saber tudo da técnica de produzir adubo de qualidade com estrume e lixo doméstico. Paciente, Joelma explicou tudo com riqueza de detalhes a um nível escatológico que deixou os visitantes satisfeitos.</p>
<p><b>Rumo ao Recife</b></p>
<p>Após visitar a Casa de Sementes da associação de agricultores e agricultoras de Cumaru, o grupo tomou a estrada a caminho do Recife, cenário da última etapa da jornada de intercâmbio.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/IMG-20180628-WA0028.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-9526 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/IMG-20180628-WA0028-1024x576.jpg" alt="IMG-20180628-WA0028" width="702" height="394"></a></p>
</div>
<h2>Dia 4 (28/06/2018)</h2>
</div>
<p><strong>Anotações sem freio</strong></p>
<p>Hora de voltar para Pernambuco. O destino é Bom Jardim, a pouco mais de uma hora de Campina Grande, que um problema qualquer nos freios do micro-ônibus transforma em duas horas e mais uns quebrados. O repórter preferiu não checar qual o defeito. Às vezes, é mais saudável manter a ignorância.</p>
<p>A viagem serviu para repassar algumas informações interessantes, que acabaram não sendo aproveitadas nos textos anteriores, apresentadas abaixo em forma de anotações dispersas:</p>
<ul>
<li>Mesmo na seca e em meio a crise econômica, o número de feiras agroecológicas nas cidades do Cariri paraibano. Antes, só havia a de Juazeirinho. As feiras de Soledade, Cubati e Tenório são resultado tanto do aumento da produção das famílias que aderiram à agroecologia quanto do interesse do público pelos alimentos orgânicos.</li>
</ul>
<ul>
<li>O custo total de uma cisterna de placas fabricada pela metodologia da Articulação do Semiárido sai em torno de US$ 1.000,00, dos quais US$ 200,00 destinam-se à mobilização social e capacitação das famílias beneficiadas.</li>
</ul>
<ul>
<li>No planalto da Borborema, o agricultor Givaldo Firmino da Silva garante que é mais vantajoso vender mudas de pés de laranja e limoeiro do que comercializar as frutas propriamente ditas. No final de semana anterior à visita dos centroamericanos, ele vendeu 1.200 mudas por R$ 3,00. Garantiu o sustento da família por um mês.</li>
</ul>
<ul>
<li>O engenheiro agrônomo Edwin Escoto, de Honduras, torce para o Brasil retomar o caminho do desenvolvimento social: “Toda a latinoamérica cresceu na época de Lula. Nicarágua primeiro e Guatemala depois, tiveram de criar seus programas Hambre Zero (Fome Zero)por pressão da sociedade local”.</li>
</ul>
<ul>
<li>Maria das Graças, esposa de Givaldo Firmino, revela que só vai na cidade para comprar produtos de limpeza, de higiene e “a mistura”,ou seja, carnes. “Se eu tivesse tempo, fazia até sabão aqui na propriedade para não ter de comprar”.</li>
</ul>
<p><strong>Do Sítio Feijão (ou Frijoles?) para as Graças</strong></p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/IMG-20180628-WA0018.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9529 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/IMG-20180628-WA0018.jpg" alt="IMG-20180628-WA0018" width="432" height="243"></a></p>
<p>O terceiro dia para valer de intercâmbio foi na comunidade de 118 famílias responsável por abastecer a mais conhecida e mais antiga “feira de orgânicos” do Recife, o Espaço Agroecológico das Graças, junto ao colégio São Luís. É no sítio Feijão, na zona rural de Bom Jardim, onde mora a maior parte dos agricultores e agricultoras que, todos os sábados, viajam 100 quilômetros para vender legumes, frutas, verduras, doces e polpas para consumidores da classe média recifense.</p>
<p>A recepção, na casa de Pedro Custódio e Elisângela, foi seguida de uma breve roda de conversa que antecipou aquilo que os centroamericanos encontrariam nas visitas a duas propriedades, ambas com sistema de agrofloresta. Estimulados a se apresentar, mais uma vez os guatemaltecos e salvadorenhos emocionaram os anfitriões e não mediram palavras para traduzir a importância da troca de experiências em suas vidas e para suas comunidades.</p>
<p><strong>Futebol e luta</strong></p>
<p>O professor e agricultor salvadorenho Ronny Girón foi categórico: “É muito bom conhecer a alegria, a música, o talento para bailar e para o futebol dos brasileiros. O mais importante, todavia, é saber da coragem para lutar dos homens e mulheres do semiárido”.</p>
<p>Sua conterrânea Andrea Campos, também professora e agricultora, contou que sempre ouviu falar do Brasil como o país do verde da Amazônia. “Não sabia que existia esse lugar ainda mais seco que nossa terra. Muito menos de como essas pessoas conseguiram mudar suas vidas”, afirmou. Antes de encerrar sua fala, ela fez uma revelação: “Ainda em minha terra, comprei um bilhete da sorte e nele estava escrito que o Brasil será campeão”.</p>
<p>Os salvadorenhos levam a sério futebol e luta social.</p>
<p><strong>Vida melhor</strong></p>
<p>Na propriedade de João Ribeiro e Zefinha (ela prefere o apelido, nem disse o nome de batismo), os visitantes escutaram e se impressionaram um relato de rápida melhoria de qualidade da vida graças a duas cisternas construídas a partir de 2010. “Antes era 340 metros morro abaixo e morro acima para encher uma lata d’água que tinha de durar o dia todo”, contou João.</p>
<p>Depois de comprar um picape nova para reduzir os custos com transporte até a feira das Graças, o casal sonha alto. “Eu quero continuar vivendo aqui, tendo comida boa para comer, podendo criar os meninos em segurança. É isso que eu sonho”, afirma Zefinha, sem medo de errar.</p>
<p><strong>Produzir no meio da mata</strong></p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/IMG-20180628-WA0020.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9527" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/IMG-20180628-WA0020.jpg" alt="IMG-20180628-WA0020" width="1040" height="585"></a></p>
<p>A visita à agroflorestal foi um dos pontos altos do intercâmbio. No sistema agroecológico em que se produz alimentos depois de se plantar e esperar uma pequena floresta crescer, os visitantes centroamericanos realmente conhecerem algo que nunca tinham visto e fizeram várias perguntas de como se cultivar banana, jaca, acerola e manga.</p>
<p>Ao saber que João já estava conseguindo produzir café, o agrônomo Escoto empolgou-se: “Você fez bem. Primeiro plantou um bosque, depois plantou café. Em meu país, destruíram os bosques para plantar café, Coisa de louco”.</p>
<p>Depois de explicar como acelerar o amadurecimento das bananas guardando elas abafadas com maracujá, João Ribeiro ouviu o guatemalteco Santos Arias Hernandez detalhar como usar uma flor comum em Bom Jardim, a flor-de-mel como matéria orgânica capaz de triplicar a produção de feijão e milho.</p>
<p><strong>O de sempre</strong></p>
<p>O dia acabou como todos os outros: sanfona, tapioca, canjica, pamonha e estrada em quantidades colossais.</p>
<h2 style="text-align: left;">Dia 3 (27/06/2018)</h2>
</div>
<p><strong>Pragmatismo sob o sol</strong></p>
<p>Sem as recepções festivas do primeiro dia da agenda, o intercâmbio entre agricultores do semiárido brasileiro e do ‘corredor seco’ centro-americano teve um dia mais pragmático.O dia começou com o café da manhã no hotel em Campina Grande, seguido de um deslocamento curto até a sede da AS-PTA no município de Esperança, entidade que atua nacionalmente com foco na agricultura familiar e agroecologia.</p>
<p>A passagem pela sede da ONG, às margens da BR-104, foi rápida. O grupo se dividiu em dois e seguiu para conhecer as experiências de duas famílias nas comunidades de Riacho do Boi e Sítio Carrasco. Desta vez, não tinha nuvem alguma para esconder o sol no planalto da Borborema.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/IMG-20180627-WA0026.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9514 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/IMG-20180627-WA0026.jpg" alt="IMG-20180627-WA0026" width="370" height="208"></a></p>
<p><strong>Micro propriedade com super produtividade</strong></p>
<p>Na propriedade de Givaldo Firmino e Maria das Graças Vicente, os visitantes custaram a crer na quantidade e diversidade da produção que o casal obtém em um terreno de apenas 1,25 hectare. Num espaço que, em qualquer local das américas, é considerado um minifúndio, há uma farta colheita de pelo menos cinco variedades de laranja, duas de limão, cana-de-açúcar, pimenta malagueta, feijão, cajá, jabuticaba, manga, hortaliças e o orgulho da família: o milho orgânico, devidamente certificado.</p>
<p>“Vivemos muito bem aqui. Não temos direito de reclamar. Nem tempo”, repete Givaldo.</p>
<p><strong>Seca nunca mais</strong></p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/IMG-20180627-WA0020.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9516" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/IMG-20180627-WA0020.jpg" alt="IMG-20180627-WA0020" width="1040" height="585"></a></p>
<p>Nem sempre foi assim. Até o ano 2000, ele tinha de andar 40 minutos para trazer duas latas d’água nas costas. “Só tinha água ali, no pé daquele morro. Agora, tem água limpinha para beber e cozinhar aqui junto de casa”, explica o agricultor, beneficiado com uma das primeiras cisternas de placas construídas no programa ‘Um milhão de cisternas’.</p>
<p>A cem metros da casa, uma cisterna-calçadão, equipamento com capacidade para 52 mil litros d’água acumulado a partir de uma grande “calçada” de cimento por onde a água escorre, alimenta o sistema de irrigação por gotejamento. “Para não desperdiçar”, justifica.</p>
<p><strong>Qualidade de vida</strong></p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/IMG-20180627-WA0015.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9508 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/IMG-20180627-WA0015.jpg" alt="IMG-20180627-WA0015" width="453" height="255"></a></p>
<p>Ao ser apresentada à cozinha da família, transformada em unidade de produção de polpa de fruta, “caiu uma ficha” para a guatemalteca Gloria Díaz: “Nossos irmãos brasileiros vivem em condições climáticas piores que a nossa [no corredor seco, chove quase o dobro que no semiárido], mas tem melhores condições econômicas”. Para ela, isso acontece graças à organização, capaz de conquistar apoio do governo.</p>
<p>O relato feito pelo casal ajuda Gloria, líder de uma cooperativa de mulheres apresentada aos leitores da Marco Zero na reportagem <a href="http://marcozero.org/sertoes-das-americas/">‘Sertões das Américas’</a>, a compreender como as coisas aconteceram no Semiárido. “A gente comprou a despolpadeira e o freezer por causa dos programas de agricultura familiar do governo Lula”, afirma Givaldo.</p>
<p><strong>Não é só água</strong></p>
<p>Não bastam as cisternas para transformar tanto a vida das famílias. “A agroecologia é o outro segredo da fartura”, afirma a convicta Maria das Graças, que prefere ser chamada de Nina, apelido de infância. “A melhor coisa é produzir isso tudo sem veneno e sem química. A gente gasta menos e só come coisas que fazem bem à saúde”.</p>
<p>Além das técnicas da agroecologia, a assessoria da AS-PTA ajudou a incorporar na rotina do casal o registro de tudo o que é produzido, vendido, doado ou trocado. Na coluna ao lado da quantidade de cada produto, é anotado o valor de mercado. O registro faz parte de uma estratégia da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) para jogar luz sobre os valores movimentados anualmente pelas famílias que adotam a agroecologia.</p>
<p>“Eles fazem parte de uma pesquisa nacional que irá dar visibilidade a essa economia invisível, afinal um dos argumentos do agronegócio é que a agroecologia é economicamente insignificante”, defende Adriana Galvão Freire, técnica da ONG.</p>
<p>Outra visitante, Doris Chavarria, ressaltou a importância desse registro: “Assim a gente sabe o quanto poupou”.</p>
<p><strong>Tarde sem Copa</strong></p>
<p>Apesar da agonia de alguns visitantes, a AS-PTA manteve o pragmatismo durante o período da tarde, realizando uma série de apresentações sobre a articulação ‘Polo da Borborema’, com os movimentos de mulheres, de jovens, outras ONGs e sindicatos da região. Apesar da agenda rigorosa, alguns participantes do intercâmbio conseguiram escapar e acompanhar a vitória do Brasil, inclusive o repórter da Marco Zero &#8211; numa atitude nada profissional &#8211; e até alguns integrantes da equipe da Articulação do Semiárido (ASA).</p>
<h2>Dia 2 (26/06/2018)</h2>
</div>
<div style="color: #222222;">
<div id=":3q7" class="ii gt">
<div id=":3wr" class="a3s aXjCH m1643e3d41a0e91d7">
<div dir="ltr">
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US"><b>Exaustão versus excitação</b></span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">Para quem tinha acabado de enfrentar quase dois dias de viagem desde suas aldeias no departamento de Chiquimula, na Guatemala, ou do Oriente em El Salvador, não foi fácil dormir cinco horas e retomar a jornada às 6h. A excitação e a curiosidade, contudo, colocaram a exaustão dos camponeses e camponesas de El Salvador, Guatemala e Honduras em segundo plano.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">No trajeto de duas horas entre o hotel em Campina Grande e a comunidade Sussuarana, em Juazeirinho, Doris Chavarria contou que estava curiosa e ansiosa. Nem precisava, não dava para disfarçar. &#8220;Quando nos visitaram, em abril, me impressionaram o compromisso e o amor dos agricultores brasileiros pelos recursos naturais, pela terra, pela água, pelos alimentos&#8221;, recordou.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span style="color: #36363d;"><span lang="en-US"><b>Aula no ônibus</b></span></span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">No meio do caminho, um dos coordenadores da Articulação do Semiárido, Antônio Barbosa, deu uma pequena aula de português para facilitar a compreensão de alguns termos que seriam muito usados dali em diante. &#8220;Manzana no Brasil não é medida de área como na América Central, se traduz apenas como maçã e mais nada&#8221;. Maiz = milho. Frijoles = feijão. Yuka = macaxeira. Semillas = sementes. O bastante para dar início ao diálogo.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US"><b>Forró e comida boa</b></span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">A recepção no terreiro em frente à casa de seu Petrônio Fernandes e Ivoneide Nunes foi em grande estilo: sanfoneiro, zabumba, triângulo, pamonha, tapioca, queijo coalho, cuscuz, banana, mamão, café com leite. Os visitantes não esperavam tanto.&#8221;Estoy atónita&#8221;, balbuciou a guatemalteca Glória Diaz. Ela quase chora.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">Foi bonito mesmo. A visita às propriedades &#8211; um grupo ficou com o casal anfitrião, outro seguiu em comboio de carros para um sítio na vizinhança &#8211; começou no final da manhã e prolongou-se até início da tarde. O céu nublado ajudou.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US"><b>Anfitriões e protagonistas</b></span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/Foto-1-dia-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9500 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/Foto-1-dia-2.jpg" alt="Foto 1, dia 2" width="448" height="252"></a></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">Aos 53 anos, Petrônio admitiu nunca ter imaginado que, um dia, seu pequeno sítio seria modelo a ser seguido por agricultores de três países. &#8220;Já chorei umas cinco vezes. Quando acordei, já fui chorando quando lembrei que a visita seria hoje&#8221;.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">Petrônio e Ivoneide foram escolhidos por várias razões: o protagonismo de Ivoneide no sindicato dos trabalhadores rurais e na comissão municipal de projetos sociais, além dos ótimos aproveitamento e manejo da água captada por várias tecnologias apropriadas para o Semiárido.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><b>Fácil e barato</b></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/Foto-2-dia-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9501" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/Foto-2-dia-2.jpg" alt="Foto 2 - dia 2" width="1040" height="585"></a></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">Diante da cisterna de placas com 16 mil litros de água da chuva, os visitantes quiseram saber do custo, ficando impressionados com o valor de apenas US$ 1.000,00. O salvadorenho Victor de Leon Gomes não entendeu como podem ter morrido um milhão de nordestinos na seca de 1983, se o valor era tão baixo. Os técnicos da ASA explicaram que, na época, o Brasil vivia sob uma ditadura militar que proibia a organização do povo e que a técnica de construção da cisterna só chegou no final dos anos 1990, a partir da experiência da China.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">Santos Arias Hernández, também da Guatemala, ficou interessado no sistema de reuso das águas utilizadas pela família. &#8220;É fácil. Dá para fazer na minha terra&#8221;.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US"><b>Muita água, pouco tempo</b></span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">Foram mais de duas horas percorrendo os cinco hectares da propriedade. Conheceram o barreiro cheio até a borda, a barragem subterrânea, as forrageiras para o gado, a diversidade de frutas, verduras, legumes e plantas ornanentais vendidos na feira agroecológica de Juazeirinho.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">Petrônio disse que, depois de seis anos de seca, ele quase não tem tempo para plantar tudo o que quer. &#8220;Falta tempo, é tanta água que até fico besta&#8221;. Ivoneide emendou: &#8220;há tempo não via tanta água. A última vez que esse açude encheu foi em 2012&#8221;.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US"><b>100% de aproveitamento</b></span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">A visita terminou diante de outra cisterna, a &#8220;de enxurrada&#8221;, para 52 mil litros, abastecida a partir de vários caminhos que conduzem as águas da chuva para o interior do equipamento. O tamanho surpreendeu os centroamericanos, mas o brasileiro Vicente Puhl, da agência de cooperação suíça Heks, sediada em Brasília, acredita que a dimensão da cisterna não era o mais importante: &#8220;A família sabe como usar as águas e as tecnologias de maneira combinada. É muito inteligente&#8221;.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><b>Preocupação</b></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">No final do dia, uma sombra pairava sobre o entusiasmo dos visitantes. A salvadorenha Mariana García, o funcionário da FAO na Guatemala Gustavo Garcia e o técnico hondurenho Edwin Escoto estavam tensos.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">A programação da quarta-feira prevê uma roda de conversa sobre experiências com mulheres e jovens da região para o horário das 14:30min. Mariana explicou o porquê da angústia: &#8220;Nós centroamericanos torcemos muito pelo Brasil. Em todas as Copas, El Salvador pára nos dias de jogos da seleção brasileira. Não podemos perder essa partida estando aqui&#8221;.</span></p>
<p class="m_-4155741548619262229gmail-western" style="color: #000000;" lang="en-US"><span lang="en-US">O repórter da Marco Zero e o representante da agência Heks prometeram negociar com a ASA uma mudança na agenda. Se não der certo, não estão descartadas sabotagem ou fuga. Os visitantes estrangeiros concordaram com todas as opções.</span></p>
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<h2>Dia 1 (25/06/2018)</h2>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/AsaGatemala1a.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9455" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/06/AsaGatemala1a.jpeg" alt="AsaGatemala1a" width="856" height="421"></a></p>
<p>Primeiro um grupo de agricultores de todos os estados do semiárido brasileiro visitou, em abril, a região do &#8216;corredor seco&#8217;, na América Central, para conhecer experiência de organização popular dos campesinos e campesinas da Guatemala e El Salvador. Hoje, 13 agricultores desses dois países, além de um hondurenho, desembarcaram no aeroporto dos Guararapes para conhecer o que os camponeses paraibanos e pernambucanos fazem para produzir alimentos saudáveis, captar água da chuva e enfrentar o desmantelamento das políticas públicas promovidas pelo governo Temer.</p>
<p>A Marco Zero é um dos três veículos que irão acompanhar mais essa etapa do intercâmbio entre os povos das regiões secas, promovido pela Articulação do Semiárido (ASA) em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Durante esta semana, vamos registrar o dia a dia dos encontros entre os centroamericanos e as famílias de comunidades rurais de Juazeirinho (PB), Esperança (PB), Cumaru (PE) e Bom Jardim (PE)</p>
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		<title>Sertões das Américas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 May 2018 12:53:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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