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	<title>Arquivos elefante de olinda - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 12 Feb 2026 21:07:47 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos elefante de olinda - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>O regresso das multidões do Elefante de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 20:06:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
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<p>Era domingo de Carnaval, há mais de dez anos, quando o minguado — porém, ainda vivo — Elefante de Olinda passou pouco aclamado pelo povo e sem nenhum ardor pela avenida Joaquim Nabuco, no Varadouro. Com quase nenhum esplendor, mas ainda exaltando suas tradições, a agremiação desfilava ao som de apenas dois clarins, uma faixa de tecido desgastado, uma orquestra de dez músicos, um pequeno grupo de foliões e desfilantes com fantasias velhas. Com no máximo 25 pessoas, aquele era o retrato do declínio do clube carnavalesco fundado em 1952 que, por muito tempo, arrastou multidões e cujo hino se confunde com o hino do Carnaval de Olinda.</p>



<p>Alguns anos depois dessa cena, o gigante acordou e, no Carnaval de 2026, e se prepara para, mais uma vez, arrastar uma multidão de 30 mil desfilando seu recorde: seis alas de fantasias, abre-alas, faixa, dois porta-estandartes, duas companhias de dança, vários clarins e duas orquestras. Nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, o clube comemora 74 anos com uma nova diretoria que atuou para revibrar corações de amor a sonhar, numa Olinda sem igual. Atualmente o Elefante realiza quatro desfiles carnavalescos: o Trote, o Baile Encarnado, o Elefantinho e o desfile oficial, sempre aos domingos.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-2-1024x682.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma celebração noturna de rua, provavelmente ligada ao carnaval ou a um festival cultural. No centro, há um grande estandarte bordado com a inscrição “Elefante de Olinda”, destacando os anos 1952 e 2023, em referência aos 71 anos desse grupo tradicional. O estandarte é colorido e ornamentado com desenhos de sol, palmeiras e paisagem. Abaixo dele, uma multidão de pessoas festeja com braços erguidos, enquanto confetes ou espuma caem sobre elas. As ruas estão enfeitadas com fitas coloridas e iluminadas, criando um ambiente alegre e vibrante de comemoração coletiva." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Elefante de Olinda desfila a frente de 30 mil pessoas no Carnaval de Olinda. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito Hugo Muniz</span>
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                    </figure>

	


<p>“Estávamos na calçada, na casa da minha sogra, quando, de repente, vi a faixa ‘Elefante de Olinda’. Eu gritei &#8216;minha gente, corre, é o Elefante de Olinda&#8217;. E sai desfilando com meu companheiro, Anax Botelho”. Quem revive essa história em detalhes é Juliana Serretti, 36 anos, que hoje compõe a diretoria do clube.</p>



<p>“Como pode a gente passar o Carnaval todo cantando o hino do Elefante, que virou até um grande clichê, e a agremiação estar desse jeito? Precisamos fazer alguma coisa”, pensou Juliana. Foi quando ela e Anax — cujos pais se conheceram e se apaixonaram durante um desfile do Elefante — começaram a buscar quem estava à frente da agremiação.</p>



<p>“Aí conhecemos seu João, já falecido e um dos homenageados do Elefante no Carnaval 2026. Ele foi, por muitos anos, presidente e carregou o clube nas costas. É graças à teimosia de seu João que ainda estamos aqui”, relembra ela. O Elefante, mesmo à míngua, nunca deixou de desfilar um só Carnaval. “Depois começamos a chamar várias pessoas que sabíamos que têm amor pela folia e algum vínculo com o Elefante, sempre frisando para seu João que a gente não queria cachê nem tomar o poder dele. Nosso desejo era realmente levantar o clube”, detalha.</p>



<p>Uma dessas pessoas é Rafael Antônio, 36 anos, neto de Élcio, um dos fundadores da agremiação, e que hoje também faz parte da diretoria e é porta-estandarte. “Minha família sempre alugou casa em Olinda no Carnaval e, quando eu era pequeno e vinha uma troça muito grande, as pessoas lá de casa colocavam as crianças e as cadeiras para dentro. O Elefante, quando chegou uma vez, minha avó, ainda viva, ficou muito triste porque, na época, o clube passou já muito pequeno. Não passou gigante como era antes, quando as fantasias, inclusive, eram feitas na casa dela”, recorda ele, dizendo que, depois disso, nunca mais viu a agremiação passar novamente.</p>



<p>Rafael também relembra o motivo do nome “Elefante”: “Antigamente, havia as festas que o pessoal chamava de assustado. As pessoas entravam na casa dos outros, que ofereciam comes e bebes. Num desses assustados, Chuquinha, um dos fundadores, pegou um pequeno elefante de biscuit em cima da geladeira e guardou no bolso. A turma comeu, bebeu e foi embora. Quando chegaram nos Quatro Cantos de Olinda, Chuquinha colocou o elefantinho na cabeça e começou a dançar”.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-1024x643.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma festa popular realizada à noite em uma rua cheia de pessoas. A multidão veste roupas festivas, muitas em vermelho, e duas bandeiras grandes e ornamentadas se destacam no centro. Uma delas traz o nome “Cariri” com bordados em azul e dourado; a outra celebra os 70 anos do grupo “Elefante de Olinda”, com bordados coloridos e a figura de um elefante sob o sol. Acima da rua, há fitas verdes e amarelas penduradas, e também um letreiro em forma de coração com a palavra “Paz”. O clima é alegre, vibrante e transmite a energia de uma celebração cultural tradicional brasileira." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Elefante e Cariri juntos no Carnaval de Olinda. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Hugo Muniz</span>
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                    </figure>

	


<p>E as cores? “O Elefante usa vermelho e branco porque, no seu primeiro desfile, o grupo jogava no Bonfim Futebol Clube, em que meu tio era goleiro. As cores do time eram vermelho e branco e o pessoal saiu para desfilar vestindo as camisas do Bonfim”.</p>



<p>A reportagem também perguntou sobre a rivalidade com a Pitombeira dos Quatro Cantos, que já foi motivo de muita violência com brigas e facadas, mas hoje tornou-se mais um motivo de brincadeira. A dupla da diretoria conta, rindo, a origem dessa rivalidade. Num desfile, há muitas décadas, uma pessoa levou uma plaquinha escrita “A Pitombeira não morreu, está doente”, porque, naquele ano, a troça não saiu no Carnaval. No ano seguinte, ela também não desfilou e essa mesma pessoa exibiu a plaquinha “A Pitombeira morreu, aqui jaz”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Juliana e Rafael, da diretoria do Elefante. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">O financiamento do regresso</h2>



<p>Rafael comenta que o ressurgimento do Elefante de Olinda manteve uma outra tradição: a de ser composto por amigos-foliões. O ano era 2017 quando o grupo conquistou totalmente a confiança de seu João e ele passou a diretoria para a nova geração.</p>



<p>“E aí o nosso grande orgulho foi quando as pessoas começaram a dizer novamente ‘recolhe que o Elefante vem aí’&#8221;, comemoram, explicando, em seguida, que as coisas não aconteceram de uma hora para outra. Foi através da venda de produtos como camisa, boné, bolsa e, este ano, meias (que esgotaram rapidamente) que a diretoria foi conseguindo mais verba, além do <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cachê pequeno</a> pago pela Prefeitura de Olinda, este ano de apenas R$ 48 mil para três exibições.</p>



<p>Mesmo com pouca verba pública, o Elefante mantém o baile como um evento gratuito, em que só se toca frevo e nada além disso. O clube conta com um patrocínio de R$ 10 mil da Pitú e não aceita dinheiro das bets, apesar de algumas empresas já terem oferecido. O desfile do domingo de Carnaval, o maior de todos, não sai por menos de R$ 60 mil.</p>



<p>Quem também chegou junto com força nessa história foi o maestro Oséas Leão, da Furiosa: “Ele também é responsável por esse renascimento. Ter a orquestra de Oséas no Elefante foi uma grande conquista, no nosso primeiro Trote. Mas isso porque ele topou cobrar um cachê que conseguíamos pagar”, afirma Juliana.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-1-1024x682.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma celebração de rua à noite, cheia de cores e detalhes festivos. No centro, há uma pessoa vestida com uma fantasia elaborada de elefante: cabeça grande com presas, coroa e roupas bordadas com pedras e enfeites brilhantes. Ao lado dela, aparece um estandarte ricamente decorado com bordados coloridos e franjas, trazendo a inscrição “Elefante de Olinda – 70 anos – 1952 2022”, além da figura de um elefante dourado sob o sol, cercado por palmeiras. Ao fundo, outras pessoas em trajes festivos participam da comemoração, reforçando o clima alegre e cultural de um carnaval ou festa tradicional brasileira." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Um dos estandartes do clube com o Elefante símbolo da agremiação. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Hugo Muniz</span>
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                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">O hino &#8220;Regresso do Elefante&#8221;</h3>



<p>Ao longo das décadas em que o Elefante esteve adormecido, muito da sua história se perdeu. Uma dessas perdas foi a partitura do hino <a href="https://www.youtube.com/watch?v=klKix-hvcCk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Regresso do Elefante</a>, que era (e agora voltou a ser) tocado quando a orquestra recolhe, ao final dos desfiles. Tradicionalmente a agremiação encerra com esse frevo e inicia com o frevo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=E5XuKm_PKhk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A chave de tudo é o segredo</a>. Isso faz parte da mística do Elefante, é quando Oséas faz, com as mãos, um sinal de que está girando uma chave.</p>



<p>“Mas ninguém sabia nem como era esse frevo, nunca tínhamos ouvido. Sabíamos apenas uns trechos da letra graças à Newtinho, do bloco Dez de Xarque e uma Latinha. Por sorte, Célio Gouveia, também da diretoria do Elefante, encontrou um vinil super antigo, num sebo, e lá estava o Regresso do Elefante&#8221;, conta Juliana. O grupo entregou o vinil à Lúcio, maestro da Orquestra Henrique Dias, que conseguiu refazer a partitura.</p>



<p>“Às vezes, estou varrendo a sala de casa quando ouço as orquestras, no Clube Vassourinhas, perto da minha casa, ensaiando e tocando novamente o Regresso do Elefante. É quando penso ‘ele está vivo’, compartilha.</p>



<p>Essa é uma das várias histórias sobre o ressurgimento do clube presentes no documentário recém-lançado Elefante Encarnado, de Juliana Beltrão, um filme da memória viva do Elefante e do amor de um povo que transforma tradição em alegria e resistência.</p>



<p>“A gente está no Elefante, mas a gente passa. O Elefante fica. O elefante veio antes, estamos aqui durante e ele vai continuar depois. Então o Elefante não é nosso, não é de ninguém, mas é de todo mundo junto”, declara Juliana ao final da entrevista.</p>



<p>Uma coisa é certa: mesmo nos anos mais difíceis, quem algum dia brincou o Carnaval nas ladeiras de Olinda cantou o hino do Elefante, talvez a música mais tocada da folia em Pernambuco e que se tornou quase um hino não oficial tanto da festa quanto da própria cidade.</p>



<p>Cliquei abaixo para escutar com arranjo e regência do maestro Duda.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Maestro Duda e Sua Orquestra - Elefante de Olinda" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/Bl_2eRGpsdQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p><br><br></p>
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		<title>ONG que ocupa casa cedida ao Elefante de Olinda promete deixar o imóvel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Sep 2025 18:47:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[elefante de olinda]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>
		<category><![CDATA[sitio historico de olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A futura sede do Clube Misto Elefante de Olinda pode ser desocupada em breve. O presidente da ONG que ocupa o imóvel no bairro do Carmo – cedido pelo Governo de Pernambuco ao bloco carnavalesco – procurou hoje a Marco Zero para dizer que vai se mudar. “A gente vai sair de lá. Não quero [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A futura sede do Clube Misto Elefante de Olinda pode ser desocupada em breve. O presidente da ONG que ocupa o imóvel no bairro do Carmo – cedido pelo Governo de Pernambuco ao bloco carnavalesco – procurou hoje a Marco Zero para dizer que vai se mudar. “A gente vai sair de lá. Não quero confusão, nem quero problema pra minha vida com ninguém”, afirmou Paulo Fernando Marinho da Silva, presidente da Defesa Estadual Integrada da Criança e do Adolescente e Garantia dos Direitos das Famílias do Estado de Pernambuco (Deica).</p>



<p>“Eu quero falar com alguém do Elefante para me dar pelo menos dois meses pra eu poder me estabelecer, tirar tudo que é meu, porque tem muita coisa lá. Arrumar outro lugar e sair de boa, tranquilo. Não tem que ter problema, não”, disse, afirmando que a Deica deve alugar um novo espaço.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/elefante-de-olinda-vai-a-justica-para-reaver-imovel-ocupado-por-ong-investigada-pela-policia/" class="titulo">Elefante de Olinda vai à Justiça para reaver imóvel ocupado por ONG investigada pela polícia</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Paulo Fernando disse que a ONG não invadiu o imóvel, que foi repassado por outra entidade chamada Deca. “A gente funciona aqui desde 1986. Digo a gente porque antes da Deica era a Deca e antes da Deca era DCA, que era a Defesa da Criança e do Adolescente”, disse.</p>



<p>Na semana passada, o clube entrou na Justiça para garantir a reintegração de posse do imóvel, após a Deica ter se recusado a sair extrajudicialmente. “Eles disseram que fizeram benfeitorias lá e que não iriam ‘sair sem nada’. É como se eles estivessem esperando algum tipo de retorno financeiro”, afirmou um dos diretores do bloco, o arquiteto Bruno Firmino, em reportagem publicada ontem pela Marco Zero.</p>



<p>No dia 4 de abril deste ano o Elefante de Olinda enviou uma notificação extrajudicial para a Deica desocupar o imóvel, mas a ONG ignorou o documento. Paulo Fernando, no entanto, afirmou para MZ que não recebeu nenhuma notificação ou contato do bloco para deixar o imóvel – apesar de outras matérias na imprensa local já terem sido publicadas sobre o assunto no mês passado.  “Não vale a pena a gente ficar com problema com a Justiça, ficar brigando. É só perda de tempo. É melhor sair de boa, tranquilo, sem confusão, amigável. Quero ser amigo de quem vai entrar (na casa) também. É melhor a gente apoiar quem vai entrar, ajudar em alguma coisa, ser amigo. Não quero confusão nem problema com ninguém”, repetiu.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Reforma irregular, roupa de polícia e doação de remédio<strong>s</strong></h2>



<p>Como a reportagem da Marco Zero mostrou ontem, a Polícia Civil instaurou um procedimento investigativo preliminar para apurar o uso de distintivos, insígnias, fardas ou equipamentos pela Deica que possam se assemelhar aos das forças policiais do Estado. Em várias fotos e vídeos nas redes sociais, funcionários da Deica usam camisetas pretas onde se lê “agente” e usam credenciais que parecem distintivos.</p>



<p>Para a Marco Zero, Paulo Fernando afirmou que a Deica não usa mais a camisa preta com “agente” e que “usa o distintivo da Deica pra se apresentar nos lugares”. Em <a href="https://www.diariodepernambuco.com.br/vida-urbana/2025/08/7796154-imovel-cedido-ao-elefante-de-olinda-vira-alvo-de-disputa-com-ocupantes-irregulares.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">matéria do Diario de Pernambuco</a> publicada há menos de um mês, Paulo Fernando foi fotografado usando a camisa com insígnia assemelhada à da polícia, com o nome “agente” escrito nela.</p>



<p>A <a href="https://marcozero.org/elefante-de-olinda-vai-a-justica-para-reaver-imovel-ocupado-por-ong-investigada-pela-policia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reportagem publicada ontem pela Marco Zero</a> também mostra que a Deica publicou posts em janeiro de 2024 fazendo doação de medicamentos e produtos hospitalares. Em nota, a Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) informou que o armazenamento e a distribuição de medicamentos e produtos hospitalares, mesmo que de forma gratuita por organizações não governamentais (ONGs), só podem ocorrer mediante autorização legal específica.</p>



<p>Para conseguir essa autorização – que a Deica não tinha – a legislação sanitária faz uma série de exigências: autorização de funcionamento emitida pela Anvisa; licenciamento da vigilância sanitária local; responsabilidade técnica de um profissional farmacêutico regularmente inscrito no Conselho Regional de Farmácia; e cumprimento das normas de armazenamento e controle estabelecidas para garantir a qualidade e a segurança dos medicamentos.</p>



<p>De acordo com a Apevisa, qualquer instituição que exerça essas atividades sem as devidas autorizações e condições estabelecidas pela legislação está em situação irregular, sujeita à fiscalização e às sanções cabíveis. “Com relação à ONG mencionada [a Deica], orientamos que seja formalizada uma denúncia por meio dos canais oficiais de atendimento da Apevisa, para que a equipe técnica avalie o caso e, se necessário, realize a fiscalização no endereço informado”, diz a nota para a MZ.</p>



<p>Questionado pela Marco Zero sobre a origem dos medicamentos e produtos hospitalares que aparece doando no vídeo, Paulo Fernando afirmou que não poderia dizer. E que usou o nome do vereador do Recife Alcides Teixeira Neto (Avante) no vídeo porque estava apoiando ele. “Se eu for te falar quem passou os medicamentos para a Deica, eu posso até me prejudicar. Porque aí vocês podem interpretar de outra forma e, daqui a pouco, eu tô pagando preço por causa disso. Comentei o nome dele (Alcides) para dar apoio e levantar a moral dele&#8221;, afirmou, dizendo que foi uma ação isolada. “Isso aí já faz dois anos, passou. Não tem remédio mais. Tá faltando até remédio pra mim que eu tô com problema de pressão. Se alguém me doasse medicamento, seria até bom”.</p>



<p>Sobre as obras feitas no imóvel, que está no polígono de tombamento do Sítio Histórico de Olinda e possui regras rígidas para reformas, o presidente da Deica disse que foram substituições de toras de madeira, colocação de portas e grades, colocação de gesso e retirada de rachaduras. “Se fosse esperar (autorização), a casa já tava no chão há muito tempo”, afirmou.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/ong-que-ocupa-casa-cedida-ao-elefante-de-olinda-promete-deixar-o-imovel/">ONG que ocupa casa cedida ao Elefante de Olinda promete deixar o imóvel</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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