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	<title>Arquivos #EleNunca - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos #EleNunca - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>#EleNão: a tag que uniu as mulheres contra Bolsonaro nas redes e nas ruas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Sep 2018 20:59:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[#elenão]]></category>
		<category><![CDATA[#EleNunca]]></category>
		<category><![CDATA[manifestação no Derby]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Helena Dias Momentos antes dos atos “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” começarem a ocupar as ruas de várias capitais do país como Recife, São Paulo e Rio de Janeiro, a hashtag #Elenão cumpria apenas a função de qualquer outra tag: agrupar nas redes sociais conteúdos em comum. As manifestações contra o candidato à presidência da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="p1"><strong>Por Helena Dias</strong></p>
<p class="p1">Momentos antes dos atos “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” começarem a ocupar as ruas de várias capitais do país como Recife, São Paulo e Rio de Janeiro, a hashtag #Elenão cumpria apenas a função de qualquer outra tag: agrupar nas redes sociais conteúdos em comum. As manifestações contra o candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) estavam em evidência no meio virtual, a dúvida era se a mobilização teria a mesma proporção offline.</p>
<p class="p1">Às 14h46 de ontem, sábado (29), boa parte das 14 mil pessoas que confirmaram presença no evento do Facebook, marcado no Recife, gritavam em coro #Elenão e concretizavam o que antes eram hiperlinks muito bem ranqueados e grupos virtuais suprapartidários de brasileiras dispostas a transformar os rumos das eleições deste ano. Mostraram que ainda é primavera feminista e que a estação parece imutável quando se trata de combater os invernos patriarcais. O número de participantes chegou aos 100 mil só no Recife, de acordo com a organização local. Mais de meio milhão de mulheres ocuparam as ruas de 65 cidades brasileiras, na estimativa das organizadoras.</p>
<p class="p1">Nas trends do twitter, enquanto a conhecida #ÉpelaVidadasMulheres liderava, as mulheres protagonizavam a maior manifestação de rua registrada desde o #ForaTemer, ocorrido após o Golpe de 2016, que depôs a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A diversidade ocupou a praça. Entre bandeiras de partidos políticos, sindicatos, candidatos e movimentos sociais transitavam rostos novos, feministas, em cores variadas e em sintonia com o colorido da bandeira LGBT.</p>
<div id="attachment_10791" style="width: 693px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/WhatsApp-Image-2018-09-29-at-16.23.55.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10791" class="wp-image-10791" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/WhatsApp-Image-2018-09-29-at-16.23.55.jpeg" alt="WhatsApp Image 2018-09-29 at 16.23.55" width="683" height="512"></a><p id="caption-attachment-10791" class="wp-caption-text">Simone Paiva: &#8220;Meu voto não pode estar atrelado à sexualidade das pessoas&#8221;</p></div>
<p class="p1">Lá estavam grupos cristãos e policiais antifascistas se posicionando abertamente contra o candidato do PSL.</p>
<p class="p1">“Deus nos livre”, estava escrito no cartaz de Simone Paiva, profissional da área de educação. Ela questionava como Bolsonaro se afirma cristão e tem disseminado tanto ódio às minorias. “O meu voto não pode ser atrelado à sexualidade das pessoas. Eu voto por um projeto, por moradia, por pão na mesa. E esse é o voto que eu sei que Jesus Cristo é a favor. A sexualidade, cada um resolve a sua. Não tenho nenhum problema com isso, não. #Elenão porque eu, como cristã, é que devo ser contra ele mesmo”,explicou.</p>
<p class="p1">De acordo com levantamento do<span class="s1">Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic),</span>da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES),divulgado pela edição brasileira do jornal<span class="s1">EL País</span>, as hashtags relacionadas a #Elenãotiveramseu pico no Twitter, próximo ao dia 16 deste mês, quando houve o ataque cibernético contra as moderadoras do grupo nacional Mulheres contra Bolsonaro no facebook.</p>
<p class="p1">No mesmo período,o movimentodeu respostaganhandoainda mais capilaridade na rede.Para se contrapor, apoiadores do deputado federal do PSL formaram as tags #elesim e #mulherescombolsonaro, no twitter. Mas, segundo o Labic, o engajamento pró-bolsonaro se manteve em níveisinferiores ao das #MulherescontraBolsonaro.</p>
<div id="attachment_10790" style="width: 711px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/WhatsApp-Image-2018-09-29-at-16.23.24-1.jpeg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10790" class="wp-image-10790" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/WhatsApp-Image-2018-09-29-at-16.23.24-1.jpeg" alt="WhatsApp Image 2018-09-29 at 16.23.24 (1)" width="701" height="526"></a><p id="caption-attachment-10790" class="wp-caption-text">Edna Andreza: &#8220;Violência não ajuda. Gentileza gera gentileza&#8221;</p></div>
<p class="p1">O levantefeminino virtual transmitiu neste sábado a mesma força e disposição offline. Durante o percurso na Avenida Conde da Boa Vista, ao som da batucada feminista, manifestantes seguiam muitas vezes com as telas dos smartphones nas mãos ou noalcance dos olhos. Fotos, vídeos, lives (quando possível). Não era difícil escutar: “não esquece de taguear”.As tags estavam presentes também nos cartazes. Das redes para as ruas e das ruas para as redes.</p>
<p class="p1">Edna Andreza, moradora do bairro da Várzea,vê a manifestação como uma resposta à opressão disseminada por Bolsonaro. “Ser humano é estar aqui. Eu estou aqui por isso. O que me move é que eu respeito as diferenças, eu respeito o que é a mulher, o que é a criança. Eu não acho que violência ajuda, acredito que gentileza gera gentileza. Então o que me move para estar aqui hoje é isso, é aprender como a gente pode brigar pelos nossos direitos.”</p>
<p class="p1">Assim como a maioria das mobilizações que têm como ponto de partida a Praça do Derby, a manifestação contra Bolonaro terminou na Praça da Independência, no bairro de Santo Antônio. Já era noite e a reunião transpassava as fronteiras das tags e, mais ainda, dos gêneros. Homens e mulheres dançavam ciranda de mãos dadas e cantavam “Feminismo é Revolução” juntos.</p>
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		<title>A esperança dorme ao lado</title>
		<link>https://marcozero.org/a-esperanca-mora-ao-lado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Sep 2018 13:21:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#elenão]]></category>
		<category><![CDATA[#EleNunca]]></category>
		<category><![CDATA[Largo do Batata]]></category>
		<category><![CDATA[Leci Brandão]]></category>
		<category><![CDATA[Luiza Erundina]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres contra bolonaro]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres contra o fascismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde o ano 2002, o 29 de setembro é uma data inesquecível para este que vos escreve. Foi neste dia que Júlia nasceu. A única mulher da minha prole. A única que herdou minha miopia parecia, porém, desinteressada por política, sempre exigindo o máximo de seu próprio rendimento escolar e ocupada com superestrelas do rock-pop-country, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o ano 2002, o 29 de setembro é uma data inesquecível para este que vos escreve. Foi neste dia que Júlia nasceu.</p>
<p>A única mulher da minha prole. A única que herdou minha miopia parecia, porém, desinteressada por política, sempre exigindo o máximo de seu próprio rendimento escolar e ocupada com superestrelas do rock-pop-country, a começar por Taylor Swift (uma cantora que já gravou o CD &#8216;Red&#8217; e cujo número de sorte é o 13).</p>
<p>Até que chegamos a 2018. E Júlia percebeu que tinha de fazer alguma coisa contra as ameaças de quem promete lançar seus cães contra as mulheres que ousam ignorar os limites impostos há séculos.</p>
<p>&#8211;       Vou tirar o título de eleitor. Tenho de votar, tenho de fazer alguma coisa.</p>
<p>Como completou 16 anos ontem, ela exercerá esse direito.</p>
<p>Quando ela anunciou sua decisão, contudo, fiquei na minha. Nem tentei saber em quem pretendia votar ou “oferecer” uma chapa. Júlia recusaria e, provavelmente, seguiria o caminho oposto. Votar contra o candidato que defende a tortura era o que bastava.</p>
<p>Minhas esperanças nasceram naquele dia de abril em que Júlia me avisou que era uma eleitora: entendi que, se há aqueles que estão dispostos a ir para as esquinas intimidar e espancar, existem meninas como minha filha, que escuta, pesquisa, reflete e reage.</p>
<p>Chegou setembro. E, ao telefone, a jovem eleitora me pede: “Pai, me indica uns candidatos de esquerda e centro-esquerda. Não conheço ninguém da política daqui”. Júlia mudou para São Paulo com a mãe em 2017.</p>
<p>Só ali me senti à vontade. Liguei para amigos do PT, PCdoB e PSOL. Montei um rol de candidatas, todas mulheres jovens e feministas que incluía a ex-presidente da UNE Carina Vitral, a vereadora paulistana Sâmia Bonfim, Iza Penna, por exemplo. E não esqueci da necessidade de eleger Suplicy para o senado.</p>
<p>Aos poucos, recebia o resultado de suas reflexões:</p>
<p>&#8211;       Vou votar no Suplicy. Mas governador tá complicado.</p>
<p>O que eu não sabia é que a reflexão era coletiva: as colegas do colégio que decidiram tirar o título pelo mesmo motivo se juntaram para discutir o destino dos seus votos:</p>
<p>&#8211;       O melhor é o Haddad, mas ele tá atrás nas pesquisas e perde do coiso. Ciro tá forte, mas a vice dele é horrível. A Marina até dava pra votar, mas ela é um nada, né.</p>
<p>Isso foi dois dias antes da confirmação da candidatura de Haddad. Hoje, elas e as colegas estão convictas do voto.</p>
<p>A partir daí, as surpresas atingiram outro patamar e Júlia passou a comover o coração do pai:</p>
<p>&#8211;       Pra deputado federal vou votar no PSOL.</p>
<p>Entendi que ela estava se referindo a Sâmia Bonfim. Eu estava errado.</p>
<p>&#8211;       Vou com a Luiza Erundina.</p>
<p>&#8211;       Erundina? Sério? Eu também votaria nela se morasse aí. Pensei que você quisesse votar numa jovem e feminista.</p>
<p>&#8211;       A Erundina é jovem, pai.</p>
<p>Calei.</p>
<div id="attachment_10785" style="width: 786px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/julia-10.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10785" class=" wp-image-10785" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/julia-10.jpg" alt="Leci e Julia em São Caetano" width="776" height="1034" /></a><p id="caption-attachment-10785" class="wp-caption-text">Leci e Julia em São Caetano</p></div>
<p>A surpresa seguinte deu nó na garganta, uma aguinha nos olhos e orgulho no peito:</p>
<p>&#8211;       Pra estadual vou votar na Leci.</p>
<p>&#8211;       Que Leci?</p>
<p>&#8211;       Leci Brandão, pai! &#8211; o tom aqui foi de censura e espanto por eu não saber algo tão óbvio.</p>
<p>&#8211;       Mas a Leci é do Rio de Janeiro, Júlia…</p>
<p>&#8211;       É não, ela já é deputada em São Paulo. E pelo PCdoB.</p>
<p>Eu errado em política, minha filha de 16 anos certa. De novo.</p>
<p>&#8211;       E porque você vai votar nela?</p>
<p>&#8211;       Porque ela é negra, lésbica, faz cultura popular e já tem muito trabalho com as mulheres negras da periferia.</p>
<p>Assim falou a minha filha branca, adolescente, aluna ce-dê-efe de colégio particular caríssimo da conservadora e rica São Caetano do Sul.</p>
<p>Com ajuda de meus amigos do PCdoB, eu havia descoberto que a agenda da Leci incluía uma reunião com feministas e o pessoal do hip hop do ABC paulista lá em São Caetano. Melhor: o google maps me informa que o endereço da reunião era a 200 metros do prédio onde Júlia mora.</p>
<p>Como eu já teria de ir a São Paulo por conta de seu aniversário e para dar conta de outras demandas fundamentais para um pai, levei Júlia para conhecer Leci.</p>
<p>No meio da reunião, pedi a palavra e expliquei o que pai e filha, tão estranhos àquele ninho, estávamos fazendo ali. A cara e a reação da sambista e deputada, na reta final de uma campanha cansativa, são difíceis de descrever.</p>
<p>E aqui estou em São Paulo, horas depois de acompanhá-la no primeira manifestação de rua de sua vida, no largo da Batata. Lá comemoramos seu aniversário de 16 anos no mais inesquecível dos seus 29 de setembro.</p>
<p>Júlia dorme ao lado. O mundo tem jeito.</p>
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