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	<title>Arquivos endemia - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 12:44:48 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos endemia - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>O que esperar da covid-19 no futuro?</title>
		<link>https://marcozero.org/o-que-esperar-da-covid-19-no-futuro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2022 17:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coranavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid19]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
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		<category><![CDATA[vacinação de crianças]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passado o tsunami da ômicron na Europa, os países daquele continente passaram a mudar a forma que tratam o Sars-Cov-2. Em Portugal, os boletins com dados da covid-19 passaram a ser semanais. No Reino Unido, há quase dois meses não é exigido mais máscaras nem passaporte vacinal contra a doença. Em abril, não serão mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Passado o <em>tsunami</em> da ômicron na Europa, os países daquele continente passaram a mudar a forma que tratam o Sars-Cov-2. Em Portugal, os boletins com dados da covid-19 passaram a ser semanais. No Reino Unido, há quase dois meses não é exigido mais máscaras nem passaporte vacinal contra a doença. Em abril, não serão mais oferecidos testes gratuitos para a população. Aqui no Brasil, vários estados flexibilizaram o uso de máscaras, alguns até retirando a obrigatoriedade em espaços fechados. </p>



<p>Mas será que é hora de baixar a guarda contra a covid-19? </p>



<p>No mês em que se completa dois anos de pandemia, a Marco Zero perguntou a diversos profissionais, de várias áreas, o que podemos esperar para o futuro da covid-19. Confira as respostas. </p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<h2 class="wp-block-heading">As expectativas para o futuro da covid-19</h2>



<p>&#8220;O direito de imaginar futuros é ato de resistência. Na minha opinião é precipitado falar em endemia, minimizar efeitos ainda devastadores da doença abolindo precocemente uso de máscaras, medidas de proteção individual e coletiva com finalidades diversas que não a defesa da vida. Não temos tempo suficiente nem padrão único da ocorrência da doença para prever o que vai acontecer, mas podemos mudar aqui e agora. Mudar compondo projetos democráticos, apostar nas políticas públicas e na solidariedade. Ao mesmo tempo apostar na vontade e desejo das pessoas na mudança, uma aposta subjetiva portanto. Um duplo movimento de resistência a tudo que violenta e degrada a vida, causa dor e sofrimento, ao mesmo tempo a resistência alegre, criativa e cheia de vida das periferias, das pessoas comuns na diversidade brasileira.&#8221;</p>



<p><strong><em>Bernadete Peres, médica sanitarista, professora do Centro de Ciências Médicas da UFPE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Mudar o status de pandemia para endemia nesse momento não é algo bom. O vírus não vai desaparecer porque a situação mudou de status e, na verdade, pode até passar uma ideia errada para a população. Por exemplo, o Brasil é um país endêmico para dengue e nós sabemos o problema que esse vírus nos causa todo ano. É importante lembrar que o Sars-CoV-2 é um vírus altamente transmissível e que não podemos baixar a guarda agora. Ainda temos muita coisa para aprender sobre esse vírus e sobre a doença que ele causa. O futuro ainda é incerto, afinal ainda estamos tentando entender a dinâmica sazonal do vírus e as melhores medidas sanitárias no combate à covid-19.&#8221;</p>



<p><em><strong>Lorena Chaves, virologista e pesquisadora da Universidade Emory Atlanta (EUA)</strong></em></p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>O vírus não vai desaparecer porque a situação mudou de status e, na verdade, pode até passar uma ideia errada para a população.</p><cite>Lorena Chaves, virologista</cite></blockquote></figure>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Estamos em um período de transição entre hiper pandêmico e pandêmico. Pandemia é a presença de várias epidemias causadas pelo mesmo organismo em vários continentes. E continuamos com uma pandemia de Sars-CoV-2, o causador da covid19. No entanto, podemos dizer que a cepa original, lá de 2019 agora é endêmica, mas pode voltar a ser epidêmica novamente. No entanto a pandemia da cepa ômicron, e outras cepas, continuam independentemente do que cada um acha. Ou seja a pandemia do Sars-CoV-2 continua, são 1,5 milhão de pessoas infectadas por dia e causando mais de seis mil mortes diariamente, no mundo. Não percebo o surgimento de um canal endêmico normal e acho que vai levar tempo para que o vírus se adapte por completo e entre em equilíbrio com o estado imunológico da população.&#8221;</p>



<p><em><strong>Ernesto Marques, médico virologista e professor da Universidade de Pittsburgh (EUA)</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;A covid-19 caminha para ser endêmica, no Brasil e no mundo, mas reforço que ainda é precoce afirmar que entramos nessa fase. Os estudos mais recentes e, sobretudo, os dados de queda proporcional de mortes diante do aumento de casos, são indícios claros da importância da vacinação. No entanto, as coberturas vacinais ainda estão longe de serem consideradas as ideais e, atualmente, em particular no que tange ao universo infantil. Este é um problema que necessitaria enfrentamento urgente e coordenado, o que, sabemos, não partirá dos gestores nacionais. Caberia então, aos estados e munícios ampliarem campanhas de vacinação das crianças, e esclarecimento aos familiares acerca da comprovada segurança das vacinas.  Acredito que, assim como fazemos anualmente em relação à influenza, teremos que adotar doses anuais de reforços, adequadas às cepas preponderantes. Mas para que esta medida alcance sucesso, temos que retomar o que sabíamos fazer tão bem: campanhas de vacinação, ampla divulgação, capilarização de postos de aplicação das doses, etc. Outro hábito que deveria ser incorporado é o uso de máscaras diante do surgimento de sintomas respiratórios. Mas, reforço: ainda não podemos decretar o fim da pandemia, embora este seja o desejo de todos nós.&#8221;</p>



<p><strong><em>Tereza Maciel Lyra, professora da Universidade de Pernambuco (UPE) e médica sanitarista na Fiocruz-PE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;A vacinação no Brasil começou lentamente, mas depois foi expandindo e hoje temos quase ¾ da população completamente imunizada e mais de 80% que receberam pelo menos uma dose. O novo coronavírus tem se mostrado como um vírus imprevisível e dinâmico. Assim, muita coisa pode mudar de uma semana para outra. Entretanto, acredito que haverá uma redução contínua do número de novos casos e o vírus vai continuar circulando de forma endêmica. Creio que será importante realizar a revacinação da população pelo menos uma vez ao ano e que as vacinas necessitarão ser atualizadas para refletir a variante mais prevalente em circulação.&#8221;</p>



<p><strong><em>Lindomar Pena, virologista e pesquisador na Fiocruz-PE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;O avanço da vacinação está diretamente associado à redução dos casos de agravamento e óbito por covid-19, em todo o mundo. Por mais mórbido que pareça, o número de óbitos tende a cair ainda mais não só pelo avanço da vacinação, mas também pelo número cada vez menor de pessoas intencionalmente não-vacinadas… visto que são hoje as principais vítimas do Sars-Cov-2. Indivíduos completamente vacinados tem 17 vezes menos chances de ir à UTI, e 20 vezes menos chances de ir à óbito, em comparação com os indivíduos parcialmente vacinados ou sem vacinação (4 de cada 5 brasileiros que vão à UTI e ao óbito, estão parcialmente ou não-vacinados). </p>



<p>Um aspecto importante a ser considerado é que variantes de preocupação como a delta e a ômicron, por exemplo, conseguem escapar parcialmente dos anticorpos induzidos pelas vacinas contra Sars-Cov-2. O significado disso, é que mesmo pessoas completamente vacinadas, inclusive com a terceira dose, ainda podem se infectar e transmitir o vírus. Essa constatação é ainda mais relevante para indivíduos com a saúde fragilizada, como os imunosuprimidos, que já devem tomar a quarta dose de reforço, e os idosos que, por serem também grupo de risco devem continuar, mantendo rigorosamente os seus cuidados de prevenção. Em síntese, infelizmente o Sars-Cov-2 veio para ficar, portanto, temos que aprender a conviver com ele da forma mais segura possível, em relação ao impacto na saúde de nossa população. Isso significa dizer que temos de manter a nossa imunidade, indo se vacinar sempre que chegar a sua vez, e evitar situações maiores de exposição. Não é hora de baixar a guarda, e só com a ajuda de todos (governo, empresas e cidadãos) que conseguiremos sair dessa situação de emergência sanitária.&#8221;</p>



<p><em><strong>Rafael Dhalia, cientista e pesquisador da Fiocruz-PE</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Como estamos vendo nos dados epidemiológicos de vários países, e também nos estudos clínicos das vacinas, as vacinas reduzem muito o nível de óbitos e agravamento (hospitalizações), em um nível coletivo (após alta cobertura vacinal). Também vemos uma redução na quantidade de pessoas sintomáticas (o que ajuda a reduzir transmissão), mas essa redução é bem menor. Tendo isso em vista, é importante saber que, para termos um status endêmico e seguro, precisamos &#8220;ajudar&#8221; as vacinas com outras medidas de redução da transmissão. Se deixarmos o status endêmico da covid ser nesse nível, teremos um excesso de óbitos em vulneráveis muito maior do que tínhamos até então. É importante estabelecer essa diferença entre endêmico e seguro! Hoje, o futuro que se desenha, infelizmente, é esse de um alto nível de casos e, por consequência disso, um número absoluto de mortes muito além do esperado.&#8221;</p>



<p><strong><em>Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid-19</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Acho ainda muito temeroso tratar como uma endemia uma vez que tem várias coisas ainda incertas quanto ao Sars-Cov-2. Uma das coisas que se pensou lá no início é que o vírus realmente ia se tornar endêmico e ia ter um padrão sazonal como influenza. Mas até agora não temos visto esse padrão sazonal. Na verdade, isso representa mais o surgimento de novas linhagens e essas novas linhagens que têm uma característica diferente de escape imune ou de de maior transmissibilidade. E esse surgimento de linhagem está diretamente relacionado a uma transmissão muito alta, então quanto mais pessoas infectadas maior a chance do surgimento dessas linhagens.  Que podem acarretar uma nova onda de infecção, fugindo assim do padrão sazonal dos outros vírus respiratórios. Realmente ainda não entendemos a dinâmica do Sars-COv-2 a ponto de conseguir tratá-lo como os outros vírus respiratórios onde existem padrões muito claros. O Sars-Cov-2 ainda está nos pregando peças com o surgimento de novas linhagens. São aparecimentos imprevisíveis e o máximo que nós conseguimos fazer é detectá-las rapidamente e tentar tomar decisões baseada em fatos. Precisamos ainda ter cautela e manter determinadas medidas restritivas, como o uso da máscara, distanciamento para diminuir a transmissão, porque realmente com a transmissão alta sempre vamos ter uma maior probabilidade de do surgimento de novas linhagens com capacidade de causar ondas de infecção e novamente sobrecarregar o sistema de saúde.&#8221;</p>



<p><em><strong>Gabriel Wallau, biólogo e pesquisador da Fiocruz-PE</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;É um processo natural da pandemia se tornar endemia, uma coisa que vai acontecer. Questão é querer fazer isso de forma forçada. Não é bem assim. Vai chegar o momento em que nós vamos passar dias sem ter mortes ou uma transmissibilidade muito baixa e, naturalmente, isso vai acontecer e vai ser definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma coisa importante também pra levar em consideração. A OMS vai avaliar os parâmetros no mundo para definir se acabou ou não a pandemia. Claro que os os países não são obrigados a aceitar, mas no geral aceitam.  Quando a gente vive uma endemia, não é essa situação de gerar um caos no sistema de saúde, além dos prejuízos principalmente humanos, de vidas, e também financeiro onde tudo é afetado. Uma endemia não chega a esse ponto, mas é uma forma também de mantermos a vigilância pra que não fique essa gangorra, esse vai e vem. Essa é uma vigilância contínua, vai chegar o momento que vai se tornar endemia, mas esse não é o momento. Temos muitas mortes diariamente, ainda temos o vírus circulando consideravelmente, a gente ainda precisa ter a vacinação de reforço, que hoje está na casa dos 30%. Ainda precisamos avançar na vacinação da segunda dose de crianças e adolescentes, ainda precisamos da vacinação de crianças de zero a quatro anos, que é o grupo de maior risco e de fatalidade entre crianças e adolescente. Não é simplesmente falar, &#8220;olha, acabou, agora é endemia&#8221;. Os números precisam mostrar isso, os casos precisam mostrar isso.&#8221;</p>



<p><strong><em>Gustavo Cabral, imunologista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP)</em></strong></p>



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<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>Muitos políticos querem que a covid seja uma doença endêmica por questões meramente econômicas,</p><cite>Gauss Cordeiro, estatístico</cite></blockquote></figure>



<p>&#8220;Muitos políticos querem que a covid seja uma doença endêmica por questões meramente econômicas, tentando assim que a população possa ter uma vida normal. Por exemplo, o número total diário nesta semana de novos infectados na Europa supera 500 mil e os novos óbitos diários oscilam em torno de mil infectados. No Brasil, a média móvel de 7 dias de novos infectados supera atualmente 45 mil casos,mesmo sendo subestimada (não contempla os autotestes). E devemos saber que a eficácia da última dose daqueles que se vacinaram está sendo reduzida com o tempo. Entendo que seja um grande risco considerar a covid como uma doença endêmica, por conta de novas variantes atuais e futuras. Tenho convicção que o vírus persistirá evoluindo em certos lugares e medidas não farmacológicas mais efetivas deverão ser consideradas.&#8221;</p>



<p><strong><em>Gauss Cordeiro, estatístico e professor da UFPE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Em relação a tratar com uma uma endemia eu acho precoce, ainda não é hora disso. Para caracterizar como endemia precisamos ter um um patamar de estabilidade, ter minimamente uma previsão sobre os próximos passos, ter valores &#8220;aceitáveis&#8221;, bem entre aspas, de mortos e de casos. E ainda estamos longe disso. Me parece que querer chamar de endemia é forçar o fim de uma pandemia que não acabou. A gente está tentando mudar os conceitos que já existiam antes da covid-19 para tentar adequar para dizer &#8216;pronto, agora voltou à normalidade&#8217;. É uma negação da realidade. Está melhorando, tem vacina, tem medicamento. Estamos caminhando para sair e pra virar uma endemia sim, mas eu ainda acho cedo dizer que, a partir de agora, é uma endemia. É um discurso conveniente no ano eleitoral, o que precisa ser levado em consideração. E o que esperar para o futuro da covid-19? Eu acredito que a covid-19 vai fazer parte das nossas infecções virais anuais. Assim como o vírus da influenza faz desde o surto lá de 1918. Acredito que o caminho que a covid vai tomar é parecido. Vai se transformar numa gripe e espero que caia a letalidade. Hoje a covid-19 mata duas, três vezes mais que a gripe, mesmo em locais onde a população está mais imunizada que no Brasil, então eu acho que a gente vai caminhar pra algo nesse cenário. Vamos entrar no equilíbrio com a existência do vírus na nossa sociedade. E resta saber se vamos ter picos de infecções anuais, assim como acontece com a influenza e, de tempos em tempos, vai ter um surto pior com uma uma variante mais letal, uma variante que escape minimamente das vacinas que existem. É difícil a gente fazer esses exercícios de futurologia, porque  estamos tentando prever um comportamento da natureza,de um evento completamente incerto.&#8221;</p>



<p><em><strong>Bruno Issao Matos Ishigami, médico infectologista</strong> <strong>do Hospital Universitário Oswaldo Cruz</strong></em><strong><em> (UPE)</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;A imunidade coletiva, com as n-variantes em circulação, parece mesmo impossível de ser alcançada como publicado <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-021-00728-2">há exatamente 1 ano</a> [mais precisamente, em 18 de mar de 2021]. Assim, seguimos avançando, mais ainda figuramos como um dos países que menos vacinou no mundo, considerando terceira dose e tamanho da população. O mais grave disso, e aqui no Brasil também, parece ter sido mesmo a ausência de comunicação sobre <a href="https://www.irrd.org/covid-19/ricci/, https://irrd.tech/interactive-risk-diagrams/">Risco Pandêmico</a> e a forma errônea de comunicar à população como as vacinas emergenciais funcionariam. Por isso, parece que estamos perdendo a efetividade das vacinas muito rapidamente,<a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2119451" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> mesmo as doses de reforço</a>. Basta compararmos os dados de alguns dos países que hoje mais imunizaram suas populações, com suas respectivas taxas de ocupação de leitos. Assim, para o futuro, observando o risco mundial, que vinha em boa trajetória em direção à zona verde (baixo risco), mantém uma piora desde 2 de março de 2022, reapontando o risco [bolinha branca, ultimo dia medido] para zona vermelha (risco alto). sugere piora na pandemia, na infecção mundial, não endemia, não ainda.&#8221;</p>



<p class="has-text-align-center"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://lh6.googleusercontent.com/6JxbNSGXPsLNWvvtVMeFZPAi9t_pRmFrII27PfvNI02pP0rjrS-jFmpOezrUEq0isuztS-Hgv302DcK3wnrMbRg-aZ6VFfWeEB4ql6I-jroOSm-s0XxycF2iRKQJlQ0t95MUz47J" width="602" height="444"></p>



<p><strong><em>Jones Albuquerque, cientista do IRRD e do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami &#8211; UFPE e professor da UFRPE</em></strong></p>



<p>Também perguntamos aos especialistas quais teriam sido as principais lições aprendidas ao longo desses dois anos de pandemia. As respostas estão no link abaixo:</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-que-aprendemos-em-dois-anos-de-pandemia-de-covid-19/" class="titulo">O que aprendemos em dois anos de pandemia de covid-19?</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


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		<title>O que aprendemos em dois anos de pandemia de covid-19?</title>
		<link>https://marcozero.org/o-que-aprendemos-em-dois-anos-de-pandemia-de-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2022 15:13:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
		<category><![CDATA[endemia]]></category>
		<category><![CDATA[máscaras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mês de março de 2020 já entrou para a história. O coronavírus pegou o mundo de assalto e se espalhou com a velocidade nunca antes vista. Naquela época, a tragédia que se concretizou não era tão clara para muitos: hoje, mais de 6 milhões de pessoas morreram em decorrência da doença. Foram dois anos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O mês de março de 2020 já entrou para a história. O coronavírus pegou o mundo de assalto e se espalhou com a velocidade nunca antes vista. Naquela época, a tragédia que se concretizou não era tão clara para muitos: hoje, mais de 6 milhões de pessoas morreram em decorrência da doença. Foram dois anos difíceis. Com o aumento da vacinação, há a esperança de uma convivência menos traumática com o vírus, mas ainda não é uma volta ao que era antes. </p>



<p>Ao longo desses dois anos, a Marco Zero publicou mais de 250 reportagens, artigos e entrevistas sobre o coronavírus. Ao chegar aos dois anos de pandemia, fizemos duas perguntas para mais de uma dúzia de especialistas que ouvimos ao longo desse período. </p>



<p>A primeira pergunta é um olhar para o passado: <strong>quais foram os principais aprendizados durante os dois anos de pandemia no Brasil? </strong>A segunda, sobre o futuro: <strong>Muito tem se falado em tratar a covid-19 como uma endemia, pelo avanço da imunização da população brasileira. O que podemos esperar para o futuro da covid-19?</strong></p>



<p>Abaixo, a fala dos especialistas de várias áreas que atuaram nesses dois anos de pandemia do Sars-Cov2 sobre o que aprendemos nestes dois anos. E <strong><a href="https://marcozero.org/o-que-esperar-da-covid-19-no-futuro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">neste link</a></strong> o que podemos esperar para o futuro. </p>



<h2 class="wp-block-heading">O que o passado ensinou&#8230;</h2>



<p>&#8220;Aprendemos que qualquer evidência, capacidade de escuta e respostas concretas precisam pensar em projetos políticos, sociais e ambientais reais. A pandemia da covid-19 agudiza situações crônicas e não podemos naturalizar a morte de idosos, indígenas, pessoas negras, pobres, violência contra as mulheres e misoginia. O enfrentamento nesses dois anos precisou evidenciar a necessária articulação de respostas coordenadas, que tornassem claras e bem estabelecidas essas causas, para além da história natural da doença. Foi e é necessário sermos pesquisadoras implicadas com o mundo, com as pessoas para além das constatações.&#8221;</p>



<p><strong><em>Bernadete Peres, médica sanitarista, professora do Centro de Ciências Médicas da UFPE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Tivemos muitos aprendizados nessa pandemia, alguns que já vinham de outras pandemias e epidemias, mas que foram colocados à prova agora, e outros que vieram do entendimento das consequências da infecção por esse novo vírus. Em um resumo curto, nós aprendemos como segurar a transmissão do vírus através de distanciamento social, uso de máscaras e ventilação de ambientes. Aprendemos como tratar melhor os pacientes com Covid-19 grave e temos hoje protocolos mais bem estabelecidos para os hospitalizados. Aprendemos que a vacina e a alta cobertura vacinal têm um impacto crucial no combate ao agravamento da doença. Acima de tudo, aprendemos que precisamos estar alinhados com a ciência para combater a atual pandemia e as futuras.&#8221;</p>



<p><em><strong>Lorena Chaves, virologista e pesquisadora da Universidade Emory Atlanta (EUA)</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p></p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>&#8220;A lição mais importante de todas é que a comunidade científica é capaz de ser pragmática e dar respostas rápidas e eficazes quando se investe o montante de recursos necessários&#8221;</p><cite>Ernesto Marques, virologista e professor da Universidade de Pittsburgh</cite></blockquote></figure>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;O maior aprendizado foi acreditar na ciência: se vacinar, higienizar as mãos, evitar aglomerações e usar máscara. Se tivéssemos aceitado as recomendações dos especialistas, desde o começo da Ppandemia, certamente não teríamos alcançando a vergonhosa marca de mais de 650 mil vidas ceifadas pelo Sars-Cov-2 no Brasil, das quais pelo menos 400 mil poderiam ter sido evitadas! Enquanto vários países estavam apoiando as iniciativas de desenvolvimento de vacinas e enfrentando a pandemia, através das medidas não farmacológicas, o Brasil investia modestamente em apenas uma iniciativa (Astrazeneca), renegava outra (Coronavac) e ignorava, diversas ofertas, da vacina mais utilizada no mundo (Pfizer). O Governo Federal ainda subestimava a situação, promovia aglomerações e desdenhava sobre a necessidade do uso da máscara. Infelizmente, depois de dois anos, ainda existem negacionistas que não acreditam na pandemia ou que ela não tenha acabado, pessoas que não se vacinam e gestores que estão flexibilizando as aglomerações e o uso de máscaras, mesmo diante da alta circulação do vírus e dos números inaceitáveis de óbitos diários. Felizmente, a maioria da população acredita na ciência e está se vacinando. Mas temos ainda de continuar insistindo que não é hora de abandonar as medidas de prevenção: higienização das mãos, distanciamento social e uso de máscaras. Esse tem sido o aprendizado mais difícil de se seguir, embora extremamente necessário para sairmos da fase aguda da pandemia&#8221;.</p>



<p><em><strong>Rafael Dhalia, cientista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco (Fiocruz-PE)</strong></em></p>



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<p>&#8220;Quando a pandemia começou, inocentemente, muitos acreditamos que a humanidade sairia mais solidária e exercitando a compaixão. Não foi esse, no entanto, o caminho escolhido. Tempos e epidemia são sempre paradoxais. São tragédias, mas resultam em um imenso aprendizado, seja a nível organizacional dos serviços de saúde, aqui incluída a vigilância epidemiológica e a rede de atenção à saúde, seja de ganhos de conhecimento científicos. Exemplos recentes são a epidemia da microcefalia e da própria covid.<br><br>No entanto, o Brasil enfrentou muito mal a pandemia, como denunciamos ao longo desses dois anos. Erros de condução, desinformação e preconização de tratamentos comprovadamente ineficazes, foram a tônica dos principais responsáveis pela condução da pandemia. Mas, mesmo assim, considero que ficam algumas lições, algumas positivas e muitas negativas.<br><br>Como lições positivas considero que tanto os estados quanto os municípios, embora tendo negligenciado vários aspectos importantes, como incorporar adequadamente o PSF ao enfrentamento da pandemia, conseguiram organizar a rede de alta complexidade, mobilizar profissionais, equacionar a regulação de leitos. Não fosse a ação desses gestores, teríamos chegado à casa do milhão de mortes.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>&#8220;Talvez a lição mais importante seja o reconhecimento da importância do SUS&#8221;</p><cite>Tereza Maciel Lyra, médica sanitarista</cite></blockquote></figure>



<p>Fica ainda a lição de que o mundo científico tem que aprender a dialogar cada vez mais, e melhor, com a população. O histórico distanciamento entre geração de conhecimento nos espaços de pesquisa, e o diálogo com a população dificultou a compreensão de aspectos importantes, somados à contrapropaganda dos negacionistas, muitas vezes mais imediatamente difundida por não ter compromisso com a verdade. Mas, inegavelmente, os avanços no conhecimento da doença, do seu manuseio clínico e sobretudo, nas vacinas, foram ganhos sem precedentes. Em tempo recorde, aspectos fisiopatológicos da doença foram sendo compreendidos (ainda há muito a se compreender), assim como, em tempo recorde assistimos ao surgimento de vacinas eficazes que tem impedido aumento de mortes, mesmo diante do aumento de casos, e mais recentemente, avanços na produção de antivirais.<br><br>Outro ponto positivo foi o reconhecimento da Anvisa como órgão regulador independente, algo que precisa ser preservado.<br><br>Como lições negativas, fora as inúmeras denunciadas ao longo dos dois anos, e evidenciadas na CPI da Covid, fica a assustadora queda das coberturas vacinais, que sempre foram exemplo para o mundo. Sobretudo, as contrainformações advindas por quem deveria comandar as ações com seriedade, gerou tensões e desconfiança por parte de parcela da sociedade. O Brasil tinha tradição de excelente vigilância epidemiológica, de uma rede sólida de laboratórios públicos, mas que vem resistindo ao sucateamento e ao desfinanciamento da pesquisa e do SUS.<br><br>Mas talvez a lição mais importante seja o reconhecimento da importância do SUS. Sem ele, e com todos os ataques que vem sofrendo, o Brasil teria assistido a dizimação de milhares e milhares de pessoas, em um nível inimaginável.</p>



<p><strong><em>Tereza Maciel Lyra, professora da Universidade de Pernambuco (UPE) e médica sanitarista na Fiocruz-PE</em></strong></p>



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<p>&#8220;A pandemia trouxe uma série de aprendizados em vários âmbitos. O primeiro deles foi a importância do investimento contínuo e robusto em ciência, a tecnologia e a inovação (CT&amp;I). Foi graças à ciência que o vírus foi descoberto rapidamente, seu genoma decodificado, os testes de diagnósticos desenvolvidos e as vacinas produzidas em tempo recorde. Em relação às vacinas, que são a maneira mais eficaz para controle de covid-19, houve grandes avanços. Pela primeira vez, vacinas baseadas em adenovírus recombinantes (AstraZeneca, Janssen, Sputnik) e RNA (Pfizer) foram aprovadas para uso em humanos e elas exibiram excelente perfis de segurança e eficácia. A consagração dessas plataformas vacinais certamente pavimenta o caminho para o desenvolvimento de vacinas para diversas outras doenças, com zika, chikungunya e dengue. Também foi ratificada a importância de se ter um SUS forte, transparente e bem preparado para as emergências sanitárias atuais e futuras. Será fundamental nos prepararmos para a próxima pandemia com a expansão das fábricas de vacinas existentes e construção de novas para que as vacinas sejam produzidas em menor tempo e, assim, imunizar rapidamente a população e salvar vidas.<br><br>Uma lição que veio com a pandemia foi a importância do controle de entrada e testagem de passageiros que vêm de países que estão sendo acometidos por alguma doença infectocontagiosa. Outro ensinamento foi a importância de preservação do meio ambiente e a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. Foi comprovado que o vírus se originou em morcegos e depois começou a cadeia de transmissão em humanos, seja diretamente ou através de algum animal silvestre, até então desconhecido, como hospedeiro intermediário. Sabemos que as atividades antrópicas que afetam o equilíbrio ambiental, como o desmatamento, tráfico de animais silvestres, urbanização descontrolada e perda de habitats, favorecem a gênese e disseminação de vírus até então restritos às regiões selvagens. Tenho dúvidas de que essas duas últimas lições não foram bem assimiladas pelos gestores públicos e talvez iremos repetir esses erros novamente no futuro.<br><br>Por último, testemunhamos um <em>tsunami</em> de <em>fake news </em>durante toda a pandemia e um movimento antivacina crescente e muito atuante. Acredito que será importante regulamentar e punir a disseminação de notícias falsas por parte do Congresso Nacional e pelos conselhos profissionais federais e regionais (medicina, medicina veterinária, enfermagem, biomedicina, etc), pois a propagação dessa desinformação por cidadãos comuns e por profissionais de saúde dificultaram a implementação das medidas de controle da covid-19 (uso de máscaras, distanciamento social, vacinação, higiene das mãos, etc) e, certamente, contribuíram para milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas.</p>



<p><strong><em>Lindomar Pena, virologista e pesquisador na Fiocruz-PE</em></strong></p>



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	                                        <p class="m-0">Estados e municípios conseguiram mobilizar profissionais e organizar alta complexidade. Crédito: Gustavo Basso/Wikimedia Commons</p>
	                
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<p>&#8220;Se estivermos falando em aprendizados que realmente colocamos em curso, infelizmente não os vejo, pois estamos ainda com um nível alto de vírus circulante (conseguimos ver isso pela quantidade de casos notificados por dia em relação com outras doenças endêmicas), estamos com um nível de óbitos muito alto em relação às doenças similares (influenza) e mesmo assim estamos já assentando em uma &#8220;vida normal&#8221; sem levar em conta esse impacto que ainda existe. Se estivermos falando em aprendizados no geral, acredito que o maior deles tenha sido seguir a ciência, e quando falo em ciência, digo o método científico, que nos trouxe as vacinas e também nos trouxe análises detalhadas de ondas epidemiológicas, nos mostrando rapidamente como poderíamos passar por novas ondas. Além desse aprendizado, também vejo o protagonismo do jornalismo de dados, que tanto ajudou a informar com matérias e reportagens muito pertinentes.&#8221;</p>



<p><strong><em>Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid-19</em></strong></p>



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<p>&#8220;Estamos aprendendo que &#8220;máscaras adequadas e bem ajustadas&#8221; ao rosto são para covid e doenças respiratórias o que as &#8220;camisinhas&#8221; são para AIDS (há décadas que fazemos vídeos ensinando os adolescentes e até adultos a usarem preservativos corretamente para não danificá-los e deixá-los eficazes e até mais atraentes (a indústria criou sabores, cores, glamour). Precisamos ainda fazer o mesmo com as máscaras PFF2, mas creio que estamos no caminho do aprendizado. Estamos aprendendo que digitalizar e desburocratizar vários processos do nosso dia a dia (contas de energia, carteiras de habilitação, compras on-line) evita que tenhamos que nos expor desnecessariamente e insalubremente em filas e ambientes aglomerados, inclusive para outras doenças. Temos aprendido a valorar melhor nossos hábitos de vida, trabalho, moradia, transporte… muitos estão optando em viver onde antes &#8220;só passavam férias&#8221;, criando oportunidades e desburocratizando vistos e contratos de trabalho, melhorando a qualidade de vida como um todo, o que reduz os riscos em prováveis novos surtos de doenças. Estamos aprendendo que &#8220;escritório, salas de aula, campi universitários&#8221; não são mais tão necessários para o trabalho/aprendizado/experiências mas que sentimos muita falta do social, convívio humano, etc e estamos aprendendo que há locais mais agradáveis e saudáveis para socializar: como praças, parques, praias, montanha. Aprendemos a deixar os dados mais transparentes à população. Todos os estados do Brasil eram avaliados no início da pandemia o que os estimulou a melhorarem seus graus de transparência que perduram até hoje&#8221;.</p>



<p><strong><em>Jones Albuquerque, cientista do IRRD e do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami – UFPE e professor da UFRPE</em></strong></p>



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<p>&#8220;A pandemia de Covid-19 é um evento da comunidade global que afetou a todos brasileiros de alguma forma. Houve muitos impactos negativos, incluindo doenças e perda de vidas, isolamento psicossocial, perda de escolaridade, emprego e dificuldades financeiras. Entendo que a ciência no Brasil ficou mais reconhecida pela população em geral porque os cientistas propuseram ações precisas no combate aos flagelos provocados pela pandemia.&#8221;</p>



<p><strong><em>Gauss Cordeiro, estatístico e professor da UFPE</em></strong></p>



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<p>&#8220;Um grande aprendizado é sobre como a sociedade civil é importante nesses grandes temas: pandemia, crise climática etc. Ainda mais em um país como o Brasil, que não teve uma coordenação central, onde foi tudo bagunçado, deu para perceber que a participação da sociedade civil, de pessoas autônomas, indo atrás de informar a população, foi e tem sido muito importante para o curso da pandemia. Claro que é um raio de alcance limitado, porque não tem a estrutura do estado para dar suporte, mas acho que a sociedade civil conseguiu pautar debates. O grande exemplo é o uso de máscaras melhores, que foi uma discussão puxada pela sociedade civil e que os meios de comunicação embarcaram. É um grande avanço de aprendizado na pandemia. Outro aprendizado, ou constatação, é como está distante ainda termos uma coletividade construída, para a gente conseguir sair de problemas. A pandemia é meio que um tubo de ensaio para a crise climática que está por vir. Se tivéssemos realmente nos unido, acho que a gente conseguiria ter outro resultado nessa pandemia. A gente enfrenta ainda uma onda de desinformação tremenda, e isso é um desafio a mais&#8221;.</p>



<p><strong>Bruno Issao Matos Ishigami, médico infectologista</strong> <strong>do Hospital Universitário Oswaldo Cruz</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>&#8220;A pandemia é meio que um tubo de ensaio para a crise climática que está por vir&#8221;</p><cite>Bruno Ishigami, médico infectologista</cite></blockquote></figure>



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<p>&#8220;Então acho que falar de aprendizagens é uma soma de fatores né? É complexo priorizar algumas aprendizagens, mas tem algumas situações que chamaram atenção. Primeiro: não entrar em uma pandemia ou algo do tipo sem formar um comitê de combate à crise com profissionais multidisciplinares e preparados pra agir na hora certa, voltar atrás com as ações que foram feitas e, se necessário, remontar estratégias. Isso é o que realmente forma um comitê multidisciplinar que trabalhe em conexão com a sociedade, por exemplo com um projeto nacional de orientação social ou com uma liderança que mostre ao povo o caminho pra seguir essas orientações. E também que trabalhe com comitês de acompanhamento do desenvolvimento científico local. E isso leva a uma questão em que nós somos frágeis: na produção de insumos farmacêuticos ativos e de equipamentos hospitalares, o que nos ensinou até que dar atenção ao desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil. Essas são aprendizagens que a gente precisa ficar de olho. Claro que a chance é mínima de dessa pandemia nos ensinar isso. Falo em chance mínima porque a gente está entrando numa numa eleição majoritária para a presidência, então a gente está discutindo que todo mundo apoia a ciência, ou quase todo mundo apoia a ciência, mas sem projetos claros, entende? Isso é um pouco assustador para quem que faz ciência e também consegue olhar para o desenvolvimento científico além dos nossos próprios projetos. São as questões bem complexas que a gente tem que olhar e tem que aprender com isso.</p>



<p><strong><em>Gustavo Cabral, imunologista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP)</em></strong></p>



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<p>&#8220;Em termos de aprendizado na parte científica nós avançamos muito no conhecimento sobre o Sars-Cov-2 devido à capacidade tecnológica que existe hoje no mundo. No Brasil, conseguimos gerar milhares de genomas e entender rapidamente o surgimento de novas linhagens, né? Detectar rapidamente, adaptar rapidamente para isso. Além disso, essa direção massiva de dados também permite gerar medicamentos, desenvolver vacinas de uma maneira muito mais rápida. Isso não só através do sequenciamento mas também de novas tecnologias e na própria produção de vacinas. Então esses são pontos muito positivos. Agora, quanto a conversão dessa conhecimento para saúde pública, eu posso dizer que a gente também teve aprendizados importantes. Porque a ciência está em primeiro plano em várias vários países do mundo e tomando um papel preponderante na tomada de decisões. Isso é muito importante porque essa geração rápida de conhecimento, que afeta o dia a dia da população, é crucial para o controle do Sars-Cov-2. A ciência tomou uma posição de vanguarda, mostrando que pode dar uma resposta de saúde pública quase em tempo real para tomar as decisões e diminuir expressivamente o impacto de vírus altamente transmissíveis&#8221;.</p>



<p><strong><em>Gabriel Wallau, biólogo e pesquisador da Fiocruz-PE</em></strong></p>



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