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	<title>Arquivos energia limpa - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos energia limpa - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Energia renovável desmatou mais de 4 mil hectares de Caatinga em 2022</title>
		<link>https://marcozero.org/energia-renovavel-desmatou-mais-de-4-mil-hectares-de-caatinga-em-2022/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Jun 2023 20:20:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia fotovotaica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Relatório Anual do Desmatamento (RAD), divulgado pelo MapBiomas, revelou que, em 2022, mais de 4 mil hectares da caatinga foram desmatados devido às atividades das usinas de energia eólica e solar, incluindo as linhas de transmissão. Essa foi a primeira vez que o levantamento da organização considerou a expansão da infraestrutura das energias renováveis [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Relatório Anual do Desmatamento (RAD), divulgado pelo<a href="https://mapbiomas.org/"> MapBiomas</a>, revelou que, em 2022, mais de 4 mil hectares da caatinga foram desmatados devido às atividades das usinas de energia eólica e solar, incluindo as linhas de transmissão. Essa foi a primeira vez que o levantamento da organização considerou a expansão da infraestrutura das energias renováveis como um vetor de desmatamento.</p>



<p>De acordo com o relatório, pelo menos 69 alertas de desmatamento foram registrados em áreas de empreendimentos eólicos, totalizando 1.087,8 hectares. Já nas áreas de usinas fotovoltaicas, foram registrados 23 alertas, que atingiram 3.203,48 hectares.Somados, os empreendimentos de energia renovável apresentaram alertas de desmatamento em uma área de 4.291,28 hectares. </p>



<p>Os dados da pesquisa atestam que as denúncias apresentadas por organizações não-governamentais, &#8211; como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Cáritas Brasil -, agricultores, pescadores e moradores de regiões próximas aos parques de energia eólica têm fundamento, uma vez que os desmatamentos causados por esses empreendimentos implicam em um forte impacto ambiental.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Mapeamento dos principais vetores de desmatamento no Brasil. Crédito: MapBiomas
</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading">Desmatamento na Caatinga cresceu mais de 20% </h3>



<p>A pesquisa revelou ainda que a Caatinga foi o terceiro bioma mais destruído no ano passado e apresentou um aumento de 22,2% no número de desmatamento, em relação a 2021, com uma área total desmatada de 140.637 hectares.</p>



<p>A Caatinga é o único bioma de florestas exclusivamente brasileira, que possui a maior parte de sua vegetação no Semiárido e abriga mais de 11 mil espécies de vegetais e mais de 1.307 espécies animais. O bioma está ameaçado por um um forte processo de desertificação. De acordo com o Instituto Nacional do Semiárido (Insa), 85% do Semiárido brasileiro está em processo de desertificação moderado e 9% está efetivamente desertificado, tornando o processo de reversão quase impossível.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/entenda-porque-os-parques-de-energia-eolica-estao-piorando-a-vida-das-familias-de-agricultores-no-agreste/" class="titulo">Entenda por que os parques de energia eólica estão piorando a vida das famílias de agricultores no agreste</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/energias/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Energias</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A fim de denunciar os danos causados pelos parques eólicos e usinas fotovoltaicas na região do Semiárido, a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) <a href="https://www.asabrasil.org.br/images/area-multimidia/Carta_ASA_-_Energia_VERDADEIRAMENTE_LIMPA_para_um_Semirido_Vivo.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">entregou uma carta ao presidente Lula contestando a implantação dos empreendimentos.</a></p>



<p>“Quando olhamos para a história recente do Semiárido, nos deparamos com a contradição de políticas de convivência ora pautadas no saber local e nas tecnologias sociais; ora pautadas nas grandes obras, levando lucro para alguns, em detrimento da manutenção de direitos e modos de vida dos povos que vivem na região. [&#8230;] Os parques eólicos e as fazendas solares chegaram ao Semiárido com uma promessa de energia limpa, com retornos ambientais e financeiros para as comunidades, o que não é verdadeiro. As terras onde as turbinas estão instaladas tornam-se improdutivas”, declarou a ASA no documento.</p>



<p>De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento (RAD), de 2019 até 2022, o total da área desmatada no Brasil foi de 6.606.499 hectares, o que corresponde a 1,5 vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro. Em 2022, foram registrados 76.193 alertas de desmatamento no país e foram desmatados 2.057.251 hectares, o que corresponde a 90% da área do estado de Sergipe, um aumento de 22,3% da área desmatada, se comparado a 2021.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mapeamento dos desmatamentos por bioma. Crédito: MapBiomas
</p>
	                
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                    </figure>

	


<ul class="wp-block-list">
<li><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></li>
</ul>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>



<p><strong>Uma questão importante!</strong></p>
<cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
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			</item>
		<item>
		<title>Criticada por não dialogar sobre energia eólica, governadora petista do RN finalmente receberá movimentos sociais</title>
		<link>https://marcozero.org/criticada-por-nao-dialogar-sobre-energia-eolica-governadora-petista-do-rn-finalmente-recebera-movimentos-sociais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 May 2022 23:58:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nenhum outro estado brasileiro produz mais energia eólica do que o Rio Grande do Norte. Os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que, até 10 de maio deste ano, foram gerados diariamente 6,66 gigawatts-hora por 218 parques eólicos funcionando no território potiguar. Toda essa atenção à energia renovável se dá em um [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nenhum outro estado brasileiro produz mais energia eólica do que o Rio Grande do Norte. Os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que, até 10 de maio deste ano, foram gerados diariamente 6,66 gigawatts-hora por 218 parques eólicos funcionando no território potiguar.</p>



<p>Toda essa atenção à energia renovável se dá em um estado governado por uma mulher negra, professora, sindicalista e filha de agricultores do interior da Paraíba. E não apenas isso: <a href="https://jornalistaslivres.org/quem-e-fatima-bezerra-a-unica-mulher-eleita-para-governar-um-estado-no-brasil/">Fátima Bezerra</a> foi a única mulher eleita governadora pelo Partido dos Trabalhadores em 2018, no auge do antipetismo.</p>



<p>Com esse perfil, seria de esperar que o processo de licenciamento e implantação dos parques eólicos no Rio Grande do Norte estivesse acontecendo com participação dos movimentos sociais, debate entre ambientalistas e gestores público, diálogo com as comunidades da pesca e da agricultura. A realidade, no entanto, é bem diferente.</p>



<p>De tanto receberem denúncias de agricultores e pescadores vizinhos a algum dos <a href="https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiMjQ2YjNkNDYtMWVkZi00ZTAyLWI1OTEtMjRiMzIwMDJlNzMxIiwidCI6IjhmMDYyNWI4LTkzM2YtNDM3Yi1iNDE4LTA5NTcxZTY5YmZlNCJ9&amp;pageName=ReportSection8fd1f6f47c2ba0e50e8d.">2.325 aerogeradores operando no estado</a>, ativistas de várias organizações e movimentos sociais tentam, desde o início do mandato da governadora do PT, encaminhar as demandas e pedir providências às autoridades estaduais. Aos representantes das comunidades e das entidades da sociedade civil, juntaram-se ambientalistas e um coletivo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). De nada adiantou.</p>



<p>Nenhum canal de diálogo foi aberto para se discutir a inexistência de zoneamento ambiental que defina onde pode e onde não pode instalar parques eólicos, os riscos à saúde provocados pelo funcionamento ininterrupto das torres, a destruição de nascentes d’água, os contratos abusivos impostos pelas empresas aos agricultores ou as restrições de circulação que prejudicam a atividade pesqueira. À exceção da Procuradoria Geral do Estado, que se colocou em defesa dos interesse das comunidades, o restante do governo estadual parecia alheio a tudo isso.</p>



<p>No dia 2 de março de 2021, parecia que as coisas iriam mudar. Segundo Maria das Neves Valentim, do <a href="https://fmclimaticas.org.br/quem-somos/">Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental</a> no Rio Grande do Norte, naquele dia houve o primeiro e único contato formal com a equipe do governo. O encontro foi com a secretária-adjunta da Casa Civil, Maria do Socorro da Silva Batista. “Avaliamos a conversa como positiva, ela se mostrou sinceramente surpresa e admitiu que o governo não tinha conhecimento que os parques causavam tantos impactos negativos”, conta.</p>



<p>Otimistas, Maria das Neves e os demais ficaram à espera de um convite para os próximos encontros, provavelmente com o próprio secretário da Casa Civil, talvez com a própria governadora.</p>



<p>A prometida segunda conversa nunca ocorreu. Pelo contrário, pouco mais de três meses depois, no dia 17 de junho, a decepção: o Diário Oficial publicou um ato de Fátima Bezerra criando o <a>Conselho Estadual de Política Energética</a> apenas com paricipação de cinco secretários do prório governo, dois deputados estaduais, um representante de cada universidade pública, cinco especialistas em energia indicados pela governadora e aprovados pela Assembleia Legislativa, representantes dos empresários e um prefeito indicado pela Federação dos Municípios.</p>



<p>“Nenhum representante dos maiores prejudicados: pescadores, pescadoras e as famílias agricultoras. Nenhuma organização ambientalista. Nada”, critica a pesquisadora Moema Hofstaetter, do Laboratório Sociedades, Ambientes e Territórios, da UFRN.</p>



<p>Também ficou sem resposta a nota de repúdio emitida pela articulação de entidades como o Fórum Mudanças Climáticas, Comissão Pastoral da Terra, Comissão Pastoral da Pesca, Serviço de Assistência Rural e Urbana (SAR), Arquidiocese de Natal, Instituto Seridó Vivo, Rede Mangue Mar, ONG Oceânica, colônias de pescadores e pesquisadores na área de ecologia. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Rio Grande do Norte tem 218 parques eólicos com 2.325 aerogeradores Crédito: Davi Revoedo/Cáritas</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Petista rompeu o silêncio</strong></h2>



<p>No dia 17 de maio, a Marco Zero entrou em contato com as assessorias de comunicação de duas secretarias (Gabinete Civil e Desenvolvimento Econômico) e do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), órgão de controle ambiental do governo potiguar. Logo em seguida a assessora especial da governadora assumiu a responsabilidade de centralizar as respostas às 11 questões – devidamente contextualizadas &#8211; enviadas pela nossa equipe de reportagem.</p>



<p>No diálogo mantido via WhatsApp com a assessoria especial, abriu-se inclusive a possibilidade de entrevistar algum representante do governo estadual. Todavia, dez dias depois do primeiro contato, não obtivemos nenhuma resposta, nem mesmo à oferta de negociar o prazo para o envio do retorno, pois avaliamos que o volume e a complexidade das questões demandavam tempo para serem respondidas.</p>



<p>Diante do silêncio, na quinta-feira, 26 de maio, informamos que a reportagem seria publicada, mas que a Marco Zero permaneceria à disposição para publicar o posicionamento governamental sobre o tema.</p>



<p>Quando a matéria estava prestes a ser publicada, representantes dos movimentos sociais informaram que o silêncio havia sido rompido. Primeiro, o senador Jean-Paul Prates (PT-RN) realizou uma conversa com as organizações, da qual o Fórum Mudanças Climáticas negou-se a participar. Em seguida, a governadora agendou um encontro formal para esta segunda-feira, 30 de maio, contando inclusive com a presença de Maria das Neves representando o Fórum.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A campanha da Cáritas</strong></h2>



<p>Estabelecer diálogo com os gestores públicos não é a única dificuldade do movimento popular para enfrentar as consequências negativas dos parques eólicos. Denunciar esse problema também não é fácil. “Os governos e os empresários vendem a ideia de que estão trazendo desenvolvimento econômico, mas na verdade estão fazendo o que sempre foi feito nos 522 anos de história do Brasil: usam os recursos do Estado para lucrar, passando por cima dos direitos e da vida dos trabalhadores, dos camponeses, dos negros, dos indígenas”, resumiu Moema Hofstaetter.</p>



<p>Foi por essa razão que a organização católica Cáritas Brasileira deu início a uma campanha para tentar ampliar o alcance das denúncias.</p>



<p>Uma série de pequenos documentários disponíveis no canal da <a href="https://www.youtube.com/user/caritasregionalne2">Cáritas Regional</a> no YouTube são exibidos junto com a exposição itinerante de fotografias montada em espaços públicos de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Em Natal, as imagens foram expostas em meados de maio, no centro de convivência da UFRN, o coração da universidade.</p>





<p>A campanha não se resumiu a ações de comunicação. O assessor jurídico e de incidência política da Cáritas, Daniel Lins, já se tornou um rosto conhecido nas reuniões com pescadores e camponeses. “Os contratos caracterizam a relação desigual entre grandes empresários de um lado e pequenos agricultores do outro. Há diversas cláusulas abusivas, a começar pela cláusula de sigilo, que praticamente impede os camponeses de pedir ajuda caso se sintam prejudicados”, explica Daniel.</p>



<p>A Cáritas passou a distribuir um folder para os agricultores das áreas de interesse para os parques eólicos. Em linguagem bem acessível, o folheto desnuda os principais problemas enfrentados por aqueles que já convivem com os aerogeradores ou que cederam suas terras às empresas, com tópicos como: “Você não pode se arrepender”, “Você não pode decidir o que plantar ou como usar a propriedade” ou “E, ainda por cima, não vai ter desconto na conta da luz”.</p>



<p>A Cáritas também atua na organização e articulação política das comunidades. “O lobby das empresas junto aos poderes executivos e legislativos é muito forte. Por isso, também é necessário dialogar com parlamentares que podem contribuir para a construção de uma marco regulatório que garanta justiça socioambiental no modelo de transição energética, que hoje é muito permissivo às empresas”, explica Lins.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Se quiser conhecer o folder, é só acessar o arquivo em PDF:</strong></li></ul>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-1-1 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://pt.slideshare.net/IncioFrana1/rnfolder-parque-elico-cbne2pdf
</div></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Ameaças no sertão&#8230;</strong></h3>



<p>Quem vive da pesca, do cultivo de alimentos ou do turismo rural no semiárido potiguar deverá enfrentar mais dificuldades nos próximos anos. Outros 127 parques eólicos estão em construção no Rio Grande do Norte, pelo menos 23 deles em municípios da região do Seridó, a exemplo de Bodó, Currais Novos, Jardim de Angicos, Lagoa Nova e Parelhas.</p>



<p>Outros empreendimentos de energia eólica estão prestes a serem licenciados pelo Idema.</p>



<p>Um deles, cujo processo de licenciamento está em andamento no Idema, deverá ser erguido exatamente no território que, em abril deste ano, foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).</p>



<p>Os geoparques são áreas que devem ser preservadas por causa da relevância para se conhecer a história do planeta Terra. No caso do Seridó, além das formações geológicas únicas, existem também 21 sítios arqueológicos de inscrições rupestres pouco estudados e os raros santuários ecológicos na caatinga com felinos, araras maracanã e papagaios verdadeiros.</p>



<p>É <a href="https://geoparqueserido.com.br/">nesse geoparque</a> que o Idema deve licenciar o parque eólico Cordilheira dos Ventos que, antes mesmo de ser licenciado, já foi <a href="https://petronoticias.com.br/renova-energia-vende-parte-do-complexo-cordilheira-dos-ventos-para-a-aes-para-reduzir-seu-endividamento/">parcialmente vendido pela Renova Energia à AES Brasil</a>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Caatinga na região a ser ocupada pelo parque eólico Cordilheira dos Ventos é santuário de papagaios. Crédito: Jorge Dantas</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Depois de uma audiência pública no município de Cerro Corá, onde a equipe das empresas apresentou o relatório de um estudo cujas visitas de campo duraram apenas seis dias, a ONG Instituto Seridó Vivo mobilizou 92 especialistas, mestres e doutores de áreas tão variadas como Arqueologia, Geologia e Biologia para emitir uma nota técnica revelando a superficialidade do estudo e justificando porque a obra do Cordilheira dos Ventos não deve ser autorizada.</p>



<p>A nota técnica, cujo arquivo em PDF publicamos abaixo, foi ignorada pelo Idema.</p>



<p>Agora, as esperanças dos integrantes do Seridó Vivo estão depositadas na conversa de segunda-feira com a governadora Fátima Bezerra. O biólogo Damião Valdenor, integrante da ONG, explica: “Vamos tentar mostrar a ela a necessidade de definir um zoneamento no Rio Grande do Norte para os parques e convencê-la de não licenciar este e outros empreendimentos em um território tão sensível como o geoparque”.  Valdenor admite que, por alimentar esperanças na mudança de postura, as organizações do movimento popular têm agido com cautela na relação com o governo estadual para: “Todos nós ajudamos a eleger Fátima, mas chega uma hora que tudo tem seu limite”.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://pt.slideshare.net/IncioFrana1/rn-nota-tcnica-referente-ao-complexo-elico-cordilheira-dos-ventos-14042022-2pdf
</div></figure>



<h3 class="wp-block-heading">&#8230;e novas ameaças no mar</h3>



<p>Os pescadores e pescadoras do Rio Grande do Norte estão acompanhando a tramitação do <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/146793">Projeto de Lei 576/2021</a>, que regulamenta a produção de energia eólica offshore. Em português, com os aerogeradores instalados em alto mar. Se a proposta do senador Jean-Paul Prates for aprovada, a vida da comunidade pesqueira deverá ser diretamente afetada.</p>



<p>O pescador Luís Ribeiro, da Comissão Pastoral da Pesca, espera mais dificuldades a serem criadas pelas empresas, cujos parques no litoral já provocam vários problemas, do eterno barulho igual a um “helicóptero que nunca pousa” até as cercas que impedem pescadores e suas famílias de chegarem à praia pelas trilhas usadas há décadas.</p>



<p>“Vou dar um exemplo: todos os anos, dezenas de barcos saem de Macau, no norte do estado, para a pesca da albacora no litoral perto da divisa com a Paraíba. No meio do caminho, já estão projetados vários parques marítimos, que terão zona de exclusão e vão obrigar os pescadores a gastar mais óleo diesel”, explica Ribeiro, mais conhecido no mundo da pesca como “Itá”.</p>



<p>O uso das redes de pesca que ficam à deriva no mar, esperando os peixes também está ameaçado: o mapa mostra que os parques projetados ficam na rota das correntes que levam as redes e os cardumes. “Se uma rede dessas for parar no meio do parque e enroscar-se nas torres, o pescador não vai poder entrar na zona de exclusão, a não ser que queira levar tiro ou ter o barco apreendido pelos seguranças”, desabafa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Parques offshore já projetados para litoral do RN. Crédito: Ibama/MMA</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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			</item>
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		<title>Povo Kapinawá protesta contra parque eólico no Vale do Catimbau e em áreas do território indígena</title>
		<link>https://marcozero.org/povo-kapinawa-protesta-contra-parque-eolico-no-vale-do-catimbau-e-em-areas-do-territorio-indigena/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 May 2022 21:18:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[CPRH]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
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		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os indígenas Kapinawá, situados nas cidades de Buíque, Tupanatinga e Ibimirim, no Agreste de Pernambuco, estão preocupados com uma novidade que pode afetar diretamente o cotidiano de suas famílias: a instalação de um parque eólico na região. Denominado “Complexo Eólico Buíque”, o empreendimento está sendo desenvolvido pela empresa Energia de Buíque Ltda., prevê a ocupação [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os indígenas Kapinawá, situados nas cidades de Buíque, Tupanatinga e Ibimirim, no Agreste de Pernambuco, estão preocupados com uma novidade que pode afetar diretamente o cotidiano de suas famílias: a instalação de um parque eólico na região. Denominado “Complexo Eólico Buíque”, o empreendimento está sendo desenvolvido pela empresa Energia de Buíque Ltda., prevê a ocupação de uma área total de 3.049,51 hectares (o equivalente a mais de 4.270 campos oficiais de futebol) para a implantação de uma base de aerogeradores de energia eólica.</p>



<p>De acordo com lideranças Kapinawá e representantes do <a href="https://cimi.org.br/2022/05/parque-eolico-povo-kapinawa-contra-os-negocios-do-vento/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Conselho Indigenista Missionário (Cimi)</a>, além dos transtornos causados para a população que vivem nas áreas rurais, como problemas auditivos e psicológicos devido ao barulho constante das turbinas eólicas, a instalação do parque resultaria em um grande desmatamento da caatinga e uma degradação do solo.</p>



<p>“É um projeto que prevê a instalação de 70 turbinas eólicas em uma área de mais de 3 mil hectares. A área demarcada dos Kapinawá tem cerca de 12 mil hectares e esse parque eólico teria 3 mil hectares em uma área que faz divisa com a fronteira da terra indígena, além de ser muito próximo ao Parque Nacional do Vale do Catimbau, que é uma área de proteção integral com o objetivo de preservar a caatinga e os sítios arqueológicos que estão ali”, disse Daniel Maranhão Ribeiro, advogado do Cimi na Região Nordeste.</p>



<p>Ainda de acordo com Daniel Maranhão, parte da área requerida para a construção do Complexo Eólico Buíque está localizada em um território que está sendo reivindicado pelo povo Kapinawá para que seja demarcado. “O projeto prevê a instalação de um parque eólico na linha do território indígena demarcado e dentro da área reivindicada pelo povo Kapinawá para a ampliação territorial. O território dos Kapinawá foi demarcada em 1982, antes da constituição de 88, então, não foram observados todos os fatores, a demarcação foi realizada através de minutas e não agregou toda reivindicação do povo Kapinawá. Com isso, várias aldeias e áreas de ocupação tradicional ficaram de fora da demarcação. Exatamente em uma dessas áreas, que não foi demarcada, mas onde existem aldeias indígenas, é que está a previsão da instalação do parque eólico”, explicou o advogado.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/nao-e-energia-limpa-se-esta-desmatando-poluindo-nascentes-e-mudando-a-vida-das-pessoas-afirma-fisico-da-ufpe/" class="titulo">“Não é energia limpa se está desmatando, poluindo nascentes e mudando a vida das pessoas”, afirma físico da UFPE</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/energias/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Energias</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Licenciamento ambiental em andamento</strong></h2>



<p>O projeto do Complexo Eólico de Buíque já conta com um processo de licenciamento ambiental em andamento em órgãos reguladores como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). No site do Sistema Eletrônico de Informações do Iphan, é possível ter acesso aos documentos entregues pela Energia de Buíque Ltda com detalhes sobre a instalação do complexo eólico. De acordo com informações do Relatório Ambiental Simplificado (RAS), “o Complexo Eólico Buíque está projetado para uma capacidade de 315 MW, através da instalação de 70 aerogeradores da marca Vestas V150 de 4.500 kW, em uma área de aproximadamente 3.049,51 ha.”.</p>



<p>No mapa a seguir, é possível ver a área requerida para a instalação do empreendimento.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/05/relatorio-ambiental-simplificado-parque-eolico-buique-18_page-0001-300x212.jpg">
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	                                        <p class="m-0">Mapa disponível no Relatório Ambiental Simplificado apresentado ao IPHAN.
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>As imagens evidenciam que o complexo eólico toma uma parte do território indígena Kapinawá, do Parque Nacional do Vale do Catimbau e também das comunidades quilombolas Sítio Mundo Novo e Façola. Com isso, a instalação do parque afetaria tanto a população local quanto o meio ambiente, uma vez que estaria situado em territórios de povos originários e no Vale do Catimbau, reconhecido como um dos mais importantes conjuntos de sítios arqueológicos do país e instituído como Parque Nacional desde 2002.</p>



<p>Apesar da proximidade do empreendimento com áreas de preservação ambiental, fica constatado no RAS apresentado pela empresa que “a maioria dos impactos relacionados ao meio socioeconômico são considerados como positivos e não necessitam de medidas mitigadoras”. Os únicos impactos negativos listados pelo documento são: interferência na infraestrutura viária local; interferências no cotidiano da população; deposição inadequada de efluentes de resíduos sólidos; alteração da paisagem e acréscimo na demanda de serviços de saúde.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Relatório Ambiental Simplificado apresentado pela empresa Energia de Buíque Ltda ao Iphan na íntegra:</strong></li>
</ul>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://pt.slideshare.net/IncioFrana1/catimbaurelatorio-ambiental-simplificado-parque-eolico-buiquepdf
</div></figure>



<p>Procuramos a CPRH para esclarecer alguns pontos apresentados pela Energia de Buíque Ltda e questionar a instalação de um complexo de energia eólica em partes do território Kapinawá e do Parque Nacional do Vale do Catimbau, mas, até o fechamento desta reportagem, os questionamentos não foram respondidos. Pedimos que o órgão informasse um prazo para devolver a demanda, mas também não houve retorno quanto a isso. Assim que obtivermos respostas, publicaremos uma atualização.</p>



<p>Também tentamos contato com a empresa, através de um e-mail que consta em todos os sites onde a mesma está referenciada e anunciada com um endereço eletrônico em de nome Matheus Lopes, mas até o momento não recebemos retorno.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Protesto em Buíque contra o complexo eólico</strong></h3>



<p>Na última quinta-feira, 19 de maio, os indígenas Kapinawá realizaram um protesto no município de Buíque. Entoando cantos e segurando faixas com frases como “Não aceitamos parque eólico no território Kapinawá”, os manifestantes caminharam pelas ruas da cidade.</p>





<p>No mês de fevereiro, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) encaminhou uma carta denúncia sobre a instalação do complexo eólico em Buíque aos Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública da União. No início deste mês, a Defensoria Pública chegou a se reunir com os indígenas Kapinawá.</p>



<p>“O nosso objetivo é garantir que não haja nenhum prejuízo à vida do povo Kapinawá, que hoje conta com mais de 5 mil pessoas. A gente sabe que para os povos indígenas o território é tudo e tem uma centralidade na vida, é do território que vem a religião, o sustento, a tradicionalidade da família e toda a sua cultura. Por isso, pensarmos que existe um projeto que está sendo feito às escondidas dentro de uma área de reivindicação de ampliação do território Kapinawá é um absurdo”, afirmou Daniel Maranhão.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://pt.slideshare.net/IncioFrana1/catimbaudenuncia-povo-indigena-kapinawa-construcao-parque-eolico-mpfpdf
</div></figure>



<p>“Quando o povo tomou conhecimento do projeto ficou muito surpreso e preocupado. Muitas pessoas do povo Kapinawá são agricultores e agricultoras e a extinção de pássaros e abelhas afetaria a polinização e prejudicaria as lavouras além do desmatamento, do barulho, da poluição visual e de todos os problemas de saúde que são acarretados pela instalação desses parques eólicos”, completou o advogado.</p>



<p>Em um mapa feito pelo Cimi e compartilhado pelo advogado Daniel Maranhão, é possível visualizar mais nitidamente quantas e quais aldeias serão afetadas diretamente pela instalação do complexo eólico.</p>



<p>Além dos riscos apresentados, os indígenas afirmam ser vítimas de ameaças e perseguições constantes de posseiros e fazendeiros da região e temem que a situação se agrave com a instalação do complexo eólico. “Ante a falta de proteção do território, ausência de políticas públicas e conclusão da demarcação do território integral de ocupação tradicional Kapinawá, o povo enfrenta no Poder Judiciário duas ações de reintegração de posse (processo n° 0000307-20.2013.4.05.8310 e Processo nº 0000306-35.2013.4.05.8310) de áreas inseridas no perímetro reivindicado pelo povo, áreas que ficaram de fora da demarcação inicial”, declaram os Kapinawá em um trecho da carta denúncia.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Mapa da área prevista a ser ocupada pelo parque eólico. Créditos: Arquivo pessoal /Daniel Maranhão (Cimi)
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Articulação para fiscalizar os parques eólicos</strong></h2>



<p>Sabendo do aumento no número de parques eólicos instalados no estado na última década e o projeto de expansão deste modelo de geração de energia, entidades que lutam pela vida no campo, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Cáritas e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares de Pernambuco (Fetape), se articularam para enfrentar o impacto das eólicas em Pernambuco. O objetivo da iniciativa é promover um maior diálogo com os órgãos de regulação do estado, como o Conselho Estadual de Meio Ambiente e a CPRH, a fim de promover estudos mais aprofundados sobre as instalações dos parques eólicos e endurecer a fiscalização ambiental dos empreendimentos.</p>



<p>“O que nós reivindicamos é que a transição da matriz energética seja popular, justa e inclusiva porque o que a gente percebe é que há um novo processo de colonização do Nordeste a partir da exploração do vento e do sol”, declarou Milena Fraga, assessora de Políticas para o Meio Ambiente da Fetape.</p>



<p>De acordo com Milena, a especulação por áreas do Agreste de Pernambuco tem crescido nos últimos anos e a instalação de grandes complexos de energia eólica pode causar um impacto negativo para a natureza do bioma, majoritariamente composto pela caatinga. A assessora revelou que além de Buíque, há projetos de instalações de parques eólicos previstos para os municípios de Belo Jardim e Brejo da Madre de Deus. </p>



<p>“As regiões que eles [empresários] escolhem são regiões de proteção ambiental, como é o caso do Brejo da Madre de Deus e Belo Jardim, onde existe toda uma área rica em torno do açude do Bitury, conhecida como Mata do Bitury, e que integra mais de 1.200 nascentes fazendo com que aquela região seja responsável pelo abastecimento de água para vários municípios do agreste. Até o momento, nesses locais, estão apenas em fase de estudo, mas em locais como Caetés, onde o parque já foi instalado, a gente já vê o impacto negativo na convivência com o semiárido e com a caatinga”, disse Milena Fraga.</p>



<p>Atualmente, a Fetape integra um Grupo de Trabalhos no Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) sobre os empreendimentos de energia eólica em Pernambuco. Em março deste ano, a organização elaborou um ofício pautando a discussão de mudanças no processo de licenciamento dos parques eólicos.</p>



<p>Entre as propostas apresentadas pela Fetape, estão o mapeamento de áreas que podem ou não receber parques eólicos; criação de leis e normativas para regulamentar o processo de licenciamento das empresas para proteger os brejos de altitude, mata atlântica e caatinga; realização de audiências públicas para conscientizar a sociedade civil e também as autoridades municipais; responsabilização das empresas e reparação das famílias afetadas, podendo retirar as torres de perto das casas e fiscalização do processo de compensação realizado pelas empresas.</p>





<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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			</item>
		<item>
		<title>Entenda por que os parques de energia eólica estão piorando a vida das famílias de agricultores no agreste</title>
		<link>https://marcozero.org/entenda-porque-os-parques-de-energia-eolica-estao-piorando-a-vida-das-familias-de-agricultores-no-agreste/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 May 2022 14:19:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Caetés]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia limpa]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[parques eólicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Imagine ouvir durante todo o dia um ruído que lembra o de um avião sobrevoando a sua casa em uma altura relativamente baixa. É essa a realidade dos moradores do Sítio Sobradinho, localizado no município de Caetés, no Agreste de Pernambuco. Desde 2015, após a instalação de um parque eólico da empresa Cubico Sustainable Investments [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Imagine ouvir durante todo o dia um ruído que lembra o de um avião sobrevoando a sua casa em uma altura relativamente baixa. É essa a realidade dos moradores do Sítio Sobradinho, localizado no município de Caetés, no Agreste de Pernambuco. Desde 2015, após a instalação de um parque eólico da empresa Cubico Sustainable Investments na região, as famílias de pequenos agricultores tiveram suas rotinas alteradas e “perderam completamente o sossego”.O barulho constante, em volume alto, é só um dos problemas dos camponeses vizinhos das turbinas eólicas em forma de gigantescos cata-ventos.</p>



<p>“Depois da implantação desse parque foi muito sofrimento para os moradores daqui por causa do barulho que é demais, a poeira também. Quando foram implantar o parque, tiveram que explodir algumas pedras para colocar as torres eólicas e muitas casas ficaram rachadas, a minha foi uma delas e até hoje está assim. Procuramos os responsáveis, mas eles nunca resolveram o nosso problema”, conta Roselma de Melo, moradora do Sítio Sobradinho.</p>



<p>Com sua casa cercada pelos aerogeradores, que são responsáveis por captar o vento e converter em energia, Roselma teme que as estruturas desabem e causem um grave acidente. “Com o passar do tempo as torres estão se desgastando, ficando velhas, e por mais que façam manutenção, o risco delas caírem é alto, há pouco tempo a hélice de uma delas caiu bem atrás da minha casa”, recorda, entregando um vídeo com o registro da queda da hélice.</p>



<p>Roselma é uma das poucas pessoas que permanece no local, pois muitas famílias venderam seus terrenos e casas, mudando para outras regiões. Ela resiste e cobra dos responsáveis pelo parque eólico uma solução, pois já não há mais condições de continuar habitando o território onde vive há pelo menos 13 anos. “O que todo mundo agora está esperando é a indenização pra gente poder sair do canto da gente pra ir morar em outro lugar. Não temos outra escolha”, disse.</p>



<p>A proximidade das torres eólicas da casa de Roselma, onde ela vive junto com o marido, seus dois filhos e seus sogros, é surpreendente e assustadora. Ao lado e atrás de sua propriedade os aerogeradores estão a apenas 150 metros. O barulho dos motores é ininterrupto e perturbador. Segundo ela, à noite, por volta das 22h, os ruídos ficam ainda mais altos. “A gente vive com medo, qualquer barulho a gente já pensa que são elas [torres] caindo por cima da casa, tem noite que a gente levanta com o barulho delas e já vimos algumas pegando fogo”, declarou a dona de casa.</p>



<p>“Depois da implantação muitos animais cismaram e fugiram daqui. Antes era comum, hoje em dia dificilmente a gente escuta o canto dos pássaros aqui, muitos dos animais que viviam por aqui a gente não vê mais, sumiram e eu acho que foi porque eles ficaram assustados com o barulho das torres”, completou Roselma.</p>



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	                                        <p class="m-0">Turbina eólica no quintal de Roselma de Melo, no Sítio Sobradinho, em Caetés. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">D<strong>e sítio para parque eólico</strong></h2>



<p>Devido ao barulho dos aerogeradores, problemas de saúde como insônia, ansiedade, depressão e perda da audição se tornaram comum entre os agricultores do Sítio Sobradinho. Para muitos, dormir agora só é possível com a ajuda de remédios.O caso de Edna Pereira, a situação é ainda mais grave. Logo após sobreviver a uma delicada cirurgia para a retirada de um tumor na cabeça, Edna precisou conviver com as mudanças causadas pela instalação do parque eólico em sua propriedade e em toda a vizinhança. </p>



<p>“Eu não consigo dormir e não tenho mais sossego, fico muito agitada. A cada vez que eu vou ao médico, ele aumenta a dose de minha medicação porque eu não consigo dormir e os remédios nem fazem mais efeito. O barulho dessas torres me prejudica muito, mas os médicos dizem que não podem fazer nada porque não é culpa deles que tenham instalado as torres”.Com o tempo, as coisas só pioraram. “Há poucos dias eu me assustei com um barulho nas torres, caí e bati com a cabeça no chão. Os médicos pediram para eu fazer uma ressonância, mas eu ainda não fiz porque não tenho condições de pagar e estou esperando”, completou Edna.</p>



<p>“Desesperançada da vida”, ela perdeu mais de 10 quilos. “Como é que eles [empresários] chegam aqui e botam essas coisas [aerogeradores] sem pedir permissão a ninguém? Antes aqui era Sítio Sobradinho e agora já não é mais, agora eles é que são os donos e não pode ser assim, nós temos nossos direitos. Eu não quero sair do meu lugar porque meu lugar era muito sossegado, um lugar para você viver a vida inteira e agora não tem mais como eu viver aqui. Como é que eles podem vir fazer isso e tirar a paz da gente? Eu não me conformo com isso não”, desabafou Edna Pereira.</p>



<p>Assim como Roselma e sua família, Edna espera que a empresa compre o seu terreno para que ela possa se mudar, enquanto não consegue, a dona de casa tem procurado refúgio na casa de sua filha, que mora um pouco mais distante dos limites do parque.</p>



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	                                        <p class="m-0">Edna Pereira mostra as caixas dos remédios que usa continuamente. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo. 
</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading">O incidente que alimentou o medo</h3>



<p>Mencionado nos primeiros parágrafos dessa reportagem, o incidente da queda da hélice assustou os moradores do Sítio Sobradinho. Foi no final de 2021 quando uma das &#8220;pás&#8221; da torre que fica nos fundos do terreno de Roselma de Melo explodiu e caiu. A proximidade da torre levou pânico à família e aos vizinhos.“No dia que a hélice quebrou foi muito assustador. Era de manhã cedo, meus filhos estavam dormindo ainda quando, de repente, a gente ouviu a explosão, no lugar que ela caiu destruiu todas as plantas. Isso porque foi só um pedaço da hélice, se tivesse sido a torre toda tinha feito um estrago muito maior”, relatou Roselma.</p>



<p>Em um vídeo gravado pela família, é possível ver os pedaços da hélice se desprendendo da torre enquanto o motor emite um forte ruído.</p>





<p>“Foi um tiro condenado quando ela estourou, voou material pra todo canto. Tinha uma casa perto, caiu um pedaço no terreiro da casa, só não fez um estrago maior porque tinham uns cabos e ela ficou pendurada, mas ainda voaram muitos pedaços”, afirmou o agricultor Luiz Bezerra,  vizinho do local do incidente.</p>



<p>A queda da hélice destruiu um trecho da vegetação local, mas foi pouco diante do desmatamento já realizado naquele trecho da caatinga. Para realizar o transporte do material para a instalação e manutenção dos aerogeradores, a empresa precisou construir novas estradas de acesso, desmatando uma grande área de vegetação nativa. As novas estradas, por sua vez, trouxeram outro problema inédito em Sobradinho: a violência. “Depois que fizeram essas estradas tá todo mundo com medo, muita gente já foi roubada”, revelou Edna Pereira.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mulheres-agricultoras-marcham-na-paraiba-contra-impacto-negativo-da-energia-eolica-na-zona-rural/" class="titulo">Mulheres agricultoras marcham na Paraíba contra impacto negativo da energia eólica na zona rural</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/energias/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Energias</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h4 class="wp-block-heading"><strong>O que diz a empresa</strong> Cubico Investments?</h4>



<p>Durante seis dias, a Marco Zero tentou contato com a empresa <a href="https://www.cubicoinvest.com/pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cubico Sustainable Investments</a> através do site e pelo e-mail corpotivo de Louis Scorza, apresentado no site como diretor de comunicações da empresa, mas até o fechamento desta reportagem não recebemos nenhum retorno.</p>



<p>Criada em 2015, a Cubico tem sede em Londres e conta com projetos de energia renovável em tecnologias eólica, solar fotovoltaica e solar térmica, em 12 países, entre eles, Uruguai, México, Portugal, Estados Unidos e Espanha. No Brasil, a empresa tem sedes filiais nos estados de São Paulo e Fortaleza e operações nas cidades de Caetés, em Pernambuco e Araripe, no Piauí.</p>



<p>Na aba “Sobre Nós &#8211; Quem Somos” do site oficial da empresa, a Cubico afirma o seguinte: “Estamos totalmente comprometidos em desempenhar um papel significativo na transição para um mundo de energia limpa, respeitando o meio ambiente e o desenvolvimento social das comunidades em que operamos. Somos apaixonados por moldar o futuro da energia com um negócio de investimento de longo prazo que gere crescimento constante, margens elevadas e alto valor para nossos acionistas”.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O que diz a CPRH</strong>?</h4>



<p>A reportagem também procurou a Agência Estadual de Meio Ambiente CPRH, para solicitar esclarecimentos sobre a instalação do parque eólico na cidade de Caetés, mas até o fechamento da matéria não obtivemos retorno. Assim que a demanda for atendida o texto será atualizado.</p>



<p>Entre os questionamentos enviados à CPRH, estão: “A CPRH cedeu a licença de operação à empresa Cubico?”; “Antes de ceder a licença a CPRH dialogou com os moradores da região? E ou fez um estudo da área?”; “A Cubico apresentou algum plano para reflorestar a área que foi desmatada para a instalação das torres e construção de estradas? Se sim, esse plano está sendo cumprido?”.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p></p>



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	                                        <p class="m-0">Parque eólico da Cubico Sustainable Investments em Caetés, Pernambuco. Créditos: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo. 
</p>
	                
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<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>
</div></div>



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		<title>Energia solar esquenta debate internacional no sertão da Paraíba</title>
		<link>https://marcozero.org/energia-solar-esquenta-debate-internacional-no-sertao-da-paraiba/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Oct 2018 17:50:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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		<category><![CDATA[energia fotovotaica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Numa eleição em que&#160;os temas morais têm dominado o debate público, pouco se discute as questões ambientais na pauta dos candidatos em disputa. No entanto, às vésperas das eleições que podem definir o futuro do Brasil, o tema foi debatido sob várias perspectivas no encontro internacional realizado nas cidades de Cajazeiras, Souza e Pombal, no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Numa eleição em que&nbsp;os temas morais têm dominado o debate público, pouco se discute as questões ambientais na pauta dos candidatos em disputa. No entanto, às vésperas das eleições que podem definir o futuro do Brasil, o tema foi debatido sob várias perspectivas no encontro internacional realizado nas cidades de Cajazeiras, Souza e Pombal, no Semiárido paraibano, entre os dias 09 e 17 desde mês. O foco do encontro foram preservação ambiental, segurança hídrica, mudanças climáticas e energias renováveis.

Promovido pelo Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, a ONG CERSA (Comitê de Energias Renováveis do Semiárido), Cáritas Brasileira, Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil e MISEREOR, o evento reuniu pouco mais de 70 pessoas entre acadêmicos, especialistas, militantes do Brasil, Bolívia, Peru e Alemanha (país que domina tecnologias mais avançadas em energias renováveis), acompanhados de jornalistas brasileiros, do Chile, Peru e Inglaterra, a convite da IPS (Inter Press Service – América Latina).

Durante o evento, os participantes participaram de um curso sobre implementação e manutenção de energia fotovoltaica oferecido às delegações do Brasil, Bolívia, Peru e Alemanha. A intenção foi difundir o uso de uma energia menos impactante ao meio ambiente e fortalecer a rede de luta por energias renováveis. A programação do curso incluiu visitas a locais onde a energia solar, abundante na região do semiárido nordestino, está sendo usada para levar eletricidade a residências de agricultores e estabelecimentos comerciais como postos de gasolina, hotel, lojas, uma padaria, um cemitério particular e uma igreja.

<div id="attachment_11343" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-2.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11343" class="wp-image-11343 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-2-300x200.jpg" alt="DESCRIÇÃO: Foto de duas pessoas sentadas com dois banners do evento atrás.  Da esquerda para direita: César Nóbrega e Mariana Moreira. Ele usa camisa verde e chapéu de sertanejo, ela camisa vermelha. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="300" height="200"></a><p id="caption-attachment-11343" class="wp-caption-text">DESCRIÇÃO: Foto de duas pessoas sentadas com dois banners do evento atrás. Da esquerda para direita: César Nóbrega e Mariana Moreira. Ele usa camisa verde e chapéu de sertanejo e ela usa camisa vermelha. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Há quatro anos, o Comitê de Energias Renováveis do Semiárido atua para popularizar a discussão sobre fontes alternativas de energia, seus benefícios e os cuidados necessários. No sertão paraibano, o trabalho com associações de pequenos produtores, universidades e da comunidade acontece nos municípios de Souza, Cajazeiras, Pombal e Aparecida. “O sol é uma grande fonte de energia, mas pouco discutido. O custo da energia elétrica faz diferença no bolso do cidadão, na vida do pequeno agricultor e, para nós, a maior conquista é ver a população debatendo energias renováveis”, comenta César Nóbrega, coordenador-geral do CERSA e membro da diretoria da Frente por Uma Nova Política Energética. “O pano de fundo de todas essas discussões é a questão climática, o aquecimento do planeta, a escassez da água. Podemos ter o sertão todo desertificado pela falta d&#8217;água e por que não aproveitarmos o sol como fonte de geração de energia e renda?”, completa. No Brasil a principal fonte de energia vem das hidroelétricas.

O principal desafio da rede é tensionar a sociedade para criação de políticas públicas que beneficiem os mais pobres. “Nosso trabalho é mostrar à comunidade que é possível ter o sol como aliado. É empoderando essas pessoas que conseguiremos cobrar políticas públicas. É preciso enxergar a energia não como uma mercadoria, mas como um bem que diz respeito a vida, que alimenta a vida”, enfatiza Nóbrega.

Atualmente, alguns projetos pilotos funcionam em comunidades rurais da região. No município de Pombal, um grupo de camponesas construiu uma padaria solar e um biodigestor. Na agrovila do assentamento Acauã, município de Aparecida, as placas de energia solar alimentam a bomba d&#8217;água que abastece as 114 famílias de trabalhadores rurais. Parte da energia do campus da Universidade Federal de Campina Grande em Pombal é proveniente da instalação das placas de energia solar instaladas para as pesquisas.

<div id="attachment_11349" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-3.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11349" class="size-medium wp-image-11349" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-3-300x200.jpg" alt="DESCRIÇÃO: Na foto aparecem duas pessoas sentadas. No centro, Joilson. Ele usa camisa social e gesticula. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="300" height="200"></a><p id="caption-attachment-11349" class="wp-caption-text">DESCRIÇÃO: Na foto aparecem duas pessoas sentadas. No centro, Joilson. Ele usa camisa social e gesticula. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

O investimento de instalação do sistema para uma residência mediana (4 pessoas) custa cerca de R$ 8 mil. O retorno do investimento leva cerca de seis anos, mas nunca houve investimento público nessa experiência. “Hoje só quem tem mais condições financeiras consegue investir em um sistema fotovoltaico, por exemplo. Já quem vive da agricultura familiar, maior fonte de renda local, ainda não consegue arcar com esses custos”, lamenta Joilson José Costa, da Articulação Frente Energética.

No atual contexto de cortes drásticos nos investimentos sociais, de desmonte do ensino e da saúde, além das políticas que beneficiam as privatizações, a experiência no sertão paraibano surge como uma perspectiva concreta para o futuro. “Acreditamos na luta. É importante a gente manter o debate sobre a questão energética, mas não apenas tecnologicamente, precisamos avançar na questão política. Se fala muito em desenvolvimento, mas que desenvolvimento queremos. Para quem? Até onde o planeta comporta tanta exploração?”, mais uma vez questiona Nóbrega.

A rede de luta por energias renováveis defende um modelo de descentralizado, em que possibilite que cada casa possa ter o seu sistema de energia renovável, sem depender das grandes distribuidoras de energia. De acordo com Ivo Poletto, estudos já apontam que 40% dos telhados de Brasília, por exemplo, são capazes de gerar a energia necessária para abastecer a cidade. “Com as placas, a Capital Federal poderia produzir o dobro da energia que precisa. A energia solar será necessária. É uma energia desejável. Não existe energia limpa, avaliamos que essa é menos danosa”, explica o assessor do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social.

<strong>O sol nasce para todos em Sousa</strong>

<div id="attachment_11347" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-7.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11347" class="wp-image-11347 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-7.jpg" alt="DESCRIÇÃO: A foto é do  Campus Pombal, da Federal de Campina Grande, e mostra as placas de energia solar. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="900"></a><p id="caption-attachment-11347" class="wp-caption-text">DESCRIÇÃO: A foto é do Campus Pombal, da Federal de Campina Grande, e mostra as placas de energia solar. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Mesmo distante 438 km da ponta do Seixas, o ponto mais oriental do Brasil – e onde o sol nasce primeiro, como martela o slogan da publicidade oficial da Paraíba –, Sousa despertou primeiro para os poderes e os benefícios da energia solar.

As condições climáticas que garantem a eficiência da energia solar levaram à criação do Comitê de Energias Renováveis do Semiárido (CERSA) que passou a atuar no extremo oeste do estado junto às universidades locais (UFPB e Federal de Campina Grande), ao Instituto Federal da Paraíba e a uma rede de apoio nacional, capacitando as comunidades para o uso de uma energia mais limpa que a gerada pelas hidrelétricas.

Cursos para formação de técnicos já foram oferecidos pelo CERSA, uma vez que o diálogo com a comunidade é considerada a fase mais importante do trabalho. “Acreditamos que nenhuma iniciativa pode ser imposta. Explicar os benefícios que vão desde a economia financeira até a preservação do meio ambiente é papel do educador social e é assim que nós conscientizamos. Diante disso, apresentamos os projetos pilotos e escutamos da comunidade se elas desejam aquilo. Só depois treinamos as pessoas para o uso e manutenção das placas e implementamos o sistema. É fundamental nesse processo que elas mesmas aprendam a manutenção para baratear o processo e oferecer uma vida mais longa as placas”, explica César Nóbrega.

<div id="attachment_11345" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11345" class="size-medium wp-image-11345" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/Sousa_PB_-5-300x200.jpg" alt="DESCRIÇÃO: A foto é do prefeito Tyrone, do busto para cima, ele está em pé, falando com microfone e usa paletó preto. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="300" height="200"></a><p id="caption-attachment-11345" class="wp-caption-text">DESCRIÇÃO: A foto é do prefeito Tyrone, do busto para cima, ele está em pé, falando com microfone e usa paletó preto. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

De acordo com o prefeito de Sousa, Fábio Tyrone (PSB), foi solicitado um estudo para implementação de energia solar nos prédios públicos de Sousa. De acordo com Tyrone, a empresa que será licitada fará a instalação das placas de captação e gerenciamento do sistema e, com a economia gerada com a redução das contas de energia, cerca de R$ 6 milhões ano, será feito o pagamento. A expectativa é que em até seis anos a dívida com a empresa seja quitada. Após análise de viabilidade do primeiro projeto existe a possibilidade de também ser utilizada energia fotovoltaica para suprir a iluminação pública. O estudo ainda não foi concluído.

As placas utilizadas têm potências variadas, são de fácil manuseio e duram entre 25 e 30 anos. Elas funcionam interligadas à companhia elétrica de cada estado e podem acumular mais energia, gerando um saldo em quilowatts acumulativo em até cinco anos. Uma empresa que gere mais energia do que consome pode dividir com outra unidade de mesmo CNPJ. O mesmo vale para as pessoas físicas. Pela legislação brasileira, em nenhuma situação a conta de energia será zerada. De acordo com a resolução 414/2010 da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), em todos os casos, será cobrada uma taxa mínima pela concessionária de energia, pelo uso de conectividade. Qualquer brasileiro pode instalar o sistema de energia solar, mas é preciso autorização da concessionária.

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