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	<title>Arquivos entrevista - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos entrevista - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Lula critica mercado financeiro e defende novas narrativas em entrevista à mídia independente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Feb 2023 21:51:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na véspera de completar um mês dos ataques golpistas às sedes dos três poderes da República, o presidente Lula concedeu entrevista a 40 veículos da mídia independente no salão leste do primeiro andar do Palácio do Planalto, em Brasília. A Marco Zero estava presente. Não há mais vidros quebrados e estilhaços pelo chão, mas as [&#8230;]</p>
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<p>Na véspera de completar um mês dos ataques golpistas às sedes dos três poderes da República, o presidente Lula concedeu entrevista a 40 veículos da mídia independente no salão leste do primeiro andar do Palácio do Planalto, em Brasília. A Marco Zero estava presente. Não há mais vidros quebrados e estilhaços pelo chão, mas as marcas da violência continuam lá, nos tapumes de madeira que, agora, cobrem provisoriamente parte da fachada do prédio.</p>



<p>Por pouco mais de uma hora e meia, o presidente respondeu a uma dezena de perguntas dos jornalistas. Direta ou indiretamente, o tema principal na mesa do café da manhã com a imprensa foi a ameaça à democracia que vem do bolsonarismo raiz e truculento, mas que também tem aliados no mercado financeiro, na mídia corporativa, nas Forças Armadas e no Congresso Nacional.</p>



<p>O que ficou evidente é que a ameaça ao estado democrático de direito tem muitas caras, mas uma estratégia em comum: desgastar o governo Lula, minando sua agenda econômica e social.</p>



<p>O presidente contou um pouco como tem mobilizado sua energia política para fazer frente aos movimentos de desestabilização. O mais recente deles veio do Banco Central, agora autônomo, que manteve a taxa de juros em 13,75%, o que pode, do ponto de vista do governo, paralisar a economia e comprometer a agenda de Lula de combater a fome, gerar mais emprego e renda para os brasileiros.</p>



<p>O presidente do BC, Campos Neto, foi indicado por Bolsonaro e referendado pelo Senado. “Não é só meta de inflação, tem que ter meta de crescimento, senão fica um ser humano com uma perna só. Ele (Campos Neto) não deve explicações a mim, ele deve ao Congresso Nacional, que o indicou. Eu espero que o Haddad (Fernando, ministro da Fazenda) esteja vendo, esteja acompanhando, que esteja cioso pra saber o que tem que fazer”.</p>



<p>Lula também criticou a postura de setores do chamado “mercado”, que pressionam o governo a reduzir gastos e adotar uma política de ajuste fiscal, mas que tem pouco compromisso com as questões sociais.</p>



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	                                        <p class="m-0">Marco Zero participou do primeiro encontro de Lula com a mídia independente digital. Crédito: Ricardo Stuckert</p>
	                
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<p>“O mercado precisa ter sensibilidade. Não é só para ganhar dinheiro, mas permitir que os outros possam ganhar alguma coisa. O mercado, às vezes, fica esperando que a gente se faça confiar. Tantas vezes parece que a gente tem que pedir ao mercado: ‘goste de mim, me deixe governar, me deixa fazer as coisas para as quais eu fui eleito e a gente tem que fazer’. Temos que construir uma narrativa contrária à do mercado”.</p>



<p>O presidente citou nominalmente o megainvestidor Jorge Paulo Lemann, um dos maiores acionistas das Lojas Americanas, empresa acusada de fraudar os balanços e que soma um rombo de 40 bilhões de reais. “Eu as vezes fico chateado quando faço esse discurso (de investimento no social) e dizem que o mercado ficou nervoso. O mercado ficou nervoso quando o Lemann quebrou a Americanas? Deu um desfalque de 40 bilhões? Eu não vi. Mas para aumentar dois reais do salário mínimo, o mercado fica nervoso? Precisamos construir as nossas narrativas para que a gente não abra mão daquilo para o qual a gente foi eleito”, reiterou.</p>



<p>Uma outra frente que o presidente tem se empenhado em colocar nos eixos são as Forças Armadas. Ele contou que teve conversa com os comandantes da Marinha, da Aeronáutica e do Exército e alertou que não é prudente que nenhuma instituição do Estado esteja envolvida na política, citando Forças Armadas, Ministério Público e o Itamaraty. “Não podem fazer da sua atividade privilegiada, de Estado, um partido político. Eu disse pro general (Tomás Miguel) que, lamentavelmente, o Exército de Caxias foi transformado no Exército de Bolsonaro, o que não é uma boa coisa pra esse país”.</p>



<p>O general Tomás deu declarações públicas, antes mesmo de ser nomeado para o comando do Exército, contrárias à politização das Forças Armadas.</p>



<p>Segundo o presidente Lula, as Forças Armadas aprenderam uma lição. “Se cada um ficar no seu lugar, se cada um cumprir a sua missão, esse país volta à normalidade. É para isso que eu quero contribuir no meu mandato. O Judiciário julga, o Legislativo legisla e o Executivo executa. Se cada um fizer isso, vai dar tudo certo. Se cada um quiser se meter nas coisas dos outros, não vai dar certo”.</p>



<p>O discurso propagado nas redes sociais contra a política e os políticos diz muito como chegamos até aqui, com o avanço do autoritarismo no Brasil, na visão de Lula. “O que nós vivemos no Brasil foi a negação da politica, dizendo que a política não presta, que todo político é ladrão, que o Congresso não presta. Mas a gente só precisa levar em conta que o Congresso de hoje é o estado de humor e a qualidade de informação que o povo tinha no dia da eleição. Não podemos ficar lamentando. Precisamos tentar consertar daqui a quatro anos outra vez”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Da prisão à Casa Branca</h2>



<p>Questionado sobre a volta por cima que deu ao sair da prisão, reconquistar seus direitos políticos e vencer a eleição presidencial, Lula falou do passado e o quanto ele pesa agora em suas decisões políticas. “Na verdade, quando eu fui para a Polícia Federal, eu fui para provar a culpa dos meus acusadores. Provar que meus acusadores foram imorais no meu julgamento. Foram levianos no meu julgamento. Provei não só a minha inocência, mas a culpabilidade deles. Agora, vida que segue. Não vou esquecer, mas não vou colocar isso na mesa das negociações para governar o Brasil. Se você colocar na mesa esse sentimento, você não governa o Brasil. Muitos dos meus acusadores negavam a política e viraram políticos”.</p>



<p>Na próxima quinta-feira (9), o presidente Lula terá encontro de chefe de Estado com o presidente norte-americano Joe Biden, em Washington. Será a primeira vez que os dois se encontrarão pessoalmente desde a eleição de Lula. Um dos temas principais da pauta é a preservação do meio ambiente e a crise climática. Mas o presidente brasileiro também pretende tratar de temas que estão diretamente ligados à democracia no mundo, discutindo regulação da plataformas digitais, propagação de discursos de ódio, mentiras e desinformação nas redes sociais. Ele defende que a questão seja levada a vários fóruns internacionais, como o G-20 e os Brics (termo utilizado para designar o grupo de países de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).</p>



<p>Lula não acredita que Biden possa pedir seu apoio para o esforço de guerra na Ucrânia porque o compromisso do Brasil é com a paz. Ele informou já ter tratado do assunto com o chanceler alemão Olaf Scholz e com o presidente francês Emamanuel Macron. “Precisamos criar um grupo dos 20 para discutir a questão da paz como tivemos o G-20 para discutir a crise econômica de 2008. Hoje não temos ninguém discutindo a paz. Os Estados Unidos não discutem a paz e a Europa toda está envolvida na guerra direta e indiretamente. Quem pode negociar a paz são os países que não estão envolvidos na guerra: China, Índia, Brasil, México. Dirigentes políticos que podem conversar com os dois lados”.</p>



<p>No final do café da manhã com a mídia independente, ficou a promessa do ministro da Comunicação Paulo Pimenta e do próprio Lula de que outros encontros virão e que os grupos de mídia serão convidados a participar de fóruns de debate do governo com a sociedade civil para formatar uma política de fomento ao setor.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa&nbsp;</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a>&nbsp;</strong><em>ou, se preferir, usar nosso&nbsp;</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong><em>.</em></cite></blockquote>
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		<title>Erica Malunguinho: alternar o poder é ter raça e gênero como fundamento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jan 2020 18:54:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nascida no bairro de Água Fria, no Recife, a deputada estadual de São Paulo Erica Malunguinho (Psol-SP) é também a primeira mulher trans negra a ocupar um cargo legislativo no Brasil (juntamente com Robeyoncé Lima e Erika Hilton, eleitas em 2018, integrantes de mandatos coletivos em Pernambuco e São Paulo) e, acredite, no mundo. Ainda [&#8230;]</p>
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<p>Nascida no bairro de Água Fria, no Recife, a deputada estadual de São Paulo Erica Malunguinho (Psol-SP)  é também a primeira mulher trans negra a ocupar um cargo legislativo no Brasil (juntamente com Robeyoncé Lima e Erika Hilton, eleitas em 2018, integrantes de mandatos coletivos em Pernambuco e São Paulo) e, acredite, no mundo. Ainda assim, essa definição não dá conta de quem Malunguinho é e da política que constrói há anos, seja com o quilombo urbano que criou &#8211; a <a href="https://www.instagram.com/aparelhaluzia/">Aparelha Luzia</a> &#8211; seja no <a href="https://www.almapreta.com/editorias/realidade/erica-malunguinho-o-dia-da-posse-da-primeira-deputada-negra-trans-do-brasil">processo de &#8220;reintegração de posse</a>&#8221; que deu início ao entrar de branco, da cabeça aos pés, na cerimônia de posse na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Não só ela, mas uma multidão do povo preto vestindo branco, do candomblé, a acompanhou. </p>



<p>Também no dia a dia, Erica e seu gabinete, a <a href="https://www.instagram.com/mandataquilombo/">Mandata Quilombo</a>, transformam radicalmente a atmosfera da Alesp. Com um gabinete formado apenas por pessoas negras, ali reside um fragmento do que está por vir: a ocupação legítima da maioria da população nos espaços de poder. Radical, inclusive, é a palavra que define o projeto político-pedagógico da sua legislatura. Raça e gênero são os dois fundamentos inegociáveis da ação política de Erica. </p>



<p>Após o primeiro ano de legislatura, a deputada avalia que 2019 foi o ano de aprendizado e &#8220;sistematização&#8221; das lutas do povo negro dentro da institucionalidade. &#8220;Foi um ano de entender como é que a institucionalidade se torna um lugar possível, viável ou não viável para as lutas, as pautas e as questões que vêm da sociedade&#8221;, explica. </p>



<p>Neste primeiro ano, ela aprovou a criação das frentes parlamentares em <a href="https://ponte.org/a-vez-da-populacao-lgbt-na-assembleia-legislativa-de-sp/">Defesa da População LGBTGI+</a> e da População em Situação de Rua, temas até então invisibilizados ou pouco debatidos na casa legislativa. </p>



<p>Após meses de uma primeira tentativa de entrevista, a repórter Débora Britto, da Marco Zero Conteúdo, pôde conversar por cerca de duas horas com a deputada sobre o balanço da Mandata, política partidária, o projeto político do povo negro, ancestralidade, relação com as esquerdas e eleições 2020, entre outros temas. Não por acaso, os caminhos iniciados há tempos pela ancestralidade possibilitaram, finalmente, este encontro. </p>



<p>Confira abaixo a entrevista. </p>



<p><strong>Como tem sido a experiência de construção do Projeto Político Pedagógico Mandata Quilombo? ?</strong></p>



<p>Somos uma equipe, uma coletividade que foi escolhida e pensada a partir do compromisso que essas pessoas já mantinham nas suas militâncias diversas, em diversos espaços. O desafio era sistematizar essas lutas políticas e colocá-las dentro da institucionalidade. Porque o projeto político pedagógico diz respeito a nós, que fazemos parte do processo, mas diz respeito, obviamente, também, a como isso é distribuído, comunicado e compartilhado com a população.<br></p>



<p>Uma das nossas ações se chama Terreiro Político Pedagógico, que consiste na distribuição, no compartilhamento. A gente vai para as quebradas, para diversas cidades do interior para propor um letramento político. No sentido mais clássico e mais tradicional, que é o seguinte: o que faz uma deputada estadual? O que é da competência do Estado, da deputada, do Executivo, o que é do Judiciário? Desde este básico, que é muito importante para a gente compreender nosso posicionamento e a produção da nossa crítica e saber aonde nós enquanto sociedade podemos solicitar, nos manifestar, enfim, para não colocar tudo dentro de uma coisa só e não conseguir acionar os mecanismos e dispositivos certos.<br></p>



<p>Sempre estamos em um processo de escuta, mas é nesse momento que a gente ouve as demandas dos bairros, das cidades e traduzimos essas demandas para o que eu, como deputada, poderia vir a incidir. Então em muitos momentos a gente cria documentos nesses encontros com a população, requerimentos de informação. Eles servem como mecanismo de fiscalização, porque uma das atividades do legislativo é fiscalizar o Estado, as leis&#8230;<br></p>



<p>Outra coisa são os projetos de lei. As pessoas têm muito desejo por projetos de lei, mas objetivamente funcionam mais para agitação política do que para mudança de algum paradigma. Dificilmente um projeto de lei será aprovado, sendo meu ou de outras pessoas do campo progressista. Então, funciona mais a gente colocar na esfera pública. É uma ferramenta importante do legislativo, que a gente usa e que também fazemos com as pessoas. Isso é o Terreiro Político Pedagógico.</p>



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	                                        <p class="m-0">Integrantes da Mandata Quilombo no dia da &#8220;reintegração de posse&#8221; por Erica Malunguinho. Crédito: Heitor Salatiel</p>
	                
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                    </figure>

	


<p><strong>Foi difícil compor um gabinete apenas com pessoas negras?</strong></p>



<p>O que faz essa mandata ter sido eleita é exatamente esse compromisso com a radicalidade. Assim, não diz respeito à exclusão de alguém ou à acepção de alguém. Diz respeito a colocar dentro do debate público a imagem e o debate que nos fez ser eleitas. E o que nos fez ser eleitas foi um compromisso radical em relação ao racismo. E ao machismo. Nada mais que justo que a população preta esteja lá. Porque ninguém pergunta quando tem um gabinete só com brancos? Eu não escolhi que as pessoas fossem negras, assim. As pessoas são negras. Mas antes e junto a isso elas são advogadas, internacionalistas, historiadoras, jornalistas, militantes dos movimentos sociais. São travestis. É quase uma coincidência elas serem negras [entre risos]. Mas acho que é nesse sentido que se desvela o racismo institucional de forma muito objetiva.<br></p>



<p>Estou falando, sim, de usar de nossas forças e energias para fazer o contraponto necessário de forma radical para que haja o reequilíbrio das forças. Um reequilíbrio da balança e para isso acontecer a sociedade precisa, sim, pactuar um novo processo civilizatório que partirá – e tem que partir – da nossa compreensão e da projeção a partir das mulheres negras. </p>



<p>É a máxima da Angela Davis, as mulheres negras se movem e movem o mundo. Não é contra ninguém, não é sobre exclusão de ninguém. É que uma vez que as coisas deste lado se resolvem, frutificam, estão em uma outra dimensão, deslocada da vulnerabilidade, a sociedade tem um ganho como um todo.</p>



<p><strong>Palavras que surgem quando se fala da mandata é a questão da reintegração de posse e alternância de poder. Quais são os caminhos que você enxerga para, de fato, nessa alternância de poder, mudar as estruturas? Um legislatura vai dar conta?</strong></p>



<p>Uma legislatura não dá conta, é impossível, a gente sabe. O poder, o biopoder, está comprometido e emaranhando em uma lógica muito perversa e muito bem articulada que tem o nome de capitalismo, inclusive, mas que obviamente isso tem atualizações.<br></p>



<p>A gente tem uma urgência de discutir e debater o que significa capitalismo e como age o capital, pensando em uma lógica que entenda raça como fundamento e como a distribuição e apagamento dos corpos se deu a partir também dessa diferenciação racial e do projeto normativo de gênero. A gente precisa atualizar a narrativa para discutir o capitalismo.</p>



<p>Eu não consigo perder de vista que nós, no decorrer de um projeto de poder extremamente violento, totalitário como sempre foi o projeto do ocidente, o projeto colonialista – nós deixamos marcas e registros fundamentais nessas culturas e nesses territórios. O que eu quero dizer com isso é que a despeito de toda a opressão nós fundamos a cultura brasileira. Nós devolvemos de forma muito generosa para esse país, esse Estado, tudo que o faz se reconhecer como o lugar que é.</p>



<p>O que significa depois de projetos tão violentos de apagamento, totalizantes, somados à versão moderna de tudo isso, junto com o mito da democracia racial, o projeto eugenista, a gente estar de pé? Sobrevivendo ainda, infelizmente, mas presentes. Isso significa muitos algos.<br></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Agora como é que eu vejo esse processo e projeto de alternância de poder e reintegração de posse? Tomar ciência absolutamente disso. Tomar ciência que a despeito da opressão, a despeito da morte, das violências sistemáticas, estruturais, institucionais nós sabemos o que fazer. E me interessa muito e me dedico muito a pensar nessas tecnologias sociais negras e estratégias políticas para pensar em um novo marco civilizatório.</em></p></blockquote>



<p>Eu acredito fielmente que essa expansão de consciência, a expansão do valor e da beleza que tem em tudo isso é que nós haveremos de garantir um outro projeto político de nação, sem dúvida. Obviamente, tendo a arte e a cultura emaranhada com a política, como sempre esteve. Alternar o poder é isso, não significa esquerda ou direita, significa outra coisa. Significa um compromisso por princípio e fundamento com o que faz te dizer uma pessoa negra, se dizer uma pessoa negra.</p>



<p>A nossa missão nesse processo, nesse projeto é que se a gente quer pactuar um novo projeto civilizatório é fundamental que a gente se coloque novamente como seres políticos constantes. Não apenas nas eleições. Sujeitos e sujeitas políticas constantes é incidir de forma radical pela periferia, a gente tomar decisão política de investimento social, econômico, tecnológico na população preta que foi empobrecida. É disso, é daí que há de estruturalmente se modificar toda a institucionalidade e a estrutura como um todo.<br></p>



<p>Por isso é necessário rediscutir o capitalismo, economia, projeto econômico. Porque o que se ouve muitas vezes num discurso clássico da esquerda, baseado – não todos – num pedaço da teoria marxista, inviabiliza à população negra o acesso econômico e a possibilidade de circulação econômica, do dinheiro, enfim, da produtividade. Acho que é preciso reatualizar isso, repensar como um projeto de curto, médio e longuíssimo prazo.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Entrevista com a deputada Erica Malunguinho" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/HAf3oUNjXHU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p><strong>Como você enxerga o projeto político da Mandata Quilombo na história do projeto político do povo negro para o Brasil? Sendo uma mulher trans, negra, nordestina, deputada eleita por São Paulo, acredita que a Mandata atualiza ou traz novas questões para o movimento negro?</strong></p>



<p>Eu não acho que há nada novo. Eu acho que há formas diferentes de dizer que nós precisamos viver, que nossas vidas não estão em negociação. No decorrer da história isso foi se realizando com as possibilidades discursivas das suas épocas, seus momentos e seus pressupostos a partir do próprio tempo.<br></p>



<p>Mas é um fato que se a gente lançou o pretuguês aqui dentro, incidiu linguisticamente, a gente já estava dizendo que a gente não ia viver à submissão da lógica colonialista. </p>



<p>Nós somos vanguarda, sempre fomos. Nós somos seres movidos à ancestralidade: é passado, presente e futuro. Então essas amálgamas estão em constante mutação nas nossas experiências do cotidiano porque simplesmente nós precisamos a todo momento pensar. Desde o trajeto que vai feito, a roupa que será usada, o que fazer para não se foder e o que fazer para ter garantia de alimento, de escolarização, de um teto. Essas existências estão em constante movimento, mutação. Um exercício que é até exaustivo para a permanência da vida. Todos os dias a gente está pensando um milhão de coisas e isso obviamente gera uma musculatura existencial que diz sobre muita coisa.<br></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Criamos décimas inteligências. Terceiras, quartas, quinta, décimas inteligências. A gente faz tudo, absolutamente tudo. Pergunta para uma mãe preta que tem um salário mínimo e tem que sustentar 6 sendo camelô, vendendo cerveja enquanto as freviocas passam.</em></p><p><em>É essa força motriz, sabe? Agora a transformação dessa força motriz é para que ela seja uma diretriz. Eu vejo que há a sistematização de um processo histórico e um cuidado com essas narrativas, histórias, construções e ela é levada para a institucionalidade e para a esfera pública.</em></p></blockquote>



<p>Isso diz respeito à minha história de vida. A primeira vez que eu vi uma travesti foi no maracatu. Diz respeito a entender a arte e a cultura como parte da existência e da sociabilidade cotidiana das pessoas.</p>



<p><strong>Como você enxerga na sua construção política e na construção da Mandata Quilombo a relação com a branquitude?</strong><br></p>



<p>Acho que tem uma coisa muito objetiva que é que a mandata é preta, então ela já está dizendo alguma coisa. Bastante coisa, na verdade.<br></p>



<p>É um projeto radical em relação ao fundamento de gênero e de raça. Eu fui eleita. Tem uma coisa que é muito importante, são importantíssimas as candidaturas que aconteceram no Brasil, como das Juntas, da própria Bancada Ativista&#8230; essas composições que se lançaram coletivamente. Tem a Robeyoncé Lima (Juntas/PE), aqui, que é minha amada, e na Bancada Ativista tem a Erika Hilton. A pergunta que eu tenho que fazer é: elas seriam eleitas sozinhas? Ou se fossem elas na cabeça da chapa? Isso é uma preocupação. </p>



<p>Porque eu estou dizendo isso? Porque eu fui eleita absolutamente dessa forma que você está vendo. Sem nenhuma concessão do ponto de vista discursivo, do ponto de vista do debate racial e de gênero.</p>



<p></p>



<p><strong>Foi eleita, inclusive, a despeito do apoio do partido</strong>&#8230;<br></p>



<p>Exatamente. Então, é esse o projeto que é esperado. E tem uma coisa que eu falo sempre: a branquitude não é indivíduo. É um sistema. Tem indivíduos que reproduzem o sistema, assim como o sistema que vai produzindo o indivíduo. Não é sobre isso. Não é sobre um sujeito, é sobre uma lógica de poder. Se não se entende a partir desse pressuposto, tem um problema muito sério do qual eu não abro mão. Eu não negocio. Não há espaço para negociação em torno do racismo ou da violência de gênero. </p>



<p></p>



<p><strong>Já aconteceram casos de violência ou racismo com integrantes da Mandata ou com você?</strong><br></p>



<p>É óbvio que podem ter comentários racistas, mas eu não tomo conhecimento. Já aconteceu várias vezes com as meninas na Alesp. Já aconteceram várias situações, inclusive. É que tem uma coisa que é mais polida comigo, porque sou a deputada. </p>



<p></p>



<p><strong>Vocês chegaram a tomar alguma atitude, institucionalmente?</strong><br></p>



<p>A gente tem uma ilha, estamos sempre juntas. Nem todo mundo circula. E as pessoas do gabinete, da Mandata estão muito letradas em relação ao racismo. Então vem e volta. A gente não acumula essas violências. Teve uma situação que uma assessora de alguém veio colocar a mão no meu cabelo e perguntar como eu dormia. Eu fui muito tranquila, segurei a mão dela, e falei que ela estava provando que existe racismo no Brasil. Né? Disse &#8220;Como é que você pode achar meu corpo tão diferente, tão estranho, tão exótico ao ponto de você tocar, quando eu sou a maioria da população? Outra coisa, não se toca na cabeça de uma pessoa do candomblé. Mas eu sou pedagógica com você porque você é uma pessoa muito legal, se não fosse eu ia decepar a sua mão&#8221;. Soltei a mão dela.<br></p>



<p>A gente tem um preparo. Mas eu preciso fazer essa afirmação: a Alesp é menos violenta, neste sentido, do que a gente imaginava. Ela é mais tóxica quando você vê os projetos horrorosos que passam, projetos que elaboram a transfobia. É mais relacionado à transfobia e ao debate público sobre violência de gênero, principalmente. <br></p>



<p>O racismo se pratica lá na violência policial. Em relação à legitimação da violência policial. Como projetos e como discurso político. Isso eu posso dizer. Além da transfobia. Com o racismo estrutural eles são mais polidos.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p><strong>Após um ano de mandata e sendo 2020 um ano de eleições municipais, como você vê os limites e possibilidades de construção dentro dos partidos?</strong><br></p>



<p>Todos ruins, todos incipientes, todos extremamente apegados às mesmas hóstias que os fundaram num processo histórico e estrutural. Não conseguem ainda olhar com a radicalidade necessária o fundamento racial, tampouco de gênero. Todos.</p>



<p></p>



<p><strong>E o quão independente dá para ser de um partido? Você está no Psol…</strong><br></p>



<p>Eu acho que os partidos ocupam um lugar muito importante e necessário dentro de um processo democrático. Mas eles só têm sentido se eles forem uma resposta imediata do que a sociedade civil clama.<br></p>



<p>Então quando se fala em voltar para as bases eu acho muito triste. Eu nunca saí das bases, gente. Talvez tenha algo aí que precise ser visualizado. E antes de um projeto de partido, precisamos ter um projeto de sociedade. E um projeto de sociedade que perpassa, que está atrelado, comprometido com a desconstrução dessas violências estruturais.<br></p>



<p>Eu sempre digo que não há esquerda no Brasil. As pessoas da esquerda estão ficando bravas comigo. Só há esquerda quando raça for colocada como fundamento, como questão crucial e que desemboca em classe. Mas raça aqui é onde se distribui as relações de poder. Não dá para achar que aqui classe é como se constrói a esquerda europeia. <br></p>



<p>Nós ,enquanto sociedade civil, precisamos constantemente revalidar as nossas forças que antecedem e justificam os partidos. Não o contrário. E aí a resiliência partidária neste momento histórico é de simplesmente ouvir e agir em função dessa escuta.</p>



<p></p>



<p><strong>Isso não tem acontecido?</strong><br></p>



<p>Aonde? Eu quero ver se a Vilma Reis vai ser candidata em Salvador. Se a Vilma Reis não for candidata em Salvador isso é muito sério. Significa que o PT não ouviu nada. Se eles querem descer ladeira abaixo, que desçam. Só não leve o povo preto junto mais. A gente quer ver, eu quero ver nas eleições municipais qual será. É muito fácil colocar a gente sem viabilizar a candidatura. Porque a gente aumenta o coeficiente eleitoral</p>



<p></p>



<p><strong>E fortalece certa narrativa&#8230;</strong><br></p>



<p>A gente está falando de outra coisa. Estaremos de olho. Se querem romper, que rompam. Se querem continuar rompidos, que continuem. Agora saibam que é isso, não dá. Serão engolidos também porque os reaças estão a todo vapor, a extrema direita está a todo vapor. E se você não conta com a força de uma militância que trabalha efetivamente com paixão não há projeto. Porque trabalhar por desespero é uma coisa, agora trabalhar por paixão e por acreditar no projeto político é outra. E agora não adianta colocar qualquer pessoa, como o de sempre, porque é de x ou y, para as pessoas votarem, porque a pessoa é simpática. Não, as pessoas querem se ver. As pessoas precisam serem vistas. A gente precisa romper com esse ciclo vicioso da representatividade que não chega às populações que foram colocadas à margem desse processo histórico de decisão.</p>



<p></p>



<p><strong>Você já disse em outras entrevistas que Bolsonaro não representa o fim do mundo para o povo negro, que sempre esteve de fora dos projetos de desenvolvimento. Você continua sustentando essa ideia? Acredita que Bolsonaro ou o bolsonarismo é uma ameaça à democracia?<br></strong></p>



<p>Bolsonaro é o fim de qualquer noção de civilidade. Ele é a legítima, legitimada força que corresponde às violências desse projeto de civilização ocidental, brancocêntrica. É a tempestade colonial de novo, isso sustentado novamente pelo fundamentalismo religioso, novamente pelo poder econômico. Os mesmos de sempre.<br></p>



<p>Agora o que eu falo que não é o fim do mundo é que ele não nasceu agora. Bolsonaro é uma construção histórica, social, de poder, que em uns tempos ou outros da história mais ou menos eles estiveram presentes.<br></p>



<p>Mas uma coisa eu posso te dizer, o estado de exceção sempre esteve presente. O genocídio da população negra tem um crescimento vertiginoso e não foi agora. A gente sabe em quais anos foi. A gente precisa olhar de novo isso. É óbvio que eu não comparo e acho que eu gostaria de estar criticando o Fernando Henrique agora, por exemplo. Mas a gente tem que chegar neste limbo, neste fosso para produzir crítica por algo que nem deveria ser passível de crítica. É tão execrável que para formular uma crítica é difícil. É execrável, é um ser vazio, é perverso, ignorante. Mas que corresponde a um projeto de poder.<br></p>



<p>Ele não é o fim do nosso povo, de jeito nenhum. Cabral não foi, as capitanias, nem Dom João e etc. Nunca foram. Agora é óbvio que ele encampa um projeto de morte. Ele está legitimado para isso e no fundo, ou no raso, a gente tem visível esse projeto perverso e espero que tenhamos coerência e coragem para construir um projeto radicalmente oposto a isso. E isso obviamente não perpassa pelas concessões, ou pelas formas de fazer concessão que aconteceram até então.</p>



<p></p>
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		<title>Resposta do governo Bolsonaro é patética, diz um dos maiores especialistas internacionais em derramamento de óleo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Oct 2019 22:35:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[crime ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Gerald Graham]]></category>
		<category><![CDATA[óleo no Nordeste]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há cerca de um mês, o especialista canadense em contenção de derramamentos de óleo, Gerald Graham, adquiriu o costume de abrir o Google News para acompanhar as notícias sobre o crime ambiental que se espalha há 54 dias pelas praias do Nordeste. Ele vem observando as imagens e vídeos, além de notícias, e afirma estar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000;">Há cerca de um mês, o especialista canadense em contenção de derramamentos de óleo, Gerald Graham, adquiriu o costume de abrir o Google News para acompanhar as notícias sobre o crime ambiental que se espalha há 54 dias pelas praias do Nordeste. Ele vem observando as imagens e vídeos, além de notícias, e afirma estar espantado com a falta de respostas sobre a origem do vazamento.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">&#8220;Émuito estranho, até hoje tudo é muito estranho porque não se sabe de onde o óleo está vindo. É uma surpresa o óleo continuar chegando às praias. Parece que continua vindo da fonte original e ainda não se sabe de onde vem&#8221;.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">A surpresa não se resume ao mistério da origem do óleo. Para o especialista, o mais chocante é o perigo a que voluntários estão se submetendo ao limpar as praias sem que o Governo Federal cumpra seu papel e assuma a retirada do óleo da costa. &#8220;Quando eu vi pela primeira vez essas notícias do vazamento, cerca de um mês atrás, eu falei com um jornalista e vi algumas imagens e pensei: &#8216;isso parece ruim!'&#8221;, lembra.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Grahamépresidente da Worldocean Consulting, empresa especializada em planejar o uso de tecnologia no processo de limpeza em episódios de derramamento de óleo. Recentemente, deu uma série de entrevistas para apresentar softwares que permitem a visualização de cenários de derramamento de óleo, apontando os métodos mais rápidos e baratos de limpeza.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">O extenso currículo de <span style="color: #000000;">Gerald Graham</span> inclui consultorias para oBanco Mundial, OCDE, Unesco, FAO, União Europeia, Agência de Desenvolvimento do Canadá e alemã GTZ. O expert conversou com a reportagem da Marco Zero por Skype sobre o que considera serem os pontos críticos da limpeza das praias no Nordeste brasileiro e comentou a ação das autoridades responsáveis. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.</span></p>
<h3><span style="color: #000000;"><strong>Resposta desorganizada ao vazamento</strong></span></h3>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">A partir das imagens que eu vi e venho vendo há semanas, há uma resposta desorganizada aos vazamentos. Não há sinal de ninguém no comando, nem soldados. Eles não estão sequer devidamente equipados para a tarefa.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Parece um caos completo para mim. As pessoas estão tentando ajudar limpando elas mesmas, mas elas não têm treinamento, nenhum equipamento adequado, nem estão tendo orientação das autoridades que deveriam ser responsáveis. A limpeza e a resposta a um vazamento de óleo como esse exige uma técnica específica, especialmente com o material grudento como o que tenho visto.</span></p>
<h3>Governo não sabe fazer e não pede ajuda</h3>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">A última imagem que vi tinha uma mulher dentro da água, sentada na água, tentando limpar o óleo. É ridículo.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Eu esperaria mais do Brasil. Não é um país da Europa ocidental, nem os Estados Unidos, mas não é um país subdesenvolvido. Eu escutei que parte da costa que o óleo atingiu é uma região mais pobre, me corrija se estiver errado.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Eu não tenho visto imagens que mostram manchas na superfície, o material parece ficar nas praias, preso. Por isso a dificuldade de observar com imagens aéreas e satélites.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">E a resposta do governo, para mim, é totalmente patética. É um segundo desastre. Primeiro o óleo, depois as respostas são um outro desastre.</span></p>
<p><div id="attachment_19824" style="width: 1010px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/Sales-na-praia.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19824" class="size-full wp-image-19824" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/Sales-na-praia.jpg" alt="Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez visita relâmpago à praia de Itapuama. Fez uma live para as redes sociais, falou rapidamente com a imprensa e deixou o estado" width="1000" height="563"></a><p id="caption-attachment-19824" class="wp-caption-text">Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez visita relâmpago à praia de Itapuama. Tempo para uma live para as redes sociais, conversa rápida com a imprensa, mas sem ações efetivas. Crédito: reprodução de TV</p></div></p>
<blockquote><p>Estou acompanhando que Bolsonaro vem sendo criticado por basicamente não fazer nada. E qualquer plano que ele afirma ter parece que não passa de um plano no papel.</p>
<p style="color: #000000;">OBrasil é incapaz de lidar com o vazamento por si próprio, mas não pede ajuda internacional. Aconteceu a mesma coisa com os incêndios na Amazônia e eles recusam a ajuda da Alemanha, de outros países. Eles estão fazendo a mesma coisa com o vazamento de óleo.</p>
</blockquote>
<p>Eu não vi nenhuma evidência de um plano. E eu entendo as pessoas estarem tentando dar o seu melhor para limpar as praias, mas elas não deveriam estar fazendo isso. As pessoas vão acabar ficando doentes.</p>
<h3><span style="color: #000000;"><strong>As consequências do contato com o óleo<br />
</strong></span></h3>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">As pessoas são afetadas pelo óleo, elas podem não sentir no começo, mas estão inalando. O óleo pode entrar pela pele, também pode ir para o cérebro.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">As pessoas precisariam de um treinamento. Eu não vi nenhuma evidência de que isso está acontecendo. Também não vi equipamentos de limpeza nas praias ou no mar. Onde estão as máquinas que poderiam fazer a limpeza das praias?</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">A questão é: se a autoridade federal não tem um plano de contingência do óleo não deveria deixar voluntários fazerem isso.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">As autoridades regionais e locais, com as autoridades políticas, deveriam manter as pessoas afastadas da praia, evitando que as pessoas sofram as consequências da exposição ao óleo.<br />
</span></p>
<p><div id="attachment_19816" style="width: 809px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/48943449308_aaa3cab8ab_c.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19816" class="size-full wp-image-19816" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/48943449308_aaa3cab8ab_c.jpg" alt="Voluntários retiram óleo do mar e pedras com as mãos sem proteção adequada em Itapuama, litoral sul de Pernambuco. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="799" height="534"></a><p id="caption-attachment-19816" class="wp-caption-text">Voluntários retiram óleo do mar e pedras com as mãos sem proteção adequada em Itapuama, litoral sul de Pernambuco. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<h3><span style="color: #000000;"><strong>Dificuldade em mensurar o desastre</strong></span></h3>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Algumas imagens mostram barris de óleo. É realmente muito difícil mensurar a extensão do vazamento e afirmar se é uma catástrofe ou não. Eu não posso realmente dizer o que é a partir do que eu vi. Mas, duas semanas atrás, eu vi um vídeo feito de um avião ou drone mostrando a costa e mostrava uma longa mancha de óleo, de cerca de 5 quilômetros. Você via uma foto antes e depois.</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en"><span style="color: #000000;">A mysterious oil spill has contaminated beaches and the coastline in Brazil according to this <a href="https://twitter.com/ReutersWorld?ref_src=twsrc%5Etfw"><span style="color: #000000;">@ReutersWorld</span></a> piece: <a href="https://t.co/MQEK0YrWSs"><span style="color: #000000;">https://t.co/MQEK0YrWSs</span></a></span></p>
<p><span style="color: #000000;">Here&#8217;s before and after imagery captured by Planet SkySats on September 10th and September 27th. <a href="https://t.co/LFASZmfC2s"><span style="color: #000000;">pic.twitter.com/LFASZmfC2s</span></a></span></p>
<p><span style="color: #000000;">— Planet (@planetlabs) <a href="https://twitter.com/planetlabs/status/1179134091360268290?ref_src=twsrc%5Etfw"><span style="color: #000000;">October 1, 2019</span></a></span></p></blockquote>
<p><span style="color: #000000;"><script src="https://platform.twitter.com/widgets.js" async="" charset="utf-8"></script></span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">É bastante chocante, eu franzi as sobrancelhas e fiquei sem acreditar. Parece que é pior em algumas áreas, do que em outras.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Eu não diria que é um pequeno desastre. Mas quando se tem a visão do óleo parece ser relativamente uma quantidade pequena na costa, comparada a outros vazamentos.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Você precisa colocar em perspectiva. Mas ao mesmo tempo, continua espalhando, continua chegando nas praias e isso causa muitos estragos.</span></p>
<h3>Não seria difícil limpar tudo</h3>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Tem apenas uma comparação que eu poderia fazer, com o caso do vazamento em Nakhodka, na Rússia. Naquele vazamento, houve 1,2 milhão de voluntários, mais de 1 milhão envolvidos na limpeza. Houve uma forte resposta voluntária. Em casos como esses, com uma extensão grande de costa &#8211; eu não sei quantas pessoas estão envolvidas &#8211; não se compara nesse sentido, mas a questão é que o volume do óleo parece pequeno. Mas acho que é subestimado. Eu vi notícias que afirmam que 600 toneladas foram coletadas, eu ficaria bastante cético com essa contagem porque contando 200 comunidades, seriam apenas 3 toneladas por praia.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">E o óleo, quando você recolher, vai estar misturado com areia. É relativamente um volume pequeno espalhado por uma área enorme. É incrivelmente não usual fazer essa comparação.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Falando de um modo geral, parece uma quantidade pequena nas praias. Focos de óleo aqui e ali, então não parece um grande desafio limpar tudo. Não é como um massivo vazamento de óleo, como o que ocorreu no Alaska em 1989. Não deveria ser tão difícil de limpar.</span></p>
<h3><strong>Parece que ninguém sabe o que está fazendo</strong></h3>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Obviamente, você não consegue conter quando chega na costa, mas você consegue evitar que chegue na costa. Não vi evidência alguma de que isso foi feito.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Normalmente, muitos países têm barreiras em pontos estratégicos da costa, caso algo aconteça. E no Brasil isso não aconteceu.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Uma vez que o óleo chega na costa, você precisa de pessoas treinadas &#8211; e não precisam ser profissionais, voluntários poderiam receber um treinamento básico da Marinha para saber como limpar. Poderia ser um curso de dois dias. E qualquer pessoa que não estiver limpando precisaria ficar afastada.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Você precisaria tirar as pessoas, pois é uma zona perigosa. Depois você forneceria o equipamento, técnicas e máquinas para coletar e retirar o óleo.</span></p>
<p style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Esse seria o centro da operação, mas parece que ninguém sabe o que está fazendo e estão tentando ajudar, mas é uma operação extremamente amadora.<br />
</span></p>
<p><strong>LEIA TAMBÉM:</strong></p>
<ul>
<li><a href="http://marcozero.org/negligencia-e-sigilo-do-governo-bolsonaro-expoem-saude-dos-voluntarios-que-limpam-oleo-das-praias/">Negligência e sigilo do governo Bolsonaro expõem saúde dos voluntários que limpam óleo nas praias</a></li>
<li><a href="http://marcozero.org/mar-contaminado-compromete-o-sustento-de-milhares-de-pescadores/">Mar contaminado compromete o sustento de milhares de pescadores</a></li>
</ul>
<p style="color: #000000;">
<p>O post <a href="https://marcozero.org/resposta-do-governo-bolsonaro-e-patetica-diz-um-dos-maiores-especialistas-internacionais-em-derramamento-de-oleo/">Resposta do governo Bolsonaro é patética, diz um dos maiores especialistas internacionais em derramamento de óleo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>&#8220;Perdemos tanto, que perdemos o medo&#8221;, diz Monica Benicio, companheira de Marielle Franco</title>
		<link>https://marcozero.org/perdemos-tanto-que-perdemos-o-medo-diz-monica-benicio-companheira-de-marielle-franco/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Apr 2019 12:50:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Abril pro Rock]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<category><![CDATA[Mônica Benício]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Débora Britto e Helena Dias Defensora de direitos humanos, Monica Benicio assumiu como missão de vida a luta por justiça e pela memória de Marielle Franco, sua companheira, com quem iria se casar em 2019. “O Estado matou minha mulher e não me dá uma resposta de quem fez isso. Perdemos tanto, que perdemos [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/perdemos-tanto-que-perdemos-o-medo-diz-monica-benicio-companheira-de-marielle-franco/">&#8220;Perdemos tanto, que perdemos o medo&#8221;, diz Monica Benicio, companheira de Marielle Franco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Débora Britto e Helena Dias</strong></p>
<p>Defensora de direitos humanos, Monica Benicio assumiu como missão de vida a luta por justiça e pela memória de Marielle Franco, sua companheira, com quem iria se casar em 2019. “O Estado matou minha mulher e não me dá uma resposta de quem fez isso. Perdemos tanto, que perdemos o medo”, afirma, com a camisa estampada com a pergunta que a acompanha.</p>
<p>Com o tom de voz sereno, mas firme, Monica tem viajado o Brasil e o mundo denunciando as investidas contra os direitos e retoma o que trouxe o país ao cenário atual: de 2016, com o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff até a ascensão do discurso de ódio que coloca Bolsonaro no poder em 2018. Hoje, ela trabalha na liderança do Psol na Câmara Federal.</p>
<p>A fala e a presença de Monica inspiram solidariedade e convocam ativistas, cidadãos, pessoas comuns, a lutar coletivamente. “A gente deveria sentir medo e recuar, mas a gente não recuou. Então eles têm medo porque colocaram uma força enorme e agora esperam uma reação. O momento é de esperança. A tendência é as violências aumentarem, mas precisamos de articulação, de solidariedade. Precisamos parar de ter preguiça de acompanhar a política e nos manter em constante movimento”, afirma.</p>
<p>Atuando em diversas frentes de defesa de direitos, ela chama atenção para a importância de não hierarquizar dores e de convergir forças para a luta coletiva. “Como mulher branca, favelada, lésbica eu sei também o meu lugar. Eu deixei de ter muitas portas fechadas apenas pelo fato de não ser negra”, reflete e acrescenta que “é preciso ter cuidado para não desumanizar Marielle, não a colocar no pedestal e endeusar. Marielle se tornou um símbolo de luta por muitas”.</p>
<p>No dia 400 sem resposta sobre quem foi o mandante do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a Marco Zero Conteúdo conversou com Monica Benicio, que esteve no Recife participando do debate sobre Ativismo, Arte e Feminismo, na quinta-feira (18), no Cais do Sertão.</p>
<p><div id="attachment_15161" style="width: 410px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/1Mônica-Benício_Foto-Mayara-Santana-e1555675551304.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15161" class="wp-image-15161" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/1Mônica-Benício_Foto-Mayara-Santana-e1555675551304-300x205.png" alt="1Mônica Benício_Foto Mayara Santana" width="400" height="274"></a><p id="caption-attachment-15161" class="wp-caption-text">Monica chama atenção para não hierarquizar dor e convergir força por ação coletiva</p></div></p>
<h3 style="padding-left: 30px;">Entrevista com Monica Benicio, ativista de direitos humanos e companheira de Marielle Franco</h3>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>Qual o lugar da arte na sua militância?</strong></p>
<p style="padding-left: 30px;">Olha, a arte teve mais lugar na minha vida antes do 14 de março de 2018. Antes de 400 dias atrás. Porque, enquanto arquiteta e urbanista, a arte foi uma paixão que eu cultivei muito e quis fazer Belas Artes, inclusive. Mas, hoje, a arte tem sido uma parceira na luta. Em eventos como esse, em outros festivais também, nas pessoas que replicam a imagem da Marielle de diversas formas possíveis no mundo inteiro. Então, a arte tem sido uma ferramenta parceira nesta luta.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>Seu mestrado é sobre a violência na relação das pessoas com as cidades onde vivem. Qual o papel da arte neste contexto?</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">Há um diálogo, mas ele não chega para todo mundo. Falando especificamente da minha experiência no Rio de Janeiro, a favela pouco se relaciona com a arte da iniciativa cultural. E, obviamente, há muita cultura na favela e na periferia e essa arte que tem origem na favela não chega com a força e expressividade que deveria chegar para o resto da cidade. Eu acho que falta diálogo, falta uma conexão fluida. Sem dúvida nenhuma, a arte é uma expressão da própria linguagem da gente se ver e se percebe na cidade. No Rio de Janeiro, por exemplo, esse diálogo da periferia com o centro é feito através do grafite, uma arte urbana que é muito marcada por uma arte marginalizada. Retirar o estigma, tirar o olhar de criminalização do que é feio, ou do que é o conceito de arte, é uma coisa que a gente tem que estar dialogando. Modificar essa relação que a gente tem do corpo e de como esse corpo se relaciona com os espaços fluidos da cidade.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>Dois dias antes de completar um ano da morte de Marielle Franco, dois acusados de executar Marielle foram presos. Para você, o que mudou depois disso? Como você analisa a condução do inquérito?</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">Os acusados de serem executores chegaram ali na véspera de um ano. Lamentável essa resposta que o Estado tem mais do que obrigação em dar. Demorou muito, um ano não pode ser um tempo aceitável para um crime dessa repercussão. Para nenhum tipo de assassinato, mas para um crime político de repercussão internacional, o Brasil passa uma vergonha internacional hoje a não responder quem mandou matar Marielle. Ouvi essa notícia com algum ânimo, porque pareceu que alguma coisa andou. Compreendo que o Estado não faz mais que a sua obrigação, mas dá um certo fôlego e esperança de que as coisas estão caminhando. O mais importante, o verdadeiro assassino, ainda não foi descoberto e a pergunta mais importante não foi respondida. Quem mandou matar? Esse é o verdadeiro assassino de Marielle Franco.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>Como você sente a reação da bancada do Psol e de outros parlamentares de esquerda&nbsp; na cobrança pela resposta de quem mandou matar Marielle dentro do Congresso?<br />
</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">O PSOL é o partido que Marielle ajudava a construir. Obviamente, é o partido que tem mesmo que ser o mais empenhado nesta luta. A gente tem um Congresso super conservador, em que a maior parte dele tem interesse que não se responda &#8220;Quem mandou matar?&#8221;. O que a gente faz enquanto partido é estar continuando a pressionar para que essa pergunta não caia no esquecimento, para que as pessoas não caiam no conformismo ou no erro de acreditar que a resposta de quem matou Marielle já foi respondida. Porque a resposta de quem matou deve ser, na verdade, quem mandou matar. Essa é uma pauta que a gente tem que estar constantemente alimentando. E o Congresso anda do jeito que a gente conhece, legislando em causa própria, trabalhando em prol dos seus próprios interesses, que nada representam para o povo brasileiro.</p>
<p><div id="attachment_15187" style="width: 410px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/2Mônica-Benício_Foto-Mayara-Santana2.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15187" class="wp-image-15187" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/2Mônica-Benício_Foto-Mayara-Santana2-300x228.png" alt="2Mônica Benício_Foto Mayara Santana" width="400" height="305"></a><p id="caption-attachment-15187" class="wp-caption-text">Ativista carrega memória e luta por Marielle</p></div></p>
<h4><strong>O que Marielle diria sobre o governo Bolsonaro?</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">Estamos fodidas. Porque é isso, assim, lamentavelmente ele é uma tragédia anunciada já em 2016. É um erro acreditar que ele aconteceu em 2018. Essa configuração da eleição de 2018 começa com o golpe de 2016 que já estava ali retirando a presidente eleita, com características misóginas. Toda a postura e a opinião de Marielle sempre ao longo da vida dela e na atuação da política institucional era justamente contra a política que Jair Bolsonaro representa. Ela não poderia ser outra coisa se não resistência nesse momento.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>E ela estava na lida direta com a família Bolsonaro lá no Rio de Janeiro, não é?</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">Ela dividia o mesmo andar com o vereador no Rio, Carlos Bolsonaro. Era um debate constante, mas sempre tratado com respeito. Marielle sempre teve um relacionamento muito diplomático e cordial com todo mundo.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>É sempre um incomodo se colocar como “a figura”, mas hoje quando se pensa em uma ativista lésbica, que coloca a pauta lésbica, as pessoas lembram logo de você. Como você tem carregado isso? Na morte de Marielle, a imprensa fez uma confusão sobre Marielle ser lésbica ou bissexual.</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">A gente tinha um casamento planejado agora para o dia 7 de setembro, era um relacionamento monogâmico. Era um relacionamento lésbico e a gente se entende dentro dessa relação como mulheres lésbicas. Por mais que eu já tenha tido experiências com homens e Marielle também. A lesbofobia é tão grande na sociedade brasileira que hoje existe um debate sobre isso porque tem uma intenção de cristalizar a imagem da Marielle. Porque como já era mulher, negra e favelada, então “vamos botar um bi” para ver se fica mais palatável para a sociedade. Estar neste lugar de ativista LGBT de visibilidade internacional é difícil principalmente nesta conjuntura, mas é um lugar que eu enxergo com muita responsabilidade porque eu sei das dificuldades que eu tive na vida, meu relacionamento com a Marielle. Eu sei da dor que sinto, da dor que carrego e é uma dor que eu não desejo para ninguém. Sobretudo, para uma defensora dos direitos humanos. Justiça por Marielle é a modificação dessa sociedade e é garantir que todo mundo possa chegar em casa para jantar com a família sem que isso seja terminado numa grande catástrofe. Numa sociedade genocida como esta, extremamente lgbtfóbica, que constrói a sua política em cima dos nossos corpos, das nossas vidas e dos nossos amores. É necessário que a gente modifique esse cenário e é essa a minha disponibilidade de luta.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>Você pretende continuar participando destes debates do campo LGBT?</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">Sem dúvida. Quando eu passo a ocupar este lugar de figura pública, é através de uma tragédia. Não foi planejado ou construído. Mas hoje é fundamental que se ocupe (esse espaço). É uma experiência muito rica ver que o mundo inteiro está ferrado para caramba e não é um privilégio nosso. Cada um com dificuldades específicas, alguns com dificuldades restritivas ou com maior índice de violência, mas não tem hierarquização de dor. Se todo mundo sofre, a gente precisa fazer um planejamento onde todos parem de sofrer. Quando a companheira citou hoje &#8220;não sou livre enquanto uma mulher for prisioneira ainda que as correntes dela sejam diferentes das minhas”, eu lembrei que falei isso no primeiro dia do seminário (na Ucrânia), em uma mesa que nem era minha. Para falar que a gente não vai conseguir terminar de construir o debate e a solução para a lesbofobia se a gente não fizer o debate de classe, se a gente não fizer o debate antiracial. É ilusão, não dá para ficar hierarquizando ou buscando uma opressão para chamar de sua. Quando eu falo sobre o olhar da solidariedade e da empatia é, justamente, para não ter hierarquização da dor. Você tem as suas dores, eu tenho as minhas e a gente precisa dar um jeito de resolver para que não só a gente deixe de sentir, mas para que as próximas gerações não passem pelo o que a gente passou. Não tenham a necessidade de estar vivendo num Estado tão truculento com os nossos corpos e com as nossas decisões de vida. Hoje, ocupar um espaço como figura pública é a minha contribuição para a modificar essa sociedade.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>Nesta trajetória recente, você tem sofrido alguma agressão ou perseguição de cunho lgbtfóbico?</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">Agressão física não. Já teve xingamentos na rua, inclusive, um mais violento que foi um carro me perseguindo. Mas é tanto que eu tenho uma medida cautelar pela Comissão Interamericana, estou dentro do programa de proteção aos defensores dos direitos humanos. É um Estado truculento, é uma sociedade que está muito contaminada pelo discurso de ódio, mas eu não vejo nenhum motivo ou razão para diminuir a luta ou parar. Muito pelo contrário, se a gente está incomodando, é sinal que estamos no caminho certo.</p>
<p><div id="attachment_15175" style="width: 1010px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Debate-arte-ativismo_Foto-Mayara-Santana-18.04.2018.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15175" class="wp-image-15175" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Debate-arte-ativismo_Foto-Mayara-Santana-18.04.2018-300x132.png" alt="Debate arte ativismo_Foto Mayara Santana 18.04.2018" width="1000" height="441"></a><p id="caption-attachment-15175" class="wp-caption-text">Roda de conversa reuniu diversas expressões de arte e ativismo, com foco na resistência e articulação de mulheres</p></div></p>
<h3>Ativismo, Arte e Feminismo</h3>
<p>O debate que trouxe Monica ao Recife integrou a programação do festival Abril pro Rock, que dedica,&nbsp; esta sexta-feira a apresentações de grupos de mulheres. Entre eles, não apenas a expressão do rock e variações do gênero musical, mas também de grupos de coco e RAP. A ialorixá, cantadora de coco e ativistas cultural Mãe Beth de Oxum também se apresenta, após 17 anos da primeira vez em que subiu ao palco do festival.</p>
<p>A ativista, que é referência na cultura popular, defendeu a presença dos brinquedos e tradições culturais populares em grandes festivais como modo de apoiar a luta de quem está nas bases. De um beco no bairro de Guadalupe, na periferia de Olinda, Mãe Beth toca há dez anos um projeto de formação em tecnologia com jovens negros. “A cultura não pode ficar apenas no dia 20 de novembro. Temos que tirar a cultura de dentro dos livros. Eu sou uma educadora e vivo quebrando pau dentro da escola”, contou.</p>
<p style="color: #000000;">Lenne Ferreira, produtora cultural e jornalista, também participou do debate e trouxe para o centro da questão a dificuldade, primeira, de chegar ali. Artistas negras, da periferia, que enfrentam não apenas o desafio de ter o trabalho reconhecido, mas também a incompreensão e inabilidade de produtores, festivais, espaços de circulação de arte de as contratarem para seus eventos. “Muitas artistas não têm a grana da passagem de ônibus para chegar aqui, por exemplo. Estar aqui é reparação, a gente não tem que estar agradecendo nada”, afirma.</p>
<p style="color: #000000;">Para ela, é preciso compromisso para enfrentar a desigualdade e promover oportunidade de visibilidade a artistas negras e periféricas, especialmente. “Não temos o mesmo acesso que os homens na cultura. E a gente está fazendo revolução pela arte e fazendo luta também com o discurso que as artistas trazem”, defende. A Aqualtune Produções, produtora da qual a jornalista faz parte, agencia principalmente mulheres artistas, com foco no RAP.</p>
<p>Também participou do debate Jamille Pinheiro, tradutora do livro <em>Um Guia Pussy Riot para o Ativismo</em>, de Nadya Tolokonnikova, uma das integrantes da banda russa de punk Pussy Riot. O grupo, além da música, também é conhecido pelas intervenções políticas e artísticas que abordam pautas relacionadas ao feminismo e à pauta LGBT. Jamille compartilhou a experiência de poder articular diversos campos de luta e arte a partir do local que ocupa no mercado editorial. “O conservadorismo é global. Nós precisamos conversar entre nós para que ganhem força as pautas antilgbtfobicas e das mulheres. O livro é a oportunidade de engrossar esse caldo”, conta.</p>
<p><div id="attachment_15177" style="width: 1010px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Debate-Ativismo-Arte-e-Feminismo-18.04.2018.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15177" class="wp-image-15177" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Debate-Ativismo-Arte-e-Feminismo-18.04.2018-300x111.jpg" alt="Debate Ativismo, Arte e Feminismo 18.04.2018" width="1000" height="370"></a><p id="caption-attachment-15177" class="wp-caption-text">Lenne Ferreira, produtora cultural, Jamille Pinheiro, tradutora do livro Um Guia Pussy Riot para o Ativismo, e Mãe Beth de Oxum. Foto: Mayara Santana</p></div></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/perdemos-tanto-que-perdemos-o-medo-diz-monica-benicio-companheira-de-marielle-franco/">&#8220;Perdemos tanto, que perdemos o medo&#8221;, diz Monica Benicio, companheira de Marielle Franco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Mulheres negras no poder potencializam a reestruturação da esquerda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Dec 2018 12:27:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Forjadas nos movimentos sociais e nas práticas coletivas de mulheres negras que, de modo ancestral, já praticam o mantra recentemente difundido de não soltar as mãos de ninguém, Mônica Francisco e Áurea Carolina, eleitas deputada estadual pelo Rio de Janeiro e deputada federal por Minas Gerais, respectivamente, são forças políticas que estão reorganizando a esquerda [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Forjadas nos movimentos sociais e nas práticas coletivas de mulheres negras que, de modo ancestral, já praticam o mantra recentemente difundido de não soltar as mãos de ninguém, Mônica Francisco e Áurea Carolina, eleitas deputada estadual pelo Rio de Janeiro e deputada federal por Minas Gerais, respectivamente, são forças políticas que estão reorganizando a esquerda brasileira. As duas se candidataram pelo Psol e constroem não apenas o partido, mas o campo da esquerda a partir de uma visão crítica.</p>
<p>Não à toa, as duas emergências políticas e subjetivas que essas mulheres representam trazem aprendizados e reflexões para o momento político brasileiro. Sem pedir licença e sem tutela das estruturas e correntes tradicionais, mesmo dentro do Psol, suas eleições mostraram uma força que não estava contabilizada nas assembleias de esquerda &#8211; nem na conta das direitas tradicionais &#8211; e surpreendem pela nova forma de fazer política.</p>
<p>O desafio colocado para as duas parlamentares é gigante: construir mandatos que continuem próximos dos movimentos sociais, que reencantem as pessoas pela política, e com atuação propositiva no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A multiplicação de quadros também é uma preocupação de ambas, que lembraram a colega de partido e amiga Marielle Franco como símbolo da importância de ter mais mulheres nos espaços de poder.</p>
<p>Áurea Carolina foi a vereadora mais bem votada de Belo Horizonte nas eleições de 2016 e fundou a Gabinetona, experiência de mandato coletivo compartilhado com a vereadora Cida Falabella, e a articulação para ocupar a política institucional intitulada <em>Muitas</em>. Já Mônica Francisco, ativista com mais de 30 anos de lutas nas favelas cariocas, integrou o gabinete de Marielle Franco e era incentivada por ela a disputar um mandato. Foi após a execução da vereadora, em março deste ano, que ela aceitou a missão.</p>
<p>No Recife para um debate sobre os desafios das mulheres no atual cenário político, as duas deputadas eleitas foram entrevistadas com exclusividade pela Marco Zero Conteúdo.</p>
<p><div id="attachment_11963" style="width: 410px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/301118MZC_Deputadas_013.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11963" class="wp-image-11963" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/301118MZC_Deputadas_013-200x300.jpg" alt="30/11/2018. Recife, entrevista com as deputadas Áurea Carolina de Freitas e Silva, Federal em Belo Horizonte, e Mônica Francisco, Estadual no Rio de Janeiro. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="400" height="599"></a><p id="caption-attachment-11963" class="wp-caption-text">Feminista evangélica, Mônica Francisco compôs o mandato de Marielle Franco e ocupará uma cadeira na Alerj em 2019</p></div></p>
<p><b>Mônica Francisco: o desafio de construir um mandato quilombo</b></p>
<p>Há muita discussão por que mandato quilombo se não tem só preto, só preta. Mas a gente pode ter um problema com o movimento negro. Eu estou tentando recuperar o sentido de um mandato quilombo pensando nesse momento de que um mandato é uma ferramenta.</p>
<p>Até 14 de março a gente tinha um pensando, depois outro. Depois da prisão de Lula, depois da intervenção federal também mudou. Depois das eleições, com esse resultado o dia a dia de um mandato já vira outra coisa fora do que a gente tem como clássico de um mandato. <strong>O sentido do mandato quilombo é você se reorganizar, se reestruturar, criar estratégias que venho chamando de tecnologias de guerrilha. Os nossos coletivos na vida já faziam isso para garantir sua sobrevivência e a gente agora traz para o mandato.</strong> É muito difícil separar essa nossa personalidade de movimento dessa nova tecnologia de guerrilha que a gente tem e que tem que ser ao mesmo tempo um quilombo no sentido de acolher os movimento sociais, a sociedade civil organizada e de estar alinhada na luta, na convergência daquilo que a gente entende como pautas prioritárias e fundamentais</p>
<p>A gente precisa, às vezes, despertar as pessoas para esse momento que estamos vivendo, o que é esse contexto. As nossas vidas estão de fato em risco. Desde o risco da morte, de sermos mortas de alguma maneira, mas também a nossa vida em sociedade está em risco. O projeto que a esquerda veio construindo está em risco, está em xeque. Vemos agora o avanço de um projeto conservador que é muito maior do que nós e que passa pela submissão e aniquilação das mulheres pretas, principalmente.</p>
<p>A gente está no momento em que o mandato não é só o espaço de construção de projetos de lei. As pessoas querem saber como vai ser o mandato, mas é o tempo em que a gente tem que formular, em que tem que estruturar justamente para não cair na reatividade. Porque a gente não está lidando com imbecis. Podem ser rasos no sentido da política. A gente está lidando com um sentimento neofascista que não tem apreço por nada. Porque eles não precisam de nada que a gente precisa. A gente deixa de ser parlamentar, a gente vai voltar para o nossos lugar, esses caras não.</p>
<p>Minha experiência parlamentar foi na assessoria de Mariellle Franco. A gente vem com o que a gente tem de elementos dessa experiência, mas, para além disso, temos a relação com os movimentos sociais. É preciso não perder essa dimensão da realidade, do território. Eu sou favelada, não fazer essa desconexão é uma forma de preparar para o mandato. Porque assim a gente faz uma leitura da realidade, nesse contexto de extrema instabilidade democrática que a gente está vivendo, da dificuldade de ocupar esse espaço no parlamento, da histórica negação da capacidade cognitiva, de produzir e formular política pública.</p>
<p><div id="attachment_11962" style="width: 410px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/301118MZC_Deputadas_012.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11962" class="wp-image-11962" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/301118MZC_Deputadas_012-200x300.jpg" alt="30/11/2018. Recife, entrevista com as deputadas Áurea Carolina de Freitas e Silva, Federal em Belo Horizonte, e Mônica Francisco, Estadual no Rio de Janeiro. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="400" height="599"></a><p id="caption-attachment-11962" class="wp-caption-text">Áurea Carolina foi a vereadora mais votada em 2016, em Belo Horizonte, e tem experiência de mandato coletivo com Gabinetona</p></div></p>
<p><strong>Áurea Carolina: o</strong><b>cupando a política coletivamente</b></p>
<p>O que nos sustenta é uma trajetória de atuação em movimentos sociais, em lutas muito diversas, em construções que ora alcançam a institucionalidade, ora estão mais multiplicadas nos territórios. A Gabinetona em Belo Horizonte foi uma super construção de mandato coletivo, aberto, popular. É nossa matriz para chegar na Câmara dos Deputados. Em Minas, elegemos deputada estadual Andrea de Jesus, das <em>Muitas</em>. O mandato em Belo Horizonte agora vai ser expandido em três esferas. A gente já tem um antecedente de vivência dentro do sistema político que nos traz alguns aprendizados, uma atenção e alguns alertas.</p>
<p>Nas últimas semanas estamos em transição e planejando essa expansão. Eu localizo meu preparo nessa reunião de parceiras, pessoas que são mais diretas da articulação política. É com essas pessoas que estamos tecendo essa rede do mandato. Além disso, estou cuidado do preparo subjetivo também. Estou muito consciente de que preciso ter espaço meu de reflexão, de descanso, de formação própria e autocuidado. Nem sempre consigo colocar em prática, mas estou consciente disso e é um amparo que vem dessas outras mulheres que atravessaram esses espaços antes.</p>
<p>No Congresso eles vão fazer de tudo para fritar a gente na reatividade. A gente está a todo momento tentando pegar ar. A gente não pode ficar na resposta quente às provocações. A gente vai ter que desenvolver alguma sagacidade para continuar as denúncias, mas também pautar. Nós já estamos pautando, mas temos que pautar cada vez mais para tentar equilibrar isso. <strong>Não podemos ficar reféns de uma armação intencional deles para consumir todas as nossas energias. A gente pede capacidade organizativa. O vira voto foi isso, em vez de ficar falando de fascismo, a gente foi construir o vínculo com as pessoas. Entendo que nossos mandatos são recursos a serviço das lutas. A gente usa para fazer formação. Isso expande nosso potencial, não fica só ali reagindo</strong>.</p>
<p>O vira voto escapou completamente do controle dos partidos, dos movimentos mais tradicionais. A cidadania ativa se deu conta de que precisava fazer alguma coisa, tinha que virar o resultado e foi para cima, para a rua. Se não fosse o vira voto a gente tinha levado uma balaiada. E a gente demonstrou com essa rebeldia crítica, não muito consciente, mas efetiva, que tem outros jeitos de conectar essa rede.</p>
<blockquote><p><strong>Limites e desafios das esquerdas: i<span style="color: #000000;">nterseccionalidade, construção do Psol e estratégias para 2019</span></strong></p></blockquote>
<p><div id="attachment_11965" style="width: 460px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/301118MZC_Deputadas_016-e1543662048649.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11965" class="wp-image-11965" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/301118MZC_Deputadas_016-e1543662048649-300x200.jpg" alt="30/11/2018. Recife, entrevista com as deputadas Áurea Carolina de Freitas e Silva, Federal em Belo Horizonte, e Mônica Francisco, Estadual no Rio de Janeiro. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="450" height="300"></a><p id="caption-attachment-11965" class="wp-caption-text">Mônica Francisco (Psol), deputada estadual pelo Rio.</p></div></p>
<p><strong>Mônica Francisco</strong> &#8211; Nossa presença nesse contexto, casualmente ou não, e de estar no Psol significa uma reorganização da esquerda. Quando se fala em reorganização da esquerda, essa disputa de narrativa está muito na boca dos homens brancos da esquerda, das figuras que de alguma maneira são as figuras que capitanearam a esquerda até esse momento e que falam desse nirvana de união da esquerda, ou de unidade das esquerdas, ou reorganização das esquerdas no Brasil frente ao avanço desse neofascismo. Essa já é com certeza. Se não é pelo menos o processo inicial dessa reorganização da esquerda que se reorganiza a partir das mulheres, das mulheres negras. <strong>As mulheres negras são a vanguarda. Tenho quase que certeza profética de que as mulheres negras são a vanguarda da reorganização da esquerda</strong>.</p>
<p>Claro que com contra ofensivas que virão. O marco disso foi a execução da Marielle, mas não só. É também um horizonte para que a gente se debruce quando a gente está discutindo cuidados e redes de segurança e prudência, cuidado com a vida mesmo, sobrevivência. Porque isso também é extremamente traumático para a esquerda machista.</p>
<p>É muito traumático esse desconcerto que a nossa presença traz nesse cenário porque a gente é tachada como não puro sangue do partido, mas por outro lado, olhando da nossa perspectiva, dessa vanguarda feminista, a gente é a resposta que o partido ou os partidos estão construindo &#8211; não digo individualmente, mas esse coletivo de mulheres negras e que avançam nessa bancada feminista &#8211; com essa outra dinâmica mais alinhada aos movimentos sociais. Essa relação é dinâmica e quando chega dentro do partido isso é um choque, mas isso é um processo de reorganização da esquerda que passa pelo acesso das mulheres negras.</p>
<p>É uma resposta da própria dinâmica histórica da política. Acho que a gente só vai ter dimensão daqui a uns cinco anos porque a gente está fazendo a história agora. É uma reorganização fora da narrativa tradicional que vem dos homens brancos, sindicalistas. Quando a gente diz que a classe tem cor e tem gênero, ela é localizada socialmente em um determinado lugar. Não dá para pensar reorganização da esquerda sem repensar classe trabalhadora nesse contexto. A gente tem que pensar o que é o trabalho e pensar nas outras formas de trabalho. E há um discurso que avançou e cresceu exponencialmente depois de 2013 de fora partido, fora bandeira, fora sindicato, que está sob ataque e que a gente tem que, de alguma maneira, defender. É um momento para muita reflexão.<b></b></p>
<p>Lembrei da nossa cultura antropofágica. Lembrei de um artigo do Michel Lowy que diz que a gente tem que recuperar o marxismo revolucionário e a utopia surrealista. Que loucura para falar de Exu. Porque é isso, é essa outra cara que chega , que é outra coisa. A gente precisa digerir, ruminar esse marxismo que não cabe mais na nossa leitura. Ou é interseccional ou não é. Não tem como construir política na prática, de verdade, sem interseccionalizar a pauta. Não é racializar o debate, é colocar o racismo no centro do debate marxista. É outra lógica e a gente vem trazendo isso tudo para dentro e causa um rebuliço necessário. É a famosa dialética marxista revolucionária. O que vai dar isso a gente ainda vai ver. Não dá para pensar política hoje desde o micro ao macro sem pensar nas dimensões espirituais, seja da nossa conexão com o todo, as relações que a gente tem que arrumar.</p>
<p><div id="attachment_11957" style="width: 460px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/301118MZC_Deputadas_022-e1543662266620.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11957" class="wp-image-11957" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/301118MZC_Deputadas_022-e1543662266620-300x200.jpg" alt="30/11/2018. Recife, entrevista com as deputadas Áurea Carolina de Freitas e Silva, Federal em Belo Horizonte, e Mônica Francisco, Estadual no Rio de Janeiro. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="450" height="300"></a><p id="caption-attachment-11957" class="wp-caption-text">Áurea Carolina (Psol), deputada federal eleita por Minas Gerais.</p></div></p>
<p><strong>Áurea Carolina</strong>&#8211; Eles ficam falando de união, de unificação, reorganização desse campo genérico das esquerdas, mas têm uma atitude extremamente hegemonista e competitiva. Na prática, a maior parte das figuras que têm influência nos partidos e nas grandes organizações do campo continuam reproduzindo as suas formas viciadas de se relacionar. Não adianta falar em unidade, em aproximação, se o gesto é sempre o contrário. A gente viu isso nas eleições. Até mesmo na competição entre os partidos. O que foi a trama do PT tirando o PSB e o que isso impactou efetivamente no resultado eleitoral? Isso é só um exemplo muito evidente para nós. E como que isso desce até o nível imediato da convivência. Eles não têm autoridade ética para reivindicar essa unificação porque eles se desconectaram completamente da forma e do conteúdo das coisas que eles dizem e fazem. Isso para nós é muito mais caro, nas práticas feministas, negras, periféricas. Não dá para a gente ficar separando essas coisas. Claro que nem sempre a gente consegue resolver, mas a gente tem uma tradição no sentido de uma experiência e não como enquadramento normativo, de fazer mais aquilo que a gente diz. A gente vê como construímos uma comunidade de ajuda mútua, de possibilitar a vida das pessoas.</p>
<p><strong>Não basta reorganizar. Se você tira uma peça, muda de lugar, você move. Eu gosto da provocação da Rob (Robeyoncé Lima, codeputada das <em>Juntas</em> eleita para a Alepe) que falou sobre desconfigurar. Você desprograma, dá um curto circuito. Quando você desconfigura o sistema surta. Eu gosto dessa ideia de desconfigurar, de transformar, que não é simplesmente mover os atores.</strong> A gente precisa ter outras atitudes mentais. E a questão da unidade é isso. Precisa contar com os saberes que hoje são desconfortáveis dentro dos partidos, que são um incômodo. Não contavam que a gente seria essa grande força de renovação. Nós estamos indo na dianteira, fora do cálculo deles. Eles não esperavam, fomos sem pedir autorização.</p>
<p>Esses controladores dos partidos tudo que fazem é tentar conter a própria dinâmica da dialética, como se pudessem determinar uma unificação. Aí não contavam com a gente, nós escapamos do plano, só que nós somos um dado da realidade não previsto pela maior parte deles. Uma outra coisa é que a gente precisa lidar com essa multiplicidade de experiências, mesmo que elas sejam mais ou menos problemáticas, mais ou menos hierárquicas, para tentar enfrentar os ataques cada vez mais pesados que estão vindo aí. A gente tem que construir os lugares de mais confiança e ir fazendo pontes. Nós somos criaturas de fronteira, a gente atravessa muitos mundos. Exu faz isso. A gente tem que ter mais essas mediações. Entre os nossos espaços mais seguros com esses outros espaços que são de menos confiança, menos proximidade. A minha inserção no partido eu vejo dessa forma. Não é um espaço totalmente seguro para mim, mas eu consigo criar uma retaguarda em outros lugares que me permitem fazer uma travessia ali. Da mesma forma, transpondo do partido para uma relação com outro partido ou com outros movimentos, a gente tem que ter essa percepção. Se não for assim a gente não tem condição de sobreviver coletivamente. Aí é que está a generosidade que o momento exige, mas não como uma bondade, mas sim como estratégia. Por mais problemática que seja essa rede das esquerdas, ela precisa operar com algum grau de cooperação e virar rede efetivamente e não um apanhado de organizações que vive sempre em rota de colisão. Se tem uma unidade possível, no sentido mais geral, eu acho que é essa.</p>
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		<title>Entrevista &#124; Isabella de Roldão: &#8220;As mulheres continuam sendo usadas para garantir o espaço do homem&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Oct 2018 20:09:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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		<category><![CDATA[eleições 2018]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Clara Guedes Desde o início do processo de discussões e montagem das chapas para as eleições 2018, o nome da ex-vereadora do Recife Isabella de Roldão foi cogitado para ocupar um lugar em várias composições, sempre na função de vice-governadora. Inicialmente, ela aparecia associada à Armando Monteiro, mas acabou como candidata a vice de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Clara Guedes</strong></p>
<p><a href="http://www.marcozero.org/adalgisas"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-10049" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/08/adalgisasabertura.jpg" alt="adalgisasabertura" width="150" height="100"></a></p>
<p>Desde o início do processo de discussões e montagem das chapas para as eleições 2018, o nome da ex-vereadora do Recife Isabella de Roldão foi cogitado para ocupar um lugar em várias composições, sempre na função de vice-governadora. Inicialmente, ela aparecia associada à Armando Monteiro, mas acabou como candidata a vice de Maurício Rands.</p>
<p>Formada em Direito e também professora, Isabella de Roldão interpreta o PDT fechar sua vice-candidatura com o PROS de Rands, se deve à atuação em seu mandato na Câmara Municipal onde foi “muito combativo, muito independente, muito positivo, modéstia à parte. Foram quatro anos que eu trabalhei ativamente em prol da sociedade do Recife. Acho que a atuação teve um papel de destaque de forma ampla, quando as discussões de gênero estão muito fortes”. Os itens relativos à questão de gênero no programa de governo são exatamente aqueles que ela conseguiu dar “a sua cara”, afinal ela se considera feminista “com muito orgulho”.</p>
<h2>Mulheres na política</h2>
<p>O partido tanto se identifica com esse tema, tanto que colocou meu nome para esse cargo de destaque porque tivemos essa atuação no enfrentamento ao preconceito. Você deve acompanhar que cada vez mais a bancada evangélica está dominando o cenário político. Então as discussões das minorias, especialmente da questão de gênero, são mais difíceis de acontecer, de prosseguir. E a gente conseguiu esse espaço, onde, essas discussões, não só aconteciam, mas como tinham evidência também.</p>
<p>É importante, sim, termos mais mulheres ocupando os papéis de poder no geral, agora, quando trazemos os espaços de poder eleitos, nós que votamos temos que ter cuidado porque essas mulheres, ou algumas dessas mulheres, continuam sendo usadas como massa de manobra dos homens. Por exemplo, um homem que é ficha suja, ele indica a mulher, a filha, a irmã, então essa mulher não está ali por desejo próprio, mas para pautar os desejos daquele homem, ela não vai elencar os direitos das mulheres.</p>
<p>Seria até machista da minha parte, se eu achasse que só acontece no universo feminino. Nós temos homens que são postos somente para representar os interesses de outro homem, de uma entidade, ou de uma personalidade jurídica, e que estão lá para representar exclusivamente interesses de terceiros, não os da coletividade. Então não enxergam a necessidade de pautar as minorias, ou de maiorias que são tidas como minorias, que é o caso das mulheres, somos mais de 54% de todo o eleitorado de Pernambuco, e cerca de 52% no Brasil.<br />
Essa colocação de pessoas para representar interesses é muito perigosa, e nós precisamos estar atentos a isso.</p>
<h2>Cota de 30% para mulheres</h2>
<p>Eu sou super a favor da cota, porque se não houvesse, não teria mulheres candidatas. É algo que, no processo de educação que vivemos no país, torna as cotas são importantes. Lembro-me, na eleição de 2012, quando me candidatei pela primeira vez, já tinha cota, na de 2014, tornou-se extremamente rígida, a cada três homens, uma mulher, ou a cada três mulheres, um homem candidato.<br />
Algo que alertamos muito é que as mulheres continuam sendo usadas para garantir o espaço do homem, e necessitamos entender que os partidos políticos precisam abrir espaço para a vida ativa política das mulheres, sob pena de ficar escravo a cada dois anos estar a caça de mulheres para serem candidatas.</p>
<p>Por que esse espaço precisa ser garantido e aberto? Porque, quando compomos um projeto, sempre abrimos espaços para que os homens sentem nas mesas, estejam atrás do birô com uma canetinha na mão assinando, ou seja, os espaços de poder são destinados aos homens, as mulheres ficam sempre com as funções mais terceirizadas. Não estou dizendo que são menos importantes, mas os espaços de visibilidade são destinados aos homens, às mulheres, não. Então, quando eu não tenho essa visibilidade, não construo em dois, cinco, dez anos da minha vida, é muito mais difícil me lançar candidata, do que um homem que tem esse tempo de visibilidade. Isso já é um desequilibro. As cotas são necessárias para dizer aos homens comandantes das relações políticas que, sem as mulheres, você não sai candidato, precisa das mulheres.</p>
<p>Este ano, veio uma força muito maior, a destinação dos recursos. Ninguém faz campanha sem dinheiro, o mínimo que tem é precisar pagar a passagem, colocar gasolina no meu carro, comer, ter um papel na mão, um santinho com meu número pra pedir voto a você. Esses recursos eram exclusivamente destinados para as campanhas masculinas, as mulheres não tinham recurso. A cota do fundo para mulheres é um passo importantíssimo, para garantir, não só a quantidade, a porcentagem, mas também o financiamento dessas campanhas, porque não adianta só ter homens que dizem ser feministas, defendam pautas feministas, nós temos capacidades de brigar pelas nossas próprias pautas. Não preciso que ninguém me paute, eu tenho desejo de participar do processo, que é algo que deve ser respeitados, e as mulheres que tem vocação para a política, tem que ter espaço para entrar, mesmo que seja no enfrentamento para conseguir.</p>
<h2>O papel da vice</h2>
<p>Eu acho que com a questão do golpe, deste impeachment, totalmente orquestrado e armado, de fato o papel, a pessoa do ou da vice, está em evidência, especificamente, porque temos um péssimo dito cujo chamado presidente da república, que nem sequer consideramos presidente. O espaço do vice, da vice, nunca foi um espaço desconsiderado, na verdade, você pode ter pessoas que não façam jus a esse cargo, pessoas que são sombra, digamos assim. Mas é importante, ele ser ocupado por uma mulher, é simbólico e significativo, e abre uma discussão que eu acredito que pode e deve ser trazida pela representação feminina. Eu digo sempre que eu não preciso de homens que falem por mim, eu sei falar, eu preciso de pessoas que se unam a uma grande bandeira para que a gente fortaleça essa luta pela igualdade. Então, acho muito significativo esse espaço, quando você está votando num governador, está elegendo um vice junto, e pode dar zebra, como deu agora, com o exemplo de Temer.</p>
<p>Caso sejamos eleitos, minhas atribuições seriam as que já se têm hoje na disputa eleitoral. Primeiro, essa atribuição não é designada por ele, é um espaço que nós já construímos hoje na própria dinâmica de campanha. Sentamos diariamente, discutimos diariamente a agenda, programa de governo, questões polêmicas, entrevistas, estamos sempre dispostos a discutir e a pautar. Acredito que Rands governador e Isabella vice-governadora é a participação comum aos dois.</p>
<p>Óbvio que, ele estando no Estado, os atos serão assinados por ele, porque é a função dele, mas isso não impede que a gente construa juntos e que o nosso espaço seja garantido. Primeiro, porque ele entende que assim que tem que ser – ainda bem porque não dava para eu estar na chapa com um homem extremamente machista – ele tem um entendimento muito legal dessa luta por igualdade. Esse espaço será construído por nós pós eleição, se eu assumiria alguma função específica, se ficaria na vice-governadoria, é muito de cooperação da dupla, estamos muito juntos em tudo.</p>
<h2>Campanha e maternidade</h2>
<p>Temos hoje quatro meses de licença maternidade, no serviço público, pode chegar aos seis meses, os homens têm, no máximo, sete dias. É como se entendesse que, ao homem, não cabe a responsabilidade do cuidado doméstico e paternos e maternos. Por isso a diferença.<br />
Eu acho que existe um certo aspecto solidário das mulheres, até dos homens, por entender uma determinada situação. Saiu até em um jornal dizendo: se já é corrido pras pessoas o processo político, imagina para Isabella que está amamentando. Existe esse olhar, solidário mesmo, porque eu faço questão de ter esse contato familiar, isso tem uma exigência física e emocional. Vejo, então, como um olhar solidário, de perceber que existe esse peso maior, um momento delicado, entrei na campanha com catorze dias de parida.</p>
<p>Aos homens é muito diferente? Claro, se você pegar qualquer homem com uma mulher recém-parida em casa, quem está recém-parida é ela, não é ele. A vida segue normal, pode passar uma ou duas semanas fora de casa, enquanto ela e o bebê ficam guardados em casa.</p>
<h2>Espírito de colaboração</h2>
<p>Eu e Rands já construímos juntos as pautas que debatemos e os pontos específicos de transformação para o estado. Somos tanto dessa esfera da colaboração que o nosso plano de governo é colaborativo. Abrimos uma página onde você pode entrar, se cadastrar e propor o que você pensa, por exemplo: para a sua área de jornalismo, para área de estudante, para a área de estagiário, saúde, transporte coletivo, o que você enxerga que é necessário transformação?</p>
<p>A colaboração vai além da esfera Maurício-Isabella, ela entra para o entendimento de como devemos gerir o Estado. Claro que há questões que serão decisões totalmente nossas, mas a maioria das políticas propostas para um estado, um país, tem que participação popular, senão ela não é validada, você não se apropria do que eu proponho.</p>
<h2>Vocação</h2>
<p>Eu sou advogada de formação, professora, eu nunca pensei em entrar para a política, até porque meu pai foi deputado, e eu tinha muito trauma dessa falta de ter meu pai em casa, ele estava sempre no mundo, a política toma muito tempo. Entretanto, as pessoas começaram a me provocar: “Isabella, tu tem muito jeito pra política”, e começou a me assustar porque dei conta que gostava, sempre participei, e, quando atuava, estava agindo politicamente.</p>
<p>Comecei a entender que gostava de discutir as questões do coletivo, nunca fui uma pessoa pautada no individual. Fui representante de classe minha vida toda, até na pós-graduação, quando tinha uma bronca, todos diziam: “vai, Isabella, resolve”, era eu quem fazia em prol do coletivo.</p>
<p>Devagarzinho, indo às reuniões, discussões das demandas de determinado local, pessoas que nós conhecemos e que moravam em certas comunidades. Percebi, assim, é possível, com todo esse potencial que eu me enxergo, esse desejo, fazer. Talvez não modificar imediatamente, mas plantar a semente, no mínimo, conversar sobre a importância do voto com as pessoas para se conscientizarem das suas escolhas.</p>
<p>Comecei a me envolver em 2011. No ano de 2012, eu já estava mais empoderada desses meus potenciais e me lancei a candidata a vereadora para Recife pelo PDT, um partido que meu pai foi filiado a vida toda, e um dos fundadores no estado. Me elegi e mergulhei de cabeça, mas meus filhos puderam sentir na pele a dor que eu senti com a ausência do meu pai. Eu fico muito ausente, porque exige muito de você. Há muitos lugares para ir, pessoas para visitar, reuniões, demandas de participação. As pessoas me procuravam muito na Câmara, porque me enxergavam como alguém que levaria a sério determinadas demandas nas mais diversas áreas, e isso exigia de mim tempo de estudo, de participação, e eu brigava por aqueles espaços, porque entendia que eram eles em que se construía.</p>
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		<title>Entrevista &#124; Dani Portela: &#8220;O estado não pode ser um balcão de negócios&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Sep 2018 00:48:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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		<category><![CDATA[eleições 2018]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A candidatura de Dani Portela ao governo de Pernambuco pelo PSol teve um início conturbado. Parte do partido queria que o vereador Ivan Moraes concorresse ao cargo. Outra parte, ligada ao deputado Edilson Silva, apoiou o nome de Dani, que nunca havia disputado uma eleição. A candidatura dela foi apresentada como um marco: pela primeira vez [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.marcozero.com/projetoadalgisas"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-10049" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/08/adalgisasabertura.jpg" alt="adalgisasabertura" width="150" height="100" /></a>A candidatura de Dani Portela ao governo de Pernambuco pelo PSol teve um início conturbado. Parte do partido queria que o vereador Ivan Moraes concorresse ao cargo. Outra parte, ligada ao deputado Edilson Silva, apoiou o nome de Dani, que nunca havia disputado uma eleição. A candidatura dela foi apresentada como um marco: pela primeira vez Pernambuco teria uma chapa totalmente feminina, com governadora, vice (Gerlane Simões, do PCB) e duas senadoras (Eugênia Lima e Albanise). Ivan, um nome em ascendência na politica pernambucana, se retirou da disputa e apoiou a chapa feminina e feminista, concorrendo agora para a Câmara Federal.</p>
<p>Advogada, com mestrado em História, Dani Portela é a mulher concorrendo ao governo que deve contar com mais recursos financeiros, ainda que muito aquém dos principais candidatos homens. Até agora, recebeu R$ 60.280 do fundo eleitoral. O TSE não registra ainda nenhuma doação para a candidata.</p>
<p><a href="http://divulgacandcontas.tse.jus.br/candidaturas/oficial/2018/BR/PE/2022802018/170000607362//proposta_1534168924087.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Confira aqui o plano de governo de Dani Portela</a></p>
<p>Apesar de o começo da campanha ter sido marcado por um forte componente de gênero, Dani Portela reclama de ser sempre questionada sobre os mesmos temas em entrevistas. &#8220;É uma candidatura de gênero, mas que não impede de se discutir todas as propostas. Sempre me perguntam sobre violência contra a mulher, sobre aborto, sobre feminicídio. É como se eu, por ser mulher, não pudesse falar de outro assunto. Posso e quero falar também sobre orçamento, tributação, sobre reforma administrativa&#8221;, diz.</p>
<p>Dani vê a chapa que encabeça como uma resistência e uma mudança. &#8220;São duas mulheres negras em um estado misógino, machista e LGBTfóbico. Em um estado em que a gente olha para os políticos e parece que para ser político precisasse ter alguma coisa no sangue, no DNA. É quase uma monarquia, é hereditariedade. Ninguém quer sair. E quando se fala em renovação, alternância de poder, é alternância só de pai para filho, avô para neta&#8221;, denuncia.</p>
<p>Com uma flor na cabeça, marca registrada nesta sua campanha, Dani Portela recebeu a Marco Zero no comitê conjunto da coligação Psol/PCB, em um belo casarão na Praça do Derby. Por mais de uma hora, Dani falou com desenvoltura sobre vários temas &#8211; do ICMS às políticas para deficientes &#8211; e só hesitou ao responder com números exatos. &#8220;Vou pedir para minha assessora confirmar. Não quero cair no Truco&#8221;, brincou, citando o<a href="https://marcozero.org/truco2018/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> projeto de checagem da qual a Marco Zero é parceira</a>.</p>
<blockquote><p>O projeto Adalgisas, da Marco Zero Conteúdo, entrevistou as três mulheres candidatas ao Governo do Estado.<br />
Confira as propostas delas:<br />
<a href="http://marcozero.org/entrevistaana-patricia-alves-a-revolucao-e-no-momento-mais-critico-ainda-falta-muito-mais-sofrimento-para-o-brasileiro/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ana Patrícia Alves (PCO)</a><br />
<a href="http://marcozero.org/entrevista-dani-portella-o-estado-nao-pode-ser-um-balcao-de-negocios/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Dani Portela (Psol)</a><br />
<a href="http://marcozero.org/entrevista-simone-fontana-pstu-defendemos-jornada-de-36h-com-manutencao-dos-salarios/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Simone Fontana (PSTU)</a></p></blockquote>
<h2><strong>Projeto de governo<br />
</strong></h2>
<p>Começamos a partir de março a pensar em um programa. &#8220;E se a gente governasse Pernambuco&#8221;, que virou um dos slogans da campanha. Mas não é um &#8220;se&#8221; de possibilidade remota, de sonho. É de colocando no espaço da construção, indagando o que as pessoas querem, uma construção que pode ser real. Fizemos muitas reuniões programáticas, por temas, primeiro para dividir e depois somar. As propostas não são estanques. Um das nossas bandeiras é a interiorização dessas discussões. Hoje o Psol tem representação em 50 municípios. Nossa primeira reunião foi em Garanhuns, discutindo LGBTQI+. Um dos princípios do estado que a gente quer é um política com dois elementos basilares: alternância de poder e a representação das identidades. &#8220;Nada sobre nós sem nós&#8221; (outro slogan da campanha): que a primeira voz a ser ouvida, a ter fala, seja de cada representatividade.</p>
<h2><strong>Esquerda X Direita</strong></h2>
<p>Estamos passando por uma das maiores crises dos últimos 30 anos. Uma onda de retrocessos, com a PEC dos Gastos, que congela os gastos públicos por 20 anos. Com dois anos já sentimos o impacto, imagina com 20! Isso vai ter uma repercussão muito grande. Precisamos deixar isso claro para as pessoas. O grande desafio da esquerda hoje é dialogar, a gente perdeu a capacidade de diálogo. E com essa distância de direita e esquerda, a gente perde a capacidade de dialogar. E diante dessa falta de esperança é que a figura de um Bolsonaro tem crescido. Em cima do ódio, da desinformação, do revanchismo, sem nenhuma proposta. O pior não é ele fazer isso, é saber que mesmo que esse projeto não saia vitorioso em 2018, é saber que os eleitores que ele conquistou talvez sejam dele, e tem uma parcela muito grande da nossa população, principalmente no interior.</p>
<p>Jovens negros do interior estão identificados com esse projeto. No que ele se vê incluído em um projeto que é tão excludente? Como ele não se percebe excluído? Quando você olha o crescimento de movimentos totalitários, eles sempre aparecem em momento de grandes crises, uma crise econômica, de emprego &#8211; temos 81 mil jovens entre 15 e 17 anos que estão fora da escola, fora do trabalho. Não tem uma política de esporte e lazer que absorve. Tem uma parcela ociosa meio sem entender qual o caminho. Políticas salvacionistas acabam seduzindo. E essa coisa da impunidade&#8230;Ele (Bolsonaro) mexe com nossos sentimentos mais profundos. É apelativo, que mexe com o senso comum, mas não dialoga com a razão. Não traz dados, não traz elementos, não argumenta. Traz muito sentimento. E esse da impunidade aqui em Pernambuco é forte. É a coisa da vingança, da violência se resolver com violência. Como se a gente já não tivesse uma das maiores populações carcerárias do mundo&#8230;muitos debates sobre segurança só fala em mais prisão, mais polícia, mais lei. A gente precisa é de mais justiça social. Atacar na outra ponta. O Brasil não investe em prevenção.</p>
<h2><strong>Reforma administrativa</strong></h2>
<p>Precisamos de uma reforma administrativa ampla, que passa pelo enxugamento das secretarias. Acredito que o estado está hipertrofiado, mas quando eu falo enxugar, falo enxugar em secretarias e cargos comissionados. Eu sempre falo que o tamanho do palanque é o tamanho do governo. Você vê um prefeito que apoia uma eleição vai receber uma pasta. Quanto mais sigla tiver, mais cargos. Existe até uma secretaria específica para desenvolvimento, são 11 cargos dentro dessa secretaria &#8211; não lembro direito se são 11, só para não cair no Truco &#8211; e aí você tem outra secretaria para meio ambiente e sustentabilidade. Como você pode falar em desenvolvimento que não é sustentável? Aí você cria outra secretaria, e um monte de cargo. Quando você vai ver o orçamento para os projetos da pasta são menores que a folha. Uma incongruência. Eu proponho diminuir a quantidade de secretarias e cargos comissionados. Para investir na qualificação do funcionário público, no plano de cargos e carreiras, para que a gente tenha condição de fazer concursos públicos.</p>
<p>Uma crítica que eu também faço é a lei de responsabilidade fiscal. Você limita a 60% o gasto com pessoal, mas o artigo nono até hoje não foi discutido: Não há limite para endividamento. Não há limites para pagamento de juros. Uma reforma administrativa tem que ser para que o estado seja maior onde ele deve ser: nas políticas públicas, para investimentos e na área social.</p>
<h2><strong>Tributação</strong></h2>
<p>A gente propõe uma auditoria fiscal séria. Hoje o passivo da dívida em Pernambuco está em torno de R$ 15 bilhões. A gente arrecada 0, 07% (desse valor). Não é nem 1% do que se deve. Então sonegar em Pernambuco é um grande negócio. Imagina esse dinheiro todo investido em políticas sociais: geração de emprego e renda, saúde, educação. Nós temos que apostar em dois eixos: reforçar a Secretaria da Fazenda para que eles trabalhem com mais autonomia. Quem sonega não é o consumidor. O principal imposto sonegado é o ICMS e é sonegado por grandes empresas, cartéis. E outra coisa é uma parceria com o judiciário. Hoje uma execução judicial leva anos e anos e anos. A empresa declara falência, abre outra e você não consegue reaver. Temos que entrar nisso com mais seriedade.  E acabar de fazer do estado um balcão de negócios. Hoje até na saúde, para uma marcação de exame ou de consulta, você precisa de uma indicação, que muitas vezes sai dos gabinetes dos políticas.</p>
<h2><strong>Incentivos fiscais</strong></h2>
<p>A política do incentivo fiscal precisa ser vista com muito cuidado. A gente tem essa política desde 1991. Em 27 anos o que essa política gerou? Gerou renda, emprego? A gente precisa rever essa política de isenção e desoneração não pode ser só para os amigos do rei. A gente está candidatando a um estado da federação, mas é necessário falar sobre uma revisão do pacto federativo. O Brasil é um dos países com a maior carga tributária do mundo. Então, arrecada. Só que essa arrecadação não é distribuída entre os entes federativos. A União fica com a maior fatia, com o bolo quase inteiro. É muito desigual. A principal fonte de arrecadação dos estados é o ICMS e o IPVA, que são impostos estaduais,. Então toda isenção e desoneração tem um peso muito grande para o estado. Então a contrapartida (das empresas) é muito importante. Como ter justiça social investindo só nas grandes empresas. A isenção tem que dar uma contrapartida que leve à diminuição do abismo social que existe no Brasil, tem que ir para produtos de cesta básica, por exemplo. Com a Copa, Pernambuco virou um canteiro de obras, com grandes isenções, de até 20 anos, e o que fica depois?</p>
<h2><strong>Cotas para mulheres na política </strong></h2>
<p>No momento em que há a cota de 30% (para candidaturas e fundos eleitoral e partidário),  os partidos ficam desesperados por mulheres para cumprir a cota, porque é difícil para as mulheres ocuparem esses espaços. Não porque elas não se entendem como atuantes politicamente, mas porque a sobrecarga na sociedade é muito grande nas nossas costas. Trabalhamos mais, ganhamos menos. A mulher é quem geralmente é responsável pelo cuidado da casa, da família e lançar-se na esfera política é um desafio muito grande. Tenho escutado isso de muitas mulheres nesta campanha. E não só das que vem de uma posição mais feminista e politizada. Quando uma mulher sobe, ela puxa a outra. Esse sentimento é coletivo. O Psol vem desconstruindo o machismo dentro do partido, mas escutei coisas como &#8220;é uma candidatura feminista, então só vai falar de gênero? Gênero é uma questão superada, temos que discutir classe&#8221;. Como se a gente pudesse fazer algum recorte de classe sem a gente entender que tem que fazer recortes de identidade, que foram historicamente inviabilizadas. Nossos corpos são corpos políticos e eles precisam ocupar os espaços públicos.</p>
<h2><strong>Liberação das drogas</strong></h2>
<p><span style="color: #222222;">É uma pauta do partido.  A gente não esconde e não vamos colocar as pautas da gente no armário durante a campanha. São pautas que representam não só o escopo ideológico ou partidário, mas é uma pauta urgente: as pessoas estão morrendo. A guerra às drogas tem matado mais que as próprias drogas. A questão das drogas tem que ser tratada como política pública, tem que se tirar a cortina do moralismo, do eleitoreiro e do eleitoral. Não temos vergonha de dizer que apoiamos a liberação da maconha. Não existe ainda um consenso sobre a liberação de todas as drogas. O consenso está em relação à maconha, seja uso terapêutico, medicinal ou recreativo. É bem clichê falar isso, mas o maior índice de doenças vem por substâncias legais, como álcool e tabaco. Criminalizar a maconha é se impor uma guerra, a suposta guerra às drogas, que vem matando muito, causando extermínio de uma população jovem, negra, periférica. A Polícia Militar do Brasil é a que mais mata e que mais morre. Na PM  são pretos batendo em pretos. Há mais encarceramento: 40% dos presos são presos provisórios, que nem foram julgados ainda. Em qualquer presídio a maioria é de homens jovens e negros. Nos presídios femininos, a maioria é porque se envolveu com o tráfico. O sistema escolhe a quem punir, escolhe uma classe, uma cor, um estrato da sociedade, marginalizando gerações, que estão sendo aniquiladas. É preciso discutir redução de drogas, sem colocar as drogas como caso de polícia.</span></p>
<h2><strong>Pessoas com deficiência</strong></h2>
<p>É preciso ampliar a forma como se pensa acessibilidade nos órgãos públicos. Quando a gente fala de acessibilidade, pensa logo em tirar as barreiras arquitetônicas. Mas como é para um mulher surda que tem que denunciar um crime em uma delegacia? O vereador Ivan Moraes faz um trabalho muito bonito de inclusão na Câmara, e inclusive os pronunciamentos todos dele têm tradutor de libras.</p>
<h2 style="color: #222222;"><strong>Moradia </strong></h2>
<p style="color: #222222;">É preciso de fazer uma democratização dos meios para que se cumpra um direito humano que é o da moradia É urgente que se faça sim uma regulamentação fundiária. É uma questão do município, mas precisamos pensar na função da social da propriedade. Sou advogada e dou apoio jurídico às ocupações quando é necessário. E na minha própria família, que tem muitos reacionários, eu escuto parentes falando que &#8220;ah, quem invade é vagabundo&#8221;. E não, são famílias. No dia da <a href="http://marcozero.org/ocupacao-marielle-franco-completa-30-dias-de-resistencia-e-sonhos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">ocupação Marielle</a>, chegou uma mulher com um bebê de 20 dias no colo e ela estava tão feliz, que ia ter uma casa, um teto. Ninguém que tem uma casa se submete a passar pelo que se passa em uma ocupação. Temos que parar de reproduzir preconceitos e pensar em justiça social mesmo, abrir mão de privilégios econômicos.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entrevista-dani-portella-o-estado-nao-pode-ser-um-balcao-de-negocios/">Entrevista | Dani Portela: &#8220;O estado não pode ser um balcão de negócios&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Entrevista &#124; Simone Fontana (PSTU): &#8220;Defendemos jornada de 36h com manutenção dos salários&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Sep 2018 17:54:48 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[adalgisas]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 20018]]></category>
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		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ela já foi candidata a vereadora, a deputada, a senadora por duas vezes, a prefeita por outras duas vezes. Desde a fundação PSTU, em 1994, a professora Simone Fontana é uma militante participativa, mas nunca passou dos seis mil votos. Já foi também, por quatro vezes, presidente do Sindicato Municipal dos Professores do Recife, o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.marcozero.org/projetoadalgisas"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-10049" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/08/adalgisasabertura.jpg" alt="adalgisasabertura" width="150" height="100"></a>Ela já foi candidata a vereadora, a deputada, a senadora por duas vezes, a prefeita por outras duas vezes. Desde a fundação PSTU, em 1994, a professora Simone Fontana é uma militante participativa, mas nunca passou dos seis mil votos. Já foi também, por quatro vezes, presidente do Sindicato Municipal dos Professores do Recife, o Simpere. Hoje é aposentada da rede estadual e dá aulas para o ensino fundamental da Escola Municipal do Leão, em Boa Viagem.</p>
<p>Como candidata experiente em Pernambuco, diz que estaeleição, em que disputa pela primeira vez o cargo de governadora, está diferente. &#8220;Há uma descrença muito grande da população&#8221;. Simone também vê que as ideias revolucionárias do PSTU estão atraindo mais a periferia. &#8220;Estamos tendo um bom diálogo nas ruas. Fizemos muitas reuniões este ano, reuniões grandes&#8221;.</p>
<p><a href="http://divulgacandcontas.tse.jus.br/candidaturas/oficial/2018/BR/PE/2022802018/170000606877//proposta_1534209400477.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Confira aqui o programa de governo de Simone Fontana (O PSTU faz um programa único para todo o país)</a></p>
<p>Para a verba de campanha, o PSTU em Pernambuco conta metade com doações e metade com o Fundo Eleitoral. A fatia nacional para o partido foi deR$ 980.691,10, o valor mínimo. O diretório estadual ficou com apenas R$ 29,4 mil dessa verba e as candidaturas do partido (10, com paridade de gênero) devem custar cerca de R$ 50 mil &#8211; o que falta deve vir das doações. Todo o dinheiro do diretório foi para a candidatura de Simone, segundo dados do TSE. &#8220;Mas está sendo usado para todos os candidatos&#8221;, diz. Alguns panfletos e santinhos são com mais de um ou com todos os candidatos do PSTU. Na propaganda gratuita eleitoral, Simone conta com 7 segundos no guia e 30 segundosnas inserções.</p>
<p>A sede do partido fica há cinco anos no térreo de um prédio caixão na Rua do Sossego, na Boa Vista, onde funciona também o comitê das candidaturas. Foi lá que Simone Fontana concedeu esta entrevista a Marco Zero Conteúdo, onde fala com a mesma calma e simpatia sobre ofertar mais creches na rede pública e a defesa do porte de armas pelos cidadãos.</p>
<blockquote><p>O projeto Adalgisas, da Marco Zero Conteúdo, entrevistou as três mulheres candidatas ao Governo do Estado.<br />
Confira as propostas delas:<br />
<a href="http://marcozero.org/entrevistaana-patricia-alves-a-revolucao-e-no-momento-mais-critico-ainda-falta-muito-mais-sofrimento-para-o-brasileiro/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ana Patrícia Alves (PCO)</a><br />
<a href="http://marcozero.org/entrevista-dani-portella-o-estado-nao-pode-ser-um-balcao-de-negocios/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Dani Portela (Psol)</a><br />
<a href="http://marcozero.org/entrevista-simone-fontana-pstu-defendemos-jornada-de-36h-com-manutencao-dos-salarios/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Simone Fontana (PSTU)</a></p></blockquote>
<h2><strong>A importância das eleições</strong></h2>
<p>Cada vez mais se comprova que a eleição não muda nada. Há quantos anos se faz eleição e o que a gente vê de mudanças realmente? Pouca coisa, praticamente nada. Mudam só os gerentes do capital, uns puxando para um lado, outros para outro. Mas o voto é importante para fortalecer o projeto que a gente tem: temos um tempo muito restrito na TV, quase não vamos para debates e o espaço maior que temos são entrevistas para divulgar nosso projeto de sociedade, que é uma sociedade do conjunto das classes. O PSTU não tem deputados, temos um vereador. E os eleitos pelo PSTU recebem não o salário do cargo, mas um salário compatível com a profissão que ele desempenhava. O restante do dinheiro vai para as causas do partido.</p>
<h2><strong>Engajamento e revolução</strong></h2>
<p>Com a crise do próprio capital, a perspectiva é de mais ataque às classes trabalhadoras, o aumento do desemprego, as reformas que visam tirar direitos do trabalhadores. A perspectiva de reformas piora a vida do trabalhador, vai aumentar ainda mais a precarização com a questão do teto para os gastos públicos, vai piorar as questões da saúde. Com a concentração de riqueza na mão de poucas pessoas, o grande empresariado exige mais do estado, que tira da classetrabalhadora. O mecanismo do pagamento da dívida pública leva metade do orçamento do Brasil. Oitenta porcento do PIB é para pagamento de juros e amortização das dívidas (Não é bem assim: <a href="http://marcozero.org/simone-interpreta-errado-dados-da-divida-publica/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://marcozero.org/simone-interpreta-errado-dados-da-divida-publica</a>/). Como a população está muito descrente das instituições, da política e do judiciário,temos visto grandes levantes. Em 2013 a população foi para as ruas de maneira espontânea, denunciando os gatos com a Copa do Mundo, com as arenas. Ano passado teve uma grande greve geral, esse ano os caminhoneiros foram à luta &#8211; não foi <em>lockout</em>, conversamos com os caminhoneiros na BR. É possível construir mais greves gerais&#8230; O Rio de Janeiro está uma confusão, funcionários sem receber. Em vários países a transformação veio pela revolução.</p>
<h2><strong>Economia</strong></h2>
<p>Não deveria haver nenhum tipo de incentivo fiscal, as empresas já são muito ricas. Você vê uma empresa como a Fiat. Conseguiu benesses do estado e paga aos seus funcionários um dos piores salários do mundo. E o lucro da fábrica vai para o exterior. E não há nenhuma contrapartida para o estado: é só dar dinheiro.Quanto à dívida pública, nossa proposta é suspender imediatamente todos os pagamentos e fazer uma auditoria. A gente tem um governo estadual que tem uma dívida de R$ 15 bilhões. Não sabemos quanto se paga mensalmente dessa dívida. A nível nacional, o pagamento da dívida pública afeta estados e municípios. É um mecanismo cruel de desvio de dinheiro para os bancos. Hoje temos seis bilionários controlando o Brasil todo.</p>
<h2><strong>Geração de empregos</strong></h2>
<p>Defendemos hoje que o desemprego é um dos pontos mais difíceis, isso aumenta a violência. Nossa proposta é diminuir a jornada de trabalho e quase dobrar o número de empregos. Defendemos 36 horas semanais e o mesmo salário. É possível fazer isso: os patrões hoje fazem banco de hora, o trabalhador quem sai perdendo. Outra proposta é a criação de uma empresa estatal para a construção de obras públicas. Construir creches, hospitais. Nada de parcerias com empresas privadas. As empresas públicas deveriam ser controladas pelos trabalhadores com chefias eleitas pelos trabalhadores, prestação de contas abertas, transparência. Mas hoje o que acontece é que quem assume as empresas públicas assume por indicação política.</p>
<h2><strong> Educação</strong></h2>
<p>É necessário uma revolução. Precisa de incentivo da creche até a universidade. Educação é para elevar os níveis científico, cultural e humano, e hoje não acontece nada disso. Temos em Pernambuco 100 mil jovens de 15 a 17 anos fora das salas de aulas. Temos salas superlotadas, quentes. O governo não faz mais concurso público, não respeita a lei do piso. Está há 10 meses sem atualizar os salários. E quando paga o piso, o piso é muito baixo. O professor tem que trabalhar em 2 ou 3 empregos, não dá conta. Não tem quadra nem laboratório nas escolas. Nossa luta agora é contra a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) que vai restringir o acesso do aluno ao conhecimento, diminuindo o número de disciplinas. E a batalha para não ser aprovada a Escola sem partido. Falar de política também é educar. A gente vê o capitalismo fazendo propaganda o tempo todo, em livros didáticas, por exemplo. Paulo Câmara fala em ProUni estadual. Isso é um absurdo. Não tem verba nem para a Universidade de Pernambuco (UPE) e ele quer socorrer as universidades privadas. Tem é que investir e abrir vagas na UPE, e não em parceria pública privada.</p>
<h2><strong>Saúde</strong></h2>
<p>Os médicos já estão fazendo greve contra as OS (organizações sociais, que administram hospitais). Os terceirizados em Pernambuco estão com os salários atrasados. Paulo Câmara manda R$ 728 milhões para as OS e a própria secretaria de Saúde tem R$ 282 milhões, segundo dados do Tribunal de Contas do Estado. Ter a saúde como mercadoria é assistir a cenas de guerra, com corredores lotados de pacientes. E é preciso investir em saneamento básico, para evitar doenças como a dengue, chicungunha, zika. Dar atenção à saúde do trabalhador: o estresse no trabalho, doenças ocupacionais, acidentes de trânsito. Muito disso pode ser diminuído com a jornada reduzida. O desemprego também adoece as pessoas.</p>
<h2><strong>Porte de armas</strong></h2>
<p>Acreditamos no direito à auto-defesa, de defender sua própria vida. Somos contra o desarmamento. Hoje quem tem acesso às armas é a polícia, o estado e a burguesia &#8211; há várias empresas privadas de vigilância para proteger os bancos e as propriedades privadas. Grande parte dos mortos pela polícia são jovens negros da periferia. Defendemos a criação de comitês de auto defesa. Outo dia vi uma fala de uma travesti dizendo que só se sentia segura para sair de casa com uma faca na bolsa. Como dizer para ela que ela não pode se defender? As mulheres da periferia que voltam para casa de noite têm o direito da auto-defesa.</p>
<h2><strong>Cultura</strong></h2>
<p>Temos uma proposta de cultura para engrandecer o ser humano. O que a gente vê hoje são mega eventos, atrações nacionais na mídia enquanto os artistas locais ficam renegados com cachês atrasados. É preciso estimular a cultura, o teatro, o cinema. Retomar a construção e reforma de teatros &#8211; como o do Parque, que mesmo sendo da prefeitura, o estado tem que ajudar. A interiorização dos cinemas também é importante.</p>
<h2><strong>Direitos humanos</strong></h2>
<p>A nossa proposta são conselhos populares que vão governar, como no começo da União Soviética. Isso sim que é democracia. Depois houve uma queda da democracia com Stalin e um grande enfrentamento (à democracia) com o imperialismo. Mas houve avanços, como a erradicação do analfabetismo e até hoje a Rússia quase não tem desemprego é muito pouco (cerca de 5%, mas com uma das produtividades mais baixas da Europa). Somos a favor da legalização do aborto, da liberação da maconha e de todas as drogas. A maconha é um absurdo proibir, é uma planta. Quanto às outras, o estado assumiria a venda e o tratamento para quem é dependente, fazendo campanhas educacionais para alertar sobre o uso.Quanto à questão da moradia, defendemos a desapropriação de imóveis sem uso e terrenos baldios. Pernambuco tem hoje um déficit habitacional de 320 mil moradias e há vários prédios desocupados usados para a exploração imobiliária, sem função social.</p>
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		<title>Entrevista &#124; Ana Patrícia Alves: &#8220;A revolução é no momento mais crítico. Ainda falta muito mais sofrimento para o brasileiro&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Sep 2018 12:17:51 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[ana patricia alves]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2008]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A agente comunitária Ana Patrícia Alves parece ter caído de paraquedas na campanha para o Governo de Pernambuco. Último nome a ser registrado para a corrida ao cargo no Tribunal Regional Eleitoral, ela se filiou ao Partido da Causa Operária (PCO) também no limiar, em abril passado. Conheceu o PCO navegando pelo YouTube após o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p align="left"><a href="http://www.marcozero.org/projetoadalgisas"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-10049" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/08/adalgisasabertura.jpg" alt="adalgisasabertura" width="150" height="100"></a>A agente comunitária Ana Patrícia Alves parece ter caído de paraquedas na campanha para o Governo de Pernambuco. Último nome a ser registrado para a corrida ao cargo no Tribunal Regional Eleitoral, ela se filiou ao Partido da Causa Operária (PCO) também no limiar, em abril passado. Conheceu o PCO navegando pelo YouTube após o golpe de 2016. “Vi uma análise de Rui Costa Pimenta e gostei muito”, lembra.</p>
<p>Depois, foi passar férias em São Paulo e conheceu pessoalmente integrantes do partido. Participou de um “intensivão” de cinco dias em Jundiaí e, ao voltar para Jaboatão dos Guararapes, onde mora há 16 anos, começou a frequentar as reuniões do partido. Inicialmente, seria indicada para a disputa do senado e Alex Rola (sim, esse é o sobrenome de família dele) para o governo. Mas o pessoal do PCO em São Paulo sugeriu a troca, que foi acatada por unanimidade – são cerca de 40 filiados participantes no estado.</p>
<p><a href="http://divulgacandcontas.tse.jus.br/candidaturas/oficial/2018/BR/PE/2022802018/170000624070//proposta_1537195204819.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Confira aqui o programa de governo de Ana Patrícia Alves (o PCO faz um programa único para todo os candidatos</a>)</p>
<p>Nacionalmente, o Partido da Causa Operária recebeu a cota mínima do Fundo Eleitoral, de R$ 980.691,10 (0,57%). Mesmo sendo a candidata majoritária, as contas de Ana Patrícia no TSE mostram que ela teria recebido R$ 600, o mesmo que os demais candidatos do partido. Também não sabe quanto vai receber ao longo da campanha. A candidatura dela &#8211; e de todo mundo do PCO em Pernambuco &#8211; foi indeferida por falta de documentação, mas o partido diz que apresentou recurso e aguarda decisão do TRE.</p>
<p>O PCO também está sem sede. O comitê ocupa a área de serviço da casa dela, em Jardim Piedade. Para esta entrevista a Marco Zero, por exemplo, Ana Patrícia veio de ônibus ao lado de uma amiga. Toda movimentação da candidata é feita por transporte coletivo ou de bicicleta. Não tem nenhum assessor. Quem a ajuda na campanha são os amigos e colegas de trabalho. “Não é fácil enfrentar uma candidatura dessas sem nenhuma cobertura. Mas estou levando como levo tudo na minha vida de trabalhadora, na tora”, diz Ana Patrícia.</p>
<p>Não vai mais sair do Grande Recife: a única viagemfoi para Gravatá, no carro de um amigo. Na entrevista abaixo, a candidata do PCO fala sobre a motivação de sua entrada na política, se declara uma fã de Lula e apresenta algumas propostas, mas tudo muito vago. Para ela, só vai se saber o verdadeiro estado do governo estando lá dentro do Palácio das Princesas e ouvindo os funcionários em grandes assembleias. Ana Patrícia sabe que corre por fora da disputa. “É uma candidatura para divulgar o pensamento do partido. Eu já gostava de política antes do PCO, mas sou uma pessoa antes e uma pessoa depois de entrar no partido&#8221;, diz.</p>
<blockquote><p>O projeto Adalgisas, da Marco Zero Conteúdo, entrevistou as três mulheres candidatas ao Governo do Estado.<br />
Confira as propostas delas:<br />
<a href="http://marcozero.org/entrevistaana-patricia-alves-a-revolucao-e-no-momento-mais-critico-ainda-falta-muito-mais-sofrimento-para-o-brasileiro/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ana Patrícia Alves (PCO)</a><br />
<a href="http://marcozero.org/entrevista-dani-portella-o-estado-nao-pode-ser-um-balcao-de-negocios/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Dani Portela (Psol)</a><br />
<a href="http://marcozero.org/entrevista-simone-fontana-pstu-defendemos-jornada-de-36h-com-manutencao-dos-salarios/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Simone Fontana (PSTU)</a></p></blockquote>
<h2><strong>Lula</strong></h2>
<p>O PCO que me desculpe, mas sempre declarei meu amor a Lula. Ele é minha inspiração. Ele é um exemplo de força. Com 72 anos preso, encarcerado, sem poder falar com o povo, sem ter tido cometido nenhum crime. Para presidente, vou votar nulo. Ou era Lula ou era nada. O PT ter colocado Haddad como candidato é votar contra Lula, é legalizar o golpe. Como a gente vai dizer que foi golpe se o PT está entrando no jogo? Era para ter retirado a candidatura do PT. Não existe democracia nesse país. Se existisse, Lula estaria livre.</p>
<h2><strong>Revolução operária</strong></h2>
<p>As pessoas não se identificam com os candidatos, aspessoas odeiam a politica e o politico não dá esse retorno.A revolução é no momento mais crítico de um povo. Ainda falta muito mais sofrimento para o brasileiro chegar nesse ponto. Tudo tem um amadurecimento, a roda do mundo não para. Quando a roda do trabalhador começar a girar para as necessidades do povo, não vai ter como travar.</p>
<h2><strong>Ascensão da direita</strong></h2>
<p>Nãoacredito que existe tanta gente que seja Bolsonaro, acredito que é <em>fake news</em>. Toda sociedade tem seus reacionários, não é só no Brasil. Em países ditos bom, como a Suécia, houve levante de fascistas. Acho que as pessoas com a internet perderam a timidez de mostrar seus pensamentos e saíram do armário. Bolsonaro é muito oba oba, é para a população do outro lado entregar o governo para uma direita mais leve, que vai nos entregar de bandeja para o mercado financeiro. A direita sabe jogar e a esquerda nunca esteve mesmo no poder. Tivemos um tempinho ali com Lula, a gente sonhava que tinha o poder, mas quando eles quiseram, tiraram.</p>
<h2><strong>Geração de empregos</strong></h2>
<p>Pernambuco precisa incentivar o turismo, a cultura local. Eu acho que a gente é bastante rico nisso e é muito mal explorado. O turismo é delegado à última prioridade em matéria de desenvolvimento. Não tem nenhum estado no Brasil com tanta riqueza cultural e uma cultura popular tão forte. Então, incentivar o trabalho para a geração de emprego é essencial. É preciso também ter uma linha de microcrédito para quem quer trabalhar em casa, legalizar esse pessoal, usar a máquina do estado para isso. É a única forma direta para um retorno imediato. Orientar e a pessoa já começa logo a trabalhar. Nem todas as mulheres podem sair de casa. E, daqui que faça creche, vai viver como?</p>
<h2><strong>Moradia</strong></h2>
<p>Eu estou no escuro. Não sei como são as contas do estado para ver como gastar o dinheiro. Você precisa fazer primeiro uma auditoria do estado em relação às dividas. Dizem um monte de número, mas não se tem uma auditoria cidadã. Os recursos da Copa que até hoje não se sabe para onde foram. Tem um monte de obras paradas, onde está esse dinheiro? Mas para a moradia acho que tem que construir com pessoas próximas ao local para fomentar o desenvolvimento da região. A área de construção civil demanda bastante empregos.</p>
<h2><strong> Forma de governo</strong></h2>
<p>Depois da auditoria cidadã, o segundo passo seria conversar com os prefeitos, reuni-los e fazer um apanhado dos municípios. E tudo tem que ser com a participação da população. Não tem como ser PCO e não ter a participação popular, tem que estar junto com o governo. Não tem um período em que você é eleito e ainda não assumiu? Então, nesse período (transição) a gente iria fazer assembleias, sentar e ouvir os funcionários. Não só os sindicatos, que nem sempre representam a categoria mesmo, mas com todos os funcionários, em assembleias. Não tem como falar em reforma administrativa antes de ouvir os funcionários. Mas seria assim, um governo que não coloque barreira entrepovo.</p>
<h2><strong>Transporte público </strong></h2>
<p>O sistema de transporte é complicado. O trabalhador não aguenta mais e isso precisa ser colocado para a população. Por que desde que eu nasci são as mesmas empresas no Grande Recife? Então, tem que colocar o povo para discutir. Existe algum mistério aí, porque entra governo e sai governo e são as mesmas empresas. E também tem que legalizar o transporte alternativo, de forma responsável. O povo precisa de emprego. Mas para saber como melhorar o transporte, primeiro tem que estar com o governo na mão. Outra coisa seria aumentar o número de trens e aumentar linhas de metrô.</p>
<h2><strong>Segurança pública</strong></h2>
<p>Tem que ter uma desmilitarização da PM, algo que vem desde a ditadura militar. Tem que capacitar os profissionais que sofrem muito com o alto comando. Tem que aproximar os policiais do povo, com o seu próprio povo, eles ficam são desumanizados. A gente fica com medo da polícia. Não acredito no aumento do efetivo, mas na diminuição da desigualdade. No caso da violência contra a mulher, aabordagem deve ser educação, e o fortalecimento da mulher também. A mulher é delegada ao segundo plano, mas no geral é ela quem sustenta a família.</p>
<h2><strong>Educação</strong></h2>
<p>Acho que tem que interiorizar, levando o que tem no Recife para os municípios do interior. As pessoas no interior também precisam de um escola em tempo integral, profissionalizante. Não vou dizer quantas escolas seriam necessárias, porque você precisa da máquina pública para saber esse número. Você precisa primeiro se inteirar de como está o estado. A população está cansada de políticos que falam números e não cumprem.</p>
<h2><b>Saúde pública</b></h2>
<p>Tem que ter um fortalecimento da saúde básica. Tem que ampliar ao máximo, por onde tiver espaço, nas associações de moradores&#8230; É precisosaber o valor que é ter um agente comunitário. Somos a referência para alimentar um monte de dados. Nossas informações são valiosas. A prevenção é fundamental na saúde, é geradora de empregos&#8230; hoje temos 20 mil agentes comunitários. Precisaria de muito mais. Em um governo do PCO, a gente iria nas UPAs, nos hospitais e ouviria os funcionários e pacientes para saber onde aplicar o dinheiro.</p>
<h2><strong>Drogas</strong></h2>
<p>Sou a favor da liberação de todas as drogas, até porque isso diminuiu a violência. Não é um problema de segurança, é de saúde pública, como o aborto também é.</p>
<h2><strong>LGBT</strong></h2>
<p>Uma parte da sociedade, que é de extrema direita e não aceita o diferente, tem preconceito. Mas não é só pelo machismo que não aceita, é mais pelo fascismo mesmo. A mesma coisa com as mulheres, não vejo diferente. Tem que aproximar mais a comunidade LGBT, eles se sentem distantes do SUS. Há programas do SUS ligados com agentes comunitários, que precisam ser ampliados.</p>
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