<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Ernesto Araújo - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/ernesto-araujo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/tag/ernesto-araujo/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 26 Aug 2019 02:19:16 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Ernesto Araújo - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/tag/ernesto-araujo/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Entidades mobilizadas para manter situações em que o aborto é legal</title>
		<link>https://marcozero.org/entidades-mobilizadas-para-manter-situacoes-em-que-o-aborto-e-legal/</link>
					<comments>https://marcozero.org/entidades-mobilizadas-para-manter-situacoes-em-que-o-aborto-e-legal/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 May 2019 13:01:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[aborto]]></category>
		<category><![CDATA[aborto legal]]></category>
		<category><![CDATA[CSW63]]></category>
		<category><![CDATA[Damares]]></category>
		<category><![CDATA[Ernesto Araújo]]></category>
		<category><![CDATA[PEC 29]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=15539</guid>

					<description><![CDATA[<p>Hipertensa desde a adolescência, mãe de três, na quarta gestação, Maria* (nome fictício) morreu aos 29 anos sem saber que a lei garantiria a realização do aborto legal em função do alto risco que sua vida corria. A morte, que poderia ter sido evitada, é um caso em que a legislação em vigor garante a [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entidades-mobilizadas-para-manter-situacoes-em-que-o-aborto-e-legal/">Entidades mobilizadas para manter situações em que o aborto é legal</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="color: #000000;">Hipertensa desde a adolescência, mãe de três, na quarta gestação, Maria* (nome fictício) morreu aos 29 anos sem saber que a lei garantiria a realização do aborto legal em função do alto risco que sua vida corria. A morte, que poderia ter sido evitada, é um caso em que a legislação em vigor garante a vida. No entanto, o despreparo e o tabu são desafios para quem defende o direito ao aborto seguro e legal como o direito à vida.</p>
<p style="color: #000000;">Evitar mortes como a de Maria pode tornar-se ainda mais difícil.</p>
<p style="color: #000000;">A <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/120152%20">PEC 29/2015</a> , que iria entrar em discussão no Senado Federal, mas foi retirado de pauta, é a nova batalha travada entre movimentos e grupos pró e contra a descriminalização da prática do aborto.</p>
<p style="color: #000000;">Chamada de &#8220;PEC da Vida&#8221; por movimentos contra o aborto e encampada pela Frente Parlamentar em Defesa da Vida, a PEC 29 é, originalmente, de autoria do ex-senador Magno Malta, que previa a &#8220;inviolabilidade da vida desde a concepção”.&nbsp; A proposta abre margem para a proibição do aborto inclusive nos três casos que hoje são legais no Brasil: quando a gestação é fruto de um estupro, quando há risco de vida para a mulher e em casos de anencefalia.</p>
<p style="color: #000000;">No entanto, a recente movimentação para requentar a PEC fez a relatora, a senadora Juíza Selma (PSL-MT), incluir duas exceções, garantindo o aborto ainda para casos de estupro e de risco à vida. A jogada, no entanto, provocou um racha dentro dos próprios congressistas que defendem a PEC. A ala mais radical não admite sequer essas duas opções, como explica Paula Viana, <span style="color: #000000;"> da organização de defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres Grupo Curumim:</span></p>
<blockquote>
<p style="color: #000000;">“Eles estão rachados. Tem setores mais radicais que não queriam as permissões até para casos de aborto quando há perigo de vida para a mulher. A questão da anencefalia nem está presente. A PEC do Magno Malta&nbsp; trazia apenas a questão da inviolabilidade da vida desde a concepção. Ainda é uma ameaça grande, pois talvez a gente tenha que lutar para garantir o que já era um direito nosso conquistado”, diz.</p>
</blockquote>
<p style="color: #000000;">O racha, no entanto, não retira o perigo que essa proposta representa para os direitos das mulheres. Paula Viana alerta para o risco de chegar a um cenário como o da Guatemala, onde mulheres que sofrem abortos espontâneos chegam a ser investigadas pela desconfiança de que tenha sido fruto de um aborto provocado &#8211; naquele país da América Central todo e qualquer tipo de interrupção da gravidez é proibido. “Na cabeça desses caras, quando engravidamos somos criminosas em potencial”, critica.</p>
<h2 style="color: #000000;">Festival pela descriminalização do aborto</h2>
<p style="color: #000000;">No final de maio, em razão das mobilizações para conscientização e prevenção da mortalidade materna, as Frentes Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto em Pernambuco realizam o Festival pela Vida das Mulheres &#8211; de 27 de Maio a 2 de Junho de 2019. A data chave é o 28 de maio, quando é celebrado o Dia Internacional pela Saúde Integral da Mulher e, no Brasil, desde o início da década de 90 os movimentos voltam a data para o Dia Nacional Contra a Mortalidade Materna. “A mobilização é importante porque trabalha a questão das mortes evitáveis”, explica Paula.</p>
<p>O principal argumento dessas entidades está no fato de que muitas mortes maternas&nbsp; poderiam ser evitadas com o aborto seguro e com o planejamento familiar. De acordo com Paula, ao contrário do que argumentam os setores contra o aborto, estatísticas e estudos de outros países compravam que, na verdade, a oferta de aborto legal faz caírem os números de abortos realizados. O caso de Portugal, por exemplo, é referência. Em 2008, um referente aprovou a &#8220;despenalização do aborto” e, dez anos depois, os números de abortos caiu de 18.050 para 15.800. Um aspecto importante é que de 2008 a 2012 apenas uma mulher morreu e, de 2012 a 2015 não foi registrada nenhuma morte.&nbsp; Os dados são da Direção-Geral de Saúde de Portugal.</p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/graficoProporcaoObitosMaternos.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15619" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/graficoProporcaoObitosMaternos.png" alt="graficoProporcaoObitosMaternos" width="700" height="448"></a></strong></span></p>
<p>Os dados do r<span style="color: #000000;">elatório da <em>Situação da Mortalidade Materna no Recife de 2014 a 2017</em>, que identificou que a morte materna tem chances de ser evitada ou “provavelmente evitada” em mais de 50% dos casos, reforçam esses argumentos. Em 2017, no Recife, 16 mulheres faleceram até um ano após o parto &#8211; tempo limite em que se considera a morta materna. Aproximadamente 92% das mortes maternas por causas evitáveis ocorrem, principalmente, por hipertensão, hemorragia ou infecções. Os dados são do Ministério da Saúde (2018) e refletem a realidade pernambucana e do Recife. </span></p>
<p><span style="color: #000000;">Ainda segundo Paula Viana, estudos apontam que evitar a morte materna em decorrência de abortos poderia representar uma redução de 11% do total de mortes. A garantia de informação e do acesso ao aborto legal ajudariam a prevenir a mortalidade materna.</span></p>
<h2 style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%;">Uma longa queda de braço em Brasília</h2>
<p>Enquanto no Congresso Federal a quebra de braço continua, com 35 projetos que, de alguma forma, retrocedem na legislação referente ao aborto, o lobby a contra o aborto avança para bancadas que historicamente não tomavam a frente dessa questão. Além da bancada da Bíblia, hoje as bancadas da Bala e do Boi se somam. Uma das razões é o aumento e fortalecimento do lobby organizado, com financiamento &#8211; apesar de nebuloso, como <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/24/politica/1556137351_969753.html">matéria do El País</a> apontou &#8211; &nbsp;e disposição para conseguir adesão de parlamentares.</p>
<p style="color: #000000;">Para Paula Viana, que atua como ativista desde a década de 90, desde o início dos anos 2000, quando os movimentos de mulheres conseguiram alguns avanços, a reação das bancadas religiosas vem aumentando. Esses grupos eram, por volta de 2003, formados por espíritas e católicos em maior número, mas vem aumentando consideravelmente com a presença da bancada evangélica no legislativo. Para ela, é possível identificar que ainda são os mesmos grupos que agora tomam volume na pauta anti aborto, com o agravante de uma ala&nbsp;extremamente radical. &#8220;É o mesmo grupo de médicos reacionários que em 92, por exemplo, eram contra o termo humanização na medicina. É de um egocentrismo imenso, mas eles são muitos e tem o poder. As ações da frente vem acelerando muito. É uma pauta eleitoral que muitos usam para impulsionar as eleições deles mesmos. Fica cada vez mais escancarado. Hoje tem deputados que são contra até o planejamento familiar&#8221;, conta.</p>
<p style="color: #000000;"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/WhatsApp-Image-2019-05-10-at-07.07.59.jpeg"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-15594" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/WhatsApp-Image-2019-05-10-at-07.07.59-300x183.jpeg" alt="WhatsApp Image 2019-05-10 at 07.07.59" width="900" height="551"></a></p>
<h3 style="color: #000000;"><b>Os bastidores do governo Bolsonaro na ONU</b></h3>
<p style="color: #000000;">No início de março, a ONU realizou o mais importante evento dedicado exclusivamente à saúde das mulheres. A Comissão sobre a Situação de Mulheres <a href="http://www.unwomen.org/en/csw/csw63-2019">CSW63</a> (em inglês, Commission on the Status of Women) teve como tema desta edição o acesso de mulheres e meninas a sistemas de proteção social, serviços públicos e infraestrutura sustentável. De acordo com a ONU, é o segundo maior evento anual no calendário da organização, logo depois da Assembleia Geral.</p>
<p style="color: #000000;">A participação foi especialmente reconhecida pela mudança na postura adotada nos outros encontros. A comissão brasileira, encabeçada pelo Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, foi considerada como agressiva e fechada ao diálogo. Durante a CSW, a postura que a delegação brasileira foi de fugir aos debates políticos e apostar no tecnicismo para defender ou rejeitar ideias. os bastidores retrataram a face do governo Bolsonaro que não defende os direitos das mulheres.</p>
<p style="color: #000000;">De modo concreto, o Brasil voltou atrás e se recusou a assinar a carta final do encontro integralmente. Ao assinar o documento com ressalvas, o governo sinalizou um retrocesso na postura que a diplomacia construiu nos últimos anos. O asepecto mais polêmico, no entanto, teve como protagonista ministro Ernesto Araújo que afirmou que a defesa integral do acesso à saúde pelas mulheres, por exemplo, poderia ser, nas palavras do ministro, um “contrabando do aborto” para o Brasil.</p>
<blockquote>
<p style="color: #000000;">A cena constrangedora protagonizada pelo ministro aconteceu já de volta ao Brasil, em audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, no dia 27 de março. Questionado pela deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP), ele gaguejou e respondeu timidamente que a razão do veto era que o texto poderia trazer “no contrabando, a promoção do aborto – coisa que é contra a legislação brasileira”.</p>
<p style="color: #000000;">Confrontado pela deputada, ele sequer argumentou novamente. O ministro talvez ignorou que, em edições anteriores e tratados diferentes, o Brasil já assinou documentos em que garante os mesmos direitos às mulheres. Agora, o país volta atrás de algo já pactuado de modo vergonhoso e furtivo.</p>
</blockquote>
<p style="color: #000000;">Além de trechos referentes à saúde reprodutiva que, na argumentação dos representantes do Brasil, poderiam abrir garantir ou ampliar o direito ao aborto, o país também se opôs a questões relativas às mudanças climáticas e o tema das migrações. A delegação afirmou que questões climáticas não teriam a ver o objetivo de debate do evento.</p>
<p style="color: #000000;">O trecho considerado problemático prevê que o Estado passe a &#8220;reconhecer a importância das mulheres trabalhadoras migrantes com todos os níveis de habilidades, independente de seu status migratório&#8221;. Segundo o posicionamento do Brasil, a expressão &#8220;independente de seu status migratório&#8221; poderia &#8220;incentivar a prática de imigração ilegal e questionar o direito dos Estados de regular suas leis e políticas migratórias, como publicado por <a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-47675399">matéria da BBC</a>.</p>
<p style="color: #000000;">No encerramento do evento, inclusive, um diplomata brasileiro leu um posicionamento que elencou diversas insatisfações do governo com os resultados da Comissão. &#8220;Durante as negociações do rascunho, a delegação brasileira buscou, de boa-fé, atingir um texto justo e equilibrado, que reflita nossas visões comuns sobre os temas desafiadores em discussão. Mas devo enfatizar que não estamos satisfeitos com o resultado&#8221;, leu o representante do Brasil.</p>
<p style="color: #000000;">Ainda assim, ao assinar as conclusões o Brasil fez questão de reforçar que considerada o documento uma &#8220;solução de compromisso, que não reflete bem as posições de todos os Estados-membro, incluindo o nosso (Brasil)&#8221;.</p>
<p style="color: #000000;">Chamou atenção também a crítica ao uso de termos como “gênero” e “sexo” feita pelo governo brasileiro. &#8220;Nós também nos preocupamos com o desvio de pontos-chave do texto, que buscam estimular uma agenda com a qual não concordamos. O governo brasileiro não vai mais apoiar o uso de termos e expressões dúbios que causaram confusão e desentendimentos&#8221;, diz o posicionamento. Além de ir na contramão dos debates globais e de posições anteriores, mais uma vez o governo de Bolsonaro bate o pé sobre algo que sequer é de responsabilidade do Estado, enquanto ignora pautas políticas que dizem respeito à vida de pessoas.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entidades-mobilizadas-para-manter-situacoes-em-que-o-aborto-e-legal/">Entidades mobilizadas para manter situações em que o aborto é legal</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/entidades-mobilizadas-para-manter-situacoes-em-que-o-aborto-e-legal/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
