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	<title>Arquivos eua - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos eua - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Episódio #26: Trump ou Biden? E o que o resultado significa para o Brasil?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2020 20:20:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[eleição]]></category>
		<category><![CDATA[eua]]></category>
		<category><![CDATA[Trump]]></category>
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<figure class="wp-block-embed-spotify wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Spotify Embed: Trump ou Biden? E o que o resultado significa para o Brasil?" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/6IL5Om9JbIc5GYYHmxJ2Ey?si=f5WUoSQgTEWhhuQoU83aTg&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div><figcaption>Os americanos vão às urnas daqui a 12 dias para escolher seu próximo presidente em uma eleição que deve ter recorde de participação e ser acompanhada com tensão e expectativa em todo o mundo. O democrata Joe Biden lidera as pesquisas mas Donald Trump já avisou que não vai aceitar o resultado, se ele perder, claro. E agora? Quais as expectativas para a grande disputa e como o resultado pode impactar o governo de Bolsonaro, maior fã de Trump, a quem já se declarou com um constrangedor I Love You. Carol Monteiro, Laércio Portela e Inácio França comentam as eleições americanas, as repercussões por aqui e capricham na pronúncia para as dicas da quarentena.</figcaption></figure>
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		<title>A nossa revolta com o racismo — e dor — não é espetáculo jornalístico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 21:20:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[eua]]></category>
		<category><![CDATA[George Floyd]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Minneapolis está queimando. George Floyd, um homem negro americano, foi asfixiado até a morte por um policial branco. Omar Jimenez, um jornalista negro da CNN, foi detido enquanto cobria ao vivo as manifestações na cidade. A duas quadras de onde ele estava, outra equipe da emissora de televisão, com um repórter branco, teve um tratamento [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Minneapolis está queimando.</p>



<p>George Floyd, um homem negro americano, foi asfixiado até a morte por um policial branco.</p>



<p>Omar Jimenez, um jornalista negro da CNN, foi detido enquanto cobria ao vivo as manifestações na cidade.</p>



<p>A duas quadras de onde ele estava, outra equipe da emissora de televisão, com um repórter branco, teve um tratamento absolutamente diferente. Dentre todas as coisas que podem e precisam ser ditas, eu quero me deter a uma imagem: após ser detido, Omar Jimenez foi liberado e voltou ao vivo na CNN para contar o que aconteceu. Esse vídeo circulou menos do que o em que ele é algemado e preso ao vivo mas, para mim, chegou a ser mais perturbador — e é sobre isso que eu quero falar.</p>



<p>Por que? É preciso dizer que não é meu desejo naturalizar as violências que são praticadas contra nós, pessoas negras, mas como jornalista eu preciso destacar a percepção da espetacularização do nosso sofrimento. Se o racismo que sofremos não motivar a revolta para uma desconstrução diária do que o sustenta — aqui estão incluídas todas as &#8220;pequenas situações&#8221; racistas ignoradas cotidianamente por jornalistas e redações — ele não deve ser usado para ilustrar um argumento. Isso serve para os EUA e também para o Brasil.</p>



<p>A revolta que explodiu tem provocado debates também sobre o papel de pessoas brancas na luta antirracista: estejam na linha de frente, coloquem seu privilégio e a seus corpos para proteger negras e negros. É um começo. Mas isso precisa ser um comprometimento diário, em todos os campos.</p>



<p>Jornalistas negras e negros, como eu, sabemos exatamente a sensação de estar trabalhando e, ao mesmo tempo, estar alerta para se identificar devidamente. Aprendemos a lidar com curiosas e “genuínas” confusões de interlocutores que julgam que não estamos ali trabalhando como repórteres. Sabemos da tensão de estar cobrindo na rua qualquer evento que envolva a polícia. Ela está sempre ali. Pode não acontecer nada, mas não podemos contar com a certeza da passagem livre.</p>



<p>Certa vez, na cobertura de um evento com o presidente Bolsonaro, da rua, eu ouvi de uma policial nervosa que meu lugar era do outro lado, apontando para o lado da barreira em que estavam manifestantes contrários ao presidente. Apesar do crachá pendurado no pescoço, apesar do telefone, bloco de notas e caneta nas mãos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Que imagem do jornalista negro interessa à imprensa?</h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<p><strong>No jornalismo, especificamente, é preciso fazer mais do que transmitir e se solidarizar com um repórter violentado pelo racismo. </strong>Quantos veículos de comunicação instituem como política a repreensão de atos racistas? Quantos editores e chefes de redação discutem abertamente protocolos de segurança para lidar com possíveis atos racistas contra jornalistas negros? Como as pessoas brancas de uma equipe podem agir em situações assim? Quantos se posicionam quando um jornalista sofre um ataque racista? Não apenas quando a violência é filmada, mas em todos os outros dias?</p>



<p>Infelizmente, a exposição do racismo sofrido por um repórter por si só não muda em nada a negligência de grupos de comunicação que escolhem não enfrentar o racismo. <strong>Ao contrário, a nossa dor vira elemento de mais um espetáculo transmitido ao vivo. Dessa vez não com o objetivo de acabar com o racismo, mas para aliviar consciências brancas.</strong></p>



<p>Primeiro a detenção, depois a exposição. <strong>Que imagem de Omar Jimenez instiga sua revolta e que imagem tranquiliza seu espírito?</strong> A mim, nenhuma diminui a angústia de ser negra, jornalista e assistir às duas cenas.</p>



<pre class="wp-block-preformatted"><blockquote class="twitter-tweet"><p dir="ltr" lang="en">CNN’s <a href="https://twitter.com/OmarJimenez?ref_src=twsrc%5Etfw">@OmarJimenez</a> and his crew have been released from police custody. He recounts getting arrested and what happened while they were in custody. <a href="https://t.co/v3kMq77Oro">https://t.co/v3kMq77Oro</a> <a href="https://t.co/JoqmwlTc5i">pic.twitter.com/JoqmwlTc5i</a></p>&amp;mdash; CNN (@CNN) <a href="https://twitter.com/CNN/status/1266338035605667842?ref_src=twsrc%5Etfw">May 29, 2020</a></blockquote> <script async="" src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></pre>



<p>Quando a âncora da CNN afirma que Omar &#8220;não poderia ter feito seu trabalho de maneira mais profissional”, o que parece estar implícito ali é uma parabenização por não reagir. Alguém pode imaginar o que aconteceria se ele aumentasse o tom de voz em algum momento? (Quantos vídeos de repórteres brancos sendo detidos e reagindo energicamente contra a polícia você consegue lembrar? Me veem à memória vários, instantaneamente).</p>



<p>Em seguida, a âncora conta que o repórter branco da CNN não foi detido, e pergunta a Omar porque ele acha que isso aconteceu.</p>



<p> &#8220;Você tem alguma ideia de por que você foi preso e Josh Campell não?” (livre tradução, por mim) ela pergunta. <strong>Atenção aqui. O que ela quer perguntar, sem dizer as palavras, porque estão ali implícitas, é: por que você acha que sofreu racismo?</strong></p>



<p>Eu vou adiantar: Omar não responde a questão diretamente. Ele fala sobre como estava executando seu trabalho e os desafios de estar ao vivo. Eu não tenho como checar com ele, mas o desconforto em mim pode ser o que explica a posição dele, absolutamente compreensível, de focar em reafirmar que estava fazendo o seu trabalho. Quantos de nós temos que afirmar diariamente que somos profissionais o suficiente para dar conta de uma pauta? É curioso como ora jornais nos empregam para reforçar que não são racistas e, ao mesmo tempo, questionam nossa competência ao realizá-lo.</p>



<p>Eu entendo a fuga à pergunta, Omar.</p>



<p>Dói. E o nó que fica na garganta às vezes faz ser tão difícil falar &#8220;foi o racismo&#8221;.</p>



<p>Às vezes, eu também não consigo respirar. Eu imagino que você entenda.</p>



<p>Eu não espero, no entanto, que uma pessoa branca entenda o que é passar por uma agressão racista. Mesmo nós, negras e negros, não sabemos como reagir. Eu não saberia com certeza como reagir. Mas eu sei, por experiência, que depois que passar por isso eu nem sempre quero dividir a minha dor com quem não está comprometido a pôr um fim nela.</p>



<p>Induzir um repórter que acabou de ser detido porque é negro a dizer que sofreu racismo, ao vivo, é, para dizer o mínimo, perverso. Mas isso, infelizmente, é a ponta de uma estrutura de silenciamento e violências que passa despercebido para muitos. Há muito a ser feito ainda.</p>



<p><strong>Qual é o momento de tacar fogo no racismo diário das nossas redações? </strong></p>



<p>— Este texto é um convite ao diálogo e reflexões com jornalistas negras e negros, mas também a brancos que se disponham a mudar estruturas.</p>
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			</item>
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		<title>WikiLeaks: NSA espionou assistente pessoal de Dilma e avião presidencial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Jul 2015 14:37:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rouseff]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Novo vazamento revela lista de pessoas alvejadas no Brasil; entre elas, Palocci, o ministro do Planejamento Nelson Barbosa e o atual embaixador nos EUA por Julian Assange, Natalia Viana Da Agência Pública Na mesma semana em que Dilma Rousseff realizou a primeira viagem presidencial aos Estados Unidos, informações secretas obtidas pelo WikiLeaks revelam detalhes sobre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>				<em>Novo vazamento revela lista de pessoas alvejadas no Brasil; entre elas, Palocci, o ministro do Planejamento Nelson Barbosa e o atual embaixador nos EUA</em></p>
<p>por <a href="http://apublica.org/autor/julian-assange/" rel="tag">Julian Assange</a>, <a href="http://apublica.org/autor/natalia-viana/" rel="tag">Natalia Viana</a><br />
Da<a href="http://apublica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> Agência Pública</a></p>
<p>Na mesma semana em que Dilma Rousseff realizou a primeira viagem presidencial aos Estados Unidos, informações secretas obtidas pelo WikiLeaks revelam detalhes sobre a espionagem da NSA, sigla em inglês da Agência Nacional de Segurança, contra a presidente e assessores próximos, ministros e um integrante do Banco Central.</p>
<p>As informações, às quais a Agência Pública e a Revista Carta Capital tiveram acesso em primeira mão, revelam que a espionagem da NSA no início do governo Dilma se centrava não só na figura da presidente, mas em integrantes ou ex-integrantes importantes do governo nas áreas econômica, financeira e diplomática. São 29 “alvos”. Entre eles, Antônio Palocci, então chefe da Casa Civil.</p>
<p>O celular do assistente da presidente, Anderson Dornelles, responsável por cuidar das ligações pessoais de Dilma, também estava na mira da NSA. Nem o avião presidencial escapou da bisbilhotagem norte-americana.</p>
<p>As informações provêm de uma base de dados usada pela NSA para selecionar “alvos” cujas comunicações devem ser analisadas. Os arquivos sobre alvos (ou “selectors”) brasileiros referem-se ao ano de 2011 e fazem parte de uma série de vazamentos realizados nas últimas semanas. O WikiLeaks já havia publicado <a href="https://www.wikileaks.org/nsa-germany/selectors.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">uma lista de 69 nome</a>s que seriam alvos da NSA na Alemanha, incluídos ministros e representantes para comércio, finanças e agricultura, além do assistente pessoal da chanceler Angela Merkel. Também foram publicados <a href="https://www.wikileaks.org/nsa-germany/intercepts/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">três resumos de conversas</a> interceptadas em 2011. Em uma delas, Merkel discute com seu assistente a crise grega.</p>
<p>No fim de junho, <a href="https://www.wikileaks.org/nsa-france/selectors.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">o WikiLeaks revelou</a> que os EUA espionaram o presidente francês Francois Hollande e dois ex-presidentes, Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy, além de ministros das finanças e empresários. Em resposta, Hollande realizou uma reunião de emergência do seu gabinete para discutir o tema e ligou em seguida para Obama, que garantiu que os EUA deixaram de fazer espionagem. O ministro de Relações Exteriores convocou o embaixador americano em Paris para pedir explicações. Merkel fez o mesmo.</p>
<p>Diferentemente dos vazamentos europeus, os dados sobre o Brasil não contêm mensagens interceptadas, apenas enumera os alvos preferenciais dos EUA.</p>
<p>Para monitorar a chefe do executivo brasileiro, a NSA selecionou nada menos que 10 telefones diretamente ligados a Dilma. São telefones fixos de escritórios, como aquele usado pelo comitê de campanha em 2010 no Lago Sul de Brasília, celulares marcados como “relações de Dilma” (“liaison”, em inglês) e a linha fixa do Palácio do Planalto.</p>
<p>Dornelles, assessor pessoal de Dilma, foi incluído na lista de “alvos” da NSA no primeiro ano do mandato, e seu celular passou a ser atentamente monitorado. O gaúcho de 35 anos, chamado pela presidente carinhosamente de “bebê” e “menino”, é há duas décadas seu fiel escudeiro. Começou a trabalhar como office-boy da presidente aos 14 anos, quando ela presidia a Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul, e a acompanhou em todos os cargos públicos desde então.</p>
<p>O tema de interesse em espionar Anderson está descrito como “Brasil: Assuntos Políticos”. Espioná-lo era considerado como prioridade de nível “3” para o governo dos EUA. Quanto mais baixo o número, segundo a classificação da NSA, maior a prioridade.</p>
<p>Todos os alvos brasileiros têm prioridade “3” enquanto os alemães são de prioridade “2”, assim como os presidentes franceses.</p>
<p><div id="attachment_795" style="width: 610px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/Antonio-Palocci-by-agencia-brasil-600x414.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-795" class="size-full wp-image-795" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/Antonio-Palocci-by-agencia-brasil-600x414.jpg" alt="Celular do ex Chefe da Casa Civil Antônio Palocci também foi espionado. Foto: Agência Brasil" width="600" height="414" /></a><p id="caption-attachment-795" class="wp-caption-text">Celular do ex Chefe da Casa Civil Antônio Palocci também foi espionado. Foto: Agência Brasil</p></div></p>
<p>Outro integrante espionado foi Palocci, que deixou o governo em junho de 2011 após denúncias de enriquecimento ilícito: seu patrimônio aumentou 20 vezes entre 2006 e 2010. O ministro Palocci era o principal articulador político do governo.</p>
<p>A presidente não era deixada em paz pelos ouvidos atentos da NSA nem mesmo quando estava em viagem. O telefone via satélite instalado no avião presidencial, o Airbus Força Aérea 1 também estava na mira. O avião é equipado com sistema de comunicação por satélite da empresa britânica Inmarsat, que opera onze equipamentos posicionados em órbita geoestacionária ao redor da Terra. Nada disso evitou que os espiões norte-americanos pudessem acessar livremente o conteúdo das chamadas presidenciais a bordo do avião.</p>
<p>Assim como no caso da Alemanha e França, o novo vazamento do WikiLeaks é eloquente ao mostrar que o governo dos EUA tinha como alvos preferenciais negociadores da política econômica e financeira. Nelson Barbosa, hoje Ministro do Planejamento, foi espionado quando era secretário-executivo do Ministério da Fazenda. O número fixo assinalado pela NSA é usado ainda hoje pela Secretaria.</p>
<p><div id="attachment_796" style="width: 610px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/ministrio_nelson-barbosa_senado_DF_001-Foto-Antonio-Cruz-Agência-Brasil-600x398.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-796" class="size-full wp-image-796" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/ministrio_nelson-barbosa_senado_DF_001-Foto-Antonio-Cruz-Agência-Brasil-600x398.jpg" alt="Ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. Foto: Agência Brasil" width="600" height="398" /></a><p id="caption-attachment-796" class="wp-caption-text">Ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. Foto: Agência Brasil</p></div></p>
<p>Outro espionado foi o ex-chefe de gabinete do Ministério da Fazenda Marcelo Estrela Fiche, exonerado em dezembro de 2013. O embaixador Luís Antonio Balduíno Carneiro, que em 2011 era diretor do Departamento de Assuntos Financeiros do Itamaraty e atualmente é diretor da Secretaria de Assuntos Internacionais do ministério da Fazenda, e o subsecretário de Relações Internacionais, Fernando Meirelles de Azevedo Pimentel, também constam na lista. Sobre ele, a NSA anota que conduzia o mesmo tipo de vigilância exercido sobre diversos países – de olho no mercado financeiro. “Multi-pases: desenvolvimentos financeiros internacionais”, diz o registro.</p>
<p>A procuradora-geral da Fazenda, Adriana Queiroz de Carvalho, era outro alvo. Vinculada à Advocacia Geral da União, a Procuradoria representa a União em disputas judiciais e dá assessoria jurídica ao ministério sobre créditos tributários, entre outros assuntos.</p>
<p>Luiz Awazu Pereira da Silva, que se prepara para assumir a vice-presidência no Banco de Compensações Internacionais, considerado o Banco Central dos Bancos Centrais, não escapou. Era diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central. Posteriormente comandou a Diretoria de Regulação do Sistema Financeiro e a diretoria de Política Econômica do BC. Nesse posto, atuou diretamente sobre a política de juros, como os aumentos ou redução da taxa Selic.</p>
<p>Além dele, também foi espionado o atual embaixador brasileiro nos EUA, Luiz Alberto Figueiredo Machado. O interesse em Machado teria relação com as negociações de acordos climáticos. Em 2011, Machado era diretor do Departamento de Meio Ambiente e temas especiais do Itamaraty. Foi secretário-executivo da Rio+20 e chefiou ao menos três delegações brasileiras nas Conferências da ONU para o Clima. Machado assumiu o Itamaraty após a saída de Antônio Patriota em 2013 e permaneceu até o fim do primeiro mandato de Dilma Rousseff.</p>
<p>A NSA monitorou ainda o telefone da residência do embaixador Luiz Filipe de Macedo Soares Guimarães em Genebra, o atual embaixador na Argentina Everton Vieira Vargas, quando era representante na Alemanha, e a embaixada brasileira em Paris, segundo os arquivos. Procurados, nenhum dos “alvos” quis se pronunciar.</p>
<p><div id="attachment_797" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/Aviao-Presidencial-by-agencia-brasil.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-797" class="size-full wp-image-797" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/Aviao-Presidencial-by-agencia-brasil.jpg" alt="Até as comunicações via satélite do avião presidencial foram alvejadas, segundo WikiLeaks. Foto: Agência Brasil" width="700" height="525" /></a><p id="caption-attachment-797" class="wp-caption-text">Até as comunicações via satélite do avião presidencial foram alvejadas, segundo WikiLeaks. Foto: Agência Brasil</p></div></p>
<p>As novas revelações do WikiLeaks mostram pela primeira vez os alvos específicos da NSA no Brasil. Em 2013, documentos vazados por Edward Snowden haviam revelado que milhões de e-mails e ligações de brasileiros e estrangeiros em trânsito no país foram monitorados. Snowden também revelou que as comunicações da Petrobras e de Dilma Rousseff eram espionadas.</p>
<p>Em resposta, a presidente cancelou uma viagem aos EUA que estava agendada e criticou publicamente a espionagem americana na Assembleia-Geral da ONU. Junto com o governo alemão o Brasil propôs ainda à ONU uma proposta que prevê regras para garantir o direito à privacidade na era digital.</p>
<p>Porém, antes da recente viagem aos EUA, Dilma Rousseff já dizia considerar o conflito como “uma coisa do passado”. Agora, depois da visita, considerada bem-sucedida, resta saber como o governo vai lidar com essas novas – e preocupantes – revelações. Afinal, pouco se sabe ainda sobre quais informações sigilosas foram acessadas e como isso foi usado para o benefício econômico e político dos americanos.</p>
<h3><strong>O que ensinam os documentos </strong></h3>
<blockquote><p>A base de dados publicada pelo WikiLeaks demostra como funciona o aparato de espionagem da NSA. Embora o órgão americano intercepte milhões de registros de telefonemas em diversos países, apenas alguns telefones são considerados alvos prioritários, aos quais os analistas devem estar sempre atentos.</p>
<p>Para que a espionagem seja conduzida é necessário que ela siga uma ordem de “Necessidade de Informação” promulgada pelo Departamento de Inteligência Nacional. O código dessa autorização aparece em todas as comunicações, bem como a unidade dentro da NSA que é encarregada de espionar as conversas.</p>
<p>Um documento de “Necessidade de Informação” de 2002, feito sob medida para espionar os franceses, estabelece como áreas de interesse informações sobre relações econômicas bilaterais, política macroeconômica e financeira, orçamento, contratos internacionais e negociações com instituições financeiras internacionais. Documento semelhante foi produzido sobre o Brasil, segundo consta na base de dados, mas seu teor não consta do vazamento do WikiLeaks.</p>
<p><strong><em>*Colaborou Renan Truffi</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
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