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	<title>Arquivos Facebook - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 14 Mar 2024 20:21:07 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Facebook - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Um olhar sobre a constitucionalidade do PL das Fake News</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 May 2023 20:37:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[PL das Fake News]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Paulo Arthur Monteiro* Conceitualmente, a liberdade de expressão está ligada ao direito de manifestação do pensamento, possibilidade de o indivíduo emitir suas opiniões e ideias ou expressar atividades intelectuais, artísticas, científicas e de comunicação, sem interferência ou eventual retaliação do poder estatal. A liberdade de expressão é garantida pela Constituição de 1988, principalmente nos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Paulo Arthur Monteiro*</strong></p>



<p>Conceitualmente, a liberdade de expressão está ligada ao direito de manifestação do pensamento, possibilidade de o indivíduo emitir suas opiniões e ideias ou expressar atividades intelectuais, artísticas, científicas e de comunicação, sem interferência ou eventual retaliação do poder estatal.</p>



<p>A liberdade de expressão é garantida pela Constituição de 1988, principalmente nos incisos IV e IX do artigo 5º. Enquanto o inciso IV é mais amplo e trata da livre manifestação do pensamento, o inciso IX foca na liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação.</p>



<p>O artigo 5º é um dos mais importantes da nossa Constituição e contém os direitos fundamentais, difundidos entre seus 78 incisos, que têm o objetivo de assegurar uma vida digna, livre e igualitária a todos os cidadãos e cidadãs do País.</p>



<p>Pois bem, após um logo período de ditadura militar, durante a qual a população brasileira esteve sujeita ao totalitarismo dos Atos Institucionais. Os Atos Institucionais foram as normas elaboradas no período de 1964 a 1969, que permitiram a institucionalização e radicalização do regime militar, suspendendo direitos e garantias individuais e permitindo perseguições, prisões ilegais, tortura e assassinato pelo Governo Brasileiro. Foram estes o Ato Institucional de 1964, AI-2 (1965), AI-3 (1966), AI-4 (1966) e, o AI-5 (1968).</p>



<p>Nesse momento da história brasileira, havia a censura prévia de toda forma expressão: de letras de músicas, poemas, peças teatrais, jornais, revistas, programas de rádio e televisão, etc, tudo estava sujeito ao olhar rigoroso do sistema ditatorial, no combate ao que julgassem de caráter subversivo e, por conseguinte danoso ao regime militar. Foram anos difíceis e de muitas perdas, pois os excessos inevitavelmente conduzem ao resultado morte, de ideais, pensamento e pessoas.</p>



<p>Após um longo período de luta pela volta à democracia, com o clamor popular do movimento nacional “Diretas Já”, voltamos a ter um presidente civil, no ano de 1985, ainda que eleito de forma indireta.</p>



<p>E, na sequência, após a eleição da Assembleia Constituinte, finalmente consolidamos nossa democracia, em 05 de outubro de 1988, com a promulgação de nossa Carta Cidadã, renovando-se todos os sonhos de nossa nação, na busca de mais igualdade, justiça social e oportunidade a todos.</p>



<p>Feitos estes esclarecimentos, nossa Constituição Federal já deu provas de sua robustez, já passou por dois processos de impeachment, teve três presidentes reeleitos, sequencialmente aos respectivos mandatos. Contudo, um dos seus maiores testes foi em 8 de janeiro de 2023, onde a grande maioria da população brasileira, independentemente da corrente ideológica partidária, se portou contra os atos antidemocráticos que ocorreram em Brasília-DF.</p>



<p>O que assistimos foi uma minoria raivosa, extremista e movida por <em>fake </em><em>n</em><em>ews</em>, desde a ineficácia e falta de seriedade de nosso sistema eleitoral, a imparcialidade da Justiça Eleitoral e, o mais grave, que “o grito de socorro” pela manutenção da democracia, precisaria da ruptura do regime democrático, o que se tem como um absurdo contrassenso.</p>



<p>É nesse cenário de divisão do país e ebulição mundial, que é reavivado o PL 2630 de 2020, o “PL das <em>Fake News</em>”. Importante se destacar, o levantamento da Comscore (empresa de avaliação de mídia que está sediada em Reston, Virgínia, EUA, com escritórios em todo o mundo.) que mostra que o Brasil é o primeiro da América Latina em acesso às plataformas das redes sociais, o equivalente a 131,5 milhões de pessoas. Chegando-se à informação, que dá conta que o Brasil é o terceiro país que mais consome redes sociais em todo o mundo</p>



<p>Justamente é nesse cenário, que se torna prioritário o Projeto de Lei 2630/20, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. O texto cria medidas de combate à disseminação de conteúdo falso nas redes sociais, como Facebook e Twitter, e nos serviços de mensagens privadas, como WhatsApp e Telegram, excluindo-se serviços de uso corporativo e e-mail. Além do que, as medidas apenas valerão para as plataformas com mais de dois milhões de usuários, inclusive estrangeiras, desde que ofertem serviços ao público brasileiro.</p>



<p>Entre outras medidas, a proposta restringe o funcionamento de contas geridas por robôs, e determina a criação do Conselho de Transparência e Responsabilidade na Internet.</p>



<p>Seriam as inovações do PL 2630/2020, uma ameaça à liberdade de expressão e o do fim de nossa democracia? Ao nosso entender, não.</p>



<p>Senão vejamos, a Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso IV, dispõe: &#8220;É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato&#8221;. Enfim, significa que é garantida a liberdade de expressão, mas que o anonimato do autor é proibido, ou seja, ele deve ser identificado.</p>



<p>Nesse contexto é que deve cingir-se a discussão constitucional, ou seja, as redes sociais e aplicativos de mensagens, estariam colocando em risco a democracia brasileira e quiçá as demais ao redor do mundo? Trilho pelo entendimento que sim.</p>



<p>As redes sociais e os aplicativos de mensagens não são algo próximos ao conceito do paraíso bíblico. São plataformas comerciais, extremamente monetizadas e, com seus poderosos programas e algoritmos, identificam nos usuários: perfis de consumidores, direcionam gostos e opções comerciais, nos induzem a curtir, assistir, comentar, seguir e o principal, compartilhar informações.</p>



<p>Eis a linha divisora na liberdade de expressão, pois nas redes sociais, em muitas das vezes não há pessoas exercendo seu constitucional direito, mas sim robôs, programas de computador direcionados à propagação de informações que podem ser verossímeis, contudo, não há controle em relação às notícias falsas, as famigeradas <em>f</em><em>ake </em><em>n</em><em>ews</em>.</p>



<p>Para que não pairem dúvidas, as <em>f</em><em>ake </em><em>n</em><em>ews</em> são efetivamente notícias falsas, divulgadas principalmente nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Essas divulgações têm informações falsas que apelam para o emocional do leitor, do usuário desavisado que sequer tem a cautela de checar a fonte da informação recebida.</p>



<p>Por que surgem os críticos ao PL 2630/2020, com a alegação de censura prévia, ação inibidora do Estado e o pior, que estar-se-ia a violar a liberdade de expressão?</p>



<p>Asseveram os críticos ao PL 2630/2020, que no ordenamento jurídico pátrio, já há os instrumentos jurídicos e legais para investigar e para punir excessos e infratores, de forma satisfatória. Indaga-se, será?</p>



<p>Ao nosso ver, não. A velocidade das informações nas redes sociais e app de mensagens é algo, por incrível que pareça, ainda desconhecido pela maioria da população. Sendo, não forçoso acreditar que a perspectiva de ruptura democrática a partir das <em>fake </em><em>n</em><em>ews</em>, busca atingir três pilares: Poder Judiciário, através de ataques ao STF Supremo Tribunal Federal; ao Sistema Eleitoral, diante de descredibilizar as urnas eletrônicas e o consequente resultado das eleições; e, atacar a imprensa, em sua liberdade e independência.</p>



<p>A fragilização da democracia não ocorre de imediato, mas é uma construção, através de narrativas e notícias falsas, exercendo as <em>fake </em><em>n</em><em>ews</em> nas redes sociais e app de mensagens, essa função com maestria, tudo com a proteção do possível anonimato.</p>



<p>O anonimato que é o distanciamento da constituição federal, portanto o PL nº 2630/2020, não viola qualquer garantia ou direito constitucional de liberdade de expressão, liberdade da atividade de imprensa, muito menos estabelece um senso comum do que seria a verdade, a partir de certas premissas ideológicas. Entretanto, coíbe a proliferação da desinformação, ou seja, aquilo que jamais existiu se tornar verdade, causando danos inimagináveis inclusive à nossa democracia.</p>



<p>Destarte, no universo das redes sociais e app de mensagens, imaginar que os algoritmos apenas conseguem identificar nossos gostos e hábitos, condição econômica, social, localidade, orientação sexual, nível de escolaridade, etc., mas não conseguem identificar com a mesma precisão, perfis (robôs) e aqueles divulgadores de notícias e informações falsas, discurso de ódio, racistas, xenofóbicos, neonazistas e demais práticas criminosas, se mostra estranho, para não se conceituar absurdo, quase uma <em>fake </em><em>n</em><em>ews</em>.</p>



<p>Não podem ser um terreno fértil à impunidade, as redes sociais e app de mensagens exigem regramento, uma resposta precisa e robusta da sociedade, indo além do Marco Civil da Internet, Lei n° 12 965, de 23 de abril 2014, que é a norma legal que disciplina o uso da Internet no Brasil por meio da previsão de princípios, garantias, direitos e deveres para quem faz uso da rede, bem como da determinação de diretrizes para a atuação do Estado.</p>



<p>A propósito o Brasil com o PL 2630/2020 apenas trilha por caminho, já percorrido pela Europa. Destaca-se que a Lei de Serviços Digitais (Digital Services Act – DSA) foi aprovada pela Comissão Europeia em abril de 2022. Referida nova legislação europeia, impõe que empresas de tecnologia com mais de 45 milhões de usuários sejam enquadradas como grandes plataformas, por sua vez devem seguir regras mais restritivas que as demais empresas.</p>



<p>A nossa Constituição Federal, que em outubro do corrente completará 35 anos, no início de 2023 passou por um grande teste, uma real tentativa de ruptura, a partir dos atos antidemocráticos do 8 de janeiro. Para o bem da nação, nossa Constituição Federal segue forte e como um grande instrumento de transformação, de cidadania, direitos e garantias individuais dos cidadãos e cidadãs brasileiros, em um estado democrático de direito.</p>



<p>O PL nº 2630/2020, em que pese a opinião do ferrenhos críticos, não põe riscos à liberdade de expressão, muito menos reduz a importância da dignidade humana e demais liberdades do regime democrático. Posto regular, não significa tolher direitos, mas sim, agir na sua preservação. O Brasil apenas se alinha à Europa, combatendo os excessos e absoluta falta de controle, quase uma imputabilidade das redes sociais e app de mensagens como vetores de <em>fake news</em>.</p>



<p>*<strong>Conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (seccional de Pernambuco) e Presidente da Comissão de Direito Constitucional do Instituto dos Advogados de Pernambuco (IAP)</strong></p>



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		<title>Deputado de Pernambuco gastou mais com redes sociais do que Lula e Bolsonaro</title>
		<link>https://marcozero.org/deputado-de-pernambuco-gastou-mais-com-redes-sociais-do-que-lula-e-bolsonaro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Sep 2022 15:49:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[danilo cabral]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2022]]></category>
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<p>O político pernambucano que mais gastou dinheiro impulsionando postagens e anúncios nas redes sociais durante o primeiro mês de campanha eleitoral não foi nenhum dos candidatos ou candidatas ao governo estadual. Quem fez as maiores despesas para garantir mais visibilidade no Instagram, Facebook e WhatsApp foi o deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil), que pretende se reeleger este ano.</p>



<p>No ranking nacional, Albuquerque foi o quarto que mais usou recursos de campanha para patrocinar postagens, mais até do que o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula. Em 2020, sua esposa, que usa o nome de urna Andreza de Romero, também foi a política pernambucana que mais investiu recursos nas mesmas redes sociais até a realização do 1º turno. </p>



<p>De acordo com a <a href="https://pt-br.facebook.com/ads/library/report/?source=archive-landing-page&amp;country=BR" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Biblioteca de Anúncios da Meta</a>, empresa que controla o Insta e o Face, Romero investiu mais de R$ 472 mil para impulsionar anúncios em que se apresenta, junto a esposa Andreza, candidata a deputada federal, como “embaixadores da causa animal”. Provavelmente para preservar sua imagem de paladino dos bichos de estimação, as postagens veiculadas no período eleitoral não fazem referência ao seu projeto para liberar em Pernambuco o porte de armas para caçadores e atiradores.</p>



<p>De acordo com a prestação de contas apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os gastos com as redes sociais do chamado Metaverso, de Mark Zuckerberg representam 64,9% das despesas de campanha de Romero até o momento. </p>



<p>A prática de ocupa maciçamente os espaços digitais ajudaram Romero a se eleger vereador em 2016. Seis meses depois, no entanto, ele chegou a ser cassado pela Justiça Eleitoral em primeira instância, mas acabou mantendo o mandato porque o pleno do TRE-PE anulou a decisão anterior em dezembro de 2017. O motivo do processo foi exatamente por abuso de poder econômico em razão do grande volume de impulsionamento de publicidade eleitoral na internet.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/andreza-romero-gastou-em-redes-sociais-o-mesmo-que-a-soma-de-todos-os-eleitos/" class="titulo">Andreza Romero gastou em redes sociais o mesmo que a soma de todos os eleitos no Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A segunda candidatura que mais investiu em redes sociais ainda não é de nenhuma chapa majoritária. O deputado federal Felipe Carreras (PSB) direcionou para Instagram e Facebook R$ 383 mil, o que representa 21% de seu orçamento nos primeiros 30 dias de campanha. O relatório da Meta, no entanto, indica que foram veiculados o equivalente a R$ 198 mil do valor já contratado. Com o Google, que controla o YouTube, o gasto foi bem menor: R$ 25 mil.</p>



<p>Outro candidatura proporcional de Pernambuco que gastou mais do que alguns majoritários foi Liana Cirne (PT), com pouco mais de R$ 107 mil nas duas principais plataformas da Meta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Diferentes estratégias digitais</strong></h2>



<p>Marília Arraes (Solidariedade) foi a que mais gastou com redes sociais entre os nomes que disputam o governo de Pernambuco, com R$ 232 mil, porém isso foi o equivalente a 5% do total das despesas declaradas ao TSE até o momento. Depois dela, está Miguel Coelho, cujos anúncios patrocinados consumiram R$ 210 mil de seus gastos (3,1% do total), dos quais R$ 144 mil já foram veiculados nas postagens que estão “rodando” no Face, WhatsApp e Insta.</p>



<p>As prestações de contas parciais, realizadas obrigatoriamente pelas campanhas até 13 de setembro, revelam a diferença das estratégias digitais dos candidatos. Marília, candidata mais conhecida em todas as regiões do estado por ter ido ao 2º turno pela prefeitura do Recife e feito a pré-campanha para o governo em 2018, investiu mais nas redes sociais do que no YouTube, via Google.</p>



<p>Os demais, com nomes mais conhecidos em seus municípios, gastaram bem mais no YouTube e em anúncios do buscador Google. A coordenação de comunicação de Raquel Lyra (PSDB), por exemplo, direcionou R$ 610 mil (6,9% do total) para essa plataforma e apenas R$ 59 mil para o Facebook. Anderson Ferreira (PL), declarou R$ 370 mil gatos com o Google/YouTube (8,7% do total) e impulsionou R$ 102 mil nas redes sociais.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Ranking nacional</strong></h3>



<p>Nacionalmente, foi a candidata a presidente pelo MDB, Simone Tebet, que lidera o ranking de gastos com as plataformas da Meta/Facebook, com quase R$ 1 milhão (exatamente R$ 998.936,00). Curiosamente, o segundo lugar não é ocupado por nenhum outro candidato a presidente, mas por Roberto Cláudio, candidato a governador do Ceará pelo PDT, de Ciro Gomes, que direcionou R$ 577 mil para essa finalidade. Em seguida, aparece o próprio Ciro, que gastou R$ 461 mil até o momento.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> página de doação</a><em> ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado.</strong></cite></blockquote>
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		<title>Intercom discute os efeitos perversos do monopólio das cinco gigantes da internet</title>
		<link>https://marcozero.org/intercom-discute-os-efeitos-perversos-do-monopolio-das-cinco-gigantes-da-internet/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Oct 2021 21:20:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[apagão do facebook]]></category>
		<category><![CDATA[Apple]]></category>
		<category><![CDATA[bigtechs]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os últimos dias têm sido difíceis para a imagem do Facebook. Primeiro, foram as denúncias da ex-funcionária Frances Haugen. Em seguida, a queda da rede social e também do Instagram e WhastApp, ambos controlados pela empresa. Certamente, nas seis horas de interrupção dos serviços, na última segunda-feira, 4 de outubro, o prejuízo para micro e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os últimos dias têm sido difíceis para a imagem do Facebook. Primeiro, foram as denúncias da ex-funcionária Frances Haugen. Em seguida, a queda da rede social e também do Instagram e WhastApp, ambos controlados pela empresa. Certamente, nas seis horas de interrupção dos serviços, na última segunda-feira, 4 de outubro, o prejuízo para micro e pequenos empresários que dependem dessas plataformas foi bem maior, proporcionalmente, do que para o lucro estratosférico de uma das (poucas) gigantes da internet.</p>



<p>As denúncias de Frances Haugen, de que Facebook “&amp; cia” manipulam os desejos dos usuários para fazer dinheiro, não são exatamente uma novidade. Mas, vindas de alguém que viveu isso por dentro, têm um grande peso na discussão sobre a internet como um ambiente regulado num mundo altamente conectado através de uma rede monopolizada e colonizada por Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft (“Gafam”).</p>



<p>É nessa trincheira que se encontra a comunicação, com o desafio da democratização dos meios não só pelo acesso, mas também pela equidade tecnológica. Esse foi um dos pontos debatidos nesta quinta, 7 de outubro, no <a href="https://marcozero.org/intercom-maior-evento-cientifico-de-comunicacao-comeca-segunda-feira-e-sera-promovido-pela-unicap/">44º Intercom – Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação</a>, na mesa “Sobre o direito e o dever de resistir: a comunicação na trincheira”, com os debatedores Fernando Oliveira Paulino (UnB/Socicom), Helena Martins (UFC) e Marcos Dantas (UFRJ), com mediação de Erick Felinto (Uerj).</p>



<p><a href="https://marcozero.org/a-comunicacao-sob-a-otica-de-paulo-freire-no-centro-dos-debates-do-44o-intercom/">Paulo Freire e a comunicação como prática de liberdade, resistência e cidadania</a> são os grandes temas do maior evento científico da área de comunicação da América Latina que acontece este ano na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no Recife, até o próximo sábado, 9 de outubro.</p>



<p>Professor titular de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marcos lembrou do poder de destruição ética e estética que a internet e as redes sociais introduziram na sociedade e que não é a tecnologia que determina relações sociais; são as relações sociais que determinam o rumo das tecnologias. “A internet tornou-se tão essencial quanto a energia elétrica”, resumiu, ao falar do apagão da última segunda, enfatizando a necessidade de submeter esses rumos a algum controle público, um movimento que conta com a resistência de segmentos que lutam por efetiva democratização dos meios através de um sistema regulatório. “Cada vez mais, o mundo clama por regular a internet, mais precisamente as grandes plataformas que operam sobre a internet”, afirmou.</p>



<p>A denúncia da ex-funcionária do Facebook vem reforçar que não somente os usuários, mas, em grande parte, os provedores de acesso e as grandes plataformas são também responsáveis pelo conteúdo que circula na rede, com seus algoritmos e impulsionamentos para gerar mais vínculos e interações. O problema é que estão nisso conteúdos de ódio, fake news e obscurantismo. “Esses discursos sempre existiram. A questão é se têm direito de circular livremente pela internet”, provocou Marcos, que é membro eleito do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e foi, entre outros cargos públicos, secretário de Planejamento e Orçamento do Ministério das Comunicações (2003).</p>



<p>No Brasil, o Projeto de Lei 2630, conhecido como PL das Fake News, busca impor alguns desses limites a toda essa “liberdade”. O projeto trata da Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, cujo parecer do relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), tem data de entrega agendada para esta sexta, 8 de outubro.</p>



<p>Professora da Universidade do Ceará, Helena Martins afirmou que “não dá mais para manter esse estado das coisas e ver a internet se transformar em mais um campo de mercantilização, como aconteceu com o rádio e a TV”. “Há urgência de pensar não só o uso, mas a superação desse estado de coisas”, explicou. Para ela, essa crise mais recente demanda uma retomada do pensamento crítico que faça uma articulação de resistência com estratégias em relação às formas de comunicação.</p>



<p>O professor Fernando Oliveira Paulino, da Universidade de Brasília, destacou que, nesse hall de ataques, há um alvo muito presente: as instituições públicas de educação. Ele definiu o sistema acadêmico brasileiro como sendo ainda muito “autofágico, autocentrado”. “O baixo grau de educação científica no país contribui com esse desaguar de ressentimentos com as instituições”, avaliou ele, que também é da Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Sociocom).</p>



<p>A fala de Fernando foi para reforçar a importância de a comunicação das universidades e dos institutos fortalecerem a difusão de suas produções, atividades, pesquisas e extensões e também o diálogo entre os pares e com a sociedade. “Uma grande trincheira é necessidade de trabalhar ombro a ombro nesse momento”, definiu.</p>



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		<title>Jornalismo digital começa a &#8220;povoar&#8221; desertos de notícias no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Feb 2021 23:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[deserto de notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[jornalismo digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aproximadamente 34 milhões de brasileiros não têm acesso a qualquer informação jornalística sobre o lugar onde vivem. Eles fazem parte da população de 3.280 municípios que são considerados desertos de notícias. Seis em cada dez municípios no Brasil estão nessa situação. O dado é parte dos resultados obtidos na quarta edição do Atlas da Notícia,iniciativa [&#8230;]</p>
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<p>Aproximadamente 34 milhões de brasileiros não têm acesso a qualquer informação jornalística sobre o lugar onde vivem. Eles fazem parte da população de 3.280 municípios que são considerados desertos de notícias. Seis em cada dez municípios no Brasil estão nessa situação. O dado é parte dos resultados obtidos na quarta edição do Atlas da Notícia,iniciativa anual do Projor patrocinada desde 2018 pelo <a href="https://www.facebook.com/journalismproject/home">​Facebook Journalism Project​ (FJP)</a> e o maior e mais completo levantamento sobre a presença do jornalismo local no país.</p>



<p>Realizada em parceria institucional com a ​<a href="https://www.abraji.org.br/">Abraji​</a> e <a href="http://www.portalintercom.org.br/">​Intercom</a>​, a quarta edição contou com a colaboração de 219 voluntários de 74 organizações, como escolas de jornalismo. O relatório detalhado da pesquisa será divulgado nesta quarta-feira, 3 de fevereiro, pelo ​<a href="http://observatoriodaimprensa.com.br/">Observatório da Imprensa</a>.</p>



<p>A nova edição inclui um pacote de dados na linguagem R que visa facilitar o acesso aos dados por parte de pesquisadores, jornalistas e programadores. O front de pesquisa, análise e mapeamento do Atlas está a cargo da agência ​<a href="https://www.voltdata.info/">Volt Data Lab</a>​, liderada pelo jornalista Sérgio Spagnuolo. Já a coordenação da equipe de pesquisadores e da redação dos resultados da pesquisa é de responsabilidade do jornalista Sérgio Lüdtke.</p>



<p>O Atlas da Notícia mapeou 13.092 veículos jornalísticos em atividade em 2020. O levantamento também apontou o fechamento de 272 veículos e incorporou à base 1.170 novos veículos nativos digitais, a maior parte deles na região nordeste do país. O registro desses novos meios digitais levou à redução do número de desertos em cerca de 5,9% em relação à terceira edição da pesquisa.</p>



<p>Outros 113 municípios passaram a fazer parte da lista de quase desertos de notícias,municípios que contam com apenas um ou dois veículos de comunicação local. Esses quase desertos são habitados por 28,9 milhões de brasileiros. Segundo o levantamento,1.187 municípios estão nessa condição, o que representa dois em cada dez municípios do país.</p>



<p>Os estados do Tocantins e Rio Grande do Norte têm a maior incidência de desertos da notícia. Apenas dois em cada dez municípios contam com algum meio de comunicação com produção de notícias locais.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Censo</h2>



<p>“O Atlas da Notícia é uma espécie de censo da imprensa local brasileira&#8221;, diz Francisco Belda, presidente do Projor. &#8220;Além do mapeamento geográfico, a pesquisa gera também dados importantes como o tipo de conteúdo publicado e o fechamento de veículos. São informações essenciais para iniciativas focadas no aprimoramento do jornalismo local brasileiro.&#8221; </p>



<p>&#8220;Como em qualquer &#8216;censo&#8217;, os dados precisam de tempo e de constante atualização para começar a refletir mudanças importantes,&#8221; diz Sérgio Spagnuolo. &#8220;Em levantamentos anteriores, os dados mostravam o impresso ainda muito presente. Agora, com a ampliação das nossas bases e aprofundamento da pesquisa,conseguimos ver a expansão do jornalismo online.&#8221;</p>



<p>&#8220;Nesta quarta edição, dividimos nossos esforços em duas frentes&#8221;, diz Sérgio Lüdtke,coordenador da equipe de pesquisadores. &#8220;Por um lado, procuramos qualificar a base do Atlas, atualizando e agregando mais informações aos veículos que já constavam dela. E, por outro lado, nos focamos nas áreas que apareciam como desertos nas pesquisas anteriores&#8221;. Para isso, os pesquisadores usaram softwares como CrowdTangle para identificar novos veículos e os colaboradores passaram a coletar também dados de outros estados&#8221;.</p>



<p>&#8220;O Facebook está comprometido em criar parcerias e investir no ecossistema de notícias locais para apoiar a imprensa em toda a região. Desde 2018, patrocinamos o Atlas da Notícia com o objetivo de colaborar com a indústria de notícias para entender suas necessidades e trazer recursos relevantes aos veículos e às suas comunidades.&#8221; afirma a gerente de Programas para Veículos de Notícias da América Latina do Facebook, Dulce Ramos. Realizada localmente nas cinco regiões brasileiras, a pesquisa do Atlas conta com os seguintes pesquisadores regionais: Angela Werdemberg (Centro-Oeste), Dubes Sônego (Sudeste), Jéssica Botelho (Norte), Marcelo Fontoura (Sul) e Mariama Correia (Nordeste), ex-repórter da <strong>Marco Zero Conteúdo</strong>.</p>



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		<title>Produtora de filmes bolsonarista gastou R$ 1,2 milhão em publicidade no Facebook durante 2020</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jan 2021 13:24:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil Paralelo]]></category>
		<category><![CDATA[Facebook]]></category>
		<category><![CDATA[olavo de carvalho]]></category>
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<p>Desde o início de agosto, quando o Facebook passou a dar transparência aos gastos com publicidade política ou social em suas plataformas, a empresa atualiza diariamente um ranking de quem investiu dinheiro impulsionando postagens desse tipo. A primeira posição dessa lista no Brasil é surpreendente. Mesmo em ano eleitoral quem mais desembolsou não foi um candidato a prefeito de metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro nem um dos grandes partidos do país, como PT, PSDB, DEM ou MDB. </p>



<p>Quem mais investiu em publicidade política no Facebook, Instagram e WhatsApp foi a Brasil Pararelo, uma produtora de filmes e séries de extrema-direita, que já chegou a ser rotulada de “netflix dos bolsonaristas”.</p>



<p>Considerando apenas os dados dos últimos cinco meses – os únicos informados pelo Facebook – o Brasil Paralelo gastou R$ 1.240.623,00 para impulsionar pouco mais de 15.600 anúncios pedindo apoio financeiro para viabilizar seus filmes, promovendo “cursos de formação” ou divulgando campanhas de assinaturas. Em tese, a Brasil Paralelo não recebe recursos públicos pois o Portal da Transparência não há registros de pagamento realizado pelo Governo Federal para a LHT Higgs Produções Audiovisuais LTDA, razão social da produtora.</p>



<p>Entramos em contato com a empresa por meio do endereço de e-mail fornecido em seu site, mas não recebemos resposta.</p>



<p>Em <a href="https://www.terra.com.br/noticias/netflix-dos-bolsonaristas-gastou-r-328-mil-em-anuncios-de-facebook-e-instagram,95d2a6cacc3975f7e2c62b7eadfc7d84p5licuy7.html">reportagem publicada no final de setembro</a> pelo portal Terra, um dos sócios da empresa, Lucas Ferrugem, disse para o repórter Alexandre Bazzan que a “Brasil Paralelo tem dois planos de assinatura, um de R$ 10 e outro de R$ 49, que dão acesso a conteúdos exclusivos e palestras”. Naquele mês, a produtora contava com 115 mil assinantes, mas o plano é alcançar um milhão no final de 2022. Na mesma entrevista, Ferrugem explicou que o custo para produzir e divulgar cada filme ou episódio de minissérie era de R$ 2 milhões.</p>



<p>Ao longo de 2020, a produtora entrou na mira da Sleeping Giants brasileira, iniciativa de progressistas americanos que interpela anunciantes que fazem propaganda em páginas que espalham fake news e discurso de ódio. Por causa disso, a empresa que operava o sistema de pagamento da Brasil Paralelo acabou recuando e encerrou o contrato.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A gratidão do Zero Três</strong></h2>



<p>Mesmo sem receber dinheiro público, a Brasil Paralelo é constantemente beneficiada pelo <em>merchandising </em>gratuito que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) costumam fazer dos seus filmes. O Zero Três é um entusiasmado garoto-propaganda da empresa ao fazer pelo menos 70 postagens com elogios para seus filmes e séries.</p>



<p>A família Bolsonaro parece ter muito a agradecer à Brasil Paralelo. Em 2018, às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial, a produtora lançou um vídeo nas redes sociais protagonizado por um engenheiro bolsonarista que, usando uma fórmula matemática utilizada em auditorias fiscais e contábeis, dizia “provar” a fantasiosa fraude na eleição de 2014 que elegeu Dilma Rousseff (PT).</p>



<p>Em poucos dias, o tal vídeo foi visto dois milhões de vezes. Na mais extensa verificação do <a href="https://politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/video-com-suspeitas-sobre-eleicoes-de-2014-usou-lei-matematica-que-nao-prova-fraude/">Projeto Comprova</a>, foi constatado que o engenheiro, Hugo Hoeschl era, ele mesmo, uma fraude, pois jamais tinha sido delegado da policial civil do Paraná ou professor “credenciado” da Universidade Federal de Santa Catarina, como se apresentava na tela. Os cálculos usados por Hoeschl não resistiram às análises feitas por matemáticos e físicos acionados pelo projeto.</p>



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	                                        <p class="m-0">Eduardo Bolsonaro é garoto propaganda da Brasil Paralelo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Conteúdo da era vitoriana</strong></h3>



<p>Pretensão e distorção embaladas em certo esmero técnico. Essa poderia ser uma boa definição da produção da Brasil Paralelo que foi analisada pela Marco Zero Conteúdo. Os filmes, a maioria com pouco mais de 40 minutos aos quais o público se acostumou nas plataformas de <em>streaming</em> tradicionais, abordam os temas caros à extrema-direita com mais sutileza que as grosseiras peças de desinformação das redes bolsonaristas.</p>



<p>Boa parte dos anúncios impulsionados no Facebook e Instagram nas últimas semanas tinha como foco o financiamento dos três episódios do “Especial de Natal” da produtora. A série contou com a Orquestra Sinfônica de Heliópolis tocando clássicos natalinos e de compositores como Beethoven.</p>



<p>A música clássica serve claramente como atrativo para os cursos de formação em música oferecidos pelo site. Aliás, esse gênero musical é apresentado como sendo um exemplo de arte pura, expoente máximo da civilização ocidental, em contraponto aos ritmos contemporâneos que se caracterizam pela fusão de samba, rap, funk ou brega. Qualquer semelhança ao nazismo não é mera coincidência.</p>



<p>O cenário do Especial parece ter sido copiado das velhas fotos das reuniões natalinas da família real britânica. Mais uma vez, não há coincidência. Uma das estrelas do primeiro episódio é o “príncipe” Luiz Phellippe de Orleans e Bragança.</p>



<p>E o que o deputado federal monarquista faz no filme? Fala obviedades conservadoras, insípidas. Exemplo: “A família real é igual a qualquer outra (&#8230;) família dá confiança, estabilidade, dá origem e propósito”. Isso é dito num contexto em que seis homens brancos e ricos, sob a mediação do ícone midiático da extrema-direita, Luís Ernesto Lacombe, fazem uma roda de conversa sobre o tema “a crise da família”, quando ficamos sabendo que a crise é de amor. Nada mais. Simples assim.</p>



<p>O segundo episódio trata do sucesso e conta com a única mulher convidada a participar do Especial, a ex-jogadora de vôlei Ana Paula Henkel, apresentada como “comentarista política” (sic). Os outros cinco participantes da roda de conversa são homens. Brancos. O cenário e a composição étnica e de gênero (desta vez sem nenhuma mulher) se repete no terceiro episódio sobre o significado do Natal, com o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, o olavista e monarquista Rafael Nogueira alegando que, ao contrário de todas as outras religiões e civilizações, “os símbolos do cristianismo estão associados a um fato histórico.” Como se os assassinos <a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/151222_wahabismo_origens_fn">wahabistas do Estado Islâmico não dissessem algo parecido da religião muçulmana</a>.</p>



<p>O marketing agressivo, sempre à caça de assinaturas, é uma constante em todos os vídeos. Num episódio sobre o movimento Black Lives Matter, são três inserções com ofertas comerciais da própria empresa em pouco mais de 40 minutos. Nesse vídeo, os primeiros 33 minutos se arrastam, com um historiador americano, gravando de sua casa, admitindo o caráter racista da escravidão e da segregação racial.</p>



<p>O roteiro desse filme é semelhante a uma emboscada: o conteúdo supostamente neutro dos primeiros 2/3 – “supostamente porque os agentes da liberdade dos negros são os líderes brancos ou negros que lutam pacificamente” – levam à desqualificação dos protestos contemporâneos, fundados por mulheres que seriam manipuladas por uma fundação marxista que as treinou para “mudar a sociedade”. Olavo de Carvalho deve ter curtido.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero&#8230;</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
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		<title>Marília aposta em redes sociais na reta final e é candidata que mais gastou com Facebook</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Nov 2020 16:11:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2020]]></category>
		<category><![CDATA[Facebook]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Marília Arraes]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para se defender das acusações e denúncias de última hora, Marília Arraes investiu maciçamente nas redes sociais ao longo da última semana de campanha e já é a candidata pernambucana que mais gastou em anúncios impulsionados no Facebook e Instagram. De acordo com os dados disponibilizados pela própria plataforma, nos últimos sete dias a campanha [&#8230;]</p>
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<p>Para se defender das acusações e denúncias de última hora, Marília Arraes investiu maciçamente nas redes sociais ao longo da última semana de campanha e já é a candidata pernambucana que mais gastou em anúncios impulsionados no Facebook e Instagram.</p>



<p>De acordo com os dados disponibilizados pela própria plataforma, nos últimos sete dias a campanha de Marília fez 308 postagens que lhe custaram R$ 140,7 mil, o que elevou suas despesas com esse tipo de publicidade para R$ 306 mil, ultrapassando com folga o seu adversário do PSB.</p>



<p>Na última semana de campanha, João Campos investiu bem menos do que Marília: R$ 49,2 mil, porém nas últimas 24 horas ele voltou à ofensiva e gastou mais do que a prima, foram mais de R$ 12,2 mil em anúncios contra R$ 8,3 mil. A maior parte das postagens dele tiveram como tema sua participação no debate na Rede Globo. Marília concentrou ataques às gestões do PSB.</p>



<p>A julgar pelos resultados obtidos pelos anúncios, os estrategistas das campanhas parecem ter direcionados as postagens para o eleitorado feminino, pois o anúncio de Marília mais bem sucedido na última semana foi visualizado por algo entre 70 e mil pessoas (a empresa não fornece o número exato), das quais 47% eram mulheres com idade entre 18 e 34 anos. A publicação mais eficaz de João Campos alcançou a mesma quantidade de internautas, com percentual maior de mulheres (56%).</p>



<h2 class="wp-block-heading">Fortaleza</h2>



<p>Os candidatos cearenses foram os que mais usaram as redes sociais nas eleições municipais 2020. Sarto foi o recordista em gastos com as plataformas do Facebook em todo o país. Ele destinou quase R$ 832 mil para essa finalidade. A estratégia parece ter contribuído para ele sair do quarto lugar nas pesquisas no final do mês de setembro, com 5% das intenções, para a liderança no segundo turno contra o candidato bolsonarista Capitão Wágner, que liderava as pesquisas no início da campanha.</p>



<p>Wagner, aliás, está em segundo tanto na disputa na capital do Ceará quanto na lista do Facebook por ter investido R$ 515 mil, seguido de perto por outro candidato a prefeito de Fortaleza, Célio Studart (PV). Para este, contudo, recorrer às redes sociais não ajudou muito, pois ele ficou em quinto lugar no primeiro turno, com apenas 3,5% dos votos. Até agora, os três candidatos de Fortaleza não foram ultrapassados na lista de quem mais gastou com Facebook.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Andreza Romero gastou em redes sociais o mesmo que a soma de todos os eleitos no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/andreza-romero-gastou-em-redes-sociais-o-mesmo-que-a-soma-de-todos-os-eleitos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Nov 2020 13:40:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[camara vereadores]]></category>
		<category><![CDATA[Facebook]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A vereadora eleita Andreza Romero (PP) gastou em anúncios nas redes sociais Facebook e Instagram praticamente o mesmo que todas as outras seis mulheres e 32 homens que  conquistaram uma vaga na Câmara Municipal do Recife. De acordo com o Relatório da Biblioteca de Anúncios do Facebook, ao todo, foram 352 postagens impulsionadas ao custo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A vereadora eleita Andreza Romero (PP) gastou em anúncios nas redes sociais Facebook e Instagram praticamente o mesmo que todas as outras seis mulheres e 32 homens que  conquistaram uma vaga na Câmara Municipal do Recife. De acordo com o <a href="https://www.facebook.com/ads/library/report/?source=archive-landing-page&amp;country=BR">Relatório da Biblioteca de Anúncios do Facebook</a>, ao todo, foram 352 postagens impulsionadas ao custo de R$ 346,5 mil. As demais 38 candidaturas bem sucedidas investiram, juntas, R$ 352 mil. Ela foi a candidata a vereadora que mais investiu em redes sociais em todo o país.</p>



<p>O investimento valeu a pena, pois ela foi a segunda mais votada com 13.249 votos, bem mais que seu marido Romero Albuquerque, eleito vereador em 2016 com 5.613 votos e atualmente deputado estadual. A comparação entre as despesas da campanhas de Andreza com a prestação de contas de Romero, há quatro anos, dá ideia da importância das redes sociais em sua eleição. Em 2016, o hoje deputado informou ter gasto R$ 41.500,00 em toda sua campanha, ou seja, 12% do que a esposa investiu em mídia digital.</p>



<p>A distância de Andreza para sua correligionária Michelle Collins (PP), a segunda colocada no ranking das que mais gastaram com o Facebook, é grande. A missionária-vereadora deixou R$ 59,7 mil nos cofres da gigante de tecnologia. O terceiro maior gastador foi Renato Antunes (PSC), que desembolsou pouco menos de R$ 55 mil.</p>



<p>O relatório, criado pela empresa de Mark Zuckerberg revela algumas curiosidades:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Campeão de votos, Dani Portela (PSOL) está bem longe do topo da lista dos maiores gastadores. Durante a campanha, ela investiu R$ 15.210,00.</li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li>Em plena era das redes sociais e da interatividade permanente, 14 vereadores eleitos no Recife desprezaram completamente o Facebook, preferindo não gastar nada com anúncios digitais.</li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li>Apesar de ser conhecido por sua forte presença nas redes sociais, o vereador Ivan Moraes (PSOL) investiu apenas R$ 5.073,00 em 11 anúncios.</li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li>A Professora Ana Lúcia (Republicanos) investiu apenas R$ 311,00, e, ainda assim, fragmentou esse valor em 11 anúncios, a um custo médio de R$ 28,00 por postagem.</li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li>O vereador eleito Zé Neto (PROS) gastou R$ 100,00 em um único anúncio feito logo no início da campanha.</li></ul>
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		<title>Facebook é quem mais lucra com as eleições 2020</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Nov 2020 17:25:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2020]]></category>
		<category><![CDATA[eleições municipais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O sistema da Justiça Eleitoral que divulga as despesas dos partidos e candidatos nas eleições de 2020 mostra que, no ranking dos fornecedores, a empresa que mais recebeu pagamentos das candidaturas foi dLocal Brasil Pagamentos, uma jovem e quase desconhecida empresa que chegou ao Brasil em 2016, meses depois de ser criada no Uruguai. Na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O sistema da Justiça Eleitoral que divulga as despesas dos partidos e candidatos nas eleições de 2020 mostra que, no ranking dos fornecedores, a empresa que mais recebeu pagamentos das candidaturas foi dLocal Brasil Pagamentos, uma jovem e quase desconhecida empresa que chegou ao Brasil em 2016, meses depois de ser criada no Uruguai.</p>



<p>Na manhã de segunda-feira, 9 de novembro, o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrava que R$ 17,3 milhões já haviam sido pagos à startup uruguaia. No entanto, apenas uma pequena parte desse valor ficará na conta corrente da empresa, pois a maior parte terá como destino os cofres do Facebook, seu principal cliente no Brasil. A dLocal é uma processadora de pagamentos que possibilita às multinacionais de tecnologia receber de seus clientes em diferentes moedas.</p>



<p>O segundo lugar do ranking de fornecedores é o próprio Facebook, que, no mesmo dia 6, havia recebido R$ 11,9 milhões.</p>



<p>No entanto, apuramos junto a fontes da multinacional que alguns candidatos colocam Facebook como a empresa a qual usou dinheiro para a campanha e outras colocam a processadora de pagamentos. O ideal, do ponto de vista contábil, seria que todos colocassem Facebook.</p>



<p>Resumindo, a gigante de tecnologia de Mark Zuckerberg faturou, até agora, R$ 29,2 milhões com as eleições municipais brasileiras. </p>



<p>Para se ter a ideia do que isso significa, os números finais das eleições municipais de 2016 mostram que a empresa que mais faturou naquele ano recebeu R$ 7,1 milhão. A soma do faturamento dos cinco maiores fornecedores de 2016 da relação do TSE &#8211; todas elas empresas de marketing político e consultorias em estratégia digital &#8211; é próximo aos valores parciais do Facebook em 2020.</p>



<p>Convertidos os valores em dólar, a primeira colocada do ranking 2016 recebeu pouco menos de US$ 2,2 milhões ao final do 2º turno. O Facebook já faturou quase US$ 5,4 milhões antes mesmo da realização do 1º turno. Isso, segundo o TSE, porém a própria plataforma registra na ferramenta Biblioteca de Anúncios que, desde agosto, partidos e candidatos impulsionaram 641 mil anúncios que geraram R$ 56,5 milhões, ou US$ 10,5 milhões.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quem mais gastou</strong></h2>



<p>De acordo com a assessoria do Facebook, os valores se referem a custos com impulsionamento, ou seja, postagens patrocinadas. A lista dos candidatos que mais gastaram anunciando nas redes sociais do Facebook (Facebook, Instagram ou usando serviços de Whatsapp Business) reserva uma surpresa para os pernambucanos.</p>



<p>A candidata a vereadora que mais investiu nessas plataformas em todo o país foi a empresária Andreza Romero (PP), que, até o fechamento desta reportagem, havia desembolsado mais de R$ 245 mil para convencer os eleitores do Recife que é uma defensora dos animais de estimação. No Brasil, ela só foi superada por dois candidatos a prefeito de Fortaleza nesse tipo de gasto. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<p>Andreza pagou ao Facebook duas vezes mais do que a delegada Patrícia Domingos (Podemos), a candidata a prefeita do Recife que mais investiu nas redes sociais (R$ 120.000,00) até agora. João Campos (PSB), Mendonça Filho (DEM), e o coronel Alberto Feitosa (PSC) aparecem logo em seguida na lista dos candidatos pernambucanos que mais investiram nas plataformas da empresa.</p>



<p>De acordo com sua prestação de contas à Justiça, 65% dos gastos de sua campanha foram com impulsionamento nas redes sociais. De acordo com a coordenação da campanha da empresária, o Instagram e o WhatsApp concentram a maior fatia do investimento, com resultado &#8220;acima do esperado&#8221;. </p>



<p>Os dados públicos do Facebook registram valores um pouco maiores para Andreza Romero (R$ 271 mil). É provável que a diferença se explique pelo tempo necessário para que o TRE e o TSE levem para processar as documentações das prestações de contas. O mesmo vale para as demais candidaturas. </p>



<p>A nota enviada pela equipe de Andreza explica que &#8220;O momento que estamos vivendo exige estratégias que contribuam tanto com a campanha eleitoral quanto com as medidas de convivência com o coronavírus (&#8230;) Nessa reta final, estamos seguindo a determinação do TRE, o que torna as redes sociais mais necessárias ainda&#8221;.</p>



<p>A Marco Zero procurou as assessorias das principais chapas majoritárias na disputa no Recife na tentativa de escutar as pessoas responsáveis pela atuação digital das candidaturas, mas, provavelmente pelo ritmo intenso da reta final de campanha e dos desfalques provocados pela Covid-19 nas equipes, nenhuma delas respondeu a tempo.</p>



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<h3 class="wp-block-heading">Monopólio em formação</h3>



<p>Sem os marqueteiros e estrategistas digitais dos candidatos, recorremos a dois pesquisadores que acompanham o uso da tecnologia nas eleições brasileiras. Rogério Tineu, doutor em Ciências Sociais Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e (PUC-SP) e pesquisador no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da mesma instituição, acredita que &#8220;a concentração de recursos dos fundos partidários e eleitorais numa só empresa multinacional parece caracterizar a formação de um monopólio&#8221;.</p>



<p>Tineu lembra que, das quatro principais plataformas de redes sociais, três pertencem à empresa de Zuckerberg. &#8220;Acredito que os candidatos estão usando mais o Instagram nessas eleições, mas essa ainda é uma impressão pessoal&#8221;, especula o professor paulista, para quem as restrições impostas ao Whatsapp levou o marketing das campanhas a migrar para o Instagram. </p>



<p>Tineu afirma que, na condição de pesquisador, a pergunta a ser feita é &#8220;O usuário da rede percebe que aquele conteúdo é patrocinado? O cidadão sabe que aquilo é um anúncio?&#8221;. O Facebook informou que os anúncios dos políticos são acompanhados do aviso que se trata de uma propaganda eleitoral.</p>



<p>Outro fator preocupa Tineu: &#8220;A análise dos dados do comportamento dos eleitores e dos próprios candidatos numa escala nacional, será usado pelo algoritmo e pelos estrategistas da empresa para definir qual será a atuação para influenciar em 2022. A eleição atual é um balão de ensaio para a próxima&#8221;.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Nova cultura eleitoral</h4>



<p>No Recife, outro pesquisador indica que há aspectos positivos no uso de plataformas das gigantes globais da tecnologia. Professor do curso de propaganda da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e especialista no uso das mídias sociais no marketing político, Fernando Fontanella acredita que destinar volumosos recursos para empresas como o Facebook poderá mudar a forma como se faz campanha eleitoral no Brasil.</p>



<p>Para Fontanella, a principal mudança se daria no trato com os fundos eleitorais e partidário, ou seja dinheiro público: &#8220;Todos sabemos como se usa os gastos de campanha para lavar dinheiro ou alimentar o caixa 2 que enriquece candidatos, presidentes de partido e tesoureiros. Não dá para imaginar o Facebook, o Twitter ou o Google fornecendo nota fiscais frias, com um valor acima do executado, para que o partido ou o candidato possam fazer pagamentos por fora, não contabilizados&#8221;.</p>



<p>Segundo ele, do ponto de vista da publicidade, as mídias sociais vendem a atenção do público, mas essa atenção é limitada porque o tempo do público é limitado. &#8220;Os candidatos pagam para disputar a atenção do eleitor. E se você tem mais gente disputando um público com perfil semelhante, você precisa dar o lance maior, isso acaba inflacionando o custo com comunicação. Ou seja, vai se gastar mais, concentrando recursos numa única mídia e não diluindo esses gastos com dezenas de empresas locais, como acontecia antes&#8221;.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Os investimentos do Facebook</h4>



<p>Com a marca Facebook vinculada ao escândalo da Cambridge Analytica que resultou na eleição de Donald Trump em 2016 e o Whatsapp relacionado à distribuição maciça de desinformação que ajudou a eleger Bolsonaro no Brasil, a empresa norte-americana está divulgado os cuidados que tomou para melhorar sua imagem nas eleições municipais brasileiras:</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Centro de Operações para Eleições</strong>: Para reagir com mais rapidez a conteúdos falsos que ameacem à integridade das eleições municipais, vai começar a funcionar a partir desta semana, um Centro de Operações para Eleições no Brasil. Especialistas da empresa reunidos, de maneira remota, para acompanhar em tempo real potenciais violações de políticas do Facebook, Instagram e WhatsApp nos dias próximos às eleições e durante os dias de votação.</li><li><strong>Parceria com TSE e informação a candidatos </strong>para combater notícias falsas e assegurar aos eleitores informações oficiais sobre o pleito. Criação de um canal exclusivo para que o TSE envie denúncias de contas do WhatsApp que possam estar fazendo disparo em massa de mensagens.</li><li><strong>Transparência para publicidade eleitoral: </strong>Desde agosto, qualquer publicidade no Facebook e no Instagram sobre política ou eleições no Brasil precisa ser identificada com o aviso &#8220;Pago por&#8221; ou &#8220;Propaganda Eleitoral&#8221;. Qualquer pessoa ou organização que queira fazer esses anúncios nas duas plataformas precisa passar por um processo de autorização, confirmando sua identidade e que tem residência no país.Todos os anúncios políticos e eleitorais ficarão armazenados por sete anos na <a href="https://urldefense.proofpoint.com/v2/url?u=https-3A__www.facebook.com_ads_library_-3Factive-5Fstatus-3Dall-26ad-5Ftype-3Dpolitical-5Fand-5Fissue-5Fads-26country-3DBR-26impression-5Fsearch-5Ffield-3Dhas-5Fimpressions-5Flifetime&amp;d=DwMFAw&amp;c=5oszCido4egZ9x-32Pvn-g&amp;r=N4KuU6xU6DgRQ7VOMGqF2ls1GlITrPdGg9WUByFJp_4&amp;m=rqBFvGUC2Ep8jXQRDCGfTyOa1xLZhHHNaDMkcF-eqXI&amp;s=jLvahYnAmi49U4rXfy5finEiJH49c5Z3-ZAVhvqVCKw&amp;e=" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Biblioteca de Anúncios</a>.</li><li><strong>WhatsApp: </strong>O aplicativo restringiu o compartilhamento de conteúdos, reforçando suas características de aplicativo de mensagens privadas. Em agosto, o WhatsApp lançou, em parceria com o Google, uma ferramenta que permite verificar na internet o conteúdo das mensagens frequentemente &nbsp;encaminhadas por meio do aplicativo.</li></ul>



<p></p>
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		<title>Bolsonaro e a trapaça como arma eleitoral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Oct 2018 17:00:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Maria Carolina Santos e Raissa Ebrahim Um homem está na biblioteca de Londrina, no Paraná. Ele pega um livro da estante e, escondido, tira fotos das páginas, já desgastadas pelo uso. É uma denúncia gravíssima: ali, em fotos ruins de celular, a “prova” de que Fernando Haddad, candidato à presidência pelo PT, escreveu um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<strong>Por Maria Carolina Santos e Raissa Ebrahim</strong>

Um homem está na biblioteca de Londrina, no Paraná. Ele pega um livro da estante e, escondido, tira fotos das páginas, já desgastadas pelo uso. É uma denúncia gravíssima: ali, em fotos ruins de celular, a “prova” de que Fernando Haddad, candidato à presidência pelo PT, escreveu um livro defendendo o incesto e a pedofilia. Em segundos, a mensagem, e as fotos, se espalham pelo WhatsApp.

De muito pouco adianta o fato de que a mentira havia sido plantada um dia antes pelo “filósofo” Olavo de Carvalho no Facebook. De nada adianta os desmentidos posteriores – inclusive do próprio Olavo. O estrago estava feito.

Quem trabalha com campanha política diz que não é debate, não é Facebook, não é Whatsapp, não é a Imprensa que ganha uma eleição. O que ganha é política.

Nesta eleição, a máxima pode ter prevalecido. Porém, mais do que as alianças políticas, é o uso heterodoxo de técnicas de propaganda que domina o debate público neste segundo turno. O WhatsApp e as fake news são os protagonistas.
<blockquote><a href="https://marcozero.org/whatsapp-denuncia-contra-bolsonaro-evidencia-crise-de-mediacao/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">WhatsApp: denúncia contra Bolsonaro evidencia crise de mediação</a></blockquote>
A campanha do presidenciável Jair Bolsonaro usa o que o professor de Publicidade e Propaganda da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) Fernando Fontanella chama de “estratégia da trapaça” &#8211; uma fuga da propaganda tradicional. “Você tem o uso de dinheiro obscuro para espalhar fake news ou usando algoritmos. É uma estratégia super sofisticada de distribuição de informação que pega de surpresa quem joga pelas regras tradicionais (legais ou não)”, diz o professor da Unicap.

“O caso do livro na biblioteca de Londrina é uma propaganda tosca. Mas a encenação dá autenticidade, parece feita por um cidadão preocupado. Porém, quem fez sabe muito bem o que está fazendo. Por trás de algo que parece tão amador, há um planejamento muito profissional, um gênio diabólico”, explica Fernando Fontanella, que recebeu as imagens pelo WhatsApp.

<iframe src="https://cdn.knightlab.com/libs/timeline3/latest/embed/index.html?source=1kZVSx4Uw6l22ak5L72HRImXabAXWHjC6VKLO8kxtsVc&amp;font=Default&amp;lang=pt-br&amp;initial_zoom=2&amp;height=350" allowfullscreen="allowfullscreen" width="100%" height="350" frameborder="0"></iframe>

Pesquisa do grupo <a href="https://www.eleicoessemfake.dcc.ufmg.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&#8220;Eleições sem fake&#8221;</a>, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mostra que Bolsonaro monopoliza os debates na maior parte dos grupos públicos de WhatsApp. &#8220;Monitoramos 272 grupos que debatem política, 37 deles só de Bolsonaro. Somos um sistema enviesado porque há mais grupos de apoiadores dele do que de outros candidatos&#8221;, disse Fabrício Benevenuto, professor do departamento de Ciência da Computação da UFMG e criador do projeto, em entrevista ao El País.

Outro estudo, do Instituto para Internet de Oxford, mostrou que os bolsonaristas produziram entre 18 e 29 de agosto 5,9 milhões de postagens com apenas 50 mil autores, o que indica o uso de &#8220;robôs&#8221; no Twitter.

Definindo como “selvagem” a tática de campanha de Bolsonaro, Fontanella acha que nem a equipe de Bolsonaro tinha tanta certeza de que tal estratégia iria funcionar. “É algo que também foge ao controle do núcleo, porque os próprios apoiadores começam a criar conteúdos e divulgá-los”.

A campanha de Bolsonaro ganhou fôlego não só com os disparos em massa – realizados, segundo reportagem publicada na semana passada pela Folha de S. Paulo, nos dias anteriores ao primeiro turno – mas principalmente com uma estratégia de comunicação que passou mais de um ano testando conteúdos e formatos e identificando pessoas que passariam essas mensagens para frente.

Assim, os estrategistas sabiam da força que conteúdos como o &#8220;kit gay&#8221; – uma mentira alimentada e moldada por anos – teria na campanha. “Eles chegaram na campanha sabendo o que funciona mais com cada público. E sabendo com quem contar para espalhar essa mensagem de forma rápida”, diz Fontanella.
<blockquote><strong>&nbsp;</strong>
<h3>O que aconteceu até agora depois da denúncia da Folha de São Paulo:</h3>
TSE abre investigação sobre Bolsonaro e compra de pacotes de disparo de mensagens contra o PT no WhatsApp.

PGR pede à Polícia Federal abertura de inquérito para apurar suposto esquema ilegal tanto na campanha de Bolsonaro quanto na de Haddad.

WhatsApp notifica extrajudicialmente e bloqueia contas ligadas às empresas Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market, suspeitas de venderem esse tipo de serviço.

WhatsApp diz, em entrevista à BBC News Brasil, que não pretende fazer novas alterações ligadas a mensagens encaminhadas ou à criação e participação em grupos na reta final das eleições brasileiras.

WhatsApp anuncia que baniu 100 mil usuários por uso irregular do aplicativo na última semana

Facebook remove 68 páginas e 43 contas que replicavam postagens favoráveis a Bolsonaro que violam a política de uso da rede social</blockquote>
O publicitário baiano André Torretta foi sócio, durante alguns meses, entre o final de 2017 e o início de 2018, da Cambridge Analytica, a empresa que foi à falência após a descoberta de que usou informações dos perfis&nbsp;de mais de 50 milhões de norte-americanos para moldar notícias falsas e influenciar a eleição de Donald Trump.

Torretta avalia que houve uma adaptação para o modelo brasileiro, com o WhatsApp na linha de frente. “Uma rede (WhatsApp) tem 160 milhões de usuários, a outra (Facebook) tem 100 milhões. Só os idiotas não apostaram no WhatsApp”, dispara. “O Brasil é um país pobre. Depois do dia 15, muita gente fica sem internet no celular. Vão pegar wi-fi na farmácia e não têm tempo para entrar em sites. Ficam no WhatsApp”.

O problema que ele vê, para quem trabalha nas campanhas, é certa dificuldade em aferir a recepção da mensagem. “No WhatsApp não há regras. Você lança a mensagem e não sabe se funcionou ou não. Você atira e reza. Como toda comunicação, dá resultado, mas não é algo tão preciso de se aferir como no Facebook”, diz.

Para Torretta, o que ficou da experiência da breve sociedade com a Cambridge Analytica foi a divisão do eleitorado por perfis psicológicos. “O Brasil tem bons bancos de dados, como o do IBGE. Mas nunca tinha trabalhado com a divisão baseada em personalidade, dentro de uma rede social. Isso foi um aprendizado”.

Sobre os disparos, Torretta afirma que podem ser encontrados em &#8220;toda esquina, é só digitar no Google&#8221;. Ele não acha que as informações falsas vão diminuir nas próximas eleições. Pelo contrário, acredita que deverão ficar mais sofisticadas. Mas minimiza o impacto que elas possam ter. “Não é uma invenção de agora. Antes você tinha as fofocas, as revistas impressas. Fake news sempre existiu. Mesma lógica para os disparos por WhatsApp: antes tínhamos as listas telefônicas”.
<blockquote>
<h3>“Crise é por desinteresse em política”</h3>
O professor de Publicidade e Propaganda Fernando Fontanella afirma que é importante marcar que a eleição mudou por causa da tecnologia, mas que a tecnologia é um produto da sociedade, e não uma causa. “Não é que a tecnologia veio do nada e mudou como as pessoas lidam com o processo. Na verdade, é um processo gradual”, diz

“Um pouco do ambiente político que a gente vê agora nas mídias sociais já é resultado do Facebook se moldando ao modo das pessoas conversarem. Estamos há anos com um problema de saturação de informação, o público está de saco cheio. Então você precisa de ferramentas que fazem curadoria de conteúdo, você precisa de mediadores que vão simplificar as coisas. O Facebook há sete anos já limita com os algoritmos o que chega no nosso feed. Ele vai fazendo uma curadoria automatizada. E agora está todo mundo nas suas bolhas. Mas nós buscamos essas bolhas. O Facebook só está dando certo porque a gente quis a bolha: estávamos muito sobrecarregados”, diz Fontanella.

Com os eleitores saturados de informações e com uma visão negativa da política, as redes sociais se tornaram um refúgio seguro. “A gente tem que lembrar que a maioria dos eleitores não gosta de eleições: a direção que fazem em direção ao Facebook e ao WhatsApp vem de valorizar uma versão mais simplificada da vida mesmo. De alguém que faça essa curadoria, que dê esse raciocínio mastigadinho”.

“A política não é o centro da vida das pessoas. Neste ambiente eleitoral, a gente é levado a pensar isso, mas na verdade a gente busca conforto: a gente mergulha na bolha e ela reforça nossa visão de mundo. A crise parece ser causada pelas redes sociais, mas a crise não é causada pelas redes sociais, mas pelo desinteresse que as pessoas têm em política”, completa.

Fontanella lembra que havia a expectativa em como se daria esta eleição no Brasil, após as polêmicas campanhas de Donald Trump, no Estados Unidos, e o Brexit, no Reino Unido. “Eleitoralmente o Brasil estava atrasado, a política tradicional e os políticos tradicionais têm dificuldade em lidar com estratégias mais atuais de comunicação. Eles não entendiam e não investiam nisso. Sempre se confiou muito no horário eleitoral e na militância de rua. Essa eleição veio para consolidar a mudança de foco. A surpresa foi o quanto mudou”, diz.</blockquote>
<h2>Rede social oferece proximidade com eleitores</h2>
Um empresário pernambucano de 35 anos &#8211; que preferiu não se identificar para não atrapalhar seu negócio &#8211; contou à Marco Zero Conteúdo que entrou em um grupo de apoio a Bolsonaro no WhatsApp e terminou recebendo mensagens privadas do administrador do grupo, que dizia ser Flávio Bolsonaro, um dos filhos do candidato à presidência, deputado estadual do Rio de Janeiro pelo PSL e o senador mais votado desta eleição.

Flávio teve a conta banida pelo WhatsApp por causa de spam, comportamento que fere as regras de uso do aplicativo. A empresa, que pertence ao Facebook, afirmou que a conduta não teve a ver com a denúncia publicada pela Folha de São Paulo na última quinta (18). Segundo nota enviada à imprensa, o WhatsApp disse que o número de Flávio Bolsonaro foi bloqueado no dia 11. O desbloqueio foi feito no dia 14 após pedido de análise.

“Me mandaram um link e eu entrei no grupo para discordar de um ponto, o 13º do Bolsa Família, que Bolsonaro disse que ia acontecer. O grupo era bem tranquilo, não tinha nada agressivo, extremista”, relata o empresário, que enfatiza não ser militante e prezar pelo sigilo do voto.

O que chamou a atenção dele é que, quando ele lançou a crítica no grupo, foi respondido diretamente pelo suposto Flávio no privado, que se encarregou de explicar com mais detalhes a proposta e dizer que a ideia ainda precisaria de uma aprovação. “Ele foi simples e pragmático na resposta. Acredito que a pessoa podia ser um militante ou alguém da campanha de Bolsonaro. Não acho que Flávio teria tempo para isso, ainda mais de responder um nordestino”, avalia o empresário.

Sendo ou não Flávio Bolsonaro, a história é mais uma mostra de como age a campanha em prol do candidato de extrema-direita, que lidera as pesquisas desde o 1º turno.<p>O post <a href="https://marcozero.org/bolsonaro-e-a-trapaca-como-arma-eleitoral/">Bolsonaro e a trapaça como arma eleitoral</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>A roupa nova da direita</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jun 2015 00:58:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Rede de think tanks conservadores dos EUA financia jovens latino-americanos para combater governos de esquerda da Venezuela ao Brasil e defender velhas bandeiras com uma nova linguagem Por  Marina Amaral Da Agência Pública “O corpo é a primeira propriedade privada que temos; cabe a cada um de nós decidir o que quer fazer com ele”, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
				<em>Rede de think tanks conservadores dos EUA financia jovens latino-americanos para combater governos de esquerda da Venezuela ao Brasil e defender velhas bandeiras com uma nova linguagem</em>

Por  Marina Amaral
Da <a href="http://apublica.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agência Pública</a>

“O corpo é a primeira propriedade privada que temos; cabe a cada um de nós decidir o que quer fazer com ele”, brada em espanhol a loirinha de voz firme, enquanto se movimenta com graça no palco do Fórum da Liberdade, ornado com os logotipos dos patrocinadores oficiais – Souza Cruz, Gerdau, Ipiranga e RBS (afiliada da Rede Globo). O auditório de 2 mil lugares da PUC-RS, em Porto Alegre, completamente lotado, explode em risos e aplausos para a guatemalteca Gloria Álvarez, 30 anos, filha de pai cubano e mãe descendente de húngaros.

<div id="attachment_703" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Direita1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-703" class="size-large wp-image-703" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Direita1-1024x682.jpg" alt="Gloria Alvarez, a estrela da direita jovem latino-americana. Foto: Fernando Conrado" width="702" height="467" /></a><p id="caption-attachment-703" class="wp-caption-text">Gloria Alvarez, a estrela da direita jovem latino-americana. Foto: Fernando Conrado</p></div>

Gloria ou @crazyglorita (55 mil seguidores no Twitter e 120 mil em sua <em>fanpage</em> do Facebook) ascendeu ao estrelato entre a juventude de direita latino-americana no final do ano passado, quando um vídeo em que ataca o “populismo” na América Latina durante o Parlamento Iberoamericano da Juventude em Zaragoza (Espanha) viralizou na internet. No principal fórum da direita brasileira, Gloria e o ex-governador republicano da Carolina do Sul David Bensley são os únicos entre os 22 palestrantes, brasileiros e estrangeiros, escalados para os <em>keynote</em> – palestras-chave que norteiam os debates nos três dias do evento, batizado de “Caminhos da Liberdade”.

Radialista há dez anos, hoje com um programa na TV, Gloria é uma show-woman cativante. Conduz com desenvoltura a plateia formada majoritariamente por estudantes da PUC gaúcha, uma das melhores e mais caras universidades do Sul do país. “Quem aqui se declara liberal ou libertarista que levante a mão?”, pede ao público, que responde com mãos erguidas. “Ah, ok”, relaxa. Sua missão é ensinar a seus pares ideológicos como “seduzir e enamorar os públicos de esquerda” e vencer “os barbudos de boina de Che”, explica a jovem líder do Movimiento Cívico Nacional (MCN), uma pequena organização que surgiu em 2009 na Guatemala na esteira dos movimentos que pediam – sem êxito – o impeachment do presidente social-democrata Álvaro Colom.

A primeira lição é utilizar nas redes sociais o <em>hashtag</em> criado por ela, “república x populismo”, para superar “a divisão obsoleta entre direita e esquerda”. “Um esquerdista intelectualmente honesto tem de reconhecer que a única saída é o emprego, e um direitista do século 21, que já se modernizou, tem de reconhecer que a sexualidade, a moral, as drogas são um problema de cada um; ele não é a autoridade moral do universo”, continua, sob uma chuva de aplausos. Nada de culpa, nem moral nem social, ensina. A mensagem é liberdade individual, “empoderamento” da juventude, impostos baixos, Estado mínimo – a plataforma da direita liberal (em termos econômicos) no mundo todo: “A riqueza não se transfere, senhores, a riqueza se cria a partir da cabecinha de cada um de vocês”, diz. Da mesma maneira, Gloria rebate programas sociais de assistência aos mais pobres, política de cotas para mulheres, negros, deficientes e até mesmo a existência de minorias: “Não há minorias, a menor minoria é o indivíduo, e a ele o que melhor serve é a meritocracia”.

“Há uma verdade que todo ser humano deve alcançar para ter paz, se não quiser viver como um hipócrita. Todos nós, 7 bilhões e meio de seres humanos que habitamos este planeta, somos egoístas. É essa a verdade, meus queridos amigos do Brasil, todos somos egoístas. E isso é ruim? É bom? Não, é apenas a realidade”, diz, definitiva. “Há pessoas que não aceitam essa verdade e saem com a maravilhosa ideia: ‘Não! [<em>imita a voz de um homem</em>], eu vou fazer a primeira sociedade não egoísta’. Cuidem-se, brasileiros; cuide-se, América Latina! Esses espertinhos são como Stálin, na União Soviética, como Kim Jong-il, Kim Jong-un, na Coreia do Norte, Fidel Castro, em Cuba, Hugo Chávez, na Venezuela.” E por que “seguimos como carneirinhos” atrás desses “hipócritas”? Porque [<em>faz careta e vozinha de velha</em>] “nos ensinam que é feio ser egoísta e que pensar em nós mesmos é pecado. Quantos de vocês já não viram alguém dizer ‘ah, necessitamos de um homem bom, que não pense só em si”, diz, encurvando-se à medida que fala para em seguida recuperar a postura altiva: “<em>Mira, señores</em>, a menos que seja um marciano, esse homem não existe, nunca existiu, nem existirá jamais”. Aplausos frenéticos.

Mas, explica, os “defensores da liberdade” também tem sua parcela de responsabilidade. Eles não sabem comunicar suas ideias, usar a tecnologia para “empoderar os cidadãos” e “libertar” a América Latina. “Se ficarmos discutindo macroeconomia, PIB etc., vamos perder a batalha. Temos que aprender com os populistas a falar o que as pessoas entendem, fazer com que se identifiquem”, ela diz. “E aqui vou lhes dar outro conselho porque dizem que nós, os liberais, somos malditos exploradores”, ironiza. “Encontrei um maneira muito bonita de definir o conceito de propriedade privada. E com esse conceito de propriedade privada os esquerdistas fazem assim: Ôooooo! [<em>inclina o corpo para trás</em>].” A propriedade privada, diz, é o que acumulamos em toda uma vida, a partir de nossas primeiras propriedades: corpo e mente. O passado, afirma, não é igual para ninguém, esse acúmulo é pessoal. “Isso nos humaniza, dá um coraçãozinho a nós, liberais, tão desgraçados.” Risos. Aplausos.

“Há pessoas que querem o direito à saúde, à educação, ao trabalho, à moradia. A ONU agora quer até o direito universal à internet”, desdenha, embora tenha acabado de dizer que a tecnologia é a chave para mudar o mundo. “Imaginem que, nesse auditório, alguns queiram o direito à educação, outros o direito à saúde, outros o direito à moradia. Então, se eu dou a vocês a educação, todos aqui vão pagar por isso, e vocês vão ser VIPs, e eles, cidadãos de segunda categoria. Se eu dou a eles a saúde, todos neste auditório vão pagar pela saúde deles, e eles vão ser VIPs. Se eu dou a esses as moradias, vou ter que tirar de todos vocês para dar moradia a eles, e eles vão ser esses VIPs. Isso não é justiça social, é desigualdade perante a lei”, conclui, novamente sob risos e aplausos.

“Se cada um na América Latina tiver direito à vida, liberdade e propriedade privada, então cada um que vá atrás da educação que queira, da saúde que queira, da casa onde quer morar, sem precisar de super-Chávez, super-Morales, super-Correa”. Ovação. Assobios. Antes de encerrar os 40 minutos de exposição, Gloria convida os presentes a contrapor a visão de mundo que “vitimiza os latino-americanos”, “joga a culpa nos ianques”, mina a “autoestima” e a coragem de assumir riscos que exige o espírito empreendedor. A plateia aplaude de pé.

<strong><a href="http://apublica.org/2015/06/a-direita-abraca-a-rede/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Leia mais: <em>A direita abraça a rede</em></a></strong>
<h3><strong>Neoliberais e libertaristas</strong></h3>
Gloria Álvarez não representa nada exatamente novo. A grande diferença é a linguagem. O MCN (movimento a que ela pertence) recebe “fundos de algumas das maiores empresas da elite empresarial tradicional, conta o jornalista investigativo Martín Rodríguez Pellecer, diretor do site guatemalteco Nómada, parceiro da <strong>Pública</strong>. “Por fontes próximas, soube que uma das indústrias que os apoiam para campanhas de massa e lobby no Congresso é a Azúcar de Guatemala, um cartel poderosíssimo de treze empresas (a Guatemala é o quarto maior exportador mundial de açúcar) e as usinas guatemaltecas têm, inclusive, investimentos em usinas no Brasil.”

O mesmo pode-se dizer em relação a suas ideias. Apesar do título sedutor, os <em>libertarians </em>– libertaristas em português – “são um segmento minoritário entre as correntes que ganharam influência no pós-guerra em oposição às políticas intervencionistas de inspiração keynesiana”, explica o economista Luiz Carlos Prado, da Universidade Federal no Rio de Janeiro.

A partir da crise do petróleo dos anos 1970, economistas pró-mercado como o austríaco Friedrich Hayek (Prêmio Nobel de 1974), monetaristas da Escola de Chicago de Milton Friedman (Prêmio Nobel de 1976) e os novo-clássicos associados a Robert Lucas (Prêmio Nobel de 1995) passaram a dominar o pensamento econômico global e se tornaram conhecidos do grande público sob um único rótulo: “neoliberal”. Seus conceitos foram trazidos para a América Latina pelo setor mais conservador americano, representado principalmente pelos <em>think tanks</em> ligados a Ronald Reagan, que depois de ter perdido as primárias republicanas em 1968 e 1976, se elegeu presidente em 1980, tendo Friedman como principal conselheiro. Também predominaram no governo de Margaret Thatcher (1979-1991) na Inglaterra. “Os defensores do liberalismo clássico eram também defensores da liberdade política, mas a corrente chamada de ‘neoliberal’ defendia essencialmente a não intervenção do Estado na economia sem uma preocupação particular com a questão da liberdade política, chegando, em alguns casos, a apoiar sem constrangimentos governos ditatoriais como o de Pinochet no Chile”, observa Luiz Carlos Prado.

A Guatemala de Gloria Álvarez é um bom exemplo de como as ideias <em>libertarians</em> se traduziram na América Latina. Em 1971,“uma parte muito representativa da elite econômica guatemalteca assumiu como projeto político o libertarismo de direita, quando fundou a Universidade Francisco Marroquín (UFM)”, conta o jornalista Martín Rodríguez Pellecer. “O fundador da universidade, Manuel Ayau, conhecido como El Muso, em alusão a Mussolini, se uniu ao projeto fascista anticomunista da MLN. Desde então, a UFM vem formando quadros políticos e acadêmicos para desacreditar o Estado e a justiça social e converter a Guatemala no país que arrecada menos impostos na América Latina (11% em relação ao PIB) e o que menos redistribui”, explica. Foi nessa universidade que Gloria estudou e “se converteu em uma libertarista um tanto menos conservadora que seus professores, uma mistura de neoliberais e Opus Dei. Álvarez se declara ateia e a favor do aborto e, embora tenha se tornado uma estrela da direita latino-americana, na Guatemala é uma referência menor para a direita, não tem base política nem vai ser candidata. Eu a vejo mais como uma <em>enfant terrible</em> libertarista”, diz Martín.

Os <em>libertarians </em>ressurgiram com força nos Estados Unidos depois da crise de 2008 – e ao clamor subsequente pela regulamentação do mercado – e em decorrência da ascensão do democrata Barack Obama ao poder. Pregam a predominância do indivíduo sobre o Estado, a liberdade absoluta do mercado, a defesa irrestrita da propriedade privada. Afirmam que a crise econômica que jogou 50 milhões de pessoas na pobreza não se deveu à falta de regulação do mercado financeiro, mas pela proteção do governo a alguns setores da economia. E rejeitam enfaticamente os programas sociais do governo Obama. No entanto, uma parte significativa dos libertaristas tem se distanciado do tradicionalismo da direita no campo do comportamento, defendendo posições associadas à esquerda, como a defesa da liberação das drogas e a tolerância aos homossexuais, em nome da liberdade do individual. O senador republicano Rand Paul, pré-candidato à presidência, é um de seus representantes mais conhecidos.

“Os <em>libertarians </em>que estão com os conservadores no Tea Party (a corrente radical de direita no Partido Republicano americano) estão em <em>think tanks</em> como o Cato Institute e compõem a direita pós-moderna, representada, por exemplo, por Cameron, na Inglaterra, que modernizou a agenda da redução do estado do bem-estar social”, resume o professor. Ele acha graça quando falo em <em>libertarians </em>brasileiros, seguidores da escola austríaca de economia de Ludwig von Mises e Friedrich Hayek. “A escola austríaca é uma corrente muito minoritária mesmo na academia”, diz. “Quem são esses <em>libertarians</em>? O que temos no Brasil são economistas sofisticados que seguem correntes como a dos novo-clássicos do prêmio Nobel Robert Lucas e outras similares, políticos de direita pouco elaborados como o Ronaldo Caiado (senador do DEM-GO) e essa classe média conservadora que lê Rodrigo Constantino na <em>Veja</em>”, resume.

<div id="attachment_704" style="width: 610px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/direita2.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-704" class="size-full wp-image-704" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/direita2.jpg" alt="O senador Ronaldo Caiado (GO), um dos mais aplaudidos em Porto Alegre. Foto: Fernando Conrado" width="600" height="400" /></a><p id="caption-attachment-704" class="wp-caption-text">O senador Ronaldo Caiado (GO), um dos mais aplaudidos em Porto Alegre. Foto: Fernando Conrado</p></div>

Caiado e Constantino são participantes veteranos do Fórum da Liberdade em Porto Alegre. A novidade é que os <em>libertarians</em> do Tea Party mostraram-se enfim capazes de se apresentar como a face convidativa da direita para a juventude brasileira.
<h3><strong>Vem pra rua, ciudadano</strong></h3>
<div id="attachment_705" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Direita3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-705" class="size-large wp-image-705" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Direita3-1024x682.jpg" alt="Em palestra no Instituto FHC, Gloria fala para o ex-presidente, sentado à sua frente. Foto: Vinicius Doti/iFHC" width="702" height="467" /></a><p id="caption-attachment-705" class="wp-caption-text">Em palestra no Instituto FHC, Gloria fala para o ex-presidente, sentado à sua frente. Foto: Vinicius Doti/iFHC</p></div>

Na véspera do Fórum, no dia 12 de abril, Gloria Álvarez discursou contra o “populismo maldito” vestida com uma camiseta de lantejoulas formando a bandeira do Brasil para cerca de 100 mil pessoas na avenida Paulista, em São Paulo, na segunda rodada de manifestações “Fora Dilma”. Do alto do caminhão do Vem pra Rua, o líder do movimento, Rogério Chequer, a apresentou à multidão como “uma das maiores representantes da batalha contra o populismo do Foro de São Paulo” e se manteve o tempo todo ao seu lado (<em>veja o vídeo com o discurso de Gloria na Paulista </em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sfvtonYYCbE"><em>aqui</em></a>). Gloria, que havia anunciado antecipadamente sua presença nos protestos em uma entrevista no programa de Danilo Gentili no SBT, tinha dado uma palestra no Instituto Fernando Henrique Cardoso, assistida pelo próprio ex-presidente, três dias antes.

Entre os que lideraram os protestos de março e abril contra o governo, o movimento de Chequer foi um dos últimos a assumir a bandeira do impeachment, o que lhe valeu um pito público do vetusto Olavo de Carvalho, que o acusou de “paumolice tucana”. O Movimento Brasil Livre, conhecido principalmente através da figura de Kim Kataguiri, assumiu desde o início a bandeira do impeachment e rompeu publicamente com Chequer, divulgando fotos dele ao lado do senador José Serra (PSDB-SP) na campanha de Aécio Neves – tachado de “traidor” pela hesitação em pedir o impeachment da presidente eleita. Voltaram às boas depois que a comissão de senadores liderada por Aécio e Ronaldo Caiado (DEM-GO) fez sua controversa expedição a Caracas.

Caiado, aliás, estava no debate de abertura da edição do Fórum deste ano. Sem a graça irreverente de Glorita, o senador ruralista conservador arrancou aplausos da plateia com frases de efeito contra a corrupção do governo (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=cFhyyGXmzto">veja aqui o vídeo com sua apresentação</a>), menções ao “Foro de São Paulo”, pedido de “renúncia” à presidente Dilma e ataques ao BNDES. Curiosamente, as acusações de Caiado foram feitas sob os logotipos da Gerdau e Ipiranga – do grupo Ultra –, que estão entre os maiores tomadores de empréstimos do BNDES segundo os <a href="http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2010/08/779517-veja-quanto-receberam-os-grupos-mais-favorecidos-pelo-bndes.shtml" rel="lightbox-video-0">dados levantados pela <em>Folha de S.Paulo</em></a>. Ambos obtiveram individualmente mais de R$ 1 bilhão de recursos do banco apenas entre 2008 e 2010.

O empresário gaúcho Jorge Gerdau é um dos idealizadores do Fórum da Liberdade, que surgiu em 1988 com a intenção de promover o debate entre diversas correntes de pensamento. Em suas primeiras edições, o Fórum incluiu o ex-presidente Lula, o ex-ministro José Dirceu e o falecido ex-governador Leonel Brizola entre os debatedores, sem prejudicar sua identidade como principal fórum conservador do país.

<div id="attachment_706" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Direira4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-706" class="size-large wp-image-706" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Direira4-1024x682.jpg" alt="Rodrigo Constantino autografa livro para fãs durante o Fórum. Foto: Felipe Gaieski" width="702" height="467" /></a><p id="caption-attachment-706" class="wp-caption-text">Rodrigo Constantino autografa livro para fãs durante o Fórum. Foto: Felipe Gaieski</p></div>

Foi ali que, em 2006, foi lançado oficialmente o principal <em>think tank</em> da direita no Brasil, o Instituto Millenium. Armínio Fraga (escolhido para ser ministro da Fazenda de Aécio Neves se ele vencesse as eleições) é sua figura mais conhecida no campo econômico. Seus mantenedores são a Gerdau, a editora Abril e a Pottencial Seguradora, uma das empresas de Salim Mattar, dono da locadora de veículos Localiza. A Suzano, o Bank of America Merrill Lynch e o grupo Évora (dos irmãos Ling) também são parceiros. William Ling participou da fundação do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) em 1984, que, formado por jovens líderes empresariais, organiza o Fórum desde a primeira edição; seu irmão, Wiston Ling, é fundador do Instituto Liberdade do Rio Grande do Sul; o filho, Anthony Ling, é ligado ao grupo Estudantes pela Liberdade, que criou o MBL. O empresário do grupo Ultra, Hélio Beltrão, também está entre os fundadores do Millenium, embora tenha o próprio instituto, o Mises Brasil.

A rede de <em>think tanks</em> liberais e libertaristas no Brasil se completa com mais duas entidades: o Instituto Ordem Livre – que realiza seminários para a juventude – e o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista, do Rio de Janeiro, ligado ao Opus Dei. O jurista Ives Gandra, autor do controverso parecer sobre a existência de base jurídica para o impeachment da presidente Dilma, faz parte de seu conselho.

<strong><a href="http://apublica.org/2015/06/a-direita-abraca-a-rede/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Leia mais: <em>A direita abraça a rede</em></a></strong>

A exemplo do Millenium, a grande maioria desses institutos foi criada recentemente. A semente original foi o Instituto Liberal, criado em 1983 pelo engenheiro civil carioca Donald Stewart Jr., falecido em 1999. De acordo com a tese de doutorado do historiador Pedro Henrique Pedreira Campos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), “A ditadura dos empreiteiros (1964-1985)”, a Ecisa (Engenharia Comércio e Indústria S.A.), empresa de Stewart Jr., foi uma das maiores empreiteiras durante a ditadura militar e Stewart Jr. se associou à construtora norte-americana Leo A. Daly para construir escolas no Nordeste para a Sudene. A participação de companhias dos EUA nas obras era exigência dos financiamentos da Usaid – a agência de desenvolvimento americana que funcionava como braço da CIA durante as ditaduras latino-americanas.

Donald Stewart Jr. também era um velho amigo de um personagem crucial nessa história, o argentino radicado nos Estados Unidos Alejandro Chafuen, 61 anos, ambos membros da seleta Mont Pelèrin Society, fundada pelo próprio Hayek em 1947 na Suíça e sediada nos Estados Unidos, que reúne os mais fiéis <em>libertarians</em>. El Muso, o fundador da universidade onde estudou Gloria Álvarez, foi o primeiro latino-americano a presidir a Mont Pelèrin, e seu atual reitor, Gabriel Calzada, participa da diretoria com a brasileira Margaret Tsé, CEO do Instituto da Liberdade, <a href="http://revistavilanova.com/entrevista-winston-ling/">o suporte ideológico do IEE</a>. O atual presidente da Mont Pelèrin Society é o espanhol Pedro Schwartz Girón, semeador de <em>think tanks</em> vinculados à FAES, a fundação do Partido Popular (PP) presidida por José María Aznar, que promoveu o Parlamento Iberoamericano da Juventude, de onde Gloria Álvarez foi catapultada para a fama. Pedro Schwartz, Alejandro Chafuen e o colombiano Plinio Apuleyo Mendoza, coautor do livro <em>Manual do perfeito idiota latino-americano</em>, um <em>hit</em> da juventude de direita, participaram do painel “América Latina”, no Fórum da Liberdade. Chafuen também participou discretamente dos protestos de 12 de abril em Porto Alegre. Não resistiu, porém, a postar em seu Facebook uma foto em que aparece vestido com a camisa da CBF abraçado ao jovem cientista político Fábio Ostermann, da coordenação do Movimento Brasil Livre – nome que assumiu nas ruas o grupo Estudantes pela Liberdade (EPL).

<div id="attachment_707" style="width: 610px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Direita5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-707" class="size-full wp-image-707" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Direita5.jpg" alt="Alejandro Chafuen, da Atlas, com Fábio Ostermann do MBL na manifestação em Porto Alegre. Foto: Reprodução/Facebook" width="600" height="600" /></a><p id="caption-attachment-707" class="wp-caption-text">Alejandro Chafuen, da Atlas, com Fábio Ostermann do MBL na manifestação em Porto Alegre. Foto: Reprodução/Facebook</p></div>

O gaúcho Ostermann, o mineiro Juliano Torres e o gaúcho Anthony Ling são fundadores do EPL, a versão local do Students for Liberty, uma organização-chave na articulação entre os <em>think tanks</em> conservadores americanos – especialmente os que se definem como libertários – e a juventude “antipopulista” da América Latina. Mr. Chafuen, presidente da Atlas Network desde 1991, é o seu mentor.

A Atlas Network (nome fantasia da Atlas Economic Research Foundation desde 2013) é uma espécie de <em>metathink tank</em>, especializada em fomentar a criação de outras organizações libertaristas no mundo, com recursos obtidos com fundações parceiras nos Estados Unidos e/ou canalizados dos <em>think tanks</em> empresariais locais para a formação de jovens líderes, principalmente na América Latina e Europa oriental. De acordo com o formulário 990, que todas as organizações filantrópicas tem de entregar ao IRS (Receita nos EUA), <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/06/Atlas-Network-2013-21.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">a receita da Atlas em 2013 foi de US$ 11,459 milhões</a>. Os recursos destinados para atividades fora dos Estados Unidos foram de US$ 6,1 milhões: dos quais US$ 2,8 milhões para a América Central e US$ 595 mil para a América do Sul.

Com exceção do Instituto Fernando Henrique Cardoso, todas as organizações citadas até agora compõem a rede da Atlas Network no Brasil, incluindo o MCN de Gloria Álvarez, a Universidade Francisco Marroquín e o Estudantes pela Liberdade, uma organização que nasceu dentro da Atlas em 2012. Como veremos, além dos recursos citados há projetos bem mais vultosos financiados por outras fundações e executados pela Atlas.
<h3><b>O discreto charme de Mr. Chafuen</b></h3>
Sentado na sala VIP do Fórum da Liberdade, Mr. Chafuen se levantou de um salto para cumprimentar Kim Kataguiri, que apareceu “de surpresa” no Fórum da Liberdade. A alegria indisfarçável desse senhor recatado, um <em>libertarian</em> ligado ao Opus Dei, foi a deixa para pedir a entrevista. Os trechos principais estão transcritos aqui.

<strong>Como o senhor se aproximou do Brasil?</strong>
Comecei a trabalhar com os amigos da Liberdade brasileiros em 1998, com Donald Stewart, e eu sempre me lembro da solidão que ele sentia na batalha pela liberdade. Chegar em Porto Alegre no mesmo dia da manifestação e ver todo esse povo, nem todos <em>libertarians</em>, mas pessoas de diversas camadas da sociedade brasileira, reivindicando coisas que são muito consistentes com a essência da sociedade livre, me fez lembrar esses pioneiros. Porque, sim, era tanta gente na rua, tantas almas, que fiquei agradavelmente surpreso me perguntando o que virá depois, como nós podemos usar esse entusiasmo de tantos jovens para produzir uma mudança mais duradoura no Brasil.

<strong>E que mudança seria essa?
</strong>Vindo de fora é difícil dizer, não é fácil dizer o que fazer, isso é específico de cada país. Veja a Espanha hoje, em que os partidos perderam terreno para os novos movimentos como Podemos, de esquerda, ou seu oposto na Catalunha, o Ciudadanos. Nos Estados Unidos, por exemplo, temos o Tea Party, um movimento espontâneo que, em vez de fundar um partido, preferiu se tornar uma tendência dentro de um partido, e agora todos, com exceção de um dos principais candidatos presidenciais republicanos, se identificam com o Tea Party e buscam apoio no movimento. Rand Paul, Marco Rubio, Ted Cruz, todos vêm do Tea Party e são quase oposição aos republicanos tradicionais. Então, essa não é uma resposta que um estrangeiro possa dar, ainda mais no Brasil, que é um mundo em si mesmo, com tantas culturas diferentes. Nós damos algumas ideias, mas cabe a eles, os que vi na rua, os jovens e os não tão jovens, captar mais gente da sociedade civil para criar essa institucionalização.

<strong>Comento com ele que nos eventos do Fórum se fala muito em falta de liberdade – sem base na realidade – e se compara o país com a Venezuela</strong>.
Sim, aqui a situação é bem diferente da Venezuela, mas vocês têm que se prevenir. Não é assim, de um dia para outro, que a perda da liberdade acontece. A Venezuela era um dos países mais prósperos e veja o que aconteceu. O populismo na América Latina enfraquece as instituições. Eles deixam os empresários se sentirem livres para investir por algum tempo, deixam a liberdade de expressão, até que mais cedo ou mais tarde viram o jogo. As primeiras nacionalizações e expropriações que o Chávez fez foram vários anos depois de ele tomar o poder. Sim, aqui vocês têm uma liberdade considerável. Mas tem uma coisa que perverte a liberdade, que é o não cumprimento da lei, o privilégio, a corrupção, o capitalismo só para os amigos. É uma falsa liberdade. É como pôr a raposa no galinheiro e dizer às galinhas: vocês estão livres agora. Daí começam os problemas [denúncias de propina], os empresários são obrigados a entrar no jogo, e eles que pagam o pato. É preciso dois para dançar um tango, como se diz na Argentina.

<strong>E os meninos do Movimento Brasil Livre têm forças para promover uma mudança social?
</strong>Eu desenvolvi um modelo para explicar como as coisas acontecem, e ele tem quatro elementos: primeiro, ideias, já que os seres humanos pensamos antes de agir ou pelo menos deveríamos; segundo, motivação: economia é motivação; o terceiro é ação, porque ideias sem ação são apenas ideias; e o quarto é a Providência ou, dependendo do que você acredita, sorte. Então, você começa a trabalhar com ideias, alguns líderes emergem, as leis mudam e isso afeta a motivação da sociedade… A mudança típica não vem de um dia para outro. Essa pressão vai se acumulando e de repente alguma coisa acontece. E aqui vem um escândalo, outro escândalo, uma revista com coragem, uns jovens de São Paulo [Kim Kataguiri e Renan Haas, do MBL, anunciaram recentemente a decisão de sair da universidade para se dedicar ao movimento] que decidem: “Vou deixar a universidade e lutar contra isso”. E esse movimento está aí nas ruas. É uma combinação de fatores que temos visto em outras épocas na história. O senhor William Waack [jornalista da Rede Globo], que recebeu um prêmio aqui, disse para nós, em um almoço antes da abertura do Fórum, que o único momento que ele viveu que se comparava a isso foi quando cobriu a queda do Muro de Berlim. Exagerou um pouco, mas não se sabe ainda o que vai ser desse movimento.

<div id="attachment_708" style="width: 610px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/direita6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-708" class="size-full wp-image-708" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/direita6.jpg" alt="William Waack recebe o prêmio “Liberdade de Imprensa”. Foto: Felipe Gaieski" width="600" height="400" /></a><p id="caption-attachment-708" class="wp-caption-text">William Waack recebe o prêmio “Liberdade de Imprensa”. Foto: Felipe Gaieski</p></div>

<strong>Depois da primeira manifestação, em março deste ano, a Atlas <a href="https://www.atlasnetwork.org/news/article/students-for-liberty-plays-strong-role-in-free-brazil-movement">publicou uma matéria</a> em seu site comemorando o papel decisivo dos Estudantes pela Liberdade, parceiro da Atlas, nos protestos brasileiros contra a presidente Dilma Rousseff e o PT. O senhor se sente responsável por esse movimento?
</strong>Nosso papel [em relação aos Estudantes pela Liberdade] é o do poder da nutrição. Esses seres humanos, nós o chamamos de empreendedores intelectuais, pessoas com novas ideias, que enxergam soluções e decidem investir seu capital nisso. É como nos negócios. Então, damos a eles programas de treinamento, tentamos apoiá-los financeiramente, encorajá-los a ser muito sérios, não muito festeiros. Mas a Atlas não apoia partidos. Nós retiramos nosso apoio se houver intenção partidária. Não aceitamos nenhum recurso do governo, mas podemos oferecer algumas diretrizes, novas ideias sobre a sociedade livre, do liberalismo clássico ao libertarismo, de religiosos a ateus, mas cabe a cada pessoa escolher. Muitos na nossa organização achamos muito negativo ter uma aproximação de cima para baixo. Nós tentamos encorajá-los, facilitar os encontros entre eles. Agora, por exemplo, em todos os lugares do mundo, eles devem estar se perguntando: “Podemos copiar os brasileiros?”. Então comemoramos, mas temos que ser muito cuidadosos para não ficar com os créditos do resultado, do que acontece localmente.

<strong>Na Venezuela, o Cedice Libertad, que é uma organização parceira da Atlas, e o Cato Institute, que financia programas da Atlas para estudantes, foram acusados pelo governo Chávez de fomentar a oposição entre os estudantes, associadas a empresários locais.
</strong>Eu sou vice-presidente do Cedice, e a verdade é que não. Em algumas vezes, alguns membros do Cedice podem ter tido alguma participação política. Mas uma coisa é a vida política, a pólis, outra coisa é trabalhar somente com um partido político. Hoje em dia, nós temos trabalhado e recebido no Cedice Leopoldo López [que está preso] com seu partido da Internacional Socialista, [ex-deputada] María Corina Machado, Antonio Ledezma [prefeito de Caracas detido em março por tentativa de golpe de Estado, segundo o governo]. A resposta é: não podemos abandonar a luta pela liberdade, e algumas pessoas vão para a política. Mas a Atlas não se mete em política interna. “<em>The battle is not between left and right but between right and wrong.” </em>E agora a senhora me dê licença porque tenho que me preparar para a minha palestra [e se levanta].

<strong>Uma última pergunta, por favor, só para não fomentar boatos. A ligação das fundações Koch com o Students for Liberty através de financiamento direto e através de outras fundações associadas aos irmãos Koch tem despertado suspeita, já que os Koch são donos de indústrias petroleiras que poderiam ter interesses aqui.
</strong>A Atlas recebe 0,5% de financiamento dos Koch, a Students for Liberty, não sei. Até logo.
<h3><strong>Students For Liberty e o Movimento Brasil Livre</strong></h3>
Juliano Torres, o diretor executivo do Estudantes pela Liberdade (EPL), foi mais claro sobre a ligação entre o EPL e o Movimento Brasil Livre (MBL), uma marca criada pelo EPL para participar das manifestações de rua sem comprometer as organizações americanas que são impedidas de doar recursos para ativistas políticos pela legislação da receita americana (IRS). “Quando teve os protestos em 2013 pelo Passe Livre, vários membros do Estudantes pela Liberdade queriam participar, só que, como a gente recebe recursos de organizações como a Atlas e a Students for Liberty, por uma questão de imposto de renda lá, eles não podem desenvolver atividades políticas. Então a gente falou: ‘Os membros do EPL podem participar como pessoas físicas, mas não como organização para evitar problemas. Aí a gente resolveu criar uma marca, não era uma organização, era só uma marca para a gente se vender nas manifestações como Movimento Brasil Livre. Então juntou eu, Fábio [Ostermann], juntou o Felipe França, que é de Recife e São Paulo, mais umas quatro, cinco pessoas, criamos o logo, a campanha de Facebook. E aí acabaram as manifestações, acabou o projeto. E a gente estava procurando alguém para assumir, já tinha mais de 10 mil <em>likes</em> na página, panfletos. E aí a gente encontrou o Kim [Kataguiri] e o Renan [Haas], que afinal deram uma guinada incrível no movimento com as passeatas contra a Dilma e coisas do tipo. Inclusive, o Kim é membro da EPL, então ele foi treinado pela EPL também. E boa parte dos organizadores locais são membros do EPL. Eles atuam como integrantes do Movimento Brasil Livre, mas foram treinados pela gente, em cursos de liderança. O Kim, inclusive, vai participar agora de um torneio de pôquer filantrópico que o Students For Liberty organiza em Nova York para arrecadar recursos. Ele vai ser um palestrante. E também na conferência internacional em fevereiro, ele vai ser palestrante”, disse em entrevista por telefone na sexta-feira passada.

Remunerado por seu cargo na EPL, Juliano conta que tem duas reuniões online por semana com a sede americana e que ele e outros brasileiros participam anualmente de uma conferência internacional, com as despesas pagas, e de um encontro de lideranças em Washington. O <em>budget</em> do Estudantes pela Liberdade no Brasil deve alcançar R$ 300 mil este ano. “No primeiro ano, a gente teve mais ou menos R$ 8 mil, o segundo foi para R$ 20 e poucos mil, de 2014 para 2015 cresceu bastante. A gente recebe de outras organizações externas também, como a Atlas. A Atlas, junto com a Students for Liberty, são nossos principais doadores. No Brasil, as principais organizações doadoras são a Friederich Naumann, que é uma organização alemã, que não são autorizados a doar dinheiro, mas pagam despesas para a gente. Então houve um encontro no Sul e no Sudeste, em Porto Alegre e Belo Horizonte. Eles alugaram o hotel, a hospedagem, pagaram a sala do evento, o almoço e o jantar. E tem alguns doadores individuais que fazem doação para a gente.”

A fundação da EPL no Brasil veio depois de Juliano ter participado de um seminário de verão para trinta estudantes patrocinado pela Atlas em Petrópolis, em 2012. “Ali mesmo a gente fez um rascunho, um planejamento e daí, depois, a gente entrou em contato com a Students for Liberty para oficialmente fazer parte da rede”, diz.

Depois disso, ele passou por quase todo tipo de treinamento na Atlas. “Tem um que eles chamam de MBA, tem um treinamento em Nova York também, treinamentos online. A gente recomenda para todas as pessoas que trabalham em posições de mais responsabilidade que passem pelos treinamentos da Atlas também.”

Os resultados obtidos pelos brasileiros têm impressionado a sede nos Estados Unidos. “Em 2004, 2005 tinha uma dez pessoas no Brasil que se identificavam com o movimento libertário. Hoje, dentro da rede global do Students for Liberty, os resultados que a gente tem são muito bons. Uma das maneiras de medir o desempenho das regiões é o número de coordenadores locais. Em todas as regiões, contando a América do Norte, a África, a Europa, a gente tem mais coordenadores que qualquer região separadamente. Nos Estados Unidos, a organização existe há oito anos; na Europa, há quatro; aqui, há três anos. Então, a gente está tendo mais resultado em muito pouco tempo que acaba traduzindo em maior influência na organização.”

Há dois brasileiros no International Board do Students for Liberty (entre dez membros), e o relatório deste ano dedica uma página especialmente às manifestações do MBL no Brasil. A brasileira Elisa Martins, formada em Economia na Universidade de Santa Maria (RS), é a responsável pelos programas internacionais de bolsas de estudo e treinamento de lideranças jovens na Atlas Network.

Os programas são realizados em parceria com outras fundações, principalmente o Cato Institute, a Charles G. Koch Charitable Foundation e o Institute of Human Studies – fundações ligadas à família Koch, uma das mais ricas do mundo. Juntas, as 11 fundações dos Koch despejaram 800 milhões de dólares nas duas últimas décadas na rede americana de fundações conservadoras. Outra parceira importante é a John Templeton Foundation, de outro bilionário americano. Essas fundações têm orçamentos bem maiores do que a Atlas e desenvolvem programas de <em>fellowships</em> em que entram com recursos e a Atlas, com a execução. Um exemplo desses projetos é o financiamento da expansão da Rede Students for Liberty com recursos da John Templeton, fechado em 2014 <a href="https://www.templeton.org/what-we-fund/grants/students-for-liberty-international-expansion">com mais de US$ 1 milhão de orçamento.</a>

Por isso, embora apareça em terceiro lugar entre as financiadoras do Students for Liberty, a Atlas levanta um volume bem maior de recursos para a organização através de suas parceiras. Todos os maiores doadores do Students for Liberty também são doadores da Atlas. Nem sempre é possível saber a origem do dinheiro, apesar da obrigação legal de publicar os formulários 990 – entregues ao IRS (Receita). As fundações conservadoras americanas escoam dinheiro por uma grande multiplicidade de canais, o que torna impossível, ao final, saber qual a origem inicial do dinheiro que chega a cada um dos receptores.

Além disso, preocupadas com a vigilância que exercem sobre elas projetos como o <a href="http://conservativetransparency.org/">Transparency Conservative</a> e órgãos de imprensa, que já revelaram uma série de escândalos envolvendo o uso desses recursos <a href="http://www.theguardian.com/world/2013/dec/05/state-conservative-groups-assault-education-health-tax">para lobbies no Congresso e nos governos estaduais</a>, bem como para causas controversas como a <a href="http://www.greenpeace.org/usa/en/campaigns/global-warming-and-energy/polluterwatch/koch-industries/">negação do aquecimento global</a>, em 1999 as fundações criaram dois fundos de investimento filantrópico – Donors Trust e Donors Capital Management – que dispensam os doadores de ter o nome exposto em formulários 990. O Donors Trust é o maior doador do Donors Capital Management (e vice-versa). Como se vê no quadro, o primeiro está entre os maiores doadores da Atlas, e o segundo é o maior doador do Students for Liberty. As fundações Koch <a href="http://www.motherjones.com/politics/2013/02/donors-trust-donor-capital-fund-dark-money-koch-bradley-devos">são as maiores suspeitas de despejar dinheiro</a> nesses fundos.

O relatório <a href="http://studentsforliberty.org/wp-content/uploads/2015/06/sfl-annual-report-2015-web.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">2014-2015 da Students for Liberty</a> mostra uma arrecadação de fundos impressionante: US$ 3,1 milhões comparados a apenas US$ 35,768 mil dólares obtidos em 2008<span style="text-decoration: underline;">,</span> quando a organização foi fundada. Desses, US$ 1,7 milhão veio de fundações, segundo o relatório que não detalha o volume doado por cada instituição. O Charles Koch Institute consta no relatório da Students for Liberty, mas, <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/06/Chas-Koch-Institute-2013-.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">segundo o formulário</a></span>, doa bolsas apenas para estudantes americanos, enquanto a Charles Koch Foundation, que doa bolsas para estudantes em uma série de fundações, não é citada no relatório.  O Institute of Human Studies (IHS) – outra fundação da família Koch – é um dos principais responsáveis pelos programas de Fellowship para estudantes. Só em 2012 foram distribuídos 900 mil dólares em doações <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2015/06/Institute-for-Humane-Studies-2012-.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">de acordo com o formulário entregue ao IRS</a>.

A Atlas é uma das principais parceiras do IHS. O currículo de Fábio Ostermann, por exemplo, coordenador do MBL, diz que ele foi Koch Summer Fellow na Atlas Economic Research Foundation. Ostermann é assessor do deputado Marcel van Hattem (PP-RS), apontado por Kim Kataguiri como o único político a abraçar totalmente as convicções do MBL. O jovem deputado, que foi eleito com doações da Gerdau e do grupo Évora – do pai de Anthony Ling, fundador do EPL –, também participou de cursos na Acton Institute University, a mais religiosa das fundações libertaristas que compõem a rede de <em>fellowship</em> da Atlas e da Koch Foundation. Entre os seus princípios consta o “pecado”, por exemplo, <a href="http://www.acton.org/about/acton-institute-core-principles">relacionado de maneira singular com a necessidade de reduzir o Estado</a>.
<h3><strong>A festa do mate</strong></h3>
O Fórum da Liberdade, afinal, se encerrou como as manifestações de rua que o antecederam: aos gritos de “Fora Dilma”, “Fora PT”. O deputado Marcel van Hattem fez uma apresentação exaltada, depois de ter agradecido ao fórum o cargo – “Se eu sou deputado hoje, devo também ao Fórum da Liberdade” – e fez uma interessante distinção entre as manifestações de 2013 – pluripartidária e desorganizada – e as deste ano – “quando tínhamos pauta”.

<div id="attachment_710" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Direita8.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-710" class="size-large wp-image-710" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Direita8-1024x682.jpg" alt="Marcel Van Hattem, deputado do PP-RS, apresenta sua teoria sobre o governo brasileiro. Foto: Fernando Conrado" width="702" height="467" /></a><p id="caption-attachment-710" class="wp-caption-text">Marcel Van Hattem, deputado do PP-RS, apresenta sua teoria sobre o governo brasileiro. Foto: Fernando Conrado</p></div>

O programa foi modificado com a chegada de Kim Kataguiri, que não constava como palestrante. Foi abraçado pelos patrocinadores, como Jorge Gerdau e Hélio Beltrão, posou para fotos com diversos fãs e, com o amigo Bene Barbosa, que lançava um livro pela liberação das armas de fogo para qualquer cidadão, foi para o auditório, novamente lotado de estudantes.

Sentadinho no sofá, Kim esperou Van Hattem desfiar as acusações de praxe – contra o Foro de São Paulo, o poder totalitário do PT e “o maior escândalo de corrupção do universo” –, arrancando aplausos a cada frase de efeito. Também despertou entusiasmo mostrando sua identificação com a plateia: “A vanguarda, hoje, não é esquerdista, é liberal. O jovem bem informado vai para as ruas e pede menos Marx, mais Mises. Curte Hayek, não Lênin. Levanta cartazes <em>hashtag</em> ‘Olavo tem razão’”.

Então, Van Hattem saiu do púlpito e, caminhando pelo palco, foi em direção a Kim. “O próximo passo depende de vocês, mas é difícil. O sistema brasileiro é refratário a novas ideias. Hoje mesmo, Kim, o deputado comunista Juliano Roso te chamou de fascista”, disse. E por fim: “Eu só quero concluir dizendo aquilo que as ruas estão dizendo: ‘Fora PT’. Aplausos, gritos. A plateia canta em coro: “Olê, olê, olê, olê, estamos na rua só pra derrubar o PT”.

Foi a deixa para a entrada de Kim. De tênis, andando pelo palco, Kim conclamou “os institutos liberais “a sair da nossa bolha liberal, da nossa bolha libertária, da nossa bolha conservadora e tomar o país.” E afirmou: “Chegou a hora da gente tirar o monopólio da esquerda da juventude. A gente tem que acabar com essa imagem de que quem defende o livre mercado é aquele tiozão de coturno que defende o regime militar. A oposição é a gente. A gente quer privatizar a Petrobras. A gente quer o Estado mínimo. Brasília não vai pautar o povo. É o povo que vai pautar Brasília”.

<div id="attachment_711" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Direita9.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-711" class="size-large wp-image-711" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/Direita9-1024x682.jpg" alt="O “herói” do Fórum , Kim Kataguiri, encontra o patrocinador da festa, Jorge Gerdau. Foto: Fernando Conrado" width="702" height="467" /></a><p id="caption-attachment-711" class="wp-caption-text">O “herói” do Fórum , Kim Kataguiri, encontra o patrocinador da festa, Jorge Gerdau. Foto: Fernando Conrado</p></div>

Três dias depois do Fórum, Kim Kataguiri partia para sua Marcha pela Liberdade em direção a Brasília, com minguada adesão, enquanto Gloria Álvarez  empreendia um périplo que a levaria da Argentina a Venezuela noticiado efusivamente em suas redes sociais. Na Argentina, passou por Buenos Aires e pela cidade de Azul, convidada pela Sociedade Rural de Argentina. Em Tucumán, suas palestras na Universidade Nacional foram organizadas pela Fundación Federalismo y Libertad, que tem em seu conselho internacional a Atlas Foundation, a Heritage Foundation, Cato Institute, o Hispanic American Center for Economic Research, o CEDICE Libertad (Venezuela) e o Instituto Ecuatoriano de Economía Política (Equador).

Todas essas organizações fazem parte da Atlas Network, assim como as outras fundações que encomendaram o passeio de Glorita: Estudiantes pela Libertad (Bolívia e do Equador), o Cedice, na Venezuela, e a Fundación Para El Progresso, no Chile.

O episódio mais interessante de sua viagem, porém, não foi registrado em suas redes sociais, nem mesmo nos jornais do Chile. No dia 23 de abril, ela e a blogueira cubana Yaoni Sanchez, encontraram-se com o ex-presidente conservador Sebastián Piñera depois de terem realizado palestras na Universidade Adolfo Ibañez em Viña del Mar.

<div id="attachment_712" style="width: 577px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/direita10.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-712" class="size-full wp-image-712" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/direita10.png" alt="À esquerda, a blogueira cubana, Yaoni Sanchez; ao centro o ex-presidente do Chile Sebastián Piñera, à direita Gloria Alvarez. Foto: Reprodução/Twitter" width="567" height="510" /></a><p id="caption-attachment-712" class="wp-caption-text">À esquerda, a blogueira cubana, Yaoni Sanchez; ao centro o ex-presidente do Chile Sebastián Piñera, à direita Gloria Alvarez. Foto: Reprodução/Twitter</p></div>

O encontro com o ex-presidente – que também é a única foto em que aparecem juntas – foi noticiado pelo twitter do economista Cristián Larroulet, ex-ministro de Piñera com a legenda “O Presidente Piñera com Yoani Sánchez e Gloria Álvarez, dois exemplos de mulheres latino-americanas que lutam pela liberdade”. Larroulet,  é fundador do think tank Libertad y Desarrollo, obviamente parceiro da Atlas Network.

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