<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/facepe/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 14 May 2025 23:56:04 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.7</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
	<link>https://marcozero.org/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Raquel Lyra rompe tradição ao ignorar consulta para a Facepe e preocupa cientistas</title>
		<link>https://marcozero.org/raquel-lyra-rompe-tradicao-ao-ignorar-consulta-para-a-facepe-e-preocupa-cientistas/</link>
					<comments>https://marcozero.org/raquel-lyra-rompe-tradicao-ao-ignorar-consulta-para-a-facepe-e-preocupa-cientistas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 May 2025 18:44:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência e Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[ciências]]></category>
		<category><![CDATA[Facepe]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=70714</guid>

					<description><![CDATA[<p>Parte da comunidade científica de Pernambuco recebeu com surpresa e certa apreensão a nomeação da professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Flávia Lucena Frédou para a diretoria científica da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe). Não pelo nome escolhido – engenheira de pesca, ela tem ampla experiência [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/raquel-lyra-rompe-tradicao-ao-ignorar-consulta-para-a-facepe-e-preocupa-cientistas/">Raquel Lyra rompe tradição ao ignorar consulta para a Facepe e preocupa cientistas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Parte da comunidade científica de Pernambuco recebeu com surpresa e certa apreensão a nomeação da professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Flávia Lucena Frédou para a diretoria científica da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe). Não pelo nome escolhido – engenheira de pesca, ela tem ampla experiência tanto acadêmica como em gestão –, mas porque a pesquisadora havia ficado em segundo lugar na lista tríplice entregue à governadora Raquel Lyra (PSD). Até então, o cargo sempre foi ocupado pelo primeiro lugar da lista, que é elaborada após uma consulta aos docentes de pós-graduações do estado. </p>



<p>Principal fonte de bolsas e verbas para pesquisas do Governo do Estado, a Facepe teve um orçamento de mais de R$ 74 milhões para bolsas no ano passado. O cargo mais alto, a presidência, é ocupado por indicação do governo, sem consulta à comunidade científica. A diretoria científica, porém, tem um rito diferente, com a escolha de uma lista tríplice elaborada por meio de uma votação online. É um balanço entre comunidade científica e governo, para evitar que a Facepe fique refém de projetos político-partidários.</p>



<p>Não é uma lei, e nem mesmo uma regra, mas desde 1989, quando a instituição foi fundada, os governadores têm respeitado a decisão da consulta e nomeiam os primeiros colocados da lista tríplice. A diretoria científica tem um papel central em ajudar a presidência da Facepe a elaborar a política científica de Pernambuco, apoiando a Secretaria de Ciências e Tecnologia não só institucionalmente, mas também na própria elaboração da política. </p>



<p>Para concorrer à vaga, pesquisadores e pesquisadoras precisam cumprir as regras do edital, que inclui angariar cartas de recomendação de instituições de Pernambuco. Para ter a inscrição homologada, é necessário ter no mínimo dez apoios. Para esta consulta, quatro pessoas se inscreveram e três tiveram suas inscrições homologadas: Walter Franklin Marques Correia (Centro de Artes e Comunicação da UFPE), Severino Alves Júnior (Centro de Ciências Exatas e da Natureza da UFPE) e a a nomeada, Flávia Lucena Frédou (UFRPE). Na inscrição, Walter saiu bem à frente, colocando 232 cartas de recomendação, enquanto Flávia inscreveu 35 cartas e Severino, 18.</p>



<p>Depois, houve o processo de votação – ou de consulta, como é oficialmente chamado. Dos 2.129 eleitores aptos, 903 votaram eletronicamente – uma abstenção de 57,58%. Também foram contabilizados 11 votos em branco (0,46%) e 4 votos nulos (0,44%). Os resultados foram bem próximos:</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Prof. Dr. Walter Franklin Marques Correia (UFPE), com 313 indicações válidas (35,25%)  </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Profa. Dra. Flávia Lucena-Frédou (UFRPE), com 289 indicações (32,54%) </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Prof. Dr. Severino Alves Júnior (UFPE), com 286 indicações (32,21%)</p>
            </div>
            </div>



<p>Para a Academia Pernambucana de Ciências (APC) não se trata de comparar currículos. A competência de Flávia Lucena Frédou não está em disputa: é pesquisadora 1D CNPq (nível alto de reconhecimento e experiência na área de pesquisa), doutora em modelagem com formação na Inglaterra e na França, com mais de 140 publicações científicas. Ela também participou da equipe de transição do governo Lula na temática de pesca e foi titular da Secretaria Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa do Ministério da Pesca e Aquicultura, que é comandado por André de Paula, do mesmo Partido Social Democrático (PSD) da governadora Raquel Lyra.</p>



<p>“A surpresa foi a governadora – que tem um perfil de defesa da democracia – ter escolhido o segundo nome, e não o primeiro. Em hora alguma questionamos a competência da nomeada. Aliás, qualquer um dos três da lista tem competência para o cargo”, afirma o presidente da APC, o professor Anderson Gomes, do Departamento de Física da UFPE. A entidade tampouco pede que haja mudança na nomeação. &#8220;É um fato consumado, não estamos pleiteando nenhuma revogação &#8220;, diz.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Situação do IPA é preocupante</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Há ainda outra insatisfação da comunidade científica com o Governo de Pernambuco, que é o sucateamento do Instituto Agronômica de Pernambuco (IPA), que tem sido usado por vários governos como cabide de políticos. “É uma situação totalmente diferente da Facepe&#8221;, pondera Gomes.  &#8220;O IPA é uma instituição eminentemente técnica. Até não tem um problema ser um gestor político com uma equipe extremamente técnica trabalhando, nós não vemos problema”, diz Gomes. &#8220;Mas não é isso o que está acontecendo&#8221;. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final de março, o governo nomeou o advogado Miguel Duque para a presidência do órgão. Ele é filho do deputado estadual Luciano Duque (Solidariedade). “O problema é que o IPA tem perdido o protagonismo que ele já teve. Já é a segunda ou terceira vez que a nós, enquanto academia, nos reportamos ao IPA, porque ele está sendo muito mal usado. E essa reclamação é procurando contribuir para o protagonismo que a ciência pode fazer pelo Estado”, diz Gomes. </span></p>
	</div>



<p>A APC, contudo, alerta para dois fatores. Um é a abertura de um precedente que pode ser perigoso, com o não cumprimento da vontade da comunidade científica, abrindo brecha para uma futura indicação política para um cargo técnico. Gomes cita como exemplo o que aconteceu durante o governo Bolsonaro, em que listas tríplices de indicações para reitores de universidades federais foram ignoradas, em uma afronta à democracia e à autonomia das universidades.</p>



<p>O outro fator é que, uma vez que há a consulta à comunidade científica, deve haver também a devolutiva, com a indicação da vontade da comunidade. &#8220;A escolha é uma prerrogativa da governadora, que poderia ter escolhido qualquer um da lista, ou até nem atendido a lista. Mas é importante ressaltar que ela não quis nomear o primeiro colocado. O fato da comunidade científica ser consultada e indicar uma pessoa não tem mais importância? Como é que vamos nos mobilizar se o governador ou a governadora faz o que quiser?”, questiona Gomes.</p>



<p>Um <a href="https://www.change.org/p/em-defesa-da-autonomia-institucional-da-facepe-e-pela-nomea%C3%A7%C3%A3o-de-walter-franklin-correia?recruited_by_id=f2643c90-27b3-11f0-8426-c3138c5dc384&amp;utm_source=share_petition&amp;utm_campaign=share_petition&amp;utm_term=psf_combo_share_initial&amp;utm_medium=whatsapp" target="_blank" rel="noreferrer noopener">abaixo-assinado foi lançado online</a> solicitando que “diante da gravidade do ocorrido” e “em favor da democracia, da decisão da comunidade científica e da autonomia institucional da Facepe”, a governadora Raquel Lyra reconsidere a sua posição e emposse o primeiro lugar. O documento já tem 539 assinaturas.</p>



<p>Apesar das críticas, uma carta de apoio à nomeação foi publicada no <a href="https://jc.uol.com.br/opiniao/artigo/2025/05/07/uma-nomeacao-nao-apenas-acertada-mas-legitima-urgente-historica-e-necessaria.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jornal do Commercio </a>desconsiderando essas ponderações e colocando a nomeação de Flávia como uma vitória, por ela ser uma mulher. A carta foi assinada por 17 professores, a maioria da UFRPE, incluindo a reitora Maria José de Sena. Foi a primeira vez que um docente da UFRPE foi escolhido pelo governo para o cargo. </p>



<p>&#8220;A nomeação da Dra. Frédou corrige uma grave distorção histórica. Em toda a trajetória da Facepe, apenas duas mulheres presidiram a Fundação. No cargo que será ocupado por Frédou, apenas uma outra mulher — e por um curto período de um ano — esteve presente. Sua chegada representa, portanto, um avanço institucional e simbólico incontornável&#8221;, diz trecho da carta, que defende também a governadora: &#8220;a consulta, como é sabido, tem natureza consultiva e não deliberativa. A decisão cabe, portanto, à governadora, que, ao optar por Flávia Frédou, não apenas respeita as regras institucionais como reafirma sua visão estratégica e de futuro para a ciência no Estado&#8221;. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Governo diz que decisão foi &#8220;estratégica&#8221;</h2>



<p>Docente do Departamento de Design da UFPE e professor no Programa de Pós-graduação em Design (PPGDesign), o primeiro colocado da lista, Walter Franklin, já ocupou diversos cargos de gestão, sendo por oito anos o diretor do CAC. Foi a primeira vez em que um docente da área de Ciências Humanas foi o mais votado na lista tríplice. </p>



<p>“Isso [ser da área de humanas] foi algo que pesou muito para os colegas que foram para a consulta”, disse Walter à MZ, lamentando a falta de transparência. “Não houve nenhuma manifestação da Facepe ou da governadora para a comunidade científica sobre qual foi o motivo de não seguir a ordem da lista. A nomeação saiu na véspera do feriadão de primeiro de maio, numa jogada estratégica para não ter nenhuma repercussão”, acredita Walter, que está fazendo um pós-doutorado até novembro na Holanda. “Mas se eu tivesse sido nomeado eu voltaria para o Recife para assumir o cargo”, diz.</p>



<p>Em nota para a Marco Zero, o governo reiterou o resultado apertado da consulta, falou da carreira exitosa de Flávia Lucena Frédou e que a nomeação dela levou em conta “critérios técnicos, estratégicos e alinhados às diretrizes da atual gestão”. Ao pontuar o currículo da nova diretora, a nota do Governo de Pernambuco  destaca a participação dela em organizações nacionais e internacionais, “o que foi considerado um diferencial relevante para o projeto estratégico da Facepe nos próximos anos”, diz a nota.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">Confira a nota completa que o Governo de Pernambuco enviou para a Marco Zero:</span>

	    <div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;">O Governo de Pernambuco, através da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti/PE), ressalta que a nomeação da professora Flávia Lucena Frédou para a Diretoria Científica da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) foi feita a partir de lista tríplice homologada pelo Conselho Superior da Facepe, elaborada com base em ampla consulta à comunidade científica pernambucana, seguindo os trâmites legais e levando em consideração critérios técnicos, estratégicos e alinhados às diretrizes da atual gestão.</span></div>
<div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;"> </span></div>
<div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;">Com o resultado da consulta ao setor científico estadual, identificou-se que os três nomes tiveram praticamente o mesmo percentual (pouco mais 30%) de indicações válidas, o que indica que todos estavam referendados pelo corpo científico do Estado para ocupar o cargo de direção da Facepe. </span></div>
<div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;"> </span></div>
<div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;">A professora Flávia Lucena Frédou é doutora em modelagem com formação na Inglaterra e na França, professora titular da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) com mais de 140 publicações científicas e extensa atuação em redes de pesquisa nacionais e internacionais. Seu perfil combina a área científica com a gestão, tendo atuado como secretária nacional no Ministério da Pesca e Aquicultura e incluindo representações em órgãos nacionais, como o Grupo Técnico Científico do Ministério da Pesca e Aquicultura, e internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), International Commission for the Conservation of Atlantic Tunas (ICCAT) e Institut de Recherche Pour Le Développement (Ird), o que foi considerado um diferencial relevante para o projeto estratégico da Facepe nos próximos anos.</span></div>
<div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;"> </span></div>
<div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;">É importante reforçar que o processo de escolha para a Diretoria Científica da Facepe não se trata de uma eleição nos moldes tradicionais, como as realizadas para cargos políticos. O processo é uma consulta à comunidade acadêmica e científica, cujo objetivo é subsidiar a gestão estadual com indicações qualificadas e representativas. Portanto, de forma transparente, institucional, republicana e democrática, o Governo do Estado de Pernambuco, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, reafirma que todos os trâmites em volta da nomeação da nova diretoria científica da Facepe obedeceram ao rigor da lei.</span></div>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/raquel-lyra-rompe-tradicao-ao-ignorar-consulta-para-a-facepe-e-preocupa-cientistas/">Raquel Lyra rompe tradição ao ignorar consulta para a Facepe e preocupa cientistas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/raquel-lyra-rompe-tradicao-ao-ignorar-consulta-para-a-facepe-e-preocupa-cientistas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sem verba prometida, pesquisadores investem dinheiro próprio para estudar impactos do petróleo</title>
		<link>https://marcozero.org/sem-verba-prometida-pesquisadores-investem-dinheiro-proprio-para-estudar-impactos-do-petroleo/</link>
					<comments>https://marcozero.org/sem-verba-prometida-pesquisadores-investem-dinheiro-proprio-para-estudar-impactos-do-petroleo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2020 20:42:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Facepe]]></category>
		<category><![CDATA[petróleo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=30611</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em outubro do ano passado, poucos dias após as imagens de voluntários retirando petróleo cru de Itapuama, Litoral Sul, chocarem o Brasil, o Governo do Estado anunciou um edital emergencial de R$ 2,5 milhões para analisar os impactos do maior desastre do tipo no Oceano Atlântico Sul. O governador Paulo Câmara (PSB) reuniu secretarias, pesquisadores [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/sem-verba-prometida-pesquisadores-investem-dinheiro-proprio-para-estudar-impactos-do-petroleo/">Sem verba prometida, pesquisadores investem dinheiro próprio para estudar impactos do petróleo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em outubro do ano passado, poucos dias após as imagens de voluntários retirando petróleo cru de Itapuama, Litoral Sul, chocarem o Brasil, o Governo do Estado anunciou um <a href="http://www.facepe.br/governador-paulo-camara-anuncia-edital-de-r-25-milhoes-para-pesquisas-sobre-toxidade-do-oleo-encontrado-no-litoral-do-estado/">edital emergencial de R$ 2,5 milhões</a> para analisar os<a href="https://marcozero.org/crime-petroleo-nordeste-sem-culpados-nem-multas/"> impactos do maior desastre do tipo no Oceano Atlântico Sul</a>.</p>



<p>O governador Paulo Câmara (PSB) reuniu secretarias, pesquisadores e cientistas e, através da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), 12 projetos foram selecionados. Foi um gol e um aceno político importante da gestão diante da omissão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A maior parte da verba, no entanto, nunca chegou aos laboratórios e pesquisadores seguem bancando trabalhos por conta própria.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/09/foto-site-facepe-300x200.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/09/foto-site-facepe-1024x682.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/09/foto-site-facepe-1024x682.png" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Governador Paulo Câmara (PSB) reunido com secretários, pesquisadores e cientistas em outubro de 2019 (crédito: site Facepe)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Até o momento, a Facepe só pagou R$ 355.952,00, entre fevereiro e agosto de 2020, segundo consta na resposta obtida nesta quinta-feira (17) ao Pedido de Acesso a Informação (PAI) feito pelo jurídico da Comissão Pastoral dos Pescadores (CPP) e ao qual tivemos acesso. </p>



<p>Esse valor, aliás, é quase 4,5 vezes menor &#8211; e, portanto, bem diferente &#8211; que os dois terços (R$ 1,6 milhão) ditos pela direção de inovação da Facepe em entrevista à <strong>Marco Zero Conteúdo</strong>. Saiba mais sobre a entrevista ao final da matéria.</p>



<p>Esse dinheiro é referente às bolsas dos estudantes. Mas de pouco adianta, segundo os professores, ter bolsas se os alunos não têm insumos, equipamentos, transporte e diárias para ir a campo. Pesquisas e monitoramentos importantes sobre mangues, pescados e restauração de ecossistemas estão prejudicados.</p>



<p>“Eu e vários professores tiramos dinheiro do nosso próprio bolso para atender principalmente alunos de mestrado, desde a própria ida a campo, junto com as diárias, até insumos pequenos como formol, potes e vidraria de laboratório”, conta Mauro de Melo Júnior, do Laboratório de Ecologia do Plâncton da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Recentemente, juntamente com a liberação das praias, a UFRPE também começou a colocar verba própria para auxiliar os pesquisadores.</p>



<p>A pesquisa que Mauro coordenada, sobre biorremediação, restauração e monitoramento de ecossistemas costeiros impactados pelo petróleo, envolve nove laboratórios. Segundo ele, cinco projetos de mestrado estão associados às pesquisas em questão no Programa de Pós-graduação em Ecologia. Muitos trabalhos estão tendo que ser adaptados ou ter temas mudados, inclusive no doutorado.</p>



<p>“Estamos vendo como usar os estudantes para outras ações, desde o planejamento do que fazer quando sair a verba até direcioná-los para outros projetos”, explica. “Estamos, por exemplo, avaliando mudar o projeto de uma aluna que tem bolsa de mestrado da Facepe porque não há como realizar as pesquisas, já que o projeto dela envolvia experimentos”, detalha.</p>



<p>Na avaliação do docente, parte do recurso público gasto está sem utilidade e, ao final, o objetivo de compreender os impactos do petróleo não está sendo atingido.</p>



<p>O projeto coordenado por Carlos Perez, sobre o impacto na cadeia alimentar dos manguezais e recifes de coral e suas consequências nos serviços ecossistêmicos, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em Vitória de Santo Antão, só deve se desenvolver em 30% do pretendido &#8211; e graças ao esforço e o dinheiro dos professores envolvidos.</p>



<p>Eles se juntaram para bancar duas coletas, uma no início do ano e outra esta semana. O problema é que elas deveriam ser trimestrais. Parte do trabalho também foi atrapalhada por conta da pandemia da Covid-19, que impediu a realização de algumas etapas. Sobre o pagamento das bolsas, Carlos comenta que, apesar de pagas, “cada uma tem um plano de trabalho e um projeto, que é baseado nos recursos”.</p>



<p>“Por um lado, fiquei surpreso porque dava a entender que o recurso estaria certo. Por outro, fiquei decepcionado porque investimos tempo para montar um projeto e um time. E aí o projeto é aprovado, mas não pode ser desenvolvido com a qualidade prevista. Estamos fazendo o máximo que podemos para ter um resultado mínimo, mas longe do planejado”, lamenta.</p>



<p>Rosângela Lessa, do Laboratório de Dinâmica de Populações Marinhas da UFRPE, também aguarda a liberação do terço restante do dinheiro da Facepe. Apesar de os bolsistas estarem sendo pagos e terem um plano de trabalho, o projeto de monitoramento de médio prazo dos efeitos do petróleo sobre os recursos pesqueiros no estado não está acontecendo da forma que o grupo gostaria. Foi necessário fazer composição com outros projetos, o que aconteceu graças ao fato de eles terem laboratório.</p>



<p>Como já faz um ano do início do vazamento, ficou difícil analisar espécies de ciclo de vida mais curto, como a agulinha. Serão então priorizadas espécies de ciclo de vida mais longo, como o peixe serra, de alto valor comercial. O objetivo é saber se o petróleo alterou as dinâmicas populacionais desses animais.</p>



<p>“Há prejuízos, mas não é a primeira vez que temos projeto aprovado e o desembolso ocorre bem mais tarde. Entendo que é uma questão de disponibilidade de financiamento. A pesquisa não está sendo muito priorizada neste momento. Lamentamos muito, mas estamos fazendo o melhor que podemos e vamos aguardar. Não recebemos nenhum comunicado de que não haverá mais o financiamento, até porque o termo de outorga já foi assinado”, espera Rosângela.</p>



<p>No Instituto Tecnológico de Pernambuco (Itep), o projeto coordenado por Adélia Araújo, de implementação de serviços tecnológicos especializados em análise de hidrocarbonetos em matrizes ambientais e pescados, não foi posto em prática. Como ele não tinha bolsistas, contava com a equipe própria do laboratório, então não chegou nem a sair do canto.</p>



<p>O laboratório de Adélia é referência na análise de resíduos em alimentos. Na fase aguda do vazamento, se adaptou para analisar também água e sedimentos e foi quem prestou esse serviço especializado para a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) na época. O grupo participou do edital com o objetivo de trabalhar também com análise de hidrocarbonetos e pescados em apoio a ações emergenciais e de longo prazo no estado. Na prática, Pernambuco segue sem um laboratório desse tipo caso outros desastres, naturais ou provocados, aconteçam.</p>



<p>“A demanda praticamente acabou. Infelizmente é como tratamos o meio ambiente em todo o país. Não há preocupação em monitorar, fazer ações preventivas, ter estrutura montada para socorrer se algo acontecer”, diz a professora. A docente comenta ainda que, quando a verba for liberada, será preciso sentar e discutir se é necessário realmente montar esse tipo de serviço no momento no Itep.</p>



<p>Apesar da crítica ao baixo financiamento e atenção à ciência no Brasil, Adélia afirma que também entende a mudança de prioridade por conta da urgência da pandemia e da falta de recursos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Passa ou repassa no governo</h2>



<p>Desde a publicação do <a href="https://marcozero.org/crime-petroleo-nordeste-sem-culpados-nem-multas/">especial sobre um ano do incidente do petróleo</a>, no início deste mês, a reportagem da <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> vinha buscando respostas do Governo de Pernambuco. O presidente da Facepe, Fernando Jucá, disse que não iria se pronunciar por se tratar de uma questão financeira. O novo secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, Lucas Ramos, por sua vez, enviou uma nota à reportagem que sequer mencionava o vazamento. Falava apenas de novos editais e esforços da Facepe.</p>



<p>A secretaria da Fazenda, comandada por Décio Padilha, nos encaminhou para a vice-governadora, Luciana Santos, que nos remeteu ao secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, José Bertotti. Ele adiantou sobre a previsão de liberação do dinheiro “em breve”, justificando a situação de contingenciamento da pandemia e as prioridades diante também da baixa arrecadação.</p>



<p>Buscamos então a diretora de inovação da Facepe, Aronita Rosenblatt, para quem “os projetos não estão parados porque as bolsas estão sendo pagas regularmente”. Ela explicou que a Facepe fez o que cabia dentro do orçamento, implementando as bolsas. Além disso, disse que o passível de restos a pagar que ficou do ano anterior foi muito grande, prejudicando o desembolso.</p>



<p>Aronita também está na expectativa de que o dinheiro restante não demore para ser liberado e frisou que os novos editais da Facepe estão sendo programados para entrarem no cronograma financeiro do ano que vem só. “Não vamos comprometer nada mais este ano”.</p>



<p>Confira <a href="https://marcozero.org/category/oleo-no-nordeste/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> a cobertura completa do petróleo.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/sem-verba-prometida-pesquisadores-investem-dinheiro-proprio-para-estudar-impactos-do-petroleo/">Sem verba prometida, pesquisadores investem dinheiro próprio para estudar impactos do petróleo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/sem-verba-prometida-pesquisadores-investem-dinheiro-proprio-para-estudar-impactos-do-petroleo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
