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	<title>Arquivos futebol - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos futebol - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Quando o antirracismo vira performance: a Copa acabou, a luta continua?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 20:08:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo 2026]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Tiago Paraíba* “Por mais que você corra, irmão pra sua guerra vão nem se lixar esse é o X da questão já viu eles chorar pela cor do Orixá?” (Emicida) A Copa do Mundo de 2026 terminou, mas deixou um debate que merece sobreviver ao último apito. Durante semanas, redes sociais, programas esportivos e [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Tiago Paraíba*</strong></p>



<p><strong>“Por mais que você corra, irmão pra sua guerra vão nem se lixar esse é o X da questão já viu eles chorar pela cor do Orixá?” (Emicida)</strong></p>



<p>A Copa do Mundo de 2026 terminou, mas deixou um debate que merece sobreviver ao último apito. Durante semanas, redes sociais, programas esportivos e espaços de opinião foram tomados por discussões sobre racismo, colonialismo, imigração e identidade nacional. Não havia apenas um jogo em disputa; havia também uma disputa por quem ocupava o lugar da maior consciência moral.</p>



<p>Esse fenômeno, embora revele um avanço importante, afinal, o racismo deixou de ser um tema invisível no futebol, também expôs um limite da forma como parte desse debate é conduzida. Em muitos momentos, o antirracismo apareceu menos como um compromisso político permanente e mais como uma performance pública de virtude.</p>



<p>Não se trata de negar a existência do racismo na Argentina, na Espanha, no Brasil ou em qualquer outro país. O racismo é um fenômeno histórico que assume diferentes formas em cada sociedade. O problema surge quando sua denúncia passa a obedecer à lógica do evento, da viralização e, da necessidade de demonstrar superioridade moral diante dos outros.</p>



<p>Durante a Copa, parecia que torcer por uma seleção ou outra definia automaticamente o grau de compromisso de cada pessoa com a luta antirracista. O debate político foi substituído por uma espécie de tribunal das consciências, em que o principal objetivo era identificar quem estava do “lado certo” da história.</p>



<p>Essa dinâmica pouco contribui para enfrentar aquilo que o sociólogo Clóvis Moura identificava como o caráter estrutural do racismo na formação da sociedade brasileira. Moura rompeu com a ideia de que o racismo seria apenas um problema cultural ou comportamental. Para ele, o racismo é uma engrenagem do próprio capitalismo dependente brasileiro, um mecanismo que organiza a exploração do trabalho, a desigualdade e a distribuição do poder. Não é um desvio da democracia; é parte da forma como ela foi construída no Brasil. </p>



<p>Se Moura nos ajuda a compreender as estruturas, Lélia Gonzalez nos ensina a olhar para as dimensões culturais e políticas que sustentam essas estruturas. Ao formular o conceito de amefricanidade, ela mostrou que as experiências dos povos negros e indígenas nas Américas produzem formas próprias de resistência e elaboração política, invisibilizadas por uma leitura eurocêntrica da história. Para Gonzalez, combater o racismo significa transformar as relações de poder e reconhecer os sujeitos historicamente silenciados não apenas fazer denúncias ocasionais quando o tema ganha espaço na mídia. </p>



<p>É justamente essa perspectiva que parece faltar quando o antirracismo se reduz à lógica das redes sociais.</p>



<p>A indignação torna-se episódica. Durante algumas semanas, tudo gira em torno do racismo no futebol. Passada a final da Copa, desaparecem as discussões sobre violência policial, encarceramento em massa, desigualdade educacional, racismo religioso, acesso ao mercado de trabalho, representação política ou financiamento de políticas públicas de igualdade racial.</p>



<p>O algoritmo muda de assunto, e boa parte da militância performática muda junto.</p>



<p>Existe ainda outro efeito preocupante: o antirracismo deixa de ser uma prática coletiva de transformação para se tornar um marcador de distinção moral. Em vez de produzir consciência política, produz hierarquias simbólicas entre aqueles considerados suficientemente “conscientes” e aqueles vistos como moralmente inadequados.</p>



<p>Essa postura pouco dialoga com a tradição do movimento negro brasileiro. Clóvis Moura analisava a resistência negra como prática histórica de organização coletiva da quilombagem às lutas contemporâneas e não como afirmação individual de superioridade ética. Da mesma forma, Lélia Gonzalez insistia que o enfrentamento ao racismo exigia construção política, articulação popular e ruptura com as estruturas coloniais que continuam organizando nossas sociedades.</p>



<p>Vale lembrar que o reconhecimento do racismo como problema estrutural no Brasil não surgiu espontaneamente, muito menos foi uma concessão das elites ou resultado da mobilização nas redes sociais. Foi fruto de décadas de organização e luta do movimento negro brasileiro. Das denúncias do Teatro Experimental do Negro às mobilizações do Movimento Negro Unificado, das formulações de Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Abdias do Nascimento e Clóvis Moura, às Marchas Zumbi dos Palmares e à Conferência de Durban, foi essa trajetória que obrigou o Estado brasileiro a reconhecer o racismo e construir políticas públicas de igualdade racial. </p>



<p>É curioso perceber que boa parte dos que hoje protagonizam um antirracismo performático durante grandes eventos raramente se mobilizam para defender esse legado. Não os vemos com a mesma disposição na defesa das cotas raciais, das ações afirmativas, da titulação dos territórios quilombolas ou da agenda de reparação histórica pelos mais de três séculos de escravidão. Também não os vemos na defesa das expressões culturais produzidas pelo povo negro. Pelo contrário: o silêncio costuma prevalecer diante da criminalização do funk, do brega, do hip hop, da capoeira e das religiões de matriz africana, manifestações que historicamente foram alvo de repressão, estigmatização e racismo institucional. Defender o antirracismo implica também defender o direito do povo negro de produzir sua cultura, professar sua fé e afirmar sua identidade sem ser tratado como caso de polícia ou expressão da marginalidade<strong>.</strong> A energia dedicada à performance moral nas redes nem sempre se converte em compromisso com as conquistas concretas construídas pelo movimento negro organizado</p>



<p>A Copa poderia ter sido um ponto de partida. Poderia servir para fortalecer movimentos negros, ampliar o debate sobre ações afirmativas, disputar políticas públicas e consolidar uma agenda antirracista permanente. Mas isso exige abandonar a lógica da performance.</p>



<p>Mais do que disputar quem ocupa o lugar da maior virtude pública, o desafio continua sendo aquele apontado por Clóvis Moura e Lélia Gonzalez: compreender que o racismo não é um acidente moral, mas uma estrutura histórica, e que sua superação exige organização política, transformação social e compromisso permanente.</p>



<p>A Copa acabou. A pergunta que permanece é simples: o antirracismo continuará em campo ou também ficará restrito aos 90 minutos do espetáculo?</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Membro da Executiva Nacional do PSOL, militante da Ação Negra e torcedor do Santa Cruz.</p>
    </div>
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		<title>Quando o Brasil perdia, a gente chorava. Hoje, tem raiva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 19:40:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil 1 x 2 Noruega]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[seleção brasileira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era o glorioso ano de 1982, eu tinha 12 anos, meu irmão, Tonho, tinha 13. Antes da Copa da Espanha começar, os amigos se juntaram para pintar a rua e contar nos dedos os dias para o primeiro jogo do Brasil, no Monte Castelo, bairro de classe média de Fortaleza. Foi tudo lindo. A cada [&#8230;]</p>
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<p>Era o glorioso ano de 1982, eu tinha 12 anos, meu irmão, Tonho, tinha 13. Antes da Copa da Espanha começar, os amigos se juntaram para pintar a rua e contar nos dedos os dias para o primeiro jogo do Brasil, no Monte Castelo, bairro de classe média de Fortaleza.</p>



<p>Foi tudo lindo. A cada jogo, Zico, Sócrates, Éder, e uma constelação de craques embalavam o nosso sonho de ganhar o tetra. Eles pareciam bailar, em campo.</p>



<p>No final do jogo, era correr para a calçada e ficar rindo da vida, com o sambinha maroto feito pelo jogador Júnior, que meu pai detestava: “Voa, canarinho voa/mostra para a Espanha que és um rei\Voa Canarinho voa\ mostra na Espanha o que já sei.”</p>



<p>Até que veio o jogo contra a Itália, quando o miserável Paolo Rossi, o finado Paolo Rossi, acabou com a gente, fazendo os três da vitória. Que Deus o tenha.</p>



<p>Foi a minha primeira grande dor futebolística. Minha e do Tonho.</p>



<p>Fomos para a calçada e começamos a chorar.</p>



<p>Depois de um certo tempo, meu pai percebeu nosso penar, e começou a falar dos jogadores, que ganhavam milhões, e não estavam nem aí, uma coisa tão sem sentido, que pensei em mandar meu pai tomar naquele lugar. Se tivesse feito isso, teria levado uma pisa acompanhada do castigo de ficar uma hora em pé, num canto da sala.</p>



<p>Chorei muito, porque eles eram os melhores, e nos encantavam a cada jogo.</p>



<p>De repente, o fim.</p>



<p>Ontem, no jogo horroroso contra a Noruega, na casa de Boy, no Poço da Panela tinha umas 25 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos. Churrasco e cerveja era boia (perdão pelo trocadilho).</p>



<p>A cada vacilo dos jogadores brasileiros, que pareciam ter medo da bola, mais insultos e impaciência. Escutei o famoso e pernambucaníssimo “vai, miséria!” umas trinta vezes.</p>



<p>Ao final do jogo, não vi nenhuma criança ou adolescente chorando. Havia um descontentamento com a falta de raça, vontade, ousadia, destemor, vontade de vencer.</p>



<p>A imagem de Neymar, um ídolo decadente, discutindo com o goleiro adversário, após fazer um gol que de nada valia, me lembrou das avaliações do meu pai, de 1982.</p>



<p>Eles não estão mais nesta <em>vibe</em> de entregar tudo em campo, em busca da vitória &#8211; ou de uma derrota digna.</p>



<p>Este papel coube ao apaixonante escrete de Cabo Verde, que deu um sufoco tremendo até na poderosa Argentina.</p>



<p>Eles foram a minha alegria, nesta Copa.</p>
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		<title>Porque as autoridades, a FPF-PE e os dirigentes de clubes são culpados pela violência entre torcedores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jan 2024 21:44:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[polícia em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[SDS-PE]]></category>
		<category><![CDATA[violência no futebol]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Adriano Costa* O Grupo de Trabalho do Futebol no Estado é um fórum que conta com a presença da Secretária de Defesa Social de Pernambuco, Poder Judiciário, Ministério Público Estadual, Federação Pernambucana de Futebol, clubes de futebol, polícias Militar, Civil e Corpo de Bombeiros. Menos a participação efetiva da sociedade civil organizada, incluindo aí [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Adriano Costa*</strong></p>



<p>O Grupo de Trabalho do Futebol no Estado é um fórum que conta com a presença da Secretária de Defesa Social de Pernambuco, Poder Judiciário, Ministério Público Estadual, Federação Pernambucana de Futebol, clubes de futebol, polícias Militar, Civil e Corpo de Bombeiros. Menos a participação efetiva da sociedade civil organizada, incluindo aí a representação de torcedores, torcedoras e torcidas.</p>



<p>A reivindicação para que isso aconteça não é nova.</p>



<p>Em 3 de dezembro de 2021 foi realizada uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) por iniciativa da então deputada estadual Teresa Leitão (PT), que recebeu o apelo de uma representação de torcedores dos três maiores times de Pernambuco junto à Associação Nacional de Torcidas Organizadas (Anatorg). Naquele encontro ficou encaminhado que, um Grupo de Trabalho reunindo representantes de instituições públicas e da sociedade civil seria formado, porém isso nunca ocorreu.</p>



<p>Durante a semana, a coordenação regional da Anatorg no Nordeste encaminhou ofício para todos os órgãos organizadores de eventos esportivos no estado e que fazem parte do atual GT. O documento, evocando o artigo 151 da nova Lei Geral de Esportes, que deixa claro que “é direito do espectador a implementação de planos de ação referentes a segurança, a transporte e a contingências durante a realização de eventos esportivos com público superior a 20.000 (vinte mil) pessoas”, se colocou à disposição em construir com muito diálogo junto às torcidas, movimentos, “barra bravas”, clubes e torcedores organizados, a elaboração de um plano de segurança para os clássicos entre Náutico, Santa Cruz e Sport pelo campeonato pernambucano.</p>



<p>Tal ofício foi protocalado na Grande Recife sob o número 0050500003.000360/2024-21, na secretaria de Defesa Social (protocolo 3900000003.000381/2024-72), e no Comando Geral da PMPE (3900000015.000227/2024-61), sendo encaminhado ao comandante-geral. Em nenhum dos casos, houve qualquer resposta. A Torcida Explosão Coral chegou inclusive a organizar um plano logístico, enviado para a coordenação regional da Anatorg e notificou as autoridades sobre trajetos e necessidades de escolta policial. Tal plano previa pontos de concentração em Maranguape (Paulista), ao norte; em Jaboatão Centro, ao oeste; em Prazeres (Jaboatão dos Guararapes), ao sul, além de um ponto de concentração geral da torcida na rua do Hospício, centro do Recife.</p>



<p>O plano informa ainda sobre o trajeto em caminhada da rua do Hospício até a Estação Recife do Metrô, de onde saiu um metrô expresso com a torcida tricolor, rumo ao terminal do TIP, onde estava previsto um esquema especial de policiamento que iria fazer a escolta até a Arena, mas esse destacamento policial não chegou. A torcida, então, seguiu em caminhada do TIP pela BR-232 até a entrada da área de visitantes. Eram pelo menos duas mil pessoas andando por mais de cinco quilômetros.</p>



<p>Há uns 500 metros para a entrada dos visitantes na Arena Pernambuco, ainda não se via sinal da escolta policial, tornando mais real a possibilidade de confrontos, o que acabou não acontecendo porque o grupo vinha sendo conduzido pelas lideranças da torcida organizada, que evitou o embate e aguardou o deslocamento do Batalhão de Choque em direção ao grupo.</p>



<p>É importante destacar que, durante toda a semana, o clube mandante descumpriu o artigo 143 da Lei Geral de Esportes (“É direito do espectador que os ingressos para as partidas integrantes de competições em que compitam atletas profissionais sejam colocados à venda até 48 horas antes do início da partida correspondente”), pois só liberou a compra apenas após uma abertura de processo em liminar solicitando gratuidade feita pela Anatorg na tarde da sexta-feira, 19 de janeiro. Com isso, faltando apenas 30 horas para o espetáculo iniciaram as vendas, com esgotamento imediato de ingressos meia entrada e, logo após, inteira, mesmo com vendas apenas virtuais.</p>



<p>Somente a uma hora do início da partida os portões para a torcida visitante foram abertos, mas com apenas três catracas funcionando, o que obrigou o uso de maquinetas para leitura de QR CODE dos ingressos. O resultado está nas redes sociais: sobram vídeos nas redes sociais com relatos de desumanidade, pisoteamento, maus tratos, violência policial, esmagamento, tortura, uso de cacetetes e spray de pimenta. mesmo sendo uma arena planejada para uma Copa do Mundo, foi proposital.</p>



<p>Em nota veiculada no site oficial do clube, o Sport Club do Recife, deixa claro que houve erros no GT, principalmente ao considerar a previsão de duas mil torcedores visitantes. A inoperância do diálogo do GT tem se deslocado da realidade da arquibancada e, por essa razão, toma decisões irresponsáveis.</p>



<p>Cabe à governadora Raquel Lyra e a SDS/PE intervir e reorganizar com urgência as forças policiais que fazem a segurança dos eventos esportivos em Pernambuco, com a abertura de um canal direto com a sociedade civil e comunidade pernambucana de torcedores.</p>



<p>O GT que atua subordinado ao Governo do Estado pode, pela Lei Geral de Esportes, ser responsabilizados judicialmente pelos problemas de segurança e organização deste sábado, 20 de janeiro, , como diz o artigo 149, “a responsabilidade pela segurança do espectador em evento esportivo será da organização esportiva diretamente responsável pela realização do evento esportivo e de seus dirigentes”.</p>



<p>As cenas confrontos entre torcedores na Região Metropolitana na manhã de sábado, com três pessoas baleadas perto do terminal integrado Pelópidas da Silveira, em Paulista, não aconteceram por acaso. Se os torcedores envolvidos são os atores da violência, as decisões do Grupo de Trabalho são responsáveis pela direção, montagem de palco e criação do cenário onde os protagonistas da barbárie atuam.</p>



<p><strong>*Adriano Costa é coordenador regional da Associação Nacional de Torcidas Organizadas (Anatorg) no Nordeste</strong></p>



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<p><br></p>
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		<title>Torcidas organizadas por mulheres enfrentam o machismo nas arquibancadas nordestinas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jan 2023 10:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Marta Alencar* Após a derrota dos jogadores da Seleção Brasileira da Copa do Mundo no Qatar em novembro deste ano, boa parte dos brasileiros está em contagem regressiva para o Mundial feminino. O torneio será disputado entre julho e agosto de 2023 e terá sede dupla na Oceania: os jogos serão na Austrália e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Marta Alencar*</strong></p>



<p>Após a derrota dos jogadores da Seleção Brasileira da <a href="https://www.lance.com.br/copa-do-mundo">Copa do Mundo no Qatar</a> em novembro deste ano, boa parte dos brasileiros está em contagem regressiva para o Mundial feminino. O torneio será disputado entre julho e agosto de 2023 e terá sede dupla na Oceania: os jogos serão na Austrália e na Nova Zelândia. Esta será a primeira edição da Copa do Mundo Feminina com 32 seleções, mesmo número de participantes da competição masculina. Anteriormente, eram apenas 24 participantes no torneio.</p>



<p>No início do ano da Copa, esta reportagem decidiu ouvir e conhecer as integrantes de torcidas organizadas de clubes nordestinos para mostrar que não só no campo, mas também em arquibancadas e nos lares, reina a paixão das mulheres pelo futebol.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Do </strong><strong>zap</strong><strong> para </strong><strong>as </strong><strong>arquibancadas</strong></h2>



<p>No início, eram apenas 20 mulheres trocando ideias, marcando idas aos estádios e mobilizando movimentos contra jogadores agressores no WhatsApp. O grupo cresceu e hoje são mais de 123 mulheres compondo a Torcedoras Raiz, organizada do Ceará Sporting Club, a primeira torcida feminina cearense.</p>



<p>“Reunimo-nos para ir aos jogos pelo WhatsApp e com o passar do tempo, criamos laços e formamos um grupo. E, uma vez, surgiu a possibilidade no Clube de vir o goleiro do São Paulo, Jean, que tinha histórico de agressão contra a esposa. Na época, quando soubemos dessa possibilidade, fizemos manifestações nas redes sociais e conseguimos barrar a contratação. A partir daí, vimos que o Ceará Sporting Club tinha uma dívida com as mulheres e então decidimos criar uma torcida organizada feminina”, narra Janaína Queiroz, presidente da Raiz.</p>



<p>Desde 2020, a torcida tem estatuto próprio e conta com um grupo de mulheres que dividem as funções em diretoria de arquibancada, de mídia, de ações sociais e conselho fiscal. Apesar da organização e empenho das torcedoras, Janaína Queiroz lamenta que o clube não se empenha em reconhecê-las ou incluí-las em ações oficiais. “Os jogadores sabem da nossa torcida, mas a diretoria do Clube nunca teve um emparelhamento conosco, reconhecendo que somos a torcida feminina. O Ceará ainda é um clube muito fechado e machista. Até buscamos, no início, o reconhecimento da diretoria, mas percebemos que precisávamos mesmo era do reconhecimento do restante da torcida”.</p>



<p>A conselheira da Torcedoras Raiz, Bruna Alves menciona que a relação com a direção do Ceará é praticamente inexistente. “Eles não buscam nenhum tipo de contato ou interlocução que aproxime a torcida feminina do clube, sempre há um distanciamento, o clube parece querer manter essa distância. Praticamente eles desconhecem as ações que realizamos. É difícil até mesmo construir uma relação com os jogadores. O Ceará não sabe trabalhar com a torcida feminina, que é a primeira do estado”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Janaína Queiroz. </p>
	                
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<p>Na Bahia, a Torcida Tricoloucas foi fundada em 1º de outubro de 2017 e também teve sua trajetória iniciada no WhatsApp. A torcida organizada feminina no estado é composta por 44 sócias. Apesar da ocupação em estádios e em outras ações do Esporte Clube Bahia, a presidente da torcida, Stefane Coutinho, que acompanha os jogos desde criança, lamenta que a participação feminina seja menor em eventos futebolísticos.</p>



<p>“O futebol é um esporte predominantemente masculino, apesar de algumas coisas estarem mudando. Hoje, conseguimos ver mais mulheres nas arquibancadas do que há uns 10, 20 anos atrás. No entanto, lidamos com preconceitos e falta de apoio. A maior parte da torcida masculina não faz questão de apoiar as mulheres que criam torcidas organizadas. A gente sente a desigualdade no campo e fora de campo no dia a dia”.</p>



<p>Para Janaína Marques, o reconhecimento de torcidas femininas está acontecendo, todavia a passos lentos. “O mercado se adaptou para atender as torcedoras mulheres, mas ainda há muito para ser explorado. Eu ainda percebo a figura da mulher de forma figurativa. Temos que ocupar outros espaços não só nas arquibancadas, mas dentro dos clubes, em diretorias e conselhos. As mulheres nesses espaços podem fazer a diferença no futebol de fato”, disse.</p>



<p>Stefane Coutinho ressalta que, apesar da relevância que o Nordeste começa a mostrar quando se fala em torcidas organizadas femininas, ainda é preciso que as mulheres assumam mais espaços e cargos de destaque em clubes. “No Nordeste, a questão das mulheres assumirem mais espaços no campo e nas arquibancadas precisa ser melhorada. Somos uma potência no país e precisamos de mais espaço e reconhecimento pelo que fazemos”.</p>



<p>Na região, há também coletivos femininos de futebol: o Alvinegras 1931, movimento feminista de Torcedoras do Botafogo da Paraíba; Coletivo Torcedoras do Leão, do Fortaleza Esporte Clube; a Loucas pelo ECV, que é do Esporte Clube Vitória, também de Salvador; e o <a href="http://www.santacruzpe.com.br/coralinas-lugar-de-mulher-e-onde-o-santa-estiver/">Movimento Coralinas</a>, do Santa Cruz Futebol Clube, do Recife.</p>



<p>Quem quiser se tornar sócia da Torcedoras Raiz e/ou Tricoloucas poderá entrar em contato com as torcidas pelas páginas oficiais no Instagram e preencher um formulário de cadastro, além de pagar uma mensalidade para a manutenção, eventos das torcidas e ter acesso a descontos em produtos.</p>



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<p></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Expectativa para a Copa</strong></h3>



<p>Janaína, Stefane e Bruna estão na contagem regressiva para a Copa do Mundo Feminina. “Espero que o Brasil ganhe! Sei que ainda temos muito o que melhorar no esporte, mas nossas jogadoras vêm se destacando cada vez mais. Elas merecem ganhar”, disse Janaína Queiroz.</p>



<p>Stefane afirma que, enquanto a Copa não começa, as Tricoloucas estão se organizando para torcer pelas jogadoras. Bruna Alves também está na expectativa, mas queixa-se que as jogadoras não sejam tão valorizadas como a seleção masculina. Por exemplo, a jogadora Marta, que já foi eleita a melhor do mundo por seis vezes, recebe 340 mil euros, o que corresponde a R$1.495.000,00 por temporada. O salário de Marta é equivalente a 1% do salário do jogador Neymar. O que é contraditório, pois Marta tem mais tempo de profissão e mais conquistas do que o atacante.</p>



<p>“As condições de salário são muito aquém do que um homem ganha. Há uma desigualdade muito grande em relação à visibilidade, à valorização e às competições. É difícil até mesmo para as árbitras. Ainda há muita falta de reconhecimento”, queixa-se Bruna.</p>



<p>Apesar das desigualdades, Bruna destaca as jogadoras da seleção que tanto admira: “Ludmila da Silva tem uma força, sabe se colocar em campo, tem jogadas diferenciadas. Para mim é uma das melhores jogadoras. A Marta, por todas suas conquistas. E a Formiga também, que mesmo não atuando mais na seleção atualmente, é, sem dúvidas, uma das melhores volantes do Brasil de todos os tempos”.</p>



<p>Antes da Copa do Mundo Feminina, a Seleção Brasileira Feminina participará da oitava edição do Torneio <a href="https://www.ussoccer.com/shebelieves/cup">She Believes Cup</a>, que é organizada pela USSoccer e contará também com as seleções do Japão, Canadá, e as anfitriãs, os Estados Unidos. Os duelos serão disputados no período de data FIFA, entre os dias 13 a 22 de fevereiro.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Futebol é coisa de mulher, sim!</strong></h3>



<p>O futebol comumente é pensado como um esporte feito para um público predominantemente masculino, tanto em campo quanto nas arquibancadas. Ao menos no Brasil essa visão estereotipada e machista tem um contexto histórico: da Era Vargas até 1983, as mulheres não eram permitidas à prática de esportes considerados masculinos ou incompatíveis com as condições de sua natureza, segundo Decreto-Lei 3.199 de 14 de abril de 1941.</p>



<p>O decreto-lei sancionado por Getúlio Vargas foi responsável por atrasar diretamente o desenvolvimento do futebol feminino. Apesar da revogação em 1979, o futebol feminino só conseguiu ser regulamentado em 1983. Apesar das proibições nesse período, aconteceram incontáveis jogos amadores femininos em diversas regiões do país e competições clandestinas.</p>



<p>Em 1988 foi lançada a Seleção Brasileira feminina. Formada, principalmente, por jogadoras do Radar, do Rio de Janeiro, e do Clube Atlético Juventus, de São Paulo. A primeira competição feminina organizada pela FIFA foi o Torneio Internacional de Futebol Feminino em Guangdong, na China, em 1988, preliminar ao primeiro Mundial oficial que aconteceria em 1991. Mas até hoje mesmo com avanços nos direitos, as mulheres que almejam ser jogadoras lidam com a diferença de salários e de premiações, além de preconceitos e a falta de reconhecimento em comparação com os jogadores homens.</p>



<p>Convém acrescentar que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) criou um regulamento determinando que todas as equipes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro Masculino tenham um time feminino adulto e, pelo menos, uma categoria de base. Medida que se baseou na postura inicial da Confederação Sul-Americana de Futebol Conmebol), que impôs a necessidade de ter esses times femininos para os clubes estarem habilitados a participar da Libertadores e Copa Sul-Americana.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Árbitras fazem história</strong></h3>



<p>Desde a Copa de 1930, a Fifa nunca havia escalado mulheres para qualquer função da arbitragem nos jogos do Mundial, embora a primeira mulher árbitra no mundo tenha estreado na década de 1970, a brasileira Léa Campos. Em 2022, a francesa Stéphanie Frappart, a brasileira Neuza Back e a mexicana Karen Medina fizeram história como as primeiras mulheres a comandar um jogo da Copa do Mundo masculina de futebol. O que é considerado um fato histórico.</p>



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<p class="has-text-align-center">***</p>



<p>Se o leitor ou leitora quiser conhecer um pouco mais da questão histórica da relação das mulheres com o futebol, a historiadora Giovana Capucim e Silva lançou em 2017 um livro chamado “<a href="https://editoramultifoco.com.br/loja/product/mulheres-impedidas-a-proibicao-do-futebol-feminino-na-imprensa-de-sao-paulo/">Mulheres Impedidas: A proibição do futebol feminino na imprensa de São Paulo</a>”, publicado pelo selo Drible de Letra, da editora Multifoco.</p>



<p>*<strong>Jornalista</strong>,<strong> mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e doutoranda pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos&nbsp;(Unisinos)</strong></p>
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		<title>ONG internacional implanta quadra esportiva na Charneca, um dos bairros mais violentos do Cabo</title>
		<link>https://marcozero.org/ong-internacional-implanta-quadra-esportiva-na-charneca-um-dos-bairros-mais-violentos-do-cabo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Oct 2022 15:47:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo do Santo Agostinho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A organização não-governamental Love.Fútbol, criada no Marrocos e com atuação em 13 países, inaugurou uma quadra poliesportiva na comunidade da Charneca, periferia do Cabo de Santo Agostinho, e uma dos bairros mais violentos da Região Metropolitana do Recife. A intenção é que o projeto Arena Charneca seja um espaço de convivência e um local seguro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A organização não-governamental <a href="https://www.lovefutbol.org/">Love.Fútbol</a>, criada no Marrocos e com atuação em 13 países, inaugurou uma quadra poliesportiva na comunidade da Charneca, periferia do Cabo de Santo Agostinho, e uma dos bairros mais violentos da Região Metropolitana do Recife. A intenção é que o projeto Arena Charneca seja um espaço de convivência e um local seguro para a prática esportiva de crianças e adolescentes da região.</p>



<p>A quadra da Charneca é o sétimo espaço esportivo implantado pela ONG em Pernambuco e o 21º no Brasil (no mundo, são 56 quadras ou campos de futebol). Segundo os informes oficiais da entidade, a metodologia requer “parceria com comunidades em todo o mundo para criar, recuperar e redefinir espaços esportivos como centros comunitários inclusivos e plataformas duradouras para o desenvolvimento social”. A quadra inaugurada no Cabo contou com patrocínio de indústrias e empresas multinacionais que operam na área de Suape.</p>



<p>A diretora da Escola Municipal Vereador João Ciríaco da Silva, Lenilda Maria da Silva, vizinha à quadra, disse que “os benefícios são muito grandes quando chega uma quadra dessas para auma comunidade. Além de trazer momentos de convívio social, momentos de lazer, de cultura para esse povo, é um bem que está sendo dado a comunidade, para que ela possa zelar, possa cuidar”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/sem-politica-para-juventude/" class="titulo">Sem política para juventude, Cabo mantém rotina de assassinatos de jovens</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
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		<title>Para livrar camisa da seleção do estigma do bolsonarismo, Nike desrespeita direitos do consumidor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Aug 2022 01:13:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Nike]]></category>
		<category><![CDATA[seleção brasileira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Nike parece disposta a tudo para desvincular as cores da seleção brasileira do uso político e eleitoral. Até mesmo ferir os direitos do consumidor vale para tentar mudar a dissociar do bolsonarismo a camisa “canarinho”. A restrição não se limita aos nomes dos orixás, como está circulando desde nas redes sociais: Lula, Haddad e [&#8230;]</p>
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<p>A Nike parece disposta a tudo para desvincular as cores da seleção brasileira do uso político e eleitoral. Até mesmo ferir os direitos do consumidor vale para tentar mudar a dissociar do bolsonarismo a camisa “canarinho”. A restrição não se limita aos nomes dos orixás, como está circulando desde nas redes sociais: Lula, Haddad e Tebet também não pode. Bolsonaro também não. Nem Fora Bozo. A palavra gay também esta vetada, mas a sigla LGBTQIA+ e suas derivadas podem ser usadas.</p>



<p>Até a noite de quinta-feira, 11 de agosto, o algoritmo do site da fornecedora da Confederação Brasileira do Futebol (CBF) ainda não havia bloqueado algumas palavras de ordem. Um designer pernambucano aproveitou a brecha e conseguiu requerer e R$ 34,98 pela personalização com o mote &#8220;Chora Bozo 13&#8221;. No dia seguinte, o banho de água fria vem na forma de um e-mail informando que, “devido ao alto volume de pedidos personalizados”, o dinheiro da personalização seria devolvido em forma de um vale-troca na próxima compra a ser feita no site.</p>



<p>O designer, que prefere não se identificar por questões profissionais, reclamou também da forma como será ressarcido. “A empresa não informa que tem restrições, não faz o serviço e quer me devolver o dinheiro em vale! Querem me obrigar outra compra em um site onde todos os produtos são caros. Se eu soubesse que não podia escolher ‘Chora Bozo’, acho que nem teria comprado a camisa pra não ser confundido com um bolsonarista”, reclama.</p>



<p>A camisa custa quase R$ 350 no site oficial, a personalização com um nome de até 10 caracteres custa mais R$ 14,99. Se o comprador quiser acrescentar um número, paga mais R$ 19,99. Nas simulações feitas pela Marco Zero, os números 13 e 22 também não são aceitos.</p>



<p>Em nota enviada para a Marco Zero, a Nike admite que realmente proíbe as customizações de “cunho político” e informa que há esclarecimentos no site sobre isso, mas não detalha que a informação está na página “Central de Ajuda”, bem distante da página usada pelos clientes interessados em compra o uniforme da seleção. O e-mail recebido pelo designer também não faz qualquer referências às restrições determinadas pela empresa.</p>



<p>Eis a nota da Nike na íntegra:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;A Nike, como descrito na <a href="https://atendimento.nike.com.br/hc/pt-br/articles/5336946455059-Posso-personalizar-os-produtos-Nike-">própria página</a>, não permite customizações com palavras que possam conter qualquer cunho religioso, político, racista ou mesmo palavrões. A falha no sistema que permitiu a customização de algumas palavras de cunho religioso está sendo corrigida. A marca reforça ainda que este sistema é atualizado periodicamente visando cobrir o maior número de palavras possíveis que se encaixem nesta regra&#8221;.</p></blockquote>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/nike_camisa2.jpg" alt="Sobre um fundo degradê que sobe do verde neon para o azul escuro, estão três pessoas usando camisas da seleção brasileira. À esquerda da imagem, o ex-jogador Ronaldo Fenômeno, visivelmente fora de forma, usa camisa amarela, calça azul e tênis branco. Ele sorri e segura o queixo com a mão esquerda. Ao centro, o jogador Phillipe Coutinho, um homem jovem e esbelto, usa camisa do modelo da nike, calção branco, meias azuis e chuteiras amarelas. Ele olha pra cima e com as mãos na altura do rosto, aponta os dedos indicadores para cima. No lado direito da imagem, está o cantor de rap Djonga, homem negro sorridente de pele escura, de cabelos bastante curto." class="" loading="lazy" width="623">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Nike usou até rapper Djonga, notório eleitor de Lula, no lançamento da camisa. Crédito: Divulgação/Nike</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Como a Nike desrespeitou o consumidor</h2>



<p>A Marco Zero procurou o advogado Cleodon Fonseca, pós-graduado em Direito Processual Civil. Especialista em Direito do Consumidor, Fonseca confirmou que a Nike não está cumprindo o que diz o Código de Defesa do Consumidor: &#8220;as restrições têm que estar à disposição do consumidor, visível e em destaque, e essas restrições tem que ser objetivas. Não pode haver restrições subjetivas e de caráter geral&#8221;. O advogado lembra que nem todas as limitações são definidas pelas empresas que realizam campanhas publicitárias para incrementar a venda dos seus produtos: &#8220;Alguns escritos recebem restrição legal, como incitação ao crime, afronta aos direitos, imagens e a pessoas ou mensagens que estimulem a discriminação, por exemplo&#8221;.</p>



<p>Em relação ao veto aos orixás e a liberação aos termos &#8220;Jesus&#8221; e &#8220;Cristo&#8221;, Fonseca advertiu para um mais grosseiro que teria sido cometido pela Nike. &#8220;Se a empresa apresentar restrição expressa nas regras de sua campanha contra qualquer manifestação religiosa e desde que essa restrição seja objetiva, clara, é possível, mas se não houver disposição expressa nesse sentido, a negativa caracteriza discriminação religiosa, sujeitando a empresa às consequências previstas na legislação&#8221;, explicou.</p>



<p>Mesmo sem conhecer os detalhes do caso específico do designer, apresentado nos primeiros parágrafos deste texto, o especialista orienta os clientes que se sentirem lesados pela empresa a &#8220;procurar os órgãos de defesa do consumidor como o Procon, que fiscaliza o cumprimento, pelas empresas, da legislação do consumidor, a delegacia do consumidor, que apura crimes previstos e o Juizado de pequenas causas, para fins de reparação de dano&#8221;.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong><em>Uma questão importante!</em></strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa <a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>gina de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong>ou, se preferir, usar nosso <strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<title>Episódio #16: Quem Bolsonaro quer culpar pelas 100 mil mortes?</title>
		<link>https://marcozero.org/episodio-16-quem-bolsonaro-quer-culpar-pelas-100-mil-mortes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2020 17:20:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[100 mil mortes]]></category>
		<category><![CDATA[covid19]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
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<iframe title="Spotify Embed: Quem Bolsonaro quer culpar pelas 100 mil mortes?" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/0ZvLdK80qGySSNgmI5b8GB?si=GOGMknbtTBmJiKxNaIkyEw&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div><figcaption>O Brasil ultrapassou as cem mil mortes e a narrativa que Bolsonaro e sua máquina de desinformação querem emplacar é a de que os culpados são prefeitos e governadores, ex-ministros da saúde, e o STF. Esta estratégia é mentirosa e criminosa e usa meios oficiais de comunicação do governo, além da ações do gabinete do ódio. Ainda nesta edição, Carol Monteiro, Inácio França e Laércio Portela comentam também a volta apressada dos jogos de futebol e os riscos para atletas, profissionais, dirigentes e outras pessoas em contato com as equipes. Este episódio tem comentários do professor da USP Renato Vicente.</figcaption></figure>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/episodio-16-quem-bolsonaro-quer-culpar-pelas-100-mil-mortes/">Episódio #16: Quem Bolsonaro quer culpar pelas 100 mil mortes?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Futebol, o trampolim dos políticos autoritários</title>
		<link>https://marcozero.org/futebol-politica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Dec 2019 12:30:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro fascismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Mateus Moraes Em sintonia com as acirradas discussões políticas no país, o esporte tornou-se, mais do que nunca, palco e meio de interesses partidários e identitários. As experiências mais atuais da exploração do futebol como trampolim político são as inúmeras aparições do presidente da República, Jair Bolsonaro, vestindo várias camisas de clubes brasileiros e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Mateus Moraes</strong></p>



<p> Em sintonia com as acirradas discussões políticas no país, o esporte tornou-se, mais do que nunca, palco e meio de interesses partidários e identitários. As experiências mais atuais da exploração do futebol como trampolim político são as inúmeras aparições do presidente da República, Jair Bolsonaro, vestindo várias camisas de clubes brasileiros e indo a campo para fazer testes de popularidade. A relação do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, com o Flamengo também pode ser encarada com desconfiança, visto que, declaradamente corintiano, Witzel tem sido figura onipresente nas comemorações dos títulos flamenguistas.</p>



<p>A
boa fase do Flamengo seduziu Jair Bolsonaro a ‘tirar uma casquinha`
do momento do clube.
Três
dias após a divulgação de conversas que colocaram a parcialidade
do ex-juiz federal Sérgio Moro nos julgamentos da Lava-Jato em
xeque, Moro e Bolsonaro foram ao jogo entre CSA x Flamengo, no
estádio Mané Garrincha, em Brasília. A
cena foi interpretada tanto como um
teste
de
popularidade da
dupla 
quanto
uma demostração de indiferença calculada às denúncias.

</p>



<p>Na
final da Copa América, Bolsonaro chegou a afirmar: “Pretendo,
domingo, não só assistir à final do Brasil com Peru, bem
como, se for possível, se a segurança permitir, irei com Sergio
Moro junto ao gramado. O povo vai dizer se estamos certos ou não”,
mostrando que o teste de popularidade em estádios é algo planejado
dentro desse governo.</p>



<p>Outro
gesto presidencial que precisa ser analisado é o fato de que caças
da Força Aérea Brasileira (FAB) escoltaram o voo fretado dos
jogadores flamenguistas de Lima, capital do Peru, até o Rio de
Janeiro. &#8220;A
Força Aérea Brasileira, em nome do presidente da República, Jair
Bolsonaro, dá as boas-vindas ao time do Flamengo e felicita a equipe
campeã que tão bem representou o Brasil para a conquista da Copa
Libertadores da América. Brasil acima de tudo&#8221;, dizia a
mensagem passada por um representante da FAB. 
</p>



<p>Autodeclarado apaixonado por futebol e pelo Palmeiras, Jair Bolsonaro tenta construir uma relação direta com o esporte anunciando antecipadamente suas idas aos estádios. Foi assim nas partidas da Copa América contra a Argentina e contra o Peru e nos jogos entre CSA x Flamengo, Santos x São Paulo e entre Flamengo x Avaí. Questionamos o motivo destes anúncios se fazerem tão necessários por parte do governo, mas, até a publicação da reportagem, a assessoria do presidente não respondeu. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Witzel desprezado</h2>



<p>Quem também se viu seduzido pelo momento flamenguista foi Wilson Witzel. Há três semanas, em vídeo que viralizou nas redes sociais, o governador carioca – também um ex-juiz &#8211; , prosta-se de joelhos, sendo ignorado por Gabriel Barbosa, o Gabigol. O governador carioca também chegou a subir no trio elétrico que levava a delegação campeã.</p>



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	                                        <p class="m-0">O momento em que Gabigol despreza o governador do Rio de Janeiro prostrado aos seus pés</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>
O
ardor de Witzel pelo Flamengo causa estranheza, pois em
pouco mais de um ano, ele
deixou
de ser corintiano desde a infância e passou a celebrar efusivamente
as conquistas do rubro-negro carioca, esquecendo que, em entrevista
ao jornal <em>Lanc</em><em>e,
</em>afirmou
“sou, desde criancinha, corintiano. E vivi o Corinthians na era
Sócrates, por isso sou um grande democrata. Sócrates foi um marco
na história do Corinthians, na história da democracia, do esporte
e, como vivi aquele momento, acho que o Sócrates foi um grande
exemplo”. 
</p>



<p>As declarações de Wilson Witzel não foram bem recebidas por segmentos de ambas torcida. Laura Bimbato, corintiana e integrante do coletivo <em>Corinthians Antifa</em>. “O Witzel é torcedor por conveniência e oportunismo. Ele tenta roubar o protagonismo do futebol e associar à sua imagem. Ele até pode ser corintiano, mas jamais irá ser representante do ethos corintianista. E esta diferença é tudo.”  </p>



<p>Laura destaca o movimento Democracia Corintiana – liderado por Sócrates durante a ditadura militar – como basilar na história do time: “o movimento foi espetacular porque uniu os três principais atores do futebol, clube, jogadores e torcida, em um único objetivo: restaurar as bases democráticas do clube e do país. Mas, infelizmente, com o contexto que temos hoje, esta experiência não é replicável. É praticamente impossível você ver jogadores que assumam uma postura mais à esquerda, como se dava nos moldes daquela época”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Laura Bimbato, corintiana e antifascista</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">Interferência nos bastidores</h3>



<p>
Além
de, literalmente e simbolicamente, pegar carona na festa
flamenguista, Wilson Witzel fez questão de tentar interferir nas
questões internas do rubro-negro carioca. No final de agosto, uma
rede portuguesa de televisão afirmou que o técnico Jorge Jesus
pretendia sair do clube após o término da temporada por temer os
altos índices de violência do estado carioca. A notícia reverberou
e deixou os torcedores em um clima de expectativa e de apreensão.
Com um faro oportunista de dar inveja a qualquer camisa 9 (atacante,
centro-avante, dá tudo no mesmo), o governador fez um aceno aos
flamenguistas e disse que iria interferir pessoalmente no caso. 
</p>



<p>Em
entrevista ao jornal <em>O
Globo</em>,
ele afirmou: “Vou falar pessoalmente com o Jorge Jesus. Mostrar ao
querido técnico que não há necessidade de ir embora. Muitos
brasileiros estão voltando para o Rio de Janeiro. Os índices de
criminalidade estão sendo sensivelmente reduzidos. Ele terá paz
para fazer o melhor pelo Flamengo&#8221;. 
</p>



<p>Na opinião do ex-assessor da presidência do Santa Cruz e ex-diretor de futebol do time coral, Jomar Marinho, “um político não deve se meter nos assuntos particulares de um clube de futebol, mas, quando a criança é bonita, todo mundo quer ser o pai”, diz se referindo à boa fase do Flamengo e as constantes tentativas de associações ao clube carioca por parte de políticos.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Dois pesos, duas medidas</h4>



<p> Um dos episódios mais marcantes da última rodada do Brasileirão 2019 aconteceu jogo entre Botafogo x Ceará, realizado no estádio Nílton Santos, Rio de Janeiro. A Polícia Militar carioca ordenou que a torcida Botafogo Antifascista tirasse uma bandeira com a frase &#8220;Botafogo Antifascismo&#8221;. Em uma ação estranha e tirânica, os policiais fotografaram a identidade da torcedora que estava com a faixa.  </p>



<p>A justificativa da corporação foi a seguinte: &#8220;Segundo o Estatuto do Torcedor, é condição de permanência no estádio utilizar faixas e bandeiras apenas para manifestação festiva e amigável, logo, não será autorizada permanência no local qualquer material que faça referência a ideologia que não diga respeito ao futebol e a manifestações festivas”. Em um estado onde o governador não cansa de tentar se relacionar ao Flamengo e seu ótimo momento, o ato da PM-RJ é, no mínimo, incongruente. Se, para Wilson Witzel não há incompatibilidade na forma que ele se dirige aos clubes e às torcidas cariocas porque, ao mesmo tempo, não permite que a organizada se manifeste politicamente dentro do estádio?</p>



<p>
De
acordo com o
cientista político e apaixonado por futebol, Túlio Velho Barreto,
“se uma torcida não pode posicionar-se contra o fascismo e o
governador do estado, que se classifica como um democrata, toma uma
atitude autoritária dessas, mostra uma contradição. Se a
manifestação política vem contradizer a identificação política
do governante, ele tenta reprimir. Se fosse favorável, esses atores
políticos não estariam preocupados com isso. O posicionamento
contra o fascismo deveria ser de toda a sociedade. O que fica
parecendo é que, quem reprime, é favorável”. 
</p>



<p>Não foi a primeira vez que torcedores enfrentaram problemas por se posicionarem contra o fascismo. No mês de abril, Alexandre Bárbara, torcedor do Flamengo, teve que dar explicações sobre a camisa com os dizeres &#8220;Flamengo Antifascista&#8221;. </p>



<p>“Um dos fiscais que usa aquele uniforme verde achou que eu não poderia entrar com essa camisa. E aí ele acionou a coordenação e a gerência para saber se eu podia entra. E a gerência acionou a Polícia Militar. E teve que vir um sargento da PM que não sabia se eu podia entrar com essa camisa, porque acharam suspeita”, explicou Alexandre.</p>



<p>Na opinião geral da torcida Flamengo Antifascista, os interesses políticos são nítidos: “O que tem acontecido muito é gente mal-intencionada se apropriando dos clubes. Muito pouco negócio e muito interesse particular. Usam agremiações como trampolim para arregimentar capital social”.</p>



<p>Esta semana, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro reagiu à ação dos policiais aprovando uma lei que garante diferentes manifestações por parte de torcedores nos estádios de futebol, impedindo a censura prévia por parte de policiais, árbitros ou autoridades da Federação.</p>



<p>Endossando
o discurso da Flamengo Antifa, o jornalista e torcedor do Sport Club
do Recife, Ivan Moraes (atual vereador pelo PSOL), afirma: “É
complicado quando você cria uma narrativa que induza o público a
acreditar que a tua presença, enquanto deputado, prefeito, vereador
ou governador, terá um interesse ligado àquela paixão clubística.

</p>



<p>Ainda, segundo Ivan, “se eu me faço passar por um torcedor de outro clube para poder me aproximar do eleitor, isso é desonestidade. Eu tenho visto o que o Flamengo tem feito na política do Rio. Você vê o presidente da República mandando jatos escoltarem o time, gastando uma fortuna em combustível, você vê o governador, que me parece que não é nem flamenguista, se dirigindo à torcida do Flamengo de forma política. É o limite de eu utilizar uma identidade clubística para me aproximar do eleitor de forma enganosa”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Bolsonaro e Moro, logo depois do The Intercept começar a publicar a Vaza Jato (Foto:A Gazeta)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h4 class="wp-block-heading">&#8220;E a liturgia do cargo, meu senhor?&#8221;</h4>



<p>
Em
Pernambuco, a relação entre políticos e clubes de futebol é
antiga. No Trio de Ferro (Sport, Náutico e Santa Cruz), importantes
figuras públicas já atuaram nos bastidores dos times. No Sport
Clube do Recife, Luciano Bivar, atual presidente do PSL, partido pelo
qual Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República, já comandou
o clube que hoje é liderado por Milton Bivar, irmão de Luciano. 
</p>



<p>
No
Santa Cruz Futebol Clube, o ex-prefeito de Petrolina e atual líder
do governo Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho, já
presidiu a cobra coral e teve enorme prestígio, inclusive, atuando
na reforma do estádio do Arruda. O ex-vereador e atual secretário
de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, José Neves, também
já foi chefe do executivo tricolor.</p>



<p>
Pelo
lado do Clube Náutico Capibaribe, o atual presidente da Copergas e
ex deputado estadual e secretário da Casa Civil, André Campos, já
presidiu o alvirrubro.
Já o ex-governador de Pernambuco, ex-prefeito do Recife e
ex-ministro da Fazenda e do Desenvolvimento Urbano, Gustavo Krause,
fez parte do conselho deliberativo do Timbu.</p>



<p>Na
opinião de
Krause, a relação de políticos e de clubes de futebol precisa
acontecer de forma saudável. “Há momentos em que um chefe de
Estado pode ir a campo, como em uma partida de abertura de um
megaevento ou algo semelhante. Mas, caso seja um jogo comum, o chefe
de Estado
não deve se utilizar da superexposição de imagens para tentar se
associar a um clube ou a uma seleção de forma superficial e
enganadora. A cena mais patética que eu vi foi a do senhor do
Witzel. Existe algo chamado liturgia do cargo. Um governador de
estado, presidente da República, ele pode ser o mais popular, mas
ele não pode se ajoelhar diante de Gabigol e nem de Pelé. É ele na
dele e eu na minha. Durante toda minha vida política, enquanto
estive exercendo mandato, eu, por exemplo, me afastei do Náutico”.</p>



<p>Nos
102 anos que englobam o período entre 1917 e 2019, o desporto mais
popular do mundo já serviu como objeto de exploração por parte de
estadistas brasileiros, mas, como diria Nelson Rodrigues, “no
futebol, o pior cego é aquele que só vê a bola”. Para além de
22 seres humanos correndo atrás da pelota, o esporte mais amado do
planeta é uma catarse coletiva, é uma metáfora social, é um
instrumento de luta política e social.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Federação no azul x clubes no vermelho</title>
		<link>https://marcozero.org/federacao-no-azul-x-clubes-no-vermelho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Apr 2019 20:07:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[campeonato pernambucano]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Náutico]]></category>
		<category><![CDATA[santa cruz]]></category>
		<category><![CDATA[Sport]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No domingo, o Sport pode manter o tabu confirmando a vantagem que abriu no primeiro jogo ou o Náutico mostre a capacidade de reação que vem marcando seu início de temporada. Uma coisa, porém, é certa: fora de campo, os dois times já foram derrotados. Assim como os demais oito clubes que participaram da competição, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[No domingo, o Sport pode manter o tabu confirmando a vantagem que abriu no primeiro jogo ou o Náutico mostre a capacidade de reação que vem marcando seu início de temporada. Uma coisa, porém, é certa: fora de campo, os dois times já foram derrotados. Assim como os demais oito clubes que participaram da competição, suas finanças perderam de goleada. Só a Federação Pernambucana de Futebol ganhou.

Mesmo promovendo um campeonato cada vez mais deficitário, a FPF-PE acumula seis anos consecutivos de superávits, conforme o balanço publicado hoje, o que foi registrado pelo jornalista <a href="http://cassiozirpoli.com.br/receita-da-fpf-cai-pelo-2o-ano-crise-balanco-registra-6o-superavit-seguido/">Cássio Zirpoli</a> em seu blog especializado em números e estatísticas. A palavra “lucro” facilitaria a compreensão, mas como federações de futebol não são empresas, seria tecnicamente incorreta.

Os balanços financeiros da FPF-PE contrastam com os balanços dos seus associados. A saúde financeira de uma contrasta com as dificuldades dos outros em manter os salários em dia.

As dificuldades no futebol de Pernambuco não se restringem a um campeonato estadual que sequer tem premiação em dinheiro, disputado para arquibancadas vazias, custeado pela cota de TV da Rede Globo, que paga aos 10 clubes locais – R$ 1 milhão bruto para os três da capital e R$ 90 mil aos outros sete participantes – menos do que repassa ao Bangu ou ao Cabofriense para que participem do campeonato carioca, por exemplo. Durante todo o ano, os clubes pernambucanos ainda pagam algumas das taxas administrativas mais caras do País – e, seguramente, as mais altas entre todos os estados da região. E isso tudo sem que nenhum deles participe da série A, o que não acontecia desde 2011.


<h2><strong>As taxas</strong></h2>
O levantamento realizado pela Marco Zero considerou as taxas dos serviços mais utilizadas pelos clubes ao longo da temporada: registro dos atletas recém-contratados, prorrogação de contrato de jogadores e rescisão contratual.

Como poucas federações disponibilizam a tabela de taxas em seus respectivos sites, a Marco Zero obteve as informações por telefone junto às assessorias de Imprensa ou diretamente com os departamentos de registro ou financeiro das federações.

Os valores cobrados variam bastante de estado para estado.


<ul>
 	<li><strong>Registro</strong></li>
</ul>
Apenas as federações de Pernambuco, Acre e Minas Gerais estabelecem uma relação entre os salários dos contratos e os valores para validá-los. No entanto, destacam-se os preços da FPF-PE, divididos em seis patamares: R$ 378,00, R$ 567,00, R$ 945,00, R$ 3.045,00, R$ 5.985,00 e R$ 8.400,00. No caso do Acre, o piso é de R$ 110,00 e o teto chega a R$ 8.800,00 para contratos acima de 50 salários mínimos, faixa inatingível para o futebol acreano. A federação mineira cobra um teto de R$ 2.250,00 para registrar os atletas mais bem remunerados.

Dezessete federações impõem preços únicos. As maiores são as taxas da Federação Paulista de Futebol: R$ 550,00. No Pará, um registro sai por apenas R$ 25,00. As federações do Amazonas, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso não cobram para registrar contratos.

Em Pernambuco, a Marco Zero Conteúdo teve acesso a alguns valores de contratos válidos de jogadores do Náutico e do Santa Cruz. O Sport não liberou informações por entender que se trata de “números confidenciais do clube” e que não poderiam ser repassados “mesmo sem especificar o nome do jogador”, como fizeram alvirrubros e tricolores.

No exemplo fornecido pelo departamento de Futebol do Náutico, o contrato de um jogador com salário de 30.000,00, cuja taxa de regularização junto à CBF foi R$ 3.850,00, custou para regularizar na FPF-PE R$ 5.985,00. Outro contrato, de salário no valor de R$ 6.000,00, custou R$ 750,00 para registrar na entidade e ;R$ 945,00 na federação local.

A diretoria de futebol do Santa Cruz também usou como exemplo contratos de dois jogadores. Um deles, com salário de R$ 9 mil teve o valor da regularização junto à CBF em R$ 700,00, enquanto a FPF-PE cobrou 945,00. Outro contrato, com salário de R$ 3.500,00, foi validado na CBF por R$ 700,00. Na FPF-PE, o valor foi menor: R$ 567,00.

O primeiro balanço de 2018 publicado por um clube pernambucano evidencia o quanto essas taxas estão distantes da realidade local: o Centro Limoeirense, da segunda divisão estadual, informou oficialmente que gastou R$ 24 mil com salários e R$ 31 mil com os procedimentos para regularizar seu elenco.<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/REGISTROgraficos_federacoesFutebol__02.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15148" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/REGISTROgraficos_federacoesFutebol__02.jpg" alt="REGISTROgraficos_federacoesFutebol__02" width="1600" height="816"></a>
<ul>
 	<li><strong>Prorrogação e rescisão</strong></li>
</ul>
Só a Federação Pernambucana de Futebol faz um escalonamento para validar a simples prorrogação de um contrato ou para formalizar a rescisão quando o clube demite um atleta. Para a prorrogação, são dois casos: R$ 210,00 quando não há alteração salarial e R$ 315,00 quando o salário mudar para mais ou para menos. Como no caso do registro, a classificação dos valores para rescisão contratual acompanha a faixa salarial do jogador dispensado: nos casos até dois salários mínimos, o valor é R$ 189,00. Para as outras cinco faixas, a tabela estabelece os seguintes preços: R$ 284,00, R$ 473,00, R$ 1.523,00, R$ 2.993,00 e R$ 4.200,00

Em seis estados não há cobrança por esses serviços (Acre, Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Pará).

A regularização de um contrato prorrogado sai mais caro em São Paulo (R$ 550,00), Mato Grosso do Sul (R$ 500,00) e Rio Grande do Sul (R$ 400,00). Os preços mais altos para registrar uma demissão são praticados pelas federações paulista (R$ 260,00) e carioca (R$ 250,00)

Os documentos apresentados pelos clubes locais dão ideia do peso dessas taxas para gerir um elenco de atletas profissionais:

No Santa Cruz, a renovação do contrato de um atleta coral que, no início de janeiro, teve seu salário aumentado de R$ 1.500 para R$ 3.500, custou R$ 315,00 na FPF-PE e R$ 200,00 na CBF.

Para validar a rescisão de um contrato de um jogador que recebia R$ 1.500,00, o Náutico pagou R$ 55,00 à CBF e R$ 189,00 para a FPF-PE. Já para a rescisão de um contrato de salário de R$ 5.000,00 o valor para a CBF foram os mesmos R$ 55,00, enquanto que o boleto gerado pela FPF-PE foi de R$ 473,00.

As federações de Amapá, Rondônia e Roraima não forneceram as informações solicitadas nem disponibilizam suas respectivas tabelas no site.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/PRORROGAgraficos_federacoesFutebol__03.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15149" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/PRORROGAgraficos_federacoesFutebol__03.jpg" alt="PRORROGAgraficos_federacoesFutebol__03" width="1600" height="816"></a> <a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/RESCIgraficos_federacoesFutebol__04.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15150" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/RESCIgraficos_federacoesFutebol__04.jpg" alt="RESCIgraficos_federacoesFutebol__04" width="1600" height="832"></a>
<h2><strong>Percentual sobre a renda bruta</strong></h2>
A cada partida de futebol profissional disputada no País em que há cobrança de ingressos, um percentual da renda bruta é destinado à federação do estado onde o jogo é disputado. Como o desconto se dá no total arrecadado, uma coisa é certa: não há risco da federação ficar sem receber ao menos alguns reais.

Até 2012, a FPF-PE recebia 6% de todo ingresso vendido para jogos realizados em Pernambuco. Então, usando mão do poder de sua caneta e sem consultar nenhum dos clubes associados, no dia 19 de novembro de 2012, o presidente Evandro Carvalho aumentou esse percentual para 8%. Isso sem considerar 6% que a Federação recolhe de todas as cotas e premiações de televisão recebidas por todos os clubes do estado.

Na época, o episódio foi relatado pelo jornalista e blogueiro Cássio Zirpoli, que reproduziu uma fala de Carvalho mencionanodo um percentual ainda mais elevado: “A proposta era de um reajuste de 10%, mas achamos que vai dar para trabalhar com os 8%. Se não der, a gente faz o reajuste no outro ano. Nos outros estados, a taxa é de 10%. Somos o que recebe menos&#8221;.

Não é bem assim. A Federação Pernambucana está longe de ser a entidade estadual a receber menos das rendas dos jogos.

Sete federações realmente impõem aos seus filiados o repasse de 10% das rendas brutas de cada jogo. No entanto, duas delas (Goiás e Tocantins) oferecem compensações por cobrar esse percentual elevado: a federação goiana assume todos os custos referentes à remuneração do quarteto de arbitragem e do representante da própria entidade, além de, como visto acima, não cobrar taxas administrativas. Em Tocantins, os clubes também não pagam pela arbitragem.

Em Alagoas, Ceará e Espírito Santo támbém se repassa 8% da renda, mas os clubes alagoanos só pagam os custos do deslocamento dos árbitros, bandeirinhas e delegado da partida. A federação maranhense pratica uma taxa um pouco menor: 7,5%. É a única que trabalha com esse percentual.

Em 11 estados, a taxa é de 5%, sendo que em três deles (Paraíba, Piauí e São Paulo), os clubes mandantes também não precisam arcar com os custos da arbitragem. No Rio Grande do Sul, Grêmio e Internacional repassam 10% de suas rendas, enquanto que os clubes do interior arcam com apenas 5%. No Rio de Janeiro, o percentual varia de zero a 9,45%, dependendo do peso do time mandante e da importância do jogo. O maior percentual é destinado aos grandes clássicos.



<div id="attachment_14921" style="width: 375px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Futebol_-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14921" class="wp-image-14921" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Futebol_-1-300x200.jpg" alt="Léo Lemos/Náutico" width="365" height="243"></a><p id="caption-attachment-14921" class="wp-caption-text">América preferiu jogar de portões fechados do que arcar com os custos da Arena (Foto: Léo Lemos/CNC)</p></div>

Em Pernambuco, o aumento do percentual da FPF-PE não veio acompanhado de quaisquer benefício. Além de ter de retirar da sua própria fatia da renda a remuneração do árbitro e até do representante da federação em cada partida, os clubes não recebem ajuda de custo para passagens e hospedagem.

Das 45 partidas da primeira fase do campeonato estadual de 2019, 16 geraram renda negativa para os clubes mandantes, ou seja, esses times pagaram para jogar. Todas as partidas do Salgueiro em seu estádio, o Cornélio de Barros, deram prejuízo. O time arcou com quase R$ 13.500,00 de saldo negativo. Mesmo assim, teve de repassar para a federação R$ 1.989,00.

Ao todo, a Federação arrecadou durante os três meses que durou a primeira fase, livres de despesas, R$ 127.730,24. O clube que mais arrecadou no mesmo período foi o Sport (R$ 213.054,66), porém sua folha de pagamento mensal é, pelo menos, cinco vezes maior. Ao todo, os 10 clubes participantes dividiram uma receita líquida de R$ 747.385,37, gerada em 45 partidas.


<h2><strong>Custos com arbitragem</strong></h2>
Cada federação estadual tem sua própria tabela de vencimentos para os juízes, bandeirinhas e árbitros reservas que atuam a cada partida. As tabelas consideram experiência do árbitro, qualificação nos cursos da CBF e, em alguns casos, importância da partida, quando um jogo de semifinal rende mais a um árbitro do que uma partida de início de campeonato. É comum os jogos dos times de maior tradição serem apitados por juízes de maior experiência, ou seja, com direito a rendimentos maiores.

Para efeitos de comparação, a Marco Zero Conteúdo analisou os borderôs (boletins com o detalhamento do resultado financeiro de cada partida) de todos os jogos das primeiras fases dos campeonatos estaduais ainda em andamento e calculou a média do que é pago às equipes de arbitragem, sem contar, neste caso, os valores destinados aos delegados da própria federação.

O objetivo foi identificar quanto os clubes realmente pagam, afinal muitas vezes é a federação que assume esses gastos, como é o caso de seis estados.

Rio de janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina são os estados onde os clubes mais gastam com arbritragem no País, apesar do futebol carioca ter uma peculiaridade: nas partidas dos clubes de menor expressão não há esse gasto, pois foi criado um mecanismo em que os jogos dos quatro grandes times da capital acabam subsidiando o gasto com esse item.

No Nordeste, em nenhum outro estado os clubes de futebol gastam tanto com arbitragem quanto em Pernambuco e na Bahia.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/BORDEROgraficos_federacoesFutebol__01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15151" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/BORDEROgraficos_federacoesFutebol__01.jpg" alt="BORDEROgraficos_federacoesFutebol__01" width="1600" height="706"></a>
<h2><strong>&#8220;Nunca os clubes lucraram tanto&#8221;
</strong></h2>
Em entrevista via whatsapp, o presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Carvalho, assegura que a informação relativa aos valores das taxas é “equivocada”.

Segundo ele, “se observadas linearmente, a primeira impressão é que Pernambuco cobra taxas acima da média, mas não é verdadeiro. Nós fazemos um escalonamento, onde os clubes que pagam salários mais avantajados arcam com taxas maiores, enquanto os clubes menores, que pagam salários menos avantajados, arcam com taxas menores, portanto é um programa de equalização e valoração para permitir que os clubes que tenham menos recursos, tenham menores despesas”.

Evandro Carvalho também não vê empobrecimento dos clubes pernambucanos. E ele é taxativo: “Essa afirmação é absolutamente fora da realidade. Os clubes pernambucanos nunca lucraram tanto, nunca tiveram a capacidade de movimentar tantos recursos como nos últimos nove anos, período de minha gestão. O Sport, por exemplo, até 10 anos atrás nunca havia movimentado valor maior do que R$ 30 milhões. Passou a movimentar R$ 120 milhões. Em 30 ou 40 anos, os clubes não arrecadaram tanto por meio de participação em competições nacionais. Não procede a informação do empobrecimento dos clubes, afora o crescimento patrimonial. O Sport construiu o melhor centro de treinamento do Norte-Nordeste, o Náutico também tem um CT que está entre os melhores da região e o Santa Cruz, finalmente, adquiriu o terreno para seu CT numa área bastante valorizada”.

Para o presidente, seria necessário apoio do poder público, leia-se do governo estadual, para que os clubes voltem a ter melhores condições de disputar o campeonato estadual, assim como acontece em vários outros estados nordestinos, a exemplo da Paraíba, Bahia e até Sergipe.

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<h2><strong>Federações estaduais em xeque</strong></h2>
Uma voz em favor da redução do poder das federações estaduais e do fim dos campeonatos estaduais é surpreendente. É a voz de Fred Oliveira, ex-presidente da FPF-PE entre 1985 e 1995, e irmão de Carlos Alberto Oliveira, o antecessor de Evandro Carvalho, morto em agosto de 2011. Ou seja, o representante de uma família que permaneceu 26 anos à frente do futebol de Pernambuco.

“Eu não sou doido pra ter ideia fixa. É verdade que eu eu agi como os dirigentes atuais agem, mas os tempos eram outros. O futebol mudou muito e muito rápido. O campeonato estadual, por exemplo, já não tem cabimento, não se financia, então criam um torneio cuja tabela só tem duas ou três partidas que valem alguma coisa. Pra quê insistir numa competição sem data, sem renda e sem apelo?”, questiona Fred, que já não vê lugar para uma federação com tanta infraestrutura e tanto poder de interferir.

As tais transformações no universo do futebol, conforme o entendimento de Fred, reproduzem também a nível nacional e intrarregional o desequilíbrio que passou a existir entre a Europa e a América do Sul. “A concentração de dinheiro também passou a se dar em São Paulo e na CBF, que arrecada muito e não repassa. Passamos a ter salários de primeiro mundo, pois estamos dentro desse mercado, mas em condições de desigualdade, pois nosso financiamento continua de terceiro mundo”. Em sua opinião, as taxas exorbitantes cobradas pela FPF-PE resultam dessa necessidade de compensar as perdas e tentar manter a mesma estrutura e poder sobre os filiados.
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 	<li><strong>Crítica e autocrítica de um alvirrubro</strong></li>
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O poder da entidade é percebido pelos dirigentes dos clubes muito antes da bola rolar a cada início de temporada. O ex-vice-presidente do Náutico, Toninho Monteiro, viveu isso na pele.

“Você começa a montar o time ainda em dezembro, mas precisa de dinheiro vivo para deixar os jogadores em condições de jogo. Como a Globo não adianta cotas e os patrocínios ainda não estão fechados, tem de pedir favor para a Federação acatar os contratos sem pagamento de taxas. Muitas vezes, a própria FPF-PE paga as taxas junto à CBF. Assim, o clube começa o ano como devedor. Ou refém”, critica Toninho.

Afastado do futebol “para sempre”, Toninho não responsabiliza apenas a entidade estadual: “Os clubes não se unem, não tomam decisões conjuntas, não apresentam projetos que lhes interessem. Evandro não é o culpado, pegou o pacote feito, mas se ele quer fazer bem ao futebol poderia fazê-lo facilitando a mudanças das regras desse jogo”.
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 	<li><strong>Tricolor aponta outros vilões</strong></li>
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Com posições mais cautelosas, o ex-presidente do Santa Cruz Antônio Luiz Neto acredita que o nó está naquilo que ele vê como uma tentativa do futebol brasileiro querer copiar o futebol europeu. “Há uma tentativa desesperada de adaptar-se e concorrer com a Europa sem ter a estrutura que existe lá. Os clubes do Rio e São Paulo passaram a gastar em euro, mas continuam arrecadando em reais, daí estarem todos tão endividados. O fardo dessa imitação arranca dos clubes a possibilidade de financiamento dentro de sua realidade”.

<div id="attachment_14919" style="width: 384px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Futebol_-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14919" class="wp-image-14919" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Futebol_-2-300x200.jpg" alt="Futebol_ (2)" width="374" height="249"></a><p id="caption-attachment-14919" class="wp-caption-text">Torneios regionais copiam cerimônias e estética das ligas europeias (Foto: Léo Lemos/CNC)</p></div>

Poupando a FPF-PE, Antônio Luiz direciona suas críticas à entidade nacional. “A CBF financia sua excelência tirando dos clubes”.

Mesmo assim, ele acredita que o maior algoz está longe dos holofotes: “O fim da lei do passe acertou em extinguir o domínio do clube sobre a vida do jogador. A respeito disso não há o que discutir, mas deixou clubes e atletas reféns de empresários que não gastam um centavo para formar um atleta, não correm riscos algum e ganham mais dinheiro do que os principais atores do futebol”.
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 	<li><strong>Interior sofre dentro e fora de campo
</strong></li>
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No interior de Pernambuco, o fim da competição nem passa pela cabeça dos dirigentes de clubes. Mesmo assim, as queixas são muitas. Basta alguns minutos de conversa com José Guilherme, atual presidente do Salgueiro, o time que mais viajou e mais tomou prejuízo no campeonato deste ano:

“Quem faz futebol é doido ou abnegado. Eu sou os dois”.

Além das tradicionais reclamações contra erros de arbitragem que atingem os times do interior, Guilherme também sente-se acuado pelos clubes da capital: “Sport, Santa e Náutico fazem em Pernambuco o que Corinthians e Flamengo fazem com eles. Eles negociam cota de R$ 2 milhões (a cifra, segundo os dirigentes da capital, é fantasiosa) enquanto os outros tem de se virar com R$ 90 mil.”

<strong>Por temer represálias (ou por terem reconduzido a diretoria da FPF-PE por unanimidade no final do ano passado), os atuais dirigentes de clubes preferiram não conceder entrevistas. Por essa razão, a Marco Zero Conteúdo procurou pessoas que já estiveram à frente dos times locais. No caso dos representantes do Sport Clube do Recife, João Humberto Martorelli pediu para não ser incluído, pois “o futebol já não faz parte dos seus pensamentos e da sua vida”. Arnaldo Barros não respondeu às tentativas de contato do repórter.</strong></blockquote>






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		<title>Um dia no Campo do Onze</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2016 00:58:06 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<strong><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2774980_CreateAgif.gif"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2303 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2774980_CreateAgif.gif" alt="2774980_CreateAgif" width="120" height="90"></a>por Mário Fontes*</strong>

Recife, manhã de domingo. Enquanto boa parte da cidade, consumida pela ressaca da noite anterior, dorme em berço esplêndido, os times Sem Estresse e Acabadinho já estão de pé no Campo do Onze, próximo ao Shopping Tacaruna, em Santo Amaro, para mais uma partida da Copa dos Cinquentões.

Os primeiros jogadores começam a aparecer por volta das 8h. São moradores do bairro, que chegam andando ou de bicicleta e vão arrumando o material do jogo, trazem água, se aquecem, conversam com os amigos, tanto os colegas de time quanto os que vieram para assistir ao jogo, que é truncado, duro e até feio. Isso porque, o campo tem dimensões desproporcionais (longe de ser retangular) e o terreno desnivelado.

Certamente esta não é uma grande final de campeonato e nem mesmo uma das competições mais disputadas e aguardadas da própria comunidade de Santo Amaro (status que pertence aos torneios juvenil e adulto, que vai “dos 18 anos até onde o cara aguentar”). Porém, apenas a partir dela, já é possível perceber como o futebol atua como um elemento agregador entre aquelas pessoas.

Mesmo em um dia de jogo morno, dezenas de pessoas estão ali reunidas, bebendo, comendo, confraternizando ou observando, nem que seja por puro e simples tédio. Mas estão ali. Enquanto a mídia e o Governo incutem uma cultura de medo e vigilância, elas estão ali. Enquanto a avassaladora especulação imobiliária do Recife toma áreas de convivência, construções históricas e áreas de patrimônio público, elas estão ali. Enquanto a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer da cidade destaca atividades num programa higienizado e higienizador no Bairro do Recife e ignora a manutenção dos campos de Várzea, elas continuam ali. Os campos e o futebol praticado nessas comunidades são posturas de resistência intrínseca. “O Governo é a gente mesmo”, resume em seco Marconi Gadelha, organizador do torneio e do União Futebol Clube, do qual também é técnico.

O futebol se desvela um catalisador dos encontros. Está além de seu tão propagado potencial para a inclusão social: tem a ver com perceber a si mesmo enquanto ser coletivo-comunidade marginalizada e uma forma de empoderamento e ação. As conversas vão da política ao futebol, sempre entrecortados por inúmeras saudações aos conhecidos que passam por ali.

Em meio a tantos debates e teses sobre a “crise de representatividade” política e social, um simples jogo de bola instiga identificações, afetos e desencontros. Não é à toa que Marconi organiza as partidas há quase 30 anos. O quadro branco na pequena e modesta sede do União F.C., junto aos troféus, aponta os mandamentos do clube: humildade, compromisso, responsabilidade, comprometimento, profissionalismo, pontualidade.

<div id="attachment_2539" style="width: 1175px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/11f.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2539" class="size-full wp-image-2539" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/11f.jpg" alt="Foto: Gabriel Albuquerque" width="1165" height="699"></a><p id="caption-attachment-2539" class="wp-caption-text">Foto: Gabriel Albuquerque</p></div>

Entre esses compromissos está também a vontade de manter aquele local vivo, pulsante, através do futebol. É aquele pedaço de Santo Amaro que a comunidade usa para seu lazer, nos fins de semana principalmente. E praticamente sem nenhuma outra alternativa, o bairro transformou o Campo do Onze num espaço quase sagrado. Por isso, o campo acaba resistindo em meio à feroz busca de espaços para a construção civil, principalmente para a iniciativa privada.

Marconi recorda quando, em 2003, a comunidade recebeu uma notificação da Prefeitura do Recife informando que o campo daria lugar a um conjunto residencial. A &#8220;intimação&#8221; não foi aceita pelos habitantes do local, que se reuniram e conseguiram manter o espaço sob seu domínio.

Rogério, que foi campeão brasileiro em 1987 pelo Sport, e hoje é comentarista esportivo, é uma das &#8220;crias&#8221; do Onze, e ainda joga todos os domingos por lá. &#8220;Eu comecei aqui na comunidade de Santo Amaro jogando pelo Ramezoni, time de várzea. Depois, o treinador Nereu Pinheiro me chamou para a Seleção Pernambucana, de onde eu acabei saindo para o Náutico e fui seguir minha vida&#8221;, disse ele.

Assim como o ex-jogador, outros destaques também deram seus primeiros piques atrás da bola no Campo do Onze. É o caso do meio-campo Kássio, que jogou pelo União. O atleta teve passagem pelo Sport, e foi campeão da Copa do Brasil de 2008 com o rubro-negro da Ilha do Retiro.

E é justamente por isso que o local se faz tão importante. Mesmo sem um luxo de um gramado perfeito ou o glamour de uma Arena da Copa, o &#8220;terrão&#8221; é acessível para os jovens. Sem portas ou cadeados, é uma tentação para quem quiser jogar. A sedução do campo é uma saída para evitar que os jovens não participem de tráfico de drogas nem cometam crimes. Os valores ensinados no União, por exemplo, além da ocupação do tempo de lazer, soam como um mapa para afastar os mais jovens do caminho da droga e do crime.

&#8220;Eu acho muito importante essa união que se faz aqui de alguns treinadores. Tira muitas crianças das coisas erradas, porque aqui é muito fácil delas saírem para o &#8216;outro&#8217; lado, e mostra que aqui em Santo Amaro tem coisas boas também, não só as ruins&#8221;, disse Rogério, ao ser perguntado sobre a importância da sua &#8216;cancha&#8217; predileta.

<strong>Bola para todos</strong>

<div id="attachment_2540" style="width: 1253px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/11d.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2540" class="size-full wp-image-2540" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/11d.jpg" alt="Foto: Gabriel Albuquerque" width="1243" height="699"></a><p id="caption-attachment-2540" class="wp-caption-text">Foto: Gabriel Albuquerque</p></div>

<strong></strong>Jovens, velhos, altos, baixos, gordos e magros. Todos podem ter acesso a um campo de várzea, e mesmo não sendo um craque, cada toque na bola e cada chute dado são momentos únicos na vida de uma pessoa, seja uma criança ou cinquentão grisalho. São essas emoções que fazem com que um torneio disputado em uma comunidade adquira ares de final de Copa do Mundo. Emoções renovadas toda vez que uma criança se sinta como um profissional e sonhe. Ou toda vez que alguém encontre um amigo para se divertir.

É por isso que os “terrões” devem ser valorizados. Porque não são espaços desperdiçados, ou vazios, são a alma de uma região, de uma comunidade. E o futebol é uma força que pulsa em todos que dependem de um campinho de barro.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/mario.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2536 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/mario.jpg" alt="mario" width="150" height="150"></a>* Mário é estudante de Jornalismo na UFPE, fã de esportes, apaixonado por futebol, rúgbi e futebol americano. É colaborador no site Torcedores.com e repórter esportivo na Folha de Pernambuco. Já trabalhou também no Cabanga Iate Clube de Pernambuco.<p>O post <a href="https://marcozero.org/um-dia-no-campo-do-onze/">Um dia no Campo do Onze</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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