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	<title>Arquivos genero e numero - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos genero e numero - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Trabalho precário de mulheres sustenta indústria do jeans em Toritama</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 May 2023 10:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Adriana Amâncio, em parceria com o site Gênero e Número Desde a década de 1970, a atividade de produção de calçados de couro, até então predominante em Toritama, cidade do agreste de Pernambuco, foi substituída pela produção doméstica de pequenas peças de roupa. Hoje, a base da indústria têxtil da cidade é o Ouro [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Adriana Amâncio, em parceria com o site <a href="https://www.generonumero.media/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gênero e Número</a></strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<p>Desde a década de 1970, a atividade de produção de calçados de couro, até então predominante em Toritama, cidade do agreste de Pernambuco, foi substituída pela produção doméstica de pequenas peças de roupa.</p>



<p>Hoje, a base da indústria têxtil da cidade é o Ouro Azul, nome dado ao jeans. A matéria prima essencial dessa atividade econômica elevou o Produto Interno Bruto (PIB) do município de <a href="https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pe/toritama/panorama" target="_blank" rel="noreferrer noopener">47 mil</a> habitantes, encravado no Semiárido, a <a href="https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pe/toritama/pesquisa/38/47001?tipo=ranking&amp;indicador=47001" target="_blank" rel="noreferrer noopener">R$ 707 milhões</a>, em 2020 &#8211; seis vezes maior que o registrado em 2005. </p>



<p>Em 2017, o setor teve um faturamento de <a href="https://agrestetex.com.br/conheca-o-mercado-de-confeccoes-do-agreste-pernambucano/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">R$ 3,5 bi</a>, segundo a Agreste Tex. Por ano, o Império do Jeans produz 800 milhões de peças e é responsável por <a href="https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/PE/Anexos/RELATORIO-TORITAMA-FINAL.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">15%</a> da produção consumida no Brasil, segundo o Sebrae. </p>



<p>Tudo isso ocorre com uma estrutura básica, que conta essencialmente com as facções, como são chamados os espaços onde se dá a etapa final de produção das peças e onde a força de trabalho é majoritariamente feminina.&nbsp;</p>



<p>Em Pernambuco, de acordo com a PNAD-2015 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), 270 mil pessoas trabalham na indústria da transformação, onde se insere a atividade das costureiras do jeans de Toritama. No setor, três de cada quatro trabalhadores são homens e menos de um terço deles trabalha sem carteira assinada.</p>



<p>Para as mulheres, que representam um quarto da força de trabalho na indústria da transformação do estado, a informalidade predomina: mais da metade das trabalhadoras do setor não tem vínculo por regime de CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).</p>



<p>Em 2021, Toritama registrava 2.265 trabalhadores formais na indústria da transformação, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Na capital do jeans, onde a principal atividade econômica é sustentada por mulheres, elas representam apenas um de cada quatro trabalhadores com direitos no setor.</p>



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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Trabalhar doente</strong>&nbsp;</h2>



<p>Luana Silva, 33 anos, é dona de uma facção no Sítio Oncinha, área rural de Toritama. A costureira responde às solicitações de entrevista com áudios curtos, nos quais é possível ouvir o som do motor da máquina de costura ao fundo. Ela parece estar sempre com pressa e o barulho é persistente, mesmo fora do horário comercial.</p>



<p>“Eu já trabalhei com febre, porque se eu não trabalhar, não sai mercadoria. A gente vem trabalhar doente mesmo, que é para a meta não cair”, dispara Luana, que é mãe e única cuidadora de quatro filhos &#8211; de 19, 13, sete e quatro anos.&nbsp;</p>



<p>“No início dos anos 2000, com a abertura econômica e o discurso neoliberal, começa a ideia de que as pessoas deveriam empreender”, analisa Marilane Teixeira, economista, professora e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais do Instituto de Economia da Unicamp.</p>



<p>É sob o incentivo de organismos multilaterais nos arranjos produtivos locais, especialmente em regiões com mais dificuldades econômicas, como o Nordeste, que o Império do Jeans dá os seus primeiros passos. Esses arranjos produtivos com a embalagem de empreendimentos dão a tônica do comércio do ouro azul.&nbsp;</p>



<p>“Quando dá bom, eu faço mil peças na semana e ganho R$1 mil”, afirma Luana Silva, que não desgruda o olho da meta lançada pelo empresário. Caso ela não consiga cumpri-la, perde o cliente. Na facção de Luana, além de seu filho de 19 anos, Isnaldo, trabalham outras três mulheres contratadas.</p>



<p>Quando começou a trabalhar na indústria do jeans, Luana tinha 10 anos. Em Toritama, é comum que as crianças realizem pequenas atividades de limpeza da peça de roupa. Esses trabalhos, considerados como ajuda, são a porta de entrada para uma longa jornada.&nbsp;</p>



<p>A acessibilidade do serviço, que pode ser realizado em casa, apenas com uma máquina de costura, somada à pouca exigência quanto ao nível de formação, fez da produção do jeans a única alternativa para muitas mulheres. Para Luana, que cursou até o quarto ano do Ensino Fundamental I, a costura é a tábua de salvação.</p>



<p>Entre os trabalhos que as costureiras de Toritama realizam estão colocar bolsos e reatas (alças que ficam no cós da calça por onde o cinto passa), travetar (reforçar a costura da braguilha e em torno dos botões), abrir as casas (abrir os espaços onde se abotoa a calça), colocar vista (pespontar os bolsos laterais e traseiros) e embotar (abrir a ponta do cós da calça e colocar o botão logo acima do zíper).&nbsp;</p>



<p>Por cada uma dessas tarefas paga-se entre R$0,10 e R$0,25. O salário semanal final é o resultado da soma do valor pago por esses serviços ao do valor pago pelo total de peças produzidas. Quem realiza apenas uma ou duas dessas atividades ganha centavos por cada aplicação. </p>



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<p>Ao longo de sete anos, Luana trabalhou em uma fábrica com carteira assinada. Há dez anos, possui a própria facção. Nesse período, ela deu à luz a três filhos. Em todos os casos, voltava à máquina alguns dias depois do parto. No trabalho informal do jeans, ter mais um filho representa a necessidade de mais trabalho para arcar com as novas despesas, o que encurta o tempo do puerpério.</p>



<p>Além de coordenar o espaço e negociar com os empresários, Luana também costura para compor o salário. Ela ganha, por peça, R$ 0,60 com o próprio trabalho, mais R$ 0,40 por cada peça produzida pelas costureiras que usam suas máquinas, o que totaliza R$1 mil por semana. “Eu pego das 7h às 11h, volto às 13h e fico até&nbsp; 17h30. Às terças, quintas e sextas faço serões até meia noite”, conta.</p>



<p>Essa mão de obra intensiva, que catapultou os números em uma cadeia de produção precária, fez com que Toritama se tornasse a capital do jeans. A cidade pode ser considerada um parque fabril a céu aberto. A cada esquina, praticamente em cada casa, há uma facção.&nbsp;</p>



<p>No rio Capibaribe, que corta a cidade, e nos córregos e lagos, a água tem coloração azul. Até as pedras e a vegetação que margeia os cursos hídricos é azulada pelo resíduo da lavagem do jeans, que, em grande parte, não é tratado.</p>



<p>A meta a ser batida dita o ritmo da cidade. De segunda a quinta, motos, carros com carroceria transportam peças em jeans para lá e para cá. A sinfonia das máquinas de costura é entoada por horas, em cada canto da cidade, e se intercala com movimentos repetitivos de mãos e pernas.&nbsp;</p>



<p>Às quintas-feiras, quando acontece a Feira do Jeans, no Parque das Feiras, a cidade é tomada por pessoas de diversas localidades do estado de Pernambuco e do Brasil. O frisson toma conta daqueles que veem nas horas de venda a oportunidade de escoar ao máximo a mercadoria.&nbsp;</p>



<p>Pela cidade, moradores celebram a atividade. O agricultor Gersino Gomes, 75 anos, acredita que a indústria do jeans é um divisor de águas. “Antes, Toritama era uma cidade que o povo passava fome. Agora, homem, mulher, menino tem o seu dinheirinho.<em> [O jeans]</em> é o braço forte da cidade”, arremata.</p>



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	                                        <p class="m-0">Córrego poluído ao lado de uma das lavanderias localizada no centro da cidade. Foto: Arnaldo Sete/GN.</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Trabalho infinito</strong></h3>



<p>Na visão de Marilane Teixeira, o trabalho no jeans não é empreendedorismo. “Empreendedorismo é quando você, a partir da sua&nbsp; criatividade, desenvolve um trabalho e busca mercado. Essas relações não têm nada a ver com empreendedorismo, pois são marcadas pela presença de alguém, que demanda por esse trabalho e estabelece como ele deve ser realizado”, avalia a pesquisadora.</p>



<p>Se a fabricação do jeans se desse em uma linha de produção, as mulheres teriam uma jornada de trabalho com possibilidade de descanso adequado. Quem viveu a maior parte do tempo essa rotina foi Roseane da Silva, 46 anos, que trabalhou durante 29 anos em fábricas. Há um ano, ela possui uma facção no bairro Novo Alvorecer, no centro de Toritama.&nbsp;</p>



<p>“Na fábrica é bom porque ganha mais, mas eu não posso trabalhar porque eu sofri um AVC [Acidente Vascular Cerebral] e não sirvo, porque não dou mais produção. Esse braço meu <em>[aponta o braço direito]</em> não levanta”, comenta a costureira.&nbsp;</p>



<p>Devido a limitação do movimento no braço, um dos membros mais usados na lida com o jeans, Roseane foi descartada como uma peça que deu defeito. Muitos empresários preferem terceirizar o trabalho nas facções, porque o custo é mais barato que o de manter um profissional na linha de produção. Nas facções, os empresários impõem metas curtas para produção de milhares de peças e não precisam barganhar muito para que alguém aceite o desafio.</p>



<p>Hoje, com a sua facção, Roseane trabalha apenas com a produção da frente de calças, durante três dias da semana, trabalho pelo qual recebe R$ 1.300 por mês. Com esse dinheiro, ela sustenta a casa e dois filhos. Há alguns meses, sua filha Doralice Batista, 18 anos, começou a trabalhar com a mãe.</p>



<p>Como a facção fica em frente à casa de Roseane, ela caminha alguns passos até a cozinha, onde o almoço é preparado, enquanto avança na produção do jeans. Em geral, as facções são montadas dentro de casa ou em um local muito próximo. É aí que o trabalho doméstico e o trabalho fabril se misturam, o que torna a jornada ainda mais exaustiva. </p>



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<p>Para Erica Silva, diretora da Mulher de Toritama e autora do trabalho de conclusão de curso (TCC) <a href="https://attena.ufpe.br/bitstream/123456789/42757/4/2-%20TCC%20%c3%89RICA%20MONIQUE-%20AUTODEP%c3%93SITO%20BIBLIOTECA.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“O descosturar da trajetória de mulheres de Toritama”</a>, a atividade permite a conciliação com as tarefas domésticas. “Na verdade, não é uma dupla jornada, as jornadas se unificam, uma vez que acontece tudo ao mesmo tempo”. </p>



<p>“Tem gente que pensa que é fácil porque tem a facção, mas não é. Com o passar do tempo, muda muito o psicológico, esse negócio de bater a meta mexe muito com a mente”, afirma Lidiane da Silva, 37 anos, que está há 27 anos na produção de jeans, três deles dedicados à própria facção.</p>



<p>Segundo Lidiane, ela só não vive mais agitada mentalmente porque não acumula os serviços domésticos. Ela dá uma “ajuda” &#8211; uma quantia em dinheiro &#8211; à sogra para remunerar tarefas como preparo do almoço, limpeza da casa e outros serviços domésticos.&nbsp;</p>



<p>“Eu me acho fraca para dar conta da produção do jeans e ainda cuidar da casa, entende? Hoje, faço mais serviço doméstico durante o fim de semana”, explica Lidiane.&nbsp;</p>



<p>A meta a ser cumprida transforma a vida das mulheres do jeans em um eterno presente, já que o mais importante é ganhar o sustento no dia a dia. É assim que o trabalho na fabricação do jeans e o serviço doméstico convergem como atividades infinitas, que têm hora para começar, mas não têm hora para acabar.&nbsp;</p>



<p>Em Toritama, é comum que as mulheres tenham uma máquina de costura em casa para realizar pequenos reparos. A experiência anterior com a costura de peças em couro também contribuiu para a predominância delas na indústria do jeans. Tudo isso é reforçado pela falta de ofertas de outros postos de trabalho e a baixa escolaridade. “Só tem isso, por isso tem que trabalhar no jeans”, afirma Larissa Carla da Silva* (nome fictício), 58 anos, que trabalha há 28 no setor.&nbsp;</p>



<p>A jornada de Larissa, que está prestes a se aposentar na categoria atividade agrícola, começa às 8h e vai até as 17h. Em dias de serão, ela segue até as 21h. Ela pediu para não ser identificada na reportagem por medo de que isso comprometesse o avanço do processo de concessão da sua aposentadoria.&nbsp;</p>



<p>Luana Barbosa, 23 anos, filha de Larissa, nasceu em meio ao ruído persistente das máquinas e há um ano se rendeu à produção do jeans. Hoje, ela sustenta a filha de um ano pregando reatas. Por cada peça, ela ganha R$ 0,16. “É bom! Só tem isso para fazer, não tem emprego em outra área, então a gente se acostuma”, declara resignada, após um longo suspiro.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ao longo da pesquisa de campo, Erica Silva, entrevistou diversas costureiras e afirma que a frustração é um sentimento comum entre elas. “A gente encontra mulheres frustradas porque tiveram que escolher entre a família e o trabalho, nesse caso, a costura, que é o que dá para conciliar com o trabalho doméstico. Frustradas por não terem concluído os estudos, que ficou no cantinho dos sonhos”, comenta.</p>



<p>Elaine da Silva, 38 anos, tem três filhos e trabalha na facção de Lidiane da Silva. Vítima de depressão pós-parto e de violência psicológica em casa, ela afirma com convicção: “Eu prefiro estar aqui <em>[na facção]</em> do que em casa. Em casa eu não tenho paz. Na facção, o tempo passa sem eu perceber”, afirma. </p>



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	                                        <p class="m-0">Lidiane Patrícia fundou sua própria facção, mas chega a trabaljar 14 horas por dia. Foto: Arnaldo Sete/GN.</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Adoecer de trabalho</strong></h3>



<p>Muitas das costureiras do jeans em Toritama, com menos de 40 anos, convivem com dores na coluna, na cabeça e nas pernas que tornam o trabalho cada dia mais inviável.&nbsp;</p>



<p>A médica e pesquisadora em Saúde Ocupacional da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), de São Paulo, Maria Maeno, alerta para a insalubridade do ambiente de trabalho dessas mulheres.&nbsp;</p>



<p>“O trabalho com o tecido gera poeira, que as prejudica. Elas fazem muitos movimentos com as mãos e passam muito tempo sentadas, além de perseguirem a meta, o que mexe com o psicológico. Essas mulheres são extremamente sobrecarregadas física e psiquicamente”, Maeno.</p>



<p>“O que eu mais sinto doer é a coluna, a cabeça e as pernas. Sinto muita dor nas pernas por causa do movimento na máquina”, reclama Luana Barbosa, que começou a trabalhar na indústria do jeans aos sete anos e já acumula 16 anos de trabalho. “Eu peço para ter saúde e continuar trabalhando no jeans. E que não mude a função <em>[atividade econômica]</em>, porque se aparecer uma coisa que tenha que ter estudo, não sei como vai ser”, afirma com temor.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Pulverização da demanda dificulta controle&nbsp;</strong></h4>



<p>Procurado pela reportagem, o Ministério Público do Trabalho de Pernambuco (MPT-PE), afirma que realiza forças-tarefa na indústria têxtil de Toritama. Grande parte dessas ações se concentram nas lavanderias, onde já ocorreram acidentes e onde há necessidade de regularizar as condições de segurança. A reportagem visitou alguns desses espaços e viu que essa etapa é uma das que conta com menos participação das mulheres.&nbsp;</p>



<p>Já na linha de produção, a procuradora do MPT-PE, Vanessa Patriota, afirma que foram feitos levantamentos com base em visitas realizadas a cerca de 150 facções. A ação resultou em um mapeamento que, dentre outros problemas, constatou que, além de viver em condição de trabalho intensivo, essas mulheres não possuem acesso à creche, o que torna obrigatória a montagem da facção na própria casa.</p>



<p>De acordo com Vanessa, há uma grande pulverização da demanda do serviço nas facções, o que dificulta ações de regulamentação. “Em Santa Catarina, as facções atendiam a lojas como Renner e Riachuelo, que inclusive já foram ajuizadas por excessos na forma de demandar o trabalho. Em Toritama, as facções atendem pessoas físicas, jurídicas e pequenos comerciantes que vendem na Feira do Jeans. É preciso fazer um mapeamento para identificar essa parte da cadeia”, explica.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Arnaldo Sete/GN.</p>
	                
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		<title>Bancada feminina eleita para o Congresso reflete polarização política</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Nov 2018 08:21:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Maria Martha Bruno e Marília Ferrari* As deputadas federais e senadoras eleitas para o Congresso Nacional formarão uma bancada segmentada e heterogênea no governo de Jair Bolsonaro (PSL). Elas vão reproduzir a diversidade de interesses políticos que norteiam o país e a polarização transmitida pelos eleitores nas urnas – 57,8 milhões a favor do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wpb_text_column wpb_content_element ">
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<h3 style="font-weight: inherit; font-style: inherit; color: #282828;"><strong style="font-weight: bold; font-style: inherit;">Por Maria Martha Bruno e Marília Ferrari*</strong></h3>
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<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit;"><span style="font-style: inherit;"><span class="dropcap-shortcode is-default" style="font-weight: inherit; font-style: inherit;"><a href="http://www.marcozero.org/adalgisas"><img decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-10049" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/08/adalgisasabertura.jpg" alt="adalgisasabertura" width="150" height="100"></a>A</span>s deputadas federais e senadoras eleitas para o Congresso Nacional formarão uma bancada segmentada e heterogênea no governo de Jair Bolsonaro (PSL). Elas vão reproduzir a diversidade de interesses políticos que norteiam o país e a polarização transmitida pelos eleitores nas urnas – 57,8 milhões a favor do presidente eleito, 47 milhões com Fernando Haddad (PT) e 31 milhões que se abstiveram ou votaram em branco ou nulo.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit;"><span style="font-style: inherit;">A</span><b style="font-weight: bold;">Gênero e Número</b><span style="font-style: inherit;">mapeou</span><span style="font-style: inherit;">a nova composição do Legislativo Nacional, destacando o crescimento de 50% da bancada feminina na Câmara Federal, em relação às eleitas em 2014. Dessa vez, conhecemos mais de perto o posicionamento político das mulheres da próxima Legislatura. Levantamento realizado com base nas postagens das páginas oficiais das parlamentares eleitas no Facebook, mostra que, até a reta final do segundo turno, 23 deputadas declararam apoio a Bolsonaro e 22 estiveram ao lado de Haddad, enquanto as 32 restantes não explicitaram voto. No Senado, quatro das novas parlamentares fazem parte deste grupo, enquanto duas são apoiadoras de Bolsonaro e uma de Haddad. <a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/bancadafem29102.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-11862" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/bancadafem29102-840x1024.jpg" alt="bancadafem29102" width="702" height="855"></a> <span style="font-style: inherit;"> “Há deputadas e senadoras eleitas que vão ajudar os homens a combater as mulheres”. Esse é o diagnóstico de uma assessora especializada em pautas sobre mulheres no Congresso Nacional, que pediu anonimato. Pelo perfil das 77 parlamentares da Câmara, ela acredita que a agenda feminista será deixada de lado e a luta principal das deputadas da oposição será pela manutenção de direitos já adquiridos. “O discurso conservador antigênero cresceu absurdamente. Há muitas parlamentares contrárias ao feminismo e que pretendem combater</span><span style="font-style: inherit;">a chamada ‘ideologia de gênero’</span><span style="font-style: inherit;">”, diz ela.</span> </span></p>
<p><span style="font-style: inherit;">Entre elas, estão não apenas as nove eleitas pelo PSL de Bolsonaro (o PT é maioria na bancada, com dez parlamentares), como 14 membros de outros partidos, como Flordelis (PSD), deputada mais votada do Rio de Janeiro, com 196 mil votos. A cantora gospel e pastora evangélica combateu a suposta “ideologia de gênero” em sua plataforma de campanha. A defesa da “família”, entendida como a formada por um casal heterossexual e cristão, e do</span><span style="font-style: inherit;">projeto “Escola Sem Partido”</span><span style="font-style: inherit;">também estão no radar das deputadas que vão compor a bancada governista. Direitos reprodutivos e pautas LGBT, por outro lado, são algumas das bandeiras das oposicionistas.</span> <a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/senado.jpeg"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-11861 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/senado-821x1024.jpeg" alt="senado" width="702" height="875"></a></p>
<h3>Mais visibilidade para a bancada, mas pouco em comum entre ela</h3>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit;">Eleita para seu segundo mandato, Geovania de Sá (PSDB/SC) acredita que o combate à violência contra as mulheres será a pauta suprapartidária na próxima legislatura. “Devemos nos concentrar na busca por mais rigor na punição dos crimes de estupro e do abuso sexual em transporte público”, afirma. Apoiadora de Bolsonaro, a parlamentar, no entanto, é cautelosa em relação a algumas das propostas do próximo presidente. “A flexibilização do porte de armas precisa ser muito bem estudada. O cidadão realmente não pode ficar à mercê do bandido que está armado. Mas esta é a única solução?”, questiona. Também na contramão de Bolsonaro, Geovania votou a favor da PEC das Domésticas em 2013. “Lembro a todos que sou contrária a tudo que tira direitos já adquiridos pelo trabalhador”, ressalta.</p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit;">Estreante na Câmara dos Deputados, Talíria Petrone (PSOL/RJ) também acredita que o enfrentamento da violência contra as mulheres possa ser uma pauta comum à bancada feminina. Mas é cética ao buscar outros pontos de união com as colegas governistas. “Confesso que, nesse momento de tantos retrocessos democráticos, acho muito pouco provável, para não dizer inviável, a possibilidade de alguma pauta em comum com deputadas que defendem Bolsonaro. Afinal, isso é defender a permanência das tantas desigualdades de gênero que nos acometem”, analisa.</p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit;">Por outro lado, Petrone pretende buscar as deputadas que não se pronunciaram a favor do presidente eleito, a fim de impulsionar a formação de uma frente democrática para os próximos quatro anos. Alguns critérios, porém, pontuarão o diálogo com estas colegas de parlamento: “É fundamental que a gente não dê nenhum passo atrás. A representatividade é muito importante, mas tem limites se não vier acompanhada de propostas reais para enfrentar as históricas desigualdades de gênero”. Carolina de Paula, cientista política do Iesp-Uerj (Instituto de Estudos Sociais e Políticos), lembra que muitas parlamentares eleitas foram impulsionadas pelo voto em Jair Bolsonaro e não por uma agenda ligada às mulheres.</p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit;">“Durante a campanha, várias candidatas até destacaram o fato de serem mulheres, mas não se propuseram a promover uma agenda para as mulheres em seus mandatos”, diz de Paula. Ela acredita que um saldo positivo da bancada feminina na Câmara Federal será o aumento da visibilidade de seu trabalho, já que a quantidade de deputadas será maior. “Esse crescimento de 50% em relação ao número de eleitas em 2014 pode elevar a repercussão do trabalho delas, já que a cobertura das mulheres no Legislativo costuma ser menor que a dos homens”, conclui.</p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit;"><em><strong>*</strong></em><em><strong>Maria Martha Bruno é subeditora e Marília Ferrari é infografista da Gênero e Número.</strong></em></p>
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		<title>Câmara dos Deputados terá menos homens brancos e mais mulheres brancas, negras e 1ª indígena</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Oct 2018 20:31:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara dos Deputados]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2018]]></category>
		<category><![CDATA[genero e numero]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
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		<category><![CDATA[Senado Federal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Câmara terá 50% mais mulheres no próximo ano do que as que elegeu em 2014, e entre elas estão muitas abertamente feministas, a primeira indígena a chegar ao Congresso Nacional e cinco mulheres pretas; PT e PSL, maiores bancadas eleitas, também são os partidos com mais mulheres. Por Carolina de Assis e Natalia Leão* Da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wpb_text_column wpb_content_element ">
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<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit;"><em style="font-weight: inherit;">Câmara terá 50% mais mulheres no próximo ano do que as que elegeu em 2014, e entre elas estão muitas abertamente feministas, a primeira indígena a chegar ao Congresso Nacional e cinco mulheres pretas; PT e PSL, maiores bancadas eleitas, também são os partidos com mais mulheres.</em></p>
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<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit;"><strong style="font-style: inherit;">Por Carolina de Assis e Natalia Leão*<br />
Da Gênero e Número</strong></p>
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<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit;"><span style="font-style: inherit;"><span class="dropcap-shortcode is-default" style="font-weight: inherit; font-style: inherit;">U</span>m avanço para as mulheres na Câmara dos Deputados: em 2019, haverá 50% mais mulheres na casa do que havia em 2015. No pleito realizado neste domingo (07/10), foram eleitas 77 deputadas federais, 26 a mais do que em 2014. Aumentou o número de negras – de 10 para 13 – e de brancas – 41 para 63 -, e Roraima elegeu a primeira mulher indígena para o Congresso Nacional: Joenia Wapichana, da Rede.</span></p>
<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit;"><span style="font-style: inherit;">Para que mais mulheres ocupem o espaço que lhes cabe na Câmara dos Deputados, menos homens precisam ser eleitos. E foi o que aconteceu neste domingo: 436 homens foram eleitos, enquanto em 2014 foram 462. Mas nem todos os grupos de homens perderam. Enquanto o número de deputados negros passou de 93 em 2014 para 113 em 2018, e dois deputados amarelos foram eleitos neste ano, o número de homens brancos eleitos para a Câmara caiu de 369 para 321.</span></p>
<div class="flourish-embed" data-src="visualisation/119390"></div>
<p><script src="https://public.flourish.studio/resources/embed.js"></script></p>
</div>
<p><span style="font-style: inherit;">Clara Araújo, cientista política e professora da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), avalia que vários fatores contribuíram para este aumento no número de mulheres na Câmara. O primeiro deles é o fato de estas serem eleições “atípicas”, que ocorridas em meio a uma significativa mudança no quadro político brasileiro que vem se configurando nos últimos anos. Segundo ela, em todo o mundo, são em contextos de “guinada” política que as mulheres costumam avançar no Parlamento.</span></p>
<p><span style="font-style: inherit;">Outro fator é que as mulheres conquistaram em 2018 o direito de acessar proporcionalmente à sua representatividade no total de candidaturas os recursos eleitorais de seus partidos, como determinaram o STF (Supremo Tribunal Federal) e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na primeira metade deste ano. Junto com a lei de cotas, que determina o mínimo de 30% de candidatos de cada gênero nas listas de candidaturas proporcionais, “isso obriga os partidos a tentar priorizar de alguma forma mulheres que tenham mais chance [de serem eleitas] e a distribuir o financiamento. Temos vários estudos mostrando o efeito do dinheiro sobre as chances eleitorais”, disse ela à</span><b>Gênero e Número</b><span style="font-style: inherit;">.</span></p>
<p>O pleito de 2018 também trouxe com força o discurso de “fora todos”, o que levou a uma demanda por candidatas e candidatos “outsiders”, pessoas que até então estavam fora da política tradicional. Houve também o papel preponderante das redes sociais, especialmente do WhatsApp, como veículo de propaganda política nestas eleições e que exige recursos menores do que as campanhas que se baseavam no horário eleitoral televisivo, por exemplo.  <span style="font-style: inherit;">Clara Araújo, cientista política e professora da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), avalia que vários fatores contribuíram para este aumento no número de mulheres na Câmara.</span></p>
<p>O primeiro deles é o fato de estas serem eleições “atípicas”, que ocorridas em meio a uma significativa mudança no quadro político brasileiro que vem se configurando nos últimos anos. Segundo ela, em todo o mundo, são em contextos de “guinada” política que as mulheres costumam avançar no Parlamento.</p>
<p>Outro fator é que as mulheres conquistaram em 2018 o direito de acessar proporcionalmente à sua representatividade no total de candidaturas os recursos eleitorais de seus partidos, como determinaram o STF (Supremo Tribunal Federal) e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na primeira metade deste ano. Junto com a lei de cotas, que determina o mínimo de 30% de candidatos de cada gênero nas listas de candidaturas proporcionais, “isso obriga os partidos a tentar priorizar de alguma forma mulheres que tenham mais chance [de serem eleitas] e a distribuir o financiamento.</p>
<p>Temos vários estudos mostrando o efeito do dinheiro sobre as chances eleitorais”, disse ela à<b>Gênero e Número</b>. O pleito de 2018 também trouxe com força o discurso de “fora todos”, o que levou a uma demanda por candidatas e candidatos “outsiders”, pessoas que até então estavam fora da política tradicional. Houve também o papel preponderante das redes sociais, especialmente do WhatsApp, como veículo de propaganda política nestas eleições e que exige recursos menores do que as campanhas que se baseavam no horário eleitoral televisivo, por exemplo.São Paulo e Rio de Janeiro são os Estados que mais elegeram mulheres para a Câmara: 11 e 10, respectivamente. Sâmia Bomfim, do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), é uma das deputadas federais eleitas por São Paulo. Eleita vereadora na capital paulista em 2016, ela constrói sua atuação política e baseou sua campanha em seu ativismo feminista.</p>
<p>“Esse crescimento tem a ver com o fortalecimento do movimento feminista nas ruas”, disse ela à<b>Gênero e Número</b>. “Em 2018, se aprofundou a luta feminista no Brasil e no mundo. Esse processo eleitoral foi muito marcado pela disputa do #EleNão, que foi protagonizado essencialmente por mulheres. Então felizmente isso teve um reflexo eleitoral. Se hoje temos uma popularização no Brasil, com certeza é do feminismo contra o fascismo, e isso teve resultado nas eleições.”</p>
<p>O PT (Partido dos Trabalhadores), que ficou com a maior bancada na Câmara, também foi o que mais elegeu mulheres: são 10 deputadas entre as 56 cadeiras que o partido conquistou. Em seguida vêm o PSL (Partido Social Liberal), do candidato presidencial Jair Bolsonaro, com nove mulheres e a segunda maior bancada na casa (52), e o PSDB, com 29 cadeiras, oito delas ocupadas por mulheres.</p>
<p><div id="attachment_11146" style="width: 970px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11146" class="wp-image-11146 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/samia2.jpg" alt="Sâmia Bomfim (PSOL/SP) será uma das cinco deputadas federais de seu partido na próxima legislatura. Foto: Divulgação" width="960" height="640"><p id="caption-attachment-11146" class="wp-caption-text">Sâmia Bomfim (PSOL/SP) será uma das cinco deputadas federais de seu partido na próxima legislatura. Foto: Divulgação</p></div></p>
<p>A pesquisadora Araújo também aponta que essa configuração indica uma polarização entre as mulheres na Câmara dos Deputados na próxima legislatura. As esquerdas têm tradição em investir em candidaturas de mulheres e em elegê-las, e a novidade é o número significativo de mulheres em partidos de direita, como o PSL. A professora da UERJ rejeita “ideia de que as mulheres são essencialmente anticonservadoras”. “Pelo contrário”, disse Araújo.</p>
<p>“Uma das pautas dessas candidaturas [de direita] é a agenda conservadora. O discurso falso de que a esquerda desestabiliza a família, a misoginia… Em torno dessa composição moral acho que vai se dar o grande desafio, ao lado de outras agendas que também terão impactos sobre as mulheres, como a reforma trabalhista. Acho que vem uma agenda conservadora bem pesada nesse sentido”, afirmou.</p>
<p>O PSOL, de esquerda, terá 11 cadeiras na Câmara dos Deputados na próxima legislatura, cinco delas ocupadas por mulheres. Além de Sâmia Bomfim (SP), as novatas Talíria Petrone (RJ), Áurea Carolina (MG), Fernanda Melchionne (RS) e a veterana Luiza Erundina (SP) estarão na Câmara a partir do ano que vem. Petrone e Carolina são duas das cinco mulheres pretas eleitas para a Câmara em 2018.</p>
<p>“Depois da execução da nossa companheira Marielle Franco, o sentimento que fica entre todas nós é a necessidade de fortalecer cada vez mais a candidaturas de mulheres negras. As estruturas partidárias não as acolhem como deveriam e a sociedade, de maneira geral, as coloca em lugares mais difíceis para conseguir superar tudo e se tornar uma deputada”, disse Bomfim. “Ainda falta muito para a gente avançar e ter mais participação de mulheres negras nas instituições, mas é de se comemorar que não tivemos retrocesso no número de mulheres negras eleitas e de eleger mulheres que são símbolos da resistência e que fazem parte do legado de Marielle.”</p>
<h2>Sem mudanças no Senado</h2>
<p><span style="font-style: inherit;">Se as mulheres passaram de 9% para 15% na Câmara dos Deputados entre 2014 e 2018, no Senado elas continuam no patamar de 16% que estavam antes destas eleições. Em 2019, elas continuam sendo 13 dos 81 senadores. Entre elas, nenhuma preta, mas 11 brancas e duas pardas – uma delas, Eliziane Gama (PPS-MA) eleita neste domingo, enquanto a outra, Fátima Bezerra (PT-RN), foi eleita em 2014 e cumpre a partir de 2019 a segunda metade do mandato de oito anos. Entre os homens, há 15 negros (três pretos e 12 pardos) e 53 homens brancos.</span></p>
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<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit;"><span style="font-style: inherit;">A configuração do Senado ainda pode mudar depois do segundo turno das eleições: Bezerra e Antonio Anastasia (PSDB-MG) disputam o governo de seus Estados e estão no segundo turno da disputa. Caso vençam, assumem seus suplentes, e o Senado perde uma das duas mulheres pardas da casa e ganha mais dois homens brancos: Jean-Paul Terra Prates, primeiro suplente de Bezerra, e Alexandre Silveira, que substituiria Anastasia.</span></p>
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<p style="font-weight: inherit; font-style: inherit;">*Carolina de Assis é editora e Natália Leão é analista de dados da<strong style="font-style: inherit;">Gênero e Número.</strong>Colaborou Vitória Régia da Silva, repórter da<strong style="font-style: inherit;">Gênero e Número</strong>.</p>
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		<title>Donas de casa que tiveram 1 ou 2 votos em 2016 reaparecem como candidatas neste ano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Sep 2018 12:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[adalgisas]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2018]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao analisar bases de dados do TSE de candidatos de 2016 e 2018, é possível observar evidências de uso reincidente de candidatas laranjas; grupo das donas de casa candidatas cresceu desde que passou a valer a lei que determina cota mínima de candidatura por gênero Por Giulliana Bianconi e José Lery*, da Gênero e Número [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://marcozero.org/projetoadalgisas"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-10049 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/08/adalgisasabertura.jpg" alt="adalgisasabertura" width="150" height="100"></a>Ao analisar bases de dados do TSE de candidatos de 2016 e 2018, é possível observar evidências de uso reincidente de candidatas laranjas; grupo das donas de casa candidatas cresceu desde que passou a valer a lei que determina cota mínima de candidatura por gênero</em></p>
<p><strong>Por Giulliana Bianconi e José Lery*, da <a href="http://www.generonumero.media/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Gênero e Número</a></strong></p>
<p>Em Limoeiro, no agreste de Pernambuco, a dona de casa K.M.C* foi candidata a vereadora em 2016 pelo PR (Partido da República). Obteve somente dois votos, sendo a terceira menos votada na cidade. Mesmo com o resultado pífio, ela agora é candidata a deputada federal, como mostram os registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acessados pela Gênero e Número. Também com apenas dois votos em 2016, a candidata B.L*, do PMN, ficou totalmente à margem da disputa por uma cadeira na Câmara Municipal de Araguari (MG), tendo terminado em 227º numa lista de 235 candidatos à vereança. Agora, vai concorrer como deputada federal. Já em Cruzeiro do Sul (AC), I.F.S* amargou um voto nas eleições passadas, quando esteve registrada como candidata a vereadora pelo PC, e nestas eleições aparece como candidata a deputada estadual.</p>
<p>K.M.C, no Nordeste, B.L, no Sudeste e I.F.S no Norte fazem parte do “fenômeno dona de casa”, observado em todas as regiões desde as eleições de 2010, quando passou a ser obrigatório aos partidos cumprirem cota mínima de 30% de candidatas. E são evidências, mesmo antes do resultado das eleições 2018, de que os partidos seguem praticando a inscrição de candidatas que não têm nenhuma conexão com a vida política ou com uma candidatura real. São as chamadas laranjas, que entram para cumprir cota.</p>
<p>No grupo analisado pela <strong>Gênero e Número</strong>, o das donas de casa, é possível ver como a presença dessas candidatas nas eleições gerais saltou justamente a partir de 2010 (ver na imagem abaixo). Mesmo com a queda que é possível perceber das eleições anteriores para esta, a proporção de donas de casa em 2018 ainda representa quase o dobro do que foi observado em 2006. <a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/graficoGN1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-10379 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/graficoGN1-1024x714.png" alt="graficoGN1" width="702" height="489"></a> Quando se filtram os cargos, percebe-se que em alguns anos, a partir de 2010, a proporção de donas de casa é maior para deputada estadual ou federal (onde a lei incide, justamente na disputa de cargos proporcionais) do que quando analisado o cenário de todos os cargos em disputa.</p>
<h2>Existem: donas de casa com eleitores</h2>
<p>Nem só de votação inexpressiva são feitos os registros das donas de casa no TSE. Embora elas não tenham histórico de sucesso em grande proporção nas urnas – desde 2002, foram eleitas somente quatro mulheres que declararam essa ocupação -, há donas de casa que arrebatam centenas de eleitores, a exemplo de Socorro da Madre Teresa, que em 2016, candidata a vereadora de Teresina (PI) pelo PPS, somou 1.691 votos e ficou em 69º lugar, 40 posições atrás do último eleito. Neste ano, ela saiu candidata ao Congresso, como deputada federal. Embora não haja qualquer indício de que Socorro da Madre Teresa possa ter uma campanha competitiva para chegar em Brasília, é possível encontrar vídeos de campanhas em 2016 que atestam a movimentação política de sua candidatura.</p>
<h3>Veja todas as ocupações, de 2002 a 2018, por gênero, cargo e partido</h3>
<div id="viz1536123414015" class="tableauPlaceholder" style="position: relative;"><noscript><a href='#'><img alt='Visualização 2 ' src='https:&#47;&#47;public.tableau.com&#47;static&#47;images&#47;Do&#47;DonasdeCasanasEleies&#47;Visualizao2&#47;1_rss.png' style='border: none' /></a></noscript><object style="display: none;" class="tableauViz" width="300" height="150"><param name="host_url" value="https%3A%2F%2Fpublic.tableau.com%2F"><param name="embed_code_version" value="3"><param name="site_root" value=""><param name="name" value="DonasdeCasanasEleies/Visualizao2"><param name="tabs" value="no"><param name="toolbar" value="yes"><param name="static_image" value="https://public.tableau.com/static/images/Do/DonasdeCasanasEleies/Visualizao2/1.png"><param name="animate_transition" value="yes"><param name="display_static_image" value="yes"><param name="display_spinner" value="yes"><param name="display_overlay" value="yes"><param name="display_count" value="yes"></object></p>
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<div style="font-weight: inherit; font-style: inherit;"><em style="font-weight: inherit;">*A<strong style="font-style: inherit;">Gênero e Número</strong>optou por não expor os nomes das mulheres identificadas nesse levantamento por avaliar que a exposição pode deixá-las ainda mais vulneráveis nessa estrutura com relações de poder tão assimétricas.</em></div>
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<p class="selectionShareable" style="font-weight: inherit; font-style: inherit;"><strong style="font-style: inherit;">*Giulliana Bianconi</strong>é jornalista e codiretora da<strong style="font-style: inherit;">Gênero e Número</strong>.</p>
<p class="selectionShareable" style="font-weight: inherit; font-style: inherit;"><strong style="font-style: inherit;">*José Lery</strong>é engenheiro e analista de dados da<strong style="font-style: inherit;">Gênero e Número</strong>.</p>
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