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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 24 Aug 2022 17:39:33 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Autonomia da mulher cega: uma dura conquista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2022 16:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>* Por Géssika Costa (Olhos Jornalismo) e Wanessa Oliveira (Mídia Caeté) Reportagem especial feita colaborativamente pela Olhos Jornalismo e Mídia Caeté, dentro do projeto Acessibilidade Jornalística: o problema que ninguém vê, vencedor do Desafio de Inovação do Google News Initiative (GNI) de 2021, revela o duplo desafio das mulheres cegas para garantir espaço na sociedade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>* <strong>Por Géssika Costa (Olhos Jornalismo) e Wanessa Oliveira (Mídia Caeté)</strong></p>



<p><em>Reportagem especial feita colaborativamente pela Olhos Jornalismo e Mídia Caeté, dentro do projeto <strong>Acessibilidade Jornalística: o problema que ninguém vê</strong>, vencedor do Desafio de Inovação do Google News Initiative (GNI) de 2021, revela o duplo desafio das mulheres cegas para garantir espaço na sociedade</em></p>



<p>Preparar um café da manhã, pegar um ônibus, morar sozinha.&nbsp; Quando se trata da busca por autonomia para mulheres cegas e com baixa visão, o tamanho do passo é bem particular para cada uma. Ao mesmo tempo, os problemas sociais enfrentados, do capacitismo à falta de acessibilidade, das imposições colocadas para pessoas com deficiência visual àquelas que atravessam também questões de gênero: há ainda muitos desafios para&nbsp; que a autonomia aconteça.&nbsp;</p>



<p>É nos palcos da vida que a cantora Malta Lee verdadeiramente&nbsp; se encontra. Quem olha de longe não imagina os caminhos que ela teve que percorrer e as questões que ainda enfrenta para alcançar espaços que são dela por direito. Sair de casa, ir à faculdade,&nbsp; se locomover pela cidade ou até mesmo convencer os familiares de que o cuidado em excesso reproduz capacitismo foram algumas das inúmeras barreiras quebradas desde que recebeu o diagnóstico de baixa visão.</p>



<p>Mesmo com a ampliação dos debates, mulheres sem deficiência ainda lidam, em seu cotidiano, com problemas estruturais: diferença salarial, violência sexual, feminício, divisão do trabalho em casa, baixa repersentatividade na política. Fatores que dificultam a busca por igualdade social e direito à existência plena. Essa realidade é ainda mais complicada na vida para mulheres cegas ou com baixa visão, como é o caso de Malta.</p>



<p>A cantora de pop rock teve que se adaptar após receber o diagnóstico de visão monocular. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a visão monocular ou subnormal é caracterizada quando a pessoa tem visão igual ou inferior a 20%. Diante do diagnóstico, em 2015, inúmeras foram as transformações em sua vida. Na verdade, não só na sua, mas também de seus familiares, que também precisaram reaprender a lidar com a situação, não confundindo o cuidado com o cerceamento de suas escolhas e seus espaços.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/Malta-Lee-1024x484.jpg" alt="Fotografia mostra a cantora Malta Lee, uma mulher afro-indígena de cabelos lisos, negros, e curtos. Ela veste uma camisa preta e está sentada em uma cadeira de alumínio com uma mesa que tem café. O café fica dentro da rodoviária de Maceió que aparece ao fundo." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Foto: Wanessa Oliveira /Mídia Caeté</p>
	                
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<p>No entanto, a defesa de sua autonomia sobre a vida&nbsp; e seus desejos enquanto mulher adulta, independente e emancipada, precisaram começar por ela mesma. De 2015 até 2019, Malta passou a maior parte da vida em casa, sem interação social. Era como se sua história tivesse dado uma pausa. Não sabia acessar às tecnologias assistivas, usar o celular ou trabalhar utilizando o computador. Só a partir de 2019, quando começou a frequentar a Escola de Cegos Cyro Acioly, no Centro de Maceió, sua trajetória mudou.</p>



<p>“Minha mãe não demonstra muito os sentimentos, mas sei que ela fica muito preocupada. Querendo tomar decisões e eu falo: ‘não é assim’. Depois ela fala uma coisa e diz ‘aí você vê depois o que você quer’.&nbsp; Quando passei a ir na Cyro Acioli, com transporte de pegar e levar, costumo dizer que fui <em>desembestando</em> pelo mundo, mas a sensação que tive é que inconscientemente não estavam aceitando as decisões. Até pra fazer a inscrição na Cyro, tive que ir só”, relembra a cantora que também é social mídia e estudante de psicologia da Universidade Federal de Alagoas, (Ufal).</p>



<p>A psicóloga Mariana Verçosa, especializada em Saúde Mental pela Universidade Tiradentes, conta que os pais ou familiares têm papel crucial para garantir o acesso à autonomia ou colaborar negativamente para as pessoas com deficiência vivam, de certo modo, enclausuradas, não emancipadas e com pouco convívio social.&nbsp;</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/Mariana-Vercosa-psicologa-576x1024.jpg" alt="Fotografia mostra a psicóloga Mariana Verçosa, uma mulher negra, de cabelos encaracolados e batom na cor vinho, que usa uma camisa com a estampa de flores e sorri para a foto." class="" loading="lazy" width="238">
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
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<p>&nbsp;“O problema dos pais nesse tipo de&nbsp; atitude se expressa em vários sentidos, mas o maior deles é a&nbsp; infantilização. Os pais já são a primeira referência. Então as falas, as atitudes&nbsp; dos pais vão reverberar e influenciar de algum modo na vida dessas filhas, na vida dessas mulheres cegas. Primeiro através&nbsp; das próprias palavras, dos próprios termos ditos. Como: está na hora da sopinha, está na hora da comidinha, essa é a sua roupinha, vamos escolher o penteadinho pra você ficar bonitinha”, exemplifica a psicóloga.</p>



<p>Ainda que possam agir de forma inconsciente, alguns pais, familiares e até amigos de pessoas com os mais variados tipos de deficiência podem colocar as PCDs em situações constrangedoras. E isso pode ocorrer por diversas maneiras: seja invadindo sua privacidade, protegendo exageradamente mesmo depois da filha virar adulta, fazendo chantagens emocionais e tentando controlar cada passo. Eles também se sentem no direito de opinar sobre tudo. Ao exagerarem na superproteção e até mesmo no autoritarismo, esse tipo de laço acaba impactando principalmente a vida da mulher com deficiência. Os 3 “as” &#8211; autoestima, autoconfiança e autonomia são duramente afetados.&nbsp;</p>



<p>“Quando a guarda passa a ser excessiva, quando cuidado passa a ser excessivo, intenso e sufocador, esse tipo de comportamento, de conduta dos pais se deve basicamente a dois pontos, dois pontos principais: o primeiro deles é o despreparo e o desconhecimento relação a suas filhas que, apesar dessas mulheres serem cegas, são pessoas. Então, é muito importante&nbsp; que possa, de alguma forma, existir suporte adequado também para esses pais, a fim de que eles entendam que filhos e filhas com deficiência são pessoas que vão ter sua jornada, suas histórias, suas escolhas e precisam ser respeitadas. Não é a filha com deficiência, não é a deficiência. Não é a mulher cega. Não é a cegueira. É uma pessoa”, defende a profissional.</p>



<p>É justamente esse tipo de cuidado em excesso que a professora adjunta no Departamento de Antropologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutora em Antropologia Cultural pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFJR) Olivia Von Der Weid abordou em dos seus artigos intitulado: “<a href="https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaanthropologicas/article/view/238992" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Entre o cuidado e a autonomia: deficiência visual e relações de ajuda”.&nbsp;</a></p>



<p><em>As relações de cuidado e ajuda nas interações entre deficiência e não deficiência são tanto antídoto quanto veneno: podem ampliar a capacidade de agência dos sujeitos por meio do reconhecimento da interdependência como também podem servir para perpetuar a lógica perversa de dominação e exclusão que, na cegueira, se constrói pela imobilização dos corpos. Em português, a própria palavra cuidado, dependendo do uso em que é empregada, carrega a ambiguidade entre dependência e autonomia uma vez que remete tanto à ideia de ser atencioso com o outro quanto à dimensão do risco (&#8230;)</em></p>



<p>Risco parece ser uma palavra constante nessa busca pela autonomia como mulher cega ou com baixa visão.&nbsp; De acordo com estudo feito pelo estudo do Fundo de Populações da Nações Unidas (UNFPA), de 40% a 68% das mulheres com deficiência sofrerão violência sexual antes dos 18 anos.&nbsp; Malta Lee perdeu as contas de quantas vezes já ficou suscetível à violência por ser mulher e ter baixa visão. Para ela, é como se a vulnerabilidade enquanto PCD duplicasse o sentimento de medo.</p>



<p>“Já passei por muita coisa. Uma vez subi em uma moto achando que era mototáxi e o homem claramente tentou se aproveitar, mas consegui sair da situação. Infelizmente, muitas de nós sofrem constantemente abusos psicológicos, emocionais e, infelizmente, também sexual. Mas eu&nbsp; não vou me limitar. Comecei a ter autonomia, a aprender muita coisa sobre tecnologia e conhecer pessoas com deficiência visual. Também vejo como muitos infelizmente se limitam pela educação que recebem”, lamenta Lee.</p>



<p>Ainda que possam agir de forma inconsciente, alguns pais, familiares e até amigos de pessoas com os mais variados tipos de deficiência podem colocar as PCDs em situações constrangedoras. E isso pode ocorrer por diversas maneiras: seja invadindo sua privacidade, protegendo exageradamente mesmo depois do filho virar adulto, fazendo chantagens emocionais e tentando controlar cada passo. Eles também se sentem no direito de opinar sobre tudo. Ao exagerarem na superproteção e até mesmo no autoritarismo, esse tipo de laço acaba impactando principalmente a vida da mulher com deficiência. Os 3 “AS” &#8211; autoestima, autoconfiança e autonomia são duramente afetados.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Eu estava como social media na produção de um filme, e quando desci escada tinha uma produtora executiva que comentou: ‘desceu a escada sozinha?’ Então eu disso:‘foi’.&nbsp; Ela respondeu: ‘virou uma mocinha’. Depois conversei com ela e disse: ‘olha, não desci a escada porque era mocinha. Desci a escada porque precisava descer e chegar onde eu tinha que chegar. Eu sei que você não fez por mal, mas você começou a cometer um capacitismo aí.”. E aí tem muito dessa coisa de falar com pessoas com deficiência como se fossem crianças. essa coisinha de achar que a pessoa não consegue fazer nada&#8221;, Malta Lee</p></blockquote>



<p>A estudante de jornalismo da Ufal, vendedora autônoma e dona de casa, Cecília dos Santos, também enfrentou uma longa curva para se readequar à nova condição desde que enfrentou há sete anos a perda de visão, em razão de um glaucoma diagnosticado tardiamente.&nbsp; Primeiro, ela precisou aceitar sua nova condição, reaprender a andar e, finalmente, acessar um espaço que ensinasse sobre acessibilidade e encontrasse acolhimento verdadeiro.</p>



<p>“Foi difícil.&nbsp; Esse período que fiquei em um ano foi tentando aceitar. Ter que aceitar ter que andar com uma pessoa do meu lado. Aceitar não andar na cozinha. Mas neste ano, já em casa, comecei a aceitar. Antes eu não aceitava. Vou fazer minha comida. Primeira comida eu espalhei ketchup por toda cozinha. Batia muito o rosto. Não sabia fazer defesa. Esqueci que não estava enxergando. Foi uma mudança muito radical pra mim que enxerguei a vida toda. Minha irmã me levou para escola de cego. Me matriculei. Primeira vez não consegui ficar, porque achei que aquela realidade não era a minha”, relembra a universitária.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Foto: Wanessa Oliveira/Mídia Caeté</p>
	                
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<p>Pouco tempo depois, Cecília, conhecida como Cila entre os amigos, entrou na universidade, para cursar jornalismo. Malta, que já havia interrompido um curso anterior, também decidiu estudar, desta vez psicologia. E dentre todas as particularidades de suas histórias, ambas encontraram desafios bem comuns ao depararem e exporem também as falhas dentro da instituição.&nbsp;</p>



<p>“É um desafio muito grande porque acessibilidade não existe. Falo de toda forma arquitetônica. De tudo mesmo. Difícil ir do ponto ao bloco da Ufal. A gente tem que ficar pedindo ajuda e meu companheiro vai comigo, pois ainda não tenho autonomia para andar na rua”, relata. “Um dia vou andar, derrubar mais essa barreira, mas ainda me assusto com os carros. Lá na Ufal, não é acessível de jeito nenhum. Não tem acessibilidade nenhuma, para nenhum deficiente. Muito buraco, muita lama, muito alto, então a gente fica pedindo ajuda. A dificuldade maior é essa. Na sala de aula, outra aventura, uma vez que os professores não estão preparando para nós, deficientes visuais, principalmente”, ressalta a futura jornalista.</p>



<p>O advogado Julio Swartz, especialista em Direito das Pessoas com Deficiência e membro da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência – da OAB Alagoas, relata todo o histórico que coloca o Brasil hoje como um dos países que mais têm legislação para pessoas com deficiência. Embora ainda haja muito o que se conquistar.</p>



<p>“Esse reconhecimento da capacidade das pessoas com deficiência de tomar as próprias decisões e ser uma pessoa independente da sociedade é muito interessante porque foi isso que pregava a carta de 2006&nbsp; da da ONU: que a pessoa com deficiência fosse protagonista da sua própria vida e no que acontece, na realidade, além do preconceito é a quebra de barreiras, que era o que mais eles pediam. Porque a nossa sociedade&nbsp; impõe inúmeras barreiras para a pessoa com deficiência. Então, nesse caso, nada mais justo do que quebrar essas barreiras e tornar esses membros da sociedade cada vez mais ativos, como deve ser por direito. Eles querem trabalhar, ter filhos, pagar imposto de renda. Como a maioria, querem, sim,&nbsp; produzir, serem&nbsp; membros ativos da sociedade e esse é o objetivo de todo mundo”, destaca o especialista.</p>



<p>A vice-presidente da Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), Ingrid Mendonça, conta que já teve sua capacidade para tomada de decisão colocada a prova, quando, há alguns anos, tentou concorrer a um cargo político nas eleições municipais de sua cidade.<br></p>



<p>“Fiz parte como candidata nas eleições municipais, na cidade de Manaus. Não fui eleita, mas foi uma experiência ímpar na minha vida e tive a oportunidade de observar de dentro do partido que, ao mesmo tempo foi partido muito inclusivo e me acolheu enquanto mulher e enquanto pessoa com deficiência, mas sempre tem aqueles membros que a gente percebe um olhar insensível, um julgamento de incapacidade. A gente vive muito isso, como se você estivesse lá pra pra meramente cumprir uma cota, porque os partidos hoje são basicamente obrigados a cumprir aquela alguns requisitos de diversidade mas, apesar dos avanços,&nbsp; a gente precisa avançar ainda mais para que ganhemos o espaço que é, de fato, nosso”, projeta a presidente da entidade.</p>



<p><strong>Saiba mais:</strong></p>



<p>Esta é uma produção coletiva realizada em parceria pelas mídias independentes do Nordeste: <a href="http://www.marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a> (PE), <a href="https://agenciaeconordeste.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Eco Nordeste</a> (CE), <a href="https://midiacaete.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mídia Caeté</a> (AL), <a href="https://olhosjornalismo.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Olhos Jornalismo</a> (AL), <a href="https://www.retruco.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Retruco</a> (PE), <a href="https://www.adiadorim.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Diadorim</a> (PE), <a href="https://revistaafirmativa.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Revista Afirmativa</a> (BA), <a href="https://www.saibamais.jor.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Saiba Mais</a> (RN), <a href="http://cajueira.substack.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Newsletter</em> Cajueira</a> (NE) e Malamanhadas (PI), na edição de <em>podcasts</em>.</p>



<p>Todos os produtos do projeto Acessibilidade Jornalística: um problema que ninguém vê estão disponíveis no <a href="http://www.lumeacessibilidade.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">www.lumeacessibilidade.com.br</a>.</p>



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		<title>A deficiência visual e o desafio da acessibilidade no mundo real</title>
		<link>https://marcozero.org/a-deficiencia-visual-e-o-desafio-da-acessibilidade-no-mundo-real/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2022 16:30:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Acessibilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>* Por Ariel Sobral (Marco Zero Conteúdo) e Yara Peres (Eco Nordeste) Em reportagem especial feita colaborativamente pela Marco Zero e Eco Nordeste, dentro do projeto Acessibilidade Jornalística: o problema que ninguém vê, vencedor do Desafio de Inovação do Google News Initiative (GNI) de 2021, mostramos como o acesso à internet a pessoas cegas e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>* <strong>Por Ariel Sobral (Marco Zero Conteúdo) e Yara Peres (Eco Nordeste)</strong></p>



<p><em>Em reportagem especial feita colaborativamente pela Marco Zero e Eco Nordeste, dentro do projeto <strong>Acessibilidade Jornalística: o problema que ninguém vê</strong>, vencedor do Desafio de Inovação do Google News Initiative (GNI) de 2021, mostramos como o acesso à internet a pessoas cegas e com baixa visão ainda conta com barreiras da falsa acessibilidade</em></p>



<p>Se você fosse dormir e acordasse sem enxergar, como seria o mundo para você? Pessoas videntes, como geralmente são chamados pela comunidade cega ou com baixa visão aqueles que enxergam normalmente, podem ter dificuldades em imaginar exatamente como seria esta experiência, mas esse é um drama vivido por muitos, especialmente os que recebem um diagnóstico de cegueira ou de baixa visão ao longo de uma vida de vidência.</p>



<p>De acordo com últimos dados do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) de 2010, o Brasil tem 6,5 milhões de deficientes visuais (com limitações e/ou baixa visão). Deste montante, cerca de 582 mil não enxergam absolutamente nada. O Nordeste concentra o maior número de pessoas com algum tipo de deficiência, com 26,63%. Os estados do Rio Grande do Norte e Paraíba, com índices de pouco mais de 27% ambos, estão acima da média nacional que é de 23,9%.</p>



<p>Ainda assim, pouco se discute sobre o acesso à informação de qualidade e acessível por pessoas cegas e menos ainda o jornalismo que cobre pautas de interesse deste grupo social, segundo o que revela a <a href="https://www.lumeacessibilidade.com.br/assets/acessibilidade.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa sobre a oferta e o consumo de conteúdo jornalístico para este público</a> realizada para este projeto. A partir das entrevistas feitas nesta pesquisa, os sites participantes da iniciativa se juntaram para criar reportagens como esta e, também, o <a href="https://anchor.fm/lumecast" target="_blank" rel="noreferrer noopener">LumeCast</a>, podcast em três episódios que têm como público principal as pessoas cegas e com baixa visão, mas que são conteúdos relevantes para quem quer compreender melhor o cotidiano dessas pessoas, através de assuntos como identidade de gênero e de raça, na reportagem abaixo, a autonomia das mulheres cegas e os desafios de fazer um comunicação realmente acessível.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Descoberta de identidades étnicas ou raciais, e de gênero</strong></h3>



<p>O que significa para quem nasceu ou adquiriu algum nível de cegueira, sua identidade de gênero ou de raça? Como as pessoas cegas vivem a descoberta de suas identidades étnicas, raciais ou de gênero e no que este processo se aproxima ou se diferencia do vivenciado pelas pessoas que enxergam? O entendimento desta consciência sobre si, marcada pela prática de pesquisas e conversas sobre o assunto, nem sempre se aplica a este grupo que ainda luta para acessar informações básicas cotidianas.</p>



<p>Parte desta percepção vem do processo de autodeclaração, ferramenta antidiscriminatória que garante direitos a grupos historicamente “minoritários”, o que representa um estado de consciência que o indivíduo tem sobre si em relação a alguma característica específica, como raça e gênero. Estas descobertas costumam vir a partir do acesso a fontes confiáveis que possibilitam informações sobre essas questões. Por exemplo, apesar do conceito de<strong> </strong>raça<strong> </strong>ser frequentemente confundido com o de etnia, os termos representam coisas diferentes. Podemos entender raça como características fenotípicas, como cabelos, traços faciais, a cor da pele etc. Já etnia também considera fatores culturais, como a nacionalidade, religião, língua e as tradições. Mas como é o acesso a pessoas cegas a estas informações?</p>



<p>Por não haver muitos conteúdos acessíveis para pessoas cegas, informar-se sobre questões identitárias pode ser algo solitário. E a falta de acesso é um dos principais fatores que retarda o entendimento do indivíduo, segundo o publicitário pernambucano, que também é uma pessoa cega, Michell Platini. “As pessoas começam a se perceber quando começam a se informar. É daí que se entende quem é, e não só um se reconhecer com um olhar físico, mas um entendimento mais profundo, que visita suas origens, suas sensações, que possibilita se perceber pessoa. E este é o verdadeiro papel da informação, que começa no diálogo sobre algo, e esse movimento é fundamental, inclusive nos processos identitários”, reflete.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/EDNILSON-SACRAMENTO.jpeg" alt="A fotografia mostra um homem negro de cabelos grisalhos curtos de braços cruzados. Ele usa uma camisa vermelha com detalhes coloridos numa estampa africana. Tem uma expressão séria e está de frente para a câmera. Atrás de si é possível perceber uma cerca de madeira, plantas e um varal." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Para o jornalista negro e cego baiano Ednilson Sacramento, pouco se avança para pautar as questões referentes a uma pessoa negra com deficiência. Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
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<p>Apesar de as lutas identitárias serem pautas de vários grupos sociais, as pessoas com deficiência nem sempre se sentem incluídas no debate. “Percebo uma grande lacuna. No âmbito da pessoa com deficiência se fala pouco da questão racial e, no âmbito dos movimentos negros e das questões raciais, por exemplo, pouco se avança para pautar as questões referentes a uma pessoa negra com deficiência. A figura da pessoa com deficiência se dilui nesse debate. Muitas vezes não somos chamados para debater políticas públicas. É como se nós não existíssemos”, afirma o jornalista cego baiano Ednilson Sacramento.</p>



<p>Os dois universos parecem não se encontrar nem nos debates e tão pouco nas pesquisas. Dados IBGE de 2018 constataram que 56% da população brasileira se identifica como negra, mas quanto dessas são pessoas cegas? Em contato com o Instituto de Cegos Antônio Pessoa Queiroz, no Recife, e com a Associação Pernambucana de Cegos (Apaec), atrás de dados que pudessem contemplar este recorte ao menos na capital pernambucana, não tivemos retorno desses marcadores que parecem não existir.</p>



<p>“Se você prestar atenção, a pessoa com deficiência vem de um passado de exclusão total, de exclusão da própria cidadania. Antes de discutir direito à educação, saúde e trabalho, começamos a discutir o direito à cidadania. Tivemos que brigar por uma carteira de identidade, porque, por muito tempo, nossas famílias nos escondiam da sociedade. Hoje, uma pessoa negra e com deficiência é duplamente discriminada”, declara Ednilson: “não existir nas pesquisas e nas pautas também é uma forma de discriminação”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Acesso ao mundo moderno</strong></h3>



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	                                        <p class="m-0">O estudante universitário Rafael Moreira que, em abril de 2019, recebeu o diagnóstico de atrofia no nervo óptico, devido a um coágulo, encontrou na tecnologia dos aplicativos a autonomia que precisava para se reintegrar ao novo mundo. Crédito: Arquivo Pessoal
</p>
	                
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<p>Nascer com deficiência visual parece ser menos difícil quando a cegueira passa a ser uma realidade depois de anos de vidência. Foi o que aconteceu com o estudante universitário Rafael Moreira que, em abril de 2019, recebeu o diagnóstico de atrofia no nervo óptico, devido a um coágulo. Diante da nova realidade, o estudante encontrou na tecnologia dos aplicativos a autonomia que precisava para se reintegrar ao novo mundo. “Desde o diagnóstico até os dias de hoje, consegui 90% da minha autonomia com o uso da tecnologia”, comenta. Depois de descobrir a linguagem em braile, para ele, os dois tipos de comunicação se complementam. “O braile foi uma paixão à primeira vista. Acho que o uso dela deve ser paralelo ao conhecimento de ferramentas para acessibilidade digital”, reforça.</p>



<p>A tecnologia é de fato uma aliada na contemporaneidade. Não só as redes sociais como os aplicativos de paquera, por exemplo, são ferramentas modernas para encontros, os famosos “dates” entre grupos de pessoas que buscam um novo parceiro ou parceira. Mas quando uma pessoa cega, que tem os direitos de qualquer outra pessoa, busca este tipo de ferramenta para sua integração encontra barreiras longe de uma acessibilidade real.</p>



<p>“Os aplicativos e sites de paquera não têm acessibilidade e isto é um direito nosso também. As pessoas acham que o deficiente, em geral, não pode exercer a sua sexualidade. Os desejos não mudam de um dia para o outro, independentemente da sua deficiência. Eu posso ter uma vida como qualquer outra pessoa, apesar das minhas limitações”, destaca.</p>



<p>Em pesquisa divulgada em julho do ano passado pela empresa <em>BigDataCorp</em>, em parceria com o site Movimento Web para Todos, que avaliou 2.369 aplicativos mais baixados na loja da Google, a Play Store, revelou que menos de 1% dos sites passaram em todos os testes de acessibilidade digital.</p>



<p>Vivendo com limitações, Rafael enfrentou as barreiras do mundo físico e descobriu as dificuldades em viver no mundo real. Um ponto levantado pelo estudante diz respeito aos restaurantes físicos e os famosos aplicativos de entrega de comida que, segundo ele, dizem ser acessíveis mas, na verdade, sequer disponibilizam um cardápio em linguagem braile. “Já fui em grandes redes, restaurantes famosos e isso não existe nestes lugares. Também nunca consegui pedir comida por estes aplicativos. Para mim eles são totalmente inacessíveis”, lamenta.</p>



<p>Com a sua nova condição de vida limitada pela deficiência visual, Rafael reforça que as oportunidades são determinantes para uma inclusão efetiva na sociedade. “Não somos coitados. Temos muitos talentos. Coloquem pessoas reais para viverem coisas reais, como um ator cego para um personagem cego, por exemplo. Quero transformar outras vidas como a minha foi transformada”. Atualmente, ele é repórter do programa quinzenal Ponto Cego, da TV Assembleia, do Estado do Ceará, disponível no YouTube, onde mostra relatos e alternativas para pessoas cegas e com baixa visão.</p>



<p><strong>Saiba mais:</strong></p>



<p>Esta é uma produção coletiva realizada em parceria pelas mídias independentes do Nordeste: <a href="http://www.marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a> (PE), <a href="https://agenciaeconordeste.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Eco Nordeste</a> (CE), <a href="https://midiacaete.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mídia Caeté</a> (AL), <a href="https://olhosjornalismo.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Olhos Jornalismo</a> (AL), <a href="https://www.retruco.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Retruco</a> (PE), <a href="https://www.adiadorim.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Diadorim</a> (PE), <a href="https://revistaafirmativa.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Revista Afirmativa</a> (BA), <a href="https://www.saibamais.jor.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Saiba Mais</a> (RN), <a href="http://cajueira.substack.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Newsletter</em> Cajueira</a> (NE) e Malamanhadas (PI), na edição de <em>podcasts</em>.</p>



<p>Todos os produtos do projeto Acessibilidade Jornalística: um problema que ninguém vê estão disponíveis no <a href="http://www.lumeacessibilidade.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">www.lumeacessibilidade.com.br</a>.</p>



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<p></p>
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		<title>Parceria da Marco Zero com a Unicap e oito sites de jornalismo do Nordeste vence desafio de inovação do Google</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Jul 2021 16:29:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Acessibilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nove organizações jornalísticas independentes no Nordeste e a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) foram selecionadas na edição 2021 do Google News Initiative Innovation Challenge, desafio internacional realizado pelo Google para buscar soluções inovadoras para o jornalismo na América Latina. O projeto Acessibilidade jornalística: um problema que ninguém vê vai oferecer uma solução integrada para o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nove organizações jornalísticas independentes no Nordeste e a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) foram selecionadas na edição 2021 do <a href="https://newsinitiative.withgoogle.com/innovation-challenges/"><u>Google News Initiative Innovation Challenge</u></a>, desafio internacional realizado pelo Google para buscar soluções inovadoras para o jornalismo na América Latina. O projeto <em>Acessibilidade jornalística: um problema que ninguém vê</em> vai oferecer uma solução integrada para o problema da falta de conteúdo jornalístico de qualidade e acessível para pessoas cegas e com baixa visão. Além da Marco Zero e da Unicap, participam do projeto <a href="https://midiacaete.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mídia Caeté</a> (AL), <a href="https://olhosjornalismo.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Olhos Jornalismo</a> (AL), <a href="https://www.retruco.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Retruco </a>(PE), <a href="https://www.adiadorim.org/post/diadorim-jornalismo-independente-em-defesa-dos-direitos-da-populacao-lgbti" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Diadorim</a> (PE), <a href="https://www.saibamais.jor.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Saiba Mais</a> (RN), <a href="https://agenciaeconordeste.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Eco Nordeste</a> (CE), <a href="https://revistaafirmativa.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Revista Afirmativa</a> (BA) e a newsletter <a href="https://cajueira.substack.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cajueira</a> (NE).</p>



<p>A proposta vencedora do desafio em que concorreram organizações de toda a América Latina teve como ponto de partida o projeto de conclusão do Mestrado Profissional em Indústrias Criativas da Unicap da jornalista Mariana Clarissa da Conceição Silva, orientado pelos professores Luiz Carlos Pinto e Anthony Lins, cujo objetivo era criar uma solução para ampliar a acessibilidade de sites jornalísticos para pessoas cegas ou com baixa visão. &#8220;É uma satisfação enorme ver esse projeto criando asas e entrando em uma nova fase. A ideia saiu do campo acadêmico e agora vai, de fato, tomar forma e contribuir para a melhoria do acesso das pessoas com deficiência visual ao ambiente de notícias na web&#8221;, pontua Mariana.</p>



<p>Nesta etapa, foi realizado um breve diagnóstico sobre acessibilidade em sites jornalísticos brasileiros, especialmente do Nordeste do Brasil, e, na sequência, criado o protótipo de um aplicativo curador e leitor de conteúdo adaptado às necessidades de pessoas com deficiência visual. “O projeto faz uso de recursos tecnológicos orientados por um design focado no usuário, de modo que será possível analisar de maneira precisa o nível de acessibilidade de sites jornalísticos&#8221;, afirma o professor Anthony Lins. &#8220;Nós ainda vamos desenvolver um aplicativo para gestão de conteúdo e consumo de notícias e com isso contribuir para o acesso às informações pelo público com algum nível de comprometimento na visão&#8221;, completa.</p>



<p>A pesquisa realizada anteriormente demonstrou a amplitude de um problema pouco visibilizado pela indústria jornalística nacional e, mais ainda, revelou o potencial para uma solução ainda mais inovadora, ampla, efetiva, integrada e com escala para assegurar o que estabelece a legislação nacional sobre acessibilidade para meios de comunicação e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que classifica a Comunicação como direito fundamental.</p>



<p>Agora, esta união sem precedentes de organizações jornalísticas independentes do Nordeste &#8211; em parceria com a maior universidade comunitária da região &#8211; vai realizar uma pesquisa mais ampla sobre a oferta e o consumo de conteúdo jornalístico por pessoas com deficiência e criar duas ferramentas automatizadas, uma para que sites jornalísticos possam obter um diagnóstico e recomendações para adaptar seus conteúdos para os protocolos de acessibilidade para os softwares mais populares de leitura de tela e um aplicativo curador de conteúdo jornalístico de qualidade e acessível, produzido pelas organizações participantes.</p>



<p>“O impacto mais amplo esperado desta iniciativa é a inclusão efetiva das pessoas com deficiência visual entre os consumidores de conteúdo jornalístico no Brasil, contribuindo não apenas para o fortalecimento da função social do jornalismo, mas para a garantia do fornecimento do que é um direito humano básico. A pesquisa em Comunicação e a indústria jornalística também saem fortalecidas deste tipo de parceria, bem como os esforços já empreendidos no combate à desinformação no Brasil”, comenta a diretora da Escola de Comunicação da Unicap e também uma das fundadoras da Marco Zero Conteúdo, Carol Monteiro.</p>



<p>Segundo dados do IBGE, no Brasil há mais de 6,5 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual. “Por falta de interesse ou de recursos para atender às necessidades deste grupo, não há efetividade nas práticas das empresas jornalísticas. Assim, esta parcela da população é excluída do consumo de informação de qualidade, tratada como um consumidor com menor potencial de escolhas e, pior: fica mais vulnerável a conteúdos distribuídos com a intenção de defender interesses de grupos econômicos e políticos que se beneficiam da desinformação e das fake news”, alerta a presidenta da Marco Zero Conteúdo, Inês Campelo.</p>



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