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	<title>Arquivos grande recife - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 11 May 2026 19:58:26 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos grande recife - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>O que muda na vida das pessoas da periferia quando uma linha de ônibus deixa de existir</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 May 2026 19:12:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arthur lungren ii]]></category>
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		<category><![CDATA[grande recife consorcio de transportes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem tem carro e mora nos bairros centrais das capitais não costuma se preocupar quando lê algo sobre mudanças em uma linha de ônibus qualquer que circula na periferia. A distância, mais social que geográfica, não permite que pessoas de classe média imaginem o quanto uma decisão dessas &#8211; sem consulta aos prinicipais interessados &#8211; [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quem tem carro e mora nos bairros centrais das capitais não costuma se preocupar quando lê algo sobre mudanças em uma linha de ônibus qualquer que circula na periferia. A distância, mais social que geográfica, não permite que pessoas de classe média imaginem o quanto uma decisão dessas &#8211; sem consulta aos prinicipais interessados &#8211; atinge e muda a rotina de vida de milhares de homens e mulheres que precisam do transporte coletivo todos os dias. Recentemente, a retirada das linhas Arthur Lundgren II/TI Macaxeira e Mirueira/TI Macaxeira gerou uma série de reclamações, principalmente de moradores dos bairros de Paratibe e Arthur Lundgren I que precisam ir até as zonas norte e oeste do Recife.</p>



<p>Primeiro, vamos falar das alterações para o leitor se situar.</p>



<p>De acordo com o consórcio Grande Recife, a linha 1902 (Mirueira/TI Macaxeira) possuía dois ônibus e transportava, diariamente, 950 passageiros. Essa linha passou a se chamar TI Abreu e Lima/Mirueira, obrigando as pessoas que precisam ir até o terminal integrado da Macaxeira, na zona norte da capital, a usar a linha 1906 (TI Pelópidas/ TI Macaxeira via Mirueira), que a assessoria do consórcio de transporte diz ter um tempo de deslocamento de 20 a 25 minutos. Se quiserem ir até o terminal integrado, de Abreu e Lima, a viagem duraria entre 40 e 50 minutos.</p>



<p>O segundo caso foi a alteração da linha 1948 (Arthur Lundgren II/TI Macaxeira), que deu lugar à TI Abreu e Lima/Arthur Lundgren II, que contava com quatro veículos e atendia todos os dias 2.337 passageiros dos bairros Arthur Lundgren II, Arthur Lundgren I, Paratibe, Aurora e Jardim Paulista Baixo. Assim, quem não mora em Arthur II ficou sem uma segunda opção para ir trabalhar. A nova linha circula apenas no bairro, deixando as comunidades vizinhas atendidas apenas por linhas que levam ao terminal Pelópidas da Silveira, na rodovia PE-15.</p>



<p>A aridez dos parágrafos acima pode dar a falsa impressão de que esta reportagem diz respeito a detalhes técnicos do sistema de transporte rodoviário da metrópole. A partir de agora, será possível entender como essas decisões mexe até com o sono de quem vive nesses bairros.</p>



<p>Cada morador sente o impacto de uma maneira diferente. Lorena Torres, assistente administrativa, de 27 anos, mora em Paratibe e há seis anos trabalha numa empresa na zona norte do Recife. Antes, para chegar no trabalho às 8h, saía de casa por volta das 6h40min, 6h50min, no máximo. Com as mudanças das linhas, passou a acordar mais cedo, pois tem de sair às 6h em ponto, qualquer minuto perdido gera um efeito dominó de atrasos.</p>



<p>Quando a linha Arthur II/TI Macaxeira estava em atividade, Lorena pegava dois ônibus e passava por apenas um terminal de integração para pegar outro ônibus. Agora para chegar no mesmo destino pega três ônibus e tem de entrar nas filas nas plataformas de embarque de duas integrações. Na última semana de abril, a Marco Zero a acompanhou na ida ao trabalho, uma viagem que levou quase duas horas (uma hora e cinquenta e cinco minutos pra ser mais exata) de Paratibe ao bairro do Poço da Panela.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Lorena agora pega três ônibus e passa por três integrações para ir ao trabalho
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Eu tô acordando de 4h30, antes eu acordava às 5h. Antes eu tomava café um pouco mais tranquila porque sabia a hora que o ônibus ia passar, hoje eu evito, coloco na bolsa pra quando chegar no trabalho comer alguma coisa. Essa é a questão: não ter um tempo de qualidade antes de trabalhar, agora é acordar, tomar banho e sair”, explica Lorena.</p>



<p>Considerando que a maioria dos usuários de ônibus de Paulista só vai a outras cidades passando por terminais de integração, já no primeiro ônibus fomos em pé. Entre o tempo de espera até a chegada no TI Pelópidas foram 30 minutos. Com a fila grande precisamos aguardar três ônibus para conseguir ir sentados, o que só aconteceu aproximadamente 13 minutos depois de chegarmos ao terminal.</p>



<p>O ônibus seguiu lotado. Com o fluxo intenso de carros na BR-101, a chegada ao TI Macaxeira só aconteceu às 7h50min, ou seja, uma hora e vinte minutos depois de sairmos de Paratibe. Esse era o tempo que Lorena levava para chegar ao seu destino. Essa mudança não afetou apenas o tempo do trajeto, mas toda a dinâmica do dia da jovem. “Acaba sendo bem mais cansativo e pegando mais tempo. Um tempo que a gente não tem, tanto para vim trabalhar quanto para voltar para casa e descansar mesmo”, conta.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/mapa-bus-819x1024.jpeg" alt="A imagem apresenta dois mapas comparativos que mostram a mudança de trajeto das linhas de ônibus que chegam ao Terminal Integrado (T.I.) Macaxeira, na Região Metropolitana do Recife. No mapa superior, em azul, está o percurso anterior da linha T.I. Macaxeira/Arthur Lundgren II, que seguia de Arthur Lundgren II até o terminal, passando por bairros como Jardim Paulista, Pau Amarelo, Passarinho e Nova Descoberta. Já no mapa inferior, em vermelho, aparece o trajeto atual das linhas T.I. Pelópidas/Paratibe e T.I. Pelópidas/T.I. Macaxeira, que agora conectam Paratibe ao T.I. Macaxeira por um caminho mais direto, atravessando áreas semelhantes, mas com uma integração diferente entre terminais. Essa comparação evidencia o redesenho das rotas de transporte público, destacando a substituição da antiga linha por novas conexões que otimizam o acesso ao terminal." class="" loading="lazy" width="613">
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	                                        <p class="m-0">O que mudou na rota de Lorena até o terminal da Macaxeira
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Eu não tenho mais a opção de chegar cedo”</strong></h2>



<p>As alterações não afetam apenas os trabalhadores. Estudantes que precisam chegar aos campi da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) também sentiram a mudança. É o caso de Afonso Farias, 21 anos, estudante de Geografia na UFPE. Morador de Arthur Lundgren 1, para chegar na universidade de maneira que dê tempo para jantar antes do início da aula, ele agora tem de sair pelo menos uma hora antes do horário que fazia antes das mudanças nas rotas. </p>



<p>Afonso explica como foram essas mudanças: “atrás da minha casa tem uma parada de ônibus e o Arthur II/TI Macaxeira passava lá. Era uma mão na roda, porque quando eu perdi o Macaxeira, aí eu pegava o Arthur I. Agora, obrigatoriamente, eu tenho de pegar o Arthur I para ir para Pelópidas e quando eu perco esse, que é a minha única opção de ônibus, eu tenho que ir andando até a parada do Novo Atacarejo (próximo à avenida Marechal. Floriano Peixoto), que é bem longinha, aí já fico cansado, já para pegar mais dois ônibus”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Afonso sai da aula da UFPE às 21h30 e só chega em casa perto de meia-noite
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O que mais pesa é o retorno para casa. Antes, ao largar às 21h30min, o jovem ainda conseguia chegar em casa por volta das 22h40min, mas hoje chega depois de 23h30min. “Parece que 22h10min da noite é horário de pico. No primeiro dia que eu peguei o TI Pelópidas/TI Macaxeira, depois dessa paralisação do Arthur II/TI Macaxeira, a fila do TI Pelópidas estava batendo em duas filas depois”, conta.</p>



<p>“Para ir no ‘busão’ em que eu fui, eu tive que esperar outro, e ainda assim fui em pé, porque no primeiro que saiu tinha tanta gente que nem em pé eu conseguiria ir. Se eu quisesse ir sentado, acho que ia ter que esperar mais um ou outro&#8221;, conta. Ele explica que, se acontecesse de perder o Arthur II/Macaxeira de 22h15min, o próximo só chegava às 23h05min, então chegava em casa às 23h30min por causa desses eventuais contratempos. &#8220;E esse é o horário que eu estou chegando todo dia agora. Eu não tenho mais a opção de chegar cedo. Todo dia eu estou chegando quase meia-noite em casa”, lamenta.</p>



<p>Jean Luca, de 24 anos, é estudante de Serviço Social e estuda à tarde, o que o obriga a pegar o ônibus em pleno horário de pico. O jovem calculou em três horas o tempo que está gastando para chegar em casa. Por isso, tem preferido aguardar horas para pegar uma carona, do que esperar horas dentro do ônibus. “Se já era demorado, com a existência dessa linha, imagina agora. Vou ter que pegar mais um transporte. Quando a gente é estudante e trabalhador, o nosso período de trabalho é prolongado por conta do trajeto, por conta das condições e agora vai se estender mais ainda por conta de uma linha que vai prejudicar toda a comunidade”, analisa.</p>



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	                                        <p class="m-0">Jean Luca prefere esperar por uma carona do que passar três horas em ônibus e terminais
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Oficialmente, quem mora em Arthur Lundgren II e precisa usar ônibus leva de de 35 a 45 minutos para se deslocar nas linhas 1948 &#8211; TI Abreu e lima/TI Arthur Lundgren II e 901 &#8211; TI Abreu e lima/TI Macaxeira. Ao menos, esse é o cálculo do consórcio Grande Recife, que não respondeu quando perguntamos se seus técnicos fizeram a análise do trajeto dos moradores de Paratibe e Arthur I que também pegavam o antigo Arthur II/TI Macaxeira. O consórcio informou apenas que “praticamente, o tempo de deslocamento permaneceu o mesmo, porém o Grande Recife está trabalhando em alternativas para melhorar o serviço”.</p>



<p>Essa mudança também não está sendo bem recebida, pois os moradores disseram que não foram ouvidos no processo de mudança e, só ficaram sabendo dias antes. Quanto a isto o Grande Recife respondeu que “foram realizadas várias reuniões com as lideranças comunitárias de ambos os bairros e também com a Prefeitura de Paulista apresentando ambas as propostas. O projeto faz parte de uma série de mudanças que o CTM está realizando nos Terminais da Macaxeira e Abreu e Lima com objetivo de dimensionar os serviços de transporte público na região”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Mudanças sem ouvir ninguém</span>

		<p>A produção desta reportagem contou com a colaboração do Escambo Coletivo, que atua há 16 anos, a partir da necessidade de cultura e lazer para jovens de Paratibe, defendendo direito à cidade e valorizando o território dos moradores, com ações que vão da ocupação cultural à denúncia das faltas estruturais.</p>
<p>Os integrantes do coletivo relatam que a situação das linhas de ônibus em Paulista é marcada por desorganização e falta de diálogo com a população. Eles contam que muitos terminais foram desativados e que linhas desapareceram sem aviso, deixando moradores esperando em paradas onde ainda constam placas indicando rotas que não existem mais. Isso gera confusão e frustração, já que os usuários permanecem aguardando ônibus que nunca passam.</p>
<p>O coletivo critica a ausência de consulta pública antes das mudanças feitas pela Grande Recife, afirmando que a comunidade não foi ouvida sobre suas necessidades. Para eles, o transporte é um direito essencial ligado ao direito à cidade, mas a gestão trata o tema de forma unilateral, sem planejamento participativo. Uma outra mudança que ocorreu na região foi a retirada alteração da linha 1949 (Caetés/Paulista Centro) que passou a ser 1949 – TI Abreu e Lima (Circular Paulista), também com mudança de intinerário.</p>
<p>&#8220;A gente estava observando que nas paradas de ônibus ainda tem as duas linhas. E o pessoal continua esperando a linha passar, porque quando vai na parada, está lá escrito. E o pessoal simplesmente tem esperado o ônibus, porque tá lá, né? Vai passar. Então, você passa tipo um dia esperando sem saber”, conta Wilka Márcia, integrante do coletivo.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Terminais são importantes, mas não fundamentais</h3>



<p>O professor de engenharia civil e doutor em Engenharia de Transportes pela UFPE, Leonardo Meira, explica que o sistema de transporte público da Região Metropolitana é pensado para que se atenda a maior quantidade de pessoas possível dentro de uma rede completa. Segundo ele, pelo mundo afora, quando se trata dessa rede de transportes, eventualmente, determinada comunidade que tinha uma linha, pode dar lugar a outro itinerário que os técnicos julgam ser melhor pensando em rede. Como consequência, parte da população pode precisar readaptar suas rotas.</p>



<p>Ao pensar na efetividade dos terminais integrados que fazem parte dessa rede, o professor avalia que foram essenciais nos anos 1980 e 1990, por exemplo, mas que hoje com a tecnologia da integração temporal são importantes, mas não são fundamentais. “Hoje eu não diria que eles são absolutamente fundamentais, mas eu diria que eles ainda são muito importantes, porque ainda são usados no mundo inteiro para esse tipo de estação, ou esse tipo de terminal, seja de ônibus, seja de trem, seja do que for, ao redor do mundo ainda é muito utilizado”, conta.</p>



<p>Para Meira, a importância dos terminais está de no fato de se ter “um local determinado onde as pessoas possam esperar pelo ônibus, onde você sabe que vai ter ônibus saindo para vários locais diferentes, mas perdeu a importância no sentido do pagamento da tarifa, que antigamente dentro do terminal você não precisava pagar outra tarifa. E hoje com a tecnologia, com a integração temporal, você consegue fazer isso sem obrigar que a pessoa vá até o terminal”, explica.</p>



<p>O grande problema, na visão do professor, não são exatamente os terminais de integração, mas o tempo de espera. “Às vezes lhe obrigam a ir ao terminal integrado e lá você espera 20, 25, 30 minutos ou mais para aquele ônibus chegar. Então, o problema não é exatamente a existência do terminal integrado. O problema é a velocidade que os coletivos andam”, analisa.</p>



<p>Ele também explica que essa demora acontece por consequências de um trânsito que não dá condições para que esse trajeto flua. “Não tem faixa exclusiva na maioria das cidades, os ônibus ficam presos nos congestionamentos, ficam presos em protesto, ficam presos em alagamento, aumentando o tempo de viagem, ou seja, independente do motivo, a gente tem que se preocupar em aumentar a velocidade do transporte público”, conta. E isso só acontecerá com faixas exclusivas para que o ônibus não dispute espaço com outros veículos.</p>



<p>“Tem toda uma questão política de tirar espaço do automóvel, onde a classe média que anda de automóvel na sua SUV de 300 mil reais, não quer dividir espaço com o ônibus. Só que a SUV de 300 mil reais leva um passageiro e o ônibus leva dezenas de passageiros. É uma discussão política muito mais de dar velocidade às pessoas que mais necessitam que são aquelas que usam o transporte público”, explica.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/bus-1.jpg" alt="A imagem mostra o Terminal de Arthur Lundgren I, uma pequena estrutura de transporte público com cobertura de concreto ondulado e pilares brancos pintados de azul na base. As paredes também são azuis na parte inferior e brancas na superior, com algumas marcas de grafite. Há uma pessoa sentada no banco sob o abrigo, e árvores ao redor oferecem sombra. O chão é de paralelepípedos, e parte de um carro aparece à direita." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/0-que-muda-na-vida-das-pessoas-da-periferia-quando-uma-linha-de-onibus-deixa-de-existir/">O que muda na vida das pessoas da periferia quando uma linha de ônibus deixa de existir</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
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		<title>Justiça suspende aumento de passagem no Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/justica-suspende-aumento-de-passagem-no-grande-recife/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 22:01:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[grande recife]]></category>
		<category><![CDATA[tarifa de ônibus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto protestavam na tarde desta sexta-feira (23) contra o aumento da passagem de ônibus na Região Metropolitana do Recife, centenas de integrantes de movimentos sociais mobilizados pela Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco receberam a notícia de que a Justiça havia suspendido os efeitos da 43ª reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Enquanto protestavam na tarde desta sexta-feira (23) contra o aumento da passagem de ônibus na Região Metropolitana do Recife, centenas de integrantes de movimentos sociais mobilizados pela Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco receberam a notícia de que a Justiça havia suspendido os efeitos da 43ª reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) que, entre outras coisas, decidiu pelo reajuste das tarifas.</p>



<p>A ação proposta pelo advogado Pedro Josephi, coordenador da Frente de Luta pelo Transporte Público e representante da sociedade civil no Conselho, foi acatada pela juíza Nicole de Farias Neves, do 5º Juizado Especial da Fazenda da Capital, que ressaltou que o processo de tomada de decisão do Conselho não respeitou as normas estabelecidas.</p>



<p>De acordo com a decisão, o Estado de Pernambuco deve ser intimado ainda nesta sexta-feira e deve se abster de implementar o reajuste das tarifas de ônibus, sob pena de multa diária.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/01/aumento-de-passagem-sentenca.jpg.jpeg" alt="Descrição acessível: Trata-se de uma decisão judicial emitida por uma juíza em Recife, Nicole de Faria Neves, no dia 23 de janeiro de 2026. O documento suspende temporariamente o aumento da tarifa do transporte público na Região Metropolitana do Recife, determinado em reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano. A decisão tem efeito imediato e deve ser cumprida em até 48 horas, sob pena de multa. O texto inclui número do processo, data e hora da assinatura digital, além de um QR code para consulta online." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Trecho da decisão que suspendeu o aumento das passagens de õnibus
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Irregularidades</strong></h2>



<p>O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) também está apurando a denúncia da Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco sobre possíveis irregularidades na reunião realizada no dia 15 de janeiro.</p>



<p>Além de irregularidades na composição do Conselho — pelo menos três dos representantes da sociedade civil passaram a ocupar cargos de confiança no próprio governo estadual e na prefeitura de Jaboatão dos Guararapes —, Josephi apontou que o prazo regimental de 10 dias para que qualquer conselheiro possa apresentar propostas teria sido ignorado pelo governo.</p>



<p>A reunião foi convocada em 29 de dezembro, mas os documentos e planilhas que embasaram o reajuste só teriam sido encaminhados aos conselheiros três dias antes de sua realização.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/entenda-porque-o-ministerio-publico-vai-investigar-o-aumento-das-passagens-de-onibus/" class="titulo">Entenda porque o Ministério Público vai investigar o aumento das passagens de ônibus</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/mobilidade/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Mobilidade</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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		<title>Presidente do sindicato dos motoristas de ônibus recebe ameaças de morte, mas greve começa com forte adesão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Aug 2024 18:37:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ameaças]]></category>
		<category><![CDATA[grande recife]]></category>
		<category><![CDATA[greve de ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[greve dos rodoviários]]></category>
		<category><![CDATA[urbana-pe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em meio a ameaças virtuais, intimidação da Polícia Militar e precarização dos trabalho, aproximadamente 80% da categoria dos rodoviários aderiu à greve iniciada na madrugada desta segunda-feira (12). Sem previsão para acabar, o Sindicato dos Rodoviários está mobilizado em todas as garagens para que a greve seja cumprida, com a garantia da frota de emergência [&#8230;]</p>
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<p>Em meio a ameaças virtuais, intimidação da Polícia Militar e precarização dos trabalho, aproximadamente 80% da categoria dos rodoviários aderiu à greve iniciada na madrugada desta segunda-feira (12). Sem previsão para acabar, o Sindicato dos Rodoviários está mobilizado em todas as garagens para que a greve seja cumprida, com a garantia da frota de emergência nos horários de pico.</p>



<p>Horas antes do início da greve, recebeu mensagens e comentários nas redes postais com ameaças de morte explícitas contra o presidente do sindicato, Aldo Lima, com mensagens do tipo &#8220;se ônibus parar [sic] haverá sangue no sindicato&#8221; e &#8220;Aldo Lima será baleado nas costas&#8221;. A direção da entidade divulgou as ameças feitas por perfis falsos na tarde de domingo, mantendo a paralisão conforme decidido em assembleia.</p>



<p>&#8220;De repente a gente se depara nas nossas redes sociais com diversas ameaças, a partir de perfis <em>fake</em>, para tentar desmobilizar a greve, a gente acha um absurdo. Mas eu quero dizer aqui, garantir, que nenhuma intimidação, nenhuma ameaça vai fazer os rodoviários pararem&#8221;, reforça Aldo. A Marco Zero procurou a Polícia Civil para saber a respeito se haverá investigação, mas não obteve retorno.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Por 5% de aumento real e plano de saúde</h2>



<p>A categoria está mais uma vez reivindicando melhorias nas condições de trabalho, reajuste salarial e plano de saúde para os trabalhadores das empresas de ônibus que operam na Região Metropolitana do Recife. Até o momento, a Urbana-PE teria oferecido um aumento de 4,2%, refletindo em apenas 0,5%de ganho real acima da inflação, aumento do adicional pela dupla função dos motoristas de R$ 140 para R$ 180 e o reajuste do vale-alimentação de R$ 366,40 para R$ 400.</p>



<p>No entanto, o sindicato reivindica 5% de aumento real no salário, que o valor da dupla função suba para R$ 500, o vale alimentação para R$ 700 e plano de saúde para todos os trabalhadores. “Nós somos o único estado do Nordeste que não tem plano de saúde para a categoria”, afirma o presidente do sindicato. </p>



<p>“São empresários daquela época bem coronelistas, que acham que o trabalhador não tem que ter aumento. Quando dão a inflação eles dão porque sabem que é uma obrigação deles, senão o tribunal irá dar. Mas quando é para a gente discutir avanços nas negociações, dificilmente a gente consegue. Lamentavelmente, porque a Urbana tem esse perfil bem escravagista”, ressalta.</p>



<p>Uma outra pauta levantada pelos grevistas é o posicionamento do Governo do Estado em relação a garantia desses direitos, pois a gestão do transporte coletivo de Pernambuco é tripartite, envolvendo estado, empresários e trabalhadores. Contudo, até o momento o governo ainda não atendeu a categoria.</p>



<p>“Não cabe ao governo estadual simplesmente se esquivar, achar que não tem responsabilidade com os trabalhadores e só se sentar com o empresário para aumentar o subsídio. E quando a gente vai ver nas discussões de campanha salarial, esses aumentos que são repassados em forma de subsídio, que é dinheiro público, não refletem nas melhorias das condições de trabalho, na valorização de salário e trabalhadores”, reitera Aldo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">PM faz pressão na porta das garagens</h2>



<p>Enquanto o governo do estado não dialoga com os trabalhadores nas negociações para a melhoria dos direitos trabalhistas, a polícia militar atuou, no início da manhã, para que os ônibus saíssem das garagens.</p>



<p>O Sindicato dos Rodoviários publicou em suas redes sociais a ação da polícia militar em frente a garagem da empresa Itamaracá, em Abreu e Lima. No vídeo, enquanto os policiais afastam os grevistas, o advogado do sindicato, Sérgio Gonçalves, afirmava que “a polícia está obrigando os carros a saírem, estão empurrando a gente, usando truculência, não estão cumprindo o acordo da frota de emergência”.</p>



<p>No estado em que, no primeiro semestre, houve ao menos um roubo por ônibus por dia e 38 investidas contra transportes coletivos por mês, segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), os trabalhadores que estão expostos à falta de segurança pública, lidam com a presença da PM quando reivindicam o direito de greve.</p>



<p>“Isso acontece para reprimir o trabalhador lutando por direito. Agora, quando é para reprimir a criminalidade, a violência, infelizmente, não tem essa mesma disposição do governo em garantir o efetivo policial”, lamenta Aldo Lima.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Tribunal atende empresários e faz determinações</h2>



<p>O Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6) determinou que 60% da frota de ônibus opere no Grande Recife em horários de pico, das 6h às 9h e das 17h às 20h, e 40% no restante do dia. O desembargador Fábio André de Farias, responsável pela decisão, também proibiu que os rodoviários realizem bloqueios em frente às garagens de ônibus e determinou uma multa diária de R$ 30 mil, caso o Sindicato dos Rodoviários não cumpra a decisão judicial.</p>



<p>Esta decisão foi tomada após os empresários protocolarem um pedido de julgamento do dissídio coletivo dos rodoviários no Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6), aceito parcialmente pelo magistrado.</p>



<p>A continuidade das negociações, acontecerá em uma audiência de conciliação entre o Sindicato dos Rodoviários e o Sindicato das Empresas de Ônibus (Urbana), prevista para a tarde desta terça-feira (13), a partir das 14h, na sede do TRT-6, localizada no bairro do Recife, área central da capital.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz o Grande Recife: </span>

		<p>O Grande Recife Consórcio de Transporte (CTM) informa que oficializou o Sindicato dos Operadores de Transporte e o Sindicato dos Rodoviários sobre a necessidade da continuidade parcial dos serviços durante o período de greve. Foi definido que seja mantida 60% da operação programada para o mês de agosto, durante os horários de pico, e 40% da operação para fora dos horários de pico, garantido o direito constitucional de greve, como também a continuidade do serviço essencial de transporte público. Todo serviço é realizado por empresas remuneradas pelo sistema, seja por meio de permissão ou por concessão de operação. Cabe a tais empresas a manutenção de vínculos com fornecedores de bens e serviços essenciais à operação programada. Desta forma, cabe ao órgão gestor acompanhar o cumprimento do serviço determinado de modo que se garanta sua disponibilidade à população, ainda que diante da greve que se estabeleceu nos operadores. O Governo do Estado aportou no ano de 2023 aproximadamente R$270 milhões em subsídio tarifário à população e R$ 56,7milhões em infraestrutura de terminais e estações de BRT.</p>
	</div>
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		<title>Parece um forno, mas é um ônibus: o calor na rotina de quem usa transporte público no Grande Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Dec 2023 12:12:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[calor]]></category>
		<category><![CDATA[grande recife]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[transporte público]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Não adianta nada colocar ar-condicionado pra ficar uma quentura dessa”, essa foi a afirmação de uma idosa com aparência de 70 anos para o homem ao lado, por volta das 11h30, em um BRT que fazia a linha Abreu e Lima-PCR. Quando escutei a frase, olhei para o termômetro e ele estava marcando 32,5º. Essa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Não adianta nada colocar ar-condicionado pra ficar uma quentura dessa”, essa foi a afirmação de uma idosa com aparência de 70 anos para o homem ao lado, por volta das 11h30, em um BRT que fazia a linha Abreu e Lima-PCR. Quando escutei a frase, olhei para o termômetro e ele estava marcando 32,5º. Essa foi a média durante 15 minutos de viagem no trecho entre o Terminal Integrado Pelópidas ao Terminal Integrado PE-15.</p>



<p>Calor e desconforto fazem parte do dia a dia de estudantes e trabalhadores que precisam utilizar o transporte público na Região Metropolitana do Recife. De acordo com o Grande Recife Consórcio de Transporte, quase 1 milhão e 300 mil passageiros circulam diariamente nos 2.159 veículos, distribuídos em 383 linhas.</p>



<p>Em uma experiência para avaliar as condições de temperatura dos coletivos, percorri o trajeto de Norte a Sul com um equipamento chamado termo-higrômetro, um tipo de termômetro, que mede a temperatura do ambiente. Foram dois dias indo e vindo, em diferentes trajetos realizados em dez ônibus, com o ponto de partida no bairro de Maranguape 1, em Paulista.</p>



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	                                        <p class="m-0">Em nenhum das viagens, a temperatura foi menor que 31ºC. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>1º dia: rumo ao centro e zona oeste</strong></h2>



<p>No primeiro dia, o aplicativo no meu celular indicava 31º em Paulista, Olinda e Recife, no entanto, já no primeiro ônibus que fazia a linha T.I Pelópidas/Maranguape 1 a caminho do Terminal Pelópidas Silveira, em apenas 10 minutos de viagem o tal termo-higrômetro chegou a marcar 34º.</p>



<p>A meta do dia era chegar até o Terminal Integrado Getúlio Vargas, no Cordeiro, zona oeste do Recife, e voltar para Igarassu, no litoral norte. Para isso, a rota foi desenhada para passar pela área central do Recife, pegando o ônibus da linha Igarassu/Dantas Barreto. A escolha não foi casual, nessa linha são comuns as viagens de até duas horas até o centro da capital. Com variações, para mais e para menos, a média de temperatura dentro do coletivo foi de 32,2º. Por se tratar de um ônibus tipo BRT, as janelas não podem ser abertas e quase não há circulação de ar, então, os passageiros são submetidos a um sistema de ar-condicionado que pouco funciona.</p>



<p>Depois de descer na rua Princesa Isabel, em frente à Faculdade de Direito, caminhei até a avenida Conde da Boa Vista para pegar o BRT da linha Camaragibe/Conde da Boa Vista e finalizou na estação Getúlio Vargas, bem diante do terminal integrado, na avenida Caxangá. A viagem começou com 32º e finalizou com 32,5º. Assim como o coletivo anterior, este também tem sistema de ar condicionado. Mesmo em funcionamento, o calor era praticamente igual ao do lado de fora.</p>



<p>No retorno para a área central, o único transporte de toda a viagem que esteve com a temperatura amena foi o Getúlio Vargas/Conde da Boa Vista, apesar do equipamento indicar 32º quase o tempo todo, o fato do ônibus estar vazio tornou o trajeto até o Derby minimamente confortável. Era hora de voltar para casa. Por isso, desci na praça do Derby, rumo ao norte da RMR.</p>



<p>No coletivo PE-15/Boa Viagem, a temperatura iniciou com 32,2º e chegou a 34,7º, desta vez o veículo não possuía ar-condicionado e os passageiros contavam apenas com as janelas abertas. Nas proximidades de Olinda, o tempo ficou nublado e abafado, mesmo assim a temperaturas não variou muito. Ao chegar no terminal da PE-15 e seguir para Igarassu, no sexto coletivo do dia, o tempo virou e começaram as pancadas de chuva.<br><br>Com a chuva, pensei que o calor iria diminuir, mas isso não aconteceu. Pouco depois das 13h do primeiro dia de campo, o coletivo que fazia a linha PE-15/ Igarassu Sítio Histórico, ainda na integração, marcava 32,2º mas ao chegar no destino já marcava 34,3º.</p>



<h2 class="wp-block-heading">2º dia: com destino à zona sul</h2>



<p>Diferente do primeiro dia, o destino do segundo dia foi a zona sul do Recife, mais precisamente a igrejinha da pracinha de Boa Viagem. Seguindo pelo corredor Norte/Sul, o trajeto foi feito no ônibus da linha PE-15/Boa Viagem percorrendo a PE-15, avenidas Agamenon Magalhães e Domingos Ferreira.</p>



<p>Saindo do T.I PE-15, em Olinda, o termohigrômetro marcava 31,7º, mas o número na tela de cristal líquido foi aumentando. Sobre o viaduto Capitão Temudo, após a ponte Joana Bezerra, o equipamento marcou surpreendentes 37,1º. Essa viagem durou aproximadamente 1h10, só amenizando o calor no final da avenida Domingos Ferreira, em uma área mais arborizada.O veículo não tinha ar-condicionado.</p>



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	                                        <p class="m-0">Equipamento termo-higrômetro utilizado para as apurações em campo.  Crédito: Jeniffer Oliveira/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>“É complicado, mas a gente se acostuma”</strong></h3>



<p>A frase do subtítulo acima foi dita pelo motorista Ricardo Silva, que trabalha no transporte coletivo há 15 anos. Atualmente dirigindo ônibus na linha Rio Doce/ Piedade, que cruza as cidades de Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes em uma viagem de duração de aproximadamente 2h30, Ricardo afirmou que “algumas pessoas reclamam do tempo, da demora e do calor”.</p>



<p>Ele, que não usa o pequeno ventilador que vi com alguns motoristas. O motivo é simples: ele não gosta, afirma que bom mesmo seria o ônibus com ar-condicionado. “Seria uma maravilha”, afirmou.</p>



<p>De acordo com o Grande Recife Consórcio, apenas 417 coletivos têm ar-condicionado, equivalente a pouco mais de 15% do total da frota. Em 2019, a Assembleia Legislativa de Pernambuco aprovou a <a href="https://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?id=48615">Lei 16.787/2019</a>, que previa a refrigeração gradativa dos ônibus da RMR em até quatro anos.</p>



<p>Segundo o texto, no art. 1° “esta Lei estabelece metas e condições para a realização de investimentos na renovação da frota de veículos integrantes do Sistema Estrutural Integrado &#8211; SEI da Região Metropolitana do Recife &#8211; STTP/RMR, nos exercícios de 2020 a 2023”.</p>



<p>Até o final deste ano, “as permissionárias dos serviços de transporte público de passageiros deverão renovar a frota que ultrapassar 8 (oito) anos de vida útil” além de “no mínimo, 70% (setenta por cento) dos novos veículos renovados a cada ano serem equipados com ar-condicionado e possuírem capacidade igual ou superior a dos veículos substituídos”.</p>



<p>No entanto, o Grande Recife se justificou afirmando que “a Lei 16.787/2019 estabeleceu metas de aumento de frota com o ar-condicionado, sendo que ‘o impacto tarifário da renovação da frota (…) deverá ser previsto nas revisões tarifárias (…) como condição de eficácia das metas estabelecidas. Nas últimas deliberações sobre tarifa, o CSTM &#8211; Conselho Superior de Transporte Metropolitano -, não incluiu custos para ampliação de frota com ar.” </p>



<p>Também foi informado que “tão logo tenhamos atendida a previsão legal, ou seja, o CSTM prever o impacto na revisão tarifária, teremos condições de promover a esperada ampliação. Atualmente 16,6% da frota do Sistema de Transporte possui ar-condicionado. Cabe aqui destacar que o Estado de Pernambuco tem subsidiado o sistema, já que o custo de operação é maior que a receita arrecadada.”</p>



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	                                        <p class="m-0">Mesmo com ar-condicionado, motoristas recorrem ao mini ventilador. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>“Transporte público não é prioridade dos governantes”</strong></h3>



<p>Apesar do Grande Recife Consórcio afirmar que o estado já garante subsídio ao sistema de transporte público da RMR, o especialista em mobilidade urbana e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Leonardo Meira acredita serem necessários mais investimentos efetivos para melhorar a circulação dos coletivos na cidade.</p>



<p>“Acredito que, a despeito de alguns investimentos que foram feitos, principalmente, na época da Copa do Mundo, o transporte público não é prioridade dos governantes há muito tempo. Ao menos não prioridade efetiva, com investimentos, com melhorias. Então, ele foi caindo de qualidade, foi recebendo cada vez mais concorrência.”</p>



<p>Os transportes por aplicativo que, muitas vezes, tem um preço compatível com as passagens de ônibus, faz com que o passageiro escolha a opção mais confortável, gerando um ciclo de queda na receita e, consequentemente, da qualidade do serviço, sobrando para quem não tem condições de custear uma viagem em carro particular diariamente.</p>



<p>Para o professor, a implementação dos ar condicionados também está diretamente ligado à questão financeira. “Ele custa alguns milhares de reais e vai custar no preço do ônibus e a tarifa não está levando em conta esse valor. Então o empresário não vai colocar um ar condicionado a mais se ele não recebe, entendeu? Então ele precisa entrar nessa conta, seja com um financiamento do Estado”, afirmou.</p>



<p>Meira afirma ainda que um modelo para o transporte público no qual as autoridades do Recife e da Região Metropolitana poderiam se espelhar é o sistema <a href="https://www.transmilenio.gov.co/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Transmilênio</a>, de Bogotá, na Colômbia. Para ele, “talvez seja um bom exemplo e de outros sistemas de países em desenvolvimento com situação semelhante ao Brasil, de BRT ou de VLT. No Brasil é difícil citar um bom exemplo, porque as capitais brasileiras, em regra, são bastante parecidas no que diz respeito a essa dificuldade com o transporte público”.</p>



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<p></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Comunicação produzida nos territórios enfrenta rede de desinformação sobre o coronavírus</title>
		<link>https://marcozero.org/comunicacao-produzida-nos-territorios-enfrenta-rede-de-desinformacao-sobre-o-coronavirus/</link>
					<comments>https://marcozero.org/comunicacao-produzida-nos-territorios-enfrenta-rede-de-desinformacao-sobre-o-coronavirus/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2020 15:17:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação popular]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[grande recife]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[periferias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lavar as mãos e ficar em casa. Duas medidas simples de enfrentamento à pandemia da Covid-19 têm exposto a complexidade da desigualdade no Brasil. O coronavírus é mais uma forma de morrer que chega aonde não chega a água, nem o emprego formal. Nesse contexto, enquanto as autoridades federais “batiam cabeça” e adiavam o auxílio [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/comunicacao-produzida-nos-territorios-enfrenta-rede-de-desinformacao-sobre-o-coronavirus/">Comunicação produzida nos territórios enfrenta rede de desinformação sobre o coronavírus</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p> Lavar as mãos e ficar em casa. Duas medidas simples de enfrentamento à pandemia da Covid-19 têm exposto a complexidade da desigualdade no Brasil. O coronavírus é mais uma forma de morrer que chega aonde não chega a água, nem o emprego formal. Nesse contexto, enquanto as autoridades federais “batiam cabeça” e adiavam o auxílio de renda básica às famílias mais vulneráveis, a vacina contra a desinformação e a fome era produzida e disseminada por coletivos organizados a partir dos territórios periféricos das grandes cidades brasileiras.</p>



<p>No Grande Recife, a <a href="https://jc.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2017/08/24/grande-recife-tem-a-maior-vulnerabilidade-social-do-pais-303069.php">região metropolitana de maior vulnerabilidade social do país</a>, a ação desses coletivos populares tem sido essencial para garantir o alimento básico na mesa das famílias mais necessitadas; pressionar o poder público a assumir suas responsabilidades; e contrapor o discurso de figuras como o presidente <a href="https://congressoemfoco.uol.com.br/governo/gripezinha-e-histeria-cinco-vezes-em-que-bolsonaro-minimizou-o-coronavirus/">Jair Bolsonaro</a> e o pastor <a href="https://www.metro1.com.br/noticias/brasil/89144,coronavirus-mesmo-com-pandemia-silas-malafaia-diz-que-nao-vai-reduzir-cultos">Silas Malafaia</a>, que minimizam os impactos do vírus responsável pela morte de mais de 90 mil pessoas no mundo nas últimas semanas.</p>



<p>Uma característica
desses coletivos é o vínculo com o território e a atuação de
alguns anos na organização de espaços de resistência e denúncia
de violações de direitos. A produção e circulação de informação
para dentro e fora das comunidades é uma estratégia de luta que se
tornou ainda mais necessária para fazer frente ao coronavírus. 
</p>



<p>É o caso do
Coletivo Força Tururu, de Paulista. Com 11 anos de existência e uma
história de denúncia das violências praticadas pelo Estado contra
a juventude negra da comunidade, o grupo de comunicação popular tem
feito um trabalho forte nas redes sociais para convencer os moradores
da gravidade do coronavírus ao mesmo tempo em que cobra das
autoridades municipais e estaduais o fornecimento de água e a
suspensão das contas de água, luz e gás. Nessa semana, o coletivo
vai começar a circular pelas ruas com um auto falante para divulgar
os impactos da pandemia e as medidas de prevenção.</p>



<p>Esse esforço de transmitir informações sobre o coronavírus ficou ainda mais urgente quando os integrantes do Força Tururu foram às ruas da comunidade entrevistar os moradores. “Visitamos o posto de saúde, todos os mercadinhos e todas as farmácias da comunidade e entrevistamos as pessoas que encontramos na rua. E foi assuntador ver que a grande maioria delas não está preocupada”, conta o pedagogo André Fidelis.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Comunidade do Tururu contra o coronavírus" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/i92xvttKvZE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>O contato com coletivos periféricos do Rio de Janeiro &#8211; o Maré Vive, da Favela da Maré, e o Papo Reto, do Complexo do Alemão &#8211; acendeu o alerta para a necessidade de escutar a população e intensificar a comunicação popular no Tururu: “Eles estavam começando a fazer uma série de intervenções com o apoio da comunicação popular para arrecadar alimentos e suprimentos e estavam com bastante medo do avanço do coronavírus nas periferias. E aí, pensamos, não temos condições de ficar parados porque o cotidiano do Tururu não mudou muita coisa, tem muito estabelecimento fechado, mas também muitos outros abertos. Aí a gente começou a pensar: e se chegar no Tururu como é que vai ser isso?”, lembra André.</p>



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<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Comunicação integrada e em rede</strong> </h2>



<p>Para fortalecer
ainda mais a comunicação popular em Paulista e ultrapassar os
limites do Tururu, o grupo acionou a Rede de Coletivos Populares de
Paulista. Além do Força Tururu, compõem a Rede Coppa, o Escambo
Coletivo, o Observatório de Maranguape I, o coletivo M1 e o
Coletivas.  
</p>



<p>A Rede Coppa firmou
parceria com a Caus (Cooperativa Arquitetura, Urbanismo e Sociedade)
e está elaborando um mapa de vulnerabilidade da cidade de Paulista
para identificar os pontos da cidade onde a população é mais
vulnerável ao coronavírus, analisando idade, raça, gênero,
condição social. “Obtendo informações mais precisas, vamos
saber onde precisamos atuar com mais força, direcionando nossas
campanhas de esclarecimento para atingir esse público”, explica
Luana Alves, integrante do Escambo e do Coletivas.</p>



<p>No dia 5 de abril, a Rede Coppa lançou um <a href="https://www.facebook.com/360828437778352/posts/778515229343002/">manifesto nas redes sociais</a> apontando a falta de estrutura e serviços básicos nos bairros periféricos de Paulista para fazer frente à pandemia do coronavírus e criticando o governo “neofascista e ultraliberal” do presidente Jair Bolsonaro que toca “projetos de segurança pública que marginalizam, estigmatizam e corroem as comunidades pobres”. No documento, a Rede Coppa mexe com a autoestima da periferia: “Somos nós, a maioria da população, pobres, moradores e moradoras das periferias, que fazemos esse mundo girar, e a crise também mostrou que sem a gente as coisas não andam”.</p>



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	                </figure>

	


<p>Para Luana, a
comunicação construída nos territórios dá às comunidades o
acesso a uma informação política e crítica que faz um contraponto
às narrativas das mídias de massa. “Se tiver que criticar alguma
medida do governo ou da prefeitura a gente vai fazer, e a gente faz
isso trazendo para a realidade do território. Sempre que pensamos em
construir um texto ou alguma matéria falando pras comunidades, a
gente traz o problema e o identifica para a comunidade e temos uma
linguagem que é mais próxima e aí o morador manda mensagem no
direct e liga para tirar dúvida, liga porque a gente também é
morador do bairro, e se conhece. A gente tem esse ponto mais forte”,
explica.</p>



<p>A Rede Coppa existe
há três anos e surgiu do entendimento de que, para além da atuação
de cada coletivo nos seus respectivos territórios, há pautas em
âmbito municipal que atingem todas as comunidades de Paulista.
Somando forças, os coletivos fortalecem essas pautas como aconteceu
quando atuaram juridicamente contra os encaminhamentos da prefeitura
em relação à revisão do Plano Diretor Municipal. 
</p>



<p>Em Olinda, a estruturação de uma rede de coletivos é mais recente – foi criada no dia 25 do mês passado já sob a pandemia do coronavírus, embora seja fruto de um debate anterior. A Rede Orgânica Periférica de Olinda integra coletivos dos bairros do Alto do Sol Nascente, Alto da Conquista, Passarinho, Alto da Bondade, Peixinhos, Rio Doce e Salgadinho. Um dos primeiros atos do grupo foi <a href="https://www.change.org/p/prefeito-de-olinda-professor-lup%C3%A9rcio-a%C3%A7%C3%B5es-emergenciais-de-combate-%C3%A0-pandemia-da-covid-19-nas-comunidades-perif%C3%A9ricas-de-olinda?recruiter=1067539186&amp;utm_source=share_petition&amp;utm_medium=copylink&amp;utm_campaign=share_petition">produzir petições à Compesa e à Prefeitura de Olinda</a> reivindicando, entre outros pontos, a retomada da distribuição da merenda escolar na cidade, o restabelecimento do fornecimento de água nas comunidades, a distribuição de cestas básicas e kit de limpeza, a montagem de um atendimento remoto às mulheres vítimas de violência doméstica e a ampla divulgação de como vai funcionar o pagamento da renda básica emergencial do governo federal.</p>



<p>Numa outra frente, para dentro dos territórios, os coletivos vêm fazendo a comunicação direta para os moradores sobre os riscos do coronavírus. “Estamos tentando sensibilizar a comunidade sobre a importância do tema. Não é fácil porque dentro da comunidade todo mundo trabalha no dia de hoje para viver no dia de amanhã e se não trabalha não tem recurso para se sustentar, ainda mais quem tem filho pequeno dentro de casa. Terminam indo pra rua tentar vender ou fazer alguma coisa. Esse é o nosso grande gargalo aqui”, conta Erika Cardoso, integrante do grupo Grupo S.O.L. (Sonho, Organização e Luta).</p>



<p>O grupo atua há dois anos na comunidade do Alto do Sol Nascente com ações educativas e esportivas para cerca de 40 crianças e adolescentes, funcionando como um espaço de cidadania para a discussão de temas como diversidade e racismo. Com a pandemia, as atividades foram suspensas, mas o coletivo continua repassando informações e mobilizando a comunidade por meio do grupo de whatsapp das mães e responsáveis pelos jovens que participam do projeto.  </p>



<p>“Temos trocado muitas informações com elas, a gente pergunta como elas estão se virando nesse momento, mandamos informações sobre as cobranças que estamos fazendo junto à prefeitura.  Socializamos também as informações sobre os dias e horários em que acontecem as entregas de cestas básicas nas escolas da comunidade, porque foi algo muito mal elaborado pela prefeitura. Boa parte das famílias não sabia o dia nem os horários das entregas. Teve gente que chegou às 8h da manhã e as cestas só foram distribuídas à tarde. O que gerou muita aglomeração. Fizemos contato com as gestoras das escolas e repassamos as informações corretas para as pessoas”, conta Eduardo Maia, também integrante do grupo S.O.L.  </p>



<p>Nas redes sociais do
grupo, as postagens mais recentes chamam a atenção para o período
de pico do contágio em meados de abril, enfatizando a necessidade do
cuidado e do isolamento social; também trazem informações para o
preenchimento do cadastro no site da Caixa Econômica que dará
acesso aos recursos da renda básica. 
</p>



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<h2 class="wp-block-heading"> <strong>O combate às <em>fake news</em></strong> </h2>



<p>A proliferação da
desinformação nas redes sociais tem sido um dos principais
problemas enfrentados por quem está na ponta, nos territórios,
fazendo comunicação direta com as comunidades. “Você tem um
presidente que diz que tá tudo bem, tudo normal, e também existe a
proliferação das igrejas… No Alto do Sol Nascente pelo menos 30%
da população é evangélica, muitos votaram em Bolsonaro e o
discurso dele tem efeito. Aí vem um sentimento de não acreditar na
gravidade do coronavírus, achar que é conversa”, analisa Erika.</p>



<p>“Essa é uma
questão que nos preocupa muito porque vem aquela ideia de que não
vai acontecer, de que não vai acontecer comigo, que tá acontecendo
só nos bairros nobres. Mas a gente tenta mostrar que vai chegar,
sim, na periferia. Quem é que arruma as casas nos bairros nobres? É
quem tá na favela. Então automaticamente você acaba trazendo para
a favela. Estamos fazendo esse diálogo por whatsapp, no grupo das
mães, e também no nosso facebook que tem 2 mil seguidores e estamos
tendo retorno, as pessoas estão dialogando com a gente a partir do
que colocamos ali”, explica Erika.   
</p>



<p>A onda de desinformação e <em>fake news</em> nas primeiras semanas de disseminação do coronavírus no Brasil foi o que mais chamou a atenção do coletivo Pão e Tinta, que atua há nove anos no Bode, zona sul do Recife, coletivo de cultura, arte e comunicação ligado ao mundo do <em>graffiti</em>.  </p>



<p>Os integrantes já estavam bem informados da gravidade do tema porque têm amigos e amigas na Europa que mantinham o grupo atualizado sobre o alto grau de contagio e letalidade do vírus. Um desses depoimentos fez sucesso no instagram do Pão e Tinta. Gravado pela francesa <em>Tatum</em> num português fluente e na linguagem da quebrada, o vídeo apresenta a situação na França: “Tu pensa que o bagulho é pipoca? É não, bença. Fica em casa, misera, tá todo mundo amoitado aqui. Tamo aqui na França e na Itália com um bocado de gente morrendo. Quarentena é a única solução que a gente tem&#8230;”.</p>



<figure class="wp-block-embed-instagram wp-block-embed is-type-rich is-provider-instagram"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.instagram.com/tv/B-C_LYRH-cB/?igshid=td9qf4r9ms7
</div></figure>



<p>“Nosso primeiro nicho foi: vamos disseminar informações verídicas, que a gente tem certeza. E de uma forma lúdica. Pegamos algumas artes nossas, botamos uns dizeres em cima e soltamos nas redes sociais. Essa foi a primeira coisa, com isso a gente se ligou com a galera que começou a participar do #coronanasperiferias. Colamos também na galera <em>digital influencer</em>, que faz comunicação na blogueiragem e começamos a difundir conteúdo em rede&#8230;”, explica o arte educador Stilo Santos.  </p>



<p>A partir daí o Pão e Tinta e os integrantes da Livroteca Brincante do Pina foram pras ruas com megafone fazer um cortejo literário. “Yane Mendes, a cineasta periférica, fez um lambe-lambe, a gente também fez lambe-lambe aqui, chegou fazendo cortejo com nosso material e um material que a Prefeitura estava disponibilizando…. A gente colava um informativo e uma poesia, um informativo e uma poesia na casa das pessoas… ” conta Stilo. Para ele, a linguagem é importante porque atinge e sensibiliza as pessoas pelo sentido de proximidade, “semelhança na palavra, no <em>graffiti</em>, no jeito de falar”.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Livroteca Brincante do Pina" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/TOtuSVehMac?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>No Bode e em outras comunidades periféricas, os boatos e mentiras sobre o coronavírus não param de circular. Primeiro, o de que só os idosos eram afetados, depois que o Governo do Estado estava divulgando um número mais alto do que o real de infectados, em seguida <a href="https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/vidaurbana/2020/03/atestado-de-obito-no-recife-e-usado-em-fake-news.html">a história do borracheiro morto num acidente de trabalho e que constava como vítima do covid-19</a>, seguido pela disseminação de sites falsos para o cadastramento da renda básica… Stilo diz que tem sido muito difícil enfrentar as <em>fake news</em> por conta dos robôs da Internet que fazem os conteúdos falsos viralizarem.</p>



<p>A credibilidade do
comunicador popular, de quem vive na mesma comunidade e conhece de
perto a realidade dos vizinhos faz diferença. “Na maior parte das
periferias o comunicador é referência, ele vai debater desde a
renda básica, até o que é verdade ou não sobre o posto de saúde…
O comunicador popular é parado pelas pessoas na rua, as pessoas
esperam que a gente chegue nos debates para ser uma espécie de
julgador… e dizer o que é verdade mesmo”, aponta Stilo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Pelas ondas das rádios comunitárias</strong> </h2>



<p>Quando o assunto é desinformação, o diretor de comunicação da Abraço &#8211; Associação Brasileira de Rádios Comunitárias, Wagner Souto, gosta de lembrar que <a href="http://www.acaert.com.br/pesquisa-comprova-que-radio-e-tv-sao-veiculos-mais-confiaveis#.Xo9CCnJv_IU">o rádio é um veículo de comunicação de alta credibilidade na avaliação dos brasileiros</a>. Ele vê no veículo um instrumento poderoso de contranarrativa às <em>fake news</em> nas comunidades. Acontece que o coronavírus afetou economicamente a produção e a disseminação de conteúdo por muitos comunicadores dessas rádios que se sustentavam com o apoio cultural do pequeno comércio. “São as vezes 50 ou 100 reais semanais que fazem a diferença”, conta Wagner.  </p>



<p>Hoje a maior parte
das 850 rádios ligadas à Abraço, de um total de mais de 4 mil
rádios comunitárias outorgadas em todo o Brasil, estão funcionado
de forma limitada, com uma grade de programação reduzida. “Os
comunicadores estão na cara e na coragem para passar por esse
momento difícil. Os caras não podem desligar a rádio. Você não
pode deixar de fazer as transmissões ao vivo, a rádio não pode
ficar só tocando <em>playlist</em>, tem que ter uma programação
voltada a conscientizar a população e passar informações sobre o
coronavírus. Esse é um desafio que temos enfrentado”, afirma
Wagner. 
</p>



<p>Logo no início dos primeiros casos no Brasil, em março, a Abraço produziu e distribuiu para toda a sua rede de rádios <em>spots</em> alertando a população a não compartilhar notícias e informações falsas, checar a confiabilidade das fontes. Os comunicadores estão em permanente contato via grupos partilhados de <em>whatsapp</em> onde repassam e trocam conteúdos esclarecedores sobre o coronavírus.  </p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Abraço Brasil" width="500" height="375" src="https://www.youtube.com/embed/KNLaj-EXQA4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>“Posso garantir que 99% do pessoal que dirige as rádios comunitárias nos nossos grupos foram contrários ao primeiro pronunciamento de Bolsonaro minimizando o impacto da pandemia. Mesmo os caras entendendo que o isolamento total mantém o comércio local das periferias fechado, o que afeta os recursos das rádios, eles sabem que daqui a algum tempo essa curva de contágio vai passar e, então, economicamente os caras conseguem recuperar lá na frente, o que não dá para recuperar é a vida humana. Perdemos a conta de quantas emissoras estão retransmitindo nossas campanhas de esclarecimento e contra as <em>fake news</em>”.</p>



<p>A rádio comunitária é o principal instrumento de comunicação do grupo Caranguejo Uçá, do território pesqueiro da Ilha de Deus, no Recife. Diariamente das 9h às 13h, o comunicador social e ativista Edson Fly apresenta o programa Som e Ação que tem sido muito pautado nas ações de combate à desinformação e na disseminação de conteúdos qualificados sobre a proliferação e também a prevenção ao coronavírus. Programa voltado especialmente para os pescadores e pescadoras.  </p>



<p>Nesta semana passada, voltou ao ar na Rádio Boca da Ilha o Programa da Ciranda de Mulheres, apresentado por Teresinha Filha, Fran Silva e Eloisa Amaral, numa parceria com a Rede Aroeiras, voltada para temas relacionados à saúde da mulher . O programa, além de trazer informações para as mulheres, se propõe a ser um espaço de acolhimento, prevenção e organização política.</p>



<p>No momento, pretende divulgar as plantas e produtos derivados que podem aumentar a imunidade das pessoas em tempos de pandemia.</p>



<p>As informações divulgadas no programa são resultado de pesquisas desenvolvidas por bioquímicas, biólogas e outras profissionais que estão gravando áudios e produzindo cards para serem disseminados nas redes sociais do Caranguejo. “O tratamento com as plantas pode ter um efeito importante na saúde. O xarope de angico é muito bom para questões respiratórias, a própria amburana de cheiro, porque as vezes essas pessoas começam com uma doença respiratória mais simples e, se cuidar logo, acredito eu, estarão mais protegidas”, relata Teresinha.</p>



<p>Ela fala do quão importante é fazer uma comunicação direta para as mulheres neste momento de isolamento social. “Dizer para elas sobre os cuidados com a saúde, como se organizarem e ficarem mais fortalecidas. A própria questão da violência doméstica, com a maior presença dos homens dentro de casa, precisa ser abordada nessa comunicação. São temas que queremos levar para a reflexão no programa”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<p>Mais uma vez as <em>fake news</em> são um ponto chave da comunicação popular. “Esse é um tema permanente. E aí tem os evangélicos. Recentemente vi uma pessoa dizendo que ia pra igreja, que lá era o lugar dela. Vai se construindo uma ideia de que é seguro, de que o vírus não é grande coisa… Quem faz a comunicação na comunidade tem esse desafio de mostrar a dimensão do que isso significa, o número de casos, a gravidade, como se processa a doença. Entendendo que muita gente não tem condições de renda para ficar em casa, daí a importância das campanhas de arrecadação de alimentos e produtos de limpeza e higiene”, destaca Teresinha Filha.</p>



<p>Ela alerta, no entanto, para o fato de que muitas famílias estão sem dinheiro para comprar os medicamentos de uso contínuo de que precisam, medicamentos caros que preservam a vida de muitos idosos e não são oferecidos na rede pública de saúde. As doações em dinheiro permitem a compra emergencial desses remédios para famílias residentes nas periferias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"> “<strong>Lutamos até pelos que não acreditam”</strong> </h2>



<p>Na comunidade de Caranguejo Tabaiares, na zona Oeste do Recife, a luta pelo direito à moradia e contra a especulação imobiliária e as ameaças de desocupação por parte da Prefeitura do Recife, forjou o coletivo Caranguejo Tabaiares Resiste, que hoje promove uma comunicação comunitária centrada no combate à pandemia do coronavírus no território que agrega mais de 1,5 mil famílias. Boa parte delas de pescadores e pescadoras. </p>



<p>Nas redes do coletivo, o destaque são os vídeos com depoimentos de integrantes do grupo ou de moradores e os relatos em texto.</p>



<p>Num deles, assinado por Joelle, integrante do coletivo Caranguejo Tabaiares Resiste, o foco é para o impacto do coronavírus na vida das travestis que vivem nas comunidades. “Se a pandemia se espalhar na comunidade vai ser bastante grave, tanto para nós travestis, quanto para as mulheres cis, mas a pergunta é: quem vai cuidar de nós? Esse período não é tempo de odiar alguém pelo que é ou pelo que tem, e sim de ajudar, pois quanto maior o número de pessoas infectadas, maior o risco de chegar nas comunidades”.</p>



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<p>Quem cuida das redes sociais do Caranguejo Tabaiares é Jessica Fernanda Oliveira. Assim como acontece nas outras comunidades do Grande Recife, o desafio é falar de isolamento social para quem precisa sair de casa e garantir a renda do dia a dia. “Lançamos a campanha Fica em Casa porque é o melhor a se fazer agora, mas sabemos o quanto é difícil para quem mora em comunidade. Aqui muita gente vive de vender água e pipoca nos sinais. Por isso estamos fazendo também uma campanha de arrecadação de cestas básicas emergenciais e contamos com parceiros como a Articulação Recife de Luta”.  </p>



<p>A ideia de que o coronavírus é uma doença de rico e não vai chegar às periferias também está enraizada em Tabaiares. “Chegam a dizer até que a gente está agourando. Mas quando a pandemia chegar nas comunidades o número de mortos vai subir 100% porque não tem estrutura para uma doença dessa que está afetando o mundo todo, a classe média. Nos sentimos na obrigação de lutar até pelos que não acreditam. Estamos lutando porque estamos esquecidos pelo poder público. Tem muito coletivo também nas periferias nesse combate tentando abrir os olhos das pessoas e do poder público. Muita gente diz que estamos no mesmo barco, mas nós sabemos que não é assim”.  </p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="18FDTaHaUT"><a href="https://marcozero.org/marco-zero-mapeia-iniciativas-de-comunicacao-popular-no-grande-recife/">Marco Zero mapeia iniciativas de comunicação popular no Grande Recife</a></blockquote><iframe loading="lazy" class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Marco Zero mapeia iniciativas de comunicação popular no Grande Recife&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/marco-zero-mapeia-iniciativas-de-comunicacao-popular-no-grande-recife/embed/#?secret=Sselw9xiAD#?secret=18FDTaHaUT" data-secret="18FDTaHaUT" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<p>O post <a href="https://marcozero.org/comunicacao-produzida-nos-territorios-enfrenta-rede-de-desinformacao-sobre-o-coronavirus/">Comunicação produzida nos territórios enfrenta rede de desinformação sobre o coronavírus</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Pré-Ocupa Política promove debates e ações culturais nas periferias do Grande Recife</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Aug 2019 15:04:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A programação do Ocupa Política começa oficialmente no dia 29 de agosto, a próxima sexta-feira. Mas, até lá, a periferia do Grande Recife vai respirar política e cultura com as atividades do Pré-Ocupa: uma forma de levar os debates para os territórios e para chamar a população para o evento principal. A partir deste sábado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-18264" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/selo-ocupa-política-e1565906338505.png" alt="selo ocupa política" width="150" height="101">A <a href="http://marcozero.org/confira-a-programacao-do-encontro-ocupa-politica-no-recife/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">programação do Ocupa Política </a>começa oficialmente no dia 29 de agosto, a próxima sexta-feira. Mas, até lá, a periferia do Grande Recife vai respirar política e cultura com as atividades do Pré-Ocupa: uma forma de levar os debates para os territórios e para chamar a população para o evento principal. A partir deste sábado e até a véspera do encontro, quatro comunidades irão receber debates, rodas de diálogo e manifestações culturais. Confira a programação.
<h2>Igarassu</h2>
<p style="font-weight: 400;"><img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/f16/1/32/1f5d3.png" alt="">&nbsp;<strong>Sábado&nbsp;(24)</strong>,<strong> a partir das 16h20</strong>
<strong> <img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/fe7/1/32/1f4cd.png" alt=""><em>&nbsp;Praça de Cruz de Rebouças</em></strong>

<p style="font-weight: 400;">Morador da comunidade do Pancó, Otho faz parte do coletivo Catucá, um grupo de 20 pessoas que se juntou no ano passado. Em um cenário nacional de perda de direitos, o grupo surgiu do anseio e da necessidade da construção do debate político em Igarassu. &#8220;Por mais que houvesse um esforço, o debate estava muito concentrado na capital. As cidades da região metropolitana, da mata norte e do litoral também têm suas próprias necessidades de pauta política&#8221;, diz Otho. &#8220;A gente percebeu que a gente precisava criar um processo de auto-estima para nossa quebrada. É muito difícil não ter voz na nossa cidade, ter que fazer os corres no Recife.&nbsp;O&nbsp;processo de perda de direitos se reflete diretamente em quem permanece no chão da fábrica. Há, sim, um crescente desemprego e informalidade, mas por aqui a indústria ainda é muito forte por conta do pólo da Fiat. Os jovens de Igarassu saem da escola para as fábricas&#8221;, conta.</p>


<div id="attachment_18416" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18416" class="wp-image-18416 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/coletivoCatuca-1024x690.jpg" alt="O coletivo catucá, de Igarassu" width="702" height="473"><p id="caption-attachment-18416" class="wp-caption-text">O coletivo Catucá, de Igarassu</p></div>
<p style="font-weight: 400;">O tema do debate em Igarassu vai ser o nepotismo. Um tema que voltou ao debate nacional com a vontade de Bolsonaro indicar o filho Eduardo, para a embaixada dos Estados Unidos. &#8220;Mas temos no campo estadual essa romantização, inclusive da esquerda, de João Campos, que hoje é deputado, mas foi chefe de gabinete do Governo do Estado sem ter experiência alguma. Aqui em Igarassu, o prefeito Mário Ricardo (PTB), ligado a Armando Monteiro e que apoiou Bolsonaro no segundo turno, colocou o filho para concorrer a deputado estadual. Ele não ganhou, mas já é apontado como sucessor do pai na prefeitura&#8221;, detalha Otho.</p>
Participam do debate a professora de história Milena Cristina, o doutorando em religião e integrante do Catucá, Maílson Cabral, e a integrante do coletivo Fala Alto, Rafa Ramos. Na parte musical, vai ter batalha com 12 MCs de Igarassu, Abreu e Lima e Goiana, com&nbsp;a participação da Batalha do Sítio Histórico, Batalha Histórica, Batalha do Núcleo e Batalha da Cruz.
<h2>Alto Santa Terezinha</h2>
<img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/f16/1/32/1f5d3.png" alt="">&nbsp;<strong>Domingo (25)</strong>,<strong> a partir das 16h20</strong>
<strong> <img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/fe7/1/32/1f4cd.png" alt="">&nbsp;<em>Rua Aníbal Benévolo, 715</em></strong>

O coletivo Fala Alto também é recém-formado, com atuação que começou em 2018. O tema escolhido para o debate poderia ter sido escolhido por várias outras comunidades pobres: &#8220;Só vem quando tem voto&#8221;. &#8220;É o que a gente vive. E fazer resistência política na base é a forma que a gente tem de conversar com o outro, da periferia. Mesmo os políticos de esquerda não chegam para ter interesse de conversar, de coligar&#8221;, diz Priscila Melo, integrante do coletivo.

Com pouco mais de sete mil moradores, o Alto Santa Terezinha é um bairro pobre na Zona Norte do Recife, onde a renda domiciliar é, em média, de um salário mínimo. Há três anos, o Alto recebeu o primeiro Compaz do Recife, mas ainda não tem uma creche, uma reivindicação dos moradores que já ultrapassa uma década. &#8220;A prefeitura comprou o imóvel no Córrego do Deodato, que hoje está em ruínas, e não fez nada lá&#8221;, reclama Pricila.

O Fala Alto tem apenas seis pessoas e atua pontualmente na conscientização sobre a reforma da previdência e junto com o Gajop, instruindo sobre processos jurídicos. A ideia do grupo é desenvolver uma conversa contínua com a comunidade da qual faz parte. No debate do Pré-Ocupa, vão participar também Otho, do coletivo Catucá e Beatriz Santos do coletivo Cara Preta. As atrações culturais são os grupos O tem som de U, Coco da Bomba e Andynho, com rock, coco e pagode.
<h2>Água Fria</h2>
<img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/f16/1/32/1f5d3.png" alt="">&nbsp;<strong>Terça-feira&nbsp;(27),&nbsp;a partir das 16h20</strong>
<strong><img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/fe7/1/32/1f4cd.png" alt="">&nbsp;<em>Campo do Barreirão, no Alto no Pereirinha
</em></strong>

No Campo do Pereirinha, em Água Fria, as terças-feiras rotineiramente são movimentadas pelo <a href="http://marcozero.org/poesia-falada-flecha-politica-e-mobilizacao-na-periferia-do-recife/">Recital Boca no Trombone</a>, que reúne jovens da comunidade e de outros lugares que aparecem para acompanhar as batalhas de poesia. No dia 27, o Pré-Ocupa se integra à dinâmica local.

O tema da batalha será “Tempos difíceis, era bostanaro” e o recital propõe o mote de “O corre da vida delas”. Nada é por acaso, explica Larissa Themonia, do Recital Boca no Trombone e da Aquilomba, coletivo que reúne mulheres e grupos de periferia na região metropolitana. A ideia é falar de maneira simples, do jeito como a juventude se expressa, sobre questões políticas que dizem respeito a todo mundo. &#8220;O corre de todo dia é conseguir sobreviver nessa conjuntura política em que lidamos com o desmonte de políticas, com o racismo e machismo”, explica.

<div id="attachment_18430" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/24989757947_51e76bd4dc_b.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18430" class="wp-image-18430" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/24989757947_51e76bd4dc_b.jpg" alt="Recital Boca no Trombone. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="702" height="468"></a><p id="caption-attachment-18430" class="wp-caption-text">Recital Boca no Trombone. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Para ela, o Ocupa Política é a chance de aprender a ocupar e atuar nos espaços políticos institucionais. Sair da periferia com as pautas e o modo de fazer político da periferia. “Tanto a gente pode aprender a incidir efetivamente com candidaturas coletivas, fazer conexões, trocas de experiência com essas pessoas para aprender como chegar lá, como também podemos oferecer à nova política um aprendizado de chegar no território, conversar com a galera, com diálogo que as pessoas entendam”, comenta.
<h2>Ibura</h2>
<img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/f16/1/32/1f5d3.png" alt="">&nbsp;<strong>Quarta-feira&nbsp;(28),&nbsp;a partir das 16h20</strong>
<strong><img decoding="async" class="_1ift _1ifu img" style="color: #ffffff;" src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/fe7/1/32/1f4cd.png" alt="">&nbsp;<em>Praça da UR11, Jaboatão dos Guararapes</em></strong>

O Pacote Anticrime proposto pelo ministro da justiça Sérgio Moro é o tema escolhido para a atividade no Ibura, bairro do Recife que convive com a violência e ineficiência do poder público e forças de segurança.&#8221;O tema foi pensado pelo fato do Ibura ter um índice de violência com a juventude negra, e o pacote anti-crime&nbsp; nos atinge diretamente, acelerando o encarceramento em massa”, explicaram as integrantes do Coletivo Periféricas. O pacote também vem sendo criticado de modo organizado pelo movimento negro brasileiro &#8211; em fevereiro, uma denúncia formal foi feita na Comissão Interamericana de Direitos (CIDH), órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Em 2018, o bairro viveu meses de terror quando uma guerra entre o tráfico e milícias deflagrou uma <a href="http://marcozero.org/o-que-esta-acontecendo-no-ibura/">escalada de violência que assustou moradores</a>. O bairro vem sendo gradualmente ocupado por coletivos e movimentos que utilizam a arte e educação para mudar a realidade local. O Coletivo Periféricas, Espaço Cultural das Marias, Ibura+Cultura, Favela LGBT, UR11 Free Style, Recital Revolta da Periferia, Coco do Besouro e Aquilomba são alguns desses e estão na organização do evento.

Conectadas e em diálogo com outros bairros, afirmam que o tema de Santa Terezinha, por exemplo, também&nbsp; seria estratégico no Ibura. &#8220;Pelo fato da velha política estar presente nos parlamentares que são eleitos pelo nosso território”, explica.

Articulados, os coletivos têm afirmado também que o Ocupa Política é uma oportunidade de fortalecer as experiências e sujeitos locais, mas com participação e protagonismo de quem está fora dos centros de poder. &#8220;O ocupa vem com uma proposta muito estratégica que é viabilizar a informação, e como coletivo o que sempre tivemos a oferecer sempre foi o nosso quilombo”, conta.

O recado vale não só para esta mobilização, mas para a política em geral. &#8220;É uma experiência inovadora, porém é importante pessoas negras e de favela estarem participando das tomadas de decisões em cada processo no qual somos diretamente atingidos”, explicam.<p>O post <a href="https://marcozero.org/pre-ocupa-politica-promove-debates-e-acoes-culturais-nas-periferias-do-grande-recife/">Pré-Ocupa Política promove debates e ações culturais nas periferias do Grande Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>3ª Conferência Metropolitana de Transportes acontece hoje sem acatar reivindicações dos movimentos sociais e sindicatos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Dec 2018 17:54:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>De maio até agora, as questões que permeiam a 3ª Conferência Metropolitana de Transportes continuam sendo as mesmas. A Frente de Luta pelo Transporte Público (FLTP) reivindica que a composição do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) tenha paridade entre os representantes empresariais, governamentais e populares e questiona a condução da conferência que acontece hoje, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[De maio até agora, as questões que permeiam a 3ª Conferência Metropolitana de Transportes continuam sendo as mesmas. A Frente de Luta pelo Transporte Público (FLTP) reivindica que a composição do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) tenha paridade entre os representantes empresariais, governamentais e populares e questiona a condução da conferência que acontece hoje, no Hotel Jangadeiro, na Zona Sul do Recife.

O evento está sendo coordenado pelo Grande Recife Consórcio de Transporte sob grande resistência dos movimentos sociais e sindicatos, já que as reivindicações não foram levadas em conta. O resultado da conferência é importante porque tem como objetivo eleger representantes da sociedade civil para o conselho, justamente os conselheiros que debaterão o reajuste das passagens em 2019.

Na última quarta-feira (6), o Conselho Popular de Direitos Humanos (CPDH) entrou com representação junto ao Ministério Público Estadual (MPPE) solicitando investigação e acompanhamento do processo de realização do evento. Em nota, o CPDH afirma que houve irregularidades envolvendo a Comissão de Elaboração e Realização da Conferência e pede que o ministério considere nulas as votações desta quinta-feira.

“A ausência de publicação da Portaria 192-1, CTM, no Diáro Oficial, que estabelecia a comissão de trabalho de preparação da conferência, a não apresentação do cronograma e de estudos técnicos e financeiros para a realização do espaço, a comunicação das datas das Reuniões Preparatórias com apenas sete dias de antecedência e violação do procedimento de votação previsto no Regimento Interno das Reuniões Preparatórias são alguns dos pontos que levantamos (no documento apresentado ao MPPE)”, explica o órgão.

A votação dos conselheiros da sociedade civil para o CSTM está prevista para às 15h, com divulgação do resultado às 17h. Ao todo são oito vagas, sendo 4 para usuários comuns, 2 para estudantes, 1 para pessoa idosa e 1 para pessoa com deficiência. O conselho é composto por 29 membros efetivos.

<span style="color: #222222;">Em resposta a reportagem da Marco Zero Conteúdo, o Grande Recife informou que ainda não foi notificado sobre a representação realizada pelo Centro Popular de Direitos Humanos(CPDH) ao Ministério Público Estadual.</span>
<h2><b>Histórico</b></h2>
<p style="font-weight: normal;">Em maio deste ano, após decisão judicial que ordenou a suspensão de qualquer debate sobre reajuste de tarifas de ônibus até que a composição do CSTM fosse votada e regularizada, o Grande Recife consórcio iniciou as plenárias preparatórias para a conferência e tentou a sua realização em 12 de junho. Contudo, o evento foi suspenso como resultado de votação assim como a proposta de manutenção da composição atual do conselho também foi derrotada.</p>
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		<title>Bloco-ônibus &#8220;Eu Acho é Caro&#8221; desfila neste domingo (18)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Mar 2018 17:27:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Bota a planilha no sol, governador” é o tema do protesto que&#160;‘bloco-ônibus’ “Eu Acho é Caro” faz neste domingo (18). A saída será às 8h30, do Trevo de Beberibe (Praça da Convenção) em direção à praia do Pina. O embarque é gratuito. Crítica à falta de transparência das informações sobre as receitas das empresas de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[“Bota a planilha no sol, governador” é o tema do protesto que&nbsp;‘bloco-ônibus’ “Eu Acho é Caro” faz neste domingo (18). A saída será às 8h30, do Trevo de Beberibe (Praça da Convenção) em direção à praia do Pina. O embarque é gratuito.

Crítica à<a href="http://marcozero.org/falta-de-transparencia-marca-debate-sobre-reajuste-das-passagens-de-onibus/"> falta de transparência</a> das informações sobre as receitas das empresas de ônibus na Região Metropolitana do Recife, o Carnaval fora de época da agremiação quer relembrar&nbsp;a ação popular movida pela Rede de Articulação pela Mobilidade (RAMO), com assessoria jurídica do Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), movida em janeiro deste ano.&nbsp; Na época, a RAMO solicitou ao consórcio Grande Recife os documentos que comprovam custos e ganhos das empresas de ônibus fossem divulgados, mas, até agora&nbsp;as informações não foram disponibilizadas.

Na mesma ação, a RAMO também pede as informações sobre <a href="http://marcozero.org/relatorio-do-tce-ja-alertava-sobre-erros-nas-concessoes-de-onibus-em-2013/">contratos das permissionárias do sistema</a>, planilhas analíticas e demonstrativos de fluxo de caixa das operadoras,&nbsp;<a href="http://marcozero.org/quem-da-as-cartas-no-conselho-que-decide-pelo-aumento-da-passagem-de-onibus/"> os critérios para reajustes</a>&nbsp; das passagens, entre outras informações. “Várias informações deveriam ser públicas, mas não são, e a sociedade civil precisa saber e ter seus direitos respeitados”, argumenta Thiago Jerohan, um dos organizadores do protesto.

O bloco Eu Acho é Caro foi formado este ano por várias entidades da&nbsp;sociedade civil, entre elas o Movimento RUA &#8211; Juventude Anticapitalista, Centro Popular de Direitos Humanos, Grupo Contestação, Coletivo Anarcofestivo Ocupe Estelita, CicloAção, UEP, Ameciclo. Em janeiro passado, a agremiação realizou seu primeiro desfile com o ônibus tarifa zero e, no último Carnaval, saiu no Sábado de Zé Pereira ao lado dos prédios gigantes do bloco Empatando Tua Vista.

&nbsp;<p>O post <a href="https://marcozero.org/bloco-onibus-eu-acho-e-caro-desfila-neste-domingo-18/">Bloco-ônibus &#8220;Eu Acho é Caro&#8221; desfila neste domingo (18)</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Relatório do TCE já alertava sobre falhas nas concessões de ônibus em 2013</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Feb 2018 20:52:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O atual silêncio do Poder Público e das empresas de transporte sobre o reajuste das passagens de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR), cogitado no começo do ano, dá ao cidadão uma falsa ideia de trégua neste terreno. Embora o debate tenha sido abafado por soluções temporárias &#8211; como a suspensão provisória de reajustes [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[O atual silêncio do Poder Público e das empresas de transporte sobre o reajuste das passagens de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR), cogitado no começo do ano, dá ao cidadão uma falsa ideia de trégua neste terreno. Embora o debate tenha sido abafado por soluções temporárias &#8211; como a suspensão provisória de reajustes por sentença judicial e a estratégia do governo de desviar-se do tema em ano eleitoral &#8211;&nbsp;&nbsp;o alto custo e a má qualidade do serviço público permanecem. Muitos desses problemas resultam de erros acumulados desde a licitação dos contratos das operadoras, em 2013, como já apontava uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) publicada no mesmo ano.

Comprometimento da competitividade; mau dimensionamento dos objetos de licitação; e critérios pouco claros são alguns dos achados do relatório de auditoria especial realizado pela Gerência de Licitações do TCE-PE, ao qual a reportagem teve acesso. O material avalia mais diretamente a concorrência de dois dos sete lotes de linhas de ônibus nos quais o Sistema de Transporte Público de Passageiros da RMR foi dividido. Esses dois lotes tiveram contratos assinados em setembro de 2013, que ainda estão em vigor no sistema BRT (Bus Rapid Transit), formado pelos corredores Norte-Sul e Leste-Oeste.

Na época, tanto a condução da licitação como o teor dos editais levou os auditores do TCE a concluírem que a economicidade e a modicidade da tarifa foram prejudicadas. Em outras palavras, o custo-benefício dos contratos para a administração pública e a garantia de um preço de passagens acessível a todos os cidadãos ficaram comprometidas no processo.

As peças soltas nas concorrências foram observadas pelos auditores desde uma primeira tentativa de licitação das linhas de ônibus, cujo objeto abarcava todos os sete lotes do sistema de transporte. O edital foi lançado em abril de 2013, mas as&nbsp;empresas não apareceram. Assim, o certamente foi refeito e, em junho do mesmo ano, uma segunda concorrência foi lançada levando em conta algumas recomendações do TCE. Porém,&nbsp;sem que todos os problemas estivessem sanados,&nbsp;outras irregularidades ainda foram acrescentados na lista, na análise dos auditores.

O segundo edital limitou a concorrência a apenas dois lotes correspondentes ao BRT, deixando 70% do sistema de transporte de fora da disputa. Além disso, as regras foram alteradas para permitir “a participação de uma quantidade ilimitada de empresas por consórcio”. Antes, os consórcios eram limitados a três empresas. Na prática, significa dizer que todas as antigas operadoras do sistema poderiam ter formado agrupamentos ilimitados para ganhar uma parte do bolo, algo que comprometeria a competitividade, na avaliação dos especialistas do órgão.

O relatório aponta que a concorrência, cujo valor global foi de de R$ 4,5 bilhões, resultou em apenas uma proposta para cada um dos lotes em disputa, sendo “cada uma dessas propostas feita pelas empresas que já operavam as linhas do lote antes da licitação (Consórcio Conorte, formado pelas empresas Cidade Alta, Itamaracá e Rodotur, no lote um, e a Rodoviária Metropolitana, no lote 2)”. Neste ponto, os auditores concluíram que“combinações e arranjos entre os operadores podem sugerir conluio”.

Para piorar o quadro, diz a auditoria especial, &#8220;essas empresas ofertaram exatamente o valor máximo que a administração se propõe a pagar pela prestação dos serviços”. O relatório ainda apontava falta de transparência no modelo de reajustes dos contratos previsto no edital do BRT. Isso porque a fórmula matemática não estava expressa na licitação, nem foram considerados os ganhos de produtividade das concessionárias e a transferência deles para os usuários, algo que poderia ajudar a reduzir o preço das passagens na RMR.

O levantamento do TCE também apontou incoerência do edital ao deixar em aberto a “possibilidade de indenizações aos operadores em caso de frustração de demanda”. Em uma situação de redução da frota, por exemplo, a aplicação dessa regra não levaria ao reequilíbrio do contrato reduzindo o seu valor, mas poderia resultar numa indenização aos operadores.

Esses e outros achados negativos levaram a equipe técnica do Grupo de Licitações do TCE a concluir, na época, que “o edital não deveria prosperar”. O processo, contudo, não foi suspenso porque os conselheiros do TCE julgaram que as irregularidades apontadas nos relatórios sobre as licitações dos ônibus foram meramente formais ou &#8220;decorreram de excesso de zelo da equipe de auditoria&#8221;, diz o julgamento da casa que considerou regular, com ressalvas, a auditoria realizada nos editais de licitação do Consórcio de Transportes da Região Metropolitana do Recife.

<strong>Novos contratos</strong>

Os cinco lotes que ficaram de fora da segunda disputa também foram objeto de um terceiro edital (Concorrência 03/2013), lançado posteriormente, e de auditoria do TCE. Diz o relatório dos auditores:
<blockquote>&#8220;O Edital de Concorrência 03/2013 apresenta algumas mudanças em relação ao edital da Concorrência 01/2013, e basicamente repete o conteúdo do edital da concorrência 02/2013. Lembra-se que na Concorrência 03/2013 estão em disputa cinco dos sete lotes em que o STPP/RMR foi dividido, pois os outros dois lotes já foram licitados na Concorrência 02/2013. (&#8230;) inconsistências apontadas quando da análise do edital da Concorrência 02/2013 continuam a ser apontadas na análise do edital da CC 03/2013. Estas inconsistências, segundo a opinião desta equipe técnica, comprometem a competitividade da licitação e, em consequência, a economicidade e a modicidade tarifária, comprometendo assim a prestação de serviço adequado (&#8230;) Esse comprometimento é devido (&#8230;) à divisão do STPP/RMR em apenas 7 lotes e à possibilidade de participação na licitação de consórcios com quantidade ilimitada de empresas, situação que pode fazer com que os atuais operadores se distribuam em arranjos nos quais todos continuem, após a licitação, a operar as mesmas linhas anteriores à licitação.&#8221;</blockquote>
Embora essa terceira concorrência tenha sido realizada, os contratos não foram assinados. Não há total clareza sobre os reais motivos que levaram a não assinatura, mas uma explicação viável estaria ligada a problemas&nbsp;nos editais. &#8220;Da forma como os editais foram feitos, a assinatura de novos contratos se tornou inviável do ponto de vista financeiro”, argumenta Pedro Joseph, advogado da Frente de Luta pelo Transporte Público. Sem contratos de concessão, as empresas atuam como permissionárias, algo que gera insegurança jurídica, avalia o advogado do Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), Thiago Scavuzzi. &#8220;Contratos de permissão têm menor complexidade e, por isso, até a fiscalização do cumprimento das normas por parte das empresas fica comprometida&#8221;, aponta.

É notável então que a má condução das licitações, como apontou o TCE, tem boa parcela de culpa na conta cara do transporte coletivo, paga pelo governo e, no fim da ponta, pelos usuários diários do serviço. Por ano, o governo&nbsp; injeta cerca de R$ 200 milhões em subsídios no sistema. Do outro lado, o cidadão é penalizado com passagens caras e serviços precários. Desde 2014, somente a tarifa A, a mais usada, passou de R$ 2,15 para atuais R$ 3,20.

No começo deste ano, um novo aumento de 11%, que elevaria o Anel A para R$ 3,55, começou a ser negociado entre o Consórcio Grande Recife, a Urbana-PE e o Governo do Estado. Por iniciativa da sociedade civil, que moveu uma ação para barrar o reajuste, uma sentença judicial determinou que um novo preço somente poderia começar a valer quando o estado&nbsp;realizar a Conferência Metropolitana de Transporte e cumprir outras determinações, como divulgar os custos das operadoras do sistema. A Conferência deveria ter acontecido no ano passado para eleger novos membros do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM).

Segundo o Consórcio Grande Recife, a Conferência está sendo organizada, mas ainda não teve sua data divulgada. O Consórcio ainda informou que o estudo sobre a viabilidade de uma tarifa única no sistema de transporte coletivo da RMR, prometida desde a campanha pelo governador Paulo Câmara (PSB), ainda não foi concluído. A Frente de Luta pelo Transporte Público e alguns conselheiros do CSTM, inclusive, protocolaram um pedido de estudo técnico de implementação da tarifa única no último dia 12 de janeiro na Secretaria Estadual de Cidades, que não foi respondido. Por nota, a Frente informou que, no dia 2 de fevereiro, apresentou um pedido de audiência com o governador para tratar das questões relacionadas ao transporte e à mobilidade, mas também não obteve resposta.

O Grande Recife Consórcio preferiu não comentar os apontamentos feitos no relatório do TCE ao qual a reportagem teve acesso. A Urbana-PE, sindicato das empresas de ônibus, também não comentou o relatório do TCE, mas se posicionou em relação à não assinatura dos contratos dos cinco lotes restantes.&nbsp;&nbsp;Por nota, a Urbana-PE informou que a continuidade do processo &#8220;representa uma melhoria dos serviços prestados pelas operadoras e possibilidade de investimentos a longo prazo que, aliadas à priorização do transporte coletivo através dos corredores BRT e faixas exclusivas, impactará significativamente na qualidade do transporte público na região&#8221;.

Para quem usa o sistema no mundo real, e não no cenário idealizado pelas empresas, os efeitos nocivos do jogo de empurra entre o Consórcio Grande Recife, a Urbana-PE e o Governo do Estado, persistem e se agravam ano após ano.

Confira o relatório da auditoria especial do TCE:

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		<title>Quem dá as cartas no conselho que decide pelo aumento da passagem de ônibus?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2018 21:51:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto se acirram os debates sobre o aumento das passagens de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR), o papel dos envolvidos no processo se torna mais claro. Em uma ponta estão as empresas de transporte, que já apresentaram uma proposta de aumento de 11% das tarifas, representadas pela Urbana-PE. Do outro lado, os movimentos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<span style="color: #333333;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;">Enquanto se acirram os debates sobre o aumento das passagens de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR), o papel dos envolvidos no processo se torna mais claro. Em uma ponta estão as empresas de transporte, que já apresentaram uma proposta de aumento de 11% das tarifas, representadas pela Urbana-PE. Do outro lado, os movimentos sociais pressionam pelo reajuste zero e pela tarifa única, essa última promessa de campanha do governador Paulo Câmara.&nbsp;O governo do estado, por sua vez, faz malabarismo para equilibrar as forças antagônicas e assim evitar o desgaste da imagem em ano eleitoral.</span></span>

O que pouco se observa por trás da coxia dessa disputa é o papel de um grupo formado por 24 pessoas, o qual tem o poder de sacramentar os reajustes sobre as já onerosas tarifas pagas pelos dois milhões de usuários diários do Sistema de Transporte Público.&nbsp; Está nas mãos do chamado Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), órgão colegiado presidido pelo secretário das Cidades do Estado, a decisão de aumentar ou não as passagens, bem como o veredito em outras questões estratégicas que envolvem o sistema de transporte público, a exemplo da edição de normas a serem seguidas pelas empresas de ônibus e a aprovação de revisões contratuais do sistema de ônibus.

Chama atenção, contudo, o fato de decisões tão importantes serem deliberadas quase que em total sigilo. Os debates do CSTM sobre revisões tarifárias são historicamente conduzidos a portas fechadas, sem que cidadãos e a imprensa possam acompanhar a votação das propostas feitas pelas empresas de ônibus e pelos representantes da sociedade civil. Os votos dos conselheiros também não são divulgados no site do Grande Recife, muito embora o consórcio informe que eles podem ser solicitados por qualquer cidadão e, a pedido da reportagem, a empresa tenha fornecido o resultado da última votação por meio de sua assessoria de imprensa.

Também causa estranhamento o fato de, muitas vezes, as decisões que impactam a vida de milhares de cidadãos serem tomadas de forma precipitada. Um exemplo dessa &#8216;rapidez excessiva&#8217; foi a reunião tarifária realizada em janeiro de 2017, na qual o Conselho decidiu pelo reajuste de mais de 14% nas passagens em um tempo recorde de pouco mais de um minuto.
<h3><strong>Composição</strong></h3>
Os nomes dos integrantes do CSTM estão acessíveis no site do consórcio Grande Recife (veja abaixo a lista completa). Contudo, a lista diz pouco sobre como a composição do Conselho interfere no resultado de suas decisões. Dos 24 integrantes, apenas oito representam os usuários do sistema. Ou seja, mais de 60% é de representantes estão ligados ao governo e/ou às empresas de transporte. Então, na prática, o governo e as empresas teriam 16 votos contra oito da sociedade civil, mais um do representante dos rodoviários, denunciam os movimentos sociais ligados à temática do transporte público.

<span style="color: #333333;">Das oito cadeiras da sociedade civil, dois representam os estudantes, um a gratuidade dos idosos, um a gratuidade das pessoas com deficiência e quatro, os usuários. </span><span style="color: #333333;">Eles foram eleitos na&nbsp;</span><span style="color: #222222;">2ª Conferência de Transportes</span><span style="color: #333333;"> Metropolitano, realizada no dia 15 de setembro de 201</span><span style="color: #333333;">5 para um mandato de dois anos. Por isso, </span><span style="color: #333333;">os atuais conselheiros </span><span style="color: #333333;"> estariam atuando com mandato vencido, como denuncia a Rede de Articulação pela Mobilidade (RAMO), que reúne vários movimentos sociais ligados à temática do transporte público.</span>

A ilegalidade da atuação do CSTM é um dos argumentos utilizados pelos movimentos sociais para barrar o aumento das passagens. O CSTM é réu, junto com o consórcio Grande Recife, na decisão do juiz da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital do Tribunal de Justiça do Estado, Djalma Nogueira Júnior, a qual proibiu qualquer aumento de passagem de ônibus na RMR até que sejam apresentados os estudos e documentos que justificariam a revisão tarifária pelas empresas. Impedido de anunciar os aumentos, o governo do estado decidiu desmarcar a reunião do Conselho, que aconteceria no último dia 12, mas convocou um novo encontro na próxima sexta-feira (19).

Na convocatória enviada pela secretaria das Cidades está uma pauta que inclui “a posse de novos conselheiros e a criação de um grupo de trabalho para elaboração, a execução da 3ª Conferência Metropolitana de Transportes e a prorrogação do mandato dos conselheiros representantes dos usuários, estudantes e gratuidade”. Essa prorrogação dos mandatos seria ilegal na ótica dos movimentos sociais. De acordo com a RAMO, o regimento interno do CSTM exige a realização da Conferência de Transportes 60 dias antes do fim do mandato dos conselheiros, a tempo da realização de um processo efetivo de candidatura. “A eleição dos conselheiros não deve ser tratada como mera formalidade”, ressalta nota divulgada pela RAMO. “A pressa do CSTM para prorrogar o mandato dos conselheiros só reforça uma postura antidemocrática”, complementa.

Antevendo uma movimentação do governo para legitimar o atual conselho, o que pode acelerar&nbsp;novamente o processo de revisão tarifária dos ônibus, os movimentos sociais organizam um ato chamado de “Dia de luta em defesa do transporte e contra o aumento das passagens”, na próxima sexta-feira (19), em frente ao Detran-PE, na Iputinga.&nbsp; A intenção é manter a mobilização e a pressão popular para coibir os reajustes.

A reportagem questionou a secretaria das Cidades sobre a legalidade de uma possível prorrogação dos mandatos dos conselheiros, mas não obteve resposta. Enquanto&nbsp;a polêmica em torno do&nbsp;CSTM e do aumento das passagens continua, fizemos uma lista dos nomes que compõem o Conselho e como eles votaram na última reunião que decidiu pelo aumento de passagens de ônibus na RMR. O registro dos votos reproduzido abaixo&nbsp;é do&nbsp;consórcio Grande Recife.
<blockquote><b>Francisco Papaléo</b>

Presidente do CSTM e secretário de Cidades do governo do estado. Ele só vota em caso de empate. Antes de comandar a pasta, em 2016, foi presidente do consórcio Grande Recife que gerencia a operação dos ônibus na RMR, cargo que assumiu em 5 de janeiro de 2015. Quatro dias depois da posse de Papaléo, o CSTM decidiu pelo aumento médio de 10% das passagens. O reajuste do ano seguinte de 14,42% aconteceu ainda na gestão dele no Grande Recife e o mais recente, de 14,26%, realizado em 2017, já contava com a presença de Papaléo na secretaria de Cidades.

<b>Márcio Stefanni</b>

Atual secretário de Planejamento do Estado, Márcio Stefanni é conhecido como o “supersecretário” do governo devido à importância estratégica da pasta que comanda, responsável por operar programas como o Pacto pela Vida. É um dos principais nomes do governo Paulo Câmara, tendo ocupado também a secretaria da Fazenda do estado. Com também atuou no comando da secretaria de Desenvolvimento e a presidência do Complexo Industrial Portuário de Suape ainda no governo Eduardo Campos. Na última reunião tarifária foi representado por Umberto Vianna Filho, da Secretaria de Planejamento que, segundo o consórcio votou na proposta do Grande Recife pelo aumento de 14,20%.

<b>João Braga</b>

Atual secretário de Mobilidade e Controle Urbano da Prefeitura do Recife. Também já foi secretário de infraestrutura da cidade, vereador pelo Recife e deputado estadual por três mandatos. Atuou como consultor do Sindicato das Empresas de Transportes (Urbana-PE). Votou pelo aumento das passagens.

<span style="color: #333333;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><b><span style="color: #1c1c1c;">Coronel Gustavo Alves de Lira</span> </b></span></span>

Secretário de Transportes e Trânsito de Olinda, o coronel da PMPE fundou a Companhia Independente de Apoio ao Turista e foi comandante do Batalhão Duarte Coelho (1º BPM), ambos com sede em Olinda. <span style="color: #333333;">Votou pelo aumento das passagens.</span>

<b>Ruy do Rego Barros Rocha</b>

Atual diretor-presidente do consórcio Grande Recife, Ruy do Rego assumiu o cargo após a saída de Francisco Papaléo em agosto de 2016. Na sua gestão já foi realizado um aumento das tarifas de ônibus, em janeiro do ano passado, quando o CSTM reajustou as passagens em uma média de 14,26 %. Ele já foi secretário das Cidades do governo estadual e diretor de órgãos como IRH e Sassepe. Também teve passagens pela divisão de transporte da Prefeitura do Recife e pela Assembleia Legislativa como assessor parlamentar. <span style="color: #333333;">Votou pelo aumento d</span><span style="color: #333333;">as passagens.</span>

<b>Alfredo Bandeira de Melo Neto</b>

<span style="color: #1c1c1c;">Diretor de Planejamento do </span><span style="color: #1c1c1c;">consórcio</span><span style="color: #1c1c1c;"> Grande Recife </span><span style="color: #1c1c1c;">e funcionário de carreira da antiga Empresa Metropolitana </span><span style="color: #1c1c1c;"> membro do CSTM desde 2015. </span><span style="color: #222222;">Não tem atuação política, nunca foi candidato nem possui filiação partidária.</span><span style="color: #333333;">Votou </span>pelo aumento das passagens.

<b>Taciana Maria Ferreira</b>

<span style="color: #2c2c2c;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;">Diretora presidente da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), formada em engenharia de trânsito e funcionária de carreira da CTTU. Também foi diretora de operações do consórcio Grande Recife de 2007 a 2012. Na última reunião tarifária foi representada por Roberto Embiruçu Lyra, da CTTU, que votou pelo aumento das passagens. </span></span>

<span style="color: #2c2c2c;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><b>Ettore Labanca </b></span></span>

Atual presidente da Agência Reguladora de Pernambuco – Arpe, Ettore Labanca já foi prefeito de São Lourenço da Mata quatro vezes. Também foi deputado estadual em Pernambuco (2002 a 2006) e secretário de Relações Institucionais do governo Eduardo Campos. Na última reunião tarifária foi representado por Ricardo Albuquerque, da Arpe, que se absteve.

<b>Guilherme Uchôa</b>

Presidente da Assembleia Legislativa pelo quinto biênio consecutivo, o deputado (PDT) está em seu sexto mandato. A sua última eleição chegou a ser anulada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco, que considerou a necessidade de “alternância de poder”, mas depois suspendeu a liminar e passou a avaliar a eleição como legítima. Na última reunião tarifária foi representado pelo deputado Ricardo Costa (PMDB), que é sócio da empresa Stampa Mídia Exterior, que comercializa espaços de anúncio nos ônibus. Costa votou pelo aumento das passagens.

<strong><span style="color: #2c2c2c;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><b>Ca</b></span></span></strong><strong><span style="color: #4d4d4d;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><b>rlo</b></span></span></strong><strong><span style="color: #2c2c2c;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><b>s Al</b></span></span></strong><strong><span style="color: #4d4d4d;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><b>b</b></span></span></strong><strong><span style="color: #2c2c2c;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><b>erto </b></span></span></strong><strong><span style="color: #4d4d4d;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><b>Gueiros</b></span></span></strong>

<strong><span style="color: #2c2c2c;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-weight: normal;">Representante da Câmara Municipal do Recife, na qual ocupa a cadeira de vereador pelo PSB. </span></span></span></strong><strong><span style="color: #2c2c2c;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-weight: normal;">Seu filho, Calos Alberto Gueiros Júnior é o empresário à frente da Transportadora Globo, empresa de ônibus com atuação no Recife e que tem uma frota de mais de 140 veículos. </span></span></span></strong><strong><span style="color: #2c2c2c;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-weight: normal;">Chegou após a reunião tarifária e seu voto não foi registrado.</span></span></span></strong>

<strong><span style="color: #2c2c2c;"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><b>Márcio Cordeiro</b></span></span></strong>

Representante da Câmara Municipal de Olinda, Márcio Cordeiro é vereador. Ele foi eleito em 2016 pelo PC do B e responde a processo por improbidade administrativa ajuizado pelo MPPE, ainda em aberto. <span style="color: #333333;">Votou pelo aumento d</span><span style="color: #333333;">as passagens.</span>

<b>Luiz Fernando Bandeira de Mello</b>

Presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Pernambuco – Urbana-PE cumprindo o terceiro mandato. É sócio das empresas de ônibus Pedrosa e Transcol. Junto com a Transportadora Globo, essas empresas formaram o Consórcio Capibaribe que participou das disputas para operação do lote 5 das licitações de ônibus em 2014, mas o contrato não foi assinado até o presente momento. <span style="color: #333333;">Votou pelo aumento d</span><span style="color: #333333;">as passagens.</span>

<b>Manoel Francisco Dias da Silva Melo</b>

Representante do Sindicato do Transporte Público Complementar de Pernambuco – Sinpetracope. Este ano a entidade apresentou pedido de renovação das permissões do transporte complementar metropolitano de passageiros até 2022. As empresas ainda mantém contratos de permissão porque o governo do estado não assinou os processos de concessão que foram licitados em 2013. <span style="color: #333333;">Votou pelo aumento d</span><span style="color: #333333;">as passagens.</span>

<b>Charles Andrews Sousa Ribeiro</b>

Diretor presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE). Doou R$ 10 mil para a campanha de André de Paula (PSD), eleito deputado federal por Pernambuco em 2014. Foi indicado por Gilberto Kassab (presidente do PSD) para o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e assumiu como representante do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações em fevereiro de 2017. <span style="color: #333333;">Votou pelo aumento d</span><span style="color: #333333;">as passagens.</span>

<b>Leonardo Villar Beltrão</b>

Superintendente da Superintendência de Trens Urbanos do Recife (CBTU). É funcionário de carreira da CBTU, onde trabalha desde 1983. Foi representado por Maurício Meirelles que chegou após a votação na última reunião de recomposição tarifária.

<b>C</b><b>layton da Silva Leal</b>

Representante dos usuários comuns no CSTM, eleito em 2015. É servidor da Prefeitura do Recife e milita na Frente Democrática do Ibura-Jordão, focado em assuntos de mobilidade. Foi o conselheiro mais votado na Conferência de Transportes que elegeu os membros atuais. Votou contra o aumento.

<b>Paulo Gustavo de Lima</b>

Eleito conselheiro em 2015, representa os usuários comuns no CSTM. Sempre teve atuação no debate de questões ligadas ao transporte no município de Paulista, onde trabalhou na Associação de Moradores como diretor de transportes, avaliando as condições do transporte público. <span style="color: #000000;">Votou contra o aumento.</span>

<b>Nael Antônio Vicente</b>

Eleito conselheiro em 2015, Nael Antônio representa os usuários comuns no CSTM e é presidente da Associação de Moradores de Jaboatão dos Guararapes. Também trabalha como prestador de serviço da Prefeitura de Jaboatão, atuando na fiscalização do comércio informal. Chegou após a votação na última reunião de recomposição tarifária.

<b>Roberto Alexandre Ferreira Lira</b>

Eleito como representantes dos usuários. É auxiliar administrativo e morador do município de Camaragibe. Foi candidato a vereador pelo PSB, partido do governador Paulo Câmara, em 2008, no município de Camaragibe, na RMR. Votou pelo aumento das passagens.

<b>José Carlos dos Santos</b>

Conselheiro que representa os contemplados da gratuidade da pessoa com deficiência, José Carlos dos Santos é cadeirante e trabalhou na secretaria da Pessoa com Deficiência da Prefeitura do Recife como prestador de serviço, mas seu contrato foi encerrado há aproximadamente dois anos. Votou contra o aumento das passagens.

<b>Maria do Socorro da Silva</b>

Também eleita em 2015 como representante da pessoa idosa. É aposentada e já foi conselheira dos conselhos da pessoa idosa estadual e do Recife, e ainda foi conselheira de saúde de Olinda e do Hospital da Restauração. Milita em um grupo de idosos no bairro de Jardim Paulista Baixo. Votou contra o aumento das passagens.

<b>Márcio José da Silva Morais</b>

Representa os estudantes no CSTM, para o qual foi eleito em 2015. Tem presença marcante nos debates midiáticos sobre o sistema de transporte público. Também atua politicamente, tendo sido candidato a vereador pelo PSOL. Chegou após a votação na última reunião de recomposição tarifária.

<b>Benilson Custódio</b>

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários Urbanos de Passageiros do Recife (STTREPE), representa a categoria no Conselho há três anos. É motorista de ônibus licenciado da empresa Metropolitana. Votou contra o aumento das passagens.

<b>Elizeu Dias de Santana</b>

Foi eleito conselheiro como representante dos estudantes em 2015 por sua atuação como presidente da Cooperativa de Transporte Alternativo – Cooptraseps, que atua em São Lourenço da Mata. Também foi candidato a vereador pelo Solidariedade em 2016. Votou pelo aumento das passagens.</blockquote>
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