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	<title>Arquivos greve de canavieiros - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 20 Sep 2021 21:35:42 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos greve de canavieiros - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Canavieiros e canavieiras iniciam campanha por aumento de salário e melhores condições de trabalho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kleber Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Sep 2021 21:47:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[campanha salarial]]></category>
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		<category><![CDATA[greve de canavieiros]]></category>
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<p>Trabalhadores e trabalhadoras do setor canavieiro da zona da mata de Pernambuco realizam neste domingo, 12 de setembro, assembleia geral para dar início à campanha salarial de 2021. A convenção acontecerá simultaneamente nas sedes dos sindicatos e nas chamadas “frentes de serviços” das usinas ou engenhos, e poderá envolver cerca de 45 mil pessoas que trabalham no corte da cana-de-açúcar, em 42 municípios da região. A mobilização dos canavieiros e canavieiras é, historicamente, uma das mais importantes do estado: a luta dessa categoria nas Ligas Camponesas, nos anos 1950, ajudou a moldar tanto o movimento sindical em Pernambuco quanto os movimentos sociais de trabalhadores sem terra no país. <br><br>Este ano, categoria votará o reajuste salarial de R$ 1.119 para R$ 1.280 e o aumento do piso salarial de R$ 19 para R$ 55 por hora trabalhada. De acordo com a convenção coletiva, esses profissionais assalariados têm direito a uma cesta básica mensal, atualmente os patrões pagam R$ 60 pelo kit, mas a partir do ano que vem os canavieiros e as canavieiras esperam receber R$ 85. Por &#8220;piso salarial&#8221;, entenda-se o valor acrescido ao salário para compensar a perda de 20% que a categoria recebia no reajuste em janeiro do salário mínimo, mas que foi derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).<br><br>“O trabalhador e a trabalhadora rural assalariada não parou um dia sequer na pandemia e foi uma das categorias que ajudou a gerar a economia desse país mesmo correndo o risco de se contaminar. Há 42 anos estamos lutando e resistindo, e vamos para mais uma campanha com o grande desafio de manter as nossas conquistas”, afirmou o presidente da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Pernambuco (Fetaepe), Gilvan Antunis.<br><br>Além de votarem por ganhos que contemplem ao menos a reposição da inflação, os canavieiros e as canavieiras também devem deliberar a respeito do cumprimento dos protocolos e orientações sanitárias de prevenção à covid-19, por parte do patronato. Segundo a Fetaepe, haverá a votação sobre a garantia de equipamentos de proteção individual (EPIs), transporte seguro para os trabalhadores, a ampliação do número de mulheres contratadas e o combate ao uso de agrotóxicos.<br><br>“O setor vive um grande desafio em Pernambuco que é a terceirização fraudulenta de trabalhadores. Essas empresas terceirizadas não têm honrado com a nossa convenção coletiva, não entregam EPIs, não pagam o 13º salário nem a rescisão no encerramento dos contratos. Falta transporte adequado e até água para esses canavieiros e essas camavieiras”, explicou Antunis.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Esta reportagem é uma produção do Programa de Diversidade nas Redações, realizado pela Énois – Laboratório de Jornalismo Representativo, com o apoio do Google News Initiative”.</em></p></blockquote>



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<p><br></p>
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		<title>Canavieiros acabam greve com perda histórica em consequência da Reforma Trabalhista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Dec 2018 20:49:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[cana-de-açúcar Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[greve]]></category>
		<category><![CDATA[greve de canavieiros]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça do Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[reforma trabalhista]]></category>
		<category><![CDATA[trabalhadores da cana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os empresários sucroalcooleiros recorreram ao Tribunal do Trabalho na tentativa de acabar com a greve dos canavieiros em Pernambuco e, para fechar um acordo, os trabalhadores aceitaram excluir da convenção coletiva uma conquista histórica, acordada em convenção, por conta de uma novidade trazida pela Reforma Trabalhista. A audiência de conciliação aconteceu na última quinta-feira (6), [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os empresários sucroalcooleiros recorreram ao Tribunal do Trabalho na tentativa de acabar com a <a href="http://marcozero.org/canavieiros-entram-em-greve-contra-corte-de-adicional-previsto-pela-reforma-trabalhista/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">greve dos canavieiros em Pernambuco</a> e, para fechar um acordo, os trabalhadores aceitaram excluir da convenção coletiva uma conquista histórica, acordada em convenção, por conta de uma novidade trazida pela Reforma Trabalhista. A audiência de conciliação aconteceu na última quinta-feira (6), no quarto dia da paralisação. Hoje (7) eles voltaram ao trabalho.</p>
<p>A pressão patronal e a falta de segurança numa vitória judicial levaram a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Pernambuco (Fetaepe) a retirar da convenção as chamadas horas<em> in itineres</em>, pagamento pelo tempo, limitado a duas horas, que o empregado gasta no deslocamento de ida e volta do serviço no transporte fornecido pelo empregador. O valor equivale a 20% do salário.</p>
<p>Esse era o principal ponto que travava a mesa de negociação após 13 rodadas da 39ª campanha salarial da categoria. Como forma de amenizar a perda, a estratégia dos cerca de 80 mil canavieiros agora é cobrar o pagamento das horas extras a que têm direito e a aplicação dos demais pontos conciliados.</p>
<p>“Apesar de sabermos o que isso representa de perda no salário da categoria, tivemos que seguir o encaminhamento do Judiciário. Porém temos certeza que fazer a greve foi fundamental, pois tivemos uma grande adesão dos trabalhadores, que mostraram que estão dispostos a lutar por seus direitos e a paralisar suas atividades, quantas vezes forem necessárias, o que muita gente duvidava”, pontua o presidente da Fetaepe, Gilvan José Antunis.</p>
<p>A Reforma Trabalhista em seu Art. 58 no § 2º diz que:</p>
<blockquote><p>O tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo empregador, não será computado na jornada de trabalho, por não ser tempo à disposição do empregador.</p></blockquote>
<p>Como a nova lei também afirma que o negociado se sobrepõe ao legislado, os patrões fizeram questão de retirar as horas <em>in itineres</em> da convenção de trabalho, porque assim não há mais como os canavieiros cobrarem o aditivo.</p>
<p>“Quem nos provocou para o tribunal foram os próprios patrões. A ida se deu porque o impacto da greve foi positivo”, conclui Gilvan. “Em substituição às horas <em>in itineres</em>, nós trabalhadores vamos seguir com mais ênfase e mais cobrança das horas extras, que não costumam ser reconhecidas pelos patrões”, reforça.</p>
<p><strong>PONTOS DO ACORDO</strong></p>
<p>As demais cláusulas da convenção coletiva de trabalho 2017/2018 ficaram acordadas: o salário passou de R$ 970 para R$ 1.010; o piso de garantia ficou em R$ 18; e o valor da cesta básica, que era R$ 45, passou para R$ 50. Também houve acordo para aos dias parados.</p>
<p><iframe src="https://e.issuu.com/anonymous-embed.html?u=raissa.ebrahim&amp;d=dcg_0000767-21.2018.5.06.0000" allowfullscreen="allowfullscreen" width="944" height="500" frameborder="0"></iframe></p>
<p><strong>EMPRESÁRIOS</strong></p>
<p>O Sindicato da Indústria do Açúcar no estado de Pernambuco (Sindaçúcar) se posicionou por nota, confira:</p>
<blockquote><p>Sem vencedores nem vencidos o trabalho de moagem retoma hoje e confiamos que as duas partes juntas desempenharão seus papéis na produção de Pernambuco.</p></blockquote>
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		<title>Canavieiros entram em greve contra corte de adicional previsto pela reforma trabalhista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Dec 2018 22:44:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[cana-de-açúcar Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Fetaepe]]></category>
		<category><![CDATA[greve de canavieiros]]></category>
		<category><![CDATA[Sindaçúcar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após dois meses e 13 rodadas de negociações, os cerca de 80 mil trabalhadores da cana-de-açúcar em Pernambuco entraram&#160;em greve na manhã desta segunda-feira (3). Houve protestos com fechamento da BR 101 na altura dos municípios de Ribeirão e Amaraji, na Mata Sul do estado. Questões como aumento de salário, cesta básica e piso de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Após dois meses e 13 rodadas de negociações, os cerca de 80 mil trabalhadores da cana-de-açúcar em Pernambuco entraram&nbsp;em greve na manhã desta segunda-feira (3). Houve protestos com fechamento da BR 101 na altura dos municípios de Ribeirão e Amaraji, na Mata Sul do estado. Questões como aumento de salário, cesta básica e piso de garantia estavam em negociações avançadas, mas dois pontos travaram a mesa de diálogo entre patrões e empregados: a retirada do adicional por tempo gasto no transporte de ida e volta ao trabalho (as chamadas horas <em>in intineres</em>) &#8211; uma mudança trazida pela Reforma Trabalhista (entenda abaixo) &#8211; e a obrigatoriedade de contratação de jovens aprendizes. A paralisação acontece no meio da safra 2018/2019 que vai até março.</p>
<p>Segundo a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Pernambuco (Fetaepe), o setor patronal só aceita avançar na pauta da 39ª campanha salarial da categoria se os canavieiros abrirem mão das horas <em>in intineres</em>, que agora não são mais obrigatórias, mas são uma conquista histórica acordada em convenção. Esse adicional, limitado a até 2h por dia, equivale a 20% do salário pelo tempo que o funcionário leva se deslocando de sua cidade de origem até o serviço, em ônibus fretado pelo patrão já que não há linhas de transporte público.</p>
<blockquote><p>O que diz a Reforma Trabalhista:</p>
<p>“Art. 58. &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</p>
<p>§ 2º O tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo empregador, não será computado na jornada de trabalho, por não ser tempo à disposição do empregador.</p></blockquote>
<p>O presidente da Fetaepe, Gilvan José Antunis, denuncia que esse valor só é pago quando a questão é judicializada &#8211; “Aí o trabalhador não recebe menos de R$ 1 mil, porque tem 13º, férias, hora extra&#8230; Mas tem que ir para a Justiça”. A perda do direito pode, portanto, prejudicar também ações que tramitam na Justiça do Trabalho.</p>
<p><div id="attachment_12010" style="width: 728px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/fetaepe-protesto-facebook4.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12010" class="wp-image-12010 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/fetaepe-protesto-facebook4.jpg" alt="Protestos dos canavieiros parou a BR 101 na Mata Sul nesta segunda (3) de manhã (foto: Facebook/Fetape)" width="718" height="502"></a><p id="caption-attachment-12010" class="wp-caption-text">Protestos dos canavieiros parou a BR 101 na Mata Sul nesta segunda (3) de manhã (foto: Facebook/Fetape)</p></div></p>
<p>O salário-base da categoria é de R$ 960. O pedido dos canavieiros, durante a campanha, era que esse valor chegasse a pelo menos R$ 1.150. Os patrões ofereceram R$ 1.010, e os canavieiros estão agora brigando por R$ 1.035. Esses trabalhadores, que em sua maioria têm entre 18 e 40 anos, migraram de volta para o setor canavieiro após a crise econômica que atingiu o Complexo de Suape, para onde muitos haviam migrado com melhores condições de trabalho e remuneração.</p>
<p>Na cana, eles atuam em regime de produtividade, com uma jornada que costuma começar às 5h e ir até as 12h, 13h. “Mas muita gente sai às 3h, 4h da manhã e só volta às 17h, 18h, pois terminam a jornada e ainda ficam submetidos ao transporte do patrão”, detalha Gilvan. Ele calcula que as horas <em>in intineres</em> atingem cerca de 20% da categoria; os outros 80% moram no engenho em que trabalham.</p>
<p>“Em 2017, nós negociamos essas horas (antes da reforma). Mas toda essa repercussão hoje vem de uma maldita Reforma Trabalhista, inclusive aprovada com a maioria parlamentar da bancada de Pernambuco. Mas o patrão esqueceu que o que prevalece hoje é o negociado sobre o legislado, e há uma convenção coletiva”, sentencia o presidente da Fetaepe.</p>
<p>Sobre a já esperada precarização trabalhista no meio rural, Gilvan mostra preocupação também com a Reforma da Previdência no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) &#8211; “É tirar do pequeno para dar ao grande”. A última greve do setor aconteceu em 2005, com oito dias de paralisação.</p>
<p><strong>JOVEM APRENDIZ</strong></p>
<p>O outro ponto que travou a mesa de negociações entre canavieiros e empregados é a questão do jovem aprendiz. Por lei, há uma obrigatoriedade de contratação de 5%. Mas, diz a Fetaepe, os patrões agora querem acordar a não obrigatoriedade em convenção, uma vez que a Reforma Trabalhista diz que o acordado vale sobre o legislado. “O que é bom para o trabalhador eu quero tirar; e o que é bom para o patrão eu quero acordar em convenção”, ironiza Gilvan.</p>
<p><strong>INDÚSTRIA VAI AO TRIBUNAL</strong></p>
<p><div id="attachment_12013" style="width: 436px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/renatocunha.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12013" class="wp-image-12013 " src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/renatocunha.jpg" alt="Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar, diz que questão será julgada no tribunal (foto: Sindaçúcar)" width="426" height="284"></a><p id="caption-attachment-12013" class="wp-caption-text">Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar, diz que questão será julgada no tribunal (foto: Sindaçúcar)</p></div></p>
<p>Por nota, o Sindicato da Indústria do Açúcar no estado de Pernambuco (Sindaçúcar) alega que só foi informado da paralisação hoje (3) pela manhã quando a Fetaepe protocolou a notificação, o que configuraria abusividade. Além disso, diz estranhar que, nas 13 rodadas de negociações, houve pré-conciliação de salário, piso de garantia, cesta básica, entre outros itens, e que agora não podem mais ser homologados em função de os trabalhadores terem deflagrado a greve.</p>
<p>Por telefone, o presidente do Sindaçúcar, Renato Cunha, não quis entrar em detalhes sobre os pontos que travam a pauta de negociação e reforçou que “o jurídico entende que a greve é abusiva e deve ir para o tribunal”.</p>
<blockquote><p>Confira a nota do Sindaçúcar na íntegra:</p>
<p>Em reunião conjunta nesta segunda 03/12 &#8211; entre fornecedores de cana e usinas, o Sindaçúcar-PE – por meio de seus associados e o jurídico, constatou a abusividade da greve e estranhou a existência da citada paralisação e reforça: apenas hoje de manhã – um pouco antes da reunião, foi que a FETAEPE protocolou notificação do movimento. Portanto, já teria sido iniciada antes mesmo do comunicado oficial. O Sindaçúcar estranha também que nas 13 rodadas de negociação já ocorridas, o sindicato pré-conciliou com a FETAEPE: salário, piso de garantia, cesta básica entre outros itens e que a essa altura, não ficam homologados em função dos trabalhadores terem deflagrado a greve, após essas danosas interrupções, como já notificados na mídia.</p></blockquote>
<p><strong>“É UM ABSURDO”</strong></p>
<p>O presidente do Sindicato dos Cultivadores de Cana-de-açúcar no estado de Pernambuco (Sindicape), Gerson Carneiro Leão, garante que os pontos já decididos em negociação serão cumpridos, mas vê como “um absurdo” a reivindicação dos canavieiros. “Isso é um absurdo, dar o ônibus e ainda pagar para o trabalhador ir e voltar, isso não existe. Nos países socialistas, Cuba, Venezuela, Rússia, não tem nada disso, é cacete. Não tem nem 13º nem férias. E aqui a gente dá tudo e o cara ainda quer as horas que ele anda no ônibus”, afirmou à Marco Zero por telefone. “Então eles vão ficar de greve o resto da vida, porque eu não abro.”</p>
<p>Gerson disse não saber ao certo o quanto o adicional por tempo de transporte pesa na conta dos patrões. “Quem entrava com isso eram esses advogados de porta de cadeia, que vivem morrendo de fome, catando confusão para ganhar dinheiro. Teve usina aí que pagou R$ 4,5 milhões ano com esse negócio que é proibido por lei.”</p>
<p>O presidente esclarece que a questão afeta menos os fornecedores e mais as usinas, mas que os dois lados estão juntos na convenção, então andarão juntos. Segundo os cálculos dele, diferentemente do que foi colocado pela Fetaepe, poucos fornecedores transportam o trabalhador, pois em torno de 96% dos negócios são de pequeno porte, com trabalho em regime de economia familiar.</p>
<p><strong>O QUE DIZ O MPT</strong></p>
<p>Em entrevista à Marco Zero, o procurador do Trabalho, vice-coordenador da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ulisses Carvalho, reforça que, em tese, a reforma trabalhista acabou por restringir bastante o direito às horas <em>in itinere</em>. Ele ressalta que a questão dos canavieiros pernambucanos ainda não chegou ao conhecimento formal do MPT.</p>
<p>A respeito da precarização do meio rural, o procurador argumenta ser “óbvio que há perdas para os trabalhadores. Uma conquista histórica de natureza salarial, no caso o adicional pelas horas <em>in itinere</em>, simplesmente deixa de ser paga a essas pessoas sem nenhum tipo de compensação. Eles permanecem na mesma relação de emprego e agora passam a ganhar menos pelo mesmo serviço. Isso demonstra que o discurso de que a reforma trabalhista não acarretaria redução de direitos não passou de uma justificativa falsa para a sua aprovação”.</p>
<p>Ulisses explica ainda que, se já existir esse direito das horas <em>in intineres</em> em acordos ou convenções coletivas anteriores, as alterações efetivadas pela reforma vedaram a chamada ultratividade dos efeitos, de forma que não é mais permitida a estipulação de duração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho por prazo superior a dois anos. Terminado o período de vigência, o acordo ou convenção não produzem mais efeitos.</p>
<p>Esse entendimento, consolidado na reforma trabalhista, já havia sido adotado pelo STF na decisão liminar na ADPF 323, que suspendeu os efeitos da Súmula 277, do TST, que previa que “as cláusulas normativas dos acordos coletivos ou convenções coletivas integram os contratos individuais de trabalho e somente poderão ser modificadas ou suprimidas mediante negociação coletiva de trabalho&#8221;.</p>
<p>Sobre a questão da aprendizagem, Ulisses explica que o que vem acontecendo é que os sindicatos, com base na regra da prevalência do negociado sobre o legislado, previsto no artigo 611-A, vêm excluindo, indevidamente, funções da base de cálculo da cota de aprendizagem.</p>
<p>Assim, por exemplo, determinadas funções, que deveriam ser levadas em consideração para o cálculo do número de aprendizes que deveriam ser contratados pelas empresas, simplesmente são desconsideradas com base em acordo ou convenção coletiva de trabalho, o que acarreta a redução do número de vagas de aprendizagem. Essa conduta viola direitos fundamentais dos adolescentes e das pessoas com deficiência, que veem as possibilidades de contratação diminuídas.</p>
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