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	<title>Arquivos Hospital da Mulher do Recife - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 21 Jun 2024 00:15:39 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Hospital da Mulher do Recife - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Cresce procura por aborto decorrente de estupro no Hospital da Mulher do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jun 2024 00:09:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Sony Santos]]></category>
		<category><![CDATA[Hospital da Mulher do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[PL do Estupro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hospital de referência para mulheres e pessoas com útero, o Hospital da Mulher do Recife realizou este ano (até 18 de junho), por meio do Centro Sony Santos — especializado em atenção a vítimas de violência —, 62 abortamentos legais de gestações decorrentes de estupro. O número já é quase igual à quantidade aos 67 [&#8230;]</p>
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<p>Hospital de referência para mulheres e pessoas com útero, o Hospital da Mulher do Recife realizou este ano (até 18 de junho), por meio do Centro Sony Santos — especializado em atenção a vítimas de violência —, 62 abortamentos legais de gestações decorrentes de estupro. O número já é quase igual à quantidade aos 67 feitos em 2022 e deverá ultrapassar os 88 registros de 2023.</p>



<p>Os dados são consequência da realidade de crescimento de estupros no país. Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que, a cada oito minutos, uma menina ou mulher foi estuprada no primeiro semestre do ano passado no Brasil. É o maior número registrado desde 2019, início da série. “O aumento da violência sexual automaticamente aumenta o número de pessoas que engravidam em decorrência dessa violência”, correlaciona a coordenadora do Centro Sony Santos, a médica Eduarda Pontual.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> conversou com ela para entender o perfil das vítimas que chegam ao serviço para interromper a gestação após terem sido violentadas e como o projeto de lei 1904, que equipara aborto a homicídio após 22 semanas de gestação, pode impactar a vida dessas pessoas, além de impactar o serviço público de atendimento.</p>



<p>O Sony Santos funciona 24 horas e atende a partir dos dez anos de idade mulheres cis, trans e homens trans com útero vítimas de violência física, sexual e/ou psicológica de qualquer cidade do país. O serviço possui equipe multiprofissional composta por médicos, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais e não requer agendamento prévio. O Hospital da Mulher do Recife é um equipamento da prefeitura da cidade, inaugurado em 2016, no bairro do Curado.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/arb_4427_13112017_foto_andrearegobarros.jpg" alt="A imagem mostra uma vista aérea do Hospital da Mulher do Recife. O prédio principal do hospital parece ser de dois andares, com um telhado plano e pintado em cores claras, predominantemente branco e amarelo. Existem várias seções no prédio, sugerindo diferentes alas ou departamentos. Na frente do hospital, há um amplo estacionamento com vários carros estacionados. O nome do hospital está visível no lado do prédio em letras azuis grandes. Ao redor do hospital, há áreas verdes com grama e algumas árvores, indicando jardins bem cuidados. Adjacente a essas áreas verdes, há estradas com veículos, que fornecem acesso ao hospital." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Hospital da Mulher do Recife no bairro do Curado.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Andréa Rego Barros/PCR</span>
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                    </figure>

	


<p>Desde então, o centro realizou um total de 408 abortamentos previstos em lei quando a gravidez foi consequência de violência sexual. Entre 2023 e 2024, dos 150 registros, 11 eram de meninas entre 10 e 19 anos; 95 entre 20 e 29 anos; e 44 entre 30 e 59 anos. Dessas 150, 121 se autodeclararam pardas; 22 brancas; e sete pretas.</p>



<p>De autoria de parlamentares fundamentalistas, o “PL do estupro” gerou protestos em todo o Brasil. No Recife, o movimento feminista <a href="https://marcozero.org/multidao-protesta-contra-pl-do-estupro-no-centro-do-recife/">levou uma multidão ao centro da cidade</a>, na segunda-feira (17) . Após pressão, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), anunciou que a proposta será analisada somente no segundo semestre em uma comissão colaborativa. A mobilização, porém, continua para que a proposta seja arquivada e para que <a href="https://marcozero.org/biblia-nao-pode-ser-parametro-para-discutir-aborto-numa-sociedade-laica-diz-pastora-da-igreja-batista/">vidas não sejam usadas como moeda política</a> e não haja mais retrocessos nos direitos sexuais e reprodutivos.</p>



<p>Nesta quarta (19), a Comissão de Legislação Participativa da Câmara aprovou um requerimento da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) que solicita à mesa diretora da Casa o arquivamento imediato do projeto.</p>



<p>Confira entrevista com a coordenadora do Centro Sony Santos:</p>



<p>Marco Zero &#8211; <strong>Qual o perfil de meninas e mulheres que chegam ao Centro Sony Santos em busca do abortamento legal quando a gestação é decorrente de violência sexual? Quem são os principais agressores?</strong></p>



<p><strong>Eduarda Pontual &#8211;</strong> Esse perfil é composto, na grande maioria, por mulheres adultas e jovens entre 20 e 29 anos que se autodeclararam pardas. Embora a gente também atenda a partir dos 10 anos de idade, infelizmente muitas pessoas ainda desconhecem que a gente assiste a esse público de meninas. Mas já chegaram ao centro algumas meninas gestantes para fazer a interrupção da gestação. Dentro desse público, os principais agressores são familiares, como pais, padrastos e tios.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:40% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="774" height="1032" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/WhatsApp-Image-2024-06-19-at-16.58.13.jpeg" alt="Foto em close de Eduarda Pontual. Ela é uma mulher branca,, jovem, de cabelos escuros, lisos e compridos, usando óculos de grau de aro grande. Ela está sorrindo para a câmera." class="wp-image-63544 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Você pode relatar algum caso para exemplificar?</strong></p>



<p>Recentemente um caso nos marcou bastante e mobilizou muito a equipe. Foi de uma jovem que chegou ao serviço com 23 semanas de gestação. Ela é do interior de Pernambuco, veio sozinha. No relato, ela disse que, no início, depois da agressão, continuou menstruando normalmente. Foi só quando a menstruação parou de vir que ela desconfiou da possibilidade de estar gestante. Ela disse que não conseguiu procurar ajuda médica imediatamente porque não foi liberada do trabalho.</p>
</div></div>



<p>Essa questão fez ela atrasar bastante a chegada ao nosso serviço, além de outras dificuldades que ela traz. Nesses casos específicos, a condição social pode ser um fator determinante no acesso aos serviços de saúde para o protocolo (de aborto legal). No caso dessa paciente, os obstáculos incluíam o medo de perder o emprego, o desconhecimento do direito dela de não ir para o trabalho e procurar ajuda médica. (Esses pontos) dificultaram bastante ela chegar mais cedo ao nosso serviço.</p>



<p><strong>Esse perfil mudou desde a abertura do centro ou se mantém o mesmo?</strong></p>



<p>Ao longo desses quase oito anos de funcionamento do Centro Sony Santos, o padrão do perfil permanece o mesmo. O que realmente tem acontecido é que, ao longo dos últimos três anos, temos observado, inclusive através do monitoramento de dados, um aumento significativo no número de pessoas que têm nos procurado para o abortamento previsto em lei. O que a gente pode perceber? Que, ao longo desses anos, o número de estupros tem aumentado. E aí a gente pode correlacionar. Aumento da violência sexual automaticamente também aumenta o número de pessoas que vêm a engravidar em decorrência dessa violência.</p>



<p><strong>Quais as principais dúvidas, queixas e medos dessas meninas e mulheres? Sobre as meninas, elas em geral são levadas por quem até o centro?</strong></p>



<p>Eu acho que dentro desse público que vem a engravidar em decorrência de uma violência sexual, o principal medo, tirando toda a questão do próprio trauma da violência sofrida, é que elas chegam bastante inseguras e com muito medo de não conseguirem realizar o abortamento previsto por lei. Essa é a principal preocupação, o principal receio, que o serviço não ampare na perspectiva do abortamento previsto em lei.</p>



<p>Muitas vezes no discurso o que a gente ouve? A queixa de que procurou em vários serviços e não houve muitas vezes o encaminhamento correto para um serviço de referência do abortamento previsto em lei. No caso das crianças e adolescentes, elas geralmente são trazidas por algum familiar. Quando são adultas, jovens, geralmente elas chegam sozinhas ao serviço.</p>



<p><strong>Em caso de aprovação, como o PL 1904 pode afetar a vida dessas meninas e mulheres violentadas? E o serviço do centro?</strong></p>



<p>Com relação a essas meninas e mulheres violentadas, elas serão afetadas diretamente, tanto numa esfera psíquica como também física. E com relação ao serviço do centro, trabalharemos ainda mais para que as pessoas que sofrem violência possam chegar aos serviços de saúde o quanto antes. E aí eu acho que a gente precisa, enquanto serviço, trabalhar numa esfera da educação. Precisamos intensificar as campanhas de educação sexual e a sensibilização da sociedade para prevenir a violência e apoiar as vítimas de forma mais eficaz.</p>



<p>Sensibilização dos serviços de saúde, de uma forma geral, para que os profissionais de saúde saibam identificar a violência, saibam estar atentos à questão da violência, para poder encaminhar essas pessoas o mais breve possível para o serviço de referência.</p>
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