<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos indústria têxtil - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/industria-textil/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/tag/industria-textil/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 24 Oct 2025 19:10:52 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivos indústria têxtil - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/tag/industria-textil/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Na caatinga, mulheres se unem e trocam exploração na indústria têxtil pela enxada</title>
		<link>https://marcozero.org/na-caatinga-mulheres-se-unem-e-trocam-exploracao-na-industria-textil-pela-enxada/</link>
					<comments>https://marcozero.org/na-caatinga-mulheres-se-unem-e-trocam-exploracao-na-industria-textil-pela-enxada/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2025 19:10:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[indústria têxtil]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres agricultoras]]></category>
		<category><![CDATA[PAA]]></category>
		<category><![CDATA[PNAE]]></category>
		<category><![CDATA[tecelagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=73057</guid>

					<description><![CDATA[<p>Amanda Alves tinha 15 anos quando começou a trabalhar para a indústria têxtil. Passou outros 15 por detrás de uma máquina de costura sem conseguir concretizar o sonho de comprar uma moto e tirar a habilitação, apesar de trabalhar das 6h às 18h. A realização veio somente recentemente, em apenas um ano de trabalho com [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/na-caatinga-mulheres-se-unem-e-trocam-exploracao-na-industria-textil-pela-enxada/">Na caatinga, mulheres se unem e trocam exploração na indústria têxtil pela enxada</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Amanda Alves tinha 15 anos quando começou a trabalhar para a indústria têxtil. Passou outros 15 por detrás de uma máquina de costura sem conseguir concretizar o sonho de comprar uma moto e tirar a habilitação, apesar de trabalhar das 6h às 18h. A realização veio somente recentemente, em apenas um ano de trabalho com a enxada.</p>



<p>Numa das cidades do polo têxtil pernambucano, Amanda é uma das 32 integrantes da Associação de Mulheres da Agricultura Familiar do Sítio Carneirinho, na zona rural de Caruaru, no agreste, que estão transformando as vidas através da agricultura familiar. &#8220;A gente trabalhava para sobreviver, e não para viver”, lembra Amanda sobre o trabalho de costureira que realizava no quintal de casa. &#8220;O que a gente vivia era um trabalho escravo, trabalhava muito e ganhava pouco, sem tempo até para o lazer&#8221;, diz. Elas recebiam de R$ 1,00 a R$ 1,20 por peça costurada.</p>



<p>A revolução veio da terra e com apoio de políticas públicas. Hoje, plantando batata doce, macaxeira, mamão, banana, melancia, cebolinha, alface, pimentão, coentro, entre outros produtos, e também criando frango, bode e vacas, as 32 mulheres de Sítio Carneirinho, fundado nos anos 1930, conseguem ter outra vida e muito orgulho do que fazem. Lá, nada é desperdiçado. A produção é destinada para consumo próprio, feiras livres e também doações para a própria comunidade.</p>



<p>“Por exemplo, ter um microondas e uma TV de plasma. São coisas simples que a política pública traz, de dignidade de vida para as mulheres”. Para a associação, isso mostra que, mesmo numa área de semiárido, é possível produzir e vender quando se tem apoio e assessoria técnica. É também a prova de que as mulheres e filhas da caatinga conseguem ser o que quiserem sem precisar sair da zona rural.</p>





<p>“A gente não vai ‘enricar’, mas a gente consegue comprar uma máquina de lavar para diminuir o nosso tempo de trabalho. Porque a mulher tem muito mais tempo de trabalho do que o homem. O homem passa o dia trabalhando, mas, quando chega em casa, a intenção dele é descansar. Já a gente passa o dia trabalhando para, quando chegar em casa, ainda ter as nossas atividades e trabalhar de novo”, compara.</p>



<p>“Eu digo à minha filha, desde sempre, que, se ela quiser, ela vai estudar e fazer faculdade. E, se ela disser ‘eu vou querer ser agricultora igual à minha mãe’, ela vai ser”, diz Amanda. &#8220;Eu falo para ela que eu estudei, mas minha profissão é agricultora. E ela precisa ser valorizada e respeitada como todas as outras, porque somos nós que colocamos comida na mesa do advogado, do enfermeiro, do médico e das pessoas de qualquer outra profissão”, fala, orgulhosa.</p>



<p>A articulação da Associação de Mulheres do Sítio Carneirinho começou em 2019. A formalização em cartório veio quatro anos depois, com a consultoria do Movimento Sem Terra (MST). A assessoria técnica ficou por conta do Centro Sabiá, organização pernambucana que, desde 1993, atua trabalhando para promover a agricultura familiar seguindo os princípios da agroecologia.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Acesso a políticas públicas</h2>



<p>As agricultoras passaram um ano fazendo bingos na comunidade para conseguir arrecadar o dinheiro necessário para pagar taxas e impostos cartoriais e finalmente obter um CNPJ. Foi em 2024, que a transformação chegou com tudo, por meio do acesso a dois programas governamentais de compras públicas de alimentos produzidos por agricultores familiares no Brasil, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).</p>



<p>O Pnae e o PAA garantem renda, comercialização e diversificação produtiva. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e trabalhos acadêmicos indicam os efeitos positivos: ser fornecedor do PAA aumenta a renda dos agricultores entre 19% e 39% e vender para o Pnae tem efeito positivo na renda estimada entre 23% e 106%.</p>



<p>Em 2023, o Governo Federal registrou, via PAA, R$ 1 bilhão disponibilizados para aquisição de 163.675 toneladas de alimentos distribuídos a entidades, gerando renda a 81.707 agricultores familiares, 61% eram mulheres, segundo dados da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).</p>



<p>“Papai foi uma das primeiras pessoas, há mais de dez anos, a acreditarem que o Pnae e o PAA dariam certo”, recorda Amanda. A minha casa e o carro que ele tem foram comprados com o primeiro dinheiro que ele recebeu do Pnae”, lembra Amanda.</p>



<p>Por conta da pouca quantidade de água disponível no momento, a produção de hortaliças ainda está aquém do potencial. O recurso vem não só das cisternas, mas de poços perfurados. As mulheres estão se organizando para comprar uma bomba maior e assim aumentar a produção. Como a água do poço é salobra, ela fica reservada para os animais, para evitar “queimar” e perder as plantações.</p>



<p>Esse cenário muda no inverno, quando as agricultoras conseguem aumentar a produção e vender mais hortaliças na feira, além de garantir o consumo próprio das famílias. Na áreas de barreiro, um pouco mais distantes, onde a água é mais abundante, elas investem na produção de melancia e aproveitam para plantar também pimentão e coentro. São produções que vão quase que exclusivamente para o PAA e o Pnae.</p>



<p><em>A repórter viajou a convite da <a href="https://www.caatingaclimateweek.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Caatinga Climate Week</a></em></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/na-caatinga-mulheres-se-unem-e-trocam-exploracao-na-industria-textil-pela-enxada/">Na caatinga, mulheres se unem e trocam exploração na indústria têxtil pela enxada</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/na-caatinga-mulheres-se-unem-e-trocam-exploracao-na-industria-textil-pela-enxada/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Trabalho precário de mulheres sustenta indústria do jeans em Toritama</title>
		<link>https://marcozero.org/trabalho-precario-de-mulheres-sustenta-industria-do-jeans-em-toritama/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 May 2023 10:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[1º de maio]]></category>
		<category><![CDATA[dia do trabalhador]]></category>
		<category><![CDATA[genero e numero]]></category>
		<category><![CDATA[indústria têxtil]]></category>
		<category><![CDATA[jeans]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres trabalhadoras]]></category>
		<category><![CDATA[toritama]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=54991</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Adriana Amâncio, em parceria com o site Gênero e Número Desde a década de 1970, a atividade de produção de calçados de couro, até então predominante em Toritama, cidade do agreste de Pernambuco, foi substituída pela produção doméstica de pequenas peças de roupa. Hoje, a base da indústria têxtil da cidade é o Ouro [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/trabalho-precario-de-mulheres-sustenta-industria-do-jeans-em-toritama/">Trabalho precário de mulheres sustenta indústria do jeans em Toritama</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Adriana Amâncio, em parceria com o site <a href="https://www.generonumero.media/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gênero e Número</a></strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/GN.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/GN.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/GN.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" width="67">
            </picture>

	                </figure>

	


<p>Desde a década de 1970, a atividade de produção de calçados de couro, até então predominante em Toritama, cidade do agreste de Pernambuco, foi substituída pela produção doméstica de pequenas peças de roupa.</p>



<p>Hoje, a base da indústria têxtil da cidade é o Ouro Azul, nome dado ao jeans. A matéria prima essencial dessa atividade econômica elevou o Produto Interno Bruto (PIB) do município de <a href="https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pe/toritama/panorama" target="_blank" rel="noreferrer noopener">47 mil</a> habitantes, encravado no Semiárido, a <a href="https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pe/toritama/pesquisa/38/47001?tipo=ranking&amp;indicador=47001" target="_blank" rel="noreferrer noopener">R$ 707 milhões</a>, em 2020 &#8211; seis vezes maior que o registrado em 2005. </p>



<p>Em 2017, o setor teve um faturamento de <a href="https://agrestetex.com.br/conheca-o-mercado-de-confeccoes-do-agreste-pernambucano/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">R$ 3,5 bi</a>, segundo a Agreste Tex. Por ano, o Império do Jeans produz 800 milhões de peças e é responsável por <a href="https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/PE/Anexos/RELATORIO-TORITAMA-FINAL.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">15%</a> da produção consumida no Brasil, segundo o Sebrae. </p>



<p>Tudo isso ocorre com uma estrutura básica, que conta essencialmente com as facções, como são chamados os espaços onde se dá a etapa final de produção das peças e onde a força de trabalho é majoritariamente feminina.&nbsp;</p>



<p>Em Pernambuco, de acordo com a PNAD-2015 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), 270 mil pessoas trabalham na indústria da transformação, onde se insere a atividade das costureiras do jeans de Toritama. No setor, três de cada quatro trabalhadores são homens e menos de um terço deles trabalha sem carteira assinada.</p>



<p>Para as mulheres, que representam um quarto da força de trabalho na indústria da transformação do estado, a informalidade predomina: mais da metade das trabalhadoras do setor não tem vínculo por regime de CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).</p>



<p>Em 2021, Toritama registrava 2.265 trabalhadores formais na indústria da transformação, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Na capital do jeans, onde a principal atividade econômica é sustentada por mulheres, elas representam apenas um de cada quatro trabalhadores com direitos no setor.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeansGN_1-150x300.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeansGN_1-512x1024.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeansGN_1-512x1024.png" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Trabalhar doente</strong>&nbsp;</h2>



<p>Luana Silva, 33 anos, é dona de uma facção no Sítio Oncinha, área rural de Toritama. A costureira responde às solicitações de entrevista com áudios curtos, nos quais é possível ouvir o som do motor da máquina de costura ao fundo. Ela parece estar sempre com pressa e o barulho é persistente, mesmo fora do horário comercial.</p>



<p>“Eu já trabalhei com febre, porque se eu não trabalhar, não sai mercadoria. A gente vem trabalhar doente mesmo, que é para a meta não cair”, dispara Luana, que é mãe e única cuidadora de quatro filhos &#8211; de 19, 13, sete e quatro anos.&nbsp;</p>



<p>“No início dos anos 2000, com a abertura econômica e o discurso neoliberal, começa a ideia de que as pessoas deveriam empreender”, analisa Marilane Teixeira, economista, professora e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais do Instituto de Economia da Unicamp.</p>



<p>É sob o incentivo de organismos multilaterais nos arranjos produtivos locais, especialmente em regiões com mais dificuldades econômicas, como o Nordeste, que o Império do Jeans dá os seus primeiros passos. Esses arranjos produtivos com a embalagem de empreendimentos dão a tônica do comércio do ouro azul.&nbsp;</p>



<p>“Quando dá bom, eu faço mil peças na semana e ganho R$1 mil”, afirma Luana Silva, que não desgruda o olho da meta lançada pelo empresário. Caso ela não consiga cumpri-la, perde o cliente. Na facção de Luana, além de seu filho de 19 anos, Isnaldo, trabalham outras três mulheres contratadas.</p>



<p>Quando começou a trabalhar na indústria do jeans, Luana tinha 10 anos. Em Toritama, é comum que as crianças realizem pequenas atividades de limpeza da peça de roupa. Esses trabalhos, considerados como ajuda, são a porta de entrada para uma longa jornada.&nbsp;</p>



<p>A acessibilidade do serviço, que pode ser realizado em casa, apenas com uma máquina de costura, somada à pouca exigência quanto ao nível de formação, fez da produção do jeans a única alternativa para muitas mulheres. Para Luana, que cursou até o quarto ano do Ensino Fundamental I, a costura é a tábua de salvação.</p>



<p>Entre os trabalhos que as costureiras de Toritama realizam estão colocar bolsos e reatas (alças que ficam no cós da calça por onde o cinto passa), travetar (reforçar a costura da braguilha e em torno dos botões), abrir as casas (abrir os espaços onde se abotoa a calça), colocar vista (pespontar os bolsos laterais e traseiros) e embotar (abrir a ponta do cós da calça e colocar o botão logo acima do zíper).&nbsp;</p>



<p>Por cada uma dessas tarefas paga-se entre R$0,10 e R$0,25. O salário semanal final é o resultado da soma do valor pago por esses serviços ao do valor pago pelo total de peças produzidas. Quem realiza apenas uma ou duas dessas atividades ganha centavos por cada aplicação. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeans_valores-179x300.gif">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeans_valores-610x1024.gif">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeans_valores-610x1024.gif" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<p>Ao longo de sete anos, Luana trabalhou em uma fábrica com carteira assinada. Há dez anos, possui a própria facção. Nesse período, ela deu à luz a três filhos. Em todos os casos, voltava à máquina alguns dias depois do parto. No trabalho informal do jeans, ter mais um filho representa a necessidade de mais trabalho para arcar com as novas despesas, o que encurta o tempo do puerpério.</p>



<p>Além de coordenar o espaço e negociar com os empresários, Luana também costura para compor o salário. Ela ganha, por peça, R$ 0,60 com o próprio trabalho, mais R$ 0,40 por cada peça produzida pelas costureiras que usam suas máquinas, o que totaliza R$1 mil por semana. “Eu pego das 7h às 11h, volto às 13h e fico até&nbsp; 17h30. Às terças, quintas e sextas faço serões até meia noite”, conta.</p>



<p>Essa mão de obra intensiva, que catapultou os números em uma cadeia de produção precária, fez com que Toritama se tornasse a capital do jeans. A cidade pode ser considerada um parque fabril a céu aberto. A cada esquina, praticamente em cada casa, há uma facção.&nbsp;</p>



<p>No rio Capibaribe, que corta a cidade, e nos córregos e lagos, a água tem coloração azul. Até as pedras e a vegetação que margeia os cursos hídricos é azulada pelo resíduo da lavagem do jeans, que, em grande parte, não é tratado.</p>



<p>A meta a ser batida dita o ritmo da cidade. De segunda a quinta, motos, carros com carroceria transportam peças em jeans para lá e para cá. A sinfonia das máquinas de costura é entoada por horas, em cada canto da cidade, e se intercala com movimentos repetitivos de mãos e pernas.&nbsp;</p>



<p>Às quintas-feiras, quando acontece a Feira do Jeans, no Parque das Feiras, a cidade é tomada por pessoas de diversas localidades do estado de Pernambuco e do Brasil. O frisson toma conta daqueles que veem nas horas de venda a oportunidade de escoar ao máximo a mercadoria.&nbsp;</p>



<p>Pela cidade, moradores celebram a atividade. O agricultor Gersino Gomes, 75 anos, acredita que a indústria do jeans é um divisor de águas. “Antes, Toritama era uma cidade que o povo passava fome. Agora, homem, mulher, menino tem o seu dinheirinho.<em> [O jeans]</em> é o braço forte da cidade”, arremata.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeans_rio-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeans_rio-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeans_rio-1024x683.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Córrego poluído ao lado de uma das lavanderias localizada no centro da cidade. Foto: Arnaldo Sete/GN.</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Trabalho infinito</strong></h3>



<p>Na visão de Marilane Teixeira, o trabalho no jeans não é empreendedorismo. “Empreendedorismo é quando você, a partir da sua&nbsp; criatividade, desenvolve um trabalho e busca mercado. Essas relações não têm nada a ver com empreendedorismo, pois são marcadas pela presença de alguém, que demanda por esse trabalho e estabelece como ele deve ser realizado”, avalia a pesquisadora.</p>



<p>Se a fabricação do jeans se desse em uma linha de produção, as mulheres teriam uma jornada de trabalho com possibilidade de descanso adequado. Quem viveu a maior parte do tempo essa rotina foi Roseane da Silva, 46 anos, que trabalhou durante 29 anos em fábricas. Há um ano, ela possui uma facção no bairro Novo Alvorecer, no centro de Toritama.&nbsp;</p>



<p>“Na fábrica é bom porque ganha mais, mas eu não posso trabalhar porque eu sofri um AVC [Acidente Vascular Cerebral] e não sirvo, porque não dou mais produção. Esse braço meu <em>[aponta o braço direito]</em> não levanta”, comenta a costureira.&nbsp;</p>



<p>Devido a limitação do movimento no braço, um dos membros mais usados na lida com o jeans, Roseane foi descartada como uma peça que deu defeito. Muitos empresários preferem terceirizar o trabalho nas facções, porque o custo é mais barato que o de manter um profissional na linha de produção. Nas facções, os empresários impõem metas curtas para produção de milhares de peças e não precisam barganhar muito para que alguém aceite o desafio.</p>



<p>Hoje, com a sua facção, Roseane trabalha apenas com a produção da frente de calças, durante três dias da semana, trabalho pelo qual recebe R$ 1.300 por mês. Com esse dinheiro, ela sustenta a casa e dois filhos. Há alguns meses, sua filha Doralice Batista, 18 anos, começou a trabalhar com a mãe.</p>



<p>Como a facção fica em frente à casa de Roseane, ela caminha alguns passos até a cozinha, onde o almoço é preparado, enquanto avança na produção do jeans. Em geral, as facções são montadas dentro de casa ou em um local muito próximo. É aí que o trabalho doméstico e o trabalho fabril se misturam, o que torna a jornada ainda mais exaustiva. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeansGN_2-182x300.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeansGN_2-620x1024.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeansGN_2-620x1024.png" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<p>Para Erica Silva, diretora da Mulher de Toritama e autora do trabalho de conclusão de curso (TCC) <a href="https://attena.ufpe.br/bitstream/123456789/42757/4/2-%20TCC%20%c3%89RICA%20MONIQUE-%20AUTODEP%c3%93SITO%20BIBLIOTECA.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“O descosturar da trajetória de mulheres de Toritama”</a>, a atividade permite a conciliação com as tarefas domésticas. “Na verdade, não é uma dupla jornada, as jornadas se unificam, uma vez que acontece tudo ao mesmo tempo”. </p>



<p>“Tem gente que pensa que é fácil porque tem a facção, mas não é. Com o passar do tempo, muda muito o psicológico, esse negócio de bater a meta mexe muito com a mente”, afirma Lidiane da Silva, 37 anos, que está há 27 anos na produção de jeans, três deles dedicados à própria facção.</p>



<p>Segundo Lidiane, ela só não vive mais agitada mentalmente porque não acumula os serviços domésticos. Ela dá uma “ajuda” &#8211; uma quantia em dinheiro &#8211; à sogra para remunerar tarefas como preparo do almoço, limpeza da casa e outros serviços domésticos.&nbsp;</p>



<p>“Eu me acho fraca para dar conta da produção do jeans e ainda cuidar da casa, entende? Hoje, faço mais serviço doméstico durante o fim de semana”, explica Lidiane.&nbsp;</p>



<p>A meta a ser cumprida transforma a vida das mulheres do jeans em um eterno presente, já que o mais importante é ganhar o sustento no dia a dia. É assim que o trabalho na fabricação do jeans e o serviço doméstico convergem como atividades infinitas, que têm hora para começar, mas não têm hora para acabar.&nbsp;</p>



<p>Em Toritama, é comum que as mulheres tenham uma máquina de costura em casa para realizar pequenos reparos. A experiência anterior com a costura de peças em couro também contribuiu para a predominância delas na indústria do jeans. Tudo isso é reforçado pela falta de ofertas de outros postos de trabalho e a baixa escolaridade. “Só tem isso, por isso tem que trabalhar no jeans”, afirma Larissa Carla da Silva* (nome fictício), 58 anos, que trabalha há 28 no setor.&nbsp;</p>



<p>A jornada de Larissa, que está prestes a se aposentar na categoria atividade agrícola, começa às 8h e vai até as 17h. Em dias de serão, ela segue até as 21h. Ela pediu para não ser identificada na reportagem por medo de que isso comprometesse o avanço do processo de concessão da sua aposentadoria.&nbsp;</p>



<p>Luana Barbosa, 23 anos, filha de Larissa, nasceu em meio ao ruído persistente das máquinas e há um ano se rendeu à produção do jeans. Hoje, ela sustenta a filha de um ano pregando reatas. Por cada peça, ela ganha R$ 0,16. “É bom! Só tem isso para fazer, não tem emprego em outra área, então a gente se acostuma”, declara resignada, após um longo suspiro.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ao longo da pesquisa de campo, Erica Silva, entrevistou diversas costureiras e afirma que a frustração é um sentimento comum entre elas. “A gente encontra mulheres frustradas porque tiveram que escolher entre a família e o trabalho, nesse caso, a costura, que é o que dá para conciliar com o trabalho doméstico. Frustradas por não terem concluído os estudos, que ficou no cantinho dos sonhos”, comenta.</p>



<p>Elaine da Silva, 38 anos, tem três filhos e trabalha na facção de Lidiane da Silva. Vítima de depressão pós-parto e de violência psicológica em casa, ela afirma com convicção: “Eu prefiro estar aqui <em>[na facção]</em> do que em casa. Em casa eu não tenho paz. Na facção, o tempo passa sem eu perceber”, afirma. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeans_lidiane-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeans_lidiane-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeans_lidiane-1024x683.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Lidiane Patrícia fundou sua própria facção, mas chega a trabaljar 14 horas por dia. Foto: Arnaldo Sete/GN.</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Adoecer de trabalho</strong></h3>



<p>Muitas das costureiras do jeans em Toritama, com menos de 40 anos, convivem com dores na coluna, na cabeça e nas pernas que tornam o trabalho cada dia mais inviável.&nbsp;</p>



<p>A médica e pesquisadora em Saúde Ocupacional da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), de São Paulo, Maria Maeno, alerta para a insalubridade do ambiente de trabalho dessas mulheres.&nbsp;</p>



<p>“O trabalho com o tecido gera poeira, que as prejudica. Elas fazem muitos movimentos com as mãos e passam muito tempo sentadas, além de perseguirem a meta, o que mexe com o psicológico. Essas mulheres são extremamente sobrecarregadas física e psiquicamente”, Maeno.</p>



<p>“O que eu mais sinto doer é a coluna, a cabeça e as pernas. Sinto muita dor nas pernas por causa do movimento na máquina”, reclama Luana Barbosa, que começou a trabalhar na indústria do jeans aos sete anos e já acumula 16 anos de trabalho. “Eu peço para ter saúde e continuar trabalhando no jeans. E que não mude a função <em>[atividade econômica]</em>, porque se aparecer uma coisa que tenha que ter estudo, não sei como vai ser”, afirma com temor.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Pulverização da demanda dificulta controle&nbsp;</strong></h4>



<p>Procurado pela reportagem, o Ministério Público do Trabalho de Pernambuco (MPT-PE), afirma que realiza forças-tarefa na indústria têxtil de Toritama. Grande parte dessas ações se concentram nas lavanderias, onde já ocorreram acidentes e onde há necessidade de regularizar as condições de segurança. A reportagem visitou alguns desses espaços e viu que essa etapa é uma das que conta com menos participação das mulheres.&nbsp;</p>



<p>Já na linha de produção, a procuradora do MPT-PE, Vanessa Patriota, afirma que foram feitos levantamentos com base em visitas realizadas a cerca de 150 facções. A ação resultou em um mapeamento que, dentre outros problemas, constatou que, além de viver em condição de trabalho intensivo, essas mulheres não possuem acesso à creche, o que torna obrigatória a montagem da facção na própria casa.</p>



<p>De acordo com Vanessa, há uma grande pulverização da demanda do serviço nas facções, o que dificulta ações de regulamentação. “Em Santa Catarina, as facções atendiam a lojas como Renner e Riachuelo, que inclusive já foram ajuizadas por excessos na forma de demandar o trabalho. Em Toritama, as facções atendem pessoas físicas, jurídicas e pequenos comerciantes que vendem na Feira do Jeans. É preciso fazer um mapeamento para identificar essa parte da cadeia”, explica.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeans_toritama-300x225.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeans_toritama-1024x768.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/04/jeans_toritama-1024x768.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Crédito: Arnaldo Sete/GN.</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa&nbsp;</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a>&nbsp;</strong><em>ou, se preferir, usar nosso&nbsp;</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/trabalho-precario-de-mulheres-sustenta-industria-do-jeans-em-toritama/">Trabalho precário de mulheres sustenta indústria do jeans em Toritama</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>&#8220;O rio era a vida da gente&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/o-rio-era-a-vida-da-gente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jul 2022 13:31:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[indústria têxtil]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[rio Capibaribe]]></category>
		<category><![CDATA[toritama]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=48930</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por Maria José Souza e Maíra Welma da Silva, do Observatório da Vida Agreste (OVA/UFPE) &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; &#8220;Infértil, estéril e que não experimenta emoções&#8221;. Foi assim que, já em 1950, João Cabral de Melo Neto percebeu a situação do Rio Capibaribe. Ali, escrevia sobre o curso de uma água que também contava sobre vida, morte, flores, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-rio-era-a-vida-da-gente/">&#8220;O rio era a vida da gente&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Maria José Souza e Maíra Welma da Silva</strong>, <strong>do </strong><a href="https://reportagensespeciais.medium.com/1-o-rio-era-a-vida-da-gente-4640722f249b" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Observatório da Vida Agreste</strong> <strong>(OVA/UFPE)</strong></a></p>



<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>



<h4 class="wp-block-heading" id="b0c2">&#8220;<strong><em>Infértil, estéril e que não experimenta emoções&#8221;.</em></strong></h4>



<p id="6d9f">Foi assim que, já em 1950, João Cabral de Melo Neto percebeu a situação do Rio Capibaribe. Ali, escrevia sobre o curso de uma água que também contava sobre vida, morte, flores, miséria e peixes<strong>*.</strong></p>



<p id="16b7"><em>Aquele rio<br>era como um cão sem plumas.<br>Nada sabia da chuva azul,<br>da fonte cor-de-rosa,<br>da água do copo de água,<br>da água de cântaro,<br>dos peixes de água,<br>da brisa na água.</em></p>



<p id="1e8f">Oitenta anos depois, alguns trechos do poema<em>O cão sem plumas</em>soam especialmente amargos. O rio, no final, soube do azul e do rosa — mas não os da chuva ou das fontes, e sim das lavanderias que despejam nele os rejeitos da lavagem têxtil.</p>



<p id="f970">Às vezes, ele também está vermelho. Outras vezes, preto. O colorido que poderia até sugerir alguma beleza na verdade guarda um tanto de destruição. Para a população de 47 mil habitantes de Toritama, agreste de Pernambuco, o Capibaribe deixou de ser espaço de sustento, de pesca, de lazer, de descanso. Os peixes e a brisa rarearam.</p>



<p id="334c"><strong><em>Mas nem sempre foi assim.</em></strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-2-materia-Toritama-1-300x225.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-2-materia-Toritama-1.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-2-materia-Toritama-1.png" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">José Roque e os primos se reuniam aos finais de semana para brincar no rio (foto: acervo pessoal)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p id="1956">“Eu cheguei a beber água do rio. A minha mãe lavava roupas nele”, lembra Leonardo Ferreira, 38 anos, agricultor.</p>



<p id="c3b6">“Antigamente, o Capibaribe funcionava como entretenimento. Lamento não poder tomar banho e pescar nele com meu filho”, fala José Roque, 38 anos, historiador.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-3-materia-Toritama-1-300x225.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-3-materia-Toritama-1.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-3-materia-Toritama-1.png" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">José Roque ainda criança e sua mãe, Maria Lenilda, no rio Capibaribe, foto de 1986 (acervo pessoal)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p id="3dd3">“Eu conheci esse rio da forma como está hoje… sinto não poder mergulhar nele”, relata Carol Gonçalves, 25 anos, vereadora e ativista.</p>



<p id="64b4">O rio se tornou memória. E desejo.</p>



<p id="3397">Quem nasceu e se criou na cidade, como o músico João Joaquim Nunes, 84 anos, o João do Cavaquinho, ainda quer vê-lo como antes — sim, as distopias sempre cedem lugar ao sonho. Ele conta que chegou a pescar e tomar banho no Capibaribe e acompanhava suas secas e cheias. “Nos anos 40, eu era garoto e lembro desse rio despoluído. A gente pescava nele, tomava banho, bebia das suas águas, não tinha os problemas que existem hoje. Se pescava muito, tinha o capim que era usado na alimentação do gado. Após alguns anos, a cidade começou a crescer e o rio chegou a um ponto que ficou sem vida”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-4-materia-1-Toritama-300x225.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-4-materia-1-Toritama-1024x768.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-4-materia-1-Toritama-1024x768.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O músico João do Cavaquinho canta sobre um rio que já foi cristalino (foto: acervo pessoal)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/enchentes-do-Rio-Capibaribe-Toritama-300x70.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/enchentes-do-Rio-Capibaribe-Toritama-1024x239.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/enchentes-do-Rio-Capibaribe-Toritama-1024x239.png" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Enchentes do Rio Capibaribe em 2004, 1977 e 1947</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p id="eb70">A paixão do músico pelo Capibaribe está presente em duas composições que ele criou e cantou para a reportagem quando foi entrevistado. Ambas retratam a relação da cidade com o rio e lembranças de uma época que, se já parecia ameaçadora para o poeta João Cabral, ainda era doce para a criança — ela, também, um futuro poeta.</p>



<p id="bea7">Em<em>Rio Sofredor</em>, ele diz: “a sua água era pura e cristalina/hoje está em ruína, sem ter uma solução/ela tem o direito de ser tratada e não voltar envenenada para dentro do nosso rio”. Na segunda,<em>Rio Capibaribe</em>, quase uma versão musical e sintética de<em>O Cão sem plumas</em>, ele vai contando o percurso do Capibaribe desde seu nascimento na Serra do Jacarará (divisa de Poção e Jataúba), passando pelo seu sangramento nas barragens de Poço Fundo e Jucazinho, além das cidades de Toritama, Santa Cruz do Capibaribe, Limoeiro, Carpina, Paudalho, São Lourenço da Mata. São 42 municípios até o rio se encontrar com o mar, em Recife.</p>



<p id="7d44"><strong>Escute aqui as canções de João do Cavaquinho</strong></p>



<iframe width="100%" height="166" scrolling="no" frameborder="no" allow="autoplay" src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/1300043053&amp;color=ff5500"></iframe><div style="font-size: 10px; color: #cccccc;line-break: anywhere;word-break: normal;overflow: hidden;white-space: nowrap;text-overflow: ellipsis; font-family: Interstate,Lucida Grande,Lucida Sans Unicode,Lucida Sans,Garuda,Verdana,Tahoma,sans-serif;font-weight: 100;"><a href="https://soundcloud.com/ovaufpe" title="Observatório da Vida Agreste" target="_blank" style="color: #cccccc; text-decoration: none;" rel="noopener">Observatório da Vida Agreste</a> · <a href="https://soundcloud.com/ovaufpe/rio-sofredor-joao-do-cavaquinho" title="Rio Sofredor - João do Cavaquinho" target="_blank" style="color: #cccccc; text-decoration: none;" rel="noopener">Rio Sofredor &#8211; João do Cavaquinho</a></div>



<iframe width="100%" height="166" scrolling="no" frameborder="no" allow="autoplay" src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/1300043086&amp;color=ff5500"></iframe><div style="font-size: 10px; color: #cccccc;line-break: anywhere;word-break: normal;overflow: hidden;white-space: nowrap;text-overflow: ellipsis; font-family: Interstate,Lucida Grande,Lucida Sans Unicode,Lucida Sans,Garuda,Verdana,Tahoma,sans-serif;font-weight: 100;"><a href="https://soundcloud.com/ovaufpe" title="Observatório da Vida Agreste" target="_blank" style="color: #cccccc; text-decoration: none;" rel="noopener">Observatório da Vida Agreste</a> · <a href="https://soundcloud.com/ovaufpe/rio-capibaribe-joao-do-cavaquinho" title="Rio Capibaribe - João do Cavaquinho" target="_blank" style="color: #cccccc; text-decoration: none;" rel="noopener">Rio Capibaribe &#8211; João do Cavaquinho</a></div>



<p>Os fenômenos apontados pelo músico fazem parte do próprio desenvolvimento precarizado da cidade, que começou sua atividade econômica justamente às margens do Capibaribe. De acordo com o historiador José Roque, 38, que viu de perto a chegada das lavanderias na cidade na década de 1980, o rio deixou rapidamente de ser a grande área de lazer local. “Hoje é um lugar sem acesso, justamente por causa da poluição. A gente pode até chegar nele, mas não se pode ter contato com a água como antes”. Os pais do historiador nasceram na cidade e sempre mantiveram uma relação muito forte com o Capibaribe. “Minha mãe fazia piquenique às margens do rio. Levávamos frutas, arroz e feijão. Enquanto eu e meus primos brincávamos, as mulheres lavavam roupas e os homens jogavam futebol”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-5-materia-1-Toritama-2-300x244.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-5-materia-1-Toritama-2.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-5-materia-1-Toritama-2.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Contradições do capitalismo: José, gerente de lavanderia, lamenta não poder mais ter atividades de lazer no rio impactado principalmente pelos despejos da indústria têxtil na qual ele trabalha (foto: acervo pessoal)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>As contradições típicas do capitalismo se fazem presentes também nesse jogo entre passado reconstruído e a realidade imposta pela indústria local. José Ronevaldo, 59, gerente da Céu Azul, uma das maiores lavanderias da cidade, lamenta o fim da relação com o Capibaribe — em grande parte imposta pela própria atividade que o sustenta. “Se o rio estivesse limpo, a água com certeza seria utilizada também para matar a sede, porque nem todo mundo tem condições de comprá-la”, diz ele, se referindo a uma época na qual o leito do Capibaribe era procurado por quem enchia potes e jarras e a água era bebida pela população e utilizada nos afazeres domésticos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-6-materia-1-Toritama-197x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-6-materia-1-Toritama-674x1024.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-6-materia-1-Toritama-674x1024.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Valderiza ainda nadava no Capibaribe quando o leito começou a receber os despejos das lavanderias. Lembra do cheiro forte na água. Sua mãe trabalhou lavando roupas neste mesmo lugar (foto: acervo pessoal)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p id="5816">Era o caso da família da comunicóloga Valderiza Pereira, 33, que nasceu na então futura Capital do Jeans. Os problemas no abastecimento de água, uma realidade que piorou — e muito, como<strong><a href="https://marcozero.org/agua-um-bem-para-quem-pode-pagar/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">você lê nesta matéria</a></strong>— eram das principais razões dessa busca contínua, diz ela, que também lembra da pesca como uma atividade comum para os moradores da cidade. “Nos momentos de cheias do rio, as famílias que moravam às margens iam pescar, inclusive minha avó e meu tio.” Ela chegou a mergulhar ali quando o leito começava a sentir a chegada das primeiras lavanderias. “Lembro de um cheiro forte que a água tinha, provavelmente relacionado ao início da poluição”.</p>



<p id="b9fc">O Capibaribe, então, era um lugar localizado entre o deslumbre e sobrevivência.</p>



<p id="6af0">Angelina Cabral, 56, mãe de Valderiza, era uma das mulheres que se reuniam para lavar roupas à beira do rio. Na verdade, era uma das meninas: tinha apenas 12 anos quando começou a trabalhar. Trocava as lavagens por comida. Com o tempo, transformou a rotina diária de ir até o local em uma forma de garantir o sustento. Exerce até hoje a profissão, mas não mais no rio. Trocou as margens do Capibaribe por áreas de serviços nas casas de moradores da cidade. “O rio era a vida da gente”.</p>



<p id="aabd">A vereadora (MDB) e ativista Carol Gonçalves, 25, sublinha que o Capibaribe tem uma importância não só econômica, mas, como ouvimos nos relatos coletados, também sentimental. “Ele [o rio] desperta um sentimento de pertencimento. Faz parte da história e desenvolvimento da cidade. Nesse rio as pessoas pescavam, lavavam roupas, sobreviviam de fato do Capibaribe. Hoje, diante da realidade que ele se encontra, isso não é possível”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-7-materia-1-Toritama-2-300x289.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-7-materia-1-Toritama-2-1024x986.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-7-materia-1-Toritama-2-1024x986.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A jovem vereadora Carol Gonçalves diz que sua entrada na política também foi provocada pelo desejo de recuperar o Capibaribe. &#8220;As pessoas sobreviviam desse rio&#8221; (foto: Maria Souza)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>DESMONTAR A DESTRUIÇÃO<br></strong>O pesquisador Mário Benning, mestre em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e professor do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), fala que, inicialmente, o Capibaribe era fonte também da agropecuária, prática econômica local substituída pela indústria têxtil. Com ela e a urbanização (precarizada) de Toritama, o rio começou a ser fortemente degradado. Para ele, são necessários alguns projetos vitais para que sejam feitas as recuperações tanto da bacia do Rio Ipojuca quanto da bacia do Capibaribe. “Esses projetos envolveriam o saneamento básico da cidade e a recuperação dos afluentes para que o volume de água aumentasse. Para isso, é necessária a ampliação da fiscalização a respeito da contaminação ocasionada pelos descarte, bem como oferecer água tratada e um controle para coibir o desperdício e a poluição, com atuação dos órgãos públicos competentes” (leia mais sobre o que fazer para fazer<strong>o rio respirar novamente</strong><a href="https://marcozero.org/propostas-para-adiar-o-fim-de-um-mundo-agreste/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-8-materia-Toritama-1-300x296.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-8-materia-Toritama-1.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-8-materia-Toritama-1.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O pesquisador Mario Benning (IFPE) diz que, sem recuperação dos afluentes e aumento no volume de água, a sobrevivência do rio não pode ser garantida (foto: acervo pessoal)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p id="5910">Para ele, é necessária uma mudança na forma social e econômica de se relacionar com o rio. “Se pensarmos no modelo de despoluição dos rios de outras cidades, Toritama também tem potencial para conseguir”, explica. O historiador José Roque faz coro: “apesar de tudo, o rio não está 100% morto. Com o desenvolvimento de um projeto é possível recuperá-lo.”</p>



<p id="a9a4">Olhando o passado para recuperar o futuro, parece que sim.</p>



<p><strong>*Análise presente na pesquisa <em>Literatura e representação da realidade no poema O cão sem plumas, de João Cabral de Melo Neto </em>(<a href="https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:iOa-zrj5bbYJ:https://www.revista.ueg.br/index.php/sapiencia/article/view/10071/7303+&amp;cd=1&amp;hl=pt-BR&amp;ct=clnk&amp;gl=br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">texto</a> de José Elias Pinheiro Neto, Universidade Estadual de Goiás)<em>.</em></strong></p>



<p id="80d7">LEIA MAIS:</p>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://marcozero.org/agua-um-bem-para-quem-pode-pagar/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>A água que sobra na lavanderia falta para a população</strong></a></li><li><a href="https://marcozero.org/nordeste-e-o-fim-do-mundo-toritama-entre-o-fim-do-mundo-e-a-chance-de-sobrevivencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Página Inicial e Menu</strong></a></li></ul>



<p><strong><em>O projeto dessa reportagem foi contemplado no edital nacional do Instituto ClimaInfo com apoio financeiro do Instrumento de Parceria da União Europeia (com o Ministério Federal Alemão para o Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear; e a Iniciativa Climática Internacional). Os conteúdos dessa publicação são de inteira responsabilidade dos seus organizadores e não necessariamente refletem a visão dos financiadores.</em></strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em><strong>Uma questão importante!</strong> </em></p><p>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>. </p><p><strong>Apoie o jornalismo independente!</strong></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-rio-era-a-vida-da-gente/">&#8220;O rio era a vida da gente&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Água: um bem para quem pode pagar</title>
		<link>https://marcozero.org/agua-um-bem-para-quem-pode-pagar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jul 2022 13:31:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[carros pipa]]></category>
		<category><![CDATA[indústria têxtil]]></category>
		<category><![CDATA[jeans]]></category>
		<category><![CDATA[lavanderias]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[toritama]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=48964</guid>

					<description><![CDATA[<p>Enquanto as empresas chegam a gastar até 70 litros do recurso na lavagem de uma única peça, moradores e moradoras da cidade ficam dois meses sem nada nas torneiras Por Observatório da Vida Agreste (OVA/UFPE) Porque é na água do rioque eles se perdem(lentamentee sem dente).Ali se perdem(como uma agulha não se perde).Ali se perdem(como [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/agua-um-bem-para-quem-pode-pagar/">Água: um bem para quem pode pagar</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Enquanto as empresas chegam a gastar até 70 litros do recurso na lavagem de uma única peça, moradores e moradoras da cidade ficam dois meses sem nada nas torneiras</em></p>



<p><strong>Por </strong><a href="https://reportagensespeciais.medium.com/4%C3%A1gua-um-bem-para-quem-pode-pagar-4c59730607a3" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Observatório da Vida Agreste</strong> <strong>(OVA/UFPE)</strong></a></p>



<p id="a965"><em>Porque é na água do rio<br>que eles se perdem<br>(lentamente<br>e sem dente).<br>Ali se perdem<br>(como uma agulha não se perde).<br>Ali se perdem<br>(como um relógio não se quebra)</em></p>



<p id="7545"><em>(O cão sem plumas, João Cabral de Melo Neto)</em></p>



<p id="7fee">Em Toritama, a chegada das lavanderias de jeans em meados dos anos 1980 evidenciou falhas no sistema de abastecimento e distribuição de água: é comum viver dias, até mesmo meses, sem nada nas torneiras. Isso nos bairros mais próximos ao centro da cidade — em lugares mais afastados como Deus é fiel, Coqueiral e Independente, a água nem chega. A alternativa para as famílias, que diariamente precisam economizar o recurso (chegando a tomar banho dentro de bacias a fim de reutilizar a água), é abastecer suas cisternas com caminhões pipas que custam em média entre R$ 150 a 200. Sim: o acesso ao líquido de maior qualidade (pelo menos em tese) está disponível somente a quem puder pagar mais. Segundo Hilário Siqueira de Lima, autor da dissertação<em>As lavanderias de jeans de Toritama: uma contribuição para a gestão das águas</em>, o município é um dos campeões em escassez de água no Estado. No trabalho, ele evidenciou que 93% do recurso usado nas empresas de lavagem é comprado justamente dos caminhões pipa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-1-materia-2-toritama-255x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-1-materia-2-toritama-870x1024.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-1-materia-2-toritama-870x1024.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ainda é comum na cidade ver animais sendo usados para o transporte de água. Crédito: Maria Júlia Vieira</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Na cidade, é muito comum ouvir reclamações relacionadas à falta de abastecimento, principalmente em ruas onde há lavanderias. A razão: a vazão e a pressão que antes davam (mal) conta de abastecer áreas apenas residenciais passaram a ser “divididas” com estas empresas. Em ruas como a Surubim, por exemplo, a água, quando chega, sai em gotas das torneiras. Não enche as cisternas e só volta 30 a 40 dias depois. A saída: comprar. Em um país com inflação acima dos dois dígitos e cesta básica corroída por conta da alta dos preços, é outro problema que uma população empobrecida precisa enfrentar. Júlio*, que mora na periferia da cidade, diz que compra água para passar o mês, já que a Compesa, empresa de abastecimento estadual, só destina o recurso para a sua rua a cada 15 dias.</p>



<p id="c276">No loteamento Arlindo, a situação é mais dramática: a água nunca chegou. Rafael Santos, 33 anos, vendedor, conta que mora há catorze anos no bairro e desde sempre compra água. “Primeiro, nem rede de saneamento existe aqui. O encanamento central que vem da adutora de Jucazinho passa a 200 metros da minha rua. Gasto em média R$ 200 por mês, algo que acaba comprometendo a minha renda”. A água que vem em caminhões pipas é armazenada em uma cisterna, reservatório comum na casa de famílias do Agreste pernambucano.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/toritama-arte-2-169x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/toritama-arte-2.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/toritama-arte-2.jpeg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<p id="5a7d">Na casa do cantador João Joaquim, 84, no Centro, a família chega a ficar um mês sem receber água. Ele diz que em outras comunidades mais distantes, a situação é ainda mais dramática: são até dois meses sem recebê-la. “Às vezes temos que tomar banho dentro de uma bacia e aquela água do banho usamos para outras atividades”, explica. Há relatos de casos em que a água não chega devido a problemas na manutenção dos hidrantes, o que compromete o abastecimento das casas. Carlos*, conta que, depois das lavanderias, bairros como Cohab e a rua Surubim passaram a sofrer: o recurso não chega até às últimas casas e, quando chega, é de forma lenta. Passam mais de um mês sem água nas torneiras.</p>



<p id="d19d"><strong>ADUTORA DO AGRESTE: UMA LENDA?</strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-3-materia-2-toritama-300x233.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-3-materia-2-toritama.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/foto-3-materia-2-toritama.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Canal começou a ser construído em 2013 e até agora não foi concluído: retrato da instabilidade e das disputas políticas que marcam o cenário político nacional. Crédito: Ascom Compesa</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p id="05e2">A Adutora do Agreste, obra de responsabilidade do governo federal, governo estadual e executada pela Compesa, surge nesse cenário de seca como uma possível solução de segurança hídrica. No entanto, o empreendimento, que teve início em 2013 e deveria ter ficado pronto em 2015, ainda não foi concluído. O investimento da obra foi de R$ 3,2 bilhões: ele compreende o eixo leste da transposição, que leva água do Rio São Francisco do município de Floresta (sertão de Pernambuco) até Monteiro (Paraíba). São 217 quilômetros de canal construídos pelo governo federal, que também ficou a cargo de viabilizar o ramal do agreste, um canal que vai levar a água do eixo leste da transposição até a barragem do Ipojuca, em Arcoverde, no Sertão do estado. Esse trecho, com 70 quilômetros, ficou pronto no ano passado. É dessa barragem que a Compesa deve pegar a água e, depois, tratá-la e distribuí-la para quase 70 cidades do agreste. Uma malha de tubulações deve percorrer 1.500 quilômetros. Há oito anos, a promessa era garantir água nas casas de dois milhões de moradores de municípios do Agreste e do Sertão. Até agora, somente sete cidades contam com o abastecimento desse novo equipamento.</p>



<p id="c72e">Questionada sobre o que deu errado na execução da obra e por que Toritama, que deveria ser uma das primeiras cidades atendidas pela adutora, ainda enfrenta tantos problemas com o abastecimento de água, a Compesa culpabiliza a falta de repasses federais. Em nota divulgada ano passado, a companhia afirmou que, durante todo ano de 2021, a gestão federal não repassou &#8220;nenhum único centavo ao Governo de Pernambuco para o andamento das adutoras”. Em abril de 2021, o governo federal vetou o repasse de R$ 161 milhões previstos para a obra. Curiosamente, em outubro do mesmo ano, Jair Bolsonaro<a href="https://br.noticias.yahoo.com/bolsonaro-inaugura-obra-hidrica-que-ainda-nao-pode-funcionar-em-pernambuco-121331585.html" rel="noreferrer noopener" target="_blank">esteve em Sertânia para inaugurar a obra, que ainda está sem funcionar</a>. Sem receber, diversas empresas contratadas para executar a obra abandonaram os trabalhos. A segunda etapa, que vai levar água para 45 municípios, ainda nem começou.</p>



<p id="42f4">Também por meio de nota, a Compesa diz que somente a partir de julho de 2023 a &#8220;capital do Jeans&#8221; receberá água da Transposição do Rio São Francisco por meio de outras obras hídricas que são as Adutoras do Agreste, Alto do Capibaribe e Serro Azul. De acordo com a companhia, o sistema de abastecimento de água de Toritama é composto por uma captação na barragem de Jucazinho, localizada em Surubim, em uma rede de distribuição que alcança 80% do município.</p>



<p id="a95f">Enquanto a solução não chega, diante das inúmeras reclamações feitas diariamente pela população, outros caminhos são percorridos. O vereador da Edmilson Dionísio (conhecido como Loló, PSD) fala que chegou a realizar uma comitiva chamada “Vereadores de Toritama” com o intuito de levar as questões da população à Compesa, que está ciente dos apertos enormes passados principalmente por quem já não tem mais como comprometer seus baixos salários com um recurso que, em tese, deveria ser universal. &#8220;Na Compesa, tudo o que conseguimos foram promessas&#8221;, diz Loló. Enquanto isso, as torneiras seguem fechadas.</p>



<p id="0301"><em>*Os nomes de alguns personagens foram modificados a pedido dos mesmos</em></p>



<p id="34fb"><strong>LEIA MAIS</strong></p>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://marcozero.org/propostas-para-adiar-o-fim-de-um-mundo-agreste/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Proposta para adiar o fim de um mundo agreste</strong></a></li><li><a href="https://marcozero.org/nordeste-e-o-fim-do-mundo-toritama-entre-o-fim-do-mundo-e-a-chance-de-sobrevivencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Página Inicial e Menu</strong></a></li></ul>



<p><strong><em>O projeto dessa reportagem foi contemplado no edital nacional do Instituto ClimaInfo com apoio financeiro do Instrumento de Parceria da União Europeia (com Ministério Federal Alemão para o Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear eda Iniciativa Climática Internacional). Os conteúdos dessa publicação são de inteira responsabilidade dos seus organizadores e não necessariamente refletem a visão dos financiadores.</em></strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em><strong>Uma questão importante!</strong></em> </p><p>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa <a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a> ou, se preferir, usar nosso <strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>. </p><p><strong>Apoie o jornalismo independente!</strong></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/agua-um-bem-para-quem-pode-pagar/">Água: um bem para quem pode pagar</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Propostas para adiar o fim de um mundo agreste</title>
		<link>https://marcozero.org/propostas-para-adiar-o-fim-de-um-mundo-agreste/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jul 2022 13:30:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[indústria têxtil]]></category>
		<category><![CDATA[jeans]]></category>
		<category><![CDATA[lavanderias]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[rio Capibaribe]]></category>
		<category><![CDATA[toritama]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=48991</guid>

					<description><![CDATA[<p>Especialistas e donos de lavanderias apontam ações estratégicas para uma otimização da gestão de água frente aos desafios das mudanças climáticas Por Observatório da Vida Agreste (OVA/UFPE) Liso como o ventrede uma cadela fecunda,o rio crescesem nunca explodir.Tem, o rio,um parto fluente e invertebradocomo o de uma cadela.(João Cabral de Melo Neto) Pois é, João: [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/propostas-para-adiar-o-fim-de-um-mundo-agreste/">Propostas para adiar o fim de um mundo agreste</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p id="b2fc"><em>Especialistas e donos de lavanderias apontam ações estratégicas para uma otimização da gestão de água frente aos desafios das mudanças climáticas</em></p>



<p><strong>Por <a href="https://reportagensespeciais.medium.com/propostas-para-adiar-o-fim-de-um-mundo-agreste-a074922ceac" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Observatório da Vida Agreste (OVA/UFPE)</a></strong></p>



<p id="caca"><em>Liso como o ventre<br>de uma cadela fecunda,<br>o rio cresce<br>sem nunca explodir.<br>Tem, o rio,<br>um parto fluente e invertebrado<br>como o de uma cadela.</em><br>(João Cabral de Melo Neto)</p>



<p id="13be"><strong>Pois é, João: o rio não exatamente cresceu. Mas explodiu.</strong></p>



<p id="1010">Em Toritama, são mais de 3 mil empresas produtoras de jeans e 73 lavanderias (uma de grande porte produz uma média de 120 mil peças de jeans por mês). O número chama ainda mais atenção quando são revelados quantos litros de água são usados, em média, para lavar uma única peça: cerca de 70 litros no processo de tingir, lavar e finalizar o produto.</p>



<p id="181a">Com os efeitos da destruição ambiental mundial no clima nordestino, esta é uma configuração insustentável. De acordo com a pesquisadora Cláudia Ribeiro Pereira Nunes (presente no livro<em>Os impactos das mudanças climáticas no Nordeste brasileiro</em>, organizado por Alana Ramos Araújo, Germana Parente Neiva Belchior e Thaís Emília de Sousa Viegas), as regiões Norte e Nordeste do Brasil são as mais vulneráveis às mudanças atuais por serem extremos climáticos nos quais grandes precipitações e/ou longas estiagens são comuns. No artigo<em>As mudanças climáticas a partir da implantação de empresas de capital estrangeiro no Nordeste: estado regulador?</em>Cláudia analisa os aspectos econômicos desse cenário e afirma: todos os empreendimentos sofrerão direta ou indiretamente com o aquecimento global e suas consequências. As perdas econômicas são inevitáveis. “Particularmente, de modo direto, sem qualquer adaptação, as empresas terão dificuldades em manter os atuais níveis de produção e eficiência operacional e, de modo indireto, os consumidores serão mais exigentes, examinando minuciosamente suas práticas sustentáveis”, escreve.</p>



<p id="d2ce">A pesquisadora chefe de gestão ambiental da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Soraya El-Deir chama atenção para um fato importante: essas mudanças climáticas não se configuram em algo para o futuro — estão acontecendo agora. “Estamos vivenciando no nosso dia a dia o que era previsto para daqui a 20 anos”. É agora também que já se registra em algumas lavanderias a prática do reuso, vista como uma das mais interessantes no sentido não só de poupar água, mas de assegurar um descarte responsável no Capibaribe. A questão é que apenas as empresas maiores realizam esse processo no qual parte de resíduos sólidos (como cloro, detergente, sabão, corantes e amaciantes) é separado e posteriormente tratado.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/materia-4-foto-2-toritama-300x225.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/materia-4-foto-2-toritama-1024x768.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/materia-4-foto-2-toritama-1024x768.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Lavanderias de maior porte, como a Céu Azul, conseguem reutilizar mais de 80% da água. Mas essa não é uma realidade em diversas empresas que funcionam na ilegalidade (foto: Maryane Martins)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para o reuso nas lavanderias, a água utilizada passa primeiramente pelo sistema de gradeamento ou filtragem. Na segunda etapa, a água é transferida para o tanque de equalização onde ocorre a homogeneização dos efluentes. Na terceira, são retiradas as impurezas no tanque de decantação por meio de produtos químicos (cal, sulfato de alumínio). Após esse processo, o lodo têxtil, resíduo que fica no tanque após a decantação, é colocado em um leito de secagem. Esse processo dura em média 60 dias e, após esse período, o lodo é recolhido por caminhões e destinado a um aterro sanitário. A água tratada volta a ser utilizada na lavagem do jeans.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/materia-4-foto-3-toritama-178x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/materia-4-foto-3-toritama-606x1024.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/materia-4-foto-3-toritama-606x1024.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Lodo têxtil proveniente de insumos químicos utilizados na lavagem do jeans (foto: Maria Júlia Vieira)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><a rel="noreferrer noopener" target="_blank" href="https://reportagensespeciais.medium.com/esta-reportagem-%C3%A9-a-primeira-parte-do-projeto-o-nordeste-e-o-fim-do-mundo-que-ser%C3%A1-formado-por-8c590f8ba211"></a>É o caso da lavanderia Céu Azul, que reutiliza 80% da água consumida na lavagem das peças a partir de um sistema de tratamento dos insumos. Pedro Henrique, proprietário da empresa, diz que a parte não reutilizada na lavagem após o tratamento vai diretamente para o Rio Capibaribe. Essa mudança no sistema de tratamento de água da empresa ocorreu a partir de 2004, com a formalização do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), a prefeitura municipal e assinado pelas lavanderias. Com esse termo, 77 empresas se comprometeram a uma adequação tecnológica a fim de evitar a poluição e o descarte irregular de resíduos sólidos. Esse TAC foi substituído pela Lei Municipal 1643/2018, a chamada<a href="https://transparencia.toritama.pe.gov.br/uploads/5404/1/atos-oficiais/2018/cduma/1641905075_lein1643de2018leidaslavanderias.pdf" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Lei das Lavanderias</a>(documento completo no link). De acordo com a Secretaria de vigilância sanitária, 63 lavanderias se comprometeram fazer o reuso da água seguindo o novo documento.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/materia-4-foto-4-toritama-122x300.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/materia-4-foto-4-toritama-416x1024.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/materia-4-foto-4-toritama-416x1024.png" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<p id="ed44">Outra lavanderia que aposta no reuso da água é a LGN. Fundada há 17 anos, a empresa conta com um sistema de reaproveitamento de até 85% do recurso utilizado. Segundo o proprietário, Luiz Neto, a água que não é reempregada no processo de lavagem do jeans é destinada para irrigação de plantas e limpeza. Com um consumo diário de 70 mil litros de água na empresa, Luiz Neto diz que foi preciso pensar em alternativas para suprir a escassez hídrica na região. A solução encontrada por ele e outros empresários do ramo de lavanderias foi a perfuração de poços artesianos, além do abastecimento por caminhões pipas vindos de localidades vizinhas. É preciso dizer que as duas alternativas são, primeiro, possíveis para quem tem maior recurso financeiro e, segundo, também podem ter impactos ambientais sérios.</p>



<p id="6c50">No texto<a href="http://eventos.ecogestaobrasil.net/congestas2014/trabalhos/pdf/congestas2014-et-13-015.pdf" rel="noreferrer noopener" target="_blank"><em>Um estudo sobre poços artesianos em Santa Cruz do Capibaribe</em></a>, o contexto da utilização da água subterrânea no agreste é analisado justamente pelo seu caráter de exclusão social, uma vez que se trata de um processo caro do qual a maioria da população acaba apartada. Já a pesquisa<a href="https://www.ibeas.org.br/congresso/Trabalhos2020/VIII-003.pdf" rel="noreferrer noopener" target="_blank"><em>Impactos ambientais causados por perfurações de poços clandestinos — estudo de caso</em></a>, analisa, no âmbito de Recife, como a perfuração (muitas vezes ilegal) causada pela falta de acesso a água tem um grande potencial destrutivo e está relacionado ainda com o desconhecimento de questões da legislação.</p>



<p id="9316">Uma das maiores lavanderias da cidade, a Mamute, fundada há 32 anos, pertence ao atual prefeito do município, Edilson Tavares (MDB). Segundo a pesquisa<a href="https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/gaia/article/view/29117/27390" rel="noreferrer noopener" target="_blank"><em>Índice de desempenho da gestão ambiental (IDGA) aplicado ao setor têxtil: um estudo em duas lavanderias industriais do Agreste Pernambucano</em></a>(2019), ali são utilizados 300 mil litros de água em cada um dos três turnos diários (6h-14h; 14h-22h; 22h-6h) da empresa. No entanto, o diretor da empresa, Luiz Carlos de Souza, informa que hoje gasta bem menos que a quantidade mostrada na pesquisa citada: seriam 50 mil litros de água por dia. Essa queda, segundo o próprio, aconteceu por conta da pandemia. A água usada pela empresa vem do Rio Capibaribe por meio de barragem privada e ainda de poços artesianos e da estrutura pública da Compesa. A estação de tratamento de efluentes consegue reaproveitar de 85% a 95% do recurso. O restante também vira resíduo sólido e é destinado ao aterro sanitário .</p>



<p id="38d6">A pesquisadora Soraya El-Deir diz que a indústria têxtil é uma cadeia complexa com diferentes potenciais de impacto a depender das tecnologias utilizadas. Apesar de todo o cenário preocupante apresentado por diversos estudos sobre emergência climática, ela aposta em um futuro menos sombrio. “O que eu percebo a médio e a longo prazo é que, cada vez mais, nós vamos ter tecidos inteligentes e que terão maior resistência. Por isso, usaremos menos recursos naturais. Então se apostarmos que as tecnologias sustentáveis vão avançar no polo têxtil do Agreste e em outros segmentos da sociedade, migraremos para uma sociedade sustentável. Eu tenho certeza que isso vai acontecer, como também tenho certeza do papel definidor das políticas públicas e das universidades trabalhando em prol da sociedade.”</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/materia-4-foto-5-toritama-169x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/materia-4-foto-5-toritama.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/07/materia-4-foto-5-toritama.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="376">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Soraya El-Deir, da UFRPE, diz que tecidos inteligentes são uma das saídas para uma indústria menos poluente</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p id="4462">Outra alternativa viável para as lavanderias é apontada por Hilário Siqueira, autor da dissertação<em>As lavanderias de jeans de Toritama : uma contribuição para a gestão das águas,</em>defendida no mestrado de Gestão Pública para o Desenvolvimento do Desenvolvimento do Nordeste (UFPE). O autor defende em sua pesquisa uma gestão ambiental de recursos hídricos nas lavanderias a partir da manutenção do aprovisionamento e adaptação de recursos, conservação do patrimônio natural, bem como uma renovação dinâmica de recursos naturais. Essas alternativas só serão possíveis se as empresas cumprirem os requisitos legais relacionados ao meio ambiente.</p>



<p id="58db">No Brasil, empresas como a Riachuelo se destacam por otimizar a gestão de água no processo de fabricação de jeans a partir de tecnologias como o ozônio, que permite a limpeza e o clareamento das peças sem o uso da água e químicos, chegando a reduzir o consumo na produção do jeans para 12 litros de água. Já em processos mais avançados, a fábrica consegue reduzir o consumo para apenas três litros por peça.</p>



<p id="3cc3">Nos níveis estadual e municipal, o Rio Capibaribe tem o monitoramento das suas águas realizado pela Companhia Pernambucana de Recursos Hídricos (CPRH) juntamente com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Com o objetivo de mitigar os impactos ambientais, os proprietários das lavanderias são orientados pela Secretaria de Meio Ambiente sobre quais procedimentos são necessários para a regularização dos empreendimentos junto à CPRH e assim obter o licenciamento ambiental. O órgão informa que exige: estrutura física ideal para funcionamento da lavanderia; gerenciamento e destinação de resíduos sólidos (lodo, cinza, e embalagens de produtos tóxicos); tratamento da água; manutenção dos tanques; controle da emissão de fumaça devido à queima da algaroba; renovação da licença ambiental. Sem essas normas, a lavanderia pode ser fechada.</p>



<p id="c383">O livro<em>Os impactos das mudanças climáticas no Nordeste brasileiro</em>está na íntegra<a href="https://fundacaosintaf.org.br/arquivos/files/Ebook%20impactos%20das%20mudancas%20climaticas%20no%20nordeste%20brasileiro.pdf" rel="noreferrer noopener" target="_blank">aqui.</a></p>



<p id="2c72"><strong>LEIA MAIS:</strong></p>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="na luta por oxigênio e espaço" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Capibaribe: na luta por oxigênio e espaço</strong></a></li><li><strong><a href="https://marcozero.org/nordeste-e-o-fim-do-mundo-toritama-entre-o-fim-do-mundo-e-a-chance-de-sobrevivencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Página Inicial e Menu</a></strong></li></ul>



<p><strong><em>O projeto dessa reportagem foi contemplado no edital nacional do Instituto ClimaInfo com apoio financeiro do Instrumento de Parceria da União Europeia (com Ministério Federal Alemão para o Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear eda Iniciativa Climática Internacional). Os conteúdos dessa publicação são de inteira responsabilidade dos seus organizadores e não necessariamente refletem a visão dos financiadores.</em></strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em><strong>Uma questão importante!</strong></em> </p><p>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa <a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a> ou, se preferir, usar nosso <strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>. </p><p><strong>Apoie o jornalismo independente</strong>!</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/propostas-para-adiar-o-fim-de-um-mundo-agreste/">Propostas para adiar o fim de um mundo agreste</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Toritama: entre o fim do mundo e a chance de sobrevivência</title>
		<link>https://marcozero.org/nordeste-e-o-fim-do-mundo-toritama-entre-o-fim-do-mundo-e-a-chance-de-sobrevivencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jul 2022 01:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[indústria têxtil]]></category>
		<category><![CDATA[jeans]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[rio Capibaribe]]></category>
		<category><![CDATA[toritama]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=48954</guid>

					<description><![CDATA[<p>A cidade é passada pelo riocomo uma ruaé passada por um cachorro;uma frutapor uma espada. O rio ora lembravaa língua mansa de um cão,ora o ventre triste de um cão,ora o outro riode aquoso pano sujodos olhos de um cão (O cão sem plumas, João Cabral de Melo Neto) Esta reportagem é a primeira parte [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/nordeste-e-o-fim-do-mundo-toritama-entre-o-fim-do-mundo-e-a-chance-de-sobrevivencia/">Toritama: entre o fim do mundo e a chance de sobrevivência</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p id="de45"><em>A cidade é passada pelo rio<br>como uma rua<br>é passada por um cachorro;<br>uma fruta<br>por uma espada.</em></p>



<p id="50f0"><em>O rio ora lembrava<br>a língua mansa de um cão,<br>ora o ventre triste de um cão,<br>ora o outro rio<br>de aquoso pano sujo<br>dos olhos de um cão</em></p>



<p id="8746"><em>(O cão sem plumas, João Cabral de Melo Neto)</em></p>



<p id="9451">Esta reportagem é a primeira parte do projeto<em><strong><a href="https://reportagensespeciais.medium.com/abertura-8bb1b2f56fc4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O NORDESTE E O FIM DO MUNDO</a></strong></em>, que será formado por duas investigações longas, documentário, ensaio fotográfico, podcast e debates. Desenvolvido pelo <strong><a href="https://medium.com/@ovaufpe" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Observatório da Vida Agreste (OVA/UFPE)</a></strong>, o material foca em uma das cidades centrais da indústria têxtil nacional, Toritama, agreste de Pernambuco. O fabrico de jeans e outras confecções é o motor que sustenta a economia do município e das cidades vizinhas (em especial Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe). Mas ele é também uma das razões do alto nível de destruição do Rio Capibaribe, que corta o município e serve para abrigar rejeitos de toda sorte. Essa questão se agrava justamente por Toritama ser uma das cidades pernambucanas mais impactadas pela falta de água — quer dizer, pela falta que atinge a maioria da população empobrecida, mas não as lavanderias que podem custear carros-pipa, perfurar poços e construir barragens.</p>



<p></p>



<iframe width="850" height="510" src="https://www.youtube.com/embed/jT44x1t_7YI" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen=""></iframe>



<p></p>



<p id="4e85"><strong><em>Toritama: entre o fim do mundo e a chance de sobrevivência</em></strong>joga luz sobre a emergência climática no Nordeste, uma das regiões que será mais afetada pelas mudanças ambientais. O projeto foi contemplado no edital nacional do Instituto ClimaInfo com apoio financeiro do Instrumento de Parceria da União Europeia (com Ministério Federal Alemão para o Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear e Iniciativa Climática Internacional). Nesta reportagem, você vai conhecer as memórias de quem já teve o Rio Capibaribe como um local de lazer, diversão e sobrevivência; vai saber como a falta de água impacta o cotidiano de quem passa até dois meses sem ver o recurso chegar às torneiras; entender como as lavanderias estão fazendo para lidar com os efeitos da crise hídrica e quais soluções estão sendo praticadas para poupar a água. Vai saber um pouco mais sobre as razões pelas quais a Adutora do Agreste, que prometia solucionar a falta de água na região, praticamente ainda não saiu do papel apesar de ter sido iniciada em 2015. Finalmente, você ainda poderá ouvir as canções do cantador João do Cavaquinho sobre o Capibaribe e conferir o mini documentário realizado por nossa equipe.</p>



<p id="42df">O especial foi desenvolvido pelas repórteres Maria Souza, Maíra Welma Silva, Maryane Martins e Maria Júlia Vieira, as duas últimas responsáveis também pelo documentário que você assiste aqui. Também na equipe, Layane Lima (artes e redes sociais) e Márcio Correia (artes, redes sociais e site). A reportagem especial é também fruto de uma parceria entre o laboratório OVA e a Marco Zero Conteúdo. A equipe também contou com cursos de formação sobre mudanças climáticas oferecidos pelo ClimaInfo, com excelentes mentorias realizadas pelos jornalistas Maristela Crispim, Cristina Amorim e Marco Schaeffer. A reportagem tem coordenação e edição da jornalista e professora da UFPE Fabiana Moraes.</p>



<p id="5bce">***</p>



<p id="dea0">Nesta viagem ao agreste, seremos também acompanhadas por João Cabral de Melo Neto e seu poema<strong>O cão sem plumas</strong>, que fala sobre o Capibaribe, da sua nascente até seu desaguar no mar de Recife, e as pessoas às suas margens.</p>



<p id="74f9">***</p>



<p><strong>LEIA MAIS:</strong></p>



<p id="336d"><a href="https://marcozero.org/o-rio-era-a-vida-da-gente/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>1. “O rio era a vida da gente”</strong></a></p>



<p id="617a"><a href="https://marcozero.org/agua-um-bem-para-quem-pode-pagar/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>2. Água: um bem para quem pode pagar</strong></a></p>



<p id="f02e"><strong><a href="https://marcozero.org/propostas-para-adiar-o-fim-de-um-mundo-agreste/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">3. Propostas para adiar o fim de um mundo agreste</a></strong></p>



<p id="c1c9"><strong><a href="https://marcozero.org/capibaribe-na-luta-por-oxigenio-e-espaco/">4. Capibaribe: na luta por oxigênio e espaço</a></strong></p>



<p id="54f9"><em>Os conteúdos desta publicação são de inteira responsabilidade dos seus organizadores e não necessariamente refletem a visão dos financiadores</em>.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em><strong>Uma questão importante!</strong></em> </p><p> Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.</p><p><strong>Apoie o jornalismo independente!</strong></p></blockquote>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/nordeste-e-o-fim-do-mundo-toritama-entre-o-fim-do-mundo-e-a-chance-de-sobrevivencia/">Toritama: entre o fim do mundo e a chance de sobrevivência</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A greve esquecida que marcou a luta operária em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/os-60-anos-da-greve-esquecida-que-marcou-a-luta-operaria-em-pernambuco/</link>
					<comments>https://marcozero.org/os-60-anos-da-greve-esquecida-que-marcou-a-luta-operaria-em-pernambuco/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Nov 2018 11:01:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[1958]]></category>
		<category><![CDATA[comunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Cordeiro de Farias]]></category>
		<category><![CDATA[fábrica da Macaxeira]]></category>
		<category><![CDATA[greve têxteis recife pernambuco 49 dias fábrica macaxeira operários tecelões trabalhadores tecido]]></category>
		<category><![CDATA[greves]]></category>
		<category><![CDATA[indústria têxtil]]></category>
		<category><![CDATA[luta operária]]></category>
		<category><![CDATA[movimento operário]]></category>
		<category><![CDATA[operário]]></category>
		<category><![CDATA[PCB]]></category>
		<category><![CDATA[sindicalismo]]></category>
		<category><![CDATA[sindicalismo em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[sindicatos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=11776</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por Helena Dias “Essa foi quarenta e nove dias de greve, quarenta e nove dias de “guerra”. Porque aquilo não é greve, aquilo não é greve! Aquilo é “guerra”. &#8211; Seu Abdias, ex-motorista da Fábrica da Macaxeira Uma guerra, sim, seu Abdias. O conflito de classes que, entre levantes dos trabalhadores e a opressão patronal, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/os-60-anos-da-greve-esquecida-que-marcou-a-luta-operaria-em-pernambuco/">A greve esquecida que marcou a luta operária em Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Helena Dias</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Essa foi quarenta e nove dias de greve, quarenta e nove dias de “guerra”. Porque aquilo não é greve, aquilo não é greve! Aquilo é “guerra”. </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; </span><b>Seu Abdias, ex-motorista da Fábrica da Macaxeira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma guerra, sim, seu Abdias. O conflito de classes que, entre levantes dos trabalhadores e a opressão patronal, fez surgir no Recife a &nbsp;Greve dos Têxteis de 1958, marcando a história do movimento operário no país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há &nbsp;60 anos, fora do eixo industrial do Brasil, concentrado nas regiões Sul e Sudeste, industriais que agiam como coronéis travaram uma disputa jurídica contra os trabalhadores que resultou em 49 dias de paralisação, violência e resistência. Enquanto os operários reivindicavam a campanha salarial daquele ano, os empresários tentavam burlar a decisão de 25% de aumento no salário, estabelecida pelo Tribunal Regional do Trabalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A greve dos 49 dias foi deflagrada em 20 de janeiro de 1958, após o não cumprimento da decisão do tribunal e se estendeu durante todo trâmite jurídico, acabando em 9 de março do mesmo ano. Inicialmente, a proposta dos trabalhadores era de 50% de aumento salarial, mas o TRT acatou apenas a metade deste percentual. Mesmo assim, os patrões descumpriram a decisão, gerando a revolta da categoria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aproximadamente sete mil operários paralisaram completamente as atividades em oito fábricas têxteis do estado: Fábrica da Macaxeira, Fábrica da Várzea, Fábrica Amalita, Fábrica Bezerra de Mello, Fábrica de Camaragibe, Fábrica Yolanda, Fábrica Tacaruna e Têxtifício Santa Maria. A imprensa percebeu a amplitude da mobilização e fez cobertura diária.</span></p>
<p><div id="attachment_11771" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/DSC08411.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11771" class="wp-image-11771 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/DSC08411-300x225.jpg" alt="DSC08411" width="300" height="225"></a><p id="caption-attachment-11771" class="wp-caption-text">Foto: Jornal Folha do Povo (1958)</p></div></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O clima de violência instalou-se logo na primeira semana. A categoria se viu dividida entre aqueles que aderiram à greve e aqueles conhecidos como “furões”. A Polícia Militar se posicionou de forma a beneficiar as indústrias que tentavam desmobilizar a paralisação. Faziam a segurança do transporte dos “cabelouros”, ou seja, trabalhadores desempregados trazidos em sua maioria de Goiana e Paulista para furar os piquetes e manter a produção de tecidos. Capangas atuavam armados na repressão, houve trocas de tiros e espancamentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a segunda semana até o fim da paralisação, os trabalhadores não receberam salários. Na dissertação </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fábrica de tecidos da Macaxeira e a vila dos operários: a luta de classes em torno do trabalho e da casa em uma fábrica urbana com vila operária</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Emanuel Moraes, mestre em História pela UFPE, há relatos sobre operários que caíam de fome durante as assembleias. O sindicato puxou uma campanha de solidariedade para angariar alimentos e dinheiro que foi recebeu adesão de setores do Governo do Estado, de deputados estaduais e de alguns vereadores da Câmara do Recife, além de organizações sindicais de outras categorias profissionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência só amenizou após atuação do governo estadual, que tinha, à época, Cordeiro de Farias como governador. Daí começaram as tentativas frustradas de conciliação jurídica, quando até o Ministério do Trabalho chegou a enviar um emissário oficial, Crockatt de Sá, &nbsp;para mediar o diálogo. Uma semana antes do fim da greve, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou o dissídio coletivo estipulando 18% de aumento no salário dos operários.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Insatisfeitos com a decisão e temerosos pela retaliação e repressão pós-greve, já anunciada pelo sindicato patronal, na última semana de paralisação os trabalhadores se rebelaram e a violência voltou de forma intensa. Grevistas e “cabelouros” entraram em conflito direto. As fábricas não precisaram pagar os 25% de aumento e os trabalhadores brigavam entre si por causa dos seus direitos sucateados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com a professora do Departamento de História da UFPE, Maria do Socorro Abreu e Lima, “vale ressaltar que a repressão às greves era forte e as fábricas eram dispersas e, muitas vezes, pequenas. Outro fator a ser considerado era que o Recife concentrava uma parcela grande de desempregados e subempregados, o que contribuía para o enfraquecimento dessa forma de luta dado o medo do desemprego”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após este marco, o movimento operário sofreu grande desmobilização. Assim como na greve anterior, em 1952, cada vez menos operários eram sindicalizados. Só nos anos 60, quando João Goulart tornou-se presidente da República e Miguel Arraes assumiu o governo do estado de Pernambuco, o apoio de ambos governos fortaleceu o movimento sindical como um todo.</span></p>
<p><div id="attachment_11785" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/greve58macaxeira.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11785" class="size-large wp-image-11785" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/greve58macaxeira-1024x576.jpg" alt="Abdias Silva e Francisco Lima trabalhavam na fábrica da Macaxeira e ainda moram no bairro que nasceu da vila operária" width="702" height="394"></a><p id="caption-attachment-11785" class="wp-caption-text">Abdias Silva e Francisco Lima trabalhavam na fábrica da Macaxeira e ainda moram no bairro que nasceu da vila operária</p></div></p>
<p><b>Política</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À época da Greve de 58, o governador Cordeiro de Farias teve uma atuação dúbia que, ora amenizava a disputa entre trabalhadores e patrões, ora inflamava os ânimos. Por causa de um locaute (paralisação promovida pelos donos das empresas) acontecido em 1957, após aprovação do código tributário, Cordeiro de Farias se indispôs com a classe patronal e, por isso, já vinha em conflito com os industriais.</span></p>
<p><div id="attachment_11775" style="width: 235px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/Wilson-de-Barros-Leal-O-Tear-1951.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11775" class="wp-image-11775 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/Wilson-de-Barros-Leal-O-Tear-1951-225x300.jpg" alt="Wilson de Barros Leal, O Tear, 1951" width="225" height="300"></a><p id="caption-attachment-11775" class="wp-caption-text">Foto: Jornal O Tear (1951)</p></div></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliado do governador e vereador do Recife pelo PTB, Wilson de Barros Leal (foto), era o presidente do Sindicato dos Têxteis e representou a categoria nas negociações trabalhistas.</span></p>
<p><b>Os antecedentes<br />
</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda segundo a professora Maria do Socorro Abreu e Lima, “é provável que esta greve (Greve dos 400 mil, deflagrada em São Paulo, em outubro de 1957) tenha influenciado na decisão dos têxteis de Recife”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Sindicato dos Trabalhadores Têxteis do Recife(fundado em 1930) começou a construir suas mobilizações a partir de 1945, com o fim do Estado Novo instaurado por Getúlio Vargas. No mesmo período, o Partido Comunista (PCB) unia forças à organização sindical. Os operários chegaram a encerrar expedientes de trabalho, em 26 de novembro do mesmo ano, para ir ao comício de Luiz Carlos Prestes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, desta ligação com o PCB, surgiu a primeira greve em 1947. Em solidariedade ao delegado sindical da fábrica, que sofreu represália por cobrar salários atrasados, a categoria cruzou os braços por três dias. A paralisação culminou em uma intervenção do Ministério do Trabalho que durou até 1950 por meio de duas juntas governativas, a segunda encabeçada por Wilson de Barros Leal. Wilson foi eleito presidente do sindicato mesmo ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi uma aparente virada na posição do vereador que, de interventor ministerial, se tornou presidente eleito da organização. Naquele período assumiu posturas mais populistas, já que sua base eleitoral eram os trabalhadores. &nbsp; </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1952, houve outra paralisação que reivindicava 50% de aumento no salário, mas só obteve 30%. Os tecelões estavam sujeitos à manutenção da cláusula da assiduidade integral e não obtiveram retorno algum da justiça trabalhista sobre o programa de 29 reivindicações que compunha a campanha salarial. De acordo com a cláusula de assiduidade, o pagamento dos trabalhadores seria proporcional à frequência dos mesmos durante a semana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Wilson saiu da presidência do sindicato elegendo seu sucessor Pedro Paiva, antigo secretário da Diretoria do Sindicato e empregado da Fábrica Tacaruna. Voltou ao sindicato em 1957, como oposição a Pedro, e encampou a greve no ano seguinte.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>Minha história, sua história</strong></p>
<p><strong>A autora da reportagem conviveu durante toda a infância e a adolescência com um dos operários que participaram ativamente a greve de 1958 na fábrica da Macaxeira. José Dias dos Santos era seu avô. </strong></p>
<p><div id="attachment_11781" style="width: 160px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/WhatsApp-Image-2018-11-06-at-14.58.48.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11781" class="wp-image-11781 size-thumbnail" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/WhatsApp-Image-2018-11-06-at-14.58.48-150x150.jpeg" alt="Avô José Dias, ex-mecânico fabril, e sua neta Helena Dias" width="150" height="150"></a><p id="caption-attachment-11781" class="wp-caption-text"><em>Foto: Arquivo pessoal da família Dias</em></p></div></p>
<p><em>&#8220;A Companhia (Fábrica da Macaxeira)&nbsp; fez uma palhoça para fazer o pessoal que estava lá dentro brincar o carnaval. Porque não podiam sair, porque senão os grevistas quebravam no pau&#8221;.</em> &#8211; <strong>José Dias dos Santos (Seu Zé, ex-mecânico da Fábrica da Macaxeira e meu avô)</strong></p>
<p>Tenho aprendido, Vô, que a história serve para nos inspirar a não desistir de fazer disso aqui um mundo melhor. Apesar&nbsp;de insistirmos no erro de retroceder, de escolhermos muitas vezes nos atrasar um pouco mais, acredito que os direitos que reivindicarei um dia serão outros para além dos que você reivindicou.&nbsp;Não tenho boas notícias, a Reforma Trabalhista foi aprovada ano passado e a Reforma da Previdência é prioridade neste momento. Não estamos bem, falo enquanto classe trabalhadora como você.</p>
<p>Mas, ao escrever essa matéria, lembro que sua história é minha história. Que a história de outros amigos e conhecidos meus também passam pela vivência de seus avôs e avós, operários e operárias, e isto me fortalece para seguir em frente. Obrigada pela consciência política, pela consciência de classe e de vida. Não tenho orgulho maior do que ser neta de um ex-mecânico como você, Vô. Nesta nossa luta, nunca há derrotas! Eu sigo.</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/os-60-anos-da-greve-esquecida-que-marcou-a-luta-operaria-em-pernambuco/">A greve esquecida que marcou a luta operária em Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/os-60-anos-da-greve-esquecida-que-marcou-a-luta-operaria-em-pernambuco/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
