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	<title>Arquivos Infância na Creche - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos Infância na Creche - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Creche conveniada não é problema, mas poder público precisa ter responsabilidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Sep 2024 18:03:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[creches]]></category>
		<category><![CDATA[Fundação Maria Cecília Souto Vidigal]]></category>
		<category><![CDATA[Infância na Creche]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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<p>Talvez não exista outra organização brasileira que tenha mobilizado tanto a sociedade para priorizar a primeira infância quanto a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV), organização fundada há 59 anos e que, desde 2007, atua com foco em impulsionar políticas públicas para crianças até seis anos de idade.  E o acesso às creches é um dos temas mais presentes nas atividades da Beatriz de Oliveira Abuchaim, gerente de  Políticas Públicas da Fundação, com quem conversamos para tentar entender as virtudes e os riscos do modelo adotado pela gestão de João Campos para multiplicar as vagas em creches.</p>



<p>Abuchaim não acredita que ampliar a rede em parceria com entidades sem fins lucrativos é um problema ou um erro. Ela lembra que isso está previsto na lei 13.019, sancionada por Dilma Rousseff em 2014, que &#8220;estabelece o regime de parcerias entre a administração pública e as organizações da sociedade civil sob a forma de cooperação mútua&#8221;. A própria Fundação aponta que esse é um dos caminhos que os municípios podem adotar em uma <a href="https://biblioteca.fmcsv.org.br/biblioteca/atendimento-demanda-qualidade-creche/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicação específica para prefeitos e administrações municipais</a>.</p>



<p>A chave para garantir a qualidade no atendimento e cuidado com as crianças estaria, segundo Beatriz Abuchaim, na &#8220;responsabilidade do poder público&#8221;. </p>



<p>&#8220;Não é só fazer o convênio com essas instituições. O município tem que garantir que existam as previstas na legislação brasileira para o funcionamento de uma escola de educação infantil. E que exista uma supervisão do que que está acontecendo em relação à condição dos professores, à infraestrutura física, a parâmetros como a quantidade de crianças por metro quadrado é por professor&#8230; o Recife é um município grande, imagino que tem estabelecido esses parâmetros&#8221;, explicou a gerente da Fundação, que é psicóloga e doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).</p>



<p>Ela chama a atenção que, após o processo de credenciamento, &#8220;há mais duas camadas sob responsabilidade da prefeitura: a supervisão e o processo de formação dos profissionais&#8221;. Segundo Beatriz Abuchaim, a secretaria de Educação deve supervisionar o trabalho dessas instituições privadas da mesma forma que supervisiona as unidades da rede municipal.</p>



<p>&#8220;É preciso olhar para questões como o que que está sendo oferecido em termos de alimentação para essas crianças? Em termos pedagógicos, quais os recursos disponíveis? A infraestrutura é adequada para atender bebês e crianças pequenas? Tem um vazamento e isso põe em risco a saúde das crianças? então isso tem que ser arrumado. E se um supervisor da prefeitura, indicar que a creche não está adequada, que feche a creche&#8221;, explica.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Formação igual a do serviço público</h2>



<p>Nas recomendações da FMCSV aos gestores públicos, aquilo que Abuchahim chama de &#8220;terceira camada&#8221; merece destaque: a necessidade de qualificação profissional das equipes que trabalham com as crianças pequenas. A importância da formação é ressaltada pelo fato das entidades sem fins lucrativos conveniadas serem associações ou institutos de pequeno porte, sem capacidade de oferecer bons salários nem cursos para seus funcionários.</p>



<p>&#8220;Esses profissionais já não estão em carreira do magistério público, quer dizer, são profissionais que estarão recebendo menos, pois as entidades não têm condições de pagar salários altos, pois a vaga na rede parceira é muito mais barata do que na rede oficial, então a prefeitura pode ajudar oferecendo oportunidades de formação de qualidade para essas pessoas&#8221;, explica, acrescentando que a cidade de São Paulo já está fazendo isso. </p>



<p>&#8220;Não estou dizendo que São Paulo é o melhor exemplo do mundo, mas aqui em São Paulofoia dotado o princípio de dizer que só existe uma rede, não se fala mais da rede parceira e da rede direta. Eles dizem &#8216;a nossa rede de creches&#8217;. Nessa lógica, diretoras e professoras recebem a mesma formação, independente de serem servidoras concursadas ou contratadas pelas associações&#8221;, detalha a gerente da FMCSV. Essa medida, segundo ela, é uma motivação para os funcionários das unidades credenciadas &#8220;fazerem o trabalho deles de uma forma melhor&#8221;.</p>



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	                                        <p class="m-0">Parcerias são legítimas, mas o poder público precisa supervisionar e oferecer formação
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Marcos Pastich/PCR</span>
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<h3 class="wp-block-heading">Atendimento de qualidade e homogêneo</h3>



<p>Proporcionar formação continuada para quem trabalha nas creches conveniadas seria uma das maneiras de viabilizar qualidade no atendimento às crianças e, além disso, o mesmo padrão entre as diversas associações parceiras. &#8220;Tem que ter controle de qualidade, afinal é uma vaga disponibilizada pelo poder público. Eu sempre falo que isso não pode ser por sorte da criança de ter nascido em um bairro onde a creche é ótima, porque é uma creche pública, mas outra criança não teve a sorte, nasceu nesse outro bairro, então foi mandada pra essa outra creche conveniada. O poder público tem essa responsabilidade a partir do momento em que garante a oferta de uma vaga&#8221;, defende Abuchahim.</p>



<p>A gerente da FMCSV acredita que, se a legislação permite que a expansão da rede de creches por meio de parcerias, isso precisa ser feito da maneira certa, &#8220;para que as crianças tenham boas oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento&#8221;. E isso exige do poder público &#8220;muita responsabilidade&#8221;.</p>



<p>A responsabilidade que Beatriz Abuchahim menciona implica em riscos. Segundo ela, optar por esse caminho e, depois, partir para a municipalização pode acabar desempregando quem trabalha na rede e prejudicando as crianças com o fechamento de vagas. <br><br></p>
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