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	<title>Arquivos Inquérito Policial - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos Inquérito Policial - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Sarí Corte Real é indiciada por abandono de incapaz  e morte de Miguel, com pena prevista de 4 a 12 anos de prisão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2020 21:14:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Inquérito Policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (1), o delegado Ramon Teixeira, responsável pelas investigações da morte do menino Miguel Otávio, 5 anos, que caiu das Torres Gêmeas, no Recife, no dia 2 de junho, decidiu por mudar o enquadramento da acusação que pesava sobre Sarí Corte Real &#8220;para abandono de incapaz resultando em morte&#8221;. Ela [&#8230;]</p>
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<p>Em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (1), o delegado Ramon Teixeira, responsável pelas investigações da morte do menino Miguel Otávio, 5 anos, que caiu das Torres Gêmeas, no Recife, no dia 2 de junho, decidiu por mudar o enquadramento da acusação que pesava sobre Sarí Corte Real &#8220;para abandono de incapaz resultando em morte&#8221;. Ela foi a única indiciada pelo inquérito policial.</p>



<p> A decisão aumenta o potencial punitivo em relação ao auto de flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, que permitiu que a acusada pagasse R$ 20 mil de fiança e fosse liberada no dia da morte de Miguel por decisão do delegado.  A pena prevista para o crime de &#8220;abandono de incapaz com resultado morte&#8221; é de 4 a 12 anos de reclusão. O homicídio culposo prevê pena de 1 a 3 anos de prisão.</p>



<p>O indiciamento de Sarí por abandono de incapaz foi considerado uma vitória para a família de Miguel, que passou a lutar por justiça. A família esteve reunida desde terça (30) em vigília pelo resultado do inquérito policial. </p>



<p>Erinha de Souza, cunhada de Mirtes e tia de Miguel, conta que passaram a noite apreensivas, mas rezando por uma mudança na posição da Polícia Civil. &#8220;A família está reunida desde ontem. A gente estava achando que a nossa voz não estava chegando na Justiça, mas colocar como abandono de incapaz é o que a gente estava querendo. A gente não aceita que fosse o que o perito queria colocar, como algo fortuito”, conta. </p>



<p>Segundo Erinha, a família vem vivendo em sofrimento, como se o tempo tivesse parado desde a morte de Miguel. Inclusive a incerteza do resultado do inquérito era motivo de confusão e angústia. A notícia chegou um mês após a morte de Miguel e é apenas um passo no caminho para a justiça. A missa de um mês de Miguel acontecerá nesta quinta-feira (2), restrita aos familiares.</p>



<p>Durante a coletiva à imprensa nesta quarta (1), o delegado Ramon Teixeira e o perito do Instituto de Criminalística, André Amaral, apresentaram a conclusão do inquérito policial que durou um mês. De acordo com o delegado, uma das informações cruciais para considerar o abandono de incapaz veio do depoimento da manicure Eliane da Silva Lopes, que estava no apartamento de Sarí. </p>



<p>Miguel caiu do  9<sup>o</sup> andar do prédio de luxo no centro do Recife, quando sua mãe, Mirtes Renata, passeava com a cadela dos empregadores. Sarí, a empregadora, ficou responsável por Miguel enquanto fazia as unhas no apartamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Investigação derruba versão de Sari</h2>



<p> No indiciamento, o titular da Delegacia de Santo Amaro entende que Sari se encontrava na condição de “agente garantidora”, com o dever e as condições para evitar a morte de Miguel. </p>



<p>O relatório do delegado contesta a versão dada em depoimento por Sari de que ela deixou o menino sozinho no elevador num momento de descuido, quando ficou desorientada e &#8220;se confundiu&#8221; com o chamado de sua filha, que estava no apartamento: “Não foi o que se viu nas imagens e, ainda por cima, ficou incontestável nos autos que a investigada sequer acompanhou o trajeto do elevador em movimento, se subiu ou desceu, o que lhe era perfeitamente possível por meio do painel (externo) do elevador”. </p>



<p>Lembrando que, nos momentos seguintes, Sarí chegou a sentar novamente para tratar as unhas com a manicure que a esperava dentro do apartamento, segundo depoimento da própria manicure. </p>



<p>Sarí negou em depoimento ter apertado o botão da cobertura quando o menino estava no elevador e ela o deixou sozinho. Ela garantiu ter apenas simulado ter apertado no botão para convencer Miguel a deixar o elevador.</p>



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	                                        <p class="m-0"> O delegado Ramon Teixeira e o perito do Instituto de Criminalística, André Amaral, apresentaram a conclusão do inquérito durante coletiva online</p>
	                
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<p>&#8220;É perfeitamente possível, pela visualização das imagens, que, a esta altura, a sociedade já conhece, entender que independentemente de pressionar ou não a tecla da cobertura, o que nós entendemos de importante ainda na autuação em flagrante foi o que nos manteve firmes no sentido de que aquela conduta omissiva de permitir o fechamento da porta tem valor penal relevante, inclusive para responsabilização penal da investigada”, argumentou o delegado.</p>



<p>&#8220;Ela permite consciente e livremente o fechamento daquela porta e ainda é capturada pelas imagens se dirigindo à porta corta fogo. Isso se soma ao fato de que o painel do andar tem a numeração. Seria possível perfeitamente acompanhar se o elevador teria subido ou descido”, explica. A investigação concluiu que Sarí não tomou providências para saber para onde o menino havia ido.</p>



<p>Além dos depoimentos, a análise técnica do acionamento dos botões do elevador e a perícia realizada no  9<sup>o</sup> andar foram consideradas para excluir outras possibilidades de acusação. &#8220;O laudo pericial foi extremamente importante para identificar a causalidade ou descartar a participação de outras pessoas no andar da queda”, afirmou Teixeira, concluindo que, por isso, a responsabilidade pela morte de Miguel foi atribuída apenas à moradora e não a outras pessoas. </p>



<p>O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Cláudio Ferreira, que inicialmente havia feito críticas ao delegado, teceu elogios à conclusão dos trabalhos de apuração. “O inquérito transcorreu de forma correta, houve a garantia do devido processo legal, da ampla produção probatória e, agora, esperamos que seja feita a denúncia pelo Ministério Público e caberá então à Justiça decidir por fim o enquadramento&#8221;. Dizendo que falava por si, e não em nome da OAB, Cláudio disse que os &#8220;elementos técnicos colhidos pelo delegado corroboram o indiciamento&#8221;. </p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Morte indesejável, mas previsível</strong> </h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p> <em>A Sra. Sari, naquele derradeiro instante em que abandonou Miguel, com cinco anos de idade, à própria sorte no elevador do edifício, em franca inação dolosa – plenas condições e o dever legal de agir para evitar a trágica morte da criança; claro, absolutamente indesejável pela investigada (caso contrário, ser-lhe-ia atribuído homicídio doloso), porém, ainda assim, algo previsível por qualquer pessoa de senso comum. (Trecho do relatório do inquérito policial)</em></p><p> </p></blockquote>



<p><em><br></em>Prova da previsibilidade de que Miguel corria risco ao se deslocar sozinho pelo elevador e poder acessar outros andares, segundo o delegado, era o fato de que dos 38 andares do prédio, em 23 os moradores haviam colocado redes de proteção nas lajes técnicas, o que não acontecia no 9<sup>o</sup> andar, onde Miguel escalou a janela e alcançou a área dos condensadores do ar-condicionado.  </p>



<p>De acordo com a perícia técnica e o depoimento de moradores e funcionários que ouviram uma criança chamar algumas vezes pela mãe, Miguel possivelmente acreditava que havia retornado ao 5<sup>o</sup>  andar e tentava alcançar a janela externa da cozinha parta voltar ao apartamento, quando caiu. Antes, ele teria tentado acessar o apartamento 901 pela porta da cozinha, que estava trancada. Não havia morador naquele momento no apartamento.</p>



<p>Ao longo das investigações, 21 pessoas foram ouvidas, 24 depoimentos foram colhidos, além de outros materiais, que resultaram em um relatório de 452 páginas.O inquérito foi concluído e será enviado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE).</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Histórico da acusação</strong></h3>



<p>No dia da morte de Miguel, Sarí Corte Real foi autuada pelo delegado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), o que garantiu que ela pagasse uma fiança de R$ 20 mil e ficasse em liberdade. Sarí só prestou depoimento na segunda-feira (29 de junho), quando a delegacia abriu cerca de duas horas antes do expediente para atender a um pedido dos advogados da primeira dama.</p>



<p>A acusada, Sarí Corte Real, é primeira dama de Tamandaré, município no litoral Sul de Pernambuco, em que a família do seu marido, Sérgio Hacker, domina a política local. A atitude do delegado foi questionada tanto pela família, como por organizações que diziam que Sarí estava sendo privilegiada e protegida nas investigações.</p>



<p>Questionado pela Marco Zero Conteúdo na coletiva desta quarta-feira (2) se houve pressão externa para a autuação de Sarí, no dia do crime, por homicídio culposo, o delegado afirmou que não foi pressionado.   “Essa foi uma investigação isenta, imparcial, indiferente à pressão de quem quer que seja, baseada em critérios técnicos e de direito”, concluiu.</p>
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