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	<title>Arquivos iphan - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 12 Dec 2025 16:33:10 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos iphan - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Estudo da UFPE e Iphan indicará caminhos para nova legislação do Sítio Histórico de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Dec 2025 20:22:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
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		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
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		<category><![CDATA[preservação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Olinda é único. Uma mistura da arquitetura de seis séculos, em meio a um vasto verde, emoldurada pelo céu azul e o verde do mar. É só olhar para o horizonte do Alto da Sé para entender que o Sítio Histórico é algo que o Brasil deve preservar [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/estudo-da-ufpe-e-iphan-indicara-caminhos-para-nova-legislacao-do-sitio-historico-de-olinda/">Estudo da UFPE e Iphan indicará caminhos para nova legislação do Sítio Histórico de Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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<p>O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Olinda é único. Uma mistura da arquitetura de seis séculos, em meio a um vasto verde, emoldurada pelo céu azul e o verde do mar. É só olhar para o horizonte do Alto da Sé para entender que o Sítio Histórico é algo que o Brasil deve preservar a todo custo. O tombamento de Olinda pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) veio em 1968. Em 1982, foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco. A segunda cidade brasileira a receber o título, depois de Ouro Preto, em Minas Gerais.</p>



<p>A legislação municipal que rege o Sítio Histórico é de 1992, mas, em 2023, o Ministério Público de Pernambuco recomendou que a lei fosse atualizada, levando em conta as novas dinâmicas da cidade. A legislação federal é da década de 1980. Para fazer essa atualização, o Iphan fez uma parceria técnica com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que, desde o ano passado, está fazendo pesquisas para diagnósticos que foram publicamente lançados de julho a setembro deste ano. O estudo, que segue até o próximo ano, traz um panorama da atual situação do Sítio Histórico de Olinda.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/instabilidade-do-solo-e-falhas-de-drenagem-ameacam-sitio-historico-de-olinda/" class="titulo">Instabilidade do solo e falhas de drenagem ameaçam Sítio Histórico de Olinda</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“Em relação a outras cidades históricas, Olinda já era mais ou menos privilegiada, porque já tem essa normativa federal desde 1982. E agora estamos fazendo esses estudos que vão dar os recursos para que essa normativa possa ser revista e atualizada pelo Iphan”, explicou a professora de arquitetura e urbanismo da UFPE Natália Miranda Vieira-de-Araújo, que coordena o estudo junto com a pesquisadora Juliana Barreto, do Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural da UFPE.</p>



<p>A ideia é que a próxima legislação seja mais detalhada, com parâmetros bem definidos, e que evite conflitos entre diferentes níveis de normas. “Em alguns setores, a sobreposição com a normativa federal ou planos posteriores revela inconsistências. Por exemplo, no Setor B do Sítio Histórico, existe a definição de uma taxa máxima de ocupação de 35%, o que conflita com a recomendação de preservar as características da vizinhança”, explica Juliana Barreto.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Falta de fiscalização é o grande problema</h2>



<p>Apesar de várias fachadas do Sítio Histórico estarem claramente fora das normas – como se vê em uma rápida visita aos bares dos Quatro Cantos –, em grande parte as fachadas permanecem preservadas, mostra o diagnóstico. O desafio maior é no que acontece nas áreas internas das edificações, nos quintais e no âmbito da gestão municipal. “A legislação está defasada, mas a fiscalização é hoje o grande problema de Olinda. O controle urbano está muito prejudicado e houve uma erosão do setor de patrimônio na prefeitura. O Iphan também tem poucos técnicos”, aponta Natália.</p>



<p>Um dos maiores conflitos é o desrespeito à vocação residencial do Sítio Histórico, o que gera o abandono de imóveis e o uso inadequado de espaços. “A prefeitura muitas vezes demonstra pouca clareza na aplicação da lei. Existem usos que, em grande proporção, entra em conflito diretamente com o uso residencial do imóvel&#8221;, aponta a arquiteta e urbanista Juliana Barreto. Outro problema grave é a falta de capacitação dos servidores, o que impacta na aprovação desses projetos, permitindo intervenções inadequadas: &#8220;Já vimos projetos arquitetônicos que foram aprovados dizendo que vai ter demolições internas que não são permitidas. Então, o próprio corpo técnico da prefeitura aprova projetos que a lei atual não permite. É preciso mais rigor nessas avaliações”, acredita.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/setorizacao1-209x300.png">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/setorizacao1.png" alt="O mapa apresenta o acervo arquitetônico e urbanístico do Sítio Histórico de Olinda, em Pernambuco, destacando os setores que compõem a área protegida da cidade. A delimitação da zona tombada é indicada por uma linha vermelha, chamada de “Polígonal de Tombamento”. Dentro dessa área, os setores são organizados por cores: verde claro para os setores A1 e A2, verde amarelado para os setores B1 a B4, verde escuro para os setores C1 a C4, e amarelo para os setores D1 e D2. Cada setor representa diferentes níveis de preservação e características urbanas. O mapa também utiliza símbolos para marcar bens tombados (quadrados vermelhos) e monumentos não tombados (círculos amarelos). À direita, o Oceano Atlântico aparece como referência geográfica, e há uma escala gráfica que indica distâncias de até 600 metros, além de uma rosa dos ventos apontando o norte." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O Sítio Histórico de Olinda dividido em setores.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: LUP/UFPE</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A integridade paisagística também está em risco devido à perda da cobertura vegetal, uma característica essencial de Olinda. Natália Vieira-de-Araújo lembra que, na década de 1960, o consultor da Unesco Michel Parent, que foi o responsável pelo primeiro parecer feito sobre o patrimônio de Olinda, disse que a cidade era &#8220;um jardim pontuado por igrejas e pelo casario histórico&#8221;. “Essa citação dimensiona a importância da cobertura vegetal para a paisagem de Olinda. O parecer de Parent serviu para iluminar o processo de tombamento nacional da cidade”, diz.</p>



<p>A consultoria da pesquisa revelou uma diminuição significativa da vegetação nos últimos 20 anos, com destaque para os quintais. Não foi possível quantificar essa perda, mas as imagens mostram que a citação já não é mais verdade: o verde está restrito a bolsões. Muitas das áreas verdes privadas, nos quintas, foram sendo transformadas em puxadinhos e espaços para festas, com a retirada de árvores e a construção de bares. A fiscalização precária também permite a circulação de veículos de grande porte nas ladeiras e ruas estreitas, o que é proibido por lei desde 1987, além de causar acidentes e fissuras nas paredes históricas devido à trepidação.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-prefeitura-omissa-moradores-de-olinda-sofrem-com-desequilibrio-entre-festas-e-preservacao/" class="titulo">Com prefeitura omissa, moradores de Olinda sofrem com desequilíbrio entre festas e preservação</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A pesquisadora Natália Vieira-de-Araújo ressalta que é preciso achar um equilíbrio. “A aplicação prática da legislação também enfrenta a falta de continuidade do serviço público, um problema crônico na gestão brasileira. Com a rotatividade de secretários e a aposentadoria dos técnicos mais antigos sem reposição por concurso público, o conhecimento e o compromisso com a preservação se perdem”, diz.</p>



<p>Apesar da falta de comprometimento das gestões municipais e da ameaça de descaracterização, Olinda ainda mantém seu fascínio. Recentemente, Natália ajudou a organizar um seminário internacional sobre patrimônio com pesquisadores e pesquisadoras do Chile, Bolívia, Espanha, Itália, Argentina, México e Estados Unidos, que ficaram hospedados em um convento no Alto da Sé. Todos ficaram encantados com a beleza do Sítio Histórico. “Mesmo com todos os desafios encontrados em Olinda, ainda temos muito pelo que brigar. Tem muito problema, tem muita transformação, mas temos um tesouro ali. A história não está perdida”, afirma Natália.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Os desafios atuais do Sítio Histórico de Olinda</span>

		<p>Os diagnósticos elaborados pela pesquisa da UFPE/Iphan <a href="https://lup-ufpe.net.br/temp/" target="_blank" rel="noopener">estão disponíveis no site do LUP</a>. Aqui, um pequeno resumo da caracterização e dos desafios de cada setor do Sítio Histórico:</p>
<p><b>Setor A</b> <b>(Área urbana de preservação rigorosa)</b><span style="font-weight: 400;">: É o núcleo urbano com maior densidade monumental, incluindo Amparo e Carmo. É caracterizado pela presença de casario e sobrados de caráter colonial. A normativa federal atual estabelece um maior compromisso com o rigor das ações interventivas, buscando a preservação ampliada das tipologias construtivas de longa duração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal desafio deste setor é a gestão dos detalhes: a lei em vigor reconhece a necessidade de &#8220;Planos especiais de quadras&#8221; para orientar as intervenções, mas eles nunca foram desenvolvidos. A legislação municipal, embora mais detalhada, é considerada difusa e, em alguns pontos, flexível demais, concentrando muita responsabilidade no servidor que analista a questão. Além disso, como parte da colina histórica, o Setor A enfrenta a ameaça persistente de riscos geotécnicos, como infiltrações e deslizamentos de terra. Os estudos identificaram também a degradação das estruturas de contenção, como muros, em edifícios religiosos e monumentos, além de sinais de movimentação lenta e progressiva do solo, fenômeno que afeta as estruturas históricas.</span></p>
<p><b>Setor B (Área urbana de preservação ambiental)</b><span style="font-weight: 400;">: É a zona de transição entre a área de proteção rigorosa e as ocupações mais recentes, incluindo trechos de Varadouro, Carmo, Guadalupe e Bonsucesso. Abrange áreas importantes onde se concentra a ocupação a partir do século XX, apresentando casas com afastamentos frontais e laterais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior desafio aqui é a imprecisão da legislação. A lei federal para o Setor B é criticada por utilizar parâmetros pouco precisos e que podem causar tensões, como a recomendação de que gabaritos e cores sejam assumidos em relação ao &#8220;caráter da vizinhança&#8221;. O diagnóstico revelou problemas de adensamento construtivo e ocupação irregular de quintais, principalmente em vias como a Estrada do Bonsucesso. Há também conflitos na paisagem, com o plantio de espécies vegetais sendo realizado sem levar em conta a essência do lugar e a visibilidade da paisagem histórica.</span></p>
<p><b>Setor C (Área verde de preservação rigorosa): </b><span style="font-weight: 400;">É caracterizado pela densa vegetação, incluindo áreas dos bairros do Carmo e do Monte. É o setor que possui a segunda maior extensão do Polígono de Tombamento e tem forte presença da cobertura vegetal, incluindo as cercas conventuais, como do Mosteiro de São Bento e do Convento de São Francisco, o antigo Horto Del Rey (Sítio dos Manguinhos) e o Sítio de Seu Reis.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O principal desafio do Setor C é a preservação da vegetação e a gestão fundiária. A legislação existente é limitada em relação a definições e controle de usos para essas áreas verdes. Há uma pressão crescente por conta de ocupações irregulares, notadamente nas margens do Horto D’el Rey. Embora os conventos permaneçam, a forma de uso se modificou, impactando a continuidade da manutenção dessas áreas. Além disso, a lei exige a definição de parâmetros claros para as intervenções, o que ainda não foi totalmente consolidado.</span></p>
<p><b>Setor D</b> <span style="font-weight: 400;">(Área de proteção e ambiência da colina histórica): </span>É a área ao redor da colina histórica, delimitando partes dos bairros de Guadalupe, Bonsucesso, Monte, Amparo e Amaro Branco. É marcado por ocupação espontânea e relativamente recente, sendo distinta dos Setores A e B pela escassez de qualidades arquitetônicas e históricas significativas no casario. Este setor é crucial para a proteção do ambiente e visibilidade do sítio.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal desafio é a fragilidade da paisagem visual e a falta de detalhamento normativo. A lei federal exige que o ambiente e a visibilidade sejam &#8220;desembaraçados de quaisquer elementos nocivos&#8221;, mas não detalha os procedimentos para isso. O diagnóstico de campo revelou que o local está comprometido pela presença de elementos adulterados e não tradicionais, como fiação exposta, postes, caixas d&#8217;água, equipamentos de climatização e publicidade excessiva, que interferem drasticamente na paisagem. Outro ponto crítico é a ausência de trabalhos acadêmicos específicos sobre a formação dessa vizinhança e sobre as manifestações culturais de raízes afro-indígenas que ali existem, resultando em menos subsídios para uma gestão culturalmente integrada.</span></p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-6-solo-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-6-solo.jpg" alt="A imagem mostra uma rua de paralelepípedos em uma área residencial, vista de um ângulo baixo próximo ao chão. Os paralelepípedos estão molhados, indicando chuva recente, e há pequenos tufos de grama entre eles. À esquerda, parte de um carro preto é visível; mais adiante, um carro branco está estacionado próximo a cones laranja. A rua tem uma leve inclinação e é ladeada por casas com fachadas coloridas. O fundo desfocado destaca o relevo e a textura das pedras no primeiro plano." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Deslocamento e afundamento do solo põem monumentos em risco
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/estudo-da-ufpe-e-iphan-indicara-caminhos-para-nova-legislacao-do-sitio-historico-de-olinda/">Estudo da UFPE e Iphan indicará caminhos para nova legislação do Sítio Histórico de Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Iphan embarga obras feitas sem licenças no Parque da Jaqueira</title>
		<link>https://marcozero.org/iphan-embarga-obras-feitas-sem-licencas-no-parque-da-jaqueira/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Nov 2025 18:44:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[embargo]]></category>
		<category><![CDATA[iphan]]></category>
		<category><![CDATA[parque da jaqueira]]></category>
		<category><![CDATA[viva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em visita técnica realizada na manhã desta quarta-feira (05), funcionários do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) embargaram as obras em andamento no Parque da Jaqueira, zona norte do Recife. Os técnicos constataram a realização de obras sem a devida aprovação do projeto de intervenção. Em nota para a Marco Zero, o Iphan [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em visita técnica realizada na manhã desta quarta-feira (05), funcionários do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) embargaram as obras em andamento no Parque da Jaqueira, zona norte do Recife. Os técnicos constataram a realização de obras sem a devida aprovação do projeto de intervenção. Em nota para a Marco Zero, o Iphan afirmou que irá solicitar formalmente à empresa a apresentação da documentação necessária.</p>



<p>O embargo foi baseado em legislação federal que protege o parque, já que a capela de Nossa Senhora da Conceição da Jaqueira é tombada em nível federal. Para fazer qualquer alteração na área do entorno – como colocação de publicidade, construções e reformas – é necessário submeter previamente o projeto de intervenção ao Iphan e aguardar a aprovação da licença, ou a solicitação de ajustes no projeto.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/do-lazer-ao-consumo-o-que-muda-nos-parques-do-recife-com-a-privatizacao/" class="titulo">Do lazer ao consumo: o que muda nos parques do Recife com a privatização</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A concessionária Viva Parques não deu entrada no pedido de licença, segundo o Iphan. Desde 10 de março deste ano, a gestão do Parque da Jaqueira e de outros três parques da capital passou para as mãos da concessionária Viva, uma empresa privada, após licitação feita pela Prefeitura do Recife. Pelo contrato, a empresa vai administrar os quatro parques por longos 30 anos.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz as leis federais que protegem a Jaqueira:</span>

		<p><strong>Portaria IPHAN <a href="http://portal.iphan.gov.br/uploads/legislacao/Portaria_n_420_de_22_de_dezembro_de_2010.pdf" target="_blank" rel="noopener">420/2010</a>:<br />
</strong><br />
Art. 4º A realização de intervenção em bem tombado, individualmente ou em conjunto, ou na área de entorno do bem, deverão ser precedidas de autorização do Iphan.</p>
<p>Art. 7º No caso de intervenção em bem tombado individualmente, enquadrada, nos termos dos arts. 3º, VII e 5º, §1º, na categoria Restauração, o requerente, além dos documentos assinalados no art. 6º, deverá apresentar o projeto executivo da obra.</p>
<p><strong>Decreto Lei</strong><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0025.htm" target="_blank" rel="noopener"><strong> 25/1937</strong></a><strong>:</strong><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0025.htm" target="_blank" rel="noopener"><strong><br />
</strong></a><br />
Art. 18. Sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibílidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objéto, impondo-se neste caso a multa de cincoenta por cento do valor do mesmo objeto.</p>
	</div>



<p>Com a concessão, uma série de mudanças vêm ocorrendo na Jaqueira, como a colocação de paineis luminosos de propaganda, máquinas de venda de bebidas, <em>trailers</em> de cafeterias dentro do parque e construção de um bicicletário. A maior obra, contudo, é a construção de uma pista chamada de <em>pumptrack</em>, para uso misto de bicicletas, skate e patinetes. Para essa construção, a concessionária Viva Parques <a href="https://marcozero.org/bicicross-escadarias-e-parkour-ficam-mesmo-de-fora-do-novo-parque-da-jaqueira/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">derrubou toda a area de escadarias do parque</a>, próxima à avenida Rui Barbosa, e colocou tapumes em uma extensa área da Jaqueira.</p>



<p>Pelo projeto que a concessionária quer implementar no parque, a pista de bicicross, que está lá há mais de 40 anos, também deverá ser demolida. No lugar, a empresa quer construir restaurantes e outros equipamentos esportivos.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira a nota completa do Iphan</span>

		<div>
<p>O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) esclarece que não recebeu o projeto de intervenção referente às obras no Parque da Jaqueira, em Recife (PE), entorno da Capela de Nossa Senhora da Conceição da Jaqueira, tombada em nível federal.</p>
<p>Na manhã desta quarta-feira (5) o Iphan realizou visita técnica no local e constatou a realização de obras em andamento sem devida aprovação do projeto de intervenção. Dessa forma, obedecendo o art. 7º da Portaria IPHAN 187/2010 e o Decreto Lei 25/1937, realizou o embargo da obra e irá solicitar formalmente à empresa a apresentação da documentação necessária.</p>
<p>Ressalta-se que intervenções em imóveis e espaços em área de entorno de bens tombados devem ser feitas mediante a análise e autorização prévia do Iphan.</p>
</div>
	</div>



<p>A Marco Zero entrou em contato com a Prefeitura do Recife – que, legalmente, é a fiscalizadora do contrato – para saber se a Viva Parques do Brasil vai receber alguma punição por ter começado as obras sem a licença do Iphan. Também entramos em contato com a empresa para saber a versão dela. </p>



<p>Recebemos uma nota conjunta da Viva Parques e da Prefeitura do Recife onde afirmam que não receberam a notificação do Iphan, que as intervenções seguem as regras estipuladas em licenciamento municipal e que é &#8220;importante frisar que a obra não está embargada e que, mesmo assim, aguardará as orientações do órgão (Iphan) e seguirão suas instruções&#8221;. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira os posicionamentos da Viva Parques e da Prefeitura do Recife</span>

		<p>Prefeitura do Recife esclarece que as intervenções seguem as regras estipuladas em licenciamento muncipal, conforme legislação vigente. A gestão municipal e a Viva Parques esclarecem que, até então não foram notificadas pelo IPHAN. Importante frisar que a obra não está embargada e que, mesmo assim, aguardará as orientações do órgão e seguirão suas instruções. A Prefeirura do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, bem como a Viva Parques, ficam à disposição do IPHAN para qualquer esclarecimento.</p>
<p>Na sexta-feira, dia 7 de novembro, a Viva Parques complementou seu posicionamento informando:</p>
<p>A Viva Parques também informou que:</p>
<p>A Viva Parques esclarece que as intervenções em andamento no Parque da Jaqueira possuem licença de instalação fornecida pela Prefeitura do Recife e seguem rigorosamente as legislações federal, estadual e municipal. Toda a documentação comprobatória será encaminhada ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reafirmando o compromisso da concessionária com a transparência, o cumprimento das normas vigentes e a valorização dos parques como espaços públicos voltados à convivência e à melhoria da qualidade de vida dos seus frequentadores.</p>
<p>Até o momento, já foram investidos no Parque da Jaqueira cerca de R$ 5 milhões em melhorias na unidade, incluindo a nova pista de pump track — que também recebe praticantes de skate, patins e patinetes —, a requalificação do parque infantil, com brinquedos para crianças de 4 a 13 anos (que será iniciada em breve), além da instalação de um bicicletário e outros equipamentos.</p>
<p>Desde o início da concessão, a Viva vem reforçando ações de zeladoria e segurança, com a implantação de sistema de videomonitoramento, aumento do efetivo de vigilância, melhoria da iluminação — incluindo luminárias solares —, podas regulares, higienização dos banheiros e instalação de novos bebedouros, entre outras medidas.</p>
<p>Por fim, a concessionária reitera sua disposição ao diálogo e segue à disposição dos órgãos de fiscalização e controle.</p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li>Texto atualizado às 18h10min do dia 10 de novembro de 2025</li>
</ul>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/iphan-embarga-obras-feitas-sem-licencas-no-parque-da-jaqueira/">Iphan embarga obras feitas sem licenças no Parque da Jaqueira</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<item>
		<title>Ossos humanos, louças e cerâmicas são encontrados em reforma do Mosteiro de São Bento, em Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jul 2025 14:18:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[achado arqueológico]]></category>
		<category><![CDATA[descoberta arqueológica]]></category>
		<category><![CDATA[iphan]]></category>
		<category><![CDATA[Mosteiro de São Bento]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fragmentos de ossos humanos — incluindo parte de um crânio — e de animal, além de vidros, louças, cerâmicas e metais foram encontrados durante as obras da parte externa da restauração do Mosteiro de São Bento, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Por enquanto, foram identificados, na área onde funciona o estacionamento do mosteiro, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Fragmentos de ossos humanos — incluindo parte de um crânio — e de animal, além de vidros, louças, cerâmicas e metais foram encontrados durante as obras da parte externa da restauração do Mosteiro de São Bento, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Por enquanto, foram identificados, na área onde funciona o estacionamento do mosteiro, 43 fragmentos ósseos, sendo 42 de humanos e um bovino, alguns associados a sepultamentos antigos. Mas esse número pode ser bem maior.</p>



<p>Para conseguir traçar algum perfil dos achados e dizer a quem pertenciam, seria necessário que uma escavação arqueológica identificasse mais indivíduos e mais material, como aconteceu, em 2022, na Comunidade do Pilar, no Bairro do Recife. Com mais de 100 ossadas humanas e mais de 40 mil fragmentos de objetos diversos, o local é considerado o <a href="https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2022/04/18/entenda-o-que-e-o-achado-arqueologico-urbano-onde-foram-encontradas-mais-de-100-ossadas-humanas-no-recife.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">maior achado arqueológico urbano do Brasil</a>, segundo a prefeitura da capital.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:45% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="464" height="555" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/cranio-mosteiro-sao-bento.jpg" alt="" class="wp-image-71843 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/cranio-mosteiro-sao-bento.jpg 464w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/cranio-mosteiro-sao-bento-251x300.jpg 251w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/cranio-mosteiro-sao-bento-150x179.jpg 150w" sizes="(max-width: 464px) 100vw, 464px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Quem irá decidir se o Mosteiro de São Bento passará ou não por uma escavação arqueológica é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que ainda não se manifestou sobre o assunto. Em nota à <strong>Marco Zero</strong>, a instituição afirmou, na semana passada, que, até aquele momento, não havia sido ainda oficialmente informado pela empresa de arqueologia responsável pelas escavações sobre eventuais achados no local.</p>



<p></p>
</div></div>



<p>“Tão logo o relatório arqueológico seja protocolado, a equipe técnica do Iphan procederá à sua análise”, disse a nota. A reportagem apurou que o relatório foi protocolado nesta segunda-feira, 28 de julho.</p>



<p>Segundo a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), responsável pelas obras e notificada sobre os achados, os itens encontrados serão acondicionados no Laboratório de Conservação e Restauração de Acervos e Educação Patrimonial, Museu de Arqueologia e Ciências Naturais da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).</p>



<p>Com os dados atuais, ainda não é possível extrair muitas informações. Por enquanto, já se sabe quais ossos são do lado esquerdo ou direito do corpo e que não há restos mortais de crianças. </p>



<p>Como antigamente não existiam cemitérios como os que conhecemos hoje, os sepultamentos eram realizados no entorno das igrejas — quem tinha mais condições financeiras era levado para ser sepultado no interior dos templos. Essa prática se deu até meados de 1835, período em que o Cemitério de Nossa Senhora do Guadalupe foi construído.</p>



<p>A reforma do Mosteiro de São Bento foi anunciada em outubro do ano passado. As obras visam restaurar os bens artísticos e integrados da igreja do mosteiro, além de consolidar e estabilizar suas fundações. Realizada pelo Governo de Pernambuco por meio da Fundarpe, a restauração conta com um investimento de R$ 15,3 milhões disponibilizados pelo Iphan por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).</p>





<p>A obra de restauração inclui intervenções na nave, sacristia, coro e na capela-mor. Além disso, as capelas do Santíssimo e abacial, e a sala capitular do Mosteiro de São Bento também serão restauradas. Na obra civil, serão realizados serviços de drenagem e consolidação das fundações, subcobertura e implantação do sistema de prevenção e combate a incêndio.</p>



<p>A edificação é a segunda instalação beneditina em terras brasileiras. Construído a partir de 1586, o mosteiro foi reconstruído a partir de 1654, no estilo Barroco. O mosteiro foi tombado pelo Iphan em 1938. O edifício é parte essencial da herança histórica de Olinda, reconhecida como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco, em 1982.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Relatório recomenda intervenções</strong></h2>



<p>O relatório arqueológico, que é público, foi feito entre maio e junho deste ano pela empresa LB Arqueologia, contratada pela Multiset, a licitada responsável por tocar as obras civis do mosteiro. A <strong>MZ</strong> tentou contato com a Multiset, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.</p>



<p>No documento, a LB Arqueologia afirma que todo o material encontrado foi devidamente acondicionado, higienizado, catalogado e analisado. Ainda de acordo com o relatório, a empresa recomenda que sejam feitas futuras intervenções devido ao alto potencial arqueológico do loca, evitando assim mais perdas de contexto arqueológico e danos aos remanescentes ósseos e outros vestígios</p>



<p>O Iphan pode decidir, por exemplo, realizar uma prospecção arqueológica, uma mudança de traçado do projeto para que o patrimônio arqueológico continue no mesmo local ou que a engenharia use outras tecnologias menos invasivas.</p>





<p>Os vestígios ósseos foram encontrados a uma profundidade entre 1,10 e 1,20 metro, em uma camada de sedimento mais escuro, com presença de conchas e fragmentos de cerâmica. Possivelmente as pessoas sepultadas no pátio externo do mosteiro não estavam ligadas diretamente à ordem beneditina, uma vez que monges e religiosos geralmente eram enterrados no claustro ou pátio interno.</p>



<p>Em nota enviada na semana passada, a Fundarpe informou que “o acompanhamento arqueológico está portariado junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e seguindo as devidas normativas que tratam do Patrimônio arqueológico”. Disse ainda que “no momento, esses achados arqueológicos estão em análise, com relatório sendo produzido, e em breve estará disponibilizado para consulta pública”.</p>



<p>“A Fundarpe esclarece que a obra civil no Mosteiro de São Bento não está paralisada, tendo sido suspenso apenas o serviço de execução de dreno profundo das áreas externas, em decorrência do período de chuvas, com previsão de ser retomado já no mês de agosto deste ano”, concluiu a nota.</p>
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		<title>Decisão sobre &#8220;zeppelin&#8221; será tomada em Brasília</title>
		<link>https://marcozero.org/decisao-sobre-zeppelin-sera-tomada-em-brasilia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Arthur Maciel]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2024 20:21:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[iphan]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Recife Antigo]]></category>
		<category><![CDATA[zeppelin]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O debate em torno da construção de um restaurante em forma de zeppelin sobre dois prédios do Recife Antigo chegou a Brasília e pode ter mais um capítulo nas próximas semanas. O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, está avaliando tanto a íntegra do projeto REC Cultural, incluindo a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O debate em torno da construção de um restaurante em forma de zeppelin sobre dois prédios do Recife Antigo chegou a Brasília e pode ter mais um capítulo nas próximas semanas. O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, está avaliando tanto a íntegra do projeto REC Cultural, incluindo a construção no teto dos edifícios, quanto o recurso apresentado por 21 organizações do Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro.</p>



<p>Mesmo após a empresa Ebrasil Energia, responsável pelo projeto, ter anunciado a suspensão do “zeppelin” e que &#8220;qualquer intervenção relativa à ocupação da cobertura ficará para depois e somente será realizada a partir de um processo de consulta pública&#8221;, o Fórum protocolou o recurso contra a decisão do superintendente do Instituto em Pernambuco, Jacques Ribemboim autorizando o projeto da forma como foi elaborado pela empresa.</p>



<p>Na argumentação do recurso assinado por Augusto Ferrer de Castro Melo, do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/PE), e Natália Miranda Vieira de Araújo, do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano da UFPE, os arquitetos e urbanistas questionam “não ser possível enquadrar uma obra arquitetônica dessa natureza como ‘instalação temporária’, também seria preciso considerar qual o reforço estrutural necessário para poder receber o peso desta estrutura”. Mais adiante acusam a empresa de tentar “burlar a legislação utilizando o insustentável argumento da ‘instalação artística provisória’.”</p>



<p>O documento do Fórum também levanta dúvidas sobre a segurança do projeto, que não teria incluído “laudo técnico que comprove que a demolição das alvenarias dobradas no imóvel não<br>trará dano estrutural ao mesmo”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os argumentos do superintendente</strong></h2>



<p>Mesmo diante da repercussão e do posicionamento contrários de entidades e até da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), a autorização permanece sendo defendida pelo superintendente do Iphan em Pernambuco, Jacques Alberto Ribemboim.</p>



<p>“Primeiramente eu gostaria de esclarecer que a carta enviada ao proponente e que está incorporada ao processo do Pronac, de captação de recursos via Lei Rouanet, não significa uma posição técnica e sim manifesta conhecimento do projeto e concorda com a sua análise. Isso é uma praxe dos processos Pronac que incluem bens tombados pelo Iphan e não tem relação com os documentos do Sistema Eletrônico de Informações do instituto. Não há exigência nem necessidade de se incorporar esse tipo de documento ao sistema”, afirma Ribemboim.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/Ribemboim.jpg" alt="Foto colorida de Jacques Ribemboim, homem branco de meia idade, cabelos curtos castanhos claros, usando óculos de aro retangular. ele está usando uma jaqueta cinza sobre uma camisa quadriculada azul e branca." class="" loading="lazy" width="300">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Jacques Ribemboim
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A questão foi levantada pela MZ, quando foi revelada a existência do documento, no qual o superintendente “declara que está ciente e de acordo com a apresentação do projeto em referência (…) para obter o benefício da Lei Federal de Incentivo à Cultura. No entendimento desta superintendência, o projeto deverá proporcionar impactos fortemente positivos no âmbito cultural e social”. O documento é datado de 22 de setembro de 2023, mais de 30 dias antes do parecer técnico 191/2023, emitido pela coordenação técnica do Iphan em 31 de outubro de 2023. Segundo Ribemboim, o documento não tem caráter de análise técnica do projeto, apenas expressa conhecimento de sua existência e sinaliza concordância com sua apreciação.<br><br>“O projeto é de um centro cultural que prevê a instalação de um museu de arte pernambucana, em dois edifícios históricos do Bairro do Recife que estão em elevado grau de degradação. Dentro desse projeto existe a instalação de um restaurante, lanchonete e loja, que dão uma característica de autossustentabilidade, uma forma de atenuar os elevados custos de manutenção de um equipamento que necessita de climatização adequada, controle de umidade, segurança, são muitos e elevados os custos de manutenção. Os técnicos entenderam que deveria haver uma negativa, principalmente pelo item que contempla a construção do restaurante em forma de zeppelin. Pela ótica deles haveria uma interferência paisagística considerada grave e eu entendo o posicionamento deles”, afirma.</p>



<p>E complementa dizendo que “a análise dos técnicos foi muito bem feita do ponto de vista arquitetônico, foi bem detalhada, eu sempre disso isso e incorporei exigências feitas por eles em meu parecer. Entretanto, analiso que diante dos benefícios gerados pela instalação do museu, pelo conteúdo cultural e informativo, pela integração com outros equipamentos existentes no lugar, pela necessidade de se criar ali um arranjo produtivo localizado, vocacionado para a cultura, o lazer e o turismo, a interferência paisagística gerada pela execução do projeto fica aquém de todo benefício que o museu trará para a cidade e o próprio Bairro do Recife. Estou absolutamente tranquilo quanto à minha decisão, que foi técnica e que tem embasamento em uma análise mais abrangente, além da órbita exclusiva da arquitetura”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/superintendente-do-iphan-assinou-oficio-favoravel-a-zeppelin-um-mes-antes-de-parecer-tecnico/" class="titulo">Superintendente do Iphan assinou ofício favorável a &#8220;zeppelin&#8221; um mês antes de parecer técnico</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h3 class="wp-block-heading"><strong>45 dias até a decisão</strong></h3>



<p>Segundo o texto do projeto apresentado pelo centro de Integração Social José Cantarelli, a instalação do REC Cultural prevê a exposição de um acervo que inclui obras de artistas como Cícero Dias, Abelardo da Hora, Francisco Brennand, Lula Cardoso Ayres, Reynaldo Fonseca, José Cláudio, Tereza Costa Rego e Maria Carmen. São bens adquiridos diretamente de familiares e que, apesar de retratarem boa parte da história cultural, política e social de Pernambuco ao longo do século XX, a maioria nunca foi exibida ou acessada pelo grande público local.</p>



<p>O recurso dirigido ao presidente do Iphan, Leandro Grass, deve ser apreciado e respondido num prazo de 45 dias contados a partir do recebimento.</p>



<p>Por enquanto, vigora a decisão do superintendente do Iphan em Pernambuco, que dá outorga para a implementação do REC Cultural da forma em que foi apresentado no recurso dirigido ao Instituto, com todos os equipamentos previstos e a construção do restaurante em forma de zepelim com caráter provisório, sendo possível a sua remoção, sem danos ao patrimônio, no prazo de 60 meses. É isso que está aprovado até o momento.</p>



<p>Caso a presidência do Iphan determine o veto ao projeto apresentado, um novo processo terá que ser iniciado, com a apresentação de um novo e diferente projeto, se for do interesse do proponente.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Obra de supermercado em Casa Amarela é embargada e expõe discrepâncias entre prefeitura e Iphan</title>
		<link>https://marcozero.org/obra-de-supermercado-em-casa-amarela-e-embargada-e-expoe-discrepancias-entre-prefeitura-e-iphan/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Mar 2024 21:36:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[iphan]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio histórico]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As obras do Hiperbem Supermercado Parnamirim, na Estrada do Arraial, estão embargadas desde a semana passada. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) apontou uma série de irregularidades no imóvel. Uma delas é de que a demolição do casarão que existia no número 3108 da Estrada do Arraial não teve a anuência do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>As obras do Hiperbem Supermercado Parnamirim, na Estrada do Arraial, estão embargadas desde a semana passada. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) apontou uma série de irregularidades no imóvel. Uma delas é de que a demolição do casarão que existia no número 3108 da Estrada do Arraial não teve a anuência do órgão.</p>



<p>Apesar do nome, o supermercado está sendo construído em Casa Amarela, no entorno do conjunto paisagístico do Sítio da Trindade, patrimônio federal tombado. A obra, que é feita em blocos pré-fabricados, andou rápido. Com 11,3 metros, ultrapassa a altura máxima permitida pela legislação do entorno do Sítio definida pelo Iphan, que é de no máximo oito metros de altura.</p>



<p>Mas há um ponto de contestação. Pelo mapeamento da prefeitura do Recife, <a href="https://esigportal2.recife.pe.gov.br/portal/apps/webappviewer/index.html?id=5a302a34540f412fbc7ae57bcc5b0a04">publicamente disponível</a>, e usado pela prefeitura para o licenciamento de imóveis em toda a cidade, o imóvel de número 3108 da Estrada do Arraial está fora da área rigorosa de entorno do Sítio da Trindade. E, portanto, poderia ter uma altura maior do que os oito metros de gabarito.</p>



<p>“Fomos surpreendidos com o embargo. Pelo licenciamento que fizemos na prefeitura, o projeto da obra segue o plano diretor da cidade do Recife, que define o imóvel como Zona de Desenvolvimento Sustentável &#8211; ZDS Capibaribe, ou seja, fora da gerência do Iphan”, diz um dos sócios do Hiperbem, Vagner Souza, que é engenheiro civil e diretor de operações do empreendimento. &#8221; O Iphan, porém, tem outro mapeamento deles, mas que só tivemos acesso com o embargo&#8221;, diz.</p>



<p>O mapa da prefeitura segue os perímetros de zoneamento do plano diretor de acordo com a lei complementar nº 02 de 24/04/2021. Já o<a href="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/IPHAN-5162838-Parecer-Tecnico-Portaria-420-de-2010-Anexo-2.pdf"> mapa do Iphan que define o conjunto paisagístico do Sítio da Trindade</a> é de 17 de junho de 1974. E tem uma área bem maior do que o do mapa da prefeitura: abrange, por exemplo, toda a extensão da rua Ferreira Lopes, onde há vários prédios residenciais.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<p>O Hiperbem Parnamirim deve custar R$ 8 milhões, dos quais R$ 6 milhões já foram gastos, segundo o diretor. Há outras duas unidades, uma na Várzea e outra no Cordeiro. “Somos uma empresa ainda pequena, mas que quer crescer. Não fizemos essa obra com a intenção de burlar as leis ou de prejudicar o patrimônio histórico. Percorremos todos os trâmites do licenciamento da prefeitura e vamos nos adaptar ao que o Iphan está pedindo”, afirma Vagner Souza.</p>



<p>Outros pontos apontados pelo Iphan é que a taxa de ocupação do solo permitida por lei é de 50% e o prédio ocupa 56,8%. O Iphan ainda aponta inadequação do material de revestimento da fachada e do acabamento. Não é permitido cores vibrantes ou vidros com películas refletoras na área de entorno do imóvel tombado.</p>



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	                                        <p class="m-0">Iphan afirma que casarão foi demolido sem a anuência do órgão. Imagem: Google Maps</p>
	                
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<p>O decreto lei nº 25, de 1937, estabelece no artigo 18 que “sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objeto, impondo-se neste caso multa de cinquenta por cento do valor do mesmo objeto”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Conclusão do parecer técnico do Iphan</p>
	                
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<p>Com o embargo do Iphan, o Hiperbem fez um novo projeto incorporando as mudanças exigidas pelo órgão. São as mudanças mais simples, como a mudança nas cores da fachada e a adoção de telhas de cerâmica. O grande impasse é o gabarito: os 3,3 metros que separam o que está em construção do que é permitido pelo Iphan são justamente o depósito do supermercado. De acordo com o sócio, o novo projeto traz a retirada de uma caixa d&#8217;água de 1,30m. “Não dá para tirar uma laje. Não tem como ter um supermercado sem depósito”, diz Vagner Souza. O supermercado estava programado para ser inaugurado ainda neste mês, prometendo 80 empregos diretos e 200 indiretos. O terreno é alugado pelo Hiperbem.</p>



<p>Agora, o supermercado vai tentar argumentar com o Iphan que tem um recuo de oito metros, três metros acima do mínimo requerido pelo Iphan na área rigorosa, que é de 5 metros, e que não interfere na visibilidade do Sítio da Trindade. E tentar pleitear a possibilidade de medidas de mitigação para manter os 3,3 metros acima do gabarito permitido. O Iphan tem até 45 dias para analisar o novo projeto e decidir se aceita ou não as mudanças.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> procurou a Prefeitura do Recife para saber o motivo dessa incongruência entre os mapas da prefeitura e os mapas do Iphan, mas ainda não obteve resposta. Assim que a prefeitura responder, essa reportagem será atualizada.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/obra-de-supermercado-em-casa-amarela-e-embargada-e-expoe-discrepancias-entre-prefeitura-e-iphan/">Obra de supermercado em Casa Amarela é embargada e expõe discrepâncias entre prefeitura e Iphan</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Termina embargo do Iphan que impedia demolição do Cais José Estelita</title>
		<link>https://marcozero.org/termina-embargo-do-iphan-que-impedia-demolicao-do-cais-jose-estelita/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Mar 2019 14:20:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[estelita]]></category>
		<category><![CDATA[iphan]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[plano diretor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>ATUALIZAÇÃO: Prefeitura do Recife concede licença e começa demolição do Cais José Estelita Alerta no Cais José Estelita. Não há mais empecilho técnico ou jurídico para manter em pé os armazéns da região. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) concluiunesta semana o processo de levantamentoarqueológico do local. Apesar da existência de ações [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>ATUALIZAÇÃO: <a href="http://marcozero.org/prefeitura-do-recife-concede-licenca-e-comeca-demolicao-do-cais-jose-estelita/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Prefeitura do Recife concede licença e começa demolição do Cais José Estelita</a></h2>
Alerta no Cais José Estelita. Não há mais empecilho técnico ou jurídico para manter em pé os armazéns da região. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) concluiunesta semana o processo de levantamentoarqueológico do local. Apesar da existência de ações judiciais contra a construção do Novo Recife – projeto da construtora Moura Dubeux que pretende construir 13 torres de prédios no terreno -, era o embargo imposto pelo Iphan durante oestudo quegarantia os armazéns em pé, uma das paisagens mais icônicas do centro do Recife.

De acordo com a assessoria de comunicação do Iphan, o embargo terminou na segunda-feira (18). Em nota à Marco Zero Conteúdo, o órgão afirma que &#8220;cabe ressaltar que a área em questão não é valorada como Patrimônio Ferroviário, e nem tombada pela União, como Patrimônio Cultural Brasileiro e, assim sendo, o que compete ao Iphan é avaliar o impacto do empreendimento ao patrimônio arqueológico no escopo do licenciamento ambiental. Assim, durante todo esse tempo, a instituição fez diversas exigências, que foram sendo atendidas e analisadas até sua aprovação final. O Iphan continua acompanhando essa nova etapa, relativa à pesquisa arqueológica interventiva, que será feita durante o andamento da obra no local&#8221;.

Integrantes do movimento Ocupe Estelita estão convocando vigilância na área. Nos últimos dias foi registrada atividade dentro do terreno, com uma escavadeira sob holofotes, trabalhando à noite. “O levantamento arqueológico do Iphan foi encerrado com a condicionante de que fosse aberto um novo estudo arqueológico. Ou seja, foi aberto um novo processo arqueológico, para fazer a salvaguarda das áreas que foram identificadas como patrimônio histórico. Ainda estamos analisando os dois processos, para ver também quais são essas áreas. Estamos analisando as implicações”, comenta a advogada Luana Varejão, integrante do movimento Ocupe Estelita. De acordo com a advogada, ainda não existe na Prefeitura do Recife o pedido de licença de demolição para os armazéns.
<blockquote><a href="http://marcozero.org/as-razoes-da-moura-dubeux/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>As razões da Moura Dubeux</strong></a></blockquote>
Também integrante do movimento, Leonardo Cisneiros faz um apanhado do que está na Justiça sobre o Estelita. “Há duas ações judiciais (contra o projeto), uma ação de inconstitucionalidade contra o plano diretor, que não foi julgada nada ainda, e tem uma ação nova (de outubro de 2018) sobre o plano urbanístico (de 2015), que pede a suspensão do projeto Novo Recife, e também não foi julgada. Nesta semana saíram duas aprovações do projeto inicial (do Novo Recife), que é uma primeira etapa. Uma parte não estava nem renovada ainda e saiu na terça-feira (19). O Cais José Estelita está em risco. Estamos nos mobilizando para pressionar contra a demolição”, afirmou.

Desde o começo do ano, a construtora Moura Dubeux iniciou as vendas dos apartamentos de luxo de duas torres: o Mirante do Cais Sul e do Cais Norte. São quatro vagas na garagem por apartamento, que serão distribuídas em edifícios-garagem. “Além dos espaços tradicionais, como piscina, sauna, salão de festas, playground, brinquedoteca e espaço gourmet, a área de lazer terá quadra de tênis profissional, piscina coberta e aquecida, pista de cooper, horta e pomar orgânicos”, diz trecho do anúncio no site. É um privilégio para poucos, com metro quadrado na média de R$ 7,5 mil: na torre sul, o apartamento mais “barato” custa R$ 1.550.000,00. Na norte, R$ 1.799.000,00.

A construtora anuncia a previsão de entrega é de 52 meses após o início das obras. Nesta semana, a Moura Dubeux iniciou também as vendas do Parque do Cais, um prédio de flats de 32m² ou 65m² a partir de R$ 256 mil. Nas imagens de divulgação, só esses prédios são mostrados ao lado de uma ampla área verde. Na verdade, o projeto prevê ainda a construção de outros dez edifícios, de 14 a 38 andares. A construtora informou nesta sexta-feira (22) que ainda não há previsão para o início das obras no Cais José Estelita.

<div id="attachment_14463" style="width: 956px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14463" class="wp-image-14463 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/mirante.jpg" alt="Projeção dos três primeiros prédios do Novo Recife" width="946" height="441"><p id="caption-attachment-14463" class="wp-caption-text">Projeção dos três primeiros prédios do Novo Recife</p></div>
<h2>Audiência pública</h2>
O caso do Cais José Estelita foi levado na quinta-feira (21) pelos militantes para a primeira audiência pública sobre o projeto de lei do <a href="http://planodiretordorecife.com.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Plano Diretor do Recife</a> &#8211; um planejamento da cidade para os próximos dez anos &#8211; na Câmara de Vereadores do Recife. A ideia é de que o zoneamento da área do Estelita no plano anterior, de 2008, seja respeitado – uma das ações na Justiça é justamentecontra a mudança ocorrida com o plano urbanístico de 2015, que acolheu o Novo Recife.

“Há um histórico no Recife de leis bonitas que não saem do papel. Há planos a longo prazo, como o Recife 500 anos, mas na prática a cidade é rifada, vendida de forma parcelada. O maior exemplo de como as leis não saem da pauta é o Estelita. O Estelita é um projeto que foi feito em contradição com o plano diretor de 2008 – que só começou a ser analisado pelo famigerado direito de protocolo (quando um projeto é analisado pela lei em vigor quando foi protocolado, e não quando foi efetivamente iniciado). Você faz uma lei, mas na prática a cidade segue sendo construída com a lei anterior. O Estelita entrou em contradição com a lei anterior e com o plano diretor. E o que a prefeitura fez? Entrou com uma lei para legalizar o ilegal”, afirmou Leonardo Cisneiros na audiência.

O Ocupe Estelita criticou também o plano urbanístico de 2015. “Foi decalcado em cima do projeto (Novo Recife). Ao invés dos projetos seguirem a lei, uma nova lei foi feita para beneficiar um projeto privado dando aos empreendedores um direito adquirido que nunca existiu. O Estelita é um grande símbolo de como as coisas dão errado”, afirmou Cisneiros.

O secretário de Planejamento Urbano do Recife, Antônio Alexandre, lavou as mãos: em relação ao Estelita, afirmou apenas que a prefeitura vai cumprir o que for definido pela Justiça. Representante do setor produtivo, Sandro Guedes, da Ademi-PE, criticou a falta de “segurança jurídica” para as construtoras no Brasil. A representante do Conselho de Arquitetura e Urbanismo fez apenas falas genéricas, como “a cidade é para todos”, e falas equivocadas, como “o mercado imobiliário é sociedade civil, a prefeitura é sociedade civil, acho que a gente tem que discutir com todos”. Nesta última fala, alguém gritou do fundo do plenarinho: “pelega!”.

Representando a Articulação Recife de Lutas, o professor aposentado da UFPE Jan Bitoun rechaçou os termos amplos e pouco específicos do plano, como “desenvolvimento sustentável”. “Colocar ZEIS Zona Especial de Interesse Social) com coeficiente 2? Hoje o que segura a Zeis é o fato de não poder desmembrar. Se você coloca o desmembramento e umcoeficiente 2, isso transforma 1 mil metros quadrados em 2 mil metros quadrados. Acaba a equidade sócio-territorial”, afirmou.

Apesar de uma ou outra interrupção, uma ou outra palavra de ordem, a audiência transcorreu em uma discussão civilizada. Um momento fora da curva foi nas considerações finais quando, mesmo sem ser interpelado e com o auditório sem barulho, o secretário municipal fez um fala exasperada, quase aos gritos, defendendo o atual projeto do plano diretor, que sofreu varias críticas dos movimentos sociais pela falta de participação popular.

O plano diretor segue em debate em audiências públicas na Câmara dos Vereadores pelas próximas cinco semanas. Depois disso, os vereadores terão um prazo de 20 dias para encaminhar emendas ao projeto de lei, que será então analisado pela Comissão de Planejamento Urbano e Obras. Por fim, o projeto de lei segue para apreciação e votação no plenário. Todas as cinco próximas audiências públicas acontecerão às quintas-feiras, a partir das 9h, no plenarinho da casa.<p>O post <a href="https://marcozero.org/termina-embargo-do-iphan-que-impedia-demolicao-do-cais-jose-estelita/">Termina embargo do Iphan que impedia demolição do Cais José Estelita</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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