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	<title>Arquivos Israel - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 15 May 2025 20:32:43 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Israel - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Nakba continuada: a catástrofe do apagamento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 May 2025 20:32:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[genocídio]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[nakba]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por André Frej Hazineh* 77 anos. 77 anos de limpeza étnica. 77 anos de segregação. 77 anos de silenciamento. 77 anos de apagamento. Pausa. Contem até sessenta e façam um minuto de silêncio. Agora imaginem, se possível for, a eternidade do silenciamento. Assim, como um sopro, pode ser resumida a história da Questão Palestina a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por André Frej Hazineh*</strong></p>



<p>                               77 anos.</p>



<p> 77 anos de limpeza étnica. 77 anos de segregação. 77 anos de silenciamento. 77 anos de apagamento.</p>



<p> Pausa.</p>



<p> Contem até sessenta e façam um minuto de silêncio. Agora imaginem, se possível for, a eternidade do silenciamento.</p>



<p> Assim, como um sopro, pode ser resumida a história da Questão Palestina a partir do início da Nakba, cujo significado extrapolou a tradução literal da palavra – catástrofe – e assumiu contornos de barbárie continuada.</p>



<p> Mais do que isso, o atual genocídio insolente e interminável na Faixa de Gaza evidenciou a necropolítica deliberada do projeto colonial sionista de apagamento da memória coletiva de um povo nativo sobrevivendo em seu próprio território.</p>



<p> E esse apagamento vem sendo aperfeiçoado ao longo das últimas décadas, a ponto de identificarmos camadas de sustentação em vários níveis.</p>



<p> Antes de mais nada, há um elemento de caráter particular que nos afeta nesse processo de apagamento que é o silenciamento intencional das pessoas identificadas no espectro do bolsonarismo, notadamente nos círculos familiares, laborais e sociais, cuja indiferença ao holocausto do povo palestino é comparável ao comportamento de parcela da população alemã que, anos mais tarde, não pôde alegar insciência das atrocidades cometidas nos campos de concentração.</p>



<p> A camada seguinte desse apagamento proposital, permancendo ainda nos limites da Terra Brailis, encontra ressonância, por mais paradoxal e dissonante que possa parecer, no universo da pretensa esquerda brasileira, inerte, imobilizada e vergonhosamente alheia ao martírio do povo palestino, ressalvadas as honrosas exceções.</p>



<p> Quando se trata das estratégias adotadas pelo movimento colonial, racista e supremacista sionista de apagamento de quaisquer resquícios civilizatórios da presença do povo originário palestino em seu próprio território, o primeiro estrato remonta ao surgimento do próprio sionismo, o qual utilizou o aparato da propaganda – enganosa por supuesto – para difundir a mentira de que a Palestina histórica seria uma terra sem povo.</p>



<p>                               Interessante notar que o sionismo precede ao nazismo não apenas na utilização da propaganda como arma de guerra mas também é esta vertente do fascismo que inaugura a ideia perversa de supremacismo, ao pretender subjugar uma nação inteira, apagando a história e desenraizando a relação ancestral do povo palestino com sua terra.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/nakba-1948-300x169.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/nakba-1948-1024x576.jpeg" alt="Foto em preto e branco de uma multidão caminhando em fila indiana por uma estrada de terra que corta uma área desértica. A maior parte são mulheres e crianças, mas se vê um homem magro na foto, usando roupas escuras. Em primeiro plano, uma mulher carrega um grande fardo sobre a cabeça, tendo ao lado esquerdo uma adolescente levando uma trouxa de roupas na mão. O grupo passa por um carro antigo, claramente danificado." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Palestinos expulsos de suas casas pelas forças de Israel, em 1948
</p>
	                
                                            <span>Crédito: autor desconhecido</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p> A propaganda se torna, principalmente após a Segunda Guerra, o instrumento de sustentação da colonização estrangeira da Palestina, quando a indústria cultural assume um papel protagonista na difusão da narrativa farsesca sionista, construindo a imagem de vitimização de eurojudeus e eurojudias e de desumanização do heroico povo palestino.</p>



<p> Paralelo ao estrato da propaganda, o apagamento midiático no mundo ocidental revela o controle absoluto dos meios de comunicação por parte do capital judaico-sionista, explicitado no atual genocídio em Gaza, uma tragédia humanitária que não está sendo televisionada, muito pelo contrário, a narrativa (necessário repetir ininterruptamente) desumaniza a população civil palestina.</p>



<p> Esse controle se dá, também, nas redes sociais através dos mecanismos de censura das publicações que denunciam os crimes de lesa humanidade cometidos pelo estado terrorista de “israel”, bem como da limitação na visualização destes conteúdos.</p>



<p> Para se ter um panorama dessa militância nociva das big techs, cito como exemplo a página do coletivo Aliança Palestina Recife no Instagram, cujo alcance das postagens a partir de outubro de 2023 reduziu drasticamente.</p>



<p> Noutra frente de atuação, o lobby sionista consegue, insidiosamente, através da aprovação de leis nos parlamentos, silenciar e criminalizar todas as vozes que se opõem ao projeto de colonização da Palestina, sob o pretexto de que a crítica à necropolítica do estado genocida de “israel” configuraria antissemitismo, uma cantilena deslegitimada pela própria comunidade judaica ao redor do mundo, que desaprova a utilização indevida da expiação da Segunda Guerra em nome de um regime de apartheid mais abjeto do que o próprio nazismo.</p>



<p> Nesse sentido, registre-se, o Projeto de Lei nº 472/2025, de autoria do Deputado bolsonarista e ex-ministro genocida, Eduardo Pazuello, objetiva justamente criar uma mordaça, silenciar as poucas vozes que ainda insistem em denunciar as violações dos direitos humanos perpetradas pela entidade nazissionista.</p>



<p> Destaque-se, ainda, o silenciamento institucional que ofende a dignidade do povo palestino, desvendado no descumprimento sistemático pelo (do)ente sionista das inúmeras resoluções da Organização das Nações Unidas e a inércia inverossímil da ONU diante da limpeza étnica continuada da Palestina, em função não apenas do poder de veto do maior financiador do genocídio do povo palestino, os Estados Unidos, mas da cumplicidade da maioria dos países do Sul Global e do Ocidente decadente, cujas lideranças se restringem a emitir declarações públicas que, na prática, reforçam o apagamento a que é submetido o povo palestino desde 15 de maio de 1948.</p>



<p>Por último, destaque-se uma camada subliminar desse apagamento com metodologia sistematizada.</p>



<p>Sabe-se, há muito, que o sionismo se imiscuiu no seio da igreja cristã para amealhar apoio teo-ideológico ao seu projeto de usurpação do território palestino. Como consequência, tanto nas denominações pentecostais e neopentecostais, quanto nas comunidades carismáticas do catolicismo romano, bem como em algumas igrejas protestantes históricas, as ultrajantes lideranças religiosas, aleivosamente, associam o estado colonial sionista ao Israel das Escrituras para justificar o horror e a barbárie: perversão. E tem mais uma novidade nessa aliança mefistofélica: através de um negacionista revisionismo histórico intenta-se eliminar a palestinidade do Jesus histórico (assumiu a condição humana) que se fez Cristo Pantocrático (assumiu a forma divina).</p>



<p> Pausa.</p>



<p>                               77 anos de apagamento. 77 anos de silenciamento. 77 anos de segregação. 77 anos de limpeza étnica.                                                                                                                                                                                                          77 anos. Uma eternidade.</p>



<p> 77 anos de luta anticolonial palestina. 77 anos de resistência do povo palestino.</p>



<p>77 anos de história de um povo resiliente que inspira mentes e corações nos quatro cantos da terra a levantarem a voz contra o apagamento do que nos restou de humanidade: Viva a Resistência Palestina ! Vivas ao heróico povo palestino !</p>



<p>Recife, 77 anos de Nakba</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/nakba-paz-265x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/nakba-paz-906x1024.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/nakba-paz-906x1024.jpg" alt="Esta foto mostra uma menina pequena, de pele clara e cabelos cacheados castanhos, sorrindo para a câmera enquanto faz o gesto de paz com os dedos (o “V” de vitória) com a mão direita. Ela está em um ambiente externo, onde o chão é de entulho e pedras, sugerindo uma área que sofreu destruição. Ela veste uma camiseta vermelha com o desenho do mapa da Palestina em amarelo no centro. Sobre o mapa, está escrita uma frase em árabe que diz: فلسطين حرة (Palestina livre). Ela também usa uma calça jeans azul e acessórios como um relógio rosa no pulso esquerdo e um colar. Atrás dela, há um muro com uma frase em árabe escrita com tinta vermelha, que diz: “Deus é o maior acima da maldade do agressor.”" class="" loading="lazy" width="659">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">&#8220;Deus é maior que o grande agressor&#8221; é a frase que se lê no muro atrás da criança
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Instagram @wearthepeace</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Filho da Diáspora Palestina, é coordenador de Relações Institucionais do coletivo Aliança Palestina Recife</strong></p>
    </div>
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		<title>Os 10 anos da Aliança Palestina Recife celebrados em um momento crucial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Jun 2024 20:52:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Aliança-Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por André Frej Hazineh* Neste mês de junho o Coletivo Aliança Palestina Recife completa dez anos de militância em favor da causa palestina. Amanhã, o Comitê de Solidariedade à Palestina/Pernambuco realiza mais um ato contra o genocídio do povo palestino e pelo cessar-fogo imediato, na praça Oswaldo Cruz, a partir das 9h. Mais um tempo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por André Frej Hazineh</strong>*</p>



<p>Neste mês de junho o Coletivo Aliança Palestina Recife completa dez anos de militância em favor da causa palestina. Amanhã, o Comitê de Solidariedade à Palestina/Pernambuco realiza mais um ato contra o genocídio do povo palestino e pelo cessar-fogo imediato, na praça Oswaldo Cruz, a partir das 9h. Mais um tempo de denúncia, mas também um tempo de reconhecimento do papel da Aliança na divulgação da história da Questão Palestina e no exercício da solidariedade ao povo palestino.</p>



<p>Nascida no seio do Movimento Ocupe Estelita, uma marco na luta pelo direito à cidade e a favor da utilização dos espaços urbanos de forma coletiva e democrática, a Aliança Palestina Recife teve como elemento impulsionador, inicialmente, o massacre promovido pelo estado de israel na Faixa de Gaza em 2014, num período em que no Brasil as atenções se voltavam à Copa do Mundo de futebol masculino.</p>



<p>Meu primeiro contato com o coletivo aconteceu em evento ocorrido na praça do Arsenal da Marinha, contra àquela carnificina, num sábado de junho. Naquele dia eu peguei o microfone e falei, falei, falei… …e nunca mais larguei o dito cujo, pois encontrei naquele grupo de ativistas – vozes proféticas que se levantaram contra a injustiça &#8211; o amor que eu sentia pela causa palestina.</p>



<p>Com o passar dos anos, a Aliança Palestina Recife construiu um histórico de lutas, passando a ser referência na defesa da causa em Pernambuco.</p>



<p>Dos tantos eventos, tantas atividades e ações, possível destacar o Simpósio “A Questão Palestina e os Direitos Humanos”, realizado na UFPE e que contou com a presença do cartunista Carlos Latuff; o lançamento do documentário “Five Broken Cameras” no Cinema da Fundação, que teve roda de diálogo com o cineasta Emad Burnat, a inauguração da praça da Palestina, o jantar árabe vegano, o Festival Palestina Livre, bem como lançamento dos livros <em>Palestina – do mito da Terra Prometida à Terra da Resistência</em>, de Sayid Marcos Tenório; <em>Al Nakba – um estudo sobre a catástrofe palestina</em>, de Soraya Misleh”; e, mais recentemente, <em>Contra o Sionismo: Retrato de uma doutrina Colonial e Racista</em>, do jornalista judeu, Breno Altman, editor do <a href="https://operamundi.uol.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Opera Mundi</a>.</p>



<p>A Aliança Palestina Recife também me encheu de orgulho quando nas Eleições 2018, diante da possibilidade de ascensão do fascismo no Brasil, extrapolou os limites de sua atuação em defesa do direito inalienável do povo palestino à sua Terra Sagrada, manifestando e publicizando seu apoio à candidatura de Fernando Haddad.</p>



<p>Por sinal, aquela eleição serviu de divisor de águas para estabelecer o real compromisso das pessoas com as causas humanísticas, demasiadamente humanitárias. No âmbito de minhas relações familiares e pessoais me senti traído por quem escolheu apoiar o candidato do ódio e o consequente endosso incondicional à necropolítica implementada pelo estado sionista de israel na Palestina, em que pese nossos apelos, nossos clamores, nossas súplicas alertando para o risco de o Brasil se tornar um financiador do nazisionismo, o que de fato se confirmou.</p>



<p>Registre-se, também, que nas comunidades islamitas, árabes e palestinas a traição à causa prevaleceu, o que me levou a cada vez mais se engajar na Aliança aqui de Recife, pois o coletivo não se omitia em exercer seu papel relevante de apoio ao povo palestino.</p>



<p>Nos anos seguintes, a Aliança promoveu, em parceria com o mandato do vereador psolista Ivan Morais – sempre a exalar o perfume de humanidade -, audiências públicas que discutiram a limpeza étnica na Palestina, que já dura 76 anos, denunciando os crimes de lesa humanidade cometidos pelo estado genocida de israel e seu projeto colonial sionista, trazendo diretamente de Bethlehem, em 2019, o ativista <a href="https://marcozero.org/turimo-e-militancia-andam-juntas-na-terra-onde-nasceu-jesus-cristo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Baha Hilo</a>, oportunidade de conhecermos a realidade de quem vive sob a opressão de um regime racista, supremacista e de apartheid, que desrespeita os direitos humanos mais basilares.</p>



<p>Nesse ínterim, cumpre destacar, graças à pressão exercida pela Aliança Palestina Recife, houve o cancelamento de um pretenso “diálogo sobre o Oriente Médio (sic)” na Universidade de Pernambuco, tendo como palestrante um representante do lobby sionista que atua numa organização sabidamente defensora da ocupação, denominada “Stand With Us”.</p>



<p>Particularmente, considero um dos momentos mais significativos da história do coletivo a manifestação ocorrida em frente a Assembleia Legislativa quando uma parlamentar da extrema direita, pasmem, promoveu uma Sessão para celebrar os 70 anos da limpeza étnica continuada, sob o pretexto de festejar a autoproclamação da entidade sionista como Estado. Estávamos lá demonstrando nossa indignação diante de aviltante “comemoração” da “nakba” do povo palestino.</p>



<p>Das vezes em que ocupamos as ruas, em duas oportunidades o Governo do Estado, de forma truculenta, arbitrária e antidemocrática enviou o aparato repressivo policial (inclusive o Batalhão de Choque) para reprimir nossas manifestações ora denunciando a tentativa de transferência da embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém em 2019 e ora o financiamento estadunidense ao atual genocídio, revelando servilismo aos interesses do imperialismo transnacional.</p>



<p>Nesse diapasão, há de se ressaltar a posição vanguardista da Aliança Palestina Recife e sua militância incansável em solidariedade ao povo palestino. Angélica Reis, cofundadora do coletivo, bem antes da pseudo polêmica &#8211; estimulada pela mídia hegemônica porta voz do nazisionismo &#8211; a partir da declaração do Presidente Lula comparando o genocídio em Gaza ao holocausto da Segunda Guerra, em entrevista ao Diário da Causa Operária afirmava categoricamente que o regime sionista ultrapassara o nazismo em crueldade, proporcionalidade e desumanidade, enterrando no lixo da história os parcos resquícios civilizatórios.</p>



<p>Dez anos, dezenas de pessoas passaram pela Aliança Palestina Recife e cativaram nossos corações; idas e vindas; gargalhadas e lágrimas; afetividades em meio à dor e à tragédia; um caleidoscópio de sentimentos amalgamados pela própria resistência histórica e heroica do povo palestino me transformaram, enquanto filho da diáspora e enquanto militante dos universais direitos humanos, a ponto de eu ousar afirmar de forma visceralmente espiritualizada, parafraseando o apóstolo São Paulo: neste junho de 2024 do ano da Graça de nosso Libertador Jesus Cristo, já não sou eu quem vive, mas a Palestina vive em mim.</p>



<p>Por fim, apesar de celebrarmos os dez anos passados, nosso desejo para os próximos dez anos, ou bem menos &#8211; oxalá e inshalá -, é que desvaneça a razão da existência da Aliança Palestina Recife (assim como do Comitê de Solidariedade), para celebrarmos a utopia do real, o estabelecimento do estado palestino livre, laico, soberano e democrático, um lar nacional para todas as crenças, todas as etnias, todas as gentes que se dispuserem a viver em paz e harmonia no futuro estado da Palestina, desde o Rio Jordão até o Mar Mediterrâneo.</p>



<p>Recife, 07 de junho de 2024</p>



<p>Aliança Palestina Recife falando para o mundo!</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Jornalista e integrante do Coletivo Aliança Palestina Recife</strong></p>
    </div>



<p></p>
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		<title>Terroristas da Flórida: uma ponderação sobre a tese da &#8220;inevitabilidade do mal&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/terroristas-da-florida-uma-ponderacao-sobre-a-tese-da-inevitabilidade-do-mal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Feb 2024 16:12:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Gaza]]></category>
		<category><![CDATA[genocídio]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Romero Maia* É um erro comparar massacres para adjetivá-los e ranqueá-los. Tanto faz se foram perpetrados por um grupo terrorista, por exércitos oficiais, por criminosos civis, por gangues armadas, e até por estruturas estatais inteiras contra nações mais fracas a fim de colonizar territórios. Cada qual tem sua magnitude e detalhes históricos particulares. Por [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Romero Maia*</strong></p>



<p>É um erro comparar massacres para adjetivá-los e ranqueá-los. Tanto faz se foram perpetrados por um grupo terrorista, por exércitos oficiais, por criminosos civis, por gangues armadas, e até por estruturas estatais inteiras contra nações mais fracas a fim de colonizar territórios. Cada qual tem sua magnitude e detalhes históricos particulares. Por isso é bem mais fácil vir a conhecer a magnitude que as causas. Rapidamente, consegue-se obter os seguintes números, expostos na ordem dos tipos acima:</p>



<p></p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>19 terroristas atacaram o World Trade Center nos EUA e deixaram cerca de 3 mil mortos em poucos minutos;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Algumas dezenas de autoridades do partido nazista coordenaram o assassinato indiscriminado 6 milhões de judeus em cerca de 13 anos;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Um único militante da direita norueguesa matou 77 pessoas a tiros em poucas horas;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>800 mil pessoas foram assassinadas em apenas 100 dias por gangues em guerra civil de Ruanda</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>Mais de 60 milhões de mortos ao longo de cerca de 200 anos da fase crítica das invasões portuguesas e espanholas nos territórios a oeste da Europa.</p>
            </div>
            </div>



<p></p>



<p>Nem mesmo se essas quantidades fossem apresentadas em termos relativos ao total da população, ou até se levadas a uma mesma unidade temporal, elas forneceriam algo propositivo. Porque dadas as informações, é preciso entender os pontos de contato, os padrões, para enxergar as causas principais. E uma vez feito isso, de alguma sabedoria na articulação entre essas informações com princípios normativos para apontar saídas. Essa articulação permite identificar fatos e sentimentos que desencadeiam o ímpeto de extermínio. Alguns recorrentes são o ressentimento, a espiral de vingança, o fundamentalismo religioso, a partilha impositiva de territórios e recursos, e a sensação de injustiça devida a eventuais relações de subordinação e desigualdades sociais prolongadas. Ao identificá-los, temos uma chance de construir boas hipóteses de como combatê-los. Dado o massacre que aconteceu no último 7 de outubro, a guerra de reação poderia estar acontecendo de outra maneira?</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">“É melhor correr o risco de salvar um homem culpado do que condenar um inocente” (Voltaire)</p>
</div>


<p>Pouca gente sabe, mas os EUA<a href="https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/02/terrorismo-hoje.html"> já sediaram campos</a> de treinamento de grupos terroristas. Alguns clandestinos, mas outros com a conivência da CIA durante a Guerra Fria. Havia campos de treinamento também na<a href="https://exame.com/mundo/como-a-belgica-se-tornou-um-criadouro-de-terroristas/"> Bélgica</a> e Reino Unido. Formalmente, eles já foram destruídos pelas autoridades. Mas suponha que tenha restado um deles nos EUA. Faremos o exercício mental de supor um grupo terrorista fictício, alojado na bela península da Flórida, num tempo de predomínio de uma ditadura anticomunista sanguinária e, por isso, recebendo apoio do próprio governo americano (como de fato ocorreu com<a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/eua-criaram-osama-bin-laden.phtml"> radicais islâmicos</a> nos anos de 1980).</p>



<p>Vamos imaginar que esse grupo fictício se chama &#8220;Magic Kingdom&#8221;, e realiza seus treinamentos de tiros e explosivos em áreas do estado com a conivência do grupo político de um governador ultraconservador, que estaria atuando para resgatar os “antigos valores” do Sul dos EUA. Esse grupo planeja um atentado no Brasil para servir de exemplo contra uma pretensa “ameaça comunista” que rondaria a América Latina, aos moldes do atentado ao centro de convenções Riocentro, em 1981.</p>



<p>Desta vez, as bombas explodem. Uma delas não mata sem querer o próprio terrorista. Tudo dá certo. O ataque é bem sucedido e milhares de pessoas sem ligação direta com o fantasma do comunismo latino-americano morrem, outras tantas ficam gravemente feridas com a correria e confusão generalizada num evento lotado. Os terroristas prontamente assumem autoria, e seu grupo central de comando é localizado como vivendo misturado à população civil da Flórida. Muitos dos quais se passam por pessoas comuns, e alguns até prestam serviços ao Walt Disney World onde aliciam crianças tanto para treinamento quanto para uso como escudo humano em esconderijos. A grande potência comunista do momento, a China, logo acena em solidariedade com o Brasil, adiciona contingente e armamentos às suas forças de defesa, e planeja lado a lado uma contraofensiva aos terroristas. A ONU também reconhece o Brasil como nação agredida e inicia protocolos de apoio, requisitando a posição oficial dos EUA sobre os terroristas em seu território. Digamos que os EUA decidem não cooperar da forma esperada no curto prazo para não assumirem a existência de um grupo clandestino tão poderoso em atuação no país. Seria, então, inevitável bombardear a cidade de Orlando, arriscando atingir de alguma forma<a href="https://www.msf.org.br/noticias/msf-apela-ao-conselho-de-seguranca-da-onu-por-cessar-fogo-imediato-e-sustentado-em-gaza/"> hospitais</a>, escolas, e fontes de água potável e energia elétrica para a cidade? Ou a nação agredida teria alguma maneira de seguir o preconizado pelo direito internacional humanitário e resguardar proporcionalidade e o bem-estar de milhões de moradores da região?</p>



<p>Essa história é meramente ilustrativa, não tem o intuito de comparar o atentado terrorista sofrido por Israel a nenhum outro. Não sugere qualquer escalonamento na gravidade entre atentados. Todo ato <a href="https://3999302648774.gumroad.com/l/puplk">terrorista é inaceitável</a> e toda organização criminosa deve ser caçada. Busca-se apenas o efeito didático de ajudar a pensar em desenlaces alternativos com a mudança de poucas variáveis do enredo e deixando as demais similares. Ou seja, é perfeitamente razoável levar a efeito planos de médio e longo prazos para identificar e localizar cada um dos envolvidos em atentados, mesmo sem contar com apoio das autoridades da localidade em que estão e, gradualmente, eliminá-los até desmantelar a organização. Isso com nenhuma ou pouquíssimas baixas entre inocentes. O padrão da segurança defensiva nas fronteiras brasileiras também estaria protegido de novos ataques, posto que seria reforçado com amplo apoio internacional. A opinião pública também seria um outro ponto chave nesse sentido porque, ao evitar milhares de mortes de moradores de Orlando numa contraofensiva impulsiva, o Brasil não daria margem a relativizações acerca da tragédia. Do contrário, seria intolerável ao senso de justiça ocidental que bombardeios afetassem o Orlando Regional Medical Center, ou a Lake Highland Preparatory School, ou ainda o Walt Disney World onde alguns terroristas passam despercebidos como simples trabalhadores.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Tratados internacionais</h2>



<p>Tratados internacionais, como as Convenções de Genebra e seus protocolos decorrentes, existem para balizar essas situações extremas. E, embora alguns países como Irã, Iraque, Afeganistão, Paquistão, EUA e Israel tenham se recusado a endossar alguns protocolos adicionais, as diretrizes gerais das Convenções são imperativas e devem ser seguidas à risca pela comunidade das nações. Civis sem relação comprovada com o ato beligerante, distintivos especiais e lugares nos quais se prestam serviços públicos essenciais não podem ser atacados. Mesmo sob justificativa de estarem sendo usados como abrigos pelo inimigo. A 4ª Convenção foi implacável ao proibir toda e qualquer resposta beligerante que tenha alto risco de matar civis, e isso lastreia todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e organismos de jurisdição internacional. Esses instrumentos têm força regulatória e preveem sanções a descumprimentos que serão dosadas pelo Tribunal Internacional de Justiça, no caso de países, ou pelo Tribunal Penal Internacional, no caso de réus individuais.</p>



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</p>
	                
                                            <span>© Instagram/@mohammedasad.84</span>
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<p>Toda essa complexidade jurídica implica uma maior dificuldade na resposta a um massacre sofrido. Mas antes que se diga que ela “protege bandidos”, é preciso perceber que ela busca evitar que se instale o caos. A resposta a um atentado terrorista não pode matar inocentes porque se assemelha ao mal sofrido. Dito dessa forma parece mais simples. Há quem insista que um grupo vitimizado fica de mãos atadas sem poder agir em legítima defesa. Reiteramos que não é o caso. É exatamente por que precisa ser legítima que toda reação tem que respeitar limites do direito humanitário internacional.</p>



<p>Neste início de séc. XXI, todos os países sabem o que fazer para reagir de forma legítima a um ataque terrorista, embora ninguém jamais tenha dito que é fácil. O mais adequado, por isso, é prevenir. Deve-se ao máximo evitar que sejam lançadas sementes terroristas no território. As famosas ações contraterroristas que reforçam a segurança em pontos de vulnerabilidade a atentados não são suficientes como profilaxia. Ao lado disso, necessita-se combater discursos de ódio em todos os meios através de forte regulação, rastrear e punir disseminadores de fake news, reforçar instituições de justiça e mediação de conflitos, aumentar a escolarização média sem aceitar projetos pedagógicos de baixa qualidade humanística, e melhorar indicadores de bem-estar social e de saúde mental que possuem impacto sobre aqueles fatos e sentimentos impertinentes citados no terceiro parágrafo.</p>



<p>Já a retorsão legítima só se concretiza nos médio e longo prazos, porque as regras internacionais a empurram necessariamente para uma guerra discreta, sem carnificina nem pirotecnia. Essas ações são de responsabilidade precípua, não da infantaria pesada ou de amplos bombardeiros, do setor de inteligência das forças armadas e do serviço secreto estatal. Eles é que devem capitanear todas as redarguidas contra terroristas instalados em países com os quais não se consegue guerrear legitimamente. Do serviço secreto se esperam ações a conta-gotas, mas com extrema precisão, para atuar dentro das condições civilizatórias impostas pela regulação internacional que, como reforço, contém a resolução 1.373 do Conselho de Segurança da ONU que estimula a solidariedade internacional no bloqueio de ativos e estrangulamento financeiro das organizações terroristas. Isto é, as vítimas não estão de mãos atadas no combate ao terrorismo, e é falsa qualquer tese sobre o que chamamos aqui de “inevitabilidade do mal” para justificar uma punição coletiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Agir por meio da inteligência</h2>



<p>Sempre é possível agir majoritariamente por meio da inteligência. Mas essa ponderação, sabemos, concorre com grande cominação popular por respostas drásticas no curto prazo contra o inimigo comum. Demandas internas que fortalecem e seduzem o grupo que está no poder. Nos EUA, George Bush teve sua popularidade fortalecida na luta contra o terror, e isso foi determinante para sua reeleição. Com suas medidas logo após o 11 de setembro, ele atingiu um dos índices de aprovação mais elevados da história americana, aproximadamente 90%. Transformar tragédias em força política é uma competência básica de todo político que se preze. Passam a liderar uma espécie de cruzada de reparação do dano sofrido, abaixo da qual ficam suspensas pressões pré-existentes sobre malversação da coisa pública, enriquecimento ilícito e longa permanência no poder. O que não invalida a dor das vítimas americanas e a própria necessidade de uma aliança internacional contra o terrorismo.</p>



<p>É inquestinável que o povo judeu foi vítima, mais uma vez, de um massacre incomparável. Mereceu toda a solidariedade internacional que recebeu sem ressalvas. Passados quatro meses da continuidade da forte contraofensiva na Faixa de Gaza, porém, a limpeza do território gera indícios de objetivos militares que ultrapassam a guerra ao terror. Como o próprio primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou ser<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2024-02/primeiro-ministro-israelense-revela-plano-para-pos-guerra-em-gaza"> “sem limite de tempo”</a>, sua pretensão é transferida para a ocupação do território e seus recursos. Dessa forma, some de vez do horizonte a solução de dois Estados defendida há algum tempo por Isaac Herzog, presidente de Israel. Até o ano passado, uma invasão deliberada não teria qualquer respaldo internacional como passou a receber após a sórdida ação terrorista do partido Hamas que, como complicador, literalmente governa a população. Mas vale lembrar que Faixa de Gaza é, além de celeiro de terroristas antissemitas que precisam ser, sim, presos ou mortos, uma região extremamente fértil, com bom nível de água subterrânea, e com cerca de 40 km de litoral disponível para uma lucrativa economia pesqueira e entrada de mercadorias, além de oferecer consideráveis reservas de petróleo e gás natural. Enfim, a Faixa de Gaza é de fato uma região extremamente importante, mas&#8230; não é a Flórida.</p>



<p><strong>*Gestor de pesquisas, especialista em análise de indicadores e processos de tomada de decisão, mestre em Psicologia Cognitiva pela UFPE. E-mail: romeromaia@gmail.com</strong></p>
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		<title>Empresa de publicidade Rota Mídia recusa veicular outbus de campanha humanitária pró-Palestina</title>
		<link>https://marcozero.org/empresa-de-publicidade-rota-midia-recusa-veicular-outbus-de-campanha-humanitaria-pro-palestina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Feb 2024 19:40:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[genocídio]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pouco antes do carnaval, o Comitê de Solidariedade à Palestina em Pernambuco contatou a empresa de publicidade Rota Mídia para tentar veicular um outbus de uma campanha humanitária durante o período da folia. O tema da campanha seria a frase “Não se cale diante do genocídio do povo palestino”, com arte criada pelo chargista Carlos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pouco antes do carnaval, o Comitê de Solidariedade à Palestina em Pernambuco contatou a empresa de publicidade Rota Mídia para tentar veicular um outbus de uma campanha humanitária durante o período da folia. O tema da campanha seria a frase “Não se cale diante do genocídio do povo palestino”, com arte criada pelo chargista Carlos Latuff, que cedeu o desenho de graça para o Comitê.</p>



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<p>O representante da Aliança Palestina Recife, o jornalista e analista judiciário André Frej Hazineh ficou responsável pelo pagamento e pela escolha da linha de ônibus que circularia com o outbus. Segundo ele, após acertar os detalhes foi surpreendido com a mensagem de whatsapp de que o diretor da Rota não havia autorizado a veiculação. “O setor de produção da Rota já havia aprovado a arte e apresentado o leiaute do outbus. Então, solicitei a funcionária do atendimento que questionasse ao diretor os motivos da negativa, mas não obtive resposta”, contou Hazineh.<br><br>Desconfiado de censura à defesa da causa palestina, Hazineh procurou o gabinete do vereador Ivan Moraes para relatar a situação. O parlamentar fez um ofício solicitando informações sobre o motivo da recusa, mas a empresa ignorou o questionamento de Moraes.</p>



<p>Para Angélica Reis, uma das fundadoras da Aliança e integrante do Comitê de Solidariedade “a ausência de resposta configura efetivamente a censura. “Ao negar a veiculação de uma campanha, a ação comissiva da empresa configura prática abusiva porque a legislação proíbe fornecedor de recursar a prestar serviço ao consumidor que se dispõe a adquiri-lo mediante pronto pagamento, o que era o caso”, denuncia a ativista. Angélica acredita que há um “silenciamento das vozes palestinas pelos grupos hegemônicos da mídia ocidental”.<br><br>Decorridos mais de quatro meses de conflito, a ação do exército de Israel já provocou a morte de aproximadamente 30 (trinta) mil civis, a maioria absoluta de mulheres e crianças. O número de vítimas, incluindo as pessoas feridas, mutiladas e desaparecidas nos escombros ultrapassa os 100 mil pessoas. A África do Sul denunciou o Estado de Israel na Corte Internacional de Justiça, em Haia, pela prática sistemática de genocídio. O Governo Brasileiro endossou a ação impetrada.</p>



<p>Esta semana, o assunto voltou com intensidade no debate público brasileiro após o presidente Lula comparar o genocídio palestino ao holocausto dos judeus pela Alemanha nazista.<br><br>Até o fechamento da matéria a Rota Mídia não conseguimos contato com o funcionário da empresa que, segundo a equipe de atendimento, seria a única pessoa que poderia falar sobre o caso. Se houver contato, o texto será imediatamente atualizado.</p>



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	                                        <p class="m-0">Arte que seria veiculada em ônibus na Região Metropolitana do Recife durante o carnaval. Crédito: Comitê de Solidariedade à Palestina</p>
	                
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/empresa-de-publicidade-rota-midia-recusa-veicular-outbus-de-campanha-humanitaria-pro-palestina/">Empresa de publicidade Rota Mídia recusa veicular outbus de campanha humanitária pró-Palestina</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>A declaração de Lula e os genocídios lembrados ou esquecidos</title>
		<link>https://marcozero.org/a-declaracao-de-lula-e-os-genocidios-lembrados-ou-esquecidos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Feb 2024 19:19:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[genocídio]]></category>
		<category><![CDATA[holocausto]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
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		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Anderson Barbosa* No momento em que começo a escrever esse artigo quase 30 mil palestinos já foram assassinados pelo Estado de Israel. Entre eles, mais de 12 mil crianças. Mais de 1 milhão de pessoas foram expulsas de suas casas e se espremem em campos de refugiados improvisados, sofrendo a angústia de poderem ser [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Anderson Barbosa*</strong></p>



<p>No momento em que começo a escrever esse artigo quase 30 mil palestinos já foram assassinados pelo Estado de Israel. Entre eles, mais de 12 mil crianças. Mais de 1 milhão de pessoas foram expulsas de suas casas e se espremem em campos de refugiados improvisados, sofrendo a angústia de poderem ser as próximas vítimas dos bombardeios israelenses, ao mesmo tempo em que sofrem com a escassez quase completa de alimentos, sendo muitas vezes obrigadas a comer ração animal para não morrer de fome ou beber água poluída para não morrer de sede. Mais de 300 instalações de saúde foram atacadas e praticamente não existem mais locais para onde levar os feridos e doentes. E, mesmo quando existem ou existiam, não raras vezes as ambulâncias são impedidas por tanques de guerra ou por bombardeios de prestarem socorro às vítimas.</p>



<p>No momento em que você estiver lendo certamente os números acima já estarão desatualizados. É provável que já estejam mesmo agora, já que nem todas as vítimas e corpos puderam ser resgatados dos escombros e o número de assassinados tem tudo para ser muito maior que o oficial, registrado tanto pelas autoridades palestinas quanto pela Organização Mundial de Saúde.</p>



<p>Esse é o drama atual do povo palestino, ou melhor, é parte dele, já que minhas palavras são insuficientes para descrever o tamanho das atrocidades que estão sendo cometidas na Faixa de Gaza nos últimos quatro meses. Você pode chamar a isso pelo nome que quiser, mas isso não muda a realidade do que está acontecendo. A África do Sul chamou de genocídio e denunciou Israel na Corte Internacional de Justiça por isso. O Brasil, corretamente, endossou a acusação. No último 18 de fevereiro, o presidente Lula, de forma corajosa e correta, chamou novamente assim com todas as letras.</p>



<p>A verdade certamente dói aos ouvidos daqueles que idolatram a mentira. E de forma completamente esperada reagiram eles furiosamente à declaração de Lula. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o genocida carniceiro de Gaza, obviamente esperneou e, como é habitual, distorceu a declaração de Lula. Para surpresa de ninguém utilizou a carta curinga que utiliza toda vez que seus crimes são denunciados e expostos: acusou Lula de antissemitismo. Acusou Lula de minimizar o holocausto judeu. Obviamente mentiu, já que em nenhum momento Lula fez isso.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Presidente Lula durante a cerimônia de Abertura da 37º Cúpula da União Africana, na Etiópia. Foto: Ricardo Stuckert/PR</p>
	                
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<p>Curiosa essa acusação de Netanyahu contra Lula, já que minimizar os crimes dos nazistas foi exatamente algo que o próprio Netanyahu fez alguns anos atrás: “Hitler não queria exterminar os judeus na época”. Estas foram as exatas palavras proferidas pelo genocida Netanyahu. <a href="https://youtu.be/f9HmkRYlVZw?feature=shared">Declaração que pode ser facilmente conferida clicando aqui</a>.</p>



<p>À reação do carniceiro de Gaza juntou-se a de seus vassalos na mídia brasileira, assim como na extrema-direita bolsonarista. O mesmo segmento da mídia que se escandaliza com a fala de Lula mas oculta ou minimiza e justifica o assassinato de mais de 12 mil crianças palestinas. A mesma extrema-direita que não se escandalizou quando Bolsonaro se encontrou e tirou foto sorridente ao lado da líder do partido neonazista da Alemanha, Beatrix Von Storch.<br>Mas a hipocrisia dos citados acima já é velha conhecida e não merece mais consideração do que já foi dada aqui. Vamos tratar da declaração de Lula.</p>



<p>O genocídio que vitimou os judeus certamente é algo que deve horrorizar a humanidade e que deve ser sempre lembrado com repulsa.</p>



<p>Mas infelizmente ele não foi o primeiro nem o maior da História. Em termos de escala de mortos o genocídio dos povos originários na América foi muito maior. Não foi o primeiro nem o maior nem mesmo do século passado. No início do século XX, pelo menos dez milhões de congoleses foram exterminados sob o comando do rei da Bélgica, Leopoldo II. Sobre o genocídio do povo congolês é possível dizer que choca não só a brutalidade do acontecimento em si, mas o fato dele ser frequentemente esquecido ou ignorado. E talvez por isso mesmo ele guarde mais semelhanças com o atual genocídio em Gaza. Mas voltemos a isso mais à frente.</p>



<p>Mas antes é preciso dizer que, evidentemente, não se trata aqui de fazer uma competição ou ranqueamento sobre qual povo sofreu mais. Sob determinado aspecto e dimensão a dor e o sofrimento de cada povo é único e incomparável a qualquer outro, assim como são a dor e o sofrimento de cada indivíduo. Há algo individual e particular na dor que é impossível mensurar externamente. Mas certamente há ali também algo de geral e universal e é exatamente isto que torna possível nossa empatia por quem sofre. Entre os povos algo semelhante acontece. E se é verdade que a tragédia de cada povo guarda particularidades que só podem ser compreendidas conhecendo profundamente este povo. É verdade também que há um aspecto ou dimensão geral, onde não só é possível mas é necessário comparar ou equiparar tal sofrimento. Aliás, é precisamente porque é possível comparar e equiparar esses episódios é que podemos chamar a todos eles pelo mesmo termo: genocídio.</p>



<p>Os povos indígenas da América, o povo congolês, os judeus foram igualmente vítimas de genocídios. E assim como se deve evitar a comparação sobre quem desses povos sofreu mais ou menos, deve-se igualmente evitar a seletividade de alguns que só conseguem enxergar em um deles a qualificação de vítimas de genocídio.</p>



<p>Não coincidentemente, é essa mesma seletividade que impede estas pessoas de enxergar que o que acontece hoje na Palestina é um genocídio. É essa seletividade que faz com que essas pessoas quando falam do holocausto como o maior genocídio da História, esqueçam ou ignorem que mais de dez milhões de congoleses foram assassinados pelo governo belga no mesmo século.</p>



<p>Os métodos de limpeza étnica, de extermínio com base no critério racial entre todos esses casos são basicamente os mesmos. Na comparação entre o genocídio do povo judeu e o atual do povo palestino há ainda a semelhança entre os campos de concentração. E no que Israel tornou a Faixa de Gaza, senão num gigantesco campo de concentração? Os palestinos vivem hoje sob um regime brutal de colonização e apartheid, muito semelhante ao qual foram submetidos os judeus pelos nazistas. Os palestinos são vítimas inclusive de experimentos para as armas israelenses ou até de roubo de seus cadáveres pelo exército israelense para serem levados a laboratórios. Mesmos métodos empregados pelo regime nazista contra os judeus.</p>



<p>Mas certamente para as pessoas que compartilham dessa seletividade é conveniente esquecer ou minimizar genocídios e massacres na África, Ásia ou América. Para elas, as vidas que de fato importam e merecem ser lembradas são as dos europeus e/ou brancos. E elas acreditam realmente nisso ainda que não percebam.</p>



<p>É precisamente isso que as impede de se comover de fato com a dor e o sofrimento do povo palestino. Os palestinos não são europeus nem são majoritariamente brancos. Os palestinos pertencem à mesma categoria de seres humanos a qual pertencem os congoleses. A categoria daqueles por quem a empatia deve ser, no máximo, passageira. Daqueles cujo sofrimento não merece jamais ser comparado ou equiparado ao de europeus e/ou outras populações majoritariamente brancas.</p>



<p>E quem ousar fazer diferente disso deve ser alvo de toda a ira da civilização ocidental. Lula ousou dizer a verdade. Talvez mais que isso: ousou elevar palestinos à categoria de seres humanos iguais aos filhos do ocidente. E portanto, a ele deve ser destinado todo o ódio e fúria dos que se dizem porta-vozes da civilização ocidental.</p>



<p><strong>*Professor de História licenciado pela UFPE</strong></p>



<p><br><br></p>
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		<title>Sob a opressão de Israel, não há Natal na Terra Santa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Dec 2023 12:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Cisjordânia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Mariano Hebenbrock*, de Hamburgo (Alemanha) O sistema de tecnologia é precário e a comunicação ruidosa, principalmente quando se tenta fazer uma chamada de vídeo, para que possamos acompanhar de perto o trajeto entre o leste e o extremo sudoeste de Jerusalém, precisamente para o vilarejo de Susiya, localizado na zona C da Palestina. O [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Mariano Hebenbrock*, de Hamburgo (Alemanha)</strong></p>



<p>O sistema de tecnologia é precário e a comunicação ruidosa, principalmente quando se tenta fazer uma chamada de vídeo, para que possamos acompanhar de perto o trajeto entre o leste e o extremo sudoeste de Jerusalém, precisamente para o vilarejo de Susiya, localizado na zona C da Palestina. O acordo de paz de 1995, conhecido como Oslo II e firmado entre Israel e a antiga Organização para a Libertação da Palestina (OLP), determinou a divisão da Cisjordânia em três tipos de zonas, que estão sujeitas a regimes diferentes até hoje.</p>



<p>Grandes cidades palestinas como Ramallah e Nablus formam a zona A, ou seja 18% do território, na qual toda a administração civil e atividades de segurança pública foram transferidas para a Autoridade Palestina. Na zona B, onde se localiza Jerusalém Oriental e uma série de pequenas cidades palestinas, a AP é responsável pela administração civil, enquanto o controle da segurança está inteiramente a cargo do exército israelense. Essa região corresponde a 20% do território. A área C constitui a maior parte da Cisjordânia (62%) e ainda está completamente sob a administração civil e militar israelense. É nesta vasta região onde os conflitos entre palestinos e colonos israelenses são mais violentos dentro da Cisjordânia.</p>



<p>Após alguns minutos na quebra da conexão a imagem da paisagem seca, ensolarada e pedregosa surge mais uma vez em minha tela, como confirmação de que Ahmad Abu Said ainda está a caminho de sua aldeia. “Para chegarmos ao Oeste Selvagem, como essa região é conhecida pelos Israelenses, precisaremos passar pela cidade de Bethlehem”, explica Ahmad. Após algumas trocas de palavras, para termos a certeza de que a conexão foi restabelecida, peço que a conversa entre ele e os convidados para esta entrevista seja gravada em inglês, diminuindo assim o desgaste da tradução. “Bethlehem é quase completamente cercada pelas barreiras israelenses”, afirma o primo, Hashid Said. E continua: “Efrat, por exemplo, é uma das primeiras grandes instalações israelenses”. </p>



<p>Durante a viagem a vegetação muda. As cadeias de colinas escassamente povoadas fundem-se numa paisagem desértica vazia, que abre amplas vista para o sul do país. Finalmente Ahmad chega a sua aldeia. A paisagem seca e desolada dá lugar a um amontoado de cabanas de plásticos, latões, lonas e madeiras. “Aquelas cavernas que você vê logo ali, são usadas pelos pastores de ovelhas palestinos para se defenderem do exército israelense e protegerem seus animais de ataques dos colonos. A vida dos pastores no sul da Cisjordânia quase não mudou durante séculos.” Afirma Hamza Said.</p>



<p>Em uma rodada de chá que é costume no oriente médio, Ahmad é recebido por familiares e amigos. Em meio a uma conversa entrecortada, o homem que se identificou apenas como Ayube explica para a câmara que as restrições na zona C, em relação à liberdade de locomoção e distribuição de licença para atividades comerciais, é válida apenas para palestinos. “Todos os trabalhos de construção, instalações de redes para computador, perfuração de novos poços e instalação de energia, precisam da autorização da administração civil israelense. Até algumas remessas de dinheiro que ultrapassem certas quantias devem ser controladas” conclui Ayube.</p>



<p>Ahmad Abu Said, que por muitos anos trabalhou em um escritório da ONU coordenando projetos humanitários na região, explica que a autoridade civil israelense, cuja sede fica no assentamento de Beit El, nos arredores de Ramallah, regula praticamente todas as facetas da vida na zona C. “Só ela decide quem recebe licença de construção e quem não recebe. Uma parte da imprensa israelense vem constantemente acusando a autoridade civil de empregar muitos colonos que têm interesse em expandir os seus próprios projetos de colonatos na Cisjordânia, inclusive criando fatos e rejeitando milhares de licenças de construção solicitadas pelos palestinos,” enfatiza Ahmad.</p>



<p>A aldeia palestina de Susiya fica numa colina entre um arrojado assentamento israelense, construído com tudo que existe de mais moderno e segregado por muralhas e guaritas de segurança armadas, e as ruínas de uma sinagoga da época romana. Um senhor de voz embargada, aparentando seus 90 anos, explica para Ahmad que “aldeia talvez não seja a palavra certa: Susiya nada mais é do que um conjunto de tendas improvisadas, entre as quais as crianças correm e brincam com as cabras e ovelhas que encontram pouca comida nos arredores rochosos”. As tendas de plástico dificilmente parecem adequadas para proteger os seus residentes dos fortes ventos que varrem os desertos no inverno.</p>



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	                                        <p class="m-0">A aldeia de Susiya, cercada por assentamentos israelenses. Crédito: Ahmad Abu Said</p>
	                
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<p>Nesta área árida, os moradores de Susiya continuam a sua vida tradicional. Eles vivem do que a criação de ovelhas produz e coletam a chuva do inverno em grandes cisternas naturais. “O risco de ser expulso permanentemente de Susiya tem aumentado constantemente nos últimos 37 anos. A primeira grande evacuação da aldeia pelos militares israelenses ocorreu em 1986, depois que os colonos israelenses começaram a povoar o corredor norte-sul, com o objetivo de circundar e isolar esta região. Os residentes de Susiya logo retornaram e reconstruíram sua aldeia. Desde então, foram despejados tantas vezes que acabaram por se contentar com as tendas fornecidas pela Cruz Vermelha Internacional”, esclarece Ahamd.</p>



<p>O mesmo idoso da voz embargada que, aparentemente, é o anfitrião da recepção, explica que a constante alternância de expulsão e retorno para casa continua até hoje. “Em 2021, Susiya foi novamente evacuada pelas forças de segurança israelenses, depois que um residente do assentamento judeu vizinho foi morto por um palestino. A maior ameaça, contudo, continua a ser a política oficial das autoridades civis israelenses. Como não aprovam uma única licença de construção, todas as habitações em Susiya são consideradas ilegais e podem ser demolidas a qualquer momento. Assim, os palestinos desta aldeia vivem ilegalmente em suas próprias terras,” conclui. Os palestinos na área C enfrentam não só o exército e as autoridades civis, mas também a fúria dos colonos israelenses, cujos ataques vem se tornando cada vez mais agressivos, desde a segunda intifada (2000-2005). Milhares de oliveiras palestinas são constantemente queimadas ou cortadas, e estábulos são incendiados causando mortes de centenas de ovelhas. Após o atentando do Hamas no Sul de Israel em 7 de outubro e a contra-investida do exército israelense em Gaza, um dos maiores historiadores israelenses em exílio na Inglaterra, o professor IIan Pappe alerta para a execução do plano de limpeza étnica palestina proposto por políticos israelenses desde a fundação do Estado em 1948.</p>



<p>A situação apresentada por Ahmad em Susiya pode ser acompanhada em várias partes da Zona C, como explica Mahmud Zahawre: “Eles estão nos tentando matar de fome em nossa própria terra.” Seu olhar fixo na câmara se desvia lentamente para a rodovia 60, que liga Jerusalém a Hebron e ao Sul da Cisjordânia. “Os militares e os colonos trabalham juntos. Eles formam uma equipe perfeita e de sucesso,” continua. Zahawre é administrador comunitário em Mas`ara, um vilarejo perto de Bethlehem. Na sua opinião, as mudanças populacionais graduais no sul da Cisjordânia não se devem apenas às políticas das autoridades, mas também ao comportamento violento dos colonos. “Acontece frequentemente que os pastores palestinos, que dependem das pastagens em redor de Asaël, são expulsos pelos colonos com pedras ou tiros de borracha” explica.</p>



<p>Mesmo dentro dos limites da sua propriedade legal de terra, os palestinos mal conseguem cultivar ou colher em seus campos. A situação é ainda mais complicada pelo fato de estarem sujeitos à jurisdição militar israelense em toda a área C. Isso se aplica a roubo ou violação de regulamentos de segurança. Os colonos, por outro lado, estão sujeitos à jurisdição civil como cidadãos israelenses, embora residam fora das fronteiras oficialmente reconhecidas de Israel. Em linguagem simples, isto significa que os agricultores palestinos são ameaçados de prisão pelos soldados de ocupação israelenses e de um longo julgamento perante um tribunal militar quando cultivam as suas próprias terras. Por outro lado, os colonos que agem de forma violenta contra os palestinos respondem a um tribunal civil, sem que nunca sejam efetivamente punidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Tudo para tornar a vida mais difícil</h2>



<p>O historiador Michael Wolffsohn, da Universidade Bundeswhr de Munique, explica que para evitar conflitos entre colonos e palestinos, os militares recorrem, na maioria dos casos, a uma medida que foi introduzida em 1945 por um decreto de emergência do então mandato britânico. “Certas áreas podem ser declaradas zonas militares fechadas, onde os civis só podem entrar com a permissão expressa do comandante responsável. O exército israelense utiliza repetidamente este regulamento para expulsar os palestinos das suas próprias terras ou bloquear o seu acesso a recursos como fontes de água, enquanto os colonos têm acesso ao que necessitarem” explica o pesquisador. Esta política baseia-se na ideia de que a população palestina pode ser melhor controlada em pequenas áreas urbanas, fazendo crescer assim a pressão para os centros urbanos.</p>



<p>Hussein Hadis, administrador comunitário de uma pequena aldeia na região de Husan, próximo a Bethlehem, explica que “qualquer autorização que a autoridade civil negue para a construção de casas ou de canalização de água e eletricidade, aumenta a dependência das aldeias, forçando uma mudança das populações palestinas para as cidades. Com isto as autoridades podem declarar estas terras como propriedades abandonadas e confiscá-las de acordo com as leis otomanas sobre propriedade, segundo as quais o direito de propriedade está vinculado a uma presença permanente na terra”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Polícia e exército de Israel fazem vistas grossas para crimes dos colonos. Crédito: Manuela Simões</p>
	                
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<p>A familia Salim, residente na aldeia Umm al-Kheir, localizada no topo de uma colina a leste do assentamento de Karmel, onde os beduínos vivem, é constituída de um conjunto de moradias improvisadas, como a maioria dos assentamentos neste canto sudoeste da Cisjordânia, explica Mustafá. Ahmad, com seu copo de chá adocicado servido por Fátima Salim, é lembrado que as autoridades israelenses usam até mesmo o menor projeto de construção, como uma latrina, como oportunidade para destruir toda a aldeia.</p>



<p>“Eles querem tornar as nossas vidas o mais difícil possível”, diz Abdullah, genro de Fátima e Mustafá. “Eles tiram até as necessidades mais básicas da vida, como água e banheiros, mas até agora temos ficado aqui. Não temos outra escolha,” conclui Nadja, filha mais velha do casal e esposa de Abdullah. Segundo dados da Cruz Vermelha Internacional ao menos 100 pessoas vivem na aldeia, que só pode ser alcançada através de uma estrada esburacada e perigosa. Ahmad explica que todos os pedidos de planejamentos apresentados pelos aldeões são regularmente rejeitados. “O contraste com o colonato israelense de Karmel torna a pobreza em Umm al-Kheir particularmente acentuada: as crianças parecem doentes e não há habitação permanente nem água corrente. A poucos passos de distância está o moderno assentamento judaico, onde vivem principalmente migrantes dos Estados Unidos, África do Sul, Alemanha e França”, conclui Ahmad.</p>



<p>A aprovação de medidas que facilitem a vida dos palestinos é difícil de se obter. As autoridades israelenses estão em lugares distantes das aldeias e para se chegar lá é necessária uma autorização de viagem, dificultando o acesso aos órgãos competentes. Abdullah explica que os responsáveis pelas autorizações de viagem só falam hebraico, idioma que ele não entende. Além disso, os escritórios abrem em horários e dias alternados. Ele geralmente pede a amigos israelenses que liguem para as autoridades competentes. “Mesmo os israelenses, têm muitas dificuldades em entender como funciona o sistema de licenças. Não importa o que façamos, no final das contas ficamos sem a licença.” Conclui.</p>



<p>Afim de evitar conflitos maiores entre agricultores palestinos e colonos israelenses e garantir que a comunidade internacional tome conhecimento da atual situação na região, ativistas de partidos de esquerdas e de ONGs como a <a href="https://taayush.org/">Taayush</a> e a <a href="https://www.breakingthesilence.org.il/">Breaking the Silence </a>recorrem ao tribunal de Jerusalém em vários casos a favor dos palestinos, para denunciar casos contra a prática injusta e unilateral das forças militares. Ahmad explica que mesmo com causas ganhas e o Tribunal Superior condenando repetidamente a administração militar, por estabelecer zonas militares fechadas e tornar a sobrevivência dos palestinos praticamente impossível, o exército continua ignorando as decisões judiciais e colocando em prática o seu plano de evacuação, expulsão e anexação de terras palestinas.</p>



<p>Para o historiador Wolffsohn, os acordos de Oslo foram originalmente concebidos como uma solução provisória, mas criaram uma estrutura administrativa confusa na Cisjordânia, que tem consequências fatais para o povo palestino. “Em última análise, uma série de leis impede os palestinos de obterem as licenças que desejam, facilitando a expansão territorial em uma região que, para o povo judeu, pertence às tribos de Judeia e Samaria”, afirma Wolffsohn. A política de colonato israelense é considerada um dos maiores pontos de discórdia entre Israel e os palestinos, complicando cada dia mais a perspectiva de uma solução de dois estados na região.</p>



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	                                        <p class="m-0">Na terra onde Jesus Cristo nasceu, o Natal é de medo e morte. Crédito: Manuela Simões</p>
	                
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<p><strong>*Bacharel em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco (*Unicap), mestre em Política Internacional e Jornalismo Investigativo pela Universidade de Hamburgo (Alemanha) e doutor em Comunicação Política pela Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona&nbsp;(Espanha)</strong></p>



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		<title>Conflito Israel – Hamas e suas consequências em solo europeu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Nov 2023 16:02:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Mariano Hebenbrock*, de Hamburgo (Alemanha) Qualquer movimento se tornou perigoso. A confirmação da mensagem enviada via Whatsapp pode durar aproximadamente cinco horas para que seja marcada como visualizada. A resposta, em frases curtas, vai aparecendo lentamente na tela desgastada do telefone. “Nós não podemos mais. Acabou tudo. Nós estamos muito cansados. Não há energia. [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Mariano Hebenbrock</strong>*, <strong>de Hamburgo (Alemanha)</strong></p>



<p>Qualquer movimento se tornou perigoso. A confirmação da mensagem enviada via Whatsapp pode durar aproximadamente cinco horas para que seja marcada como visualizada. A resposta, em frases curtas, vai aparecendo lentamente na tela desgastada do telefone. “Nós não podemos mais. Acabou tudo. Nós estamos muito cansados. Não há energia. Não há água. Não há medicamentos. Se eles ao menos dessem uma trégua”. Após algumas trocas de mensagens entre Ahmed Wahr, residente em Hamburg, Alemanha, e Hashid Wahr, seu primo morador da Faixa de Gaza, mais uma vez a conexão chega ao fim. Ao mesmo tempo que mísseis israelenses rasgam o céu como resposta ao massacre e a tomada de reféns pelo Hamas na Faixa de Gaza, mesquitas, hospitais, escolas, blocos de apartamentos e posições do Hamas estão a ser arrasadas. É extremamente difícil falar com as pessoas que estão nesta região.</p>



<p>O exército israelense também atacou infraestrutura de telecomunicação e, desde então, muitos moradores foram afetados por interrupções na internet. Quem conseguir um curto tempo de conexão e ouvir curtas conversas com residentes, familiares, conhecidos e colegas perceberão histórias horríveis de bombardeamentos massivos, por vezes sem qualquer aviso prévio. Hashid descreve uma intensidade que supera todas as guerras anteriores na Faixa de Gaza. O ministério da Saúde de Gaza já contabilizava, uma semana após o início da operação israelense, mais de 1400 mortes entre os quais mais de 300 crianças. Hoje esse número já ultrapassa as 15 mil mortes, sendo a maioria de crianças e mulheres. Mesmo diante de tanta atrocidade, o exército israelense continua afirmando que o seu alvo são as instalações do Hamas e suas organizações extremistas islâmicas que professam a guerra santa. Em qualquer meio de comunicação de massa se pode ler, ouvir e ver o que foi anunciado pelo primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, uma “poderosa vingança” sobre o povo palestino.</p>



<p>Os residentes desta faixa costeira, densamente povoada, veem este anunciado como uma campanha de vingança contra toda a população Palestina, a qual a maioria não apoia os atos do Hamas. Dois dias após o ataque do Hamas, Israel isolou o fornecimento de alimentos e remédios e cortou o fornecimento de eletricidade e água. Essas atitudes são uma grande ameaça aos mais de dois milhões de residentes da área, que mal chega a medir 45 quilômetros quadrados, pouco mais da metade da cidade de Osasco na grande São Paulo, com uma catástrofe humanitária. Quem conhece esta região é ciente que a infraestrutura e a situação de abastecimento em Gaza já eram precárias antes mesmo dessa guerra. Dezesseis anos de bloqueio egípcio-israelense e repetidos bombardeamentos e operações militares contra o Hamas danificaram a infraestrutura e a economia, bem como o psicológico da população local.</p>



<p>A ONU por muitas vezes alertou que esta faixa costeira poderia em breve torna-se inabitável, em parte porque há falta constante de água potável. Em um ao vivo pela tv Al Jazeera um repórter informa que, desde o início do conflito,mais de quatro amigos da mesma emissora já perderam suas vidas em bombardeamentos. A médica Fátima Abdullah, da organização palestina Lua Crescente Vermelha, relatou que seis paramédicos morreram alvejados em ambulâncias. Após o bombardeio no hospital, uma semana anterior, outra clinica também foi atingida. “Todo o movimento se tornou perigoso e isso é um enorme problema para o transporte de feridos” afirma a médica. Ela também está preocupada com a escassez de combustível. É assim que os geradores de energia de emergências dos hospitais têm funcionado desde que Israel interrompeu o fornecimento de eletricidade. “Os recursos estão a esgotar-se. Sem eletricidade, tudo o que precisamos para cuidar dos feridos irá falhar”.</p>



<p>Diante deste cenário apocalíptico, o que leva as grandes potências ocidentais, Estados Unidos, Alemanha, França e Inglaterra a defenderem a brutalidade de um regime opressor? Será o fato de Israel ser o único país ocidentalizado da região? Será o sentimento de culpa pelo Holocausto? Será a localização geográfica que facilita o acesso ao mediterrâneo? Desde início do conflito no dia 7 de outubro, palavras de ordem são lidas e ouvidas em meios de comunicação nesses países. O chanceler alemão, Olaf Scholz afirma que “em momentos de guerra, as promessas de segurança alemãs não devem permanecer palavras vazias.” Parte da população alemã busca decifrar esta frase entendendo que o chanceler está a cruzar as fronteiras da racionalidade. Será que o apoio incondicional a Israel ocorrerá como na guerra da Ucrânia, onde armamentos pesados foram enviados ao campo de guerra, ou a Alemanha será representada também com força física? Outra declaração, dada pela ex-chanceler Ângela Merkel em 2008, no Knesset, parlamento israelense, é repetida pelo governo alemão. “A sobrevivência de Israel é a nossa razão de ser.” </p>



<p>Este sentimento de unidade não é percebido por Israel. País do <em>Täter</em>, assim é referida a Alemanha em Israel, ou seja, o país dos criminosos. Uma resolução da ONU levada a plenário no dia 28 de outubro de 2023, onde uma maioria de dois terços aprovou-a apelando a Israel um cessar-fogo, a fim de ajuda humanitária à população de Gaza. A abstenção da Alemanha na votação resultou em duras críticas por parte dos israelenses. De qualquer forma Berlim não hesita em mostrar ao mundo seu apoio a Israel, não apenas com a probabilidade de envio de armas pesadas, como também cortando ajuda financeira para o desenvolvimento em Gaza.</p>



<p>A ministra do desenvolvimento alemã, Svenja Schulze do Partido Social Democrata, pede um bloqueio imediato da ajuda financeira à Gaza. O direito de defesa de Israel é aclamado pelos partidos democráticos e os poucos críticos a Israel se calaram. O bombardeamento e a ofensiva terrestre estão resultando em um sofrimento insuportável para a população civil em Gaza. Como ficaram os direitos humanos e o direito humanitário internacional? Poderão os deputados alemães exigir isso de Israel ou deverão permanecer em silêncio, se acovardando por solidariedade ao povo judeu?</p>



<p>De acordo com o presidente da associação alemã-árabe, Michael Lüders, há uma grande tendência no ocidente de uma generalização das organizações políticas árabes. “Para se analisar o conflito atual, se faz necessário entender que o Hamas é uma organização palestina de resistência, tão importante quanto o Fatah no Cisjordânia.” Durante o período de governo de Netanyahu se observa uma clara agenda de anexação de terras palestinas na Cisjordânia por parte dos colonos. “Na visão do ocidente esta violação do direito internacional é como se fosse um conflito metafisico, mas este conflito é sobre recursos e poder.” Afirma Lüders.</p>



<p>Para o palestino, Tarek Azizi, refugiado na Suécia desde 2014, a escalada de conflitos vem ocorrendo há anos, além das tomadas de terra por colonos em sua grande maioria americanos e europeus nas cidades de Neblus e Dschenin, localizadas na Cisjordânia. “Muitas vezes, o exército israelense, em nome da segurança, destroem nossas casas e plantações, concretam nossas fontes de águas potáveis, raptam nossas crianças e as julgam em um tribunal militar”, afirma Azizi.  Josseff Alsaadi, refugiado na Alemanha, explica que os conflitos ocorrem com frequência, precisamente nas sextas-feiras, dia santo para os muçulmanos, na colina al Haram al Sharif, monte onde se localiza a mesquita Al-Aqsa, templo sagrado para os muçulmanos.</p>



<p>Mohammad Ibrahim nascido em Golan, na Síria, porém de nacionalidade palestina explica que cresceu ouvindo as histórias dos avós que foram expulsos por Israel em 1948. “Está prática de invasão, expulsão e desapropriação de terras não é algo recente na política israelense. Com a tomada de Golan em 1967, minha família foi mais uma vez dividida, uma parte tendo que fugir para Alepo, na Síria, e outra ficando dentro do Estado de Israel.” conclui Ibrahim. Relatos de expulsões e desapropriações de terras e casas são frequentes entre os palestinos, os casos mais recentes vêm ocorrendo no oeste de Jerusalém, no bairro de Me&#8217;a She&#8217;arim, onde casas e ruas inteiras são ocupadas por famílias judias, casos muitas vezes denunciados pela própria ONU. De acordo com Lüders, não se pode falar de violência dos palestinos sem levar em consideração a atual situação vivida pelo povo palestino durante os últimos 70 anos. Para este especialista, a violência e até mesmo o terror é uma reação de um povo que se vê desnudado em sua mais íntima essência. </p>



<p>O comportamento de alguns Estados europeus, inclusive da Alemanha, levantando a bandeira da proteção judaica e o apoio incondicional a Israel, tem ferido o que há de mais sublime, ou seja, a sua própria democracia. Demonstrações pró Palestina vêm sendo proibidas em nome do antissemitismo, enquanto programas de televisões, jornais, rádios, plataformas digitais e cartazes enxurram a sociedade com mensagens pró Israel, deixando a comunidade muçulmana amordaçada. As demonstrações pró Palestina são automaticamente classificadas como pró Hamas, causando assim medo e furor na comunidade islâmica. Um lenço, uma bandeira, uma conversa é motivo de olhares atravessados.</p>



<p>Há políticos que falam em deportação ou retirada do direito de residência, caso jovens sejam pegos em manifestações com cânticos ou frases que, na visão do Estado, coloque a existência do Estado de Israel em cheque, afirmando que desta forma estes jovens estão ferindo o que a Alemanha tanto preza, ou seja, o seu status de integração. Grupos de parlamentares da coalizão CDU/CSU (Democracia Cristã/União Cristã Social) na Bavária, apoiam ação mais dura contra apoiadores do Hamas na Alemanha. De acordo com Andrea Lindholz, vice-líder da coalizão afirma que, “os cidadãos estrangeiros que semeiam ódio contra os judeus na Alemanha perdem o seu direito de residência e devem ser expulsos. O direito de residência já fornece instrumentos para isso. Estes devem ser aplicadas de forma consistente”, conclui a parlamentar.</p>



<p>Até mesmo alemães com históricos de migração e que possuem dupla nacionalidade se vêm obrigados ao silêncio diante dos alemães biológicos, como se também não tivessem o direito de compartilhar da dor e do sofrimento vivenciado pelo povo palestino, aumentando assim atos de xenofobia. Mais uma vez nos vemos obrigados a compactuar com a narrativa do ocidente de que Israel é o bom vizinho que procura a paz e o árabe, é o agressor, o bárbaro, o incivilizado.</p>



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<p><strong>*Bacharel em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco (*Unicap), mestre em Política Internacional e Jornalismo Investigativo pela Universidade de Hamburgo (Alemanha) e doutor em Comunicação Política pela Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona(Espanha)</strong></p>
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		<title>29 de novembro será o Dia Internacional da Solidariedade Seletiva?</title>
		<link>https://marcozero.org/29-de-novembro-sera-o-dia-internacional-da-solidariedade-seletiva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Nov 2023 19:18:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[Aliança Palestina-Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Hamas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por André Frej Hazineh* Desde o início da punição coletiva imposta pelo estado sionista de Israel à população civil de Gaza, assistimos a uma mudança no sentimento da comunidade internacional à medida que avança a ofensiva terrestre no enclave palestino. Primeiramente, registre-se, a narrativa hegemônica dos meios de comunicação do ocidente protagonizou uma espécie de [&#8230;]</p>
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<p><strong>por André Frej Hazineh</strong>*</p>



<p>Desde o início da punição coletiva imposta pelo estado sionista de Israel à população civil de Gaza, assistimos a uma mudança no sentimento da comunidade internacional à medida que avança a ofensiva terrestre no enclave palestino.</p>



<p>Primeiramente, registre-se, a narrativa hegemônica dos meios de comunicação do ocidente protagonizou uma espécie de genocídio midiático, quando as vozes palestinas foram absolutamente silenciadas na cobertura da ação da resistência assumida pelo Hamas no próprio dia 7 de outubro.<br><br>No Brasil, um outro fenômeno agravou a situação para o lado palestino: nas redes sociais, as milícias digitais bolsonaristas sufocaram quem tentava furar o bloqueio midiático, denunciando postagens de ativistas, cancelando contas e promovendo o linchamento virtual de quem ousava se contrapor ao <em>mainstream</em>; nas igrejas evangélicas pentecostais e neopentecostais se propagava um discurso de ódio e intolerância &#8211; xenofobia, islamofobia e palestinofobia, tudo junto e misturado.<br><br>Nesse cenário, prevalecia o entendimento de que existiria um conflito restrito ao Hamas e o Estado teocrático judeu, que teria o direito de se defender dos ataques, superdimensionados por notícias falsas oriundas das forças de ocupação e publicadas sem a devida checagem da informação.<br><br>A cobertura ostensiva durante a primeira semana da efeméride armou uma arapuca para a própria mídia hegemônica, visto que foi obrigada a dar continuidade ao noticiário do conflito quando o exército de Israel passou a bombardear alvos civis indiscriminadamente, atingindo escolas, hospitais, abrigos e até escritórios da Organização das Nações Unidas.<br><br>Àquela altura, era evidente uma variação no temperamento da opinião pública mundial, estarrecida com a carnificina em curso na Faixa de Gaza (incluindo o deslocamento forçado de populações) e, ao mesmo tempo, ciente de que o ataque do Hamas não deveria ter sido tratado como evento episódico em função de a raiz do conflito ser a intenção do projeto colonial sionista de promover a limpeza étnica na Palestina.<br><br>Em todo o planeta, multidões tomaram as ruas para protestar contra o primeiro genocídio televisionado da história da humanidade ao passo que o conglomerado de comunicação, numa atitude absolutamente previsível, puxou o freio de mão na cobertura do conflito, pois era preciso sufocar os movimentos de solidariedade.<br><br>Aqui abro um parêntese apenas para pontuar a falência do modelo de governança global diante de tamanha catástrofe vivida pelo povo palestino (uma segunda Nakba), a partir do desprezo cínico aos apelos por pausas humanitárias por parte do Estado de Israel e do veto às resoluções propostas no Conselho de Segurança da ONU por parte dos Estados Unidos.<br><br>Uma observação mais acurada evidencia atualmente a estratégia de secundarizar o noticiário do conflito (com mais de 13.000 mortes &#8211; a maioria mulheres e crianças &#8211; o fato tenderia a contrapor o discurso oficial) ou desviar o foco para as narrativas paralelas como a estapafúrdia cantilena de associar quaisquer justas críticas ao sionismo e ao Estado de Israel a um pretenso antissemitismo.<br><br>Evidentemente, despiciendo revelar o desespero do governo israelense e mídia aliada com a derrota moral do ente sionista, que responderá nos Tribunais Penais Internacionais sobre os crimes de guerra e lesa humanidade cometidos.<br><br>Por outro lado, essa redução proposital na cobertura jornalística tem por objetivo arrefecer a indignação coletiva, minar as forças dos movimentos de solidariedade e, em última análise, esvaziar os atos que têm levado multidões às ruas no mundo inteiro.<br><br>Uma consequência, ao menos, já identificamos: o silenciamento das vozes palestinas, o “apagamento” das notícias, o controle das redes sociais nos faz testemunhar uma indiferença na maioria da população, mesmo diante de uma tragédia que expõe a fragilidade e crueldade da natureza humana.<br><br>Corpos carbonizados, crianças órfãs, famílias destruídas, a desumanização de uma população colonizada e vitimada pela necropolítica sionista não mais sensibiliza; diante desse novo cenário normal de ruína das almas, as pessoas indiferentes nos atordoam diariamente.<br><br>Sequer visualizamos bandeirinhas da Palestina em perfis das redes sociais, como vimos as da Ucrânia recentemente ou da França quando a redação do tabloide Charlie Hebdo foi atacada.<br><br>O que eu tenho a ver com a situação do povo palestino ? questionaria alguém a simbolizar a essência do pensamento de quem presentemente promoveu a necropolítica nas bandas de cá.<br><br>Aí reside a minha dor, eu tenho minha dor, é minha, não é de mais ninguém, ou melhor, não estou sozinho, muita gente sofrendo com essa indiferença, essa solidariedade seletiva.<br><br>Na próxima quarta-feira, 29 de Novembro, Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino, haverá atos no mundo inteiro.<br><br>No Recife, a concentração será às 17 horas na Praça do Derby.<br><br>Será um dia decisivo para a história da humanidade. Multidões ocuparão as ruas contra a ocupação e o genocídio sionistas ? Ou renomearemos o 29 de Novembro com o Dia Internacional dessa tal Solidariedade Seletiva?<br><br>A resposta revelará o senso de humanidade de cada qual.</p>



<p><strong>*André Frej Hazineh é jornalista e integrante do Coletivo Aliança Palestina Recife</strong></p>



<p><strong>Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Marco Zero</strong></p>



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		<title>Mesmo sem registro de ameaças, PM faz segurança permanente em Colégio Israelita no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/mesmo-sem-registro-de-ameacas-pm-faz-seguranca-permanente-em-colegio-israelita-no-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Oct 2023 18:24:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[israelita]]></category>
		<category><![CDATA[policia militar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há uma semana, no dia 24 de outubro, a reportagem da Marco Zero Conteúdo recebeu a informação de que uma viatura da Polícia Militar de Pernambuco fazia guarda em frente ao Colégio Israelita Moysés Chavarts, localizado no bairro da Torre, na zona oeste do Recife. Moradores do bairro notaram a vigilância constante da polícia e, [&#8230;]</p>
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<p>Há uma semana, no dia 24 de outubro, a reportagem da Marco Zero Conteúdo recebeu a informação de que uma viatura da Polícia Militar de Pernambuco fazia guarda em frente ao Colégio Israelita Moysés Chavarts, localizado no bairro da Torre, na zona oeste do Recife. Moradores do bairro notaram a vigilância constante da polícia e, desde então, ao passar pelo local, é possível, diariamente, encontrar a viatura de prontidão em frente à instituição de ensino particular.</p>



<p>Ainda de acordo com os moradores, a guarda da PMPE no colégio começou na segunda-feira, dia 9 de outubro, logo no primeiro dia útil após os ataques do Hamas, em 7 de outubro. Tentamos contato com a secretaria do Colégio Israelita, com a PMPE e com a Secretaria de Defesa Social para saber se houve registro de alguma ameaça à segurança da instituição que justifique a vigilância, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos respostas.</p>



<p>De acordo com Rafael Baltar, professor de Direito Internacional Público na Universidade Católica de Pernambuco e membro do Grupo de Pesquisa Casa Comum &#8211; Filosofia e Teoria do Direito na Pós-Modernidade, não há nenhum registro de ataques contra israelenses ou semitas no Recife, fato que torna mais estranha a medida adotada pelas autoridades de segurança pública que continuam realizando a vigilância da instituição privada. Contudo, o professor afirma que, em momentos de conflito na Faixa de Gaza, é normal que a comunidade judaica se encontre em alerta e procure medidas protetivas: “essa insegurança possivelmente está relacionada com o receio e a sensação de vulnerabilidade da comunidade do Recife e é resultado do revide brutal de Israel, a própria população israelense sabe o tamanho da violência que está sendo praticada e todo mundo sabe que um ato de violência dessa proporção atiça o ódio, o ressentimento e a vontade de vingança”.</p>



<p>“Chama a atenção o tratamento especial dado pela PM para o Colégio Israelita porque vários outros perfis da população civil precisam e pedem proteção do estado diariamente e não conseguem ter acesso a essa mesma segurança com tanta facilidade”, concluiu Rafael Baltar.</p>



<p>Durante a nossa ida até o bairro da Torre, fomos alertados por mais de um morador a não utilizarmos o celular na rua devido ao risco de sermos assaltados, pois, de acordo com eles, roubos e arrombamentos de casas e estabelecimentos na área são frequentes.</p>



<p>Fomos até outros locais da capital pernambucana frequentado por pessoas dos povos ligados, direta ou indiretamente ao conflito em Gaza, o Centro Islâmico do Recife e a Sinagoga Israelita do Recife, ambos no bairro da Boa Vista, e em nenhum deles havia vigilância da Polícia Militar. Na tarde desta terça-feira, 31 de outubro, além da viatura PM, um carro da Polícia Civil de Pernambuco também estava parado na frente do Colégio Israelita Moysés Chvrats. </p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Antissemitismo causa violência e medo por todo o mundo</strong></h3>



<p>Com a guerra entre Israel e o Hamas, que teve início no dia 7 de outubro e já causou mais de 9 mil mortes de acordo com o canal de notícias Al Jazeera, o mundo inteiro está em alerta para possíveis ataques e atentados contra israelitas e palestinos imigrantes.</p>



<p>No dia 16 de outubro, um homem foi acusado de praticar um crime de ódio contra imigrantes palestinos nos Estados Unidos. Joseph Czuba, de 71 anos, esfaqueou uma mulher de 32 anos e uma criança de 6 anos na cidade de Plainfield, no Estado de Illinois e, de acordo com o Gabinete do Xerife do Condado de Will, a violência teve como mote o conflito na Faixa de Gaza. A criança não resistiu aos ferimentos e morreu.</p>



<p>O antissemitismo &#8211; preconceito e discriminação contra pessoas de origem semita, como árabes, judeus, assírios &#8211; é responsável por uma onda de violência que incide sobre a vida de milhares de israelenses-palestinos que vivem como imigrantes em diversos lugares do mundo, sobretudo nos EUA e na Europa.</p>



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	                                        <p class="m-0">Imigrante senegalês e muçulmano, Amadour Touré é diretor do Centro Islâmico do Recife. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>“Essa retórica de que o terceiro mundo é terrorista só passa a ser especificamente direcionada aos povos árabes mulçumanos na virada do século 20 para o 21, após o ataque às Torres Gêmeas e a guerra dos EUA contra o Afeganistão. Foi a partir dai que se começou a estigmatizar os povos árabes mulçumanos como terroristas e, por isso, eles seguem sendo vítimas de discriminação em qualquer lugar do mundo”, explicou Rafael Baltar.</p>



<p>“Os riscos e as consequências dessa estigmatização acaba indo desde essas pessoas estarem sujeitas a tratamentos discriminatórios pela sociedade e por governos, com legislações que restringem acessos e direitos, até serem vítimas de violência e terem sua integridade física e vida postas em risco”, concluiu o professor.</p>



<p>Imigrante senegalês e mulçumano seguidor da religião islâmica &#8211; que surgiu na Península Arábica -, Amadour Touré vive no Recife há 22 anos e atualmente é membro da diretoria do Centro Islâmico do Recife, criado em 1997. De acordo com o muçulmano, Recife foi uma cidade que o acolheu e onde ele sempre se sentiu seguro. “As pessoas confundem muito as questões da guerra com a religião, confundem o terrorismo com o islamismo. Existem sim grupos radicais e extremistas que dizem representar o islã, mas vão de encontro com o significado daquilo que é o islamismo, que é a paz, nós pregamos a paz e não o terrorismo. As pessoas precisam estudar e conhecer a história da religião ao invés de se basear só pelo que veem nas mídias”, declarou Touré.</p>



<p>O diretor do Centro Islâmico afirmou ainda que não teme passar por nenhuma situação de violência no Recife devido ao atual conflito entre Israel e Hamas porque a sociedade civil se mostra solidária ao cessar fogo e ao fim da guerra.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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		<title>Esquerda e palestinos do Recife pedem cessar fogo para encerrar massacre de civis em Gaza</title>
		<link>https://marcozero.org/esquerda-e-palestinos-do-recife-pedem-cessar-fogo-para-encerrar-massacre-de-civis-em-gaza/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Oct 2023 21:53:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Faixa de Gaza]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[repressão israelense]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desta vez, a manifestação de palestinos e simpatizantes da causa Palestina pelo cessar fogo na Faixa de Gaza aconteceu no centro do Recife, junto à Câmara Municipal, com a participação de centenas de pessoas, incluindo integrantes da comunidade em Pernambuco, representantes de entidade de defesa dos Direitos Humanos e militantes de partidos de esquerda. No [&#8230;]</p>
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<p>Desta vez, a manifestação de palestinos e simpatizantes da causa Palestina pelo cessar fogo na Faixa de Gaza aconteceu no centro do Recife, junto à Câmara Municipal, com a participação de centenas de pessoas, incluindo integrantes da comunidade em Pernambuco, representantes de entidade de defesa dos Direitos Humanos e militantes de partidos de esquerda.</p>



<p>No minitrio elétrico cedido pelo Sindicato dos Rodoviários, lideranças políticas e representantes da colônia palestina se alternaram nos discursos, pedindo cessa fogo imediato.</p>



<p>Na calçada do Parque 13 de Maio, três mulheres com lenços na cabeça chamavam a atenção e logo entraram no foco da lente dos fotógrafos que cobriam o ato. Uma delas era Hosana Anjos, integrante da Aliança Palestina Recife, que, com semblante pesado, afirmou que “o ato de hoje teve uma adesão bem maior das pessoas, da esquerda do Recife. Estamos aqui para denunciar o genocídio contra o povo palestino. É um crime contra a humanidade”.</p>



<p>Um dos coordenadores da Aliança Palestina Recife, o jornalista e analista judiciário André Frej Hazineh explicou que a finalidade da manifestação era chamar a atenção do Recife “para a necessidade de cessar fogo. O que estamos vendo atormentados não é resposta ao Hamas, mas o massacre de uma população civil que já vive em condições sub-humanas”. Segundo ele, a comunidade de palestinos e seus descendentes em Pernambuco é de 5.000 pessoas, a maioria originária da cidade de Bethlehem (Belém). Quase a totalidade é de cristãos ortodoxos cujas famílias se converteram para o catolicismo no Brasil.</p>



<p>Hazineh, assim como o deputado estadual João Paulo (PT), defendeu a coexistência de dois estados, como estabelece a ONU, como solução para o conflito que se arrasta desde 1948. Outros oradores, mais inflamados e beirando o antissemitismo, pediram a expulsão dos judeus porque serem os palestinos os “povos originários” da região.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mulheres palestinas com lenços cobrindo a cabeça eram o centro das atenções. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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