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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Prefeitura do Cabo quer remover entidade que recolhe e recicla lixo das praias há 17 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jan 2026 14:42:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O ano começou tenso para uma das mais atuantes organizações de reciclagem e educação ambiental do litoral sul. No dia 11 de janeiro, em pleno domingo, a prefeitura do município enviou funcionários da Secretaria de Política Urbana para retirar cercas e placas que rodeavam a sede da organização não governamental Onda Limpa para Gerações Futuras, [&#8230;]</p>
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<p>O ano começou tenso para uma das mais atuantes organizações de reciclagem e educação ambiental do litoral sul. No dia 11 de janeiro, em pleno domingo, a prefeitura do município enviou funcionários da Secretaria de Política Urbana para retirar cercas e placas que rodeavam a sede da organização não governamental Onda Limpa para Gerações Futuras, na praia de Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco. </p>



<p>A alegação da gestão municipal é que a área ocupada seria pública e que a instituição não poderia ocupá-la.</p>



<p>Por enquanto, o despejo só não aconteceu porque a defensora pública Eloísa Helena, obteve na Justiça uma liminar para interromper a ação da Prefeitura realizada sem decisão administrativa final formalizada, mesmo após a ONG apresentar defesa administrativa dentro do prazo legal, com multa diária no valor de mil reais caso seja descumprida.</p>



<p>Em sua decisão, o juiz Albérico Agrello Net, da Vara da Fazenda Pública do Cabo de Santo Agostinho, determinou que a prefeitura &#8220;se abstenha de promover a remoção do trailer fixo e o desmonte da estrutura de apoio em pallets, ou de realizar qualquer intervenção material de natureza irreversível no imóvel até o julgamento definitivo (&#8230;), salvo se amparado por ordem judicial específica em sentido contrário&#8221;. Se a ordem for desrespeitada, o município será multado em R$ 1.000,00 por dia.</p>



<p>A Justiça reconheceu e levou em conta o fato da Onda Limpa ocupar o terreno há 17 anos e, ao longo de todo este tempo, atuar com reciclagem de lixo, fazendo diariamente ações de coleta seletivas nas praias da região, principalmente Paiva, Itapuama, Xaréu e Enseada dos Corais. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Diálogo zero</h2>



<p>O presidente da ONG, Estevão Santos, garante que tentou dialogar com os funcionários da prefeitura, mas não adiantou. Segundo ele, faltou comunicação clara e sobrou intimidação, mas não foram apresentadas comprovações técnicas de que a área estava sendo ocupada irregularmente. A única orientação que teria recebido é que deveria comparecer à secretaria no dia seguinte.</p>



<p>Estevão, que é estudante de Engenharia Ambiental, afirma que, em nenhum momento foram apresentados documentos que comprovariam que a Onda Limpa estaria instalada em local indevido, como a topografia do local e a planta baixa. </p>



<p>Em contrapartida, ao entregar sua defesa, ele requereu o reconhecimento das irregularidades formais da notificação, a anulação da notificação por ausência de comprovação técnica, o contrato de comodato que ele mantêm com o empresário que afirma ser proprietário do imóvel, a suspensão de medidas punitivas até regular instrução técnica e, por fim, a preservação das atividades socioambientais desenvolvidas no local. Até o momento da edição desta reportagem, a prefeitura não havia dado retorno às suas demandas.</p>



<p>&#8220;Depois de protocolar a defesa, a prefeitura não comprovou se era área pública ou privada, então a gente ficou nesse anseio de a qualquer momento podem nos tirar daqui. Isso é o mais angustiante. A gente apresentou a defesa, mas cadê a resposta? E ficou esse limbo na história&#8221;, contou Estevão, que mora em um trailer no mesmo terreno da sede.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Esgoto no mar</h3>



<p>Coincidentemente, a ação dos agentes da prefeitura foi realizada dois dias após a ONG postar uma vídeo denunciando o esgoto desaguando no mar de Itapuama. “No dia 9 de janeiro, a gente fez uma postagem falando dessa questão do esgoto, falando que estava a céu aberto, após fazer isso, no dia 11, eles vieram com o controle urbano e a guarda municipal, dizendo que iriam derrubar a cerca e que eu estaria ocupando uma área pública&#8221;, explicou o ativista.</p>



<p>Regularizada, com estatuto e com contrato de comodato com os proprietários do terreno, ou seja, um empréstimo gratuito de uma pessoa para outra para uso temporário, a organização afirmou que já havia passado por situações parecidas nas gestões anteriores do prefeito Lula Cabral (Solidariedade). </p>





<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que diz a prefeitura do Cabo</strong></h3>



<p>Em nota, a Secretaria de Política Urbana e Meio Ambiente do Cabo de Santo Agostinho afirmou que “todas as ações no município seguem rigorosamente a legislação urbanística, ambiental e de uso do solo, com foco na preservação do patrimônio público, na segurança da população e no interesse coletivo”.</p>



<p>Continua dizendo que analisou a área ocupada pela ONG Onda Limpa, a defesa administrativa, incluindo o comodato apresentado. “Constatou-se, contudo, que a área descrita no documento não corresponde ao local atualmente ocupado, que, conforme a planta oficial do loteamento, é classificado como de uso público, o que impede qualquer ocupação privada”.</p>



<p>“Concluída a análise, a decisão será comunicada formalmente à ONG Onda Limpa. A gestão municipal reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência, a proteção do patrimônio público e o diálogo com a sociedade”, continua a gestão municipal, sem especificar os prazos.</p>



<figure class="wp-block-video"><video height="864" style="aspect-ratio: 640 / 864;" width="640" controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/01/Remocao-das-placas-da-ONG-Onda-Limpa.mp4"></video></figure>
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		<title>Dois anos depois do derramamento, últimos resíduos de óleo serão retirados da praia de Itapuama</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Sep 2021 21:38:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[derramamento de petróleo]]></category>
		<category><![CDATA[Itapuama]]></category>
		<category><![CDATA[óleo em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[óleo nas praias]]></category>
		<category><![CDATA[óleo no Nordeste]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dois anos depois, finalmente os últimos resíduos de petróleo serão retirados da praia de Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho. O material, considerado bastante poluente, está enterrado em três valas com profundidade média entre 30 centímetros e meio metro, espalhadas em 1.300 metros quadrados do terreno à beira mar. A área é ocupada pelas instalações [&#8230;]</p>
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<p>Dois anos depois, finalmente os últimos resíduos de petróleo serão retirados da praia de Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho. O material, considerado bastante poluente, está enterrado em três valas com profundidade média entre 30 centímetros e meio metro, espalhadas em 1.300 metros quadrados do terreno à beira mar. A área é ocupada pelas instalações da ONG Onda Limpa, que há 13 anos realiza a coleta seletiva de lixo reciclável nas praias do Paiva, Itapuama e Pedra de Xaréu. A remoção será feito pela prefeitura do município e pela Agência Estadual do Meio Ambiente (CPRH).</p>



<p>O óleo foi enterrado no local na manhã do dia 23 de setembro de 2019, quando as centenas de voluntários começaram a retirar o petróleo da água e dos arrecifes, mas as autoridades não sabiam o que fazer com aquilo. Mesmo sob os protestos de Estevão Santos da Paixão, da Onda Limpa, e dos técnicos de outra ONG, o Instituto Meu Mundo Mais Verde, as escavadeiras da prefeitura levaram o petróleo misturado com areia para as valas recém-abertas. A operação só foi interrompida quando chegaram os caminhões caçamba mobilizados pelo Governo do Estado para levar o óleo para a Central de Tratamento de Resíduos de Igarassu.</p>



<p>Desde aquele dia, retirar o óleo do terreno onde trabalha diariamente se tornou uma obsessão para o coordenador da Onda Limpa. Ele fez denúncias tanto públicas quanto formais em relação a falta de iniciativa da prefeitura para remover o material. “Depois que fui ao Ministério Público cobrar que a prefeitura retire o óleo que deixaram enterrado aqui, começaram a me perseguir, cobrando licenças ambientais para que a Onda Limpa continue a fazer o trabalho ambiental e querendo demolir o prédio que usamos para armazenar nossos equipamentos de trabalho”, queixa-se Estevão da Paixão. O prédio em questão são as ruínas do hotel inacabado que marca a paisagem na extremidade sul da praia.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Data marcada para a remoção</h2>



<p>Durante dois anos, Estevão teve de conviver com o mau cheiro dos gases tóxicos produzidos pelo petróleo, a exemplo do benzeno e tolueno, mas em maio deste ano o problema ficou mais evidente. Com as fortes chuvas, o óleo começou a escorrer em direção à areia da praia. Pesquisadores e professores do departamento de Química da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) foram ao local e comprovaram que o solo estava viscoso e liberando os hidrocarbonetos, substâncias químicas que podem provocar câncer.</p>



<p>Na sexta-feira, dia 10 de setembro, Estevão recebeu a notificação de que teria de retirar o trailler da ONG e outros objetos do terreno para que a equipe pudesse escavar e retirar os vestígios de óleo, o que vai acontecer na quinta-feira, 16. O secretário-executivo de Meio Ambiente do Cabo de Santo Agostinho, Geraldo Miranda, confirmou a data e deu detalhes da operação. “Finalmente obtivemos as autorizações necessárias junto à CPRH e ao Ministério Público. Com ajuda da equipe que estava presente na época em que o óleo chegou ao litoral, vamos fazer o procedimento para limpeza. Já sabemos em quais trechos do terreno estão as valas e que são superficiais, ou seja, não são muito profundas”, explicou Miranda.</p>



<p>De acordo com o secretário, “como haverá movimentação de muitos profissionais e circulação de veículos, avisamos previamente ao responsável pela ONG”. Ontem, Estevão reclamou que afastou o trailler, mas que os fiscais da prefeitura foram lá para dizer que ele teria de retirar tudo do terreno. Geraldo Miranda admite a tensão que existe entre os funcionários da prefeitura e Estevão, mas que “vai fazer o possível para apaziguar os ânimos”.</p>



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