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	<title>Arquivos justiça por miguel - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos justiça por miguel - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>&#8220;Ouçam Mirtes, mãe de Miguel&#8221;: campanha marca 3 meses de luta por justiça por Miguel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2020 19:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[caso miguel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Três meses depois da morte do menino Miguel, a família, instituições a sociedade civil e do movimento negro lançam a campanha “Ouçam Mirtes, a mãe de Miguel”, com objetivo de amplificar a voz de Mirtes Renata, mãe da criança, e cobrar da Justiça de Pernambuco que o caso seja concluído com isenção e rapidez. De [&#8230;]</p>
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<p>Três meses depois da morte do menino Miguel, a família, instituições a sociedade civil e do movimento negro lançam a campanha “Ouçam Mirtes, a mãe de Miguel”, com objetivo de amplificar a voz de Mirtes Renata, mãe da criança, e cobrar da Justiça de Pernambuco que o caso seja concluído com isenção e rapidez.</p>



<p>De acordo com os movimentos, há o temor de que o poder financeiro e a influência política de Sarí influenciem no julgamento do caso.</p>



<p>Nesta quarta-feira, dia 2, às 18h, será transmitido ao vivo pelo <a href="https://www.facebook.com/Anepe-Articulação-negra-de-Pernambuco-102746297817257/">Facebook da Articulação Negra de Pernambuco (Anepe)</a>, um vídeo gravado com a participação de Mirtes e apoiadores. A campanha reuniu diversas figuras públicas, atrizes, cantoras, ativistas, parentes de Mirtes e também não famosos que vestem camisas com frases ditas por Mirtes nos últimos meses, em busca de justiça. Lia de Itamaracá, Erika Januza, Mariana Ximenes e Angélica são algumas das mulheres que compõem o movimento.</p>



<p>A importância de Mirtes Renata, mãe de Miguel, e sua família não estarem sozinhas nesse processo é algo que ela sempre repete. &#8220;Isso mostra que a gente não está só, graças a Deus estamos tendo apoio de muita gente. Eu só tenho agradecer por se unirem à minha luta”, conta Mirtes. Toda a mobilização tem renovado as esperanças de que a justiça será feita.</p>



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<p>&#8220;Tenho esperanças que vai impactar muita gente porque vai ser uma campanha muito forte. A gente não vai ter só essa, tem outras que já estão sendo articuladas para os próximos meses. Para eles verem que a gente está se movendo, que não vamos desistir, nem deixar cair no esquecimento. Para mostrar a Sarí que o Brasil quer justiça”, continua.</p>



<p>Miguel tinha cinco anos quando, no dia 2 de junho, morreu depois de cair do nono andar de um prédio de luxo no Recife, quando estava sob responsabilidade de Sarí Corte Real, patroa de Mirtes Renata, mãe de Miguel, e primeira-dama de Tamandaré. Sarí foi acusada <a href="https://marcozero.org/mppe-denuncia-sari-corte-real-levando-em-conta-o-contexto-de-pandemia/"> por “abandono de incapaz resultando em morte”</a> com agravante de que o crime aconteceu “em meio a uma conjuntura de calamidade pública”. Ela estava fazendo as unhas no apartamento e deveria cuidar da criança enquanto Mirtes caminhava com a cadela da família.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="xWRDbxOKkO"><a href="https://marcozero.org/mirtes-sem-miguel-eu-defendia-meu-filho-em-vida-vou-defender-na-morte-tambem/">Mirtes sem Miguel: &#8220;Eu defendia meu filho em vida, vou defender na morte também&#8221;</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Mirtes sem Miguel: &#8220;Eu defendia meu filho em vida, vou defender na morte também&#8221;&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/mirtes-sem-miguel-eu-defendia-meu-filho-em-vida-vou-defender-na-morte-tambem/embed/#?secret=bIeQIidhL7#?secret=xWRDbxOKkO" data-secret="xWRDbxOKkO" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Ela não trataria assim o filho de uma amiga&#8221;</strong></h2>



<p>A campanha coloca em evidência algumas frases ditas por Mirtes e que chamam atenção para a gravidade do caso desde que a ex-patroa pôde pagar uma fiança de 20 mil reais e ser liberada para responder em liberdade, até o momento em que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) apresentou a acusação por abandono de menor com agravante de Sarí.</p>



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	                                        <p class="m-0">A cirandeira Lia de Itamaracá, as atrizes Maeve Jenkins e Mariana Ximenes e Ju Colombo e outras fazem parte da campanha por justiça por Miguel. Fotos: Divulgação</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“A fala de Mirtes precisa ser ouvida. Ela quer Justiça por amor ao filho. Essa narrativa tem o poder de mover as estruturas”, destaca a artista plástica Mana Bernardes, responsável pela concepção artística das camisetas. Segundo Mirtes, Mana foi uma das pessoas que a procurou para prestar solidariedade após perder o filho. Mirtes disse que o apoio que ela precisava era para fazer ecoar seu clamor por justiça.</p>



<p>Assim, frases como “Se é lei, é para todos”, “Ela não teve paciência para cuidar” estampam camisas com cores azul cobalto e branco, fazendo referência à fé católica da família de Miguel, é o que explica a artista plástica.</p>



<p>&#8220;Eu pedi para me ajudar a fazer alguma coisa para não deixar cair no esquecimento. Ela topou me ajudar, se juntou com o pessoal da Anepe, do Gajop, do Audiovisual, da Rede de Mulheres Negras. Se uniram e fizeram a campanha, que não deixa de ser um pedido de justiça”, conta Mirtes.</p>



<p>“A forma como a vida de Miguel foi ceifada é mais um exemplo das consequências das profundas desigualdades que marcam o Brasil. Todas as pessoas precisam pensar sobre isso e se posicionar”, defende Mônica Oliveira, da Articulação Negra de Pernambuco (Anepe).</p>



<p>O vídeo foi realizado pela Articulação Negra de Pernambuco, Mana Bernardes e a família de Miguel, em parceria com o Gabinete Assessoria Jurídica Organizações Populares (Gajop), o Coletivo Negritude do Audiovisual em Pernambuco e outros movimentos sociais.</p>



<p><em>Matéria atualizada em 03/09, às 08h20, para inserir o vídeo da campanha.</em></p>
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		<title>Mirtes sem Miguel: &#8220;Eu defendia meu filho em vida, vou defender na morte também&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2020 20:30:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Tudo aqui é Miguel”, avisa dona Marta. As paredes da sala de estar pintadas de azul claro, um carrinho no terraço, a bicicleta e o patinete no canto da sala, como se esperando a criança, não deixam esquecer o menino cujo rosto está nos porta-retratos. Nas fotografias, o sorriso largo, brilhante, tão característico nas imagens [&#8230;]</p>
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<p>“Tudo aqui é Miguel”, avisa dona Marta. As paredes da sala de estar pintadas de azul claro, um carrinho no terraço, a bicicleta e o patinete no canto da sala, como se esperando a criança, não deixam esquecer o menino cujo rosto está nos porta-retratos. Nas fotografias, o sorriso largo, brilhante, tão característico nas imagens que nos acostumamos na mídia do filho único de Mirtes Renata Santana e único neto de Marta Santana.</p>



<p>Miguel Otávio Santana da Silva, cinco anos, morreu no dia 2 de junho, após cair do nono andar de de um prédio de luxo, no centro do Recife, quando estava sob os cuidados de Sarí Corte Real, ex-patroa de Mirtes. No momento da queda, Mirtes passeava com a cadela da família para quem trabalhava, enquanto Sarí fazia as unhas no apartamento.</p>



<p>Pouco mais de dois meses após a morte da Miguel, a mãe e avó dedicam suas vidas para lutar por Justiça e para preservar a memória da criança que era o projeto de mundo e de futuro de uma família de mulheres negras, trabalhadoras, que faziam de tudo para possibilitar uma vida melhor para ele. </p>



<p>Miguel era sonho, orgulho, aposta e o fruto do esforço de Mirtes e Marta. </p>



<p>A casa em que nos receberam e vivem há quase cinco anos foi comprada quando Miguel ainda era bebê, mas Mirtes conta que foi escolha dele: quando entrou, abriu um sorriso. Foi assim que construíram um lar no Barro, bairro periférico na zona oeste do Recife. De lá, Mirtes cruzava a cidade para trabalhar todos os dias para uma das famílias mais poderosas do litoral Sul de Pernambuco: seus empregadores, Sarí Corte Real e Sérgio Hacker, prefeito de Tamandaré. </p>



<p>Hoje, a primeira-dama de Tamandaré <a href="https://marcozero.org/mppe-denuncia-sari-corte-real-levando-em-conta-o-contexto-de-pandemia/">responde à acusação por “abandono de incapaz resultando em morte”</a> com agravante de que o crime aconteceu “em meio a uma conjuntura de calamidade pública”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Para Mirtes, Miguel virou um anjo. Na casa em que viviam, Miguel está em todo canto. Foto: Inês Campelo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Mais tímida, só quando a entrevista termina é que dona Marta fala, com indignação, da postura de Sarí. Aos 60 anos, Marta está no grupo de risco do coronavírus, mas não pôde deixar de trabalhar um só dia durante a pandemia. Por isso, <a href="https://marcozero.org/mae-e-avo-de-miguel-contrairam-covid-19-e-nem-assim-foram-dispensadas-do-trabalho-familia-pede-justica/">tanto ela, como Mirtes e Miguel haviam contraído a doença</a> depois que o patrão se contaminou.</p>



<p>A primeira batalha da família foi para que <a href="https://marcozero.org/sari-corte-real-e-indiciada-por-abandono-de-incapaz-e-morte-de-miguel-com-pena-prevista-de-4-a-12-anos-de-prisao/">a Polícia Civil enquadrasse a denúncia ao Ministério Público de Pernambuco como abandono de incapaz e retirasse a compreensão de &#8220;homicídio culposo”</a>, que, no primeiro momento, garantiu à Sarí Corte Real o pagamento de fiança de R$ 20 mil no flagrante e o direito de responde em liberdade. </p>



<p>Depois, a família <a href="https://marcozero.org/ato-cobra-que-ministerio-publico-denuncie-sari-corte-real-a-justica/">realizou protestos e vigílias para que o Ministério Público mantivesse a denúncia de “abandono de incapaz resultando em morte” à Justiça</a>. Neste momento, o andamento do processo depende dos prazos da  Justiça. Mirtes e a família, no entanto, não querem que o processo se arraste por anos.</p>



<p>A família tem transformado a dor em força para continuar lutando, mas o desfecho pode demorar. Mirtes está ciente disso e diz que a história do seu menino precisa ser contada e defendida.</p>



<p>Enquanto conversamos dentro de casa, é possível escutar as crianças vizinhas que brincam na rua. Para Mirtes, isso é o que mais dói: seu filho deveria estar ali, brincando com elas, com a vida pela frente.</p>



<p>Leia abaixo a entrevista.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-background has-pale-cyan-blue-background-color has-pale-cyan-blue-color"/>



<p><strong>Quem era Miguel? Como era a rotina de vocês? Do que ele mais gostava</strong> <strong>no dia a dia?</strong></p>



<p>A gente veio morar aqui há cinco anos e a gente só comprou essa casa porque ele aprovou. Ele era novinho, quando entrou na casa se agradou com a casa. Porque criança sente quando tem algo bom ou algo ruim em um ambiente. Ele sentiu algo bom aqui. Ele conquistou a todos aqui na rua, era uma criança muito alegre, muito extrovertida, muito amiga das pessoas. Você podia passar na rua, ele nem te conhecer, mas se fosse com tua cara ele dizia “amiga, amigo”. Ele era assim, falava com todo mundo. Às vezes de manhã cedo ele saía meio birrento porque não queria tomar banho logo cedo, queria dormir mais, mas quando ele encontrava o amigo dele abria um sorrisão, dava bom dia. Esse amigo dele era tudo para ele. Miguel era uma criança extremamente feliz.</p>



<p>Eu buscava agradar ele, levar para passear, fazer tudo que estava ao meu alcance. Até o que estava fora do meu alcance eu fazia para dar as coisas a Miguel. Ele era uma criança normal, saudável. Às vezes arengava, respondia, mas qual é a criança que não é assim? Estudioso, ele gostava de ir para a escola, de fazer as tarefinhas. A professora já estava até me dizendo que ele estava começando a tirar do quadro. Olhava as palavras no quadro e repassava para o caderno. Esse e outros elogios a Miguel que me deixa muito orgulhosa dele, de saber que ele estava se dedicando, que o esforço que eu estava fazendo para apagar uma escola para ele, para ter educação de qualidade estava valendo a pena. ele estava se esforçando. </p>



<p>Ele tinha um sonho de ser jogador de futebol, de ser policial. Eu sempre dizia a ele que precisava estudar. Ele tinha algumas dificuldades, principalmente com números, em matemática, mas ele se esforçava. </p>



<p>Ele era uma criança muito carinhosa, onde ele passava e encontrava flores , trazia para mim. Hoje de manhã eu estava caminhando e tem uma casa que passei que tem um pé de papoulas bem bonitas e eu lembrei dele. Hoje de manhã eu fui caminhar chorando com saudade do meu filho.</p>



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	                                        <p class="m-0">Foto: Inês Campelo</p>
	                
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<p class="has-text-align-left">Ele dava um beijo na flor e dizia “toma mamãe, para a senhora”. Infelizmente eu não tenho mais meu filho para eu dar amor, carinho, atenção. Vestir ele, como eu vestia, bem boladinho. Eu deixava de comprar para mim para comprar para ele. Ele sempre tinha as coisas, tudo, vestuário, medicamento. Mainha pagava o plano de saúde para ele porque, infelizmente, o SUS é insuficiente.Demorava muito as consultas, por isso ela disse que ia pagar um plano de saúde para o neguinho. Eu sempre levava para o pediatra, passou a fazer acompanhamento psicológico, ele ia para a fono.</p>



<p>Às vezes eu pedia a Sarí para sair mais cedo porque Miguel tinha fono ou psicólogo. Saia do trabalho mais cedo, ia buscar ele no hotelzinho, depois voltava, era um dia um pouco complicado para mim. Vinha e voltava, pegava trânsito, preocupada em chegar na hora da consulta. Eu me esforçava o máximo possível para fazer tudo pelo meu filho.</p>



<p>Era meu único filho e eu queria dar tudo do bom e do melhor para ele.</p>



<p><strong>E quem é Mirtes hoje? Como você se enxerga?</strong></p>



<p>Mirtes hoje, sem Miguel, é nada. Eu perdi totalmente a razão de viver, sem meu filho. Sou mais nada hoje. Tudo que eu fazia era em prol dele, tudo que eu planejava era Miguel. E agora eu não sei. Sem meu filho está tudo muito difícil, principalmente aqui dentro de casa.</p>



<p>Todo dia de manhã, quando eu acordo, sinto a esperança de ver meu filho e que tudo isso que aconteceu foi um pesadelo e que vou ter meu filho de volta. Mas infelizmente essa é a realidade. Eu não tenho mais meu neguinho comigo. A única coisa que me conforta é saber que ele está bem.</p>



<p>Uma semana antes de completar dois meses que eu perdi ele, sonhei com ele. Ele estava tão feliz! Tão feliz! Sonhei que Eduarda, tia dele do hotelzinho, estava trazendo ele pra mim. Ele saltitante, sorrindo. Aquele sorriso lindo, largo, gostoso que ele dava. Aí ele veio, pulou em cima de mim, me abraçou. Me abraçou tão forte. Me deu tanto beijo, tanto beijo. E nisso eu acordei ainda sentindo o calorzinho dele em cima de mim.</p>



<p>Chorei muito, porque eu queria que aquilo ali realmente continuasse, que fosse realmente real Miguel aqui comigo, me abraçando e me beijando. Sendo carinhoso como ele sempre foi carinhoso comigo. Infelizmente eu não tenho mais meu filho.</p>



<p><strong>Você teve ou está tendo agora tempo para o luto?</strong></p>



<p>Eu não pude parar, na realidade, porque se eu parar, não me ergo mais. Porque se eu realmente for viver o luto, eu desabo e as coisas não andam. Eu não posso cair, eu tenho que me manter firme e forte para seguir lutando até o fim de todo esse processo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Memória de Miguel. Foto: Inês Campelo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Você espera um pedido de perdão de Sarí? Seria capaz de perdoar?</strong></p>



<p>Na realidade eu não conheço mais Sarí. No período que eu e minha mãe trabalhávamos para ela, eu conhecia uma Sarí. A Sarí educada, que respeitava a gente, tratava a gente bem.</p>



<p>Ela nunca tratou a gente com diferença em nada, dentro da casa dela. Mas depois que aconteceu isso com meu filho, ela mostrou quem realmente ela é. Se transformou.</p>



<p><strong>Você falou várias vezes que não via racismo, mas que Sarí mudou, não era a pessoa que você conheceu. Hoje você vê racismo no modo como ela tratou Miguel?</strong></p>



<p>Eu ainda não enxergo isso como racismo. Enxergo como preconceito social. Porque ela é patroa e eu era empregada. Meu filho era filho da empregada. Então ela, naquele momento ali no elevador, ela disse “vai-te embora” . É filho da empregada, pode aguentar qualquer coisa. Realmente, se fosse filho de amigos dela, ela não fazia isso não. Simplesmente mandou Miguel passear, como ela disse à manicure. </p>



<p>E a mim, lá na delegacia, ela disse “vai que depois tua mãe te encontra”. E realmente, encontrei meu filho praticamente morto. Praticamente morto. Ela não sente nenhum pingo de arrependimento. Isso ela mostrou não só para mim, mas para o Brasil todo. E pro mundo todo. Ela mostrou que não sente nenhum pingo de arrependimento pelo que ela fez com Miguel.</p>



<p><strong>Que justiça você quer para Miguel?</strong></p>



<p>A única justiça que eu quero é que ela realmente pague pelo erro dela. Que ela vá pra detrás das grades. Seja condenada e vá para trás das grades. Como qualquer pessoa que erra vai. Se fosse ao contrário, eu estaria atrás das grades. Olhe, olhe,&#8230; isso se eu tivesse viva ainda. Ela tá respondendo em liberdade porque teve condições de pagar R$ 20 mil. Se fosse eu, não teria condições. Eu não tenho condições de pagar R$ 20 mil de fiança.</p>



<p>Na realidade, a lei do nosso país só é severa mesmo pra quem é pobre. Quem mora na periferia. Porque se você observar direitinho a balança da justiça é totalmente desigual. É leve para quem tem condições. Pra quem tem influência feito ela. Tá sendo leve para ela. Pra gente, que é negro, pobre, favelado é muito pesada, é muito rigorosa. Então, eu vou batalhar , vou batalhar até o fim. Vou mover céus e terra para que essa mulher pague pelo erro dela. Para que ela seja presa. Eu não aceito que ela seja absolvida não. Ela tem que ser presa.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="ENTREVISTA COM MIRTES RENATA SOUZA" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/6pAkWQZ3S-4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p><strong>Você tem ou teve medo do poder que a família de Sarí Corte Real tem?</strong></p>



<p>Não, nunca tive medo. Eles têm nome, mas a gente também tem. A única coisa que diferencia a gente é a questão do financeiro e das influências. Por nome? Isso aí para mim é nada. Vem acontecendo essas coisas da prefeitura [de Tamandaré], que saiu o meu nome, depois que aconteceu o caso e Miguel. Isso só foi revelado depois do erro da mulher dele [Sérgio Hacker, prefeito de Tamandaré, esposo de Sarí], depois que a mulher dele fez aquilo com meu filho, infelizmente.</p>



<p>Isso também mostrou a realidade da corrupção ao povo. A gente trabalhava pela prefeitura sim. Na verdade, a gente recebia nosso salário pela prefeitura. Infelizmente, quando a gente assinou o contrato não houve nenhuma outra opção, simplesmente disse que a gente ia assinar para receber pela prefeitura. A gente assinou. E a gente não via como se fosse tão errado porque tinha outras funcionárias que também recebiam, que trabalhavam nas casas, não só deles, mas de outras pessoas da família deles. Essas pessoas também recebiam pela prefeitura. Por isso que a gente aceitou essa condição, porque a gente precisava trabalhar, receber salário, pagar nossas contas e sustentar Miguel.</p>



<p>Veio tudo isso a tona. Teve a votação de dois pedidos de impeachment e foram arquivados com sete votos contra e três a favor. Infelizmente essa é a política do nosso país. As pessoas viram que ele errou e preferem continuar no erro. Mas tudo isso que aconteceu cabe à população ver, as eleições estão chegando. Se eles querem continuar no erro, com roubo, o pessoal roubando deles, ou se preferem mudança.</p>



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	                                        <p class="m-0">Marta Santana e Mirtes Renata, avó e mãe de Miguel, respectivamente. Foto: Inês Campelo</p>
	                
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<p><strong>Quando você toma a decisão de não ter se calado em nenhum momento, é para fazer com que a pessoas saibam exatamente o que aconteceu.Como você tem visto a questão da procura da imprensa, como vocês sentiram no primeiro momento? A imprensa tem sido uma aliada? </strong></p>



<p>No começo foi bem impactante. As equipes vinham aqui, a gente estava se sentindo, quer queira, quer não, um pouco sufocados. Agora aliviou um pouco porque não tem fatos novos para se falar sobre o caso de Miguel por conta da lentidão da Justiça. Algumas pessoas dizem que a mídia pode atrapalhar, inverter o que eu falo, mas para mim são aliados. O caso de Miguel só tomou essa proporção por conta da mídia, porque ajudaram a gente a divulgar tudo isso. </p>



<p>Tem alguns repórteres, blogueiros que ultrapassam um pouco os limites. Tem dia que eu estou bem, tem dia que estou péssima e não consigo falar com ninguém. Teve uma pessoa que ficou forçando muito, disse horrores à minha sobrinha. Isso acabou prejudicando a saúde da minha sobrinha também. A quem me procura, eu agradeço porque é muito importante não deixar o caso de Miguel cair no esquecimento. Eu tenho sempre aceitado entrevistas, <em>lives</em>, mas tem dias que é difícil.</p>



<p><strong>Como a sociedade pode ajudar você e sua família na briga por Justiça por Miguel?</strong></p>



<p>A única coisa que eu peço é que continuem orando para dar força e conforto para o coração da gente. Tem dia que dói muito. É uma dor que eu nem sei te explicar, é muito difícil. Continuam lembrando de Miguel, postem a <em>hashtag</em>, postem uma foto, tem o instagram Luto Por Miguel Oficial. Uma artista leu um texto, postou, um rapaz fez uma música para Miguel. Tudo isso fortalece. Cada gesto desse importa.</p>



<p>Eu vejo que as pessoas abraçaram o caso de Miguel, pegaram como se fosse filho deles. Eles querem justiça, como se fosse um filho deles. Eu só peço isso, que as pessoas continuam a lembrar dele, para que não caia no esquecimento até o fim desse processo que, infelizmente, talvez seja um pouco longo.</p>



<p>Mas eu vou lutar para que não demore porque tudo isso machuca, sabe? Eu preciso que meu coração fique um pouquinho aliviado. A partir do momento em que ela for condenada e for presa, isso vai dar um pouco de alívio no coração. Não vai trazer meu neguinho de volta, mas vai aliviar saber que a justiça foi feita e minha missão foi cumprida. Eu defendia meu filho em vida e vou defender na morte também. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Do Barro, a família de Miguel hoje luta por Justiça. Foto: Inês Campelo</p>
	                
                                    </figcaption>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/mirtes-sem-miguel-eu-defendia-meu-filho-em-vida-vou-defender-na-morte-tambem/">Mirtes sem Miguel: &#8220;Eu defendia meu filho em vida, vou defender na morte também&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>MPPE denuncia Sarí Côrte Real levando em conta o contexto de pandemia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2020 23:36:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[justiça por miguel]]></category>
		<category><![CDATA[miguel otávio santana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A partir da denúncia oferecida nesta terça-feira (14) pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), cabe agora à Justiça decidir se Sarí Gaspar Côrte Real será processada judicialmente e irá a julgamento pela morte do menino Miguel Otávio. A acusada e ex-patroa da mãe do garoto foi denunciada por “abandono de incapaz resultando em morte”, assim [&#8230;]</p>
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<p>A partir da denúncia oferecida nesta terça-feira (14) pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), cabe agora à Justiça decidir se Sarí Gaspar Côrte Real será processada judicialmente e irá a julgamento pela  morte do menino Miguel Otávio. A acusada e ex-patroa da mãe do garoto foi denunciada por “abandono de incapaz resultando em morte”, assim como foi indiciada pela Polícia Civil.</p>



<p>O MPPE foi além do inquérito da Polícia Civil e, com base no artigo 61 do Código Penal, pronunciou Sarí, mulher do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker, com o agravante de que o crime aconteceu “em meio a uma conjuntura de calamidade pública”. Isso pode aumentar a pena prevista para a acusada. </p>



<p>A denúncia segue para a 1ª Vara de Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital e o magistrado responsável, José Renato Bizerra, tem o prazo de três dias para apreciar a posição do Ministério Público. Esta atualização no caso não muda a atual condição de Sarí, que segue em liberdade.</p>



<p>O posicionamento do MPPE veio no último dia do prazo para o oferecimento da denúncia e um dia depois da realização de um <a aria-label="undefined (opens in a new tab)" href="https://marcozero.org/ato-cobra-que-ministerio-publico-denuncie-sari-corte-real-a-justica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ato público no Centro do Recife cobrando justiça por Miguel</a>, promovido por entidades da sociedade civil e que contou com a presença de Mirtes e familiares. </p>



<p>Em nota, os advogados que representam Mirtes afirmam esperar que a &#8220;imputação seja integralmente recebida pelo magistrado competente”.</p>



<p>“(&#8230;) Caberá ao promotor de justiça, titular da ação penal pública, o protagonismo da acusação. O Tribunal de Justiça, por meio de seu presidente, tem implementado esforços para dar celeridade aos processos de natureza criminal durante a situação de emergência sanitária (COVID-19). Acreditamos que esse empenho se refletirá, também, nos autos do processo criminal que principia na 1ª Vara dos Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital&#8221;.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong><em>LEIA TAMBÉM:</em></strong><br><a href="https://marcozero.org/racismo-poder-politico-e-dinheiro-explicam-tentativa-de-ocultar-nome-da-patroa-da-mae-de-miguel/">Racismo, poder e dinheiro explicam tentativa de ocultar nome da patroa da mãe de Miguel</a><br><br><a href="https://marcozero.org/mae-e-avo-de-miguel-contrairam-covid-19-e-nem-assim-foram-dispensadas-do-trabalho-familia-pede-justica/">Mãe e avó de Miguel contraíram Covid-19 e nem assim foram dispensadas do trabalho. Família pede justiça</a></p></blockquote>



<p class="has-medium-font-size"><strong>Relembre o caso</strong></p>



<p>A morte de Miguel Otávio Santana da Silva, 5 anos, ocorrida no dia 2 de junho, expôs sem retoques a brutalidade do racismo por trás das desigualdades no Brasil. A criança caiu do 9<sup>o</sup> andar das Torres Gêmeas, no bairro de São José, centro do Recife, quando procurava a mãe, a trabalhadora doméstica Mirtes de Souza, que passeava com o cachorro da patroa Sarí Gaspar Côrte Real.</p>



<p>Em plena pandemia de coronavírus, Mirtes e Miguel deveriam estar em sua casa, protegidos e com o salário integral da mãe garantido.<br><br>A patroa era atendida no apartamento por uma manicure e não cuidou de Miguel como Mirtes cuidava dos filhos dela. Sarí deixou a criança de apenas 5 anos entrar no elevador sozinha e, mais do que isso, apertou o andar que dá acesso à cobertura mesmo Mirtes estando no térreo. Depois, ela voltou para casa enquanto Miguel continuou no elevador desacompanhado.</p>



<p>Ao descer no 9º andar, o menino seguiu pelo corredor e foi de encontro à janela da área técnica. Escalou a parede e chegou do outro lado em uma unidade condensadora de ar. Ultrapassou a condensadora e subiu em um gradil até perder o equilíbrio e cair, de acordo com as perícias da Polícia Civil.</p>



<p>Logo após o ocorrido, Sarí foi presa e pagou fiança de R$ 20 mil para responder em liberdade por homicídio culposo. O nome da ex-patroa de Mirtes foi ocultado dos informes policiais sobre o crime. E, somente no dia 1º de julho, Sarí foi indiciada por “abandono de incapaz resultando em morte”.<br><br>O inquérito policial estava sob apreciação do MPPE desde o dia 3 deste mês.</p>
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		<title>Ato cobra que Ministério Público denuncie Sarí Corte Real à Justiça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2020 20:16:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[justiça por miguel]]></category>
		<category><![CDATA[Ministério Público de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Mirtes Renata Souza]]></category>
		<category><![CDATA[Sari Gaspar Corte Real]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mais uma vez Mirtes foi às ruas reivindicar justiça pela morte de Miguel. Mais uma vez Mirtes mostrou que a justiça pela morte de seu filho tem um significado coletivo e social. “Eu espero que essa luta que vocês estão vendo que eu estou tendo sirva de exemplo para várias mães que, infelizmente, perderam seus [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Mais uma vez Mirtes foi às ruas reivindicar justiça pela morte de Miguel. Mais uma vez Mirtes mostrou que a justiça pela morte de seu filho tem um significado coletivo e social. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Eu espero que essa luta que vocês estão vendo que eu estou tendo sirva de exemplo para várias mães que, infelizmente, perderam seus filhos de uma forma brusca e violenta. Não se calem por isso. Busquem justiça. Independente se vocês têm condições financeiras ou não.” (Mirtes Renata Souza, mãe de Miguel)</p></blockquote>



<p>Foi com a frase citada acima que ela descreveu a sua luta na manhã desta segunda-feira (13) no ato que cobrou o Ministério Público de Pernambuco (MP-PE) para que siga a conclusão do inquérito policial e denuncie Sarí Gaspar Corte Real à Justiça por &#8220;abandono de incapaz resultando em morte&#8221;, que tem pena prevista de 4 a 12 anos de prisão. </p>



<p>A mobilização saiu em caminhada da Praça da República, no Centro do Recife, e seguiu até a sede do Ministério Público, na Avenida Visconde Suassuna. Contou com a presença de familiares e movimentos sociais. O órgão tem até esta terça-feira (14) para se posicionar sobre o caso.</p>



<p>Desde o dia 3 deste mês, o inquérito que investigou a morte do menino de 5 anos está sob apreciação do Ministério Público, quando começou a contar o prazo para oferecimento ou não da denúncia. Para além destas opções, o MPPE pode arquivar o caso ou pedir mais esclarecimentos da investigação para a Polícia Civil. Contudo, a expectativa de Mirtes é de que o órgão faça a denúncia contra sua ex-patroa.</p>



<p>“Ela (Sarí) tem que estar presa atrás das grades, porque se fosse eu estaria presa desde o primeiro dia. Eu não tenho 20 mil reais para pagar de fiança. Tem que acabar com isso. Nosso país tem lei. A lei tem que ser igual para todos, a lei não pode ser favorável a só quem tem dinheiro, tem nome e influência.”, criticou.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Mirtes Renata, mãe de Miguel, durante ato em frente ao Ministério Público de Pernambuco Crédito: Veetmano/AgenciaJCMazella</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Assim como ela alerta para o significado da justiça pela morte de seu filho como algo que representa um exemplo de igualdade para todos perante a lei, uma prima da família, Amanda Souza, também reforça o sentimento de que o caso tomou grandes proporções. Direcionando a fala para Sarí pelo microfone do carro de som,  questionou: “Está com medo que a  sociedade te julgue? O Brasil tá vendo, o mundo todo tá vendo o que você fez. Não adianta pagar de santa, porque você sabe o que fez”.</p>



<p>Miguel caiu do 9<sup>o</sup> andar do prédio de luxo no Centro do Recife, conhecido por Torres Gêmeas, quando sua mãe passeava com a cadela dos empregadores. Sarí, a empregadora, ficou responsável por Miguel enquanto fazia as unhas no apartamento.</p>



<p>Desde a morte do menino de 5 anos, Mirtes e a família não andam sozinhos. O tom expresso em ambas as falas fazem parte de uma articulação de cuidado em prol de que a causa não seja silenciada, mas sim expandida.</p>



<p>É evidente a quantidade de mulheres e, principalmente, de mulheres negras que acompanham os passos da mãe de Miguel por justiça. Nesta segunda, não foi diferente. O Fórum de Mulheres de Pernambuco, a Rede de Mulheres Negras e a Articulação Negra por Direitos compuseram boa parte do ato.</p>



<figure class="wp-block-embed-instagram aligncenter wp-block-embed is-type-rich is-provider-instagram"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.instagram.com/tv/CClhmn5nW86/?utm_source=ig_web_copy_link
</div></figure>



<p>Em vídeo publicado no instagram, a integrante da Rede de Mulheres Negras, Mônica Oliveira, explica que os movimentos vem acompanhando o caso desde o início e em muitas frentes. </p>



<p>“Estamos fazendo incidência no espaço do processo. Existem instituições como o Gajop, os advogados e as advogadas negras que estão acompanhando o caso em diálogo com Mirtes e a família. Estamos acompanhando do ponto de vista das ações de comunicação, nacionalizando o caso de Miguel. É fundamental que a gente estabeleça uma estratégia para desconstruir as narrativas que buscam inocentar Sarí Corte Real. E a gente está aqui para exigir justiça.”, enfatizou Mônica.</p>



<p>A caminhada seguiu entre os carros que circulavam no trajeto, com faixas de luto que pediam justiça por Miguel levantadas durante todo o percurso.</p>



<p>O ato acabou por volta das 13h quando Mirtes fez uma fala em frente à sede do Ministério Público, ressaltando que Sarí foi indiciada por abandono de incapaz pela Polícia Civil. Após a mobilização, a mãe de Miguel e os movimentos aguardam o posicionamento do órgão que será feito nesta terça-feira. O nome do promotor responsável pela apreciação do caso não foi divulgado pelo MP-PE.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em><strong>LEIA TAMBÉM:</strong></em></p><p><a href="https://marcozero.org/sari-corte-real-e-indiciada-por-abandono-de-incapaz-e-morte-de-miguel-com-pena-prevista-de-4-a-12-anos-de-prisao/">Sarí Corte Real é indiciada por abandono de incapaz e morte de Miguel, com pena prevista de 4 a 12 anos de prisão</a></p><p><a href="https://marcozero.org/mae-e-avo-de-miguel-contrairam-covid-19-e-nem-assim-foram-dispensadas-do-trabalho-familia-pede-justica/" target="_blank" aria-label="undefined (opens in a new tab)" rel="noreferrer noopener">Mãe e avó de Miguel contraíram Covid-19 e nem assim foram dispensadas do trabalho. Família pede justiça<br></a><br></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/ato-cobra-que-ministerio-publico-denuncie-sari-corte-real-a-justica/">Ato cobra que Ministério Público denuncie Sarí Corte Real à Justiça</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Justiça por Miguel: manifestação rompe o silêncio da impunidade no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/justica-por-miguel-manifestacao-rompe-com-o-silencio-da-impunidade-no-recife/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2020 21:30:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[justiça por miguel]]></category>
		<category><![CDATA[manifestacao]]></category>
		<category><![CDATA[miguel otávio santana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A indignação pela morte de Miguel Otávio, 5 anos, foi levada às ruas do Centro do Recife, na tarde desta sexta-feira (5). Em sintonia, as palavras de quem estava presente ecoavam por meio de uma reivindicação: justiça por Miguel. Após mais de dois meses de pandemia, os gritos de ordem tomaram o espaço do silêncio, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/justica-por-miguel-manifestacao-rompe-com-o-silencio-da-impunidade-no-recife/">Justiça por Miguel: manifestação rompe o silêncio da impunidade no Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A indignação pela morte de Miguel Otávio, 5 anos, foi levada às ruas do Centro do Recife, na tarde desta sexta-feira (5). Em sintonia, as palavras de quem estava presente ecoavam por meio de uma reivindicação: justiça por Miguel. Após mais de dois meses de pandemia, os gritos de ordem tomaram o espaço do silêncio, em tempos de isolamento social e comércio majoritariamente fechado.</p>



<p>Às 13h, os movimentos sociais já se encontravam em frente ao Tribunal de Justiça de Pernambuco, onde fizeram a concentração. Depois seguiram em caminhada até as conhecidas “Torres Gêmeas”, lugar onde morreu o filho da trabalhadora doméstica Renata Mirtes Santana, que caiu do 9o andar do prédio quando estava sob os cuidados da empregadora Sarí Gaspar Corte Real. Lá se depararam com várias pessoas vestidas de preto e levantando balões da mesma cor na sacada dos prédios. Eram apoiadores da manifestação.</p>



<p>Mirtes não participou do ato, mas foi representada pela família que estava vestida com camisas estampadas com o rosto de Miguel. Flores e cartazes foram colocados na calçada em frente à portaria do prédio de luxo. Um homem ajoelhado com um terço pedia justiça, assim como os presentes no local.</p>



<p>De frente para as torres, a presidenta da Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Luiza Batista, questionava: “Quantas trabalhadoras domésticas estão aí na servidão? Nesse momento de quarentena, de pandemia, as trabalhadoras domésticas deveriam estar em casa”. </p>



<p>Do prédio, trabalhadoras domésticas que estavam em serviço saudaram Marta, avó de Miguel, que esteve no ato. </p>



<p>Os manifestantes gritavam “Teu filho vale 20 mil? Justiça por Miguel!” e perguntavam “E se fosse ao contrário?”. </p>



<p>Durante o ato, uma tia de Miguel afirmou que “a maior indignação foi saber depois que ela (Sarí Corte Real) tinha culpa. Para ela pode ter sido um acidente, mas para a gente não é. Eu estou mais indignada ainda porque ela foi ao velório do menino. Eu espero que a Justiça faça a lei prevalecer porque foi um crime doloso. É realmente [crime] doloso!”.</p>



<p>&#8220;Eu queria agradecer por todos vocês que compareceram. Obrigado por estar sentindo a dor que a gente está sentindo. Por favor, vão para casa com segurança&#8221;, agradeceu Amanda Souza, sobrinha de Mirtes, de mãos dadas com outros familiares de Miguel. </p>



<p>Antes de encerrar o ato, a família deitou no chão em protesto acompanhada de dezenas de pessoas e voltou ao grito de ordem &#8220;Justiça por Miguel!&#8221;.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Veetmano/AgenciaJCMazella</p>
	                
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Veetmano/AgenciaJCMazella</p>
	                
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Veetmano/AgenciaJCMazella</p>
	                
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Veetmano/AgenciaJCMazella</p>
	                
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Veetmano/AgenciaJCMazella</p>
	                
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