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	<title>Arquivos lavanderias - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos lavanderias - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Água: um bem para quem pode pagar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jul 2022 13:31:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[carros pipa]]></category>
		<category><![CDATA[indústria têxtil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto as empresas chegam a gastar até 70 litros do recurso na lavagem de uma única peça, moradores e moradoras da cidade ficam dois meses sem nada nas torneiras Por Observatório da Vida Agreste (OVA/UFPE) Porque é na água do rioque eles se perdem(lentamentee sem dente).Ali se perdem(como uma agulha não se perde).Ali se perdem(como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Enquanto as empresas chegam a gastar até 70 litros do recurso na lavagem de uma única peça, moradores e moradoras da cidade ficam dois meses sem nada nas torneiras</em></p>



<p><strong>Por </strong><a href="https://reportagensespeciais.medium.com/4%C3%A1gua-um-bem-para-quem-pode-pagar-4c59730607a3" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Observatório da Vida Agreste</strong> <strong>(OVA/UFPE)</strong></a></p>



<p id="a965"><em>Porque é na água do rio<br>que eles se perdem<br>(lentamente<br>e sem dente).<br>Ali se perdem<br>(como uma agulha não se perde).<br>Ali se perdem<br>(como um relógio não se quebra)</em></p>



<p id="7545"><em>(O cão sem plumas, João Cabral de Melo Neto)</em></p>



<p id="7fee">Em Toritama, a chegada das lavanderias de jeans em meados dos anos 1980 evidenciou falhas no sistema de abastecimento e distribuição de água: é comum viver dias, até mesmo meses, sem nada nas torneiras. Isso nos bairros mais próximos ao centro da cidade — em lugares mais afastados como Deus é fiel, Coqueiral e Independente, a água nem chega. A alternativa para as famílias, que diariamente precisam economizar o recurso (chegando a tomar banho dentro de bacias a fim de reutilizar a água), é abastecer suas cisternas com caminhões pipas que custam em média entre R$ 150 a 200. Sim: o acesso ao líquido de maior qualidade (pelo menos em tese) está disponível somente a quem puder pagar mais. Segundo Hilário Siqueira de Lima, autor da dissertação<em>As lavanderias de jeans de Toritama: uma contribuição para a gestão das águas</em>, o município é um dos campeões em escassez de água no Estado. No trabalho, ele evidenciou que 93% do recurso usado nas empresas de lavagem é comprado justamente dos caminhões pipa.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ainda é comum na cidade ver animais sendo usados para o transporte de água. Crédito: Maria Júlia Vieira</p>
	                
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<p>Na cidade, é muito comum ouvir reclamações relacionadas à falta de abastecimento, principalmente em ruas onde há lavanderias. A razão: a vazão e a pressão que antes davam (mal) conta de abastecer áreas apenas residenciais passaram a ser “divididas” com estas empresas. Em ruas como a Surubim, por exemplo, a água, quando chega, sai em gotas das torneiras. Não enche as cisternas e só volta 30 a 40 dias depois. A saída: comprar. Em um país com inflação acima dos dois dígitos e cesta básica corroída por conta da alta dos preços, é outro problema que uma população empobrecida precisa enfrentar. Júlio*, que mora na periferia da cidade, diz que compra água para passar o mês, já que a Compesa, empresa de abastecimento estadual, só destina o recurso para a sua rua a cada 15 dias.</p>



<p id="c276">No loteamento Arlindo, a situação é mais dramática: a água nunca chegou. Rafael Santos, 33 anos, vendedor, conta que mora há catorze anos no bairro e desde sempre compra água. “Primeiro, nem rede de saneamento existe aqui. O encanamento central que vem da adutora de Jucazinho passa a 200 metros da minha rua. Gasto em média R$ 200 por mês, algo que acaba comprometendo a minha renda”. A água que vem em caminhões pipas é armazenada em uma cisterna, reservatório comum na casa de famílias do Agreste pernambucano.</p>



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<p id="5a7d">Na casa do cantador João Joaquim, 84, no Centro, a família chega a ficar um mês sem receber água. Ele diz que em outras comunidades mais distantes, a situação é ainda mais dramática: são até dois meses sem recebê-la. “Às vezes temos que tomar banho dentro de uma bacia e aquela água do banho usamos para outras atividades”, explica. Há relatos de casos em que a água não chega devido a problemas na manutenção dos hidrantes, o que compromete o abastecimento das casas. Carlos*, conta que, depois das lavanderias, bairros como Cohab e a rua Surubim passaram a sofrer: o recurso não chega até às últimas casas e, quando chega, é de forma lenta. Passam mais de um mês sem água nas torneiras.</p>



<p id="d19d"><strong>ADUTORA DO AGRESTE: UMA LENDA?</strong></p>



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	                                        <p class="m-0">Canal começou a ser construído em 2013 e até agora não foi concluído: retrato da instabilidade e das disputas políticas que marcam o cenário político nacional. Crédito: Ascom Compesa</p>
	                
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<p id="05e2">A Adutora do Agreste, obra de responsabilidade do governo federal, governo estadual e executada pela Compesa, surge nesse cenário de seca como uma possível solução de segurança hídrica. No entanto, o empreendimento, que teve início em 2013 e deveria ter ficado pronto em 2015, ainda não foi concluído. O investimento da obra foi de R$ 3,2 bilhões: ele compreende o eixo leste da transposição, que leva água do Rio São Francisco do município de Floresta (sertão de Pernambuco) até Monteiro (Paraíba). São 217 quilômetros de canal construídos pelo governo federal, que também ficou a cargo de viabilizar o ramal do agreste, um canal que vai levar a água do eixo leste da transposição até a barragem do Ipojuca, em Arcoverde, no Sertão do estado. Esse trecho, com 70 quilômetros, ficou pronto no ano passado. É dessa barragem que a Compesa deve pegar a água e, depois, tratá-la e distribuí-la para quase 70 cidades do agreste. Uma malha de tubulações deve percorrer 1.500 quilômetros. Há oito anos, a promessa era garantir água nas casas de dois milhões de moradores de municípios do Agreste e do Sertão. Até agora, somente sete cidades contam com o abastecimento desse novo equipamento.</p>



<p id="c72e">Questionada sobre o que deu errado na execução da obra e por que Toritama, que deveria ser uma das primeiras cidades atendidas pela adutora, ainda enfrenta tantos problemas com o abastecimento de água, a Compesa culpabiliza a falta de repasses federais. Em nota divulgada ano passado, a companhia afirmou que, durante todo ano de 2021, a gestão federal não repassou &#8220;nenhum único centavo ao Governo de Pernambuco para o andamento das adutoras”. Em abril de 2021, o governo federal vetou o repasse de R$ 161 milhões previstos para a obra. Curiosamente, em outubro do mesmo ano, Jair Bolsonaro<a href="https://br.noticias.yahoo.com/bolsonaro-inaugura-obra-hidrica-que-ainda-nao-pode-funcionar-em-pernambuco-121331585.html" rel="noreferrer noopener" target="_blank">esteve em Sertânia para inaugurar a obra, que ainda está sem funcionar</a>. Sem receber, diversas empresas contratadas para executar a obra abandonaram os trabalhos. A segunda etapa, que vai levar água para 45 municípios, ainda nem começou.</p>



<p id="42f4">Também por meio de nota, a Compesa diz que somente a partir de julho de 2023 a &#8220;capital do Jeans&#8221; receberá água da Transposição do Rio São Francisco por meio de outras obras hídricas que são as Adutoras do Agreste, Alto do Capibaribe e Serro Azul. De acordo com a companhia, o sistema de abastecimento de água de Toritama é composto por uma captação na barragem de Jucazinho, localizada em Surubim, em uma rede de distribuição que alcança 80% do município.</p>



<p id="a95f">Enquanto a solução não chega, diante das inúmeras reclamações feitas diariamente pela população, outros caminhos são percorridos. O vereador da Edmilson Dionísio (conhecido como Loló, PSD) fala que chegou a realizar uma comitiva chamada “Vereadores de Toritama” com o intuito de levar as questões da população à Compesa, que está ciente dos apertos enormes passados principalmente por quem já não tem mais como comprometer seus baixos salários com um recurso que, em tese, deveria ser universal. &#8220;Na Compesa, tudo o que conseguimos foram promessas&#8221;, diz Loló. Enquanto isso, as torneiras seguem fechadas.</p>



<p id="0301"><em>*Os nomes de alguns personagens foram modificados a pedido dos mesmos</em></p>



<p id="34fb"><strong>LEIA MAIS</strong></p>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://marcozero.org/propostas-para-adiar-o-fim-de-um-mundo-agreste/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Proposta para adiar o fim de um mundo agreste</strong></a></li><li><a href="https://marcozero.org/nordeste-e-o-fim-do-mundo-toritama-entre-o-fim-do-mundo-e-a-chance-de-sobrevivencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Página Inicial e Menu</strong></a></li></ul>



<p><strong><em>O projeto dessa reportagem foi contemplado no edital nacional do Instituto ClimaInfo com apoio financeiro do Instrumento de Parceria da União Europeia (com Ministério Federal Alemão para o Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear eda Iniciativa Climática Internacional). Os conteúdos dessa publicação são de inteira responsabilidade dos seus organizadores e não necessariamente refletem a visão dos financiadores.</em></strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em><strong>Uma questão importante!</strong></em> </p><p>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa <a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a> ou, se preferir, usar nosso <strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>. </p><p><strong>Apoie o jornalismo independente!</strong></p></blockquote>
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			</item>
		<item>
		<title>Propostas para adiar o fim de um mundo agreste</title>
		<link>https://marcozero.org/propostas-para-adiar-o-fim-de-um-mundo-agreste/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jul 2022 13:30:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Especialistas e donos de lavanderias apontam ações estratégicas para uma otimização da gestão de água frente aos desafios das mudanças climáticas Por Observatório da Vida Agreste (OVA/UFPE) Liso como o ventrede uma cadela fecunda,o rio crescesem nunca explodir.Tem, o rio,um parto fluente e invertebradocomo o de uma cadela.(João Cabral de Melo Neto) Pois é, João: [&#8230;]</p>
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<p id="b2fc"><em>Especialistas e donos de lavanderias apontam ações estratégicas para uma otimização da gestão de água frente aos desafios das mudanças climáticas</em></p>



<p><strong>Por <a href="https://reportagensespeciais.medium.com/propostas-para-adiar-o-fim-de-um-mundo-agreste-a074922ceac" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Observatório da Vida Agreste (OVA/UFPE)</a></strong></p>



<p id="caca"><em>Liso como o ventre<br>de uma cadela fecunda,<br>o rio cresce<br>sem nunca explodir.<br>Tem, o rio,<br>um parto fluente e invertebrado<br>como o de uma cadela.</em><br>(João Cabral de Melo Neto)</p>



<p id="13be"><strong>Pois é, João: o rio não exatamente cresceu. Mas explodiu.</strong></p>



<p id="1010">Em Toritama, são mais de 3 mil empresas produtoras de jeans e 73 lavanderias (uma de grande porte produz uma média de 120 mil peças de jeans por mês). O número chama ainda mais atenção quando são revelados quantos litros de água são usados, em média, para lavar uma única peça: cerca de 70 litros no processo de tingir, lavar e finalizar o produto.</p>



<p id="181a">Com os efeitos da destruição ambiental mundial no clima nordestino, esta é uma configuração insustentável. De acordo com a pesquisadora Cláudia Ribeiro Pereira Nunes (presente no livro<em>Os impactos das mudanças climáticas no Nordeste brasileiro</em>, organizado por Alana Ramos Araújo, Germana Parente Neiva Belchior e Thaís Emília de Sousa Viegas), as regiões Norte e Nordeste do Brasil são as mais vulneráveis às mudanças atuais por serem extremos climáticos nos quais grandes precipitações e/ou longas estiagens são comuns. No artigo<em>As mudanças climáticas a partir da implantação de empresas de capital estrangeiro no Nordeste: estado regulador?</em>Cláudia analisa os aspectos econômicos desse cenário e afirma: todos os empreendimentos sofrerão direta ou indiretamente com o aquecimento global e suas consequências. As perdas econômicas são inevitáveis. “Particularmente, de modo direto, sem qualquer adaptação, as empresas terão dificuldades em manter os atuais níveis de produção e eficiência operacional e, de modo indireto, os consumidores serão mais exigentes, examinando minuciosamente suas práticas sustentáveis”, escreve.</p>



<p id="d2ce">A pesquisadora chefe de gestão ambiental da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Soraya El-Deir chama atenção para um fato importante: essas mudanças climáticas não se configuram em algo para o futuro — estão acontecendo agora. “Estamos vivenciando no nosso dia a dia o que era previsto para daqui a 20 anos”. É agora também que já se registra em algumas lavanderias a prática do reuso, vista como uma das mais interessantes no sentido não só de poupar água, mas de assegurar um descarte responsável no Capibaribe. A questão é que apenas as empresas maiores realizam esse processo no qual parte de resíduos sólidos (como cloro, detergente, sabão, corantes e amaciantes) é separado e posteriormente tratado.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Lavanderias de maior porte, como a Céu Azul, conseguem reutilizar mais de 80% da água. Mas essa não é uma realidade em diversas empresas que funcionam na ilegalidade (foto: Maryane Martins)</p>
	                
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<p>Para o reuso nas lavanderias, a água utilizada passa primeiramente pelo sistema de gradeamento ou filtragem. Na segunda etapa, a água é transferida para o tanque de equalização onde ocorre a homogeneização dos efluentes. Na terceira, são retiradas as impurezas no tanque de decantação por meio de produtos químicos (cal, sulfato de alumínio). Após esse processo, o lodo têxtil, resíduo que fica no tanque após a decantação, é colocado em um leito de secagem. Esse processo dura em média 60 dias e, após esse período, o lodo é recolhido por caminhões e destinado a um aterro sanitário. A água tratada volta a ser utilizada na lavagem do jeans.</p>



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	                                        <p class="m-0">Lodo têxtil proveniente de insumos químicos utilizados na lavagem do jeans (foto: Maria Júlia Vieira)</p>
	                
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<p><a rel="noreferrer noopener" target="_blank" href="https://reportagensespeciais.medium.com/esta-reportagem-%C3%A9-a-primeira-parte-do-projeto-o-nordeste-e-o-fim-do-mundo-que-ser%C3%A1-formado-por-8c590f8ba211"></a>É o caso da lavanderia Céu Azul, que reutiliza 80% da água consumida na lavagem das peças a partir de um sistema de tratamento dos insumos. Pedro Henrique, proprietário da empresa, diz que a parte não reutilizada na lavagem após o tratamento vai diretamente para o Rio Capibaribe. Essa mudança no sistema de tratamento de água da empresa ocorreu a partir de 2004, com a formalização do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), a prefeitura municipal e assinado pelas lavanderias. Com esse termo, 77 empresas se comprometeram a uma adequação tecnológica a fim de evitar a poluição e o descarte irregular de resíduos sólidos. Esse TAC foi substituído pela Lei Municipal 1643/2018, a chamada<a href="https://transparencia.toritama.pe.gov.br/uploads/5404/1/atos-oficiais/2018/cduma/1641905075_lein1643de2018leidaslavanderias.pdf" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Lei das Lavanderias</a>(documento completo no link). De acordo com a Secretaria de vigilância sanitária, 63 lavanderias se comprometeram fazer o reuso da água seguindo o novo documento.</p>



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<p id="ed44">Outra lavanderia que aposta no reuso da água é a LGN. Fundada há 17 anos, a empresa conta com um sistema de reaproveitamento de até 85% do recurso utilizado. Segundo o proprietário, Luiz Neto, a água que não é reempregada no processo de lavagem do jeans é destinada para irrigação de plantas e limpeza. Com um consumo diário de 70 mil litros de água na empresa, Luiz Neto diz que foi preciso pensar em alternativas para suprir a escassez hídrica na região. A solução encontrada por ele e outros empresários do ramo de lavanderias foi a perfuração de poços artesianos, além do abastecimento por caminhões pipas vindos de localidades vizinhas. É preciso dizer que as duas alternativas são, primeiro, possíveis para quem tem maior recurso financeiro e, segundo, também podem ter impactos ambientais sérios.</p>



<p id="6c50">No texto<a href="http://eventos.ecogestaobrasil.net/congestas2014/trabalhos/pdf/congestas2014-et-13-015.pdf" rel="noreferrer noopener" target="_blank"><em>Um estudo sobre poços artesianos em Santa Cruz do Capibaribe</em></a>, o contexto da utilização da água subterrânea no agreste é analisado justamente pelo seu caráter de exclusão social, uma vez que se trata de um processo caro do qual a maioria da população acaba apartada. Já a pesquisa<a href="https://www.ibeas.org.br/congresso/Trabalhos2020/VIII-003.pdf" rel="noreferrer noopener" target="_blank"><em>Impactos ambientais causados por perfurações de poços clandestinos — estudo de caso</em></a>, analisa, no âmbito de Recife, como a perfuração (muitas vezes ilegal) causada pela falta de acesso a água tem um grande potencial destrutivo e está relacionado ainda com o desconhecimento de questões da legislação.</p>



<p id="9316">Uma das maiores lavanderias da cidade, a Mamute, fundada há 32 anos, pertence ao atual prefeito do município, Edilson Tavares (MDB). Segundo a pesquisa<a href="https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/gaia/article/view/29117/27390" rel="noreferrer noopener" target="_blank"><em>Índice de desempenho da gestão ambiental (IDGA) aplicado ao setor têxtil: um estudo em duas lavanderias industriais do Agreste Pernambucano</em></a>(2019), ali são utilizados 300 mil litros de água em cada um dos três turnos diários (6h-14h; 14h-22h; 22h-6h) da empresa. No entanto, o diretor da empresa, Luiz Carlos de Souza, informa que hoje gasta bem menos que a quantidade mostrada na pesquisa citada: seriam 50 mil litros de água por dia. Essa queda, segundo o próprio, aconteceu por conta da pandemia. A água usada pela empresa vem do Rio Capibaribe por meio de barragem privada e ainda de poços artesianos e da estrutura pública da Compesa. A estação de tratamento de efluentes consegue reaproveitar de 85% a 95% do recurso. O restante também vira resíduo sólido e é destinado ao aterro sanitário .</p>



<p id="38d6">A pesquisadora Soraya El-Deir diz que a indústria têxtil é uma cadeia complexa com diferentes potenciais de impacto a depender das tecnologias utilizadas. Apesar de todo o cenário preocupante apresentado por diversos estudos sobre emergência climática, ela aposta em um futuro menos sombrio. “O que eu percebo a médio e a longo prazo é que, cada vez mais, nós vamos ter tecidos inteligentes e que terão maior resistência. Por isso, usaremos menos recursos naturais. Então se apostarmos que as tecnologias sustentáveis vão avançar no polo têxtil do Agreste e em outros segmentos da sociedade, migraremos para uma sociedade sustentável. Eu tenho certeza que isso vai acontecer, como também tenho certeza do papel definidor das políticas públicas e das universidades trabalhando em prol da sociedade.”</p>



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	                                        <p class="m-0">Soraya El-Deir, da UFRPE, diz que tecidos inteligentes são uma das saídas para uma indústria menos poluente</p>
	                
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<p id="4462">Outra alternativa viável para as lavanderias é apontada por Hilário Siqueira, autor da dissertação<em>As lavanderias de jeans de Toritama : uma contribuição para a gestão das águas,</em>defendida no mestrado de Gestão Pública para o Desenvolvimento do Desenvolvimento do Nordeste (UFPE). O autor defende em sua pesquisa uma gestão ambiental de recursos hídricos nas lavanderias a partir da manutenção do aprovisionamento e adaptação de recursos, conservação do patrimônio natural, bem como uma renovação dinâmica de recursos naturais. Essas alternativas só serão possíveis se as empresas cumprirem os requisitos legais relacionados ao meio ambiente.</p>



<p id="58db">No Brasil, empresas como a Riachuelo se destacam por otimizar a gestão de água no processo de fabricação de jeans a partir de tecnologias como o ozônio, que permite a limpeza e o clareamento das peças sem o uso da água e químicos, chegando a reduzir o consumo na produção do jeans para 12 litros de água. Já em processos mais avançados, a fábrica consegue reduzir o consumo para apenas três litros por peça.</p>



<p id="3cc3">Nos níveis estadual e municipal, o Rio Capibaribe tem o monitoramento das suas águas realizado pela Companhia Pernambucana de Recursos Hídricos (CPRH) juntamente com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Com o objetivo de mitigar os impactos ambientais, os proprietários das lavanderias são orientados pela Secretaria de Meio Ambiente sobre quais procedimentos são necessários para a regularização dos empreendimentos junto à CPRH e assim obter o licenciamento ambiental. O órgão informa que exige: estrutura física ideal para funcionamento da lavanderia; gerenciamento e destinação de resíduos sólidos (lodo, cinza, e embalagens de produtos tóxicos); tratamento da água; manutenção dos tanques; controle da emissão de fumaça devido à queima da algaroba; renovação da licença ambiental. Sem essas normas, a lavanderia pode ser fechada.</p>



<p id="c383">O livro<em>Os impactos das mudanças climáticas no Nordeste brasileiro</em>está na íntegra<a href="https://fundacaosintaf.org.br/arquivos/files/Ebook%20impactos%20das%20mudancas%20climaticas%20no%20nordeste%20brasileiro.pdf" rel="noreferrer noopener" target="_blank">aqui.</a></p>



<p id="2c72"><strong>LEIA MAIS:</strong></p>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="na luta por oxigênio e espaço" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Capibaribe: na luta por oxigênio e espaço</strong></a></li><li><strong><a href="https://marcozero.org/nordeste-e-o-fim-do-mundo-toritama-entre-o-fim-do-mundo-e-a-chance-de-sobrevivencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Página Inicial e Menu</a></strong></li></ul>



<p><strong><em>O projeto dessa reportagem foi contemplado no edital nacional do Instituto ClimaInfo com apoio financeiro do Instrumento de Parceria da União Europeia (com Ministério Federal Alemão para o Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear eda Iniciativa Climática Internacional). Os conteúdos dessa publicação são de inteira responsabilidade dos seus organizadores e não necessariamente refletem a visão dos financiadores.</em></strong></p>



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