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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Em votação relâmpago, vereadores de Olinda aprovam lei que permite casas de festas no Sítio Histórico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Nov 2026 20:59:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara Municipal de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A toque de caixa, a Câmara de Vereadores de Olinda aprovou, nesta terça-feira, 3 de novembro, uma lei que altera a dinâmica de um cobiçado trecho do Sítio Histórico da cidade priorizando atividades turísticas e de lazer, em vez das regras anteriores de preservação do patrimônio. Sem consulta ao Conselho de Preservação nem participação de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A toque de caixa, a Câmara de Vereadores de Olinda aprovou, nesta terça-feira, 3 de novembro, uma lei que altera a dinâmica de um cobiçado trecho do Sítio Histórico da cidade priorizando atividades turísticas e de lazer, em vez das regras anteriores de preservação do patrimônio.</p>



<p>Sem consulta ao Conselho de Preservação nem participação de moradores e comerciantes, a lei foi aprovada com apenas dois votos contrários. Agora, segue para sanção da prefeita Mirella Almeida (PSD). Enquanto isso, cresce, nas redes sociais, o apelo com a hashtag #vetamirella.</p>



<p>O Projeto de Lei Ordinária (PLO) em questão é o 44/2026, uma proposta assinada por toda a mesa diretora da Casa, e não apenas por um parlamentar. Ele modifica trechos da Lei municipal 4.849/92, de uso e ocupação do solo, responsável por definir, por exemplo, como devem ser feitas construções, reformas e outras intervenções na Cidade Alta, além de estabelecer a preservação de áreas verdes e o respeito à paisagem urbana.</p>



<p>Caso Mirella sancione a nova legislação, uma área do centro histórico terá seus limites e suas condições para atividades modificadas, permitindo, na prática, por exemplo, mais bares, festas, shows e eventos, além de maior circulação de veículos e caminhões de carga.</p>



<p>O polígono em questão começa na Praça do Carmo, sobe pela Rua do Bonfim, até o limite do cruzamento com a Rua João Alfredo, e segue até a Praça Dantas Barreto, incluindo toda a Rua do Sol e entorno do Fortim de São Francisco.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/11/Olinda-1024x615.jpeg" alt="Imagem aérea da orla histórica de Olinda, vista em perspectiva inclinada, mostrando um trecho urbano entre o mar de águas verde-azuladas e uma área com vegetação abundante. Casas de telhados avermelhados e ruas estreitas ocupam a maior parte da cena, enquanto uma linha amarela destaca um percurso ou perímetro ao longo das vias próximas à costa. São visíveis pontos de referência identificados no mapa, como a Catedral da Sé São Salvador do Mundo, o Alto da Sé e a Igreja Nossa Senhora do Carmo. Na faixa litorânea aparecem uma avenida à beira-mar, uma pequena área de areia e estruturas de contenção avançando sobre a água, evidenciando a relação entre o centro histórico e a orla marítima." class="" loading="lazy" >
            </picture>

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	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Google Earth</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Moradores apontam que a medida irá favorecer diretamente a Mansão da Matuta, a maior casa de eventos do Sítio Histórico, que, além de ter sido recentemente reformada e ampliada, vem recebendo eventos com shows aos fins de semana, além de funcionar como camarote privado durante o Carnaval.</p>



<p>Urbanistas, moradores e comerciantes contra a nova lei temem que ela possa abrir precedentes e termine descaracterizando ainda mais a cidade que é Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco em 1982.</p>



<p>Em nota, a Sociedade de Defesa da Cidade Alta (Sodeca) diz que a lei “pode abrir precedentes perigosos, compromete a proteção do patrimônio, impacta o caráter residencial do Sítio Histórico e ameaça o sossego, a mobilidade e qualidade de vida na área”. E complementa: “não somos contra o desenvolvimento econômico, mas defendemos que ele respeite as características e os limites de proteção do Sítio Histórico”.</p>



<p>Além de comprometer a preservação do patrimônio, o PLO aprovado nesta terça (3) flexibiliza o licenciamento, ao possibilitar a concessão provisória de alvará de funcionamento. Hoje um dos principais entraves para quem empreende no Sítio Histórico é conseguir o alvará, porque a legislação limita as atividades. A nova lei pode até acabar criando uma concorrência desleal entre os estabelecimentos, dizem moradores e comerciantes que são contra a medida.</p>



<p>A proposta também amplia o raio de estacionamento, ao dizer que, “quando não houver área disponível, o espaço destinado a estacionamento de veículos poderá localizar-se em outro imóvel, à distância máxima de 400 metros, mediante vinculação desse espaço com a edificação existente”. Hoje essa distância é de apenas 200 metros.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/11/20261104_164358.jpg-1024x768.jpeg" alt="Imagem de uma rua de paralelepípedos em aclive no sítio histórico de Olinda, ladeada por casarões de arquitetura tradicional. Em destaque, há uma casa térrea pintada de verde-claro com detalhes brancos, grades metálicas e um pequeno alpendre cercado por vegetação. À esquerda, outra construção de fachada branca acompanha a inclinação da via, enquanto um carro vermelho está estacionado mais adiante. O cenário inclui árvores, plantas floridas, postes e fiação aérea, sob um céu azul com algumas nuvens claras, compondo uma paisagem urbana histórica e arborizada." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Rua do Bonfim, no Sítio Histórico, é uma das áreas mais cobiçadas por empresários
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Raíssa Ebrahim/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Vereadores priorizam lazer e turismo, em vez de patrimônio</h2>



<p>A mesa diretora da Câmara de Olinda, responsável pela novidade, argumenta que a legislação olindense precisa acompanhar a modificação do centro histórico ao longo do tempo, de setor residencial para turístico, o que, na visão dos proponentes, reforçaria “a destinação vocacional da área para atividades de lazer e cultura, essenciais para a sustentabilidade econômica do município”.</p>



<p>A mesa é composta pelos vereadores Saulo Holanda (presidente), Professor Marcelo (1º vice-presidente), Márcio Barbosa (2º vice-presidente), Jesuíno Araújo (1º secretário) e Simplício (2º secretário). Os únicos a rejeitar o projeto foram Eugênia Lima (PT) e Labanca (PV). Confira, ao final da matéria, a votação nominal do PLO e os partidos de cada parlamentar.</p>



<p>No texto do PLO, lê-se que o objetivo é “promover adequações pontuais e indispensáveis na Lei Municipal nº 4.849, de 23 de junho de 1992, que regulamenta o Zoneamento do Uso e Ocupação do Solo no Sítio Histórico de Olinda, visando harmonizar a legislação urbanística com as transformações socioeconômicas desenvolvidas na cidade ao longo das últimas décadas, bem como conferir maior segurança jurídica, razoabilidade e efetividade à aplicação de suas disposições”.</p>



<p>A justificativa do projeto diz ainda que “a dinâmica urbana de Olinda, em especial nas áreas centrais e de relevância histórica e turística, experimentou uma transição natural com a ampliação de estabelecimentos comerciais, de serviços e gastronômicos, acompanhada da redução do uso estritamente residencial. A norma vigente, desenhada em contexto decorrido diverso, necessita de atualização para contemplar essa realidade sem impor restrições desproporcionais ou desnecessárias ao desenvolvimento local, sempre preservando as características históricas, culturais, urbanísticas e paisagísticas que justificam a proteção especial da área”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma nova lei da noite para o dia</strong></h2>



<p>Quem é contra avalia que não se pode aprovar uma nova lei da noite para o dia, sem um amplo debate, apenas porque a legislação atual está defasada. “Eu, como especialista na área e como urbanista, fiquei extremamente surpreendida pelo modo como o urbanismo e o meio ambiente são tratados aqui na Câmara”, disparou a arquiteta e urbanista Vera Milet, na audiência pública desta terça (3). Para ela, a nova lei não tem sustentabilidade jurídica nem técnica e urbanística e sequer consegue sobreviver ao Estatuto da Cidade, que é uma norma federal.</p>



<p>Moradora de Olinda, professora aposentada da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ex-secretária de Patrimônio de Olinda e ex-presidente do Conselho de Preservação, Vera lembra que a Lei 4849/92 foi trabalhada de 1988 até 1992, quando foi aprovada, num processo que envolveu Sodeca, comerciantes, Justiça Federal, Condepe/Fidem, prefeitura, Conselho de Preservação, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/11/Olinda-Vera-300x148.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/11/Olinda-Vera-1024x504.jpeg" alt="Imagem de uma sessão da Câmara Municipal de Olinda mostrando Vera Milet, uma mulher idosa, de cabelos grisalhos e óculos falando em um microfone atrás de uma tribuna de madeira. O ambiente é interno, com parede clara ao fundo e iluminação uniforme. Na parte superior da imagem aparecem os textos “51ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Olinda”, o brasão do município e a data “03/11/2026”. Na faixa inferior, há uma identificação azul com o mesmo nome da sessão legislativa." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Vera Milet está surpresa como o tema foi tratado na Câmara Municipal
</p>
	                
                                            <span>Crédito: captura de tela</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Durante a audiência, a especialista ainda questionou a falta de menção e de reflexão urbanística, por parte dos vereadores proponentes, das questões sobre capacidade de carga e sobre remoção de vegetação na Cidade Alta.</p>



<p>“O que a gente vem observando, aqui no Sítio Histórico é que, sequencialmente, a moradia está sendo substituída por outros usos ou está sendo abandonada. Se vocês observarem, o Sítio Histórico de Olinda está praticamente à venda. E os imóveis estão sendo deteriorados, porque não existe possibilidade de um imóvel passar um, dois, três anos sem uso sem que se transforme em ruína”, alerta.</p>



<p>Como exemplo, Vera cita a Rua do Amparo: “está sendo predominantemente utilizada por atividades de bares e turísticas, inclusive irregulares. E um dos elementos que potencializa a perda do título de patrimônio da humanidade é esse tipo de intervenção que vem sendo feita na Rua do Amparo por imóveis que não passaram por aprovação nem do Iphan nem do Conselho de Preservação”.</p>



<p>A vereadora Eugênia tentou vetar o PLO argumentando sua inconstitucionalidade, mas foi derrotada. “A gente não pode, por um piscar de olhos, alterar essa lei”, alertou. “Esse projeto passa por cima do Executivo para flexibilizar a concessão de alvarás, além de alterar o zoneamento de uma área protegida como patrimônio histórico da humanidade, sem garantir a participação popular”, resumiu.</p>



<p>“Alguns vereadores falaram que houve uma audiência aqui, mas essa audiência, há uns dois meses, foi para discutir a recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), não foi a mudança e alteração dessa legislação”, recorda. Eugênia também reforçou a necessidade de diálogo com os diversos atores envolvidos, além de órgãos de patrimônio, planejamento, controle e fiscalização.</p>



<p>“Na sessão passada, a gente fez esse apelo para que fosse instaurado um plano de trabalho, para que a gente tivesse esse tempo, já que a gestão, há muito tempo, nessa casa pediu a revisão desse plano e não foi feita. Então eu acho que a gente precisa ouvir quem conhece de perto, quem tem a responsabilidade pública de apresentar as soluções, debater o funcionamento dos estabelecimentos, a questão do barulho, a circulação das ruas, a fiscalização e proteção ao nosso patrimônio. E esse debate precisa de acesso prévio, proposta, tempo, contribuição, tudo que a gente está sentindo falta aqui”, reclamou.</p>



<p>Em nota, a Prefeitura de Olinda informou que “realizará a análise jurídica do projeto, assim que receber o texto integral da proposição aprovada pela Câmara. A gestão municipal discutirá os encaminhamentos cabíveis, incluindo a possibilidade de sanção ou veto, conforme os aspectos legais e o interesse público envolvidos.</p>



<p>MPPE</p>



<p>Na segunda (2), o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) havia recomendado que a Câmara Municipal de Olinda condicionasse a deliberação final e aprovação do Projeto de Lei no 44/2026 ao cumprimento das diretrizes do Estatuto da Cidade e do Plano Diretor Municipal, com a realização de audiências públicas e a elaboração de estudos técnicos de impacto urbanístico. </p>



<p>Aconselhou ainda que o processo legislativo incorporasse as contribuições populares e os<br>pareceres técnicos dos órgãos de preservação antes da votação do mérito, sob pena de a<br>ausência desses elementos sujeitarem uma futura declaração de inconstitucionalidade do projeto.</p>



<p>O documento é assinado pela promotora de Justiça Coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do MPPE, Belize Câmara, e pelo promotor de Justiça da 3a Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Olinda (Meio Ambiente, Patrimônio Cultural, Habitação e Urbanismo) Édipo Soares Cavalcante Filho.</p>



<p>Caso a Câmara não cumprisse essas obrigações — e de fato não cumpriu —, o MPPE recomenda que a prefeita Mirella vete o projeto.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira a votação nominal do PLO 44/2026</span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Contra</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Eugênia Lima (PT)<br />
Labanca (PV)</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>A favor</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Denise Almeida (PSD)<br />
Mizael Prestanista (PSD)<br />
Jesuíno Araújo (PSD)<br />
Iran Barbosa (Democracia Cristã)<br />
Simplício (PV)<br />
Professor Marcelo (PSD)<br />
Márcio Barbosa (Avante)<br />
Ricardo Sousa (Avante)<br />
Saulo Holanda (MDB)<br />
Biai (Avante)</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Não compareceram</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Felipe Nascimento (PSD)<br />
Sarmento (PL)<br />
Milcon Rangel (MDB)<br />
Jadilson Bombeiro (PL)<br />
Sardinha (Agir)</p>
	</div>
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