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	<title>Arquivos Mato Grosso do Sul - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 27 Dec 2024 14:37:50 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Mato Grosso do Sul - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Dicionário Kaiowá-Português ganha nova edição atualizada com mais de 6 mil palavras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Dec 2024 14:25:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[dicionário]]></category>
		<category><![CDATA[kaiowá]]></category>
		<category><![CDATA[Mato Grosso do Sul]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando foi trabalhar em Dourados, no Mato Grosso do Sul, há mais de 40 anos, a professora Graciela Chamorro era recém-formada em música. Não demorou muito e ela, nascida no Paraguai, logo conheceu indígenas da etnia kaiowá. Uma conexão foi a língua, semelhante ao guarani, uma dos idiomas oficiais do seu país. Mas também havia [&#8230;]</p>
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<p>Quando foi trabalhar em Dourados, no Mato Grosso do Sul, há mais de 40 anos, a professora Graciela Chamorro era recém-formada em música. Não demorou muito e ela, nascida no Paraguai, logo conheceu indígenas da etnia kaiowá. Uma conexão foi a língua, semelhante ao guarani, uma dos idiomas oficiais do seu país. Mas também havia várias diferenças, palavras e sons novos, que ela não entendia. “O que eles me falavam de conteúdo, eu não entendia completamente, mas entendia a profundidade das frases, das afirmações, dos cantos. Eu sempre tinha que perguntar de novo. E nesse vai e vem, eu fui descobrindo as palavras que, de fato, não conhecia”, conta Chamorro.</p>



<p>Tudo que ia aprendendo, ela anotava em um caderninho. “Quando eles falavam de batismo, por exemplo, eram 20 palavras que eu precisava saber para entender o assunto. Quando eles falavam em morte, ou em dança, ou em cura, quantas eram? E assim eu fui criando um acervo de termos muito próximos da experiência cultural da língua e que era muito necessário, porque eu entendia a conversa de forma geral, mas não o conteúdo. Então, eu fui sempre colocando atrás de cada texto uma lista de palavras, um glossário”, conta.</p>



<p>O que começou como simples anotações se tornou, em 2022, o primeiro dicionário Kaiowá-Português, que agora chega a sua segunda edição impressa, com quase 800 páginas, em capa dura, financiada pelo Fundo de Investimentos Culturais (FIC), da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).</p>



<p>Professora aposentada de História Indígena na <a href="https://ufgd.edu.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)</a>, Graciela Chamorro sabia que as anotações que havia reunido ao longo de décadas eram valiosas para ajudar na comunicação com os povos kaiowá. Mas o projeto de lançar um dicionário começou a tomar forma somente em 2017, quando ela conheceu Assis Benevenuto, fundador da editora Javali, que submeteu e aprovou o dicionário no edital Rumos Itaú Cultural 2019–2020.</p>



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	                                        <p class="m-0">Há mais de 40 anos a professora Graciela Chamorro pesquisa sobre a língua kaiowá.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Fábio Gruppi/Divulgação</span>
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                    </figure>

	


<p>O projeto então foi tomando forma e contou com a participação de professores universitários das áreas de linguística, lexicografia, história, antropologia e línguas originárias. E, claro, a fundamental colaboração de indígenas kaiowá.</p>



<p>A primeira edição do dicionário se baseou sobretudo na língua falada pelos kaiowás das terras indígenas de Panambi, Itay Ka’agwyrusu, Gwyra Kambiy e Panambizinho. “São indígenas rebeldes”, brinca Chamorro. Isso porque os habitantes de Panambi e Panambizinho não se entregaram ao sistema de reservas estabelecido pelo Estado, preferindo permanecer em suas terras tradicionais, mesmo que isso significasse ocupar uma área menor. Especialmente nessas duas terras indígenas se fala uma língua mais preservada, o que ajudou o dicionário a ter uma compreensão mais próxima do idioma original.</p>



<p>Para esta nova edição impressa, houve a necessidade de ampliar a participação de falantes que não pertencem ao Ka’agwyrusu<em> </em>[<em>Ka’agwy</em> “mata” e <em>rusu</em> “densa/o, grossa/o”], a “mata grossa” que cobriu até metade do século XX boa parte do antigo sul de Mato Grosso. “É muito diferente você trabalhar com um indígena que é da reserva e que sua língua está mais ou menos adaptada à cultura da reserva do que trabalhar com indígenas que não têm essa tutela, ou não que tiraram essa tutela da reserva. Então para a segunda edição percebemos também a demanda de um vocabulário menos conservador de parte de usuários da edição anterior”, conta a professora.</p>



<p>Na prática, isso significou a inclusão de novos verbetes, de empréstimos e de novas acepções, que foram feitos com um grupo de docentes e estudantes kaiowá e guarani que colaboram na elaboração do Dicionário Escolar Kaiowá. Na primeira edição, por exemplo, não havia palavras iniciadas com F nem por L, já que não constam no abecedário kaiowá mais reservado. “Na primeira edição, não trabalhamos muito com empréstimos, especialmente do espanhol e do português. Preferimos a língua mesmo kaiowá, porque os empréstimos são muitos e aí seria um dicionário de duas mil páginas com bastante empréstimos. Agora, incluímos alguns por demanda dos próprios indígenas, que pediram pra gente colocar porque são empréstimos que já existem há muitos anos”.</p>



<p>Um dos grandes desafios do dicionário foi a ausência de uma escrita padronizada para o kaiowá. Existem dois modelos principais: um baseado no português e outro no espanhol. “Praticamente desde o século 16 o espanhol está presente aqui na região e tem muito mais material escrito em espanhol sobre os kaiowá, por isso optei pelo modelo espanhol”, afirmou a organizadora do dicionário.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/12/Cred.-Vitor-Carvalho-819x1024.jpg" alt="A foto mostra a capa do Dicionário Kaiowá-Português em destaque. O livro tem uma capa amarela com ilustrações simples em preto, incluindo desenhos de uma planta de milho e uma borboleta ou mariposa ao lado. O título está escrito em letras grandes e pretas. O livro está posicionado sobre um chão que combina dois tipos de revestimento: uma parte com azulejos pequenos em preto e branco, formando um padrão quadriculado, e outra parte com madeira clara." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">O Dicionário Kaiowá-Português traz mais de 6.000 palavras com muitas notas culturais e linguísticas. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Vitor Carvalho/Divulgação</span>
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                    </figure>

	


<p>Além de ser uma ferramenta muito útil para pesquisadores, profissionais de saúde e educadores que trabalham com os kaiowá, o dicionário também busca suprir a falta de conhecimento sobre a cultura e língua kaiowá na sociedade em geral, já que a língua é uma importante ferramenta para acessar essa cultura. “Já recebi o relato de um médico, que trabalha em um hospital próximo a uma área indígena, que recorreu ao dicionário para entender o que os pacientes kaiowá estavam comunicando. E eles têm lá no hospital, e fica lá rodando na mão de quem precisa”, conta.</p>



<p>Para Graciela, é importante que políticas públicas sejam desenvolvidas para incentivar o uso da língua kaiowá, incluindo a presença de falantes nativos em escolas e centros de pesquisa. “Hoje em dia, há uma inserção muito grande de igrejas nas aldeias e falam tudo em português. Deveria ser exigido que essas igrejas falassem na língua nativa dos indígenas. Quem vier de fora, tem que falar na língua nativa. Eu acho que uma maneira de prestigiar a língua também é que o Estado coloque exigências para que os professores também aprendam o idioma. Assim, os indígenas vão ver que a sua cultura também é valorizada”, afirma.</p>



<p>O dicionário tem ilustrações do artista kaiowá Misael Concianza Jorge, além de 50 grafismos, que, assim como as ilustrações, são parte da representação visual da cultura kaiowá no diicionário.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">Onde encontrar</span>

	    <p>A edição física do livro<a href="https://www.editorajavali.com/product-page/dicion%C3%A1rio-kaiow%C3%A1-portugu%C3%AAs" target="_blank" rel="noopener"> é vendida a R$ 80</a> e o dicionário também está disponível gratuitamente <a href="https://www.editorajavali.com/dicionário-kaiowá-português" target="_blank" rel="noreferrer noopener">no site da editora Javali</a>.</p>
    </div>
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		<title>Após assassinatos, povo Guarani Kaiowá denuncia ameaças de morte contra crianças e estudantes</title>
		<link>https://marcozero.org/apos-assassinatos-povo-guaranikaiowa-denuncia-ameacas-de-morte-contra-criancas-e-estudantes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jul 2022 17:38:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[guarani-kaiowá]]></category>
		<category><![CDATA[massacre]]></category>
		<category><![CDATA[Mato Grosso do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[ruralistas]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra indígenas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O povo indígena Guarani Kaiowá da aldeia Guapo’y, em Amambai, no Mato Grosso do Sul, denunciou nesta quarta-feira, 27 de julho, mais uma situação de terror. Após um massacre recente, desta vez as ameaças de morte são contra crianças e estudantes que, segundo trocas de mensagens no Facebook, seriam mortos em sala de aula na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O povo indígena Guarani Kaiowá da aldeia Guapo’y, em Amambai, no Mato Grosso do Sul, denunciou nesta quarta-feira, 27 de julho, mais uma situação de terror. Após um massacre recente, desta vez as ameaças de morte são contra crianças e estudantes que, segundo trocas de mensagens no Facebook, seriam mortos em sala de aula na escola localizada dentro da Reserva de Amambai. A população da aldeia, onde vivem 12 mil pessoas, pede proteção e investigação federal imediata.</p>



<p>Segundo informações publicadas numa carta da Aty Guasu (a Grande Assembleia Guarani Kaiowá, principal entidade representativa do povo), uma troca de conversas na rede social deixou evidente um planejamento de ataque. Uma das mensagens diz: “Então vc já conseguiu as armas. Eu andei pesquisando ontem e os alunos entram as 12hrs. Então uma 2hors por ae a agente começa tbm. Vai eu e mais 3indios já da aldeia mesmo”. Outra pessoa responde: &#8220;Tabom vó avizar. Alguns homem que está com agente. Se não der hj tem amanhã e sexta pra gente entrar naquela escola e metralhas os filhos dos vagabundos. Antes da eleisao tem q sair 10 morto lá na escola”.</p>



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<p>Em conversa por telefone com a <strong>Marco Zero</strong>, uma liderança Guarani Kaiowá informou que, até o momento, a aldeia não recebeu segurança federal. Os indígenas seguem à espera. As aulas de quase dois mil estudantes foram suspensas, tanto em escolas municipais quanto estaduais. A fonte disse ainda que o Ministério Público Federal (MPF) já foi acionado e a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso. “A situação é de medo para toda a comunidade”, relatou.</p>



<p>A Aty Guasu Guarani Kaiowá publicou uma carta sobre o ocorrido e já vem denunciando a conduta do capitão da aldeia Amambai, chamado João Gauto. Segundo as lideranças, ele deveria promover proteção, mas tem ameaçado as pessoas. O capitão da aldeia é uma função exercida por não indígenas, herança tanto da época da ditadura militar quanto dos tempos do colonialismo português, mas que ainda está presente em algumas comunidades. Apesar de ser eleito pelo povo, recebe apoios políticos e de fazendeiros do agronegócio.</p>



<p>Por causa da insatisfação interna com a atuação do capitão, houve protestos e pedidos para que ele deixasse o cargo, numa espécie de “impeachment”. Gauto é acusado de envolvimento no chamado Massacre de Guapo’y (entenda mais abaixo). O MPF fez uma mediação e, no próximo domingo (31), será realizada uma nova eleição para o cargo. O pleito tem aumentado ainda mais a situação de disputa e de terror dentro da aldeia Guapo’y.</p>



<p>A reportagem teve acesso a áudios de WhatsApp em que Gauto diz estar esperando policiais para uma ação na comunidade da retomada Guapo&#8217;y Mirim. Ele conta com apoio do prefeito de Amambai, Edinaldo Bandeira (PSDB), que, num outro áudio, compartilhado em grupos da comunidade, comenta que a eleição de Gauto é legítima e democrática, que não reconhece outro capitão e não aceitará nenhuma outra “imposição”.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.slideshare.net/IncioFrana2/kaiowapdf
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Terror em Amambai</strong></h2>



<p>Os Guarani Kaiowá de Amambai têm sido alvo de ataques e ameaças gravíssimas, com episódios de repressão e morte por causa da retomada do território Guapo’y. No dia 25 de junho deste ano, uma ação policial resultou na morte do Guarani Kaiowá Vitor Fernandes, com três tiros, além de pelo menos 10 indígenas feridos. Também há relatos de indígenas desaparecidos. Esse episódio ficou conhecido como Massacre de Guapo’y.</p>



<p>Três semanas depois, uma emboscada resultou na morte, também a tiros, de Márcio Moreira, liderança do Tekoha Gwapo’y Mi Tujury, território onde aconteceu a retomada. Nesta semana, com as ameaças a crianças e estudantes, o terrorismo continuou. </p>



<p>“Novamente estamos aqui, clamando por justiça, que o Poder Público nos proteja de abusos, que instâncias de segurança sejam aplicadas a toda a população indígena. Solicitamos a intervenção da Polícia Federal em vigília constante a população Guarani Kaiowá em Amambai, pois os abusos não cessam e nosso povo continua sendo massacrado de todas as formas”, pede a carta pública Aty Guasu publicada nesta quarta-feira, 27 de julho.</p>



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