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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Entenda por que o metanol pode matar ou levar à cegueira irreversível</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2025 22:31:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Náuseas, enjoo, cólica abdominal, letargia. Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol podem se assemelhar à uma ressaca, mas é um quadro que pode evoluir para a morte. Usado como solvente na indústria, o metanol é altamente tóxico para seres humanos e pode estar no uísque que foi bebido por um grupo de homens em [&#8230;]</p>
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<p>Náuseas, enjoo, cólica abdominal, letargia. Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol podem se assemelhar à uma ressaca, mas é um quadro que pode evoluir para a morte. Usado como solvente na indústria, o metanol é altamente tóxico para seres humanos e pode estar no uísque que foi bebido por um grupo de homens em Lajedo, no agreste de Pernambuco. Um ficou cego e a polícia investiga se a morte de outros três têm relação com a contaminação da bebida. Apesar do cheiro e do gosto serem bastante semelhantes ao do etanol – o álcool consumido em bebidas –, os danos ao corpo são bem diferentes.<br><br>Ao ser ingerido, o metanol é metabolizado pelo fígado primeiro em formaldeído (o popular &#8220;formol&#8221;) e posteriormente em ácido fórmico, o que causa acidez no sangue, levando a uma acidose metabólica grave. “Como o fígado precisa de tempo para metabolizar o metanol até o ácido fórmico, os sintomas não são imediatos. A pessoa pode tomar a bebida em uma festa e ir para casa tranquilamente, não é como um &#8216;boa-noite cinderela&#8217;”, afirma o médico Pedro Alves, preceptor de clínica médica do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/" class="titulo">Polícia investiga origem de uísque adulterado por metanol e quatro casos suspeitos em Pernambuco</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><br>O envenenamento por metanol se manifesta em média de 12 a 24 horas após a ingestão da bebida adulterada, com sintomas genéricos de uma intoxicação qualquer. “O que vai chamar atenção na evolução dos sintomas são as manifestações neurológicas e oftalmológicas: uma dor de cabeça muito forte, desorientação, vista turva. Mesmo algum tempo depois de beber, a pessoa ainda vai estar como se estivesse meio embriagada. Isso aí já é a toxicidade do metanol”, diz o médico.<br><br>Um artigo de revisão científica de intoxicações por metanol, publicado em 2022 na <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8731680/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">revista Archives of Toxicology</a> por pesquisadores poloneses indicou que a intoxicação por metanol tem taxas de mortalidade variando entre 18% e 44%, segundo dados dos Estados Unidos. Danos à visão são comuns: estima-se que sintomas visuais ocorram em cerca de 50% dos casos.</p>



<p>“O ácido fórmico atinge o sistema nervoso central. E o nervo óptico faz parte do sistema nervoso central”, explica a oftalmoglogista Camilla Alliz, preceptora de catarata e retina na Fundação Altino Ventura (FAV). Chamada de Neuropatia Óptica Induzida por Metanol, essa condição é muito grave e pode resultar em deficiência visual de longo prazo ou irreversível, levando até à cegueira. “O consumo de apenas 4 ml de metanol pode ser suficiente para provocar a perda completa da visão”, alerta a oftalmologista. Os sintomas visuais normalmente se manifestam entre 12 e 48 horas após a exposição, segundo o artigo de 2022. De acordo com nota técnica da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) divulgada hoje, a dose oral letal do metanol é estimada em 30 a 240ml(20a150g).</p>



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	                                        <p class="m-0">Nervo ótico compõe o sistema nervoso central
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ribhav Agrawal/Pixabay</span>
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                    </figure>

	


<p>Quando o metanol causa danos ao nervo óptico, a maioria dos casos é irreversível, diz Camilla Alliz. “A grande preocupação é que, uma vez atingido o nervo óptico, muitas vezes não é possível reverter o quadro. O paciente pode primeiro perceber uma visão embaçada. Ou, muitas vezes, o paciente acorda e já não consegue enxergar, pode ser algo súbito”, alerta Alliz. Quando chega nesse ponto, é difícil que o paciente volte a enxergar. “Infelizmente, quando atinge o nervo óptico, que faz parte do sistema nervoso central, a maioria das vezes não se consegue reverter o dano. E não existe transplante de nervo óptico. Se a pessoa sentir qualquer alteração visual, precisa imediatamente ir na emergência”, avisa a médica.</p>



<p>A identificação e o tratamento rápidos são importantes para evitar a progressão da doença, mesmo que já se tenha algum déficit visual inicial. O diagnóstico precoce, porém, não é tão simples, por conta dos sintomas inespecíficos da intoxicação.</p>



<p>Existe um teste que aponta a presença de metanol, mas é pouco disponível no Brasil. “O que o médico pode fazer se o paciente chegar com histórico de ingestão de bebida alcoólica na noite ou no dia anterior, com sintomas persistentes, é ver se há acidose metabólica, que pode ser identificada através de um exame de sangue simples”, recomenda o médico Pedro Alves. A partir daí, o tratamento pode incluir antídotos contra o metanol e hemodiálise.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Antídotos estão em falta ou escassos no Brasil</h2>



<p>Há dois antídotos usados em hospitais para intoxicações por metanol. Um é o etanol puro e o outro o fomepizole (ou 4-metilpirazol) – ambos impedem a conversão do metanol no perigoso ácido fórmico. No Brasil, porém, não há disponibilidade do fomepizole. “É o mais indicado, pois não tem os efeitos colaterais do etanol”, pontua Pedro Alves.<br><br>O tratamento, então, é feito com etanol puro na veia, que também não está plenamente disponível nos hospitais e deve ser solicitado ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Pernambuco (CIAtox) mais próximo. Mas até o etanol está em escassez: em nota na terça-feira (30), o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp apontou que o Brasil não tem estoque suficiente de antídotos para tratar muitos casos de intoxicação por metanol. Já a Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Abracit) cobrou a incorporação do fomepizole ao Sistema Único de Saúde (SUS).<br><br>A base científica para o uso do etanol puro é que ele compete com o metanol pelo metabolismo no fígado, e a enzima do fígado que realiza essa conversão, a álcool desidrogenase (ADH), tem uma afinidade até 20 vezes maior pelo etanol do que pelo metanol. “É como se o metanol e o etanol estivessem competindo para serem metabolizados por essas enzimas hepáticas. Como o fígado tem uma predisposição a metabolizar preferencialmente o etanol, ao injetar etanol no paciente o fígado fica ocupado, fazendo com que o metanol não metabolizado seja eliminado do corpo pela urina”, explica Pedro Alves.<br><br>Embora o álcool comum encontrado nas bebidas seja de fato um antídoto que pode salvar vidas em casos de intoxicação por metanol, não é recomendado que ele seja administrado por meio do consumo de bebidas alcoólicas, devido aos riscos e à falta de controle. “A pessoa pode entrar em coma alcoólico, por exemplo”, diz Pedro Alves. No ambiente hospitalar (com etanol venoso), a dosagem é monitorada, e o paciente é acompanhado de perto, o que não ocorre na ingestão caseira.<br><br>A terapia combinada, que inclui antídoto e hemodiálise, é a abordagem preferencial para casos graves, pois permite a remoção acelerada e simultânea tanto do metanol quanto do ácido fórmico. Enquanto as investigações policiais e epidemiológicas estão em curso e não se sabe ainda a origem e distribuição dessas bebidas contaminadas com metanol em Pernambuco, os médicos recomendam que as pessoas redobrem a atenção ao comprar bebidas alcóolicas.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Foi divulgada no começo da noite desta quarta-feira (01) uma nota técnica conjunta da Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde e Atenção Primária (SEVSAP) e a Secretaria Executiva de Atenção à Saúde (SEAS). É um alerta sobre risco de intoxicação exógena por metanol associada ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.</p>
<p>No texto, a nota afirma que o padrão identificado nos casos de São Paulo – mais de 35 sob suspeita – diferem dos registros anteriores no país. “Historicamente, as intoxicações por metanol ocorriam predominantemente em populações em situação de vulnerabilidade social, relacionadas à ingestão de álcool combustível (etanol automotivo) adulterado com metanol. No entanto, os casos recentes envolvem indivíduos em contextos sociais de consumo — como bares, festas e residências — com relato de ingestão de bebidas como gin, uísque, vodca e outras destiladas, de diferentes marcas e procedências”.</p>
<p>A nota, voltada para profissionais de saúde, estabelece os procedimentos que devem ser adotados em suspeita de intoxicação por metanol e ficará disponível no site da Secretaria Estadual de Saúde.</p>
        </div>
    </div>
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			</item>
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		<title>Polícia investiga origem de uísque adulterado por metanol e quatro casos suspeitos em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2025 18:59:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar de oficialmente o Governo do Estado trabalhar com três casos suspeitos, mais uma pessoa pode ter consumido bebida envenenada com metanol em Pernambuco. Além das duas mortes notificadas à Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), uma terceira pessoa que estava bebendo com as outras vítimas teria sido levada para uma unidade de saúde em Lajedo, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Apesar de oficialmente o Governo do Estado trabalhar com três casos suspeitos, mais uma pessoa pode ter consumido bebida envenenada com metanol em Pernambuco. Além das duas mortes notificadas à Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), uma terceira pessoa que estava bebendo com as outras vítimas teria sido levada para uma unidade de saúde em Lajedo, no agreste do estado, e falecido antes mesmo de ser levada para o Hospital Regional Mestre Vitalino, em Caruaru, onde as outras três vítimas foram atendidas – apenas um homem sobreviveu, perdendo a visão.</p>



<p>A informação foi repassada no final da manhã desta quarta-feira (1º de outubro) pelo delegado de Lajedo, Cledinaldo Orico, na sede da SES-PE, no Recife. “Nós fomos informados sobre a existência de outra pessoa que veio a falecer. Então, seriam três mortos, mas o hospital não notificou e pode ser que tenha havido alguma confusão nos depoimentos. Nós não sabemos ainda”, afirmou. De acordo com o delegado, as mortes ocorreram no início de setembro e a delegacia começou a investigar o caso rapidamente, inclusive com vítimas ainda hospitalizadas.</p>



<p>O Hospital Mestre Vitalino, no entanto, só notificou a SES-PE na tarde de ontem sobre a suspeita de intoxicação por metanol. De acordo com o delegado, amostras da bebida foram recolhidas na investigação no começo de setembro, mas o resultado ainda não ficou pronto e deve ser divulgado “em breve”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pernambuco-registra-tres-casos-suspeitos-de-intoxicacao-por-metanol/" class="titulo">Pernambuco registra três casos suspeitos de intoxicação por metanol</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“A esposa de uma das vítimas nos procurou e nos apresentou algumas garrafas de uísque, supostamente corrompidas. Então nós, de imediato, procedemos à oitiva dessa senhora enquanto o marido dela estava em estado grave no hospital, em Caruaru. De imediato, já requisitamos também a realização da perícia, tanto nos corpos dos atendidos, quanto também na bebida. Temos uma suspeita grande (sobre a intoxicação por metanol), mas ainda não temos certeza, porque a certeza depende da perícia técnica”, afirmou o delegado. “O esposo da mulher que procurou a delegacia veio a óbito. Ela também nos deu a notícia de outro homem que morreu, que até então não se suspeitava ter sido por intoxicação, mas que por conta da sequência de internamentos, gerou essa coincidência e foram feitas essas conexões”, disse, sobre a possível terceira morte suspeita.</p>



<p>Uma das linhas de investigação seguidas pela polícia aponta que uma das vítimas teria comprado uma quantidade de garrafas de uísque em um caminhão. “Ele teria comprado para revender, mas também consumiu com os amigos antes de um festival de rock em Lajedo. Uma linha informa que ele adquiriu isso de um caminhão na cidade de Belo Jardim, mas há a possibilidade dessa informação não ser verídica, então estamos checando”, disse o delegado, que não quis informar que outras linhas de investigação também estão sendo apuradas. Uma das vítimas era moradora da cidade de João Alfredo, distante quase 150 quilômetros de Lajedo.</p>



<p>Dessas pessoas que beberam a bebida, as duas que tiveram a morte notificada ontem à SES-PE foram dois homens, um de 30 anos e outro de 43 anos. O sobrevivente foi um cunhado de uma das vítimas, de 32 anos, que perdeu a visão dos dois olhos. A prefeitura de Lajedo também teria informado a morte de um homem de 25 anos, mas esta ainda não notificada oficialmente à SES-PE.</p>



<p>Para não atrapalhar as investigações, a polícia não informou a quantidade de garrafas compradas pela vítima, nem se já identificou o vendedor ou o local de onde o caminhão pegou as bebidas. O rótulo da bebida adulterada também não foi divulgado. O caminhão apontado pelo comprador teria como origem o estado de São Paulo.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:33% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-72645 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-683x1024.jpg 683w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-768x1152.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-1024x1536.jpg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-1366x2048.jpg 1366w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-150x225.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-scaled.jpg 1707w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Nós também comunicamos aos outros órgãos policiais e à cadeia hierárquica, a fim de sabermos se no estado de Pernambuco há outros indivíduos também vitimados pela ingestão dessas substâncias, bem como também oficiamos à polícia de São Paulo para ver se há um elo comum entre as mortes ocorridas em São Paulo e os casos aqui em Pernambuco. As investigações estão apenas no início e a nossa preocupação é evitar que novas vítimas surjam”, disse Orico, afirmando que a Polícia Federal também já começou diligências em Pernambuco.</p>
</div></div>



<p> “Por ora, não temos ainda confirmação que se trata de uma mesma cadeia de fornecimento, com penetração em vários estados. Mesmo assim, a Polícia Federal, muito prudentemente, já se antecipou e já iniciou as suas investigações”, afirmou.</p>



<p>Diretora geral da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), Karla Baêta afirmou que só no final da tarde de ontem o hospital notificou a SES-PE sobre a possibilidade de duas mortes terem sido causadas por metanol. “Se não tem a notificação, não tem como a gente saber. Então, desde ontem, estamos nesse trabalho de iniciar a investigação epidemiológica sanitária, que é diferente da investigação policial”, disse.</p>



<p>“É uma perda de oportunidade um caso ter acontecido no início de setembro e a gente só ter ciência agora, quase no início de outubro. Quase 30 dias de lacuna. É perda de oportunidade, mas a gente só tem como saber se é notificado”, lamentou a diretora. “Por isso que eu faço realmente uma chamada para os profissionais de saúde, hospitais, rede pública ou privada, para que notifiquem, para que nos cientifiquem dessas ocorrências, para que possamos atuar oportunamente”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Atendimento de casos suspeitos deve ser rápido</span>

		<p>Os sintomas nas seis horas após o consumo de metanol não diferem dos de uma ressaca: letargia, sonolência, dor abdominal, ânsia de vômito, náusea, dor de cabeça. “O problema é que a partir das seis horas começa a aumentar o número de sintomas neurológicos e visuais. Ou seja, a pessoa já começa a ficar com hipotensão, já começa a também ter distúrbios de visão. É um alerta muito forte para procurar a unidade de saúde e relatar na anamnese (nas perguntas da consulta médica) o consumo da bebida. Isso é muito importante, porque facilita tanto para quem vai procurar a unidade de saúde, quanto para os profissionais que estejam alertas com relação a esses sintomas”, informou a diretora da Apevisa.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Atenção à origem das bebidas</h2>



<p>A Apevisa está desde ontem atuando em três linhas: “uma primeira linha é realmente organizar com as vigilâncias sanitárias dos municípios o comércio de bebida alcoólica. Estamos em contato com a superintendência do Ministério da Agricultura aqui no estado de Pernambuco, que é responsável pelo registro das bebidas alcoólicas e o que deve acontecer é uma operação conjunta, entre a Apevisa, Ministério Público, Ministério da Agricultura, Delegacia do Consumidor e o Procon”, afirmou Karla Baêta.</p>



<p>Uma outra linha de atuação é junto aos serviços de saúde. “Os profissionais de saúde têm que estar em alerta para a detecção e tratamento oportuno para que a gente não tenha novos óbitos. Isso é de extrema importância. Nesse momento, que é um alerta nacional, sintomas que são compatíveis com intoxicação, que seria sintoma de embriaguez mais acentuado, já direcionam a necessidade de que as pessoas procurem a unidade de saúde e façam relato de que bebida foi consumida e onde foi adquirida, para que facilite o nosso trabalho”, afirmou.</p>



<p>Outro trabalho é junto aos consumidores e comerciantes. A diretora da Apevisa recomenda que as pessoas comprem bebidas alcoólicas apenas lacradas, com os selos do Ministério da Agricultura e em lugares confiáveis. Um ponto de atenção são as bebidas vendidas nas praias, como drinks, que já chegam ao consumidor nos copos. “É um trabalho junto aos comerciantes, para que comprem as bebidas apenas de fornecedores idôneos. Bebidas que estejam dentro da legalidade, tanto do ponto de vista do Ministério da Agricultura, quanto da vigilância sanitária”, afirmou.</p>



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	                                        <p class="m-0">Karla Baêta, da Apevisa, afirmou que atraso na notificação foi &#8220;oportunidade perdida&#8221;
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

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		<title>Pernambuco registra três casos suspeitos de intoxicação por metanol</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 23:36:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[metanol]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) divulgou na noite desta terça-feira (30) que foi notificada sobre possíveis casos de intoxicação por metanol em três homens do Agreste, resultando em duas mortes e uma sequela grave. Dois homens são residentes no município de Lajedo e um de João Alfredo. Os três pacientes pernambucanos foram atendidos [&#8230;]</p>
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<p>A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) divulgou na noite desta terça-feira (30) que foi notificada sobre possíveis casos de intoxicação por metanol em três homens do Agreste, resultando em duas mortes e uma sequela grave. Dois homens são residentes no município de Lajedo e um de João Alfredo. </p>



<p>Os três pacientes pernambucanos foram atendidos no Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru. Os dois homens que morreram eram moradores de Lajedo. O terceiro paciente, morador de João Alfredo, recebeu alta hospitalar, mas ficou com perda de visão bilateral como sequela permanente.</p>



<p>Pernambuco é o segundo estado a notificar mortes suspeitas por metanol. Desde a semana passada, o governo do estado de São Paulo investiga intoxicações por lá. Hoje, foi divulgado que cinco pessoas morreram após sete casos de intoxicação por metanol em São Paulo, sendo uma morte já comprovadamente causada por consumo de bebida alcoólica adulterada e quatro em investigação. </p>



<p>Ainda não se sabe como as bebidas foram adulteradas. Há divergências entre a Polícia Federal e o governo de São Paulo. Hoje, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, informou que já foi instaurado inquérito policial para investigar as circunstâncias envolvendo os casos de intoxicação em São Paulo. A Polícia Federal investiga, inclusive, a ligação da adulteração de bebidas alcoólicas com o crime organizado, em especial o Primeiro Comando da Capital (PCC). Já o governo de São Paulo descarta ligação das adulterações com o PCC. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que é metanol?</span>

		<p>O metanol, também conhecido como álcool metílico ou álcool de madeira, é uma substância química que representa um risco fatal quando consumido, mesmo em doses pequenas. Embora pertença à mesma família do etanol (o álcool potável), o metanol é classificado como altamente tóxico e é usualmente empregado na indústria química.</p>
<p>A presença do metanol em bebidas destinadas ao consumo humano indica, geralmente, que o produto foi adulterado. Nos casos recentes em São Paulo, as vítimas haviam consumido bebidas destiladas, como gin, whiskey e vodka.</p>
	</div>



<p>De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), em casos suspeitos de intoxicação, o hospital é responsável por relatar o quadro clínico, notificar a ocorrência e registrar as informações coletadas na anamnese. Contudo, a investigação é conduzida pelas vigilâncias da unidade estadual. Quando há óbito com suspeita de intoxicação, o corpo é encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) para a realização de exames que garantam a conclusão da causa.</p>



<p>A Apevisa afirmou que após receber a notificação já iniciou a preparação de ações de fiscalização em distribuidoras de bebidas alcoólicas de Pernambuco. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Sintomas de alerta</h2>



<p>Segundo a SES-PE, os sintomas iniciais de intoxicação podem ser confundidos com os da ingestão de álcool comum — como náuseas, vômitos, dor abdominal e sonolência. Porém, entre 6h e 24h após o consumo, podem surgir sinais mais graves, como visão turva, fotofobia, cegueira, convulsões e até coma. O socorro médico em até seis horas após o início dos sintomas é fundamental para evitar o agravamento da intoxicação.</p>



<p>A Apevisa recomenda que os serviços de saúde notifiquem imediatamente todos os casos suspeitos ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e ao Cievs/PE. Também orienta a busca ativa de pessoas que possam ter consumido bebidas da mesma origem, além da capacitação das equipes de saúde para o manejo clínico adequado, incluindo uso de antídotos específicos e hemodiálise nos casos graves.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Onde denunciar possíveis bebidas adulteradas</span>

		<p>O Governo do Estado conta com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox-PE), que funciona 24 horas para orientar consumidores e profissionais de saúde, pelo número 0800 722 6001. Denúncias também podem ser feitas à Ouvidoria da SES-PE (136 / ouvidoria@saude.pe.gov.br), ao Procon-PE (0800 282 1512 / (81) 3181-7000 / denuncia@procon.pe.gov.br) e à Delegacia de Crimes contra o Consumidor – Decon (81 3184-3835 / dp.consumidor@policiacivil.pe.gov.br).</p>
	</div>



<p>À população, a Agência Pernambucana orienta para a importância de observar sinais que podem indicar adulteração: verificar se a bebida possui registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), rótulo completo, lacre adequado, além de comprar apenas em locais confiáveis – mas aqui vale lembrar que em São Paulo um conhecido bar foi interditado hoje após uma mulher ficar cega após consumir caipirinhas com metanol no estabelecimento. A Apevisa também divulgou, em nota, que é essencial redobrar a atenção com drinques prontos e evitar produtos sem procedência ou com preços muito abaixo do mercado.</p>



<p></p>
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