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	<title>Arquivos Ministro do Turismo - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos Ministro do Turismo - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Governo Bolsonaro tenta salvar aparência, mas falta estrutura e sobra improviso para conter óleo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Oct 2019 23:09:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[crime ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Ministro do Turismo]]></category>
		<category><![CDATA[óleo no Nordeste]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Débora Britto e Raissa Ebrahim Depois das fases de negação e de omissão, agora o governo de Jair Bolsonaro (PSL) tenta correr para salvar a aparência em relação ao desastre ambiental com óleo no Nordeste, que já atingiu 2.250 quilômetros de costa e que segue sem identificar causas e culpados. Em apenas quatro dias, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Débora Britto e Raissa Ebrahim</strong></p>
<p>Depois das fases de negação e de omissão, agora o governo de Jair Bolsonaro (PSL) tenta correr para salvar a aparência em relação ao desastre ambiental com óleo no Nordeste, que já atingiu 2.250 quilômetros de costa e que segue sem identificar causas e culpados. Em apenas quatro dias, três ministros estiveram em Pernambuco para tratar do assunto: Fernando Azevedo, da Defesa; Ricardo Salles, do Meio Ambiente; e Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo. A Marinha afirma já ter enviado mais de 2,7 mil militares à região e um aparato de navios, helicópteros, aeronaves e viaturas. No entanto, a falta de coordenação, equipamentos e agilidade é visível.</p>
<p>Fuzileiros navais chegaram sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) ou com aparatos de proteção inadequados. A foto que abre esta matéria, publicada pela própria Marinha, mostra os homens expostos ao óleo, de tênis e sem máscaras. São essas as imagens que o governo federal tem compartilhado para mostrar sua atuação no Nordeste.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/mma.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-19880" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/mma-1024x630.png" alt="mma" width="702" height="431"></a></p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/marinha.png"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-19881" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/marinha.png" alt="marinha" width="1010" height="631"></a></p>
<p>“Eles são guerreiros. Incansáveis. Ajudam a gente e muito. Nossa principal preocupação é que o governo os enviam sem nenhuma EPI, inclusive o fardamento oficial deles é totalmente inadequado. Nem sequer uma camisa UV é oferecida para esses guerreiros”, relata Sidney Marcelino Silva, do movimento Salve Maracaípe, o principal articulador da sociedade civil nos trabalhos de limpeza e orientação nas praias de Pernambuco.</p>
<p>A escassez é tanta que há homens da Marinha e do Exército se alimentando da comida que chega por doações à base de apoio do Salve Maracaípe, em Itapuama, Litoral Sul, porque a Marinha não fornece alimentação em alguns pontos. Confira no vídeo do Salve Maracaípe:</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/7iiZCOESD3M" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Em Barreiros, também no Litoral Sul, próximo a Tamandaré, os fuzileiros enviados não podem entrar no Rio Mamucabas para coletar o óleo porque não têm EPI especial para mergulho. A prefeitura segue há dois dias aguardando o comando da Marinha resolver a situação e enviar os equipamentos. Enquanto isso, os pescadores e as pescadoras estão sem fonte de renda e desolados. Pelos cálculos aproximados e feito de uma maneira informal pela gestão municipal, o estuário foi atingido por cerca de cinco toneladas de óleo.</p>
<p>“É necessário mergulhar em alguns pontos para coletar esse material manualmente e encaminhar ao destino correto. É um trabalho difícil e minucioso”, detalha Valmir Ramos, gestor ambiental da Prefeitura de Barreiros. À lentidão da Marinha, soma-se o tempo das marés. É preciso estar na baixa para poder fazer o trabalho.</p>
<p>Valmir afirma que não viu animais mortos no local, mas um cardume de sardinhas e outras espécies foi flagrado pulando para fora da água, algo que não é comum. “Imaginamos que por conta da oxigenação”, explica. “Tivemos que pegar os peixes com as mãos para colocar dentro da água novamente”.</p>
<p>A reportagem procurou a Marinha para responder sobre a falta de estrutura, mas não obteve resposta até a publicação dessa matéria.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/P_dY8vCD2Ek" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>As Forças Armadas têm sido o principal elemento do Plano Nacional de Contingência (PNC) para tentar salvar as aparências do governo federal. O Ministério do Meio Ambiente, no entanto, é, segundo a legislação, a autoridade máxima. As declarações do ministro Salles, porém, têm sido desastrosas. Ele chegou a insinuar no Twitter que o óleo vazado poderia ser de um navio do Greenpeace. Detalhe, a foto que publicou nas suas redes é de 2016.</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="pt">Tem umas coincidências na vida né&#8230; Parece que o navio do <a href="https://twitter.com/hashtag/greenpixe?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#greenpixe</a> estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano&#8230; <a href="https://t.co/ebCoOPhkXJ">pic.twitter.com/ebCoOPhkXJ</a></p>
<p>— Ricardo Salles MMA (@rsallesmma) <a href="https://twitter.com/rsallesmma/status/1187406485195821056?ref_src=twsrc%5Etfw">October 24, 2019</a></p></blockquote>
<p><script src="https://platform.twitter.com/widgets.js" async="" charset="utf-8"></script></p>
<p><strong>LEIA TAMBÉM:</strong></p>
<ul>
<li><a href="http://marcozero.org/resposta-do-governo-bolsonaro-e-patetica-diz-um-dos-maiores-especialistas-internacionais-em-derramamento-de-oleo/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Resposta do governo Bolsonaro é patética, diz um dos maiores especialistas internacionais em derramamento de óleo</a></li>
<li><a href="http://marcozero.org/mar-contaminado-compromete-o-sustento-de-milhares-de-pescadores/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Mar contaminado compromete o sustento de milhares de pescadores</a></li>
<li><a href="http://marcozero.org/negligencia-e-sigilo-do-governo-bolsonaro-expoem-saude-dos-voluntarios-que-limpam-oleo-das-praias/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Negligência e sigilo do Governo Bolsonaro expõem saúde dos voluntários que limpam óleo das praias</a></li>
</ul>
<h2>Muita declaração, nenhum estudo técnico</h2>
<p>No Recife, em coletiva de imprensa lotada de jornalistas, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, veio defender que as praias estão seguras para banho, mas não apresentou um único dado técnico ou estudo que confirmasse suas declarações e ainda reclamou da cobertura da imprensa.</p>
<p>Pela manhã, ele molhou os pés no mar de Muro Alto, no Litoral Sul do estado, praia que foi atingida pelo óleo no fim de semana passado e prontamente limpa sobretudo pela ação emergencial dos voluntários e pescadores. Ficou com água até a altura da canela e garantiu que as praias não apresentam riscos para turistas e banhistas. “Mesmo as praias que estavam com óleo e foram limpas estão aptas”, disse.</p>
<p>Perguntado em qual estudo ou análise técnica o Ministério do Turismo está se baseando para dar essa garantia, o ministro não respondeu e afirmou que apenas 10% das praias de Ipojuca foram atingidas, mas as que já tiveram o óleo retirado estão aptas para banho. Também disse que “as praias que não foram atingidas obviamente estão aptas”. Novamente, sem atestar a obviedade da questão.</p>
<div id="attachment_19896" style="width: 410px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/ministro-do-turismo.-foto-reprodução-tv-globo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19896" class="wp-image-19896" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/ministro-do-turismo.-foto-reprodução-tv-globo-300x168.jpg" alt="Foto: Reprodução/TV Globo" width="400" height="225"></a><p id="caption-attachment-19896" class="wp-caption-text">Foto: Reprodução/TV Globo</p></div>
<p>Questionado mais uma vez por diversos repórteres, o ministro foi socorrido pelo secretário de Turismo de Pernambuco, Rodrigo Novaes, que afirmou que o Ministério da Saúde e o secretário de Saúde estadual garantem a informação. Ainda assim, sem apontar qualquer análise científica. “A orientação do Governo do Estado é não entrar em contato com o material, com o óleo. Para se banhar onde não há óleo não tem problema, quem está dizendo isso não sou eu nem o ministro do Turismo, é o secretário de Saúde do estado e o ministro da Saúde. Em relação aos alimentos é preciso ter uma cautela a mais”, argumentou Novaes.</p>
<p style="font-weight: normal;">Ministro e secretário do Turismo foram rebatidos pela professora do curso de Engenharia Ambiental da UFRPE Soraya El-Deir. “Ou o ministro do Turismo tem informações que não está socializando com o Ibama, ICMbio, Promotoria, Procuradoria Federal, todos os órgãos que estão aqui, ou ele fez uma fala irresponsável”. Soraya El-Deir esteve durante toda a sexta em audiência pública de conciliação motivada justamente por ação do Ministério Público Federal contra o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente. “Cabe a ele (ministro Marcelo Álvaro) trazer a público os dados técnicos que comprovariam que as praias estão seguras para banho porque a CPRH disse que não é assim”, criticou.</p>
<p style="font-weight: normal;">Para Soraya ainda não existem informações suficientes para garantir que as praias estão seguras. “Foi dito claramente que não se sabe exatamente ainda a composição dessa massa. Podem chegar novas manchas de petróleo que nem fiquem visíveis, existem muitas manchas que estão indo para a coluna d’água, outras estão ficando no solo marinho. A contaminação não pode ser medida só nas praias onde se viu mancha ou por meio de coleta do óleo na praia. A gente tem que tomar cuidado em todo o litoral do Nordeste”, disse.</p>
<p style="font-weight: normal;">Outro dado importante que tem sido ignorado, segundo a pesquisadora, é que não se trata de óleo, mas de petróleo cru. “Existem os compostos orgânicos voláteis, que podem ter potencial cancerígeno. Mas também existem algunsHidrocarbonetos Policíclicos aromáticos que são extremamente tóxicos e persistentes”, explicou. O tempo e a reação no meio ambiente ainda precisam ser analisados e monitorados.</p>
<p>Pesquisadores do Instituto de Biologia (Ibio) da Universidade Federal da Bahia encontraram vestígios do petróleo nos aparelhos respiratórios e digestivos de animais marinhos, como peixes e crustáceos. De acordo com o pesquisador Francisco Kelmo, em entrevista ao G1, 38 animais, incluindo moluscos e crustáceos, foram recolhidos no último final de semana. Todos apresentaram óleo dentro do corpo. Outros 12 animais ainda estão sob análise. A recomendação dos pesquisadores é de que a população evite consumir produtos de áreas atingidas pelo petróleo.</p>
<h2><strong>Aposta na publicidade para salvar o turismo<br />
</strong></h2>
<p>Em sua passagem por Porto de Galinhas, o ministro se reuniu com empresários do turismo e anunciou um fundo de 200 milhões para socorrer empreendedores possivelmente afetados pelo óleo. Nesse ponto, os governos de Pernambuco e Bolsonaro estão alinhados.</p>
<p>Além do fundo, a União e estado vão investir em publicidade para não afastar os turistas do Nordeste. “É um crédito bastante importante que foi anunciado pelo ministro, além disso teremos as ações de publicidade”. O Governo de Pernambuco vai entrar com R$ 9 milhões para reforçar campanhas publicitárias até o início de novembro. Segundo Novaes, a ação já estava prevista, mas será redirecionada agora, após o crime ambiental no litoral nordestino.</p>
<p>Elogios ao Ministério do Turismo à parte, Novaes comentou as declarações do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que insinuando o envolvimento do Greenpeace no derramamento de petróleo. “A entidade mais respeitada no mundo, no que diz respeito à proteção ao meio ambiente, ser acusada de forma leviana de cometer um crime dessa proporção é ridículo”, disparou.</p>
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