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	<title>Arquivos mmppe - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 23 Dec 2025 15:49:18 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos mmppe - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Sem corredor de ônibus e com ciclovia de 1 m de largura, ponte Cordeiro-Casa Forte é alvo de denúncia ao MPPE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Dec 2025 15:47:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[ameciclo]]></category>
		<category><![CDATA[mmppe]]></category>
		<category><![CDATA[ponte cordeiro-casa forte]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A ponte que vai ligar o bairro do Cordeiro, na zona oeste do Recife, à Casa Forte, na zona norte, está ainda em fase de licitação, mas utiliza parâmetros de leis municipais de mais de dez anos atrás. Além disso, é mais uma ponte no Recife que privilegia o automóvel individual, em detrimento do transporte [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A ponte que vai ligar o bairro do Cordeiro, na zona oeste do Recife, à Casa Forte, na zona norte, está ainda em fase de licitação, mas utiliza parâmetros de leis municipais de mais de dez anos atrás. Além disso, é mais uma ponte no Recife que privilegia o automóvel individual, em detrimento do transporte público, do pedestre e da bicicleta. No projeto da nova ponte, a ciclovia possui apenas um metro de largura. As denúncias são da Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo) ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE).</p>



<p>A Ameciclo fez um amplo levantamento do projeto da ponte elaborado pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB) para a elaboração de um parecer técnico e, depois, de representação junto ao MPPE. Nos documentos, a associação afirma que a prefeitura do Recife utiliza como base técnica para o projeto da ponte o Plano de Mobilidade do Recife de 2011 e o Plano Diretor de Transporte Urbano do Recife de 2008. Ambos os planos contam com versões mais recentes, atualizadas em 2021.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Uma ponte projetada para carros</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">As dimensões da </span><b>estrutura do projeto da ponte Cordeiro-Casa Forte</b><span style="font-weight: 400;">:</span></p>
<ul>
<li><b>Ciclovia:</b><span style="font-weight: 400;"> 1 metro de largura.</span></li>
<li><b>Calçadas (Passeios):</b><span style="font-weight: 400;"> 1,2 metro de largura.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><b>sistema viário de apoio</b><span style="font-weight: 400;"> e requalificação das ruas do entorno, o projeto apresenta os seguintes perfis:</span></p>
<ul>
<li><b>Infraestrutura cicloviária:</b><span style="font-weight: 400;"> Existem trechos unidirecionais com larguras de </span><b>1 m e 1,5 m</b><span style="font-weight: 400;">. Na única ciclovia bidirecional prevista (Rua Souza Bandeira), a largura é de </span><b>2,5 m</b><span style="font-weight: 400;">.</span></li>
<li><b>Calçadas nas ruas adjacentes:</b><span style="font-weight: 400;"> O padrão adotado em diversos trechos (como na avenida General San Martin e Rua Joaquim Alheiros) é de </span><b>2,12 m</b><span style="font-weight: 400;">. Em locais com paradas de ônibus, essa largura de 2,12 m é considerada crítica, pois os abrigos ocupam 1,8 m, restando pouco espaço para a circulação.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Os parâmetros mínimos recomendados pelo </span><b>Manual de Desenho de Ruas do Recife (MDR) </b><span style="font-weight: 400;">para garantir a segurança e o conforto dos usuários:</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<ul>
<li><b>Ciclovias:</b><span style="font-weight: 400;"> O MDR recomenda </span><b>2 m</b><span style="font-weight: 400;"> para unidirecionais e </span><b>3 m</b><span style="font-weight: 400;"> para bidirecionais, sempre acompanhados de um </span><b>buffer de proteção de 1 m</b><span style="font-weight: 400;"> (inexistente no projeto atual).</span></li>
<li><b>Calçadas:</b><span style="font-weight: 400;"> Para áreas residenciais, o manual indica uma </span><b>faixa livre de 2,4 m</b><span style="font-weight: 400;"> somada a uma </span><b>faixa de serviço de 1,5 m</b><span style="font-weight: 400;"> (totalizando 3,90 m), enquanto áreas comerciais deveriam ter calçadas de até </span><b>7,1 m</b><span style="font-weight: 400;">.</span></li>
</ul>
<p><b>Mais espaço para automóveis</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As faixas de rolamento para automóveis na ponte, no entanto, são superdimensionadas no projeto: variam de 3,2 a 3,3 m e chegam a 3,8 m em ruas do sistema viário da ponte, valores que excedem o limite de 3 m recomendado para vias urbanas.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
	</div>



<p>Pelo projeto, as ciclovias apresentam diferentes perfis, incluindo trechos unidirecionais com larguras de 1m e 1,5 m, além de um trecho bidirecional de 2,5 m na rua Souza Bandeira. O desenho do sistema viário para a nova ponte revela ainda pontos de descontinuidade, como na avenida Professor Estevão Francisco da Costa, onde a ciclofaixa é interrompida para a instalação de vagas de estacionamento, e uma falta de conexão com a malha cicloviária já existente na região.</p>



<p>O sistema viário favorece os automóveis, trazendo faixas de rolagem mais largas do que está estabelecido no Manual de Desenho de Ruas do Recife (MDR), que recomenda larguras entre 2,70 m e 3,00 m para áreas urbanas. Na avenida Professor Estevão Francisco da Costa, por exemplo, a média das faixas é de até 3,80 m, valor 41% mais largo do que a normativa. <a href="https://www.mdpi.com/2071-1050/17/2/628" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Estudos apontam que quanto mais larga </a>a faixa de rolagem, maior é a velocidade que os carros tendem a desenvolver e mais acidentes acontecem.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/moradores-do-cordeiro-reclamam-do-valor-das-indenizacoes-para-dar-lugar-a-nova-ponte/" class="titulo">Moradores do Cordeiro reclamam do valor das indenizações para dar lugar à nova ponte</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“A avenida General San Martin vai passar a ser de mão única, mas, apesar dessa mudança de fluxo, não há previsão para a instalação de ciclovias nem de faixas exclusivas para ônibus na via”, critica Daniel. “O documento da prefeitura começa justificando a ponte sob a necessidade de um novo corredor de transporte público, mas, quando você vai ver, não tem nada de transporte público lá no projeto, a não ser três paradas de ônibus. Não tem nenhum corredor exclusivo para transporte público”, denuncia.</p>



<p>O coordenador da Ameciclo ressalta ainda que a justificativa técnica para a ponte utiliza dados de tráfego de 2013. “No próprio estudo, a prefeitura admite que os níveis de serviço viário em avenidas importantes, como a Caxangá e a 17 de Agosto, irão piorar após a implementação da ponte”, afirma.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/projetoponte1-300x139.png">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/projetoponte1-1024x473.png" alt="A imagem apresenta um corte transversal de uma avenida com 23,60 m de largura total, organizada para acomodar diferentes modos de transporte e circulação; nas extremidades há calçadas de 120 cm para pedestres, seguidas por ciclovias de 100 cm com faixas de proteção de 40 cm, depois vêm faixas de segurança e quatro pistas de tráfego misto para veículos, com larguras entre 320 e 330 cm, separadas por um canteiro central de 308 cm; o desenho também indica inclinações de 1,0%, 2,0% e 2,5% para drenagem, e inclui representações visuais de pessoas caminhando, ciclistas e automóveis, ilustrando como cada espaço é utilizado." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Com 380 metros de extensão e aproximadamente 11 metros de altura, a nova ponte, que será estaiada, deixa espaço mínimo para calçada e ciclovia. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: URB/Prefeitura do Recife</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Orçada em mais de R$ 236 milhões, a futura ponte Cordeiro-Casa Forte é apresentada pelo prefeito João Campos (PSB) como um “<a href="https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/11/10/2025/prefeitura-do-recife-lanca-licitacao-para-construcao-de-ponte-que-vai-ligar" target="_blank" rel="noreferrer noopener">feito histórico para o Recife</a>”, mas, para a Ameciclo, viola as leis municipais de mobilidade. “Parece que não adianta a sociedade civil e o poder público desenvolverem planos como o Parque Capibaribe e o Recife 500 anos, passar um tempão projetando uma cidade bonita – que não é a que eu sonho, mas é a possível –, para na hora de construir chegar a URB e a prefeitura e tacarem carros em cima das pessoas, como uma ciclovia de 1 metro de largura. Deliberadamente, a URB e a CCTU (Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife) não seguem as próprias leis municipais do Recife”, avalia Daniel Valença.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>MPPE marca audiência para janeiro</strong></h2>



<p>Outro ponto da denúncia ao MPPE é a falta de transparência e a exclusão da participação popular no projeto, como tem sido reportado em <a href="https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/11/10/2025/prefeitura-do-recife-lanca-licitacao-para-construcao-de-ponte-que-vai-ligar" target="_blank" rel="noreferrer noopener">várias reportagens da Marco Zero</a>. Daniel Valença ressalta que o Conselho da Cidade não foi consultado e que audiências públicas obrigatórias sobre o projeto não foram realizadas. Há também erros grosseiros na licença de instalação, que cita o bairro de Casa Amarela em vez de Santana.</p>



<p>O MPPE vai fazer uma audiência virtual no dia 9 de janeiro de 2026, às 10h, com a participação da Ameciclo e da Autarquia de Urbanização do Recife (URB). A Ameciclo também entrou com uma ação na Justiça contra a Prefeitura do Recife em que solicita o cancelamento ou o adiamento da licitação. A MZ questionou a URB sobre o motivo do projeto da ponte não seguir a legislação vigente, mas não obtivemos resposta até o fechamento desta reportagem.</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Cinco pontos da denúncia entregue ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE):</span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span> Descumprimento de normas técnicas: o projeto subdimensiona as infraestruturas de mobilidade ativa, prevendo calçadas de 1,2 m e ciclovias de 1 m, valores que violam os parâmetros mínimos estabelecidos pelo Manual de Desenho de Ruas do Recife.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Ausência de corredores de ônibus: embora o título da licitação mencione a implantação de corredores exclusivos de ônibus, as peças técnicas do projeto não preveem tais estruturas, focando apenas no escoamento de veículos particulares sob a justificativa de &#8220;aliviar o trânsito&#8221;.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Priorização do transporte individual motorizado: a proposta privilegia o fluxo de automóveis com faixas de rolamento superdimensionadas, contrariando a Política Municipal de Mobilidade Urbana, que determina a prioridade para pedestres, ciclistas e do transporte público.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Falta de transparência e participação popular: o documento de representação ao MPPE aponta que o Conselho da Cidade do Recife não foi consultado, não houve nenhuma audiência pública prévia e a prefeitura do Recife omitiu-se em responder aos pedidos de acesso à informação realizados pela comunidade de Santana.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>Impacto negativo sobre as comunidades: o projeto ameaça o território da comunidade de Santana, que vai ter suas ruas transformadas com a instalação do sistema viário da ponte. O parecer aponta também riscos de gentrificação e expulsão indireta dos moradores. Como outras reportagens da Marco Zero apontam, do outro lado da ponte a comunidade de Cocheira, no Cordeiro, vai ser praticamente toda expulsa. </p>
            </div>
            </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/sem-corredor-de-onibus-e-com-ciclovia-de-1m-de-largura-ponte-cordeiro-casa-forte-e-alvo-de-denuncia-ao-mppe/">Sem corredor de ônibus e com ciclovia de 1 m de largura, ponte Cordeiro-Casa Forte é alvo de denúncia ao MPPE</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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