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	<title>Arquivos mobilidade urbana - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 10 Apr 2025 20:54:42 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos mobilidade urbana - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Matéria do Conquista Repórter (BA) é finalista de prêmio internacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 20:41:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo independente]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade urbana]]></category>
		<category><![CDATA[Redação NE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma excelente notícia para o jornalismo independente do Nordeste. O especial “Acesso Negado”, produzido pelo Conquista Repórter (BA), é um dos finalistas do ITF Journalism Awards 2025, prêmio internacional voltado para reportagens sobre transporte e mobilidade. Publicado em setembro de 2024, o trabalho evidencia o debate sobre o direto à cidade e as dificuldades de [&#8230;]</p>
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<p>Uma excelente notícia para o jornalismo independente do Nordeste. O especial “Acesso Negado”, produzido pelo Conquista Repórter (BA), é um dos finalistas do ITF Journalism Awards 2025, prêmio internacional voltado para reportagens sobre transporte e mobilidade. Publicado em setembro de 2024, o trabalho evidencia o debate sobre o direto à cidade e as dificuldades de acesso a serviços básicos para populações que residem em áreas rurais e periféricas. O especial integra o programa Redação Nordeste e foi realizado com o apoio da Marco Zero Conteúdo.</p>



<p>A Redação Nordeste foi a segunda etapa do programa Jornalismo Independente no NE: desafios e soluções criado e coordenado pela MZ, que aconteceu em 2024. Nesta etapa, decidimos centrar os workshops/mentorias na angariação de fundos, com ênfase em experiências específicas diretamente relacionadas com a atividade jornalística. Também priorizamos organizações que já participaram e se destacaram em sessões de mentoria anteriores, dando uma sensação de continuidade ao projeto e potencializando o conhecimento já adquirido.</p>



<p>No final desta etapa foram publicadas cinco grandes reportagens com mentoria de edição da MZ, feita por Inácio França. Tendo a finalização com o exercício do processo de prestação de contas mentorado por Patrícia Gonçalves.</p>



<p>Além do Conquista Repórter, a Redação NE foi formada pela Mídia Caeté (midiacaete.com.br) e Olhos Jornalismo (olhosjornalismo.com.br) de Alagoas, O Corre Diário (ocorrediario.com) do Piauí, Mangue Jornalismo de Sergipe e Coletivo Acauã (coletivoacaua.com.br) aqui do Sertão de Pernambuco. A ideia era financiar reportagens de impacto com o tema central Direito à Cidade, um dos eixos de atuação da MZ. Mobilidade urbana foi o subtema escolhido.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O programa foi financiado pela OAK FoundationeIFPIM.</p>
        </div>
    </div>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<h2 class="wp-block-heading">Confira as reportagens:</h2>



<p><a href="https://conquistareporter.com.br/acesso-negado/">Estradas precárias dificultam acesso da população quilombola a direitos básicos</a></p>



<p><a href="https://marcozero.org/cegos-em-caruaru-uma-cidade-que-nao-ve-a-acessibilidade/">Cegos em Caruaru: uma cidade que não vê a acessibilidade</a></p>



<p><a href="https://marcozero.org/direito-de-ir-e-vir-nao-e-para-todos-em-aracaju/">Direito de ir e vir não é para todos em Aracaju</a></p>



<p><a href="https://ocorrediario.org/723-circular-10-anos-de-crise-no-transporte-coletivo-de-teresina/">723 Circular: 10 anos de crise no transporte coletivo de Teresina</a></p>



<p><a href="https://midiacaete.com.br/como-mercado-imobiliario-trade-turistico-e-braskem-determinam-as-decisoes-sobre-o-territorio-maceio/">Como mercado imobiliário, trade turístico e Braskem determinam as decisões sobre o território Maceió</a></p>
</blockquote>
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		<title>Transporte público coletivo de qualidade na metrópole do Recife: delírio ou realidade?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jun 2024 18:56:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[BRT]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade urbana]]></category>
		<category><![CDATA[Transporte coletivo]]></category>
		<category><![CDATA[transporte público]]></category>
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		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Yara Baiardi* É delírio pensar que pode existir um transporte público coletivo nas nossas cidades com qualidade, eficiência, conforto e segurança? Ou uma realidade possível? A mobilidade urbana é a base da sustentabilidade das cidades. Nela estão inclusos o andar a pé, de bicicleta e das mais diversas maneiras atreladas ao uso dos veículos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Yara Baiardi*</strong></p>



<p>É delírio pensar que pode existir um transporte público coletivo nas nossas cidades com qualidade, eficiência, conforto e segurança? Ou uma realidade possível?</p>



<p>A mobilidade urbana é a base da sustentabilidade das cidades. Nela estão inclusos o andar a pé, de bicicleta e das mais diversas maneiras atreladas ao uso dos veículos – caminhões, ônibus, carros e motos (próprios ou de aluguel) &#8211; sobre trilhos (trem, metrô, VLT), pelas águas e, inclusive, pelo ar (que o diga a nossa elite, que se utiliza de helicóptero e jatinho particulares para os deslocamentos mais distantes). Mobilidade engloba também a implantação de uma infraestrutura pautada no desenho de uma rede que contemple a articulação dos sistemas de transportes para que todos possam acessar democraticamente toda a cidade; sua operação (rotas, frequências, oferta de viagens etc.) e seu financiamento, tudo englobado num contexto institucional e tecnológico.</p>



<p>A partir da segunda metade do século XX, ações no campo dos transportes se resumiam quase exclusivamente a pavimentar, fazer uma ou outra ponte e conceder ao setor privado a operação dos ônibus e manutenção das calçadas, em linhas gerais. A meta era ligar o ponto A ao ponto B de maneira rápida. O quantitativo imperava em detrimento da qualidade do espaço público. Qual a questão para a qual queremos chamar a atenção? Estamos no século XXI e o cenário mudou radicalmente, mas a gestão pública, o setor privado e a sociedade não entenderam os novos desafios impostos à nossa geração.</p>



<p>O metrô e o trem são os sistemas que mais transportam pessoas e, junto com o VLT, são os que menos poluem o ar. Todavia, na Região Metropolitana do Recife as linhas de metrô da CBTU avançaram muito pouco do seu traçado original oriundo da herança férrea. Pior, sua demanda de passageiros vem caindo drasticamente. A zona norte da cidade, aquela que teve outrora uma ferrovia na avenida Norte, continua sem ter trilhos na sua área.</p>



<p>Quanto aos ônibus, até hoje ainda não há espaço para que eles circulem com eficiência nas ruas estruturantes da cidade, pensando-se, logicamente, num desenho de rede legível e integrado. No caso do Recife, há um espaço dedicado na avenida Caxangá para o BRT e algumas poucas faixas azuis, aquelas com prioridade à circulação de ônibus no viário. O suposto ganho de tempo na avenida Caxangá é perdido quando os ônibus disputam espaço em trechos da sua jornada até alcançar um dos mais importantes <em>hubs</em> (centros ou pólos) de mobilidade da cidade: o terminal Joana Bezerra, que carece, inclusive, de melhorias urbanas no seu entorno.</p>



<p>Aqui cabe uma reflexão: o papel dos “terminais”, sobretudo Barro, Macaxeira, Tancredo Neves, que precisam ser revistos no conceito arquitetônico-urbanístico das suas edificações. Na concepção do século XXI, esses equipamentos estratégicos necessitam fazer parte do território, conectados ao lugar e não apartados por grades do entorno. São Integrações concebidas como pontos de encontro, espaço público de qualidade, que, a depender do local, são espaços ambientalmente fluídos entre trem-metrô-VLT-BRT-bicicletas-carros-pessoas, capazes de contribuir para uma dinâmica de cidade mais acolhedora.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/BRT.jpg" alt="A imagem mostra a estrutura de uma estão de ônibus BRT abandonada ou inacabada. Ela possui uma estrutura esquelética feita de vigas de metal, com um telhado parcialmente concluído que se estende além da estrutura, sugerindo que poderia ter sido destinada a um abrigo ou terminal. As paredes não estão totalmente construídas; algumas seções estão preenchidas com material amarelo, enquanto outras estão abertas, revelando a estrutura interna. Há sinalização visível no prédio, mas não é legível deste ângulo. A estrutura está situada em uma plataforma de concreto. Ao fundo, há um céu claro com poucas nuvens e alguma vegetação ao longe." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Estação de BRT abandonada na Região Metropolitana do Recife
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Ainda no confuso campo da operação dos ônibus no Recife, temos três “sistemas de operação” que se sobrepõem nas ruas e avenidas.</p>



<p>O mais famoso é denominado Sistema Estrutural Integrado (SEI), que, em linhas gerais, abarca a Região Metropolitana do Recife e é composto por cinco tipos de rotas (Perimetral, Radial, Alimentadora, Interterminal, Circular) e as linhas do metrô. O SEI é gerido pelo consórcio que tem o nome fantasia de Grande Recife Consórcio de Transportes. O segundo sistema é o “complementar do GRCT” e, por fim, o “complementar da Prefeitura”, gerido pela CTTU. Além disso, o desenho dessas rotas, que é de difícil acesso e compreensão, dificulta a utilização desse complexo sistema de operação de ônibus da cidade por parte da população.</p>



<p>Sigamos agora para a questão do financiamento. No caso acima, se você sair de um “sistema” para outro, irá pagar. De fato, o Recife não é para amadores! Em tese, o usuário tem integração “temporal” somente dentro do SEI – que, aliás, unificou recentemente o valor da tarifa dos anéis A e B.</p>



<p>Façamos uma pausa importante no “fluxo” da discussão para destacar um ponto que se liga ao financiamento.</p>



<p>O sistema de ônibus convencionais tem, no século XXI, três grandes &#8220;concorrentes” diretos, a saber, o transporte clandestino, as motocicletas e os carros de aplicativos. Tudo isso associado a um contexto em que predominam diversas políticas de apoio à compra do carro particular, como redução e isenção do IPI entre outros. Em síntese, o que temos é mais pessoas saindo gradativamente do sistema de transporte público coletivo, sistema esse sustentado pelo pagamento de tarifa pelos próprios usuários. Nesse cenário de saída contínua de passageiros (e dos pagantes), que não é um privilégio do Recife, é “comum” as empresas lotarem seus ônibus, diminuírem a frequência de suas viagens e não fazer as necessárias manutenções e/ou renovação de frotas.</p>



<p>A tônica é unicamente a redução dos custos<strong>,</strong> prejudicando sobremaneira a qualidade do serviço. Se a “conta não fechar” para o operador, ele entrega o serviço. Caso contrário, terá prejuízos. E por quê? Porque um “modelo” do século passado não condiz com os desafios atuais da mobilidade urbana. Inclusive, a Pandemia da covid-19 escancarou esse cenário em várias cidades brasileiras e nos lembrou que transporte público é um serviço essencial. Este modelo está esgotado e requer uma mudança significativa em seu alicerce, ainda mais quando se insere nessa equação os subsídios (que vem ganhando força no cenário brasileiro), inclusive pela constatação de que esse dinheiro público não está servindo para melhoria da qualidade do serviço ofertada na esmagadora maioria dos casos.</p>



<p>Trazemos ainda a problematização da tecnologia. Há uma revolução digital em curso, em diversas áreas, que ainda não chegou ao transporte público coletivo das nossas cidades. Quem pega ônibus não sabe a que horas ele chegará à parada, ou se chegará! Não sabe também o tempo que perderá dentro do ônibus, frequentemente lotado.</p>



<p>Não podemos deixar de falar da governança institucional. A RMR inovou com a criação do Consórcio Metropolitano no ano de 2008. Mas poucos são os avanços desde então. É ilusão achar que o desenvolvimento da mobilidade é competência exclusiva do Governo de Estado. Quem conhece seu território é o município, que deve ter voz ativa e fomentar as mudanças. Para ilustrar a questão, trazemos o dilema da cidade de São Paulo. Cabe ao Governo do Estado decretar onde e quando serão implementadas as linhas de trem e metrô, ficando parte do desenvolvimento urbano da maior metrópole do país à mercê da ação (e inação) do estado, tanto no planejamento como na implementação do sistema de alta capacidade. Esse sistema, aliás, está intimamente relacionado ao potencial de construção dos maiores gabaritos da cidade. Articular governanças, projetos e definir responsabilidades em conjunto é fundamental no século XXI.</p>



<p>Precisamos refletir o quanto a ausência de políticas públicas efetivas no transporte público coletivo pressiona o já saturado sistema viário da cidade. Todos pagamos o preço pela disputa do viário – estejamos num Porsche, num Fusca, numa moto CG ou numa “Mercedes com motorista”, vulgo ônibus. Somos parte dos congestionamentos e contribuímos com a poluição, aliás resgatamos o dado de que 25% das emissões globais dos Gases de Efeito Estufa vêm do setor de transportes. Recife disputa anualmente o título de capital com o maior tempo gasto nos deslocamentos diários. Fica evidente que nosso modelo atual de mobilidade é baseado no consumo do espaço, do tempo, dos recursos naturais e da saúde – urbana e humana. E esse modelo é insustentável.</p>



<p>O SUM – Sistema Único de Mobilidade &#8211; é uma esperança para reverter este panorama. Com a mesma lógica do SUS, ele almeja estruturar diretrizes e ações entre as três esferas – federal, estadual e local. O SUM pode contribuir na estruturação do tripé rede/infraestrutura-operação-financiamento. Hoje o SUM está na PEC 25/2023 em tramitação no Congresso. Um primo distante do SUM seria o PAC &#8211; Programa de Aceleração do Crescimento &#8211; que é um bom exemplo de gestão ao fomento das grandes obras de infraestrutura, desde que as oportunidades sejam bem aproveitadas e, em especial, bem administradas, o que parece ser o maior gargalo ao falarmos de mobilidade urbana no Brasil. O BRT do Recife saiu desse pacotão, que se findou, – tanto como PAC quanto no suposto sistema de eficiência e qualidade da mobilidade.</p>



<p>Por ora, o Recife precisa resgatar seu protagonismo na mobilidade, em especial no que tange o transporte público coletivo. Que se reduza urgentemente a velocidade das vias e se aumente a fiscalização – pois é uma ação que salva vidas. Mas que se corra (ou melhor, voe) no planejamento disruptivo de um desenho de Rede de Mobilidade capaz de englobar os diversos sistemas – sobre trilhos, sobre pneus, aquaviário e teleférico. Que se implante novas faixas azuis dentro de uma lógica de rede – o mesmo recomendamos para as ciclovias. Que se repense a modelagem de operação de diversos sistemas (ônibus e trens), para que se configure uma rede integrada e qualificada por seus “terminais” dentro de um escopo de financiamento que não se pendure exclusivamente na tarifa dos passageiros, quiçá estruturada pela própria Tarifa Zero. Ressignificar a mobilidade é dar espaço ao transporte público coletivo e a mobilidade ativa. É mirar longe e agir agora. Recife merece isso e muito mais para que o delírio vire realidade.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Arquiteta e urbanista, professora doutora na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora do Núcleo Recife do Observatório das Metrópoles</strong></p>
    </div>
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		<title>Governo recua e adia reunião do órgão que decide aumento da tarifa de ônibus do Grande Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Feb 2024 14:28:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* O Governo do Estado reviu a decisão de realizar a reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) na sexta-feira de carnaval. Em ofício assinado digitalmente às 16h40 de quarta-feira (7), o secretário executivo do CSTM, Roberto Ferreira Campos, comunicou aos conselheiros a nova data do encontro que pode aprovar aumento de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>O Governo do Estado reviu a decisão de realizar a reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) na sexta-feira de carnaval. Em ofício assinado digitalmente às 16h40 de quarta-feira (7), o secretário executivo do CSTM, Roberto Ferreira Campos, comunicou aos conselheiros a nova data do encontro que pode aprovar aumento de valor da tarifa de ônibus, já que a pauta ainda não foi divulgada. “Fica remarcada para o dia 22/02 (quarta-feira) às 08:30h, em primeira convocação, e às 09:00h, em segunda convocação”, avisou.</p>



<p>O CSTM justificou o motivo. “Nem todos os conselheiros confirmaram o recebimento da convocação (encaminhada em 25/01) para a data anteriormente designada, o que poderia comprometer a representatividade e eficácia dos trabalhos do conselho”. Os representantes também se comprometeram a enviar o conteúdo da pauta com antecedência. </p>



<p>Na quarta-feira (7), antes da assinatura do ofício que reviu a decisão, a Marco Zero Conteúdo publicou matéria avisando da reunião do CSTM &#8211; a primeira do governo Raquel Lyra (PSDB) &#8211; para a sexta-feira (9), um dia depois da abertura oficial do Carnaval de Recife e Olinda. A reunião havia sido convocada pelo secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Diogo Bezerra, considerado pessoa de confiança da governadora, com quem já trabalhou em Caruaru.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/governo-do-estado-convoca-reuniao-e-tarifa-de-onibus-pode-aumentar-na-sexta-feira-de-carnaval/" class="titulo">Governo do Estado convoca reunião e tarifa de ônibus pode aumentar na sexta-feira de carnaval</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Governo do Estado convoca reunião e tarifa de ônibus pode aumentar na sexta-feira de carnaval</title>
		<link>https://marcozero.org/governo-do-estado-convoca-reuniao-e-tarifa-de-onibus-pode-aumentar-na-sexta-feira-de-carnaval/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Feb 2024 16:16:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade urbana]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* O Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), órgão colegiado que decide quanto e quando é reajustado o preço da tarifa de ônibus no Grande Recife, agendou reunião para sexta-feira (9), um dia após a abertura oficial do Carnaval do Recife e Olinda. O CSTM é vinculado à estrutura do Governo do Estado. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>O Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), órgão colegiado que decide quanto e quando é reajustado o preço da tarifa de ônibus no Grande Recife, agendou reunião para sexta-feira (9), um dia após a abertura oficial do Carnaval do Recife e Olinda. O CSTM é vinculado à estrutura do Governo do Estado. De acordo com o ofício de convocação, o encontro está marcado para acontecer de forma virtual e sem pauta definida previamente. O documento é assinado pelo secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Diogo Bezerra, também presidente do Conselho. Detalhe: esta será a primeira reunião em mais de um ano do governo Raquel Lyra (PSDB).</p>



<p>O CSTM é formado por representantes dos poderes Executivo e Legislativo de Pernambuco, das prefeituras e câmaras municipais de Recife e Olinda, donos de empresas de ônibus e segmentos de usuários. Ao todo, são 25 conselheiros. A sociedade civil indica apenas oito cadeiras, menos de um terço do colegiado. Dois dos conselheiros, Pedro Josephi e Márcio Morais, entraram com pedido administrativo de remarcação do encontro.</p>



<p>“Considerando que, durante o ano inteiro de 2023, não houve convocação e nem reuniões ordinárias ou extraordinárias deste Conselho; considerando que, após inquéritos civis abertos no Ministério Público estadual, o CSTM se comprometeu a apresentar um calendário de reuniões periódicas, como determina o regimento e a legislação aplicada”, argumenta trecho do documento em favor do reagendamento da reunião.</p>



<p>O presidente do órgão ainda não respondeu sobre o pedido dos conselheiros e, até o momento, a reunião está mantida. Pelas regras de funcionamento do CSTM, a presidência é sempre ocupada pelo secretário estadual da pasta da área.&nbsp;</p>



<p>Pedro Josephi também é advogado. No ano passado, ele entrou com representação junto ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) questionando a não convocação de reuniões por parte do CSTM e mais outros dois pontos: a ausência de ar condicionado nos ônibus e a retirada de veículos da frota em circulação que atende a cerca de 1,8 milhão de pessoas usuárias.&nbsp;</p>



<p>A iniciativa teve desdobramentos e inquéritos civis foram instaurados pelo MPPE. “A gente teve uma primeira audiência agora em janeiro. Após isso, o governo, para dar uma resposta, resolveu convocar essa reunião. Mas sem apresentar pauta nem o que vai ser discutido e votado”, contextualiza Pedro Josephi.&nbsp;</p>



<p>O ofício circular assinado pelo secretário Diogo Bezerra foi emitido no dia 25 de janeiro. “A pauta será devidamente encaminhada nos termos do inciso IV, artigo 10 da Resolução nº 20/2016”, avisa o gestor, no documento endereçado aos demais 24 conselheiros. Na manhã de quarta-feira (7), a reportagem enviou questionamento à Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura em que pergunta se a pauta já foi definida. Mas, até o momento, não recebeu resposta.</p>



<p>“A depender de qual seja, vamos judicializar para que não haja deliberação de aumento de passagem, que precisa seguir um rito de transparência e prazos. ”, informa Josephi.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em 2022 o valor da tarifa subiu para R$ 4,10</strong></h2>



<p>Os governos evitam os termos reajuste ou aumento de passagem. Preferem usar o eufemismo “realinhamento tarifário”. Eufemismo é a figura de linguagem que atenua ou suaviza o impacto das palavras.&nbsp;</p>



<p>O último “realinhamento tarifário” foi aprovado em janeiro do último ano da gestão Paulo Câmara (PSB), de 9,69%. O índice fez o Anel A &#8211; utilizado por mais de 80% dos passageiros &#8211; saltar de R$ 3,75 para R$ 4,10.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/parece-um-forno-mas-e-um-onibus-o-calor-na-rotina-de-quem-usa-transporte-publico-no-grande-recife/" class="titulo">Parece um forno, mas é um ônibus: o calor na rotina de quem usa transporte público no Grande Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/mobilidade/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Mobilidade</a>
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	            </div>
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<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong>.</p>
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		<title>Quem manda nas avenidas do Recife?</title>
		<link>https://marcozero.org/quem-manda-nas-avenidas-do-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 May 2018 19:25:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura e urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[consultoria]]></category>
		<category><![CDATA[empresas de ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[Fratar]]></category>
		<category><![CDATA[João Braga]]></category>
		<category><![CDATA[lobby]]></category>
		<category><![CDATA[metrópoles]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade urbana]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Fratar Engenharia Consultiva, empresa mineira de consultoria que está elaborando o projeto técnico da avenida Conde da Boa Vista, não tem qualquer tipo de contrato com a Prefeitura do Recife. Ela sequer foi licitada para isso. Quem está pagando a conta é o Sindicato das Empresas de Transporte Público de Pernambuco (Urbana-PE), ou seja, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[A Fratar Engenharia Consultiva, empresa mineira de consultoria que está elaborando o projeto técnico da avenida Conde da Boa Vista, não tem qualquer tipo de contrato com a Prefeitura do Recife. Ela sequer foi licitada para isso.

Quem está pagando a conta é o Sindicato das Empresas de Transporte Público de Pernambuco (Urbana-PE), ou seja, a entidade que representa 13 empresas beneficiárias de concessões do poder público para operar o transporte de passageiros na Região Metropolitana do Recife está financiando projetos urbanísticos nos quais têm interesse direto.

E isso está acontecendo sem transparência, provavelmente de maneira irregular. Não há, nas páginas do Diário Oficial do Recife, qualquer indício de processo legal que autorize a prefeitura do Recife a receber a “doação” das empresas de ônibus.

Depois de nove dias de inúteis tentativas de entender o processo de contratação da Fratar junto aos gestores da prefeitura, a própria Urbana-PE confirmou que a empresa de Belo Horizonte é sua contratada. A confirmação veio por e-mail de sua assessoria de Imprensa às 14h02min desta sexta-feira, 11 de maio:
<blockquote><i>A Urbana-PE tem buscado soluções para elevar a qualidade do serviço de transporte público na Região Metropolitana do Recife. O setor não apenas defende a implantação de corredores e faixas exclusivas para o transporte público, como tem contribuído com projetos e pesquisas. Como exemplo, em 2009 o sindicato trouxe o conceito de BRT com a contratação do escritório do urbanista Jaime Lerner para concepção do corredor Norte-Sul. Desde então, tem contribuído com estudos para priorização do transporte público e redução do tempo de deslocamento dos passageiros. Nesse sentido, a empresa Fratar Engenharia Consultiva foi contratada para elaborar um estudo para um programa de redução do tempo de viagem do transporte coletivo na Região Metropolitana do Recife envolvendo alguns dos principais corredores viários, dentre eles a Av. Cruz Cabugá, Av. Agamenon Magalhães, Av. Conde da Boa Vista, Av. Abdias de Carvalho, Av. José Rufino e Av. Presidente Kennedy.</i></blockquote>
A nota da Urbana se refere a “estudos para priorização do transporte público e redução do tempo de deslocamento dos passageiros”. Não há menção sobre o fato do sócio-diretor da Fratar, o engenheiro mineiro Eduardo Cândido Coelho, participar de reuniões se apresentando como “consultor da prefeitura” e a empresa ssumir os projetos técnicos de requalificação das avenidas Agamenon, Cruz Cabugá e Conde da Boa Vista assinados por Coelho.
<h2><b>O ignorado Plano Diretor Cicloviário</b></h2>
Os nomes da Fratar e de Coelho surgiram logo no início da apuração da <a href="http://marcozero.org/conde-da-boa-vista-vai-mudar-de-novo-sem-debate/">reportagem sobre a ausência de debates em torno da revitalização da Conde da Boa Vista</a>. Os técnicos ouvidos pela Marco Zero contaram, sem embaraços ou constrangimentos, que ele era o autor do projeto e acompanha Maria Eduarda Campos nas reuniões técnicas internas.

Os integrantes da Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo) contaram que, em muitas das reuniões sobre as mudanças na Agamenon, era ele quem representava a prefeitura. Partiu também da Ameciclo a informação de que o mesmo Eduardo Coelho, à época diretor da empresa Tectran, havia sido o responsável técnico do Plano Diretor Cicloviário.

Nos últimos meses do governo Eduardo Campos, a Tecran foi licitada e contratada pela secretaria estadual das Cidades que pagou R$ 632 mil pelos serviços de maneira legal e completamente regular.

O processo de elaboração do Plano teve ampla participação da sociedade e se tornou uma referência para ciclistas e urbanistas. Todavia, não saiu do papel.

O fato do mesmo profissional ser o responsável técnico pelo Plano Cicloviário de 2014 poderia ser um sinal de que, com a reforma da Conde da Boa Vista, ao menos um item indicado na página 206 seria transformado em realidade: a ciclovia de 2,8 quilômetros que começaria na esquina das avenidas Dantas Barreto e Guararapes, seguindo pela Conde da Boa Vista até encontrar-se com a Agamenon Magalhães.

Estranhamente, não vai haver ciclovia na Conde da Boa Vista. Eduardo Cândido Coelho chegou a conversar com o repórter por telefone e explicou porque ignorou o que assinou três anos antes: “Um plano é apenas um indicativo do que seria a situação ideal, mas quando se desce a nível de elaboração de um projeto específico é preciso conhecer os detalhes da realidade. E o fato é que a avenida possui restrições de espaço. Não há como conciliar pedestres, carros, ônibus, BRT e bicicletas naquele espaço”.

Esta semana, os ciclistas da Ameciclo foram informados que, depois de meses de diálogo com a prefeitura e a Fratar, o Plano Diretor Cicloviário também será letra morta na reforma da Agamenon.

Entre os ativistas da ONG Meu Recife, a informação que a Fratar não era contratada da prefeitura também causou espanto. “O Eduardo sempre se apresenta como consultor independente e dialoga conosco”, contou Camila Fernandes, uma das coordenadoras da entidade. Um vídeo em que o sócio da Fratar faz uma apresentação falando em nome da prefeitura chegou a ser postado na página da ONG: <a href="https://www.facebook.com/MeuRecife/videos/1695988450431967/">https://www.facebook.com/MeuRecife/videos/1695988450431967/</a>
<h2><b>Transparência zero</b></h2>
Ao constatar que o Plano Diretor Cicloviário havia custado R$ 632 mil, era necessário saber quanto estaria custando o projeto da Conde da Boa Vista. Surpresa: não havia nenhuma referência à Fratar no Diário Oficial do Recife ou no Portal da Transparência da prefeitura. No ‘Tome Conta’, ferramenta de transparência do Tribunal de Contas do Estado, também não consta nenhum contrato da Fratar com entes públicos em Pernambuco.

Como, em tese, existiria a possibilidade da Fratar ou do engenheiro e diretor terem sido terceirizados por alguma outra empresa vencedora da licitação, foram realizadas as buscas pelo processo licitatório. Mais uma vez, nada: a prefeitura não apresentou edital nem abriu qualquer modalidade de concorrência para contratação do projeto técnico da Conde da Boa Vista.

No site da Fratar, Emlurb e Prefeitura do Recife não aparecem em sua lista de clientes. A página, no entanto, fornecia pistas para compreender sua participação no projeto da avenida. A empresa tem quatro clientes em Pernambuco: o Grupo Fernandes Vieira (Hospitais Santa Joana e Memorial São José), Grupo Parvi (concessionárias Toyolex, América Veículos, Pateo Veículos e Fiori Jeep), grupo João Carlos Paes Mendonça e a Urbana-PE.

Aparentemente, os três primeiros não têm qualquer interesse em desembolsar recursos financeiros para definir modelo e parâmetros de intervenção na Conde da Boa Vista. Restou a Urbana-PE, o sindicato das empresas de transporte público, esta sim, diretamente interessada em garantir caminho livre para as centenas de ônibus que fazem mais de 5.800 viagens passando todos os dias pela avenida.

O assunto foi levado ao secretário de Infraestrutura Roberto Gusmão, engenheiro conhecido pela capacidade de realização e sua forma clara de lidar com os temas espinhosos. Apesar de ser o gestor escalado para falar oficialmente sobre o projeto, não soube responder a questão. “Pode ter certeza que todos os documentos serão apresentados no momento certo”, tangenciou o secretário e presidente da Emlurb. Segundo ele, antes do projeto se tornar público, os órgãos da prefeitura envolvidos no tema irão fazer um check-list das pendências, esquecendo que tal forma de proceder não está prevista em lei.

“É a Urbana quem está pagando o projeto?”. Diante dessa pergunta direta, Roberto Gusmão respondeu com sinceridade desconcertante: “Não sei”.

Diante da hipótese da Urbana ser a mecenas do projeto, Gusmão levantou a possibilidade do sindicato estar cumprindo algum acordo de mitigação e compensação por danos ambientais. Realmente, seria possível, desde que a Urbana e a prefeitura tivessem assinado um Termo de Compromisso de Compensação Ambiental devidamente publicado no Diário Oficial.

Mais uma vez, as buscas por um extrato de um termo de compromisso com tal conteúdo não geraram resultado algum.
<h2><b>Braga e o conflito de interesses</b></h2>
Em um segundo telefonema, imediatamente após a publicação da reportagem sobre a Conde da Boa Vista, o engenheiro Eduardo Coelho mostrou-se mais lacônico. O que é compreensível, aliás. Indagado a respeito de onde vinham seus pagamentos, ele recomendou que isso fosse perguntado &#8220;ao secretário&#8221;. Como Gusmão não tinha a resposta, o jeito era aguardar o secretário municipal de Mobilidade e Controle Urbano, João Braga.

De segunda-feira, 7 de maio, até sexta-feira, 11, Braga permaneceu em silêncio diante dos pedidos de entrevista, necessária para esclarecer essa questão e também explicar se a ausência de debates sobre o futuro da avenida estaria relacionada ao fato da Urbana-PE ser a contratante do projeto. Braga parecia ser a pessoa certa para esclarecer esses aspectos, pois em entrevista sobre a mudança nos tempos dos semáforos, ele citou a Fratar como a consultoria que elaborou a proposta. Em fevereiro, Braga e Coelho apresentaram juntos o projeto da Conde da Boa Vista na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

No entanto, a confirmação de que a Fratar é contratada da Urbana-PE e não da prefeitura expõe um claro conflito de interesses no trato com a questão da mobilidade urbana da cidade. Braga foi consultor da Urbana até as vésperas de assumir a pasta municipal, logo no início do primeiro mandato de Geraldo Julio. Hoje, seu filho Bernardo Braga, é gerente de comunicação da Urbana-PE.
<h2><b>Prática é irregular e assemelha-se a lobby, segundo Ministério Público</b></h2>
O coordenador do centro de apoio às promotorias de Justiça do Patrimônio Público, promotor Maviael Souza Silva, concordou em comentar o caso, frisando que, por não conhecer os detalhes da questão, teria de falar de maneira mais geral e não ao caso específico da Fratar.

“Doação para o poder público tem que ter contrato. Em alguns casos, se faz necessário até mesmo a publicação de edital e abertura de concorrência. Se não tiver, poderão estar sendo desrespeitados os princípios de publicidade, interesse público, impessoalidade e transparência”, afirma o promotor.

E explica o porquê de tudo isso: “Por mais paradoxal que pareça, nem toda doação é grátis. Por melhor que seja a intenção, é preciso se ater à legalidade, afinal a sociedade precisa saber qual a finalidade da doação. Nesse ramo do qual estamos falando, não há atividade filantrópica.”.

Segundo ele, a oferta de um projeto por parte de um ente privado não significa corrupção. “Um grupo privado pode oferecer qualquer tipo de projeto, mas o Poder Municipal, Estadual ou Federal têm a preponderância do interesse público. Do contrário, assemelha-se a lobby”.

O promotor Maviael Silva também explicou as possível irregularidades cometidas pela prefeitura se a Fratar tivesse sido contratada pela prefeitura sem licitação, mas como isso não se confirmou, optamos por descartar seus comentários a esse respeito.
<h4>Leia também:</h4>
<h2 class="western" style="font-weight: normal;"><span style="color: #ff6600;"><a href="http://marcozero.org/conde-da-boa-vista-vai-mudar-de-novo-sem-debate/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="color: #ff6600;"><span style="font-family: 'Roboto Slab', Georgia, serif;">Conde da Boa Vista vai mudar. De novo, sem debate</span></span></a></span></h2><p>O post <a href="https://marcozero.org/quem-manda-nas-avenidas-do-recife/">Quem manda nas avenidas do Recife?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Conde da Boa Vista vai mudar. De novo, sem debate</title>
		<link>https://marcozero.org/conde-da-boa-vista-vai-mudar-de-novo-sem-debate/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 May 2018 18:35:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura e urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sem manchetes nem pompa, no dia 4 de dezembro de 2017 Maria Eduarda Andrade Lima Campos, filha do ex-governador Eduardo Campos, deixou seu cargo de gerente no Instituto Pelópidas Silveira para assumir a diretoria de Projetos Especiais da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb). Mais do que duplicar o salário – passou [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[Sem manchetes nem pompa, no dia 4 de dezembro de 2017 Maria Eduarda Andrade Lima Campos, filha do ex-governador Eduardo Campos, deixou seu cargo de gerente no Instituto Pelópidas Silveira para assumir a diretoria de Projetos Especiais da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb). Mais do que duplicar o salário – passou de R$ 5.036,00 para mais de R$ 10.300,00 -, a nomeação assinada pelo prefeito Geraldo Julio conferiu à jovem arquiteta de 25 anos a responsabilidade de coordenar o novo projeto de requalificação da avenida Conde da Boa Vista.

Não é fácil a tarefa de resolver os problemas da mais desastrosa intervenção urbana dos 12 anos de gestão petista no Recife e que as obras do BRT, iniciadas no governo do seu pai e ainda inacabadas, só agravaram.

Após o embate eleitoral contra João Paulo nas eleições de 2016, a Conde da Boa Vista tornou-se um desafio a ser superado pelo atual prefeito. Em janeiro e fevereiro deste ano, Geraldo Julio afirmou pelo menos duas vezes, em entrevistas para veículos distintos, que o projeto estava sendo “discutido com algumas representações da sociedade e pretendo apresentar o projeto nas próximas semanas, as obras devem começar ainda nesse semestre”.
<h5><span style="color: #ff6600;"><a href="https://radiojornal.ne10.uol.com.br/noticia/2018/02/05/nao-houve-discussao-diz-geraldo-julio-sobre-uber-no-carnaval-57074" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="color: #ff6600;">Escute a entrevista de Geraldo Julio falando sobre a Conde da Boa Vista (trecho a partir de 15’53&#8243;)</span></a></span></h5>
Se as palavras do prefeito estivessem corretas, a filha de Eduardo Campos estaria conduzindo dezenas de reuniões e fóruns de debates sobre a avenida. O fato é que, meses após as afirmações do prefeito e de Maria Eduarda assumir a coordenação do projeto, as “representações da sociedade” não participaram de qualquer discussão ou debate sobra a próxima intervenção na avenida. E só não desconhecem completamente o projeto porque fotos de vários fragmentos já circulam de celular em celular. A única exceção foi a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), cujos diretores foram contemplados com uma apresentação exclusiva.
<h2>Entidades de arquitetura querem contribuir</h2>
Se o debate anunciado pelo prefeito estivesse realmente ocorrendo, seria natural que dele estivesse participando o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-PE), afinal uma das missões da entidade é promover “o aperfeiçoamento do exercício da Arquitetura e do Urbanismo”. O arquiteto e empresário Sandro Guedes, integrante do Conselho, da diretoria da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-PE) e do Conselho da Cidade do Recife assegura que não participou de nenhuma discussão “nem representando o CAU, Ademi ou como conselheiro da Cidade”.

Guedes acredita que o projeto tenha sido “elaborado internamente, não chegou para discussão pública”. Mesmo assim, ele o viu em uma reunião na prefeitura: “Não era ainda o projeto executivo, acredito que foi entregue para análise da acessibilidade. O CAU ainda tentará contribuir”.

O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) solicitou à prefeitura, em março, que o projeto fosse apresentado aos seus integrantes. O presidente da seccional pernambucana, Roberto Ghione, contou que “a gente não conhece ainda o projeto. Foram apresentados ofícios na Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano e na Emlurb, solicitando divulgação e debate público do projeto”.

O presidente do IAB admitiu que ele e muitos dos diretores estão preocupados com o modo como a questão está sendo tratada pela prefeitura: “Defendemos que obra pública deve ser realizada através de concurso de projetos. Nesse caso, por sua significância, representatividade e operacionalidade deveria, no mínimo, ter um debate com a participação de profissionais especializados e da sociedade em geral. São intervenções muito sensíveis, que envolvem a vivência diária de muita gente. Por isso tem que ser intervenções bem pensadas e compartilhadas, que envolvem dinheiro público. Fazer entre quatro paredes, sem consultar todos os interessados, não é o caminho adequado”.
<h2>Universidades conveniadas nada sabem</h2>
Como a prefeitura mantêm convênios com duas universidades exatamente nessa área, havia a possibilidade dessas instituições estarem participando da elaboração do projeto. A hipótese não foi confirmada.

A assessoria de comunicação do grupo multidisciplinar de Pesquisa e Inovação para as Cidades (Inciti), da Universidade Federal de Pernambuco, informou que o grupo não foi convidado e não participou de nenhum debate sobre a qualificação da avenida Conde da Boa Vista. Essa rede de pesquisadores da UFPE desenvolveu, em convênio com a secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife, o projeto Parque Capibaribe.

Com a Universidade Católica de Pernambuco, a prefeitura mantém um projeto específico para planejar propostas e estratégias de revitalização para a área central da capital pernambucana. É o Plano Centro Cidadão. Apesar da Conde da Boa Vista integrar o objeto do convênio, os urbanistas da Unicap só conhecem o projeto da avenida “de ouvir falar”.

Uma das coordenadoras das ações do Plano, Clarissa Duarte, mantêm o otimismo: “Buscamos contactar a Secretaria responsável e nos foi informado que seremos convidado a participar em momento oportuno, uma vez que estão ainda amadurecendo e lapidando aspectos importantes da proposta que não podem ser apresentados à sociedade com certas indefinições”.

Em sua opinião, como a sociedade civil possui fóruns de mobilização e exige ser ouvida, o debate acontecerá. “O momento é de grande demanda por participação da sociedade, acho pouco provável que a gestão escolha o caminho da ‘imposição urbanística’. Temos o exemplo recente da colaboração entre Prefeitura e sociedade civil com o caso da humanização de trecho da Rua do Príncipe, que levou em consideração os trabalhos realizados pelo Centro Cidadão’.
<h2>Ciclistas não foram consultados</h2>
<div id="attachment_8692" style="width: 410px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Amiciclo1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8692" class="wp-image-8692" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Amiciclo1-300x233.jpg" alt="Amiciclo" width="400" height="312"></a><p id="caption-attachment-8692" class="wp-caption-text">Página do Plano Diretor Cicloviário apontando a necessidade de uma ciclovia na Conde da Boa Vista</p></div>

A Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo) encaram o projeto da Conde da Boa Vista como a chance da prefeitura tirar do papel ao menos uma das ciclovias previstas no Plano Diretor Cicloviário da Região Metropolitana, elaborado de forma participativa em 2014 pelo governo de Pernambuco, ainda na gestão de Eduardo Campos. Por enquanto, isso deve ficar apenas no desejo dos ciclistas.

No início do ano, após as primeiras informações sobre o projeto e a entrevista do prefeito, a Ameciclo, protocolou um pedido para a Emlurb. A resposta foi decepcionante: “Disseram que a gente deveria passar lá para ver o projeto. Estranhei. Será que só existe no papel? Não tem um arquivo de Autocad para mandar por e-mail?”, espantou-se Cézar Martins, da Ameciclo.

Outro ativista da ONG, Daniel Valença, é mais taxativo: “A Ameciclo teve a oportunidade de opinar nas mudanças da Agamenon Magalhães, mas não foi consultada neste, que está sendo feito às escondidas, a gente não tem a mínima ideia do que vai acontecer por lá”.


<h2>Nem instâncias oficiaisdiscutiram</h2>
Em tese, elaborar o projeto de requalificação de uma avenida seria atribuição da Autarquia de Urbanização do Recife (URB), afinal seu papel institucional é, segundo o site oficial da prefeitura, “executar obras estruturadoras e serviços de engenharia com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos do Recife”. A assessoria da URB, no entanto, afirmou que suas equipes não participam da formatação do projeto.

O Conselho da Cidade, organismo do poder executivo municipal, também não irá convocar sessões para discutir a questão. Seu presidente, o secretário municipal de Planejamento Urbano, Antônio Alexandre, posicionou-se sem meias palavras: “Não é função do Conselho. Essa será apenas uma obra de requalificação, não irá abrir uma nova via, não terá impacto ambiental. Não tenho competência para falar sobre esse projeto, mas posso garantir que todas as equipes da prefeitura ligadas ao tema estão participando e contribuído com sua elaboração”.
Entre os conselheiros – o Conselho da Cidade é um órgão colegiado com participação da sociedade civil &#8211; há quem discorde do secretário. Advogado e professor de Filosofia da UFRPE, Leonardo Cisneiros solicitou oficialmente que o tema fosse incluído na pauta da próxima reunião do órgão. Antônio Alexandre negou o pedido.

Cisneiros rebate o secretário: “Se isso não for discutido no Conselho, será discutido onde? Estamos falado do principal corredor de transporte público da cidade”. Para justificar sua opinião, ele cita duas atribuições do Conselho previstas em sua página oficial: “Convocar audiências e consultas públicas sobre empreendimentos de impacto, planos urbanísticos, grandes obras públicas (&#8230;)” e “Requisitar, no exercício das suas atribuições, informações e documentos aos órgãos do Município do Recife, bem como convocar autoridades municipais quando necessário”.
<h2>Câmara ignora discussão</h2>
Presidente da recém criada Comissão de Mobilidade Urbana e Acessibilidade da Câmara Municipal do Recife, o vereador Gilberto Alves não possui nenhuma razão para criticar a opção da prefeitura em não abrir a questão da avenida para o debate. Afinal, ele foi líder do governo Geraldo Júlio na Câmara por quatro anos. Mesmo assim, ele admite sem hesitar: “Em relação à Conde da Boa Vista estou igual a você: só conheço de ouvir dizer”.

Na Comissão, ele coordena a discussão em torno do Plano de Mobilidade Urbana, que será transformado em lei municipal após ser debatido e aprovado pelo Legislativo. E faz um alerta: “Nenhuma intervenção na Conde da Boa Vista pode incluir parâmetros que contrariem o que fará parte do Plano”.
<h2>Empresários conheceram e gostaram</h2>
No dia 22 de fevereiro deste ano, os diretores da Câmara dos Dirigentes Lojistas assistiram em primeira mão a uma apresentação do projeto de requalificação da Conde da Boa Vista. Apesar de coordenar a ação, Maria Eduarda não compareceu. Quem representou a prefeitura foi João Braga, secretário de Mobilidade, e Taciana Ferreira, presidente da CTTU. As dúvidas técnicas foram esclarecidas pelo engenheiro Eduardo Cândido Coelho, sócio da Fratar Engenharia Consultiva e responsável técnico pelo projeto.

A atuação da Fratar no processo é tão intrigante que, em breve, merecerá um texto à parte.

Francisco Cunha, consultor da CDL pela TGI Consultoria, estava presente e gostou do que viu. Ele disse que a apresentação teve caráter consultivo para colher opiniões dos comerciantes do centro.

Segundo Cunha, a maioria das “observações feitas disseram respeito às paradas dos ônibus, à localização das estações do BRT e à circulação prevista dos automóveis. Creio que são corretas e adequadas as premissas que orientaram o estudo apresentado: a humanização da avenida e a priorização dos pedestres e dos usuários de transporte público. O desafio é conseguir adequar os fluxos intensos a uma calha limitada. Até onde pude perceber, o esforço feito estava sendo bem sucedido”.

Na ocasião, João Braga anunciou que as obras começariam no final de abril, conforme publicado na seção de notícias do site da CDL.
<h3>Linha do tempo
<iframe src="https://cdn.knightlab.com/libs/timeline3/latest/embed/index.html?source=1rkOtd8dAdHjID0vOTp6G43KxzeJpWTjBDMWPdMnmYX0&amp;font=Default&amp;lang=en&amp;initial_zoom=2&amp;height=650" allowfullscreen="allowfullscreen" width="100%" height="650" frameborder="0"></iframe></h3>
<h1><b>Secretário garante que a discussão vai acontecer</b></h1>
Sim, o projeto da Conde da Boa Vista será debatido, mas só quando acabar a fase de estudos e a Emlurb tiver algo mais definido para apresentar. Quem garante é o engenheiro Roberto Gusmão, que acumula os cargos de presidente da Autarquia e secretário municipal de Infraestrutura e Habitação.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Resposta-Roberto-Gusmão.jpg"><img decoding="async" class="alignright wp-image-8666 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Resposta-Roberto-Gusmão-215x300.jpg" alt="Resposta Roberto Gusmão" width="215" height="300"></a>

Apesar de Maria Eduarda ser a responsável técnica, ele é o único gestor destacado para falar oficialmente sobre o andamento do projeto, conforme seu colega, o secretário de Planejamento Urbano Antônio Alexandre, deixou claro logo no início da apuração desta reportagem.

Com ênfase e demonstrando segurança. Gusmão esclareceu que a Emlurb começou ouvindo a CDL por uma razão óbvia: “A avenida é uma via essencialmente comercial, com dezenas de lojas e até um shopping, então era preciso escutar os comerciantes para conhecer a razões de algumas lojas terem estacionamento e outras não, a dinâmica dos veículos de serviço, por exemplo”.

Chefe direto de Maria Eduarda Campos, o secretário assegura que, em breve, as entidades serão convidadas a opinar sobre o projeto. Enquanto isso não acontece, a equipe envolvida precisa “estudar para a prova”, ou seja, fundamentar tecnicamente cada item incorporado.

“Vamos ouvir todas as entidades, vamos ouvir as universidades, mas não basta querer mudar alguma coisa, vai ser preciso ter estudado para a prova também, vai ser preciso saber argumentar”, diz Gusmão, sempre bem humorado. Segundo ele, o projeto, apesar de “bem estudado” não será pétreo, “estaremos abertos a mudanças, desde que sejam apresentadas para o bem do pedestre e da cidade”.
<blockquote>
<h1>Detalhes de um projeto que já nasce problemático</h1>
Fragmentos do projeto apresentado por Maria Eduarda Campos e por Eduardo Cândido Coelho, diretor da empresa de consultoria responsável pela elaboração da proposta, a Fratar Engenharia Consultiva, em reuniões com técnicos da prefeitura circulam nos grupos de whatsapp de arquitetos e urbanistas pernambucanos. A Marco Zero teve acesso a algumas dessas imagens, no entanto elas não podem ser publicadas para não expor os autores das fotografias. Então, a partir do que foi exibido, sinalizamos algumas mudanças que constam nos trechos do projeto que estão circulando sem autorização oficial.

Entre os urbanistas, as maiores fontes de preocupação são as travessias. Na maior parte da avenida estão previstas travessias assimétricas (ou descontínuas), aquelas onde o pedestre atravessa a primeira metade da avenida, para no canteiro central em uma ilha protegida por gradil e espera o sinal abrir para completar a avenida numa faixa pouco mais à esquerda ou à direita.

Esse tipo de travessia foi uma das opções adotadas pela mesma empresa Fratar no projeto do cruzamento das avenidas Norte e Cruz Cabugá.

<div id="attachment_8681" style="width: 476px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/exemplo-de-travessia-descontínua-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8681" class="wp-image-8681 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/exemplo-de-travessia-descontínua-2.jpg" alt="Exemplo de faixa descontínua em Belo Horizonte (MG)" width="466" height="205"></a><p id="caption-attachment-8681" class="wp-caption-text">Exemplo de faixa descontínua em Belo Horizonte (MG)</p></div>

A travessia existente no trecho da rua Sete de Setembro é uma das mais arriscadas da avenida em razão do grande movimento de pedestres. Do jeito que está previsto, o canteiro central naquele trecho poderá chegar a 1,20 metro de largura. Não parece haver espaço para tanto. Hoje, o batente existente tem apenas 40 centímetros e não há espaço para dois ônibus em movimentos passarem ao mesmo tempo, em qualquer um dos lados da Conde da Boa Vista.
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento da Conde da Boa Vista com a rua Sete de Setembro</h3>
<img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045794370256633859/1024/10/scaletowidth#tl-1045794370256633859;'" alt="" width="428" height="453"><script src="//cdn.thinglink.me/jse/embed.js" async="" charset="utf-8"></script>Coordenadora executiva do Plano Centro Cidadão, a urbanista Clarissa Duarte adverte para a importância das travessias, um dos principais problemas da Conde da Boa Vista: “É necessário que o pedestre tenha facilidade e conforto para a travessia, que não encontre obstáculos para atravessar a avenida em completa segurança”. Sob estes critérios, além dos gradis projetados para possibilitar a travessia em dois tempos, há mais um motivo para polêmica: em vários cruzamentos está desenhada uma faixa de pedestres bastante incomum, no mesmo sentido do fluxo dos ônibus e bem no meio da avenida. Assim, em locais como o cruzamento com a rua da Aurora, Hospício ou Gervário Pires, o pedestre poderá ficar exposto aos BRTs passando ao seu lado.
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento com a ruado Hospício</h3>
<h3 style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045796318003331075/1024/10/scaletowidth#tl-1045796318003331075;'" alt="" width="409" height="460"></h3>
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento com a rua da Aurora</h3>
<h3 style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045797845875032067/1024/10/scaletowidth#tl-1045797845875032067;'" alt="" width="549" height="465"><script src="//cdn.thinglink.me/jse/embed.js" async="" charset="utf-8"></script></h3>
As calçadas de ambos lados da avenida, da rua do Hospício à Dom Bosco, serão alargadas, transformando-se em calçadões para pedestres e pelo comércio informal, apesar do projeto não mencionar essa atividade. Apesar disso, não haverá ciclovia nem de um lado nem do outro. A atual faixa exclusiva para carros desaparecerá. Apesar de mais estreita, a Conde da Boa Vista estará aberta para carros de passeio, que dividirão espaço com os ônibus comuns, pois o BRT ocupará as duas faixas centrais.
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento com a Gervásio Pires</h3>
<img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045790997092499459/1024/10/scaletowidth#tl-1045790997092499459;'" alt="" width="406" height="413"><script src="//cdn.thinglink.me/jse/embed.js" async="" charset="utf-8"></script>As estações do BRT, ainda intocadas e já deterioradas, serão deslocadas para o centro da avenida. Em alguns casos, como na altura da rua José de Alencar e das Ninfas, deixarão de obstruir os cruzamentos.
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento com a rua José de Alencar</h3>
<img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045799220281344003/1024/10/scaletowidth#tl-1045799220281344003;'" alt="" width="1024" height="530"><script src="//cdn.thinglink.me/jse/embed.js" async="" charset="utf-8"></script>

O caótico cruzamento com a Soledade poderia render muita discussão caso a prefeitura não tivesse optado por obstruir o debate com especialistas. Hoje, atravessar esse trecho requer doses de paciência, perspicácia e sorte, principalmente para os muitos deficientes visuais que se deslocam todos os dias para a Fundação Altino Ventura, situada a 200 metros de distância.

Ao menos de acordo com as imagens que chegaram para os arquitetos, o que está prevista para esse trecho é uma confusa sequências de travessias descontínuas, incluindo uma delas em forma de letra ‘V’, que leva das duas calçadas da Soledade (do lado do Colégio São José e do ponto próximo ao prédio do consórcio Grande Recife) a uma ilha triangular chamada “hélice”.</blockquote>
<h2><b>Consensos e dissensos do projeto</b></h2>
Mesmo sem apresentar qualquer esboço, o secretário Roberto Gusmão, revelou alguns dos aspectos do projeto que estão quebrando a cabeça dos técnicos. De acordo com ele, apesar de vários itens terem sido incluídos no projeto cujas imagens circulam extra-oficialmente, não há consenso a respeito de:
<ul>
 	<li>Posição das paradas de ônibus comuns e dos BRTs</li>
 	<li>Trechos do canteiro central a serem usados pelos pedestres</li>
 	<li>Intervalos de tempo dos semáforos</li>
 	<li>Travessias de pedestres</li>
 	<li>Alternativa ao ar-condicionado para manter conforto nas estações de BRT</li>
</ul>
Já as obras consideradas de “engenharia” já podem ser dadas como definidas e devem custar aproximadamente R$ 6 milhões. Segundo o secretário, são consideradas como “simples”, que dificilmente mudarão até a finalização:
<ul>
 	<li>Alargamento das calçadas</li>
 	<li>Iluminação</li>
 	<li>Drenagem</li>
 	<li>Canteiro central para receber as estações do BRT</li>
</ul>
Além disso, o projeto contemplará o mobiliário urbano (principalmente lixeiras) e paisagismo, itens que foram esquecidos no projeto de 2008, quando o prefeito era João Paulo e o secretário de Planejamento, João da Costa – curiosamente a Emlurb, na época presidida pelo próprio Roberto Gusmão, executou a obra.<p>O post <a href="https://marcozero.org/conde-da-boa-vista-vai-mudar-de-novo-sem-debate/">Conde da Boa Vista vai mudar. De novo, sem debate</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Estrutura cicloviária anunciada por Geraldo Julio não chega a 30% do prometido</title>
		<link>https://marcozero.org/estrutura-cicloviaria-anunciada-por-geraldo-julio-nao-chega-a-30-do-prometido/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Sérgio Miguel Buarque]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Sep 2016 10:54:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ciclofaixas]]></category>
		<category><![CDATA[ciclovias]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Júlio]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade urbana]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Desde 2013, implantamos 7 ciclofaixas na cidade, o equivalente a 17,7 km de espaços exclusivos para quem anda de bike. Esse investimento só reforça nosso compromisso com a melhoria da mobilidade do Recife”, Geraldo Julio, no Facebook, dia 20 de setembro. Para falar sobre a implantação de ciclofaixa no Recife e destacar o que a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="color: #111111;"><span style="font-weight: bold;"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/naoebemassim.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-2596 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/naoebemassim.png" alt="naoebemassim" width="194" height="230"></a>“Desde 2013, implantamos 7 ciclofaixas na cidade, o equivalente a 17,7 km de espaços exclusivos para quem anda de bike. Esse investimento só reforça nosso compromisso com a melhoria da mobilidade do Recife”, Geraldo Julio, no Facebook, dia 20 de setembro.</span></p>
<p style="color: #111111;">Para falar sobre a implantação de ciclofaixa no Recife e destacar o que a sua gestão tem feito para melhorar a mobilidade na cidade, Geraldo Julio usou dados oficiais da Secretaria de Mobilidade Urbana e que estão disponíveis no site da Prefeitura. A equipe do<span style="font-weight: bold;">Truco Eleições 2016</span>, – projeto de fact-checking da<a style="color: #337ab7;" href="http://apublica.org/"><span style="font-weight: bold;">Agência Pública</span></a>, feito em parceria com a<span style="font-weight: bold;"><a style="color: #337ab7;" href="http://marcozero.org/">Marco Zero Conteúdo</a></span>, verificou que os números apresentados pelo candidato a reeleição estão corretos do ponto de vista quantitativo, mas passam uma ideia distorcida e exagerada para a população sobre o peso dessas obras dentro do Plano Cicloviário traçado para a cidade. Por isso, recebe a carta “Não é bem assim”.</p>
<p style="color: #111111;">Ao menos dois pontos mostram a inconsistência da declaração de Geraldo. O primeiro é quando se compara os 17,7 quilômetros implantados de vias exclusivas para ciclistas na gestão socialista com o que foi prometido na campanha eleitoral de 2012. Há quatro anos, Geraldo Julio previu em seu programa de governo, no capítulo<em>Transporte e Mobilidade Urbana,</em>a construção de 76quilômetrosde novas ciclovias e ciclofaixas.</p>
<p style="color: #111111;">Também existe uma defasagem entre o anunciado e o implantado por Geraldo Julio no que diz respeito ao número de ciclofaixas. Em março de 2014, pouco mais de um ano depois de tomar posse, Geraldo apresentou o projeto que mais tarde veio a ser batizado de “12 Rotas Cicláveis”. Como o próprio candidato afirma, até agora estão funcionando apenas sete destas doze vias.</p>
<p style="color: #111111;">O segundo ponto que precisa ser analisado é a falta de sintonia entre o que foi executado pela Prefeitura em vias exclusivas para ciclistas e o que está determinado no Plano Diretor Cicloviário (PDC). Elaborado sob a coordenação da Secretaria das Cidades do Governo de Pernambuco, em conjunto com as 14 cidades da Região Metropolitana do Recife (RMR), o plano previa, entre outras coisas, a implantação de 590 quilômetros de estrutura cicloviária em toda RMR.</p>
<p style="color: #111111;">Sobre esse assunto, a Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo) publicou, em junho de 2016, o Relatório Analítico da Mobilidade por Bicicletas no Recife. O documento aponta que, “das 12 Rotas Cicláveis apresentadas pela Prefeitura em 2014, somente três delas encontram-se previstas no Plano Diretor Cicloviário. Ainda assim, embora haja pontos de convergência entre as estruturas realizadas e aquelas dispostas no PDC, há muita divergência entre elas”.</p>
<p style="color: #111111;">Assim, a Ameciclo concluiu em seu relatório que “como não foi executada a imensa maioria das infraestruturas previstas no Plano Diretor Cicloviário, a Prefeitura do Recife, talvez tentando compensar aquela falha e cumprir as promessas feitas no período da campanha eleitoral, quando foram prometidos 76km de ciclovias e ciclofaixas pelo então candidato Geraldo Julio, mas sem explicar a verdadeira razão para tanto, direcionou seus esforços para realizar estruturas que não estavam no Plano Diretor Cicloviário da Região Metropolitana do Recife”.</p>
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