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	<title>Arquivos modernismo - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos modernismo - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Em 10 dias, duas casas são demolidas e aceleram destruição do patrimônio modernista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2020 00:13:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os vizinhos do número 83 da rua Jacobina, nas Graças, foram surpreendidos com o ruído de tratores e de paredes desabando na manhã de terça-feira, 13 de outubro. Muitos moradores interromperam o café da manhã e foram para suas respectivas janelas e varadas para fotografar e filmar a segunda demolição de uma casa modernista no [&#8230;]</p>
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<p>Os vizinhos do número 83 da rua Jacobina, nas Graças, foram surpreendidos com o ruído de tratores e de paredes desabando na manhã de terça-feira, 13 de outubro. Muitos moradores interromperam o café da manhã e foram para suas respectivas janelas e varadas para fotografar e filmar a segunda demolição de uma casa modernista no Recife no intervalo de 10 dias.</p>



<p>Logo, as imagens de uma retroescavadeira derrubando a casa conhecida como Residência Emir Glasner, construção modernista de 1972 projetada pelo arquiteto pernambucano Vital Pessoa de Melo, se espalharam pelas redes sociais. Várias postagens já informavam que, além do significado, o imóvel contava com jardins assinados pelo paisagista Roberto Burle Marx e vitrais da artista plástica franco-brasileira Marianne Peretti.</p>



<p>Os vizinhos conheciam bem a casa. No início dos anos 2000, a residência esteve no centro de um conflito entre os novos proprietários, o grupo Ser Educacional (na época ainda chamava-se Faculdade Maurício de Nassau) e grupos de moradores das Graças, inconformados com as modificações realizadas na estrutura original.</p>



<p>Em 2007, a Justiça determinou que os novos donos não poderiam mais fazer reformas ou alterar o jardim desenhado por Burle Marx. Na época, circulava a informação que a pretensão da Maurício de Nassau era construir um edifício garagem no local.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Arquitetura fora do eixo RJ-SP</strong></h2>



<p>Em sua dissertação de mestrado na Universidade de São Paulo (USP) sobre a arquitetura de Vital Pessoa de Melo, a arquiteta pernambucana Clara de Oliveira Reynaldo dedicou um capítulo inteiro ao estudo desse imóvel de 700 m<sup>2 </sup>de área construída, situada num lote de 40m x 30m de terreno irregular. </p>



<p>O projeto foi encomendado por Emir Glasner de Barros, engenheiro cuja empresa foi responsável por várias obras públicas, incluindo o túnel Cascavel, na serra das Ruças.</p>



<p>De acordo com a arquiteta, um dos pontos altos do projeto seria, além do aproveitamento das irregularidades do terreno, o uso de vários elementos como o cobogó, peitoris e portas pivotantes para assegurar a ventilação e o menor uso possível de ar-condicionado e ventiladores, pois “a preocupação da arquitetura com as condições climáticas” era uma constante nos projetos de Pessoa de Melo.</p>



<p>Em São Paulo onde mora, Clara Reynaldo foi surpreendida com a notícia da demolição. Segundo ela, Pessoa de Melo acreditava que &#8220;o lugar deveria ser o ponto de partida para o projeto e só desta forma o projeto faria sentido naquele espaço. Além desta preocupação, fica evidente na sua vasta obra a racionalidade estrutural e o pleno domínio técnico&#8221;.</p>



<p>A arquiteta explica que a produção de Vital contribuiu bastante para &#8220;dar visibilidade para a arquitetura que se fazia fora do eixo Rio-SP, entre as décadas de 1970 e 1980. Pena que, para algumas pessoas, possuir um bem histórico é um empecilho, quando deveriam tirar partido disso &#8220;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Tombamento foi pedido</h3>



<p>Em dezembro de 2007, depois que a Justiça proibiu a destruição do jardim, Maria Lúcia Moura, presidente da Associação Por Amor às Graças, solicitou à prefeitura o tombamento definitivo do imóvel, com sua inclusão na lei dos Imóveis Especiais de Preservação (IEP).</p>



<p>Para saber se a casa de Emir Glasner fazia parte da relação de imóveis a serem tombados, elaborada em 2013 pela Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural, a secretaria municipal de Planejamento Urbano do Recife foi procurada pela Marco Zero Conteúdo. Também questionamos se a prefeitura do Recife tinha perspectiva de aprovar a proteção para alguns desses imóveis.</p>



<p>Até o momento do fechamento dessa reportagem, a prefeitura ainda não havia respondido ou se posicionado. Quando isso acontecer, as respostas e o posicionamento oficial do poder público municipal serão acrescentados a este texto.</p>



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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="yHdSr1A20h"><a href="https://marcozero.org/mais-uma-casa-modernista-e-demolida-as-escondidas-em-recife/">Mais uma casa modernista é demolida às escondidas no Recife</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Mais uma casa modernista é demolida às escondidas no Recife&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/mais-uma-casa-modernista-e-demolida-as-escondidas-em-recife/embed/#?secret=jQ1uEvLDEG#?secret=yHdSr1A20h" data-secret="yHdSr1A20h" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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		<title>Tereza Costa Rego, uma mulher em permanente erupção</title>
		<link>https://marcozero.org/tereza-costa-rego-uma-mulher-em-permanente-erupcao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2020 22:54:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
		<category><![CDATA[Tereza Costa Rego]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este texto foi editado às 14h40 pelo autor. Na primeira vez em que vi Tereza entendi que as histórias que me contou não caberiam em jornal nenhum. O ano era 1999. Não foi uma entrevista qualquer, não só porque durou quase quatro horas. Os caminhos profissionais me levaram de volta para perto de sua casa, [&#8230;]</p>
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<ul class="wp-block-list"><li><em>Este texto foi editado às 14h40 pelo autor</em>.    </li></ul>



<p>Na primeira vez em que vi Tereza entendi que as histórias que me contou não caberiam em jornal nenhum. O ano era 1999. Não foi uma entrevista qualquer, não só porque durou quase quatro horas.</p>



<p>Os caminhos profissionais me levaram de volta para perto de sua casa, do seu ateliê e de sua intensidade. Nos últimos 19 anos, Tereza Costa Rego tornou-se uma presença frequente em minha vida. Contar sua história passou a ser minha obsessão.</p>



<p>Primeiro, nutria minha vaidade com aquilo que entendia como privilégio: ser recebido por ela, partilhar garrafas de vinho e horas de conversas. Só depois de muito tempo, percebi que não eram meus supostos méritos ou virtudes que abriram as portas da casa da rua do Amparo, mas sim os méritos e virtudes da anfitriã.</p>



<p>De tão exuberante, a força de sua personalidade talvez ocultasse um traço sempre presente em suas escolhas: a generosidade. Quando se fala em Tereza, as características sempre usadas para descrevê-la são a inquietude, coragem, ousadia e a paixão. Mas ela era, antes de tudo, generosa. Uma mulher que dava mais do que recebia.</p>



<p>Demorei a compreender que ela contava e recontava os mais íntimos detalhes de sua vida por pura generosidade. Fui eu quem a procurei para escrever sobre suas múltiplas vidas. Respondia a tudo que eu insistia em saber apenas para que eu tivesse o que escrever, por saber que aquilo que tinha vivido ajudaria, tanto tempo depois de vivido, a realizar a minha ambição.</p>



<p>Por generosidade, celebrou seu 89º aniversário no espaço cultural de um amigo para que a casa tivesse uma noite de lotação máxima. </p>



<p>E assim, Tereza, mulher em permanente estado de mudança, continuava a se reinventar.</p>



<p>Engana-se quem enxerga política no vermelho tão marcante em sua arte. Vermelho era a cor da inquietude de sua alma, assim como vermelha é a lava vulcânica, rocha em transformação, impossível de ser contida e com o poder de transformar a paisagem tanto ao avançar quanto ao interromper sua jornada.</p>



<p>Com a força de uma erupção, desafiou a família e as tradições da sociedade canavieira de Pernambuco ao não aceitar o papel de fiel esposa do magistrado.</p>



<p>Desafiou a ditadura militar de inúmeras maneiras, na clandestinidade ou não.</p>



<p>Desafiou o companheiro que amava ao não aceitar o papel de militante submissa aos desígnios do partido.</p>



<p>Máxima ousadia, desafiou até mesmo o tempo, ao não aceitar o papel reservado à velhice e continuar sonhando, planejando, fazendo novos amigos e livrando-se de preconceitos.</p>



<p>Agora, sua arte e a história de sua vida desafiam a morte.</p>



<p>Obrigado por tudo, amiga querida, mas obrigado mesmo pelas tantas versões das suas memórias e pelo exemplo de jamais se conformar.</p>
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