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	<title>Arquivos mototaxistas - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos mototaxistas - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Não é só sobre isso: trabalhadores informais e violência armada na pandemia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jul 2021 23:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Ailce Moreira* “‘Nois’ não existia, agora, ‘nois’ existe, mano. Então, acho que a conquista é essa:‘nois’ existe. E, agora, qualquer problema que a cidade tiver que resolver, ela vai terque lidar com a chamada uberização, precarização do trabalho.&#8221;Paulo Lima, Galo [Entregadores antifascistas] A chegada da pandemia da Covid-19 à realidade brasileira atingiu em cheio [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/nao-e-so-sobre-isso-trabalhadores-informais-e-violencia-armada-na-pandemia/">Não é só sobre isso: trabalhadores informais e violência armada na pandemia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-left"><strong>Por Ailce Moreira*</strong></p>



<p class="has-text-align-right"><br><em>“‘Nois’ não existia, agora, ‘nois’ existe, mano. Então, acho que a conquista é essa:<br>‘nois’ existe. E, agora, qualquer problema que a cidade tiver que resolver, ela vai ter<br>que lidar com a chamada uberização, precarização do trabalho.&#8221;<br></em><strong><em>Paulo Lima, Galo [<a href="https://www.youtube.com/watch?v=ttciccleoIg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Entregadores antifascistas</a>]</em></strong></p>



<p class="has-text-align-left"><br>A chegada da pandemia da Covid-19 à realidade brasileira atingiu em cheio a<br>vida de todas as pessoas, sem exceção. Todavia, <a href="https://fogocruzado.org.br/relatorio-semestral-grande-recife-2021/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">dados do Instituto Fogo Cruzado</a><br>apontam que, no primeiro semestre de 2021, os trabalhadores informais (incluindo<br>motoristas de aplicativos, vendedores ambulantes e mototaxistas) da Região<br>Metropolitana do Recife, em Pernambuco, também foram alvo, de forma significativa,<br>da violência armada. O indicativo é de aumento proporcional em relação aos anos<br>anteriores, principalmente, no que se refere a pessoas baleadas com desfecho em<br>morte.</p>



<p class="has-text-align-left">Nos últimos 12 meses, entre julho de 2020 e junho de 2021, houve um aumento de<br>62% no número de mortos em relação ao mesmo período anterior. Justamente no<br>auge da contaminação pela pandemia, esse segmento de trabalhadores ficou ainda<br>mais vulnerável. Já o número de feridos, vítimas de disparos de arma de fogo, caiu em relação aos anos anteriores. Podemos interpretar que os disparos tiveram maior letalidade, principalmente, se o recorte analisado considerar somente os mototaxistas. Esta categoria apresenta aumento de 175% no número das mortes por arma de fogo em relação ao mesmo período do ano de 2020.</p>



<p class="has-text-align-left">Sendo assim, ficam os questionamentos: esses números são somente indicativos da segurança pública? Se não, do que tratam além dela? Parafraseando um jargão da internet, eles não falam só “sobre isso”, e não, não “está tudo bem”. Com o início da maior crise sanitária do planeta dos últimos 100 anos, cresceu o número de subempregos, o que expõe a precarização nas relações do trabalho com a falta de regulamentação das funções e dos benefícios sociais garantidos pela legislação brasileira. Quando uma bala fere o corpo do trabalhador informal, quem são os atingidos?</p>



<p>A maioria dos disparos mapeados pelo Fogo Cruzado aconteceu no entorno<br>das cidades da Região Metropolitana do Recife e,<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-07/trabalho-informal-durante-pandemia-e-tema-d o-caminhos-da-reportagem" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> segundo a Agência Brasil</a>, a população negra e periférica é a mais impactada pela informalidade em nosso país. Os disparos, portanto, têm classe e endereço certos e a informalização das relações de trabalho é diretamente proporcional à falta de segurança que os trabalhadores informais experimentam em suas jornadas diárias.</p>



<p>Para eles, não há garantias, contrariando o artigo 6º de nossa Constituição<br>Federal em vigor, que assegura aos cidadãos e cidadãs brasileiras, no mesmo<br>patamar de importância, os direitos ao trabalho e à segurança. Nas ruas, a lei é do<br>“cada um por si” e os trabalhadores criam estratégias de organização autônoma<br>coletiva para enfrentar a violência. Eles compartilham rotas com seus pares, alertas em aplicativos de mensagens instantâneas e mantêm contato frequente com suas casas. Proteger a vida, enquanto garante o sustento da família, passa a ser também função do próprio cidadão. Com isso, empresários e Estado falham na garantia dos direitos previstos por lei.</p>



<p>Prevalece, então, a falácia das vantagens de ser empreendedor ao invés de se<br>ver como força de trabalho que resulta, em última linha, na supressão de direitos,<br>sejam trabalhistas ou relacionados à segurança, de forma interseccional. A situação que se consolidou durante a pandemia não é nova e coloca o trabalhador informal em situação de fragilidade porque serve a interesses de uma classe que, sobretudo, não quer perder seus privilégios sociais e econômicos.</p>



<p>Este período marca o agravamento, a potencialização e a atualização da lógica<br>de escravização que funda esse país e se perpetua através da institucionalidade da<br>exploração do trabalhador. Em última instância, compactua com o genocídio da<br>população periférica, negra e de origem indígena.</p>



<p>Não é possível, portanto, olhar para os corpos feridos e mortos sem sentir a dor da sua origem, da sua cor, das suas famílias e das suas comunidades. Segurança pública não é apenas ter mais policiais e batalhões nas ruas ou melhor aparelhamento dos sistemas prisionais. Passa, antes, e acima de tudo, pela garantia dos direitos fundamentais constitucionais, dos quais, a vida é o primeiro.</p>



<p><strong><a href="https://fogocruzado.org.br/relatorio-semestral-grande-recife-2021/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Acesse o relatório semestral do Fogo Cruzado</a></strong></p>



<p><strong>* </strong><em><strong>Sou mulher brasileira, indígena em retomada, de pele preta, evangélica, artista, progressista e feminista. Jornalista e licenciada em Dança por formação, mestra em Artes Visuais. Milito por uma sociedade de justiça, paz e alegria para todas, todos e todes. Integro a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e o Movimento Nós na Criação. Fui fundadora e membra durante três anos do Movimento PE de Paz. Amo dançar, ir à praia, ler, estar com a família e amigos. Acredito na potência de transformação da arte. Tento todos os dias ser uma pessoa melhor no mundo na esperança de que, assim, possamos construir outros mundos possíveis e melhores</strong></em></p>
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