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	<title>Arquivos movimentos sociais - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos movimentos sociais - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Protestos em Belém desafiam ‘tom otimista’ de autoridades na COP30</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 19:51:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
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		<category><![CDATA[jornalismo ambiental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Daniel Camargos, do site Repórter Brasil* Em seu terceiro dia, a COP30 ganha um tom mais popular e, ao mesmo tempo, mais tenso. Protestos se espalham pelas ruas e vão tomar os rios da capital paraense na manhã desta quarta (12), com uma barqueata. Movimentos sociais e indígenas pressionam e fazem um contraponto ao [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Daniel Camargos, do site <a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/11/protestos-belem-contraponto-tom-otimista-cop30/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Repórter Brasil</a></strong>*</p>



<p>Em seu terceiro dia, a COP30 ganha um tom mais popular e, ao mesmo tempo, mais tenso. Protestos se espalham pelas ruas e vão tomar os rios da capital paraense na manhã desta quarta (12), com uma barqueata. Movimentos sociais e indígenas pressionam e fazem um contraponto ao tom otimista adotado por governos e corporações durante a conferência do clima.</p>



<p>A tensão escalou na noite de terça-feira (11), quando manifestantes invadiram a zona azul, onde acontecem as reuniões diplomáticas. O espaço é controlado e cercado por forte esquema de segurança. Um grupo formado por ativistas, no entanto, rompeu o cerco para protestar contra a exploração de petróleo na Foz do Amazonas e pedir a tributação de bilionários.</p>



<p>As forças de segurança formaram dois cordões humanos para tentar conter a invasão. Dois seguranças ficaram feridos e houve danos superficiais ao portão principal. Os manifestantes gritavam: “governo Lula, que papelão, destrói o clima com essa perfuração”.</p>





<p>O protesto foi o episódio mais tenso de uma série de atos que marcaram o segundo dia da conferência. À tarde, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) fez uma ação dentro da Agrizone. Localizada próxima ao pavilhão principal da COP30, <a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/10/cop30-agro-narrativa-crise-climatica-agrizone-embrapa-2/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a Agrizone foi criada pela Embrapa</a>, com apoio do Ministério da Agricultura, para representar agronegócio. O local conta com estandes patrocinados por Bayer, Syngenta, Nestlé, PepsiCo, dentre outras.</p>



<p>O MST criticou o espaço como tentativa de limpar a imagem do agronegócio. Militantes vestidos de preto, com pulverizadores marcados com a palavra “glifosato”, marcharam pelo corredor principal cantando: “Agrizone, tu não me engana, o verde desse dólar não salva nossa Amazônia”.</p>



<p>Na outra margem da cidade, a Aldeia COP, instalada na UFPA (Universidade Federal do Pará), abriga quase 3 mil indígenas de todo o país, que chegaram a Belém em caravanas e embarcações. Na noite da terça (11), durante a cerimônia de abertura, eles pediram a demarcação de terras indígenas.</p>



<p>Mais cedo, o <a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/11/raoni-lideres-indigenas-lamentam-apoio-lula-petroleo-amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cacique Raoni Metuktire e outras lideranças indígenas</a> da Amazônia criticaram o apoio do presidente Lula à exploração de petróleo na foz do rio Amazonas. “Eu não concordo. O petróleo está acabando com a natureza”, disse Raoni.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Cacique Raoni avisou que vai dar um &#8220;puxão de orelha&#8221; no presidente Lula
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Outro protesto, a Barqueata da Cúpula dos Povos, marcada para a manhã desta quarta (12), intensifica a mobilização. O ato planeja reunir mais de 200 embarcações e 5 mil participantes de 60 países, segundo os organizadores.<br><br>Além da Cúpula dos Povos e da Aldeia COP, outro local de resistência é a Casa do Povo, no bairro Reduto, distante seis quilômetros do pavilhão oficial. O local é a sede da COP do Povo e funciona em um imóvel alugado por movimentos sociais, pastorais e organizações ambientais.<br><br>Logo na entrada, há uma lista com milhares de nomes de pessoas mortas na defesa do meio ambiente, da reforma agrária e dos direitos humanos em todo o mundo. Nas salas, cartazes, faixas e bandeiras cobrem as paredes.</p>



<p>Na manhã de terça (11), um grupo de trabalhadores rurais e ativistas discutia a relação entre trabalho escravo e mudanças climáticas. Na platéia, um participante da fronteira do Acre com o Peru relatou episódios de venda irregular de créditos de carbono e a presença de facções criminosas na grilagem de terras.<br><br>No salão principal, outro grupo analisava o Acordo de Escazu, recém-aprovado pela Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado. O tratado garante acesso à informação, participação social e proteção de defensores ambientais, sendo o primeiro da América Latina com esse objetivo.</p>



<p>No mesmo endereço, os organizadores se dedicavam aos preparativos do <a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/11/cop30-tribunal-popular-violacoes-socioambientais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tribunal dos Povos contra o Ecogenocídio</a>, que será realizado quinta (13) e sexta (14) no auditório do Ministério Público Federal (MPF). O julgamento simbólico tratará de 21 casos de falsas soluções climáticas, grandes empreendimentos e violência no campo.<br><br>Uma das organizadoras, Claudelice Santos, do Instituto Zé Cláudio e Maria, explicou que o desejo era realizar o tribunal na Praça da República. O evento, porém, foi transferido após análise de segurança: “As testemunhas sofrem ameaças e entendemos que não poderia ser em um local aberto. No MPF há aparato de segurança”, entende. </p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Protestos-COP-5-Tania-Rego-AgBR-1024x613.jpg" alt="A imagem mostra um evento coletivo realizado em ambiente interno, com muitas pessoas reunidas em apoio à justiça climática e econômica. No centro, uma pessoa fala ao microfone, enquanto outras seguram grandes letras coloridas que formam a frase “JUST TRANSITION NOW”. Atrás delas, há banners verticais com palavras como “JUSTICE”, “CARE”, “WISDOM”, “VISION”, “LABOUR RIGHTS” e “SOLIDARITY”, destacando os valores defendidos pelo grupo. Um dos cartazes traz a sigla “BAM!” acompanhada da frase “Belém Action Movement for Climate and Economic Justice”, indicando a presença de movimentos racializados. O público é diverso, com pessoas de diferentes idades e origens, demonstrando engajamento e atenção ao discurso." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Movimentos sociais ocuparam a restrita Zona Azul no segundo dia da COP
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil</span>
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                    </figure>

	


<p>Claudelice informou que uma documentação com denúncias será enviada a relatores da ONU, ao Ministério Público e a ministros do Governo Federal.</p>



<p>As ações da Casa do Povo, da Aldeia COP e da Cúpula dos Povos tentam disputar espaço e voz em uma conferência marcada pelo predomínio das negociações diplomáticas e corporativas. </p>



<p>“Na zona azul estão o Estado e as empresas, e o povo, que é o mais afetado pelas mudanças climáticas, não está”, questiona Claudelice.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <ul>
<li><span style="font-weight: 400;">Esta reportagem foi produzida pela Repórter Brasil, por meio da </span><b>Cobertura Colaborativa Socioambiental da COP 30.</b><span style="font-weight: 400;"> Leia a reportagem original </span><a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/11/protestos-belem-contraponto-tom-otimista-cop30/"><span style="font-weight: 400;">aqui</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></li>
</ul>
    </div>
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		<title>Memória e preservação: projeto lança acervo de 200 vídeos populares de Pernambuco digitalizados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2025 18:12:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[audiovisual]]></category>
		<category><![CDATA[movimentos sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A produção audiovisual das organizações e dos movimentos sociais no período da redemocratização do Brasil conta muito sobre a história do país. Preservar essas imagens e memórias tornando-as acessíveis é o objetivo do projeto Acervo do Vídeo Popular em Pernambuco, que recuperou e digitalizou mais de 200 fitas gravadas por organizações e produtoras locais como [&#8230;]</p>
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<p>A produção audiovisual das organizações e dos movimentos sociais no período da redemocratização do Brasil conta muito sobre a história do país. Preservar essas imagens e memórias tornando-as acessíveis é o objetivo do projeto <a href="https://videopopularpe.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Acervo do Vídeo Popular em Pernambuco</a>, que recuperou e digitalizou mais de 200 fitas gravadas por organizações e produtoras locais como SOS Corpo, TV Viva, Etapas Vídeo, MST, Grupo Mulher Maravilha e Produções do Tempo. </p>



<p>O seminário gratuito “Memória do Audiovisual Popular em Pernambuco”, nesta quinta-feira, 18 de setembro, no Centro de Artes e Comunicação da UFPE, marca, com exibição de filmes, o lançamento oficial do livro “Histórias do Vídeo Popular”, do Repositório do Vídeo Popular e da série para televisão “Imagem nas Mãos”.</p>



<p>O Repositório do Vídeo Popular é uma plataforma de pesquisa criada pelo projeto para dar acesso não só aos vídeos como também às suas informações técnicas e históricas. Com ferramenta de busca, permite pesquisas por filtros como título, tema, equipe técnica, ano de produção, acontecimentos documentados ou pessoas que aparecem nas imagens.</p>



<p>Já o livro “Histórias do Vídeo Popular” reúne reflexões e entrevistas com militantes envolvidos diretamente na produção do vídeo popular em nosso estado, que apresentam um panorama do cenário político do país. Esses assuntos são discutidos de forma entrelaçada às histórias de vida dos militantes e tecem um diálogo entre as lutas sociais travadas nas últimas décadas no Brasil, principalmente em Pernambuco.</p>





<p>“A rica história das produções feitas em apoio às lutas sociais em nosso estado costuma ser pouco contada e a história da produção em vídeo feita no contexto singular da transição política, chamada de vídeo popular, menos ainda”, explica Vinícius Andrade, coordenador do projeto. “Discutir essa produção construída por dentro de coletivos sobre questões coletivas de nossa sociedade faz a gente aprender muito, sobretudo em como lidar com os desafios políticos que estamos vivendo hoje”, completa.</p>



<p>A estreia da série “Imagem nas Mãos” encerra o evento da tarde desta quinta. Realizada por estudantes de Jornalismo, sob orientação da professora Yvana Fechine, os sete episódios são compostos por entrevistas com representantes de organizações e produtoras de vídeo populares que tiveram seus acervos digitalizados pelo <a href="https://videopopularpe.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Acervo do Vídeo Popular em Pernambuco</a>. Os programas serão exibidos semanalmente na TVU Recife a partir do dia 29 de setembro.</p>
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		<title>Em ato unificado, movimentos sociais e vítimas da Braskem cobram por justiça</title>
		<link>https://marcozero.org/em-ato-unificado-movimentos-sociais-e-vitimas-da-braskem-cobram-por-justica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Dec 2023 21:05:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[afundamento de bairros]]></category>
		<category><![CDATA[Braskem]]></category>
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		<category><![CDATA[movimentos sociais]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura de Maceió]]></category>
		<category><![CDATA[Redação Nordeste]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Sergio Miguel Buarque e Wanessa Oliveira Utilizando a #BraskemCriminosa, movimentos sociais e vítimas dos bairros diretamente atingidos pela mineração da Braskem realizaram um ato público, na manhã desta quarta-feira, 6 de dezembro, cobrando justiça e providências como o fim dos acordos, e a devida responsabilização da mineradora. A mobilização aconteceu nesta manhã, em uma [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Sergio Miguel Buarque e Wanessa Oliveira</strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<p>Utilizando a #BraskemCriminosa, movimentos sociais e vítimas dos bairros diretamente atingidos pela mineração da Braskem realizaram um ato público, na manhã desta quarta-feira, 6 de dezembro, cobrando justiça e providências como o fim dos acordos, e a devida responsabilização da mineradora. A mobilização aconteceu nesta manhã, em uma caminhada da avenida Fernandes Lima até o centro da capital alagoana. </p>



<p>Estiveram presentes nos atos moradores das Flexais, Marquês de Abrantes, Pinheiro, Mutange, além de diversos movimentos sociais. Os manifestantes reivindicaram a revisão do acordo feito entre Ministérios Públicos Estadual e Federal com Defensoria Pública da União e a mineradora, considerando que não houve participação da população nas tratativas.&nbsp;</p>



<p>De acordo com o líder comunitário dos Flexais, Antônio Domingos, a mobilização teve como ponto alto a entrega da carta endereçada ao Ministério Público Estadual, no momento em que o movimento passou em frente a um dos prédios do órgão. Entre as reivindicações, como a revisão do acordo e criminalização da ação da Braskem, os moradores também retrataram a condição dos moradores dos Fleixais, da Marquês de Abrantes e das Quebradas, que têm buscado a realocação.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Pedimos que as autoridades nos olhem melhor. Muitos moradores deixaram as casas por conta própria, e ficou ainda mais deserto. Inclusive indaguei lá em frente ao Ministério Público se os órgãos que fizeram esses acordos, os MPs e Defensoria Pública, assinariam a responsabilidade caso aconteça uma tragédia ali nos Flexais, e o procurador ficou calado. Então quem garante que estamos seguros?&#8221;, questiona.&nbsp;</p>



<p>Para o líder comunitário, o ato demonstra como a população não tem concordado com os procedimentos adotados atualmente entre empresa e órgãos. &#8220;Agradecemos os movimentos que apoiaram esse momento. Essa movimentação pacífica, civil, é muito importante, porque enquanto a Justiça está fazendo vários acordos, a sociedade civil organizada clama por Justiça. Foi crucial&#8221;. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mestre de cerimônia</strong></h2>



<p>Durante todo percurso, vários representantes da sociedade civil e dos moradores se revezaram nos discursos em cima do carro de som que puxava o ato. Conduzindo toda manifestação, fazendo o papel de mestre de cerimônia, estava o pastor Wellington Santos, da Igreja Batista do Pinheiro, que foi interditada na segunda-feira (4). A igreja está localizada em uma das áreas de risco de afundamento do solo e teve a desocupação determinada pela Justiça.</p>



<p>Mas esqueça toda a imagem preconcebida que você tem de um pastor evangélico. Com um microfone na mão e um boné do MST na cabeça, Wellington falou com firmeza e tranquilidade, dando os nomes corretos as coisas. Entre denúncias e palavras de ordem para animar o público, ele exaltou as religiões de matriz africana ao reverenciar Nêgo Bispo, intelectual e referência na luta quilombola, que morreu no domingo (3). Também falou de feminismo, racismo, meio ambiente, defendeu os animais, recitou versos de rock, chamou palavrão (suave), cerrou o punho esquerdo e rezou um emocionado o Pai Nosso.</p>



<p>Como um bom cristão, demonstrou empatia com os mais necessitados e se colocou ao lado dos que lutam por justiça. Só não se prontificou a dar a outra face a tapa. “Eu só perdôo a Braskem quando o Ministério Público a criminalizá-la oficialmente”.</p>



<p>Leia a carta protocolada no MP, na íntegra:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://pt.slideshare.net/IncioFrana2/carta-aberta-das-vtimas-da-braskem-06-dez-20231pdf
</div></figure>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Confira a galeria de imagens do ato desta quarta-feira:</strong></li></ul>





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			</item>
		<item>
		<title>Acompanhe a mobilização do movimento social pela vaga no STF e conheça outras duas mulheres candidatas</title>
		<link>https://marcozero.org/acompanhe-a-mobilizacao-do-movimento-social-pela-vaga-no-stf-e-conheca-outras-duas-mulheres-candidatas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Sep 2023 21:47:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[jurista indígena]]></category>
		<category><![CDATA[juristas negras]]></category>
		<category><![CDATA[movimentos sociais]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres no STF]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Faltam seis dias para a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, completar 75 anos e se aposentar compulsoriamente do cargo. A escolha do nome de quem irá substituí-la pode demorar mais algumas semanas – não é raro a corte funcionar com 10 ministros por algum tempo -, pois o próprio presidente Lula sinalizou [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Faltam seis dias para a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, completar 75 anos e se aposentar compulsoriamente do cargo. A escolha do nome de quem irá substituí-la pode demorar mais algumas semanas – não é raro a corte funcionar com 10 ministros por algum tempo -, pois o próprio presidente <a href="https://jc.ne10.uol.com.br/politica/2023/09/15601876-lula-genero-e-cor-nao-serao-criterios-para-indicacoes-ao-stf-e-pgr.html#:~:text=O%20presidente%20Luiz%20In%C3%A1cio%20Lula%20da%20Silva%20%28PT%29,ser%C3%A3o%20crit%C3%A9rios%20para%20sua%20escolha%20%C3%A0%20Suprema%20Corte.">Lula sinalizou não estar com tanta pressa</a> para fazer a indicação ao dizer que não estar angustiado para escolher nem usar raça e gênero como critério. Além disso, a cirurgia no quadril a qual Lula irá se submeter deverá retardar ainda mais a definição.</p>



<p>Esteja Lula ansioso ou não, esses dias são de mobilização dos movimentos e organizações sociais para reforçar nomes já indicados ou lançar outras candidaturas, em contraposição aos de políticos com carreira consolidada, como o ministro da Justiça Flávio Dino (PSB) ou do preferido do PT, o advogado-geral da União, Jorge Araújo Messias.</p>



<p>Além desses, outros dois candidatos, não por coincidência homens e brancos, circulam com desenvoltura nos gabinetes de Brasília, a exemplo do ministro do Tribunal de Contas da União TCU), Bruno Dantas, apoiado por vários senadores, e o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luiz Felipe Salomão, amigo de outros ministros do STF.</p>



<p>Como parte da mobilização em defesa das três juristas negras que indicou, o Movimento Mulheres Negras Decidem, apresentou hoje, na sede do <a href="https://www.geledes.org.br/">Geledés Instituto da Mulher Negra</a>, em São Paulo, o estudo Mulheres Negras pela Transformação do Poder Judiciário, resgatando a memória, a atuação jurídico-institucional de mulheres negras no Brasil.</p>



<p>Durante o lançamento, uma das coordenadoras do movimento, Jhenifer Ribeiro, que integra o <a href="https://gemaa.iesp.uerj.br/">Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ações Afirmativas</a> da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), revelou, em resposta a questionamento da Marco Zero, que nenhuma das juristas indicadas foi procurada por qualquer pessoa do entorno do presidente Lula. Ela também disse que o movimento interpretou que reação de setores da esquerda mais próximos do PT às candidaturas de mulheres ao STF foi fruto de “racismo de uma esquerda que diz que só as questões de classe importam, mas, para o movimento negro, a cor importa. E é importante que essa esquerda branca e petista entenda que, para nós, mais da metade da população brasileira, a cor é relevante”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Danielle da Rocha Cruz</strong></h2>



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	                                        <p class="m-0">Danielle Cruz. Foto: Acervo pessoal</p>
	                
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<p>Outros grupos e organizações também apresentaram suas alternativas de nomes de mulheres para o STF. <a href="https://lawfarenuncamais.org/home/">A Rede Lawfare Nunca Mais</a>, mais duas organizações cristãs de esquerda, o <a href="https://instagram.com/cristaoscontraofascismo?igshid=MzRlODBiNWFlZA==">Movimento de Cristãos Contra o Fascismo</a> e a organização católica Fraternidade Santa Dulce dos Pobres, ligada às obras da Irmã Dulce, apresentaram o nome da paraibana Danielle da Rocha Cruz, professora de Direito Penal e Processo Penal da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). As três organizações enviaram cartas para o ministro Relações Institucionais, Alexandre Padilha, indicando a professora para o STF.</p>



<p>Conta a favor de Danielle o fato de que, em 2018, após a prisão de Lula, ela ter se integrado ao Coletivo de Cursos sobre o Golpe de 2016, movimento Professores Universitários e Centros Acadêmicos pela Democracia que tomou para a si a responsabilidade de esclarecer toda a intricada rede que levou ao golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e as suas consequências para a democracia brasileira. Desde então, se tornou uma das vozes mais atuantes contra o <em>lawfare</em> como ferramenta política.</p>



<p>Danielle possui mestrado em Direito Penal pela Universidad de Salamanca (Espanha), onde atualmente cursa doutorado em Direito Penal, tendo realizado instância de investigação no Centre de Théorie et Analyse du Droit, da Université de Paris Ouest, em Nanterre. A jurista escreveu e organizou livros sobre criminalidade informática, direitos fundamentais e Direito Penal.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Joênia Wapichana</strong></h3>



<p>Representantes dos povos indígenas de Roraima e advogados que atuam em defesa dos interesses indígenas na Amazônia lançaram o nome da ex-deputada federal e atual presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joênia Wapichana.</p>



<p>Em sua trajetória, Wapichana teve de abrir portas e desbravar espaços de poder em várias oportunidades. Em 2008, aos 40 anos de idade, ela foi <a href="https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=95042">a primeira advogada indígena a fazer sustentação oral em um julgamento do STF</a>. E não foi em uma causa qualquer: a defesa aconteceu no histórico processo de homologação que definiu os limites contínuos da Terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.</p>



<p>Na época, ela era graduada em Direito pela Universidade Federal de Roraima (UFRR). Três anos após a estreia no Supremo, concluiu o mestrado em Direito Internacional pela Universidade do Arizona (Estados Unidos). Em 2018, ela se tornou a primeira mulher indígena a ser eleita deputada federal. Não conseguiu ser reeleita em 2022,mas foi escolhida por Lula para ser a primeira mulher indígena a presidir a Funai.</p>



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	                                        <p class="m-0">Joênia Wapichana foi a primeira indígena a fazer sustentação oral no STF. Crédito: Câmara dos Deputados</p>
	                
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		<title>Projeto de urbanização do Pina não garante moradia para todas as famílias que serão removidas</title>
		<link>https://marcozero.org/projeto-de-urbanizacao-do-pina-nao-garante-moradia-para-todas-as-familias-que-serao-removidas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Dec 2022 21:38:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Prefeitura do Recife está com um projeto de urbanização para o bairro do Pina, na zona sul da capital, que pretende retirar 951 casas da beira da maré. As famílias pertencem às comunidades do Bode, Beira Rio e Areinha, onde muita gente vive da pesca artesanal ou tem um pequeno negócio dentro de casa. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Prefeitura do Recife está com um projeto de urbanização para o bairro do Pina, na zona sul da capital, que pretende retirar 951 casas da beira da maré. As famílias pertencem às comunidades do Bode, Beira Rio e Areinha, onde muita gente vive da pesca artesanal ou tem um pequeno negócio dentro de casa. No entanto, o chamado projeto Rio Pina, que será erguido na área com o metro quadrado mais caro da cidade e num bairro de forte especulação imobiliária, não prevê garantia de novas moradias para todos. Muitas famílias estão desesperadas sem saber onde irão morar nem trabalhar. </p>



<p>Com mais de 40 mil m², o projeto, elaborado em parceria com a JBR Engenharia, está orçado em R$ 1,3 bilhão, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Pelo que foi apresentado até o momento, a prefeitura irá indenizar aquelas pessoas que não forem transferidas para um habitacional. Porém, essa indenização será feita somente pelas benfeitorias, e não pela terra, já que não há previsão de regularização fundiária nessas áreas.</p>



<p>As famílias, em geral, não têm título de propriedade, somente título de posse. Isso impede uma negociação de indenização que seja mais condizente com a realidade imobiliária do local, onde está erguido o shopping RioMar e diversas torres empresariais. Em vez disso, as famílias devem receber por valores tabelados, sempre muito abaixo do mercado.</p>



<p>Por isso há o temor de que esse valor não seja suficiente para garantir uma moradia digna nem compense a perda de identidade, relações e trabalho em caso de necessidade de mudança. Muita gente das comunidades tem criticado o Rio Pina em reuniões de apresentação que estão sendo realizadas, desde o mês passado, pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB). </p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> acompanhou uma dessas reuniões, na comunidade Beira Rio, onde houve muita bate-boca entre gestão e moradores, com o apoio de ativistas e movimentos que militam por habitação, como o MTST. </p>



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	                                        <p class="m-0">Prefeitura do Recife tem realizado reuniões de apresentação do projeto nas três comunidades. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<p>Na última sexta-feira (16) à noite, moradores das comunidades que disseram “não” ao projeto nas reuniões com a URB, realizaram um protesto no Pina por mais garantias habitacionais na área. O Recife tem, segundo levantamento da própria prefeitura, um déficit de cerca de 70 mil unidades habitacionais, o que representa em torno de 280 mil pessoas.</p>



<p>Das 951 moradias que serão completamente removidas pelo projeto Rio Pina, 378 são palafitas, outras 343 estão erguidas em áreas não edificantes e mais 183 vão precisar sair por estarem em situação de risco para implantação das obras. As 47 casas restantes irão sofrer remoções parciais.</p>



<p>Na prioridade para ser transferido para o Habitacional Encanta Moça, que está sendo erguido no antigo terreno do Aeroclube, estão as famílias que vivem em palafitas, desde que tenham renda de até R$ 1,8 mil. Mas o conjunto só tem vaga para 340 famílias das três comunidades que serão atravessadas pelo projeto. Isso porque uma parte do Encanta Moça será destinada para 141 famílias que precisaram sair de suas casas na época da construção da Via Mangue e ainda não tinham garantido um novo lar. Quem está fora da regra de acesso ao habitacional receberá uma indenização e tem ido individualmente à prefeitura para saber quanto receberá.  </p>



<p>O Rio Pina engloba a construção de parque linear com pista de <em>cooper</em>, ciclovia, academia da saúde, equipamentos de ginástica, parques infantis, áreas de contemplação/convívio, áreas de leitura/“geladeiras de livros”, estacionamentos, quiosques e área destinada à futura implantação de galpão de mariscos e futuros píeres.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-1-1 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.slideshare.net/IncioFrana2/pinaprojetofinalcomunidadepdf
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<p>O objetivo é fazer a integração da malha urbana formal com as Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis). A promessa da prefeitura é que seja feita uma conexão das comunidades com a frente d’água, com valorização dos remanescentes de mangue e respeito às atividades existentes, com o menor número de remoções.</p>



<p>“A gente quer debater o projeto Rio Pina”, diz o acelerador social e comunicador periférico Pedro Stilo, morador do Bode. “Por que não se começa entregando os títulos de propriedade para quem vai ter que sair das comunidades?”, questiona.</p>



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	                                        <p class="m-0">Pedro Stilo, do Bode, em questionamento à prefeitura em reunião na Comunidade Beira Rio. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<p>“As famílias serão pagas pelo metro quadrado igual ao do RioMar ou vão pagar somente as benfeitorias, ou seja, os tijolos, o cimento, a areia”, complementa. Stilo lembra ainda que diversas casas das comunidades são coabitação. Ou seja, em um lugar vive mais de uma família. Então é preciso haver solução para todas. “Também precisamos saber quando será divulgada a lista pública das cerca de 600 pessoas que irão ocupar o Habitacional Encanta Moça”, cobra.</p>



<p>A preocupação passa também pelas construções de píer de acesso e equipamentos de beneficiamento de quem vive da pesca artesanal. As marisqueiras, por exemplo, que tratam o marisco no quintal de casa não sabem como farão isso dentro de um habitacional, caso não tenham garantia de um projeto que se adeque às necessidades específicas do trabalho que exercem. Os pescadores, por sua vez, precisam da garantia de onde farão embarque e desembarque e onde irão limpar e armazenar os produtos.</p>



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	                                        <p class="m-0">Pescadores e pescadoras estão preocupados com as garantias do projeto Rio Pina. Crédito: Arnaldo Sete/MZ </p>
	                
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<p>A diretora da URB responsável por apresentar o projeto Rio Pina às comunidades, Tercília Vila Nova, argumentou que as regras de acesso ao habitacional são da Caixa Econômica, e não da Prefeitura do Recife. Ela informou que as construções ficam prontas em fevereiro ou março e somente quando a Caixa retornar as análises é que essa lista pode ser divulgada. Os imóveis depois serão sorteados.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A reportagem solicitou algumas respostas à Prefeitura do Recife, mas não recebeu retorno até o fechamento desta matéria. Confira quais foram os questionamentos enviados:</p><p><strong>Qual será o valor pago por m² para as famílias que sairão das casas? </strong></p><p><strong>O projeto inclui área de acesso à maré para os pescadores e um centro de beneficiamento de pescado? Se sim, onde ficará e como será? Se não, por quê? </strong></p><p><strong>A PCR realizou consulta prévia às comunidades antes da aprovação desse projeto de urbanização? Se sim, como se deu esse processo? Se não, por quê?</strong></p><p><strong>As famílias que não serão reassentadas no Conjunto Habitacional Encanta Moça irão para onde? </strong></p><cite><br></cite></blockquote>



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	                                        <p class="m-0">Angelina Pessoa, 33 trabalha a vida toda com sururu e marisco e vive no Bode desde que nasceu. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa <a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong>ou, se preferir, usar nosso <strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>



<p></p>
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		<title>Lula venceu, a luta continua!</title>
		<link>https://marcozero.org/lula-venceu-a-luta-continuaa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 13:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[campanha na internet]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Lula eleito]]></category>
		<category><![CDATA[movimentos sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Carmen Silva* Chegamos ao final da eleição de 2022. No domingo parecia que chegava o fim do mundo e não terminava a apuração. Foi muito tenso. Todas as pessoas democratas que acompanharam a eleição e, mais ainda, a apuração, estavam produndamente preocupadas com os destinos deste país. A hipótese assustadora de que Bolsonaro pudesse [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Carmen Silva*</strong></p>



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<p>Chegamos ao final da eleição de 2022. No domingo parecia que chegava o fim do mundo e não terminava a apuração. Foi muito tenso. Todas as pessoas democratas que acompanharam a eleição e, mais ainda, a apuração, estavam produndamente preocupadas com os destinos deste país. A hipótese assustadora de que Bolsonaro pudesse permanecer presidente do Brasil era por demais catastrófica. Enfim, Lula venceu. Nos envolvemos todes no livre exercício do direito à alegria. Foram muitas comemorações. Apesar da turba bolsonarista ainda estar tentando impressionar com bloqueios nas estradas, o que demonstra que esta transição não será simples, já é hora de avaliarmos o que aconteceu e projetar desafios para o futuro breve que o próximo período pode contemplar.</p>



<p>Importa reconhecer que não obstante nós tendêssemos mais para a crítica, a amplitude política da frente democrática possibilitou a eleição de Lula. Ela conquistou a vitória e gerou condições para que, no decorrer do próximo período, a questão das relações democráticas do trato político entre adversários de ideias não se transforme em polarizações baseadas em anulação do outro, mas em debate de projetos de país. É um sonho? Pode ser. Mas, certamente, sem a vitória de Lula ele não poderia ser sequer sonhado. Nesta seara, muito precisa ser feito para que possamos realmente retomar e radicalizar a democracia, especialmente a participação social, rumo a construção do poder popular.</p>



<p>Os movimentos sociais e, mais precisamente, os movimentos populares serão reconhecidos pelo novo governo como sujeitos políticos com causas próprias e não apenas como apoiadores da linha traçada nos gabinetes do planalto. É um sonho maior ainda? Pode ser. Mas há que se ver que sem os movimentos, coletivos periféricos, comitês populares, a campanha não teria chegado ao enraizamento que chegou. Sem as músicas em todos os ritmos, os piseiros, as mobilizações locais, a produção de material de propaganda próprio, as banquinhas de vira voto, a campanha não teria tomado a dimensão que tomou. É preciso que estes sujeitos sejam ouvidos com suas próprias vozes. E o movimento feminista popular é um deles.</p>



<p>A disputa nas redes sociais, por sua vez, demonstrou a sua importância, mas, ao mesmo tempo, apresentou a dificuldade de uso do todo o potencial tecnológico e pragmático que as redes têm sem que se perca a perspectiva ética da política, que é cara para a esquerda. O mundo paralelo que o bolsonarismo criou é muito dificilmente acessado pelos que transitam na esfera pública como a conhecemos. Neste campo, este momento pode contribuir para a aprendizagem sobre o que de fato acontece massivamente com as pessoas a partir de campanhas sistemáticas de desinformação, manipulação das emoções, articulação simbólica de referências e produção de novas sociabilidades levadas a efeito pelos aplicativos mensageiros e redes sociais com potencial imagético. Vai ser necessário debater o que isso implica no sentimento do que é verdade ou mentira e nas identidades políticas que vão sendo construídas ao longo do tempo e que se manifestam em um momento de enorme fluxo de relações de poder como é o momento eleitoral.</p>



<p>Os desafios que enfrentamos nesta campanha estão vivos: a divergência que bifurcou o país, seguirá. Não que todos os eleitores de Bolsonaro sejam bolsonaristas, não o são. Muitas pessoas foram capturadas pela polarização, pelo antipetismo, pela orientação de voto dada pelo pastor ou pelo patrão e pela desinformação em geral. A campanha mobilizou muitos sentimentos que ainda precisam ser estudados. Mas importa reafirmar que cada eleitor dele tinha um Bolsonaro pra chamar de seu, ou seja, eles trabalharam com a ideia de grupos perfilados e cada perfil de grupo social recebia imagens de Bolsonaro que se adequavam aos seus desejos.</p>



<p>Os mecanismos comunicacionais usados pelo bolsonarismo em quatro anos, e não só na campanha, toldaram o debate eleitoral. Isso desafia a reconstrução do país em bases democráticas, incluindo aí a comunicação pública. É preciso discutir o sistema de comunicação e, mais ainda, a internet, tanto no sentido das desigualdades regionais e sociais de acesso, como na ausência total de padrões éticos que inibam manipulações como as que assistimos. As pessoas, e nossas subjetividades, estão sendo capturadas pelas grandes corporações através dos algoritmos. Produzimos dados para elas e elas manipulam nossas preferências, emoções, sentimentos e linhas políticas gerais. Certamente é possível resistir, mas para ampliar nossa força precisamos garantir uma ambiência a ser gerada pela democratização da internet. Esta é uma pauta fundamental para o próximo período.</p>



<p>Um outro desafio que teve centralidade no reduzido debate programático da campanha foi a questão ambiental, e mais precisamente a Amazônia. Eu diria que se trata de uma questão de justiça socioambiental. A discussão deve ser, na nossa perspectiva, sobre a mudança de padrão da relação entre nós seres humanos e os outros entes vivos, a quem chamamos de natureza. E quais implicações esta relação tem para nossas condições de vida e das futuras gerações. Aqui há muito a ser revisto em relação ao primeiro período do governo petista, e muito a ser feito.</p>



<p>Não é possível neste espaço resgatar todos os desafios que o momento político coloca para a sociedade brasileira. Todavia, quero fechar trazendo à tona o debate sobre o direito ao aborto. Na legítima disputa pelo voto dos contrários, Lula colocou na pauta do último debate de TV esta questão. Ele, que em outros momentos já defendeu que o aborto é uma questão de saúde pública, neste momento trouxe o tema para fazer a crítica ao adversário colocando-o no lugar de defensor. Ocorre que a fala de Bolsonaro, de trinta anos atrás, citada no debate, defendia, a bem da verdade, o controle da natalidade usando como método o aborto. O controle da natalidade, contrário ao planejamento familiar, é uma prática eugenista de impulsionar o desenvolvimento reduzindo a população pobre, majoritariamente preta. Ele foi implantado no Brasil com a esterilização em massa de mulheres negras e submetidas à pobreza na década de 1970, situação que foi confrontada pelo nascente movimento feminista. Lula poderia ter usado o mesmo discurso para expor a tendência nazista do adversário. Para nós, do movimento feminista, o aborto é um direito, fundamentado em nossa autodeterminação reprodutiva e na autonomia sobre nossos corpos. E desta luta não abrimos mão.</p>



<p>*<strong>Carmen Silva é socióloga, constrói o SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia, é militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco e da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político.</strong></p>



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		<title>Outubro ou nada</title>
		<link>https://marcozero.org/outubro-ou-nada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2022 19:46:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[30 de outubro]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
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		<category><![CDATA[segundo-turno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Carmen Silva* Lula foi vitorioso no primeiro turno. Teve quase 6 milhões de votos à frente do outro candidato aquele que está no governo, tem a máquina e que quebrou o Estado brasileiro. Por que, então, predominou um sentimento de derrota na esquerda? As pesquisas de intenção de voto e a onda de posicionamentos [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Carmen Silva*</strong></p>



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<p>Lula foi vitorioso no primeiro turno. Teve quase 6 milhões de votos à frente do outro candidato aquele que está no governo, tem a máquina e que quebrou o Estado brasileiro. Por que, então, predominou um sentimento de derrota na esquerda? As pesquisas de intenção de voto e a onda de posicionamentos de personalidades públicas a favor da candidatura Lula na última semana gerou uma expectativa alta de vitória no primeiro turno, muito embora nada pudesse garantir isso. E, ao não acontecer, o impacto foi sentido. Certamente, nesta semana, os ânimos serão revigorados e outubro verá a retomada das ruas pelo vermelho da esperança.</p>



<p>A ideia era que o voto útil migrasse das candidaturas da chamada terceira via para a candidatura Lula, entretanto, parte dele migrou para a candidatura Bolsonaro, aumentando o seu percentual de apoio nas eleições. Além disso, a campanha Bolsonaro gerou um mundo paralelo de desinformação e intimidação daqueles que discordam de sua linha. A campanha Lula não conseguiu gerar uma onda de movimentação nas ruas que quebrasse os sentimentos de medo causados pelo outro lado. No dia 2 de outubro muita gente não saiu de vermelho e não colocou adesivos no peito. Muitos ficaram em dúvida se deveriam comemorar caso Lula fosse eleito naquele dia. Tudo isso se deve ao clima de terror que o neofascismo conseguiu implantar no país.</p>



<p>Apesar disso, passados dois dias do resultado eleitoral, vê-se que a leitura dos números demonstrou claramente não apenas a eleição de Lula em primeiro lugar, mas possibilidades fortes de vitória no segundo turno, dia 30 de outubro. No âmbito parlamentar, e para os governos estaduais, ganhou a esquerda e também a extrema direita. Tudo indica que, notadamente, o centro político perdeu. A próxima legislatura será bastante polarizada. Por um lado, a extrema direita com vários ex-ministros do governo Bolsonaro no Senado e muitos deputados eleitos pelo PL na Câmara Federal, por outro lado a esquerda ampliada, como frente democrática, conta com vitória tanto numérica quanto qualitativa. Os partidos da campanha de Lula no primeiro turno, se somados aos que virão no segundo, reúnem o quantitativo necessário para garantir a chamada governabilidade. Do ponto de vista qualitativo destaca-se a renovação, a entrada de parlamentares indígenas, do MST e do movimento negro. Cabe registar que a principal liderança do MTST obteve mais de um milhão de votos em SP para a Câmera Federal.</p>



<p>Um elemento importante dessa polarização que marcou o primeiro turno é que o clã bolsonarista teve que aceitar os resultados eleitorais, ou seja, apesar de todo receio do campo de esquerda, não houve golpe, nem questionamentos às urnas, nem uma onda maior de violência política no dia das eleições, nada disso aconteceu. Isso gera melhores condições para que, com a vitória de Lula no segundo turno, Bolsonaro esteja politicamente impedido de questionar os resultados eleitorais. Obviamente, caso Bolsonaro viesse a ser eleito no segundo turno, ele teria maiores condições e possibilidade de mudar o regime político. Daí entraríamos numa era obscurantista e autoritária, mas isso não vai ocorrer. Lula vai ganhar as eleições no segundo turno, dia 30 de outubro, e a polarização dada fará com que a esquerda fique mais à esquerda porque a direita estará mais à direita. Com isso, as condições de o governo Lula ter apoio mais amplo da frente democrática, que o terá apoiado no segundo turno, são mais reais.</p>



<p>Nesse primeiro turno os movimentos sociais nacionalmente organizados atuaram como sujeitos políticos tanto lançando candidaturas orgânicas como colocando no debate eleitoral plataformas com suas pautas, para as quais angariaram apoio de inúmeras candidaturas para o parlamento e para os governos estaduais. Isso pode ser um elemento que ajude a construir uma correlação de forças no governo Lula mais favorável a estas causas.</p>



<p>A missão neste mês de outubro é eleger Lula Presidente da República, mas para que isso ocorra, com alteração da correlação de forças que marcou o primeiro turno, é necessário que a campanha ganhe as ruas, espaço que os movimentos sociais costumam ocupar com maestria. Não será possível impedir o fascismo de se fortalecer pela via eleitoral apenas ampliando os apoios institucionais.</p>



<p>Em Pernambuco, duas mulheres chegam ao segundo turno para disputar o governo. Seria isso uma vitória do feminismo? Sim e não. Sim porque foi a luta feminista que criou as condições históricas de possibilidade para que isso acontecesse, que mulheres pudessem votar e serem votadas, que mulheres fossem vistas como seres autônomos responsáveis por suas decisões, capazes de se posicionar politicamente e assumir cargos de poder. Mas também não, porque ambas as candidatas não marcaram suas carreiras políticas pelo compromisso com as causas feministas.</p>



<p>Não basta falar da redução da violência contra a mulher, embora isso seja muito necessário, é preciso propor um modelo de desenvolvimento com justiça socioambiental que garanta trabalho, renda e vida digna para todas nós. Uma política que faça com que os lugares em que vivem as mulheres negras chefes de família sejam protegidos da violência, e que também sejam lugares na qual a saúde, educação e lazer estejam presentes, para que seus filhos não sejam disputados pelo crime organizado nem mortos pela polícia do Estado. É preciso ir além de programas sociais e ter uma política econômica que possibilite empregos com direitos para mulheres que vivem na pobreza. É preciso enfrentar o racismo e o sexismo de forma concreta, e não com discursos, com políticas que assegurem a participação e o poder de decisão, que sejam capazes de enfrentar as desigualdades sociais.</p>



<p>Nós, mulheres feministas, temos colocado no debate público a legalização do aborto como um direito de decidir autonomamente sobre nossa vida reprodutiva. Nós queremos decidir ter filhos e poder criá-los com condições de vida dignas, mas também decidir não os ter e poder abortar em segurança, em hospitais públicos, quando ocorre uma gravidez indesejada, ou quando se é vítima de um estupro. Essa é uma pauta que está em debate nesse momento das eleições e mulheres comprometidas com mulheres a apoiam.</p>



<p>Essa eleição mostrou também a urgência da mudança radical do sistema político brasileiro. Um exemplo concreto é a votação de mais de 80 mil votos para Robeyoncé Lima, uma mulher preta, periférica e travesti, com um programa de esquerda defendido na campanha, que teve todo esse lastro de apoio e não vai nos representar na Câmara Federal, quando outras candidaturas com 60 mil votos foram eleitas deputados federais.</p>



<p>Esse sistema eleitoral, da forma como está organizado legalmente, cria um uma ideia falsa de que o apoio popular para uma candidatura individual é suficiente para elegê-la. Não é. A eleição de uma parlamentar depende do coeficiente atingido pelo seu partido ou federação. Na eleição no Brasil se dá o voto em uma pessoa e ele é somado a todos os votos dados para seu partido/federação. Ou seja, atingir o coeficiente depende também de todas as outras candidaturas daquele partido galgarem uma quantidade boa de votos. A forma como as eleições ocorrem, e as campanhas, passa a ideia de que basta votar em uma pessoa. E, por fim, gera uma injustiça sem proporções, como a que aconteceu com a candidata do PSOL, mas também com outras.</p>



<p>A candidatura de Robeyoncé, com poucos recursos e mais de 80 mil votos, é a demonstração de que o debate feminista, negro e LGBTQIA+ colocado na sociedade brasileira não tem retorno. A bancada de esquerda na ALEPE é outro exemplo, com duas mulheres negras, Dani Portela – PSOL e Rosa Amorim &#8211; PT, sendo eleitas deputadas estaduais.</p>



<p>Nós, do movimento feminista, temos defendido que a eleição seja feita por listas partidárias fechadas como chapas, organizadas com alternância de sexo e raça, com o ordenamento das candidaturas sendo feito pelos encontros partidários, e que os partidos sejam obrigados a apresentar no debate público o programa político que vão defender. Isso permite que as pessoas que queiram ser candidatas se mobilizem para fortalecer seu partido, construir um programa e para estarem na lista em posições que lhes garantam eleição a partir da votação do partido. A eleição em lista fechada seria um elemento para gerar condições de enfrentar a sub-representação de mulheres, pessoas negras e jovens no parlamento, mas também fortaleceria a instituição ‘partido’ na sociedade brasileira e colocaria em discussão projetos políticos, o que não pode ocorrer na forme de hoje, com 35 agremiações partidárias que nada representam em termos de propostas de rumos para o país ou para cada unidade federativa.</p>



<p>Estes dois debates que estou colocando aqui, reforma política no plano federal e políticas públicas para enfrentar a desigualdade das mulheres no plano federal e estadual, são elementos fundamentais que poderemos trabalhar no próximo período. Não só o movimento feminista, mas o conjunto dos movimentos sociais que sai vitorioso dessa eleição pela sua capacidade propositiva.</p>



<p>Agora em outubro, é tudo ou nada. A missão fundamental de todo mundo é ganhar corações e mentes para o apoio à candidatura Lula. Eleger Lula Presidente da República é derrotar o fascismo. Eleger Lula Presidente da República é gerar condições favoráveis para que possamos lutar pela retomada de direitos e pela reconstrução do Estado democrático de direito. Ainda que essa democracia não seja aquela com a qual sonhamos, precisamos dela para construir as possibilidades de sonhar.</p>



<p>*<strong>Carmen Silva é socióloga, constrói o SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia, é militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco e da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político.</strong></p>



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		<title>Escolha difícil na eleição de Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/escolha-dificil-na-eleicao-de-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Aug 2022 18:56:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[disputa eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[eleição em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[feminismoi]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[movimentos sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Carmen Silva* Foi dada a largada. A campanha eleitoral está nas ruas. Mas ainda não pegou pique e nem volume. Depois de quase três anos de vida em pandemia, seis anos pós golpe parlamentar misógino contra a presidenta Dilma Roussef, passando pela prisão do presidente Lula, estamos na expectativa ainda que a campanha se [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Carmen Silva</strong>*</p>



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<p>Foi dada a largada. A campanha eleitoral está nas ruas. Mas ainda não pegou pique e nem volume. Depois de quase três anos de vida em pandemia, seis anos pós golpe parlamentar misógino contra a presidenta Dilma Roussef, passando pela prisão do presidente Lula, estamos na expectativa ainda que a campanha se agigante em mobilização popular. Com o começo dos grandes comícios semana passada e as entrevistas na emissora prateada por estes dias, se imagina que vai começar a esquentar. Enquanto isso, em Pernambuco, o embate segue nas mídias, reuniões, e tímidas bandeiras tremulando nos semáforos.</p>



<p>O volume de campanha não é apenas uma produção mercadológica. Historicamente tem muito a ver com adesão popular. E mais ainda, com o peso dos movimentos sociais e partidos de esquerda que tinham/têm atuação militante. Para crescer é preciso mais que pessoas pagas nas esquinas segurando bandeiras ao mesmo tempo em que olham o celular, é preciso a força viva do desejo de mudança que a militância tem e se expressa em número de pessoas nas ruas, em adereços nos carros e bicicletas, em camisetas estampadas no peito, em postagens espontâneas nas redes sociais e mais uma serie de manifestações. Esta semana que se inicia irá ser palco do crescimento deste desejo.</p>



<p>É preciso eleger Lula com uma grande campanha de rua, que paute no debate o projeto de bem viver para as maiorias deste país, e que encerre o jogo no primeiro turno. Isso pode acontecer e permitirá que a sua força, ao governar, seja maior. Embora as alianças construídas não sejam politicamente confortáveis para as pessoas de luta, é preciso agarrar esta possibilidade de imprimir uma forte derrota ao bolsonarismo miliciano e fundamentalista.</p>



<p>Além de garantir a vitória de Lula, ao mesmo tempo, as ruas e as redes são o espaço para construir uma grande bancada de esquerda no Congresso Nacional, o que não está fácil. As candidaturas proporcionais, por mais fortes e aguerridas que sejam, precisam de candidaturas majoritárias que puxem a campanha para cima, dando volume e consistência programática. Lula não pode ser o único puxador, até porque ele virou uma espécie de salvação nacional, ao qual todo mundo pode aderir.</p>



<p>Em Pernambuco o cenário eleitoral está muito complexo. Não represento aqui uma visão de conjunto da militância de esquerda, libertária, autônoma, de movimentos sociais e de partidos que se afinam com ela. Quero expressar, entretanto, a partir do lugar de militante feminista, um sentimento que chega a mim de vários coletivos que lutam por direitos e pessoas conscientes e preocupadas com os rumos das eleições em nosso estado, especialmente as majoritárias, mas sabendo que elas podem ter forte impacto sobre as proporcionais.</p>



<p>Tudo indica que a composição da chapa da maioria do eleitorado, considerando o voto para as majoritárias e para as proporcionais, não siga critérios programáticos e/ou partidários muito coerentes. Nem mesmo a votação da militância de esquerda, que é objeto desta reflexão aqui. Muita gente está compondo seu voto misturando partidos de direita, de centro e de esquerda, porque as ofertas também não estão muito coerentes e ai muitos se fixam nas trajetórias individuais de cada candidatura, o que, por sua vez, rebaixa o debate programático.</p>



<p>As candidaturas majoritárias para Senado e Governo do Estado têm um espectro político amplo, mas numericamente muito masculino e fortemente marcado pelas heranças familiares de poder, que são constantes no nosso sistema político nada afeito à renovação e à juventude. Para o Senado da República a escolha é mais simples. Temos duas candidaturas de mulheres de esquerda representativas de nossas pautas, da luta sindical e da cultura. Teresa Leitão, pelo PT, e Eugenia Lima, pelo PSOL, são possibilidades para a escolha de quem quer fortalecer os rumos da retomada de direitos em nosso país. As possibilidades de vitória hoje se apresentam mais para uma do que para outra, até porque são trajetórias políticas e leque de alianças muito diferentes. Todavia, vencer ou marcar posição pelo voto é uma definição que só existe na reta final da campanha.</p>



<p>Para o Governo do Estado, temos uma miríade de candidaturas que vai da extrema direita bolsonarista até aos partidos que se postam à esquerda de Lula, porém nenhuma daquelas que hoje aparecem com possibilidades de vitória defendem historicamente as pautas feministas populares. A maior tarefa nesta eleição em Pernambuco é combater o inimigo principal, impedir que aqui se fortaleça, com o governo, o bolsonarismo que queremos extirpar de nossa vida nacional. Daí, que um bom critério para escolha de candidata ou candidato a governador/a é o apoio a Lula para presidente da República. Mas, desta vez, muita gente apoia Lula.</p>



<p>Nas pesquisas de intenção de voto temos duas candidaturas de mulheres à frente, uma com larga vantagem e a outra variando entre segundo e terceiro lugar, em diferentes levantamentos de opinião. Isso poderia ser motivo de alegria para o movimento feminista, mas não é. Como já disse na quinzena anterior, representatividade importa, mas não é tudo. É preciso compromisso programático com nossas causas, e isso se faz ao longo de uma carreira política e não apenas no momento eleitoral. Ainda mais quando se faz questão de manifestar-se publicamente contra a legalização do aborto, sendo o aborto a principal causa de morte materna e sua criminalização um dos principais mecanismos legais de controle patriarcal sobre o corpo das mulheres.</p>



<p>Existe a hipótese de, em Pernambuco, a eleição para governo ser definida no primeiro turno. Mas é improvável. Existem cinco candidaturas fortes na disputa, entre as quais, uma à frente com largueza, o que garante a ida para o segundo turno, e quatro emboladas disputando segundo lugar, entre elas o candidato oficialmente apoiado pelo presidente Lula, mas que carrega nas costas os anos de domínio do seu partido no estado de Pernambuco e seu descaso com a vida do povo, além do seu próprio clamor entusiasta no momento do golpe de 2016. Claro que o chamado ‘peso da máquina’ e o apoio de Lula podem alavancar esta candidatura, mas, sem dúvida, a disputa irá para o segundo turno.</p>



<p>Pensando que a eleição para governo é em dois turnos, talvez a escolha seja mais fácil. Sim, porque o voto no primeiro turno pode ser mais de acordo com suas convicções políticas, com partidos e/ou visões de mundo que te interessa fortalecer na democracia brasileira. É aí que as candidaturas mais à esquerda podem crescer. Mas isso depende da capacidade de articulação e do fomento ao debate programático, construído a partir das pautas das lutas sociais. O discurso indiferenciado e insosso é o maior adversário deste campo político. Das posições programáticas adotadas depende o crescimento ou não das campanhas de esquerda para o Governo do Estado, mas sem esperança que uma delas chegue ao segundo momento da disputa.</p>



<p>No segundo turno, ocorrem novas composições político partidárias, e é possível configurar um novo espectro político nas candidaturas em disputa. O voto da militância de esquerda pode ir para aquela candidatura que apoiou Lula no primeiro turno. Na hipótese das duas terem feito isso, pode ir para a candidatura que o apoiou desde sempre. Parece apenas um jogo de palavras, mas pode ser uma estratégia para definições individuais e/ou para a escolha política de coletivos e movimentos que têm disposição para entrar na campanha eleitoral, contribuindo com esse momento histórico.</p>



<p>* <strong>Carmen Silva é socióloga, constrói o SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia, é militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco e da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político.</strong></p>



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		<title>Sistema político, sub-representação e garantias democráticas</title>
		<link>https://marcozero.org/sistema-politico-sub-representacao-e-garantias-democraticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Jul 2022 19:13:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[golpe]]></category>
		<category><![CDATA[movimentos sociais]]></category>
		<category><![CDATA[representação]]></category>
		<category><![CDATA[senado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>* Por Carmen Silva Há 15 dias eu falei por aqui sobre a escalada da violência política promovida pelos bolsonaristas no contexto eleitoral e como ela se articula com as ameaças golpistas do presidente. Aquilo se confirmou, porém, foi fortemente rebatido pela sociedade civil e até por instituições do Estado. Vencemos uma batalha. Mas, com [&#8230;]</p>
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<p><strong>* Por Carmen Silva</strong></p>



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<p>Há 15 dias eu falei por aqui sobre a escalada da violência política promovida pelos bolsonaristas no contexto eleitoral e como ela se articula com as ameaças golpistas do presidente. Aquilo se confirmou, porém, foi fortemente rebatido pela sociedade civil e até por instituições do Estado. Vencemos uma batalha. Mas, com o nosso sistema político, quem nos dará as garantias democráticas?</p>



<p>Neste conflito, além de movimentos sociais e outras organizações da sociedade, os Tribunais Superiores, as forças armadas na ativa, a presidência do Senado, as associações de profissionais da polícia federal e da ABIN (quem diria?), deram sinais de não aceitação do golpe. Falam que setores empresariais também estão articulando uma nota pública. Tudo isso indica um certo isolamento do presidente.</p>



<p>Um golpe para se confirmar carece de apoio do mercado, das armas e também da comunicação corporativa. Não há como ser bem-sucedido sem o mínimo de respaldo popular. Não há maiores indicativos de uma quartelada. Todavia, isso não exclui as tentativas de golpe por dentro da institucionalidade, como a hipótese de uma mudança brusca de regime a partir de decisões no Congresso Nacional que leve a um consequente adiamento das eleições. Isso também necessita sustentação política, o que não está nítido no horizonte, mas quem nos garante? De que forma esse sistema político pode nos dar garantias democráticas?</p>



<p>A conjuntura da relação entre os poderes da República produz insegurança democrática. Mas, a estrutura geral também. A nossa República, nascida de um golpe militar, nunca foi suficientemente democrática. Exemplo disso é o fato de termos saído da ditadura militar sem justiça de transição. Do ponto de vista político-cultural isso contribuiu para apagar a memória do terror que, agora, volta nos assombrando com o neofascismo bolsonarista.</p>



<p>Outro exemplo gritante de quão pouco democrática é nossa democracia, é o grau de desigualdade em nosso país e a sub-representação nos poderes dos grupos sociais mais vulnerabilizados pelo patriarcado, pelo racismo e pelo sistema econômico que estrutura a nossa vida. Nós mulheres, sendo mais de 50% do eleitorado, somos apenas 15,8% no Congresso Nacional. De 27 governadores eleitos em 2018, apenas uma mulher. A sub-representação só aumenta se olharmos para as pessoas negras, os povos indígenas, as juventudes, a comunidade de pessoas que se contrapõe à ordem heterossexual e o binarismo de gênero.</p>



<p>E por qual razão nós mulheres temos uma presença tão pouco expressiva no poder político? Não acreditem que é por falta de vontade ou porque as almas femininas não nutrem tais desejos. Simplesmente o sistema político apresenta pouca disposição para rever a legislação que o rege, de forma que ela enfrente a desigualdade sexista estrutural em nossa sociedade. As poucas mudanças, conquistas do movimento feminista, como a cota de candidaturas por sexo e a recente obrigatoriedade de melhor partição de recursos e tempo de propaganda, se mostram insuficientes para uma mudança radical na representação das mulheres.</p>



<p>Nos espaços políticos dos movimentos sociais, nós mulheres, somos maioria. Quanto mais próximo do local é a instância do movimento, maior é a presença de mulheres. O mesmo ocorre nos partidos de esquerda. Já nas instâncias estaduais e nacionais tem o número bem menor de lideranças femininas. Isso vem mudando com as conquistas feministas de paridade entre os sexos nesses espaços políticos, porém, a concentração de poder nos homens também aí se faz sentir.<br><br>Isso ocorre porque nós mulheres ainda somos responsabilizadas socialmente pelo trabalho doméstico e pelos cuidados com crianças e idosos, isso exige tempo e presença constante. Além disso, o Estado não provê suficiente, serviços para cobrir as necessidades familiares de reprodução. Às mulheres restam fazer política com tempo escasso, exaustas pela sobrecarga e aproveitando apenas as possibilidades locais que nos mantém próximas aos nossos. Os espaços políticos, mesmo os de esquerda, pouco se responsabilizam pelo enfrentamento deste problema.</p>



<p>Como se isso não bastasse, somos ainda criadas para busca de harmonia e para não competição, em especial com os homens. Criadas para servi-los. Isso se traduz na política como limites subjetivos para assertividade ou como estigmas que nos perseguem no exercício do poder.</p>



<p>Para as mulheres que, apesar de tudo isso, se colocam integralmente no jogo e assumem a linha de frente das disputas, o sistema e os homens, reservam a violência política. São formas sutis ou nitidamente escancaradas de nos “colocar no devido lugar”, de bradar que a política não é para as fracas, para as mulheres. Só que não. Nós mulheres feministas declaramos alto e bom som: lugar de mulher é onde ela quiser!</p>



<p>Falei da sub-representação na política dos grupos sociais que enfrentam as desigualdades para chamar a atenção para os riscos que corremos. São as pessoas mais vulnerabilizadas que constituem o alvo preferencial das forças bolsonaristas. Nesta campanha eleitoral manteremos a presença da política com amor, do respeito aos adversários, mas não podemos aceitar mais nenhum sacrifício. Tanto a sub-representação, como a escalada da violência, só será enfrentada com a força popular negra e feminista nas ruas. A única garantia democrática que temos é nossa coragem de seguir lutando.</p>



<p>* <strong>Carmen Silva é socióloga, constrói o SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia, é militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco e da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político.</strong></p>



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		<title>Apreensão e expectativas na cena eleitoral</title>
		<link>https://marcozero.org/apreensao-e-expectativas-na-cena-eleitoral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jul 2022 19:03:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2022]]></category>
		<category><![CDATA[extrema direita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Carmen Silva* A apreensão está tomando os corações de muitas pessoas comprometidas com a democracia nesta conjuntura eleitoral. Além da precarização das condições de vida das mulheres e de todo mundo que vive do trabalho, em função das políticas do governo federal, ainda estamos vivendo uma nova onda de contágio da Covid 19 associada [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Carmen Silva</strong>*</p>



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<p>A apreensão está tomando os corações de muitas pessoas comprometidas com a democracia nesta conjuntura eleitoral. Além da precarização das condições de vida das mulheres e de todo mundo que vive do trabalho, em função das políticas do governo federal, ainda estamos vivendo uma nova onda de contágio da Covid 19 associada à uma miríade de adoecimentos que assola o cotidiano de todas nós. Projetos de lei propondo retrocessos em todas as casas legislativas, desastres-crimes ambientais com consequências avassaladoras sobre as pessoas negras e pobres nas periferias, e a justiça operando para negar direitos como no caso do aborto de uma menina de 11 anos de Santa Catarina, são exemplos de como o noticiário nos assombra a cada dia. Como se não bastasse tudo isso, o bolsonarismo está mostrando as garras e tentando consolidar uma escalada de violência política, como demonstrado na explosão da bomba no ato público pró Lula no Rio de Janeiro e no assassinato do dirigente petista em Foz do Iguaçu. Fica a pergunta: Que cenário está se desenhando com as eleições 2022? O que eles indicam como desafios para os movimentos sociais e para a esquerda em geral?</p>



<p>Não vou me propor a responder totalmente esta pergunta difícil, mas proponho uma reflexão sobre as possibilidades que vão sendo indicadas quanto mais nos aproximamos do pleito de outubro. As eleições deste ano não serão uma simples troca de turno no comando do Estado. A situação pós golpe de 2016, e, em consequência, pós eleições de 2018, é de terra arrasada. A extrema direita no governo federal, e sua maioria no Congresso Nacional, quebraram a espinha dorsal da arquitetura de direitos conquistada com a Constituição de 1988. Partes do sistema de justiça foram avacalhadas com as manobras da operação lava jato e outras ainda titubeiam frente aos crimes eleitorais do presidente-candidato, como a mais recente suspensão da legislação restritiva no período para realizar os gastos e obter os benefícios que desejar durante as eleições.</p>



<p>Mas não basta vermos os fatos. É preciso avaliarmos a correlação entre as forças políticas que estão por trás destes fatos. Tentar especular sobre qual a verdadeira capacidade de ação da extrema direita frente à unidade da centro-esquerda com setores de direita que está desenhada em torno da candidatura Lula. Mais que isso, precisamos discutir se as condições de operação no cenário político que Bolsonaro tem demonstrado se devem a quais setores econômicos e militares. Ou seja, quem ainda sustenta Bolsonaro? Esta pergunta não parte da imaginação de possibilidades de derrubada, mas sim da verificação de que ele continua operando com decisão no Congresso Nacional e contendo forças institucionais que poderiam colocá-lo em xeque mate.</p>



<p>Para os movimentos sociais que estão construindo as lutas populares no dia a dia, as expectativas são muitas. Dormimos com fé e esperança e acordamos desalentados e cuidando de nossa própria segurança. As forças bolsonaristas, incluindo aí grupos armados e o fundamentalismo religioso, estão atuando nas periferias das grandes cidades, nas zonas rurais e nas áreas de conflito deflagrado, ameaçando e cumprindo ameaças. Eles querem fazer da campanha eleitoral uma praça de guerra, seguem destilando ódio contras as mulheres, povos indígenas, quilombolas, dissidentes sexuais e lideranças populares, e fortalecendo a polarização entre Lula e Bolsonaro, de forma despolitizada e baseada em mentiras disparadas em redes sociais, estruturadas de formas a parecerem verdades.</p>



<p>As análises de cenário indicam riscos de Bolsonaro realizar suas ameaças golpistas antes ou depois do pleito, reeditando a aventura trumpista do capitólio nos EUA. Mas, como lá, tem fortes indícios de que não seriam vitoriosos. Todavia, como diz o ditado popular, ‘gato escaldado tem medo de água fria’. Não nos custa lidarmos com estas constantes ameaças de forma crítica, porém precavida. Várias organizações e movimentos sociais, entre os quais o SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia, recorreram à ONU solicitando acompanhamento das eleições de outubro, sabendo que isso não resolve, mas ajuda a ampliar o apoio internacional à resistência, na hipótese em que algo desse tipo ocorra.</p>



<p>Mas a esperança vai vencer o medo, novamente. As pesquisas eleitorais já indicam a possibilidade de Lula vencer as eleições presidenciais. Embora pesquisas não meçam correlação de forças na política, estas indicam possibilidades alvissareiras, ainda que saibamos que a eleição não é suficiente para conter a crise econômica e social na qual o Brasil foi colocado. Para os movimentos sociais e a esquerda em geral fica o grande desafio: impulsionar uma vitória da candidatura Lula no primeiro turno com uma margem que iniba as tentativas golpistas.</p>



<p>Para nós, dos movimentos sociais autônomos, como movimento feminista do qual participo, o desafio se amplia: precisamos manter nas ruas e na agenda de debate na sociedade, durante a campanha eleitoral, as nossas pautas. É o momento de plantar e fazer crescer a força popular, em bases programáticas, para podermos regar e colher frutos na conjuntura que vai se abrir após as eleições 2022.</p>



<p>* <strong>Carmen Silva é socióloga e educadora do SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia e organiza sua militância no Fórum de Mulheres de Pernambuco, movimento local da Articulação de Mulheres Brasileiras.</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><strong><br>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado.</strong></cite></blockquote>
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