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	<title>Arquivos música - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 18 Aug 2025 18:47:37 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos música - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Homenagem a Carlos Sandroni reforça luta em defesa da cultura tradicional nordestina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Aug 2025 18:47:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dia 21 de agosto de 2025, das 14h às 17h, o Auditório da Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe) vai receber o evento “Salvaguarda do Patrimônio dos Detentores da Cultura Tradicional Nordestina: uma homenagem ao Professor Carlos Sandroni”. A iniciativa, fruto de uma ação coletiva entre estudantes, Mestres e pesquisadores, busca reconhecer as conquistas [&#8230;]</p>
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<p>No dia 21 de agosto de 2025, das 14h às 17h, o Auditório da Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe) vai receber o evento <a href="https://www.instagram.com/p/DNVrAz-NUZU/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Salvaguarda do Patrimônio dos Detentores da Cultura Tradicional Nordestina: uma homenagem ao Professor Carlos Sandroni”</a>. A iniciativa, fruto de uma ação coletiva entre estudantes, Mestres e pesquisadores, busca reconhecer as conquistas em políticas e territórios culturais, além de reforçar uma reivindicação histórica: o devido reconhecimento aos guardiões e guardiãs da cultura tradicional nordestina.</p>



<p>Musicista, cientista político e social, com especialização em etnomusicologia, Sandroni é referência nacional e internacional no processo de patrimonialização da cultura popular. Sua trajetória se destaca pela mediação entre Mestres e Mestras e as políticas culturais, garantindo a esses protagonistas não apenas visibilidade, mas também voz ativa nas decisões sobre a preservação de seus saberes. Um marco de seu trabalho foi revisitar as Missões de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade (1938), levando registros originais de rituais a povos indígenas do sertão pernambucano.</p>



<p>Fundador da Associação Respeita Januário (ARJ), ao lado de docentes e discentes da UFPE, Sandroni consolidou um espaço de articulação entre universidades, comunidades e políticas culturais. A ARJ é reconhecida por projetos como <em>Musicalização com Mestres do Sertão de Pernambuco</em> (Tacaratu, Arcoverde e Pedra, 2005–2006), premiado pelo programa Rumos do Itaú Cultural, e <em>Viva Pareia!</em> (Condado, 2007–2008). No cenário urbano, destacou-se a ação <em>Ocupe – Oficinas Culturais de Pernambuco</em> (Olinda, 2017) e a pesquisa que resultou no CD duplo <em>Responde à Roda Outra Vez</em> (2003–2004), preservando repertórios da tradição oral brasileira.</p>



<p>Entre 2011 e 2021, a ARJ foi responsável por inventários e dossiês que levaram o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a reconhecer bens culturais como o Cavalo-Marinho, os Caboclinhos de Pernambuco, a Ciranda e as Matrizes Tradicionais do Forró. O dossiê do Reisado, já concluído, aguarda oficialização. Atualmente, a associação inventaria as Bandas de Pífanos do Nordeste e de Minas Gerais, os Circos de Tradição Familiar do Brasil (Iphan) e o Pastoril de Pernambuco (Funcultura).</p>



<p>A homenagem também é um chamado para fortalecer instituições e políticas que protejam a memória e o “bem viver” dos detentores de saberes tradicionais, muitos deles em vulnerabilidade social. O recado é claro: mais do que patrimonializar, é preciso garantir governança própria e reconhecimento comunitário, assegurando que os protagonistas da cultura popular tenham as condições e os meios para dar continuidade a suas tradições. </p>



<p>Com impacto que extrapola fronteiras acadêmicas, a atuação de Carlos Sandroni mostra como pesquisa, articulação comunitária e políticas públicas podem caminhar juntas. O evento na UFPE pretende não apenas celebrar um legado, mas inspirar novas alianças em defesa da cultura nordestina que é viva, resistente e enraizada em seus territórios.</p>



<p></p>
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		<title>Confira programação da 5ª edição da Mostra Pankararu de Música</title>
		<link>https://marcozero.org/confira-programacao-da-5a-edicao-da-mostra-pankararu-de-musica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Nov 2024 15:10:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[pankararu]]></category>
		<category><![CDATA[sertão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A partir desta quinta-feira (14) e até o sábado (16) acontece mais uma edição da Mostra Pankararu de Música. O evento acontece na Aldeia Bem Querer de Cima, entre as cidades de Tacaratu, Jatobá e Petrolândia, no Território Indígena Pankararu, sertão do estado. A programação conta com atividades artísticas, culturais, musicais e vivência do cotidiano indígena. Terá apresentações de artistas indígenas como Buzzo Pankararu e o Coral das Crianças da Aldeia Bem Querer de Cima. </p>
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<p>A partir desta quinta-feira (14) e até o sábado (16), acontece mais uma edição da Mostra Pankararu de Música. O evento acontece na Aldeia Bem Querer de Cima, entre as cidades de Tacaratu, Jatobá e Petrolândia, no Território Indígena Pankararu, sertão de Pernambuco. A programação conta com atividades artísticas, culturais, musicais e vivência do cotidiano indígena. Terá apresentações de artistas indígenas como Buzzo Pankararu e o Coral das Crianças da Aldeia Bem Querer de Cima.</p>



<p>O tema da V Mostra Pankararu de Música é &#8220;ÌANE KWÀRÁSI&#8221; (nosso sol). O foco central do evento é o empoderamento das crianças Pankararu, com a celebração do legado cultural e ancestral. O contato com a cultura indígena é proporcionado através de oficinas, trilhas, palestras e atividades que envolvem música, dança e artesanato.</p>



<p>A realização do evento é Instituto Aió Conexões Pankararu, espaço multicultural que sedia as atividades da Mostra Pankararu. Os acessos para a mostra estão à venda no link disponível no perfil da mostra no Instagram: <a href="https://www.instagram.com/mostra.pankararu/">@mostra.pankararu</a>. </p>



<p><strong>Programação de shows:</strong></p>



<p><strong>Quinta-feira &#8211; 14 de novembro:<br>A partir das 22h</strong><br>Pedro Yakekam<br>Família Ramos Pankararu<br>Geninho Ramos Pankararu<br>Microfone aberto<br>Roda Fogueira</p>



<p><strong>Sexta-feira &#8211; 15 de novembro:<br>A partir das 22h</strong><br>Abertura &#8211; Dioníla Díon<br>Grupo Katoquin<br>Grupo de Pífanos Pankararu e Pipipã<br>Projeto “ Coisa de Índio “ &#8211; Fernanda Tuxá<br>Revoredo<br>Roda Fogueira;</p>



<p><strong>Sábado &#8211; 16 de novembro:</strong><br><strong>A partir das 20h</strong><br>André Brandão &#8211; Espetáculo Nego D`água;<br>Almério e Nino Alves;<br>Samba de veio &#8211; Ilha do Massangano;<br>Flávio Leandro;<br>Lucas dos Prazeres &#8211; Homenageia Naná Vasconcelos;<br>Microfone aberto;</p>



<p><strong>Serviço<br>V Mostra Pankararu de Música<br>Quando:</strong> de 14 a 16 de novembro<br><strong>Onde: </strong>Aldeia Bem Querer de Cima, entre as cidades de Tacaratu, Jatobá e Petrolândia, no Território Indígena Pankararu, no sertão.<br><strong>Ingressos: </strong><a href="https://www.instagram.com/mostra.pankararu/">pelo instagram</a></p>
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		<title>Aos 22 anos, Nailson Vieira renova e reiventa o maracatu rural na Zona da Mata</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Erika Muniz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Apr 2024 20:48:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte negra]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Negra]]></category>
		<category><![CDATA[maracatu]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[Zona da Mata]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nascido e criado em Nazaré da Mata, é de lá, na cidade da Mata Norte pernambucana, que um jovem artista espalha suas criações para o resto do país. Nos dias de semana, ele sai cedo para o curso de música, na Universidade Federal de Pernambuco, mas também concilia o tempo com a costura de sonhos, [&#8230;]</p>
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<p>Nascido e criado em Nazaré da Mata, é de lá, na cidade da Mata Norte pernambucana, que um jovem artista espalha suas criações para o resto do país. Nos dias de semana, ele sai cedo para o curso de música, na Universidade Federal de Pernambuco, mas também concilia o tempo com a costura de sonhos, carnavais, chapéus e golas, que vestem caboclos durante o período mais alegre do ano. Além de tudo isso, ele também canta, escreve seus versos, improvisa, toca trombone. São muitas atividades. </p>



<p>Aos 22 anos, Nailson Vieira carrega consigo aprendizados dos que vieram antes, como o seu pai, Narciso Vieira, e seu avô, Manoel Vieira, mas também de outras referências na cultura, a exemplo de Mestre João Paulo, do Maracatu Leão Misterioso, Mestre Barachinha, do Maracatu Estrela Dourada, e Biu Porfírio, mestre caboclo do Estrela Brilhante.</p>



<p>Ao lado dos mestres e sintonizado com as novas tecnologias, Nailson Vieira, parece responder à pergunta sobre qual seria o presente e o futuro na cultura popular, estabelecendo a relação tanto com a tradição, quanto com outras formas de se expressão artística, a partir da ciranda, do manguebeat, do baque solto, do coco de roda, do brega. </p>



<p>“Quando eu estava na maternidade, minha mãe conta até hoje, Barachinha chegou lá e disse assim: ‘em vez de botar uma chupeta, dê um apito a ele logo.’ Com três anos de idade, botei uma fantasia de burra; com quatro, de caboclo, e a partir daí eu já fazia parte da cultura popular, né?”, conta Nailson, em entrevista à <strong>Marco Zero Conteúdo</strong>.</p>



<p>Quando menino, ele foi convidado por Barachinha para fazer a chegada de caboclo, no Estrela Brilhante, naquela que seria, em 2007, a sua primeira vivência dentro do baque solto. Depois, ele brincaria em outra agremiação, o Leão Misterioso, na qual seu pai se tornara o contra-mestre do apito. Dali em diante, Nailson nunca mais deixou a brincadeira do maracatu sair de sua vida.</p>



<p>Embora seu pai brincasse em outra agremiação, a proximidade do artista com o Maracatu Estrela Brilhante sempre existiu. E, hoje em dia, ele é presidente da agremiação, conciliando a dedicação intensa que o ofício demanda com o seu trabalho autoral na música. No último carnaval, inclusive, ele se apresentou pela primeira vez em dois dos mais importantes palcos da programação recifense, no Rec-Beat e, integrando os convidados da cantora Louise na homenagem a Chico Science, no Marco Zero. Pouco antes da folia tomar as ruas, ele também lançou o single <em>Canto Espanto</em>, que traz em seus versos a ansiedade experimentada pelos apaixonados por essa festa.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/maracatu-2.jpg" alt="Foto de Nailson Vieira, jovem negro com sorriso largo, olhando para o alto, usando uma camisa estampada com motivos florais em preto e branco. Ao fundo, a parede está pintada com uma imagem de uma pessoa negra, usando chapéu com fundo colorido." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Nailson Vieira acumula funções e atividades no Estrela Brilhante
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Integrar o Maracatu Estrela Brilhante, para Nailson, é como a realização de um sonho. Isso se evidencia tanto em sua fala durante as entrevistas, quanto no brilho de seus olhos quando acompanha o terno [a banda do maracatu] começando a dar as primeiras pancadas. “Existe um fardo pesado, para quem quer ser dela, porque ela tem uma importância muito grande para a cultura popular. Ela já começou tendo essa identidade, sendo dessa cor que ela é (<em>amarela</em>). Ela chegou a lugares que muito maracatu ainda tenta chegar. Ser de Estrela é ter noção da responsabilidade que a brincadeira tem. Quando você se vê sendo dela, você pode dizer que está com metade da vida feita”, explica Nailson, sobre o que significa para ele fazer parte desse maracatu, fundado em 1º de abril de 2001. </p>



<p>Antes do carnaval chegar, ele cuida da administração, confecção, contratação e outras atividades também. Mas já chegou a ser caboclo de lança e um dos músicos. A chegada definitiva de Nailson para integrar a Estrela Brilhante foi a partir do convite de Mestre Bi, que conta que já visualizava uma noção de futuro nas práticas do jovem artista nazareno.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Paixão pelo trombone</h2>



<p>Outra de suas paixões é o trombone. E foi o maracatu o seu primeiro vínculo com o instrumento, quando decidiu que aquele seria uma de suas formas de expressão artística. Certa vez, quando assistia a uma apresentação na praça da Catedral, em Nazaré da Mata, viu o músico e professor Filipe Vieira, a quem ele tem uma enorme gratidão, tocando trombone no show da banda Ticuqueiros. A partir dali, ele decidiria que iria tocar trombone também. Antes de chegar à universidade, em 2021, Nailson passou pela formação musical na Sociedade Musical Euterpina Juvenil Nazarena, mais conhecida como Capa Bode, e também chegou a frequentar o Conservatório Pernambucano de Música.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/maracatu-3.jpg" alt="Foto do estandarte do maracatu Estrela Brilhate, com um fundo laranja texturizado. No centro, há uma grande estrela dourada brilhante, cercada por formas que se assemelham a raios de sol. O texto “M.B.S ESTRELA BRILHANTE” está escrito na parte superior do emblema. Abaixo da estrela central, o texto “FUND. EM 01.04.2001 NAZARÉ DA MATAPE” é visível. Pequenas decorações circulares adornam a parte inferior do emblema." class="" loading="lazy" width="272">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Estandante do Estrela
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>No quesito inspiração, ele conta que na hora de compor, costuma pensar primeiro na melodia para depois escrever as letras. “Eu já sonhei e acordei para não perder nem a melodia, nem um pedaço da letra. Já me inspirei, por exemplo, no lugar que o pai da minha mãe morava. <em>Biografia</em>, por exemplo, tem referência de amor e vida, de tudo o que não presta ser ‘relato esquecido’ mesmo. Já escrevi também por necessidade de falar de uma coisa, que é <em>Canto Espanto</em>, é sobre aquela agonia do carnaval que não chega logo.”</p>



<p>A sua banda nasce junto aos planos de se dedicar de vez à música, em julho de 2020. Além do maracatu de baque solto, no Estrela Brilhante, a vivência como trombonista e sua carreira solo, o artista também estabelece uma relação familiar com o Bloco Rural Estrelinha, que seu pai deu continuidade, desde que, em 2016, Seu Antônio, o responsável anterior, lhe entregou a tarefa. Hoje em dia, Narciso é o presidente e Manoel Vieira, seu pai, aos 92 anos de idade, exerce a função de mestre. Em 2023, o bloco lançou seu primeiro disco <em>Cantos do Estrelinha</em>, disponível nas plataformas digitais.</p>



<p>As culturas populares – destacando, aqui, o plural dessas duas palavras, já que são muitas as culturas e trazê-las no singular não evidenciaria toda a pluralidade elas abarcam – não estão apartadas do mundo contemporâneo, como muitos insistem em acreditar. Elas se relacionam com outras formas de expressão artística e dão novas perspectivas à contemporaneidade, a partir de, por exemplo, acesso às novas tecnologias e a outros ritmos musicais.</p>



<p>“É o que eu digo: talento, força de vontade e o querer dele. Se ele não tivesse nada disso, não seria esse artista. Ele procurou o caminho certo da cultura. E a cultura é uma incentivadora se você quiser. Além dele, tem muitos jovens sendo beneficiados pela cultura. Um jovem vai levando o outro para o caminho do bem. É isso aí, o que Nailson faz”, sintetiza Mestre João Paulo, de 73 anos, o &#8220;papa&#8221; do Maracatu, que o considera mesmo que ser seu filho, por conta da vivência com a cultura e na vida.</p>
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		<title>Livro comemora 140 anos de João Pernambuco, o esquecido &#8220;poeta do violão&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/livro-comemora-140-anos-de-joao-pernambuco-o-esquecido-poeta-do-violao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jun 2023 21:21:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[João Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[Paço do Frevo]]></category>
		<category><![CDATA[violão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Abrindo as comemorações dos 140 anos do nascimento de João Pernambuco, o primeiro músico a compor para violão solo no Brasil, será pré-lançado, nesta quarta-feira (28), no Recife, o livro Raízes e Frutos da Arte de João Pernambuco &#8211; Uma Infinita Viagem, do jornalista José Leal, fundador do Instituto de Arte Popular João Pernambuco. Autodidata, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Abrindo as comemorações dos 140 anos do nascimento de João Pernambuco, o primeiro músico a compor para violão solo no Brasil, será pré-lançado, nesta quarta-feira (28), no Recife, o livro <em>Raízes e Frutos da Arte de João Pernambuco &#8211; Uma Infinita Viagem</em>, do jornalista José Leal, fundador do Instituto de Arte Popular João Pernambuco.</p>



<p>Autodidata, o pernambucano João Teixeira Guimarães (1883-1947) é considerado um patrimônio da música popular brasileira, autor da famosa toada “Luar do Sertão” e conhecido como “Poeta do violão”. No entanto, é um gênio que Pernambuco esqueceu, como mostrou a <strong>Marco Zero</strong> em <a href="https://marcozero.org/joao-pernambuco-genio-que-pernambuco-esqueceu/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">matéria</a> publicada em 22 de novembro de 2022, data em que se comemora o Dia do Músico.</p>



<p>O evento será às 19h no museu Paço do Frevo, no Bairro do Recife. Do livro de José Leal, nasce o desejo de reconciliar João Pernambuco no presente com essa memória esquecida, proporcionando ao grande público ter acesso a sua majestosa arte musical.</p>



<p>Nas palavras do jornalista, “o livro <em>Raízes e Frutos da Arte de João Pernambuco &#8211; Uma Infinita Viagem</em> proporciona ao Instituto de Arte Popular João Pernambuco realizar o inédito retorno do legado de João Pernambuco para seu estado natal. Essa importante iniciativa possibilita ampliar a difusão da arte musical do grande protagonista da história do violão e relevante personagem da música popular brasileira para conquistar o meritório reconhecimento”.</p>



<p>O livro é parte do projeto “João Pernambuco &#8211; Coração de Violão”, que também será pré-lançado nesta terça (27), um selo com realização do Instituto de Arte Popular João Pernambuco e da Fundação Brasil Meu Amor. </p>



<p>O projeto, que terá lançamento em novembro, irá percorrer seis cidades do sertão pernambucano (Tacaratu, Inajá, Floresta, Petrolândia, Jatobá e São José do Egito), além do Recife, reconstruindo a trajetória do músico, para a criação de um produto audiovisual. A caravana vai promover rodas de diálogos, registros de histórias orais de familiares, depoimentos de músicos que tocaram com João Pernambuco e de violonistas intérpretes de suas canções.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/joao-pernambuco-genio-que-pernambuco-esqueceu/" class="titulo">João Pernambuco, o gênio que Pernambuco esqueceu</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
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	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Do Sertão de Pernambuco para o Brasil</h2>



<p>Ferreiro de profissão, violonista e compositor por vocação, João Teixeira Guimarães nasceu em Bebedouro de Jatobá, no sertão pernambucano. Aos 8 anos, começou a dar seus primeiros acordes no violão com violeiros e cantadores locais. Em 1895, se muda com a família para o Recife. Aos 15 anos, já integrava as rodas de músicos populares da capital.</p>



<p>Em 1904, em busca de melhores condições de vida, João se muda para o Rio de Janeiro. Soube cultivar com maestria as raízes e os frutos de sua arte e, por ser tão dedicado à cultura pernambucana, ficou conhecido como o genial músico João Pernambuco.</p>



<p>Em sua trajetória artística, criou obras com ricos desenhos melódicos e figuras rítmicas, movendo-se por belos caminhos harmônicos. Por essa razão, foi reconhecido como o autor instrumentista que compunha lindos poemas com notas musicais, o que lhe valeu o título de “Poeta do violão”.</p>



<p>De espírito agregador e uma criativa energia coletiva, formou diversos grupos musicais, como o famoso “Grupo Caxangá”, conquistando imenso sucesso no período de 1913 a 1918, fazendo o sul e sudoeste do Brasil “pernambucarem”. João Pernambuco integrou o lendário grupo “Os Oito Batutas” e influenciou vários grupos musicais, consagrando-se como precursor da difusão da música nordestina nos variados recantos do Brasil.</p>



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		<title>Morre em Natal o Sax de Ouro, o pernambucano Ivanildo</title>
		<link>https://marcozero.org/morre-em-natal-o-sax-de-ouro-o-pernambucano-ivanildo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jun 2022 19:39:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Kazarão]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Isabela Santos, da Agência Saiba Mais Um dos sopros mais conhecidos do Brasil, o de Ivanildo – o Sax de Ouro, passa a ser apreciado apenas por meio das gravações deixadas nos seus mais de 30 discos. Há cerca de 50 anos vivendo em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, o pernambucano morreu na [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Isabela Santos, da <a href="https://saibamais.jor.br/2022/06/morre-em-natal-o-sax-de-ouro-ivanildo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Saiba Mais</a></strong></p>



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<p>Um dos sopros mais conhecidos do Brasil, o de Ivanildo – o Sax de Ouro, passa a ser apreciado apenas por meio das gravações deixadas nos seus mais de 30 discos. Há cerca de 50 anos vivendo em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, o pernambucano morreu na manhã do sábado (11).</p>



<p>Ivanildo José da Silva estava internado desde o dia 28 de maio no Hospital São Lucas, em Natal. A princípio com picos de pressão e insuficiência renal crônica. Desde então realizou hemodiálise e adquiriu pneumonia, tendo o quadro agravado. Velório e sepultamento foram realizados no cemitério Morada da Paz, em Emaús, Parnamirim.</p>



<p>Aos 89 anos, deixa “sua senhora”, a esposa, Maria Lúcia Sampaio; quatro filhos (Ivanildo Filho, Cristina, Ana Lúcia e Gilson); cinco netos; seis bisnetos, amigos e incontáveis fãs e admiradores do seu trabalho. Foi maestro das bandas de música da Força Aérea Brasileira (FAB) em Fortaleza e em Natal e eternizou melodias no timbre do seu sax, como&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Uube4o_5s5Q" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Siboney</a>,&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=xmcKStdoO4I" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Kazarão</a>&nbsp;e&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=7oB_AO1U92c" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Moendo Café</a>.</p>



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<p>Todos da família seguiram outros caminhos profissionais, pegando do legado do pai, avô e bisavô, a dedicação e o amor.</p>



<p>“Foi um filho amável, um irmão camarada, um esposo fiel, um pai presente e amoroso com todos os filhos, um profissional responsável de sucesso e um amigo solidário e coerente nas suas atitudes”, declarou Ivanildo Filho.</p>



<p>“Vovô foi um ser muito iluminado e de muita fé. Além disso, sempre prezou pela família, gostava de ajudar o próximo. Respirava a música em todos os seus dias e em seus últimos momentos em sã consciência assobiava durante a madrugada e pedia pra escrevermos as notas musicais (ré, si, dó, lá)… apaixonado pela clave de sol e por sua amada esposa, a qual em todos os shows prestava homenagens a ela. O amor entre os dois sempre foi de admirar e raro hoje em dia de se ver”, disse a neta Samantha Silva.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Foco e dedicação em toda a trajetória</strong></h2>



<p>O colega saxofonista, amigo e produtor musical Chico Beethoven que acompanhava mais de perto Ivanildo nos últimos 12 anos, confirma que o Sax de Ouro estava em plena atividade.</p>



<p>“Ele parte deixando um vazio. Estava planejando fazer muita coisa, lançar um disco. Foi uma das fases que ele mais compôs. Ele sempre regravou muita coisa, costumava tocar clássicos da música brasileira e no meio sempre tinha alguma música ou outra dele. Ele se intitulava como músico melodista. E agora estava compondo mais e oferecendo para os amigos, dedicando músicas aos amigos”, conta Beethoven, ao acrescentar que o amigo tinha também visão comercial.</p>



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<p>Ivanildo iniciou os estudos de música por volta dos 11 anos de idade no Colégio Salesiano, em Recife, com a requinta. Mudou-se para Barreiros, em Pernambuco, e seguiu as lições com o sax soprano, depois o alto.</p>



<p>Fã de Charlie Parker, atuando na banda da FAB e tocando em eventos e clubes, decidiu que queria registrar o trabalho. Conquistou quatro discos de ouro e um de platina. O primeiro foi gravado em 1960 com recursos próprios. Em 2021, em entrevista ao músico Tiago Guimarães, no canal Música em 7, contou que não teve apoio das gravadoras para começar, “diziam que disco de sax não vendia”. Por isso, encomendou pagando mil exemplares do primeiro LP.</p>



<p>“Eu paguei adiantado os mil discos, me entregaram. Só na abertura, vendeu os mil discos. Aí chegou um representante da gravadora na base aérea querendo assinar contrato”.</p>



<p>Na ocasião, reconheceu a dificuldade que implica ser músico no Brasil: “Eu só tenho é que agradecer a Deus. Eu acho que foi Deus que me iluminou e disse ‘Ivanildo, tu vai ser é músico mesmo, não tem jeito’. Fui enfrentando muitas dificuldades, mas eu consegui. Hoje tenho essa casa aqui em Parnamirim (…) Em todos os lugares que me apresentei até hoje fui aplaudido”.</p>



<p>Com Beethoven, o assunto predominante sempre foi música. A admiração era mútua. O potiguar conheceu Ivanildo quando a música em sua vida era ainda uma brincadeira e foi incentivado.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
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<p>“Seu Invanildo ficou hospedado na casa da minha avó [dona Terezeinha], em Lagoa Nova, quando foi tocar em um baile no Mercado, por volta dos anos 80. Eu tinha uns oito anos. Aí ela disse que eu e meu irmão, Jubileu, tínhamos muito talento pra música. A gente tocava em lata de doce, eu tinha um sax de brinquedo e tal. E ele levou uma camiseta pequena com o nome dele. Eu tenho até hoje. Comecei a tocar, vi ele de novo em Currais Novos, em 84/ 85. Passou-se o tempo. Em 2010, ele me ligou convidando pra fazer o disco de 60 anos de carreira dele”, lembrou.</p>



<p>Foi quando descobriu que o ídolo acompanhava a carreira dele há muito tempo. “Ele tinha mais coisas de clipagem do que eu. De lá pra cá a gente não se desgrudou mais”. Juntos, eles trabalharam, com a parceria também de Jubileu.</p>



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<p>Preparava uma surpresa para os 90 anos do saxofonista, um arranjo da canção “Crioula”, de autoria do Sax de Ouro, para execução do grupo “Bando de Sax, da UFRN. “Ainda vou fazer isso”, promete.</p>



<p>Chico ressalta que Ivanildo “é a maior referência do saxofone no Brasil” e um modelo de pessoa e profissional a ser seguido: “Dedicado à senhora dele, como chamava; nunca bebeu, nunca fumou. Era muito disciplinado no que fazia. As demandas, ele ficava em cima mesmo, cobrava. Profissional daqueles porretas até o fim da vida. Disciplina e foco, um grande exemplo”.</p>



<p><strong>Ouça Kazarão, de Ivanildo, Sax de Ouro, por ele mesmo:</strong></p>



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<p></p>
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		<title>Ednardo: como um artista é feliz longe da mídia</title>
		<link>https://marcozero.org/ednardo-como-um-artista-e-feliz-longe-da-midia/</link>
					<comments>https://marcozero.org/ednardo-como-um-artista-e-feliz-longe-da-midia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 May 2017 15:31:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de quase uma década sem cantar no Recife – a última vez havia sido uma apresentação para um pequeno público na extinta Sala de Reboco -, Ednardo volta a fazer um show na capital de Pernambuco. Motivo mais do que o suficiente para a Marco Zero Conteúdo tentar saber o que se passa pela [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Depois de quase uma década sem cantar no Recife – a última vez havia sido uma apresentação para um pequeno público na extinta Sala de Reboco -, Ednardo volta a fazer um show na capital de Pernambuco. Motivo mais do que o suficiente para a Marco Zero Conteúdo tentar saber o que se passa pela cabeça de um artista que vive há tanto tempo sem espaço nas rádios e TVs.

Antes mesmo da entrevista, não foi difícil perceber que o cearense se reinventou com a interatividade da internet. Um dos pioneiros do fenômeno que a mídia da época, sempre ávida para rotular o que não compreendia, convencionou chamar de “Pessoal do Ceará”, Ednardo é atuante nas mídias sociais, dispõe de um site em que disponibiliza fotos em alta resolução e toda a sua discografia para ser escutada livremente (<a href="ednardo.com.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.ednardo.com.br</a>).

O primeiro contato foi por meio de seu perfil em uma rede social. Ele próprio respondeu sem demora e sem intermediação de assessoria de Imprensa. Foi combinado que as perguntas seriam enviadas por e-mail e, respondidas, exatamente no dia seguinte à morte do seu parceiro Belchior.

Tentamos então incluir uma pergunta sobre isso, mas, polidamente, ele recusou, disse que não responderia, como também não respondeu aos jornais dos veículos tradicionais que, desde a véspera, lhe bombardeavam. Acrescentou, porém, que “no show do Recife farei uma homenagem a ele”.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/05/Ednardo2-2.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4687" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/05/Ednardo2-2.jpg" alt="Ednardo2 (2)" width="640" height="426"></a>

<strong>Marco Zero &#8211; O público &#8220;médio&#8221;, acostumado a acompanhar as atividades do mundo artístico apenas pela mídia tradicional, tem a impressão que cantores ou músicos que não estão na pauta dos programas de auditório, dos mega shows, das rádios comerciais ou da trilha das novelas, simplesmente deixaram de trabalhar, não cantam mais, passaram a viver de outra coisa. Há muito tempo, você está distante desses espaços de visibilidade. Fale-me um pouco da sua arte e da sua criação distante da sociedade de espetáculo?</strong>

<strong>Ednardo –</strong> É bom que o público de forma geral se acostume desde já a procurar informações, não só nestes meios tradicionais que você cita. A Internet, através de plataformas que disponibilizam vídeos, programas, músicas, está além das pautas de auditórios, dos playlists, da prática excludente dos jabás que reduzem a pluralidade da música brasileira, que tem saúde criativa bem maior. A meu ver, a visibilidade depende também daqueles que procuram ver e conhecer bem mais do que aquilo que lhes oferecem.

<strong>Esse distanciamento foi imposto pela indústria cultural e midiática ou foi você quem buscou esse outro caminho?</strong>

Não me distanciei, os que acompanham meus trabalhos em discos, trilhas de cinema e teatro, que estão registrados até hoje, sabem que mantenho uma relação próxima ao público que vai além das imposições da indústria cultural e midiática. Vai além dos escaninhos e gavetas em que tentam compartimentar e reduzir os caminhos.

<strong>Quais meios você usa para se relacionar com seu público? </strong>

Todos que estiverem ao alcance de minha produção e trabalhos, shows, gravações ao vivo, DVDs, livros, jornais, TVs, rádios, etc. E, se faltar, ainda podemos inventar outros.

<iframe style="border: 0; width: 100%; height: 120px;" src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=3994104673/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/artwork=small/track=59628976/transparent=true/" seamless="" width="300" height="150"><a href="http://ednardo.bandcamp.com/album/o-romance-do-pav-o-mysteriozo">O Romance do Pavão Mysteriozo by Ednardo</a></iframe>

<strong>As transformações e a crise na indústria fonográfica provocadas pelas novas plataformas para consumo de música, tipo iTunes, Spotify lhe impactaram de alguma maneira? Como você percebe esse cenário?</strong>

Isto já se desenhava faz tempo quando músicas e discos começaram a ser veiculados na internet. Raramente as transformações e migrações para novas plataformas resultam em algo palpável, pois tudo é volátil e impreciso, desde as informações às remunerações autorais. Note que as gravadoras participam ativamente como “sócias”, resguardam os fonogramas, mas nada dizem dos direitos dos compositores autores, intérpretes. E o cenário onde estas informações ficam retidas é todo no exterior, não podemos acessar. É complicado.
<strong>
Como você identifica ou percebe qual é seu público atual? Ou melhor, para quem você canta hoje?</strong>

Canto para grande quantidade de público em todo Brasil, diversas faixas etárias, classes sociais abrangentes. Em todos os shows que realizo atualmente esta afirmação é fato comprovado pelas gravações de imagens do público, evidenciado por vários vídeos disponibilizados no YouTube e outras plataformas.

<strong>Para quem já teve a casa invadida e a esposa ameaçada por policiais na ditadura, como você enxerga esses momentos que vivemos no Brasil e seus desdobramentos para a criação artística?</strong>

Com preocupação, é claro. Qualquer pessoa que vivenciou aqueles tempos sabe do que estou falando. Sabe das dificuldades enfrentadas, dos cerceamentos, daquilo que era escancarado com a repressão policial-militar, mas que pode se tornar “sutil” e praticado de formas “sofisticadas ao extremo” como censura econômica ao artista e/ou o fechamento de seus espaços na mídia tradicional.

<strong>Depois de 40 e tantos anos de carreira, ainda dá pra dizer que cantar parece com não morrer?</strong>

Cantar é dom divino à disposição humana, a música extrapola seu criador de todas as formas, depois de emitida passa a fazer parte do depositário a quem se destina. Daí ganha outra força, no coletivo das vozes. Cantar parece com muitas formas de vidas e cores de luzes, testemunhando a existência. “Arrepare não” é uma história imensa, bem curtinha, fácil de contar, que a vida é que tem razão.

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