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	<title>Arquivos ocupação - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos ocupação - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Após desocupação voluntária, famílias da Chico Lessa seguem para o Sítio dos Pintos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Aug 2024 21:19:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[especulação imobiliária]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caminhões descarregando diversos materiais como madeiras e lonas, demarcação das áreas que serão ocupadas por cada família, pessoas carregando itens pessoais e materiais para o levantamento de seus barracos e um diálogo constante para definir quem ficará encarregado de exercer cada função. Uma atmosfera de construção e recomeço, é assim que se encontra a ocupação [&#8230;]</p>
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<p>Caminhões descarregando diversos materiais como madeiras e lonas, demarcação das áreas que serão ocupadas por cada família, pessoas carregando itens pessoais e materiais para o levantamento de seus barracos e um diálogo constante para definir quem ficará encarregado de exercer cada função. Uma atmosfera de construção e recomeço, é assim que se encontra a ocupação Márcio Wanderley Daruê Malungo.</p>



<p>Localizada no Sítio dos Pintos, na Zona Norte do Recife, a Márcio Wanderley é uma ocupação que teve início no dia 24 de agosto e nasceu de um movimento de realocação de parte das famílias que integravam a ocupação Chico Lessa, localizada às margens da BR-101. Ambas foram organizadas pelo Movimento Urbano dos Trabalhadores Sem Teto (MUST).</p>



<p>“Essa ocupação nasce primeiro decorrente da situação de falta de habitação, de moradias, que esse país tem. A enorme carência de moradias para as famílias que são vulneráveis, que já não podem pagar aluguel porque a pouca renda que conseguem não é suficiente nem para garantir a sobrevivência. Mas nasce diretamente também da desocupação, da maior ocupação urbana de Pernambuco, que era a Chico Lessa”, explicou o advogado e coordenador geral do MUST, Bernardo Weinstein.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ocupação Márcio Vanderlei, no Sítio dos Pintos. Crédito: Arnaldo Sete / Marco Zero   
</p>
	                
                                            <span>Arnaldo Sete / MZ Conteúdo</span>
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<p>O movimento decidiu realizar uma desocupação voluntária da área onde estava localizada a ocupação Chico Lessa após o fechamento de um acordo firmado entre a Secretaria de Habitação (Sehab), a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) do Recife e os proprietários do terreno &#8211; a empresa Florestal, gerida por integrantes da família Brennand de Souza Leão. O acordo prevê que parte do terreno, que possui uma área de 7,6 mil m², seja cedido ao MUST para a construção de 192 unidades habitacionais destinadas às famílias da ocupação, através do programa federal Minha Casa Minha Vida &#8211; Entidades.</p>



<p>Além disso, a Prefeitura do Recife incluiu 270 famílias da ocupação no Auxílio Moradia e todas já passaram a receber o valor mensal de R$ 300, e as demais receberão uma ajuda de custo relativa à desocupação, equivalente a sete parcelas do Auxílio Moradia, pagas pelos proprietários do terreno. Todas as 575 famílias que integraram a ocupação Chico Lessa agora estão cadastradas no sistema de moradia da PCR para serem beneficiadas com uma unidade habitacional.</p>



<p>“Esta é a continuidade de uma batalha que fez de Chico Lessa um ícone na luta por moradia em Pernambuco. Com menos de três anos de ocupação nós tivemos este acordo que foi uma grande conquista, todavia, essa conquista não é suficiente. Não tem auxílio moradia para todo mundo. Era para ter 575 auxílios-moradia, já que são 575 reconhecidos como moradores de Chico Lessa e portanto famílias carentes, vulneráveis e detentoras do direito, mas não temos. E as famílias saem e vão para onde? Essas famílias vieram para Márcio Wanderley e ocupam este terreno que estava desocupado e sem nenhuma utilidade pública”, afirmou Bernardo Weinstein.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A continuação da luta e do sonho pela moradia digna</strong></h2>



<p>Com os olhos cheios de lágrimas, Rosa Malena Serpa, de 58 anos, não conseguiu segurar a emoção ao relembrar os momentos que viveu na ocupação Chico Lessa: “lá era muito bom, já ia fazer dois anos que eu estava lá, quando cheguei meu barraco era de bambu, mas eu ajeitei ele todinho e consegui fazer um de madeira”.</p>



<p>Junto com a filha, o genro e a neta, Rosa integra uma parte das famílias que se deslocaram e agora recomeçam a construção de uma moradia na ocupação Márcio Wanderley. “Antes eu morava lá na comunidade do Detran, mas onde eu morava era muito apertado para mim e para a minha família, não tinha espaço nem para colocar minhas coisas direito. Aqui não, aqui eu me sinto livre, como um pássaro”, declarou a integrante da ocupação enquanto arrumava, junto com sua filha e seu genro, uma lona para colocar em cima de uma mesa em frente ao barraco da família.</p>



<p>Algumas famílias da comunidade Sítio São Braz, localizada no entorno da ocupação, cederam água e energia aos novos ocupantes do terreno.</p>





<p>Há poucos metros do barraco de Rosa Malena estava Luciana Olívia de Freitas. A cozinheira estava enchendo garrafões de água para levar até a cozinha da ocupação e preparar o almoço. Com uma mochila nas costas, Luciana se queixava de ainda não ter conseguido trazer todas as suas coisas para a nova ocupação: “eu tô aqui desde sábado, não consegui voltar em casa ainda, fiquei aqui ajudando a limpar o terreno a organizar as coisas e continuo aqui ajudando”.</p>



<p>Integrante da ocupação Chico Lessa há um ano e oito meses, Luciana diz que está confiante de que será possível construir um novo ambiente seguro para as famílias na Márcio Wanderley: “não é fácil não, porque já estávamos acostumados lá e agora precisamos recomeçar, fazer tudo de novo. Mas nós vamos conseguir porque todo mundo aqui tem o mesmo sonho, que é ter sua casa e estamos batalhando por isso, todo mundo se ajuda”.</p>



<p>A cozinheira tem uma relação de afeto forte com a Chico Lessa porque foi na ocupação que ela encontrou seu marido e casou, em uma cerimônia online. “Nós nos reencontramos depois de muito tempo lá na ocupação, nos apaixonamos e casamos lá mesmo na Chico Lessa”, contou Luciana Olívia.</p>



<p>De acordo com o MUST, atualmente, cerca de 450 famílias integram a ocupação Márcio Wanderley Daruê   Malungo. Boa parte das famílias que integram a ocupação dependem de doações de alimentos e donativos, que podem ser realizadas no terreno ocupado, localizado na Rua Doutor Adige Maranhão, 78 &#8211; Sítio dos Pintos, Recife. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira a nota da Prefeitura do Recife sobre o acordo firmado junto ao MUST:</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">A Prefeitura do Recife fechou um acordo histórico, homologado pela Justiça, que resultou na desocupação integral e pacífica no terreno onde existia a Ocupação Chico Lessa, às margens da BR-101. Como resultado, a gestão municipal fez a desapropriação parcial do terreno, numa área de 7,6 mil m2, para construção de conjunto habitacional com 192 unidades, a ser incluído no programa federal MCMV Entidades, com projeto arquitetônico doado pelos proprietários do terreno ao MUST. Seguindo as regras do MCMV Entidades, o movimento ficará responsável pela obra e cujas unidades serão destinadas a famílias que antes ocupavam o terreno de forma irregular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O acordo foi conduzido pela Comissão de Conflitos Fundiários do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e envolveu também o Movimento Urbano dos Trabalhadores Sem Teto, a Defensoria Pública, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e a empresa  proprietária do terreno.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o cadastramento das famílias, feito por empresa contratada pelos proprietários, a prefeitura incluiu 270 famílias da ocupação no Auxílio Moradia, seguindo critérios estabelecidos conjuntamente. Para as demais famílias, os proprietários se comprometeram a pagar ajuda de custo relativa à desocupação e à realocação.</span></p>
	</div>
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		<title>Conheça as pessoas que lutam por moradia na &#8220;Chico Lessa&#8221;, a maior ocupação urbana de Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/ocupacao-chico-lessa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Sep 2023 09:58:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Emerson Saboia Numa manhã, no final de agosto, a Ocupação Chico Lessa, localizada na BR-101 e organizada pelo Movimento Urbano dos Trabalhadores Sem Teto (MUST), foi alvo de uma violenta abordagem policial. Segundo os moradores, oito policiais militares, que diziam fazer parte do 13º Batalhão da PM, pararam duas viaturas junto à entrada e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por <a href="https://www.instagram.com/saboiaemerson/?igshid=YmMyMTA2M2Y%3D" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Emerson Saboia</a></strong></p>



<p>Numa manhã, no final de agosto, a Ocupação Chico Lessa, localizada na BR-101 e organizada pelo Movimento Urbano dos Trabalhadores Sem Teto (MUST), foi alvo de uma violenta abordagem policial. Segundo os moradores, oito policiais militares, que diziam fazer parte do 13º Batalhão da PM, pararam duas viaturas junto à entrada e entraram na ocupação sem qualquer mandado judicial.&nbsp;</p>



<p>Naquele momento, a comunidade &#8211; reunindo idosos e crianças &#8211; estava se preparando para receber a visita de representantes do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e da campanha Despejo Zero, uma iniciativa que luta pelo direito à moradia para comunidades ameaçadas e pessoas em situação de rua em todo Brasil. Sem se identificarem, os policiais foram até o galpão no centro da ocupação e passaram a ameaçar moradores.<br><br>Tentaram prender o advogado Bernardo Weinstein, de 59 anos, que representa a ocupação e estava lá por causa da visita programada para a tarde daquele dia. “Eles me chamaram de advogado ‘maloqueiro’ e que eu defendia bandido”, relembra Weinstein.</p>



<p>Quando partiram para cima do advogado, foram surpreendidos com o som estridente de uma sirene. Era o alarme usado para alertar a comunidade em caso de perigo. Rapidamente, os pms foram cercados pelos moradores e deixaram Weinstein de lado, não sem antes disparar três vezes para o alto.<br><br>Nas filmagens, uma mulher diz: “Tem que chegar direito, não é agredindo morador, não”. O vídeo enviado para Marco Zero Conteúdo, ainda mostra um dos policiais escondendo o rosto enquanto porta um fuzil.</p>



<p>Essa não é a primeira vez que Chico Lessa é vítima deste tipo de abordagem. O episódio de “terror pelo terror” não foi novidade e ilustra como é o dia a dia de quem luta pelo direito de morar em grandes capitais como o Recife. A sirene e a reação dos moradores, por sua vez, é exemplo do grau de organização e de mobilização dessas pessoas.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Chico Lessa, meu amor</strong></h2>



<p>“Eu já admirava o acampamento antes”, conta Maria Jaciara Ribeiro da Silva, de 44 anos, moradora e coordenadora local da Ocupação Chico Lessa, sentada em frente ao galpão, no centro do assentamento. Ela é mãe solo de quatro filhos, dos quais dois gêmeos, e escolheu Chico Lessa como o lugar para criar as crianças. A família de Jaci, como é conhecida por lá, é uma das 450 que vivem nos 22 hectares da maior ocupação urbana de Pernambuco.</p>



<p>A Chico Lessa fica na BR-101, no bairro de Caxangá, antes da ponte que atravessa o Rio Capibaribe e dá acesso ao bairro da Iputinga, na zona oeste da cidade. Ali há um grande portão, que, na velocidade em que o tráfego na rodovia flui, passa despercebido. Quando fechado, ele forma uma frase: “Chico Lessa meu amor”, pintada no ferro em cores vivas. Uma espécie de guarita, com um ou dois moradores, vigia a entrada do assentamento, que, logo de cara, revela a rua principal.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Jaciara Ribeiro: Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Sim, rua. O lugar tem mais de 220 mil metros quadrados e ainda conta com uma área de proteção ambiental. “Sempre ruas, nunca becos ou vielas”, pontua Bernardo Weinstein, também coordenador geral do MUST. Ele explicou, enquanto caminhava pelo assentamento, que ruas são mais seguras, enquanto pequenos becos e vielas, entre os barracos ou as casas de alvenaria de Chico Lessa, poderiam promover insegurança na ocupação.&nbsp;</p>



<p>Chico Lessa tem diversas “ruas” como as que Bernardo mostrou à reportagem. A principal delas leva até o galpão central, onde Jaciara concedeu entrevista. Outras cortam a área em pequenos quarteirões que abrigam dezenas de moradias. Enquanto uma minoria de casas é de alvenaria e tetos com telhas, a maior parte são barracos feitos de madeira, lona e outros materiais reutilizados. A casa de Jaci é assim, improvisada.</p>



<p>Ela conta que fazia parte dos Sem Teto, desde que morava em Matriz da Luz, São Lourenço da Mata. Posteriormente, se mudou com os filhos para o Ibura, zona sul do Recife e por lá ficou. Pelo menos até as contas apertarem e o orçamento da família ser totalmente impactado pela pandemia de covid-19. Não deu outra. Em 2021, ano em que a ocupação foi fundada, no mês de novembro, Jaci se mudou para Chico Lessa. Hoje ela é uma das lideranças e cuida “de tudo”, como brinca.</p>



<p>Existem outras lideranças, mas como o trabalho dela é ser a coordenadora local de Chico Lessa &#8211; uma espécie de síndica -, Jaciara precisa ser &#8220;mãe&#8221; de um monte de gente. Portanto, alimentação, mudança de moradores, água, lixo e entre outras questões fazem parte do trabalho dela. Além dos problemas de qualquer vizinhança, é claro. O vizinho colocou o som muito alto? Chama Jaci… e por aí vai. “É problema com gato, cachorro, fio, água, vizinho…”, revela a coordenadora local.&nbsp;</p>



<p>Jaci também diz não se preocupar com o que pensam sobre seu envolvimento com o MUST e o fato de morar numa ocupação, muito pelo contrário. O que sempre vem é a curiosidade. Como ela mesma coloca, a pergunta é sempre sobre segurança e ela rebate: “quem faz o lugar são as pessoas”, sobre a relação entre os ocupantes. Mas o que une mesmo os moradores de Chico Lessa é o direito fundamental à moradia, reconhecido como fundamental pela Organização das Nações Unidas (ONU), desde 1948.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bernardo e a luta</strong></h3>



<p>Para o o advogado Bernardo, “a casa própria, que sempre foi um sonho da classe média, passou a ser uma necessidade de sobrevivência”. Ele ainda defende que a exclusão social chegou a tal ponto de incidência sobre as populações que, “para comer, foi preciso e está sendo preciso”, que, antes, outro problema seja resolvido: o da moradia.</p>



<p>Fato é que o Recife é a cidade mais populosa do estado, a terceira da região Nordeste e a nona do Brasil. Por aqui, mais de um milhão e quatrocentos mil habitantes se espalham em pouco menos de 219 km² quadrados de território. O que os dados do IBGE de 2023 não revelam são as condições em que boa parte dessas pessoas vivem. Ao olhar pela janela do carro ou dos coletivos, fica evidente a crescente da população de rua no Recife, sobretudo após a pandemia.&nbsp;</p>



<p>O que é feito pelos governos, nas esferas municipal, estadual e federal, ainda é “insuficiente enquanto programa de moradia popular”, defende Bernardo. Essa falta de políticas e preparo do poder público afeta todos os recifenses, principalmente as vítimas dessa má distribuição da população no território da cidade. Desde o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, os movimentos sociais dissidentes enfrentaram anos tortuosos. Quando se refere ao governo Bolsonaro, Bernardo fala com firmeza que “o fascismo não foi derrotado porque gostamos do Lula, derrotamos o fascismo porque não queremos morar em favela”.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Bernardo Weinsten. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Os moradores de Chico Lessa, por exemplo, enfrentam dificuldades “devastadoras” como coloca Weinstein.&nbsp;</p>



<p>A primeira delas é a segurança. “A violência da polícia, que do mesmo jeito que chega nas periferias, chega aqui”, coloca Bernardo. Ele continua, “Ela [a polícia] chega, entra na casa das pessoas, agride as pessoas e algema as pessoas”. Segundo o advogado, a polícia geralmente justifica a abordagem truculenta com o pressuposto de uma busca por drogas. Ele afirma que, na grande maioria das vezes, as acusações são falsas e que a organização e conscientização predominam no assentamento, mas entende que o consumo de drogas é um escape para muitos que vivem marginalizados. Para esse tipo de situação, Chico Lessa possui uma sirene que, quando acionada, reúne toda a comunidade no galpão. Foi o caso da terça-feira.&nbsp;</p>



<p>A segunda delas é a saúde. “Aqui o estado não vem com um cartão de vacinação, aqui o estado não chega oferecendo cartão para atendimento no posto de saúde, é o movimento que entrega uma declaração de moradia [para o cadastro no SUS]”, protesta Bernardo. De acordo com ele, o MUST ainda precisa pressionar os postos de saúde para que atendam moradores da ocupação. Hoje, o único posto que recebe as pessoas de Chico Lessa está  localizado no bairro de Caxangá. Uma conquista recente, revela o coordenador.&nbsp;</p>



<p>A terceira é a educação. Todo ano, matricular as crianças de Chico Lessa na escola, “é uma batalha”, segundo Bernardo. Além disso, ele também diz que a quantidade de jovens e adultos sem formação é enorme. Outro desafio é levar as crianças para a escola mais próxima. O trajeto era feito com uma antiga kombi, hoje encostada no galpão, enferrujando, com problemas mecânicos sem a perspectiva de reparos. Muitas crianças estudam na comunidade de Nova Morada, na vizinhança da ocupação. Mas as vagas na escola pública não contemplam todas as famílias. O que muitas mães de Chico Lessa ainda precisam fazer é levar seus filhos de ônibus para escolas distantes.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Jorginho e o galpão</strong></h3>



<p>“É o coração de Chico Lessa”, esse é o jeito que Jorge Luiz do Nascimento, de 29 anos, outra liderança, define o galpão. É o lugar onde ele passa a maior parte do seu tempo, quase sua verdadeira casa, que aliás, fica bem de frente, com uma das fachadas mais decoradas do assentamento. Jorginho &#8211; como é conhecido no MUST &#8211; sonha alto: “uma escolinha ali no canto, com um campinho de futebol, aula de balé ali pras meninas, né? Como tem em várias escolas”.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Jorge Luiz. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Por lá, Jorginho promove algumas atividades para as crianças locais. Brincadeiras que envolvem materiais reciclados ou dinâmicas que as distraiam das vulnerabilidades em volta, “por que a gente sabe, né? Que a vida não é fácil e tem que manter as crianças longe de coisa errada”. Além disso, o galpão também serve para apresentações musicais, comemorações, reuniões dos moradores, cultos religiosos e eventuais descarregamentos de doações &#8211; um elemento importante da existência do assentamento.</p>



<p>A geladeira de livros é um dos projetos que Jorginho pensa para o galpão. A ideia consiste em uma geladeira antiga que seja usada para guardar livros comunitários e promover a leitura, principalmente entre as crianças, no caso de Chico Lessa. Durante toda a conversa, Jorginho usou por várias vezes a palavra “honra”. “É uma honra fazer parte da luta”, “é um honra ajudar as crianças”, “é uma honra cuidar do galpão” e por aí vai. Dando um Google rápido, “honra”, de acordo com o primeiro resultado &#8211; com o Oxford Languages de fonte &#8211; é o “princípio que leva alguém a ter uma conduta proba, virtuosa, corajosa, e que lhe permite gozar de bom conceito junto à sociedade”.&nbsp;</p>



<p>Quando o Jorginho olha para o galpão e imagina uma escola, ou mesmo quando ele passa uma vassoura rápida no lugar como estava fazendo quando a reportagem da MZ chegou &#8211; da mesma forma que alguém arruma a casa antes da visita entrar &#8211; ele demonstra o significado da palavra. Luta e necessidade são a mesma coisa quando o assunto é o básico, como: fome, saúde ou moradia. Fazer com honra transforma tudo num propósito.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Júlio e o projeto</strong></h3>



<p>No final do ano passado, o engenheiro Júlio Marcelino, ao lado da esposa e dos dois filhos, buscava transformar a celebração de natal de algumas pessoas por meio de doações. Eles chegaram até a Chico Lessa com esse intuito, mas enxergaram no lugar uma oportunidade de impacto ainda maior: transformar a ocupação em uma ZEIS, uma Zona Especial de Interesse Social, o que garantiria dignidade para os moradores de lá. Mas o caminho não é simples. Para isso, Júlio, engenheiro civil e responsável pelo estudo de concepção habitacional, equipamentos comunitários e infraestrutura urbana de Chico Lessa, criou um projeto, junto da organização do MUST.</p>



<p>A ideia é mudar profundamente o lugar e preservar algumas estruturas existentes no terreno. O projeto prevê dois núcleos habitacionais com 750 apartamentos, incluindo espaço reservado para comércio, além de uma sementeira e horta orgânica, possibilitando a formação de uma feira de produtos em frente ao assentamento &#8211; gerando renda para os moradores. O projeto ainda propõe&nbsp;equipamentos comunitários, como creche, escola, espaço cultural e uma quadra poliesportiva. Júlio explica que esses espaços também seriam usados, “não só para Chico Lessa, como para o entorno”.</p>



<p>Chico Lessa também se posiciona geograficamente entre os rios Capibaribe e Beberibe, o que também traz a responsabilidade ambiental de adaptar o projeto a isso. A ideia foi manter as áreas verdes como “áreas de proteção ambiental”. Quando perguntado sobre a localização da ocupação, Júlio se mostra otimista: “facilita [ser central], porque, geralmente, as pessoas do Minha Casa Minha Vida são marginalizadas, são colocadas na franja do perímetro urbano, longe de acesso de moradia”. O engenheiro ainda reconhece que esses acessos negados geram maior distância ainda entre as pessoas mais pobres e a sociedade como um todo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Júlio Marcelino. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Para mais, Chico Lessa “já tem esgoto na porta, só interligar”, coloca Júlio. Hoje em dia, inclusive, a comunidade tem acesso à energia elétrica e água encanada na maior parte das residências. Atualmente, a organização do movimento luta pela posse do terreno &#8211; uma propriedade privada que não exerce função social &#8211; e se mostra otimista em relação ao andamento da ação no âmbito legal. Caso o lugar seja desapropriado e transformado numa ZEIS, a Prefeitura do Recife faria as adequações necessárias no projeto criado por Júlio e lideranças e a procura de recursos começaria. O projeto tem a expectativa de entregar os apartamentos em um ano e meio, depois da liberação do dinheiro.</p>



<p>Júlio também coloca que o maior desafio é sensibilizar os agentes necessários que o projeto para Chico Lessa “não é se tornar uma favela organizada”, mas na verdade “otimizar ao máximo o terreno” e promover dignidade para as famílias. Ele explica que esse é o motivo da escolha de construir apartamentos no lugar de casas. “Recife não tem mais área útil para ser construída”, começa. O engenheiro ilustra que caso o projeto fosse constituído por casas, a quantidade de famílias contempladas cairia pela metade.</p>



<p>Com experiências no Minha Casa Minha Vida e trabalhos sociais, Júlio Marcelino defende que “a gente como profissional, que tem capacidade técnica, precisa se doar”. Ele continua, “não adianta nada apenas a questão financeira, um bom salário, viver bem, pegar os filhos e ir pro shopping”, se referindo a missão de se envolver em demandas sociais. Júlio contou que a primeira coisa que fez quando conheceu Chico Lessa com a esposa Susan Lewis, professora universitária e historiadora, foi levar os quatro filhos para conhecer o lugar e “furar a bolha”. Ele finaliza, “se nós não aplicamos nosso conhecimento e nossos recursos na melhoria da humanidade, vai ser um pequeno caos daqui alguns anos”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ocupação Chjco Lessa fica na BR-101, entre Dois Irmãos e Caxangá. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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		<title>Movimento de luta por teto, terra e trabalho ocupa área do prédio da Prefeitura do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/movimento-de-luta-por-teto-terra-e-trabalho-ocupa-predio-da-prefeitura-do-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Jan 2023 21:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[desabrigados das chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[direito à moradia]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Integrantes do Movimento de Luta por Teto, Terra e Trabalho (MLTT) ocuparam, na tarde desta quinta-feira (26), o prédio da Prefeitura do Recife, localizado na Avenida Cais do Apolo. A ação tem o objetivo de reivindicar uma reunião da comissão do MLTT com representantes da Secretaria de Habitação do Recife para tratar da desapropriação do [&#8230;]</p>
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<p>Integrantes do Movimento de Luta por Teto, Terra e Trabalho (MLTT) ocuparam, na tarde desta quinta-feira (26), o prédio da Prefeitura do Recife, localizado na Avenida Cais do Apolo. A ação tem o objetivo de reivindicar uma reunião da comissão do MLTT com representantes da Secretaria de Habitação do Recife para tratar da desapropriação do prédio do antigo Sindicatos dos Advogados de Pernambuco (Sindape), localizado na Rua da Soledade.</p>



<p>O prédio em questão estava abandonado e foi ocupado por centenas de famílias pernambucanas que perderam suas casas após as fortes chuvas de maio de 2022. A ocupação, que segundo o MLTT conta com mais de 300 famílias, recebeu o nome de Desabrigados pelas Chuvas Leão do Norte. </p>



<p> “Nós queremos moradia digna e estamos aqui para reivindicar isso, porque é um direito nosso. Há cinco meses nós mandamos um documento solicitando uma reunião com a Secretaria de Habitação e com a Prefeitura do Recife e até agora não tivemos retorno”, afirmou Davi Lira, coordenador do MLTT.</p>



<p>Após realizar uma passeata pelas ruas do centro da cidade na manhã desta quinta-feira, em um percurso até a sede da Prefeitura do Recife, os integrantes do movimento decidiram ocupar o térreo do prédio e afirmaram que só sairão de lá após a abertura de diálogo com representantes da gestão municipal.</p>



<p>“Nós decidimos em assembleia que vamos passar a noite aqui se for preciso, mas não vamos sair até alguém falar com a gente”, declarou Lira.</p>



<p>De acordo com o MLTT, no momento, 110 pessoas estão ocupando a Prefeitura do Recife. Os integrantes do movimento também relataram que foram agredidos pelos guardas municipais que agiram com truculência usando de força física para tentar tirá-los do prédio. “É importante ressaltar que a segurança de Pernambuco e do Recife age de forma extremamente violenta contra nós. Nós não somos os terroristas que estavam em Brasília, somos pessoas de bem querendo dialogar com a gestão municipal. Nós temos idosos e crianças aqui”, relatou Davi Lira. </p>



<p>Segundo o MLTT, por volta das 17h50, um manifestante foi detido e levado para a Central de Plantões da Capital (CEPLANC). Os demais manifestantes estão tendo dificuldade de obter informações sobre o detido. <br></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Leia nota encaminhada pela Prefeitura do Recife depois da publicação da reportagem</p><p>NOTA</p><p>A Prefeitura do Recife reforça que repudia qualquer tipo de violência e reitera a sua disposição para o diálogo. A ação violenta realizada por alguns integrantes do Movimento de Luta por Teto, Terra e Trabalho (MLTT) durante protesto, nesta quinta-feira (26), no prédio-sede da administração municipal resultou em danos ao patrimônio público e deixou dois servidores públicos (guardas municipais) feridos.</p><p>A Polícia Militar foi acionada rapidamente para garantir a segurança e a integridade física dos servidores e manifestantes. Um pessoa foi detida durante a situação por suspeita de agressão a guardas municipais e levada para a Delegacia de Plantão de Santo Amaro. O suspeito já foi preso anteriormente e enquadrado na Lei Maria da Penha, por agressão à mulher. Além disso, dez mastros foram apreendidos.</p></blockquote>



<p></p>
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		<title>Famílias sem teto ocupam prédio de hotel abandonado no centro do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/familia-sem-teto-ocupam-predio-de-hotel-abandonado-no-centro-do-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Dec 2022 15:00:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[direito à moradia]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
		<category><![CDATA[luta pela moradia]]></category>
		<category><![CDATA[MLB]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pelo menos 50 famílias estão ocupando, desde a madrugada de segunda-feira, 5 de dezembro, o imóvel onde funcionou o antigo Hotel Nassau, localizado no bairro de Santo Antônio, área central do Recife. A ocupação é coordenada por duas organizações que estão atuando conjuntamente, o Movimento de Luta e Resistência pelo Teto (MLRT) e Movimento de [&#8230;]</p>
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<p>Pelo menos 50 famílias estão ocupando, desde a madrugada de segunda-feira, 5 de dezembro, o imóvel onde funcionou o antigo Hotel Nassau, localizado no bairro de Santo Antônio, área central do Recife. A ocupação é coordenada por duas organizações que estão atuando conjuntamente, o Movimento de Luta e Resistência pelo Teto (MLRT) e Movimento de Luta nos Bairros e Favelas (MLB).</p>



<p>A ocupação recebeu o nome de “Menino Miguel”, em homenagem a Miguel Otávio, criança negra e filho de Mirtes Renata, que morreu após cair de um prédio de luxo no centro do Recife, no dia 2 de junho de 2020. “A Ocupação Menino Miguel recebe esse nome em homenagem à nossa criança, vítima também da acentuação do processo de expulsão branca que tem nas duas torres um marco das novas casas grandes que se erguem sob o centro do Recife!”, defendeu o MLB em uma nota publicada nas redes sociais.</p>



<p>O imóvel ocupado havia sido indicado, em um estudo elaborado em 2018 por organizações sociedade civil como um dos 42 imóveis localizados no bairro de Santo Antônio que se encontra abandonado e não cumpre sua função social, como determina a Constituição Federal e o Plano Diretor de Recife. O prédio do falido Hotel Nassau também foi reconhecido pelo Plano Diretor de 2021 como um dos imóveis prioritários para realização de estudos para reconhecimento como Imóvel Especial de Interesse Social.</p>



<p>“O déficit habitacional aumenta diariamente no nosso país e no nosso estado, além disso, há um desmonte das políticas públicas voltadas às questões de moradia, por isso a garantia de moradia para o povo pobre nos grandes centros urbanos é a nossa principal pauta”, afirmou Kléber Santos, coordenador do MLB.</p>



<p>Ainda de acordo com Santos, o imóvel onde funcionou o antigo Hotel Nassau está abandonado há mais de 20 anos e somamais de 3,2 milhões de reais em dívidas de IPTU. “Existem vários prédios como esse, que estão há anos abandonados sem cumprir nenhuma função social e devendo milhões de impostos, então, essa ocupação é uma maneira de fazermos uma denúncia e também de lutar para que o povo pobre e trabalhador possa ter direito à moradia digna e possa ocupar o centro da cidade”, concluiu.</p>



<p>De acordo com os movimentos, as famílias já se encontram organizadas no prédio e garantiram o funcionamento imediato de uma creche e uma cozinha solidária. Nas redes sociais, os movimentos responsáveis pela ocupação pedem doações para assegurar a limpeza e manutenção do imóvel e a alimentação dos ocupantes. </p>



<p>A ocupação solicita doação de água e alimentos, materiais de limpeza, itens de higiene pessoal, colchões, roupas e demais mantimentos. As doações também podem ser feitas através de Pix (qualquer valor). Mais informações sobre os pontos de arrecadação e doações em dinheiro estão disponíveis no<strong> <a href="https://www.instagram.com/p/ClyBCgYO2kn/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instagram do MLB.</a></strong></p>



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	                                        <p class="m-0">Hotel abandonado foi ocupado por 50 famílias na madrugada de segunda-feira. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<ul class="wp-block-list"><li><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></li></ul>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<title>Destino de casarão na avenida Rosa e Silva é motivo de disputa entre Prefeitura e organização feminista</title>
		<link>https://marcozero.org/destino-de-casarao-na-avenida-rosa-e-silva-e-motivo-de-disputa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Apr 2022 18:29:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ocupado por integrantes do Movimento de Mulheres Olga Benário desde o dia 8 de março, o casarão localizado na avenida Conselheiro Rosa e Silva, no Espinheiro, poderá voltar ao controle da Prefeitura do Recife (PCR) nos próximos dias.Ao ocupar o imóvel, a pretensão do movimento era criar o Centro de Referência Soledad Barret de apoio [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ocupado por integrantes do Movimento de Mulheres Olga Benário desde o dia 8 de março, o casarão localizado na avenida Conselheiro Rosa e Silva, no Espinheiro, poderá voltar ao controle da Prefeitura do Recife (PCR) nos próximos dias.Ao ocupar o imóvel, a pretensão do movimento era criar o Centro de Referência Soledad Barret de apoio e acolhimento para mulheres vítimas de violência. No entanto, de acordo com a prefeitura, o imóvel já tinha uma função social definida e prevista para ser executada: a criação de um centro de cidadania e cultura para idosos.</p>



<p>O projeto da gestão municipal é fruto do desejo da antiga proprietária do local, <a href="http://www.impresso.diariodepernambuco.com.br/noticia/cadernos/vidaurbana/2014/10/casarao-pode-abrigar-um-centro-para-idosos.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Maria da Conceição Guedes Pereira</a>, que antes de falecer, aos 102 anos, em 2013, doou o imóvel para o município e deixou registrado em carta o pedido para que a casa e o terreno se transformassem em um espaço destinado à chamada &#8220;terceira idade&#8221;. A fim de respeitar o desejo de Maria da Conceição, que sofreu com maus tratos e golpes financeiros por parte seus cuidadores, a prefeitura pretende construir um equipamento de prevenção à violência contra a pessoa idosa, com atividades de lazer e saúde.</p>



<p>No entanto, as obras ainda não haviam sido iniciadas e o local estava sem qualquer manutenção quando as mulheres do Olga Benário o ocuparam, reivindicando uma nova função social para o endereço. Agora, a PCR quer retirar as ocupantes do prédio, argumentando que o processo de vistoria para execução do projeto será iniciado.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mulheres-ocupam-casa-para-criar-centro-de-acolhimento-para-mulheres-vitimas-de-violencia-no-recife/" class="titulo">Mulheres ocupam casa para criar centro de acolhimento para mulheres vítimas de violência no Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Reunião sem diálogo</strong></h2>



<p>O Movimento Olga Benário atua no Brasil há dez anos e já foi responsável pela formação de casas de acolhimento para vítimas de violência em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, entre outras cidades. De acordo com Guita Marli, da coordenação nacional do Movimento de Mulheres Olga Benário, a ocupação Soledad Barret é a primeira do grupo em Pernambuco e surgiu devido ao aumento do número de vítimas de violência e feminicídio no estado nos últimos anos. “A gente quer trabalhar junto com a rede municipal porque sabemos que a demanda é muito grande, são muitas mulheres que precisam de ajuda e nós queremos colaborar”, declarou Guita.</p>



<p>Ainda de acordo com Guita, apesar de promover reuniões com as integrantes do movimento, os representantes da Prefeitura do Recife não se mostraram dispostos a negociar e entraram com uma ação judicial de reintegração de posse para que o imóvel seja desocupado o quanto antes. “A prefeitura não ouve nossas propostas, que são dividir o casarão para acolher tanto a nossa iniciativa quanto a dos idosos, fazendo do local dois equipamentos sociais com diferentes demandas ou construir um equipamento no terreno para acolher as mulheres, é um terreno muito grande”, justificou a coordenadora.</p>



<p>A fim de tentar estabelecer um acordo entre a gestão e as mulheres do movimento, o Ministério Público de Pernambuco realizou uma reunião entre representantes das duas partes na primeira quinzena de abril. No entanto, não houve sucesso e nenhum acordo foi firmado. Agora, as ocupantes estão apreensivas com o prazo para a reintegração de posse, que vai até o dia 26 de abril.</p>



<p>“Essa ansiedade da Prefeitura de nos tirar do casarão em um período tão curto dificulta o nosso trabalho. Nós acolhemos e atendemos mulheres vítimas de violência, muitas mulheres estão abrigadas no casarão e essa situação as coloca em risco. Nós gostaríamos que a Prefeitura nos cedesse um imóvel para que possamos sair para um lugar seguro e continuar o nosso trabalho, mas não podemos sair sem ter para onde ir”, declarou Guita Marli.</p>



<p>“Nós não queremos dar nenhum ônus à prefeitura, se eles nos cederem um espaço, nos responsabilizamos em pagar as contas de água, luz, e também já temos voluntários e voluntárias para trabalhar conosco, advogadas, assistentes sociais, psicólogas. Nós já temos uma força de trabalho, só queremos um lugar para continuar as atividades”, completou a coordenadora do Movimento Olga Benário.Segundo a coordenadora do movimento, atualmente o Centro de Referência Soledad Barret estaria abrigando dez mulheres vítimas de violência, além de promover atividades como saraus, reuniões e encontros. A organização sobrevive através de doações e trabalho voluntário.</p>



<p>A Prefeitura do Recife dispõe do Centro de Referência Clarice Lispector, que acolhe e orienta mulheres em situação de violência. Em 2021, o centro ganhou uma nova sede, que está localizada na Rua Doutor Silva Ferreira, 122, no bairro de Santo Amaro, área central da cidade, e passou a oferecer atendimento presencial durante 24 horas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>PCR explica decisão</strong></h2>



<p>Em nota enviada à Marco Zero Conteúdo, a Prefeitura do Recife afirmou estar aberta ao diálogo com as integrantes da ocupação e demonstrou apoio à luta das mulheres do Movimento Olga Benário, mas enfatizou a importância da desocupação imediata do imóvel.</p>



<p>A gestão municipal alegou ainda que disponibilizou transporte para levar as mulheres para um local seguro indicado pelo movimento, porém, representantes do Olga Benário, afirmam que a proposta da PCR pode conduzir mulheres vítimas de violência de volta a locais onde correm risco de vida para elas.</p>



<p>Leia na íntegra a nota enviada pela PCR:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>A Prefeitura do Recife esclarece que, desde o mês de março deste ano, vem mantendo o diálogo aberto o Movimento de Mulheres Olga Benário (MMOB), no sentido de sensibilizar o grupo e desocupar imóvel situado na Avenida Conselheiro Rosa e Silva, no bairro dos Aflitos, doado ao município. Representantes das secretarias de Governo e Participação Social (SEGOV), de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Política sobre Drogas (SDSDHJPD) e da Mulher reuniram-se diversas vezes com lideranças do MMOB, onde foi apresentado o projeto de construção de um complexo de convivência, lazer e moradia para a pessoa idosa no local, equipamento destinado à prevenção da violência contra a pessoa idosa, com atividades de cidadania, cultura e lazer. A iniciativa foi pactuada com diversos segmentos da sociedade civil e que tem o aval do Conselho Municipal da Pessoa Idosa.</p>



<p>Desde o início dos diálogos, a gestão municipal vem reiterando que a desocupação do terreno é crucial para que sejam feitos os levantamentos técnicos do terreno para estruturação do projeto-executivo e posteriormente assinatura da ordem de serviço. Além disso, a edificação é, desde 1997, classificada como Imóvel Especial de Preservação (IEP). A medida visa preservar as características físicas do imóvel e o que ele representa na história da cidade.</p>



<p>Sensibilizada com a luta do movimento, a Prefeitura do Recife desde o início disponibilizou transporte para levar as ocupantes do imóvel para um endereço indicado pelo MMOB, além de garantir a segurança alimentar, inclusão no cadastro social e demais programas sociais ofertados pelo município, com o foco na assistência social, acolhimento e combate à violência doméstica e empregabilidade das mulheres vítimas de violência. Contudo, até o momento a gestão municipal não recebeu sinalização positiva a respeito dos pleitos apresentados.</p>



<p>Por fim, a Prefeitura externou apoio à luta do movimento e propôs a união de esforços na busca por fortalecer uma rede de apoio na cidade, visando atender mulheres vítimas de violência.</p>
</blockquote>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
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</blockquote>
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		<title>Organizações ocupam prédio público abandonado na zona sul do Recife e reivindicam centro cultural</title>
		<link>https://marcozero.org/organizacoes-ocupam-predio-publico-abandonado-na-zona-sul-do-recife-e-reivindicam-centro-cultural/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 17:23:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[especulação imobiliária]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação]]></category>
		<category><![CDATA[pina]]></category>
		<category><![CDATA[ZEIS]]></category>
		<category><![CDATA[Zona Sul]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Organizações sociais ocuparam, neste domingo, 30 de janeiro, o antigo prédio do Centro Social Urbano (CSU), no Pina, zona sul do Recife. O imóvel antigamente era usado como local de serviços à população, um espaço de convivência comunitária, com eventos socioculturais, quadra, palco e várias salas. Porém, estava abandonado, tomado por mato e lixo, e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Organizações sociais ocuparam, neste domingo, 30 de janeiro, o antigo prédio do Centro Social Urbano (CSU), no Pina, zona sul do Recife. O imóvel antigamente era usado como local de serviços à população, um espaço de convivência comunitária, com eventos socioculturais, quadra, palco e várias salas. Porém, estava abandonado, tomado por mato e lixo, e sem uso há mais de uma década, num dos bairros com o metro quadrado mais caro da capital e sob forte especulação imobiliária.</p>



<p>O grupo quer a retomada da função social do imóvel com a criação do Centro Cultural do Bode, no terreno que tem aproximadamente 2,2 mil m², dos quais aproximadamente de mil de área construída. Quem assina a ocupação são os coletivos <a href="https://marcozero.org/corpxs-em-alvo-festival-na-comunidade-do-bode-promove-politica-com-tintas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pão e Tinta</a>, Novo Pina, Cabras e Palaffit Aceleradora Social, além do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da Livroteca Brincante do Pina, com apoio da Comissão de Advocacia Popular da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE).</p>



<p>A ocupação pacífica, na Rua Barreiro, começou os trabalhos com a limpeza e capinação do espaço e seguiu com atividades culturais e artísticas, com mutirão de <a href="https://marcozero.org/grafiteiros-se-arriscam-para-pintar-encostas-dos-morros-do-recife-sem-equipamentos-de-protecao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">grafitti</a>, com comida e organização da dormida no local. Segundo a advogada Jéssica Jansen, a polícia chegou no início da tarde de domingo, 30, e, após uma tensão inicial, o diálogo foi estabelecido assegurando a permanência e segurança da ocupação, além das tratativas com o Governo de Pernambuco ao longo desta semana.</p>





<p>A <strong>Marco Zero</strong> entrou em contato com a Casa Civil, na manhã desta segunda-feira, 31, e aguarda retorno. A reportagem perguntou como se dará o diálogo com os movimentos ao longo desta semana; se existe a possibilidade de ser criado um centro cultural; por que o prédio estava sem uso há tantos anos; e se a população local teve alguma contrapartida, quando o imóvel foi alvo de um processo de dação em pagamento (entenda mais abaixo).</p>



<p><em>Atualização</em></p>



<p>Confira a íntegra nota enviada, na noite desta segunda, 30, pela Casa Civil: </p>



<p>O Governo do Estado esclarece que o imóvel localizado na Rua Barreiros, nº 100, no bairro do Pina, no Recife, não pertence ao acervo do Estado de Pernambuco desde 2019. Ele foi objeto de dação como pagamento de parcela da indenização pela desapropriação de um imóvel particular no bairro da Várzea, denominado “Comunidade de 21 de abril”. O objetivo da ação foi evitar o despejo de famílias que ocupavam esse segundo imóvel.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Prédio foi alvo de transação imobiliária</strong></h2>



<p>O imóvel do antigo CSU foi alvo de uma transação imobiliária conhecida como “dação em pagamento”. Em resumo, o prédio foi repassado para uma empresa em resposta a um processo de desapropriação de um terreno que nunca andou. Esse terreno ficava na Várzea, na zona oeste, e foi ocupado por famílias no início dos anos 2000, com a criação da Comunidade 21 de Abril.</p>



<p>Como forma de indenizar os donos desse terreno na Várzea, o Estado de Pernambuco deu, como parcela de indenização e com imissão de posse datada de 2019, o prédio do CSU, já ocioso na época, e também um imóvel do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE), no bairro do Rosarinho, na zona norte.</p>



<p>Houve uma queixa ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) alegando que esse trâmite imobiliário teria sido feito de forma irregular, do ponto de vista jurídico, e usando um bem do povo. Mas o MPPE, após ouvir as partes, concluiu que tudo ocorreu dentro da legalidade e que a legislação permitiu a dação do imóvel. Assim, o procedimento investigatório foi arquivado.</p>



<p>Ainda que haja o argumento da legalidade por parte do governo, o artista e acelerador social do Bode, Pedro Stilo, do Coletivo Pão de Tinta, avalia que não houve qualquer contrapartida à população na época nem nos últimos anos. O imóvel ficou totalmente abandonado, sem função, enquanto a população local acompanha o crescimento do mercado imobiliário, a valorização crescente dos imóveis na região e a contraditória falta de assistência ao cidadão.</p>



<p>Além disso, Stilo lembra que o traçado do mais recente Plano Diretor do Recife deixou a área do CSU de fora da Zona Especial de Interesse Social (Zeis), como mostra a imagem abaixo. O desenho rodeia justamente a quadra onde está o imóvel.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>A ocupação solicita doação de alimentos, água, máscara, colchonete, materiais de construção para a reforma do prédio e <a href="https://www.instagram.com/coletivopaoetinta/">diversos outros itens</a> necessários à manutenção da ocupação com segurança. As doações também podem ser feitas através do Pix <a href="mailto:paoetinta@gmail.com">paoetinta@gmail.com</a> (qualquer valor). A organização está articulando uma agenda de atividades socioculturais para os próximos dias.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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		<title>Famílias sem-teto ocupam prédio dos Correios no Recife Antigo fechado no início da pandemia</title>
		<link>https://marcozero.org/familias-sem-teto-ocupam-predio-dos-correios-no-recife-antigo-fechado-no-inicio-da-pandemia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Sep 2021 18:16:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[direito à moradia]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação]]></category>
		<category><![CDATA[sem-teto]]></category>
		<category><![CDATA[sete de setembro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cerca de 150 famílias ocuparam neste Sete de Setembro o prédio do Centro Cultural Correios, localizado na esquina da avenida Marquês de Olinda com a rua Madre de Deus, no Recife Antigo. As famílias fazem parte do recém-criado movimento Frente Popular por Moradia no Centro e chegaram ao local às 13h, logo após o fim [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Cerca de 150 famílias ocuparam neste Sete de Setembro o prédio do Centro Cultural Correios, localizado na esquina da avenida Marquês de Olinda com a rua Madre de Deus, no Recife Antigo. As famílias fazem parte do recém-criado movimento Frente Popular por Moradia no Centro e chegaram ao local às 13h, logo após o fim da manifestação do Grito dos Excluídos e Excluídas.<br><br>O prédio, que pertence aos Correios, estava desativado desde o início da pandemia, em março de 2020, quando as atividades no local foram suspensas. No ano passado, a empresa pública divulgou que o prédio iria a leilão. De acordo com as líderes do movimento, as famílias são oriundas de diversos lugares do Recife, como Mustardinha, Mangueira, Afogados e Caranguejo Tabaiares.<br><br>A ocupação estava sendo articulada há dois meses. &#8220;Decidimos que o dia Sete de Setembro seria o dia marcado para se ocupar&#8221;, conta uma das líderes, Thaís Maria, de 21 anos. A ideia é pressionar o poder público por uma moradia digna também no Centro do Recife. &#8220;Não é só o Porto Digital, nem os ricos que podem morar no centro. Os pobres e os trabalhadores também têm direito de morar no centro da cidade&#8221;, afirma Thaís.<br><br>Outra líder do movimento, Bruna de Oliveira, de 28 anos, frisa que a maioria das pessoas na ocupação são mulheres e crianças. &#8220;Viemos para essa ocupação porque a gente viu que as famílias não conseguiam mais pagar um aluguel na pandemia. A gente decidiu ocupar esse prédio, porque vai ser leiloado&#8221;, diz.<br><br>Citando um levantamento da organização não-governamental Habitat Brasil, Bruna lembrou que somente no bairro de Santo Antônio ha 42 prédios desocupados ou abandonados. &#8220;E quando a gente viu outros movimentos ocupando prédios, a gente decidiu ocupar também. Criamos esse movimento há dois meses e para mostrar também que não é só homem, que as mulheres podem lutar pela moradia. As mulheres estão de frente nessa ocupação. Estamos com força e garra que vamos resistir e vamos morar no centro&#8221;, afirmou, reiterando que a ideia das famílias é conseguir uma habitação no próprio centro do Recife.<br><br>Logo após a entrada das famílias, policiais militares do 16º batalhão foram até o local e ameaçaram chamar o Batalhão de Choque para acabar com a ocupação. O advogado popular Antônio Celestino, da Comissão de Advocacia Popular da OAB-PE, acompanhava o Grito dos Excluídos e Excluídas e foi até o local intermediar a conversa com a PM. &#8220;Conversamos com os policiais e explicamos que se eles entrassem iria ser um desastre. Tem muita criança e mulheres, é um perfil diferente. Também estão contra a privatização dos Correios&#8221;, disse o advogado.<br><br>O nome da Ocupação é Custódio Pereira, em referência a um representante da luta por moradia em Pernambuco, que faleceu há um ano.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/grito-dos-excluidos-e-excluidas-tomou-as-ruas-do-recife-em-defesa-da-democracia/" class="titulo">Grito dos Excluídos e Excluídas tomou as ruas do Recife em defesa da democracia</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Moradia digna no centro</h2>



<p>O vereador Ivan Moraes (Psol) foi até o local prestar apoio às famílias. &#8220;. &#8220;Estamos em uma cidade em que mais de 60 mil famílias não têm onde morar com dignidade. Tem muita gente ameaçada de despejo em plena pandemia. É muito relevante que haja pessoas dispostas a realizar atos diretos de ocupação de espaços&#8221;, disse.<br><br><a href="https://marcozero.org/dividas-de-r-346-milhoes-de-iptu-expoem-abandono-e-cobica-no-centro-do-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O vereador citou a matéria da Marco Zero que mostra as dívidas de IPTU de prédios no centro </a>para cobrar políticas públicas do governo do estado e da prefeitura. &#8220;Precisamos de políticas de moradia, os programas estão parados. A prefeitura e o estado não caminham na pauta de habitação. Nosso objetivo é que essas famílias só saiam daqui para morar com dignidade&#8221;, disse.<br><br>A também vereadora Dani Portela (Psol) ), que integra uma frente parlamentar em defesa do centro do Recife, também está acompanhando a ocupação. Ela criticou a condução das políticas urbanas no centro da capital. &#8220;As revitalizações que ocorreram nos anos 2000 foram em uma perspectiva higienista. Então revitalização era pintar fachada, trazer empreendedores, mas não pensar numa revitalização que traz vida, com pessoas circulando. É uma luta muito justa a pela moradia no centro. As desigualdades sociais fizeram com que o racismo, que é ambiental também, expulsasse as pessoas mais pobres, em maioria negra, para as periferias, para os lugares mais distantes. E são as pessoas que mais precisam se deslocar para ir trabalhar. É uma luta pautada por moradia justa no centro da cidade, principalmente nesse momento em que a miséria e o desemprego estão aumentando&#8221;, afirmou.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-dividas-milionarias-de-iptu-terreno-no-bairro-de-setubal-e-ocupado-por-200-familias-do-mtst/" class="titulo">Com dívidas milionárias de IPTU, terreno no bairro de Setúbal é ocupado por 200 famílias do MTST</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">A privatização dos Correios</h2>



<p>O comunicador popular e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), <a href="https://www.youtube.com/c/JonesManoel">Jones Manoel</a>, contextualizou a escolha do prédio dos Correios para a ocupação. &#8220;Primeiro e mais importante, é para denunciar a falta de política de moradia popular. O Brasil tem um déficit de moradia de mais de três milhões de famílias e crescendo. O próprio processo de geração de dados sobre moradia popular vem sendo atacado por Bolsonaro, frente ao desmonte do IBGE e a sabotagem dos processos de pesquisa do órgão. Então até os números não são algo tão certo&#8221;, disse.<br><br>Jones Manoel também criticou a falta de políticas públicas na área de habitação. &#8220;Aqui em Pernambuco a gente tem um governo estadual que se diz progressista, de Paulo Câmara, mas não tem nenhum programa de moradia popular. Quase oito anos de governo e não tem números para mostrar na habitação. Recife, governada também pelo PSB, agora com João Campos, é a capital brasileira com a maior desigualdade. Recife que já foi marcada por uma forte política de moradia popular, agora está abandonada&#8221;, afirmou.<br><br>Ele também lembrou que os Correios já foram considerados a melhor empresa do ramo no mundo. &#8220;É uma empresa lucrativa, que cobre todo o território nacional. Em muitas cidades pequenas os correios são o único lugar para pagamentos, porque não tem banco ou casa lotérica&#8221;, ponderou.<br><br>A privatização dos Correios foi aprovada no dia cinco de agosto na Câmara dos Deputados. Agora, segue no Senado. Os Correios são a estatal que mais emprega no Brasil, com 98 mil empregos diretos e indiretos. No ano passado, a empresa teve um lucro de R$ 1,3 bilhão.<br><br>&#8220;O Governo Bolsonaro está privatizando os Correios por um valor irrisório. E já fala em criar uma empresa para atender as cidades pequenas e médias, que não dão lucro. Ou seja, vai pegar o filé mignon, o serviço de entrega em cidades grandes, e entregar para uma empresa privada, enquanto nos interiores Brasil afora fica uma empresa pública levando prejuízo. Lucro, privado. Prejuízo, público. Isso vai piorar muito as condições de vida e os serviços em todo o Brasil. Estamos contra a privatização. Esse ato aqui é também contra a destruição dos Correios. É um patrimônio público fundamental e não vamos abandoná-lo&#8221;, afirmou Jones Manoel.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero</strong></em></p><p><em>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</em></p><p><em>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</em></p><p><em>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</em></p><p><em>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</em></p><p><em>É hora de assinar a Marco Zero</em></p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Clique aqui para doar</strong></a></p></blockquote>
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			</item>
		<item>
		<title>Ele também perdeu o olho numa ação da PM pernambucana: &#8220;Única indenização foi ir para a prisão&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/ele-tambem-perdeu-o-olho-numa-acao-da-pm-pernambucana-unica-indenizacao-foi-ir-para-a-prisao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 May 2021 21:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação]]></category>
		<category><![CDATA[policia militar]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=38035</guid>

					<description><![CDATA[<p>Quando viu que dois homens, trabalhadores como ele, podem perder a visão de um olho por conta de tiros de bala de borracha da Polícia Militar, Marcelo Gerson de Paula soube exatamente a dor que eles estão passando. Em 2005, Marcelo foi alvejado no olho direito por um tiro de borracha do Batalhão de Choque [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando viu que dois homens, trabalhadores como ele, podem perder a visão de um olho por conta de tiros de bala de borracha da Polícia Militar, Marcelo Gerson de Paula soube exatamente a dor que eles estão passando. Em 2005, Marcelo foi alvejado no olho direito por um tiro de borracha do Batalhão de Choque da Polícia Militar durante a violenta desocupação de um casarão na Rua Velha, no centro do Recife. Ele perdeu todo o globo ocular. Nunca recebeu um centavo de indenização por parte do Governo de Pernambuco. &#8220;A única indenização que eu recebi foi ir para a prisão&#8221;, diz Marcelo, que, em um desenrolar absurdo dos fatos, foi preso 14 anos depois da desocupação e passou nove meses detido em regime fechado.</p>



<p>A desocupação que gerou a série de violências de Estado contra Marcelo Gerson aconteceu no dia 23 de agosto de 2005 &#8211; na época, o governador era o hoje senador Jarbas Vasconcelos. Marcelo era um dos líderes do Movimento de Luta e Resistência Popular e ocupava com 30 famílias o casarão de número 201 da Rua Velha. Na manhã daquele dia, ele e outros integrantes do movimento estavam indo para uma audiência na Câmara dos Vereadores quando dois oficiais de Justiça chegaram ao local com uma viatura da polícia.</p>



<p>Surpreendidas, já que estavam em negociação com a prefeitura do Recife e o Ministério Público de Pernambuco para ficar definitivamente no prédio, as famílias se recusaram a sair. Não houve negociação com os moradores.</p>



<p>O Batalhão de Choque da Polícia Militar, à época comandado pelo tenente coronel Luiz Meira, foi acionado e em pouco tempo o local se transformou em um campo de batalha. &#8220;O coronel Meira disse que ia nos torar. Quando eles deram o primeiro tiro, revidamos&#8221;, lembra Marcelo. Os moradores jogaram pedras, bolinhas de gude e coquetéis molotov, que acabaram não pegando fogo. Um pneu incendiado também foi jogado pelos moradores, para bloquear a entrada do casarão.</p>



<p>Não adiantou. O Batalhão de Choque entrou em uma casa vizinha e, de lá, jogou bombas de gás e de efeito moral nos moradores. O prédio pegou fogo. E foi aí que os policiais se aproximaram mais e começaram a atirar indiscriminadamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Olho ficou pendurado</h2>



<p>Foi no meio da escuridão e da fumaça que Marcelo Gerson sentiu o impacto. O tiro veio do lado esquerdo e primeiro a bala bateu no nariz dele, deixando um buraco, antes de atingir o olho direito. &#8220;Eu pensei que ia morrer. Não conseguia ver nada, estava tudo turvo. Um colega chegou perto e disse que meu olho tinha saído para fora. Ficou pendurado&#8221;, lembra.</p>



<p>Neste momento, em meio ao incêndio, moradores, incluindo crianças, começaram a sair do casarão. &#8220;Quem tirou as famílias de lá fomos nós mesmos, ninguém ajudou&#8221;, recorda. Ele foi levado sob custódia policial para o Hospital da Restauração. &#8220;Os policiais não queriam que eu fosse atendido. Me colocaram em um local afastado, sem atendimento&#8221;, diz. Só depois que militantes do Movimento Negro Unificado (MNU) e de movimentos dos sem teto chegaram ao hospital é que Marcelo foi, enfim, atendido. &#8220;Se não tivesse chegado ninguém, eu teria sido deixado lá para morrer&#8221;.</p>



<p>Ele passou 17 dias internado no HR, sob escolta. Foi liberado pela polícia, mas, assim como aconteceu com quatro pessoas detidas no sábado após a manifestação no centro do Recife, passou a responder a um inquérito policial. Catorze anos depois, em março de 2019, ele  voltou a ser preso.</p>



<p>O policial que efetuou o disparo não foi identificado. A violência policial teve grande repercussão, inclusive nacional. Mas Meira, que meses antes já havia agredido em outra desocupação o então deputado estadual Roberto Leandro, à época presidente da Comissão de Cidadania da Assembleia Legislativa de Pernambuco, só seria temporariamente afastado do Batalhão de Choque após a repressão violenta aos protestos estudantis daquele ano. Mas logo foi promovido, já na gestão Eduardo Campos em 2007, a diretor-geral de operações da PM.</p>



<p>Desde novembro do ano passado, Luiz Meira, aposentado da PM, é presidente do PTB em Pernambuco, partido de apoio ao governo Bolsonaro. Também foi líder em Pernambuco do Aliança pelo Brasil, partido que Jair Bolsonaro tentou fundar.</p>



<p>Já para as 30 famílias que ocupavam o casarão, pouca coisa mudou. Ao longo dos anos, foram inúmeras as promessas de um lar. Até hoje, 18 famílias, incluindo Marcelo Gerson, seguem recebendo o auxílio moradia da Prefeitura do Recife, no valor de R$ 200 mensais.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Balas de borracha</strong></p><p>Há pelo menos 75 tipos de projéteis menos letais que são usualmente chamados de &#8220;balas de borracha&#8221;. É uma invenção oriental, amplamente usada em manifestações em Singapura e Hong Kong, nos anos 1960. O primeiro país do ocidente a usar o equipamento foi a Grã-Bretanha nos anos 1970, substituindo a madeira dos projéteis por borracha.</p><p>Logo depois, Israel e Estados Unidos desenvolveram também seus próprios projéteis. Mesmo com menor potencial letal, as balas de borracha podem matar. Em 2017, a revista científica BMJ Open analisou 1.984 casos e descobriu que 53 morreram em consequência dos tiros de borracha. Ou seja, um a cada 37 feridos faleceu.</p><p>Em 2019, o Chile viveu uma grande discussão sobre balas de borracha após 200 pessoas terem perdido a visão após serem alvejadas em protestos. O Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade do Chile analisou as balas usadas e viu que apenas 20% do material era borracha. Havia também metais, como chumbo. Desde então, a polícia chilena diz não usar mais esses projéteis.</p><p>No Brasil, está em tramitação desde 2015 um projeto de lei do deputado federal Leopoldo Meyer (PSB/PR) para restringir o uso de balas de borracha, ou de elastômero, nome técnico do material. O PL estabelece que munição de borracha só poderá ser disparada após se esgotarem todos os demais recursos. E que somente agentes com treinamento específico poderão manusear as armas, assim como todo uso deve ser acompanhado de um relatório detalhando as circunstâncias da decisão. O projeto já foi aprovado nas comissões e aguarda desde 2017 votação no plenário. <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/124292" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Na enquete do site do Senado</a>, a maioria dos votos é contrário ao projeto.</p></blockquote>



<h3 class="wp-block-heading">Prisão após 14 anos</h3>



<p>Após perder um olho, Marcelo Gerson recebeu a opção de uma prótese ocular, mas ele recusou. Hipertenso, não quis passar pela cirurgia, que era apenas estética. &#8220;Não ia fazer diferença na minha vida, não ia trazer minha visão de volta&#8221;, conta.</p>



<p>Trabalhar como vigilante, o seu emprego antes da violência, ficou difícil. &#8220;Fiquei desempregado, aleijado. Fui tentar me aposentar por invalidez e disseram no INSS: &#8216;você tem um olho, pode trabalhar'&#8221;, lembra. Morando na praia de Gaibú, no Cabo de Santo Agostinho, ficou vivendo de bicos, fazendo segurança de quiosques e serviços como eletricista.</p>



<p>Ao chegar em casa depois de um dia de trabalho na praia, em 14 de março de 2019, dois policiais da Delegacia de Capturas o esperavam. O processo lá de trás havia corrido à revelia, sem o conhecimento ou participação de Marcelo. &#8220;Cheguei a ir em uma audiência, mas depois não recebi mais nada. Pensei que havia prescrito. Disseram que não me encontraram, mas como não? Eu trabalhei inclusive em emprego público, como coordenador de política de igualdade racial na prefeitura de Jaboatão dos Guararapes. Viajei nesse período duas vezes para Brasília. E nunca recebi nada&#8221;, reclama.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/ativista-e-preso-14-anos-apos-perder-um-olho-por-bala-de-borracha-do-batalhao-de-choque/" class="titulo">Ativista é preso 14 anos após perder um olho por bala de borracha do Batalhão de Choque</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/violencia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Violência</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Na delegacia, Marcelo Gerson ligou para o advogado Cláudio Carraly, com quem havia trabalhado na Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes. Foi então que o Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) entrou na defesa de Marcelo. Mas, àquela altura, não havia muito o que ser feito juridicamente para livrá-lo da prisão. Ele já havia sido condenado na segunda instância.</p>



<p>Marcelo então viveu o terror de mais um violência do Estado. Passou quatro meses no Cotel e depois mais cinco meses na Penitenciária Agro Industrial São João (PAISJ), em regime fechado. &#8220;Foi aterrorizante. Colocar uma pessoa que nunca foi presa, junto de estupradores, assassinos, traficantes. Eu só estava lutando pelo artigo sexto da Constituição Brasileiro, o direito à moradia&#8221;, diz.</p>



<p>Ao sair para o regime aberto, as dificuldades continuaram. Marcelo Gerson não conseguiu, por exemplo, solicitar o auxílio emergencial. &#8220;O meu CPF está inutilizado, só vai ser liberado quando eu cumprir a pena;. Também não posso votar. Você luta pelos direitos humanos mas o Estado não permite. Diz que você é um vândalo. No código penal, peguei o crime de balbúrdia. Fui marginalizado&#8221;, lamenta.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Sem indenização</h4>



<p>Marcelo Gerson não abriu processo contra o Governo do Estado. Mas ainda não descarta a possibilidade. &#8220;Tenho vontade de processar o Estado. Mas demora anos e anos e anos. Você morre e não vê o dinheiro. Estou tentando viver a vida do jeito que Deus permitiu&#8221;, diz.</p>



<p>Indignado com o que aconteceu na manifestação de sábado, Marcelo Gerson lamenta que a polícia militar continue tão truculenta como antes. &#8220;Que policia cidadã é essa? É para prender bandido ou bater nas pessoas que se manifestam?&#8221;, questiona.</p>



<p>Para Jonas Correia e Daniel Campelo da Silva, os dois trabalhadores atingidos sábado por balas de borracha da PM, Marcelo Gerson deixa um recado. &#8220;Espero que ele lutem, que não desistam. É sim difícil demais processar o estado porque mesmo perdendo , ele tem recursos para continuar recorrendo. E nem todos os advogados vão até o fim, até as últimas instâncias. O que aconteceu com eles foi uma injustiça. E eu acredito que toda injustiça deve ser ser punida&#8221;, diz o ativista.</p>



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		<title>MTST ocupa terreno da prefeitura, na Torre, para criar cozinha solidária</title>
		<link>https://marcozero.org/mtst-ocupa-terreno-da-prefeitura-na-torre-para-criar-cozinha-solidaria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 May 2021 17:10:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[cozinha solidária]]></category>
		<category><![CDATA[moradia]]></category>
		<category><![CDATA[MTST]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação]]></category>
		<category><![CDATA[Vila Santa Luzia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na noite dessa segunda-feira, dia 17 de maio, 15 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) ocuparam o antigo Núcleo de Triagem de Recicláveis, localizado na Vila Santa Luzia, no bairro da Torre, Zona Oeste do Recife. O objetivo da ocupação é a construção de uma cozinha solidária capaz de ofertar 150 refeições [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na noite dessa segunda-feira, dia 17 de maio, 15 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) ocuparam o antigo Núcleo de Triagem de Recicláveis, localizado na Vila Santa Luzia, no bairro da Torre, Zona Oeste do Recife. O objetivo da ocupação é a construção de uma cozinha solidária capaz de ofertar 150 refeições diárias aos moradores da área em situação de vulnerabilidade social.</p>



<p>De acordo com Rud Rafael, da coordenação nacional do MTST, o imóvel pertencente à Prefeitura do Recife está em desuso há mais de dz anos e, por isso, o movimento tomou a iniciativa para devolver a função social do equipamento à população. “A nossa demanda é a instalação da cozinha solidária do MTST na comunidade de Santa Luzia, afinal o local já não funciona mais como centro de triagem. Estamos aguardando a resposta da Prefeitura para uma negociação”, afirmou o coordenador.</p>



<p>O projeto Cozinhas Solidárias tem o objetivo de oferecer pelo menos uma refeição por dia para os moradores das ocupações do movimento e outras famílias  que vivem em situação de vulnerabilidade social nos grandes centros urbanos. O também projeto promove cultivo de hortas urbanas comunitárias para abastecer as próprias cozinhas solidárias e garantir legumes e verduras saudáveis à comunidade do entorno. No imóvel ocupado desde a madrugada de segunda-feira, o movimento está instalando a nona Cozinha Solidária do MTST em todo país.</p>



<p>A inauguração oficial da Cozinha Solidária da Vila Santa Luzia está prevista para acontecer no dia 20 de maio, mas ainda há risco da ocupação ser interrompida pelas autoridades da Prefeitura do Recife.</p>



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	                                        <p class="m-0">Na manhã de terça-feira, a PM ameaçou usar a força para desocupar o imóvel. Crédito: MTST</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>De acordo com Rud Rafael, na manhã desta terça-feira, 18 de maio, integrantes de cinco viaturas policiais estiveram no local exigindo que o terreno fosse esvaziado e ameaçaram o uso de força caso os integrantes do movimento não colaborassem. Porém, a articulação do MTST, com o apoio dos parlamentares do PSOL, conseguiu manter a ocupação e logo técnicos da prefeitura chegaram ao local e ajudaram a desmobilizar a operação policial. Aproximadamente 60 pessoas continuam no local e a cozinha começou a funcionar, entregando as primeiras 150 refeições aos moradores das comunidades próximas. <a href="https://www.instagram.com/p/CPA_czmhdB7/?utm_medium=copy_link">Logo a notícia de distribuição das quentinhas se espalhou pela Vila Santa Luzia</a> e atraiu os moradores. </p>



<p>Lideranças do movimento se reuniram com representantes da Prefeitura do Recife para negociar a ocupação do imóvel. A gestão alegou que está em contato com as secretarias responsáveis pela administração do local e solicitou que a área fosse desocupada até o fechamento das negociações. O MTST se recusa a sair do local antes de ter ao menos um gesto ou resposta que comprove o interesse da PCR em fechar um acordo.</p>



<p>Leia a íntegra da nota enviada pela equipe da Prefeitura do Recife: </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Governo e Participação Social, informa que esteve reunida, na manhã desta terça-feira (18), com os manifestantes que ocuparam um imóvel situado na Rua Eliéser Olímpio de Moura, no bairro da Torre. Contudo, durante as conversas, o movimento não apresentou reivindicações à gestão municipal. O governo municipal destaca que o referido imóvel pertence ao município e serviu de espaço para a realização de projetos sociais e cursos de qualificação profissional ao longo dos últimos anos. Entretanto, devido à pandemia do novo coronavírus, as atividades foram suspensas temporariamente, por gerar aglomerações de pessoas e a necessidade de respeitar os protocolos sanitários.</p></blockquote>



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<p></p>
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		<title>Moradores deixam Ocupação Marielle Franco, no Centro do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/moradores-deixam-ocupacao-marielle-franco-no-centro-do-recife/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Apr 2019 00:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[centro]]></category>
		<category><![CDATA[iptu]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<category><![CDATA[MTST]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com Maria Carolina Santos A Ocupação Marielle Franco, no Centro Recife, foi um marco na luta pela moradia popular no centro da cidade. Foi também simbólica na participação feminina à frente dos movimentos sociais e ajudou a mudar a percepção de grupos mais sensíveis da sociedade civil e de parte da mídia tradicional, sobre as ocupações [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Com Maria Carolina Santos

A Ocupação Marielle Franco, no Centro Recife, foi um marco na luta pela moradia popular no centro da cidade. Foi também simbólica na participação feminina à frente dos movimentos sociais e ajudou a mudar a percepção de grupos mais sensíveis da sociedade civil e de parte da mídia tradicional, sobre as ocupações populares (que já foram por muito tempo tratadas como invasões) e sobre as razões pelas quais famílias inteiras decidem enfrentar riscos como a ameaça das desocupações violentas e reações negativas de outros grupos sociais ao ato de &#8220;violar a propriedade privada&#8221;, mesmo em nome da justiça social.

Neste sábado (6), depois de 382 dias, ela chegou ao fim. Mas não foi por ordem judicial, pelo enfraquecimento da articulação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que coordenou a ocupação, ou por desistência por parte das mulheres que comandaram todo o processo. O imóvel, localizado no  número 91 da Praça da Independência, bem no Centro do Recife, abandonado há dez anos, deixou de oferecer condições dignas e seguras às famílias que resistiram no local por mais de um ano. &#8220;É muita tristeza, mas não perdemos a luta&#8221;, assegura Edilene Correia, de 45 anos, na ocupação desde o início.

<div id="attachment_14862" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_Branca_.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14862" class="wp-image-14862 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_Branca_.jpg" alt="Edilene fixou na sua porta a placa de Marielle Franco. Ao lado, o caminhão com sua mudança pronto para seguir. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="530" /></a><p id="caption-attachment-14862" class="wp-caption-text">Edilene fixou na sua porta cartaz de Marielle Franco. Ao lado, o caminhão com sua mudança pronto para seguir. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Na madrugada do dia 20 de março do ano passado, cerca de 200 famílias iniciaram a ocupação do antigo Edifício SulAmérica. Liderada por Mulheres do MTST, a ocupação ganhou o nome de Marielle Franco, em homenagem à vereadora que havia sido brutalmente assassinada uma semana antes. Na assembleia realizada na noite da última sexta (5), restavam apenas 30 famílias entre os atuais moradores e, conjuntamente com a direção do MTST, elas decidiram deixar o prédio.

<div id="attachment_14858" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_escadaria_.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14858" class="wp-image-14858 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_escadaria_.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="354" /></a><p id="caption-attachment-14858" class="wp-caption-text">Móveis dos andares altos desceram amarrados em corda, enquanto os ocupantes carregavam sacolas e objetos pequenos pela escadaria. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

A decisão não foi fácil. Por um ano, essas famílias puderam morar no centro da cidade, ter acesso a serviços e espaços restritos apenas a quem tem condições financeiras de morar em bairros centrais, mas viveram parte do tempo também sem água, sem esgoto, sem energia e, principalmente, sem esperança de uma solução por parte do poder público que ignora os imóveis abandonados e deteriorados no centro da cidade, mesmo com a legislação em vigor que determina a função social da propriedade. A sociedade civil, que inicialmente se mobilizou para defender a ocupação e viabilizar doações, passada a comoção, também se afastou do problema e as doações ficaram cada vez mais escassas.
<blockquote><a href="http://marcozero.org/domingo-na-ocupacao-marielle-franco/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Domingo na Ocupação Marielle Franco</a></blockquote>
A precariedade do edifício, abandonado desde 2008, se mostrou um grave risco à integridade dos ocupantes. Os problemas do sistema de água e esgoto, por exemplo, foram se agravando, e o custo para a manutenção ficou cada vez mais alto. Parte do primeiro andar, que abrigava o mobiliário doado para a creche, estava inundado por esgoto. O sistema de bombas, instalado por iniciativa da sociedade civil e responsável por puxar água do poço para as caixas d&#8217;água, queimava periodicamente. Sem abastecimento, as famílias precisavam carregar água para os seis andares e o projeto da cozinha comunitária ficou inviável.

Dez famílias seguiram para outra ocupação do MTST, a Carolina de Jesus, no Barro, Zona Oeste do Recife. Algumas foram para casa de familiares e outras continuam a busca por moradia digna por conta própria. O mobiliário doado ficará armazenado pelo movimento para ser utilizado posteriormente na Ocupação Carolina de Jesus. O edifício foi fechado e o portão soldado após a completa desocupação, finalizada neste sábado (6), por volta das 20h, . O clima de despedida na arrumação da mudança era de tristeza, mas também de firmeza. É necessário, se posicionaram as mulheres, honrar essa trajetória que durou pouco mais de um ano e transformou a vida e a luta por moradia.

<div id="attachment_14857" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_Rejane_.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14857" class="wp-image-14857 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_Rejane_.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="1158" /></a><p id="caption-attachment-14857" class="wp-caption-text">A vista preferida de Rejane e as paredes desenhadas pela filha de 11 anos. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

&#8220;Aqui foi muito bom, mas agora é outro tempo. Estamos saindo com o coração despedaçado, mas sabendo que essa resistência mostrou a força da mulher. E é isso que o movimento representa: a luta, ensinando a gente a ser guerreira, a ter tranquilidade e a ser rude quando precisa. Eu me reconheci aqui, aos 45 anos de idade, e estou saindo de cabeça erguida&#8221;, diz Rejane Oliveira, esperando em meio aos sacos já fechados para descer com a mudança.

Em nota, o MTST enumera as dificuldades encontradas para a manutenção do prédio: &#8220;Dar vida a um patrimônio abandonado há tanto tempo tem seu preço. Nesse período, para manter a ocupação foram necessárias várias ações de reforma e manutenção no prédio, desde o conserto recorrente das bombas d’água, instalação de caixas d’água e um sistema de encanação por andar, reparos elétricos, recuperação da encanação dos banheiros, etc. Por um lado, essas ações acabaram sendo muito custosas, por outro, é necessário desenvolver reformas que sejam de caráter definitivo, para que se garanta moradia adequada para as famílias&#8221;.
<blockquote><a href="http://marcozero.org/ocupacao-marielle-franco-completa-30-dias-de-resistencia-e-sonhos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ocupação Marielle Franco completa 30 dias de resistência e sonhos</a></blockquote>
O fim da ocupação, no entanto, não representa o fim da luta por moradia digna para os moradores, tampouco significa que o MTST abre mão do prédio – que deve quase R$ 1,5 milhão em IPTU à Prefeitura do Recife. O Movimento quer que a prefeitura cumpra o decreto municipal 31.671/2018, que prevê a desapropriação de imóveis abandonados. Uma das exigências do decreto é justamente que o imóvel não esteja ocupado.

O MTST também vai solicitar que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) acompanhe o caso, já alvo de inquérito civil com o objetivo de garantir o direito à moradia digna das famílias da Ocupação Marielle Franco.

<strong>Confira na íntegra a nota do MTST:</strong>

<em>QUE OS IMÓVEIS ABANDONADOS E DEVEDORES VIREM MORADIA E TRABALHO PRA O POVO!</em>

<em>Nota sobre a Ocupação Marielle Franco.</em>

<em>O MTST Brasil vem comunicar que, após um ano de muita luta, resistência e esperança, a Ocupação Marielle Franco seguirá a luta em outro formato.</em>

<em>Isso porque a continuidade desse processo, diante do completo descompromisso da gestão municipal em avançar num diálogo fundamental para a cidade, exige de nós bastante responsabilidade e outras garantias. Dar vida a um patrimônio abandonado há tanto tempo tem seu preço. Nesse período, para manter a ocupação foram necessárias várias ações de reforma e manutenção no prédio, desde o conserto recorrente das bombas d’água, instalação de caixas d’água e um sistema de encanação por andar, reparos elétricos, recuperação da encanação dos banheiros, etc. Por um lado, essas ações acabaram sendo muito custosas, por outro, é necessário desenvolver reformas que sejam de caráter definitivo, para que se garanta moradia adequada para as famílias.</em>

<em>Neste sentido, tomamos a iniciativa de desocupar o prédio para:</em>

<em>· Exigir da Prefeitura da Cidade do Recife o cumprimento do Decreto nº 31.671 de 2018, que prevê a desapropriação de imóveis abandonados, sendo uma de suas exigências que o imóvel não esteja ocupado;</em>

<em>· Finalizar os projetos de reforma hidráulica e elétrica, captar os recursos necessários e implementar os mesmos, sem que as famílias estejam expostas a uma situação de risco;</em>

<em>· Que os projeto de creche, cozinha produtiva para as mulheres e outras iniciativas sejam implementados para as famílias em outros locais viabilizados pelo movimento;</em>

<em>· Solicitar do Ministério Público o acompanhamento do caso, mediante Inquérito Civil já aberto com o objetivo de garantir o direito à moradia das famílias da Ocupação Marielle Franco, recomendando para isso que a Prefeitura da Cidade do Recife tome também as medidas cabíveis para que isso aconteça.</em>

<em>Agradecemos a todas e todos apoiadores que até aqui fortaleceram esse marco da resistência no Recife, afirmando que esse é mais um passo necessário para a conquista definitiva que atingiremos.</em>

<em>Fé na luta, venceremos!</em>

<em>MTST, a luta é pra valer!</em>

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