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	<title>Arquivos parque alagável - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos parque alagável - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>O que são parques alagáveis, como funcionam e por que o da Tamarineira não é um deles</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 17:34:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[parque alagável]]></category>
		<category><![CDATA[parque da tamarineira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As chuvas já começaram a dar as caras no inverno do litoral e da Região Metropolitana do Recife. E, com as mudanças climáticas, seguem fortes e difíceis de prever. Nos últimos anos, o Recife tem adotado algumas estratégias do conceito de &#8220;cidade esponja&#8221;, desenvolvido pelo arquiteto chinês Kongjian Yu – falecido no ano passado em [&#8230;]</p>
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<p>As chuvas já começaram a dar as caras no inverno do litoral e da Região Metropolitana do Recife. E, com as mudanças climáticas, seguem fortes e difíceis de prever. Nos últimos anos, o Recife tem adotado algumas estratégias do conceito de &#8220;cidade esponja&#8221;, desenvolvido pelo arquiteto chinês Kongjian Yu – falecido no ano passado em um acidente de avião no Pantanal. Uma das estratégias defendidas por Yu eram os parques alagáveis, que ficam em locais sujeitos a inundações ou alagamentos e que retardam a distribuição da água de volta para o rio ou para ruas vizinhas.</p>



<p>O Recife ocupa a 16ª posição mundial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) no ranking das cidades mais vulneráveis à mudança do clima. Ou seja, a população recifense precisa de toda ajuda possível para conviver com suas águas. Os parques alagáveis não são a solução para os alagamentos, mas fazem parte de um pensamento no urbanismo que tenta lidar com soluções desenvolvidas localmente e minimizar os impactos para os moradores.</p>



<p>Professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o arquiteto e urbanista Fabiano Diniz, explica que os parques alagáveis dialogam diretamente com uma crítica que Kongjian Yu fazia às soluções de drenagem convencionais. &#8220;Vemos os rios, as águas, sobretudo a chuva, a inundação, o alagamento, como coisas negativas, que vêm para nos maltratar. Tem pessoas que ficam com raiva da chuva, com raiva do rio, mas, na verdade, a gente ocupou o espaço do rio&#8221;, reflete Diniz, que também integra o grupo de pesquisa Recife Cidade Parque.</p>



<p>Para Yu, encanar e canalizar rios era uma solução pensada para países de clima temperado, com regimes de chuva moderados – e não para cidades tropicais como Recife, submetidas a precipitações torrenciais e concentradas. A ideia da &#8220;cidade esponja&#8221; era justamente o oposto: trabalhar com as condições naturais que existiam antes da urbanização, criando espaços que retenham, filtrem e devolvam a água lentamente ao solo e aos rios.</p>



<p>&#8220;A sacada do Kongjian Yu é pegar isso e dizer que as cidades têm que se estruturar a partir disso. Organizar as cidades a partir dessa capacidade de vários lugares cumprirem esse papel de reter as águas. Não somente de reter as águas, mas trazer o homem para perto da natureza, entrar em contato com a água, sem o medo de quem ouve a chuva cair e não consegue dormir à noite&#8221;, diz Diniz.</p>



<p>O Recife tem hoje dois parques alagáveis inaugurados: o primeiro, com aproximadamente 3,9 mil m², foi entregue em novembro de 2024 às margens do rio Tejipió, entre os bairros de Areias e Ipsep, com investimento de R$ 2,5 milhões da Autarquia de Urbanização do Recife (URB). O segundo, o Parque Alagável Campo do Barro, foi inaugurado em janeiro de 2026 no bairro do Barro, com mais de 23 mil m² e R$ 3,4 milhões do programa ProMorar, com capacidade para armazenar temporariamente cerca de 1.510 m³ de água. Um terceiro, o Parque Alagável Umuarama, também no Barro, já teve sua licitação publicada, com investimento previsto de R$ 3,8 milhões.</p>



<p>Tecnicamente, os parques alagáveis funcionam como o que os urbanistas chamam de bacias de retenção. Diferentemente das lagoas com lâmina d&#8217;água permanente – as chamadas bacias de detenção –, os parques alagáveis ficam secos na maior parte do ano e acumulam água apenas nos períodos de chuva intensa. A água retida é depois absorvida gradualmente, infiltrando no lençol freático ou sendo encaminhada por tubulações para os rios ou reservatórios.</p>



<p>A água retida também tem potencial de reuso. “Os reservatórios subterrâneos podem servir para irrigação do próprio parque em períodos de estiagem”, afirma o professor da UFPE. O Recife já possui reservatórios enterrados sob vias públicas – uma ideia que, segundo Diniz, não é nova. Ele cita que nos anos 1990 foram instaladas comportas e pequenos reservatórios ao longo do canal da avenida Agamenon Magalhães e que há reservatórios para água também na rua Cardeal Arcoverde, nas Graças.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">A opinião de quem mora perto dos parques</span>

		<p>A pedido da Marco Zero, a co-fundadora do Fórum Popular do Rio Tejipió (Forte) Géssica Dias preparou um texto sobre a opinião das pessoas que vivem perto dos dois parques alagáveis inaugurados pela prefeitura do Recife. O Forte é um coletivo que reúne mais de 10 lideranças de comunidades da bacia do Tejipió e que já realizou atividades com mais de 200 pessoas da região.</p>
<p><strong>Sobre o Parque Alagável do Ipsep:</strong> Por se tratar do primeiro parque alagável sinalizado para a bacia do rio Tejipió, gerou grande expectativa entre os moradores da localidade. No entanto, a falta de informação e de participação da comunidade durante o processo foi um ponto bastante problematizado pelo fórum e pelos próprios moradores à época.</p>
<p>Em grande medida, não se sabia como as obras seriam conduzidas nem quais seriam os resultados concretos esperados, sendo que as poucas informações disponíveis eram acessadas principalmente por meio de notícias na internet. Segundo relatos de moradores, o local onde o parque foi implantado é uma área que praticamente não alaga, enquanto as ruas do entorno continuam sofrendo com recorrentes inundações. Há também percepções de que não houve uma redução significativa dos alagamentos, mas sim uma diferença no tempo de escoamento das águas, que passou a ocorrer de forma mais rápida.</p>
<p><strong>Sobre o Parque Campo do Barro:</strong> Moradores relatam que, embora o equipamento exerça a função de represar a água em dias de chuva, seus efeitos têm beneficiado principalmente as áreas mais próximas, especialmente a comunidade do Umuarama, no Barro. Outros moradores avaliam que ainda é cedo para um parecer mais consistente, mas há percepções de que, diante das últimas chuvas, o parque não tem capacidade para suportar grandes volumes de acúmulo.</p>
<p>No que diz respeito ao processo de mobilização, moradores apontam fragilidades que comprometeram a participação nas oficinas de discussão. Muitas pessoas foram informadas em cima da hora &#8211; quando foram &#8211; o que dificultou a presença e limitou o debate sobre o projeto. Para parte da população, os equipamentos do parque só se tornaram conhecidos no momento da inauguração.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Solo, plantas e equipamentos específicos</h2>



<p>Para que um parque alagável funcione bem, o planejamento começa pelo solo. É preciso estudar a permeabilidade do terreno, a topografia, o regime de chuvas e a dinâmica hídrica do entorno. A arquiteta e urbanista Raquel Menezes, do Inovação e Pesquisa para as Cidades (Inciti), afirma que as plantas desses parques precisam ser de espécies adaptadas a ciclos alternados de encharcamento e seca.</p>



<p>&#8220;Normalmente em parques que são projetados para ser inundáveis, bacia de detenção, você tem que ter um tratamento de solo adequado para ampliar a permeabilidade da água no solo e o tipo de vegetação que você usa também tem que ser adequada para isso. Tem vegetação que dificulta mais a infiltração da água no solo e tem outras que potencializam isso. Também tem vegetação que não aguenta ficar muito tempo em solo molhado&#8221;, explica Raquel. &#8220;Tem que ser um parque projetado para ser alagável. Não é algo como &#8216;aqui tem uma área livre, vai ser uma área alagável agora&#8217;. Não é assim que funciona&#8221;, diz.</p>



<p>Também não é todo tipo de solo onde é adequado construir um parque alagável. &#8220;Se você tem um solo que seja argiloso, a argila dificulta muito a infiltração da água. Ela faz tipo um bloco. Tem tipo de solo que não é adequado para a infiltração. Tem solo mais arenoso, que aí é mais fácil da água infiltrar. Então, isso também precisa ser pensado&#8221;, explica a urbanista. </p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/alaga-1.jpg" alt="A foto mostra uma quadra esportiva cercada, provavelmente de futebol ou futsal, parcialmente coberta por uma grande poça d’água que reflete o céu, o alambrado e as construções ao redor. Ao fundo, aparecem dois brinquedos de cimento para crianças escalarem. À direita, há uma parede amarela com um mural colorido de um jogador de futebol estilizado, estrelas e linhas curvas em vermelho e azul. O reflexo da cena na água cria um efeito visual simétrico e marcante." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Parque alagável entre Areias e Ipsep foi o primeiro da cidade
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Os equipamentos de lazer devem ser instalados em espaços mais elevados, com passarelas que permitam o uso do parque mesmo quando parte da área está alagada. E a participação da comunidade, dizem os especialistas, é fundamental: os moradores precisam entender o que é o parque, para que serve e como se apropriar dele. &#8220;Precisamos acompanhar com muito cuidado, não a partir dos olhos do acadêmico, dos técnicos, mas a partir dos moradores que vivenciam o espaço – que o usam para lazer e que vivenciam, durante a cheia, se houve realmente redução dos danos, dos impactos&#8221;, afirma Diniz.</p>



<p>Diniz destaca a importância de que esses parques sejam construídos justamente nas áreas mais vulneráveis da cidade. &#8220;Aquela região ali, em Tejipió, em Areias, é uma área, do ponto de vista social e ambiental, muito vulnerável, com condições muito difíceis, com terrenos baixos. É uma população que está muito suscetível a esse processo de inundação, onde se concentra a população pobre&#8221;, diz. &#8220;O parque alagável, além de qualificar o espaço, funciona para o lazer a maior parte do tempo. E estamos discutindo isso dentro de um contexto que, hoje, é de privatização dos parques. Em que medida essa privatização pode ou não pode restringir o acesso a uma população de mais baixa renda, que precisa, do mesmo jeito que os demais moradores, ter acesso a esse tipo de lazer? Então, é muito importante que esses parques cumpram também a função durante o tempo seco&#8221;, afirma o pesquisador.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tamarineira: alagado, não alagável</strong></h2>



<p>Quando as chuvas de abril alagaram parte do Parque da Tamarineira, choveram denúncias sobre a falta de drenagem nas redes sociais. Não ironicamente, a vereadora Cida Pedrosa (PCdoB) publicou um vídeo do parque embaixo d’água em que a legenda dizia que “o Parque da Tamarineira funciona como área alagável contra enchentes&#8221;. Para Fabiano Diniz, a questão precisa ser dita com clareza: o parque alagou, mas não foi projetado para ser alagável. &#8220;Ele é um parque que alaga – isso a chuva provou. Mas não vou dizer que ele tem um grande potencial para isso. Aquilo ali não parece ter sido pensado&#8221;, afirma.</p>



<p>A arquiteta e urbanista Raquel Menezes concorda. Para ela, o que aconteceu tem ligação com o córrego do Jacaré, curso d&#8217;água que passava pela área e foi canalizado – ou seja, enfiado em uma tubulação subterrânea. &#8220;O córrego provavelmente já era a drenagem daquela área do terreno. A água devia estar acumulando naquela parte e continuou acumulando por causa disso. Não é nada estranho. Mas a gente precisa entender que a natureza e o solo têm uma dinâmica própria, e não é um problema assumir isso&#8221;, diz.</p>



<p>A crítica ressoa diretamente com o que Kongjian Yu defendia: canalizar córregos é uma solução de infraestrutura “cinza”, mais adequada a países de clima temperado, que vai contra a dinâmica natural da água em cidades tropicais. &#8220;Se a gente vai contra a dinâmica dos elementos da natureza, a gente se enterra. Se fosse o riacho voltando à tona, se houvesse um tratamento mais natural, com vegetação adequada para a área molhada, o parque teria um potencial muito maior”, afirma Fabiano Diniz.</p>



<p>Nenhum dos dois urbanistas chegou a ver o projeto do Parque da Tamarineira. Raquel Menezes chegou a procurar o documento, mas não achou. &#8220;Essa informação deveria estar facilmente acessível, qualquer pessoa deveria conseguir consultar&#8221;, afirma.</p>



<p>Procurada pela reportagem, a Prefeitura do Recife, em nota, afirmou que o Parque da Tamarineira &#8220;é considerado um equipamento naturalizado e auxilia na drenagem do trecho inicial da bacia do Canal do Jacaré&#8221;. Segundo a nota, &#8220;o parque incorporou áreas de detenção natural, capazes de armazenar temporariamente os volumes de água durante eventos de chuva mais intensos&#8221;, e as passarelas elevadas na chamada área da Matinha &#8220;foram executadas para garantir acessibilidade aos principais equipamentos e reduzir as superfícies pavimentadas&#8221;.</p>



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	                                        <p class="m-0">Drenagem do novo parque deveria garantir que pontos baixos naturais não seriam inundados
</p>
	                
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<p>A explicação contrasta com o que havia sido divulgado pela própria prefeitura na comunicação da inauguração da segunda etapa do parque, em 26 de março de 2026. No texto oficial, a ênfase recaía sobre a drenagem convencional: a prefeitura informava que &#8220;foram construídos dois reservatórios com dispositivos de coleta para o encaminhamento adequado das águas pluviais, garantindo a destinação correta da água superficial e evitando sobrecarga na infraestrutura do entorno.&#8221; O <a href="https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/26/03/2026/com-estetica-leve-e-conexao-com-natureza-e-inaugurada-segunda-etapa-do-parque-da" target="_blank" rel="noreferrer noopener">então prefeito João Campos (PSB) chegou a declarar que</a> &#8220;fizemos uma obra de drenagem e um grande reservatório de água para assegurar um espaço confortável, mesmo em dias de chuvas.&#8221; Na época da inauguração, não havia  menção à possibilidade de alagamento.</p>



<p>Antes mesmo da inauguração, quando a prefeitura lançou a licitação para a segunda etapa, o projeto já previa, além do reservatório principal sob o passeio central, três bacias de infiltração no interior da Matinha, &#8220;<a href="https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/14/11/2025/prefeitura-do-recife-inicia-construcao-de-nova-etapa-do-parque-da-tamarineira" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estrategicamente localizadas nos pontos de maior risco de alagamento, para promover a absorção da água pluvial no próprio solo</a>&#8220;, com o objetivo de &#8220;garantir que os pontos baixos naturais do parque, que são mais suscetíveis ao acúmulo de água, não sejam inundados.&#8221; Ou seja, a própria prefeitura reconhecia que aquela era uma área propensa ao acúmulo de água – mas não comunicou isso com clareza ao público.</p>



<p>&#8220;O parque acabou de ser inaugurado. É muito natural que em uma obra você tenha um momento de ajustes. Toda obra é isso: quando você começa a usar, quando vêm os primeiros usos, os primeiros eventos, você começa a perceber o que não funciona e vai ajustando. Não é problema nenhum no parque alagar nas primeiras chuvas”, diz Raquel Menezes. &#8220;O grande problema que houve nessa questão é tentar defender tudo como se fosse maravilhoso e perfeito. A gente costuma dizer sempre que arquitetura e que urbanismo não são matemática. A gente lida com muitas dinâmicas diferentes e não tem como ter uma previsão definitiva do que vai acontecer”, acrescenta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Nota completa da Prefeitura do Recife</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro parque alagável do Recife, com aproximadamente 3,9 mil m², foi entregue em novembro de 2024, com investimento de R$ 2,5 milhões executados pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB), e está situado entre os bairros de Areias e Ipsep, às margens do Rio Tejipió. O segundo da cidade, o Parque Alagável Campo do Barro, foi entregue no começo deste ano, no bairro de mesmo nome, e abrange mais de 23 mil m², com R$ 3,4 milhões investidos pelo ProMorar Recife. O espaço tem capacidade de armazenar temporariamente cerca de 1.510 m³ de água, o equivalente a mais de 1,5 mil caixas d&#8217;água de 1 mil litros. Na última semana, a gestão publicou, no Diário Oficial, a licitação para a construção do Parque Alagável Umuarama, também no Barro. Com investimento de R$ 3,8 milhões por meio do programa ProMorar, o novo equipamento será o terceiro do tipo na cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em relação ao Parque da Tamarineira, ele é considerado um equipamento naturalizado e auxilia na drenagem do trecho inicial da bacia do Canal do Jacaré, que integra a macrobacia do Vasco da Gama (Canal do Arruda), área estratégica para o controle de alagamentos na cidade do Recife. Nesse contexto, áreas verdes urbanas desempenham um papel essencial, funcionando como espaços naturais de retenção e amortecimento das águas. Assim, o Parque Tamarineira incorporou áreas de detenção natural, capazes de armazenar temporariamente os volumes de água durante eventos de chuva mais intensos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa estratégia permite reduzir a sobrecarga no sistema de drenagem urbana e diminuir o risco de alagamentos nas vias do entorno. As passarelas elevadas, dentro da área popularmente chamada de “Matinha”, foram executadas para garantir acessibilidade aos principais equipamentos da Matinha e reduzir as superfícies pavimentadas. Esta solução aumenta a permeabilidade do solo e, em consequência, facilita a absorção das águas da chuva.</span></p>
	</div>



<p></p>
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		<title>Parques alagáveis para crise do clima ameaçam de despejo 40 comunidades do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Sep 2024 13:26:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Agência Pública]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
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		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[parque alagável]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Mariama Correia, da Agência Pública Parques alagáveis, construídos nas margens dos rios para absorver transbordamentos e minimizar o risco de enchentes. Esse modelo, inspirado no conceito de “cidades-esponja” e em experiências da Holanda e da Coreia do Sul, parece ser um futuro viável para locais que sofrem constantemente com enchentes. No Brasil, cidades como [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Mariama Correia, da <a href="https://apublica.org/2024/09/promorar-da-prefeitura-de-recife-ameaca-comunidades-de-despejo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Pública</a></strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:19% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="169" height="42" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/A-Publica.webp" alt="" class="wp-image-66172 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Parques alagáveis, construídos nas margens dos rios para absorver transbordamentos e minimizar o risco de enchentes. </p>
</div></div>



<p>Esse modelo, inspirado no conceito de “cidades-esponja” e em experiências da Holanda e da Coreia do Sul, parece ser um futuro viável para locais que sofrem constantemente com enchentes. No Brasil, cidades como Recife, a 16ª mais vulnerável do mundo às mudanças climáticas e a mais ameaçada pelo avanço do nível do mar no país, seria uma candidata perfeita. O paradoxo é que, na capital pernambucana, investimentos bilionários para construção desses parques e de outras obras aparentemente sustentáveis se tornaram ameaça de despejo para milhares de famílias.</p>



<p>A maioria dessas intervenções faz parte do Programa de Requalificação e Resiliência Urbana em Áreas de Vulnerabilidade Urbana (ProMorar), um grande plano de ações com financiamento de R$ 2 bilhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele é o carro-chefe da gestão do prefeito João Campos (PSB), favorito à reeleição e que usa os canteiros de obras para aumentar sua popularidade nas redes sociais.</p>



<p>Em linhas gerais, o ProMorar pretende reduzir os riscos de enchentes e deslizamentos de terra, considerando as mudanças climáticas. Ele começou logo depois das cheias de 2022, que mataram 133 pessoas e afetaram 120 mil em Pernambuco. As ações devem ser desenvolvidas ao longo de seis anos e afetar 40 comunidades de Recife, mas até agora apenas 17 são conhecidas. A prefeitura não disse quantas famílias serão desapropriadas ao longo das obras, mas a Articulação Recife de Luta – entidade formada por ONGs e movimentos sociais – calcula que sejam mais de 3 mil.</p>



<p>A falta de transparência e diálogo da prefeitura de Recife com relação ao ProMorar fez o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) abrir um procedimento administrativo para acompanhar as ações em audiências a cada dois meses.</p>



<p>Percorremos seis comunidades em áreas de risco de alagamento onde estão sendo construídos parques alagáveis e obras do ProMorar ou que foram visitadas por equipes do programa recentemente. As pessoas que entrevistamos disseram que estão com medo de serem despejadas sem que seja oferecida opção de moradia digna. Elas dizem que faltam informações sobre a quantidade de desapropriações e compensações. Reclamam também que não estão sendo ouvidas, embora o programa preveja escutas populares e ações “planejadas em conjunto” com as comunidades.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mais de 95 casas demolidas</h2>



<p>Recife é a quinta cidade com maior população vivendo em áreas de risco do país. São mais de 200 mil pessoas nessa situação, morando sobretudo em áreas de morros e encostas, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).</p>



<p>Além de estar sendo lentamente engolida pelo mar, a capital pernambucana é atravessada por três grandes rios: Beberibe, Capibaribe e Tejipió. Suas margens são territórios densamente povoados, onde as populações convivem com alagamentos frequentes e tragédias de grandes proporções quando chove muito. É nessas áreas que estão sendo construídos os parques alagáveis e grande parte das obras de resiliência climática.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/urbanistas-apontam-erros-de-projeto-em-parque-alagavel-as-margens-do-rio-tejipio/" class="titulo">Urbanistas apontam erros de projeto em parque alagável às margens do rio Tejipió</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/aguas/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Águas</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>O rio Tejipió é o foco principal. Ele é “um dos mais sérios desafios de drenagem” da cidade, de acordo com a prefeitura, que mobiliza R$ 500 milhões de investimentos na construção de quatro parques alagáveis, capazes de drenar o excesso de água, além de intervenções nos rios Jiquiá e Moxotó, que integram a bacia. O objetivo é reduzir o volume de alagamentos pela metade.</p>



<p>O primeiro parque alagável da cidade não está no escopo do ProMorar. É uma obra da Autarquia de Urbanização (URB) da prefeitura, no bairro do Ipsep, zona sul de Recife, onde foram demolidas mais de 95 casas. Ainda era possível ver os tijolos que sobraram das paredes quando visitamos o bairro.</p>



<p>O prefeito João Campos garantiu que “todos os imóveis que existiam foram indenizados”, mas uma moradora nos contou, em condição de anonimato, que “nem todo mundo achou a indenização justa”. “As pessoas mais pobres, com casas de menos estrutura, receberam pouco. Mas o pessoal não reclama porque tem medo de falar mal da prefeitura”, disse.</p>



<p>A moradora reclama que o alargamento das margens (de 8 para 30 metros), para facilitar o escoamento, terminou aproximando o rio da casa dela. “Agora estou com medo que inunde. Cadê o muro de contenção que não fizeram? Porque aqui tem até jacaré”, reclamou, mostrando o muro que ela construiu com recursos próprios entre sua casa e o novo parque.</p>



<p>O parque alagável do Ipsep, na Vila Maria Lúcia, já tem balanços de metal e algumas estruturas de concreto, como um escorrega, bancos e mesas. Numa visita às obras, em junho, técnicos do Inciti – Pesquisa e Inovação para as Cidades apontaram falhas na execução do projeto, como o material escolhido para a construção. As obras estão sendo tocadas pela construtora Kaena, em um contrato de R$ 2,3 milhões assinado em setembro do ano passado. A execução deveria ter acontecido em seis meses, mas a prefeitura informou que o prazo foi prorrogado e a entrega está prevista para novembro.</p>



<p>Não precisa nem chover para as ruas nas imediações do parque alagarem. “Basta a maré subir”, diz Maria Fátima Queiroz, 54 anos, conselheira distrital e integrante do grupo “Empoderadas do Ipsep”. Ela mora a pouco mais de dois quarteirões das obras. Nas enchentes de 2022, sua família ficou literalmente ilhada por dois dias num primeiro andar de uma vizinha. “A gente espera que o parque amenize os alagamentos, o problema é que não dizem se vão tirar mais casas ou quem vai limpar o lixo que o rio vai deixar depois que a água baixar.”</p>



<h3 class="wp-block-heading">Pastor fez denúncia ao BID, mas recebeu resposta em inglês</h3>



<p>Outro parque alagável está sendo construído às margens do Tejipió, no bairro do Barro, na zona oeste de Recife. Esse faz parte dos investimentos bilionários do ProMorar, mas não estão previstas desapropriações. O trecho beneficiado fica numa rua de casas grandes, muitas delas de militares, segundo moradores.</p>



<p>O parque foi batizado de Campo do Sena em homenagem a Emanuel Sena, um ex-secretário da Fazenda estadual e professor que morava na mesma rua. “Quem trouxe o ProMorar para cá foram ele e o vereador Chico Kiko”, contou Celso França, 59 anos, assessor do vereador, conhecido como Hulk do Barro. Chico Kiko, do PSB, mesmo partido do prefeito, é cabo eleitoral de João Campos na região.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-1.jpeg" alt="A imagem mostra uma cena urbana ao ar livre. Há uma rua que faz uma curva suave para a direita, com calçadas em ambos os lados. Do lado esquerdo da rua, há uma fileira de árvores altas com folhagem densa, proporcionando sombra sobre a calçada. Ao lado das árvores, há uma cerca alta de metal pintada com listras brancas e azuis, que parece cercar uma propriedade privada. Do lado direito da rua, há um longo muro de concreto sem janelas ou portas visíveis, sugerindo que pode ser a parede externa de outra propriedade privada. Ao longe, na curva da rua onde ela desaparece de vista, há duas pessoas: uma parece estar sentada em algo baixo, como um meio-fio ou um pequeno muro, enquanto realiza alguma atividade que não é clara à distância; a outra pessoa está em pé por perto. O céu acima está parcialmente nublado, mas principalmente claro, indicando luz de manhã ou fim de tarde. Há várias linhas de energia cruzando acima, conectadas a postes de utilidade que alinham um lado da rua." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Parque do Barro está em obras, mas PCR ainda não apresentou plano hidrológico
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ed Machado/Agência Pública</span>
                                    </figcaption>
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<p>A Construtora Master foi contratada por R$ 3,4 milhões para fazer o parque, mas o arquiteto, urbanista e educador social da ONG Fase André Araripe disse que o valor do investimento não é proporcional à estrutura. “Apenas o campo de futebol que já existia está sendo apenas rebaixado para absorver até 2,5 mil metros cúbicos”, explica. Segundo Araripe, até agora a prefeitura ainda não apresentou um plano hidrológico do rio, o que permitiria saber, por exemplo, se a vazão extrapola a capacidade de absorção do parque.</p>



<p>Jardim Uchôa, um distrito do bairro de Areias, que é vizinho ao Barro, também vai receber um parque alagável. Mas por lá a situação é bem mais crítica. Cerca de 3 mil pessoas moram nessa parte da cidade, em condições precárias. Todos contam histórias de perdas em alagamentos. As casas próximas ao leito do rio Tejipió não têm saneamento básico e a renda de grande parte dos moradores vem do Bolsa Família, da reciclagem ou da venda de animais, como porcos.</p>



<p>O Plano de Contingência de 2024 da prefeitura, para gestão de desastres, cita o Jardim Uchôa entre as comunidades com risco hidrológico alto ou muito alto. O bairro está dentro das intervenções do ProMorar, mas nenhuma obra começou.</p>



<p>Dois anos atrás, a Igreja Batista do Caçote, bairro vizinho, abrigou 121 pessoas de Jardim Uchôa que perderam tudo nas inundações. No inverno seguinte, a tragédia se repetiu, e 78 pessoas precisaram ser abrigadas. O pastor Geazi Pedro conta que, ainda em 2022, a prefeitura levou pessoas da comunidade ao centro do Recife para uma apresentação do ProMorar. Só que elas voltaram com mais dúvidas. “A princípio disseram que iam tirar 400 casas, depois falaram que estão tentando diminuir a quantidade. Ninguém sabe onde, quem vai sair ou como. A comunidade está nervosa e agitada.”</p>



<p>O que os moradores sabem até agora é que a área de desapropriações será de 114 mil metros quadrados, de acordo com o marco de reassentamento involuntário do ProMorar. A comunidade é uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis), ou seja, é uma área que deveria ser protegida pelo poder público, com garantia de acesso à moradia popular. Segundo o pastor Geazi, a prefeitura informou que as indenizações de casas desapropriadas consideram o tamanho do imóvel e o material utilizado. Só que a maioria das casas ali tem estrutura precária e os moradores não possuem documento de posse.</p>



<p>Atrás da igreja passa um canal, onde moram mais de 800 famílias. Os representantes do ProMorar teriam apontado este como o local do futuro parque alagável. É preciso atravessar uma ponte de estrutura frágil, por onde passam trilhos de trem, para acessar as 14 casas que ficam do outro lado, numa mata. Essa área também alaga com frequência, mas ficou de fora dos planos do ProMorar. A prefeitura disse que a obra do Campo do Sena vai ajudar a reduzir os alagamentos no trecho.</p>



<p>Gabriel Barros, de 64 anos, que trabalha com reciclagem, e Josinaldo dos Santos, 33, vendedor de coco, moram nessa área de mata. Eles já nem lembram quantas vezes perderam tudo em inundações. “Oxe, minha casa já cobriu toda”, disse seu Gabriel. </p>



<p>Em junho deste ano, o pastor Geazi decidiu enviar um ofício à prefeitura do Recife relatando a angústia das famílias e pedindo uma reunião com a coordenadora do ProMorar, Beatriz Carneiro. O documento é assinado pelo Instituto Transformar – entidade da igreja para ações sociais, pelo Fórum Popular do Rio Tejipió e pelo Centro de Estudos e Ação Social (Cendhec) e pede que sejam apresentadas “de forma transparente as ações previstas no programa”. A prefeitura nunca respondeu.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-3-Gabriel.jpeg" alt="A foto mostra uma cena ao ar livre com um homem negro, de cabelos grisalhos, em primeiro plano, vestindo uma camiseta verde com a frase “O QUE É OXE? OXE É OXE, OXE!” e “RECIFE PE BRASIL,” indicando uma referência cultural a Recife, Pernambuco, Brasil. O homem olha fixamente para a câmera com semblante sério. Ao fundo, há trilhos de trem que se estendem à distância, com vegetação dos dois lados. Mais ao longe, há duas pessoas sentadas e outra em pé, possivelmente conversando ou esperando. O ambiente sugere uma área rural ou semi-rural durante o dia." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Gabriel já perdeu tudo o que tinha por causa das enchentes
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ed Machado/Agência Pública</span>
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                    </figure>

	


<p>Em agosto, ele escreveu um e-mail diretamente para o BID, onde diz: “esta comunidade tem sofrido anos após anos com enchentes. E o Promorar não tem nos respondido às indagações quanto: quando vai começar, quais as casas serão indenizadas entre outras. Como uma instituição tão importante financia este show de horror? Comunidade assustada e sem resposta! Este é um grito de socorro!”. A resposta do banco foi um link de uma página em inglês com documentos técnicos – alguns deles também em inglês. O pastor Geazi não fala inglês.</p>



<p>A igreja decidiu treinar lideranças da comunidade para que elas possam lutar por seus direitos no ProMorar. Mais de 20 pessoas já foram treinadas. “Queremos construir as soluções junto com a prefeitura. Se tem dinheiro para fazer esses parques, por que não usar uma parte para construir habitações dignas perto de onde as pessoas já vivem?”, questiona.</p>



<p>O urbanista André Araripe diz que a prefeitura não iniciou obras de nenhum conjunto habitacional novo na cidade, apesar da entrega de unidades habitacionais estarem previstas nas modalidades de compensação às desapropriações do ProMorar, que também cita compras assistidas e reassentamento por permuta. Uma nota técnica sobre despejos no Recife, feita pelo Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH) e o mandato do vereador Ivan Moraes (PSOL), afirma que existem “quase 100 mil famílias sem moradia digna na cidade” e que, apenas em 2023, 345 imóveis foram desapropriados pela URB, sendo que 35 deles receberam indenizações abaixo de R$ 10 mil.</p>



<p>“Muita gente aceita indenização, mesmo sendo baixa, porque a alternativa é entrar na fila do habitacional. Tem gente que está há 22 anos esperando auxílio moradia no Recife”, diz Araripe. Ele explica que o auxílio aluguel – outra modalidade compensatória prevista no ProMorar – é de R$ 300, “o que não aluga nem um barraco em uma favela da cidade”. “As pessoas se sentem coagidas, é um processo extremamente violento onde a prefeitura aborda uma pessoa – geralmente pobre, preta e periférica, que se vê ali diante de uma autoridade sem nenhum apoio.” Ele diz que a ONG Fase tem ajudado moradores das áreas afetadas pelas obras com assessoria jurídica gratuita, em ações de desapropriação.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Casas marcadas</h3>



<p>A comunidade do Bom Jesus se estabeleceu no bairro de Boa Viagem, zona sul – o metro quadrado mais caro do Recife. São casas com estrutura precária. Algumas delas foram marcadas recentemente por representantes do ProMorar com números e letras. A “selagem” é “uma das primeiras medidas para que se saiba quantos moradores residem em cada local”, respondeu a prefeitura à reportagem. Mas o poder público não explicou às pessoas de lá se esses imóveis serão desapropriados.</p>



<p>A casa de Luciene Medeiros, de 48 anos, funcionária do metrô, foi marcada. Ela está com medo de ser despejada e não ter para onde ir, porque isso já aconteceu com sua família, 12 anos atrás. “Chegaram aqui sem aviso, cinco horas da manhã, com o Batalhão de Choque tirando todos os barracos”, conta. Na época, a filha dela foi expulsa da casa com duas bebês de poucos meses. Ela nunca recebeu o habitacional prometido, segundo Luciene.</p>



<p>A pequena casa de alvenaria, nos limites de uma rua de tráfego intenso e de um viaduto, foi o principal investimento de Luciene nos últimos anos. Ela mora lá com as duas netas, hoje adolescentes, e o marido. Não quer deixar o imóvel. “O ProMorar fala que a gente tem que evoluir, mas vai diminuir a gente. Se derem indenização, vai ser baixa. Não daria pra comprar um imóvel por perto, que é onde trabalho, onde minhas netas estudam.”</p>



<p>Em outro ponto da cidade, a comunidade de Sapo Nu também está dentro dos planos de obras do ProMorar. Ela ocupa áreas alagadiças entre as margens do Tejipió e da BR-232, no bairro do Curado, fronteira entre Recife e Jaboatão dos Guararapes.</p>



<p>Há anos, as cerca de 5 mil pessoas que vivem ali sofrem ameaças de despejo da companhia energética Chesf, porque as casas ficam embaixo de linhas de transmissão. Agora, a pressão também vem pela prefeitura do Recife. Os moradores de Sapo Nu transitam entre esgotos a céu aberto e acúmulo de lixo. As casas são invadidas pelo rio quando a maré sobe.</p>



<p>Eduarda Patrícia da Silva, 31 anos, mora em uma pequena casa com duas filhas de 6 e 9 anos e o marido. Em um dos cômodos, ela organizou sua papelaria personalizada e, no imóvel ao lado, o esposo mantém um pequeno bar. “Minhas filhas estudam próximo. Acho que o certo seria eles oferecerem um habitacional perto”, diz.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-4-Eduarda.jpeg" alt="A imagem mostra uma cena ao ar livre com uma pessoa em primeiro plano. Ela é uma mulher negra, jovem, com cabelos compridos pretos, usando uma camiseta preta com detalhes brancos e calça jeans. Atrás dessa pessoa, há um canal ou riacho com água esverdeada, possivelmente indicando poluição ou estagnação. De um lado do canal, há um caminho de terra que leva a um prédio em construção, com tijolos vermelhos expostos e estrutura incompleta. Do outro lado do canal, há uma vegetação densa, incluindo bananeiras com folhas grandes." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Eduarda mostra como rio corre próximo às casas
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Ângela Cristina, 29 anos, vizinha dela, mora na outra margem do rio com a família. A casa tem quase 2 metros de elevação em relação ao chão, o que não foi suficiente para impedir que fosse invadida pela água nas cheias de 2022. A filha de Ângela, Kawany, na época com apenas 5 meses, foi resgatada boiando dentro de uma bacia. “Foi horrível. Até hoje meu filho Kayo fica nervoso quando chove”, contou a mãe.</p>



<p>Apesar do grande risco de alagamentos nessa área, ninguém do ProMorar esteve na casa de Ângela, porque ela fica do outro lado do rio, na área que pertence a Jaboatão. A prefeitura de Jaboatão não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre obras previstas na região.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Deixados às margens</h3>



<p>Em abril de 2023, representantes do ProMorar fizeram um mapeamento da área da Vila Arraes, no bairro da Várzea, zona oeste da cidade. “Reformaram uma ponte que estava boa e nunca mais voltaram”, disse Joice Paixão, coordenadora da Associação do Gris Espaço Solidário, para crianças. Ela contabiliza 167 famílias morando na região.</p>



<p>Um dos pontos que mais alagam é o Beco do Óleo, chamado assim porque fica perto da companhia de ônibus CRT (Cidade do Recife Transporte). Quando chove, as pessoas dizem que desce um óleo preto e fedorento, misturado com a água, que vem da empresa. Fabiana Maria da Silva, 27 anos, mora nessa rua com o filho Caio, de oito meses. “A prefeitura veio aqui em casa, pegou dados, mas não iniciou nenhuma obra”, contou.</p>



<p>Daniela Moura, diarista de 37 anos, também recebeu a visita. Os técnicos trouxeram equipamentos topográficos e drones e colheram dados, mas não deram maiores explicações. Mãe solteira, ela vive na beira do rio Capibaribe com as duas filhas – Marina, de 15 anos, e Vitória, de 16, que nasceu com problemas neurológicos. Na casa delas, todos os móveis ficam suspensos, em cima de tábuas de madeira, para evitar danos quando a água sobe.</p>



<p>Nas enchentes de 2022, a água cobriu até as telhas da casa. Vitória se agarrou nas grades da janela para não ser arrastada. A mãe lembra que foi um custo tirá-la de lá porque a menina não entendia os seus comandos. “Não tenho documento de posse, se eles vierem tirar minha casa, quem garante que vou ter direito a alguma coisa?”, questiona.</p>



<p>A casa onde ela mora com as filhas foi construída pela sua família, na beira do Capibaribe. A vista é bonita, apesar da imensa quantidade de lixo acumulado nas margens do rio, que é um dos maiores símbolos do Recife. Quando pequena, Daniela mergulhava e comia os peixes dessas águas. Suas filhas já não tiveram o mesmo privilégio. “Hoje não tenho mais coragem porque tá muito sujo”, lamenta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Outro lado</span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>De acordo com o MPPE, a primeira audiência de acompanhamento do ProMorar aconteceu no dia 23 de setembro, com participação de movimentos sociais. “Ficou acertado que o ProMorar vai mandar uma versão publicável de todas as reuniões com as comunidades”, disse a promotora Fernanda da Nóbrega, da Promotoria de Habitação e Urbanismo.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A reportagem tentou entrevistar Beatriz Carneiro, coordenadora do ProMorar, mas foi informada de que a gestora estava “com uma série de compromissos”. A assessoria de imprensa respondeu às perguntas da reportagem por e-mail, mas não disse quais são as 40 comunidades afetadas ou quantos imóveis serão desapropriados por ações do ProMorar.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Por e-mail, a prefeitura do Recife informou que “ foram realizadas 55 oficinas com a participação de 4,5 mil moradores das áreas beneficiadas” e que “todas as etapas sempre contam com escuta popular dos moradores”. Nas comunidades de Jardim Uchôa, Sapo Nu e Bom Jesus, a prefeitura informou que “as propostas de intervenções e soluções serão debatidas com os moradores no momento adequado”.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A prefeitura disse ainda que “na necessidade de reassentamento, a equipe social do ProMorar fará as escutas necessárias para definir juntamente com as famílias a melhor solução para cada caso. Conforme o marco de reassentamento do programa, as soluções previstas são: unidade habitacional; compra assistida e reassentamento por permuta”. Leia a íntegra.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Depois da publicação da reportagem, o BID enviou nota informando que “a consulta pública é uma exigência para todos os projetos financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, de acordo com nossas políticas”. Embora os moradores das comunidades visitadas informem que não estão sendo adequadamente ouvidas pela prefeitura do Recife, a instituição afirma que “essa premissa vem sendo observada no Promorar, conforme acompanhamento realizado pelo Banco” e que “sessões de consulta pública, inclusive, já foram realizadas nas primeiras comunidades que receberão intervenções no programa. Ainda assim, ressaltando nosso compromisso com a transparência, reiteramos que nossos canais estão abertos para esclarecimentos adicionais e para eventuais melhorais em nossos processos: <a href="https://www.iadb.org/pt-br/quem-somos/transparencia" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.iadb.org/pt-br/quem-somos/transparencia</a>”.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Mariama-alagavel-7-projecao.jpeg" alt="A imagem mostra uma renderização arquitetônica de um espaço público. Há um caminho largo e pavimentado de cor clara que serpenteia pela área, cercado por vegetação exuberante e flores vibrantes em tons de rosa, roxo e branco. Várias pessoas estão espalhadas pela cena; algumas estão caminhando sozinhas, enquanto outras estão em pequenos grupos, parecendo estar conversando. O ambiente sugere um cenário ao ar livre sereno, projetado para passeios tranquilos e relaxamento. O céu não é visível na imagem, indicando que o foco está na interação entre as pessoas e o ambiente paisagístico." class="" loading="lazy" >
            </picture>

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	                                        <p class="m-0">Projeção do parque alagável do Ipsep
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Agência Pública</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/parques-alagaveis-para-crise-do-clima-ameacam-de-despejo-40-comunidades-do-recife/">Parques alagáveis para crise do clima ameaçam de despejo 40 comunidades do Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/parques-alagaveis-para-crise-do-clima-ameacam-de-despejo-40-comunidades-do-recife/feed/</wfw:commentRss>
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			</item>
		<item>
		<title>Urbanistas apontam erros de projeto em parque alagável às margens do rio Tejipió</title>
		<link>https://marcozero.org/urbanistas-apontam-erros-de-projeto-em-parque-alagavel-as-margens-do-rio-tejipio/</link>
					<comments>https://marcozero.org/urbanistas-apontam-erros-de-projeto-em-parque-alagavel-as-margens-do-rio-tejipio/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jul 2024 09:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao tomar como referências projetos urbanísticos de cidades da China, Estados Unidos e Chile, a Prefeitura do Recife planeja inaugurar nos próximos meses o primeiro parque alagável da capital pernambucana. O parque faz parte do projeto de urbanização das margens do rio Tejipió e deve ser entregue no segundo semestre deste ano. Em visita às [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao tomar como referências projetos urbanísticos de cidades da China, Estados Unidos e Chile, a Prefeitura do Recife planeja inaugurar nos próximos meses o primeiro parque alagável da capital pernambucana. O parque faz parte do projeto de urbanização das margens do rio Tejipió e deve ser entregue no segundo semestre deste ano.</p>



<p>Em visita às obras do parque, localizado no bairro do IPSEP, no dia 18 de junho, técnicos da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), acompanhados por representantes da rede de pesquisa Inciti &#8211; Pesquisa e Inovação para as Cidades, de comunidades ribeirinhas e ativistas ambientais, puderam tirar dúvidas sobre a execução do projeto com funcionários da Autarquia de Urbanização do Recife (URB).</p>



<p>A visitação fez parte das atividades do seminário &#8220;Soluções e Inovações para Comunidades Ribeirinhas do Recife&#8221;, da Fase em parceria com a UFPE e a Secretaria Nacional das Periferias, vinculada ao ministério das Cidades.</p>



<p>A interação entre o engenheiro responsável pela obra e os urbanistas teve momentos constrangedores.</p>



<p>Logo na chegada ao local houve questionamentos sobre os cálculos utilizados pelos engenheiros para delimitar em qual nível o rio pode chegar em caso de cheia e enchentes. De acordo com o engenheiro da obra e funcionário da <a href="https://urb.recife.pe.gov.br/a-urb/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">URB</a>, Antônio Teixeira, foi considerada a medida de 2,70 m, que é a cota mais alta da maré registrada no último ano. </p>



<p>Procuramos a URB para conferir se a informação repassada pelo engenheiro estava correta, mas até o fechamento da matéria não obtivemos resposta.</p>



<p>Ou seja, apenas a alta da maré integraram os cálculos, o grande volume de chuvas não foi considerado. De acordo com Ana Raquel Meneses, arquiteta, urbanista e pesquisadora do Inciti, esse erro pode resultar em graves consequências para as comunidades ribeirinhas: “é um projeto que foi feito para atender uma situação atual, mas que não foi embasado em cálculos da dimensão do volume de água, foi de observação só, então não tem uma base de cálculos segura para saber se o projeto realmente vai dar conta do que precisa. É um investimento que tende a ficar obsoleto logo”.</p>





<h2 class="wp-block-heading" style="text-transform:none">Um engenheiro otimista</h2>



<p>“A gente tem um grande volume de água de chuvas e a gente sabe que com as mudanças climáticas isso tende a crescer, com esse volume de eventos climáticos, a intensidade deles, mas o projeto não previu isso. Então, se as expectativas se realizarem, esse projeto não vai atender à demanda que teremos daqui a dois, cinco anos, a gente vai ter que rever de novo”, concluiu a arquiteta.</p>



<p>Ao ouvir os questionamentos de Ana Raquel, o engenheiro da URB hesitou em responder e tentou argumentar dizendo que é preciso ser mais otimista. “Vocês estão muito pessimistas”, diz Antônio Teixeira ao grupo que realiza a visita ao parque. “Este é um projeto que só terá efeito junto com outras ações como o processo de dragagem do rio. O principal objetivo é dar vida útil ao local e evitar que a comunidade invada e ocupe novamente essa área que já tem um histórico de alagamento”, afirmou Teixeira.</p>



<p>Para o arquiteto, urbanista e educador social da Fase, André Araripe, falta embasamento de estudos com dados atualizados sobre os impactos das mudanças climáticas na construção do parque: “a gente tem um programa importante para a cidade, que é o <a href="https://promorar.recife.pe.gov.br/">Promorar</a>, que está realizando diversos estudos, inclusive estudos hidrológicos aqui da bacia do rio Tejipió e traz cálculos das marés com projeções futuras, casando isso com precipitações mais severas de chuva. É fundamental que essas informações façam parte dos projetos de urbanização do Recife, mas parece que falta uma comunicação entre os órgãos municipais”.</p>



<h3 class="wp-block-heading" style="text-transform:none">No papel, um projeto ousado</h3>



<p>O parque alagável é um projeto urbano que está em consonância com as diretrizes das cidades-esponja, uma iniciativa de adaptação climática voltada para a gestão de águas pluviais e fluviais fortalecendo a infraestrutura ecológica e os sistemas de drenagem.</p>



<p>O projeto do parque alagável apresentado pela prefeitura prevê a absorção da água da chuva retendo, liberando, filtrando e liberando-a lentamente. Desse modo, o escoamento da água acontece em uma velocidade menor e assim o sistema de drenagem ganha tempo para receber o volume de água gradualmente.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A cidade-esponja é uma cidade que tem a capacidade de integrar a gestão da água urbana nas políticas e projetos de planejamento urbano, com iniciativas projetadas para absorver um grande volume de água.</p>
        </div>
    </div>



<p>Para isso, as obras devem ser realizadas com materiais de cobertura de solo resistentes e adaptáveis à água. Além disso, devem ser utilizadas espécies de plantas adequadas para funcionar como barreira ripária em inserções de grandes áreas de solo natural. O projeto da PCR prevê ainda a instalação de vários equipamentos para uso da comunidade no parque alagável, são eles: pista de cooper; área com mesas de jogos; playground; academia; mini-campo; áreas de convivência e área para piquenique.</p>



<p>A ideia é que o parque tenha total funcionalidade em períodos de chuvas amenas e escassas.</p>



<p>Moradora do bairro do IPSEP há 30 anos, Ana Maria Silva, está confiante na melhoria que o projeto pode trazer para a comunidade, mas afirma estar mais interessada na dragagem e para conter o avanço das águas do que com o parque em si. “Ainda não tiveram chuvas tão fortes quanto aquelas [de maio de 2022], né? Por isso não alagou ainda, mas nesses dias choveu aqui e encheu tudo, o rio subiu, e eu fiquei com medo que invadisse minha casa de novo”. A moradora perdeu todos os móveis na enchente de 2022.</p>



<p>No local das obras, é possível encontrar telas de contenção para lixo, arrimo de rachão telado e contenções de gabião e de alvenaria estrutural, em torno do rio. Arrimo de rachão e contenção de gabião, apesar dos nomes bem diferentes, são dois tipos de muros de arrimo. A instalação das estruturas dos equipamentos do parque ainda estão em fase inicial e o local tem um solo batido.</p>



<p>De acordo com a URB, o parque será coberto por um concreto poroso o que garanta a efetividade do projeto da cidade-esponja. Contudo, a arquiteta Ana Raquel Meneses contesta a efetividade do material a longo prazo: “esse concreto poroso entope fácil com a sujeira, até com a poluição difusa que vem da areia ele entope, então ele perde essa característica porosa com um pouquinho mais de uso. E se tiver alagamento, vai se perder ainda mais rápido, e a manutenção desse solo não está prevista ainda no pacote de obras. A própria URB diz que deve ser a Emlurb a realizar essa manutenção, mas não há nada certo ainda”.</p>





<p>Oo parque alagável vai ocupar uma área de 3,9 mil metros quadrados e incluem ainda o alargamento da calha e a pavimentação da rua Vitória da Conquista. De acordo com a PCR, a obra custará R$ 2,4 milhões. A gestão municipal afirmou que já alargou esse trecho do Tejipió &#8211; no bairro do IPSEP &#8211; de 10 para 30 metros, com a desapropriação de cerca de 100 imóveis que estavam situados às margens do rio.</p>



<p>“Outras intervenções na bacia do rio Tejipió já estão com licitações em andamento, no âmbito do Programa de Requalificação e Resiliência Urbana em Áreas de Vulnerabilidade Socioambiental (ProMorar), maior projeto de requalificação urbana e social da cidade. Em 2024, serão investidos cerca de R$ 40 milhões para obras de alargamento e dragagem do rio, construção de reservatórios e outro parque alagável para acumular as águas fluviais no período de chuvas fortes. Ao longo dos seis anos do programa ProMorar, estão previstos investimentos de R$ 500 milhões na bacia”, declarou a Prefeitura do Recife em nota enviada à Marco Zero.</p>



<p>Para André Araripe, além de amenizar os impactos das enchentes, a PCR deve se preocupar em realizar desapropriações de forma segura para os moradores de comunidades ribeirinhas. Questionamos a URB sobre os valores das desapropriações que ocorreram no entorno do rio Tejipió, de acordo com a gestão municipal, “cada imóvel foi avaliado individualmente e recebeu um valor que varia de acordo com questões como existência de documentação legal, área construída e benfeitorias realizadas pelos moradores”.</p>
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