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	<title>Arquivos parque ferroviario - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 14 Aug 2025 18:36:17 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos parque ferroviario - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Seminário discute desafios de criar um parque entre trilhos e memórias no Cais José Estelita</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Aug 2025 14:50:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Cais José Estelita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No começo desta semana, o Seminário Parque da Memória Ferroviária – Construção Participativa do Plano de Uso e Gestão discutiu o futuro do parque, que fica por trás dos prédios do Novo Recife, da construtora Moura Dubeux, no Cais José Estelita. Será um parque diferente: é uma área imensa, com mais de 55 mil metros [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No começo desta semana, o Seminário Parque da Memória Ferroviária – Construção Participativa do Plano de Uso e Gestão discutiu o futuro do parque, que fica por trás dos prédios do Novo Recife, da construtora Moura Dubeux, no Cais José Estelita. Será um parque diferente: é uma área imensa, com mais de 55 mil metros quadrados, indo de Afogados até o pátio do Forte das Cinco Pontas, mas muito estreito, com a parte mais larga com apenas 60 metros. Além do tamanho singular, o espaço do parque conta com uma série de restrições por conta da proteção ao parque ferroviário.</p>



<p>Na segunda-feira (11), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Instituto da Cidade Pelópidas Silveira (ICPS), órgão da Prefeitura do Recife, e o escritório de arquitetura Luiz Vieira apresentaram o anteprojeto do desenho do parque para uma plateia de arquitetos, urbanistas, estudantes e sociedade civil organizada, para receber contribuições que possam se integrar ao futuro parque. Na terça-feira (12), houve uma visita técnica ao terreno e oficinas sobre o projeto.</p>



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	                                        <p class="m-0">Pátio ferroviário em foto quando ainda era operante. Crédito: anteprojeto do Parque Ferroviário/Reprodução</p>
	                
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<p>Na apresentação, o Iphan fez uma distinção entre o que é patrimônio ferroviário e o que é memória ferroviária, conceitos importantes para se trabalhar na preservação do local. A base legal e doutrinária para a preservação do patrimônio ferroviário, apresentada pelo Iphan, inclui a Constituição Federal de 1988 e a Lei nº 11.483 de 2007, que foca na revitalização do setor ferroviário e na preservação da memória ferroviária. Outros marcos legais, como o Decreto Lei 25 de 1937 (tombamento) e a Lei 3.1924 de 1961 (motivos arqueológicos), também foram citados, além de cartas doutrinárias específicas para o patrimônio industrial.</p>



<p>O parque ferroviário foi o fundador da estrada de ferro do Recife-São Francisco em 1858, a segunda linha férrea construída no Brasil e o primeiro pátio no Brasil a estabelecer a ligação porto-ferrovia. Na época da construção o objetivo era escoar a produção açucareira e também fazer o transporte de passageiros. A empresa britânica Great Western of Brazil Railway assumiu a gestão em 1901 e, posteriormente, a Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA) em 1957 até 2007, quando foi extinta pelo Governo Federal.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/movimento-ocupe-estelita-quais-licoes-para-a-cidade-do-recife/" class="titulo">Movimento Ocupe Estelita: quais lições para a cidade do Recife?</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/opiniao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Opinião</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A arquiteta e urbanista Maria Emília Freire, do Iphan, mostrou fotografias dos prédios da estação ferroviária das Cinco Pontas, construída em 1858 e demolida 110 anos depois para abertura da avenida Sul e do viaduto das Cinco Pontas – que está em discussão para ser demolido. Mostrou também uma rotatória do século XIX, que pode ser redescoberta através de um trabalho de arqueologia que será desenvolvido na área e pode ser incorporada ao parque.</p>



<p>O primeiro bem valorado pelo Iphan foi o armazém com características de casario em 2010, seguido pela valoração de toda a área operacional do pátio em 2015. Em 2020, o pátio foi homologado como sítio arqueológico do Iphan.</p>



<p>O bem com &#8220;maior valor&#8221; do local, contudo, é um vazio: as linhas ferroviárias, com bastante espaço para a passagem e a manobra dos vagões dos trens. É o maior valor e também o maior desafio do parque. “Esse ‘vazio’ não é um espaço a ser preenchido, mas sim uma área repleta de construções de linhas, de materiais de manobra e estruturas. É um vazio cheio de memórias, cheio de significados. Acréscimos que possam alterar e mutilar o bem ou que preencham excessivamente o vazio devem ser desencorajados, pois a obstrução do vazio pode gerar graves prejuízos aos bens culturais associados”, disse Maria Emília Freire, na apresentação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um parque desafiador</strong></h2>



<p>Por conta dessa grande área de preservação, não pode ser um parque com árvores, com quadras ou muitos lugares de uso intenso. Representante do ICPS, Mariana Asfora falou sobre com o projeto do parque tem como objetivo reintegrar esta área, hoje esquecida, à cidade, para que ela tenha caminhabilidade e conectividade entre diferentes áreas históricas, além de fomentar novos usos que equilibrem a preservação do vazio e a memória ferroviária com as necessidades contemporâneas da população, como espaços de lazer e cultura. Ainda há a preservação de linhas para um futuro projeto de VLT passando na área.</p>



<p>Segundo ela, em outros espaços que estão dentro do futuro parque, mas não estão no pátio ferroviário, podem ter outros usos. Em Afogados e no Coque, o Setor C teria como objetivo a “inserção alimentar e a segurança alimentar das comunidades carentes” com programas de agricultura urbana, como hortas comunitárias. A parte do meio, seria de suporte ao “adensamento previsto com inclusão social e integração com a comunidade local, mediante equipamentos de educação, esporte e lazer”. E, finalmente, a parte final seria voltada para a integração com o centro do Recife e a borda d’água, onde fica o Parque da Resistência Leonardo Cisneiros, em homenagem ao professor universitário e militante do Ocupe Estelita falecido em 2021. </p>



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	                                        <p class="m-0"> Imagem de projeção de como ficaria o parque na área atrás dos prédios do Novo Recife. Crédito: anteprojeto do Parque Ferroviário/Reprodução</p>
	                
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<p>Luiz Vieira, o arquiteto responsável pelo anteprojeto, enfatizou na apresentação a importância de preservar o vazio construído do parque. A intenção é manter a leitura longitudinal do pátio ferroviário e a aridez que lhe é característica, garantindo a permanência da lógica articulada pelas linhas férreas. “O projeto busca harmonizar essa aridez com a necessidade de conforto e sombra para os usuários, concentrando o paisagismo nas extremidades do pátio e utilizando grama e brita no solo para manter a permeabilidade e a técnica construtiva original dos trilhos”, explicou.</p>



<p>Com isso, a arborização ficaria apenas nas extremidades do parque. Algumas partes do parque teria coberturas, criando corredores para pedestres e desviando o olhar do paredão de prédios do Novo Recife, no Cais José Estelita. Os trilhos poderiam ser utilizados para pequenos carrinhos, para passeios no parque. E vagões estacionados no parque poderiam ter sorveterias, sedes de ongs, banheiros públicos, cafeterias. O uso e a gestão do parque  foram debatidos na terça-feira e também receberam contribuições dos participantes do seminário.</p>



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	                                        <p class="m-0">Vagões que estão no pátio poderão ser usados para diversas atividades. Foto: Maria Emília Freire/Iphan
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Na parte dos debates, uma das dúvidas da plateia foi em relação a área cimentada e a permeabilidade do solo. De acordo com Luiz Vieira, apenas 10% da área será cimentada e que<strong> </strong>o anteprojeto prioriza a preservação da técnica construtiva original das linhas férreas, que utilizavam dormentes e lastro de brita. Embora haja trilhos com base de concreto e passeios pavimentados, foi assegurado que as áreas verdes serão amplas, com grande uso de grama e brita, que são permeáveis. No mínimo 70% da área será de solo natural.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/ocupe-estelita-celebra-dez-anos-da-ocupacao-e-quer-garantir-uso-publico-do-cais/" class="titulo">Ocupe Estelita celebra dez anos da ocupação e quer garantir uso público do cais</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
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		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
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        </div>

		


<p>Outro ponto foi que a intenção de conectividade com o Parque da Resistência Leonardo Cisneiros fica prejudicada pelo paredão de prédios da Moura Dubeux. Luiz Vieira afirmou que as quadras do Novo Recife não têm mais que 200 metros e que a conectividade entre as duas áreas públicas não será prejudicada. A previsão de fachada ativa, como lojas nos térreos dos prédios, também foi mencionada.</p>



<p>As contribuições do seminário serão analisadas e algumas serão incorporadas ao projeto do parque. A previsão é de que as intervenções, após o projeto pronto e aprovado, demorem menos de um ano para serem concluídas. A construção do parque e a reforma dos imóveis preservados são uma parceria da prefeitura do Recife com a Moura Dubeux, em uma contrapartida pelo condomínio Novo Recife.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/seminario-discute-desafios-de-criar-um-parque-entre-trilhos-e-memorias-no-cais-jose-estelita/">Seminário discute desafios de criar um parque entre trilhos e memórias no Cais José Estelita</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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