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	<title>Arquivos PCdoB - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 09 Oct 2024 13:58:34 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos PCdoB - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Esquerda será representada só por mulheres na Câmara Municipal do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Oct 2024 12:37:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Cida Pedrosa]]></category>
		<category><![CDATA[esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Recife elegeu a maior bancada de mulheres da história da Câmara Municipal, com oito vereadoras — uma a mais que na legislatura atual. Como a partir de 2025 a Casa José Mariano perderá duas cadeiras, passando dos atuais 39 para 37 assentos, a proporção feminina cresceu percentualmente de 18% para 21%, uma representatividade historicamente [&#8230;]</p>
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<p>O Recife elegeu a maior bancada de mulheres da história da Câmara Municipal, com oito vereadoras — uma a mais que na legislatura atual. Como a partir de 2025 a Casa José Mariano perderá duas cadeiras, passando dos atuais 39 para 37 assentos, a proporção feminina cresceu percentualmente de 18% para 21%, uma representatividade historicamente ainda muito baixa.</p>



<p>Os únicos quatro nomes da esquerda serão de mulheres: Liana Cirne (PT), Cida Pedrosa (PCdoB), Kari Santos (PT) e Jô Cavalcanti (PSOL) — esta a única negra e a única de oposição. Liana e Cida irão para o segundo mandato, enquanto Kari e Jô são estreantes na Câmara. Até 2024, <a href="https://marcozero.org/camara-do-recife-teve-apenas-21-mulheres-vereadoras-na-historia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">apenas 21 mulheres</a> ocuparam um assento como vereadoras na capital. Tanto PT quanto PSOL perderam uma cadeira nestas eleições.</p>



<p>A legislatura 2025 &#8211; 2028 terá novos nomes de homens da extrema-direita que serão um desafio para as pautas feministas: Gilson Machado Filho (PL) — o segundo parlamentar mais votado, com 16.095 votos —, Thiago Medina (PL), com 10.540 votos, e Alef Collins (PP), 7.131 votos. Clique <a href="https://marcozero.org/bancada-dos-parentes-sera-um-terco-da-camara-do-recife-em-2025/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> para saber mais sobre a nova composição da Casa.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> ouviu as quatro mulheres de esquerda eleitas para saber como estão as expectativas e o cenário que estão traçando para o exercício do mandato. Confira mais abaixo, com uma minibio de cada uma delas.</p>



<p>Nacionalmente, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre as candidaturas nas eleições de 2024, 15% foram de mulheres e 85% de homens, somando a corrida para prefeituras e casas legislativas municipais. Porém, entre os eleitos, esse índice cai, sendo apenas 13% de mulheres eleitas e 87% de homens.</p>



<p>Em entrevista coletiva realizada após as eleições de domingo (6), a presidente do TSE, a ministra Cármem Lúcia, lamentou o fato de nenhuma mulher ter sido eleita nas capitais brasileiras em primeiro turno. “Eu acho uma pena”, destacou a ministra, que completou dizendo reconhecer os esforços e o aumento da participação feminina na política.</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Quem são as oito mulheres eleitas:</span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Andreza Romero (PSB) &#8211; 15.785 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Natália de Menudo (PSB) &#8211; 15.198 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Liana Cirne (PT) &#8211; 14.810 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Cida Pedrosa (PCdoB) &#8211; 11.364 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>Flávia de Nadegi (PV) &#8211; 11.278 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>6. </span>Kari Santos (PT) &#8211; 9.321 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>7. </span>Professora Ana Lúcia (Republicanos) &#8211; 8.592 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>8. </span> Jô Cavalcanti (Psol) &#8211; 7.619 votos</p>
            </div>
            </div>



<h2 class="wp-block-heading">As quatro mulheres de esquerda</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Liana Cirne (PT)</strong></li>
</ul>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/foto-2.jpg" alt="" class="wp-image-66593 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Em seu segundo mandato, Liana disse que pretende manter a coerência com os princípios petistas e seguir com as propostas na área de combate a violência contra mulheres, valorização dos servidores públicos, em especial os profissionais da educação, cultura popular e inclusão. Com a bancada expressiva da direita e da direita radical, a expectativa dela é que a próxima legislatura seja “um período de embates muito duros”.</p>



<p>Ela teve a terceira maior votação de uma liderança de esquerda no Recife e a maior entre mulheres. Atrás apenas de Humberto nas eleições de 2000, com 27.815 votos, e de Dilson Peixoto, com 15.200 votos, em 2014.</p>
</div></div>



<p>“Teremos um duplo atravessamento, porque nós vamos ter um embate ideológico e um embate de gênero. Porque os de extrema direita que usam técnicas semelhantes ao do Nikolas Ferreira, por exemplo, bem alinhadas ao bolsonarismo e muito agressivos na retórica, são todos homens. E nós que compomos a bancada de esquerda somos mulheres e somos feministas. Então, eu acho que serão quatro anos marcados por embates muito contundentes, em que os vieses ideológicos vão ficar muito evidenciados”, avalia.</p>



<p>Liana, porém, disse que não irá se furtar: “Eu com certeza não vou fugir de nenhuma pauta ideológica. Eu tenho feito a defesa do presidente Lula e do projeto político que o presidente Lula representa e vou continuar fazendo”.</p>



<p>“Quando a gente é vereadora, temos que travar os grandes debates e não podemos fugir deles, porque os grandes debates repercutem diretamente no nosso dia a dia. Mas, ao mesmo tempo, a gente tem que ficar muito atento à realidade do povo, que é a realidade de quem sofre com a falta de um poste de luz, que estuda à noite e que, para chegar em casa à noite, sofre não só o risco de ser assaltado ou sofrer assédio ou violência sexual, mas sofre com medo de cair num buraco que não está enxergando”, exemplifica.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Liana Cirne:</span>

		<p>Liana Cirne tem 53 anos, é mestra em instituições jurídico-políticas, doutora em direito público, advogada ativista, professora de direito da UFPE, especialista em autismo e vereadora. Enquanto parlamentar, foi autora da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Frente Parlamentar da Pessoa Idosa. Apresentou mais de 2,6 mil ações legislativas (Projetos de Leis, requerimentos, reuniões e audiências públicas) e 770 emendas orçamentárias.</p>
<p>É autora da ação popular para o cumprimento do piso salarial dos professores do Recife e ação popular para o cumprimento da lei dos ar-condicionado nos ônibus. Destinou suas emendas para a construção da ciclovia da Av. Caxangá, o Camarim da Cultura Popular, cursos profissionais de formação para mulheres trans e a construção de Centro Integrado para Pessoas Autistas.</p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Cida Pedrosa (PCdoB)</strong></li>
</ul>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/foto-1.jpg" alt="" class="wp-image-66592 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Cida comemorou o crescimento das mulheres na Câmara do Recife, embora ainda haja muita subrepresentação. “Eu tenho uma boa expectativa de termos uma bancada de mulheres de esquerda. A luta pelos direitos das mulheres é absolutamente necessária e permanente e nós precisamos avançar nessa questão”, disse. </p>
</div></div>



<p>Cida também tem uma trajetória ligada ao direito à cultura na cidade e disse que irá mantê-la como prioridade na nova legislatura. Sobre pleitear comissões na Casa, antecipou ter interesse nas comissões de Direitos Humanos e de Cultura.</p>



<p>A respeito do fortalecimento da direita nestas eleições, ela comentou: “Eu sempre fiz a luta com os pés em Recife e com a cabeça na construção nacional. Porque não há como discutir política na cidade sem pensar na conjuntura nacional. Eu disse, durante toda a campanha, em todos os lugares que eu fui, que nós estávamos jogando 2024, mas, na verdade, o grande jogo posto era o de 2026, que cada prefeito progressista que a gente fizesse, cada vereador ou vereadora do campo progressista que a gente fizesse a gente estava fazendo o cordão de luta contra o fascismo e contra a direita em 2026”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Cida Pedrosa:</span>

		<p>Cida Pedrosa, 61 anos, é poeta, escritora, feminista, advogada militante dos direitos humanos e atualmente vereadora do Recife. Sua trajetória na luta pelos direitos humanos começou como advogada do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Pernambuco (Fetape). Também atuou no Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec) e foi coordenadora do Movimento Nacional de Direitos Humanos. Ganhou o Prêmio Jabuti de Livro do Ano, em 2020, o mais importante da literatura brasileira com o poema <em>Solo para Vialejo</em>. Dois anos depois, foi a primeira pernambucana premiada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte com <em>Araras Vermelhas</em>, outro livro-poema.</p>
<p>Em 2012, foi secretária de Meio Ambiente do Recife e instituiu a Política Municipal de Sustentabilidade e enfrentamento às mudanças climáticas. Em 2017, se tornou secretária da Mulher do Recife, ajudando a tirar do papel a Brigada Maria da Penha.</p>
<p>Como vereadora, preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e é vice-presidenta da Comissão de Educação, Cultura, Turismo e Esporte. Também é presidenta da Frente Parlamentar Recife Pelo Clima e seu mandato esteve na presidência da Frente Parlamentar pelo Centro do Recife.</p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Kari Santos (PT)</strong></li>
</ul>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/image-2.jpeg" alt="O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é foto-2-1.jpg" class="wp-image-66621 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>À reportagem, Kari lembrou que a ampliação do número de mulheres na Câmara do Recife não significa necessariamente um comprometimento com as pautas feministas. “É lamentável saber que a Câmara Municipal é composta por homens de sobrenome da política tradicional. A expectativa é de fazer um enfrentamento diante de novos quadros da extrema-direita que se elegeram. A gente precisa fazer uma bancada feminista de combate ao conservadorismo e de combate à extrema-direita”, avaliou.</p>
</div></div>



<p>Para ela, é motivo de orgulho ser a vereadora mais jovem já eleita pelo PT na cidade. Kari, que teve apoio do deputado João Paulo, acredita que a vitória é resultado da necessidade de renovação dos quadros políticos e de uma militância que reconhece que é tempo de mulheres e tempo de renovação.</p>



<p>Sobre a polarização com os outros dois mais jovens da Casa, Thiago Medina, de 21 anos, e Alef Collins, de 22 anos, ela lembra que já vem combatendo a extrema-direita e que esses dois nomes já vêm tentando firmar embates desde que ela colocou seu nome à disposição do processo eleitoral. Kari acredita que Medina e Alef vão seguir polarizando dentro da Câmara. “Porque são quadros que não têm nenhum projeto político voltado para a classe trabalhadora. Infelizmente a gente vai ver uma ‘bancada da lacração’ na Câmara Municipal”, acredita.</p>



<p>“Mas agora, com mandato, eu consigo ter mais força para poder fazer esse tipo de enfrentamento. Será um mandato direcionado para a defesa da classe trabalhadora, mas, para que isso também aconteça, a gente tem que frear o avanço da extrema-direita e do fascismo à moda brasileira, que nós conhecemos como bolsonarismo”, comentou.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Kari Santos:</span>

		<p>Kari Santos, 31 anos, é estudante de pedagogia e vereadora eleita mais jovem da história do PT no Recife. Nascida e criada na periferia, no bairro da Mangueira, foi militante do movimento estudantil e da juventude petista. É comunicadora popular e destacou-se nacionalmente pelo ativismo digital contra os bolsonaristas, alcançando quase 1 milhão de seguidores em todas as suas redes.</p>
<p>Teve apoio de figuras nacionais do partido, como José Dirceu, Gleisi Hoffmann e até de Marília Arraes, que nem é filiada à legenda. Fez campanha defendendo a volta do Orçamento Participativo, punição aos que tentarem impedir gestantes de acessarem o aborto legal no Recife, a criação de renda básica municipal e reajuste do auxílio-moradia.</p>
	</div>



<p><strong>Jô Cavalcanti (PSOL)</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/foto.jpeg" alt="" class="wp-image-66595 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Sou cria da periferia e conheço de perto as dificuldades que mulheres negras, trabalhadoras e mães solo enfrentam todos os dias. A luta por dignidade e direitos não é nova para mim, é minha história de vida”, anuncia Jô Cavalcanti.</p>



<p>“A partir de 2025, eu serei a única parlamentar negra. Isso contrasta e mostra que não houve avanço, muito menos para a esquerda progressista”, frisa Jô Cavalcanti logo de início, lembrando a grande bancada do PSB e o aumento da presença dos bolsonaristas. </p>
</div></div>



<p>“A gente vai ter muito desafio pela frente levando em conta que nós da esquerda defendemos a política do governo Lula e que as políticas sejam, de fato, voltadas para a população mais vulnerável. A Câmara Municipal será um instrumento que vamos usar como uma ferramenta de disputa da cidade”, complementou.</p>



<p>Ela disse que seguirá enfrentando a oposição, assim como fez quando compunha o mandato coletivo das Juntas Codeputadas na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). “Temos um projeto de sociedade e de consciência”, definiu, lembrando o apoio dos movimentos sociais e de nomes importantes da esquerda durante a campanha este ano, como <a href="https://marcozero.org/marcal-e-um-efeito-surpresa-para-nos-lembrar-de-jamais-subestimar-a-extrema-direita-afirma-erika-hilton/">Erika Hilton</a>, Guilherme Boulos, pastor Henrique Vieira e João Paulo.</p>



<p>“A gente sabe que a Casa do Povo deve fazer com que as pessoas possam ter acesso a ela e que nada seja passado para beneficiar só o grupo A ou B, mas toda a população recifense”, defende Jô, rememorando que, em 2016, o PSOL também fez apenas uma cadeira na Câmara, com Ivan Moraes, “que fez um mandato altivo e responsável”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Jô Cavalcanti:</span>

		<p>Aos 42 anos de idade, Jô Cavalcanti é mulher negra, mãe de Gabriel e cria do Morro da Conceição. Sua vida foi marcada pela luta por sobrevivência e pela busca por justiça social. Deputada estadual eleita em 2018 pela mandata coletiva das Juntas, ela foi a primeira camelô do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a ocupar esse cargo no Brasil.</p>
<p>Tem militância no Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Informal (Sitraci), na Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e na Frente Povo Sem Medo e se articula com o Fórum de Mulheres de Pernambuco, a Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas e outros espaços de luta.</p>
	</div>



<p></p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Câmara de Olinda suspende por 30 dias vereador que ofendeu e ameaçou vereadora comunista</title>
		<link>https://marcozero.org/camara-de-olinda-suspende-por-30-dias-vereador-que-ofendeu-e-ameacou-vereadora-comunista/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jun 2024 20:42:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara Municipal de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[PCdoB]]></category>
		<category><![CDATA[vereador de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aos gritos e vaias do público presente, o vereador Tostão de Olinda (Avante) teve o mandatoe o salário suspensos por 30 dias a partir de 1º de julho pela Câmara Municipal de Olinda, por insultar e ameaçar a vereadora Dete Silva (PCdoB) durante a sessão de 7 de maio . A decisão foi tomada em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Aos gritos e vaias do público presente, o vereador Tostão de Olinda (Avante) teve o mandatoe o salário suspensos por 30 dias a partir de 1º de julho pela Câmara Municipal de Olinda, por insultar e ameaçar a vereadora Dete Silva (PCdoB) durante a sessão de 7 de maio . A decisão foi tomada em votação no início da tarde de hoje, terça-feira, 25, no Teatro Fernando Santa Cruz, onde a Câmara está reunindo durante a reforma da sede do legislativo municipal. </p>



<p>A decisão de 16 dos 17 vereadores olindenses seguiu a recomendação da comissão de ética da casa, mas não agradou à Dete Silva, pois ela enxerga que a situação deveria provocar a cassação do mandato do agressor. “Eu me sinto injustiçada pelo fato da casa não ter um regimento firme, mais uma vez a gente sai daqui sem a justiça da forma correta”, lamenta a parlamentar. Apesar de discordar, ela teve de voltar favoravelmente ao relatório da comissão da ética, pois, se este fosse rejeitado, Tostão não seria punido</p>



<p>O caso em questão ocorreu durante a 12ª sessão ordinária da câmara, em sete de maio deste ano. Na época, o fato veio à tona por meio de um vídeo nas redes sociais, nele, o vereador é visto chamando a vereadora da oposição de “bandida” e “mentirosa”. Dete Silva também registrou um boletim de ocorrência contra o vereador na Delegacia da Mulher de Olinda por ameaça e injúria.</p>



<p>A representação feminina da Câmara de Olinda é de pouco mais de 10%, sendo 17 parlamentares e só duas mulheres. “É preocupante, não só para mim, como para qualquer mulher que esteja na casa Bernardo Vieira, que esteja na Assembleia ou qualquer espaço político. Eu acho que tem que ter uma lei severa para um crime político desse”, reforça.</p>



<p>O único vereador que não votou na sessão foi o próprio Tostão, que não esteve presente por ter pedido licença médica desde que a sessão em que ofendeu a colega. Ele foi representando pela advogada Amanda Abreu, que discursou em nome do parlamentar. Se dirigindo diretamente à Dete, ela repetiu o pedido desculpas à vereadora: “Ele não quis denegrir sua imagem, mas naquele momento de exaltação, realmente aconteceu e ele não se orgulha disso. Ele, inclusive, não está aqui por não ter condições psicológicas. Quando ele falou a palavra ‘bandida’, ele não quis dizer que você estaria roubando”, disse a defensora de Tostão.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Nem Lula calou vaias a Paulo Câmara e Danilo Cabral no Classic Hall</title>
		<link>https://marcozero.org/nem-lula-calou-as-vaias-a-paulo-camara-e-danilo-cabral-no-classic-hall/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Jul 2022 02:01:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[danilo cabral]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2020]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Marília Arraes]]></category>
		<category><![CDATA[PCdoB]]></category>
		<category><![CDATA[presidente Lula]]></category>
		<category><![CDATA[PT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ambiente fechado não é sinônimo de ambiente controlado. A Frente Popular aprendeu isso da maneira mais difícil na noite desta quinta-feira, 21 de julho, no Classic Hall, durante o encerramento da passagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Pernambuco. A batalha verbal entre a maioria do público que gritava o nome da candidata [&#8230;]</p>
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<p>Ambiente fechado não é sinônimo de ambiente controlado. A Frente Popular aprendeu isso da maneira mais difícil na noite desta quinta-feira, 21 de julho, no Classic Hall, durante o encerramento da passagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Pernambuco. A batalha verbal entre a maioria do público que gritava o nome da candidata a governadora Marília Arraes (SD) e a militância dos partidos que apoiam Danilo Cabral (PSB) começou horas antes do início do evento e, ao contrário do que aconteceu em Garanhuns e Serra Talhada, não se encerrou com a chegada de Lula.</p>



<p>Durante a espera pelos principais oradores, lideranças locais da Frente Popular se revezaram ao microfone enquanto o Classic Hall enchia lentamente a medida que o público passava pelo raio-x e pela revista. E foram esses discursos que forneciam as deixas para o início dos gritos de “Lula lá, Marília cá”, vindos majoritariamente do fundo do enorme salão, e timidamente rebatidos pelas centenas de filiados e militantes do PSB, PT e PCdoB postados mais à frente, próximos ao palco.</p>



<p>Durante a fala do deputado estadual Doriel Barros, presidente do PT em Pernambuco, as manifestações de apoio à candidata adversária foram tão intensas que o dirigente partidário se confundiu e pediu votos para a “Marília, a nossa senadora”. Em outras oportunidades, quando a locutora mencionava os nomes de Danilo Cabral ou de Paulo Câmara, se escutavam vaias.</p>



<p>Pouco depois das 18h, subiram ao palco Lula e os demais integrantes de sua comitiva e das principais lideranças da Frente Popular. Nem mesmo a presença do candidato a presidente arrefeceu os gritos favoráveis a Marília ou os xingamentos de “golpista” direcionados a Danilo, referência aos votos do PSB que foram decisivos para o tirar Dilma Rousseff da presidência, em 2016.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>PT defende o PSB</strong></h2>



<p>Apesar do constrangimento, o episódio serviu para os políticos PT reafirmarem a disposição de seguir ao lado do PSB no estado. Depois do deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB) e de Sílvio Costa (Republicanos) enviarem recados indiretos aos apoiadores de Marília Arraes, o senador petista Humberto Costa foi direto à questão que tanto incomodava quem estava no palco: “Não tenho medo de vaias, quem tiver que vaiar, que vá vaiar Bolsonaro”.</p>



<p>Antes, Humberto já havia atacado a candidatura adversária sem citar o nome de Marília: “O que temos de fazer é botar o secundário de lado e defender o Brasil. O projeto individual não pode ser maior que o projeto político de derrotar o fascismo”. O senador fez questão de lembrar que abandonou sua própria candidatura em nome de um projeto maior de defender a democracia.</p>



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	                                        <p class="m-0">Militantes do PSB, PT e PCdoB tentaram abafar vaias e gritos de &#8220;Marília&#8221;. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Quando Paulo Câmara e Danilo Cabral assumiram o microfone, as vaias cresceram em intensidade e volume. Então, Humberto e o vice-presidente nacional do PT, o deputado sergipano Márcio Macedo, juntaram-se imediatamente a Lula para fazer uma espécie de abraço coletivo em solidariedade ao governador e ao candidato majoritário. A vice-governadora Luciana Santos e a candidato ao Senado Teresa Leitão fizeram o mesmo.</p>



<p>Assim como fez Humberto Costa, enfatizar o embate de um suposto “projeto político coletivo”, ou seja, o projeto da Frente Popular, contra aquilo que seria o projeto individual da chapa da candidata do Solidariedade, diversos oradores recorreram a esse mote em seus discursos. Danilo Cabral, por exemplo, ressaltou ser filiado ao PSB há 32 anos, mesma característica de suas companheiras de chapa, Luciana Santos, no PCdoB desde os 15 anos de idade, e Teresa, petista há mais de 35 anos. “Qual é a chapa que mais reúne compromisso histórico e político?”, desafiou o candidato socialista.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Lula direto ao ponto</strong></h2>



<p>Ao contrário dos atos em Garanhuns e Serra Talhada, Lula não iniciou seu discurso justificando a aliança com o PSB. Preferiu ir direto ao ponto, falando sobre a necessidade de &#8220;consertar o país&#8221;. Só lá pelos 10 minutos de discurso falou que se move por relações políticas, e não pessoais &#8211; mas sem se estender.</p>



<p>Ignorando a hostilidade aos aliados em Pernambuco, Lula falou sobre a precarização dos empregos na era Bolsonaro e defendeu o programa Mais Médicos. Alimentação, emprego e combate à fome estão sendo os temas centrais da fala de Lula.</p>



<p>Lula preferiu só mencionar o pré-candidato ao governo ao final do discurso, quando os ânimos já estavam mais calmos. &#8220;Vou voltar várias vezes aqui. Mas quero que vocês saibam que, em Pernambuco, eu tenho candidato e o nome dele é Danilo Cabral. Vamos ganhar aqui e vamos ganhar no país para começar a revolução mais pacífica desse país&#8221;, disse. Dessa vez, não houve vaias.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Com a comunidade da cultura</strong></h3>



<p>O Teatro do Parque ficou lotado no encontro da classe artística com Lula. Como toda a agenda do ex-presidente em Pernambuco, houve muito atraso e Lula só falou por volta das 14h, quando o encontro estava marcado para a parte da manhã.<br><br>O cineasta Kléber Mendonça Filho e o músico Fred 04 foram alguns dos artistas que falaram ao microfone. Mãe Beth de Oxum, do Coco de Umbigada, criticou a proliferação de emissoras de TV evangélicas e defendeu o protagonismo do candomblé e da umbanda. Pediu também uma emissora para as religiões afro-brasileiras. Não houve reação dos políticos no palco.<br><br>O encontro não contou com a participação do governador Paulo Câmara nem do prefeito do Recife João Campos. Ambos haviam sido vaiados nos dois eventos de Lula no interior do estado na quarta-feira. Danilo Cabral compareceu ao evento, mas não falou. Geraldo Alckmin fez uma fala rápida, dizendo que não estava no roteiro que ele discursasse, mas foi instado por um poema sobre chuchu do poeta Antônio Marinho, ligado ao PSB e que apresentou parte do evento.</p>



<p>Lula fez uma fala longa, de aproximadamente 50 minutos, repleta de nostalgia. Lembrou da escolha de Gilberto Gil como ministro da cultura e relembrou os primeiros encontros com o cinema (em uma padaria) e o circo. Falou do cineclube do sindicato e fez uma defesa contundente da cultura e da educação como agentes de transformação, citando que foi o primeira da família a ter uma casa própria, graças ao diploma de torneiro mecânico.<br><br>O ex-presidente repetiu os grandes temas dos discursos anteriores, não falando em pautas identitárias &#8211; não houve resposta pública para os pedidos de Beth de Oxum, por exemplo -, mas tratando dos temais gerais. Citou os pontos de cultura e disse que vai privilegiar a cultura em uma nova gestão.</p>



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	                                        <p class="m-0">Classic Hall lotou para ver e ouvir Lula no evento organizado pela Frente Popular. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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		<title>Denúncias e trocas de acusações na eleição do Sintepe revive &#8220;vale-tudo&#8221; das disputas entre sindicalistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jun 2021 20:55:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[PCdoB]]></category>
		<category><![CDATA[PSTU]]></category>
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		<category><![CDATA[sindicalismo em Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As eleições para a nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) contêm vários ingredientes que marcaram as lutas sindicais nas décadas de 1980 e 1990: troca de acusações, sabotagem, manobras para manipular a votação, denúncias de fraude, briga na Justiça e até uma inusitada chapa de oposição cuja candidata à presidência [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>As eleições para a nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) contêm vários ingredientes que marcaram as lutas sindicais nas décadas de 1980 e 1990: troca de acusações, sabotagem, manobras para manipular a votação, denúncias de fraude, briga na Justiça e até uma inusitada chapa de oposição cuja candidata à presidência é a atual presidenta da entidade.  O acirramento não acontece à toa, pois o Sintepe é um dos maiores sindicatos do estado, com mais de 70 mil pessoas filiadas.</p>



<p>A eleição vai ocorrer nos dias 16 e 17 de junho, entre três chapas. De um lado, está a Chapa 1, ligada à deputada estadual Teresa Leitão e sua corrente do PT que comanda o sindicato há 30 anos. As concorrentes são as chapas 2, com militantes do PCdoB e um grupo que se diz independente, e a 3, formada majoritariamente por integrantes do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU).</p>



<p>A princípio, de acordo com o estatuto do sindicato, as eleições só aconteceriam em novembro de 2021, mas após uma assembleia realizada em dezembro de 2020, ficou decidido que o pleito seria antecipado para junho. Para integrantes das chapas 2 e 3, uma decisão &#8220;equivocada e irresponsável&#8221;, afinal, Pernambuco ainda está em uma fase crítica em relação ao número de casos de covid-19 e realizar as eleições agora significa pôr em risco a vida dos servidores. Os oposicionistas se uniram ao menos para pedir que a Justiça adiasse a votação, mas o pedido foi negado.</p>



<p>“O que tenho assistido é a completa ausência de democracia e a imposição de uma agenda autoritária de um grupo que, indiferente aos riscos de uma eleição presencial e à vida de milhares de pessoas, quer realizar as eleições a todo custo na perspectiva de manter-se no poder”, afirmou Valéria Silva, atual presidente do Sintepe e candidata à presidência pela Chapa 2 &#8211; de oposição. A sindicalista acusa a Chapa 1 de ser responsável pela antecipação das eleições.</p>



<p>Outra justificativa apresentada pelas chapas 2 e 3 para o adiamento das eleições é o fato dos servidores da rede estadual de ensino estarem em estado de greve desde abril deste ano. “Chega a ser contraditório os servidores terem que sair de suas casas para irem até a escola votar se estão em greve”, disse Kelly Silva, integrante da Chapa 3.</p>



<p>O secretário de Comunicação do Sintepe e integrante da Chapa 1, Dilson Marques, defende que a votação ocorrerá de maneira segura para mesários e eleitores. “Todos os cuidados sanitários estão sendo tomados. Todos os mesários foram testados para covid-19, utilizaremos terminais eletrônicos de voto para que o eleitor não precise pegar em papéis ou caneta, todos os locais de votação terão álcool em gel e banners com as orientações de distanciamento e prevenção. Não há risco de ter aglomeração porque até mesmo nas eleições que ocorriam antes da pandemia isso nunca aconteceu e agora não vai ser diferente”, afirmou o dirigente sindical.</p>



<h2 class="wp-block-heading">PT: o &#8220;dono&#8221; do sindicato</h2>



<p>A disputa pela direção do Sintepe se acirrou em dezembro de 2020 após a renúncia do então presidente Fernando Melo que aceitou convite para assumir a secretaria de Educação do município de Limoeiro. Com sua saída, a vice Valéria Silva assumiu a presidência, pelo menos no papel, pois a sindicalista afirma que não conseguiu gerir a instituição porque vem enfrentando &#8220;sabotagem da maioria da direção&#8221;, composta por militantes petistas. </p>



<p>De acordo com integrantes das chapas 2 e 3, apesar de não estar mais na presidência do sindicato, o PT tem o controle das senhas das redes sociais, da plataforma utilizada nas assembleias e reuniões de diretoria, coordena os funcionários e controla toda a infra-estrutura da entidade.</p>



<p>É isso que explica o fato da presidente Valéria Silva encabeçar uma das chapas de oposição.</p>



<p>Segundo Kelly Silva, representante da Chapa 3, a assembleia que resultou na antecipação das eleições para junho foi organizada pela Chapa 1 porque “o PT não quer que o sindicato seja presidido por outra força política”. A sindicalista conta sua versão dos fatos após a saída de Fernando Melo:</p>



<p>“O PT e o próprio sindicato já não estavam mais satisfeitos com o presidente Fernando Melo porque ele começou a apoiar o atual prefeito de Limoeiro, Orlando Jorge. Na época das eleições municipais do ano passado, Fernando começou a participar da campanha de Orlando e a gente começou a questionar, pois era uma candidatura de direita, do Podemos [partido de, entre outros, do senador paranaense Álvaro Dias]. Depois que Orlando ganhou as eleições, Fernando foi ser secretário de Educação de Limoeiro e renunciou à presidência do Sintepe. Quando ele renunciou, convocaram uma assembleia às pressas em dezembro, bem no período das festas de fim de ano, quando muitos sindicalistas estavam de recesso, e decidiram pela antecipação das eleições, que seriam em novembro de 2021, para junho de 2021”.</p>



<p>A assembleia que definiu a antecipação das eleições para junho aconteceu de maneira remota no dia 29 de dezembro.</p>



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	                                        <p class="m-0">Grupo do PT controla o sindicato há 30 anos. Crédito: Reprodução / Instagram Chapa 1 </p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading">Denúncias da oposição</h3>



<p>A antecipação da disputa resultou em uma série de problemas no processo eleitoral. Integrantes da chapa 2 e 3 acusam a chapa 1 de praticar manobras que burlam o estatuto do Sintepe e comprometeriam o resultado das eleições.</p>



<p>Entre as acusações apresentadas está o descumprimento de prazos regimentais, que determina que é preciso ter pelo menos três meses de filiação para participar das eleições, e a não averiguação da legalidade das candidaturas apresentadas, o que teria permitido a participação de não-sócios na Chapa 1.</p>



<p>Diversos ofícios solicitando a impugnação de inscrições realizadas fora do prazo foram apresentadas pelas chapas 2 e 3, mas os requerimentos não tiveram retorno da Comissão Eleitoral do sindicato.</p>



<p>De acordo com Kelly Silva, a comissão eleitoral é formada por oito integrantes, cinco são escolhidos por votação da diretoria e os outros três são representantes de cada chapa. Todos os cinco escolhidos através da votação são integrantes da Chapa 1. Portanto, a comissão é formada por seis representantes da Chapa 1 e apenas dois de oposição.</p>



<p>Em votação, na assembleia da comissão eleitoral que ocorreu no dia 10 de junho, foi definido que os dados das votações serão contabilizados em momentos específicos dos dias 16 e 17 de junho, fato que preocupa as chapas 2 e 3. Foi dado a opção de escolher se os dados seriam contabilizados nos dois dias ou apenas ao fim do segundo e último dia de votação, os integrantes da Chapa 1 optaram pela primeira opção e a oposição pela segunda. &#8220;Quem escolheu a empresa responsável pelo processo eleitoral foi a Chapa 1 e a gente não confia nessa escolha&#8221;, afirmou a sindicalista Kelly Silva. </p>



<p>Outra denúncia apresentada contra a Chapa 1 é a distribuição de brindes como camisetas, máscaras e álcool gel, nas residências dos sócios. De acordo com as chapas 2 e 3, os donativos foram comprados com recursos do próprio sindicato. Além da falta de divulgação do material de campanha de todas as chapas nas redes sociais oficiais do Sintepe.</p>



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	                                        <p class="m-0">A chapa 2 é de oposição, mas tem integrantes da atual diretoria. Créditos: Reprodução / Facebook Sintepe Livre</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading">O que diz a Chapa 1 </h3>



<p>Os integrantes da Chapa 1, que votaram pela antecipação das eleições, defendem que todo o processo eleitoral ocorre dentro da legalidade e rebatem as críticas e denúncias apresentadas pelas chapas de oposição. Para Dilson Marques, &#8220;o que as chapas de oposição queriam era o adiamento das eleições para ter mais tempo de realizar as suas campanhas&#8221;. </p>



<p>&#8220;Não há fraude nenhuma. A chapa dois entrou com uma ação na Justiça do Trabalho para interromper o processo eleitoral e foram derrotados. A juíza que decidiu manter as eleições deixou claro que a assembleia dos sócios e sócias era soberana para decidir as datas das eleições e a decisão foi tomada de forma correta, de acordo com o estatuto do sindicato”, defendeu o secretário de Comunicação do Sintepe.</p>



<p>Quanto ao questionamento feito sobre uma possível manipulação dos resultados, o integrante da Chapa 1 declarou que: “uma empresa de TI [Tecnologia da Informação], que já realizou eleições do sindicato dos trabalhadores em outros estados como São Paulo e Ceará, foi contratada para fiscalizar as eleições. Todo o processo vai ocorrer de forma transparente e dentro da legalidade do estatuto e também já estamos contratando uma empresa que vai ser responsável pela auditoria das eleições para não restar nenhuma dúvida sobre o processo”.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Após a publicação desta reportagem, a assessoria de comunicação da Chapa 1 enviou a seguinte nota, complementando as informações repassadas pelo dirigente sindical Dilson Marques. Segue a nota, reproduzida na íntegra abaixo</strong>:</p><cite>Os integrantes e as integrantes da Chapa 1 &#8211; Sintepe na Luta &#8211; Autônomo e Independente &#8211; vêm a este veículo para negar ilações feitas que atingem todos os membros da chapa, assim como fazer alguns esclarecimentos:<br><br>O mandato da atual diretoria já se encerrou em novembro do ano passado e foi prorrogado por mais seis meses. As eleições deveriam ocorrer em 20 de novembro de 2020, de acordo com o Estatuto e uma assembleia de sócios adiou as eleições para 16 e 17 junho. Portanto, avaliamos que a decisão soberana da categoria precisa ser respeitada por aqueles que pretendem ser os representantes dos trabalhadores em educação. Democracia sindical é respeitar e encaminhar a decisão soberana da categoria.<br><br>Sintepe tem 31 anos de muita luta democrática e a prática do Sindicato é reconhecidamente horizontal, sendo as decisões do Sindicato coletivas. Portanto, não se sustenta quaisquer argumentos de que a presidenta não está &#8220;governando&#8221;, pois nenhum presidente administra sozinho o Sintepe. A direção, a assembleia e as instâncias do Sindicato são soberanas, no entanto, a atual presidenta vem reiteradamente passando por cima das decisões coletivas e até recorreu à justiça para adiar as eleições e foi derrotada.<br><br>Novamente, ao afirmar categoricamente que a Chapa 1 está &#8220;há 30 anos no poder&#8221; o veículo ignora que atualmente a atual presidenta está na direção do Sintepe há 26 anos sem exercer a docência na sala de aula. E que na Chapa 1 não tem ninguém que esteja na direção do Sintepe há 26 anos e que 60% dos membros e membras de nossa Chapa são de novos militantes no movimento sindical. Na verdade, somos a chapa que promoveu a maior renovação de seus quadros.<br><br>Ao afirmar que a Chapa 1 é &#8220;ligada à deputada estadual Teresa Leitão&#8221; o Marco Zero Conteúdo comete um erro grave, emite um forte juízo de valor e deslegitima a história de lutas de todos os membros e membras da Chapa. Como nós mesmo anunciamos em nossa Carta Programa (que segue anexa), esta Chapa é composta de diversas forças políticas que atuam dentro e fora do Sindicato, sendo um agrupamento plural tanto na militância sindical como social.<br><br>Uma outra acusação absurda que o Marco Zero Conteúdo deveria ter tido mais cuidado, ou ao menos ouvido o Sindicato, é quanto à acusação de distribuição de brindes. O Sindicato fez um recadastramento e, como de costume, aproveitou o fato para distribuir itens da campanha salarial educacional 2021, como faz todo ano. O que chamam de brindes é a cópia da Revista Mátria, que todo ano é distribuída entre filiados; uma camisa da campanha salarial e um caderno de anotações, itens costumeiramente distribuídos em quaisquer época pelo Sindicato.<br><br>Por fim, ressaltamos que o Sintepe tem 31 anos de muita luta sindical, muita democracia interna e essas atuais eleições, que se cumprem no período da pandemia, mas que está sendo organizada com todo o cuidado e rigor, é uma prova da vitalidade do Sindicato.</cite></blockquote>



<h4 class="wp-block-heading">Como ocorrem as eleições</h4>



<p>As eleições que vão definir a nova direção do Sintepe e o resultado da disputa entre a Chapa 1 &#8211; Sintepe de Luta. Autônomo e Independente, Chapa 2 &#8211; Sintepe Livre, e Chapa 3 &#8211; Oposição Alternativa Sintepe, devem mobilizar quase 25 mil pessoas, entre mesários, eleitores e apoiadores administrativos.</p>



<p>A votação ocorre na quarta e na quinta-feira, dias 16 e 17 de junho, das 9h às 20h. O processo será realizado através de urnas eletrônicas fixas e volantes. Algumas ficarão sediadas em escolas estaduais, outras serão transportadas em táxis durante todo o dia.Algumas secções eleitorais do tipo <em>drive thru</em> também serão montadas.</p>



<p>Para representantes da oposição, mais um fato preocupante em relação ao contágio da covid-19. “Cada táxi com a urna volante terá um mesário e um representante de cada chapa, ou seja, o carro ficará lotado. Além disso, essas pessoas vão estar em contato constante com pessoas e lugares diferentes”, declarou Kelly Silva.</p>



<p>Ainda de acordo com a sindicalista, na noite do domingo, dia 13 de junho, a comissão eleitoral informou que todos os mesários e representantes das chapas que vão participar do processo eleitoral precisavam ser testados para a covid-19 e o resultado deveria ser apresentado até às 17h da segunda-feira, 14 de junho. A decisão anunciada em cima da hora, com um prazo de menos de 24 horas de execução, pode resultar na substituição de mesários e fiscais das chapas.</p>



<p>“Eles disponibilizaram um centro de testagem na sede da CUT aqui no Recife, mas muitos dos nossos fiscais e mesários são do interior de Pernambuco. Eles disseram que podiam fazer os testes em farmácia e depois reembolsariam o valor, mas muitos nem têm dinheiro para fazer o teste, que custa uns R$ 80,00”, afirmou a oposicionista.</p>



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		<title>Horas antes do ato pela educação, robôs atacam rede social de deputado comunista</title>
		<link>https://marcozero.org/horas-antes-do-ato-pela-educacao-robos-atacam-rede-social-de-deputado-comunista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 May 2019 19:02:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ataque cibernético]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[PCdoB]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Na noite de segunda-feira, 13 de maio, o deputado estadual e ex-prefeito do Recife, João Paulo (PCdoB), tinha pouco mais de 3.900 seguidores em sua conta no Instagram. Quando a equipe de seu gabinete voltou a trabalhar na manhã do dia seguinte, o número de seguidores ultrapassava 10 mil. O aumento de 150% durante a madrugada, na véspera da manifestação dos estudantes em defesa da educação pública, deixou o deputado em estado de alerta.</p>
<p>Depois de passarem boa parte da terça-feira e a manhã de quarta, dia 15, bloqueando os perfis um a um, os assessores foram surpreendidos com mais um ataque: de repente, a conta passou a ter mais de 8.400 seguidores.</p>
<p>Os perfis dos novos “seguidores” é o que mais preocupa. Todos eram bem semelhantes, com características próprias de robôs: com fotos de jovens, a maioria de países asiáticos (Irã, Índia, Bangladesh, Turquia, Rússia e até alguns usando o idioma Iorubá, da Nigéria, por exemplo), com números completado o nome e todos eles com poucos seguidores e seguindo milhares de contas.</p>
<p>A movimentação, apesar de estranha à rotina do perfil, não gerou danos. Os supostos perfis falsos não produziram qualquer atividade, seja comentários ou “likes”.</p>
<p>O fato do surgimento dos 6 mil perfis ter sido praticamente simultânea à invasão do site oficial do Partido Socialista Brasileiro (PSB) , ao qual está filiado o governador de Pernambuco, cuja vice-governadora é Luciana Santos, correligionária de João Paulo, não foi encarado como uma simples coincidência.</p>
<p>&#8220;Nossa interpretação é que esse ataque tem relação com as manifestações em defesa da educação pública. Ou então, estão querendo nos nivelar por baixo, para denunciar que nossos curtidores são robôs, como nas redes de Bolsonaro&#8221;, afirma Lygia Falcão, chefe de gabinete de João Paulo. Preocupada, ela não sabe dizer porque João Paulo seria um alvo específico dos robôs da extrema-direita.</p>
<p><strong>Ataques custam muito dinheiro</strong></p>
<p>Professor de Marketing Político da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e especialista no uso político e eleitoral de ferramentas digitais, Fernando Fontanella garante: &#8220;Ataques massivos com essa proporção envolvem muito dinheiro. Alguém está gastando muito para custear esses ataques&#8221;.</p>
<p>Intrigado com a escolha do alvo, Fontanella não entende a razão do ataque a João Paulo, um político moderado e conciliador, mas acredita que o ataque não foi aleatório.</p>
<p>&#8220;Se eu estivesse no lugar dele, estaria preocupado, sim. Provavelmente, isto é uma ação que precede a ataque maior e mais grave. Se a senha do instagram for roubada, por exemplo, os invasores podem postar conteúdos danosos, ofensivos ou desmoralizantes e alcançar uma repercussão maior por causa do acréscimo de seguidores&#8221;.</p>
<p>Para Fontanella, o fato da maioria dos perfis robotizados já seguir milhares de outras contas, indica que fazem parte de uma rede bem desenvolvida. &#8220;É necessário analisar quem eles seguem, pois provavelmente há outras vítimas&#8221;.</p>
<p>A equipe da Marco Zero Conteúdo procurou as equipes de comunicação de outros políticos do PCdoB, PT, PSOL e PSB, mas em nenhum caso foram registrados ataques ou movimentações em suas redes sociais.</p>
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		<title>PC do B quer Dilma mais firme na resistência</title>
		<link>https://marcozero.org/pc-do-b-quer-dilma-mais-firme-na-resistencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2015 17:17:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Crise]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
		<category><![CDATA[golpe]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[PCdoB]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Vasconcelo Quadros (Brasília) A crise ofuscou tanto o cenário que pouca gente percebeu uma mudança sensacional nos rumos do comunismo brasileiro. Uma mulher de 49 anos assumiu o comando nacional do mais maduro partido de esquerda, o PC do B, com um desafio de assustar os homens mais tarimbados no exercício do poder: articular [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>				<strong>por Vasconcelo Quadros (Brasília)</strong></p>
<p>A crise ofuscou tanto o cenário que pouca gente percebeu uma mudança sensacional nos rumos do comunismo brasileiro. Uma mulher de 49 anos assumiu o comando nacional do mais maduro partido de esquerda, o PC do B, com um desafio de assustar os homens mais tarimbados no exercício do poder: articular uma frente que salve o mandato da presidente Dilma Rousseff, aponte caminhos num país com a economia em frangalhos e vença a crise política que ameaça a democracia.</p>
<p>“Peguei logo em bomba, como se fala no Recife”, diz a deputada pernambucana Luciana Santos, catapultada ao olho do furacão pelos novos ventos que reoxigenaram o partido de 93 anos, que planejou a Intentona de 1935, organizou, foi massacrado na Guerrilha do Araguaia e está umbilicalmente ligado aos conflitos que marcaram a história da República. As armas agora são outras.</p>
<p>Luciana Santos tem uma visão realista do momento político e, se por um lado exorta os partidos da base a se unirem para reagir com propostas e mobilizações populares ao movimento golpista em curso, por outro, tem os pés enraizados na democracia e olha para o futuro com propostas modernas e viáveis. É dela, por exemplo, a iniciativa de chamar para um encontro que inicia esta semana a comunidade científica e quem mais tem a dizer sobre o setor, para colocar a tecnologia e a inovação como alavancas do que seria uma economia socialista.</p>
<p>Também articulou e é signatária do documento “Sugestões à Agenda Brasil”, elaborado na semana passada e subscrito por 15 partidos da base do governo na Câmara &#8211; as exceções foram o PDT e o PMDB -, que lista, em 11 pontos que vão do combate a corrupção às reformas estruturais, saídas para superar a crise. Ela parte de um diagnóstico sobre a doença que ataca a República.</p>
<p><strong>Só falta um Lacerda</strong></p>
<p>“A crise política é mais grave. É ela que alimenta a crise econômica”, disse a deputado em entrevista ao Marco Zero. Para a primeira mulher a comandar o PC do B, resguardadas as proporções, o conturbado momento brasileiro, turbinado pela onda de denúncias de corrupção alimentada pela Operação Lava Jato, tem contornos semelhantes com os últimos momentos da Era Vargas. “Falta um Lacerda”, complementa Luciana, numa referência ao ex-governador Carlos Lacerda cuja campanha, lastreada no “mar de lamas” sob o qual flutuava o Palácio do Catete, só terminou com o suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas, em agosto 1954.</p>
<p align="justify">A crise atual, segundo ela, nasceu do inconformismo do PSDB com o resultado das eleições do ano passado e evoluiu para uma ofensiva sem limites para “deslocar” a presidente Dilma Rousseff do poder, ainda que para isso seja necessário pisotear a Constituição e interromper um processo democrático construído na resistência contra uma ditadura que durou 21 anos.</p>
<p align="justify">“A eleição, acirrada e polarizada, gerou contornos de muita intolerância e um pensamento conservador, que já existia, mas que agora mostra a cara. Toda estratégia da oposição foi montada na instabilidade e na imprevisibilidade e ultrapassa todas as etapas da legalidade. Há traços fortes de golpismo quando se tenta um impeachment sem base”, afirma.</p>
<p align="justify">A diferença entre as duas últimas grandes crises políticas &#8211; a que deu no suicídio de Getúlio, em 1954, e o golpe civil-militar de 1964, este reivindicado à época até em editoriais dos grandes veículos de comunicação -, na visão da deputada Luciana Santos é que agora os conspiradores encontram guarida num novo protagonista, o judiciário.</p>
<p align="justify"><strong>Estado policialesco</strong></p>
<p align="justify">“Não existe imparcialidade. No judiciário há uma posição clara no campo político. Os atores têm posições políticas e dão tratamento diferente em casos iguais”, alfineta a comunista. Um dos exemplos, segundo ela, foi a recente denúncia feita pelo doleiro Alberto Yousseff, que em depoimento na CPI da Petrobras acusou o líder da oposição, o senador tucano Aécio Neves, derrotado por Dilma em 2014, de ter recebido propina das empreiteiras da Lava Jato. As informações foram desprezadas tanto pelos órgãos de controle quanto pela mídia.</p>
<p align="justify">Luciana Santos lembra que o combate à corrupção é uma das bandeiras da esquerda, mas defende que seja feito de forma imparcial e com respeito ao estado de direito. Ou seja, que se acuse, se denuncie e se condene com provas, sem o que, conforme observa, não há justiça. A interferência excessiva do judiciário em assuntos de outros poderes, segundo ela, são prenúncios do “estado policialesco” onde, ao contrário de uma democracia com regras, inverte-se o ônus da prova e todos se tornam culpados.</p>
<p align="justify">“A judicialização da política é um risco à democracia. Usam a Lava jato como arma política. A divulgação seletiva dos fatos desvirtuou a operação”, alerta a deputada. Luciana lembra que, embora bombardeada diariamente através de denúncias que saem de órgãos oficiais como o Ministério Público Federal, Dilma acatou o resultado da eleição interna no órgão e reconduziu ao cargo o procurador Geral da República, Rodrigo Janot, o mais votado de uma lista tríplice encaminhada como sugestão ao Palácio do Planalto. “São Paulo e Minas não seguem a lista tríplice apresentada pelo Ministério Público”, cutuca, referindo-se aos redutos tucanos. O atual Procurador de Justiça de Minas foi indicado pelo governo anterior ao atual, do PT.</p>
<p align="justify">Luciana Santos chama a atenção para um fenômeno típico da democracia brasileira, que é a diferença explícita entre governo e poder, este ainda nas mãos das mesmas elites que historicamente ditaram os rumos da politica. Segundo ela, a vitória de Lula e Dilma nos últimos 12 anos, permitiu o acesso da esquerda e das classes populares a um pequeno espaço do Estado. “Nós chegamos ao governo, mas o poder ainda está muito distante”, ressalva.</p>
<p align="justify"><strong>Ninho dividido</strong></p>
<p align="justify">Embora o predomínio da elite seja um forte fator de controle e, ao mesmo tempo, gerador de instabilidade ao governo de esquerda, a presidente do PC do B não vê clima para aventura golpista por duas razões básicas: os grupos econômicos de peso sabem que o deslocamento do eixo do poder seria um desastre de consequências imprevisíveis e a própria oposição que conspira está dividida.</p>
<p>“A oposição tem um único foco, que é interromper o mandato, mas enfrenta contradições internas. O Aécio quer (derrubar Dilma) agora; o Alckmin (Geraldo Alckmin, governador paulista e candidatíssimo em 2018), quer que Dilma sangre até o fim &#8211; como sugeriu o senador Aloísio Nunes, estranhamente, personagem que no passado, vítima da perseguição da ditadura, foi curar as feridas no exílio _ enquanto Serra (senador José Serra) paquera com o PMDB. Eles não têm unidade para fazer o deslocamento”, avalia a comunista. Para aumentar seu labirinto, na hipótese de emplacar o golpe ou a renúncia pregada pelo tucano de plumagem mais visível, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os tucanos ainda convivem com o medo de enfrentar Lula numa nova eleição.</p>
<p><strong>Nova governabilidade</strong></p>
<p>O cenário, como se vê, é preocupante e incerto. A presidente do PC do B acha, no entanto, que a conspiração é uma escalada que só será interrompida com a contraofensiva da esquerda via reestruturação da coalizão governista, um novo pacto de governabilidade &#8211; com agenda a ser construída &#8211; e, especialmente, através de uma ação política mais efetiva de Dilma pela resistência. Isso, antes que seja tarde.</p>
<p>“Estamos no limite da crise institucional”, alerta. O PC do B, aliás, foi um dos poucos partidos que não foram surpreendidos com o golpe de 1964, que germinou e ganhou corpo numa crise cujo início é parecido com o cenário de 2015. Duas diferenças a favor da superação da crise, no entanto, é a existência de movimentos sociais solidamente organizados e a consciência mais clara de que o respeito ao voto é a parte mais saudável da democracia.</p>
<p>“A base que elegeu Dilma é muito ampla, mas espera uma iniciativa do governo. Vamos construir uma frente ampla, com a participação do setor produtivo e de trabalhadores, para um novo pacto de governabilidade. É preciso resistir e estimular a presidenta a estar mais presente”, provoca Luciana Santos.</p>
<p><strong>Contradição doméstica</strong></p>
<p>Enquanto atua como protagonista nos limites da esquerda nacional, Luciana Santos precisa lidar com uma contradição em Pernambuco. No governo do seu estado e na prefeitura da capital, o PC do B é coadjuvante em uma larga aliança em que os principais partidos oposicionistas (DEM, PSDB e PPS inclusive) e lideranças evangélicas de extrema-direita movimentam-se confortavelmente.</p>
<p>Há duas explicações para sua presença na frente comandada pelo PSB. A primeira estaria no campo a “tradição”, em razão das relações históricas do partido com os falecidos Miguel Arraes e Eduardo Campos. A outra é de ordem tática: o PC do B seria o elo de ligação capaz de atrair os “socialistas” e a família Campos de volta ao berço da esquerda, algo que se torna mais difícil com o alinhamento dos herdeiros políticos do ex-governador com a oposição.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 115%;"> <span style="font-family: Cambria,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Araguaia, a guerrilha</b></span></span></p>
<p>“O Araguaia foi resistência. Era necessário proteger os quadros do partido que estavam sendo perseguidos nas cidades pela ditadura”, disse a deputada em entrevista exclusiva ao Marco Zero. Em 1972, quando o conflito eclodiu, Luciana Santos tinha apenas sete anos e, naturalmente, jamais imaginaria que a história lhe pegaria uma boa peça, levando-a ao comando do partido que fez da guerrilha uma das mais intensas páginas da esquerda armada num momento cuja conturbação, resguardadas as proporções, guarda vivas semelhanças com a conspiração que, em 1964, derrubou o governo legitimamente eleito de João Goulart.</p>
<p><a name="_GoBack"></a> Dois anos antes o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, em um artigo tão lapidar quanto profético, antecipara a quartelada: “Quem vai dar o golpe no Brasil”, anunciou logo no título para descrever o clima tenso. Os comunistas, reunidos então no velho partidão, o PCB, também anteviram o golpe e se dividiram por conta das diferenças de opinião sobre as táticas de reação. Luiz Carlos Prestes não queria o conflito e ficou com o PCB. Carlos Marighella fundou a Ação Libertadora Nacional (ALN), a mais aguerrida das organizações que fizeram a luta armada urbana, enquanto João Amazonas e Maurício Grabois optaram pelo campo, levando os quadros mais preparados para o Bico do Papagaio, na confluência entre o Pará, Goiás e Maranhão, às margens do Rio Araguaia.</p>
<p>Os preparativos da guerrilha começaram, na verdade, em 1966, quando o engenheiro de mina, boxeador e ex-militar Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, disfarçado de garimpeiro e caçador de peles (mariscador na linguagem dos camponeses) se instalou na região. A descoberta do foco levou os militares a organizar um aparato envolvendo as três Forças (Exército, Aeronáutica e Marinha) para um conflito que, encoberto pela conspiração do silêncio, duraria entre 1972 e 1975 e se transformaria num dos maiores massacres da história brasileira. Cerca de 80 militantes do PC do B &#8211; entre militantes históricos, acadêmicos, estudantes e, alguns deles, filhos de camponeses &#8211; deixaram lá seus ossos. Embora suas identidades sejam amplamente conhecidas, ainda figuram na lista de desaparecidos políticos. Meio século depois, a Guerrilha do Araguaia ainda é uma ferida aberta na selva amazônica e um trauma para a esquerda armada, especialmente no PC do B.</p>
<p>Sinal dos tempos, a linha do PC do B hoje nada mais tem a ver com o maoísmo que inspirou o Araguaia. A ascensão de Luciana Santos é uma aposta na modernização do socialismo e a adaptação do partido no novo mundo aberto pelas novas tecnologias. “O PC do B não é fechado. Não temos correntes e nem disputas internas. Primamos pela unidade política, apostamos na renovação, na juventude e, permanentemente, na atualização do socialismo ao moderno e ao contemporâneo”, diz a deputada. Sua ascensão, unificando os comunistas, foi uma “construção” de Renato Rabelo, que presidiu o partido por 13 anos, sucedendo um então lendário João Amazonas, que ficou no comando desde que o surgimento da nova sigla, em 1962, até sua morte, em 2002.</p>
<p>Sobrevivente do Araguaia, João Amazonas diria, depois da Anistia, que a região em que os guerrilheiros foram viver, habitada por pequenos agricultores e literalmente abandonada pelo poder público, era tão atrasada que em plena industrialização lá ainda não havia chegada a era da enxada &#8211; o plantio era feito com um facão rudimentar. É curioso observar hoje que na divisão da máquina governamental de Dilma, coube ao partido o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, talvez, uma oportunidade rara na história para levar o país a uma saudável guinada.		</p>
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