<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos penduricalhos - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/penduricalhos/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/tag/penduricalhos/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 10 Mar 2026 19:43:27 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivos penduricalhos - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/tag/penduricalhos/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Entre penduricalhos e parcelas, a crônica de uma servidora pública sem enfeites</title>
		<link>https://marcozero.org/entre-penduricalhos-e-parcelas-a-cronica-de-uma-servidora-publica-sem-enfeites/</link>
					<comments>https://marcozero.org/entre-penduricalhos-e-parcelas-a-cronica-de-uma-servidora-publica-sem-enfeites/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 19:43:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[penduricalhos]]></category>
		<category><![CDATA[salários da Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[serviço público]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=74812</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Telma de Oliveira Melo* Outro dia, li entre um plantão e outro da vida, a fala solene no STF em defesa dos “penduricalhos”. Palavra curiosa, essa. Na minha infância, penduricalho era enfeite de árvore de Natal. Agora descubro que também pode enfeitar contracheque e com muito mais brilho. Sou enfermeira. Quarenta e dois anos [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entre-penduricalhos-e-parcelas-a-cronica-de-uma-servidora-publica-sem-enfeites/">Entre penduricalhos e parcelas, a crônica de uma servidora pública sem enfeites</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Telma de Oliveira Melo*</strong></p>



<p>Outro dia, li entre um plantão e outro da vida, a fala solene no STF em defesa dos “penduricalhos”. Palavra curiosa, essa. Na minha infância, penduricalho era enfeite de árvore de Natal. Agora descubro que também pode enfeitar contracheque e com muito mais brilho.</p>



<p>Sou enfermeira. Quarenta e dois anos de Ministério da Saúde nas costas, nos joelhos, na lombar, na vista cansada de ler prontuário. Foram anos em hospitais, na lida direta com o paciente; depois na policlínica, equilibrando demanda, urgência e escassez, e atualmente no nível central da gestão da saúde, como técnica em saúde, onde os papéis pesam tanto quanto os plantões de outrora. Poderia me aposentar, é verdade. Mas a aposentadoria, para nós mortais do serviço público sem penduricalhos, costuma ser uma espécie de dieta forçada: corta-se aqui, reduz-se ali, e de repente o plano de saúde que já consome uns modestos 25% do salário, passa a olhar para mim com aquele ar faminto. E os remédios, sempre pontuais como um boleto, aumentam com a mesma disciplina que eu tive ao pegar ônibus sob sol, chuva e greve.</p>



<p>Durante anos fui fiel ao transporte coletivo. Fizesse sol ou chuva, lá estava eu, com bolsa, marmita e compromisso. Compromisso é compromisso, sempre foi meu lema. Até que, depois de muito esforço, contas ajustadas no limite do possível e uma boa dose de coragem, consegui comprar um carro. Financiado, claro, porque milagre não consta no meu plano de carreira. Mas aquele carro representou mais do que quatro rodas: foi o alívio do desgaste físico, a economia de tempo, a preservação de um pouco da sanidade depois de plantões longos. Não foi luxo, foi sobrevivência com parcelas mensais.</p>



<p>Enquanto isso, descubro que há quem receba, líquidos, a bagatela de R$ 709 mil ao longo do ano. Líquidos. A palavra me chama atenção porque, no hospital, líquido é soro, na folha de pagamento, parece ser outra substância, mais rara, quase etérea.</p>



<p>Fiquei pensando na logística dos meus próprios “penduricalhos”. Ao longo dos anos, no setor em que estou cedida ao SUS, lotada aqui, encaixada ali, eu e meus colegas compramos café, chá, cafeteira, micro-ondas. Não por luxo, mas por sobrevivência gastronômica. Como não havia local adequado para esquentar a marmita, improvisamos. Nosso penduricalho é a extensão elétrica. Nosso benefício é a vaquinha do fim do mês.</p>



<p>E então ouço a fala da doutora, meritíssima? excelência? Confesso que, nesse ponto, o tratamento virou detalhe. Não me interessa o título, porque respeito não depende de pronome de tratamento, depende de sensibilidade. E é aí que mora meu espanto, a tentativa de se apresentar como coitadinha em meio a uma multidão de servidores que, na maioria, não recebem nem 1% do que ela chama de vencimentos.</p>



<p>Não escrevo movida por ira, embora a pressão arterial tenha seus comentários a fazer, mas por essa necessidade quase terapêutica de organizar o espanto. Se é desabafo ou catarse, pouco importa. Talvez seja apenas a velha enfermeira tentando medir os sinais vitais da República.</p>



<p>E, olhando os números, confesso: a febre é alta.</p>



<p>Enquanto isso, amanhã estarei de novo a caminho do trabalho, agora ao volante do meu carro parcelado, quitando com esforço cada prestação, com meu crachá, minha marmita e meus próprios, discretíssimos, penduricalhos: dignidade, compromisso e um café dividido entre colegas. Esses, sim, rendem muito.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*<strong>Enfermeira e servidora pública federal</strong> é concursada há mais de 40 anos. Ao longo de sua trajetória, acumulou ampla experiência no sistema público de saúde, atuando na assistência hospitalar, na gestão de unidades de saúde e em funções estratégicas na administração central.</p>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entre-penduricalhos-e-parcelas-a-cronica-de-uma-servidora-publica-sem-enfeites/">Entre penduricalhos e parcelas, a crônica de uma servidora pública sem enfeites</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/entre-penduricalhos-e-parcelas-a-cronica-de-uma-servidora-publica-sem-enfeites/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
