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	<title>Arquivos periferias - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 12 Sep 2025 16:48:48 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos periferias - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>&#8220;O pobre e o negro precisam saber quem são seus inimigos&#8221;, afirma Jessé Souza na Flup</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Sep 2025 16:48:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Até este domingo (15) o vão de entrada do Compaz do Alto Santa Terezinha recebe a Festa Literária das Periferias de Pernambuco, a Flup-PE. A noite de abertura, na quarta-feira (10), contou com uma instigante conversa entre o sociólogo Jessé Souza e a escritora Bianca Santana sobre a juventude negra e seus desafios, com mediação [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Até este domingo (15) o vão de entrada do Compaz do Alto Santa Terezinha recebe a Festa Literária das Periferias de Pernambuco, a Flup-PE. A noite de abertura, na quarta-feira (10), contou com uma instigante conversa entre o sociólogo Jessé Souza e a escritora Bianca Santana sobre a juventude negra e seus desafios, com mediação da educadora Jéssica Santos. Para uma plateia cheia, Jessé e Bianca falaram sobre como a esquerda precisa se comunicar com esse numeroso e importante público – e que, em tempos de capitalismo selvagem, sonhar e imaginar outros mundos é imprescindível.</p>



<p>Em uma de suas falas, Jessé argumentou que a esquerda brasileira falhou em transmitir suas ideias de forma eficaz, focando apenas em políticas econômicas sem conseguir conectar-se verdadeiramente com as massas. O sociólogo citou uma pesquisa que coordenou em 2010 com pessoas das periferias que haviam ascendido social e economicamente pelos programas dos governos de esquerda. Ao serem questionadas a quem atribuíam sua melhoria de vida, a maioria atribui a convicções religiosas, sem reconhecer as ações governamentais.</p>



<p>Para mudar essa realidade, Jessé Souza aponta que o caminho é a informação. “O pobre e o negro precisam saber quem são seus inimigos&#8221;, afirmou. &#8220;Você tem que reconstruir uma interpretação que faça com que o jovem negro saiba quem é o inimigo dele. O inimigo dele tem nome, está na Faria Lima. É esse pessoal que vai comprar o Congresso, que tem a imprensa, que vai dominar o Banco Central, que vai montar o sistema de juros”, continuou.</p>



<p>O sociólogo, que é um dos idealizadores do <a href="https://iclnoticias.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Conhecimento Liberta (ICL)</a>, acredita que é necessário um esforço conjunto para reconstruir a interpretação do mundo dos brasileiros, de forma crítica e bem informada. “Não temos um DNA que vai definir como é que vai ser o nosso comportamento. Nós somos seres humanos. Isso significa que as ideias são o que é mais importante no mundo. Se você muda a interpretação que você tem de você e do mundo na sua cabeça, você já mudou. Uma população que é oprimida, reduzida à miséria, precisa ser esclarecida. E a maior parte das pessoas que estão com a mão na massa da política sequer percebem isso como uma necessidade”, criticou.</p>



<p>“Sem tocar na questão da hegemonia das ideias, não vamos conseguir mudar o Brasil. Há muita gente que acha que isso é uma questão acadêmica. Não, isso é um assunto prático. Se você não tem informação plural para formar sua própria opinião, você vai ser manipulado, você vai ser feito de imbecil”, pontuou. “Temos no país, já há algum tempo, coisas boas que são feitas pela imprensa alternativa. Mas não chega na periferia, não chega no interior. É consumido pela classe média, basicamente. Eu acho que faltam políticas públicas para informar a população”, disse.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Imaginar novos mundos</h2>



<p>Para Bianca Santana, a disputa de narrativa, de que o Jessé Souza fala, passa também pela produção de literatura, arte, cultura e mídia. “Passa por a gente disputar no imaginário coletivo qual é a verdade, qual é a nossa história e o que a gente deseja”, disse.</p>



<p>Bianca falou sobre a importânica de pessoas pretas produzirem literatura e descreveu o conceito da escrevivência, proposto pela escritora Conceição Evaristo. “A escrevivência surge como um ato de apropriação da pena, em que as mulheres negras passam a contar suas próprias histórias e as histórias do Brasil a partir de suas próprias experiências vividas e dos seus corpos, escrevendo em primeira pessoa, falando de si mesmas, desafiando as narrativas dominantes”, detalhou.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2025-09-11-at-22.33.28-300x200.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2025-09-11-at-22.33.28-1024x683.jpeg" alt="A foto mostra um momento de debate em um palco. Em primeiro plano, à esquerda, está Bianca Santana, uma mulher negra de pele parda e cabelo crespo curto, usando um vestido ou túnica branca. Ela segura um microfone próximo à boca e fala para o público, com expressão séria e concentrada. Ao lado dela, um pouco mais ao fundo, há outra pessoa, também vestida de branco, sentada em uma poltrona e observando atentamente. O fundo do palco é vermelho, com a sigla “Flup” e a frase “A Festa Literária das Periferias” em destaque, além de um painel amarelo com outros elementos gráficos." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A escritora Bianca Santana falou sobre a importância de ler para imaginar novos caminhos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Juliana Amara/FlupPE/Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A escritora afirmou que hoje as pessoas negras produzem literatura de todo tipo, para todo gosto. “E, ainda assim, a gente precisa demais. Porque quando eu leio essa literatura – que pode ser sobre um lugar perto da gente, ou sobre o futuro, ou uma redenção do passado, até de um lugar muito diferente do meu – isso me abre possibilidades novas de existência. Eu posso imaginar, por exemplo, para mim, para a minha família, para o meu coletivo, o que eu não tinha imaginado ainda. Eu posso inventar possibilidades  que eu não teria condições de inventar se eu não tivesse lido”, afirmou.</p>



<p>Além das mesas com discussões, a Flup-PE conta com uma feira de livros e barraquinhas com comidas vegetarianas. Um dos destaques do festival é a presença do premiado escritor Itamar Vieira Júnior, nesta sexta-feira, às 19h. O Compaz do Alto Santa Terezinha fica na avenida Aníbal Benévolo, s/nº. Não é necessário reservar ingresso, é só chegar por lá.</p>



<p>Confira a programação completa da festa, que nesta primeira edição em Pernambuco homenageia o poeta Solano Trindade:</p>



<p></p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>SEXTA-FEIRA (12 de setembro)</strong><br />
<strong><br />
15h</strong> &#8211; Lançamento de autores independentes: Samuel Santos (Maria Preta), Luciene Nascimento (Tudo nela é de se amar) e Marcondes FH (Rosa Menininho)</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>17h</strong> &#8211; Mesa 1: A força e a resistência do sagrado em Pernambuco</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Pai Ivo, Mãe Beth de Oxum</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Pai Lívio</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>18h30</strong> &#8211; Mesa 2 : A arte como vetor, movimento e inspiração</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Salgado Maranhão, Isaar</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Luciana Queiroz</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>20h</strong> &#8211; Mesa 3: A quem a arte incomoda? E a quem deve servir?</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Itamar Vieira Jr, Vitor da Trindade</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Lenne Ferreira</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>21h30</strong> &#8211; Lançamento de Livros de Itamar Vieira e Vitor da Trindade</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>SÁBADO (13 de setembro)</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>14h</strong> &#8211; Lançamento de Livros de autores independentes: Eron Villar (editor de O Carnaval de Capiba), Vera Lúcia e Wedna Galindo (Espanador não limpa poeira) e Fátima Soares (Ossos)</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>15h</strong> &#8211; Mesa 1: Sonhos vivos: o poder da cultura na construção social</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Jeff Alan, Andala Quituche</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Thayane Fernandes</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>16h30</strong> &#8211; Mesa 2: O futuro é agora e feminino. E a literatura também</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Marilene Felinto, Lorena Ribeiro</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Bell Puã</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>18h30</strong> &#8211; Mesa 3: Pioneiras, sim! Sozinhas, não!</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Sônia Guimarães, Robeyoncé Lima</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Renata Araújo</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>18h</strong> &#8211; Lançamento de livros com Thayane Fernandes, Lorena Ribeiro, Marilene Felinto</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>20h30</strong> &#8211; “Se eu fosse Malcolm” &#8211; apresentação teatral de Eron Villar e DJ Vibrasil</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>DOMINGO (14 de setembro)</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>14h</strong> &#8211; Lançamento de livros de autores independentes: João Gomes (Revezamento Secreto), Célia Martins (Ara-Y), Maria Cristina Tavares (As aventuras de Bayo em Terras Africanas) e Robson Teles (Ave, Guriatã)</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>15h</strong> &#8211; Mesa 1: Acessos e permanências: nosso lugar é todo lugar</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Luciany Aparecida, Amanda Lyra</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Érico Andrade</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>16h30</strong> &#8211; Lançamento de livros</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Érico Andrade e Luciany Aparecida</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>17h</strong> &#8211; Mesa 2: Entre sons e sensações: palavra é música e música é poesia</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Palestrantes: Ellen Oléria, Lucas dos Prazeres</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● Mediação: Marta Souza</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>19h</strong> &#8211; Encerramento com apresentação artística de Lucas dos Prazeres e participação da cantora Ellen Oléria</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Com apoio britânico, Beth de Oxum lança projeto de tecnologia e empreendedorismo em Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/com-apoio-britanico-beth-de-oxum-lanca-projeto-de-tecnologia-e-empreendedorismo-em-olinda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Nov 2023 02:43:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[formação]]></category>
		<category><![CDATA[periferias]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Projeto promove uso consciente das tecnologias e empoderamento de jovens periféricos. Foto: Nin lá Croix/Divulgação</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Abrindo o mês da consciência negra, o LabCoco, com o apoio do Governo Britânico através do <a href="https://www.gov.uk/government/case-studies/uk-brazil-tech-hub-partners-with-future-females-business-school" target="_blank" rel="noreferrer noopener">UK Brazil Tech Hub</a>, lançará neste sábado (04) o <a href="https://www.instagram.com/p/CzJsN0oLwPP/?img_index=1">&#8220;Projeto Tecnologia de Quebrada&#8221;</a>, durante a tradicional Sambada de Coco do Guadalupe, em Olinda, a partir das 20h. Para o lançamento está prevista a roda de conversa &#8220;Papo de cria: tecnologia e identidade&#8221;, com a participação dos parceiros Science Studio e Pajubá Tech, que, ao lado do M.I.N.A.S &#8211; Mulheres em Inovação Negócios e Artes, estarão presentes no processo de formação. </p>



<p>Para promover o letramento digital, o senso de pertencimento, inovação e rentabilidade para negócios de periferias, além do fortalecimento de comunidades a partir do uso consciente das tecnologias, o projeto formará 20 jovens da Região Metropolitana do Recife. &#8220;Vamos aprender juntos, na prática, sobre como usar várias ferramentas digitais para se organizar melhor, construir sua marca e fazer a comunicação&#8221;, afirma a fundadora e presidente de honra do Ponto de Cultura, Mãe Beth de Oxum. </p>



<p>As inscrições ficarão abertas de 04 de novembro à 23 de dezembro, e os detalhes e todas as dúvidas podem ser tiradas no perfil do instagram do LabCoco (<a href="http://@llabcoco" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@llabcoco</a>). E as aulas acontecerão no espaço do Ponto de Cultura Coco de Umbigada que funciona no Beco da Macaíba, em Guadalupe.</p>



<p>A prioridade será para pessoas de comunidades periféricas, negras, indígenas, LGBTQIA+, mães, mulheres, com deficiência, estudantes de escola pública, pertencentes a grupos tradicionais ou comunidades como quilombolas, casas de candomblé, maracatus, cirandas, frevos, grupos de capoeira e coco.</p>



<p>O LabCoco promove capacitação em tecnologia nas periferias desde 2005, reunindo tecnologia, arte, cultura, representatividade e ancestralidade por meio de plataformas de games educativos, laboratórios com metodologias para a construção de jogos e soluções em software e formação cultural para combater a desigualdade social, o preconceito, o racismo e a intolerância religiosa.  <br></p>





<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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			</item>
		<item>
		<title>Comunicação produzida nos territórios enfrenta rede de desinformação sobre o coronavírus</title>
		<link>https://marcozero.org/comunicacao-produzida-nos-territorios-enfrenta-rede-de-desinformacao-sobre-o-coronavirus/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2020 15:17:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação popular]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[grande recife]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[periferias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lavar as mãos e ficar em casa. Duas medidas simples de enfrentamento à pandemia da Covid-19 têm exposto a complexidade da desigualdade no Brasil. O coronavírus é mais uma forma de morrer que chega aonde não chega a água, nem o emprego formal. Nesse contexto, enquanto as autoridades federais “batiam cabeça” e adiavam o auxílio [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/comunicacao-produzida-nos-territorios-enfrenta-rede-de-desinformacao-sobre-o-coronavirus/">Comunicação produzida nos territórios enfrenta rede de desinformação sobre o coronavírus</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p> Lavar as mãos e ficar em casa. Duas medidas simples de enfrentamento à pandemia da Covid-19 têm exposto a complexidade da desigualdade no Brasil. O coronavírus é mais uma forma de morrer que chega aonde não chega a água, nem o emprego formal. Nesse contexto, enquanto as autoridades federais “batiam cabeça” e adiavam o auxílio de renda básica às famílias mais vulneráveis, a vacina contra a desinformação e a fome era produzida e disseminada por coletivos organizados a partir dos territórios periféricos das grandes cidades brasileiras.</p>



<p>No Grande Recife, a <a href="https://jc.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2017/08/24/grande-recife-tem-a-maior-vulnerabilidade-social-do-pais-303069.php">região metropolitana de maior vulnerabilidade social do país</a>, a ação desses coletivos populares tem sido essencial para garantir o alimento básico na mesa das famílias mais necessitadas; pressionar o poder público a assumir suas responsabilidades; e contrapor o discurso de figuras como o presidente <a href="https://congressoemfoco.uol.com.br/governo/gripezinha-e-histeria-cinco-vezes-em-que-bolsonaro-minimizou-o-coronavirus/">Jair Bolsonaro</a> e o pastor <a href="https://www.metro1.com.br/noticias/brasil/89144,coronavirus-mesmo-com-pandemia-silas-malafaia-diz-que-nao-vai-reduzir-cultos">Silas Malafaia</a>, que minimizam os impactos do vírus responsável pela morte de mais de 90 mil pessoas no mundo nas últimas semanas.</p>



<p>Uma característica
desses coletivos é o vínculo com o território e a atuação de
alguns anos na organização de espaços de resistência e denúncia
de violações de direitos. A produção e circulação de informação
para dentro e fora das comunidades é uma estratégia de luta que se
tornou ainda mais necessária para fazer frente ao coronavírus. 
</p>



<p>É o caso do
Coletivo Força Tururu, de Paulista. Com 11 anos de existência e uma
história de denúncia das violências praticadas pelo Estado contra
a juventude negra da comunidade, o grupo de comunicação popular tem
feito um trabalho forte nas redes sociais para convencer os moradores
da gravidade do coronavírus ao mesmo tempo em que cobra das
autoridades municipais e estaduais o fornecimento de água e a
suspensão das contas de água, luz e gás. Nessa semana, o coletivo
vai começar a circular pelas ruas com um auto falante para divulgar
os impactos da pandemia e as medidas de prevenção.</p>



<p>Esse esforço de transmitir informações sobre o coronavírus ficou ainda mais urgente quando os integrantes do Força Tururu foram às ruas da comunidade entrevistar os moradores. “Visitamos o posto de saúde, todos os mercadinhos e todas as farmácias da comunidade e entrevistamos as pessoas que encontramos na rua. E foi assuntador ver que a grande maioria delas não está preocupada”, conta o pedagogo André Fidelis.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Comunidade do Tururu contra o coronavírus" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/i92xvttKvZE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>O contato com coletivos periféricos do Rio de Janeiro &#8211; o Maré Vive, da Favela da Maré, e o Papo Reto, do Complexo do Alemão &#8211; acendeu o alerta para a necessidade de escutar a população e intensificar a comunicação popular no Tururu: “Eles estavam começando a fazer uma série de intervenções com o apoio da comunicação popular para arrecadar alimentos e suprimentos e estavam com bastante medo do avanço do coronavírus nas periferias. E aí, pensamos, não temos condições de ficar parados porque o cotidiano do Tururu não mudou muita coisa, tem muito estabelecimento fechado, mas também muitos outros abertos. Aí a gente começou a pensar: e se chegar no Tururu como é que vai ser isso?”, lembra André.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Comunicação integrada e em rede</strong> </h2>



<p>Para fortalecer
ainda mais a comunicação popular em Paulista e ultrapassar os
limites do Tururu, o grupo acionou a Rede de Coletivos Populares de
Paulista. Além do Força Tururu, compõem a Rede Coppa, o Escambo
Coletivo, o Observatório de Maranguape I, o coletivo M1 e o
Coletivas.  
</p>



<p>A Rede Coppa firmou
parceria com a Caus (Cooperativa Arquitetura, Urbanismo e Sociedade)
e está elaborando um mapa de vulnerabilidade da cidade de Paulista
para identificar os pontos da cidade onde a população é mais
vulnerável ao coronavírus, analisando idade, raça, gênero,
condição social. “Obtendo informações mais precisas, vamos
saber onde precisamos atuar com mais força, direcionando nossas
campanhas de esclarecimento para atingir esse público”, explica
Luana Alves, integrante do Escambo e do Coletivas.</p>



<p>No dia 5 de abril, a Rede Coppa lançou um <a href="https://www.facebook.com/360828437778352/posts/778515229343002/">manifesto nas redes sociais</a> apontando a falta de estrutura e serviços básicos nos bairros periféricos de Paulista para fazer frente à pandemia do coronavírus e criticando o governo “neofascista e ultraliberal” do presidente Jair Bolsonaro que toca “projetos de segurança pública que marginalizam, estigmatizam e corroem as comunidades pobres”. No documento, a Rede Coppa mexe com a autoestima da periferia: “Somos nós, a maioria da população, pobres, moradores e moradoras das periferias, que fazemos esse mundo girar, e a crise também mostrou que sem a gente as coisas não andam”.</p>



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<p>Para Luana, a
comunicação construída nos territórios dá às comunidades o
acesso a uma informação política e crítica que faz um contraponto
às narrativas das mídias de massa. “Se tiver que criticar alguma
medida do governo ou da prefeitura a gente vai fazer, e a gente faz
isso trazendo para a realidade do território. Sempre que pensamos em
construir um texto ou alguma matéria falando pras comunidades, a
gente traz o problema e o identifica para a comunidade e temos uma
linguagem que é mais próxima e aí o morador manda mensagem no
direct e liga para tirar dúvida, liga porque a gente também é
morador do bairro, e se conhece. A gente tem esse ponto mais forte”,
explica.</p>



<p>A Rede Coppa existe
há três anos e surgiu do entendimento de que, para além da atuação
de cada coletivo nos seus respectivos territórios, há pautas em
âmbito municipal que atingem todas as comunidades de Paulista.
Somando forças, os coletivos fortalecem essas pautas como aconteceu
quando atuaram juridicamente contra os encaminhamentos da prefeitura
em relação à revisão do Plano Diretor Municipal. 
</p>



<p>Em Olinda, a estruturação de uma rede de coletivos é mais recente – foi criada no dia 25 do mês passado já sob a pandemia do coronavírus, embora seja fruto de um debate anterior. A Rede Orgânica Periférica de Olinda integra coletivos dos bairros do Alto do Sol Nascente, Alto da Conquista, Passarinho, Alto da Bondade, Peixinhos, Rio Doce e Salgadinho. Um dos primeiros atos do grupo foi <a href="https://www.change.org/p/prefeito-de-olinda-professor-lup%C3%A9rcio-a%C3%A7%C3%B5es-emergenciais-de-combate-%C3%A0-pandemia-da-covid-19-nas-comunidades-perif%C3%A9ricas-de-olinda?recruiter=1067539186&amp;utm_source=share_petition&amp;utm_medium=copylink&amp;utm_campaign=share_petition">produzir petições à Compesa e à Prefeitura de Olinda</a> reivindicando, entre outros pontos, a retomada da distribuição da merenda escolar na cidade, o restabelecimento do fornecimento de água nas comunidades, a distribuição de cestas básicas e kit de limpeza, a montagem de um atendimento remoto às mulheres vítimas de violência doméstica e a ampla divulgação de como vai funcionar o pagamento da renda básica emergencial do governo federal.</p>



<p>Numa outra frente, para dentro dos territórios, os coletivos vêm fazendo a comunicação direta para os moradores sobre os riscos do coronavírus. “Estamos tentando sensibilizar a comunidade sobre a importância do tema. Não é fácil porque dentro da comunidade todo mundo trabalha no dia de hoje para viver no dia de amanhã e se não trabalha não tem recurso para se sustentar, ainda mais quem tem filho pequeno dentro de casa. Terminam indo pra rua tentar vender ou fazer alguma coisa. Esse é o nosso grande gargalo aqui”, conta Erika Cardoso, integrante do grupo Grupo S.O.L. (Sonho, Organização e Luta).</p>



<p>O grupo atua há dois anos na comunidade do Alto do Sol Nascente com ações educativas e esportivas para cerca de 40 crianças e adolescentes, funcionando como um espaço de cidadania para a discussão de temas como diversidade e racismo. Com a pandemia, as atividades foram suspensas, mas o coletivo continua repassando informações e mobilizando a comunidade por meio do grupo de whatsapp das mães e responsáveis pelos jovens que participam do projeto.  </p>



<p>“Temos trocado muitas informações com elas, a gente pergunta como elas estão se virando nesse momento, mandamos informações sobre as cobranças que estamos fazendo junto à prefeitura.  Socializamos também as informações sobre os dias e horários em que acontecem as entregas de cestas básicas nas escolas da comunidade, porque foi algo muito mal elaborado pela prefeitura. Boa parte das famílias não sabia o dia nem os horários das entregas. Teve gente que chegou às 8h da manhã e as cestas só foram distribuídas à tarde. O que gerou muita aglomeração. Fizemos contato com as gestoras das escolas e repassamos as informações corretas para as pessoas”, conta Eduardo Maia, também integrante do grupo S.O.L.  </p>



<p>Nas redes sociais do
grupo, as postagens mais recentes chamam a atenção para o período
de pico do contágio em meados de abril, enfatizando a necessidade do
cuidado e do isolamento social; também trazem informações para o
preenchimento do cadastro no site da Caixa Econômica que dará
acesso aos recursos da renda básica. 
</p>



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<h2 class="wp-block-heading"> <strong>O combate às <em>fake news</em></strong> </h2>



<p>A proliferação da
desinformação nas redes sociais tem sido um dos principais
problemas enfrentados por quem está na ponta, nos territórios,
fazendo comunicação direta com as comunidades. “Você tem um
presidente que diz que tá tudo bem, tudo normal, e também existe a
proliferação das igrejas… No Alto do Sol Nascente pelo menos 30%
da população é evangélica, muitos votaram em Bolsonaro e o
discurso dele tem efeito. Aí vem um sentimento de não acreditar na
gravidade do coronavírus, achar que é conversa”, analisa Erika.</p>



<p>“Essa é uma
questão que nos preocupa muito porque vem aquela ideia de que não
vai acontecer, de que não vai acontecer comigo, que tá acontecendo
só nos bairros nobres. Mas a gente tenta mostrar que vai chegar,
sim, na periferia. Quem é que arruma as casas nos bairros nobres? É
quem tá na favela. Então automaticamente você acaba trazendo para
a favela. Estamos fazendo esse diálogo por whatsapp, no grupo das
mães, e também no nosso facebook que tem 2 mil seguidores e estamos
tendo retorno, as pessoas estão dialogando com a gente a partir do
que colocamos ali”, explica Erika.   
</p>



<p>A onda de desinformação e <em>fake news</em> nas primeiras semanas de disseminação do coronavírus no Brasil foi o que mais chamou a atenção do coletivo Pão e Tinta, que atua há nove anos no Bode, zona sul do Recife, coletivo de cultura, arte e comunicação ligado ao mundo do <em>graffiti</em>.  </p>



<p>Os integrantes já estavam bem informados da gravidade do tema porque têm amigos e amigas na Europa que mantinham o grupo atualizado sobre o alto grau de contagio e letalidade do vírus. Um desses depoimentos fez sucesso no instagram do Pão e Tinta. Gravado pela francesa <em>Tatum</em> num português fluente e na linguagem da quebrada, o vídeo apresenta a situação na França: “Tu pensa que o bagulho é pipoca? É não, bença. Fica em casa, misera, tá todo mundo amoitado aqui. Tamo aqui na França e na Itália com um bocado de gente morrendo. Quarentena é a única solução que a gente tem&#8230;”.</p>



<figure class="wp-block-embed-instagram wp-block-embed is-type-rich is-provider-instagram"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.instagram.com/tv/B-C_LYRH-cB/?igshid=td9qf4r9ms7
</div></figure>



<p>“Nosso primeiro nicho foi: vamos disseminar informações verídicas, que a gente tem certeza. E de uma forma lúdica. Pegamos algumas artes nossas, botamos uns dizeres em cima e soltamos nas redes sociais. Essa foi a primeira coisa, com isso a gente se ligou com a galera que começou a participar do #coronanasperiferias. Colamos também na galera <em>digital influencer</em>, que faz comunicação na blogueiragem e começamos a difundir conteúdo em rede&#8230;”, explica o arte educador Stilo Santos.  </p>



<p>A partir daí o Pão e Tinta e os integrantes da Livroteca Brincante do Pina foram pras ruas com megafone fazer um cortejo literário. “Yane Mendes, a cineasta periférica, fez um lambe-lambe, a gente também fez lambe-lambe aqui, chegou fazendo cortejo com nosso material e um material que a Prefeitura estava disponibilizando…. A gente colava um informativo e uma poesia, um informativo e uma poesia na casa das pessoas… ” conta Stilo. Para ele, a linguagem é importante porque atinge e sensibiliza as pessoas pelo sentido de proximidade, “semelhança na palavra, no <em>graffiti</em>, no jeito de falar”.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Livroteca Brincante do Pina" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/TOtuSVehMac?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>No Bode e em outras comunidades periféricas, os boatos e mentiras sobre o coronavírus não param de circular. Primeiro, o de que só os idosos eram afetados, depois que o Governo do Estado estava divulgando um número mais alto do que o real de infectados, em seguida <a href="https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/vidaurbana/2020/03/atestado-de-obito-no-recife-e-usado-em-fake-news.html">a história do borracheiro morto num acidente de trabalho e que constava como vítima do covid-19</a>, seguido pela disseminação de sites falsos para o cadastramento da renda básica… Stilo diz que tem sido muito difícil enfrentar as <em>fake news</em> por conta dos robôs da Internet que fazem os conteúdos falsos viralizarem.</p>



<p>A credibilidade do
comunicador popular, de quem vive na mesma comunidade e conhece de
perto a realidade dos vizinhos faz diferença. “Na maior parte das
periferias o comunicador é referência, ele vai debater desde a
renda básica, até o que é verdade ou não sobre o posto de saúde…
O comunicador popular é parado pelas pessoas na rua, as pessoas
esperam que a gente chegue nos debates para ser uma espécie de
julgador… e dizer o que é verdade mesmo”, aponta Stilo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Pelas ondas das rádios comunitárias</strong> </h2>



<p>Quando o assunto é desinformação, o diretor de comunicação da Abraço &#8211; Associação Brasileira de Rádios Comunitárias, Wagner Souto, gosta de lembrar que <a href="http://www.acaert.com.br/pesquisa-comprova-que-radio-e-tv-sao-veiculos-mais-confiaveis#.Xo9CCnJv_IU">o rádio é um veículo de comunicação de alta credibilidade na avaliação dos brasileiros</a>. Ele vê no veículo um instrumento poderoso de contranarrativa às <em>fake news</em> nas comunidades. Acontece que o coronavírus afetou economicamente a produção e a disseminação de conteúdo por muitos comunicadores dessas rádios que se sustentavam com o apoio cultural do pequeno comércio. “São as vezes 50 ou 100 reais semanais que fazem a diferença”, conta Wagner.  </p>



<p>Hoje a maior parte
das 850 rádios ligadas à Abraço, de um total de mais de 4 mil
rádios comunitárias outorgadas em todo o Brasil, estão funcionado
de forma limitada, com uma grade de programação reduzida. “Os
comunicadores estão na cara e na coragem para passar por esse
momento difícil. Os caras não podem desligar a rádio. Você não
pode deixar de fazer as transmissões ao vivo, a rádio não pode
ficar só tocando <em>playlist</em>, tem que ter uma programação
voltada a conscientizar a população e passar informações sobre o
coronavírus. Esse é um desafio que temos enfrentado”, afirma
Wagner. 
</p>



<p>Logo no início dos primeiros casos no Brasil, em março, a Abraço produziu e distribuiu para toda a sua rede de rádios <em>spots</em> alertando a população a não compartilhar notícias e informações falsas, checar a confiabilidade das fontes. Os comunicadores estão em permanente contato via grupos partilhados de <em>whatsapp</em> onde repassam e trocam conteúdos esclarecedores sobre o coronavírus.  </p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<p>“Posso garantir que 99% do pessoal que dirige as rádios comunitárias nos nossos grupos foram contrários ao primeiro pronunciamento de Bolsonaro minimizando o impacto da pandemia. Mesmo os caras entendendo que o isolamento total mantém o comércio local das periferias fechado, o que afeta os recursos das rádios, eles sabem que daqui a algum tempo essa curva de contágio vai passar e, então, economicamente os caras conseguem recuperar lá na frente, o que não dá para recuperar é a vida humana. Perdemos a conta de quantas emissoras estão retransmitindo nossas campanhas de esclarecimento e contra as <em>fake news</em>”.</p>



<p>A rádio comunitária é o principal instrumento de comunicação do grupo Caranguejo Uçá, do território pesqueiro da Ilha de Deus, no Recife. Diariamente das 9h às 13h, o comunicador social e ativista Edson Fly apresenta o programa Som e Ação que tem sido muito pautado nas ações de combate à desinformação e na disseminação de conteúdos qualificados sobre a proliferação e também a prevenção ao coronavírus. Programa voltado especialmente para os pescadores e pescadoras.  </p>



<p>Nesta semana passada, voltou ao ar na Rádio Boca da Ilha o Programa da Ciranda de Mulheres, apresentado por Teresinha Filha, Fran Silva e Eloisa Amaral, numa parceria com a Rede Aroeiras, voltada para temas relacionados à saúde da mulher . O programa, além de trazer informações para as mulheres, se propõe a ser um espaço de acolhimento, prevenção e organização política.</p>



<p>No momento, pretende divulgar as plantas e produtos derivados que podem aumentar a imunidade das pessoas em tempos de pandemia.</p>



<p>As informações divulgadas no programa são resultado de pesquisas desenvolvidas por bioquímicas, biólogas e outras profissionais que estão gravando áudios e produzindo cards para serem disseminados nas redes sociais do Caranguejo. “O tratamento com as plantas pode ter um efeito importante na saúde. O xarope de angico é muito bom para questões respiratórias, a própria amburana de cheiro, porque as vezes essas pessoas começam com uma doença respiratória mais simples e, se cuidar logo, acredito eu, estarão mais protegidas”, relata Teresinha.</p>



<p>Ela fala do quão importante é fazer uma comunicação direta para as mulheres neste momento de isolamento social. “Dizer para elas sobre os cuidados com a saúde, como se organizarem e ficarem mais fortalecidas. A própria questão da violência doméstica, com a maior presença dos homens dentro de casa, precisa ser abordada nessa comunicação. São temas que queremos levar para a reflexão no programa”.</p>



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<p>Mais uma vez as <em>fake news</em> são um ponto chave da comunicação popular. “Esse é um tema permanente. E aí tem os evangélicos. Recentemente vi uma pessoa dizendo que ia pra igreja, que lá era o lugar dela. Vai se construindo uma ideia de que é seguro, de que o vírus não é grande coisa… Quem faz a comunicação na comunidade tem esse desafio de mostrar a dimensão do que isso significa, o número de casos, a gravidade, como se processa a doença. Entendendo que muita gente não tem condições de renda para ficar em casa, daí a importância das campanhas de arrecadação de alimentos e produtos de limpeza e higiene”, destaca Teresinha Filha.</p>



<p>Ela alerta, no entanto, para o fato de que muitas famílias estão sem dinheiro para comprar os medicamentos de uso contínuo de que precisam, medicamentos caros que preservam a vida de muitos idosos e não são oferecidos na rede pública de saúde. As doações em dinheiro permitem a compra emergencial desses remédios para famílias residentes nas periferias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"> “<strong>Lutamos até pelos que não acreditam”</strong> </h2>



<p>Na comunidade de Caranguejo Tabaiares, na zona Oeste do Recife, a luta pelo direito à moradia e contra a especulação imobiliária e as ameaças de desocupação por parte da Prefeitura do Recife, forjou o coletivo Caranguejo Tabaiares Resiste, que hoje promove uma comunicação comunitária centrada no combate à pandemia do coronavírus no território que agrega mais de 1,5 mil famílias. Boa parte delas de pescadores e pescadoras. </p>



<p>Nas redes do coletivo, o destaque são os vídeos com depoimentos de integrantes do grupo ou de moradores e os relatos em texto.</p>



<p>Num deles, assinado por Joelle, integrante do coletivo Caranguejo Tabaiares Resiste, o foco é para o impacto do coronavírus na vida das travestis que vivem nas comunidades. “Se a pandemia se espalhar na comunidade vai ser bastante grave, tanto para nós travestis, quanto para as mulheres cis, mas a pergunta é: quem vai cuidar de nós? Esse período não é tempo de odiar alguém pelo que é ou pelo que tem, e sim de ajudar, pois quanto maior o número de pessoas infectadas, maior o risco de chegar nas comunidades”.</p>



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<p>Quem cuida das redes sociais do Caranguejo Tabaiares é Jessica Fernanda Oliveira. Assim como acontece nas outras comunidades do Grande Recife, o desafio é falar de isolamento social para quem precisa sair de casa e garantir a renda do dia a dia. “Lançamos a campanha Fica em Casa porque é o melhor a se fazer agora, mas sabemos o quanto é difícil para quem mora em comunidade. Aqui muita gente vive de vender água e pipoca nos sinais. Por isso estamos fazendo também uma campanha de arrecadação de cestas básicas emergenciais e contamos com parceiros como a Articulação Recife de Luta”.  </p>



<p>A ideia de que o coronavírus é uma doença de rico e não vai chegar às periferias também está enraizada em Tabaiares. “Chegam a dizer até que a gente está agourando. Mas quando a pandemia chegar nas comunidades o número de mortos vai subir 100% porque não tem estrutura para uma doença dessa que está afetando o mundo todo, a classe média. Nos sentimos na obrigação de lutar até pelos que não acreditam. Estamos lutando porque estamos esquecidos pelo poder público. Tem muito coletivo também nas periferias nesse combate tentando abrir os olhos das pessoas e do poder público. Muita gente diz que estamos no mesmo barco, mas nós sabemos que não é assim”.  </p>



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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="18FDTaHaUT"><a href="https://marcozero.org/marco-zero-mapeia-iniciativas-de-comunicacao-popular-no-grande-recife/">Marco Zero mapeia iniciativas de comunicação popular no Grande Recife</a></blockquote><iframe loading="lazy" class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Marco Zero mapeia iniciativas de comunicação popular no Grande Recife&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/marco-zero-mapeia-iniciativas-de-comunicacao-popular-no-grande-recife/embed/#?secret=Sselw9xiAD#?secret=18FDTaHaUT" data-secret="18FDTaHaUT" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<p>O post <a href="https://marcozero.org/comunicacao-produzida-nos-territorios-enfrenta-rede-de-desinformacao-sobre-o-coronavirus/">Comunicação produzida nos territórios enfrenta rede de desinformação sobre o coronavírus</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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