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	<title>Arquivos PL - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 07 Oct 2024 18:00:35 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos PL - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>“Bancada dos parentes” será um terço da Câmara do Recife em 2025</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Cavalcanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Oct 2024 03:18:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[camara de vereadores]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara Municipal do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A “bancada dos parentes” será a segunda maior da Câmara do Recife e representará um terço das cadeiras. Doze vereadores reeleitos e eleitos são de famílias de políticos em exercício de mandato ou ex-políticos. Conhecido como “filhotismo”, o fenômeno é um dos traços da política brasileira. E, a partir de 2025, será uma das características [&#8230;]</p>
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<p>A “bancada dos parentes” será a segunda maior da Câmara do Recife e representará um terço das cadeiras. Doze vereadores reeleitos e eleitos são de famílias de políticos em exercício de mandato ou ex-políticos. Conhecido como “filhotismo”, o fenômeno é um dos traços da política brasileira. E, a partir de 2025, será uma das características do Legislativo municipal. Outra marca será o apoio ao <a href="https://marcozero.org/joao-campos-e-reeleito-como-o-prefeito-mais-votado-da-historia-do-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">prefeito reeleito, João Campos (PSB)</a>. Uma análise da lista dos 37 nomes vencedores permite dizer que o gestor terá, pelo menos, 26 deles na base.</p>



<p>A votação histórica de João Campos se refletiu no desempenho do seu partido na eleição proporcional. Com apliação, o PSB elegeu a maior bancada para a próxima legislatura, com 15 vagas. A legenda emplacou sete representantes entre os dez mais votados. O prefeito também impulsionou a vitória de aliados em outros partidos, ajudando a eleger representantes no MDB, Republicanos e na Federação PT/PCdoB/PV.</p>



<p>Depois do PSB, a federação PT/PCdoB/PV foi quem mais ocupou vagas na Casa José Mariano. Cinco, ao todo. Com 14.810 votos, a vereadora Liana Cirne (PT) conquistou a reeleição como a mais votada do grupo. Mais do que dobrou o apoio nas urnas, em comparação com os 6.819 votos de 2020. Já a comunicadora e ativista <a href="https://marcozero.org/quem-e-a-jovem-recifense-que-se-tornou-alvo-dos-seguidores-de-michele-bolsonaro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Kari Santos (PT)</a> é um dos nomes da renovação na Câmara.</p>



<p>Liana e Kari desbancaram nomes da velha guarda do PT, como Osmar Barreto, Jairo Brito, André Campos e João da Costa. Foram as únicas eleitas pelo partido do presidente Lula. Ambas contaram com o apoio do deputado estadual e ex-prefeito do Recife João Paulo.</p>



<p>Na outra ponta do espectro partidário, o PL &#8211; do ex-presidente Jair Bolsonaro &#8211; terá quatro cadeiras na Câmara do Recife, a partir de 2025. Os vereadores Fred Ferreira e Paulo Muniz obtiveram a reeleição, enquanto que Gilson Machado Filho e Thiago Medina foram eleitos pela primeira vez.</p>



<p>O primeiro é filho do candidato a prefeito do partido, Gilson Machado; o segundo fez campanha como “o candidato oficial” do deputado federal Nikolas Ferreira no Recife. Já o líder da oposição a João Campos, Alcides Cardoso, ligado politicamente à vice-governadora Priscila Krause, não conseguiu se reeleger. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Novo elege mais um, PSOL perde uma vaga</strong></h2>



<p>O partido Novo elegeu, pela primeira vez, representantes para a Casa José Mariano. Felipe Alecrim e o jornalista Eduardo Moura são os nomes da legenda para a próxima legislatura. Alecrim já é vereador, mas se filiou ao Novo em março deste ano. Em 2020, conquistou o mandato pelo PSC. Juntamente com o PL, o Novo deve formar o bloco de oposição a João Campos pela extrema-direita.</p>



<p>O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) ocupa hoje duas cadeiras e terá seu espaço reduzido a partir de 2025. A sigla elegeu Jô Cavalcanti, ex-codeputada da Juntas na Assembleia Legislativa em 2018. Em 2022, Jô perdeu a eleição, mas agora deu a volta por cima.</p>



<p>Ela é do Movimento dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Sem Teto (MTST), nacionalmente ligada ao deputado federal Guilherme Boulos (SP), que vai disputar o segundo turno em São Paulo contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB).</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/vereadores-Jo.jpg" alt="Foto de Jô Cavalcanti, mulher negra, jovem, de cabelos crespos no alto da cabeça, e óculos de grau. Ela foi fotografada em um ambiente fechado, do tórax para cima. Ela está falando ao microfone sentada em uma poltrona preta e usa uma blusa preta com grafismos brancos. O fundo está desfocado, mas é possível distinguir, à direita, um homem branco de cabelos brancos e máscara cirúrgica no rosto." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Jô, ex-Juntas, desta vez se elegeu em candidatura individual
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ascom/Alepe</span>
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                    </figure>

	


<p>O vereador Ivan Moraes (PSOL) optou por não disputar a reeleição e pediu votos para duas companheiras de partido, Carol Vergolino e Nise Santos, que não conseguiram a eleição. Ivan encerra este ano seu segundo mandato. Já a vereadora Elaine Cristina não conseguiu ultrapassar a barreira dos mil votos.</p>



<p>Em 2020, Elaine ficou na primeira suplência do PSOL quando concorreu por uma chapa coletiva, as Pretas Juntas. Assumiu em janeiro de 2023, com a eleição de Dani Portela para deputada estadual. Mas o projeto político sofreu sucessivos rachas. A vereadora também teve uma atuação apagada, distante dos debates e da tribuna.</p>



<p>Já o MDB elegeu três representantes. PSD e Republicanos ocuparão duas cadeiras cada. Chamou a atenção o fato de a filha do ministro André de Paula (Pesca), Déa de Paula, ter saído derrotada. Além do cargo no primeiro escalão do governo Lula, o pai da candidata tem o controle do partido no estado. Além do PSOL, o PP, PRD e Avante terão uma vaga cada. No PP, a deputada federal Clarissa Tércio não conseguiu eleger sua cunhada Gil de Tércio.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quem é quem na “bancada dos parentes”</strong></h3>



<p>Nove vereadoras e vereadores eleitos são filhos de políticos. Por ordem decrescente de votação, são eles: Gilson Machado Filho, Natália de Menudo, Eriberto Rafael, Felipe Francismar, Marco Aurélio Filho, Eduardo Mota, Flávia de Nadegi, Rodrigo Coutinho e Alef Collins.</p>



<p>Completam a bancada Andreza de Romero, esposa do deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil) e Alcides Teixeira Neto, que teve dois avôs políticos &#8211; um deputado, outro vereador. O mais votado, Romerinho Jatobá, é filho de um ex-presidente do Santa Cruz e primo do ex-vereador José Neves, também ex-dirigente de futebol. Já Fred Ferreira é cunhado dos irmão Anderson e André Ferreira.</p>



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<p><strong> Confira os perfis dos 37 eleitos</strong></p>



<p><strong>1. Romerinho Jatobá (PSB) &#8211; 20.264 votos</strong><br>Vereador reeleito, é o atual presidente da Câmara do Recife. É filho do empresário e ex-presidente do Santa Cruz Romero Jatobá. Tem base eleitoral no Arruda e outros bairros da zona norte da cidade. Na eleição passada, obteve 11.500 votos.</p>



<p><strong>2. Gilson Machado Filho (PL) &#8211; 16.095 votos</strong><br>Filho do candidato a prefeito do PL e ex-ministro do Turismo Gilson Machado, está eleito pela primeira vez. Durante a campanha, ao lado do pai, protagonizou uma queda de braço com a família Ferreira, que controla o PL no Estado,</p>



<p><strong>3. Aderaldo Pinto (PSB) &#8211; 15.793 votos</strong><br>Vereador reeleito para o quarto mandato, ampliou a votação em comparação com os 10.062 votos que obteve em 2020. Natural de Caruaru, no Agreste pernambucano, disputou eleição pela primeira vez em 2008. Elegeu-se pela primeira vez quatro anos depois.</p>



<p><strong>4. Andreza Romero (PSB) 15.785 votos</strong><br>Vereadora reeleita, é esposa do deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil) e ex-secretária-executiva dos Direitos dos Animais do Recife.</p>



<p><strong>5. Natália de Menudo (PSB) &#8211; 15.198 votos</strong><br>Vereadora reeleita, é filha do ex-vereador Estéfano Menudo. Ela e o pai estão à frente do Grupo de Apoio ao Subúrbio, com atuação em bairros da periferia.</p>



<p><strong>6. Eriberto Rafael (PSB) &#8211; 14.897 votos</strong><br>Eleito para o quarto mandato, é atual primeiro-secretário da Câmara do Recife. É filho do deputado federal e ex-presidente da Assembleia Legislativa Eriberto Medeiros.</p>



<p><strong>7. Liana Cirne (PT) &#8211; 14.810 votos</strong><br>Vereadora reeleita, foi a mais votada da federação PT/PCdoB/PV. Conseguiu mais do que dobrar o apoio na urna, em relação a 2020. Advogada e professora, contou com o apoio de lideranças do partido, como a senadora Teresa Leitão e o deputado estadual João Paulo.</p>



<p><strong>8. Felipe Francismar (PSB) &#8211; 13.850 votos</strong><br>Vereador reeleito, é filho do deputado estadual Francismar Pontes (PSB). A família tem forte presença em bairros da Zona Norte da cidade. Faz dobradinha com a família Campos nas eleições estaduais.</p>



<p><strong>9. Carlos Muniz (PSB) &#8211; 13.400 votos</strong><br>Vereador reeleito e ex-secretário de Política Urbana e Licenciamento do Recife. Servidor concursado da Companhia Brasileira de Trens Urbanos, foi cedido para a Emlurb em 2003, onde exerceu cargos de gerência, direção e presidência.</p>



<p><strong>10. Samuel Salazar (MDB) &#8211; 13.348 votos</strong><br>Vereador reeleito e atual líder do Governo na Câmara do Recife. Advogado, assumiu pela primeira vez um mandato na Casa em fevereiro de 2019. Foi superintendente do Ministério da Agricultura em Pernambuco e diretor jurídico da Agência Reguladora de Pernambuco.</p>



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	                                        <p class="m-0">Presidente da Câmara, Romerinho Jatobá foi o mais votado 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ascom/CMR</span>
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                    </figure>

	


<p><strong>11. Rinaldo Júnior (PSB) &#8211; 12.664 votos</strong><br>Vereador reeleito, atual líder do PSB e vice-líder do Governo na Câmara. Foi líder da oposição ao então prefeito Geraldo Julio (PSB) e, depois, passou para a base socialista. É presidente da Força Sindical de Pernambuco e do Sindicato dos Trabalhadores em Condomínios.</p>



<p><strong>12. Marco Aurélio Filho (PV) &#8211; 12.424 votos</strong><br>Vereador reeleito, é filho do ex-vereador do Recife e ex-deputado estadual Marco Aurélio e atual presidente municipal do PV.</p>



<p><strong>13. Rubem Rodrigues da Silva (PSB) &#8211; 12.240 votos</strong><br>Eleito para o primeiro mandato, tem base eleitoral no bairro da Guabiraba, zona norte do Recife. É policial militar, mas uma de suas pautas é o autismo através do projeto Agora é Rubem Cuidando das Crianças Autistas</p>



<p><strong>14. Davi Muniz (PSD) &#8211; 11.946 votos</strong><br>Reeleito para o quarto mandato na Câmara, assumiu em setembro a vaga do falecido deputado José Patriota (PSB) na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Tem atuação na Várzea e em outros bairros da zona oeste da cidade.</p>



<p><strong>15. Fred Ferreira (PL) &#8211; 11.804 votos</strong><br>Reeleito para o segundo mandato, é genro do ex-deputado Manoel Ferreira e cunhado dos irmãos Anderson e André Ferreira, de quem ganhou o sobrenome emprestado. Tem atuação parlamentar com base nas pautas da extrema-direita. Foi dele o projeto para proibir o uso da chamada linguagem neutra.</p>



<p><strong>16. Eduardo Mota (PSB) &#8211; 11.786 votos</strong><br>Filho do ex-deputado estadual Nilton Mota, eleito pela primeira vez. Antes da eleição, ocupou cargo comissionado de gerência na prefeitura do Recife. Seu pai foi deputado estadual, secretário de Educação no governo Eduardo Campos e ocupou cargos no governo Paulo Câmara.</p>



<p><strong>17. Cida Pedrosa (PCdoB) &#8211; 11.364 votos</strong><br>Vereadora reeleita, é advogada e poeta, vencedora de prêmios nacionais de poesia. Na Câmara Municipal, fez parte da base de apoio do prefeito João Campos (PSB) e atuou na defesa de pautas como cultura e direitos humanos. Exerceu as funções de secretária de Meio Ambiente e da Mulher do Recife na gestão do prefeito Geraldo Julio (PSB).</p>



<p><strong>18. Flávia de Nadegi (PV) &#8211; 11.278 votos</strong><br>Filha da prefeita de Camaragibe, Nadegi de Queiroz (Republicanos), e irmã do deputado estadual João de Nadegi (PV). Eleita pela primeira vez para a Câmara.</p>



<p><strong>19. Zé Neto (PSB) &#8211; 11.027 votos</strong><br>Vereador reeleito. Antes, foi gestor por mais de dez anos na Assembleia Legislativa de Pernambuco, assessor parlamentar da Câmara Federal e chefe de Gabinete da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur). Ligado ao deputado federal Felipe Carreras.</p>



<p><strong>20. Thiago Medina (PL) &#8211; 10.540</strong> <strong>votos</strong><br>É o mais novo entre os vereadores eleitos, com 21 anos. É jovem ativista da extrema-direita, apoiado pelo deputado estadual Renato Antunes (PL) e pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL).</p>



<p><strong>21. Luiz Eustaquio (PSB) &#8211; 10.474</strong> <strong>votos</strong><br>Reeleito para o sexto mandato consecutivo, já foi filiado ao PT e líder sindical da categoria dos previdenciários. É ligado à Assembleia de Deus e comanda uma comunidade terapêutica.</p>



<p><strong>22. Júnior de Cleto (PSB) &#8211; 9.922 votos</strong><br>Empresário, tem atuação no transporte complementar em bairros da zona norte do Recife. Filiou-se ao PSB em fevereiro deste ano e foi uma das candidaturas prioritárias do partido.</p>



<p><strong>23. Hélio Guabiraba (PSB) &#8211; 9.793 votos</strong><br>Vereador reeleito, tem atuação política em bairro da zona norte da cidade, com forte presença na Guabiraba.</p>



<p><strong>24. Fabiano Ferraz (MDB) &#8211; 9.778 votos</strong><br>Reeleito para o segundo mandato, é guarda civil do Recife, servidor da CTTU e bacharel em Direito. Uma das suas principais pautas é o armamento da Guarda Municipal.</p>



<p><strong>25. Wilton Brito (PSB) &#8211; 9.496</strong><br>Vereador reeleito, tem forte presença política no Ibura, bairro da Zona Sul da cidade.</p>



<p><strong>26. Paulo Muniz (PL) &#8211; 9.395 votos</strong><br>Vereador reeleito, tem atuação como gestor na área de saúde, foi secretário-executivo do Trabalho e Qualificação de Pernambuco</p>



<p><strong>27. Kari Santos (PT) &#8211; 9.321 votos</strong><br>Tem 30 anos. É ativista, comunicadora popular e criadora de conteúdo nas redes sociais, onde ganhou notoriedade pela oposição ao bolsonarismo e defesa do governo Lula e PT. É o nome da renovação do PT.</p>



<p><strong>28. Alcides Teixeira Neto (Avante) &#8211; 8.909 votos</strong><br>Eleito para o terceiro mandato, é presidente municipal do Avante. Os seus dois avôs foram políticos, o ex-deputado Alcides Teixeira e o ex-vereador Edson de Oliveira. Tem parte considerável do eleitorado em Santo Amaro, área central da cidade, e em bairros da zona norte.</p>



<p><strong>29. Professora Ana Lúcia (Republicanos) &#8211; 8.592 votos</strong><br>Reeleita para o terceiro mandato. Educadora e concursada na prefeitura do Recife, foi conselheira representante do segmento de gestoresno Conselho Municipal de Educação do Recife. Presidiu o colegiado.</p>



<p><strong>30. Rodrigo Coutinho (Republicanos) &#8211; 8.317 votos</strong><br>Reeleito para o terceiro mandato, é ex-secretário de Esportes do Recife. Filho do deputado federal Augusto Coutinho e neto do ex-deputado federal José Mendonça, já falecido, um dos expoentes do antigo PFL.</p>



<p><strong>31. Júnior Bocão (PSD) &#8211; 7.985 votos</strong><br>Vereador reeleito para o terceiro mandato, se elegeu em 2020 pelo Cidadania, com 6.256 votos. Tem base eleitoral em Roda de Fogo, Torrões e Jordão.</p>



<p><strong>32. Felipe Alecrim (Novo) &#8211; 7.901 votos</strong><br>Eleito pela primeira vez em 2020 pelo PSC, tem atuação conservadora. É ministro da Sagrada Comunhão Eucarística e comanda uma comunidade católica. No seu perfil oficial do site da Câmara, diz que seu propósito é promover “um projeto político cristão”.</p>



<p><strong>33. Jô Cavalcanti (Psol) &#8211; 7.619 votos</strong><br>Foi feirante e ambulante, antes de ser a primeira mulher eleita para um mandato coletivo na Assembleia Legislativa de Pernambuco em 2018. Construiu sua militância em movimentos sociais pelos direitos à moradia e ao trabalho. É do Movimento dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Sem Teto (MTST).</p>



<p><strong>34. Alef Collins (PP) &#8211; 7.131 votos</strong><br>Estudante de direito, com 22 anos, é filho da deputada federal e vereadora do Recife licenciada e do deputado estadual Cleiton Collins (PP). A família tem atuação fundamentalista e é dona de uma comunidade terapêutica e de espaços em emissora de rádio. A família é conhecida por liderar posições de negação de direitos a grupos sociais.</p>



<p><strong>35. Tadeu Calheiros (MDB) &#8211; 6.916 votos</strong><br>Reeleito para o segundo mandato, ex-Podemos, foi vice-líder da oposição na atual legislatura.</p>



<p><strong>36. Eduardo Moura (Novo) &#8211; 5.283</strong><br>Jornalista com mais de duas décadas de atuação, foi repórter e apresentador de televisão. Elege-se pela primeira vez vereador do Recife. Foi um do críticos das gestões do PSB no Recife e Pernambuco.</p>



<p><strong>37. Gilberto Alves (PRD) &#8211; 4.985 votos</strong><br>Reeleito para o segundo mandato. Apesar de não ser filiado ao PSB, tem proximidade com o partido. Foi coordenador da campanha de Eduardo Campos a governador em 2006. Depois, assumiu a Gerência de Articulação Regional do governo.</p>
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		<title>O cordeiro na pele do lobo: fui ao primeiro evento eleitoral da extrema-direita no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jul 2024 20:20:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[PL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por João Gama A curiosidade é um convite ao inusitado. Ao menos foi essa a impressão que tive no último fim de semana. Alguns dias atrás, recebi uma mensagem interessante. Aparentemente, o Partido Liberal (PL) em Pernambuco estava preparando o que seria um “grande” encontro da extrema-direita em Recife. O evento seria o lançamento do [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por João Gama</strong></p>



<p>A curiosidade é um convite ao inusitado. Ao menos foi essa a impressão que tive no último fim de semana. Alguns dias atrás, recebi uma mensagem interessante. Aparentemente, o Partido Liberal (PL) em Pernambuco estava preparando o que seria um “grande” encontro da extrema-direita em Recife. O evento seria o lançamento do PL Jovem, um braço do partido para a juventude fascista no estado.</p>



<p>Após uma rápida busca na internet, descobri que o evento aconteceria no Clube Internacional do Recife, às 9h do sábado (13), e teria a participação especial de ex-ministros do governo Bolsonaro, influenciadores e lideranças de direita, além de parlamentares eleitos pela sigla &#8211; entre eles, Nikolas Ferreira (28), ex-vereador em Belo Horizonte e eleito o deputado federal mais votado do país em 2022.</p>



<p>O material de divulgação que chegou ao meu WhatsApp, veio acompanhado de uma proposta um tanto inusitada: “Quer ser um jovem reacionário por um dia?”. Fiquei de orelha em pé. Aquilo me soava quase como uma mistura de pesquisa etnográfica e jornalismo gonzo. Não pensei duas vezes: “é pra brincar de Infiltrado na Klan? Gostei!”.</p>



<p>Dali em diante, passei a semana preparando meu disfarce. Vesti uma <em>skin</em> evangélica e arranjei uma bandeira do Brasil para fazer de capa. Até raspei a barba que cultivei por 3 anos. A ideia era evitar ser alvo de violência caso fosse reconhecido como “aquele rapaz que trabalhava com Direitos Humanos”, ou “o bicho que vi nos protestos de esquerda” e até mesmo como sendo “o cara com o símbolo antifa tatuado nas costas”. E cá entre nós, até funcionou bem! No evento, encontrei duas pessoas que conhecia da época de faculdade, um amigo do meu irmão e meu vizinho. Ninguém me reconheceu.</p>



<p>Assim, sem barba e disfarçado de patriota (pronto para bater continência à bandeira americana), eu cheguei ao local 20 minutos antes. Sentei-me em um banco de pedras na Praça do Internacional e observei as pessoas chegando, usando camisas da CBF como um símbolo anticorrupção. Embora o evento fosse o lançamento do PL Jovem, a maioria expressiva tinha um perfil bastante específico: eram homens com mais de 35 anos.</p>



<p>Lá dentro, encontrei vários posando para fotos, ou fazendo selfies, com bandeirões de torcidas organizadas com os dizeres “Direita Sport” e “Direita Coral”. “Essa organizada pode”, ouvi alguém comentar.</p>



<p>Apesar dos organizadores terem divulgado a informação que mais de 2.500 pessoas já haviam se inscrito, não parecia haver ali mais do que algumas centenas que, filmadas do ângulo certo, poderiam parecer milhares. Enquanto eu caminhava entre o público, um sujeito bombado e de cara amarrada me entregou um adesivo onde se lia: “Gilson é Bolsonaro, e Bolsonaro é Gilson”.</p>



<p>Bati os olhos no material e tive a certeza de duas coisas: 1) eu tinha em minhas mãos a real justificativa para aquele evento (promover as candidaturas majoritárias do partido); e 2) que o<em> slogan</em> era uma cópia do lema usado pelo atual Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quando disputou a Presidência da República, em 2018 (Haddad é Lula e Lula é Haddad).</p>



<p>O evento começou. As caixas de som tocavam “Bolsonaro é Norte, Bolsonaro é Nordeste”, enquanto o mestre de cerimônia, Rodnei Mattoso (locutor oficial do ex-presidente), assumia o seu lugar no palco.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Estrela-PL-jovem.jpg" alt="A foto mostra uma mão segurando um adesivo retangular com texto e uma imagem. O adesivo está em foco, enquanto o fundo está levemente desfocado, mas ainda reconhecível. O texto no cartão diz “GILSON É BOLSONARO, E BOLSONARO É GILSON” em letras brancas e em negrito sobre um fundo verde, com pessoas levantando os braços em celebração ou apoio. Ao fundo, parece haver um evento indoor com muitas pessoas vestindo camisas amarelas, sugerindo um evento político ou de campanha. Banners nas cores da bandeira brasileira – verde, amarelo e azul – estão pendurados no teto." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Slogan copia frase usada na campanha de Haddad em 2018
</p>
	                
                                            <span>Crédito: João Gama</span>
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<p>Definir Rodnei é complicado se você nunca o viu em ação. Com o microfone na mão, ele transita entre um locutor de rodeio e um pastor de igreja que está prestes a falar em línguas estranhas. Sua performance costuma estar acompanhada de efeitos sonoros e melodias épicas que dão a tudo um ar exageradamente dramático. Enquanto isso, ele usa mensagens genéricas como “Volta Bolsonaro?” e “Quem é Cristão aqui faz barulhooooooo…” para levar o público ao delírio.</p>



<p>Durante todo o evento, as pessoas gritavam “Bolsonaro 2026”, como se realmente acreditassem que o ex-presidente (que está inelegível desde junho do ano passado) realmente vá concorrer na próxima eleição.</p>



<p>Em dado momento, Rodnei grita e começa a apresentar os nomes do grupo de 17 homens e 2 mulheres que ocuparam o palanque do PL. Uma vez que a trupe se enfileira no palco, a locução convoca o hino nacional e todos começam a entoá-lo. Olho para os lados e vejo algumas pessoas mexendo a boca de forma caricata, como se não soubessem a letra completa. É aí que a música termina e o mestre de cerimônia puxa um grito que o público repete várias vezes a plenos pulmões: “Deus, Pátria, Família e Liberdade” &#8211; uma atualização do lema dos “<a href="https://outraspalavras.net/blog/relembrando-a-revoada-dos-galinhas-verdes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">galinhas verdes” da Ação Integralista Brasileira (AIB)</a>, movimento de orientação fascista liderado por Plínio Salgado que, entre 1932 e 1937, reuniu cerca um milhão de filiados.</p>



<p>No palco, o ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (o quarto e último a assumir o cargo durante o governo Bolsonaro), falava jocosamente ao microfone. “Eu trouxe um presente para você Nikolas”, dizia ao entregar ao deputado federal uma caixa contendo um boneco de <em>Aedes aegypti</em> com a cabeça do presidente Lula, que ele chamava de “presidengue”.</p>



<p>Enquanto Nikolas brincava com o novo brinquedo, Queiroga (investigado em 2021 pela CPI da Covid) criticava a atual ministra, Nísia Trindade Lima, apontando sua demora na compra de vacinas para dengue e a alta no número de óbitos em decorrência da doença (que já passa de 4.200). Também censurou Lula, que recebeu a primeira dose da vacina Qdenga, da farmacêutica Takeda, em 5 de fevereiro &#8211; quatro dias antes do início da campanha de imunização nacional promovida pelo SUS.</p>



<p>“Ele não comprou vacina para a dengue e é por isso que o Brasil é hoje o epicentro mundial da epidemia”, dizia &#8211; aparentemente se esquecendo de que, quando chegou ao fim de sua gestão no MS, o Brasil já contabilizava 693,8 mil mortes por Covid-19 e era o terceiro país do mundo com o maior número de mortes. De certo, também deve ter se esquecido que, enquanto foi ministro, seu ex-chefe comprovadamente falsificou o próprio cartão de vacinas. Apesar do seu problema de memória, insistia que era preciso livrar o país do que chamava de “esquerda incompetente e corrupta”.</p>



<p>Durante aquela manhã, várias outras pessoas deixaram sua contribuição ao pensamento “crítico” que era fomentado ali. Enquanto o influenciador cristão Lucas Pavanato fazia um criativo revisionismo histórico, Maicon Sullivan (mais um influenciador cristão) me ajudava a colher informações socioeconômicas sobre o público, pedindo que todos que vinham das periferias levantassem as mãos &#8211; menos de um quarto. Já Marco Antônio Costa, conhecido como “Superman da Direita” e responsável pelo FioDiario (um sistema de <em>streaming</em> que produz conteúdo ultraconservador para assinantes), preferiu ousar e imaginou como exilados políticos alguns personagens das Crônicas Bolsonaristas, como Allan dos Santos e outros foragidos.</p>



<p>À sua maneira, todos adotaram o mesmo jeito <em>coach </em>de ser para convocar o público a se mobilizar, disputar espaços na política, criar institutos, grupos de mídia e até organizações não-governamentais de direita, “para disputar emendas parlamentares”, “para realizar ações de comunicação”, “para espalhar a verdade”. Mas qual verdade era essa, eu não sabia… O que sei, é que juntos esses três nomes somam mais de 39,4 milhões de seguidores nas redes sociais. Maicon Sullivan e Lucas Pavanato também são pré-candidatos a vereadores de São Paulo.</p>



<p>Entre uma fala e outra, o locutor tornava a provocar o público e os efeitos sonoros ajudavam com a ambientação. Era como assistir ao Show da Fé, mas ao invés de “exorcizar” atores, eles vibravam com a imagem de Bolsonaro (pequeno e preso) na tela do celular de Nikolas Ferreira &#8211; o que durou alguns segundos de uma chamada de vídeo improvisada.</p>



<p>Mas isso pareceu ser suficiente para fazer com que a plateia nem desse atenção quando o Carmelo Neto, deputado estadual no Ceará pelo PL, creditou o PIX e a transposição do rio São Francisco como sendo obras do Governo Bolsonaro; ou quando elogiou com todas as palavras o cuidado que o ex-presidente teve com os Yanomami, deixando de comentar o pequeno detalhe que entre 2019 e 2022 o número de mortes por desnutrição de indígenas dessa etnia aumentou em 331%. Falou também das crianças da ilha do Marajó que, no mundo delirante da ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves (hoje senadora), eram vítimas de exploração sexual.</p>



<p>Lidar com dados não parece ser o forte dos bolsonaristas, como pude observar na fala de Gilson Machado, ex-ministro do Turismo. Entre críticas à segurança pública e à gestão do PSB, mencionou uma pesquisa (cuja fonte permaneceu um mistério até o fim de sua fala) que apontava que “em Recife tem mais de 50% de eleitores de direita e, infelizmente, alguns deles estão votando em quem apoia ladrão, bicho; que apoia quem desviou dinheiro do país, quem não comprou vacina de dengue…”</p>



<p>“Ah, mas ele é bonito, ele pinta o cabelo, ele dança”, disse Gilson, tentando imitar os apoiadores do prefeito do Recife, João Campos (PSB). “Mas eu também danço porra!”, protestou, “e tem outra coisa, ele não toca sanfona e eu toco”. Imediatamente me veio a lembrança do ex-ministro em 2020, com o instrumento amarrado ao peito, tocando e cantando <em>Ave Maria</em>, acompanhado de Paulo Guedes e Bolsonaro, que àquela altura era alvo de denúncias (dentro e fora do país) por genocídio e crimes contra a Humanidade. Nesse mesmo período, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich deixaram o Ministério da Saúde em menos de 29 dias, após sucessivos desgastes com o presidente e divergências em relação ao combate à pandemia.</p>



<p>Depois de muito conversar, Gilson finalmente faz o que todos estavam esperando: convidou o deputado Nikolas Ferreira (principal promessa da legenda no país) a tomar o seu lugar. A fala do rapaz veio carregada de preconceitos xenófobos. Ele descreve uma visão estereotipada do Nordeste e promete que, em 15 anos, a região será de direita e que estará “livre do PT”. Durante seu discurso, enquanto dizia que “Lula vai passar” algumas vozes na multidão completavam gritando “vai morrer!”.</p>



<p>Apesar de jovem, Nikolas fala como um populista experiente e adota as mesmas estratégias que os colegas de partido: questiona os valores e volumes de emendas parlamentares apresentadas para favorecer políticos em currais eleitorais, mas disfarça que o orçamento secreto foi um instrumento político criado em 2020 pelo ex-presidente, permitindo a destinação de verbas do orçamento público a projetos definidos por parlamentares sem a devida identificação.</p>



<p>Quando o evento terminou, tentei conversar com algumas pessoas. Um rapaz muito jovem me disse que vinha de Caruaru só para ver o deputado e que, assim como Lucas Pavanato e Maicon Sullivan, ele também pensava em produzir conteúdo de temática conservadora para a internet. Uma senhora bem vestida que aparentava ter uns 70 anos confirmou que havia acampado em frente a quartéis e que mandou dinheiro para um amigo que participou do 8 de janeiro, “afinal de contas, Brasília é uma cidade cara, não é?”. Hoje, ela o chama de “preso político” e considera “um absurdo” que ele esteja preso por invadir a capital federal e tentar dar um golpe de estado.</p>



<p>Também conheci um casal que morava no bairro do Cordeiro, com quem voltei conversando no BRT. Enquanto eu tentava descobrir suas impressões do evento, um homem em situação de rua entrou na estação sem pagar. Observando o sem teto caminhar pela estação, e acreditando estar acompanhada de alguém que partilhasse sua visão política, a mulher se sentiu à vontade para falar abertamente em higienização social, insistindo que era preciso fazer algo sobre “essas pessoas” a qualquer custo (com bastante ênfase nessa parte do “a qualquer custo”). “É por isso que o Brasil é assim”, resmungava, “falta vergonha, falta polícia para essa gente!”</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Estrela-PL-Jovem-times.jpg" alt="A cena retratada é em um ambiente interno com piso quadriculado e paredes adornadas com molduras decorativas. Três grandes bandeiras estão expostos na sala, cada um com diferentes designs e cores com escudos do Sport Club do Recife e Santa Cruz Futebol Clube. Cinco pessoas estão presentes: uma está em pé à esquerda, segurando um smartphone, aparentemente tirando uma foto ou vídeo dos bandeiras, enquanto a outra está à direita, de costas para a câmera, gesticulando em direção a um dos banners. Os banners contêm texto e símbolos que sugerem que estão relacionados a movimentos políticos da direita." class="w-100" loading="lazy" >
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                                            <span>Crédito: João Gama</span>
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<p>Quando cheguei em casa, não conseguia parar de pensar nas coisas que ouvi a manhã inteira, nas pessoas com quem falei, na iconografia bolsonarista… Pensei sobre a experiência de me fantasiar como um deles. Vendo aquelas pessoas no seu habitat, agindo de maneira despreocupadamente odiosa, à vontade demais para se preocupar com noções mínimas de civilidade e respeito à figura humana.</p>



<p>Quando eu cheguei ao Clube Internacional, achava que eu era o lobo em pele de cordeiro. Agora, percebo que era justamente o oposto. Eu é que era o cordeiro que havia se vestido a pele do lobo para me misturar aos outros e vê-los desnudar suas fantasias. As palavras de Tyler Durden (personagem interpretado por Brad Pitt em <em>Clube da Luta</em>), cercado de capangas e ameaçando castrar um político americano com uma faca não sai da minha cabeça. “Fazemos sua comida, catamos o seu lixo, conectamos suas ligações, dirigimos suas ambulâncias e te protegemos enquanto você dorme”.</p>



<p>Apesar da experiência antropológica, não obtive resposta para algumas perguntas. Como deve ser ver o mundo de uma forma tão distorcida que torna impossível perceber as próprias contradições? Como deve ser reimaginar a história e os fatos a todo momento para justificar um Brasil paralelo que jamais existiu? Como deve ser viver a vida acreditando travar uma guerra santa, guiado por um Messias que tenta evitar a prisão ao mesmo tempo em que exalta a violência e o autoritarismo? Qual a sensação de chocar o ovo da serpente?</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-cordeiro-na-pele-do-lobo-fui-ao-primeiro-evento-eleitoral-da-extrema-direita-no-recife/">O cordeiro na pele do lobo: fui ao primeiro evento eleitoral da extrema-direita no Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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