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	<title>Arquivos plano diretor - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 28 Mar 2025 21:29:56 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos plano diretor - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Lei que muda regras das construções no Recife vai ser debatida em audiência pública</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Mar 2025 21:24:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[densidade]]></category>
		<category><![CDATA[plano diretor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As regras urbanísticas do Recife devem mudar em breve. Desde 1996, a cidade do Recife usa a mesma lei de uso e ocupação do solo e, desde 1997, a mesma lei sobre o parcelamento do solo. No próximo dia 8 de abril, uma terça-feira, acontece a audiência pública para a apresentação e discussão da minuta [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As regras urbanísticas do Recife devem mudar em breve. Desde 1996, a cidade do Recife usa a mesma lei de uso e ocupação do solo e, desde 1997, a mesma lei sobre o parcelamento do solo. No próximo dia 8 de abril, uma terça-feira, acontece a audiência pública para a apresentação e discussão da minuta do <a href="https://drive.google.com/file/d/15em2Sgfd5gCQy8fwXwbKyCI6IQsR1kqQ/view" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Projeto de Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo &#8211; LPUOS</a> proposta pela Prefeitura do Recife. A audiência será no Teatro do Parque, das 14h às 17h. Qualquer pessoa interessada pode participar. </p>



<p>Nas últimas semanas, a prefeitura tem feito apresentações do conteúdo da futura lei em universidades e eventos. Na noite desta quinta-feira (27), o secretário de Política Urbana e Licenciamento do Recife, Felipe Matos. fez a apresentação no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil em um evento promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU/PE), o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE) e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-PE). </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/para-que-serve-um-plano-diretor/" class="titulo">Para que serve um plano diretor?</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>O secretário começou mostrando números do Censo Demográfico de 2022 para apresentar a teoria da prefeitura de que o Recife perdeu mais de 48 mil moradores porque não tem imóveis acessíveis para quem não é rico, nem muito pobre. E, por conta disso, é preciso construir mais unidades habitacionais na cidade e aumentar, ainda mais, a densidade demográfica. O Recife tem, segundo o mesmo Censo, 6.803,60 habitantes por quilômetro quadrado, sendo a 12ª cidade mais densa do Brasil.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/creape.jpeg" alt="A imagem mostra um auditório com muitas pessoas sentadas, prestando atenção em uma apresentação. Na parte frontal do auditório, há um palco com uma mesa comprida onde estão seis pessoas sentadas. Uma delas está de pé, falando ao microfone, enquanto outra pessoa, ao lado, segura papéis. Atrás do palco, há três bandeiras: a do Brasil, a de Pernambuco e uma com o logotipo da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Na parede, encontra-se um painel de madeira também com o logotipo da OAB Pernambuco. Sobre a mesa, há arranjos de flores brancas." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Secretário Felipe Matos apresentou a minuta da lei
</p>
	                
                                            <span>Crédito: CREA-PE</span>
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                    </figure>

	


<p>A nova lei segue o Plano Diretor do Recife, aprovado em 2021. Uma das principais mudanças é a redução do lote mínimo de construção de 250 m<sup>2</sup> para 125 m<sup>2</sup> – seguindo a legislação federal, em vigor desde a década de 1970 –, o que aumenta bastante o potencial construtivo da cidade. A nova lei também vai abarcar os artigos da Lei dos 12 Bairros, que será revogada, deixando tudo em uma lei só.</p>



<p>O presidente do CAU/PE Roberto Salomão afirmou no evento que a minuta da lei apresenta um descompasso entre a intenção normativa e infraestrutura existente na cidade do Recife. “A proposta prevê aumento da densidade em certas áreas, mas nem sempre a infraestrutura urbana – transporte, saneamento, energia, etc – está preparada para isso. A implementação deve ser articulada com investimentos em infraestrutura”, afirmou, citando o bairro do Rosarinho como um mau exemplo dessa densidade sem infraestrutura. “O bairro teve um dos maiores crescimentos de população no Recife, justamente porque estava nas franjas dos bairros da Lei dos 12 bairros e sofreu toda a pressão do mercado imobiliário. Poço da Panela, Monteiro, Casa Amarela, Madalena foram outros bairros que também sofreram essa pressão”, enumerou Salomão, já após a apresentação do secretário.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/vereadores-do-recife-aprovam-513-emendas-e-228-artigos-do-plano-diretor-em-apenas-uma-sessao/" class="titulo">Vereadores do Recife aprovam 513 emendas e 228 artigos do Plano Diretor em apenas uma sessão</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A minuta da lei traz várias soluções para deixar a cidade menos sitiada entre prédios e ajudar na caminhabilidade do Recife, como a proibição de muros fechados, o aumento das calçadas a depender do tamanho da construção, a obrigação de jardinagem entre prédio e calçada. Porém, só são válidas para novas construções. Imóveis de uso misto também serão incentivados, como prédios residenciais com lojas no térreo. Como bem pontuou uma arquiteta presente no auditório da OAB-PE, Recife é uma cidade bastante consolidada, e falta na minuta soluções direcionadas às construções já existentes. <br><br>Entre outras propostas da prefeitura do Recife estão incentivos ao <em>retrofit</em> (reforma com mudança de uso) no centro do Recife. Um deles é que cada metro quadrado reformado nos bairros da Boa Vista, Santo Antônio, São José e Bairro do Recife para uso habitacional equivale a um metro quadrado de construção em Boa Viagem, na aquisição mediante Outorga Onerosa do Direito de Construir. Esse instrumento é usado quando, por exemplo, é preciso pagar para construir acima de certa metragem. Se a reforma no centro for para habitação social, o potencial construtivo em Boa Viagem é dobrado, passando de 1 para 2 m<sup>2</sup>. </p>



<p>“Basicamente, significa que se você entregar mil metros quadrados de área privativa para a residência de um imóvel retrofitado na avenida Guararapes, você vai ganhar mil metros quadrados para acrescentar no seu empreendimento lá em Boa Viagem. E a gente está fazendo com que isso seja transferível.  Então, a empresa que faz o <em>retrofit</em> não precisa necessariamente ser a mesma empresa que vai desenvolvê-lo em Boa Viagem”, afirmou Matos. De acordo com o secretário, o sistema só valer na outorga onerosa de construções em Boa Viagem é uma conformidade ao Plano Diretor do Recife. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Flexibilização excessiva e falta de fiscalização</h2>



<p>Após a apresentação, o presidente do CAU/PE Roberto Salomão enumerou pontos positivos e pontos de atenção sobre a proposta de lei da Prefeitura do Recife. Nos pontos positivos, destacou a nova setorização da cidade, que traz uma abordagem territorial mais precisa (para ver a nova setorização, <a href="https://drive.google.com/file/d/1F5n_yvvhYQR_rl8oAmQ-0u0fjbTtyz-5/view" target="_blank" rel="noreferrer noopener">acesse o mapa no anexo II da minuta</a>), ainda que seja de difícil operacionalização.</p>



<p>Elogiou as alterações para melhorar a sustentabilidade, como a taxa de contribuição ambiental, e a as melhorias na fruição pública, como as fachadas ativas. Também destacou que a lei fortalece as zonas especiais, que ganham maior detalhamento dos critérios urbanísticos próprios, e a busca pela requalificação de imóveis ociosos e incentivo à habitação de interesse social.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/planejamento-urbano-tem-de-parar-de-cometer-erros-e-comecar-a-corrigi-los-provoca-urbanista-portugues/" class="titulo">&#8220;Planejamento urbano tem de parar de cometer erros e começar a corrigi-los&#8221;, provoca urbanista português</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Entre as críticas, além do cuidado em relação ao incentivo à densidade, os representante do CAU e do IAB-PE consideraram a minuta excessivamente flexível para áreas preservadas. “Apesar das boas intenções em permitir transformações sustentáveis em ZEPH (Zonas Especiais de Preservação do Patrimônio Histórico-Cultural), a margem para interpretação pode fragilizar a preservação do patrimônio cultural caso não haja controle rígido e transparência nos critérios adotados”, disse Salomão.</p>



<p>A necessidade de mecanismos mais claros de monitoramento e avaliação e a falta dedefinições técnicas também chamou a atenção dos conselhos profissionais. “A minuta carece de mecanismos definidos de avaliação contínua da efetividade das normas no tempo, especialmente em relação aos impactos no adensamento, mobilidade, infraestrutura e mudanças climáticas. Muitos elementos cruciais, como critérios para classificação de imóveis especiais, ficam condicionados a regulamentações futuras. Isso pode atrasar ou limitar a efetividade da aplicação da lei”, disse o representande do CAU/PE.</p>



<p>Representando o Crea-PE, Tácito Quadros Maia levantou um ponto importante, que é a adequação do <em>retrofit </em>às exigências da Caixa Econômica para financiamento de imóveis do Minha Casa, Minha Vida. Ele também citou um instrumento urbanístico adotado em Brasília para diminuir a especulação imobiliária. “Na hora que a prefeitura divulgou que estava mudando o plano diretor, alguns terrenos já subiram 30%, 40%, 50%. Quem fica com esse dinheiro? O dono do terreno? Por quê? Então, lá em Brasília há uma lei que estabelece que quando há uma valorização imobiliária por conta de uma operação legislativa, o dono do terreno vendido paga para a prefeitura a diferença da valorização. É importante que a lei traga essa questão social”, sugeriu. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Serviço</span>

		<p><strong>Audiência pública para apresentação do Projeto de Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo &#8211; LPUOS</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando: 8 de abril, das 14h às 17h.<br />
</span><span style="font-weight: 400;">Onde: Cine Teatro do Parque (R. do Hospício, 81 &#8211; Boa Vista, Recife &#8211; PE, 50060-080).<br />
</span><span style="font-weight: 400;">Transmissão online: Canal do Youtube da Secretaria de Política Urbana e Licenciamento do Recife, sem limite de participantes (</span><a href="https://www.youtube.com/c/TVUrbanaRecife" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">https://www.youtube.com/c/TVUrbanaRecife</span></a><span style="font-weight: 400;">).</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Inscrição para a audiência e acesso aos documentos: <a href="https://conselhodacidade.recife.pe.gov.br" target="_blank" rel="noopener">https://conselhodacidade.recife.pe.gov.br</a></span></p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Uma nova maneira de pensar as regiões metropolitanas: a importância do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado</title>
		<link>https://marcozero.org/uma-nova-maneira-de-pensar-as-regioes-metropolitanas-a-importancia-do-plano-de-desenvolvimento-urbano-integrado/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 May 2024 15:27:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Observatório das Metrópoles]]></category>
		<category><![CDATA[plano diretor]]></category>
		<category><![CDATA[região metropolitana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Eugênia Simões* A Constituição Federal de 1988 obriga a elaboração de Plano Diretor, principal instrumento para planejar o desenvolvimento das cidades, nos municípios com mais de 20 mil habitantes. Já o Estatuto da Cidade (Lei Federal nº 10.257/2001) amplia essa obrigatoriedade para algumas situações, independente do número de habitantes, incluindo nesse rol qualquer município [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Eugênia Simões*</strong></p>



<p>A Constituição Federal de 1988 obriga a elaboração de Plano Diretor, principal instrumento para planejar o desenvolvimento das cidades, nos municípios com mais de 20 mil habitantes. Já o Estatuto da Cidade (Lei Federal nº 10.257/2001) amplia essa obrigatoriedade para algumas situações, independente do número de habitantes, incluindo nesse rol qualquer município inserido em regiões metropolitanas. Contudo, mesmo com essa obrigatoriedade, o planejamento continua a ter uma visão local, ou seja, restrita ao âmbito do próprio município, inexistindo uma perspectiva de planejamento urbano considerando sua inserção no cenário metropolitano.</p>



<p>Quando se trata de ordenação territorial urbana, alguns casos extrapolam a questão local, tornando-se uma situação de interesse comum, que demanda uma solução concertada entre os municípios envolvidos e o estado. Como exemplo, estão os empreendimentos que geram não apenas um impacto local na cidade onde serão erguidos, mas repercutem de alguma maneira nos municípios limítrofes, constituindo um problema metropolitano.</p>



<p>Nesse contexto, o Estatuto da Metrópole amplia a visão restrita ao local e prevê expressamente a necessidade da elaboração de um Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) para as regiões metropolitanas. Pelo seu conteúdo mínimo, os PDUIs terão uma abrangência muito maior, inclusive com a necessidade dos Planos Diretores se adequarem às suas disposições a fim de constituir um instrumento imprescindível para obtenção da gestão plena nas regiões metropolitanas.</p>



<p>No artigo do Estatuto da Metrópole, consta que esse instrumento legal estabelecerá as diretrizes gerais para o planejamento, a gestão e a execução das funções públicas de interesse comum em regiões metropolitanas e em aglomerações urbanas instituídas pelos estados. Assim como, também fixará normas gerais sobre o plano de desenvolvimento urbano integrado e outros instrumentos de governança interfederativa, incluindo critérios para o apoio da União a ações que envolvam essa governança no campo do desenvolvimento urbano.</p>



<p>Assim, com a edição do Estatuto da Metrópole, fica clara a busca por um planejamento e desenvolvimento integrado, ou seja, a autonomia municipal não é considerada ao extremo para solução de problemas urbanos que sejam considerados função pública de interesse comum. Isso é colocado porque existem desafios que são melhores solucionados com a participação efetiva dos municípios que compõem a região metropolitana, juntamente com o estado, com o apoio da União e a participação da sociedade civil.</p>



<p>Dessa forma, para o bom exercício das chamadas funções públicas de interesse comum, o ideal é a existência de uma estrutura administrativa básica de governança interfederativa, baseada na lei, construída com o diálogo democrático entre os municípios integrantes da região metropolitana e o estado. Essa estrutura deveria funcionar efetivamente para concretizar a gestão metropolitana de funções públicas de interesse comum, incluindo a ordenação territorial, naqueles casos em que a questão deixa de ser local para ser metropolitana.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p align="left"><strong><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">*Procuradora do município do Recife, doutora em Desenvolvimento Urbano </span></span><span style="font-size: medium;">pela</span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora do Observatório das Metrópoles (Núcleo Recife).</span></span></strong></p>
    </div>
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			</item>
		<item>
		<title>Prefeitura de Garanhuns distorce recomendação do Ministério Público sobre Plano Diretor</title>
		<link>https://marcozero.org/prefeitura-de-garanhuns-distorce-recomendacao-do-ministerio-publico-sobre-plano-diretor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jun 2022 20:32:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[direito à cidade]]></category>
		<category><![CDATA[garanhuns]]></category>
		<category><![CDATA[mppe]]></category>
		<category><![CDATA[plano diretor]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) fez uma recomendação para a Prefeitura de Garanhuns sobre o Plano Diretor do município. Publicada no Diário Oficial no dia 13 de junho, a recomendação pede empenho do executivo para a concreta revisão do plano diretor participativo de Garanhuns, solicitando que a prefeitura apresente, em 30 dias, cronograma de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/prefeitura-de-garanhuns-distorce-recomendacao-do-ministerio-publico-sobre-plano-diretor/">Prefeitura de Garanhuns distorce recomendação do Ministério Público sobre Plano Diretor</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) fez uma recomendação para a Prefeitura de Garanhuns sobre o Plano Diretor do município. Publicada no Diário Oficial no dia 13 de junho, a recomendação pede empenho do executivo para a concreta revisão do plano diretor participativo de Garanhuns, solicitando que a prefeitura apresente, em 30 dias, cronograma de reuniões e metodologia de trabalho da Comissão de Revisão do Plano Diretor Participativo.<br><br>Foi também conferido o prazo de dez dias úteis para que a prefeitura informe à Promotoria sobre o acatamento ou não da recomendação. A prefeitura não é obrigada a seguir as recomendações do Ministério Público. Mas ignorá-las pode implicar em medidas judiciais, como uma ação civil pública, por exemplo.<br><br>A recomendação do MPPE veio após denúncias da sociedade civil sobre a demora na atualização do Plano Diretor do município e da tentativa de alterações das leis urbanísticas do município em desacordo com o Plano Diretor vigente. São minutas de dois projetos de lei para a inclusão do instrumento de outorga onerosa no município de forma irrestrita – pagando uma taxa ao município, seria possível fazer qualquer tipo de construção ou alteração – e o aumento em um raio de três quilômetros da área urbana de Garanhuns, também sem restrições.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/de-cima-para-baixo-prefeitura-de-garanhuns-quer-mudar-plano-diretor-e-transformar-area-rural-em-zona-urbana/" class="titulo">De cima para baixo, Prefeitura de Garanhuns quer mudar Plano Diretor e transformar área rural em zona urbana</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Nenhum estudo foi apresentado pela prefeitura para justificar as mudanças. O Plano Diretor de Garanhuns é de 2008 e deveria ter sido revisado desde 2018, ainda na gestão de Izaías Régis (à época, do PTB). Desde 2021 no cargo, o prefeito Sivaldo Albino (PSB) só começou o processo para revisão após a polêmica dos projetos de lei. A pandemia da covid-19 foi o motivo alegado pela prefeitura para não ter iniciado antes as audiências públicas para a discussão do Plano Diretor.<br><br>Ativistas, ambientalistas e urbanistas reclamam que a prefeitura não está agindo com transparência. “Essa recomendação do MPPE é decorrente de reuniões que tivemos. Na verdade, a proposta era fazer uma reunião do MPPE conosco e também com a prefeitura. Mas a prefeitura não quis, não compareceu”, contou a professora e urbanista Maria Braga. “Item por item, fomos mostrando as razões pelas quais somos contra os projetos de lei. Ninguém é contra o desenvolvimento de Garanhuns, muito pelo contrário. Nós queremos desenvolvimento, o que não queremos é acumular mais problemas do que o município já tem”, disse.<br><br><a href="https://marcozero.org/parecer-de-conselho-do-meio-ambiente-condena-mudancas-no-plano-diretor-de-garanhuns/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Os projetos de lei já foram alvo de um parecer de 25 páginas do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Garanhuns (Codema)</a>. O documento destaca que as minutas do PLs que o prefeito Sivaldo Albino (PSB) quer levar para votação na Câmara de Vereadores não teve a consulta prévia a nenhum conselho municipal, incluindo o próprio Codema e o Conselho Municipal de Políticas Urbanas (Compur).<br><br>E dois pontos problemáticos foram destacados no parecer. O primeiro é o “super poder” que dá para a secretaria de Planejamento e Gestão, comandada por Alexandre Marinho, que foi coordenador da campanha do prefeito Sivaldo Albino (PSB). O artigo 22 da minuta do PL informa que casos omissos serão decididos pela análise técnica somente da secretaria. Outro ponto negativo do PL, de acordo com o parecer do Codema, é que o planejamento urbano está sendo deixado para os empresários do ramo da construção. Isso porque a prefeitura adota no PL uma outorga onerosa que não tem limites.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Prefeitura é desmentida pelo MPPE</h2>



<p>Apesar da longa recomendação ser bem clara em relação à transparência e da necessidade de que o Plano Diretor tenha participação popular, a prefeitura de Garanhuns pegou uma parte realmente ambígua da recomendação e transformou em uma nota que não condiz com o completo teor do documento, que trata do Plano Diretor e não dos projetos de lei, apesar de citá-los.<br><br><a href="https://garanhuns.pe.gov.br/garanhuns-ministerio-publico-reconhece-legalidade-de-projetos-de-lei-sobre-outorga-onerosa-e-criacao-de-nucleo-urbano/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">No site da prefeitura e nas redes sociais</a>, a prefeitura de Garanhuns publicou: “Ministério Público reconhece legalidade de Projetos de Lei sobre Outorga Onerosa e criação de núcleo urbano”. O trecho citado é o que diz que “…referidas mudanças legislativas precisam estar em consonância com o plano diretor vigente, embora dele possam se distinguir, e não podem levar ao esvaziamento ou a mais adiamento da necessária revisão do plano diretor”.<br><br>Apesar da recomendação, em diversos outros pontos, citar a necessidade de seguir o Plano Diretor vigente, a parte ambígua virou um trunfo para a gestão do PSB. Quem lê o documento todo, percebe, inclusive, que a prefeitura não atendeu solicitação anterior do MPPE (“…apesar de solicitado ao Município, ainda não recebemos cronograma de atividades da comissão instituída para a revisão do plano diretor”).<br><br>A Marco Zero solicitou então esclarecimento do MPPE sobre a nota da prefeitura, questionando se a recomendação 03/2022 reconhece a legalidade dos projetos de lei. A resposta foi de que “a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Garanhuns não entrou no mérito das propostas de outorga onerosa e de criação de núcleo urbano em zona rural, que, apesar de terem relação com o plano diretor, são objeto de outro procedimento (mencionado na recomendação)&#8221;. O procedimento citado é uma notícia de fato, demandada pelo Codema, que está na fase de prestação de prestação de informações.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“AO MUNICÍPIO DE GARANHUNS, na pessoa do Exmo. Sr. Sivaldo Rodrigues Albino, prefeito, e do Exmo. Sr. Paulo André Couto Soares, procurador-geral do Município: &#8211; efetivo empenho para a concreta revisão do plano diretor participativo de Garanhuns, apresentando, em trinta dias, cronograma de reuniões e metodologia de trabalho da Comissão de Revisão do Plano Diretor Participativo –, garantindo transparência e ampla participação popular em todo o processo de revisão, bem como a produção de estudos técnicos que possam subsidiar a população e os parlamentares, e encaminhando o texto final de revisão do Plano Diretor à Câmara Municipal no prazo de um ano, a contar do recebimento desta Recomendação, sem prejuízo de que, no exame do cabimento de propostas de instituição de outorga onerosa para alteração dos parâmetros de uso e ocupação do solo, bem como de criação de núcleo urbano em zona rural, observe o plano diretor participativo vigente, em conformidade com o artigo 29 (“O plano diretor poderá fixar áreas nas quais poderá ser permitida alteração de uso do solo, mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário.”) e o artigo 42-B, § 1º, do Estatuto das Cidades (que estabelece requisitos e atendimento às diretrizes do plano diretor para ampliação do perímetro urbano), supratranscritos.”</p></blockquote>



<p><br>Essa não é a primeira vez que a prefeitura usa táticas de desinformação para confundir a população em relação a esses projetos de lei. <a href="https://garanhuns.pe.gov.br/prefeitura-de-garanhuns-esclarece-sobre-audiencias-publicas-a-respeito-do-projeto-de-lei-de-outorga-onerosa-de-alteracao-dos-parametros-urbanisticos-para-uso-e-ocupacao-do-solo/">Em uma nota no site em abril</a>, a Prefeitura de Garanhuns já acusou os críticos dos projetos de lei de estarem “manipulando informações” com “o intuito de gerar pânico nas pessoas, disseminando fatos e noticias inverídicas, desvirtuando da realidade”.<br><br>Nesta mesma nota, de abril, a prefeitura afirma “que NÃO se trata de alteração do Plano Diretor”. Agora, nesta nova nota, há uma fala do Procurador Geral do Município, Paulo Couto, em que diz que os projetos de lei são uma atualização do Plano Diretor, contradizendo, portanto, a nota anterior: “Atendendo determinação do prefeito Sivaldo Albino, formatamos o processo que levará à revisão do Plano Diretor, com ampla participação de instituições acadêmicas, segmentos do campo, associações, conselhos de engenharia e arquitetura, imobiliárias, gestão pública, etc. Mas precisamos atualizá-lo através dos PLs, e para isto já somamos cinco audiências públicas, na cidade e na zona rural”, afirma, na nota. </p>



<p>O advogado Gustavo Carvalho, que está acompanhando o assunto, afirmou que a interpretação da prefeitura de Garanhuns sobre a recomendação não tem cabimento. “Com surpresa recebemos a notícia de que a prefeitura estava divulgando que o MPPE reconheceu a legalidade dos Projetos de Lei apresentados. Primeiro porque os textos apresentados sequer são projetos, segundo a própria prefeitura, são apenas minutas de projetos de lei. Em segundo lugar, pelo fato do Ministério Público, na realidade ter tão somente enquadrado o Município de Garanhuns a acelerar a revisão do Plano Diretor, estipulando inclusive, prazos para tanto”, diz.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><cite>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.<br><br>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.<br><br>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.<br><br>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.<br><br><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></cite></blockquote>
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		<title>Parecer de Conselho do Meio Ambiente condena mudanças no Plano Diretor de Garanhuns</title>
		<link>https://marcozero.org/parecer-de-conselho-do-meio-ambiente-condena-mudancas-no-plano-diretor-de-garanhuns/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Apr 2022 03:45:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[conselhos]]></category>
		<category><![CDATA[garanhuns]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[plano diretor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Garanhuns (Codema) elaborou um parecer com 25 páginas em que disseca os problemas do projeto de lei da Prefeitura de Garanhuns que altera o Plano Diretor do município. O documento destaca que a minuta do PL que o prefeito Sivaldo Albino (PSB) quer levar para votação [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Garanhuns (Codema) elaborou um parecer com 25 páginas em que disseca os problemas do projeto de lei da Prefeitura de Garanhuns que altera o Plano Diretor do município. O documento destaca que a minuta do PL que o prefeito Sivaldo Albino (PSB) quer levar para votação na Câmara de Vereadores não teve a consulta prévia a nenhum conselho municipal, incluindo o próprio Codema e o Conselho Municipal de Políticas Urbanas (Compur). <br><br>O documento do conselho foi elaborado levando em conta uma apresentação do projeto de lei com 33 páginas, a minuta do projeto de lei original, de apenas nove páginas, e o edital de convocação para as duas audiências públicas para discutir a proposta &#8211; ambas já ocorreram.<br><br>Para o presidente do Codema, Marcos Renato Mattos, há dois pontos principais em que as mudanças sugeridas pela prefeitura ferem a legislação. A primeira é o &#8220;super poder&#8221; que dá para a Secretaria de Planejamento e Gestão comandada por Alexandre Marinho, que foi coordenador da campanha à prefeitura de Sivaldo Albino.<br><br>O artigo 22 da minuta do PL informa que casos omissos serão decididos pela análise técnica somente da secretaria. &#8220;É um PL pequeno, sem muito detalhamento. Como essa possível lei irá revogar as leis anteriores, muitos casos vão se tornar omissos, já que não estão previstos nos poucos artigos dessa possível nova lei&#8221;, afirmou o presidente do Codema em entrevista à Marco Zero.</p>



<p>Na prática, isso significa que muita coisa vai ser decidida pela caneta do secretário. E não foi apresentado nenhum estudo, nenhuma pesquisa para dar embasamento técnico ao projeto de lei que vira pelo avesso o Plano Diretor da cidade, que é de 2008, mas ainda permanece em vigor, já que o processo de revisão, que deveria ter sido concluído em 2018, ainda está na fase inicial.<br><br>Outro ponto de destaque negativo para o PL, de acordo com o parecer do Codema, é que o planejamento urbano está sendo deixado para os empresários do ramo da construção. Isso porque a prefeitura adota no PL uma outorga onerosa que não tem limites. &#8220;É algo que nunca vi no Brasil ou em qualquer lugar do mundo&#8221;, diz Marcos Renato.<br><br>Pela outorga onerosa, o empreendedor vai poder mudar, por exemplo, o zoneamento do terreno onde está construindo. Para quem puder pagar, a cidade toda ficará disponível, para qualquer tipo de construção. O empreendedor pode decidir que, para um determinado terreno em que tenha interesse em construir, se aplicam as regras de uma zona urbana de alta densidade, bastando apenas pagar à prefeitura o valor da outorga.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p><strong>Art. 22 –</strong> Caberá, em casos excepcionais, à análise técnica da Secretaria de Planejamento e Gestão, quanto a política de desenvolvimento urbano, visando a atender à função social do solo urbano, ao crescimento ordenado e harmônico, proporcionando a utilização adequada do território e dos recursos naturais, garantindo o bem-estar e qualidade de vida para a população do Município de Garanhuns.</p><p><strong><em>Parágrafo Único</em></strong>. Será considerado (sic) casos excepcionais, os casos não contemplados por essa Lei.</p><cite>Transcrição literal da minuta do projeto de lei sugerido pela Prefeitura de Garanhuns</cite></blockquote></figure>



<p>&#8220;Por exemplo, se há uma construção de três andares ao lado de um prédio de conservação, e o empresário quiser construir até o limite de 30 andares, é só ele pagar que poderá construir&#8221;, diz Marcos. &#8220;O empresário deve executar as obras, mas é uma obrigação do poder público fazer o planejamento urbano, não o empresário&#8221;, observa.<br><br>Marcos Renato lembra que, ao contrário de outros tipos de concessões pagas, como a outorga de radiodifusão, a outorga no urbanismo é para sempre. &#8220;Não dá para derrubar o prédio depois que pagou a outorga&#8221;, diz.<br><br>Outro ponto crítico levantado pelo parecer do Codema à redação da minuta do projeto de lei é sobre o parágrafo primeiro do artigo 7. Lá, está posto que a nova zona urbana do município será criada dentro de um raio de três quilômetros do &#8220;perímetro urbano mais próximo&#8221;. Não há, porém, um marco temporal sobre o que seria esse &#8220;perímetro urbano mais próximo&#8221;.<br><br>&#8220;Vamos supor então que alguém construa no limite desse raio de três quilômetros do zoneamento urbano. Isso já virou o perímetro mais distante, e vai se auto expandindo. Para o próximo, já vale mais três quilômetros e assim indefinidamente. Pode ser que seja um erro, mas é o que está escrito sem estar escrito no PL&#8221;, avalia o presidente do Codema.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/de-cima-para-baixo-prefeitura-de-garanhuns-quer-mudar-plano-diretor-e-transformar-area-rural-em-zona-urbana/" class="titulo">De cima para baixo, Prefeitura de Garanhuns quer mudar Plano Diretor e transformar área rural em zona urbana</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Conselhos sem poder deliberativo desde 2019</h2>



<p>O parecer que enumera e embasa as irregularidades das alterações que a prefeitura quer fazer em Garanhuns foi apresentado em uma reunião na quinta-feira passada, 7 de abril, e publicado no Diário Oficial na segunda-feira, dia 11. Na reunião do Codema, o secretário Alexandre Marinho afirmou que não via motivo para votar o parecer. Isso porque desde 2019 os conselhos de Garanhuns perderam o status deliberativo, sendo apenas consultivo. Na reunião, o secretário deixou claro que a prefeitura não havia solicitado nenhuma parecer ao Codema sobre o assunto.<br><br>O Codema surgiu em 2006 e ganhou força após o licenciamento ambiental municipal ser instituído em Garanhuns, em 2015. Também era o órgão que fiscalizava o uso de recursos do Fundo Municipal do Meio Ambiente (FMMA e decidia sobre os recursos de multas do Sistema Municipal do Meio Ambiente (SMMA) de Garanhuns. Mas tudo mudou em 2019.<br><br>Com as sucessivas negativas do Codema para licenças ambientais para empreendimentos irregulares, o então prefeito Isaías Régis (então no PTB, hoje no PSDB) decidiu que era melhor se livrar dos conselhos. Enviou para o legislativo municipal a lei 4.619/2019 que tirou o poder deliberativo do Codema e outros conselhos municipais, como o Conselho Municipal de Políticas Urbanas (Compur) e o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS).</p>



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	                                        <p class="m-0">Secretário Alexandre Marinho. Crédito: Pref. de Garanhuns</p>
	                
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<p><br><br>Na prática, a lei transformou os conselhos em órgãos meramente opinativos. E, como o secretário de Planejamento fez questão de lembrar, apenas quando solicitado pelo poder executivo. Durante a campanha para a prefeitura, tanto o prefeito quanto o secretário Alexandre Marinho fizeram acenos de que a lei seria revogada, mas isso não aconteceu. Pelo contrário: sem consultar o Codema, propõem mudanças profundas no Plano Diretor de Garanhuns.<br><br>Hoje, o Codema tem 24 assentos, sendo 20 ativos. Metade é da sociedade civil e a outra metade de órgãos públicos. É o conselho mais independente da gestão municipal principalmente porque há diversidade na ocupação dos assentos dos órgãos públicos. Enquanto em outros conselhos, como o Compur, a parte de órgãos públicos é formada somente pela prefeitura, no Codema há representantes da Universidade de Pernambuco (UPE), do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), a Autarquia do Ensino Superior de Garanhuns (Aesga) e da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (Ufape), entre outros.<br><br>Na mais recente reunião, integrantes da prefeitura questionaram a presença das universidades no conselho. Em uma nota de repúdio divulgada no dia 12 de abril, a Universidade de Pernambuco (UPE) afirma que &#8220;em argumento temerário e sem precedentes, o assento da UPE no Codema chegou a ser questionado por alguns participantes, sob o pálio argumento de ausência de sede no município, o que representa uma séria deturpação da exegese contida no art. 4º, inciso I, alínea b, da Lei Municipal nº 3.394 de 2006 e, mais do que isso, uma completa inverdade&#8221;.<br><br>A nota, assinada pela diretora da UPE Multicampi Garanhuns, Rosângela Estevão Alves Falcão, faz um &#8220;chamamento do discurso à ordem, não só para consolidar seu compromisso institucional perante o Codema e a toda sociedade garanhuense, como também para tornar público que qualquer tentativa de esvaziamento da participação da UPE no cenário democrático, ainda que meramente desenvolvido no campo das ideias, será veementemente rechaçada&#8221;.<br><br>Nesta semana, o Codema enviou para o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) um ofício em que pede para que o conselho estadual se pronuncie sobre a lei 4.619/2019, que tirou o poder deliberativo dos conselhos.<br><br>&#8220;Esse tema se tornou mais urgente no momento em que o Executivo Municipal está em processo de tramitação de Projetos de Lei que alteram significativamente o Plano Diretor Municipal, com definição de novos usos e novos parâmetros, com expansão urbana em zona rural, inclusive ao redor de Unidade de Conservação de Proteção Integral, áreas de mananciais, dentre outras alterações, ignorando os pareceres, considerações e solicitações de informações e estudos por parte dos conselhos municipais, uma vez que os mesmos agora passaram a ser apenas opinativos se o Executivo desejar que opinem”, diz trecho do ofício enviado ao Consema.<br><br>Um ofício também será enviado para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Desde 2019, o Ministério Público de Pernambuco foi acionado para atuar na reversão da lei que tirou o poder dos conselhos, mas a questão segue sem definição judiciária.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Abaixo, o parecer técnico na íntegra, seguido do ofício enviado ao Conselho Estadual do Meio Ambiente:</strong></li></ul>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
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			</item>
		<item>
		<title>De cima para baixo, Prefeitura de Garanhuns quer mudar Plano Diretor e transformar área rural em zona urbana</title>
		<link>https://marcozero.org/de-cima-para-baixo-prefeitura-de-garanhuns-quer-mudar-plano-diretor-e-transformar-area-rural-em-zona-urbana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Apr 2022 21:15:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[agreste]]></category>
		<category><![CDATA[especulação imobiliária]]></category>
		<category><![CDATA[garanhuns]]></category>
		<category><![CDATA[plano diretor]]></category>
		<category><![CDATA[s urbanismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=46210</guid>

					<description><![CDATA[<p>Cidade mais importante do Agreste meridional, Garanhuns tem vivido dias de disputa. O prefeito Sivaldo Albino, do PSB, pretende encaminhar para a Câmara de Vereadores dois projetos de lei que alteram como a cidade vive e é pensada. As minutas dos projetos da prefeitura ampliam a zona urbana da cidade em um raio de três [&#8230;]</p>
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<p>Cidade mais importante do Agreste meridional, Garanhuns tem vivido dias de disputa. O prefeito Sivaldo Albino, do PSB, pretende encaminhar para a Câmara de Vereadores dois projetos de lei que alteram como a cidade vive e é pensada. As minutas dos projetos da prefeitura ampliam a zona urbana da cidade em um raio de três quilômetros. E também regulamentam a outorga onerosa de alteração de uso, um instrumento urbanístico que não está previsto no Plano Diretor da cidade, que é de 2008, mas ainda está em vigência.<br><br>As duas alterações beneficiam principalmente grandes construções, como prédios e condomínios. Uma paisagem que cada vez se torna mais comum em Garanhuns, município que vende o turismo bucólico e a qualidade de vida como um dos seus principais atrativos.<br><br>Na prática, os projetos trazem uma quantidade imensa de alterações para a cidade e a zona rural, atingindo em cheio os pequenos e médios agricultores. A mudança de zona rural para urbana é uma das mais sensíveis, uma vez que pode tirar o trabalhador rural da sua terra. Isso porque o Plano Diretor estabelece que as atividades urbanas têm prevalência sobre as rurais. Ou seja, se quiser continuar a criar porcos ou aves, por exemplo, um criador poderá ter que enfrentar uma série de burocracias, como pedir uma licença à prefeitura e até mesmo anuência, por escrito, aos novos vizinhos residenciais.<br><br>Em uma carta denúncia assinada por mais de 70 entidades, a Rede Agreste de Agroecologia de Pernambuco (RedeAgro) afirma que a ampliação da zona urbana é expor essas terras de criadores e agricultores à especulação imobiliária. &#8220;Essas mudanças vão possibilitar a invasão e modificação do ambiente rural de Garanhuns por força da especulação imobiliária, prejudicando famílias rurais, sobretudo, comprometendo suas produções agrícolas, meio e ambientes de vida&#8221;, diz a nota.<br><br>O advogado Gustavo Carvalho está acompanhando juridicamente o assunto a pedido de professores da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e da vinícola Vale das Colinas. Para ele, há ilegalidades nos Projetos de Lei (PLs) que estão em desacordo com o Plano Diretor da cidade. Uma delas é sobre o parcelamento de terrenos em áreas de baixa densidade populacional, que é proibido pela atual Plano Diretor.<br><br>Esse trecho da minuta é importante para a especulação imobiliária, já que regulariza condomínios e loteamentos nesta nova zona urbana com raio de três quilômetros, prejudicando as atividades agrícolas e pecuária. &#8220;Os artigos de 75 a 79 do atual Plano Diretor fala da prevalência da atividade urbana sobre a rural. E residência é atividade urbana, por exemplo. Então mesmo estando lá antes, há anos, há décadas, um criador de porcos, por exemplo, não vai poder continuar com a criação&#8221;, afirma o advogado.</p>



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	                                        <p class="m-0">Prefeitura não apresentou estudos que comprovem esgotamento da área urbana. Crédito: Google Earth</p>
	                
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<p>Para mostrar que a vida dos agricultores e criadores não vai ser fácil com a imensa nova área urbana que a prefeitura propõe, o advogado aponta o artigo 79 do Código Sanitário do estado: &#8220;Os estábulos, cocheiras, granjas e estabelecimentos congêneres, só serão permitidos em zona rural. Parágrafo Único &#8211; A sua remoção será obrigatória, no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias, a critério da autoridade sanitária, quando o local se tornar núcleo de população densa&#8221;.<br><br>Outra questão que traz insegurança para esses produtores rurais são os impostos. Se no campo se paga o imposto rural, bem mais baixo do que o IPTU, a mudança de zoneamento pode levar a questão à Justiça. &#8220;É um desdobramento sem precedentes. É uma repercussão que ainda não avaliamos o impacto que vai ter. É péssimo para os agricultores&#8221;, afirma o advogado.<br><br>A RedeAgro também denuncia que não há nenhum cuidado em criar áreas de proteção ambiental ou às atividades de produção rural, independentemente do tamanho da propriedade ou da sua capacidade de produção. &#8220;Da forma como está apresentada, a alteração do uso rural pelo uso urbano poderá ser feita após o empreendedor imobiliário apresentar os documentos exigidos e realizar pagamento de taxa de outorga (permissão/concessão). Esta será uma realidade no município se o Projeto de Lei for aprovado pela maioria dos Vereadores&#8221;, diz a nota.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sem estudos para justificar alterações</h2>



<p>Uma crítica de organizações, urbanistas e ativistas é que a prefeitura não apresentou nenhum estudo para justificar as alterações. Não foi apresentado, por exemplo, nada que comprove o esgotamento da atual zona urbana de Garanhuns. Outra questão é que não há nenhuma diferença de zoneamentos. Nesse raio de três quilômetros por exemplo, há área quilombola demarcada, como o quilombo de Castainho. E um parque natural onde fica a nascente do rio Mundaú. A minuta do PL não traz nenhuma indicação de uso ou de restrições para os terrenos vizinhos a essas áreas.<br><br>O agronegócio é outro prejudicado. Um dos proprietários da Vinícola Vale das Colinas, a primeira a se instalar no Agreste, o empresário e médico Michel Leite, suspendeu a expansão de dez hectares do parreiral, por conta do que pode acontecer se o PL for levado adiante. A vinícola também divulgou uma carta aberta em que afirma que &#8220;trazer a cidade para o campo significa trazer o desequilíbrio ecológico tão catastrófico para nossa atividade; significa a contaminação de nossas nascentes, de nosso lençol freático, de nosso solo; significa beneficiar a especulação imobiliária em detrimento de projetos muito maiores e importantes para o nosso município e nosso povo.&#8221;<br><br>De acordo com Michel, já há sinais de especulação imobiliária na região. &#8220;Inclusive na frente da vinícola um empresário baiano comprou uma área pra fazer um condomínio vizinho à vinícola impossibilitando nossa atividade. Tem tanta certeza que será aprovada a lei que já cavou cinco poços artesianos&#8221;, afirma. &#8220;No futuro não teremos mais água para irrigar nossas parreiras, o esgoto tomará conta de tudo, não poderemos utilizar defensivos e o sonho da agricultura orgânica ficará cada vez mais distante pelos desequilíbrios causados&#8221;, lamenta.<br><br>O Plano Diretor de Garanhuns deveria ter sido revisado em 2018, pela gestão municipal anterior. Não foi. A atual gestão do PSB deu início ao processo de revisão no mês passado, mas é um percurso longo, que dura geralmente mais de um ano e meio. Nas audiências, representantes da prefeitura tentam passar a ideia de que não dá para esperar e de que a cidade precisa dessas flexibilizações antes do novo Plano Diretor entrar em vigor.</p>



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	                                        <p class="m-0">Vinícola suspendeu expansão de mais 10 hectares para plantio de uvas. Crédito: Vale das Colinas</p>
	                
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<p>Para Luiz Filho, assessor da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape), a prefeitura está colocando o carro na frente dos bois. &#8220;Existe um rito para construção do Plano Diretor. Esses projetos de lei que a prefeitura quer propor é algo que altera completamente o Plano Diretor vigente, mas que está desatualizado desde 2018. Como a prefeitura de Garanhuns vai levar em conta as contribuições se o projeto de lei já nasce sem dialogar com a comunidade? Por lei, é preciso ouvir os conselhos e a comunidade antes de fazer uma proposição de Plano Diretor&#8221;, afirma.<br><br>A arquiteta e urbanista Lahys Barros, integrante do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-PE), afirma que os movimentos querem que a prefeitura desista desses projetos de lei. E que a prioridade da gestão seja o novo Plano Diretor. &#8220;Não pode ser aprovada uma legislação em descompasso com a cidade. Essas leis vão flexibilizar construções e novos empreendimentos com um discurso de &#8216;sustentabilidade&#8217;, que só existe mesmo no discurso. Precisamos repensar democraticamente o que queremos para Garanhuns como cidade&#8221;, diz Lhays.<br><br>Em nota assinada pelo reitor Airon Melo, a Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) alertou para os &#8220;riscos de se tomar decisões apressadas sobre questões complexas e de tamanha abrangência, sem a obediência aos trâmites legais exigidos pelas legislações urbanística e ambiental vigentes e ao devido planejamento&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Uma nova outorga onerosa</h3>



<p>Não é só a zona rural que sofrerá alterações com as propostas da prefeitura. As minutas dos projetos estabelecem também o instrumento de outorga onerosa de alteração de uso. Na prática, significa que, mediante pagamento à prefeitura, os proprietários poderão quase completamente um imóvel, do gabarito (limite de altura) à taxa de ocupação do solo (deixando menos área verde, por exemplo), passando por recuos, afastamentos e &#8220;quaisquer outros índices que possibilitem a ampliação de área construtiva&#8221;. Poderão também alterar uma construção de residencial para comercial.<br><br>Não há, na minuta, nenhuma diferenciação dos bairros ou áreas onde as construções ou reformas podem ser feitas com essas alterações. Todo o município está incluído. A documentação para essas alterações como, por exemplo, os estudos ambientais ou de vizinhança, ficam a cargo dos próprios empreiteiros. Ou seja, é praticamente entregar o planejamento da cidade para as construtoras e imobiliárias.<br><br>Acontece que esse tipo de outorga onerosa não está previsto no Plano Diretor vigente. &#8220;Existe no Estatuto da Cidade, a lei federal que criou os planos diretores, vários instrumentos urbanos. Um deles é a outorga onerosa. Mas há a outorga onerosa do direito de construir e a da alteração de uso. São duas coisas diferentes. A primeira, que promove condições para a verticalização, é a que está indicada no Plano Diretor de Garanhuns e inclusive em prática há vários anos na cidade&#8221;, diferencia a arquiteta e urbanista Mariana Braga, professora da Autarquia do Ensino Superior de Garanhuns (Aesga).<br><br>A outorga onerosa de alteração de uso, que o PL quer implementar, flexibiliza os tipos de uso. &#8220;Por exemplo, se eu disser que o uso de uma construção é estritamente residencial e alguém quiser fazer uso misto, com comércio e serviço, pode ser aplicada essa lei. Mas ela tem que estar prevista no Plano Diretor, o que não é o caso em Garanhuns&#8221;, afirma a urbanista.<br><br>O Plano Diretor serve para apresentar os princípios que norteiam os objetivos e as ações do planejamento urbanístico e social de uma cidade. Depois é que são regulamentadas as leis de ocupação do solo. &#8220;No Plano Diretor vigente estão fixados os gabaritos (limite de altura) para as zonas, as taxas de ocupação de solos, recuos do terrenos etc. O que esse projeto de lei quer fazer é alterar todos esses valores. Vamos dizer que se uma construção precisa, por exemplo, de cinco metros de afastamento de frente, o que esse PL diz é que a construção pode ocupar mais, desde que pague. Mas isso não está previsto no atual Plano Diretor de Garanhuns&#8221;, afirma. &#8220;E tudo vai valer para toda a cidade. Fizeram passando a régua, sem planejamento algum&#8221;, reclama.<br><br>A urbanista também lembra que Garanhuns é uma terra de mananciais e o projeto de lei não traz nenhuma regra ou limite sobre a capacidade dos terrenos de absorver a água da chuva. &#8220;Não podemos simplesmente aumentar irresponsavelmente a taxa de ocupação do solo. Você acaba com a possibilidade do solo de reabsorver a água, o que aumenta os problemas de falta de água e prejudica os lençóis freáticos&#8221;, diz.</p>



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	                                        <p class="m-0">Expansão da zona urbana afetaria mananciais d&#8217;água, agricultura e pecuária. Crédito: Vale das Colinas</p>
	                
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<h4 class="wp-block-heading">Audiências com presença de &#8220;forasteiros&#8221;</h4>



<p>Comandada pelo PSB, a Prefeitura de Garanhuns praticamente não tem oposição na Câmara de Vereadores. Se o projeto de lei for para votação do jeito que está, as chances de passar são altas &#8211; ainda que a vitória possa ser questionada na Justiça. A prefeitura inicialmente propôs duas audiências públicas para debater as mudanças com os moradores de Garanhuns.<br><br>Na primeira, ainda não havia mobilização da sociedade civil. A professora Mariana Braga foi uma das poucas que falou e alertou para o impacto que as mudanças poderiam causar na cidade. A partir daquela audiência, ativistas e organizações começaram a se movimentar para discutir e pressionar alterações ou o fim da ideia desses projetos de lei.<br><br>Nessa primeira audiência, de acordo com um <a href="https://blogdocarloseugenio.com.br/prefeitura-abre-discussoes-sobre-alteracao-de-uso-e-parametros-do-solo-em-garanhuns-tema-divide-opinioes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">blog local</a>, o Procurador Geral do Município, Paulo Couto, afirmou que o o atual Plano Diretor &#8220;não atende as expectativas socioeconômicas&#8221; da cidade. Também justificou o PL como uma forma de legalizar empreendimentos já construídos, como loteamentos, que hoje se encontram irregulares. &#8220;Nós temos que ter um instrumento legal que dê segurança jurídica ao empreendedor, para que faça o seu investimento, para que gere renda e gere receita para o município”, disse na primeira audiência, segundo o blog. <br><br>Na segunda audiência pública, que aconteceu na semana passada, a história foi diferente. Representantes da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE) e do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco (Sinduscon-PE) apareceram na cidade. Relatos também dão conta que arquitetos nascidos em Garanhuns, mas que há muito não pisavam na cidade, apareceram naquela manhã chuvosa ao auditório da Aesga para defender os projetos de lei. Nas redes sociais, é possível ver a mobilização que fazem em publicações contrárias ao PL, sempre focando em um suposto desenvolvimento econômico da cidade.<br><br>Antes mesmo de passar a lista de quem queria falar, vários empresários do ramo da construção já estavam inscritos para pegar o microfone, contaram várias fontes ouvidas pela Marco Zero. Do outro lado, agricultores e ativistas também se mobilizaram para a audiência. Mas enfrentaram problemas: na chegada, um grupo de agricultores foi barrado por estar sem o cartão de vacinação contra a covid-19. Quando conseguiram fotos da comprovação, a audiência já havia começado.<br><br>Também há uma forte campanha do empresariado e da prefeitura na captura da opinião pública. O mesmo blog local citado acima publicou um informe publicitário, com ares de reportagem, em que Sandro Guedes, representante da Ademi e bastante ativo em audiências públicas sobre urbanismo no Recife, defende que o PL atualiza a legislação de Garanhuns para &#8220;práticas de sustentabilidade e responsabilidade social&#8221;. O título do informe publicitário, assinado por uma assessoria de comunicação, é um acinte: &#8220;Crescimento desordenado em cidades do Agreste pode gerar consequências ambientais e sociais&#8221;. <br><br>Como boa parte dos meios de comunicação também dependem de verbas municipais ou do empresariado, os espaços  da imprensa local assumiram a defesa do projeto da prefeitura. Um dos pedidos da sociedade civil é de que a população de Garanhuns seja mais bem informada sobre o que pode acontecer caso as alterações sejam aprovadas. Foi protocolado um pedido de pelo menos mais cinco audiências públicas e que elas aconteçam também nos três distritos do município: São Pedro, Miracica e Iratama. </p>



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	                                        <p class="m-0">Houve duas audiências públicas, mas gestão do PSB controla Câmara Municipal e mídia local. Crédito: Thomas Ravelly/Pref. de Garanhuns</p>
	                
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<p>Até agora, nenhum vereador ou vereadora de Garanhuns pediu publicamente a extinção dos projetos de lei. O vice-prefeito da cidade, o médico Pedro Veloso (PT), tem sido a voz dissidente mais sonora na política local. &#8220;Esses projetos modificam profundamente o Plano Diretor e a estrutura da zona rural, do desenvolvimento social. Sou contra porque é ilegal. O Plano Diretor existe justamente para evitar esse tipo de projeto, evitar essa especulação imobiliária. Há uma série de requisitos que devem ser cumpridos para um Plano Diretor e, por lei, tem que ser um espaço participativo&#8221;, afirmou, em entrevista à Marco Zero.<br><br>Veloso, que não participa da gestão do município, continua a fazer parte do mesmo grupo político do prefeito Sivaldo Albino (PSB). &#8220;É uma questão suprapartidária. É algo que vai mexer com as futuras gerações. Vai ter duplicação da BR, uma nova adutora, tudo isso precisa ser discutido&#8221;, justifica. Ele conta que também não tem tido espaço na imprensa local para falar contra as propostas. &#8220;Apenas um blog na cidade me chamou pra falar sobre isso. Mas não é como se não soubessem minha opinião, fiz uma <em>live </em>pra falar sobre isso&#8221;, disse.</p>



<p>Com pouco apoio político local, o movimento de ativistas, professores, urbanistas, agricultores e ambientalistas que são contrários às drásticas mudanças urbanísticas querem fazer pressão popular para que a prefeitura desista e passe a concentrar esforços na discussão do novo Plano Diretor. Há também um movimento para levar judicializar a disputa.<br><br>A Marco Zero procurou por uma semana a Prefeitura de Garanhuns para saber se as propostas se basearam em estudos, sobre como fica a vida dos agricultores e criadores com a mudança de suas terras para zona urbana e como a prefeitura vê os questionamentos sobre a legalidade dos projetos. Até agora, a Marco Zero não recebeu nenhuma resposta.<br><br>Também procuramos o Ministério Público de Pernambuco, que afirmou que está ciente da situação. Em nota à Marco Zero, a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Garanhuns disse que &#8220;por enquanto, a matéria está no âmbito administrativo da Prefeitura de Garanhuns, em audiências públicas promovidas pelo próprio Município, das quais a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Garanhuns, curadoria de Habitação e Urbanismo, tem tomado ciência. Há um procedimento na 1ª Promotoria para acompanhar a revisão do Plano Diretor Participativo (PDP), considerando que foi criada, no dia 24 de fevereiro de 2022, uma comissão para revisão do PDP, tendo o tema relação direta com essas questões mencionadas&#8221;.</p>



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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Moura Dubeux repete em Salvador modo de atuar que cobriu de sombras a praia de Boa Viagem</title>
		<link>https://marcozero.org/moura-dubeux-repete-em-salvador-modo-de-atuar-que-cobriu-de-sombras-praia-de-boa-viagem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Sep 2021 17:53:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Balneário Camboriú]]></category>
		<category><![CDATA[Moura Dubeux]]></category>
		<category><![CDATA[plano diretor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A engenheira civil Aline Prado estava passando pela orla de Ondina, em Salvador (BA), quando estranhou a construção de três prédios. &#8220;Um deles estava já muito alto. A obra subiu muito rápido durante a pandemia, quando as coisas estavam muito paradas&#8221;, conta. Sem celular para tirar uma foto na hora, ela fez um tweet que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A engenheira civil Aline Prado estava passando pela orla de Ondina, em Salvador (BA), quando estranhou a construção de três prédios. &#8220;Um deles estava já muito alto. A obra subiu muito rápido durante a pandemia, quando as coisas estavam muito paradas&#8221;, conta. Sem celular para tirar uma foto na hora, ela fez um tweet que viralizou: questionava se seria possível uma construção tão alta, na beira mar de Salvador. A capital baiana tem um plano diretor que proíbe construções altas na orla e que façam sombra na praia em determinado horário.<br><br>Aline não ficou apenas na rede social. Abriu uma reclamação no setor de urbanismo do Ministério Público da Bahia. &#8220;Disse que o prédio já estava bem alto, mais alto que a média dos prédios ao redor. E mandei também um print do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano do Município de Salvador (PDDU). Aquela altura ali, pelo que entendo, ultrapassa o limite do PDDU&#8221;, conta.<br><br>Os prédios que chamaram a atenção de Aline e de outros moradores de Salvador são os condomínios Beach Class e Undae Ocean, da construtora pernambucana Moura Dubeux, conhecida no Recife pelos prédios de luxo e pelos imbróglios judiciais e urbanísticos do <a href="https://marcozero.org/tag/ocupe-estelita/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cais José Estelita</a> e das chamadas <a href="https://marcozero.org/um-vislumbre-de-quem-manda-de-verdade-no-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Torres Gêmeas</a>, ambos na área central do Recife.<br><br>A Moura Dubeux chegou em Salvador há, mais ou menos, uma década. Mas nos últimos três anos é que começou a intensificar os negócios na capital, aproveitando a brecha deixada por grandes construtoras, como a OAS e Odebrecht, que perderam espaço após a operação Lava Jato.<br><br>Aline não foi a única que estranhou a obra na orla de Ondina. O Instituto de Arquitetos do Brasil, departamento da Bahia (IAB-BA), fez uma notícia de fato para o Ministério Público da Bahia (MPBA), solicitando uma apuração sobre os prédios.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um antigo hotel de luxo</h2>



<p>Por 35 anos, a Avenida Oceânica, em Ondina, foi o endereço do Salvador Praia Hotel. Com térreo e sete andares, o hotel era um ponto de luxo na capital baiana, mas foi desativado em 2009. Nos dez anos seguintes, era usado apenas como camarote no disputado carnaval de Salvador.<br><br>Boa parte das brechas na legislação que o empreendimento da Moura Dubeux aproveitou foi possível porque o prédio do hotel foi considerado como abandonado ou degredado. A construção, que, vale salientar, não estava condenada, foi demolida no segundo semestre de 2019. Mas, desde 2012, a Moura Dubeux já anunciava que iria demolir o hotel e erguer prédios no local. </p>



<p>Foi somente com as aberturas do plano diretor de 2016 e da atualização da Lei de Ordenamento e Uso e Ocupação do Solo, aprovada em 2017, que a Moura Dubeux passou a investir no projeto das três torres no terreno de 12 mil metros quadrados de frente para o mar. Em 2019, com pompa e circunstância, anunciou um investimento de R$ 300 milhões nos condomínios Undae Ocean (dois prédios) e Beach Class (um prédio).<br><br>Em um fato incomum, o então prefeito de Salvador Antônio Carlos Magalhães Neto entregou pessoalmente, no próprio Salvador Praia Hotel, as licenças municipais necessárias para os sócios Marcos e Gustavo Dubeux. A imprensa toda noticiou: &#8220;as contrapartidas para a cidade somam R$2,8 milhões&#8221;. Ou seja, nem 1% do total do investimento. </p>



<p>&#8220;Não é comum toda a prefeitura se mobilizar para a apresentação de um projeto privado. Mas estamos aqui exatamente pelo simbolismo que esse investimento tem, pelo impacto que tem em nossa capital&#8221;, afirmou na ocasião ACM Neto ao jornal Correio, que pertence à sua familia . Apesar de reconhecer o impacto, as obras foram aprovadas e licenciadas sem que houvesse uma audiência pública sobre o projeto, como é comum em empreendimentos de impacto.<br><br>Entre as &#8220;contrapartidas&#8221; da construtora estão, além de pagamentos à prefeitura, um mirante com vista para o mar, reforma das calçadas (chamadas de &#8220;boulevard&#8221;) e da rua lateral, por onde se dará o acesso ao futuro mirante. Antes da construção, a prefeitura fez uma revitalização na área, inaugurada antes do carnaval de 2020. Para o presidente do IAB-BA , Luiz Antônio de Souza, são medidas que privilegiam muito mais os futuros moradores dos prédios e valorizam os apartamentos no mercado imobiliário do que necessariamente oferecem algo à cidade. É mais ou menos o que acontece com o deque à beira d&#8217;água das Torres Gêmeas, no Recife, que pouco foi incorporado ao dia a dia do recifense, servindo muito mais aos próprios moradores dos prédios.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/um-vislumbre-de-quem-manda-de-verdade-no-recife/" class="titulo">Um vislumbre de quem manda de verdade no Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
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<h3 class="wp-block-heading">Como prédios tão altos estão sendo construídos na orla?</h3>



<p>Assim como algumas cidades brasileiras, Salvador tenta limitar a altura dos prédios que são construídos à beira-mar. Isso acontece para evitar que as praias por lá se tornem como Boa Viagem ou Balneário Camboriú (SC): um imenso paredão que projeta sombra na praia e tira o sol dos banhistas, beneficiando apenas alguns poucos privilegiados que moram na beira-mar.<br><br>O plano diretor de Salvador estabeleceu um limite de 36 metros (algo entre 11 e 12 andares), na primeira linha da praia. Com 17 e 21 andares, os prédios da Moura Dubeux ultrapassam esse limite. Mas há instrumentos, no próprio plano diretor, que ajudam a esticar essa altura.<br><br>De acordo com a própria construtora, foram usados dois instrumentos: o uso do gabarito (altura) mais permissivo para projetos que visam a requalificação da borda atlântica (e, nesse ponto, o abandono do hotel fez diferença) e a outorga onerosa. Pelo primeiro, a Moura Dubeux pagou aos cofres municipais R$ 783.485,34. Pelo segundo, R$ 1.202.251,65. A outorga onerosa se dá quando o proprietário paga a mais para construir acima do permitido em determinada área. O plano diretor do Recife, aprovado neste ano, tem como uma das novidades a inclusão desse instrumento.<br><br>Juntos, os dois pagamentos mal cobrem um dos 68 apartamentos das duas torres do Undae Ocean, cujo preço de mercado beira os R$ 2 milhões. Com quatro quartos e plantas de 245m² ou 303m² o empreendimento já é anunciado com todas as unidades vendidas. O preço do m<sup>2</sup> partia dos R$ 8,5 mil. O Beach Class tem a metragem bem mais reduzida, de 29m<sup>2</sup> a 67m<sup>2</sup>, com um ou dois quartos. É um colosso: são 235 unidades, sendo 178 apartamentos de um quarto e 57 com dois quartos. Também consta como 100% vendido no site da construtora. O apartamento mais barato saiu por cerca de R$ 250 mil.</p>



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	                                        <p class="m-0">Projeção dos edifícios da Moura Dubeux na praia de Ondina, Crédito: divulgação Moura Dubeux</p>
	                
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<h4 class="wp-block-heading">Leis para atender o mercado imobiliário</h4>



<p>A Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) afirmou em nota à MZ que a &#8220;o empreendimento é regular e foi licenciado pela Prefeitura de Salvador, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur), atendendo todas as exigências legais vigentes&#8221;.<br><br>Alguns trechos do plano diretor parecem, inclusive, mirar bem no empreendimento da Moura Dubeux. Para o presidente do IAB-BA, isso não é mera coincidência. &#8220;A gente chama de lei de encomenda. É dirigida para privilegiar uma operação imobiliária. O nome é Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e deveria envolver todas as variáveis que interferem no desenvolvimento urbano. Mas não sei se é porque certos interesses afloram mais que outros ou porque cada vez mais as equipes que elaboram os planos diretores são menos interdisciplinares, mas acaba o plano diretor focando na dinâmica do circuito imobiliário. Não se discute educação, saúde ou bases econômicas. E dentro do circuito imobiliário fica focado no submercado da moradia. E não é o da moradia com mais demanda. Mas o produto imobiliário de quem tem renda para pagar. Essa é a lógica presente em boa parte das cidades brasileiras, como Salvador e Recife&#8221;, comenta.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Vai fazer sombra na praia?</h4>



<p>Quando foi discutido em 2016, um dos pontos mais polêmicos do plano diretor de Salvador foi a permissão de sombra na praia dos prédios, desde que não ocorresse no intervalo entre 9h e 15h. Era algo proibido pelo plano anterior, mas nem sempre respeitado.<br><br>&#8220;Sol e praia são complementares. Os turistas procuram Salvador para tomar sol e banho de mar. Se você cria sombra na praia, e aqui já estamos cheios de prédios assim, você está matando a galinha dos ovos de ouro do turismo. Você está tendo um grupo social que, para se sentir privilegiado, tem que determinar o horário que o sol bate na praia. Com essa prática você acaba prejudicando aspectos até da saúde pública. Quem vai para a praia para ficar levando vento frio?&#8221;, questiona Luiz Antônio.<br><br>Com 21 e 17 andares, a pergunta se os prédios da Moura Dubeux vão fazer ou não sombra na praia entre à 9h e às 15h segue em aberto. <br><br>A Sedur afirmou que não houve exigência de estudo de sombreamento para o empreendimento.<br>Isso porque, segundo a prefeitura, há uma brecha na lei que isenta os prédios desse estudo. A prefeitura afirma que o licenciamento do empreendimento foi feito considerando o artigo 103 da LOUOS &#8211; Lei 9148/2016. Os condomínios se encaixariam no artigo 111, que, de acordo com a interpretação da prefeitura de Salvador, &#8220;prevê o incentivo à regeneração urbana por meio da substituição de edificações deterioradas, e não se aplica a exigência do estudo de sombreamento&#8221;. E aí voltamos para a situação do antigo Salvador Praia Hotel.  De acordo com a nota da prefeitura, o imóvel estava &#8220;em estado de abandono, desde que encerrou suas atividades em 2009&#8221;.<br><br>À Marco Zero, porém, a construtora Moura Dubeux deu outra informação, afirmando que foram elaborados todos os estudos, inclusive o de sombreamento. &#8220;…dentre as quais EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança), RIT (Relatório de Impacto de Trânsito), RIV (Relatório de Impacto de Vizinhança) e Estudo sobre Projeção de Sombra&#8221;, diz trecho da nota.<br><br>O Ministério Público da Bahia está de posse de um estudo preliminar que mostra que os prédios da Moura Dubeux vão sim fazer sombra na praia, inclusive no horário que não seria permitido pelo plano diretor. Em nota, o MPBA afirmou à Marco Zero que a Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e Habitação e Urbanismo da Capital tem um procedimento que apura as construções da Moura Dubeux, no bairro de Ondina.<br><br>A investigação, porém, está ainda na Central de Apoio Técnico do MP (Ceat), que realiza as análises dos estudos relacionados ao empreendimento. Segundo a nota, o MPBA, &#8220;aguarda a conclusão das análises para adotar as providências cabíveis&#8221;. Tanto o Beach Class quanto o Undae Ocean ultrapassaram em setembro os 90% das obras de fundação e 78% da estrutura. Nas imagens do acompanhamento das obras, da própria construtora, o três prédios já formam um paredão entre a praia e a cidade.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/termina-ocupacao-no-cais-jose-estelita-e-movimento-debate-novas-acoes/" class="titulo">Termina ocupação no Cais José Estelita e movimento debate novas ações</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
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		<title>Cinco propostas da Prefeitura para o plano diretor do Recife que beneficiam o mercado imobiliário</title>
		<link>https://marcozero.org/cinco-propostas-da-prefeitura-para-o-plano-diretor-do-recife-que-beneficiam-o-mercado-imobiliario/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Apr 2019 13:42:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[camara vereadores]]></category>
		<category><![CDATA[plano diretor]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade civil]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Prazo apertado com oficinas e debates realizados a toque de caixa. Propostas da sociedade civil que não foram sequer consideradas. Texto vago, aberto a interpretações conflitantes. Conceitos jogados ao vento, sem nenhuma ou com poucas definições. Sobram críticas ao projeto de lei do Plano Diretor do Recife, que começou a serrevisto em junho do ano [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[Prazo apertado com oficinas e debates realizados a toque de caixa. Propostas da sociedade civil que não foram sequer consideradas. Texto vago, aberto a interpretações conflitantes. Conceitos jogados ao vento, sem nenhuma ou com poucas definições. Sobram críticas ao projeto de lei do Plano Diretor do Recife, que começou a serrevisto em junho do ano passado e agora já está sendo debatido em audiências públicas na Câmara dos Vereadores.

O plano diretor é o instrumento básico da política urbana de uma cidade. O Estatuto da Cidade (Lei 10.257, que regulamenta dois artigos da Constituição Federal) estabelece uma série de regras que todo município com mais de 20 mil habitantes deve cumprir. Entre elas, revisar o plano diretor a, pelo menos, cada dez anos, dar prioridade às prefeituras na aquisição de imóveis estratégicos e exigir a elaboração de estudos prévios de impacto de vizinhança (EIV) para obter licenças ou autorizações de construções.

Como cada município vai detalhar e gerir cada uma dessas regras é algo que deve estar definido no plano diretor, que, &#8211; está na Constituição – deve ter ampla participação da sociedade civil. O Ministério Público de Pernambuco já recomendou que a Prefeitura do Recife leve o assunto de volta para as discussões, pois considera que não houve participação popular, nem foram feitos todos os estudos técnicos necessários. Com isso, o PD corre o risco de até ser anulado na Justiça.
<blockquote>O projeto de lei do Plano Diretor do Recife tem 228 artigos divididos em seis grandes temas. São eles: políticas de desenvolvimento e ordenamento territorial; instrumentos urbanísticos; desenvolvimento sustentável, política de meio ambiente e saneamento básico; política de habitação, segurança urbana, patrimônio cultural e sistema de equipamentos urbanos e sociais; mobilidade e acessibilidade; e sistema de planejamento urbano participativo e gestão democrática e de informação e memória da cidade.</blockquote>
Mesmo com a recomendação, o projeto de lei segue o rito imposto pela prefeitura: está em debate na Câmara – nesta quarta-feira, às 14h, e na quinta-feira da próxima semana, às 9h, sempre no plenarinho – e deve receber emendas dos vereadores ao longo do mês de maio. Depois será levado à discussão e votação no plenário – a expectativa é que isso ocorra no final deste semestre ou no começo do próximo.

Mas quais são os pontos mais críticos da proposta do Plano Diretor do Recife? A Marco Zero leu <a href="http://planodiretordorecife.com.br/conteudo-complementar/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">propostas da sociedade civil</a>, o projeto de lei e escutou as quatro audiências públicas já realizadas na Câmara. As críticas são inúmeras. Estas abaixo são apenas algumas das mais frequentes:
<h3>1 &#8211; A transição da outorga onerosa do direito de construir</h3>
Entidades como o <a href="http://planodiretordorecife.com.br/wp-content/uploads/2018/11/Habitat-para-a-Humanidade.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Habitat para a Humanidade</a> dizem que o texto que fala sobre a outorga onerosa – ou seja, quando o proprietário do terreno tem que pagar um valor ao poder público para aumentar uma construção – foi copiado e colado do PD de São Paulo.
<blockquote><strong>O que é &#8211;</strong> O Coeficiente de Aproveitamento (CA) é um número que, multiplicado pela área de um terreno, indica a quantidade total de metros quadrados passíveis de serem construídos. Cada zona tem um coeficiente mínimo, um coeficiente básico (sem custo) e um coeficiente máximo.</blockquote>
Mas o que chama atenção na versão recifense é o período de transição para que esse pagamento seja feito. Nos cinco primeiros anos de vigência do PD, não haverá cobrança se a construção for uma vez a área do terreno, além do coeficiente básico. Nos três anos seguintes, a contrapartida financeira não é exigida até metade da área do terreno. Ou seja, na prática, são oito anos de transição. Como o Plano Diretor tem validade de dez anos, significa que em apenas dois anos a outorga onerosa vai realmente estar em vigor.

Pelo texto do projeto de lei, os recursos financeiros arrecadados com a outorga onerosa serãodestinados ao Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano – FDU,que deverá ser gerido pelo órgão responsável pelo planejamento urbano eutilizado para execução da política de desenvolvimento urbano.
<blockquote><strong>Trecho crítico:</strong>
“Nos primeiros cinco anos de vigência deste Plano Diretor, não será exigido o pagamento da contrapartida financeira correspondente a 1,0 (uma) vez a área do terreno, além do coeficiente básico; II &#8211; Findo o período de que trata o inciso anterior, não será exigido o pagamento da contrapartida financeira correspondente a 0,5 (zero vírgula cinco) vezes a área do terreno, além do coeficiente básico, pelo prazo de três anos.”</blockquote>
<strong>Confira na íntegra o projeto de lei do Plano Diretor do Recife:</strong>
<iframe style="border: none; width: 100%; height: 371px;" src="//e.issuu.com/embed.html#18964291/69179605" width="300" height="150" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>
<h3>2 &#8211; Direito de protocolo</h3>
O famigerado direito de protocolo continua, já que o artigo 212 explicita que &#8220;aos processos administrativos e projetos protocolados até o início da vigência desta lei serão aplicadas as legislações em vigor na data de seu protocolo&#8221;. Há, contudo, algumas restrições. No artigo seguinte, se prevê que osalvarás de construção que decorram de projetos protocolados antes da vigência do novo plano diretor só poderão ser renovados se a obra já tiver sido iniciada. Porém, noscasos de empreendimentos de impacto, poderão ser renovados os alvarás de construção se houver início do cumprimento de medida mitigadora exigida no curso do licenciamento.

Várias entidades da sociedade civil pedem que todas as novas construções, inclusive as já protocoladas, sigam a legislação vigente. É por conta do direito de protocolo, por exemplo, que ainda são erguidos prédios de 25 andares em Casa Forte, mesmo com a Lei dos 12 Bairros, que limitou o gabarito das construções, prestes a completar duas décadas.
<h3>3 – Definições para novo zoneamento</h3>
Não está claro como e qual seria a proteção às frentes de água. Há a criação de apenas uma nova área Zeis (na comunidade do Pilar, bairro do Recife). As entidades também criticam que não há inclusão de propostas da “cidade parque”. O que a sociedade civil propõe é que as áreas de desenvolvimento sejam pautadas de acordo com a infraestrutura, principalmente pela coleta de esgoto e abastecimento de água. Também propõem que o PD crie novas áreas Zeis, além de bancos de terra ao redor. As populações tradicionais – quilombolas, ribeirinhas, pesqueiras – não tiveram seus territórios demarcados, nem protegidos.
<blockquote><strong>O que são as Zeis &#8211; </strong>AsZonas Especiais de Interesse Social são áreas carentes de infraestrutura e habitadas por população de baixa renda, onde haja possibilidade de urbanização, regularização fundiária e construção de habitação de interesse social. No Recife, são dividias em dois grupos. As Zeis 1, com 68 comunidades, compreendem áreas que não são de risco ou de proteção ambiental. São áreas como Brasília Teimosa, Coque e Ilha de Deus. As Zeis 2 são apenas sete comunidades, como a do Barbalho, prioritariamente de conjuntos habitacionais já implantados e que necessitam requalificação e processos de regularização urbanística e fundiária.</blockquote>
O projeto de plano diretor não proíbe desmembramento – dividir um terreno em dois ou mais – nem estabelece um gabarito (altura) máximo para boa parte das zonas.Grande parte é definida apenas pelo Coeficiente de Aproveitamento. No Centro da cidade, por exemplo, o CA é 4, o proprietário pode construir quatro vezes a área do terreno, o que as entidades consideram alto. Em Zeis do tipo 2 &#8211; destinadas a projetos habitacionais &#8211; o CA máximo também é de 4. Nas Zeis tipo 1, de 2.

Entidades, como a Rede Interação de Ação Comunitária, cobram que seja aplicado um gabarito máximo para as Zeis, de até quatro pavimentos. No projeto de lei, é de cinco pavimentos. A Rede também propõe a criação de uma zona intermediária ao redor das Zeis, com gabarito máximo de sete pavimentos, para afastar essas áreas da exploração imobiliária.

Além das Zeis, só há mais uma única limitação de gabarito expressa em todo projeto de lei: para novas construções na Avenida Boa Viagem, com altura de até 42 metros, o que equivale a um prédio de 14 andares.
<h3>4 &#8211; Projetos especiais</h3>
De maneira geral, o plano diretor é bastante vago para os projetos especiais – áreas sujeitas a planos específicos cujo conteúdo pode estabelecer parâmetros próprios. Não há nenhuma limitação. Sob a aba de projetos especiais, o PD inclui dezesseis áreas, principalmente no Centro e avançando pela Zona Oeste do Recife. Entre as áreas estão o Parque de Exposição de Animais, o Jockey Club e o bairro da Várzea. Pelo texto do projeto de lei, apenas as áreas dos Parques Beberibe, Capibaribe, dos Manguezais e Tejipió deverão respeitar os parâmetros estabelecidos pelas zonas onde os projetos se inserem.Todos os outros locais ficam submetidos a planos urbanísticos específicos, onde há menos estudos e pressão popular menor.

Um exemplo do que a falta de limitações para projetos especiais pode impactar na cidade é a área do Cais José Estelita. Apesar de contrariar os parâmetros do Plano Diretor de 2008, o projeto Novo Recife foi regulamentado pelo plano urbanístico de 2015, já que era uma área de projeto especial. No local, uma frente de água, serão construídas 13 torres de prédio, com até 40 andares.
<h3>5 – Saneamento de fora</h3>
É um problema grave e antigo. O Recife tem um saneamento extremamente deficitário: apenas 44% da cidade tem rede de esgoto e saneamento básico. Na distribuição de água, o percentual é melhor, de 89%, mas desigual: nas comunidades de interesse social, as mais pobres, somente 51% das famílias têm acesso à água pelo menos uma vez ao dia. A outra metade recebe abastecimento em dias alternados ou não recebe água. Fora isso, a Compesa tem perdas de água acima da média nacional, que chegam a 52%.Diante de todos esses dados, <a href="http://planodiretordorecife.com.br/wp-content/uploads/2018/09/Meio-Ambiente-Sustentabilidade-Mudan%C3%A7as-Clim%C3%A1ticas-e-Saneamento-Ambiental.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">apresentados nas audiências na Câmara</a>, a rede de saneamento não foi considerada para definir o zoneamento da cidade.

Na primeira audiência na Câmara, inclusive, o secretárioPlanejamento da Prefeitura do Recife, Antônio Alexandre, chegou a ironizar o pedido de entidades para que o saneamento fosse levado em conta para as áreas de desenvolvimento do Recife: &#8220;Se for esperar a infraestrutura, vamos passar 20 anos sem construir nada&#8221;. O principal fator para estabelecer o zoneamentofoi arede de transporte.<p>O post <a href="https://marcozero.org/cinco-propostas-da-prefeitura-para-o-plano-diretor-do-recife-que-beneficiam-o-mercado-imobiliario/">Cinco propostas da Prefeitura para o plano diretor do Recife que beneficiam o mercado imobiliário</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Termina embargo do Iphan que impedia demolição do Cais José Estelita</title>
		<link>https://marcozero.org/termina-embargo-do-iphan-que-impedia-demolicao-do-cais-jose-estelita/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Mar 2019 14:20:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>ATUALIZAÇÃO: Prefeitura do Recife concede licença e começa demolição do Cais José Estelita Alerta no Cais José Estelita. Não há mais empecilho técnico ou jurídico para manter em pé os armazéns da região. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) concluiunesta semana o processo de levantamentoarqueológico do local. Apesar da existência de ações [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>ATUALIZAÇÃO: <a href="http://marcozero.org/prefeitura-do-recife-concede-licenca-e-comeca-demolicao-do-cais-jose-estelita/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Prefeitura do Recife concede licença e começa demolição do Cais José Estelita</a></h2>
Alerta no Cais José Estelita. Não há mais empecilho técnico ou jurídico para manter em pé os armazéns da região. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) concluiunesta semana o processo de levantamentoarqueológico do local. Apesar da existência de ações judiciais contra a construção do Novo Recife – projeto da construtora Moura Dubeux que pretende construir 13 torres de prédios no terreno -, era o embargo imposto pelo Iphan durante oestudo quegarantia os armazéns em pé, uma das paisagens mais icônicas do centro do Recife.

De acordo com a assessoria de comunicação do Iphan, o embargo terminou na segunda-feira (18). Em nota à Marco Zero Conteúdo, o órgão afirma que &#8220;cabe ressaltar que a área em questão não é valorada como Patrimônio Ferroviário, e nem tombada pela União, como Patrimônio Cultural Brasileiro e, assim sendo, o que compete ao Iphan é avaliar o impacto do empreendimento ao patrimônio arqueológico no escopo do licenciamento ambiental. Assim, durante todo esse tempo, a instituição fez diversas exigências, que foram sendo atendidas e analisadas até sua aprovação final. O Iphan continua acompanhando essa nova etapa, relativa à pesquisa arqueológica interventiva, que será feita durante o andamento da obra no local&#8221;.

Integrantes do movimento Ocupe Estelita estão convocando vigilância na área. Nos últimos dias foi registrada atividade dentro do terreno, com uma escavadeira sob holofotes, trabalhando à noite. “O levantamento arqueológico do Iphan foi encerrado com a condicionante de que fosse aberto um novo estudo arqueológico. Ou seja, foi aberto um novo processo arqueológico, para fazer a salvaguarda das áreas que foram identificadas como patrimônio histórico. Ainda estamos analisando os dois processos, para ver também quais são essas áreas. Estamos analisando as implicações”, comenta a advogada Luana Varejão, integrante do movimento Ocupe Estelita. De acordo com a advogada, ainda não existe na Prefeitura do Recife o pedido de licença de demolição para os armazéns.
<blockquote><a href="http://marcozero.org/as-razoes-da-moura-dubeux/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>As razões da Moura Dubeux</strong></a></blockquote>
Também integrante do movimento, Leonardo Cisneiros faz um apanhado do que está na Justiça sobre o Estelita. “Há duas ações judiciais (contra o projeto), uma ação de inconstitucionalidade contra o plano diretor, que não foi julgada nada ainda, e tem uma ação nova (de outubro de 2018) sobre o plano urbanístico (de 2015), que pede a suspensão do projeto Novo Recife, e também não foi julgada. Nesta semana saíram duas aprovações do projeto inicial (do Novo Recife), que é uma primeira etapa. Uma parte não estava nem renovada ainda e saiu na terça-feira (19). O Cais José Estelita está em risco. Estamos nos mobilizando para pressionar contra a demolição”, afirmou.

Desde o começo do ano, a construtora Moura Dubeux iniciou as vendas dos apartamentos de luxo de duas torres: o Mirante do Cais Sul e do Cais Norte. São quatro vagas na garagem por apartamento, que serão distribuídas em edifícios-garagem. “Além dos espaços tradicionais, como piscina, sauna, salão de festas, playground, brinquedoteca e espaço gourmet, a área de lazer terá quadra de tênis profissional, piscina coberta e aquecida, pista de cooper, horta e pomar orgânicos”, diz trecho do anúncio no site. É um privilégio para poucos, com metro quadrado na média de R$ 7,5 mil: na torre sul, o apartamento mais “barato” custa R$ 1.550.000,00. Na norte, R$ 1.799.000,00.

A construtora anuncia a previsão de entrega é de 52 meses após o início das obras. Nesta semana, a Moura Dubeux iniciou também as vendas do Parque do Cais, um prédio de flats de 32m² ou 65m² a partir de R$ 256 mil. Nas imagens de divulgação, só esses prédios são mostrados ao lado de uma ampla área verde. Na verdade, o projeto prevê ainda a construção de outros dez edifícios, de 14 a 38 andares. A construtora informou nesta sexta-feira (22) que ainda não há previsão para o início das obras no Cais José Estelita.

<div id="attachment_14463" style="width: 956px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14463" class="wp-image-14463 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/mirante.jpg" alt="Projeção dos três primeiros prédios do Novo Recife" width="946" height="441"><p id="caption-attachment-14463" class="wp-caption-text">Projeção dos três primeiros prédios do Novo Recife</p></div>
<h2>Audiência pública</h2>
O caso do Cais José Estelita foi levado na quinta-feira (21) pelos militantes para a primeira audiência pública sobre o projeto de lei do <a href="http://planodiretordorecife.com.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Plano Diretor do Recife</a> &#8211; um planejamento da cidade para os próximos dez anos &#8211; na Câmara de Vereadores do Recife. A ideia é de que o zoneamento da área do Estelita no plano anterior, de 2008, seja respeitado – uma das ações na Justiça é justamentecontra a mudança ocorrida com o plano urbanístico de 2015, que acolheu o Novo Recife.

“Há um histórico no Recife de leis bonitas que não saem do papel. Há planos a longo prazo, como o Recife 500 anos, mas na prática a cidade é rifada, vendida de forma parcelada. O maior exemplo de como as leis não saem da pauta é o Estelita. O Estelita é um projeto que foi feito em contradição com o plano diretor de 2008 – que só começou a ser analisado pelo famigerado direito de protocolo (quando um projeto é analisado pela lei em vigor quando foi protocolado, e não quando foi efetivamente iniciado). Você faz uma lei, mas na prática a cidade segue sendo construída com a lei anterior. O Estelita entrou em contradição com a lei anterior e com o plano diretor. E o que a prefeitura fez? Entrou com uma lei para legalizar o ilegal”, afirmou Leonardo Cisneiros na audiência.

O Ocupe Estelita criticou também o plano urbanístico de 2015. “Foi decalcado em cima do projeto (Novo Recife). Ao invés dos projetos seguirem a lei, uma nova lei foi feita para beneficiar um projeto privado dando aos empreendedores um direito adquirido que nunca existiu. O Estelita é um grande símbolo de como as coisas dão errado”, afirmou Cisneiros.

O secretário de Planejamento Urbano do Recife, Antônio Alexandre, lavou as mãos: em relação ao Estelita, afirmou apenas que a prefeitura vai cumprir o que for definido pela Justiça. Representante do setor produtivo, Sandro Guedes, da Ademi-PE, criticou a falta de “segurança jurídica” para as construtoras no Brasil. A representante do Conselho de Arquitetura e Urbanismo fez apenas falas genéricas, como “a cidade é para todos”, e falas equivocadas, como “o mercado imobiliário é sociedade civil, a prefeitura é sociedade civil, acho que a gente tem que discutir com todos”. Nesta última fala, alguém gritou do fundo do plenarinho: “pelega!”.

Representando a Articulação Recife de Lutas, o professor aposentado da UFPE Jan Bitoun rechaçou os termos amplos e pouco específicos do plano, como “desenvolvimento sustentável”. “Colocar ZEIS Zona Especial de Interesse Social) com coeficiente 2? Hoje o que segura a Zeis é o fato de não poder desmembrar. Se você coloca o desmembramento e umcoeficiente 2, isso transforma 1 mil metros quadrados em 2 mil metros quadrados. Acaba a equidade sócio-territorial”, afirmou.

Apesar de uma ou outra interrupção, uma ou outra palavra de ordem, a audiência transcorreu em uma discussão civilizada. Um momento fora da curva foi nas considerações finais quando, mesmo sem ser interpelado e com o auditório sem barulho, o secretário municipal fez um fala exasperada, quase aos gritos, defendendo o atual projeto do plano diretor, que sofreu varias críticas dos movimentos sociais pela falta de participação popular.

O plano diretor segue em debate em audiências públicas na Câmara dos Vereadores pelas próximas cinco semanas. Depois disso, os vereadores terão um prazo de 20 dias para encaminhar emendas ao projeto de lei, que será então analisado pela Comissão de Planejamento Urbano e Obras. Por fim, o projeto de lei segue para apreciação e votação no plenário. Todas as cinco próximas audiências públicas acontecerão às quintas-feiras, a partir das 9h, no plenarinho da casa.<p>O post <a href="https://marcozero.org/termina-embargo-do-iphan-que-impedia-demolicao-do-cais-jose-estelita/">Termina embargo do Iphan que impedia demolição do Cais José Estelita</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>“Recife de Luta” denuncia irregularidades na revisão do plano diretor ao Banco Mundial e lança propostas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Nov 2018 21:25:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação Recife de Luta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Articulação Recife de Luta, composta por 40 organizações da sociedade civil organizada, apresentou, nesta quarta-feira (14), um conjunto de propostas que não estão presentes no documento organizado pela Prefeitura do Recife, através da empresa Diagonal, para o Plano Diretor que vai definir a política de desenvolvimento e expansão urbana pelos próximos dez anos. As [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[A Articulação Recife de Luta, composta por 40 organizações da sociedade civil organizada, apresentou, nesta quarta-feira (14), um conjunto de propostas que não estão presentes no documento organizado pela Prefeitura do Recife, através da empresa Diagonal, para o Plano Diretor que vai definir a política de desenvolvimento e expansão urbana pelos próximos dez anos.

As entidades que têm participado desde o início do processo de construção do Plano de Ordenamento Territorial (POT) – do qual o plano diretor faz parte – denunciaram irregularidades no processo e pediram a inclusão de&nbsp;<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/30-propostas-inegociáveis.docx">30 propostas &#8220;inegociáveis&#8221;</a>&nbsp;no Caderno de Propostas que será votado nos dias 3 e 4 de dezembro, na Conferência de Revisão do Plano Diretor. As propostas da sociedade civil foram formalmente entregues à prefeitura na última segunda (12).

Nesta semana, uma missão oficial do Banco Mundial está no Recife para averiguar a situação do contrato. Na segunda-feira, a Recife de Luta apresentou uma denúncia formal ao órgão, que é financiador do processo. A denúncia aponta o descumprimento de salvaguardas ambientais, sociais e culturais previstos pelo próprio órgão internacional. Com financiamento do Banco Mundial (Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento – BIRD), a Prefeitura do Recife destinou R$ 2.679.963,04 para a contratação de empresa Consórcio Diagonal – JW, vencedora da licitação internacional. O Banco deve ouvir a gestão e acompanhar o andamento do projeto.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/quadro-POT-ok.png"><img decoding="async" class="alignright wp-image-11802" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/quadro-POT-ok-300x80.png" alt="quadro POT ok" width="700" height="187"></a>Pelo Termo de Referência do contrato firmado, a Diagonal deveria entregar um novo Plano de Ordenamento Territorial (POT), no qual estão incluídos a revisão do Plano Diretor e um conjunto de elementos técnicos (ver imagem ao lado) sem os quais não é possível ter um planejamento adequado à realidade do Recife.

Entre as irregularidades apontadas está a ausência de estudos que deveriam ter sido feitos antes da finalização da proposta do Plano Diretor (a minuta de Lei organizada pela prefeitura) com finalidade de dar suporte técnico ao documento. Além desta grave denúncia, a PCR até hoje não apresentou avaliação sobre o plano vigente. “O termo de referência exige. Esses estudos estão sendo pagos e não estão sendo feitos. São estudos caros. Eu só poderia fazer uma proposta de zoneamento, de parâmetros depois de ter tudo isso pronto. Você pega o diagnóstico e nada disso está. É uma vergonha”, criticou Fernanda Costa, vice-diretora do IBDU (Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico) e integrante da articulação.

As acusações não param por aí. Fernanda considera que as mudanças propostas pela gestão da cidade abrem margem para o desmanche de duas políticas públicas &#8211; a Lei dos 12 Bairros, que limita construtoras em alguns bairros, e as ZEIS (Zonas de Especiais de Interesse Social). As duas políticas surgiram após pressão popular contra a especulação imobiliária em áreas superpovoadas ou ocupadas por população de baixa renda.
<h2><strong>Rolo compressor</strong></h2>
Apesar dos esforços de diálogo com a gestão, a sociedade civil organizada avalia se irá participar da Conferência, agendada para o início de dezembro. O processo anterior de construção do POT deveria incluir no cronograma escutas da sociedade, mas não foi o que aconteceu segundo a articulação. “Na prática, o Plano Diretor encerra no momento da entrega do documento. O calendário que mostra que em 2019 continua o processo não é verdade”, explica critica Socorro Leite, da Habitat Para Humanidade e da articulação Recife de Luta.

Uma contradição apontada é o tempo gasto com a licitação, contratação da empresa e início dos trabalhos, que durou 38 meses. Por outro lado, todo o trâmite para construção do POT em 2018 aconteceu em cinco meses. Em 2018, ano em que o último Plano Diretor foi construído, o mesmo processo durou três anos. “A fase de proposições foi extirpada, não houve processo de participação da sociedade. Na verdade o que deveria estar indo para discussão eram as diretrizes, linhas gerais e indicativos para só depois formular os instrumentos normativos”, completou Fernanda Costa.

<div id="attachment_11799" style="width: 510px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/Coletiva-Propostas-Recife-de-Luta-Maíra-Acioli-11.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11799" class="wp-image-11799" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/Coletiva-Propostas-Recife-de-Luta-Maíra-Acioli-11-300x200.jpg" alt="Coletiva Propostas Recife de Luta - Maíra Acioli (11)" width="500" height="334"></a><p id="caption-attachment-11799" class="wp-caption-text">Fernanda Costa, vice-diretora do IBDU e integrante da Articulação Recife de Luta. Crédito: Maíra Acioli/Recife de Luta</p></div>

As organizações se dizem desrespeitadas pelo rolo compressor que a Prefeitura do Recife tem feito. “Nós batemos no teto de todos os esforços democráticos que nós poderíamos fazer. O horizonte não está claro, mas se a minuta não for apreciada ainda esse ano não quer dizer que o processo vai se alterar. Os lados estão muito bem definidos”, comentou Evanildo Barbosa, da FASE.

O temor de alguns é que independente do tempo normal de tramitação, a prefeitura acelere o processo na Câmara, como fez em outras ocasiões. O receio é justificado, já que não haveria impedimentos legais que impeçam a Câmara dos Vereadores de analisar a minuta em uma sessão extraordinária antes do recesso parlamentar.
<h2><strong>Copia e cola não se adequa à realidade recifense</strong></h2>
As organizações apontaram, também, que o documento apresentado traz sugestões que são cópias fiéis do plano diretor de São Paulo. O problema não é se basear na experiência da outra cidade, mas trazer propostas em qualquer ajuste à realidade e necessidades do Recife, explicaram representantes da sociedade civil.

O descuido, no entanto, mostra como a pressa para acabar a proposta pode resultar em erros grosseiros que qualquer profissional sério descartaria em uma análise. “A proposta copia vários dispositivos do plano diretor de São Paulo, uma megalópole com outra dinâmica territorial e de renda”, disse Fernanda. Um dos cálculos propostos pela prefeitura, por exemplo, leva em consideração uma realidade econômica muito diferente que poderia beneficiar, mais uma vez, as construtoras e não grande parte da população da capital pernambucana.

“Nós já vivemos na capital mais desigual no Brasil e essa proposta aprofunda isso. Na prática, a Prefeitura do Recife propõe extinguir as ZEIS do Recife nos próximos dez anos”, disse Rud Rafael, da articulação, explicando que a criação de “Projetos Especiais” pela prefeitura serve para flexibilizar os parâmetros de construção dentro das zonas de proteção especiais.

O debate técnico pode confundir muitas pessoas, mas a articulação alerta para o perigo de este Plano Diretor abrir espaço para o avanço do setor imobiliário em áreas que já tinham algum tipo de proteção e outras regiões do Recife que ainda não sofrem com a especulação imobiliária.

A articulação tem tentado frear o avanço do projeto denunciado as irregularidades. Além do Banco Mundial, foram apresentadas representações ao Ministério Público do Estado de Pernambuco pela falta de efetiva participação popular da sociedade civil ao longo da revisão; ao Tribunal de Contas, por descumprimento do edital de licitação, pagamentos indevidos e uso indevido dos recursos públicos; Atualmente, a prefeitura está respondendo a dois inquéritos do MPPE e passa por uma investigação do Banco Mundial.<p>O post <a href="https://marcozero.org/recife-de-luta-denuncia-irregularidades-na-revisao-do-plano-diretor-ao-banco-mundial-e-lanca-propostas/">“Recife de Luta” denuncia irregularidades na revisão do plano diretor ao Banco Mundial e lança propostas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Sem participação popular, plano diretor do Recife rende inquérito de improbidade administrativa para PCR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Jul 2018 11:23:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A revisão do Plano Diretor do Recife, que em tese seria uma oportunidade para a população participar do planejamento urbano da cidade, já foi assunto de matérias nossas (leia aqui e aqui). Mas, agora, a questão virou tema de processo que investiga improbidade administrativa da Prefeitura do Recife. O inquérito instaurado pelo Ministério Público de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[A revisão do Plano Diretor do Recife, que em tese seria uma oportunidade para a população participar do planejamento urbano da cidade, já foi assunto de matérias nossas (leia <a href="http://marcozero.org/prefeitura-e-empresarios-impoem-cronograma-relampago-a-plano-diretor/">aqui</a> e <a href="http://marcozero.org/entidades-criticam-proposta-de-revisao-do-plano-diretor/">aqui</a>). Mas, agora, a questão virou tema de processo que investiga improbidade administrativa da Prefeitura do Recife. O inquérito instaurado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) verifica se a administração do município vem criando obstáculos à participação popular nas reuniões sobre o Plano.

A portaria de instauração do inquérito foi publicada na ultima quarta-feira (18) no Diário Oficial do MPPE. Ela foi assinada pela promotora de Justiça Áurea Rosane Vieira, da Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital. <span style="color: #000000;">O MPPE também pediu à Justiça que o município seja obrigado a suspender o processo de revisão até que sejam implementadas medidas que garantam a efetiva participação da sociedade. Em nota,&nbsp;a</span>&nbsp;prefeitura informou que ainda não foi notificada.&nbsp;A decisão se baseia em denúncias de movimentos da sociedade civil que fazem parte do Conselho da Cidade, órgão colegiado formado por 45 pessoas entre representantes dos setores público e privado, dos movimentos sociais, ONGs, entidades de classe, cientistas e pesquisadores. Esses representantes são eleitos na conferência da cidade, que acontece de três em três anos.

Entre as entidades presentes no Conselho está a Articulação Recife de Luta. O grupo é composto por 40 organizações da sociedade civil do Recife e já há algum tempo denuncia a má-condução da revisão do Plano Diretor por parte da prefeitura. A questão é importante porque o Plano Diretor define como uma cidade cresce. É um planejamento que determina o que é permitido construir em cada área, quais espaços devem ser preservados e outras questões que impactam a segurança, a mobilidade, o preço dos imóveis, a preservação do patrimônio, ou seja, vários aspectos do desenvolvimento urbano. Todo município com mais de 20 mil habitantes precisa ter esse planejamento, que deve ser renovado a cada dez anos. A última revisão, em 2008,&nbsp; por exemplo, permitiu que o projeto de 13 prédios no terreno do Cais José Estelita, fosse protocolado pelo Projeto Novo Recife, com base em um dos artigos do texto da época, que vigora até o fim deste ano.

“Desde o ano passado a gente cobra um processo mais participativo, como exige a Constituição e o Estatuto da Cidade”, argumenta Leonardo Cisneiros, do grupo Direitos Urbanos que faz parte da Articulação. Ele&nbsp;conta que a Prefeitura do Recife aprovou, em junho passado, um calendário de pouco mais de três meses para a revisão do Plano, o que não seria um período suficiente para garantir a efetiva participação dos moradores e o aprofundamento dos debates. A Articulação Recife de Luta propõe 13 meses para a conclusão do processo, prazo semelhante ao adotado no Cabo de Santo Agostinho e em Ipojuca, ambos municípios com menor população do que o Recife.

A correria teria justificativa no prazo de validade do atual Plano Diretor, que expira este ano. Se não concluir a revisão até dezembro, o prefeito pode ser acusado de improbidade administrativa. Porém, o próprio MPPE já teria se oferecido para negociar esse prazo, de acordo com Cisneiros, mas a prefeitura não compareceu à reunião convocada pelo órgão. Ele denuncia que, embora a prefeitura tenha lançado campanha na televisão para convocar a participação popular aos debates, na prática, desde o começo das discussões a administração pública &#8220;tem chegado com propostas prontas”.“É uma participação popular virtual. Quando se formou o Conselho, em maio deste ano, a prefeitura veio com um processo fechado, pré-definido. Tanto que nem a campanha de TV explica o que é o Plano Diretor e a sua importância”, critica.

Ainda há, na avaliação da Articulação Recife de Luta, problemas na própria metologia das escutas das comunidades feitas por RPA (Região Político Administrativa), que são territórios muito grandes e envolvem comunidades muito distintas, como comunidades de morros e do bairro de Casa Forte, por exemplo. &#8220;Além do recorte ser amplo demais, o prazo das escutas também é curto. As primeiras foram convocadas numa sexta-feira para reunião na terça-feira seguinte, quando o Estatuto da Cidade diz que essas convocações devem ser feitas com pelo menos 15 dias”, aponta o representante do grupo Direitos Urbanos.

Em nota, a Prefeitura do Recife informou que o processo de revisão do plano inclui &#8220;<span style="color: #222222;">cinco ciclos de atividades participativas composta por pelo menos doze oficinas colaborativas nas regiões político administrativas da cidade, seis oficinas temáticas, quatro oficinas por segmentos, e a realização de uma Conferência Municipal, podendo esse número de atividades participativas ser ampliado. Além disso, uma estrutura digital, com endereço na internet e participação ativa nas redes sociais está aberta para a população durante todo esse processo (</span><a style="color: #1155cc;" href="http://www.planodiretor.recife.pe.gov.br/" target="_blank" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?hl=pt-BR&amp;q=http://www.planodiretor.recife.pe.gov.br&amp;source=gmail&amp;ust=1532038242922000&amp;usg=AFQjCNE575DvrQ5AQtKEa4uVpg1YExA3SA" rel="noopener noreferrer">www.planodiretor.recife.pe.<wbr>gov.br</a><span style="color: #222222;">)&#8221;. Disse ainda que, &#8220;a</span><span style="color: #222222;">o todo serão dez rodadas de reuniões presenciais e etapas colaborativas no ambiente virtual.</span>

<strong>População às margens do debate</strong>

O&nbsp;inquérito publicado agora pelo MPPE não é o primeiro envolvendo as mesmas denúncias. Em outro processo, aberto em junho passado, o órgão também investiga obstrução da participação popular na revisão do Plano Diretor. Nele, o MPPE expediu recomendação para que o Poder Executivo anulasse as reuniões e adotasse medidas para assegurar a participação popular. Esse processo cita, inclusive, bloqueios de acesso de comunidades como a do Coque nas reuniões de escuta.

Outro processo, ao qual a Marco Zero Conteúdo ainda não teve acesso, avaliaria a condução da licitação da empresa contratada para fazer o apoio técnico da revisão do plano, um consórcio formado pela Diagonal Empreendimentos e Gestão de Negócios Ltda e Jorge Wilheim Consultores Associados, de acordo com a Articulação Recife de Luta.“O consórcio foi contratado sob sigilo em 2015, por regra do Banco Mundial, por um valor de R$ 2,6 milhões. Esse sigilo só caiu no ano passado”, comentou Leonardo Cisneiros.

Na opinião de Fernanda Costa, do Instituto Brasileiro de Direitos Urbanísticos,&nbsp;o alinhamento do poder público com os interesses do mercado imobiliário &#8211; parte deles expostos recentemente pelas empresas da construção civil e do setor imobiliário, como Ademi e Sinduscon, por meio da <a href="http://www.redeprocidade.com.br/blog/temas-estrategicos-para-debate">Redeprocidade</a> &#8211; é o real motivo da pressa e do bloqueio à participação popular na condução dos debates sobre o planejamento urbano da cidade. Um&nbsp;indicador desse jogo de interesses está na própria composição do Conselho da Cidade, que tem 45 membros, sendo 18 da prefeitura e seis do empresariado.&nbsp;“Isso é altamente prejudicial para a cidade. Hoje, por causa do Plano Diretor vigente, não há impedimentos para que uma construtora&nbsp;suba um prédio de 40 andares em locais onde não há rede de saneamento, por exemplo”, pontua.

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