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	<title>Arquivos PNI - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 26 Feb 2024 21:00:23 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos PNI - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>O que esperar da política de vacinação do terceiro governo de Lula?</title>
		<link>https://marcozero.org/o-que-esperar-da-politica-de-vacinacao-do-3-governo-de-lula/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Dec 2022 23:39:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[campanhas de vacinação]]></category>
		<category><![CDATA[governo Lula]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
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<p>Poucos dias após Lula (PT) ser eleito, o futuro vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o novo governo iria começar com uma grande campanha de vacinação, a partir de janeiro. Coordenador da transição do terceiro governo Lula, ele afirmou que, entre as medidas que estão, sendo discutidas está a retomada da cobrança da carteirinha de vacinação para o recebimento de programas sociais e de matrículas em escolas. As declarações de Alckmin não foram casuais, pois é quase certo que o governo Lula vai enfrentar desafios imensos no campo da vacinação, apontam especialistas ouvidos pela Marco Zero.</p>



<p>O primeiro deles é conseguir que a população se engaje novamente nas campanhas de vacinação. Isso porque os <a href="https://vocativo.com/contexto/antes-referencia-brasil-despenca-em-indices-mundiais-de-vacinacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">índices de vacinação dos brasileiros têm caído</a> e não é de hoje: de 2015 para 2016 a cobertura da vacinação de poliomielite caiu de 97% para apenas 72%. As campanhas de vacinação foram desidratadas, passando de um orçamento de R$97 milhões em 2017 para R$33 milhões em 2021. Na fala de Alckmin, ele destacou que a ideia era a participação de jogadores de futebol e artistas para ajudar a convencer a população a se vacinar.</p>



<p>Com a confirmação da socióloga Nísia Trindade, atualmente presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para o Ministério da Saúde, a comunidade científica está otimista de que a vacinação tenha um papel importante no próximo governo. </p>



<p>Para o pesquisador da <a href="https://www.cpqam.fiocruz.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fiocruz-Pernambuco</a> Rafael Dhalia, o que se espera do governo Lula é o resgate do Programa Nacional de Imunização (PNI), com um investimento maciço para fortalecer a sua infraestrutura física e seus recursos humanos. “O governo Lula precisa investir nas grandes campanhas nacionais de vacinação, para voltarmos a ser referência em coberturas vacinais contra doenças previamente erradicadas. É necessário combater as <em>fake new</em>s, o obscurantismo e voltar a valorizar a ciência e os órgãos públicos de saúde”, disse.</p>



<p>No governo Bolsonaro, o Brasil viu as taxas de vacinação diminuírem ainda mais e o país voltou a ser considerado de risco para poliomielite. Apesar do sucesso inicial, com mais de 80% da população adulta vacinada com as duas doses contra a covid-19, as doses de reforço não tiveram a mesma adesão, com apenas 58% da população recebendo a terceira dose. “O que observamos no atual governo foi um completo descaso em relação à pandemia de covid-19. O presidente promovia aglomerações, ignorava o uso de máscara e ainda desencorajava a população a se vacinar. O PNI foi completamente negligenciado. A consequência dessa atitude genocida foi uma escalada de mortes sem precedentes na história do Brasil”, avalia o pesquisador..</p>



<p>A epidemiologista Denise Garrett, do <a href="https://institutosabin.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Sabin</a>, faz coro com Dhalia na necessidade de se reconstruir as políticas de vacinação no Brasil. “Nós sempre tivemos um programa de imunização que era de dar orgulho e que foi desmantelado e sucateado. As decisões na pandemia foram feitas por pessoas que não tinham conhecimento técnico”, diz Garrett., apontando que os desafios do governo Lula serão enormes. “É muito mais do que recuperar um tempo perdido. Além de não ter sido feito avanços, houve um grande retrocesso”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Campanhas de vacinação mobilizavam o país em um único dia. Crédito: Tomáz Silva/Agência Brasil</p>
	                
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<p>O médico virologista <a href="https://marcozero.org/ernesto-marques-ainda-nao-temos-a-solucao-definitiva-contra-o-coronavirus-temos-as-solucoes-emergenciais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ernesto Marques</a>, pesquisador de vacinas e professor da Universidade de Pittsburgh, espera que o novo governo também faça pontes com o setor privado de biotecnologia. “O Brasil não tem uma indústria forte de biotecnologia, que é dominada por dois grandes fabricantes, a Fiocruz e o Butantan. Mas não temos<em> start-ups</em> e empresas menores. Seria bom ampliar essa indústria, porque daria mais flexibilidade, mais capacidade de inovação. E depois a produção em larga escala ficaria com as grandes fábricas”, afirma.</p>



<p>Outro ponto que Ernesto destaca é a qualidade e o gerenciamento das informações do setor público de saúde, que conta com prontuários, informações de saúde e carteira de vacinação acessíveis em qualquer hospital ou posto de saúde do país. “Eu diria que para cada R$ 1 que o governo investir em sistemas de informação, ele vai economizar R$ 10”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O gargalo da vacinação infantil</h2>



<p>Um estudo recente da Fiocruz mostrou que, do começo de 2022 até 11 de outubro, o Brasil registrou uma morte por dia entre crianças de 6 meses a 5 anos diagnosticadas com covid-19. Foram 314 óbitos no período. Mesmo sendo uma doença mortal, a imunização de crianças contra a covid-19 avança em ritmo lento no Brasil.</p>



<p>Segundo dados do Ministério da Saúde analisados pela Fiocruz, apenas sete de cada 100 crianças de 3 e 4 anos receberam as duas doses da vacina. Do total de 5,9 milhões de crianças nessa faixa etária, somente 1.083.958 tomaram a primeira dose da vacina contra a covid-19, enquanto 403.858 completaram a imunização com a segunda dose. Isso apesar de, desde julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter aprovado o uso emergencial da vacina Coronavac em crianças de 3 e 4 anos. </p>



<p>Desde setembro, a vacina Pfizer pediátrica está aprovada para bebês e crianças de 6 meses a 4 anos. Mesmo com a procura aquém do esperado dessas vacinas, vários estados e municípios, como o Recife, tiveram que paralisar a vacinação das crianças por falta de envio do imunizante pelo Ministério da Saúde.</p>



<p>Para o pediatra Eduardo Jorge, representante em Pernambuco da <a href="https://sbim.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sociedade Brasileira de Imunizações</a> (SBIm), a primeira tarefa do novo governo é recuperar a credibilidade da vacinação junto às famílias das crianças. “O ponto chave é uma comunicação efetiva. Nós tínhamos nos anos 1990, nos anos 2000, campanhas de vacinação de um dia só e toda a população acreditava, ia nos postos de saúde. Nós conseguíamos em um único dia vacinar 95% da população alvo. Hoje, a gente faz campanhas tímidas, sem envolvimento da sociedade, com pouca divulgação na mídia. Vejo com muito bons olhos a notícia que nos primeiros dias de janeiro vai haver uma grande campanha de vacinação”, afirmou. “Espero que o novo governo tente, de forma rápida, recuperar as coberturas vacinais Brasil e acredito que a vacinação voltará a ser uma prioridade”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/especialistas-explicam-porque-vacinar-criancas-contra-a-covid-e-necessario-e-seguro/" class="titulo">Especialistas explicam porque vacinar crianças contra a covid é necessário e seguro</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


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		<title>PNI pouco explorado nas propostas de governo</title>
		<link>https://marcozero.org/pni-pouco-explorado-nas-propostas-de-governo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Oct 2022 21:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Verônica Almeida Apesar da importância na vigilância e promoção da saúde, inclusive como redutor de desigualdades sociais, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que está prestes a completar 50 anos de existência, foi vagamente citado nas propostas de governo dos candidatos que disputam o segundo turno das eleições para presidente da República e ausente [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Verônica Almeida</strong></p>



<p>Apesar da importância na vigilância e promoção da saúde, inclusive como redutor de desigualdades sociais, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que está prestes a completar 50 anos de existência, foi vagamente citado nas propostas de governo dos candidatos que disputam o segundo turno das eleições para presidente da República e ausente entre as menções das candidatas que desejam governar Pernambuco a partir de janeiro de 2023.</p>



<p>“Retomar o reconhecido programa nacional de vacinação” é um dos compromissos listados por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na proposta apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na qual defende o “fortalecimento do SUS público e universal”.</p>



<p>Bolsonaro (PL) promete não abandonar a vigilância à saúde, “onde está inserido o fundamental e bem-sucedido Programa Nacional de Imunizações, que tantas vidas salvou desde sua idealização”. Chama o SUS de Sistema Nacional Único de Saúde e que tem o intuito de fortalecê-lo.</p>



<p>Raquel Lyra (PSDB) e Marília Arraes (Solidariedade) não exploram o tema vacinação nos planos entregues à Justiça Eleitoral, mas mencionam atenção integral à saúde da mulher no pré-parto, parto e pós-parto. A tucana refere reforço à Atenção Primária, redução da mortalidade materna e infantil e melhor estrutura para Unidades Básicas de Saúde e serviços voltados à primeira infância. Marília propõe centros de referência para atenção integral à mulher até a amamentação.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Conquistas do PNI</h2>



<p>Embora o Brasil tenha experiência com vacinação desde o século 19, o PNI só foi instituído em 18 de setembro de 1973, conforme publicação do Ministério da Saúde na época do aniversário de 30 anos do programa. Além de erradicação da paralisia infantil, em 1989, as ações ajudaram a controlar o tétano neonatal e acidental, o sarampo, formas graves de tuberculose, síndrome da rubéola congênita, a coqueluche e outras infecções em crianças, como meningite C e pneumonias. A inclusão progressiva de novas vacinas, ampliação da autossuficiência na oferta e produção de imunizantes eram algumas das metas do programa nas duas décadas passadas.</p>



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<p>*&nbsp;<strong><em>Este conteúdo integra a série Eleições 2022: Escolha pelas Mulheres e pelas Crianças. Uma ação do Nós, Mulheres da Periferia, Alma Preta Jornalismo, Amazônia Real e Marco Zero Conteúdo, apoiada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal</em></strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;página de doação</a><em>&nbsp;ou, se preferir, usar nosso&nbsp;</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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		<title>Suspensão da vacina da AstraZeneca preocupa gestantes que já tomaram primeira dose</title>
		<link>https://marcozero.org/suspensao-da-vacina-da-astrazeneca-preocupa-gestantes-que-ja-tomaram-primeira-dose/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 May 2021 21:34:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Anvisa]]></category>
		<category><![CDATA[astrazneca]]></category>
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		<category><![CDATA[PNI]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma nota e muitos questionamentos. Por volta das 22h30 desta segunda-feira, 10 de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um comunicado: gestantes não deveriam mais receber a vacina contra a covid-19 da farmacêutica AstraZeneca. A decisão veio por conta da morte de uma mulher grávida após receber a vacina no Rio de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma nota e muitos questionamentos. Por volta das 22h30 desta segunda-feira, 10 de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um comunicado: gestantes não deveriam mais receber a vacina contra a covid-19 da farmacêutica AstraZeneca. A decisão veio por conta da morte de uma mulher grávida após receber a vacina no Rio de Janeiro. O óbito está sob investigação do Ministério da Saúde para determinar a causa.<br><br>A notícia pegou desprevenidas mulheres grávidas e puérperas de Pernambuco. A vacina da AstraZeneca é a única que está sendo ofertada para esse público &#8211; e, assim mesmo, só aquelas que têm comorbidades, com exceção do Recife, Olinda e Jaboatão, que contam com vacinas da Pfizer. Por conta da logística diferenciada que a vacina da Pfizer exige, com armazenamento em temperaturas muito baixas, somente esses três municípios receberam a vacina norte-americana.<br><br>Até agora, o Governo do Estado de Pernambuco não anunciou como ficam as grávidas que estavam com vacinação marcada. Nem a situação das que que já receberam a primeira dose. Devem recomeçar o esquema vacinal com outra vacina? Devem seguir com a segunda dose? A Secretaria Estadual de Saúde emitiu nota apenas afirmando a suspensão da vacinação com Astrazeneca/Fiocruz e que &#8220;aguarda orientação oficial do Ministério da Saúde (MS) sobre o assunto. A partir disso, os municípios e a população também receberão as devidas orientações&#8221;. <br><br>Esperando o segundo filho, uma gestante de Ouricuri, no sertão do estado, recebeu ontem a primeira dose da AstraZeneca. Hoje, teve consulta de pré-natal e não conseguiu respostas para suas muitas perguntas. &#8220;Ninguém deu nenhuma orientação. Disseram apenas para ficar atenta a algum sintoma diferente, mas que sintomas incomuns seriam esses? a própria enfermeira falou que ainda estão esperando as orientações&#8221;, afirmou a gestante, que preferiu ficar anônima. &#8220;Apenas dão a notícia de que gestante não deveria tomar a vacina. Mas tomei ontem e ainda não havia esse aviso. Era para eu tomar a CoronaVac, mas estava faltando, a única que tinha era AstraZeneca. E agora, o que devo fazer?&#8221;, questiona.<br><br>Outra situação é das puérperas &#8211; mulheres que pariram a menos de 45 dias. Moradora de Paulista, Daiana Souza tomou a vacina da AstraZeneca no dia 6 deste mês. Ficou febril e com dor no braço da aplicação, reações normais e comuns à vacina. Com o comunicado da Anvisa, ficou cheia de dúvidas, sem saber se a recomendação também vale para o grupo dela. &#8220;Ficou muito vaga a informação. E nos que já tomamos ficamos aqui imaginando mil coisas que podem dar errado. Já marquei consulta com a pediatra e a ginecologista para ver se algo mudou e se há algum perigo para minha filha também&#8221;, diz. Apesar da nota do Governo de Pernambuco anunciar a suspensão da vacinação também das puérperas, a nota da Anvisa não faz nenhuma menção a esse público.  <br><br>Ainda aguardando as recomendações do Ministério da Saúde, especialistas afirmam que a decisão da Anvisa foi correta e que não há motivo para pânico. Pelo twitter, a pesquisadora e professora da Universidade Federal do Espírito Santo, Ethel Maciel, afirmou que as vacinadas que não tiveram reação grave com a primeira dose, poderiam receber a segunda dose. &#8220;Se você tomou e não teve nenhum sinal ou sintoma grave, a indicação é receber a segunda dose. Foi assim, que o governo do Reino Unido recomendou. Importante as gestantes acompanharem isso com sua médica ou médico&#8221;, afirmou.<br><br>Em entrevista à Marco Zero, a cientista Mellanie Fontes-Dutra, pesquisadora da Rede Análise Covid-19, também analisou como correto o comunicado da Anvisa. &#8220;O anúncio da suspensão ressalta o comprometimento e a vigilância que a Anvisa realiza com a vacinação no país. É esperado que a suspensão temporária aconteça num momento em que relatos de eventos sérios são realizados, para justamente investigar se há uma relação desses eventos com a vacina&#8221;, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Vacinas disponíveis</h2>



<p>Apesar de ter aprovado algumas estratégias <em>off label</em>, ou seja, não indicadas na bula, a Anvisa afirma que a bula da AstraZeneca deve ser seguida no que se refere à vacinação das mulheres grávidas. &#8220;<a href="https://consultas.anvisa.gov.br/#/medicamentos/25351976294202126" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Na bula</a>, fica claro que a indicação para gestantes dessa vacina em específico deve ser analisada segundo a orientação médica&#8221;, afirma Mellanie.<br><br>Das três vacinas aplicadas no Brasil, a Pfizer é a única que tem um estudo de larga escala em mulheres grávidas. Uma pesquisa com 35.691 mulheres, com idades entre 16 a 54 anos, foi realizada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos. Apesar de considerar a vacina segura para este público, o estudo, publicado no final de abril no <em>New England Journal of Medicine</em>, recomenda mais pesquisas e acompanhamento contínuo. O estudo também sugere que gestantes vacinadas passam alguma proteção para os bebês.<br><br>A CoronaVac não é utilizada para grávidas nem puérperas em Pernambuco. A liberação da vacinação para grávidas no estado coincidiu com a escassez de doses da CoronaVac, que está em falta em vários municípios e hoje é prioritariamente usada para a segunda dose de idosos.<br><br>Assim como a da AstraZeneca, a bula da Coronavac indica que vacina não deve ser aplicada em grávidas sem orientação médica. &#8220;<a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/marco/23/plano-nacional-de-vacinacao-covid-19-de-2021" target="_blank" rel="noreferrer noopener">No PNI consta</a>: &#8220;Ressalta-se que as vacinas de plataformas de vírus inativado já são utilizadas por este grupo de mulheres no Calendário Nacional de Vacinação, e um levantamento de evidências sobre recomendações nacionais e internacionais de vacinação com vacinas covid-19 de gestantes, puérperas e lactantes, realizado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), em sua maioria defende a vacinação das mulheres nessas condições, se pertencentes a algum grupo prioritário&#8221;. Ou seja, como a CoronaVac usa uma tecnologia já bem conhecida, de vírus inativado, seria teoricamente segura para grávidas.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Trombose e a vacina da AstraZeneca</h3>



<p>A suspensão pela Anvisa também trouxe de volta o receio de coágulos e tromboses causados pela vacina da AstraZeneca. No começo de abril, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) publicou um estudo em que recomendou que &#8220;coágulos sanguíneos incomuns juntos com o baixo nível das plaquetas&#8221; fossem listados na bula da vacina como efeitos colaterais &#8220;muito raros&#8221; da vacina.<br><br>Entre 34 milhões de vacinados com o imunizante da AstraZeneca, ocorreram 222 notificações de trombose. Ou 0,0006% dos vacinados. &#8220;Até o momento, não temos um conjunto de evidências científicas confirmando o elo entre a vacinação com a vacina da AstraZeneca e os eventos de trombose relatados. Mesmo que essa confirmação ocorra, o risco é muito baixo e o custo-benefício, na atual circunstância que o Brasil se encontra, é elevado&#8221;, diz Mellanie.<br><br>&#8220;Mas precisamos seguir as recomendações das bulas das vacinas e da nossa agência reguladora. Enquanto a Anvisa e os órgãos competentes realizam a análise desse evento específico relatado após a vacinação com a vacina da AstraZeneca, devemos seguir a instrução da suspensão temporária e priorizar outras vacinas, como a Pfizer e a CoronaVac, para gestantes pertencentes a grupos de risco com orientação médica para a vacinação&#8221;, conclui a pesquisadora.</p>



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		<title>Vacina para alunos de medicina do ciclo básico gera debate sobre fila de prioridades</title>
		<link>https://marcozero.org/vacina-para-alunos-de-medicina-do-ciclo-basico-gera-debate-sobre-fila-de-prioridades/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2021 20:49:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[denúncia]]></category>
		<category><![CDATA[Estudantes]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
		<category><![CDATA[PNI]]></category>
		<category><![CDATA[vacinação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Nossos alunos da Fits serão vacinados nessa quarta, quinta e sexta. Eles vão estar com uma lista nominal dos alunos com nome, CPF e data de nascimento de todos os alunos regularmente matriculados&#8221;.Um áudio que começava com essa mensagem circulou por grupos de WhatsApp gerando críticas e espanto. Era a coordenação da Faculdade Integrada Tiradentes [&#8230;]</p>
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<p>&#8220;<em>Nossos alunos da Fits serão vacinados nessa quarta, quinta e sexta. Eles vão estar com uma lista nominal dos alunos com nome, CPF e data de nascimento de todos os alunos regularmente matriculados&#8221;.</em><br><br>Um áudio que começava com essa mensagem circulou por grupos de WhatsApp gerando críticas e espanto. Era a coordenação da Faculdade Integrada Tiradentes (Fits), em Jaboatão dos Guararapes, convocando todos os alunos para serem vacinados contra a Covid-19 já nesta semana. Boa parte dos estudantes com menos de 20 anos. No calendário do município, a vacinação por idade está nos moradores com mais de 74 anos.<br><br>Depois que os áudios se espalharam pelas redes sociais, a Prefeitura de Jaboatão e a Fits emitiram notas para explicar a situação. A prefeitura afirmou que o áudio era equivocado. &#8220;Serão imunizados apenas os estudantes que estiverem cadastrados no município e atuando na linha de frente contra a pandemia no suporte aos usuários do sistema público de saúde do Jaboatão&#8221;, diz a nota.<br><br>A própria assessoria da prefeitura enviou para a Marco Zero o posicionamento da Fits, que, de certa forma, contraria a nota municipal. &#8220;A Faculdade Tiradentes em sua estrutura curricular possui componentes que direcionam a realização de práticas nos serviços de saúde desde o primeiro período do curso&#8221;, afirma, justificando a vacinação de todos os alunos.<br><br>Desde 2014, o currículo dos cursos de medicina prevê aulas práticas desde o primeiro período. Nos últimos dois anos de medicina, o estudante fica no regime de internato: ainda que não tenha diploma, já participa do atendimento de pacientes, com supervisão.<br><br>O Plano Nacional de Imunização (PNI) garante a vacinação de &#8220;acadêmicos em saúde e estudantes da área técnica em saúde em estágio hospitalar, atenção básica, clínicas e laboratórios&#8221;.<br><br>A Fits é uma faculdade nova em Jaboatão dos Guararapes. Foi inaugurada em 2018 com a presença do prefeito Anderson Ferreira e do então ministro da Educação, José Mendonça Filho. Por isso, ainda não tem nenhuma turma no ciclo profissional. São todos do ciclo básico, onde, sim, acontecem aulas práticas em ambiente hospitalar. A parceria da Fits para essas aulas e internato é com a Secretaria de Saúde de Jaboatão dos Guararapes e o Hospital Memorial de Jaboatão. É a única faculdade de saúde com sede no município.<br><br>Nas redes sociais, alunos da Fits do segundo período comemoraram nessa semana que conseguiram ser vacinados. Não há ilegalidade se são mesmo considerados estagiários da Secretaria Municipal de Saúde &#8211; como afirma a nota da secretaria.<br><br>O que parece haver é mais uma questão de prioridade entre prioridades. Com uma população de mais de 706 mil pessoas, Jaboatão recebeu até agora apenas 44.286 doses de vacina contra a Covid-19 (32.836 doses da CoronaVac e 11.450 doses da Oxford/AstraZeneca). Alunos jovens, muitos de outras cidades, devem ter prioridade? Ou deve haver mais prioridades dentro das prioridades?</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/tudo-o-que-voce-queria-saber-sobre-vacinas-contra-a-covid-19-e-nao-tinha-a-quem-perguntar/" class="titulo">Tudo o que você queria saber sobre vacinas contra a covid-19 e não tinha a quem perguntar</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Disputando misérias</h2>



<p>Para um professor de medicina ouvido em reserva pela Marco Zero, estudantes que estão no internato devem ter tanta prioridade quanto os profissionais de saúde. Isso porque eles estão no dia a dia do hospital e fazem atendimento direto de pessoas doentes. Já os do ciclo básico ficam menos expostos, já que participam apenas de aulas práticas, que duram cerca de uma hora, por uma ou duas vezes na semana, em pequenos grupos.<br><br>Mas, em um mundo com mais vacinas, esses estudantes também deveriam ser incluídos. Afinal, também estão frequentando unidades de saúde, e isso no meio de uma pandemia de um vírus extremamente contagioso e grave. &#8220;O que acontece é que estamos disputando misérias. Eles deveriam sim ser vacinados. Mas e o senhor de 70 anos que está trabalhando com o público? Ele não seria de maior risco?&#8221;, questiona, lembrando também da responsabilidade do Governo do Estado em acompanhar e fiscalizar as prioridades estabelecidas pelos poderes municipais. A Marco Zero questionou o Governo do Estado sobre a vacinação de estudantes de medicina, mas não obteve resposta. <br><br>Uma estudante do ciclo profissional de medicina em uma universidade pública, que denunciou a vacinação da Fits e que também preferiu não se expor nesta reportagem, reclama que &#8220;são estudantes que poderiam estar realizando suas atividades à distância, mas estão sendo priorizados na vacinação&#8221;. O MEC não autorizou que o ciclo básico funcione apenas com aulas remotas. &#8220;Entendo e concordo com o prejuízo das atividades à distância, mas também entendo que o contexto é de prejuízo generalizado. O tipo de prejuízo que esses estudantes terão não chega nem perto daqueles que trabalhadores desprotegidos terão&#8221;, afirma.<br><br>&#8220;Acho que o momento de colapso do sistema pede que o investimento das imunizações deva ser direcionado para grupos de risco. Sobretudo para grupos que não conseguimos encontrar outras formas de proteger, a exemplo de funcionários de serviços essenciais que não conseguem ficar em casa por precisar manter seu sustento. Parece uma extrapolação absurda, mas colocar estudantes do ciclo básico para vacinar em detrimento de outros grupos, no momento de colapso, acaba sendo escolher quem vive e quem morre&#8221;, disse à Marco Zero. &#8220;Não consigo me conformar com a proteção de estudantes não essenciais, sobretudo quando me lembro dos pacientes que vi quando estava tendo meu rodízio de internato na UPA. Quantos de lá não teriam se livrado se tivessem tido acesso à vacinação?&#8221;, questiona. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Frente pela vacinação dos estudantes</h2>



<p>O que aconteceu com a Fits é um caso isolado. Estudantes que estão na linha de frente em hospitais encontram dificuldades para conseguir a imunização, mesmo estando incluídos no Plano de Imunização Nacional. Por isso, em fevereiro, diretórios acadêmicos de faculdades públicas e privadas de medicina criaram a Frente dos Estudantes de Medicina da Região Metropolitana do Recife pela Vacinação.<br><br>Em uma pesquisa com 3.938 estudantes de medicina de todas as Instituições de Ensino Superior da Região Metropolitana do Recife, de todos os períodos, a quase totalidade dos estudantes (95,86%) afirmou ainda não ter recebido nenhuma dose da vacina contra a Covid-19. Ao mesmo tempo em que 71,56% dos estudantes disseram já ter tido contato com casos suspeitos ou confirmados da Covid-19 durante estágios curriculares na rede de saúde. Para os alunos que estão no período de internato, o percentual de exposição à Covid-19 foi de 98,28%.</p>



<p>A pesquisa é divulgada aqui em na Marco Zero em primeiro mão, mas os dados são de fevereiro, quando foi realizada a coleta, e não inclui a vacinação desta semana. </p>





<p>Os dados servem para avaliar o panorama de vacinação dos estudantes de medicina. &#8220;Com esses dados, esperamos embasar melhor uma articulação com gestores de saúde e com a sociedade em geral. Afinal, não é só quem é formado que é exposto ao risco da doença. Não é só quem tem diploma. Nós que ainda não somos formados estamos nos mesmos ambientes que os formados estão. Apenas pelo fato de terem um diploma, um registro em conselho de saúde, eles tinham direito e a gente não estava tendo. Profissionais de emergência foram vacinados e estudantes no mesmo local, com o mesmo risco, não tiveram direito a imunização. Uma parte muito pequena dos estudantes conseguiu a vacinação. Isso contraria o princípio de equidade do SUS&#8221;, afirma Letícia Rodrigues, integrante da Frente dos Estudantes de Medicina da Região Metropolitana do Recife pela Vacinação.<br><br>Para a Frente, é necessário também ter prioridades entre os estudantes. &#8220;Na Covid-19 quem está mais exposto ou quem tem mais risco de complicar são os que devem ser priorizados. Defendemos sim que a equidade seja seguida, começando com quem tem mais risco e está mais exposto. Então, dentro do curso de medicina a gente defende que os estudantes que devem ser primeiramente vacinados são os estudantes em ambientes de maior exposição, como os que estão rodando nas emergências, principalmente os do internato. Deve começar por eles&#8221;, diz.<br><br>Letícia também reforça a necessidade de mais vacinas. &#8220;É muitíssimo importante lembrar sempre que, como sociedade, não podemos fechar os olhos para as irresponsabilidades do Governo Federal frente à pandemia. Precisamos cobrar a compra de mais vacinas, precisamos cobrar uma postura de respeito de quem governa o país. A atual situação nacional é precária, é uma imensa falta de responsabilidade que, cada vez mais, vem colaborando com a catástrofe humanitária que se tornou a pandemia no país&#8221;, diz.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero</strong>…</p><cite>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.<br><br>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.<br><br>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.<br><br>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.<br><br>É hora de assinar a Marco Zero <a target="_blank" href="https://marcozero.org/assine/" rel="noreferrer noopener">https://marcozero.org/assine/</a></cite></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/vacina-para-alunos-de-medicina-do-ciclo-basico-gera-debate-sobre-fila-de-prioridades/">Vacina para alunos de medicina do ciclo básico gera debate sobre fila de prioridades</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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