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	<title>Arquivos ponte cordeiro-casa forte - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 31 Mar 2026 20:54:32 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos ponte cordeiro-casa forte - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Prefeitura quer tirar os últimos pobres da avenida Flor de Santana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 22:10:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[desapropriações]]></category>
		<category><![CDATA[ponte cordeiro-casa forte]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[URB]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na avenida Flor de Santana, no bairro do Parnamirim, as últimas três casas chamam a atenção. São imóveis bem mais simples do que todos as outros da via e não raro há pessoas sentadas na calçada, olhando o movimento e conversando. Essa cena, rara em um bairro cada vez mais verticalizado, pode ficar em breve [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na avenida Flor de Santana, no bairro do Parnamirim, as últimas três casas chamam a atenção. São imóveis bem mais simples do que todos as outros da via e não raro há pessoas sentadas na calçada, olhando o movimento e conversando. Essa cena, rara em um bairro cada vez mais verticalizado, pode ficar em breve só na memória da família de dona Luciene da Silva Santos, de 71 anos. A prefeitura do Recife quer demolir as três casas para passar uma nova rua por ali e, finalmente, concluir as obras do canal do Parnamirim.</p>



<p>A rua vai fazer parte do sistema viário que será implementado para a nova circulação entre a zona oeste e a zona norte, que tem como carro-chefe a ponte Cordeiro-Casa Forte – que está desapropriando mais de 100 famílias de um lado e do outro do rio Capibaribe. A previsão da prefeitura é de que as obras da ponte, prometida há décadas, fiquem prontas em 38 meses a um custo total de R$ 236,4 milhões.</p>



<p>Não por acaso, a nova via vai passar bem por cima das casas mais pobres da avenida. Os vizinhos e os prédios que ficam do lado do canal também serão afetados, mas ninguém vai ter que deixar suas casas. Serão desapropriações parciais, que vão tirar garagens de casas ou quintais dos prédios, onde a maioria nunca construiu, já esperando a obra. Somente a família de dona Luciene, 12 pessoas em três imóveis, está nos planos da prefeitura para ser totalmente removida da Flor de Santana.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/Flor-4-1024x682.jpeg" alt="A foto mostra uma rua molhada com poças d’água, sugerindo que choveu recentemente. No primeiro plano, há duas casas simples — uma pintada de pêssego com a placa “LAVA JATO” e outra em tom turquesa. Um carro branco está estacionado ao lado. Ao fundo, aparecem prédios altos e modernos, além de palmeiras e fios elétricos, criando um contraste entre construções modestas e a urbanização verticalizada da região." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">As casas que a prefeitura quer remover constrastam com os prédios ao redor
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Não queremos sair de jeito nenhum. Onde vamos morar como a gente mora aqui? É tudo muito caro”, reclama Sandra. Dona Luciene diz que a área onde as casas estão construídas era um campo, onde o sogro e o marido dela plantavam. Tudo por ali era como uma várzea que se enchia com o riacho que hoje é o canal do Parnamirim. “Eles plantavam banana, coco, quiabo…”, lembra. Quando o primeiro prédio chegou por ali, o edifício Aroeira, que ficou pronto em 1988, as metralhas das construções dele e do vizinho serviram para aterrar o terreno. Em poucas décadas, a várzea desapareceu, o riacho virou um canal cimentado, a rua se encheu de prédios – cada vez mais elevados, na altura e no padrão.</p>



<p>Uma comunidade ainda ficou por muito tempo convivendo com os prédios altos de Parnamirim. Era a Lemos Torres, que foi retirada pelo mesmo motivo: a requalificação do canal e a abertura de uma nova via conectando a avenida Dezessete de Agosto à Estrada do Encanamento. Os moradores foram realocados para bem perto, do outro lado do canal, no conjunto habitacional Lemos Torres, que abriga 192 das quase de 400 famílias que moravam na comunidade – outras foram para um habitacional mais distante, no Cordeiro. Há pouco tempo, o canal de Parnamirim viralizou nas redes sociais com o “bar dos ratos”, em que jovens apareciam dançando nas águas do canal – hoje, um esgoto a céu aberto.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/recife-prefere-comprar-briga-com-a-favela-do-que-com-o-mercado-imobiliario-diz-urbanista-andre-araripe/" class="titulo">&#8220;Recife prefere comprar briga com a favela do que com o mercado imobiliário&#8221;, diz urbanista André Araripe</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Dona Luciene não se lembra ao certo quando saiu da parte de trás do canal para o terreno de frente para a avenida, mas uma das filhas dela, Sandra Maria Santos, acredita que foi há mais ou menos 40 anos. Ela diz que foi com a metralha da construção do edifício Aroeira, um dos primeiros a serem erguidos na rua, em 1988, que a área foi aterrada para construção das casas. Desde aquela época, já se falava das obras do canal. Só que essas obras nunca chegavam, enquanto a família ia crescendo e as casas aumentando.</p>



<p>Em 2017, depois de algumas décadas ali, a família entrou com um pedido de usucapião. Foram em sete cartórios e não encontraram nenhuma escritura de posse da área. O instrumento de usucapião, contudo, não é válido para terrenos públicos. A Justiça então solicitou que várias entidades se manifestassem se tinham interesse naquele terreno. Em 2021, a Prefeitura do Recife disse que tinha interesse.</p>



<p>Morando na casa da avó, Aira Santos é quem está por dentro da luta na Justiça para que a família permaneça no local. Estudante de engenharia civil, ela conta que, quando a família foi na URB, recebeu a informação de que só iriam retirar 15 metros do terreno, e que não afetaria as casas. “Mas em 2024 o processo de usucapião parou, porque a juíza intimou novamente a prefeitura e, logo depois, a juíza disse que não poderia mais julgar o caso, que passou para outro juiz”, conta. A prefeitura então começou um processo de desapropriação, oferecendo R$ 224 mil pelas três casas, que ficam em um terreno com mais de 900 metros quadrados.</p>



<p>No final do ano passado, o Ministério Público se manifestou solicitando que um perito judicial avaliasse o imóvel. Enquanto essa avaliação não é feita, a prefeitura não pode retirar as casas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/Flor-1-1024x682.jpeg" alt="A foto mostra duas pessoas em pé sobre um terreno irregular, coberto por entulho e pedaços de madeira. Ao fundo, há palmeiras altas e vegetação densa, contrastando com prédios modernos e bem cuidados que aparecem atrás. A cena evidencia o contraste entre um espaço degradado em primeiro plano e a urbanização organizada ao fundo." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Dona Luciene e Sandra no quintal da casa onde moram há décadas</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em uma das casas funciona também uma pizzaria, que é o sustento da família de uma das filhas de dona Luciene. Ninguém quer sair da avenida – ainda mais para ir para um habitacional. Uma agregada da família mora no habitacional Lemos Torres, mas todo dia está na casa da família de Aira. “Morar em habitacional é muito ruim, muita confusão. É quente demais, apertado, não dá pra ficar dentro de casa durante a tarde. Deus me perdoe, mas eu preferia minha casinha na favela”, diz Maria Célia. Para Rayana Maria, que mora com a avó, a prefeitura poderia mudar o desenho do projeto para mantê-los lá. “Por que não vai retirar ninguém que mora nos prédios? Estão querendo mexer só nos mais necessitados, tirar só o pessoal que é mais pobre”, reclama.</p>



<p>Há aproximadamente dez dias, quando a prefeitura foi fazer uma nova medição na casa da família vizinha, Aira conta que técnicos foram lá falar com a avó dela. “Tentaram coagir, manipular minha avó a aceitar a proposta da URB. Ficaram dizendo que a URB pagava muito bem, que se fosse para a Justiça iria receber muito menos”, conta Aira. “O pessoal acha que por se tratar de uma pessoa humilde, que não ia ter nenhum conhecimento e que ia abaixar a cabeça. Eu disse à pessoa da prefeitura que não ia adiantar, que a questão já estava há tempos na Justiça”, reclamou Aira. “Fui no outro dia na URB e também tentaram me coagir, dizendo que o pedido de usucapião que fizemos na Justiça foi indeferido, mas não foi, ainda estamos recorrendo na Justiça”, disse.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/desapropriacoes-para-construcao-da-ponte-cordeiro-casa-forte-deverao-custar-cerca-de-r-56-milhoes/" class="titulo">Desapropriações para construção da ponte Cordeiro-Casa Forte deverão custar cerca de R$ 5,6 milhões</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Disputa também por terreno ao lado</h2>



<p>Vizinha às três casas está também outro imóvel multifamiliar, que serve não só como residência, mas também como comércio. São 1.040 metros quadrados onde mora a família do falecido advogado Fuad Facury e funciona um depósito de água e salas comerciais de aluguel. A prefeitura quer desapropriar metade do terreno, demolindo toda a área do depósito, boa parte da piscina da família e as três garagens. Por lá, as reclamações são parecidas: coerção da URB, indenização abaixo do valor de mercado e a não comprovação que se trata de uma área pública.</p>



<p>Uma das moradoras, Michelle Fuad, conta que a prefeitura quer desapropriar 457 metros quadrados da propriedade da família, mas só quer pagar 144 m². A maior parte, 313m², a prefeitura diz que é área pública invadida pela família Fuad. “Mas o IPTU aqui de casa é cobrado por 1.040 m². São cerca de R$ 18 mil que meu pai pagava de imposto. E agora a prefeitura, que recebeu por muitos anos esse imposto, quer dizer que é invasão”, reclama Michelle, que diz que a prefeitura não provou que é dona da área. “No laudo de engenharia a própria prefeitura diz que o imóvel tem 1.040 metros. Quer dizer, para cobrar, tem 1.040, mas para indenizar tem menos de 700. Nunca se fez pedido de usucapião dessa área, porque nunca houve o problema”, conta o advogado da família, Flávio Koury.</p>



<p>A escritura, porém, é de 727 m². Ter ou não a escritura de um terreno muda muito a avaliação que a URB faz do imóvel. Com escritura, o proprietário recebe o valor pela construção e pelo terreno. Sem a escritura, só recebe pelas benfeitorias. Mas até o pagamento da parte com escritura é contestada pela família. “É coisa de R$ 3 mil o metro quadrado, muito abaixo do que é cobrado aqui no bairro”, diz Michelle.</p>



<p>Assim como os vizinhos, a família Fuad reclama da pressão da URB. “Depois dessa confusão toda, essa família está sofrendo o que na justiça se chama de<em> stalking</em>, ou seja estão sendo perseguidos. Queriam que ela assinasse um documento, mas não a deixaram ler o documento. Já veio Defesa Civil aqui demolir uma parte da garagem dizendo que estava para cair. Logo agora? Uma construção com 40 anos e por que essa coincidência logo quando a família não aceita a indenização da prefeitura?, questiona o advogado.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/Flor-2-1024x576.jpeg" alt="A foto mostra uma vista aérea de um bairro urbano com construções variadas — algumas casas com telhados de telha, outras com coberturas de metal. Um dos prédios tem painéis solares instalados no telhado. Na parte inferior, há uma rua pavimentada com carros estacionados e em movimento. Um canal estreito atravessa a área, ladeado por vegetação e palmeiras. Mais ao fundo, aparecem outros edifícios e uma pequena quadra esportiva verde." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Moradores dizem que prefeitura não comprovou que se trata de área pública
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em resposta a Marco Zero sobre as denúncias, a Autarquia de Urbanização do Recife (URB) afirmou que não adota qualquer prática de coerção e que a “via administrativa é sempre priorizada por ser mais célere e vantajosa para ambas as partes, embora os interessados tenham assegurado o direito de recorrer à via judicial”. A URB também informou que &#8220;o processo de negociação é conduzido de forma transparente, com apresentação das informações e garantia de que os proprietários possam analisar integralmente a documentação”.</p>



<p>Sobre o imóvel da família Fuad Facury, a URB afirmou que ele é alvo de ação judicial de desapropriação para obras de requalificação do canal do Parnamirim. “A URB afirma que foi solicitada a desapropriação parcial do imóvel, abrangendo tanto área de propriedade privada, regularmente registrada em cartório, quanto uma parte edificada sobre área pública”.</p>



<p>Já sobre as três casas da família Santos, a URB afirmou que também estão inseridas no conjunto de desapropriações para a requalificação do canal do Parnamirim e a intervenção no entorno do Largo do Holandês. “Eventuais ajustes na metragem resultam na atualização proporcional dos valores, já aprovados judicialmente e cujos depósitos foram realizados”.</p>



<p>A nota da URB também fala sobre as avaliações. De acordo com o órgão da prefeitura, o valor é baseado em tabela atualizada, validada por órgãos de controle como o Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE) e a Caixa Econômica Federal (CEF).</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">A resposta da Prefeitura do Recife</span>

		<p>A Autarquia de Urbanização do Recife (URB) explica que o imóvel é alvo de ação judicial de desapropriação para obras de requalificação do Canal do Parnamirim. Foi solicitada a desapropriação parcial do imóvel, abrangendo tanto área de propriedade privada, regularmente registrada em cartório, quanto uma parte edificada sobre área pública. A residência foi avaliada de acordo com critérios como documentação legal, área construída e benfeitorias. O valor é baseado em tabela atualizada, validada por órgãos de controle como o TCE e a CEF. A gestão municipal já realizou o depósito judicial referente à indenização da faixa de terreno particular e das respectivas benfeitorias, bem como das benfeitorias existentes na área pública ocupada.</p>
<p>As três últimas casas da via também estão inseridas no conjunto de desapropriações para a requalificação do Canal e a intervenção no entorno do Largo do Holandês. Eventuais ajustes na metragem resultam na atualização proporcional dos valores, já aprovados judicialmente e cujos depósitos foram realizados. Em relação a alegações de divergência nas medições, a URB esclarece que os levantamentos seguem critérios técnicos padronizados, não havendo inconsistências nos laudos emitidos. A Autarquia reafirma ainda que não adota qualquer prática de coerção. O processo de negociação é conduzido de forma transparente, com apresentação das informações e garantia de que os proprietários possam analisar integralmente a documentação. A via administrativa é sempre priorizada por ser mais célere e vantajosa para ambas as partes, embora os interessados tenham assegurado o direito de recorrer à via judicial. A URB esclarece ainda que a Praça Flor de Santana já é um equipamento existente, localizado na Rua Sant’Anna, e não possui relação com o Largo do Holandês. A área passará por requalificação no contexto das obras da ponte que ligará os bairros do Cordeiro e de Casa Forte.</p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Sem corredor de ônibus e com ciclovia de 1 m de largura, ponte Cordeiro-Casa Forte é alvo de denúncia ao MPPE</title>
		<link>https://marcozero.org/sem-corredor-de-onibus-e-com-ciclovia-de-1m-de-largura-ponte-cordeiro-casa-forte-e-alvo-de-denuncia-ao-mppe/</link>
					<comments>https://marcozero.org/sem-corredor-de-onibus-e-com-ciclovia-de-1m-de-largura-ponte-cordeiro-casa-forte-e-alvo-de-denuncia-ao-mppe/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Dec 2025 15:47:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[ameciclo]]></category>
		<category><![CDATA[mmppe]]></category>
		<category><![CDATA[ponte cordeiro-casa forte]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A ponte que vai ligar o bairro do Cordeiro, na zona oeste do Recife, à Casa Forte, na zona norte, está ainda em fase de licitação, mas utiliza parâmetros de leis municipais de mais de dez anos atrás. Além disso, é mais uma ponte no Recife que privilegia o automóvel individual, em detrimento do transporte [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A ponte que vai ligar o bairro do Cordeiro, na zona oeste do Recife, à Casa Forte, na zona norte, está ainda em fase de licitação, mas utiliza parâmetros de leis municipais de mais de dez anos atrás. Além disso, é mais uma ponte no Recife que privilegia o automóvel individual, em detrimento do transporte público, do pedestre e da bicicleta. No projeto da nova ponte, a ciclovia possui apenas um metro de largura. As denúncias são da Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo) ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE).</p>



<p>A Ameciclo fez um amplo levantamento do projeto da ponte elaborado pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB) para a elaboração de um parecer técnico e, depois, de representação junto ao MPPE. Nos documentos, a associação afirma que a prefeitura do Recife utiliza como base técnica para o projeto da ponte o Plano de Mobilidade do Recife de 2011 e o Plano Diretor de Transporte Urbano do Recife de 2008. Ambos os planos contam com versões mais recentes, atualizadas em 2021.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Uma ponte projetada para carros</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">As dimensões da </span><b>estrutura do projeto da ponte Cordeiro-Casa Forte</b><span style="font-weight: 400;">:</span></p>
<ul>
<li><b>Ciclovia:</b><span style="font-weight: 400;"> 1 metro de largura.</span></li>
<li><b>Calçadas (Passeios):</b><span style="font-weight: 400;"> 1,2 metro de largura.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><b>sistema viário de apoio</b><span style="font-weight: 400;"> e requalificação das ruas do entorno, o projeto apresenta os seguintes perfis:</span></p>
<ul>
<li><b>Infraestrutura cicloviária:</b><span style="font-weight: 400;"> Existem trechos unidirecionais com larguras de </span><b>1 m e 1,5 m</b><span style="font-weight: 400;">. Na única ciclovia bidirecional prevista (Rua Souza Bandeira), a largura é de </span><b>2,5 m</b><span style="font-weight: 400;">.</span></li>
<li><b>Calçadas nas ruas adjacentes:</b><span style="font-weight: 400;"> O padrão adotado em diversos trechos (como na avenida General San Martin e Rua Joaquim Alheiros) é de </span><b>2,12 m</b><span style="font-weight: 400;">. Em locais com paradas de ônibus, essa largura de 2,12 m é considerada crítica, pois os abrigos ocupam 1,8 m, restando pouco espaço para a circulação.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Os parâmetros mínimos recomendados pelo </span><b>Manual de Desenho de Ruas do Recife (MDR) </b><span style="font-weight: 400;">para garantir a segurança e o conforto dos usuários:</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<ul>
<li><b>Ciclovias:</b><span style="font-weight: 400;"> O MDR recomenda </span><b>2 m</b><span style="font-weight: 400;"> para unidirecionais e </span><b>3 m</b><span style="font-weight: 400;"> para bidirecionais, sempre acompanhados de um </span><b>buffer de proteção de 1 m</b><span style="font-weight: 400;"> (inexistente no projeto atual).</span></li>
<li><b>Calçadas:</b><span style="font-weight: 400;"> Para áreas residenciais, o manual indica uma </span><b>faixa livre de 2,4 m</b><span style="font-weight: 400;"> somada a uma </span><b>faixa de serviço de 1,5 m</b><span style="font-weight: 400;"> (totalizando 3,90 m), enquanto áreas comerciais deveriam ter calçadas de até </span><b>7,1 m</b><span style="font-weight: 400;">.</span></li>
</ul>
<p><b>Mais espaço para automóveis</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As faixas de rolamento para automóveis na ponte, no entanto, são superdimensionadas no projeto: variam de 3,2 a 3,3 m e chegam a 3,8 m em ruas do sistema viário da ponte, valores que excedem o limite de 3 m recomendado para vias urbanas.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
	</div>



<p>Pelo projeto, as ciclovias apresentam diferentes perfis, incluindo trechos unidirecionais com larguras de 1m e 1,5 m, além de um trecho bidirecional de 2,5 m na rua Souza Bandeira. O desenho do sistema viário para a nova ponte revela ainda pontos de descontinuidade, como na avenida Professor Estevão Francisco da Costa, onde a ciclofaixa é interrompida para a instalação de vagas de estacionamento, e uma falta de conexão com a malha cicloviária já existente na região.</p>



<p>O sistema viário favorece os automóveis, trazendo faixas de rolagem mais largas do que está estabelecido no Manual de Desenho de Ruas do Recife (MDR), que recomenda larguras entre 2,70 m e 3,00 m para áreas urbanas. Na avenida Professor Estevão Francisco da Costa, por exemplo, a média das faixas é de até 3,80 m, valor 41% mais largo do que a normativa. <a href="https://www.mdpi.com/2071-1050/17/2/628" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Estudos apontam que quanto mais larga </a>a faixa de rolagem, maior é a velocidade que os carros tendem a desenvolver e mais acidentes acontecem.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/moradores-do-cordeiro-reclamam-do-valor-das-indenizacoes-para-dar-lugar-a-nova-ponte/" class="titulo">Moradores do Cordeiro reclamam do valor das indenizações para dar lugar à nova ponte</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“A avenida General San Martin vai passar a ser de mão única, mas, apesar dessa mudança de fluxo, não há previsão para a instalação de ciclovias nem de faixas exclusivas para ônibus na via”, critica Daniel. “O documento da prefeitura começa justificando a ponte sob a necessidade de um novo corredor de transporte público, mas, quando você vai ver, não tem nada de transporte público lá no projeto, a não ser três paradas de ônibus. Não tem nenhum corredor exclusivo para transporte público”, denuncia.</p>



<p>O coordenador da Ameciclo ressalta ainda que a justificativa técnica para a ponte utiliza dados de tráfego de 2013. “No próprio estudo, a prefeitura admite que os níveis de serviço viário em avenidas importantes, como a Caxangá e a 17 de Agosto, irão piorar após a implementação da ponte”, afirma.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/projetoponte1-300x139.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/projetoponte1-1024x473.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/projetoponte1-1024x473.png" alt="A imagem apresenta um corte transversal de uma avenida com 23,60 m de largura total, organizada para acomodar diferentes modos de transporte e circulação; nas extremidades há calçadas de 120 cm para pedestres, seguidas por ciclovias de 100 cm com faixas de proteção de 40 cm, depois vêm faixas de segurança e quatro pistas de tráfego misto para veículos, com larguras entre 320 e 330 cm, separadas por um canteiro central de 308 cm; o desenho também indica inclinações de 1,0%, 2,0% e 2,5% para drenagem, e inclui representações visuais de pessoas caminhando, ciclistas e automóveis, ilustrando como cada espaço é utilizado." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Com 380 metros de extensão e aproximadamente 11 metros de altura, a nova ponte, que será estaiada, deixa espaço mínimo para calçada e ciclovia. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: URB/Prefeitura do Recife</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Orçada em mais de R$ 236 milhões, a futura ponte Cordeiro-Casa Forte é apresentada pelo prefeito João Campos (PSB) como um “<a href="https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/11/10/2025/prefeitura-do-recife-lanca-licitacao-para-construcao-de-ponte-que-vai-ligar" target="_blank" rel="noreferrer noopener">feito histórico para o Recife</a>”, mas, para a Ameciclo, viola as leis municipais de mobilidade. “Parece que não adianta a sociedade civil e o poder público desenvolverem planos como o Parque Capibaribe e o Recife 500 anos, passar um tempão projetando uma cidade bonita – que não é a que eu sonho, mas é a possível –, para na hora de construir chegar a URB e a prefeitura e tacarem carros em cima das pessoas, como uma ciclovia de 1 metro de largura. Deliberadamente, a URB e a CCTU (Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife) não seguem as próprias leis municipais do Recife”, avalia Daniel Valença.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>MPPE marca audiência para janeiro</strong></h2>



<p>Outro ponto da denúncia ao MPPE é a falta de transparência e a exclusão da participação popular no projeto, como tem sido reportado em <a href="https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/11/10/2025/prefeitura-do-recife-lanca-licitacao-para-construcao-de-ponte-que-vai-ligar" target="_blank" rel="noreferrer noopener">várias reportagens da Marco Zero</a>. Daniel Valença ressalta que o Conselho da Cidade não foi consultado e que audiências públicas obrigatórias sobre o projeto não foram realizadas. Há também erros grosseiros na licença de instalação, que cita o bairro de Casa Amarela em vez de Santana.</p>



<p>O MPPE vai fazer uma audiência virtual no dia 9 de janeiro de 2026, às 10h, com a participação da Ameciclo e da Autarquia de Urbanização do Recife (URB). A Ameciclo também entrou com uma ação na Justiça contra a Prefeitura do Recife em que solicita o cancelamento ou o adiamento da licitação. A MZ questionou a URB sobre o motivo do projeto da ponte não seguir a legislação vigente, mas não obtivemos resposta até o fechamento desta reportagem.</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Cinco pontos da denúncia entregue ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE):</span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span> Descumprimento de normas técnicas: o projeto subdimensiona as infraestruturas de mobilidade ativa, prevendo calçadas de 1,2 m e ciclovias de 1 m, valores que violam os parâmetros mínimos estabelecidos pelo Manual de Desenho de Ruas do Recife.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Ausência de corredores de ônibus: embora o título da licitação mencione a implantação de corredores exclusivos de ônibus, as peças técnicas do projeto não preveem tais estruturas, focando apenas no escoamento de veículos particulares sob a justificativa de &#8220;aliviar o trânsito&#8221;.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Priorização do transporte individual motorizado: a proposta privilegia o fluxo de automóveis com faixas de rolamento superdimensionadas, contrariando a Política Municipal de Mobilidade Urbana, que determina a prioridade para pedestres, ciclistas e do transporte público.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Falta de transparência e participação popular: o documento de representação ao MPPE aponta que o Conselho da Cidade do Recife não foi consultado, não houve nenhuma audiência pública prévia e a prefeitura do Recife omitiu-se em responder aos pedidos de acesso à informação realizados pela comunidade de Santana.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>Impacto negativo sobre as comunidades: o projeto ameaça o território da comunidade de Santana, que vai ter suas ruas transformadas com a instalação do sistema viário da ponte. O parecer aponta também riscos de gentrificação e expulsão indireta dos moradores. Como outras reportagens da Marco Zero apontam, do outro lado da ponte a comunidade de Cocheira, no Cordeiro, vai ser praticamente toda expulsa. </p>
            </div>
            </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/sem-corredor-de-onibus-e-com-ciclovia-de-1m-de-largura-ponte-cordeiro-casa-forte-e-alvo-de-denuncia-ao-mppe/">Sem corredor de ônibus e com ciclovia de 1 m de largura, ponte Cordeiro-Casa Forte é alvo de denúncia ao MPPE</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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