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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura está paralisado no Governo Raquel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Jun 2023 20:25:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O decreto 54.393/2023 da governadora Raquel Lyra (PSDB), que exonerou, em janeiro, servidores em cargos comissionados e suspendeu gratificações, ainda está tendo efeitos em Pernambuco. Sem uma nova seleção de peritos mais de seis meses depois, o Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura está paralisado.  O governo estadual está sendo acusado de tentar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O <a href="https://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?tiponorma=6&amp;numero=54393&amp;complemento=0&amp;ano=2023&amp;tipo=&amp;url=" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decreto 54.393/2023</a> da governadora Raquel Lyra (PSDB), que exonerou, em janeiro, servidores em cargos comissionados e suspendeu gratificações, ainda está tendo efeitos em Pernambuco. Sem uma nova seleção de peritos mais de seis meses depois, o Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura está paralisado. </p>



<p>O governo estadual está sendo acusado de tentar aparelhar o órgão ao insistir na escolha dos novos nomes, o que poderia, segundo as críticas, comprometer a independência política e institucional dos membros. Essa é a primeira vez que o mecanismo tem suas atividades interrompidas desde sua criação há mais de 10 anos.</p>



<p>Previsto em lei <a href="https://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?tiponorma=1&amp;numero=14863&amp;complemento=0&amp;ano=2012&amp;tipo=&amp;url=#:~:text=Texto%20Original&amp;text=LEI%20N%C2%BA%2014.863%2C%20DE%207,Pernambuco%2C%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias." target="_blank" rel="noreferrer noopener">(Lei 14.863/2012)</a>, o órgão exerce a defesa dos direitos humanos de pessoas privadas de liberdade por meio de visitas regulares a diferentes sistemas, como o prisional, o socioeducativo, as instituições de longa permanência para idosos, os abrigos, as delegacias, as comunidades terapêuticas e os hospitais psiquiátricos. Os peritos também podem requisitar a instauração de procedimento criminal e administrativo caso se constatem indícios de prática de tortura ou de tratamento cruel, desumano e degradante. </p>



<p>Na prática, a falta de atividades do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura significa que não estão sendo realizadas inspeções por parte do órgão nesses espaços desde que a governadora assumiu. Isso estaria afetando a veiculação de possíveis denúncias de tortura e outras violações de direitos por parte, por exemplo, de agentes carcerários e socioeducativos. </p>



<p>Ao todo, seis peritos, com previsão de cargos comissionados ligados à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), exercem essas atividades em Pernambuco, um dos primeiros estados do Brasil a ter esse tipo de sistema. Os exonerados pelo decreto de Raquel, em 2 de janeiro deste ano, estavam no cargo desde 2015, quando o então governador Paulo Câmara assumiu.</p>



<p>Conforme a legislação, a escolha dos peritos deveria ter a contribuição do Comitê Estadual de Combate e Prevenção à Tortura, que sugerirá nomes de possíveis integrantes ao governador do Estado. O comitê em Pernambuco elaborou um edital este ano, porém ele esbarrou na Procuradoria Geral do Estado (PGE) e ainda não foi publicado pelo Executivo. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O que diz a lei 14.863/2012</p><p>&#8220;O Comitê Estadual de Combate e Prevenção à Tortura é um órgão autônomo, deliberativo e consultivo da política pública de combate à tortura em todo Estado de Pernambuco, composto por 20 membros, de forma paritária entre o poder público estadual e a sociedade civil&#8221;.</p></blockquote>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> procurou a SJDH diversas vezes desde o dia 19 de maio, data do primeiro contato. Até agora, no entanto, não obteve qualquer retorno ou posicionamento da pasta sobre a seleção dos novos peritos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Independência em xeque</strong></h2>



<p>Em parecer elaborado a pedido da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, a que a <strong>Marco Zero</strong> teve acesso, a Procuradoria Geral do Estado defende, entre outros pontos, que, mesmo mediante seleção, a governadora Raquel Lyra poderá ou não acatar as sugestões provenientes do processo seletivo, uma vez que a função de perito é um cargo comissionado.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.slideshare.net/IncioFrana2/pareceradm202302001470mecanismo-torturapdf
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<p>Por outro lado, um ofício conjunto em resposta à PGE, rebate e avalia que esse entendimento corrobora para um “aparelhamento funcional” dos membros do mecanismo em Pernambuco por parte do governo Raquel, uma vez que, dessa forma, a gestão não está prezando nem garantindo a independência e autonomia formal do órgão. O ofício é assinado por Camila Antero e Carolina Barreto, ambas da coordenação colegiada do Mecanismo Nacional de Combate e Prevenção à Tortura, juntamente com Sofia Fromer Manzalli, vice-presidente do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura.</p>



<p>A “ociosidade prolongada” do mecanismo em Pernambuco constituiu um “retrocesso no compromisso assumido pelo Estado Brasileiro ao ratificar a Convenção contra Tortura e seu respectivo Protocolo Facultativo (OPCAT)”, avaliam.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.slideshare.net/IncioFrana2/oficio-conjunto-circular12023-mecanismo-torturapdf
</div></figure>



<p>“Não é demais lembrar que o Estado de Pernambuco é um dos entes federados que apresenta a situação mais dramática, tendo, desde 2011, a situação inconstitucional e indigna dos privados de liberdade no Complexo do Curado sido objeto de litígio na Corte Interamericana de Direitos Humanos”, relembram as especialistas. </p>



<p>Para Wilma Melo, presidenta do Serviço Ecumênico de Militância nas Prisões (Sempri), representante dos beneficiários das Medidas Provisórias da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Complexo do Curado, “Pernambuco não é uma república independente, mas um ente federado, portanto deve se mirar nos protocolos internacionais e leis existentes na esfera federal. Não encontrando consenso, nem explicação na insistência do poder executivo decidir na escolha dos peritos(as), o que fragiliza o funcionamento do Mecanismo como órgão autônomo de Prevenção e Combate à Tortura”.</p>



<p>Além disso, o edital elaborado pelo comitê, aponta a PGE, também não pode prever mandatos por tempo determinado para os membros por falta de previsão legal nesse sentido e porque estabelecer um prazo determinado seria incompatível com o perfil legal do cargo comissionado, que possibilita livre nomeação e exoneração a qualquer tempo pela governadora.</p>



<p>Porém, a participação da governadora, defendem as especialistas Camila, Carolina e Sofia, deveria ser do tipo <em>pro forma</em>, ou seja, uma formalidade no ato da nomeação dos peritos, assim como acontece na seleção para compor o Mecanismo Nacional.</p>



<p>Pela lógica, diz o ofício assinado conjuntamente, a atuação do mecanismo estadual “deve ser livre de influências políticas de governantes e de outros órgãos de estado, uma vez que são responsáveis pelas ações e omissões que recaem sobre pessoas privadas de liberdade em diferentes sistemas geridos pelo próprio poder público e são objetivamente responsáveis pela observância dos direitos básicos dessas populações”.</p>



<p>A resposta à PGE lembra ainda que a composição do comitê estadual já conta com representação de órgãos do Poder Executivo, “de modo que a participação do poder público no processo seletivo dos membros do mecanismo é garantida”.</p>



<p>Sobre os mandatos, apesar de a legislação que institui o mecanismo (a citada <a href="https://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?tiponorma=1&amp;numero=14863&amp;complemento=0&amp;ano=2012&amp;tipo=&amp;url=#:~:text=Texto%20Original&amp;text=LEI%20N%C2%BA%2014.863%2C%20DE%207,Pernambuco%2C%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias.">Lei 14.863/2012</a>) não prever tempo determinado para os cargos de peritos, as representantes do mecanismo e do comitê nacionais defendem que não faz sentido manter-se um mecanismo preventivo com livre nomeação e livre exoneração, “pois não se trata de cargos de confiança do governo”.</p>



<p>A previsão e duração de mandatos é, portanto, importante para “mitigar a livre exoneração, a interferência política, a acomodação institucional e a garantia de continuidade do trabalho do(a) especialista”, defendem.</p>



<p>Pensando nesse fim, o edital elaborado este ano pelo comitê estadual prevê mandatos escalonados. “Ainda que imperiosa e necessária alteração legislativa, esta não pode ser utilizada como subterfúgio para adiar indefinidamente o restabelecimento do órgão”, rebate o documento.</p>



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	                                        <p class="m-0">Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou, em 2018, o Estado brasileiro por situação do Complexo do Curado. Foto: Google Street View</p>
	                
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